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Anatomia o telencéfalo O telencéfalo é procedente da vesícula primordial, o prosencéfalo, e composto de dois hemisférios cerebrais. O grande desenvolvimento dos hemisfrios cerebrais sucedidos durante a evolução das espécies atingiu com a caracterização do cérebro humano, cujas competências mais distintas se devem particularmente ao aparecimento e a formação do neocórtex, essencial responsável pelo maior tamanho do SNC em relação ao corpo, o grau de encefalização e, principalmente, pela sua complexa rede neural.Cada hemisfério cerebral, por conseguinte, é formado por uma camada externa de neurônios composta por substância cinzenta, designada de córtex cerebral; pelos núcleos da base; pelo complexo amigdaloide; pelos outros núcleos límbicos justacorticais; e pela substância branca subcortical composta pelos diversos tipos de fibras nervosas, ou seja, as fibras de associação inter- e intra-hemisféricas e as fibras de projeção. Cada hemisfério cerebral ainda aloja a sua respectiva cavidade ventricular, os ventrículos laterais, cujas paredes são compostas pelas estruturas do telencéfalo mais profundas.Os dois hemisférios cerebrais têm um formato ovoide, de menores proporções anteriormente, com aproximadamente 160 a 180 milímetros de diâmetro no plano sagital, e 140 a 150 de milímetros de diâmetro no plano transversal. Em relação ao peso atribuído para o cérebro, a maior parte pertence aos hemisférios cerebrais, pois o diéncefalo é uma parte muito pequena em comparação com os hemisférios cerebrais. O peso do cérebro em humanos é aproximadamente de 1175 gramas, sendo mais pesado nos homens do que nas mulheres. Raramente o peso de ambos os hemisférios cerebrais é idêntico, na maioria das vezes, o hemisfério cerebral direito varia em relação ao hemisfério cerebral esquerdo em algumas gramas. Além disso, há uma assimetria cerebral. De tal modo, os hemisférios cerebrais compõem a maior parte do encéfalo. Cada hemisfério cerebral possui: um polo frontal, um polo occipital, e um polo temporal. Tem três superfícies: a superolateral, a medial, e a inferior ou basal. À medida que as superfícies superolaterais dos hemisférios cerebrais se organizam sob a calvária; as superfícies mediais se confrontam, existindo entre si a foice do cérebro; e as superfícies inferiores ou basais repousam sobre a metade anterior da base do crânio, entre a fossa anterior do crânio e a fossa média do crânio e; sobre o tentório do cerebelo, uma primeira prega horizontal da dura-máter que separa os hemisférios cerebrais do cerebelo. Os hemisférios cerebrais são incompletamente separados pela fissura longitudinal do cérebro, e ligados por feixes de fibras de ambos os lados, que compõem as comissuras. A fissura longitudinal do cérebro abrange a segunda prega afoiçada da dura-máter, a foice do cérebro, e as artérias cerebrais anteriores. Nas profundezas da fissura longitudinal do cérebro, a grande comissura, o corpo caloso, une os hemisférios cerebrais por meio da linha média. Ao examinar os hemisférios cerebrais a olho nu, se observa que sua superfície não é lisa, contudo, sim, pregueada. Essas pregas, anatomicamente designadas de giros, são dobras do tecido nervoso, e uma tática evolutiva para aumentar a área do córtex cerebral sem que seja necessário elevar o volume do crânio. Cada giro é delimitado por sulcos ou fissuras. Certos sulcos são constantes e adquirem nomes, sendo usados para delimitar anatomicamente os lobos do cérebro. Os lobos do cérebro são designados conforme os ossos do crânio sob os quais se situam. O sulco central ou fissura de Rolando, o sulco parietooccipital, o sulcos lateral, ou fissura de Sílvio, e o sulco calcarino são os limites utilizados para a divisão do hemisfério cerebral: no lobo frontal, no lobo parietal, no lobo temporal e no lobo occipital. Principais sulcos Os principais sulcos, geralmente apresentam uma profundidade que varia de um a dois centímetros, e, dadas as suas organizações preponderantemente perpendiculares em relação à convexidade do cérebro, eles tendem a marcar para os ventrículos encefálicos mais próximos, o que compõe uma particularidade com relevantes implicações microneurocirúrgicas. O sulco central é profundo e contínuo, principiando-se na face medial do hemisfério cerebral, contornando-o dorsalmente, e se dirigindo anterior e ventralmente. O sulco lateral inicia na base do cérebro, lateralmente à substância perfurada anterior, e prossegue horizontalmente na face lateral do hemisfério cerebral. O sulco lateral divide-se em um ramo ascendente, em um ramo anterior, que são curtos, e adentram no lobo frontal, e em um ramo posterior, longo, e se conduz posterior e dorsalmente, acabando no lobo parietal. O lobo parietal, situado laterodorsalmente no hemisfério cerebral, faz limite também com o lobo occipital, e essa separação é feita pelo sulco parietooccipital, visível na face medial do hemisfério cerebral. O sulco calcarino é visto na face medial do hemisfério cerebral. Inicia embaixo da extremidade posterior do corpo caloso, e encurva-se para cima e para trás até atingir o polo occipital, onde acaba. Em alguns encéfalos, todavia, prossegue por uma curta distância na face lateral do hemisfério cerebral. O sulco calcarino recebe em ângulo agudo o sulco parietooccipital aproximadamente na metade da sua extensão. Lobos do cérebro A tradicional divisão de cada hemisfério cerebral em cinco lobos, sendo quatro relacionados aos ossos do crânio, e o lobo insular tomam como principais limites: o sulco central, o sulco lateral, e uma linha imaginária que liga a emergência superomedial do sulco parietooccipital com a incisura pré-occipital, que por sua vez localiza-se na margem inferolateral, aproximadamente cinco centímetros anteriormente ao polo occipital. O mais atual ponto de vista de considerar o giro pré-central e o giro pós-central como um lobo do cérebro, designado de lobo central, e as estruturas límbicas como outro lobo isolado, designado de lobo límbico, torna a divisão dos lobos do cérebro menos tirânica e mais relevada, uma vez que cada um dos lobos do cérebro passa a concentrar áreas mais afins do ponto de vista anatômico e do ponto de vista funcional. De tal modo, cada hemisfério cerebral é composto por sete lobos do cérebro: o lobo frontal, o lobo central, o lobo parietal, o lobo occipital, o lobo temporal, o lobo insular e o lobo límbico. O lobo frontal ocupa a área anterior ao sulco central e superior ao sulco lateral. A face superolateral do lobo frontal é dividida por três sulcos em quatro giros. O sulco pré-central prossegue paralelamente ao sulco central, e o giro pré-central localiza-se entre eles. Estendendo-se anteriormente a partir do sulco pré-central estão: o sulco frontal superior e o sulco frontal inferior. O giro frontal superior é superior ao sulco frontal superior; o giro frontal médio está entre o sulco frontal superior e o sulco frontal inferior; e o giro frontal inferior situa-se abaixo do sulco frontal inferior. O giro frontal inferior é invadido pelo ramo anterior do sulco lateral e o ramo ascendente do sulco lateral. No lobo frontal, o giro frontal inferior no hemisfério cerebral esquerdo na maioria dos indivíduos contém a área da fala de Broca, que é fundamental para a articulação da fala. Grande parte do lobo frontal abrange o córtex de associação pré-frontal. O córtex de associação pré-frontal é relevante no pensamento, na cognição, e nas emoções. Os transtornos psiquiátricos do pensamento, como na esquizofrenia, e os transtornos do humor, como a depressão, estão ligados a funções anormais do córtex pré-frontal de associação. Embora o órgão sensorial do olfato, o bulbo olfatório, permaneça situado na face ventral do lobo frontal, suas conexões estão prevalentemente no lobo temporal. O lobo parietal ocupa a área posterior ao sulco central e superior ao sulco lateral; estende-se posteriormente até o sulco parietooccipital. A face lateral do lobo parietal é dividida por dois sulcos em três giros. O sulco pós-central prossegue paralelamente ao sulcocentral, e o giro pós-central localiza-se entre eles. Prosseguindo posteriormente a partir do meio do sulco pós-central jaz o sulco intraparietal. Superior ao sulco intraparietal existe o lóbulo parietal superior, e inferior ao sulco intraparietal, o lóbulo parietal inferior. O lobo parietal intercede nas percepções de tato, de dor, e de posição dos membros. Essas funções são executadas pelo córtex somatossensorial primário, que está situada no giro pós-central. As áreas sensoriais primárias são os estágios principais do processamento cortical para os dados sensoriais. O lóbulo parietal superior contém áreas somatossensoriais de ordem superior, para o processamento posterior dos dados somatossensoriais, e outras áreas sensoriais. Juntas, essas áreas são fundamentais para uma autoimagem completa do corpo, e intercedem as interações comportamentais com o mundo em torno. Uma lesão nessa parte do lobo parietal no hemisfério direito, o lado do encéfalo humano especializado pela consciência espacial, gera sinais neurológicos bizarros que abrangem o desmazelo de uma parte do corpo no lado contrário da lesão. Por exemplo, um paciente pode não vestir uma parte do corpo, ou pentear tão somente metade do cabelo. O lóbulo parietal inferior participa na integração de vários dados sensoriais para percepção e linguagem, o raciocínio matemático e a cognição visuoespacial. O lobo temporal ocupa a área inferior ao sulco lateral. A face lateral do lobo temporal é dividida por dois sulcos em três giros. O sulco temporal superior e o sulco temporal médio prosseguem paralelamente ao ramo posterior do sulco lateral e dividem o lobo temporal: no giro te-poral superior, no giro temporal médio, e no giro temporal inferior; o giro temporal inferior prossegue na face inferior do hemisfério cerebral. Afastando-se os lábios do sulco lateral, surge seu assoalho, que é parte do giro temporal superior. A parte posterior deste assoalho é atravessada por pequenos giros transversais, os giros temporais transversos, dos quais o mais claro, o giro temporal transverso anterior, ou giro transverso de Heschl. O lobo temporal intercede uma abundância de funções sensoriais, e participa na memória e nas emoções. O córtex auditivo primário, situado no giro temporal superior, age nas áreas adjacentes no giro temporal superior e dentro do sulco lateral; e o sulco temporal superior na percepção e na localização de sons. O giro temporal superior no lado esquerdo é especializado na fala. Lesão da parte posterior desse giro, que está situada na área de Wernicke, afeta a compreensão da fala. O giro temporal médio, principalmente a parte próxima do lobo occipital, e´ fundamental para a percepção do movimento visual. O giro temporal inferior intercede à percepção da forma visual e das cores. O giro temporal transverso anterior é relevante, pois nele se encontra o centro cortical da audição. O lobo occipital ocupa a pequena área atrás do sulco parietooccipital. O papel mais considerável é a visão. O córtex visual primário está situado nas paredes e partes mais profundas do sulco calcarino na face medial do encéfalo. Enquanto o córtex visual primário é relevante nos estágios principiais do processamento visual, as áreas visuais adjacentes de ordem superior cumprem um papel na elaboração da mensagem sensorial, possibilitando que sejam observadas a forma e a cor dos objetos. Por exemplo, na face ventral do encéfalo depara-se uma parte do giro occipitotemporal medial relevante para o reconhecimento facial. Pacientes com uma lesão nessa área confundem faces com objetos inertes, uma condição designada de prosopagnosia. Profundamente no sulco lateral deparam-se partes do lobo frontal, do lobo parietal e do lobo temporal. Esse território é designado de lobo insular. Posteriormente, durante o desenvolvimento pré-natal, o lobo insular torna-se encoberto. Partes desse lobo são relevantes no paladar, nas percepções corporais internas, na dor, e no equilíbrio. Os lobos do hemisfério cerebral não estão definidos nitidamente na face medial e na face inferior. Todavia, permanecem diversas áreas relevantes que devem ser reconhecidas. O giro do cíngulo inicia embaixo da extremidade anterior do corpo caloso e prossegue acima do corpo caloso até atingir sua extremidade posterior. O giro é separado do corpo caloso pelo sulco do corpo caloso. O giro do cíngulo é separado do giro frontal superior pelo sulco do cíngulo. O lóbulo paracentral é a área do córtex cerebral que rodeia a endentação determinada pelo sulco central na margem superior. A parte anterior do lóbulo paracentral é uma extensão do giro pré-central na face superolateral, e a parte posterior do lóbulo paracentral é uma extensão do giro pós-central. Na parte anterior e na parte posterior do lóbulo paracentral situam-se, concomitantemente, a área motora e a área sensitiva relacionadas com a perna e o pé. O pré-cúneo é uma área do córtex delimitada anteriormente pela extremidade posterior e ascendente do sulco do cíngulo, e posteriormente pelo sulco parietooccipital. O cúneo é uma área triangular do córtex cerebral delimitada acima pelo sulco parietooccipital, inferiormente pelo sulco calcarino, e posteriormente pela margem superomedial. A região situada abaixo do rostro do corpo caloso e adiante da comissura anterior à lâmina terminal é designada de área septal, um dos centros do prazer do cérebro. A área septal abrange o giro paraterminal e os giros paraolfatórios. O sulco colateral localiza-se na face inferior do hemisfério cerebral. Prossegue anteriormente embaixo do sulco calcarino. Entre o sulco colateral e o sulco calcarino está o giro lingual. Anterior ao giro lingual está o giro parahipocampal; o último acaba anteriormente, como o unco semelhante a um gancho. Assim, o unco, o giro parahipocampal, o istmo do giro do cíngulo, e o giro do cíngulo compõem uma formação contínua que circunda as estruturas inter-hemisféricas, e que muitos consideram como um lobo independente, o lobo límbico, parte relevante do sistema límbico, relacionado com o comportamento emocional e o controle do SNA. O giro occipitotemporal medial estende-se do polo occipital ao polo temporal. É limitado medialmente pelo sulco colateral, pelo sulco rinal, e lateralmente pelo sulco occipitotemporal. O giro occipitotemporal lateral é lateral ao sulco, e é contínuo com o giro temporal inferior. Na face inferior do lobo frontal, o bulbo e o trato olfatório localizam-se sobre um sulco designado de sulco olfatório. Medial ao sulco olfatório está o giro reto, e lateral ao sulco olfatório há uma série de giros orbitais. Substância branca dos hemisférios cerebrais A substância branca constitui-se de fibras nervosas mielinizadas de diâmetros distintos mantidos por neuróglia. As fibras nervosas podem ser classificadas em três grupos conforme as suas conexões: as fibras comissurais, as fibras de associação e as fibras de projeção. Fibras comissurais As fibras comissurais conectam basicamente as regiões correlatas dos dois hemisférios cerebrais. As fibras comissurais são as seguintes: o corpo caloso, a comissura anterior, a comissura posterior, o fórnice e a comissura habenular. O corpo caloso, a maior comissura do encéfalo, conecta os dois hemisférios cerebrais. Localiza-se no fundo da fissura longitudinal do cérebro. Para finalidades de descrição, divide-se o corpo caloso em: rostro, joelho, tronco e esplênio. O rostro é a parte estreita da extremidade anterior do corpo caloso, que se estende posteriormente para ser contínua com a extremidade superior da lâmina terminal. O joelho é a extremidade anterior curva do corpo caloso que se dobra inferiormente na frente do septo pelúcido. O tronco do corpo caloso curva-se posteriormente, e acaba como a parte posterior espessada designada de esplênio. Como transfere dados de um hemisfério cerebral para outro, o corpo caloso é fundamental à discriminação aprendida, a experiência sensitiva e a memória. Ocasionalmente, o corpo caloso não se forma, e esses indivíduos não possuem sinais ousintomas evidentes. Todavia, se o corpo caloso for destruído por uma doença em idade maior, cada hemisfério cerebral torna-se isolado, e o paciente responde como se tivesse dois cérebros separados. A inteligência geral e o comportamento do paciente parecem normais, pois ao longo dos anos os hemisférios cerebrais foram treinados para responder a circunstâncias diversas. Por exemplo, se um lápis for posto na mão direita do paciente, este com os olhos vendados, o paciente reconhecerá o objeto por tato, e será apto de descrevê-lo. Se o lápis for posto na mão esquerda, os dados táteis prosseguirão para o giro pós-central direito, porém não passarão o corpo caloso para atingir a área da fala no hemisfério cerebral esquerdo. Deste modo, o paciente será inábil de descrever o objeto na mão esquerda. A divisão cirúrgica do corpo caloso tem sido executada, com algum sucesso, para precaver a propagação de crises epilépticas de um hemisfério cerebral para o outro. O septo pelúcido é uma lâmina vertical fina de tecido nervoso que consiste em substância branca e substância cinzenta cobertas de cada lado por células ependimárias. Estende-se entre o fórnice e o corpo caloso. Anteriormente, ocupa o intervalo entre o tronco do corpo caloso e o rostro do corpo caloso. O septo pelúcido separa os dois ventrículos laterais. A comissura anterior é um pequeno feixe de fibras nervosas que cruzam a linha média na lâmina terminal, ou seja, a parede superior do terceiro ventrículo, que dentre outras, contém as fibras do trato olfatório. A comissura posterior é um feixe de fibras nervosas que cruza a linha média imediatamente acima da abertura do aqueduto do mesencéfalo para o terceiro ventrículo; relaciona-se com a parte inferior do pedículo da glândula pineal. São importantes na integração dos reflexos luminosos. Fibras de associação As fibras de associação são fibras nervosas que basicamente conectam várias regiões corticais dentro do mesmo hemisfério cerebral, e dividem-se em grupos: curtos e longos. Fibras de projeção As fibras nervosas aferentes e as fibras nervosas eferentes que prosseguem para e do tronco encefálico para todo o córtex cerebral devem passar entre as grandes massas nucleares de substância cinzenta dentro do hemisfério cerebral. Na parte superior do tronco encefálico, essas fibras compõem uma faixa compacta designado de cápsula interna, que é margeada medialmente pelo núcleo caudado e o tálamo, e lateralmente pelo núcleo lentiforme. Cada hemisfério cerebral é uma metade distinta que apresenta quatro elementos fundamentais: o córtex cerebral (discutido anteriormente), a formação hipocampal, o corpo amigdaloide, e os núcleos da base. Unidas, essas estruturas anatômicas intercedem à maioria dos comportamentos humanos requintados e o realizam por meio de conexões anatômicas complexas. A formação hipocampal é uma estrutura profunda do telencéfalo que, portanto, não pode ser vista ao examiná-lo sem seccioná-lo ou escavá-lo. O corpo amigdaloide é uma massa ovoide de substância cinzenta localizada profundamente no lobo temporal, cranialmente ao hipocampo, e abaixo do ventrículo lateral. A formação hipocampal é relevante no aprendizado e na memória. Essa função de memória é, em parte, semelhante à de um indexador catalográfico ou bibliotecário, e possibilita registrar devidamente um novo dado na “prateleira” apropriada, enquanto o corpo amigdaloide não tão somente participa nas emoções, porém também auxilia a coordenar a resposta corporal às condições de perigo e estressantes, como ao preparar-se para lutar. O corpo amigdaloide possibilita a reação com medo, mesmo a estímulos a que nunca antes o indivíduo foi exposta antes, como por exemplo, um gato frente a um cachorro sem nunca ter tido contato prévio, deste modo como nos permite aprender a recear novos estímulos. Essas duas estruturas anatômicas são elementos do sistema límbico, que abrange outras partes dos hemisférios cerebrais, do diencéfalo e do mesencéfalo. Como as partes do sistema límbico executam um papel essencial no humor, não é surpreendente que os transtornos psiquiátricos sejam comumente associados à disfunção do sistema límbico. Os núcleos da base A terminologia núcleos da base é empregada a uma coletânea de massas de substância cinzenta localizada dentro de cada hemisfério cerebral. Os núcleos da base executam um papel relevante no controle da postura e dos movimentos voluntários. À diferença de várias outras partes do SN demandadas no controle motor, os núcleos da base não apresentam conexões aferentes ou conexões eferentes diretas com a medula espinal. Os núcleos da base são: o corpo estriado, o núcleo amigdaloide, o claustro, o núcleo accumbens e o núcleo basal de Meynert. Corpo estriado O corpo estriado localiza-se lateralmente ao tálamo. O corpo estriado abrange: o nu´cleos caudado, o putame, e o globo pálido. Ele pode ser dividido em um núcleo estriado, composto pelo núcleo caudado e o putame, os quais são semelhantes do ponto de vista histológico e de origem embrionária, e em um núcleo pálido, representado pelo globo pálido. No globo pálido, por conseguinte, distinguem-se duas regiões: o globo pálido medial e o globo pálido lateral. O globo pálido e o putame localizam-se lado a lado, compondo uma estrutura macroscópica: o núcleo lentiforme, separado do núcleo caudado pela cápsula interna. O núcleo lentiforme apresenta a forma e o tamanho aproximado de uma castanha-do-pará. Não aparece na superfície ventricular, localizando-se profundamente no interior do hemisfério cerebral. O núcleo caudado e o putame controlam as contrações involuntárias de determinados músculos estriados esqueléticos, como por exemplo, os músculos dos membros superiores envolvidos em movimentos involuntários do braço durante o caminhar. O globo pálido regula o tônus muscular necessário para a execução de determinados voluntários do corpo. Núcleo amigdaloide É considerado parte do sistema límbico. Através de suas conexões, influencia a resposta corporal às mudanças ambientais. Na sensação de medo, por exemplo, altera a frequência cardíaca, a pressão arterial, a coloração da pele e a frequência respiratória. Claustro O claustro é uma delgada calota de substância cinzenta localizada entre o córtex da insula e o núcleo lentiforme. Entre o claustro e o núcleo lentiforme há outra lâmina branca, a cápsula externa. A função do claustro é desconhecida. Núcleo accumbens O núcleo accumbens é uma massa de substância cinzenta localizada na zona de união entre o putame e a cabeça do núcleo caudado em área designada de corpo esfriado ventral. Núcleo basal de Meynert O núcleo basal de Meynert macroscopicamente é de visualização difícil. Localiza-se na base do cérebro, entre a substância perfurada anterior e o globo pálido, região designada como substância inominala. Contém neurônios grandes, ricos em acetileolina. Substância branca associada aos núcleos da base A cápsula interna, ajuntamento de substância branca situada entre o núcleo lentiforme, o núcleo caudado, e o tálamo tem a forma de bumerangue constituído pelo ramo anterior, pelo ramo posterior, e pelo joelho no centro. Contínua superiormente com a coroa radiada que a liga ao córtex, e com o pilar do cérebro inferiormente que a liga à pirâmide. Relaciona-se principalmente com a motricidade de maneira geral. A cápsula externa de substância branca entre o putame e o claustro; e a cápsula extrema entre o claustro e o lobo insular. Correlações anatomoclínicas dos núcleos da base Os distúrbios dos núcleos da base são de dois tipos gerais. Os distúrbios hipercinéticos são aqueles nos quais existem movimentos demasiados e anormais, como os da coreia, a atetose e o balismo. Os distúrbios hipocinéticos abrangem aqueles em que existe falta ou lentidão dos movimentos. A doença de Parkinson inclui os dois tipos de perturbações motoras. Na coreia, o paciente apresenta movimentos involuntários, irregulares, repentinos e rápidos que não são repetitivos. Contorções da face e movimentos abruptos da cabeça ou dos membrossão bons exemplos. A doença de Huntington é uma doença hereditária autossômica dominante, com começo mais rotineiramente na idade adulta. Os pacientes têm os seguintes sinais e sintomas característicos: os movimentos coreiformes surgem primeiro, posteriormente, mais grupos musculares são afetados, de forma que o paciente se torna imóvel e incapaz de falar ou de deglutir; e ocorre demência progressiva com a redução de memória e da capacidade intelectual. A coreia de Sydenham, ou dança de São Vito é uma doença da infância na qual acontecem movimentos involuntários, irregulares e breves dos membros, da face e do tronco. O hemibalismo é uma maneira de movimento involuntário limitado a um lado do corpo. Em geral, abrange os músculos proximais de um membro, e este é inesperadamente arremessado fora de controle em todas as direções. Na doença de Parkinson, os pacientes manifestam os seguintes sinais e sintomas: tremor de repouso; rigidez muscular; há dificuldade em iniciar e executar movimentos novos, designada de acinesia; deambulação em passos curtos; e é incapaz de parar. A atetose consiste em movimentos de contorção lentos e sinuosos que abrangem mais frequentemente os segmentos distais dos membros. As áreas corticais O córtex cerebral age como centro integrador para os dados sensoriais, e como uma região de tomada de decisões para vários tipos de respostas motoras. Um exame anatômico dos dois hemisférios cerebrais demonstra que os giros e sulcos corticais são quase semelhantes. Entretanto, ao examinar o córtex cerebral do ponto de vista funcional, ele pode ser dividido em três especializações: as áreas sensoriais, ou campos sensoriais, responsáveis em estímulos sensoriais, e traduzi-los em percepção, ou seja, em consciência; as áreas motoras responsáveis em comandar os movimentos dos músculos estriados esqueléticos; e as áreas de associação, ou córtex de associação, responsáveis em integrar as informações de áreas motoras e de áreas sensoriais, além de comandar os comportamentos voluntários. Para que a informação sucedida do ambiente resulte em um comportamento apropriado, a informação deve ser trabalhada em várias fases, com divisão do trabalho em que há fases primárias, os mais básicas, de tratamento da informação; as fases secundárias, de percepção e de reconhecimento; e as fases terciárias, de associação. Já a informação para o comportamento parte de uma fase terciária, para que, em uma região motora, sejam planejados e executados os movimentos relativos a esse comportamento. O cérebro possui áreas especializadas em receber o que é captado pelos sentidos, designadas áreas sensoriais primárias. Já em áreas sensoriais secundárias, é executada a análise das informações recebidas pelas áreas primárias. As informações já adequadamente analisadas são, então, transmitidas às designadas áreas de associação, as áreas terciárias, nas quais o que se percebe é associado às decisões seguintes, conscientes, e também são desenvolvidos processos não diretamente relacionados com a percepção, ou com o comportamento, como por exemplo, a memória. A “decisão” da área de associação é transmitida as áreas motoras secundárias, onde um ato é planejado conforme os seus objetivos e as variáveis do meio. A execução em si é função do córtex motor primário, que coordena diretamente o movimento. Os componentes dos movimentos não são conscientes, ou seja, o indivíduo não se intera de quantos músculos se contraem, como, quando e quanto os músculos se contraem. A informação que passa por uma via, geralmente é processada em mais de uma dessas áreas. As áreas funcionais dos córtex cerebrais não basicamente correspondem aos lobos do cérebro. Por conseguinte, a especialização funcional não é simétrica no córtex cerebral, ou seja, cada lobo do cérebro apresenta funções especiais não compartilhadas com o lobo do cérebro correspondente do lado contrário. Esta lateralização cerebral da função é muitas vezes mencionada como dominância hemisférica, ou dominância. A capacidade verbal e a linguagem tendem a estar concentradas no lado esquerdo do cérebro, e as habilidades espaciais no lado direito do cérebro. O hemisfério cerebral esquerdo é o hemisfério dominante para os indivíduos destros, e parece que o hemisfério cerebral direito é dominante para muitas pessoas canhotas. No entanto, até estas generalizações estão sujeitas a modificações. As conexões neurais no cérebro, bem como em outras partes do SN, mostram determinado grau de plasticidade. Por exemplo, se um indivíduo perde um dedo, as regiões do córtex motor e as regiões do córtex sensorial, antecipadamente destinadas a controlar o dedo não ficam inativas. Diante disso, as regiões vizinhas do córtex cerebral estendem seus campos funcionais, e adotam a parte do córtex cerebral que não é mais utilizada pelo dedo ausente. Igualmente, as habilidades frequentemente associadas com um lado do córtex cerebral podem ser desenvolvidas pelo outro hemisfério cerebral, como quando um indivíduo destro com a mão direita fraturada aprende a escrever com a mão esquerda. O mapa citoarquitetônico do córtex cerebral O anatomista alemão Korbinian Brodmann identificou mais de 50 divisões morfologicamente caracterizadas do córtex cerebral, hoje em dia designadas áreas de Brodmann. Função 1, 2, 3 Propriocepção tátil. 4 Controle do movimento voluntário. 5 Estereognosia. 6 Planejamento dos movimentos dos membros e olhos. 7 Consciência espacial visuomotora e percepção. 8 Associado com o controle do movimento dos olhos. 9 Associado com a lógica e cálculos. 10 Associado com a atenção e alerta. 11 e 12 Associado ao processo decisório e comportamentos éticos. 13 e 14 Associado ao somatossensorial, memória verbal e motivação. 17 Visão. 18 Visão e profundidade. 19 Visão, cor, profundidade e movimento. 20 Visão de formas. 21 Visão de formas. 22 Audição e fala. 23, 24, 25, 26, 27 Emoções, aprendizado e memória. 28 Odor/olfato, emoções, aprendizado e memória. 29, 30, 31, 32, 33 Emoções. 34, 35, 36 Odor/olfato e emoções. 37 Percepção, visão, leitura e fala. 38 Odor/olfato, emoções, personalidade. 39 Percepção, visão, leitura e fala. 40 Percepção, visão, leitura e fala. 41 Audição. 42 Audição. 43 Paladar. 44 Fala, planejamento do movimento. 45 Pensamento, cognição e planejamento do comportamento. 46 Pensamento, cognição, planejamento do comportamento e movimento dos olhos. 47 Pensamento, cognição e planejamento do comportamento. O homúnculo de Penfield O "homúnculo de Penfield" é uma interpretação artística de como diversos pontos da superfície do corpo estão "mapeados" nos dois hemisférios cerebrais, por tantas vezes, através de linhas desfiguradas para sugerir que tais partes do corpo apresentam localização específica em alguma das regiões. O conceito é a de que o cérebro obedece a um mapa genérico de diversas partes do corpo humano, sendo o homúnculo, por conseguinte, um mapa neural. O mapa cerebral, concebido pelo "homúnculo", cogita a capacidade que o cérebro tem de discriminação sensorial, assim como a relevância motriz referente a cada uma das partes do corpo humano, já que a mapa cerebral está espalhado ao longo de todo o córtex cerebral nos dois hemisférios. É conveniente observar que distintas áreas do corpo humano simbolizadas no homúnculo de Penfield estão muito próximas uma das outras, ainda que correspondam a superfícies diametralmente contrárias do corpo humano. De tal modo, o tronco depara-se próximo à mão e ao polegar, que por sua vez depara-se próximo à área da face, prosseguido da área dos dentes, da língua, da faringe e do abdome, ao mesmo tempo o pé depara-se próximo aos órgãos genitais, ao passo que os lábios e a face deparam-se próximas às áreas dos dedos da mão no hemisfério cerebral direito. Roteiro prático de telencéfalo Hemisfério cerebral Face superolateral -Sulco central-Sulco lateral Lobo frontal -Sulco pré-central -Sulco frontal superior -Sulco frontal inferior -Giro pré-central -Giro frontal superior -Giro frontal médio -Giro frontal inferior Lobo parietal -Sulco pós-central -Giro pós-central -Sulco intraparietal -Lóbulo parietal superior -Lóbulo parietal inferior -Giro supramarginal -Giro angular Lobo temporal -Giros temporais transversos -Giro temporal superior -Sulco temporal superior -Giro temporal médio -Sulco temporal inferior -Giro temporal inferior Lobo insular -Giros da ínsula (longos e curtos) Hemisfério cerebral Face Medial Lobo frontal -Giro frontal medial -Sulco paracentral -Lóbulo paracentral Lobo parietal -Lóbulo paracentral -Pré-cúneo Lobo occipital -Cúneo -Sulco calcarino -Giro occipitotemporal medial -Sulco parietoccipital Face Inferior Lobo temporal -Sulco occipitotemporal -Giro occipitotemporal lateral -Giro parahipocampal -Unco Outros -Giro do cíngulo -Sulco do giro do cíngulo -Corpo caloso -Septo pelúcido -Fórnice Estruturas basais do cérebro Núcleos da base -Núcleo caudado -Putame -Globo pálido -Claustro Substância branca associada aos núcleos da base -Cápsula interna -Cápsula externa -Cápsula extrema Estriado límbico -Núcleo amigdaloide Correlações anatomoclínicas As lesões do córtex motor primário em um hemisfério cerebral procedem em paralisia dos membros contralaterais, e os movimentos mais eficientes e requintados sofrem mais. A destruição da área motora primária (área 4) causa paralisia mais intensa do que a destruição da área motora secundária (área 6). A destruição das duas áreas induz à forma mais completa de paralisia contralateral. As lesões independentes da área motora secundária causam complicações na realização de movimentos eficientes, com pouca diminuição de força. Uma lesão individualizada do córtex motor primário (área 4) ocasiona pouca mudança no tônus muscular. Entretanto, as lesões maiores abrangendo a área motoras primária e a área motora secundária (áreas 4 e 6), que são as mais frequentes, produzem espasmo muscular. As lesões destrutivas do campo ocular frontal de um hemisfério cerebral levam os dois olhos a se desviarem para o lado da lesão, e à inaptidão de retornar os olhos para o lado contrário. O movimento de perseguição involuntário dos olhos, quando se seguem objetos em movimento não é atingido, porque a lesão não agride o córtex visual no lobo occipital. Contudo, dentro dessa extensa área frontotemporal dominante relacionada com a linguagem, enfatizam-se duas áreas corticais mais delimitadas, que são individualmente responsáveis por dois enfoques relevantes da função linguística. A área de Broca é a responsável pelo enfoque motor ou de expressão da língua falada e, anatomicamente, corresponde a uma extensão do córtex somatomotor no giro frontal inferior, arranjando-se fundamentalmente sobre a sua parte opercular, correspondendo à área 44 e a área 45 de Brodmann. A área de Wernicke, por conseguinte, é responsável pela compreensão da linguagem falada e, anatomicamente se arranja especialmente sobre a parte posterior do giro temporal superior e do giro temporal transverso anterior, correspondendo à área 41 de Brodmann. Desse jeito, enquanto as lesões que implicam a área de Broca ocasionam distúrbios da expressão da fala, designada de afasia de expressão, motora ou de Broca, conservando ilesa a compreensão em geral, as lesões da área de Wernicke acarretam distúrbios de compreensão que danificam não só o entendimento do que o paciente escuta ou lê, porém também a organização da sua própria expressão verbal, que então se desponta atrapalhada e incoerente, designada de afasia de compreensão, recepção, sensorial ou de Wernicke. O comprometimento das fibras que atrelam a área de Broca e a área de Wernicke ocasiona uma síndrome de desconexão, que se individualiza, especialmente pela utilização incorreta de palavras ou parafasias, isto é a omissão de partes das palavras e a troca por sons incorretos, entretanto com a preservação do seu componente motor e da compreensão do que é escutado ou observado, designado de afasia de condução. As lesões destrutivas do giro angular no lobo parietal posterior, diversas vezes considerado parte da área de Wernicke dividem a via entre a área de associação visual, e a parte anterior da área de Wernicke. Tais lesões tornam o paciente inábil de ler, designado de alexia ou de escrever, designado de agrafia. Nomea-se síndrome de Gerstmann o distúrbio caracterizado pela inaptidão de diferenciar e denominar os dedos da sua própria mão, designado de agnosia digital, inaptidão de reconhecimento de direita e de esquerda, agrafia e acalculia, secundário a lesões parietais posteriores do hemisfério cerebral dominante. Os bloqueios com a escrita, e com a capacidade de posicionar objetos no espaço, designado de apraxia construtiva, habitualmente seguem a síndrome de Gerstmann. As lesões restritas ao giro angular, correspondente à área 39 de Brodmann do hemisfério cerebral esquerdo por sua vez ocasionam impedimentos para a leitura e para a escrita, ou seja, alexia e agrafia, dada a sua topografia mais posterior e, portanto, mais pertinente com as atividades que abrangem interpretações visuais. Hoje em dia, é consenso que a destruição da região pré-frontal não gera prejuízo marcante da inteligência. Esta é uma área do córtex cerebral que é apta de unir experimentos que são fundamentais à produção de ideias abstratas, o juízo, o contexto emocional e a personalidade. Tumores ou destruição traumática do córtex pré-frontal induzem o indivíduo a perder a iniciativa e o juízo. As resultantes modificações emocionais compreendem tendência à euforia. O paciente deixa de concordar a maneira aceita de conduta social, e torna-se relaxado com a sua roupa e a sua aparência. A leucotomia frontal, ou seja, a divisão dos tratos de fibras do lobo frontal, e a lobectomia frontal, ou seja, a remoção do lobo frontal são métodos cirúrgicos utilizados para diminuir a responsabilidade emocional de pacientes com situações emocionais obsessivas e a dor intratável. Um paciente que padece de dor intensa, como aquela sentida nas fases terminais de câncer, ainda sentirá dor após a lobectomia frontal, porém ele deixará de se atentar com a dor e, portanto, não sofrerá. Deve-se enfatizar que a descoberta de drogas sedativas e de estabilizadores do humor eficientes tornou esses processos cirúrgicos arcaicos. As lesões da área somestésica primária do córtex resultam em desordens sensitivas contralaterais, que são mais intensas nas partes distais dos membros. Os estímulos álgicos, os táteis e os térmicos grosseiros comumente retornam, porém crê-se que isso proceda do papel do tálamo. O paciente fica inábil de avaliar graus de calor, de encontrar estímulos táteis exatamente, e de avaliar os pesos de objetos. O prejuízo do tônus muscular também pode ser um sintoma de lesões do córtex sensitivo. As lesões da área somestésica secundária do córtex cerebral não ocasionam danos sensitivos identificáveis. As lesões do lóbulo parietal superior intervêm na aptidão do paciente de associar impulsos de tato, de pressão e de propriocepção, de maneira que ele se torna inábil de analisar a textura, o tamanho e o formato. Esse dano da integração dos impulsos sensitivos designa-se de astereognosia. Por exemplo, com os olhos fechados, o paciente seria inábil de distinguir uma chave posta em sua mão. O dano da parte posterior do lobo parietal, que une as sensações somáticas e as sensações visuais, intervém na avaliação da imagem corporal no lado contrário do corpo. O indivíduo pode não distinguir o lado contrário do corpo como sendo seu. O paciente pode deixar de lavá-lo, ou vesti-lo, ou não barbear aquele lado da face, ou depilar aquela perna. As lesões abrangendo as paredes da parte posterior de um sulco calcarino procedem em perda da visão no campo visual contrária, isto é, hemianopsia homônima cruzada. É importante observar que a parte central do campo visual,quando testada, é claramente normal. A preservação da mácula possivelmente deriva de um discreto desvio dos olhos pelo paciente enquanto os campos visuais são analisados. Os seguintes danos clínicos devem ser apreciados. As lesões da metade superior de uma área visual primária, a área acima do sulco calcarino, procede em hemianopsia quadrântica inferior, enquanto as lesões de uma área visual abaixo do sulco calcarino determinam hemianopsia quadrântica superior. As lesões do lobo occipital originam escotomas centrais. As causas mais frequentes dessas lesões são os distúrbios vasculares, os tumores e as lesões por projéteis de arma de fogo. As lesões da área visual secundária acarretam a dano da aptidão de reconhecer objetos vistos no campo visual contrário. Em razão disso é que a área do córtex cerebral que contém experiências visuais prévias foi inutilizada. Como a área auditiva primária na parede inferior do sulco lateral acolhe fibras nervosas das duas cócleas, a lesão de uma área cortical determinará dano leve e bilateral da audição, porém o dano será maior na orelha contrária. O principal defeito visto é dano da aptidão de encontrar a fonte do som. A destruição bilateral das áreas auditivas primárias ocasiona surdez total. As lesões do córtex posterior à área auditiva primária no sulco lateral e no giro temporal superior procedem na inaptidão de decifrar sons. O paciente pode apresentar surdez para palavras, designada de agnosia verbal acústica. SISTEMA DIGESTORIO CONTEÚDO 11 – SISTEMA DIGESTÓRIO: PARTE SUPRADIAFRAGMÁTICA O sistema digestório consiste de um canal alimentar ligado em níveis contínuos com um conjunto de órgãos anexos. O papel fundamental do sistema digestório é conseguir, a partir dos alimentos, as moléculas imprescindíveis para a manutenção, o crescimento, e outras necessidades energéticas do corpo humano. O canal alimentar é um conduto contínuo, cujo comprimento medido no cadáver é de aproximadamente nove metros de extensão, composto por um tubo oco, que se estende da boca ao ânus. As estruturas do canal alimentar abrangem: a boca, a faringe, o esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o reto, e o ânus. Os órgãos anexos são: os dentes, a língua, as glândulas da boca, o fígado, a vesícula biliar, e o pâncreas. O canal alimentar pode ser dividido em partes. A parte supradiafragmática do canal alimentar consiste nas estruturas situadas acima do diafragma. Portanto, a parte supradiafragmática do canal alimentar abrange: a boca, a faringe, a parte cervical do esôfago, e a parte torácica do esôfago. A parte infradiafragmática do canal alimentar consiste nas estruturas localizadas abaixo do diafragma. Portanto, a parte infradiafragmática do canal alimentar abrange: a parte abdominal do esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o reto, e o ânus. Para o bom emprego das substâncias alimentares, o sistema digestório tem que processar várias ações que incidem na mastigação, na deglutição, no peristaltismo, na ingestão, na digestão, na absorção, e por fim no armazenamento e na eliminação dos resíduos. A mastigação, (G. mastichan, ranger os dentes) destina-se à desintegração parcial dos alimentos por processos mecânicos e por processos químicos, que se executam na boca. Os movimentos mastigatórios reduzem o tamanho dos alimentos, e misturam os alimentos com a saliva. A deglutição, (L. deglutire, engolir) incide no transporte dos alimentos por meio da faringe para o esôfago, o que requer a participação de vários movimentos musculares, e dos quais enfatiza em relevância a ascensão da laringe, impossibilitando que as substâncias nutritivas se encaminhem para as vias aéreas, de outra maneira permanentemente abertas ao trânsito do ar. O peristaltismo, (G. peri, em torno; stellein, comprimir) consiste em contrações rítmicas semelhantes a ondas que movem o alimento através do canal alimentar. A ingestão é à entrada do alimento no estômago, e que se processa por meio do esôfago. No estômago e no duodeno acontece a digestão, que é o desdobramento das substâncias alimentares em suas moléculas mais simples. A absorção processa-se, especialmente no restante do intestino delgado, enquanto o intestino grosso serve de receptáculo passageiro aos resíduos não aproveitáveis, até o momento de serem excluídos pela defecação. A boca A boca também referida como cavidade oral representa a porta de entrada do sistema digestório. Além da função mastigatória, participa ativamente na fonação, na sensação do paladar, e como via aérea acessória. Para finalidades descritivas, a cavidade oral é subdividida em duas partes principais: a parte externa, o vestíbulo da boca, e a parte interna, a cavidade própria da boca. Do ponto de vista anatômico, a cavidade oral é delimitada anteriormente pelos lábios, lateralmente pelas bochechas, superiormente pelo palato, inferiormente pela língua e soalho da boca, e posteriormente pelo istmo das fauces e parte do palato mole. A mucosa que reveste a cavidade oral pode ser de três tipos: de revestimento, mastigatória, e especializada. A mucosa de revestimento é deparada em toda a região que não é sujeitada a um grande empenho durante a mastigação. É vista na bochecha, a mucosa bucal; nos lábios, a mucosa labial; no soalho da boca; no palato mole; em parte do osso alveolar, a mucosa alveolar; e na face inferior da língua. Especificamente no vestíbulo da boca, a mucosa alveolar se reflete em sentido à mucosa dos lábios e à mucosa da bochecha, compondo o fórnice do vestíbulo, designado clinicamente como “fundo de saco do vestíbulo”. A mucosa mastigatória é espessada por uma camada de queratina, e apresenta uma coloração menos intensa que a mucosa de revestimento. Está simbolizada pela gengiva e pelo revestimento do palato duro. Duas partes da gengiva devem ser apontadas: a gengiva inserida e a gengiva marginal livre. A gengiva inserida está seguramente fixada ao osso alveolar e o cemento radicular vizinhos. A gengiva marginal livre corresponde à parte da gengiva sem inserção em tecido duro que contorna os dentes. Entre um dente e outro, a gengiva ocupa um espaço triangular, compondo as papilas interdentais. A face interna da gengiva marginal livre está voltada para uma depressão que afasta o dente do tecido gengival. Esta depressão corresponde ao sulco gengival. Afastando-se a gengiva vestibular da mucosa alveolar depara-se uma linha com facilidade vista, designada de junção mucogengival. A mucosa especializada é a que forra o dorso da língua. O forramento dos dois terços anteriores possui papilas com papéis gustativos. No terço posterior se deparam nódulos linfáticos com papel de defesa contra patogênicos. Os lábios da boca, superior e inferior, de natureza muscular, são ricamente irrigados, e guardam a entrada da boca. São formados por quatro camadas sobrepostas intimamente relacionadas. A mais externa é composta por pele, onde se deparam numerosos folículos pilosos e glândulas sudoríparas. Profundo a ela, se depara uma camada muscular formada em sua maior parte pelo músculo orbicular da boca. Em seguida se observa uma camada submucosa, abrangendo glândulas salivares menores, as glândulas labiais, em toda a sua extensão, cujos ductos de excreção abrem-se na mucosa labial. A camada mais interna é representada pelo tecido mucoso que forra os lábios. A parte vermelha dos lábios, cuja coloração se deve ao rico leito vascular, é designada de margem vermelha. Os dois lábios da boca se unem lateralmente no nível do ângulo da boca. Nesse local observa-se uma discreta depressão designada de comissura dos lábios. A rima da boca é uma zona localizada entre o lábio superior e o lábio inferior, que pode permanecer aberta ou fechada, quando os dois lábios estão em contato. A comissura dos lábios pode ter modificações, relacionadas com hipovitaminoses, e com a redução da dimensão vertical da oclusão, designadas de queilite angular. A fenda labial, unilateral ou bilateral, é uma malformação congênita que afeta o lábio superior. Pode ser uma pequenafissura da margem livre do lábio, ou envolvê-lo totalmente até o nariz. Às vezes, estende-se intensamente, e continua-se com fendas do palato, designada de fissura labiopalatal. Uma doença grave que não muito ocasionalmente atinge o lábio, especialmente o inferior, e de indivíduos do sexo masculino, é o carcinoma, em geral, causado por exposição exagerada ao sol. O limite lateral do lábio superior é composto pelo sulco nasolabial, que se estende desde a comissura dos lábios até a asa do nariz. Uma ligeira depressão vertical rasa, situada na linha mediana do lábio superior, e inferiormente ao septo do nariz, é designada de filtro. Logo após do filtro encontra-se o tubérculo, uma saliência volumosa de tamanho variável na margem vermelha. O lábio inferior é separado do mento pelo sulco labiomentual. Outro sulco, o labiomarginal, é uma ruga característica dos adultos que vai do ângulo da boca à base da mandíbula. O vestíbulo da boca é o espaço composto entre os lábios, as bochechas, e os dentes em oclusão. O vestíbulo da boca se comunica com o exterior por meio da rima da boca, e com a cavidade própria da boca por meio dos espaços interdentais e o intervalo posterior ao último dente molar do arco dental maxilar e do arco dental mandibular. A glândula parótida lança suas secreções salivares no vestíbulo da boca por meio de uma pequena abertura em frente ao segundo molar maxilar. Essa abertura apresenta uma elevação da mucosa, e é designada de ducto parotídeo ou ducto de Stenon. Quando ferida inadvertidamente pela oclusão dos dentes molares, inflama-se e incha. Diversas outras glândulas salivares menores têm nomes regionais, como por exemplo, as glândulas da bochecha e as glândulas labiais, também, lançam suas secreções no vestíbulo da boca por meio de aberturas microscópicas. Na maior parte dos indivíduos, pequenas glândulas sebáceas, não funcionais, de coloração amarelada, que ficaram presas na mucosa durante o desenvolvimento, portanto, não apresentam qualquer patologia associada, tratam-se dos grânulos de Fordyce, considerados variações anatômicas, também, encontrados na mucosa da bochecha. O fórnice do vestíbulo no plano mediano do vestíbulo da boca encontram-se duas pregas da mucosa, o frênulo do lábio superior e o frênulo do lábio inferior. Eventualmente o frênulo do lábio quando inserido muito próximo à margem gengival, acarreta separação dos dentes incisivos centrais vizinhos a ele. Esse espaço acentuado resulta em um diastema. Para a correção ortodôntica do diastema é preciso executar antecipadamente ao tratamento uma cirurgia de frenectomia labial, a fim de dificultar a recidiva do problema. Esse procedimento cirúrgico também pode ser requerido, em casos, de reabilitação protética de pacientes desdentados totais, onde o frênulo impede ou dificulta a estabilização da prótese dental no fórnice da boca. Na região da bochecha essas pregas designam-se de frênulo lateral ou bridas. Têm relevância clínica para anestesia do nervo alveolar superior médio, no caso do freio lateral superior, e do nervo mentual, no caso do freio lateral inferior, em pacientes desdentados, pois servem como ponto de referência para o local de introdução da agulha. A bochecha se estende entre o fórnice do vestíbulo superior e o fórnice do vestíbulo inferior na direção superoinferior. Em sentido posteroanterior, a bochecha ocupa o espaço abrangido entre a margem anterior do ramo da mandíbula até a comissura dos lábios, o sulco nasolabial, e o sulco mentolabial. A estratigrafia da bochecha possui quatro camadas caracterizadas sobrepostas entre si. Externamente se depara uma camada delgada de pele e ricamente irrigada. Essa característica anatômica explica a mudança para uma cor avermelhada relativamente rápida da região, especialmente durante as atividades físicas, em temperaturas ambientais baixas, e em modificações emocionais instantâneas, como por exemplo, quando o indivíduo fica encabulado. Sobreposta à camada cutânea está localizada o estrato formado por tecido celular subcutâneo, que possui quantidade alterável de tecido adiposo conforme a morfologia de cada indivíduo. Nas crianças e em indivíduos obesos a quantidade de gordura subcutânea é mais vultosa. Um acúmulo específico de tecido adiposo dessa camada é o corpo adiposo da bochecha, ou corpo adiposo de Bichat. Essencialmente, apresenta a função de preenchimento dos tecidos, porém também exerce papel funcional durante os movimentos de sucção do recém-nascido. Subjacente ao plano subcutâneo está uma camada de tecido muscular recoberta pela sua fáscia. Essa camada é representada pelo músculo estriado esquelético, designado de músculo bucinador. A ação do músculo bucinador é tracionar o ângulo da boca em sentido posterior, apertando a bochecha contra os arcos dentais. É, por isto, um músculo auxiliar aos músculos da mastigação, pois ajuda na mistura dos alimentos para imediata deglutição. Igualmente, age ainda no sopro e no movimento de sucção. Por fim, a camada mais interna da bochecha é forrada por tecido mucoso. A cavidade própria da boca é a parte da cavidade oral que se localiza internamente ao arco dental da maxila e ao arco dental da mandíbula, abrangendo a gengiva que os compreende. Seu limite superior é: o palato duro e o palato mole, e o seu limite inferior é a parte muscular da língua. O limite anterolateral da cavidade própria da boca é composto pela superfície dos dentes, a gengival lingual e a mucosa alveolar lingual. O limite póstero-superior da cavidade própria da boca é composto pela parte vertical do palato mole e pelo pilar anterior das fauces, o arco palatoglosso. Este arco abrange o músculo palatoglosso e a mucosa oral que a forra, e se estende do palato mole até os lados da base da língua. A cavidade oral comunica-se com a parte oral da faringe por meio do istmo das fauces. É limitado superiormente pelo palato mole, inferiormente pela raiz da língua, e lateralmente pelo arco palatoglosso e pelo arco palatofaríngeo. Esses arcos delimitam de cada lado um espaço de formato triangular com base inferior designada de fossa tonsilar. Na fossa tonsilar é encontrada uma estrutura anatômica composta por tecido linfático, à tonsila palatina. As tonsilas palatinas apresentam aspecto ovoide, e diversas vezes podem alterar de tamanho. Sua superfície possui formato granuloso com inúmeras invaginações que correspondem às criptas da tonsila. Em companhia com as tonsilas linguais, as tonsilas faríngeas, e outros pequenos nódulos linfáticos que se juntam, compõem o anel linfático da faringe, antigamente relatado como anel linfático de Waldeyer. Essas estruturas anatômicas funcionam como o primeiro obstáculo de defesa do corpo humano contra os agentes patogênicos que adentram pela cavidade nasal e pela cavidade oral. O palato compõe o teto da cavidade oral. O palato é formado pelo palato duro, ósseo e anterior; e pelo palato mole, muscular e posterior. O palato duro é formado pelo processo palatino da maxila, fusionado com a lâmina horizontal do palatino. Anteriormente o palato duro é limitado pelo arco alveolar e, posteriormente, acaba na junção com o palato mole. O palato mole é uma estrutura muscular suspensa entre a parte oral da faringe e a parte nasal da faringe. Uma vez que é flexível, pode ser erguido para separar a cavidade oral da parte nasal da faringe. No palato duro vê-se uma crista mediana, a rafe do palato, que acaba anteriormente, logo atrás dos incisivos centrais superiores, numa saliência lisa, piriforme, designada de papila incisiva. Essa estrutura anatômica é um ponto de referência relevante para a anestesia da região anterior do palato, pois a papila incisiva recobre a abertura oral do canal incisivo pelo qual passam o nervo nasopalatino e a artéria nasopalatina, em direção à parte anterior do palato. Irradiando-se a partir da papila incisiva, observa-se uma sequência de rugas irregulares, cruzando o palato transversalmente, designado de pregas palatinas transversas. Essas pregas palatinas são estruturas anatômicas restantes nosseres humanos, porém em alguns animais inferiores desempenham papéis acessórios de mastigação e sensitivas especiais. No palato mole, depara-se uma saliência cônica e mediana, a úvula palatina. O véu palatino é a parte do palato mole representada posteriormente, pela margem livre das fauces e, lateralmente, pelos pilares das fauces. O componente muscular do palato mole está representado pelo músculo levantador do véu palatino, pelo músculo tensor do véu palatino, pelo músculo palatoglosso, pelo músculo palatofaríngeo, e pelo músculo da úvula. Alguns desses músculos se originam fora do palato mole e se inserem em sua estrutura, e outros apresentam origem no palato mole e se inserem na língua e/ou na parede da faringe. Todos os músculos são inervados pelas contribuições do nervo vago no plexo faríngeo, exceto o músculo tensor do véu palatino, que é inervado pela divisão mandibular do nervo trigêmeo. O músculo levantador do véu palatino é espesso, apresenta o formato de “lápis”, e está intensamente agregado à face lateral dos cóanos. Tem três origens: parte petrosa do temporal, parte timpânica do temporal, e na tuba auditiva; e insere-se na aponeurose palatina. O músculo tensor do véu palatino apresenta o formato de “pirâmide”, está localizado anteriormente ao músculo levantador do véu palatino, e medialmente ao músculo pterigoideo medial. O músculo tensor do véu palatino se origina na fossa escafoide, na espinha do esfenoide, e na tuba auditiva; e insere-se na aponeurose palatina. A fundamental ação do músculo levantador do véu palatino incide em elevar o palato mole durante a deglutição, movendo o músculo levantador do véu palatino à parede posterior da faringe. Por conseguinte, a comunicação entre a parte oral da faringe e a parte nasal da faringe permanece obliterada, dificultando que o alimento atinja a cavidade nasal. Quando age solitariamente, o músculo levantador do véu palatino, também estreita o óstio faríngeo da tuba auditiva. Contudo, como sua ação costumeiramente é sinérgica a do músculo tensor do véu palatino, o músculo levantador do véu palatino atua tão somente na fixação da tuba auditiva, possibilitando a dilatação da abertura do óstio faríngeo da tuba auditiva pelo músculo tensor do véu palatino. O músculo palatoglosso é pequeno, cilíndrico, disposto longitudinalmente, e forrado pela mucosa, compondo, deste modo, o arco palatoglosso. O músculo palatoglosso se origina na fáscia e na musculatura da margem lateral do palato mole, e insere-se na margem lateral da língua. A contração do músculo palatoglosso abaixa o palato mole e eleva a raiz da língua, reduzindo a abertura do istmo das fauces. A ação fundamental do músculo palatofaríngeo é estreitar o istmo das fauces lateralmente quando contraído bilateralmente. O músculo da úvula é um músculo pequeno e fino, localizado entre as duas camadas da aponeurose palatina. O músculo da úvula se origina da espinha nasal posterior do palatino e da aponeurose palatina. Se junta ao músculo do outro lado, compondo a substância da úvula. A contração do músculo da úvula encurta a úvula, erguendo-a. O palato apresenta uma rica irrigação, especialmente pela artéria palatina maior de cada lado, um ramo da artéria palatina descendente. A artéria palatina maior atravessa o forame palatino maior, e prossegue anteromedialmente. A artéria palatina menor, um ramo da artéria palatina descendente, adentra no palato por meio do forame palatino menor, e anastomosa-se com artéria palatina ascendente, um ramo da artéria facial. Outros ramos relevantes da artéria facial são: a artéria labial superior e a artéria labial inferior. A artéria labial superior irriga as estruturas do lábio superior, e a artéria labial inferior irriga as estruturas do lábio inferior, incluindo os músculos da face, como o músculo depressor do ângulo da boca. As veias do palato são tributárias do plexo venoso pterigoideo. Os nervos sensitivos do palato são ramos do nervo maxilar que se ramificam no gânglio pterigopalatino. O nervo palatino maior inerva a gengiva, a mucosa, e a s glândulas da maior parte do palato duro. O nervo nasopalatino inerva a mucosa da parte anterior do palato duro. Os nervos palatinos menores inervam o palato mole. Os nervos palatinos seguem as artérias palatinas por meio do forame palatino maior e do forame palatino menor. As protrusões ósseas, o toro palatino, podem ser vistas no palato duro. O toro palatino, em geral, bilaterais, assintomáticos, ainda que possam intervir com a fixação de próteses dentárias maxilares. Podem necessitar de remoção cirúrgica antes da produção de moldes. O palato mole é uma estrutura móvel, e deve ser evitado ao se posicionar uma prótese dentária maxilar, porque sua atividade motora dificultará o amoldamento da prótese ao palato duro, com movimento da prótese. A parte posterior do palato mole é sensível ao toque e vômitos podem ser motivados por estimulação nessa área. O soalho da boca está coberto por mucosa de revestimento e subjacente, a mucosa de revestimento, depara-se relevantes estruturas anatômicas: a glândula sublingual, os ductos de excreção salivar da glândula submandibular e glândula sublingual, a artéria sublingual, a veia sublingual, o nervo lingual, e o nervo hipoglosso. As glândulas incisivas, um pequeno grupo de glândulas salivares acessórias menores, também podem ser vistas no soalho da boca, imediatamente atrás dos dentes incisivos mandibulares. Superficialmente no soalho da boca, vê-se na linha mediana uma prega fina que se estende até a face inferior da língua, designada de frênulo da língua. Quando o frênulo da língua é muito curto, ou sua inserção se faz próximo ao ápice da língua, tem-se uma condição designada como anquiloglossia, vulgarmente conhecida como “língua presa”. Esse quadro clínico restringe espantosamente a movimentação da língua, trazendo muitas vezes dificuldades fonéticas. Nessas situações, a ressecção cirúrgica do frênulo, a frenectomia, está indicada. Lateralmente, de cada lado do frênulo da língua, existe uma pequena papila, designada de carúncula sublingual, onde se abre o ducto submandibular, ou ducto de Wharton, e o ducto sublingual. O órgão mais notável no soalho da boca é a língua. A língua é a mais evidente das estruturas anatômicas da cavidade oral, e está relacionada à fonação, a mastigação, a deglutição, a gustação, e na própria articulação das palavras. A língua ocupa quase todo o espaço da cavidade própria da boca, quando os dentes estão em oclusão. É composta essencialmente por tecido muscular esquelético que lhe concede extraordinária mobilidade. Possui um corpo, um ápice, uma raiz, duas margens, além de uma face superior, e uma face inferior. A extremidade anterior do corpo da língua é o ápice. A parte lateral da língua representa a sua margem. A face superior da língua corresponde ao seu dorso. O dorso da língua tem seus dois terços anteriores separados do terço posterior pelo sulco terminal, que apresenta o formato de “V”, de abertura anterior e vértice mediano, coincidindo com o forame cego, que é remanescente do ducto tireoglosso do desenvolvimento embrionário. O sulco terminal representa a linha divisória embrionária. Isto é, todas as estruturas anatômicas anteriormente localizadas a essa linha situam-se na cavidade oral, e todas as estruturas anatômicas posteriores, na faringe. O terço posterior, que é a raiz, é vertical, e volta-se para a faringe. A sua mucosa cobre massas de tecido linfoide que constituem relevos superficiais. Ao seu conjunto se designa de tonsila lingual. A mucosa cobre também as pequenas glândulas linguais. A base da língua une-se a epiglote por três pregas mucosas, uma mediana e duas laterais. Cada prega glossoepiglótica lateral restringe, com a prega glossoepiglótica mediana, uma depressão designada de valécula epiglótica. Os dois terços anteriores do dorso da língua possuem uma mucosa rugosa em virtude à presença das papilas linguais. As papilas linguais podem ser divididas em: papilas circunvaladas, papilas filiformes, papilas fungiformes,e papilas folhadas. Anteriormente e ao longo do sulco terminal há uma cadeia de 7 a 14 papilas circunvaladas. As papilas circunvaladas apresentam corpúsculos gustativos, e acolhem os ductos das glândulas serosas de von Ebner, um dos poucos grupos de glândulas salivares menores acessórias que tem denominação. As papilas filiformes são as mais numerosas e conferem à mucosa do dorso da língua um aspecto de “veludo”. São as únicas papilas linguais que não possuem receptores gustativos, porém possuem corpúsculos do tato. As papilas fungiformes estão dispostas entre as papilas filiformes, surgindo em número muito menor que as papilas filiformes. Devem o seu nome ao aspecto de “cogumelo” que adquirem. São encontradas, especialmente no ápice e nos lados dorso da língua. Nos indivíduos vivos podem ser distinguidas como pontos vermelhos luminosos. A margem posterolateral dos dois terços anteriores da língua apresenta sulcos verticais designados de papilas folhadas, cujos corpúsculos gustativos sofrem degeneração após alguns anos de vida. A face inferior da língua está dirigida para o soalho da boca; as suas mucosas são contínuas e semelhantes. Na língua, a mucosa compõe uma dobra ondulada, designada de prega franjada, e recobre a veia profunda da língua, visível como uma mancha azul; e a glândula lingual anterior, ou glândula de Blandin, próxima ao ápice. A musculatura da língua pode ser divida em dois grupos: os músculos extrínsecos e os músculos intrínsecos. Todos os músculos da língua são inervados pelo nervo hipoglosso. O suprimento vascular provém de ramos da artéria lingual. Os músculos extrínsecos são aqueles que apresentam origem fora da língua e inserção na língua. O músculo genioglosso, o músculo hioglosso, e o músculo estiloglosso são os representantes da musculatura extrínseca da língua. O músculo genioglosso se origina da espinha geniana superior da mandíbula e se insere na face interna da superfície inferior da língua. É o mais volumoso dos músculos da língua, e suas fibras musculares estão dispostas em formato de “leque”. É um músculo protrusor e também abaixador da língua. Em casos de fratura da mandíbula, ou paralisia de ambos os músculos genioglosso, a língua limita-se e pode ocorrer asfixia por obstrução da passagem aérea. A língua não só cai para trás e impede a respiração com maior facilidade, porque o músculo genioglosso se fixa na mandíbula; é por isso, que as anestesias habituam puxar a mandíbula para frente, aproveitando-se dessa fixação. O músculo hioglosso se origina do hioide e passa verticalmente para se inserir no interior da língua. Apresenta o formato “quadrilátero”. Age no abaixamento e na retrusão da língua. Um grupo de fibras musculares individualizadas dependentes do músculo hioglosso, que apresentam origem no corno menor do osso hioide, e inserção nas margens laterais da língua é designado de músculo condroglosso. O músculo estiloglosso se origina no processo estiloide do temporal e se insere na língua, em sua face lateral, para se unir com as fibras do músculo hioglosso. É responsável pela retrusão e a elevação da língua. Os músculos intrínsecos são aqueles localizados no interior da língua. Contudo, nem todos os músculos intrínsecos se originam, e se inserem na própria língua. Os músculos intrínsecos da língua são designados conforme a direção de suas fibras. A musculatura intrínseca da língua corresponde ao músculo longitudinal superior, ao músculo transverso da língua, ao músculo vertical da língua, e ao músculo longitudinal inferior. O músculo longitudinal superior é o único músculo ímpar da língua. O músculo transverso apresenta direção laterolateral, e está localizado profundamente ao músculo longitudinal superior. O músculo vertical da língua se depara inferiormente ao músculo longitudinal superior, juntamente com o músculo transverso. Por fim, o músculo longitudinal inferior está localizado acima da mucosa da face inferior. Os músculos intrínsecos da língua são responsáveis pelos movimentos de encurtar o diâmetro transverso, arredondar e afilar a língua. Do mesmo modo, também elevam e abaixam tanto o ápice quanto a margem lingual. Em suma, se pode expor que a ação conjunta dos músculos intrínsecos da língua é modificar a conformação da língua. As artérias linguais se originam da artéria carótida externa. Ao adentrar na língua, a artéria lingual passa profundamente ao músculo hioglosso. As artérias dorsais da língua irrigam a raiz da língua; as artérias profundas da língua irrigam a parte anterior da língua. A artéria sublingual irriga a glândula sublingual, a mucosa do soalho da cavidade oral e o musculo milo-hióideo. As veias da língua são: as veias dorsais da língua, que seguem a artéria lingual; as veias profundas da língua, que iniciam no ápice da língua, prosseguem posteriormente além do frênulo da língua para se juntarem à veia sublingual. As veias sublinguais em indivíduos idosos habitualmente são varicosas. Todas as veias linguais acabam na veia jugular interna. A drenagem linfática da língua é extraordinária. A maior parte da drenagem linfática converge para a drenagem venosa e a prossegue; contudo, a linfa da extremidade da língua, do frênulo da língua, e da parte central do lábio inferior prossegue um trajeto independente. A linfa da língua prossegue quatro trajetos: --a linfa do terço posterior drena para os linfonodos cervicais profundos superiores; --a linfa da parte medial dos dois terços anteriores drena diretamente para os linfonodos cervicais profundos inferiores; --a linfa das partes laterais dos dois terços anteriores drena para os linfonodos submandibulares; --o ápice da língua e o frênulo da língua drenam para os linfonodos submentuais. O terço posterior e a parte medial dos dois terços anteriores drenam bilateralmente. A língua altera normalmente, e de forma vultosa quanto ao seu tamanho e a aparência da sua superfície. Essa alteração é comumente resultado de anormalidades do desenvolvimento. Algumas das anormalidades mais frequentes e sem grandes sequelas são a microglossia, ou a língua pequena; a macroglossia, ou a língua grande; a língua fissurada, fissuras exageradas no dorso da língua; a glossite romboide mediana, uma região sem papilas linguais; e a língua franjada, endentações ao longo da margem da língua que comprimem contra os dentes em oclusão. A língua saburrosa pode acontecer em virtude ao fuma, às infecções respiratórias, as infecções bucais e à febre. A higienização da língua é muito relevante e previne, entre outros fatores, a halitose. O câncer de língua é o câncer mais frequente da cavidade oral. Aproximadamente 95% dos casos de cânceres situados na língua e no soalho da boca são carcinomas de células escamosas e estão correlacionados com uma longa história de utilização de álcool e de tabaco. Os dentes são órgãos mineralizados, resistentes, esbranquiçados e implantados no arco dental da maxila e no arco dental da mandíbula, que exerce as seguintes funções: --preensão das substâncias alimentares conseguida pela ação conjunta dos dentes incisivos e dos lábios; --incisão dos alimentos, ou ato de cortá-los em partículas menores; --dilaceração dos alimentos, ou o ato de rasgar e diminuir as substâncias alimentares a partículas menos compactas; --trituração, ou o ato de moer os alimentos; --articulação das palavras ou fala; Conforme o tipo de dentes e o número de dentições, o ser humano é um mamífero heterodonte, por apresentar dentes de formas distintas, possibilitando a realização de funções distintas para cada dente ou grupo de dentes. Sob este aspecto os de dentes são divididos em: os incisivos (L. incidire, cortar) são os que seccionam o alimento; os caninos têm por finalidade dilacerar os alimentos; os pré-molares que esmagam os alimentos como se fossem prensas; e por fim os molares dedicam-se a triturar as substâncias mastigadas. Ainda, o ser humano é considerado um animal difiodonte, quer dizer, habitualmente dois conjuntos de dentes se desenvolvem na vida de um indivíduo. As dentiçõesdo ser humano são designadas dentes decíduos e dentes permanentes. Os dentes decíduos são pouco calcificados em relação aos dentes permanentes e, como tais são brancos como o leite. Os dentes permanentes, com maior índice de sais calcários, são brancos puxados para o amarelo. É a dentina que atribui a cor ao dente; o esmalte é praticamente incolor e transparente. Do ponto de vista puramente descritivo, o dente apresenta uma parte visível e funcionante na mastigação, a coroa do dente, A coroa do dente é dividida em coroa anatômica e coroa clínica. A coroa anatômica é à parte do dente coberta por esmalte. A coroa clínica designa tão somente a parte visível da coroa. A fixação do dente no seu osso alveolar dá-se por intermédio da raiz do dente. O segmento intermediário, não visível, estreitada da raiz do dente, e que une a raiz do dente à coroa do dente é designado colo do dente. O dente não é um órgão compacto. Em seu interior há uma cavidade que reproduz, em linhas gerais, a sua morfologia exterior. É a cavidade pulpar, a qual com as suas duas partes, a cavidade da coroa e o canal da raiz do dente. Nenhum dente funcionalmente está presente na cavidade oral no nascimento. A primeira série de dentes compõe a dentição decídua. Estes dentes surgem nos primeiros dois anos, e aproximadamente na seguinte ordem: incisivos inferiores (6 a 7 meses de idade); incisivos superiores (7 a 9 meses de idade); caninos (16 a 18 meses de idade); molares, primeiro (12 a 24 meses de idade) e segundo (20 a 24 meses de idade). Dessa forma, os dentes decíduos são em número de 20. A segunda série de dentes compõe a dentição permanente. Os dentes permanentes fazem a sua erupção entre os 6 e 13 anos de idade, com exceção do terceiro molar. Os dentes permanentes realizam a sua erupção aproximadamente na seguinte ordem: incisivos (6 a 9 anos de idade); caninos (9 a 12 anos de idade); pré-molares, primeiro (10 a 12 anos de idade) e segundo (11 a 12 anos de idade); molares, primeiro (6 a 7 anos de idade), segundo (11 a 13 anos de idade) e terceiro (18 a 21 anos de idade). Eventualmente, com essa idade os indivíduos tornam-se mais ajuizados, daí o nome popular para os terceiros molares. Dessa forma, os dentes permanentes são em número de 32. O termo dentição mista é utilizado para referir ao período no qual, ao mesmo tempo, permanecem dentes decíduos e dentes permanentes na cavidade oral. Esta é uma fase de profundas alterações no sistema estomatognático, que se prepara para uma morfologia e uma função mais definitivas. Verifica-se uma sequência de modificações, entre elas os surtos de crescimento nos ossos da face, e a definição de novas posturas mandibulares. Têm casos de uma terceira geração de dentes, a poliodontia, e até os casos de falta de dentes, a anodontia ou agenesia dental. A artéria alveolar superior e a artéria alveolar inferior, ramos da artéria maxilar, irrigam os dentes maxilares e os dentes mandibulares, concomitantemente. Veias alveolares com os mesmos nomes e distribuição seguem as artérias. Os vasos linfáticos dos dentes e das gengivas prosseguem, principalmente para os linfonodos submandibulares. Os ramos designados de nervo alveolar superior e de nervo alveolar inferior dão origem aso plexos dentais que inervam os dentes maxilares e os dentes mandibulares. O nervo lingual está intensamente relacionado à face medial dos terceiro molares, portanto deve-se ter cautela para impedir lesão do nervo lingual durante uma exodontia. A faringe A faringe é uma víscera composta por um tubo fibromuscular, situado atrás da cavidade oral, da cavidade nasal e da cavidade laríngea. Representa o extremo superior do tubo respiratório e do tubo digestório, e se comunica inferiormente com o esôfago. Transporta os alimentos ao esôfago e o ar a laringe, a traqueia, e os pulmões. Divide-se em parte nasal da faringe, parte oral da faringe, e parte laríngea da faringe. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento nos homens, e 13 centímetros de comprimento nas mulheres, com largura máxima de 3,5 centímetros até reduzir junto ao esôfago com diâmetro de 1,5 centímetros, estende-se desde a base do crânio, tubérculo faríngeo, até aborda inferior da cartilagem cricóidea, adiante e borda inferior de C6, por detrás. A parede posterior da faringe ampara-se sobre a fáscia pré-vertebral com um espaço potencial entre ambos, o espaço retrofaríngeo. O espaço retrofaríngeo é um espaço de deslizamento relevante do ponto de vista anatomo-clínico, pois se comunica diretamente com o mediastino posterior. Deste modo, afecções poderiam propagar-se a cavidade torácica. A faringe preenche tanto a região cefálica como a região cervical. A parte nasal da faringe apresenta função respiratória. É a parte mais superior da faringe, comunicando-se com a cavidade nasal, por meio dos cóanos. No teto da parte nasal da faringe depara-se, especialmente em indivíduos jovens, uma massa de tecido linfático designado de tonsila faríngea. A adenoide é um processo inflamatório da tonsila faríngea que pode motivar à obstrução dos cóanos, fazendo com que o indivíduo torne-se um respirador bucal. Em situações extremas, estes indivíduos adquirem uma expressão facial característica, designada de fácies adenoide, caracterizada pela boca aberta, a língua protraída, e a expressão facial abobalhada. A tonsila faríngea atrofia-se após a puberdade. Nas paredes laterais da parte nasal da faringe há uma abertura em fenda designada de óstio faríngeo da tuba auditiva. O óstio faríngeo da tuba auditiva representa a desembocadura da tuba auditiva na parte nasal da faringe. A tuba auditiva comunica a parte nasal da faringe com a orelha média, sendo a responsável por nivelar a pressão do ar existente na orelha média com a pressão atmosférica. O óstio faríngeo da tuba auditiva é delimitado superior e posteriormente por um relevo em formato de “meia-lua”, composta pela cartilagem da tuba auditiva, designada como toro tubário. Na parte nasal da faringe ainda podem ser vistas duas pregas da mucosa bem evidente: a prega salpingopalatina, anterior, do toro tubário em direção ao palato; e a prega salpingofaríngea, posterior, do toro tubário em direção à parede lateral da faringe. O espaço localizado posteriormente ao toro tubário e à prega salpingofaríngea é designado de recesso faríngeo, onde se aglomera tecido linfático, a tonsila tubária. A parte oral da faringe é uma estrutura relativamente simples, compondo-se na câmara que conduz á parte laríngea da faringe. A parte oral da faringe se estende do palato mole à margem superior da epiglote, que está posicionada na altura do hioide. A parte oral da faringe contém a tonsila palatina. As tonsilas palatinas de uma criança são maiores do que a dos adultos. As tonsilas palatinas são suscetíveis à infecção porque tendem a acumular sobras de alimentos nas criptas tonsilares. Comumente, a tonsilite pode exigir a tonsilectomia, uma conduta cirúrgica simples nas crianças. Entretanto, a proximidade das tonsilas palatinas com a artéria carótida comum e a rica irrigação das tonsilas palatinas demandam cautelas extremas nessa conduta. A parte laríngea da faringe consiste na parte mais inferior da faringe. Estende-se desde a margem superior da cartilagem epiglótica da laringe até a margem inferior da cartilagem cricóidea. Localiza-se posteriormente à laringe e prolonga-se diretamente pelo esôfago. Anteriormente, comunica-se com a cavidade da laringe por meio do ádito da laringe. A cada lado do ádito da laringe, há uma depressão designada de recesso piriforme. A parte laríngea da faringe, especificamente os recessos piriformes, é um local frequente de impactação de objetos pontudos, como por exemplo, os ossos de aves ou as espinhas de peixes. A presença de material estranho nessa região gera um quadro de asfixia, e o indivíduo fica inapto de retirar o objeto, cautelas devem ser adotadas em manuseio no recesso piriforme, pois na parte profunda da mucosa dessa região depara-se o ramo interno do nervo laríngeo superior, que pode ser lesado.Além dos músculos constritores: superior, médio, e inferior da faringe, existem outros músculos que se originam de variadas áreas, porém que se inserem na faringe. Os músculos constritores da faringe se superpõem parcialmente uns aos outros, como telhas, sendo o músculo constritor superior o mais interno, e o músculo constritor inferior o mais externo. O músculo constritor superior da faringe é delgado e quadrilátero. Tem origem do hâmulo pterigoideo, da rafe pterigomandibular, do quarto posterior da linha milo-hióidea, do processo alveolar da mandíbula, e da face lateral da raiz da língua. Basicamente a inserção corresponde à fáscia faringobasilar e à rafe faríngea no plano sagital mediano. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, e age na constrição da faringe. O músculo constritor médio da faringe é um feixe muscular em formato de “leque”, sendo composta por duas partes, a condrofaríngea e a ceratofaríngea. A parte condrofaríngea tem origem no corno menor do hioide e no ligamento estilofaríngeo, e a parte ceratofaríngea no corno maior do hioide. Sua inserção corresponde ao terço médio da rafe faríngea. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, e age na constrição da faringe. O músculo constritor inferior da faringe recebe a sua inervação motora das contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, do ramo externo do nervo laríngeo superior, e do nervo laríngeo recorrente do nervo vago. Funcionalmente, o músculo constritor inferior é formado por duas partes: a tireofaríngea, que age como um constritor; e a cricofaríngea que atua como um esfíncter faringoesofágico, evitando o refluxo do conteúdo do esôfago para a faringe. A parte cricofaríngea nos seres humanos possui fibras do tipo I, as oxidativas e poucas fibras do tipo II, as glicolíticas, com predomínio do tipo I de contração lenta explica o papel do músculo na prevenção da aerofagia e do refluxo esofágico. A parte tireofaríngea tem origem na linha oblíqua da cartilagem tireóidea, e a parte cricofaríngea na face lateral da cartilagem cricóidea. A inserção das duas partes se dá na rafe faríngea. Entre os músculos constritores se verifica os hiatos faríngeos, que possibilitam a passagem de diversas estruturas anatômicas. O hiato entre o crânio e o músculo constritor superior, possibilita a passagem do músculo levantador do véu palatino, da tuba auditiva, e da artéria faríngea ascendente. O hiato entre o músculo constritor superior e o músculo constritor médio, possibilita a passagem do músculo estilofaríngeo e do músculo estiloglosso, além do nervo glossofaríngeo, do nervo lingual, e ainda da artéria lingual. O hiato entre o músculo constritor médio e o músculo constritor inferior, possibilita a passagem do nervo laríngeo interno e do nervo laríngeo superior. O músculo estilofaríngeo é longo, fino, e com formato cilíndrico. Tem origem no processo estiloide do temporal, e a inserção na face medial da faringe, entre o hiato do músculo constritor superior e músculo constritor médio, na cartilagem tireóidea. É o único que recebe inervação motora do nervo glossofaríngeo. Age na elevação da laringe e da faringe durante a deglutição. O músculo salpingofaríngeo é fino e fusiforme. Tem origem na margem posterior da cartilagem da tuba auditiva, e a inserção na parede lateral e posterior da faringe. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo. Age na elevação da laringe, e pode ajudar na abertura da tuba auditiva durante a deglutição. O músculo palatofaríngeo é um músculo longo e fino, que se origina no palato mole, e se insere na cartilagem tireóidea e na parede muscular da faringe. Recebe sua inervação motora do nervo vago, por meio da sua contribuição ao plexo faríngeo. Age no estreitamento do istmo das fauces, e ajuda no abaixamento do véu palatino. A irrigação da parte superior da faringe deriva especialmente, do ramo faríngeo ascendente da artéria carótida externa, de ramos faríngeos da artéria maxilar, da artéria palatina ascendente, e de ramos tonsilares da artéria facial. A parte inferior da faringe é suprida pela artéria tireóidea superior e a artéria tireóidea inferior. A linfa é drenada par os linfonodos da cadeia cervical profunda, especialmente a originada da parte oral da faringe. Os linfonodos acolhem a linfa da parte nasal da faringe drenam para os linfonodos retrofaríngeo, que se comunica com outros linfonodos, como os linfonodos submandibulares e os linfonodos parotídeos. A inervação sensitiva da parte nasal e da parte oral da faringe deriva de ramos da divisão maxilar do nervo trigêmeo e do nervo glossofaríngeo, enquanto a inervação do restante da faringe é fornecida pelo nervo glossofaríngeo e o nervo vago. O esôfago O esôfago é, funcionalmente, o segmento mais simples do cala alimentar. Sua única finalidade é o transporte de materiais líquidos ou sólidos da faringe para o estômago. Seu comprimento alcança no ser humano adulto aproximadamente 25 centímetros e, se considerado a distância entre os dentes incisivos e o estômago, tem-se aproximadamente 40 centímetros antes do alimento adentrar nesta víscera do sistema digestório. O esôfago apresenta três partes: a parte cervical, no adulto apresenta aproximadamente oito centímetros de comprimento; a parte torácica, com aproximadamente 16 centímetros no adulto; e a parte abdominal, em média, com um a três centímetros. No ser humano, o terço superior do esôfago é constituído de músculo estriado esquelético, sendo a camada circular interna sucessiva com os músculos da parte laríngea da faringe, e do esfíncter esofágico superior. Os dois terços inferiores do esôfago são constituídos por músculos lisos, sendo a camada longitudinal e a camada circular sucessiva com a musculatura do estômago. O esôfago corre para baixo desde o mediastino superior, por meio do pescoço, sendo que o esôfago cervical é o prosseguimento direto da faringe, e apresenta início na altura de C6. O tubérculo carótico assinala este nível, e compõe relevante detalhe anatômico para a sua determinação. O esôfago prossegue na parte superior do tórax, atrás da traqueia, levemente à esquerda com relação ao plano sagital mediano. Abaixo da extremidade desta, prossegue no mediastino posterior, entre o pulmão direito e o pulmão esquerdo, atrás do coração, e adentra na cavidade abdominal, passando o diafragma pelo hiato esofágico. Em seguida, uma pequena trajetória de dois centímetros, adentra na parte mais dilatada do estômago, a cárdia. Normalmente achatado na passagem do bolo alimentar, torna-se tubular. Os estreitamentos esofágicos são causados pelas suas relações sintópicas. O primeiro estreitamento é observado na transição entre a faringe e o esôfago, ao nível da margem inferior da cartilagem cricóidea, o estreitamento cricóide, e compõe o esfíncter esofágico superior. O segundo estreitamento e o terceiro estreitamento são observados quando o esôfago é cruzado pela aorta, o estreitamento aórtico, e pelo brônquio principal esquerdo, o estreitamento brônquico, sua esqueletopia corresponde a T5. Seu quarto estreitamento é observado próximo a três centímetros de sua terminação na cárdia do estômago, o estreitamento cárdico. Este estreitamento é dado pela contração das fibras musculares lisas do órgão, não sendo originado de sua relação com o diafragma, ainda que alguns autores o denominem estreitamento diafragmático. A vascularização da parte cervical do esôfago provém da artéria tireóidea superior e da veia tireóidea superior; e a sua inervação se origina do nervo laríngeo inferior, um ramo do nervo vago, além do tronco simpático cervical. Já a vascularização da parte torácica provém das artérias bronquiais, dos ramos da parte descendente da aorta, das veias ázigos e das veias hemiázigo; e a sua inervação se origina do nervo vago e do tronco simpático cervical. Por fim, a vascularização, ainda da parte torácica do esôfago e da parte abdominal do esôfago provém da parte descendente da aorta, dos ramos da artéria gástrica esquerda, e da veia gástrica esquerda.As veias esofágicas são anastomosadas com as do estômago, logo abaixo do diafragma, estando, portanto, ligadas ao sistema porta-hepático formando uma anastomose portossistêmica, cuja fundamental ligação se dá pela pequena veia esôfago cardiotuberositária, tributária da veia gástrica esquerda que drena para o sistema da veia porta hepática. Na hipertensão portal, pode-se deparar por refluxo de veias varicosas, que provavelmente podem romper-se propiciando hemorragia alta do canal alimentar. A inervação do esôfago se origina do nervo vago e da parte simpática do nervo esplâncnico maior. A deglutição, ou ato de engolir é o complexo ato mecânico e fisiológico de mover o alimento, ou o líquido da cavidade oral para o estômago. A primeira fase da deglutição é voluntária e vem após a mastigação, se existir alimento envolvido. Durante essa primeira fase, a boca está fechada e a respiração é cessada provisoriamente. O bolo alimentar é formado quando a língua é erguida contra as pregas palatinas transversas, ou as pregas rugosas do palato duro. A segunda fase da deglutição é a passagem do bolo alimentar para a faringe. Os episódios dessa segunda fase são involuntários e ocorrem por estimulação dos receptores sensitivos situados na abertura da parte oral da faringe. A pressão da língua contra as pregas palatinas transversas fecha a parte nasal da faringe em relação à cavidade oral, gera uma pressão, e força o bolo alimentar para o interior da parte oral da faringe. O palato mole e a úvula palatina são erguidos para fechar a parte nasal da faringe, quando o bolo alimentar passa. O osso hioide e a laringe também são erguidos. A elevação da laringe contra a epiglote fecha a glote de maneira que seja menos provável que o alimento ou o líquido possam adentrar na traqueia. A imediata contração dos músculos constritores da faringe desloca o bolo alimentar da faringe para o esôfago. A segunda fase é terminada em menos de um segundo ou menos. A terceira fase da deglutição, a entrada e a passagem do alimento pelo esôfago, também é involuntária. O bolo alimentar é movido pelo esôfago por meio de ondas peristálticas. No caso de líquidos, o processo inteiro da deglutição se executa em pouco mais do que um segundo; para um bolo alimentar típico, o tempo varia de cinco a oito segundos. No contexto de uma incompetência do esfíncter inferior do esôfago, acontece refluxo de suco gástrico para o esôfago. Isto pode gerar a inflamação do esôfago em virtude à presença nociva de ácido clorídrico no suco gástrico. Tal esofagite de refluxo pode gerar dores, azia ou queimação que, comumente, depende da postura do paciente, ocorrendo, especialmente, quando o paciente está deitado. Sob o ponto de vista terapêutico, em casos leves de refluxos, são tomadas as medidas gerais, como por exemplo, a eliminação de alimentos desencadeadores e a redução de peso. Na esofagite de refluxo, medicamentos antiácidos são imprescindíveis. CONTEÚDO 13 - ANDAR SUPRA-MESOCÓLICO: LOJA HEPÁTICA O fígado é a maior glândula do organismo, e é também a mais volumosa víscera abdominal. Sua localização é na região superior do abdome, cujo topografia ocupa o hipocôndrio direito, logo abaixo do diafragma, normalmente 2/3 de seu volume estão a direita da linha mediana e 1/3 à esquerda. Pesa cerca de 1,500g e responde por aproximadamente 1/40 da massa corporal de um indivíduo adulto. O fígado possui duas faces: diafragmática e visceral. A face diafragmática é convexa e lisa relacionando-se com a cúpula diafragmática. A face visceral é irregularmente côncava pela presença de impressões viscerais. O fígado é dividido em lobos. A face diaframática possui um lobo direito e um lobo esquerdo, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o esquedo. A divisão dos lobos é estabelecida pelo ligamento falciforme. Na extremidade desse ligamento é encontrado um cordão fibroso resultante da obliteração da veia umbilical durante a vida intrauterina, denominado como ligamento redondo do fígado. A face visceral é subdividida em quatro lobos: o direito, o esquerdo, o quadrado e o caudado pela presença de depressões em sua área central. Entre o lobo direito e o quadrado é encontrada a vesícula biliar e entre o lobo direito e o caudado, há um sulco que abriga a veia cava inferior. Entre os lobos caudado e quadrado, há uma fenda transversal: a porta do fígado, ou pedículo hepático, por onde passam a artéria hepática, a veia porta, o ducto hepático comum, os nervos e os vasos linfáticos. As vias bilíferas extra-hepáticas são formadas: pelo ducto hepático comum, pela vesícula biliar, pelo ducto cístico e pelo ducto colédoco. O fígado é um órgão vital, sendo essencial o funcionamento de pelo menos 1/3 dele - além da bile que é indispensával na digestão das gorduras, sendo que o fígado exerce o relevante papel de armazenador de glicose e, em menor escala, de ferro, cobre e vitaminas. A função digestiva do fígado é produzir a bile, uma secreção verde amarelada, para passar para o duodeno. A bile é produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, que a libera quando lipídeos adentram no duodeno. A bile emulsiona a gordura e a distribui para a parte distal do intestino para a digestão e absorção. Outras funções do fígado são: --metabolismo dos carboidratos; --metabolismo dos lipídios; --metabolismo das proteínas; --processamento de fármacos e hormônios; --excreção da bilirrubina; --excreção de sais biliares; --armazenagem; --fagocitose; --ativação da vitamina D. A vesícula biliar A vesícula biliar possui sete a dez centímetros de comprimento, localiza-se-se na fossa da vesícula biliar na face visceral do fígado. Esta fossa situa-se na junção do lobo direito e do lobo quadrado do fígado. A relação da vesícula biliar com o duodeno é tão íntima que a parte superior do duodeno normalmente é manchada com bile no cadáver. A vesícula biliar tem capacidade para até 50 mililitros de bile. O ducto cístico, com aproximadamente quatro centímetros de comprimento liga a vesícula biliar ao ducto hepático comum, união do ducto hepático direito e esquerdo, compondo o ducto colédoco. O comprimento varia de cinco a quinze centímetros de comprimento. O ducto colédoco desce posterior a parte superior do duodeno e situa-se na face posterior da cabeça do pâncreas. No lado esquerdo da parte descendente do duodeno, o ducto colédoco entra em contato com o ducto pancreático principal. A união do ducto colédodo, com o ducto pancreático e a papila maior do duodeno formam a ampola hepatopancreática. CONTEÚDO 14 - ANDAR SUPRA-MESOCÓLICO: LOJA DUODENO-PANCREÁTICA, JEJUNO E ÍLEO A principal parte da digestão acontece no intestino delgado, que se estende do piloro até a junção iliocólica, válvula ileocecal, ou papila ileal, que se reúne com o intestino grosso. O intestino delgado é um órgão indispensável. Os principais eventos da digestão e absorção acontecem no intestino delgado, portanto sua estrutura é especialmente adaptada para essa função. Sua extensão fornece grande área de superfície para a digestão e absorção, sendo ainda muito elevada pelas pregas circulares, pelas vilosidades e pelas microvilosidades. O intestino delgado mede aproximadamente sete metros de comprimento, podendo variar entre cinco e oito metros (o comprimento de intestino delgado e de intestino grosso em conjunto após a morte é de aproximadamente nove metros. O intestino delgado, é composto pelo duodeno, jejuno e íleo, estende-se do piloro até a papila ileal, onde o íleo une-se ao ceco, a primeira parte do intestino grosso. O duodeno é a primeira parte do intestino delgado. Recebe este nome por ter seu comprimento aproximedamente igual à largura de doze dedos, ou seja, 25 centímetros, assim referenciado por Herófilo da Macedônia. É a única parte do intestino delgado que é fixa., portanto, não apresenta mesentério. O duodeno possui quatro partes: a parte superior, que se origina no piloro e estende-se até o colo da vesícula biliar; a parte descendente, que é desperitonizada, além disso, o ducto colédoco,que provêm da vesícula biliar e do fígado, contendo a bile e o ducto pancreático, que provêm do pâncreas, contendo o suco ou secreção pancreática, desembocam na paila maior do duodeno que está localizada na parte descendente; a parte horizontal; e por fim a parte ascendente. O jejuno é a parte do intestino delgado que faz continuação ao duodeno, recebe este nome porque sempre que é aberto se apresenta vazio. É mais largo, aproximadamente quatro centímetros, sua parede é mais espessa, mais vascular e de cor mais forte que o íleo. O Íleo é o último segmento do intestino delgado que faz continuação ao jejuno. Recebe este nome por relação com osso ilíaco. É mais estreito e suas túnicas são mais finas e menos vascularizadas que o jejuno. Distalmente, o íleo desemboca no intestino grosso num orifício que recebe o nome de papila ileal. Juntos, o jejuno e o íleo medem aproximadamente seis a sete metros de comprimento. A maior parte do jejuno localiza-se no quadrante superior esquerdo, enquanto a maior parte do íleo localiza-se no quadrante inferior direito. O jejuno e o íleo, ao contrário do duodeno, são móveis. Pâncreas O pâncreas produz por meio de uma secreção exócrina o suco pancreático que adentra no duodeno através dos ductos pancreáticos, uma secreção endócrina produz o glucagon e a insulina que adentarm no sangue. O pâncreas produz diariamente 1200 – 1500 mililitros de suco pancreático. O pâncreas é achatado no sentido ântero-posterior, apresentando uma face anterior e outra posterior, com uma margem superior e inferior e sua localização é posterior ao estômago, sendo considerado um órgão retroperitoneal. O seu comprimento varia de 12,5 a 15 centímetros e seu peso no sexo feminino é de 14,95 gramas e no sexo masculino é de 16,08 gramas. O pâncreas divide-se em: cabeça, envolvida na curva do duodeno; colo; corpo sendo dividido em três partes: anterior, posterior e inferior; e cauda. O pâncreas tem as seguintes funções: --dissolver carboidrato (amilase pancreática); --dissolver proteínas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastáse); --dissolver triglicerídios nos adultos (lípase pancreática); --dissolver ácido nucleicos (ribonuclease e desoxirribonuclease). CONTEÚDO 16 - APARELHO UROGENITAL SISTEMA URINÁRIO Funções --responsável pela uropoese: condução, armazenamento e eliminação da urina. --importante para manutenção da homeostase: do estado de equilíbrio da função e na composição dos fluídos corporais; por exemplo, o equilíbrio iônico do sangue e tecidos. --eliminação de ureia e outros catabólitos nitrogenados (do metabolismo proteico), água, toxinas e sais minerais. Componentes Os órgãos são: rins, pelve renal, o ureter, a bexiga e a uretra. Rins Órgãos uropoéticos bilaterais em forma de feijão. Cada rim pesa em média 150 gramas (12cmx6cmx3cm). Apresenta duas faces: anterior e posterior; duas margens: lateral e medial e duas extremidades: superior e inferior. São vísceras retroperitoneais, da parte posterior do abdome, ao lado da coluna vertebral. O rim direito é mais baixo que o rim esquerdo (devido ao tamanho do lobo do fígado). Encontram-se na frente do músculo psoas (12º costela, T12, L1, L2 e L3). A margem lateral é convexa e a margem medial é entalhada ou côncava (seio renal e a pelve renal). No meio da margem medial presença de uma depressão (fenda), denominada hilo renal, aonde penetra a artéria renal e a veia renal, enquanto que a pelve renal deixa o rim. O hilo conduz a um espaço no interior do rim, denominado seio renal composto pela pelve renal, cálices renais, nervos, vasos de sangue e tecido adiposo. Os vasos de sangue, nervos e ureteres que entram e saem do hilo formam o pedículo renal. Anatomia de superfície e pontos de referência Nas pessoas obesas e muito musculosas os rins não são palpáveis. A posição muda com a respiração, deslocando-se três centímetros na direção vertical com o movimento do diafragma. O hilo do rim esquerdo situa-se no plano transpilórico. Constituição Cada rim é envolto por uma cápsula fibrosa (desprende-se facilmente) que entra pelo seio renal e por uma cápsula adiposa (gordura pararrenal- é importante estrutura de fixação). As cápsulas ajudam a manter os rins em suas posições normais. Tanto o rim quanto a suprarrenal são envolvidos pela fáscia renal. A fáscia renal (lâmina posterior e anterior) envolve o rim, a cápsula fibrosa, a cápsula adiposa e a glândula suprarrenal. Unidade morfofuncional supracelular do rim - néfron Cada rim tem aproximadamente 1.250.000 néfrons. O néfrons é formado por um glomérulo capilar envolvido pela cápsula glomerular (córtex renal). Da cápsula sai um túbulo contorcido proximal (quinze milimetros de comprimento) que vai para o centro do rim (medula renal) e volta para o córtex renal como túbulo contorcido distal. Do túbulo contorcido distal continua um túbulo reto (cinco milimetros) que leva a um túbulo coletor aproximadamente 500. Cada túbulo coletor recebe tributários e se esvaziam num cálice da papila renal que fica no ápice da pirâmide renal. Cada rim tem em média dez pirâmides. As pirâmides chegam em nove cálices menores que drenam a urina para três cálices maiores. A confluência desses cálices maiores forma a pelve renal. Ureteres São ductos musculares de parede espessa, distensíveis e luz estreita. Função: carregam urina dos rins para a bexiga urinária, à medida que a urina passa ao longo dos ureteres surgem ondas peristálticas em suas paredes. A parte abdominal mede 25 centímetros de comprimento e cinco centímetros de largura; adere ao peritônio parietal descendo verticalmente na frente do músculo psoas maior. O ureter direito enquanto desce mantem-se intimamente relacionado com a veia cava inferior, linfonodos lombares e o tronco simpático. A parte pélvica segue para trás e para baixo e anterior às artérias ilíacas, curva-se em sentido anteromedialmente acima do músculo levantador do ânus, onde está intimamente aderido ao peritônio. Suprimento arterial dos rins As artérias renais que saem em ângulo reto da aorta (L1 e L2). No hilo dividem-se em cinco artérias segmentares e passam na frente da pelve renal. Para cada artéria é definido um segmento renal, sendo que o segmento é suprido por uma artéria segmentar. A artéria renal direita passa atrás da veia cava inferior. Suprimento arterial dos ureteres Apresenta três origens mais comuns: a artéria renal (menos comuns a artéria testicular ou artéria ovariana e a artéria vesical ou artéria uterina). Drenagem venosa Rins Várias veias drenam os rins e formam a veia renal. No hilo renal fica a frente da artéria renal. A veia renal esquerda passa na frente da aorta e abaixo da artéria mesentérica superior. Cada veia renal drena para a veia cava inferior. Ureteres A drenagem é realizada pelas veias testiculares ou veias ovarianas. Drenagem linfática Os vasos linfáticos acompanham a veia renal e drenam para os linfonodos lombares (laterais aórticos) e ilíacos. Inervação Vêm do plexo renal (fibras simpáticas e parassimpáticas) é suprido pelos nervos esplâncnico menor e mínimo. Bexiga urinária É uma vesícula muscular oca para armazenar urina temporariamente. Em adultos, a bexiga vazia está localizada na pelve menor atrás e acima dos ossos púbicos, separado pelo espaço retropúbico. A bexiga cheia (500 mililitros) ascende até a pelve maior. Em lactentes, a bexiga situa-se no abdome, mesmo quando vazia. Com seis anos de idade entra na pelve maior e na puberdade na pelve menor. Suas características de distensibilidade, forma, tamanho, posição depende da quantidade de urina e da idade. A mucosa da bexiga está frouxamente conectada à parede muscular, em geral, exceto na base ou fundo chamado de trígono da bexiga. A mucosa na bexiga vazia fica em numerosas pregas, mas é lisa no trígono, pois está firmemente aderida à parede muscular. Em cadáveres, a bexiga vazia possui forma de uma pirâmide triangular, enquanto que nos indivíduos vivos apresenta sempre tem um resto de urina, portanto adquire uma forma arredondada.Localização A forma da bexiga é determinada com os órgãos a ela relacionados. Envolvida por tecido conjuntivo frouxo, a fáscia vesical, onde está localizado o plexo venoso vesical. O leito da bexiga de cada lado é limitado pelos ossos do púbis, músculo obturador interno e músculo levantador do ânus. Posteriormente é limitada pelo reto. Na mulher, o fundo da bexiga é separado do reto pelo colo do útero e pela parte superior da vagina. No homem, o fundo da bexiga é separado do reto pelas ampolas dos ductos deferentes e das glândulas seminais. Estrtura da bexiga urinária A parede da bexiga é de músculo liso, o músculo detrusor (três camadas: interna e externa longitudinal e a média circular). Próximo ao colo da bexiga, as fibras musculares formam o esfíncter interno involuntário. A continuação de algumas dessas fibras formam o óstio interno da uretra. A túnica mucosa é revestida pelo epitélio de transição (para o estiramento). As aberturas dos ureteres: óstios ureterais (fendas conectados pela prega interuretérica) e o óstio interno da uretra estão localizados nos ângulos do trígono da bexiga. Os ureteres passam da parede da bexiga obliquamente em direção ínfero-medial. Suprimento arterial da bexiga urinária As artérias principais: ramos das artérias ilíacas internas. Drenagem venosa Correspondem às artérias e são tributárias das veias ilíacas internas. Drenagem linfática Os vasos linfáticos da parte superior da bexiga seguem para os linfonodos ilíacos externos. Os vasos linfáticos da parte inferior da bexiga seguem para os linfonodos ilíacos internos Inervação da bexiga urinária Nervos esplâncnicos pélvicos (S2, S3, S4) fibras parassimpáticas da bexiga. As fibras são motoras para o músculo detrusor e inibitórias para o esfíncter interno. Quando essas fibras são estimuladas pelo estiramento a bexiga se contrai, o esfíncter interno relaxa e a urina flui para a uretra. As fibras simpáticas são derivadas dos nervos T11, T12, L1 e L2 – são inibitórias. As fibras simpáticas e parassimpáticas formam o plexo nervoso vesical e é contínuo com o plexo hipogástrico inferior. As Fibras sensitivas são viscerais e transmitem sensação de dor (estiramento excessivo) Uretra masculina Longo tubo muscular (15 a 20 centímetros) conduz a urina da bexiga para o exterior pelo óstio externo da uretra, localizado na extremidade da glande do pênis. É também saída para o sêmen. Dividida em três partes: prostática (três centímetros) começa no óstio interno da uretra no ápice do trígono da bexiga, desce através da próstata; membranácea e esponjosa Uretra feminina Tubo muscular curto (quatro centímetros) revestido por túnica mucosa. A metade superior corresponde à uretra prostática e a metade inferior corresponde à parte membranácea da do homem. Apresenta sentido anteroinferior a partir da bexiga, atrás e a seguir abaixo da sínfise púbica. O óstio externo da uretra está localizado no vestíbulo da vagina. Situa-se na frente da vagina. Suprimento arterial e drenagem venosa Suprimento: artérias pudentas interna e artéria vaginal. As veias acompanham as artérias e tem os mesmos nomes. Inervação Nervos pudendos. Segue pelos nervos esplâncnicos pélvicos. Drenagem linfática Seguem os linfonodos sacral e ilíaco interno. Alguns drenam para os linfonodos inguinais. SISTEMA GENITAL É o sistema que tem por finalidade executar a reprodução, isto é, a perpetuação da espécie. Compreende os órgãos produtores de gametas (Gônadas) e as vias condutoras dessas células sexuais. Reprodução: é a capacidade que os seres vivos possuem para gerar outros seres da mesma espécie e com as mesmas características de seus progenitores. Sistema genital feminino (componentes) Ovários: órgão produtor de gametas (óvulos); Tubas uterinas: vias condutoras de gametas; Útero: abriga o ser vivo; Vagina: órgão de cópula, passagem do neonato e resíduos da menstruação. Vulva: órgãos genitais externos (monte do púbis, lábios maiores e menores do pudendo, clitóris e vestíbulo da vagina). Clitóris: órgão erétil, dois a três centíemtros, homólogo do pênis (corpos cavernosos), seus ramos estão fixados ao púbis e ao ísquio. Bulbo do vestíbulo: duas massas de tecido erétil ao redor do óstio da vagina. Glândulas vestibulares: secretam muco lubrificador da vagina. Estruturas de sustentação (ligamentos) 1-Largo do útero 2-Redondo do útero 3- Próprio do ovário 4-Mesovário 5-Mesossalpinge 6-Ligamento suspensor do ovário Útero: -corpo 2/3 e colo 1/3 -divisão: fundo, corpo, istmo e colo -camadas: 1-Endométrio – camada mucosa 2-Miométrio – 12 a 15 milímetros de músculo liso 3-Perimétrio – peritônio + tecido conjuntivo relações: 1-Posteriormente: escavação retouterina – separa o colo sigmoide do útero. 2-Anteriormente: escavação vesicouterina – separa a bexiga do útero. Tubas uterinas (10 a 12 centímetros de comprimento) - ampola uterina: local de fertilização do óvulo. Ovários -ovais com três centímetros de comprimento -gametogênese -produção hormonal Sistema genital masculino (componentes) Escroto: permite a gametogênese, pois mantém os testículos afastados e consequentemente uma temperatura inferior a temperatura corpórea em 1º C. Testículos: função gametogênese e produção hormonal. Epidídimo: tubo único enovelado (~5 metros), armazenamento e amadurecimento dos espermatozoides (adquirem mobilidade). Partes: cabeça, corpo e cauda. Ductos deferentes: transporte de espermatozoides. Glândulas seminais: líquido seminal (líquido alcalino contendo proteínas, vitamina C e frutose, maior motilidade de parte do ejaculado). Próstata: secreta o líquido prostático que lubrifica a uretra, diminui a acidez vaginal e neutraliza a acidez residual. Ductos ejaculatórios: ducto excretor da vesícula seminal e do ducto deferente. Glândulas bulbouretrais: secreta o líquido que faz parte do sêmen que lubrifica a uretra e neutraliza a acidez residual. Pênis: órgão masculino de cópula e saída comum para a urina e o sêmen. Partes: -raiz: ramos do pênis (fixados no púbis e ísquio) e bulbo do pênis. -corpo: ramos, corpos cavernosos, bulbo, corpo esponjoso. Tecido erétil do pênis: -corpos cavernosos -corpo esponjoso Músculos: -músculos isquiocavernosos (ramos do pênis): impedem a saída de sangue do pênis e manutenção da ereção (comprimem o plexo venoso). -músculo bulboesponjoso (bulbo do pênis): eliminação da urina, ejaculação e ereção (esfíncter).