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Parto Operatório e Parto Assistido Especialização em Enfermagem Obstétrica Profª Graziele Figueiredo Parto Cesárea? Secção cesárea? Operação cesareana? commons.wikimedia.org/ Histórico Nascimento de Júlio César ??? Sua mãe sobreviveu ao seu parto Caedere (latim) Cortar Lex Cesare (costume romano) Objetivo: enterrar mãe e filho separadamente em caso de morte materna durante TP Epidemiologia 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% Países com taxa de cesárea acima de 30%, 2013 UNICEF (2013) Epidemiologia 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% Norte Nordeste Sul Sudeste Centro-Oeste Porcentagem de cesárea por região do Brasil de 2000 a 2012 Ministério da Saúde (2014) SUS X Saúde Suplementar 4 0 % 8 4 ,6 0 % 0% 20% 40% 60% 80% 100% Porcentagem de cesárea dentro do total de partos realizados no Brasil em 2012, por tipo de serviço 1 .8 7 7 .5 0 5 5 0 2 .8 1 2 0 200.000 400.000 600.000 800.000 1.000.000 1.200.000 1.400.000 1.600.000 1.800.000 2.000.000 Números de partos realizados em 2012 no Brasil, segundo tipo de serviço MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos %u2013 SINASC e SIP/ANS Metas OMS Inferior a 15% Menores índices de mortalidade perinatal Estratégias MS: • Acesso a dados de cesárea no estabelecimento de saúde por mulheres grávidas ou não; • Apresentação de partograma para pagamento do profissional; • Avaliação do Cartão da Gestante. Países que atingem a meta da OMS 0% 2% 4% 6% 8% 10% 12% 14% 16% A fe g a n is tã o A rm ê n ia B u tã o C . d o N o rt e E ti ó p ia F il ip in a s G a n a G u ia n a G u in é H o la n d a In d o n é s ia Ja m a ic a L ib é ri a M a d a g a s c a r N a m íb ia N ig é ri a P a q u is tã o Q u ê n ia R e p . C o n g o U c râ n ia Países com taxa de cesárea igual ou inferior à 15%, 2013 UNICEF (2013) Indicações Por que são importantes? Mortalidade materna 4 vezes superior ao parto normal; Morbidade 5 a 20 vezes maior. Cesárea eletiva Agendada com indicação. Cesárea a pedido Agendada sem indicação. Indicações Fetais: • Sofrimento fetal; • Apresentações: • Transversa fixa; • Pélvica (sem critério para parto vaginal); • Fronte; • Face; • Prolapso de cordão; • Gemelaridade (?); • Feto > 4500g; • Anomalias congênitas (mielomeningocele, hidrocefalia, órgãos extracorpóreos). Cardiotocografia??? Padrões detectados Aumento do número de cesáreas Não diminui a morbidade por acidose ou paralisia cerebral • HIV com alta carga viral (acima de 1000 cópias/ml); • Herpes Vírus ativo (30 a 50% de transmissão); • Iteratividade; • Psicopatia; • Doenças cardiovasculares; • Doenças pulmonares; • Condições que elevam a PIC; • Presença de tumores obstrutivos; • Vícios pélvicos (congênito ou fratura); • Malformações genitais; • Cirurgia vaginal reconstrutiva (reparo de fístula). Indicações Maternas: Indicações Falha na progressão do TP; DPP; Placenta prévia oclusiva ou a menos de 2 cm do colo; Perimortem. Materno-fetais: Isto é, a cesárea salva vidas todos os dias, substituindo o trabalho de parto quando a mulher não pode se submeter a ele ou quando ele não progride. Seu uso criterioso é indispensável, pois é uma agressão a tecidos e órgãos e uma invasão de cavidades. Cesárea Perimortem Salvar a vida da mãe ou feto???? Cesárea perimortem Indicada pela American Heart Association em gestantes que não respondem às manobras ressuscitativas. PCR Após 4 minutos de RCP sem sucesso Viabilidade fetal e suporte adequado Cesárea perimortem Evacuação uterina Descompressão do fluxo aorto-cava Aumento de 25% no DC Aumento de sobrevida materna. Menos de 10% sobreviveriam. Aumento de sobrevida fetal em 100%. Pré-operatório Anamnese: • História médica pregressa; • Cirurgias; • História obstétrica, ginecológica e familiar; • Drogadição; • Transfusões; • Medicações em uso; • Alergias; • História anestésica; • Duração do TP e tempo de bolsa rota. Exame físico: • Questões obstétricas, anestésicas e médicas importantes; • Consciência de que a anestesia regional pode ser convertida em geral; • Exame vaginal. Pré-operatório Exames complementares: • Hb e Ht; • TS + Rh; • Prova sanguínea e reserva de sangue, se risco de hemorragia; • HIV. Considerações: • Orientação da paciente; • Jejum de 8 horas; • Veia calibrosa; • DLE; • Cateterismo vesical; • TCLE com diagnóstico, procedimento, riscos. Complicações Intraoperatórias Hemorragia por atonia uterina Massagem uterina Terapia Farmacológica: - 20 a 40 UI/litro EV de ocitocina; - Metilergonovina (Methergin) 0,2mg IM; Cirúrgico: - Sutura de artérias uterinas; - Histerectomia. Complicações Intraoperatórias Lacerações • Apresentações anômalas; • Macrossomia; • Seguimento uterino inferior muito fino. Outras complicações • Lesão do trato urinário; • Lesão gastrointestinal; • Anestésicas (toxicidade, hipotensão, cefaleia pós-raqui); • Aspiração; • Extração fetal difícil; • Falência respiratória; • Parada cardíaca. Complicações no pós-operatório imediato Infecção Endometrite • Aumento da sensibilidade dolorosa; • Febre; • Leucocitose. Ferida cirúrgica • Eritema; • Dor; • Secreção purulenta; • Febre. Trato urinário Relacionada à SVD. Complicações no pós-operatório imediato Tromboembólicas: TVP e Embolia pulmonar • Dor em MMII; • Edema; • Sinal de Homans + Tromboflebite séptica • Dx por exclusão; • Febre desconhecida persistente após vários dias de ATB e melhorada com heparinoterapia. Complicações no pós-operatório tardio e/ou remoto • Separação assintomática da cicatriz; não penetra a serosa e não cursa com hemorragia. Deiscência • Separação da ferida da parede cirúrgica; • 0,7% dos partos vaginais subsequentes; • Perda da situação fetal, mudança no padrão de FCF ou tônus uterino; sangramento vaginal, hipotensão, taquicardia; • Dor em 25% dos casos; • Tto: sutura por planos ou histerectomia. Rotura uterina Complicações no pós-operatório tardio e/ou remoto • ¼ das mulheres submetidas à cesárea de repetição necessitarão de histerectomia devido placenta acreta. Placenta acreta • 2/3 serão submetidas à nova cesárea; • Subfertilidade, síndrome de dor crônica e queloides. Cesárea de repetição • Hemorragia, lacerações, placenta acreta. • Complicações: maior perda sanguínea e tempo anestésico, infecção, transfusão, esterilidade. Histerectomia Complicações para o RN Maiores quando cesárea eletiva!!! Respiratórias Taquipneia transitória; SAR; Hipertensão pulmonar. Cuidados Pós-operatórios Observar rigorosamente a puérpera na primeira hora; Avaliar SSVV; Realizar massagem uterina / monitorização da contração uterina; Controlar diurese (lesão vesical, retençãourinária); Controlar loquiação; Estimular deambulação assistida; Garantir alimentação a dequada; Estimular a função intestinal e avaliar; Administrar medicações: ocitocina, ATB, analgésico e antinauseantes CPM; Remover curativo em 24 horas; pediatravirtual.net Estimular a amamentação; Garantir a reposição de ferro; Orientar quando alta em 2 a 4 dias; Orientar retirada dos pontos; Orientar planejamento familiar e MAC; Administrar Imunoglobulina anti D, se indicado; Orientar vacinação; Agendar consulta puerperal. Cuidados Pós-operatórios pediatravirtual.net Instruções pós-operatórias à paciente Cuidados com a ferida: • Seca; • Mínimo de curativo; • Higiene com água morna e sabão neutro; • Sinais de alerta: hipertermia local ou sistêmica, hiperemia, drenagem. Atividades: • Permitido subir escadas imediatamente, porém com peso após 2 semanas; • Levantar peso e dirigir de acordo com o bem- estar; • Quarentena; • Exercícios de Kegel de acordo com o conforto. Parto instrumental: fórceps e vácuo extração parto.embarazo.net Instrumentos utilizados em obstetrícia com o objetivo de apreender a cabeça do feto e extraí-la por via pelvivaginal. Indicações Maternas: Exaustão materna • 1º ou 2º período prolongados; • Início precoce de movimentos de expulsão; • Ausência de acompanhante. Uso de anestésicos • Interfere nos esforços expulsivos da mãe. Ausência de descida do feto • Por resistência oposta causada por tecidos moles. Indicações Maternas: Doenças da mãe • Cardiorrespiratórias; • Descolamento de retina; • Intracranianas. Hemorragia • Risco de morte. Indicações Qualquer condição que torne inseguro para o bebê a permanência intrauterina durante o período expulsivo; Cardiotoco não tranquilizador. Fetais: Materno-fetais: DCP relativa; Variedade de posição anômala. Pré-requisitos Apresentação cefálica fletida Cabeça insinuada Dilatação cervical completa Membranas amnióticas rotas Ausência de DCP absoluta Concepto vivo Disponibilidade para abandonar o procedimento caso não esteja transcorrendo bem Canal de parto livre Classificação • Couro cabeludo visível sem a separação do lábios; • Crânio fetal ocupa assoalho pélvico; • Sutura sagital no diâmetro AP. Fórceps ou vácuo de alívio • O ápice da cabeça fetal no plano +2 ou abaixo; • Cabeça ainda não está no assoalho pélvico. Fórceps ou vácuo baixos • Cabeça acima do plano +2, porém insinuada. Fórceps ou vácuo médio Prevenção Posição vertical Posição lateral Acompanhante no parto Parto instrumental: Fórceps Fórceps: Tipos docstoc.com Constituição do fórceps Ramo direito Ramos esquerdo Cabo Articulação Colher: curvatura cefálica Colher: curvatura pélvica antiquescientifica.com As colheres nunca se encontram!!! Mnemônico Dr. J. Bachman, 1989 A = Ajuda, Avisar a paciente, Anestesia (local, bloqueio epidural e do pudendo); B = Bexiga vazia; C = Colo dilatado; D = Determinar a variedade de posição, alerta para Distocia de ombro; E = Equipamento – checar; F = Fórceps – aplicação (Posição do Fórceps Seguro); G = Gentil tração (manobra de Pajot); H = Hora de elevar (curva em J); I = Incisão; J = Já é acessível ATM, remover fórceps. Passo a passo do fórceps www.zambon.es Fórceps driverlayer.com graphicwitness.medicalillustration.com Pega transversa ou biauricular Cuidados após o uso do fórceps Exame do colo do útero e paredes vaginais para verificar possíveis lacerações e consequente hemorragia; RN pode ter sofrido fratura de clavícula, céfalo- hematoma, lacerações, abrasões, paralisia facial, “marcas do fórceps”; Registro e orientação da paciente. www.flickr.com newborns.stanford.edu www.pregnancy-bliss.co.uk Traumas www.doereport.com Fratura de crânio Danos cerebrais Lesão de plexo braquial Traumas www.pakocul.org moblog.whmsoft.net Lesão ocular por pega obríqua ou frontomastoidea Parto instrumental: vácuo extração guiauniversodacrianca.com. br Vácuo extrator Tipos www.medela.com catalogohospitalar.com.br jehospitalar.com.br • Plástico; • Metal; • Descartável; • Reutilizável. Mnemônico Dr. J. Bachman, 1989 A = Ajuda, Avisar a paciente, Anestesia (normalmente local); B = Bexiga vazia; C = Colo dilatado; D = Determinar a variedade de posição, alerta para Distocia de ombro; E = Equipamento – checar; F = Fontanela (3 cm à frente); G = Gentil tração (durante as contrações); H = Hora de parar a tração (ao término da contração); Hora de abandonar o procedimento; I = Incisão; J = Já é acessível ATM, remover fórceps. Passo a passo da vácuo extração www.zambon.es Contraindicações do uso do vácuo extrator Prematuridade • < 34 semanas, maior risco hemorragia intraventricular; Apresentação anômala • Pélvica; Face; Fronte; Córmica. Dilatação incompleta DCP verdadeira Outras •Exceto para fetos pequenos, segundo gemelar cefálico, parto emergencial. •Atenção a aplicação em fetos macrossômicos com apresentação muito alta. •Cabeça não insinuada; •Necessidade de realizar tração excessiva. Cuidados após o uso do vácuo extrator Mãe e RN devem ser cuidadosamente examinados para verificar a ocorrência de tocotraumatismos; Bossa serossanguinolenta ou céfalo-hamatoma dura de 10 min. a uma semana, com duração média de 24 a 48 horas; Descrição cirúrgica minuciosa; Orientação da paciente. Bossa serossanguinolenta Céfalo-hematoma www.pregnancyandchildbir thguide.com Traumas www.abclawcenters.com jityra36.soup.io Lesão facial e hemorragia intraventricular Lesão de plexo braquial Traumas do crânio www.abclawcenters.com Vácuo X Fórceps Vácuo • Fácil aplicação; • Menor força sobre a cabeça do feto; • Requer menos anestesia; • Menor laceração da vagina e colo do útero; • Reduz episiotomia; • Reduz rotura de esfíncter anal; • Pode ser aplicado sem a certeza da variedade de posição. Fórceps • Tração mais efetiva; • Parto mais rápido; • Reduz risco de céfalo-hematoma; • Menor chance de insucesso no procedimento; • Eixo de tração maior; • Pode ser usado para rotações. Referências • DAMOS, James. Parto vaginal assistido. In: Advanced Life Support in Obstetrics. 2010. • MENDES, Valéria. Ministério da Saúde anuncia medidas para reduzir taxa de 84,6% de cesarianas na rede privada. Saúde plena. Publicação de 14 out, 2014. • MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, 2013 e 2014. Disponível em: www2.datasus.gov.br/. Acesso em 06 fev.2015. • MONTENEGRO, Carlos Antonio Barbosa; REZENDE FILHO, Jorge de. Rezende: obstetrícia fundamental. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. • MURPHY, Neil; DEUTCHMAN, Mark. Parto cesárea. In: Advanced Life Support in Obstetrics. 2010. • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Saúde reprodutiva e da família. Unidade da Saúde Materna e Neonatal/Maternidade Segura. Assistência ao parto Normal: um guia prático. Relatório de um grupo técnico. Genebra: OMS; 1996. • UNICEF, United Nations Children’s Fund. Situação mundial da infância 2013: crianças com deficiência. New York, 2013. Obrigada!!!