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LCP  Português  
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português  99 
*MÓDULO 1* 
 
Noções de variação linguística 
 
Introdução 
 
 Em boa parte dos vestibulares atualmente, há ênfase 
em verificar se o candidato conhece os diferentes usos 
possíveis de nossa língua. Discutiremos este assunto 
partindo da leitura do texto abaixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 No texto acima, notamos que os dois ladrões 
conhecem tanto as diferentes formas de falar o 
português como as implicações que cada forma traz. 
Eles sabem que certas formas são mais valorizadas que 
outras, por isso alteram o modo de falar na presença do 
guarda. 
 Há diferentes formas de usar a língua portuguesa, por 
isso não podemos dizer que ela é homogênea. Assim, o 
importante para o falante será perceber em que contexto 
ele deve usar cada uma de suas variantes. Em uma 
entrevista de emprego, por exemplo, espera-se que o 
falante opte por uma variante diferente daquela que ele 
usa para bater papo com seus amigos. 
 A concepção moderna de língua, segundo Celso 
Cunha em sua Nova gramática do português 
contemporâneo, coloca-a “como instrumento de 
comunicação social, maleável e diversificado em todos 
os seus aspectos, meio de expressão de indivíduos que 
vivem em sociedades também diversificadas social, 
cultural e geograficamente”. Essa diversificação na 
sociedade faz com que surja na língua a variação 
linguística, ou seja, pode-se perceber que a situação 
(formal ou informal), o grupo social a que o falante 
pertence, a região e a época em que vive caracterizam o 
modo de um brasileiro expressar-se em português. 
 De maneira bastante simplificada, podemos 
considerar a existência de três tipos gerais de variação, 
conforme mostra o quadro: 
 
 
TIPO 
 
ASPECTO AO QUAL 
SE RELACIONA 
 
 
Variação sociocultural 
idade, sexo, escolaridade, 
condições econômicas do 
falante e grupo social do qual 
ele faz parte 
 
Variação geográfica 
região em que o falante vive 
durante um certo tempo 
 
Variação histórica 
tempo (época) em que o 
falante vive 
 
 
 
Adão Iturrusgarai. Aline. Folha de S. Paulo, 31/8/2000. 
 
 O emprego das palavras vosmecê (você) e parvoíce (besteira), 
que estão totalmente fora de uso hoje em dia, evidencia que o 
personagem realmente é mais velho (bem mais velho...) que a filha do 
outro personagem. 
 
Variação sociocultural 
 
 A maneira como utilizamos a linguagem (como nos 
expressamos) é formada no convívio com outras pessoas 
que fazem parte do nosso grupo social. Assim, 
normalmente nos expressamos de acordo com nossa 
formação sociocultural. Nossa linguagem será adequada 
ao meio em que fomos criados e à nossa classe social. É 
claro que, assim como existe uma certa mobilidade social 
no mundo em que vivemos, ao longo de nossa vida 
podemos incorporar modos de expressão diferentes, à 
medida que vamos mudando de ambiente e 
reconstruindo nossa história de vida. 
 A variante social mais notável é a que existe entre 
pessoas de classes socioeconômicas distintas. Uma 
pessoa da classe A não falará como alguém da classe C. 
Aliás, normalmente, quanto mais elevada estiver na 
escala econômica, mais próxima a linguagem da pessoa 
estará do que conhecemos por norma culta. Isto se 
explica: no mundo em que vivemos, é claro que é a 
linguagem dos mais ricos e mais poderosos que é 
considerada a de maior “prestígio”..., concorda? 
 Relacionada a esse tipo de variação está aquela que 
diz respeito ao grau de instrução do falante. É lógico que 
pessoas de classe social mais alta, do ponto de vista 
 
Sketch - Dois homens tramando um assalto 
 
 — Valeu, mermão? Tu traz o berro que nóis 
vamo rendê o caixa bonitinho. Engrossou, enche o 
cara de chumbo. Pra arejá. 
 — Podes crê. Servicinho manero. É só entrá e 
pegá. 
 — Tá com o berro aí? 
 — Tá na mão. 
 Aparece um guarda. 
 — Ih, sujou. Disfarça, disfarça... 
 O guarda passa por eles. 
 — Discordo terminantemente. O imperativo 
categórico de Hegel chega a Marx diluído pela 
fenomenologia de Feurbach. 
 — Pelo amor de Deus! Isso é o mesmo que dizer 
que Kierkegaard não passa de um Kant com 
algumas sílabas a mais. Ou que os iluministas do 
século 18... 
 O guarda se afasta. 
 — O berro, tá recheado? 
 — Tá. 
 — Então vamlá! 
 
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O Estado de S. Paulo, 8/3/1998. 
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financeiro, terão mais chances de estudar e se aprimorar 
culturalmente, aproximando-se mais do padrão culto de 
linguagem. 
 Outro tipo importante e interessante de variação 
linguística é aquele que aparece quando confrontamos 
gerações diferentes: um grupo de idosos de 60 anos não 
fala como um grupo de adolescentes de 16... Cada 
geração tem sua maneira própria de se comunicar e isso 
é fácil observar no dia a dia. Um importante fenômeno 
linguístico que aparece quando estudamos as variações 
entre gerações é a gíria. Cada geração adota um certo 
número de expressões, uma certa maneira de falar, para 
marcar uma diferença entre a sua e a geração anterior. 
 Para cada situação de expressão da nossa 
linguagem, temos um certo nível linguístico. Ao nível que 
utilizamos em situações em que não nos preocupamos 
tanto em atingir a chamada norma culta, chamamos de 
nível informal; ao nível que utilizamos em situações de 
comunicação que exigem uma linguagem mais próxima 
da norma culta, chamamos de nível formal. Entre o nível 
formal e o informal, podemos ter vários níveis 
intermediários. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Variação geográfica 
 
 Pessoas de diferentes regiões falam de maneiras 
diferentes. A essas características próprias da fala de um 
determinado lugar damos o nome de regionalismos. Osregionalismos são próprios dos falares locais, dialetos e 
sotaques. Geralmente, pessoas de uma determinada 
região agrupam-se em torno de um centro populacional 
economicamente ou politicamente mais relevante e 
assumem o dialeto característico do local. Assim, um 
carioca irá se expressar com o r chiado característico do 
Rio de Janeiro, um piracicabano normalmente emitirá um 
r que os estudiosos conhecem por retroflexo, e assim por 
diante. Essas diferenças se estenderão ao vocabulário, à 
estrutura das frases e até aos significados das palavras. 
Com o passar dos anos e o avanço dos meios de 
comunicação sobre todo o território brasileiro, as 
diferenças regionais vão diminuindo cada vez mais. As 
redes de televisão, por exemplo, atingem todo o país 
com uma linguagem típica do Sudeste brasileiro, 
principalmente São Paulo, o que acaba contribuindo para 
uma uniformização dos dialetos em torno de um padrão 
de linguagem que aos poucos apaga as diferenças entre 
eles. 
 
 
 
 
 
Variação histórica 
 
 Ao ler textos escritos em português há cem anos, por 
exemplo, você certamente sentirá um certo 
estranhamento e terá uma dificuldade de compreensão e 
fluência maior do que teria se lesse um artigo de jornal 
publicado na semana passada, por exemplo. Isso 
acontece porque as línguas variam com o tempo. O 
nosso você já foi vossa mercê e vosmecê, chegando, em 
nossos dias, a ser ouvido como simplesmente cê. 
Em boa hora tornou-se embora. É fácil percebermos 
essas diferenças quando nos deparamos com livros 
cujas edições são muito antigas. O vocabulário de há 
cem anos não era o mesmo de hoje, a grafia de muitas 
palavras também não, o mesmo ocorria com a sintaxe. 
 
 
 
 
 
 
 
Norma culta e adequação da linguagem 
 
 Você deve ter notado, então, que a língua possui 
diversas variantes. Mas, ao tomarmos contato com a 
língua na escola, adotamos uma determinada variante 
que serve como referência. Essa variante-padrão, ao 
longo dos tempos e por diversos motivos, ficou sendo 
conhecida como a norma culta da língua. 
 Norma culta da língua é a chamada variante-padrão 
da língua; aquela variante de maior prestígio, utilizada 
pelas pessoas que compõem a chamada elite da 
sociedade. A norma culta, tradicionalmente, acaba 
servindo como parâmetro e sendo adotada para o ensino 
da língua nas escolas, além de ser utilizada como padrão 
para situações formais e na comunicação escrita na 
sociedade. Toda língua muda com o tempo, portanto a 
norma culta também muda, de acordo com as 
modificações que ela sofre no seu uso. 
 Convém, assim, que o falante saiba distinguir quais 
são as situações em que ele deve seguir essa variante- 
-padrão daquelas em que pode usar uma variante mais 
popular. 
 
Outros tipos de variação linguística 
 
 Além das variações linguísticas relacionadas a tempo 
e espaço, existem outros tipos de variação, que podem 
ocorrer tanto na língua-padrão quanto nas variedades 
não padrão da língua. As principais variações dizem 
respeito ao uso da língua em situações de 
oralidade/escrita e de formalidade/informalidade. 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
Variação sociocultural, portanto, é aquela que se 
manifesta quando o uso da língua é marcado por 
diferenças conforme a classe socioeconômica, o grau 
de instrução, a geração ou a situação de comunicação 
em que se encontra o falante. 
Variação geográfica é aquela marcada por diferenças 
regionais: a dimensão do Brasil permite-nos perceber 
diferentes sotaques, vocabulários, estruturas de frase e 
sentidos das palavras nas diferentes regiões. 
Variação histórica acontece porque a língua vai 
recebendo transformações na forma de falar, novas 
palavras, novas grafias e novos sentidos para palavras 
já existentes. 
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*********** ATIVIDADES *********** 
 
.1. (UEG-GO) 
 
 
 
Folha de S. Paulo, 1/5/2007. 
 
É correto afirmar que, na charge, 
 
(A) a linguagem dos políticos é apropriada pelos 
traficantes de drogas. 
(B) a linguagem dos traficantes de drogas é apropriada 
pelos políticos. 
(C) o contexto dos políticos é apropriado pelos 
traficantes de drogas. 
(D) o contexto dos traficantes de drogas é apropriado 
pelos políticos. 
(E) não há apropriação nem da linguagem nem do 
contexto. 
 
.2. (ENEM-MEC) 
 
Iscute o que tô dizendo, 
Seu dotô, seu coroné: 
De fome tão padecendo 
Meus fio e minha muié. 
Sem briga, questão nem guerra, 
Meça desta grande terra 
Umas tarefa pra eu! 
Tenha pena do agregado 
Não me dêxe deserdado 
 
PATATIVA DO ASSARÉ. A terra é naturá. In: Cordéis 
e outros poemas. Fortaleza: Universidade 
Federal do Ceará, 2008 (fragmento). 
 
A partir da análise da linguagem utilizada no poema, 
infere-se que o eu lírico revela-se como falante de uma 
variedade linguística específica. Esse falante, em seu 
grupo social, é identificado como um falante 
(A) escolarizado proveniente de uma metrópole. 
(B) sertanejo morador de uma área rural. 
(C) idoso que habita uma comunidade urbana. 
(D) escolarizado que habita uma comunidade do interior 
do país. 
(E) estrangeiro que imigrou para uma comunidade do 
Sul do país. 
 
.3. (ENEM-MEC) 
 
Antigamente 
 
 Acontecia o indivíduo apanhar constipação; ficando 
perrengue, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, 
ir à botica para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas 
fedorentas. Doença nefasta era a phtísica, feia era o 
gálico. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, 
os meninos, lombrigas [...] 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa. 
Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar, p. 1.184. 
 
O texto acima está escrito em linguagem de uma época 
passada. Observe uma outra versão, em linguagem 
atual. 
 
Antigamente 
 
 Acontecia o indivíduo apanhar um resfriado; ficando 
mal, mandava o próprio chamar o doutor e, depois, ir à 
farmácia para aviar a receita, de cápsulas ou pílulas 
fedorentas. Doença nefasta era a tuberculose, feia era a 
sífilis. Antigamente, os sobrados tinham assombrações, 
os meninos, vermes [...] 
 
Comparando-se esses dois textos, verifica-se que, na 
segunda versão, houve mudanças relativas a 
 
(A) vocabulário. 
(B) construções sintáticas. 
(C) pontuação. 
(D) fonética. 
(E) regência verbal. 
 
.4. (ENEM-MEC) 
 
 Venho solicitar a clarividente atenção de Vossa 
Excelência para que seja conjurada uma calamidade que 
está prestes a desabar em cima da juventude feminina 
do Brasil. Refiro-me,senhor presidente, ao movimento 
entusiasta que está empolgando centenas de moças, 
atraindo-as para se transformarem em jogadoras de 
futebol, sem se levar em conta que a mulher não poderá 
praticar este esporte violento sem afetar, seriamente, o 
equilíbrio fisiológico das suas funções orgânicas, devido 
à natureza que dispôs a ser mãe. Ao que dizem os 
jornais, no Rio de Janeiro, já estão formados nada menos 
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de dez quadros femininos. Em São Paulo e Belo 
Horizonte também já estão se constituindo outros. E, 
neste crescendo, dentro de um ano, é provável que em 
todo o Brasil estejam organizados uns 200 clubes 
femininos de futebol: ou seja: 200 núcleos destroçados 
da saúde de 2,2 mil futuras mães, que, além do mais, 
ficarão presas a uma mentalidade depressiva e propensa 
aos exibicionismos rudes e extravagantes. 
 
Coluna Pênalti. Carta Capital, 28/4/2010. 
 
O trecho é parte de uma carta de um cidadão brasileiro, 
José Fuzeira, encaminhada, em abril de 1940, ao então 
presidente da República Getúlio Vargas. As opções 
linguísticas de Fuzeira mostram que seu texto foi 
elaborado em linguagem 
 
(A) regional, adequada à troca de informações na 
situação apresentada. 
(B) jurídica, exigida pelo tema relacionado ao domínio do 
futebol. 
(C) coloquial, considerando-se que ele era um cidadão 
brasileiro comum. 
(D) culta, adequando-se ao seu interlocutor e à situação 
de comunicação. 
(E) informal, pressupondo o grau de escolaridade de seu 
interlocutor. 
 
.5. (INEP-MEC) 
 
 Vício na fala 
 
Para dizerem milho dizem mio 
Para melhor dizem mió 
Para pior pió 
Para telha dizem teia 
Para telhado dizem teiado 
E vão fazendo telhados 
 
ANDRADE, Oswald de. Obras completas. 
5.ª ed. São Paulo: Globo, 1991, p. 80. 
 
Ao explorar a emotividade da linguagem, o autor faz 
referência às variantes linguísticas de natureza 
 
(A) estilística, pois utiliza a escrita para, de certa forma, 
marcar uma nova época literária. 
(B) regional, pois há regiões em que essa variedade 
linguística descrita no poema é aceita como padrão 
oficial. 
(C) de registro, já que as variantes são formadas pelo 
processo de neologismo, típico em autores 
modernistas. 
(D) sociocultural, pois revela o conflito social entre as 
variantes de uma mesma língua. 
(E) temporal, pois marca a variação linguística de 
diferentes épocas. 
.6. (ENEM-MEC) 
 
 
 
Veja, 7/5/1997. 
 
Na parte superior do anúncio, há um comentário escrito à 
mão que aborda a questão das atividades linguísticas e 
sua relação com as modalidades oral e escrita da língua. 
Esse comentário deixa evidente uma posição crítica 
quanto a usos que se fazem da linguagem, enfatizando 
ser necessário 
 
(A) implementar a fala, tendo em vista maior 
desenvoltura, naturalidade e segurança no uso da 
língua. 
(B) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral 
para a obtenção de clareza na comunicação oral e 
escrita. 
(C) dominar as diferentes variedades do registro oral da 
língua portuguesa para escrever com adequação, 
eficiência e correção. 
(D) empregar vocabulário adequado e usar regras da 
norma-padrão da língua em se tratando da 
modalidade escrita. 
(E) utilizar recursos mais expressivos e menos 
desgastados da variedade-padrão da língua para se 
expressar com alguma segurança e sucesso. 
 
.7. (ENEM-MEC) 
 
Gerente – Boa tarde. Em que eu posso ajudá-lo? 
 
Cliente – Estou interessado em financiamento para 
compra de veículo. 
 
Gerente – Nós dispomos de várias modalidades de 
crédito. O senhor é nosso cliente? 
 
Cliente – Sou Júlio César Fontoura, também sou 
funcionário do banco. 
 
Gerente – Julinho, é você, cara? Aqui é a Helena! Cê tá 
em Brasília? Pensei que você inda tivesse na agência de 
Uberlândia! Passa aqui pra gente conversar com calma. 
 
BORTONI-RICARDO, S. M. Educação em língua 
materna. São Paulo: Parábola, 2004 (adaptado). 
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Na representação escrita da conversa telefônica entre a 
gerente do banco e o cliente, observa-se que a maneira 
de falar da gerente foi alterada de repente devido 
 
(A) à adequação de sua fala à conversa com um amigo, 
caracterizada pela informalidade. 
(B) à iniciativa do cliente em se apresentar como 
funcionário do banco. 
(C) ao fato de ambos terem nascido em Uberlândia 
(Minas Gerais). 
(D) à intimidade forçada pelo cliente ao fornecer seu 
nome completo. 
(E) ao seu interesse profissional em financiar o veículo 
de Júlio. 
 
.8. (ENEM-MEC) 
 
As dimensões continentais do Brasil são objeto de 
reflexões expressas em diferentes linguagens. Esse tema 
aparece no seguinte poema: 
 
“[...] 
Que importa que uns falem mole descansado 
Que os cariocas arranhem os erres na garganta 
Que os capixabas e paroaras escancarem 
 [ as vogais? 
 
Que tem se o quinhentos réis meridional 
Vira cinco tostões do Rio pro Norte? 
Junto formamos este assombro de misérias e 
 [ grandezas, 
Brasil, nome de vegetal! [...]” 
 
ANDRADE, Mário de. Poesias completas. 6.ª ed. 
São Paulo: Martins Editora, 1980. 
 
O texto poético ora reproduzido trata das diferenças 
brasileiras no âmbito 
 
(A) étnico e religioso. 
(B) linguístico e econômico. 
(C) racial e folclórico. 
(D) histórico e geográfico. 
(E) literário e popular. 
 
.9. (ENEM-MEC) 
 
 Vera, Sílvia e Emília saíram para passear pela 
chácara com Irene. 
 — A senhora tem um jardim deslumbrante, dona 
Irene! — comenta Sílvia, maravilhada diante doscanteiros de rosas e hortênsias. 
 — Para começar, deixe o “senhora” de lado e 
esqueça o “dona” também — diz Irene, sorrindo. — Já é 
um custo aguentar a Vera me chamando de “tia” o tempo 
todo. Meu nome é Irene. 
 Todas sorriem. Irene prossegue: 
 — Agradeço os elogios para o jardim, só que você vai 
ter de fazê-los para a Eulália, que é quem cuida das 
flores. Eu sou um fracasso na jardinagem. 
 
BAGNO, M. A língua de Eulália: novela 
sociolinguística. São Paulo: Contexto, 
2003 (adaptado). 
 
Na língua portuguesa, a escolha por “você” ou 
“senhor(a)” denota o grau de liberdade ou de respeito 
que deve haver entre os interlocutores. No diálogo 
apresentado acima, observa-se o emprego dessas 
formas. A personagem Sílvia emprega a forma “senhora” 
ao se referir à Irene. Na situação apresentada no texto, o 
emprego de “senhora” ao se referir à interlocutora ocorre 
porque Sílvia 
 
(A) pensa que Irene é a jardineira da casa. 
(B) acredita que Irene gosta de todos que a visitam. 
(C) observa que Irene e Eulália são pessoas que vivem 
em área rural. 
(D) deseja expressar por meio de sua fala o fato de sua 
família conhecer Irene. 
(E) considera que Irene é uma pessoa mais velha, com a 
qual não tem intimidade. 
 
.10. (ENEM-MEC) 
 
 A escrita é uma das formas de expressão que as 
pessoas utilizam para comunicar algo e tem várias 
finalidades: informar, entreter, convencer, divulgar, 
descrever. Assim, o conhecimento acerca das variedades 
linguísticas sociais, regionais e de registro torna-se 
necessário para que se use a língua nas mais diversas 
situações comunicativas. 
 
Considerando as informações acima, imagine que você 
está à procura de um emprego e encontrou duas 
empresas que precisam de novos funcionários. Uma 
delas exige uma carta de solicitação de emprego. Ao 
redigi-la, você 
 
(A) fará uso da linguagem metafórica. 
(B) apresentará elementos não verbais. 
(C) utilizará o registro informal. 
(D) evidenciará a norma-padrão. 
(E) fará uso de gírias. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
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.11. (ENEM-MEC) 
 
 
 
Dick Browne. O melhor de Hagar, o horrível, v. 2. L&PM pocket, p. 55-6 (com adaptações). 
 
Assinale o trecho do diálogo que apresenta um registro 
informal, ou coloquial, da linguagem. 
 
(A) “Tá legal, espertinho! Onde é que você esteve?!” 
(B) “E lembre-se: se você disser uma mentira, os seus 
chifres cairão!” 
(C) “Estou atrasado porque ajudei uma velhinha a 
atravessar a rua...” 
(D) “... e ela me deu um anel mágico que me levou a um 
tesouro” 
(E) “mas bandidos o roubaram e os persegui até a 
Etiópia, onde um dragão...” 
 
.12. (UNICAMP-SP) 
 
O trecho abaixo foi extraído de uma crônica em que mãe 
e filho conversam sobre o presente que ele pretendia lhe 
dar no Dia das Mães. 
 
 [...] 
 — Posso escolher meu presente do Dia das Mães, 
meu fofinho? 
 — Não, mãe. Perde a graça. Este ano, a senhora vai 
ver. Compro um barato. 
 — Barato? Admito que você compre uma 
lembrancinha barata, mas não diga isso a sua mãe. É 
fazer pouco-caso de mim. 
 — lh, mãe, a senhora está por fora mil anos. Não 
sabe que barato é o melhor que tem, é um barato! 
 — Deixe eu escolher, deixe... 
 — Mãe é ruim de escolha. Olha aquele blazer furado 
que a senhora me deu no Natal! 
 — Seu porcaria, tem coragem de dizer que sua mãe 
lhe deu um blazer furado? 
 — Viu? Não sabe nem o que é furado? Aquela cor já 
era, mãe, já era! 
 [...] 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. 
Em que tipo de variação linguística o autor se apoia para 
criar as situações humorísticas apresentadas nesse 
diálogo? Justifique sua resposta. 
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.13. (UFMA) 
 
 
 
Folha de S. Paulo, 12/4/2003. 
 
Considerando a fala dos interlocutores, pode-se concluir 
que 
 
(A) o uso de “excelência” denota desrespeito, pois o 
depoente não reconhece no deputado uma 
autoridade. 
(B) o efeito humorístico é provocado pela passagem 
brusca da linguagem formal para a informal. 
(C) o uso da linguagem formal e da informal evidencia a 
classe social a que pertencem as personagens. 
(D) a linguagem empregada no texto serve apenas para 
compor as imagens do deputado e do depoente. 
(E) o pronome “seu” foi usado pelo depoente como sinal 
de respeito para com o parlamentar ilustre. 
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.14. (ENEM-MEC) 
 
 Há certos usos consagrados na fala, e até mesmo na 
escrita, que, a depender do estrato social e do nível de 
escolaridade do falante, são, sem dúvida, previsíveis. 
Ocorrem até mesmo em falantes que dominam a 
variedade-padrão, pois, na verdade, revelam tendências 
existentes na língua em seu processo de mudança que 
não podem ser bloqueadas em nome de um “ideal 
linguístico” que estaria representado pelas regras da 
gramática normativa. Usos como ter por haver em 
construções existenciais (tem muitos livrosna estante), o 
do pronome objeto na posição de sujeito (para mim fazer 
o trabalho), a não concordância das passivas com se 
(aluga-se casas) são indícios da existência, não de uma 
norma única, mas de uma pluralidade de normas, 
entendida, mais uma vez, norma como conjunto de 
hábitos linguísticos, sem implicar juízo de valor. 
 
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; 
BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. 
São Paulo: Contexto, 2007 (fragmento). 
 
Considerando a reflexão trazida no texto a respeito da 
multiplicidade do discurso, verifica-se que 
 
(A) estudantes que não conhecem as diferenças entre 
língua escrita e língua falada empregam, 
indistintamente, usos aceitos na conversa com 
amigos quando vão elaborar um texto escrito. 
(B) falantes que dominam a variedade-padrão do 
português do Brasil demonstram usos que confirmam 
a diferença entre a norma idealizada e a 
efetivamente praticada, mesmo por falantes mais 
escolarizados. 
(C) moradores de diversas regiões do país que 
enfrentam dificuldades ao se expressar na escrita 
revelam a constante modificação das regras de 
emprego de pronomes e os casos especiais de 
concordância. 
(D) pessoas que se julgam no direito de contrariar a 
gramática ensinada na escola gostam de apresentar 
usos não aceitos socialmente para esconderem seu 
desconhecimento da norma-padrão. 
(E) usuários que desvendam os mistérios e sutilezas da 
língua portuguesa empregam formas do verbo ter 
quando, na verdade, deveriam usar formas do verbo 
haver, contrariando as regras gramaticais. 
 
.15. (ENEM-MEC) 
 
MANDIOCA — mais um presente da Amazônia 
 
 Aipim, castelinha, macaxeira, maniva, maniveira. As 
designações da Manihot utilissima podem variar de 
região, no Brasil, mas uma delas deve ser levada em 
conta em todo o território nacional: pão-de-pobre — e por 
motivos óbvios. 
 Rica em fécula, a mandioca — uma planta rústica e 
nativa da Amazônia disseminada no mundo inteiro, 
especialmente pelos colonizadores portugueses — é a 
base de sustento de muitos brasileiros e o único alimento 
disponível para mais de 600 milhões de pessoas em 
vários pontos do planeta, e em particular em algumas 
regiões da África. 
 
O melhor do Globo Rural, fev. 2005 (fragmento). 
 
De acordo com o texto, há no Brasil uma variedade de 
nomes para a Manihot utilissima, nome científico da 
mandioca. Esse fenômeno revela que 
 
(A) existem variedades regionais para nomear uma 
mesma espécie de planta. 
(B) mandioca é nome específico para a espécie 
existente na região amazônica. 
(C) “pão-de-pobre” é designação específica para a 
planta da região amazônica. 
(D) os nomes designam espécies diferentes da planta, 
conforme a região. 
(E) a planta é nomeada conforme as particularidades 
que apresenta. 
 
.16. (ENEM-MEC) 
 
 Motivadas ou não historicamente, normas prestigiadas 
ou estigmatizadas pela comunidade sobrepõem-se ao 
longo do território, seja numa relação de oposição, seja 
de complementaridade, sem, contudo, anular a 
interseção de usos que configuram uma norma nacional 
distinta da do português europeu. Ao focalizar essa 
questão, que opõe não só as normas do português de 
Portugal às normas do português brasileiro, mas também 
as chamadas normas cultas locais às populares ou 
vernáculas, deve-se insistir na ideia de que essas 
normas se consolidaram em diferentes momentos da 
nossa história e que só a partir do século XVIII se pode 
começar a pensar na bifurcação das variantes 
continentais, ora em consequência de mudanças 
ocorridas no Brasil, ora em Portugal, ora, ainda, em 
ambos os territórios. 
 
CALLOU, D. Gramática, variação e normas. In: VIEIRA, S. R.; 
BRANDÃO, S. (orgs.). Ensino de gramática: descrição e uso. 
São Paulo: Contexto, 2007 (adaptado). 
 
O português do Brasil não é uma língua uniforme. A 
variação linguística é um fenômeno natural, ao qual todas 
as línguas estão sujeitas. Ao considerar as variedades 
linguísticas, o texto mostra que as normas podem ser 
aprovadas ou condenadas socialmente, chamando a 
atenção do leitor para a 
 
(A) desconsideração da existência das normas 
populares pelos falantes da norma culta. 
(B) difusão do português de Portugal em todas as 
regiões do Brasil só a partir do século XVIII. 
(C) existência de usos da língua que caracterizam uma 
norma nacional do Brasil, distinta da de Portugal. 
(D) inexistência de normas cultas locais e populares ou 
vernáculas em um determinado país. 
(E) necessidade de se rejeitar a ideia de que os usos 
frequentes de uma língua devem ser aceitos. 
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.17. (ENEM-MEC) 
 
 
 
 
 
Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br. Acesso em: 27/4/2010. 
 
Calvin apresenta a Haroldo (seu tigre de estimação) sua 
escultura na neve, fazendo uso de uma linguagem 
especializada. Os quadrinhos rompem com a expectativa 
do leitor, porque 
 
(A) Calvin, na sua última fala, emprega um registro 
formal e adequado para a expressão de uma criança. 
(B) Haroldo, no último quadrinho, apropria-se do registro 
Iinguístico usado por Calvin na apresentação de sua 
obra de arte. 
(C) Calvin emprega um registro de linguagem 
incompatível com a linguagem de quadrinhos. 
(D) Calvin, no último quadrinho, utiliza um registro 
linguístico informal. 
(E) Haroldo não compreende o que Calvin lhe explica, 
em razão do registro formal utilizado por este último. 
 
.18. (ENEM-MEC) 
 
Maurício e o leão chamado Millôr 
 
Livro de Flavia Maria ilustrado por cartunista nasce como um 
dos grandes títulos do gênero infantil 
 
 Um livro infantil ilustrado por Millôr há de ter alguma 
grandeza natural, um viço qualquer que o destaque de 
um gênero que invade as livrarias (2 mil títulos novos, 
todo ano) nem sempre com qualidade. Uma pegada que 
o afaste do risco de fazer sombra ao fato de ser ilustrado 
por Millôr: Maurício – O Leão de Menino (CosacNaify, 24 
páginas, R$ 35), de Flavia Maria, tem essa pegada. 
 
Disponível em: http://www.revistalingua.com.br. 
Acesso em: 30/4/2010 (fragmento). 
Como qualquer outra variedade linguística, a norma- 
-padrão tem suas especificidades. No texto, observam-se 
marcas da norma-padrão que são determinadas pelo 
veículo em que ele circula, que é a revista Língua 
Portuguesa. Entre essas marcas, evidencia-se 
 
(A) a obediência às normas gramaticais, como a 
concordância em “um gênero que invade as 
livrarias”. 
(B) a presença de vocabulário arcaico, como em “há de 
ter alguma grandeza natural”. 
(C) o predomínio de linguagem figurada, como em “um 
viço qualquerque o destaque”. 
(D) o emprego de expressões regionais, como em “tem 
essa pegada”. 
(E) o uso de termos técnicos, como em “grandes títulos 
do gênero infantil”. 
 
.19. (ENEM-MEC) 
 
 Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao 
mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral 
dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a 
pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo 
nordestino fala igual; contudo as variações são mais 
numerosas que as notas de uma escala musical. 
Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí 
têm no falar de seus nativos muito mais variantes do que 
se imagina. E a gente se goza uns dos outros, imita o 
vizinho, e todo mundo ri, porque parece impossível que 
um praiano de beira-mar não chegue sequer perto de um 
sertanejo de Quixeramobim. O pessoal do Cariri, então, 
até se orgulha do falar deles. Têm uns tês doces, quase 
um the; já nós, ásperos sertanejos, fazemos um duro au 
ou eu de todos os terminais em al ou el — carnavau, 
Raqueu... Já os paraibanos trocam o I pelo r. José 
Américo só me chamava, afetuosamente, de Raquer. 
 
QUEIROZ, Raquel de. O Estado de S. Paulo, 
9/5/1998 (fragmento adaptado). 
 
Raquel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de 
variação linguística que se percebe no falar de pessoas 
de diferentes regiões. As características regionais 
exploradas no texto manifestam-se 
 
(A) na fonologia. 
(B) no uso do léxico. 
(C) no grau de formalidade. 
(D) na organização sintática. 
(E) na estruturação morfológica. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
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Literatura – Linguagem e contexto 
 
A linguagem da literatura 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
Leitura da imagem 
 
.1. (EDM-SP) 
 
Observe a fotografia. 
 
 
 
DICK REED/CORBIS – LATINSTOCK 
 
 Rota 66, a lendária estrada norte-americana que ligava Chicago a Los 
Angeles tornou-se símbolo de aventura e liberdade 
 
Faça uma breve descrição dos elementos presentes na 
imagem. 
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.2. (EDM-SP) 
 
A posição em que a foto foi tirada chama a nossa 
atenção para a estrada. Que efeito o fotógrafo pode ter 
pretendido desencadear no espectador ao optar por essa 
tomada? 
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___________________________________________________ 
.3. (EDM-SP) 
 
Leia uma declaração do fotógrafo suíço Robert Frank, 
que percorreu a Rota 66 registrando imagens da 
paisagem americana. 
 
Quando as pessoas olham as minhas fotos, eu quero que 
elas se sintam como quando desejam reler um verso de 
um poema. 
 
Observe mais uma vez a foto da abertura. Se ela fosse 
vista como um “verso de um poema”, sobre o que falaria 
esse verso? 
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___________________________________________________ 
 
Da imagem para o texto 
 
.4. (EDM-SP) 
 
Vamos ver como a literatura explora possibilidades da 
linguagem. Leia um trecho de On the road, de Jack 
Kerouac. 
 
A viagem 
 
Cena 1 
 
 Num piscar de olhos estávamos de volta à estrada 
principal e naquela noite vi todo o estado de Nebraska 
desenrolando-se diante dos meus olhos. Cento e setenta 
quilômetros por hora, direto sem escalas, cidades 
adormecidas, tráfego nenhum, um trem da Union Pacific 
deixado para trás, ao luar. Eu não estava nem um pouco 
assustado aquela noite; me parecia algo perfeitamente 
normal voar a 170, conversando e observando todas as 
cidades do Nebraska — Ogallala, Gothenburg, Kearney, 
Grand Island, Columbus — se sucederem com uma 
rapidez onírica* enquanto seguíamos viagem. Era um 
carro magnífico; portava-se na estrada como um navio no 
oceano. Longas curvas graduais eram o seu forte. “Ah, 
homem, essa barca é um sonho”, suspirava Dean. 
“Pense no que poderíamos fazer se tivéssemos um carro 
assim. [...] Curtiríamos o mundo inteiro num carro como 
esse, você e eu, Sal, porque, na verdade, a estrada 
finalmente deve conduzir a todos os cantos do mundo. 
Não pode levar a outro lugar, certo? [...]” 
 
* onírica: relativa aos sonhos. 
 
Cena 2 
 
 “Qual é a sua estrada, homem? — a estrada do 
místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a 
estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma 
estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em 
qualquer circunstância. Como, onde, por quê?” 
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Concordamos gravemente, sob a chuva. “[...] Decidi abrir 
mão de tudo. Você me viu quebrar a cara tentando de 
tudo, me sacrificando e você sabe que isso não importa; 
nós sacamos a vida, Sal — sabemos como domá-la, e 
sabemos que o negócio é continuar no caminho, 
pegando leve, curtindo o que pintar da velha maneira 
tradicional. Afinal, de que outra maneira poderíamos 
curtir? Nós sabemos disso.” Suspirávamos sob a 
chuva. [...] 
 “E assim”, disse Dean, “vou seguindo a vida para 
onde ela me levar. [...]” 
 
KEROUAC, Jack. On the road (Pé na estrada). 
Traduçãode Eduardo Bueno. Porto Alegre: 
L&PM, 2004, p. 281-2; 305-6 (fragmento). 
 
a) Que elementos, presentes na cena 1, asseguram ao 
leitor tratar-se da história de uma viagem? 
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___________________________________________________
___________________________________________________
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b) Identifique no texto as passagens que revelam ser 
essa viagem a concretização de um desejo típico da 
juventude: a busca da liberdade. 
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___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.5. (EDM-SP) 
 
No trecho a seguir, explique de que maneira a pontuação 
contribui para dar ao leitor a sensação de velocidade do 
carro em que viajam Sal e Dean. 
 
Cento e setenta quilômetros por hora, direto sem 
escalas, cidades adormecidas, tráfego nenhum, um trem 
da Union Pacific deixado para trás, ao luar. 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.6. (EDM-SP) 
 
Logo no início da cena 2, Dean pergunta a Sal: “Qual é a 
sua estrada, homem?”. O que ele quer dizer com isso? 
Que sentido atribui ao termo “estrada”? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.7. (EDM-SP) 
 
a) Identifique, na cena 2, uma passagem que permite 
associar o comportamento das personagens a 
valores próprios da juventude. 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
b) Explique por que ela transmite valores associados à 
juventude. 
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___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.8. (EDM-SP) 
 
a) Como Dean resume sua filosofia de vida? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
b) O que ela sugere, em termos de comportamento? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
________________________________________________ 
 
Jack Kerouac tornou-se o ídolo de sua 
geração quando o romance On the 
road foi publicado em 1957. A viagem 
de dois amigos, Sal Paradise e Dean 
Moriarty, pelos Estados Unidos, boa 
parte feita na Rota 66, estrada que liga 
Chicago a Los Angeles, traduziu a 
visão de mundo de uma juventude que 
decidiu questionar os valores com os 
quais tinha sido criada. 
 
 KEYSTONE / GLOBO.COM 
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 A essência da arte literária está na palavra. Usada por 
escritores e poetas em todo o seu potencial significativo e 
sonoro, a palavra estabelece uma interessante relação 
entre um autor e seus leitores/ouvintes. 
 “Ah, homem, essa barca é um sonho”, afirma Dean no 
texto de Jack Kerouac. Para compreender a imagem 
criada pela personagem, nós precisamos realizar uma 
série de decodificações. Sabemos que Dean e Sal viajam 
de carro; sabemos que uma “barca” não trafega em 
estradas. Com essas informações, procuramos 
reconstruir o sentido da comparação implícita que está 
na base da imagem criada: o carro em que viajam é tão 
grande e confortável que parece uma barca. 
 Em seguida, reconhecemos que a afirmação de que o 
carro “é um sonho” também foi criada a partir de outra 
comparação entre nossos sonhos e todas as coisas que 
desejamos muito. Reconstituída a comparação original, 
podemos interpretar que Dean quer dizer que aquele é 
um carro maravilhoso, objeto de desejo e fantasia dos 
dois jovens. 
 No texto de Kerouac, palavras como barca e sonho 
foram usadas em sentido conotativo (ou figurado), aquele 
que as palavras e expressões adquirem em um dado 
contexto, quando o seu sentido literal é modificado. Nos 
textos literários, predomina o sentido conotativo. A 
linguagem conotativa é característica de textos com 
função estética, ou seja, que exploram diferentes 
recursos linguísticos e estilísticos para produzir um efeito 
artístico. 
 
 
 
Época, 9/6/2008, p. 87. 
 
 Na expressão monstros sagrados, a palavra monstros apresenta 
sentido figurado, ou seja, conotativo 
 Em textos não literários, o que predomina é o sentido 
denotativo (ou literal). Dizemos que uma palavra foi 
utilizada em sentido literal quando é tomada em seu 
significado “básico”, que pode ser apreendido sem ajuda 
do contexto. A linguagem denotativa é típica de textos 
com função utilitária, ou seja, que têm como finalidade 
predominante satisfazer a alguma necessidade 
específica, como informar, argumentar, convencer, etc. 
 O trabalho com o sentido conotativo ou figurado é 
uma característica essencial da linguagem literária. 
Quando a literatura explora a conotação, como no 
fragmento de On the road, estabelece-se uma 
interessante relação entre leitor e texto. Ao ler um 
romance ou um poema ou ao ouvir uma história, o 
leitor/ouvinte precisa reconhecer o significado das 
palavras e reconstruir os mundos ficcionais que elas 
descrevem. O leitor/ouvinte desempenha, portanto, um 
papel ativo, já que também cria, em sua imaginação, 
mundos ficcionais correspondentes àqueles propostos 
nos textos ou vive, na fantasia, experiências semelhantes 
às descritas. 
 
Recursos expressivos 
 
 Dá-se o nome de figuras de linguagem aos recursos 
utilizados com o fim de tornar mais expressivaa 
linguagem. As figuras de linguagem compreendem: 
 
 as figuras de palavra (ou tropos); 
 as figuras de sintaxe (ou de construção); 
 as figuras de pensamento; e 
 as figuras de harmonia (ou sonoras). 
 
Intertextualidade 
 
 Quantas vezes, ao ler um texto ou ver uma 
determinada propaganda, você tem a sensação de já ter 
visto o texto em algum lugar? Quer ver só? 
 No início de sua produção poética, Carlos Drummond 
de Andrade escreveu um poema que viria a torná-lo 
muito conhecido. O “sucesso” do poema foi provocado, 
no início, pelo estranhamento por ele causado. Você 
certamente já teve oportunidade de lê-lo. 
 
 No meio do caminho 
 
No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
 
(Carlos Drummond de Andrade) 
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 Mas, por que estamos falando de poesia e 
Drummond, em uma seção destinada à apresentação do 
conceito de intertextualidade? Porque muitos são os 
textos que recuperam a imagem da “pedra” 
drummondiana. Observe, por exemplo, a seguir, um 
anúncio publicitário veiculado para a divulgação de um 
projeto de educação ambiental, patrocinado pela 
empresa de turismo Soletur e orientado pelo Ibama. 
 Não é preciso, lido o anúncio, dizer por que o 
escolhemos. A intertextualidade é evidente, pois a 
referência ao poema de Drummond é óbvia! 
 Intertextualidade é a relação que se estabelece entre 
dois textos, quando um deles faz referência a elementos 
existentes no outro. Esses elementos podem dizer 
respeito ao conteúdo, à forma, ou mesmo à forma e ao 
conteúdo. 
 
 A propaganda 
vale-se do recurso 
da intertextualidade 
para indicar a poluição 
das praias. O trecho 
intertextual é: “No 
meio do caminho 
tinha uma pedra...”. 
No poema, a “pedra 
no meio do caminho” 
são os obstáculos, 
as dificuldades, 
os problemas. 
A propaganda faz 
uso do termo em 
seu sentido literal 
(rocha). Isso pode ser 
percebido pela 
enumeração das outras 
“coisas” no meio do 
caminho (uma ponta de 
cigarro, uma lata, um 
saco plástico, cacos de 
vidro) que evidenciam a 
poluição das praias 
pelos banhistas. 
 
 
Estilo de época 
 
 A constatação de traços comuns na produção de uma 
mesma época identifica um estilo de época. O estudo da 
literatura depende do reconhecimento dos padrões e das 
semelhanças que constituem um estilo de época. 
 O uso particular que um escritor ou poeta faz dos 
elementos que distinguem uma estética define o estilo 
individual de um autor, sempre marcado pelo olhar 
específico que dirige aos temas característicos de um 
período e pelo uso singular que faz dos recursos de 
linguagem associados a uma determinada estética 
literária. 
Literatura brasileira 
 
 A literatura brasileira tem sua história dividida em 
duas grandes eras, que acompanham a evolução política 
e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, 
separadas por um Período de Transição, que 
corresponde à emancipação política do Brasil. As eras 
apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias 
ou estilos de época. Dessa forma, temos: 
 
 
 
 
Era Colonial 
(de 1500 a 1808) 
 
 Quinhentismo (de 1500 a 1601) 
 Seiscentismo ou Barroco (de 1601 a 1768) 
 Setecentismo ou Arcadismo (de 1768 a 1808) 
 
 
Período 
de Transição 
 
 
(de 1808 a 1836) 
 
 
 
Era Nacional 
(de 1836 até 
nossos dias) 
 
 Romantismo (de 1836 a 1881) 
 Realismo/Naturalismo (de 1881 a 1893) 
 Parnasianismo (de 1882 a 1893) 
 Simbolismo (de 1893 a 1902) 
 Pré-Modernismo (de 1902 a 1922) 
 Modernismo (de 1922 a 1945) 
 Pós-Modernismo (de 1945 até nossos dias) 
 
 
 As datas que indicam o início e o fim de cada época 
têm de ser entendidas apenas como marcos. Toda época 
apresenta um período de ascensão, um ponto máximo e 
um período de decadência (que coincide com o período 
de ascensão da próxima época). Dessa forma podemos 
perceber, ao final do Arcadismo, um período de Pré- 
-Romantismo; ao final do Romantismo, um Pré-Realismo, 
e assim por diante. De todos esses momentos de 
transição, caracterizados pela quebra das velhas 
estruturas (apesar de “o novo sempre pagar tributo ao 
velho”), o mais significativo para a literatura brasileira foi 
o Pré-Modernismo (entre 1902 e 1922), em que se 
destacaram Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro 
Lobato e Augusto dos Anjos. 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
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*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
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As questões 9 e 10 referem-se ao poema. 
 
 A dança e a alma 
 
A DANÇA? Não é movimento, 
súbito gesto musical. 
É concentração, num momento, 
da humana graça natural. 
 
No solo não, no éter pairamos, 
nele amaríamos ficar. 
A dança — não vento nos ramos: 
seiva, força, perene estar. 
 
Um estar entre céu e chão, 
novo domínio conquistado, 
onde busque nossa paixão 
libertar-se por todo lado... 
 
Onde a alma possa descrever 
suas mais divinas parábolas 
sem fugir à forma do ser, 
por sobre o mistério das fábulas. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 366. 
 
.9. (ENEM-MEC)A definição de dança, em linguagem de dicionário, que 
mais se aproxima do que está expresso no poema é 
 
(A) a mais antiga das artes, servindo como elemento de 
comunicação e afirmação do homem em todos os 
momentos de sua existência. 
(B) a forma de expressão corporal que ultrapassa os 
limites físicos, possibilitando ao homem a liberação 
de seu espírito. 
(C) a manifestação do ser humano, formada por uma 
sequência de gestos, passos e movimentos 
desconcertados. 
(D) o conjunto organizado de movimentos do corpo, com 
ritmo determinado por instrumentos musicais, ruídos, 
cantos, emoções, etc. 
(E) o movimento diretamente ligado ao psiquismo do 
indivíduo e, por consequência, ao seu 
desenvolvimento intelectual e à sua cultura. 
 
.10. (ENEM-MEC) 
 
O poema “A dança e a alma” é construído com base em 
contrastes, como “movimento” e “concentração”. Em uma 
das estrofes, o termo que estabelece contraste com solo 
é 
 
(A) éter. 
(B) seiva. 
(C) chão. 
(D) paixão. 
(E) ser. 
Textos para as questões 11 e 12. 
 
Texto 1 – Autorretrato 
 
Provinciano que nunca soube 
Escolher bem uma gravata; 
Pernambucano a quem repugna 
A faca do pernambucano; 
Poeta ruim que na arte da prosa 
Envelheceu na infância da arte, 
 
E até mesmo escrevendo crônicas 
Ficou cronista de província; 
Arquiteto falhado, músico 
Falhado (engoliu um dia 
Um piano, mas o teclado 
 
Ficou de fora); sem família, 
Religião ou filosofia; 
Mal tendo a inquietação de espírito 
Que vem do sobrenatural, 
E em matéria de profissão 
Um tísico* profissional. 
 
BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1983, p. 395. 
 
* tísico: tuberculoso. 
 
Texto 2 – Poema de sete faces 
 
Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. 
 
As casas espiam os homens 
que correm atrás de mulheres. 
A tarde talvez fosse azul, 
não houvesse tantos desejos. 
[...] 
Meu Deus, por que me abandonaste 
se sabias que eu não era Deus 
se sabias que eu era fraco. 
Mundo mundo vasto mundo, 
se eu me chamasse Raimundo 
seria uma rima, não seria uma solução. 
Mundo mundo vasto mundo 
mais vasto é o meu coração. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra completa. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964, p. 53. 
 
.11. (ENEM-MEC) 
 
Esses poemas têm em comum o fato de 
 
(A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores. 
(B) refletirem um sentimento pessimista. 
(C) terem a doença como tema. 
(D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento. 
(E) defenderem crenças religiosas. 
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.12. (ENEM-MEC) 
 
No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”, do texto 
2, Drummond retoma as palavras de Cristo, na cruz, 
pouco antes de morrer. Esse recurso de repetir palavras 
de outrem equivale a 
 
(A) emprego de termos moralizantes. 
(B) uso de vício de linguagem pouco tolerado. 
(C) repetição desnecessária de ideias. 
(D) emprego estilístico da fala de outra pessoa. 
(E) uso de uma pergunta sem resposta. 
 
.13. (ENEM-MEC) 
 
 Cidade grande 
 
Que beleza, Montes Claros. 
Como cresceu Montes Claros. 
Quanta indústria em Montes Claros. 
Montes Claros cresceu tanto, 
ficou urbe tão notória, 
prima-rica do Rio de Janeiro, 
que já tem cinco favelas 
por enquanto, e mais promete. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983. 
 
Entre os recursos expressivos empregados no texto, 
destaca-se a 
 
(A) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem 
referir-se à própria linguagem. 
(B) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora 
outros textos. 
(C) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se 
pensa, com intenção crítica. 
(D) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em 
seu sentido próprio e objetivo. 
(E) prosopopeia, que consiste em personificar coisas 
inanimadas, atribuindo-lhes vida. 
 
.14. (ENEM-MEC) 
 
Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio 
da adolescência que teve influência significativa em sua 
carreira de escritor. 
 
 Lembro-me de que certa noite — eu teria uns 
quatorze anos, quando muito — encarregaram-me de 
segurar uma lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de 
operações, enquanto um médico fazia os primeiros 
curativos num pobre-diabo que soldados da Polícia 
Municipal haviam “carneado”. [...] Apesar do horror e da 
náusea, continuei firme onde estava, talvez pensando 
assim: se esse caboclo pode aguentar tudo isso sem 
gemer, por que não hei de poder ficar segurando esta 
lâmpada para ajudar o doutor a costurar esses talhos e 
salvar essa vida? [...] 
 Desde que, adulto, comecei a escrever romances, 
tem-me animado até hoje a ideia de que o menos que o 
escritor pode fazer, numa época de atrocidades e 
injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer 
luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre 
ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos 
assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a 
despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma 
lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, 
em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como 
um sinal de que não desertamos nosso posto. 
 
VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta. Tomo I. 
Porto Alegre: Editora Globo, 1978. 
 
Nesse texto, por meio da metáfora da lâmpada que 
ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma 
das funções do escritor e, por extensão, da literatura, 
 
(A) criar a fantasia. 
(B) permitir o sonho. 
(C) denunciar o real. 
(D) criar o belo. 
(E) fugir da náusea. 
 
.15. (ENEM-MEC) 
 
Em muitos jornais, encontramos charges, quadrinhos, 
ilustrações, inspirados nos fatos noticiados. Veja um 
exemplo: 
 
 
 
Jornal do Commercio, 22/8/1993. 
 
O texto que se refere a uma situação semelhante à que 
inspirou a charge é: 
 
(A) Descansem o meu leito solitário 
Na floresta dos homens esquecida, 
À sombra de uma cruz, e escrevam nela 
— Foi poeta — sonhou — e amou na vida. 
 
AZEVEDO, Álvares de. Poesias escolhidas. Rio 
de Janeiro/Brasília: José Aguilar/INL,1971. 
 
(B) Essa cova em que estás 
Com palmos medida, 
é a conta menor 
que tiraste em vida. 
É de bom tamanho, 
Nem largo nem fundo, 
É a parte que te cabe 
deste latifúndio. 
 
MELO NETO, João Cabral de. Morte e Vida Severina e outros 
poemas em voz alta. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967.LCP  Português  
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(C) Medir é a medida 
mede 
A terra, medo do homem, a lavra; 
lavra 
duro campo, muito cerco, vária várzea. 
 
CHAMIE, Mário. Sábado na hora da escutas. 
São Paulo: Summums, 1978. 
 
(D) Vou contar para vocês 
um caso que sucedeu 
na Paraíba do Norte 
com um homem que se chamava 
Pedro João Boa-Morte, 
lavrador de Chapadinha: 
talvez tenha morte boa 
porque vida ele não tinha. 
 
GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1983. 
 
(E) Trago-te flores, — restos arrancados 
Da terra que nos viu passar 
E ora mortos nos deixa e separados. 
 
ASSIS, Machado de. Obra completa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguillar, 1986. 
 
.16. (ENEM-MEC) 
 
Quem não passou pela experiência de estar lendo um 
texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? 
Os textos conversam entre si em um diálogo constante. 
Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. 
Leia os seguintes textos: 
 
I. Quando nasci, um anjo torto 
desses que vivem na sombra 
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. 
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. 
 
II. Quando nasci veio um anjo safado 
O chato dum querubim 
E decretou que eu tava predestinado 
A ser errado assim 
Já de saída a minha estrada entortou 
Mas vou até o fim. 
 
BUARQUE, Chico. Letra e Música. 
São Paulo: Cia. das Letras, 1989. 
 
III. Quando nasci um anjo esbelto 
Desses que tocam trombeta, anunciou: 
Vai carregar bandeira. 
Carga muito pesada pra mulher 
Esta espécie ainda envergonhada. 
 
PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: 
Guanabara, 1986. 
Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem 
intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de 
Andrade, por 
 
(A) reiteração de imagens. 
(B) oposição de ideias. 
(C) falta de criatividade. 
(D) negação dos versos. 
(E) ausência de recursos. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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*MÓDULO 2* 
 
A interpretação de textos 
 
Introdução 
 
 Um dos tópicos mais cobrados nos vestibulares nos 
últimos anos é a interpretação de textos, que será o tema 
desta seção. 
 
 
 
Acho a televisão muito 
educativa. Toda vez que alguém 
liga a TV, vou para o outro 
quarto e leio um livro. 
 
Groucho Marx (1890-1977), 
comediante norte-americano 
 
HULTON ARCHIVE / GETTY IMAGES 
 
BRISTOL, Brian. Por que amamos ler? – Grandes escritores tentam 
explicar nosso fascínio pela leitura. São Paulo: Novo Conceito, 2008. 
 
 
 Ler um texto não é difícil quando se domina uma 
língua, mas compreendê-lo não é tão simples assim. 
Cada leitor, de acordo com a sua história de leitura, ou 
seja, de acordo com os textos que já tenha lido, sua 
vivência no mundo, sua formação cultural etc., terá uma 
forma de encarar um texto e de compreendê-lo. 
 Vejamos um exemplo: 
 
 
Não tem jeito mesmo... 
 
 “Trinta palavras no máximo; não há espaço para 
mais”, disse o chefe da redação ao jornalista. Por isso, 
a notícia que apareceu no jornal foi: 
 Uma mulher escorregou numa casca de banana, 
numa faixa de pedestres da Banhofstrasse. Foi 
imediatamente transportada para a clínica da 
universidade, onde lhe foi diagnosticada uma perna 
quebrada. 
 A primeira reação surgiu imediatamente, numa 
carta registrada em que um importador de bananas 
escrevia: “Protestamos veementemente contra o 
descrédito dado ao nosso produto. Considerando que, 
nos últimos meses, vocês publicaram pelo menos 14 
comentários negativos sobre os países produtores de 
bananas, não podemos deixar de inferir uma intenção 
de difamação deliberada de sua parte.” 
 Por sua vez, o diretor da clínica da universidade 
também se pronunciou, alegando que a expressão “foi 
transportada” poderia significar “o transporte de seres 
humanos como se tratasse de carga”, o que 
contrariava totalmente os hábitos de seu hospital. 
“Além disso”, salientou, “posso provar que a fratura da 
perna resultou da queda e não, como foi sugerido com 
intenção malévola, do transporte para o hospital”. 
 Para finalizar, um membro do Departamento 
Municipal de Engenharia Civil telefonou, informando 
ao jornal que a causa do tombo não deveria ser 
atribuída ao estado da faixa de pedestres. Além disso, 
como o Comitê de Defesa das Faixas para Pedestres 
estava prestes a concluir seu relatório, após seis anos 
de trabalho, perguntava se seria possível — para 
evitar possíveis consequências políticas — não fazer 
qualquer alusão a tais passagens nos próximos 
meses. 
 A notícia foi revista e, na manhã seguinte, 
apareceu com o seguinte texto: Uma mulher caiu na 
rua e quebrou a perna. 
 No dia seguinte, os editores receberam apenas 
duas cartas a respeito. Uma, indignada, era da 
Associação Não Lucrativa dos Direitos das Mulheres, 
cuja porta-voz repudiava “vivamente e em definitivo” o 
texto discriminatório uma mulher caiu, o qual evocava 
uma associação infeliz com “mulheres caídas” e 
constituía uma prova de que “mais uma vez, neste 
mundo dominado pelo homem, a imagem da mulher 
estava sendo manipulada da maneira mais pérfida e 
chauvinista!” A carta ameaçava com um processo 
judicial, boicote e outras medidas. 
 A outra reação veio de um leitor que cancelava sua 
assinatura, alegando o número cada vez maior de 
notícias triviais e sem interesse. 
 
Seleções do Reader's Digest. Tomo XXXVI, n.° 217. 
Junho de 1989, p. 109 e 110, apud I. Koch, Coerência 
textual. São Paulo, Contexto, 1997. 
 
 
 Note que, neste caso, o texto foi compreendido de 
maneira diferentepelos leitores. Cada um, a partir de sua 
visão de mundo e de seu posicionamento neste, chegou 
a um sentido diferente para o mesmo texto. 
 Mas, embora haja, então, a influência do 
conhecimento de mundo e do posicionamento dentro 
deste na compreensão de um texto, ler com 
compreensão também se pode aprender se prestarmos 
atenção a alguns pontos, dos quais trataremos nesta 
seção. Infelizmente, não é possível esgotar o assunto, 
uma vez que mesmo os estudiosos da leitura ainda não 
conseguiram determinar todos os tópicos que serão 
necessários à aprendizagem da leitura. 
 
O conhecimento de mundo e a leitura 
 
 O nosso conhecimento de mundo nos permite 
relacionar o assunto de um texto com coisas do mundo, 
mas também nos permite perceber se a forma de um 
texto é igual à de outro, se um texto retoma um outro, se 
uma informação foi corretamente apresentada ou não. À 
medida que vamos lendo, vamos aprendendo a nos deter 
em determinados trechos ou passar mais rápido por 
outros, de acordo com o nosso principal objetivo de 
leitura, mas também conforme consigamos construir mais 
facilmente ou não o sentido do texto. 
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 Dessa forma, constatamos que o conhecimento de 
mundo vai nos ajudar a compreender o texto bem escrito 
e até a inferir o significado correto de textos mal escritos. 
 Assim, se o conhecimento pode ajudar tanto na 
compreensão de um texto, o melhor a fazer é procurar 
ampliá-lo cada vez mais, lendo muito diferentes tipos de 
textos e sobre diferentes assuntos. Além disso, nessas 
leituras, é bastante importante prestar atenção ao gênero 
de texto e à sua estrutura, aos objetivos do texto e à 
linguagem empregada. 
 
O gênero de texto e a sua estrutura 
 
 Conhecer, pelo menos um pouco, o gênero de texto 
que se está lendo pode ajudar bastante na sua 
compreensão. Afinal, se estamos lendo um editorial de 
um jornal e sabemos que este é um gênero de texto em 
que se defende a posição do jornal sobre um 
determinado tema, constataremos a necessidade de 
ficarmos atentos aos pontos de vista e argumentos que 
serão apresentados. Mas se estivermos diante de um 
trecho de um manual para instalação de videocassete, 
teremos outra preocupação; o mesmo ocorrerá se o texto 
for um e-mail de um amigo, uma piada, um poema ou um 
conto. Note que cada gênero, dada a sua estrutura e o 
conjunto de elementos que o compõem, impõe ao leitor 
um certo olhar. 
 
A linguagem 
 
 Além do gênero de texto, é importante estarmos 
atentos também à linguagem empregada em cada texto e 
aos efeitos de sentido que ela pode produzir, isto é: em 
um bom texto, a escolha das palavras, das construções 
sintáticas, do tamanho dos parágrafos etc. costuma 
contribuir para expressar o sentido “desejado” pelo autor. 
 Fica bem visível tal ideia quando comparamos textos 
sobre um mesmo assunto publicados por jornais 
diferentes. Vejamos dois trechos retirados de notícias 
publicadas pela Folha de S. Paulo e pelo O Estado de S. 
Paulo a respeito de um atentado ocorrido em Israel e de 
seus possíveis autores: 
 
“O grupo islâmico Hamas assumiu o atentado e divulgou 
foto e nome do suicida.” (O Estado de S. Paulo) 
 
“O grupo extremista Hamas reivindicou a autoria do 
atentado, o pior desde julho.” (Folha de S. Paulo) 
 
 Reflita sobre as diferenças de escolha de vocabulário: 
“grupo islâmico” X “grupo extremista”; “assumiu o 
atentado” X “reivindicou a autoria do atentado”. Estão os 
dois jornais falando exatamente a mesma coisa? Parece 
que não! Há ainda a informação a mais que cada jornal 
trouxe: o jornal O Estado de S. Paulo reforçou a 
assunção do atentado pelo grupo ao dizer que ele até 
mostrou foto e nome do suicida; enquanto a Folha 
qualificou a intensidade do atentado relacionando-o a 
anteriores, uma vez que mostrou que este foi “o pior 
desde julho”, deixando subentendida a ideia de que antes 
houve outros piores. 
 Na finalização das duas notícias também 
encontramos outro ponto de confronto: 
 
“O governo israelense já estuda uma ‘resposta’ aos 
terroristas.” (O Estado de S. Paulo) 
 
“O governo israelense, porém, aprovou uma reação 
militar.” (Folha de S. Paulo) 
 
 Os predicados de ambos os períodos trazem ideias 
bem diferentes. Enquanto a Folha afirma a reação militar 
por meio do verbo “aprovou”, o jornal O Estado de S. 
Paulo diz que o governo israelense estaria pensando 
sobre isso, como nos sugere o verbo “estuda”. 
 Você deve estar se perguntando: se a intenção dos 
dois jornais é informar, por que tantas diferenças de 
linguagem que levam a diferenças de sentido? Porque 
cada jornal é produzido por homens diferentes que têm 
visões/conhecimentos de mundo/interesses diferentes 
uns dos outros, e isso acaba refletindo na linguagem que 
empregam, mesmo quando tentam buscar a neutralidade 
e a imparcialidade. Daí a necessidade de estar bem 
atento à linguagem para que você perceba não só o 
assunto que é tratado em um texto, mas também o modo 
como este foi apresentado e consiga, assim, perceber a 
intencionalidade que subjaz a cada texto. 
 Lendo com atenção, veremos que em todos os textos, 
quando bem escritos, a linguagem serve — mais do que 
para falar de um assunto — para mostrar também como 
o autor se relaciona com tal assunto e como imagina 
atingir o leitor. 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
.1. (ENEM-MEC) 
 
 Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no 
vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. 
O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, 
risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que 
você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? 
— Quero criar nada não... — me deu resposta: — Eu 
gosto muito de mudar... [...] Belo um dia, ele tora. 
Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou 
proteção. [...] Essa não faltou também à minha mãe, 
quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. 
[...] Gente melhor do lugar eram todos dessa família 
Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos 
trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em 
território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de- 
-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe. 
 
ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: 
José Olympio, 1995 (fragmento). 
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Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação 
decorrente de uma desigualdade social típica das áreas 
rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e 
pela relação de dependência entre agregados e 
fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o 
personagem-narrador 
 
(A) relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, 
demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus 
agregados, uma vez que superou essa condição 
graças à sua força de trabalho. 
(B) descreve o processo de transformação de um meeiro 
— espécie de agregado — em proprietário de terra. 
(C) denuncia a falta de compromisso e a desocupação 
dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho 
da terra. 
(D) mostra como a condição material da vida do 
sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de 
homem livre e, ao mesmo tempo, dependente. 
(E) mantém o distanciamento narrativo condizente com 
sua posição social, de proprietário de terras. 
 
.2. (ENEM-MEC) 
 
 A discussão sobre “o fim do livro de papel” com a 
chegada da mídia eletrônica me lembra a discussão 
idêntica sobre a obsolescência do folheto de cordel. Os 
folhetos talvez não existam mais daqui a 100 ou 200 
anos, mas, mesmo que isso aconteça, os poemas de 
Leandro Gomes de Barros ou Manuel Camilo dos Santos 
continuarão sendo publicados e lidos — em CD-ROM, 
em livro eletrônico, em “chips quânticos”, sei lá o quê. O 
texto é uma espécie de alma imortal, capaz de 
reencarnar em corpos variados: página impressa, livro 
em braile, folheto, “coffee-table book”, cópia manuscrita, 
arquivo PDF... Qualquer texto pode se reencarnar nesses 
(e em outros) formatos, não importa se é Moby Dick ou 
Viagem a São Saruê, se é Macbeth ou O livro de piadas 
de Casseta & Planeta. 
 
TAVARES, Bráulio. Disponível em: http://jornaldaparaiba.globo.com. 
Acesso em: 13/2/2011. 
 
Ao refletir sobre a possível extinção do livro impresso e o 
surgimento de outros suportes em via eletrônica, o 
cronista manifesta seu ponto de vista, defendendo que 
 
(A) o cordel é um dos gêneros textuais, por exemplo, 
que será extinto com o avanço da tecnologia. 
(B) o livro impresso permanecerá como objeto cultural 
veiculador de impressões e de valores culturais. 
(C) o surgimento da mídia eletrônica decretou o fim do 
prazer de se ler textos em livros e suportes 
impressos. 
(D) os textos continuarão vivos e passíveis de 
reprodução em novas tecnologias, mesmo que os 
livros desapareçam. 
(E) os livros impressos desaparecerão e, com eles, a 
possibilidade de se ler obras literárias dos mais 
diversos gêneros. 
.3. (ENEM-MEC) 
 
 O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não 
sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor 
o acesso a um número praticamente ilimitado de outros 
textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo 
real. Assim, o leitor tem condições de definir 
interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos 
tratados no texto sem se prender a uma sequência fixa 
ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma 
forma de estruturação textual que faz do leitor 
simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se 
caracteriza, pois, como um processo de escritura/leitura 
eletrônica multilinearizado, multissequencial e 
indeterminado, realizado em um novo espaço de escrita. 
Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um 
tema, o hipertexto oferece a possibilidade de múltiplos 
graus de profundidade simultaneamente, já que não tem 
sequência definida, mas liga textos não necessariamente 
correlacionados. 
 
MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. 
Acesso em: 29/6/2011. 
 
O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e 
o hipertexto pode ser considerado como um novo espaço 
de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos 
autônomos de texto, apresentado em meio eletrônico 
computadorizado e no qual há remissões associando 
entre si diversos elementos, o hipertexto 
 
(A) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos 
totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir 
os conceitos cristalizados tradicionalmente. 
(B) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao 
desviar o foco da leitura, pode ter como 
consequência o menosprezo pela escrita tradicional. 
(C) exige do leitor um maior grau de conhecimentos 
prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes 
nas suas pesquisas escolares. 
(D) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação 
específica, segura e verdadeira, em qualquer site de 
busca ou blog oferecidos na internet. 
(E) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de 
leitura, sem seguir sequência predeterminada, 
constituindo-se em atividade mais coletiva e 
colaborativa. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
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.4. (ENEM-MEC) 
 
 
 
IMODESTO “As colunas do Alvorada podiam ser 
mais fáceis de construir, sem aquelas curvas. 
Mas foram elas que o mundo inteiro copiou” 
 
Brasília 50 anos. Veja, n.º 2.138, nov. 2009. 
 
Utilizadas desde a Antiguidade, as colunas, elementos 
verticais de sustentação, foram sofrendo modificações e 
incorporando novos materiais com ampliação de 
possibilidades. Ainda que as clássicas colunas gregas 
sejam retomadas, notáveis inovações são percebidas, 
por exemplo, nas obras de Oscar Niemeyer, arquiteto 
brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1907. No 
desenho de Niemeyer, das colunas do Palácio da 
Alvorada, observa-se 
 
(A) a presença de um capitel muito simples, reforçando a 
sustentação. 
(B) o traçado simples de amplas linhas curvas opostas, 
resultando em formas marcantes. 
(C) a disposição simétrica das curvas, conferindo 
saliência e distorção à base. 
(D) a oposição de curvas em concreto, configurando 
certo peso e rebuscamento. 
(E) o excesso de linhas curvas, levando a um exagero 
na ornamentação. 
 
.5. (ENEM-MEC) 
 
Conceitose importância das lutas 
 
 Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes 
marciais tiveram duas conotações principais: eram 
praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo 
filosófico como concepção de vida bastante significativo. 
 Atualmente, nos deparamos com a grande expansão 
das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais 
foram se disseminando, ora pela necessidade de luta 
pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela 
possibilidade de ter as artes marciais como própria 
filosofia de vida. 
 
CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: implicações 
para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2008 (fragmento). 
 
Um dos problemas da violência que está presente 
principalmente nos grandes centros urbanos são as 
brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas, 
além da formação de gangues, que se apropriam de 
gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em 
fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da 
aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido, 
afinal as lutas 
 
(A) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o 
objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência. 
(B) apresentam a possibilidade de desenvolver o 
autocontrole, o respeito ao outro e a formação do 
caráter. 
(C) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” 
por meio de golpes agressivos sobre o adversário. 
(D) sofreram transformações em seus princípios 
filosóficos em razão de sua disseminação pelo 
mundo. 
(E) se disseminaram pela necessidade de luta pela 
sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida. 
 
.6. (ENEM-MEC) 
 
 O tema da velhice foi objeto de estudo de brilhantes 
filósofos ao longo dos tempos. Um dos melhores livros 
sobre o assunto foi escrito pelo pensador e orador 
romano Cícero: A Arte do Envelhecimento. Cícero nota, 
primeiramente, que todas as idades têm seus encantos e 
suas dificuldades. E depois aponta para um paradoxo da 
humanidade. Todos sonhamos ter uma vida longa, o que 
significa viver muitos anos. Quando realizamos a meta, 
em vez de celebrar o feito, nos atiramos a um estado de 
melancolia e amargura. Ler as palavras de Cícero sobre 
envelhecimento pode ajudar a aceitar melhor a 
passagem do tempo. 
 
NOGUEIRA, P. Saúde & Bem-Estar Antienvelhecimento. 
Época, 28/4/2008. 
 
O autor discute problemas relacionados ao 
envelhecimento, apresentando argumentos que levam a 
inferir que seu objetivo é 
 
(A) esclarecer que a velhice é inevitável. 
(B) contar fatos sobre a arte de envelhecer. 
(C) defender a ideia de que a velhice é desagradável. 
(D) influenciar o leitor para que lute contra o 
envelhecimento. 
(E) mostrar às pessoas que é possível aceitar, sem 
angústia, o envelhecimento. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
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.7. (UNICAMP-SP) 
 
Considere a tira a seguir: 
 
 
 
Jornal da Tarde, 8/2/2001. 
 
Nessa tira, a crítica ao “estrategista militar” não é 
explícita. Para compreender a tira, o leitor deve 
reconhecer uma alusão a um fato histórico e uma 
hipótese sobre transmissão genética. 
 
a) Qual é o fato histórico ao qual a tira faz alusão? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
b) Qual é a explicação para as qualidades profissionais 
do estrategista? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
c) Explicite o raciocínio da personagem que critica o 
estrategista. 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.8. (UNICAMP-SP) 
 
Uma das últimas edições do jornal Visão de Barão 
Geraldo trazia em sua seção “Sorria” esta anedota: 
 
 “No meio de uma visita de rotina, o presidente 
daquela enorme empresa chega ao setor de produção e 
pergunta ao encarregado: 
 — Quantos funcionários trabalham neste setor? 
Depois de pensar por alguns segundos, o encarregado 
responde: 
 — Mais ou menos a metade!” 
 
a) Explique o que quis perguntar o presidente da 
empresa. 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
b) Explique o que respondeu o encarregado. 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
c) Um dos sentidos de trabalhar é “estar empregado”. 
Supondo que o encarregado entendesse a fala do 
presidente da empresa nesse sentido e quisesse dar 
uma resposta correta, que resposta teria que dar? 
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________ 
 
.9. (FUVEST-SP) 
 
 Eu te amo 
 
Ah, se já perdemos a noção da hora, 
Se juntos já jogamos tudo fora, 
Me conta agora como hei de partir... 
 
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios, 
Rompi com o mundo, queimei meus navios, 
Me diz pra onde é que inda posso ir... 
[...] 
Se entornaste a nossa sorte pelo chão, 
Se na bagunça do teu coração 
Meu sangue errou de veia e se perdeu... 
[...] 
Como, se nos amamos como dois pagãos, 
Teus seios inda estão nas minhas mãos, 
Me explica com que cara eu vou sair... 
 
Não, acho que estás só fazendo de conta, 
Te dei meus olhos pra tomares conta, 
Agora conta como hei de partir... 
 
(Tom Jobim e Chico Buarque) 
 
O sentimento de perplexidade expresso nas frases “como 
hei de partir”, “pra onde é que inda posso ir” e “com que 
cara eu vou sair” deve-se ao fato de que a relação 
amorosa do sujeito: 
 
(A) foi marcada por sucessivos desencontros, em virtude 
da intensidade da paixão. 
(B) constituiu uma radical experiência de fusão com o 
outro, da qual não vê como sair. 
(C) provocou a subordinação emocional da pessoa 
amada, de quem ele já não pode se livrar. 
(D) ameaça jamais desfazer-se, agravando-se assim 
uma interdependência destrutiva. 
(E) está-se esgotando, sem que os amantes saibam o 
que fazer para reacender a paixão.LCP  Português  
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Texto para as questões 10 e 11. 
 
 — Mandaram ler este livro... 
 Se o tal do livro for fraquinho, o desprazer pode 
significar um precipitado mas decisivo adeus à literatura; 
se for estimulante, outros virão sem o peso da obrigação. 
 As experiências com que o leitor se identifica não são 
necessariamente as mais familiares, mas as que 
mostram o quanto é vivo um repertório de novas 
questões. Uma leitura proveitosa leva à convicção de que 
as palavras podem constituir um movimento 
profundamente revelador do próximo, do mundo, de nós 
mesmos. Tal convicção faz caminhar para uma outra, 
mais ampla, que um antigo pensador romano assim 
formulou: Nada do que é humano me é alheio. 
 
Cláudio Ferraretti, Inédito. 
 
.10. (FUVEST-SP) 
 
De acordo com o texto, a identificação do leitor com o 
que lê ocorre sobretudo quando: 
 
(A) ele sabe reconhecer na obra o valor consagrado pela 
tradição da crítica literária. 
(B) ele já conhece, com alguma intimidade, as 
experiências representadas numa obra. 
(C) a obra expressa, em fórmulas sintéticas, a sabedoria 
dos antigos humanistas. 
(D) a obra o introduz num campo de questões cuja 
vitalidade ele pode reconhecer. 
(E) a obra expressa convicções tão verdadeiras que se 
furtam à discussão. 
 
.11. (FUVEST-SP) 
 
O sentido da frase “Nada do que é humano me é alheio” 
é equivalente ao desta outra construção: 
 
(A) O que não diz respeito ao Homem não deixa de me 
interessar. 
(B) Tudo o que se refere ao Homem diz respeito a mim. 
(C) Como sou humano, não me alheio a nada. 
(D) Para ser humano, mantenho interesse por tudo. 
(E) A nada me sinto alheio que não seja humano. 
 
.12. (UNICAMP-SP) 
 
Marca-passo natural – Uma alternativa menos invasiva 
pode substituir o implante do marca-passo eletrônico [...]. 
Cientistas do Hospital John Hopkins, nos EUA, 
conseguiram converter células cardíacas de porquinhos- 
-da-índia em células especializadas, que atuam como um 
marca-passo, controlando o ritmo dos batimentos 
cardíacos. No experimento, o coração dos suínos 
recuperou a regularidade dos movimentos. A expectativa 
é de que em alguns anos seja possível testar a técnica 
em humanos. 
 
lstoÉ, n.º 1720, 18/9/2002. 
a) Alguém que nunca tivesse ouvido falar de marca- 
-passo poderia dar uma definição desse instrumento 
lendo este texto. Qual é essa definição? 
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b) A ocorrência da expressão “a técnica”, no final do 
texto, indica que ela foi explicada anteriormente. Em 
que consiste essa técnica? 
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c) Apesar do nome, o porquinho-da-índia é um roedor. 
Sendo assim, há uma forma equivocada de referir-se 
a ele no texto. Qual é essa forma e como se explica 
sua ocorrência? 
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.13. (UNICAMP-SP) 
 
No folheto intitulado “Saúde da mulher – orientações”, 
distribuído em consultórios médicos, encontramos estas 
informações acerca de um produto que, aqui, 
chamaremos “P”: 
 
 “A liberdade da mulher pode ficar comprometida 
quando surge em sua vida o risco de uma gravidez 
indesejada. Para estas situações, ela pode contar com P, 
um método de Contracepção de Emergência, ou pós-ato 
sexual, capaz de evitar a gestação com grande margem 
de segurança. O ginecologista poderá orientá-la sobre o 
uso correto desse método. [...] P é um método indolor, 
bastante prático e quase sem efeitos colaterais. Deve ser 
tomado num período de até 72 horas após o ato sexual 
desprotegido, sendo mais efetivo nas primeiras 48 horas. 
Age inibindo ou retardando a ovulação e torna o útero um 
ambiente impróprio para que o óvulo se implante. Dessa 
forma, não pode ser considerado um método abortivo, já 
que, quando atua, ainda não houve implantação do óvulo 
no útero.” 
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a) A posição assumida no texto baseia-se em uma 
distinção entre (medicamento) contraceptivo e 
(medicamento) abortivo. Explique o que vem a ser 
aborto para os fabricantes de P. 
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___________________________________________________ 
 
b) Com base no trecho transcrito, pode-se dizer que o 
folheto toma posição numa polêmica que tem um 
aspecto ético-religioso e um aspecto científico. Qual 
é a questão ético-religiosa da polêmica? Qual é a 
questão científica? 
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.14. (UNICAMP-SP)Leia atentamente o folheto (distribuído nos pontos de 
ônibus e feiras de Campinas) e as definições de 
“simpatia” extraídas do Dicionário Houaiss da Língua 
Portuguesa. 
 
 
CENTRO ESPÍRITA VOVÓ MARIA CONGA 
 
Mãe Maria 
 
Ensina qualquer tipo de simpatia, pois com uma única 
consulta, ela desvendará todos os mistérios que lhe 
atormenta: casos amorosos, financeiros, prosperidade 
em seu trabalho, vícios, doenças, impotência sexual, 
problemas de família e perseguições. Desvendará 
qualquer que for o problema. Não perca mais tempo, 
faça hoje mesmo uma consulta com MÃE MARIA, pelos 
BÚZIOS – CARTAS E TAROT. 
 
ORAÇÃO HEI DE VENCER 
 
Traga sempre consigo esta oração. 
 
Bendito seja a luz do dia, Bendito seja quem o guia, 
Bendito seja o filho de Deus e de Virgem Maria, assim 
como Deus separou a noite do dia, separe minha alma 
de má companhia e meu corpo da feitiçaria. Pelo poder 
de Deus e da Virgem Maria. 
 
ATENDIMENTO TODOS OS DIAS 
DAS 9:00 ÀS 20:00 HS 
Fone: (019) 3387-2554 
Rua Dr. Lúcio Peixoto, 330 – Chapadão – Campinas-SP 
 
simpatia s.f. 1. afinidade moral, similitude no sentir e no 
pensar que aproxima duas ou mais pessoas. [...] – 3. 
impressão agradável, disposição favorável que se 
experimenta em relação a alguém que pouco se 
conhece. [...] – 6. atração por uma coisa ou uma ideia. 
[...] – 9. Brasileirismo: usada como interlocutório pessoal 
(— Qual o seu nome, simpatia?). – 10. “Brasileirismo”: 
ação (observação de algum ritual, uso de um 
determinado objeto etc.) praticada supersticiosamente 
com finalidade de conseguir algo que se deseja. 
 
a) Dentre as definições do dicionário Houaiss 
mencionadas, qual é a mais próxima do sentido da 
palavra “simpatia” no texto? 
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b) Há no texto duas ocorrências de “desvendar”, sendo 
que uma delas não coincide com o uso-padrão desse 
termo. Qual é? Por quê? 
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c) Independentemente do título, algumas 
características da segunda parte do texto são de 
uma oração ou prece ou reza. Quais são essas 
características? 
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*Anotações* 
 
 
 
 
 
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Literatura brasileira 
 
Quinhentismo (1500-1601) 
 
Marco inicial 
 
 Carta a El-Rei D. Manuel, de Pero Vaz de Caminha. 
 
Panorama histórico 
 
 Este primeiro século da história do Brasil, de 1500 a 
1601, ainda não pode ser considerado como uma 
verdadeira literatura. Os textos são informações que 
viajantes e missionários europeus colheram sobre nossa 
terra. Quanto ao estilo, não passa de uma manifestação 
da literatura portuguesa no Brasil. Quanto ao aspecto 
ideológico, nota-se que os escritores tinham uma visão 
aportuguesada da nossa realidade, então, registravam 
curiosidades da terra recém-descoberta. Os escritos 
apresentam uma visão ufanista dos valores da terra, que 
serviam de incentivo à imigração e aos investimentos da 
Metrópole na Colônia. 
 
 
 
 Detalhe de Brasil, mapa de Giovanni Battista Ramusio, 1557 (Cid 
Collection – Instituto Cultural Banco Santos) 
 
 Verifica-se que os textos encontrados variam de 
acordo com os interesses da Coroa portuguesa: alguns 
são meramente informativos, outros são tipicamente 
propagandísticos, e existem aqueles que são de caráter 
catequético. Todos eles, porém, têm como assunto 
básico a terra do Brasil, sua flora e fauna, seus 
habitantes e curiosidades locais e culturais. 
 Nos períodos literários nacionalistas, Romantismo e 
Modernismo, os autores costumavam recuperar os textos 
quinhentistas e reaproveitar as informações neles 
contidas. Os românticos exaltavam ingenuamente e os 
modernistas analisavam criticamente a colonização. 
 
“E depois de acabada a missa, [...] muitos deles [os índios] 
se levantaram e começaram a tocar corno ou buzina, 
saltando e dançando por um bom tempo.” 
(Carta de Caminha) 
Principais autores e obras 
 
 Pero Vaz de Caminha — Carta a El-Rei D. Manuel 
 
 Pero Lopes de Sousa — Diário de Navegação 
 
 Pero de Magalhães Gândavo — Tratado da Terra do 
Brasil; História da Província de Santa Cruz, a que 
Vulgarmente Chamamos Brasil 
 
 Gabriel Soares de Sousa — Tratado Descritivo do 
Brasil 
 
 Ambrósio Fernandes Brandão — Diálogos das 
Grandezas do Brasil 
 
 Padre José de Anchieta — Poesias de José de 
Anchieta; Na Festa de São Lourenço; Na Festa de 
Natal; Na Visitação de Santa Isabel; Arte de 
Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil; 
Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e 
Sermões 
 
 
 Fique ligado! Pesquise!  
 
 Assistir: aos filmes Como era gostoso o meu 
francês; 1492, a conquista do paraíso; Cristóvão 
Colombo e Dança com lobos; compare a visão 
sobre o índio apresentada nesses filmes com 
aquela presente nos filmes que tratam do trabalho 
da cavalaria no Oeste americano. 
 
 Pesquisar: sobre as relações da literatura do século 
XVI com o movimento Pau-Brasil, de Oswald de 
Andrade, e com o Tropicalismo (século XX). 
 
 Ouvir: a música Tropicália, de Caetano Veloso, que 
se encontra no disco Tropicália ou Panis et circensis 
(1968), prestando atenção na parte inicial, falada. 
 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
.1. (ENEM-MEC) 
 
 Quando os portugueses se instalaram no Brasil, o 
país era povoado de índios. Importaram, depois, da 
África, grande número de escravos. O Português, o Índio 
e o Negro constituem, durante o período colonial, as três 
bases da populaçãobrasileira. Mas no que se refere à 
cultura, a contribuição do Português foi de longe a mais 
notada. 
 Durante muito tempo o português e o tupi viveram 
lado a lado como línguas de comunicação. Era o tupi que 
utilizavam os bandeirantes nas suas expedições. Em 
1694, dizia o Padre Antônio Vieira que “as famílias dos 
portugueses e índios em São Paulo estão tão ligadas 
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hoje umas com as outras, que as mulheres e os filhos se 
criam mística e domesticamente, e a língua que nas ditas 
famílias se fala é a dos Índios, e a portuguesa a vão os 
meninos aprender à escola”. 
 
TEYSSIER, P. História da língua portuguesa. Lisboa: 
Livraria Sá da Costa, 1984 (adaptado). 
 
A identidade de uma nação está diretamente ligada à 
cultura de seu povo. O texto mostra que, no período 
colonial brasileiro, o Português, o Índio e o Negro 
formaram a base da população e que o patrimônio 
linguístico brasileiro é resultado da 
 
(A) contribuição dos índios na escolarização dos 
brasileiros. 
(B) diferença entre as línguas dos colonizadores e as 
dos indígenas. 
(C) importância do Padre Antônio Vieira para a literatura 
de língua portuguesa. 
(D) origem das diferenças entre a língua portuguesa e as 
línguas tupi. 
(E) interação pacífica no uso da língua portuguesa e da 
língua tupi. 
 
.2. (ENEM-MEC) 
 
 
 
ECKHOUT, A. Índio Tapuia (1610-1666). Disponível em: 
http://www.diaadia.pr.gov.br. Acesso em: 9/7/2009. 
 
 A feição deles é serem pardos, maneira 
d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem 
feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem 
estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas 
vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência 
como têm em mostrar o rosto. 
 
CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. 
Acesso em: 12/8/2009. 
Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e 
o trecho do texto de Caminha, conclui-se que 
 
(A) ambos se identificam pelas características estéticas 
marcantes, como tristeza e melancolia, do 
movimento romântico das artes plásticas. 
(B) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, 
representando-o de maneira realista, ao passo que o 
texto é apenas fantasioso. 
(C) a pintura e o texto têm uma característica em 
comum, que é representar o habitante das terras que 
sofreriam processo colonizador. 
(D) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a 
cultura europeia e a cultura indígena. 
(E) há forte direcionamento religioso no texto e na 
pintura, uma vez que o índio representado é objeto 
da catequização jesuítica. 
 
.3. (ENEM-MEC) 
 
 No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar 
e explorar os territórios descobertos, nos quais viviam 
índios, que eles queriam cristianizar e usar como força de 
trabalho. Os missionários aprendiam os idiomas dos 
nativos para catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao 
longo do tempo, as línguas se influenciaram. O resultado 
desse processo foi a formação de uma língua geral, 
desdobrada em duas variedades: o abanheenga, ao sul, 
e o nheengatu, ao norte. Quase todos se comunicavam 
na língua geral, sendo poucos aqueles que falavam 
apenas o português. 
 
De acordo com o texto, a língua geral formou-se e 
consolidou-se no contexto histórico do Brasil-Colônia. 
Portanto, a formação desse idioma e suas variedades 
foram condicionadas 
 
(A) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião 
dos portugueses. 
(B) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber 
linguístico dos índios. 
(C) pela percepção dos indígenas de que as suas 
línguas precisavam aperfeiçoar-se. 
(D) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender 
uma nova língua com os portugueses. 
(E) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que 
era anterior à chegada dos portugueses. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
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.4. (MACKENZIE-SP) 
 
A produção literária do Quinhentismo brasileiro 
caracterizou-se pela preocupação com: 
 
(A) a descrição da terra recém-descoberta e a educação 
dos nativos e colonos. 
(B) a denúncia de desmandos dos governantes 
portugueses e a salvação da alma. 
(C) a defesa dos indígenas escravizados pelo 
colonizador e o elogio da vida bucólica. 
(D) a recusa de modelos culturais europeus e a pesquisa 
do “caráter nacional”. 
(E) o combate a formas poéticas decadentes e a 
valorização dos sentimentos. 
 
.5. (INEP-MEC) 
 
A exuberância da natureza brasileira impressionou 
artistas e viajantes europeus nos séculos XVI e XVII. Leia 
o texto e observe a imagem a seguir: 
 
 [...] A América foi para os viajantes, evangelizadores e 
filósofos uma construção imaginária e simbólica. Diante 
da absoluta novidade, como explicá-la? Como 
compreendê-la? Como ter acesso ao seu sentido? 
Colombo, Vespúcio, Pero Vaz de Caminha, Las Casas, 
dispunham de um único instrumento para aproximar-se 
do Mundo Novo: os livros. [...] O Novo Mundo já existia, 
não como realidade geográfica e cultural, mas como 
texto, e os que para aqui vieram ou os que sobre aqui 
escreveram não cessam de conferir a exatidão dos 
antigos textos e o que aqui se encontra. 
 
CHAUÍ, M. apud FRANZ, T. S. Educação para uma compreensão 
crítica da arte. Florianópolis: Letras Contemporâneas 
Oficina Editorial, 2003, p. 95. 
 
 
 
 MUSEUS CASTRO MAIA 
 
DEBRET, J. B. Tribo Guaicuru em busca de novas pastagens, 1834-1839. 
 
Com base no texto e na imagem, é correto afirmar: 
I. O olhar do viajante europeu é contaminado pelo 
imaginário construído a partir de textos da 
Antiguidade e por relatos produzidosno contexto 
cultural europeu. 
 
II. Os artistas viajantes produziram imagens 
precisas e detalhadas que apresentam com 
exatidão a realidade geográfica do Brasil. 
 
III. Nas representações feitas por artistas 
estrangeiros coexistem elementos simbólicos e 
mitológicos oriundos do imaginário europeu e 
elementos advindos da observação da natureza 
e das coisas que o artista tinha diante de seus 
olhos. 
 
IV. A imagem de Debret registra uma cena cotidiana 
e revela a capacidade do artista em documentar 
os costumes e a realidade do indígena brasileiro. 
 
Assinale a alternativa que contém todas as afirmativas 
corretas. 
 
(A) I e II. (C) II e IV. (E) II, III e IV. 
(B) I e III. (D) I, III e IV. 
 
.6. (INEP-MEC) 
 
 [...] Certa ocasião ouvimos, quase à meia-noite, gritos 
de mulher [...] acudimos imediatamente e verificamos que 
se tratava apenas de uma mulher em hora do parto. O 
pai recebeu a criança nos braços, depois de cortar com 
os dentes o cordão umbilical e amarrá-lo. Em seguida, 
continuando no seu ofício de parteiro, enxugou com o 
polegar o nariz do filho, como é de praxe entre os 
selvagens do país. Note-se que nossas parteiras, ao 
contrário, apertam o nariz aos recém-nascidos para dar 
maior beleza, afilando-o. 
 
LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil, 1578. In: AMADO, 
Janaína; GARClAS, Leônidas Franco. Navegar é 
preciso – descobrimentos marítimos europeus. 
São Paulo: Atual, 1989, p. 46-7. 
 
A descrição do viajante francês no final do século XVI 
sobre os habitantes nativos das terras portuguesas na 
América nos possibilita identificar no texto: 
 
(A) a absorção das práticas médicas das populações 
nativas pelos europeus. 
(B) a violência do colonizador em relação às práticas 
higienizadoras dos nativos considerados bárbaros. 
(C) o choque do europeu em relação às práticas 
indígenas, denotando o confronto entre as duas 
culturas. 
(D) a aceitação do método adotado pelos indígenas, no 
parto, considerado superior à prática médica 
europeia. 
(E) a surpresa das populações nativas diante do espanto 
dos europeus em relação às práticas de pajelança. 
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.7. (PSC/UFAM-AM) 
 
Caracterizam a literatura dos viajantes as afirmativas 
abaixo, exceto: 
 
(A) Os escritos dos viajantes refletem a visão, os 
conceitos e os interesses dos europeus em relação 
às terras do além-mar. 
(B) Observa-se a necessidade de informar a Coroa 
portuguesa sobre as potencialidades econômicas da 
nova terra. 
(C) O conjunto do registro dos viajantes tem, sobretudo, 
valor documental e histórico. 
(D) As crônicas dos viajantes surgiram como o 
desdobramento de um processo de mudanças 
estruturais na Europa. 
(E) Havia, por parte dos cronistas, uma preocupação 
estética, um apuro literário formal. 
 
.8. (INEP-MEC) 
 
 José de Anchieta, o “Apóstolo do Brasil”, trouxe em 
sua bagagem, vindo das Canárias, onde nasceu, mais do 
que seu pendor poético. Vinha ele com mais meia dúzia 
de bravos com a espantosa missão de converter e 
educar os índios, que a seus olhos e dos outros, a 
princípio, não reconheciam qualquer cultura. 
 
DELACY, M. Introdução ao teatro. Petrópolis: Vozes, 2003. 
 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a prática 
de catequização de José de Anchieta, considere as 
afirmativas a seguir: 
 
I. Para catequizar, Anchieta valeu-se de sua 
criatividade, usando cocares coloridos, pintura 
corporal e outros adereços que os indígenas lhe 
mostravam. 
 
II. Com a missão de levar Jesus àqueles “bugres e 
incultos”, Anchieta se afastou de suas próprias 
crenças convertendo-se à religião daquele povo. 
 
III. Com a finalidade de catequizar, Anchieta 
começou a escrever autos, baseados nos autos 
medievais, nas obras de Gil Vicente e em 
encenações espanholas. 
 
IV. Para implantar a fé como lhe foi ordenado, 
Anchieta representava os autos na língua pátria 
de Portugal. 
 
Estão corretas apenas as afirmativas: 
 
(A) I e III. 
(B) I e IV. 
(C) II e IV. 
(D) I, II e III. 
(E) II, III e IV. 
.9. (INEP-MEC) 
 
 Esta gentilidade nenhuma cousa adora, nem conhece 
a Deus; somente aos trovões chama TUPANE, que é 
como quem diz “cousa divina”. E assim nós não temos 
outro vocábulo mais conveniente para os trazer ao 
conhecimento de Deus, que chamar-lhe PAI TUPANE. 
 
(Manuel da Nóbrega) 
 
No texto, 
 
(A) o missionário apresenta as razões de sua 
condenação às atitudes profanas entre os gentios, 
que busca catequizar. 
(B) explicita-se a predominância da função fática, pois o 
emissor tematiza a busca da melhor palavra para 
designar a divindade. 
(C) o emissor nega o sentimento de veneração entre os 
gentios, mas se apropria de uma manifestação 
linguística deles por reconhecer nela traços de 
sacralidade. 
(D) o autor revela sua estratégia de missionário: tenta 
influenciar a prática religiosa dos nativos pelo 
descrédito que passa a atribuir à palavra Tupane. 
(E) o religioso informa sobre as práticas dos nativos e 
defende a urgência de a metrópole adotar medidas 
para a alfabetização dos gentios. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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*MÓDULO 3* 
 
Gêneros textuais – Conceito e organização 
 
Um para cada ocasião 
 
 Os gêneros textuais são praticamente infinitos. 
Escolhemos qual deles usar conforme o momento, a 
situação e a intenção da comunicação. 
 Você sabia que, ao ler o horóscopo do jornal ou 
escrever um scrap (recado) para algum amigono site de 
relacionamentos Orkut, você está exercendo sua 
capacidade de compreender e aplicar diferentes formas 
de expressão textual? Sem perceber, você transita de um 
gênero de texto para outro o tempo inteiro. Usamos a 
expressão gênero textual como uma noção 
propositalmente vaga para nos referir aos textos 
materializados que encontramos em nossa vida diária e 
que apresentam características sociocomunicativas 
definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e 
composição característica. 
 Observe o texto reproduzido abaixo. Sobre ele, você 
diria que se trata de um anúncio, parte de uma 
campanha publicitária cujo objetivo é estimular os 
estabelecimentos de saúde a notificarem casos de 
violência contra crianças, mulheres e idosos. Ele é um 
exemplo de que, para nos comunicarmos, utilizamos 
determinados gêneros textuais, de acordo com a 
intenção comunicativa, o momento e a situação em que 
ocorre essa comunicação. Temos, assim, uma forma- 
-padrão de estruturação do texto. No dia a dia, 
reconhecemos e utilizamos cada um desses padrões e 
estruturações, sem pensar em sua existência teórica. O 
ENEM, e também diversos vestibulares, avalia com 
frequência a capacidade do estudante de reconhecer os 
gêneros de texto. Dessa forma, vamos listar aqui alguns 
gêneros presentes em nosso cotidiano. 
 
 
 
 
 O texto 
publicitário 
costuma se 
estruturar em 
frases curtas e 
em ordem direta. 
Também faz uso 
de elementos 
não verbais para 
reforçar sua 
mensagem – 
como a imagem 
utilizada no 
anúncio ao lado 
 
 
 
 
 
 
 
 SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE/SP 
 Histórias em quadrinhos: utilizam, geralmente, um 
tipo de discurso direto que é apresentado dentro de 
balõezinhos. Sua principal característica é o uso da 
linguagem verbal (palavras) e da não verbal 
(ilustração). 
 
 Charge: faz uso de linguagem não verbal (caricatura) 
e, na maioria das vezes, também da verbal. Costuma 
satirizar algum fato em evidência com uma ou mais 
personagens envolvidas. 
 
 Classificado: gênero de texto vinculado ao universo 
jornalístico, em que indivíduos ou empresas 
oferecem um produto ou um serviço. É escrito de 
forma breve e concisa, apresentando alguns 
elementos básicos do produto ou serviço que 
possam interessar ao leitor. 
 
 Esses são apenas alguns exemplos de gêneros de 
texto. Nos estudos da literatura, temos, por exemplo, 
crônicas, contos, prosa etc. Os gêneros textuais 
englobam esses e todos os textos produzidos por 
usuários de uma língua. Assim, ao lado da crônica, do 
conto, vamos também identificar a carta pessoal, a 
conversa telefônica, o e-mail. São muitos os gêneros de 
texto que circulam por aí. São as situações que definem 
qual utilizar. É importante frisar que o conceito de texto 
não se limita à linguagem verbal, ou seja, às palavras. O 
texto pode ter várias dimensões, como o texto 
cinematográfico, o teatral, o coreográfico (dança e 
música) ou o pictórico (pintura). Uma obra de arte ou 
uma ilustração, portanto, são formas de expressão 
textual, providas de significado. 
 Alguns exemplos de gêneros textuais que 
encontramos no dia a dia: telefonema, sermão, carta 
comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem 
jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, 
notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de 
remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, 
instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, 
edital de concurso, piada, conversação espontânea, 
conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, 
aulas virtuais, e assim por diante. 
 
Conteúdo, estrutura e estilo 
 
Como se organizam os gêneros textuais 
 
 Não importa qual o gênero, todo texto pode ser 
analisado sob três características: 
 
 O conteúdo temático: refere-se aos traços que 
marcam a função social do gênero nas situações de 
uso. É o que define para que ele serve, quem são 
seus destinatários preferenciais, seu tipo de 
conteúdo básico. 
 
 A construção composicional (ou estrutura): é como o 
gênero se estrutura, como é seu acabamento. Na 
estrutura, indicam-se como são as bases, os 
alicerces que sustentam o gênero em questão. 
 
 O estilo: são as marcas Iinguísticas próprias do 
gênero. Alguns usos sintáticos, escolhas lexicais 
mais comuns no uso do gênero dado. 
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 A seguir está reproduzida uma página da revista Veja com resenhas. Vamos analisar a resenha de acordo com suas 
características como gênero textual: 
 
 
 
Fonte: Veja, 18/4/2012, p. 164. 
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1. Conteúdo temático: 
 Constrói-se baseada em outra obra. 
 Sintetiza informações consideradas relevantes 
dentro da obra resenhada. 
 É uma análise dos principais pontos (ideias ou 
acontecimentos) da obra resenhada. 
 Há um posicionamento crítico diante da obra ou de 
um tema relacionado, baseado em critérios como: 
composição interna (coerência e consistência de 
suas ideias), relevância (ou não) dentro do universo 
de referências em que se insere etc. 
 
2. Estrutura: 
 Apresenta dados da obra resenhada em forma de 
ficha técnica. 
 Não há, normalmente, uma tese definida. 
 Há informações extraídas da obra resenhada (ou de 
outras obras semelhantes) e comentários analíticos 
sobre ela, baseados em exemplificação, 
contextualização histórica, importância do autor ou 
da obra em seu universo de referências etc. 
 
3. Estilo: 
 Uso preferencial da terceira pessoa. 
 Uso preferencial de orações em ordem direta. 
 Uso preferencial de períodos e parágrafos curtos. 
 
 Abordar criticamente um textoconsiste em opinar 
sobre ele, apresentando problemas e qualidades que o 
autor da resenha julga importante destacar para o leitor. 
Portanto, a abordagem crítica não significa, 
necessariamente, um levantamento dos problemas 
detectados no objeto do texto. Pode constituir-se também 
no destaque de certas qualidades. Em resumo: a 
resenha é a apresentação de um texto resultante da 
apreciação crítica por parte do autor. 
 
 
Tipos de texto 
 
Atenção: não confunda gêneros textuais com tipos de 
texto. Os gêneros textuais são organizados com base 
em vários tipos de texto (descrição, narração, 
dissertação, exposição, injunção — que serão 
detalhados ao longo do curso). Assim, um tipo textual 
pode aparecer em qualquer gênero textual, da mesma 
forma que um único gênero pode conter mais de um 
tipo textual. Uma carta, por exemplo, pode ter 
passagens narrativas e descritivas. Outro exemplo: 
um conto de fadas e uma piada são gêneros textuais 
diferentes, mas ambos são textos narrativos. 
 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
Textos para as questões de 1 a 3. 
 
Entre a vitória e a crise 
 
Barack Obama, o primeiro presidente negro dos 
Estados Unidos, assumiu prometendo mudanças 
e herdou o maior déficit fiscal em seis décadas 
 
 No início de janeiro de 2009, poucas semanas antes 
de assumir o posto de presidente dos Estados Unidos, 
Barack Obama, filho de um queniano negro e de uma 
norte-americana branca, falou ao comando editorial do 
jornal The Washington Post sobre o significado de os 
Estados Unidos terem seu primeiro presidente negro: “Há 
uma geração inteira que vai crescer achando normal que 
o posto mais elevado do planeta seja ocupado por um 
afro-americano”, declarou. “É algo radical. Muda como as 
crianças negras olham para elas mesmas e muda 
também como as crianças brancas olham para as 
crianças negras. E eu não subestimaria a força disso.” 
 A véspera da posse, 20 de janeiro, foi marcada por 
eventos do chamado Dia de Martin Luther King (1929- 
-1968), feriado nacional que homenageia o ativista 
político que se tornou um ícone da luta pelos direitos civis 
de negros e mulheres. “Amanhã [referindo-se ao dia da 
posse], vamos nos unir como uma só pessoa no mesmo 
local em que o sonho de Dr. King ainda ecoa”, disse 
Obama, numa alusão ao discurso “Eu Tenho um Sonho”, 
sobre o desejo de coexistência harmoniosa entre brancos 
e negros, feito por Luther King em Washington, em 1963. 
 Sonhos à parte, Obama assumiu a Casa Branca como 
o presidente em um momento em que o país registra a 
maior dívida em sua história recente. Herdou um rombo 
orçamentário estimado em 1,2 trilhão de dólares para 
2009, o maior desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A 
carranca da crise surge, inevitavelmente, por trás do 
clima festivo. 
 Os sinais de desequilíbrio não param de aparecer. 
Pouco antes da posse, a crise projetou-se sobre o 
Citigroup e o Bank of America, o maior banco americano, 
que pediu ao governo um socorro financeiro de 20 
bilhões de dólares. “As dificuldades de Obama são muito 
mais profundas e mais globais”, escreveu o colunista 
Martin Wolf, em artigo no jornal inglês Financial Times 
que teve repercussão entre economistas. 
 Como primeiro negro a presidir os Estados Unidos, a 
posse de Obama é o coroamento de uma jornada 
histórica. A dúvida é saber se seu governo marcará uma 
nova era, aprumando os EUA para manterem seu status 
de potência dominante do século 21, ou se será o 
começo do fim de uma supremacia que moldou o planeta 
tal como conhecemos hoje. 
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Carta de leitor 
 
Obama terá grandes desafios pela frente, ainda mais 
com a herança que Bush deixou. Chama a atenção 
dos americanos ao ser sincero quanto às dificuldades 
que seu governo enfrentará. Agora, só nos resta 
esperar os impactos da nova hegemonia ou da queda 
americana. 
 
Lígia Paiva, Araguari, MG. 
 
 
Veja, 28/1/2009. 
 
 
 
O Estado de S. Paulo, 31/1/2009. 
 
.1. (AED-SP) 
 
Embora tratem do mesmo tema, a reportagem, a carta de 
leitor e a charge acima representam diferentes gêneros 
de texto. Com base na leitura dos textos, indique, para 
cada gênero representado, uma característica que 
permita diferenciá-lo dos demais. 
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.2. (AED-SP) 
 
Em uma sociedade letrada como a nossa, são 
construídos textos diversos que variam de acordo com as 
necessidades cotidianas de comunicação. Assim, para 
utilizar-se de algum gênero textual, é preciso que 
conheçamos seus elementos. Tendo em mente a carta 
de leitor apresentada, pode-se afirmar que ela é um 
gênero textual que 
 
(A) apresenta sua estrutura por parágrafos, organizados 
pela tipologia da ordem da injunção (comando) e 
estilo de linguagem com alto grau de formalidade. 
(B) se inscreve em uma categoria cujo objetivo é o de 
descrever os assuntos e temas que circularam nos 
jornais e revistas do país semanalmente. 
(C) se organiza por uma estrutura bastante flexível, em 
que o locutor encaminha a ampliação dos temas 
tratados para o veículo de comunicação. 
(D) se organiza em torno de um tema, de um estilo e em 
forma de paragrafação, representando, em conjunto, 
as ideias e opiniões de locutores que interagem 
diretamente com o veículo de comunicação. 
(E) se constitui por um estilo caracterizado pelo uso da 
variedade não padrão da língua e tema construído 
por fatos políticos. 
 
.3. (AED-SP) 
 
Observando a charge, é possível afirmar que seu autor 
 
(A) demonstrou conhecimento insuficiente de fatos ou 
personagens relevantes na história recente dos 
Estados Unidos. 
(B) expressou graficamentesua visão sobre o novo 
contexto político e econômico norte-americano por 
meio do humor e da sátira. 
(C) optou por um gênero textual caracterizado pelo 
caráter burlesco e pela total carência de conteúdo 
crítico. 
(D) priorizou a qualidade da ilustração e o aspecto 
estético, deixando a criticidade e a abordagem de 
temas em evidência em segundo plano. 
(E) usou um dos personagens retratados para revelar 
sua crença na solidez da atual conjuntura econômica 
norte-americana. 
 
Textos para as questões de 4 a 6. 
 
Instruções dos medicamentos devem 
facilitar a leitura e a compreensão 
 
 Em setembro de 2009, a Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou que todos os 
laboratórios passassem a fornecer bulas de remédio com 
letras maiores do que o tamanho atual nas caixas dos 
medicamentos. O objetivo da resolução foi facilitar a 
leitura pelos pacientes e obrigar as empresas a dar 
informações mais claras sobre quantidade, 
características, composição e apresentação dos 
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medicamentos. Segundo as novas orientações, a bula do 
paciente deve ser organizada em formato de perguntas e 
respostas às principais dúvidas sobre o remédio, como 
as indicações e contraindicações. A seguir, um modelo 
do novo tipo de bula: 
 
 
Medicamento Anvisa® . 
Paracetamol . 
 
APRESENTAÇÕES 
Comprimidos revestidos de: 
- 500 mg em embalagem com 20 ou 200 comprimidos 
- 750 mg em embalagens de 20 ou 200 comprimidos 
 
USO ORAL 
USO ADULTO ACIMA DE 12 ANOS 
 
COMPOSIÇÃO 
Medicamento Anvisa® 500 mg 
Cada comprimido revestido contém 500 mg de 
paracetamol 
Excipientes: ácido esteárico, amido pré-gelatinizado, 
hipromelose, macrogol e providona 
 
1. PARA QUE ESTE MEDICAMENTO É INDICADO? 
Medicamento Anvisa® é indicado para o tratamento de 
febre e de dores leves a moderadas, de adultos, tais 
como dores associadas a gripes e resfriados comuns, 
dor de cabeça, dor de dente, dor nas costas, dores 
associadas a artrites e cólicas menstruais. 
 
2. COMO ESTE MEDICAMENTO FUNCIONA? 
Medicamento Anvisa® reduz a febre atuando no centro 
regulador da temperatura do Sistema Nervoso Central 
(SNC) e diminui a sensibilidade para a dor. Seu efeito 
tem início 15 a 30 minutos após a administração oral e 
permanece por um período de 4 a 6 horas. 
 
 
Disponível em: http://www.portal.anvisa.gov.br. 
Acesso em: 30/6/2010. 
 
.4. (AED-SP) 
 
No exemplo apresentado, o texto caracterizado como 
gênero bula de remédio é construído com base em 
 
(A) fatos e dados narrativos sobre medicamentos. 
(B) teses defendidas pelo produtor da bula acerca do 
uso de medicamentos. 
(C) procedimentos relativos ao uso de medicamentos. 
(D) crítica sobre o uso de medicamentos. 
(E) relatos de especialistas sobre as reações acerca do 
uso de medicamentos. 
 
.5. (AED-SP) 
 
Assinale, entre as alternativas a seguir, aquela que não 
apresenta características do gênero de texto em questão. 
 
(A) Prescrições ao usuário. 
(B) Descrição das características do produto. 
(C) Informações sobre a composição do produto. 
(D) Indicações e contraindicações do produto. 
(E) Narrações e depoimentos sobre o uso do produto. 
.6. (AED-SP) 
 
Com base nas novas orientações da Anvisa para a 
formulação das bulas de remédio, pode-se dizer que 
 
(A) somente as pessoas que possuem vasto 
conhecimento de termos técnicos conseguirão 
compreender as informações presentes nesse 
gênero de texto. 
(B) as dificuldades para ler a bula do remédio receitado 
pelo médico podem diminuir sensivelmente. 
(C) a bula de remédio sempre foi um gênero de texto 
conhecido por ser de fácil leitura e compreensão 
para todos os leitores, tanto no âmbito linguístico, 
quanto no material e no de conteúdo. 
(D) as informações, que antes eram expostas de forma 
clara neste gênero de texto, serão fornecidas de 
forma mais confusa e menos compreensível. 
(E) todas as alternativas anteriores estão corretas. 
 
.7. (ENEM-MEC) 
 
 Diferentemente do texto escrito, que em geral 
compele os leitores a lerem numa onda linear — da 
esquerda para a direita e de cima para baixo, na página 
impressa —, hipertextos encorajam os leitores a 
moverem-se de um bloco de texto a outro, rapidamente e 
não sequencialmente. Considerando que o hipertexto 
oferece uma multiplicidade de caminhos a seguir, 
podendo ainda o leitor incorporar seus caminhos e suas 
decisões como novos caminhos, inserindo informações 
novas, o leitor-navegador passa a ter um papel mais 
ativo e uma oportunidade diferente da de um leitor de 
texto impresso. Dificilmente dois leitores de hipertextos 
farão os mesmos caminhos e tomarão as mesmas 
decisões. 
 
MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas 
interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. 
 
No que diz respeito à relação entre o hipertexto e o 
conhecimento por ele produzido, o texto apresentado 
deixa claro que o hipertexto muda a noção tradicional de 
autoria, porque 
 
(A) é o leitor que constrói a versão final do texto. 
(B) o autor detém o controle absoluto do que escreve. 
(C) aclara os limites entre o leitor e o autor. 
(D) propicia um evento textual-interativo em que apenas 
o autor é ativo. 
(E) só o autor conhece o que eletronicamente se dispõe 
para o leitor. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
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.8. (ENEM-MEC) 
 
La Vie en Rose 
 
 
 
 
 
ITURRUSGARAI, A. La Vie en Rose. Folha de S. Paulo, 11/8/2007. 
 
Os quadrinhosexemplificam que as Histórias em 
Quadrinhos constituem um gênero textual 
 
(A) em que a imagem pouco contribui para facilitar a 
interpretação da mensagem contida no texto, como 
pode ser constatado no primeiro quadrinho. 
(B) cuja linguagem se caracteriza por ser rápida e clara, 
que facilita a compreensão, como se percebe na fala 
do segundo quadrinho: “</DIV> </SPAN> <BR 
CLEAR = ALL> < BR> <BR> <SCRIPT>”. 
(C) em que o uso de letras com espessuras diversas 
está ligado a sentimentos expressos pelos 
personagens, como pode ser percebido no último 
quadrinho. 
(D) que possui em seu texto escrito características 
próximas a uma conversação face a face, como pode 
ser percebido no segundo quadrinho. 
(E) em que a localização casual dos balões nos 
quadrinhos expressa com clareza a sucessão 
cronológica da história, como pode ser percebido no 
segundo quadrinho. 
 
.9. (ENEM-MEC) 
 
 Em Touro Indomável, que a cinemateca lança nesta 
semana nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a 
dor maior e a violência verdadeira vêm dos demônios de 
La Motta — que fizeram dele tanto um astro no ringue 
como um homem fadado à destruição. Dirigida como um 
senso vertiginoso do destino de seu personagem, essa 
obra-prima de Martin Scorcese é daqueles filmes que 
falam à perfeição de seu tema (o boxe) para então 
transcendê-lo e tratar do que importa: aquilo que faz dos 
seres humanos apenas isso mesmo, humanos e 
tremendamente imperfeitos. 
 
Veja, 18/2/2009 (adaptado). 
Ao escolher este gênero textual, o produtor do texto 
objetivou 
 
(A) construir uma apreciação irônica do filme. 
(B) evidenciar argumentos contrários ao filme de 
Scorcese. 
(C) elaborar uma narrativa com descrição de tipos 
literários. 
(D) apresentar ao leitor um painel da obra e se 
posicionar criticamente. 
(E) afirmar que o filme transcende o seu objetivo inicial 
e, por isso, perde sua qualidade. 
 
.10. (ENEM-MEC) 
 
 
 
Disponível em: http://www.uol.com.br. Acesso em: 10/5/2009. 
 
 Observe a charge, que satiriza o comportamento dos 
participantes de uma entrevista coletiva por causa do que 
fazem, do que falam e do ambiente em que se 
encontram. 
 
Considerando-se os elementos da charge, conclui-se que 
ela 
 
(A) defende, em teoria, o desmatamento. 
(B) valoriza a transparência pública. 
(C) destaca a atuação dos ambientalistas. 
(D) ironiza o comportamento da imprensa. 
(E) critica a ineficácia das políticas. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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.11. (ENEM-MEC) 
 
 
 
Disponível em: http://www.heliorubiales.zip.net. Acesso em: 7/5/2009. 
 
A figura é uma adaptação da bandeira nacional. O uso 
dessa imagem no anúncio tem como principal objetivo 
 
(A) mostrar à população que a Mata Atlântica é mais 
importante para o país do que a ordem e o 
progresso. 
(B) criticar a estética da bandeira nacional, que não 
reflete com exatidão a essência do país que 
representa. 
(C) informar à população sobre a alteração que a 
bandeira oficial do país sofrerá. 
(D) alertar a população para o desmatamento da Mata 
Atlântica e fazer um apelo para que as derrubadas 
acabem. 
(E) incentivar as campanhas ambientalistas e ecológicas 
em defesa da Amazônia. 
 
.12. (ENEM-MEC) 
 
 Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço 
esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o 
passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. 
Por ela escorregando, sentou-se na calçada, ainda úmida 
da chuva, e descansou na pedra o cachimbo. 
 Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se 
não se sentia bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, 
não se ouviu resposta. O senhor gordo, de branco, 
sugeriu que devia sofrer de ataque. 
 
TREVISAN, D. Uma vela para Dario. Cemitério de Elefantes. 
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964 (adaptado). 
 
No texto, um acontecimento é narrado em linguagem 
literária. Esse mesmo fato, se relatado em versão 
jornalística, com características de notícia, seria 
identificado em: 
 
(A) Aí, amigão, fui diminuindo o passo e tentei me apoiar 
no guarda-chuva... mas não deu. Encostei na parede 
e fui escorregando. Foi mal, cara! Perdi os sentidos 
ali mesmo. Um povo que passava falou comigo e 
tentou me socorrer. E eu, ali, estatelado, sem 
conseguir falar nada! Cruzes! Que mal! 
 
(B) O representante comercial Dario Ferreira, 43 anos, 
não resistiu e caiu na calçada da Rua da Abolição, 
quase esquina com a Padre Vieira, no centro da 
cidade, ontem por volta do meio-dia. O homem ainda 
tentou apoiar-se no guarda-chuva que trazia, mas 
não conseguiu. Aos populares que tentaram socorrê-
-lo não conseguiu dar qualquer informação. 
 
(C) Eu logo vi que podia se tratar de um ataque. Eu 
vinha logo atrás. O homem, todo aprumado, de 
guarda-chuva no braço e cachimbo na boca, dobrou 
a esquina e foi diminuindo o passo até se sentar no 
chão da calçada. Algumas pessoas que passavam 
pararam para ajudar, mas ele nem conseguia falar. 
 
(D) Vítima 
Idade: entre 40 e 45 anos 
Sexo: masculino 
Cor: branca 
Ocorrência: Encontrado desacordado na Rua da 
Abolição, quase esquina com Padre Vieira. 
Ambulância chamada às 12*h*34*min por homem 
desconhecido. A caminho. 
 
(E) Pronto socorro? Por favor, tem um homem caído na 
calçada da rua da Abolição, quase esquina com a 
Padre Vieira. Ele parece desmaiado. Tem um grupo 
de pessoas em volta dele. Mas parece que ninguém 
aqui pode ajudar. Ele precisa de uma ambulância 
rápido. Por favor, venham logo! 
 
.13. (ENEM-MEC) 
 
S.O.S Português 
 
 Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito 
diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto 
da língua com base em duas perspectivas. Na primeira 
delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o 
ensino da língua ao código. Daí vem o entendimento de 
que a escrita é mais complexa que a fala, e seu ensino 
restringe-se ao conhecimento das regras gramaticais, 
sem a preocupação com situações de uso. Outra 
abordagem permite encarar as diferenças como um 
produto distinto de duas modalidades da língua: a oral e 
a escrita. A questão é que nem sempre nos damos conta 
disso. 
 
S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano 
XXV, n.° 231, abr. 2010 (fragmento adaptado). 
 
O assunto tratado no fragmento é relativo à língua 
portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a 
professores. Entre as características próprias desse tipo 
de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias 
do uso 
 
(A) regional, pelapresença de léxico de determinada 
região do Brasil. 
(B) literário, pela conformidade com as normas da 
gramática. 
(C) técnico, por meio de expressões próprias de textos 
científicos. 
(D) coloquial, por meio do registro de informalidade. 
(E) oral, por meio do uso de expressões típicas da 
oralidade. 
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.14. (ENEM-MEC) 
 
No capricho 
 
 O Adãozinho, meu cumpade, enquanto esperava pelo 
delegado, olhava para um quadro, a pintura de uma 
senhora. Ao entrar a autoridade e percebendo que o 
cabôco admirava tal figura, perguntou: “Que tal? Gosta 
desse quadro?” 
 E o Adãozinho, com toda a sinceridade que Deus dá 
ao cabôco da roça: “Mais pelo amor de Deus, hein, dotô! 
Que muié feia! Parece fiote de cruis-credo, parente do 
deus-me-livre, mais horríver que briga de cego no 
escuro.” 
 Ao que o delegado não teve como deixar de 
confessar, um pouco secamente: “É a minha mãe.” E o 
cabôco, em cima da bucha, não perde a linha: “Mais 
dotô, inté que é uma feiura caprichada.” 
 
BOLDRIN, R. Almanaque Brasil de Cultura Popular. São Paulo: 
Andreato Comunicação e Cultura, n.º 62, 2004 (adaptado). 
 
Por suas características formais, por sua função e uso, o 
texto pertence ao gênero 
 
(A) anedota, pelo enredo e humor característicos. 
(B) crônica, pela abordagem literária de fatos do 
cotidiano. 
(C) depoimento, pela apresentação de experiências 
pessoais. 
(D) relato, pela descrição minuciosa de fatos verídicos. 
(E) reportagem, pelo registro impessoal de situações 
reais. 
 
.15. (ENEM-MEC) 
 
 
 
Disponível em: http://www.ccsp.com.br. Acesso em: 27/7/2010 (adaptado). 
 
O texto é uma propaganda de um adoçante que tem o 
seguinte mote: “Mude sua embalagem”. A estratégia que 
o autor utiliza para o convencimento do leitor baseia-se 
no emprego de recursos expressivos, verbais e não 
verbais, com vistas a 
(A) ridicularizar a forma física do possível cliente do 
produto anunciado, aconselhando-o a uma busca de 
mudanças estéticas. 
(B) enfatizar a tendência da sociedade contemporânea 
de buscar hábitos alimentares saudáveis, reforçando 
tal postura. 
(C) criticar o consumo excessivo de produtos 
industrializados por parte da população, propondo a 
redução desse consumo. 
(D) associar o vocábulo “açúcar” à imagem do corpo fora 
de forma, sugerindo a substituição desse produto 
pelo adoçante. 
(E) relacionar a imagem do saco de açúcar a um corpo 
humano que não desenvolve atividades físicas, 
incentivando a prática esportiva. 
 
.16. (ENEM-MEC) 
 
Prima Julieta 
 
 Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a 
feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda 
garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela 
uns trinta ou trinta e dois anos de idade. 
 Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma 
deusa, diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta 
caminhava em ritmo lento, agitando a cabeça para trás, 
remando os belos braços brancos. A cabeleira loura 
incluía reflexos metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de 
um verde azulado borboleteavam. A voz rouca e ácida, 
em dois planos: voz de pessoa da alta sociedade. 
 
MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968. 
 
Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o 
modo como se organiza a própria composição textual, 
tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar, 
descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho, 
reconhece-se uma sequência textual 
 
(A) explicativa, em que se expõem informações objetivas 
referentes à prima Julieta. 
(B) instrucional, em que se ensina o comportamento 
feminino, inspirado em prima Julieta. 
(C) narrativa, em que se contam fatos que, no decorrer 
do tempo, envolvem prima Julieta. 
(D) descritiva, em que se constrói a imagem de prima 
Julieta a partir do que os sentidos do enunciador 
captam. 
(E) argumentativa, em que se defende a opinião do 
enunciador sobre prima Julieta, buscando-se a 
adesão do leitor a essas ideias. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
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Literatura brasileira 
 
Barroco (1601-1768) 
 
Marco inicial 
 
 Publicação do poema Prosopopeia, de Bento Teixeira. 
 
Panorama histórico 
 
 O Barroco brasileiro coincide, historicamente, com a 
época da colonização e absorve as influências do ideal 
do colono português. Em termos sociais, temos como 
centros dessa cultura a Bahia e Pernambuco. 
 Não podemos falar de período barroco sem falar de 
uma cultura gerada por essa fase, resultado de uma 
tentativa angustiada de conciliar ideias opostas: o 
teocentrismo medieval e o antropocentrismo clássico. O 
Barroco, de certo modo, já vinha se manifestando no final 
do Renascimento, época em que se iniciam os conflitos. 
Além do padre Antônio Vieira, prosador português, 
devemos citar a poesia do baiano Gregório de Matos. 
 
 
 
 MUSEUS ESTATAIS DE BERLIM 
 
 Amor Victorius, Michelangelo Caravaggio, 1602-03. Óleo sobre tela, 
156 x 113 cm 
 
Características barrocas 
 
 Dualismo: trata-se de uma atitude que designa o 
culto do contraste tão tipicamente barroco. Assim, o 
homem sempre estava entre dois aspectos: o 
racionalismo mundano e o espiritual teocêntrico. 
Essas posturas antagônicas em geral se relacionam 
metaforicamente nos textos: o claro e o escuro; o 
belo e o feio; o prazer e o sofrimento; o quente e o 
frio. 
 
 Fusionismo: na arte barroca, o artista não se limita a 
expor os contrários, porém quer fundi-los, conciliá- 
-los, integrá-los, através de uma linguagem 
profundamente metafórica. 
 
 Feísmo: trata-se deuma preferência pelos aspectos 
cruéis, dolorosos e sangrentos, pelo “belo horrendo”, 
pelo espetáculo trágico, deformando as imagens pelo 
exagero, a resvalar pelo grotesco. 
 
 Pessimismo: vivendo na órbita do medo e da dúvida, 
o Barroco manifesta-se por uma visão desencantada 
do mundo. A morte é uma constante preocupação, 
ao lado da consciência da fugacidade do tempo e da 
incerteza e inconstância da vida. 
 
 Atitude lúdica: o termo “lúdica” deriva de “ludo”, que 
significa “jogo”. Portanto, podemos notar que a arte 
barroca nos proporciona um eterno jogo de 
contrastes, enredando-nos em verdadeiros labirintos 
sintáticos e semânticos que, muitas vezes, levam- 
-nos a um niilismo temático. 
 
 Cultismo: também conhecido como “gongorismo” ou 
“culteranismo”, designa um processo construtivo que 
excede nas utilizações das figuras de linguagem, 
causando um rebuscamento formal, uma excessiva 
ornamentação estilística ou um preciosismo. 
Normalmente, os textos cultistas são extravagantes, 
herméticos e, não raro, de gosto duvidoso. 
 
 Conceptismo: trata-se de um processo construtivo 
também conhecido como “quevedismo”, por causa 
do escritor espanhol Quevedo, e que resulta, 
finalmente, numa elaboração racional, numa retórica 
aprimorada, através de um jogo de conceitos. 
Quando analisamos um raciocínio, devemos 
perceber se ele foi estruturado em bases 
verdadeiras, um silogismo, ou se em bases falsas ou 
metafóricas, um sofisma. 
 
Principais autores e obras 
 
 Gregório de Matos (1633-1696) — I. Poesia Sacra; II. 
Poesia Lírica; III. Poesia Graciosa; IV e V. Poesia 
Satírica; VI. Poesia Última 
(Nada publicou em vida; a compilação de sua poesia, 
a partir de cópias manuscritas, realizou-se entre 
1923 e 1933, pela Academia Brasileira de Letras.) 
 
 Padre Antônio Vieira (1608-1697) — 500 Cartas; 200 
Sermões; História do Futuro; Esperanças de 
Portugal, Quinto Império do Mundo; Clavis 
Prophetarum (A Chave das Profecias) 
 
 Bento Teixeira (1560-1618) — Prosopopeia 
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 Fique ligado! Pesquise!  
 
 Assistir: ao filme Caravaggio, que trata da vida e da 
obra de um dos mais importantes pintores do Pré- 
-Barroco. 
 
 Pesquisar: sobre a obra de grandes artistas 
plásticos barrocos e pré-barrocos, como 
Caravaggio, Tintoretto, Giuseppe Arcimboldo, 
Georges de la Tour e Antoon Van Dyck; e também 
sobre o genial Antônio Francisco Lisboa, o 
Aleijadinho, arquiteto, pintor e escultor brasileiro, 
que deixou significativas obras no Barroco mineiro. 
 
 Ouvir: a música de Vivaldi, a maior celebridade da 
música barroca. 
 
 Ler: a obra Boca do Inferno, de Ana Miranda 
(Editora Companhia das Letras), que trata da vida 
do poeta baiano barroco Gregório de Matos e inclui 
também o padre Antônio Vieira. 
 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
.1. (FGV-RJ) 
 
Observe as afirmativas referentes ao Barroco: 
 
I. A poesia caracteriza-se pelo culto do contraste e 
consciência da efemeridade da vida. 
 
II. Percebe-se uma postura antitética entre o 
pensamento teocêntrico e o antropocêntrico. 
 
III. Tem em Gregório de Matos seu maior 
representante na literatura brasileira. 
 
Assinale a alternativa correta. 
 
(A) Apenas I e II são verdadeiras. 
(B) Apenas I e III são verdadeiras. 
(C) Apenas II e III são verdadeiras. 
(D) Todas são verdadeiras. 
(E) Nenhuma é verdadeira. 
 
.2. (INEP-MEC) 
 
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, 
Depois da Luz se segue a noite escura, 
Em tristes sombras morre a formosura, 
Em contínuas tristezas, a alegria. 
 
Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos, a 
principal característica do Barroco é: 
 
(A) culto da natureza. 
(B) a utilização de rimas alternadas. 
(C) a forte presença de antíteses. 
(D) culto do amor cortês. 
(E) uso de aliterações. 
.3. (UFPE/UFRPE) 
 
O estilo barroco — que nos séculos XVII e XVIII se 
destacou com a arte de Diogo Velázquez, Rubens, 
Caravaggio, entre outros — pode ser considerado como: 
 
(A) expressão do respeito aos princípios da arte clássica 
greco-romana. 
(B) imitação dos pintores renascentistas florentinos. 
(C) reflexo das concepções estéticas do Antigo Oriente. 
(D) consagração do racionalismo e cartesianismo na 
arte. 
(E) resultado de uma arte que desafiava os padrões 
clássicos. 
 
.4. (INEP-MEC) 
 
 
 
 MARISTELA DO VALLE / FOLHA IMAGEM 
 
ALEIJADINHO. Cristo do carregamento da Cruz. Enciclopédia Barsa, 1998. 
 
Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, 
Da vossa alta clemência me despido; 
Porque quanto mais tenho delinquido, 
Vos tenho a perdoar mais empenhado. 
 
Obras poéticas de Gregório de Matos. 
Rio de Janeiro: Record: 1990. 
 
Durante o período colonial brasileiro, as principais 
manifestações artísticas, populares ou eruditas foram, 
assim como nos demais aspectos da vida cotidiana, 
marcadas pela influência da religiosidade. Nesse sentido, 
com base na análise da presença da religiosidade na 
obra de Aleijadinho e Gregório de Matos, é correto 
afirmar: 
 
(A) Ambas são modelos da arte barroca, uma vez que se 
inspiram mais na temática cristã do que em 
elementos oriundos da mitologia greco-romana. 
(B) A presença da temática religiosa em ambos deve-se 
à influência protestante holandesa na região da 
Bahia e de Minas Gerais. 
(C) No trecho do poema, tem-se a expressão de um 
pecador que, embora creia em Deus, não tem 
certeza de que obterá o perdão divino. 
(D) A pobreza estética da obra de Aleijadinho e Matos 
deriva da censura promovida pela Santa Inquisição 
às obras artísticas no Brasil. 
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.5. (UFPA) 
 
Assinale a alternativa correta a respeito de Gregório de 
Matos ou do Barroco. 
 
(A) Gregório de Matos é considerado o autor mais 
importante do Barroco brasileiro por ter introduzido a 
estética no país e ter escrito poemas épicos, de 
herança camoniana, em louvor à pátria, traço do 
nativismo literário da época. 
(B) A crítica reconhece a obra lírica de Gregório de 
Matos como superior à satírica, porque, nela, o autor 
não trabalha com o jogo de palavras que instaura o 
erótico e às vezes até o licencioso. 
(C) Tematicamente, a poesia de Gregório de Matos 
trabalha a religião, o amor, os costumes e a reflexão 
moral, às vezes por meio de um jogo entre erotismo 
idealizado X sensualismo desenfreado; temor divino 
X desrespeito pelos encarregados dos cultos. 
(D) Conceptismo e cultismo são processos técnicos e 
expressivos do Barroco que dão simplicidade aos 
textos, principal objetivo da estética que repudiava os 
torneios na linguagem. 
(E) O Barroco se destaca como movimento literário 
único, uma vez que somente em sua estética 
encontramos o uso de sugestões de luz, cor e som, 
bem como o uso de metáforas, hipérboles, 
perífrases, antíteses e paradoxos. 
 
.6. (INEP-MEC) 
 
Leia atentamente o fragmento do sermão do padre 
Antônio Vieira: 
 
 A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é 
que comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, 
mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos 
comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os 
pequenos. Se fora pelo contrário era menos mal. Se os 
pequenos comeram os grandes, bastara um grande para 
muitos pequenos; mas como os grandes comem os 
pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um 
só grande [...]. Os homens, com suas más e perversas 
cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns 
aos outros. Tão alheia causa é não só da razão, mas da 
mesma natureza, que, sendo criados no mesmo 
elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos 
finalmente irmãos, vivais de vos comer. 
 
VIEIRA, Antônio. Obras completas do padre Antônio Vieira: 
sermões. Vol. III. Prefaciados e revistos pelo Pe. Gonçalo 
Alves. Porto: Lello & Irmão, 1993, p. 264-5. 
 
O texto de Vieira contém algumas características do 
Barroco. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela 
em que não se confirmam essas tendências estéticas. 
(A) A utilização da alegoria, da comparação, como 
recursos oratórios, visando à persuasão do ouvinte. 
(B) A tentativa de convencer o homem do século XVII, 
imbuído de práticas e sentimentos comuns ao 
semipaganismo renascentista, a retomar o caminho 
do espiritualismo medieval, privilegiando os valores 
cristãos. 
(C) A presença do discurso dramático, recorrendo ao 
princípio horaciano de “ensinar deleitando” — 
tendência didática e moralizante, comum à 
Contrarreforma. 
(D) O tratamento do tema principal — a denúncia à 
cobiça humana — através do conceptismo, ou jogo 
de ideias. 
(E) O culto do contraste, sugerindo a oposição bem X 
mal, em linguagem simples, concisa, direta e 
expressiva da intenção barroca de resgatar os 
valores greco-Iatinos. 
 
.7. (INEP-MEC) 
 
 O pregar há de ser como quem semeia, e não como 
quem ladrilha ou azuleja. Ordenado, mas como as 
estrelas. [...] Todas as estrelas estão por sua ordem; mas 
é ordem que faz influência, não é ordem que faça lavor. 
Não fez Deus o céu em xadrez de estrelas, como os 
pregadores fazem o sermão em xadrez de palavras. Se 
de uma parte há-de estar branco, da outra há-de estar 
negro; se de uma parte está dia, da outra há-de estar 
noite; se de uma parte dizem luz, da outra hão-de dizer 
sombra; se de uma parte dizem desceu, da outra hão-de 
dizer subiu. Basta que não havemos de ver num sermão 
duas palavras em paz? Todas hão-de estar sempre em 
fronteira com o seu contrário? Aprendamos do céu o 
estilo da disposição, e também o das palavras. 
 
VIEIRA, A. Sermão da Sexagésima. 
 
No texto, Vieira critica um certo estilo de fazer sermão, 
que era comum na arte de pregar dos padres 
dominicanos da época. O uso da palavra xadrez tem o 
objetivo de 
 
(A) defender a ordenação das ideias em um sermão. 
(B) fazer alusão metafórica a um certo tipo de tecido. 
(C) comparar o sermão de certos pregadores a uma 
verdadeira prisão. 
(D) mostrar que o xadrez se assemelha ao semear. 
(E) criticar a preocupação com a simetria do sermão. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
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*MÓDULO 4* 
 
A interpretação de textos 
 
As competências avaliadas pelo ENEM 
 
 Saber ler e interpretar um texto adequadamente é 
condição essencial para qualquer pessoa obter sucesso 
na vida pessoal e profissional. Nos exames oficiais, como 
o ENEM e o vestibular, a interpretação de textos vem 
ocupando boa parte da prova e cumprindo, por isso, um 
papel decisivo no ingresso à universidade. 
 
 
 
 FOLHA IMAGEM 
 
 Neste Módulo, você vai conhecer as competências 
(eixos cognitivos) que são avaliadas nas provas do 
ENEM e observar como elas são utilizadas nas questões 
de interpretação de textos. 
 
O que é o ENEM? 
 
 O ENEM é um exame oferecido anualmente a 
estudantes que estão cursando ou já concluíram o 
Ensino Médio. Criado em 1998, contou, em sua primeira 
versão, com a participação de 157 mil inscritos; hoje, 
cerca de 6 milhões de estudantes participam do exame 
anualmente. 
 Aos poucos, o ENEM ganhou projeção e 
reconhecimento nacional, principalmente porque a 
pontuação obtida pelos participantes passou a servir para 
o ingresso em várias universidades federais, estaduais e 
particulares ou passou a compor a nota final de alguns 
exames vestibulares. Além disso, a concessão de bolsas 
de estudo em universidades públicas ou em faculdades 
particulares está vinculada a resultados do ENEM. 
 
A avaliação no ENEM 
 
 As provas do ENEM não têm em vista avaliar se o 
aluno é capaz ou não de memorizar informações. Seu 
principal objetivo é avaliar se o aluno tem estruturas 
mentais desenvolvidas o suficiente para lhe possibilitar 
interpretar dados, pensar, tomar decisões adequadas, 
aplicar conhecimentos em situações concretas. E 
também se tem, na vida social, uma postura ética, 
cidadã. 
 Para aferir essas capacidades, o ENEM avalia cinco 
competências que, segundo os idealizadores do exame, 
são importantes não apenas para a resolução de 
questões, mas para toda a vida. Mas o que são 
competências? Eis a explicação de Philippe Perrenoud, 
especialista em educação:[Competência é a] capacidade de agir eficazmente em um 
determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, 
mas sem limitar-se a eles. 
 
Construir as competências desde a escola. 
Porto Alegre: Artmed, 1999, p. 7. 
 
 As cinco competências avaliadas pelo ENEM são 
estas: 
 
 
.1. 
 
 
DOMINAR LINGUAGENS (DL) 
 
Dominar a norma culta da língua portuguesa e fazer 
uso das linguagens matemática, artística e científica 
e das línguas espanhola e inglesa. 
 
 
.2. 
 
 
COMPREENDER FENÔMENOS (CF) 
 
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do 
conhecimento, para a compreensão de fenômenos 
naturais, de processos histórico-geográficos, da 
produção tecnológica e das manifestações 
artísticas. 
 
 
.3. 
 
 
ENFRENTAR SITUAÇÕES-PROBLEMA (SP) 
 
Selecionar, organizar, relacionar e interpretar dados 
e informações, representados de diferentes formas, 
para tomar decisões e enfrentar situações- 
-problema. 
 
 
.4. 
 
 
CONSTRUIR ARGUMENTAÇÃO (CA) 
 
Relacionar informações, representadas de 
diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em 
situações concretas, para construir argumentação 
consistente. 
 
 
.5. 
 
 
ELABORAR PROPOSTAS (EP) 
 
Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na 
escola, para elaboração de propostas de 
intervenção solidária na realidade, respeitando os 
valores humanos e considerando a diversidade 
sociocultural. 
 
 
< www.enem.inep.gov.br >. 
 
 Em maio de 2009, o MEC publicou o documento 
Matriz de Referência para o Enem 2009, reiterando as 
cinco competências gerais, mas chamando-as de eixos 
cognitivos. Divulgou também uma relação com as 
competências específicas de cada área a serem 
avaliadas no ENEM. Conheça o documento na íntegra 
acessando o site www.enem.inep.gov.br. 
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*********** ATIVIDADES *********** 
 
As questões a seguir foram extraídas de provas do 
ENEM. Depois de resolvê-las, indique as competências 
(eixos cognitivos) que estão sendo avaliadas em cada 
uma delas. 
 
.1. (ENEM-MEC) 
 
 
 
As linhas nas duas figuras geram um efeito que se 
associa ao seguinte ditado popular: 
 
(A) Os últimos serão os primeiros. 
(B) Os opostos se atraem. 
(C) Quem espera sempre alcança. 
(D) As aparências enganam. 
(E) Quanto maior a altura, maior o tombo. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
.2. (ENEM-MEC) 
 
 O gráfico abaixo foi extraído de matéria publicada no 
caderno Economia & Negócios do jornal O Estado de S. 
Paulo, em 11/6/2006. 
 
 
 
É um título adequado para a matéria jornalística em que 
esse gráfico foi apresentado: 
(A) Brasil: inflação acumulada em 12 meses menor que 
a dos EUA 
(B) Inflação do Terceiro Mundo supera pela sétima vez a 
do Primeiro Mundo 
(C) Inflação brasileira estável no período de 2001 a 2006 
(D) Queda no índice de preços ao consumidor no 
período 2001-2005 
(E) EUA: ataques terroristas causam hiperinflação 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
.3. (ENEM-MEC) 
 
 Os efeitos dos anti-inflamatórios estão associados à 
presença de inibidores da enzima chamada 
ciclooxigenase 2 (COX-2). Essa enzima degrada 
substâncias liberadas de tecidos lesados e as transforma 
em prostaglandinas pró-inflamatórias, responsáveis pelo 
aparecimento de dor e inchaço. 
 Os anti-inflamatórios produzem efeitos colaterais 
decorrentes da inibição de uma outra enzima, a COX-1, 
responsável pela formação de prostaglandinas, 
protetoras da mucosa gastrintestinal. 
 O esquema abaixo mostra alguns anti-inflamatórios 
(nome genérico). As setas indicam a maior ou a menor 
afinidade dessas substâncias pelas duas enzimas. 
 
 
 
Com base nessas informações, é correto concluir que 
 
(A) o piroxicam é o anti-inflamatório que mais pode 
interferir na formação de prostaglandinas protetoras 
da mucosa gastrintestinal. 
(B) o rofecoxibe é o anti-inflamatório que tem a maior 
afinidade pela enzima COX-1. 
(C) a aspirina tem o mesmo grau de afinidade pelas 
duas enzimas. 
(D) o diclofenaco, pela posição que ocupa no esquema, 
tem sua atividade anti-inflamatória neutralizada pelas 
duas enzimas. 
(E) o nimesulide apresenta o mesmo grau de afinidade 
pelas enzimas COX-1 e COX-2. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
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.4. (ENEM-MEC) 
 
Tendências nas migrações internacionais 
 
 O relatório anual (2002) da Organização para a 
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) 
revela transformações na origem dos fluxos migratórios. 
Observa-se aumento das migrações de chineses, 
filipinos, russos e ucranianos com destino aos países- 
-membros da OCDE. Também foi registrado aumento de 
fluxos migratórios provenientes da América Latina. 
 
Trends in international migration – 2002. Disponível em: 
www.ocde.org. Acesso em: 9/2/2006 (com adaptações). 
 
 No mapa seguinte, estão destacados, com a cor 
preta, os países que mais receberam esses fluxos 
migratórios em 2002. 
 
 
 
As migrações citadas estão relacionadas, principalmente, 
à 
 
(A) ameaça de terrorismo em países pertencentes à 
OCDE. 
(B) política dos países mais ricos de incentivo à 
imigração. 
(C) perseguição religiosa em países muçulmanos. 
(D) repressão política em países do Leste Europeu. 
(E) busca de oportunidades de emprego. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
.5. (ENEM-MEC) 
 
 Os mapas a seguir revelamcomo as fronteiras e suas 
representações gráficas são mutáveis. 
 
 
 
Essas significativas mudanças nas fronteiras de países 
da Europa Oriental nas duas últimas décadas do século 
XX, direta ou indiretamente, resultaram 
 
(A) do fortalecimento geopolítico da URSS e de seus 
países aliados, na ordem internacional. 
(B) da crise do capitalismo na Europa, representada 
principalmente pela queda do muro de Berlim. 
(C) da luta de antigas e tradicionais comunidades 
nacionais e religiosas oprimidas por Estados criados 
antes da Segunda Guerra Mundial. 
(D) do avanço do capitalismo e da ideologia neoliberal 
no mundo ocidental. 
(E) da necessidade de alguns países subdesenvolvidos 
ampliarem seus territórios. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
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.6. (ENEM-MEC) 
 
 Com base em projeções realizadas por especialistas, 
prevê-se, para o fim do século XXI, aumento de 
temperatura média, no planeta, entre 1,4 ºC e 5,8 ºC. 
Como consequência desse aquecimento, possivelmente 
o clima será mais quente e mais úmido bem como 
ocorrerão mais enchentes em algumas áreas e secas 
crônicas em outras. O aquecimento também provocará o 
desaparecimento de algumas geleiras, o que acarretará o 
aumento do nível dos oceanos e a inundação de certas 
áreas litorâneas. 
 
As mudanças climáticas previstas para o fim do século 
XXI 
 
(A) provocarão a redução das taxas de evaporação e de 
condensação do ciclo da água. 
(B) poderão interferir nos processos do ciclo da água 
que envolvem mudanças de estado físico. 
(C) promoverão o aumento da disponibilidade de 
alimento das espécies marinhas. 
(D) induzirão o aumento dos mananciais, o que 
solucionará os problemas de falta de água no 
planeta. 
(E) causarão o aumento do volume de todos os cursos 
de água, o que minimizará os efeitos da poluição 
aquática. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
.7. (ENEM-MEC) 
 
 
 
GONSALES, Fernando. Vá Pentear Macacos! São Paulo: Devir, 2004. 
 
São características do tipo de reprodução representado 
na tirinha: 
 
(A) simplicidade, permuta de material gênico e 
variabilidade genética. 
(B) rapidez, simplicidade e semelhança genética. 
(C) variabilidade genética, mutação e evolução lenta. 
(D) gametogênese, troca de material gênico e 
complexidade. 
(E) clonagem, gemulação e partenogênese. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
Texto para as questões 8 e 9. 
 
 O Aedes aegypti é vetor transmissor da dengue. Uma 
pesquisa feita em São Luís-MA, de 2000 a 2002, mapeou 
os tipos de reservatório onde esse mosquito era 
encontrado. A tabela abaixo mostra parte dos dados 
coletados nessa pesquisa. 
 
 
tipos de reservatórios 
 
população de A. aegypti 
 2000 2001 2002 
pneu 895 1.658 974 
tambor/tanque/depósito de barro 6.855 46.444 32.787 
vaso de planta 456 3.191 1.399 
material de construção/peça de 
carro 
 
271 
 
436 
 
276 
garrafa/lata/plástico 675 2.100 1.059 
poço/cisterna 44 428 275 
caixa-d’água 248 1.689 1.014 
recipiente natural, armadilha, 
piscina e outros 
 
615 
 
2.658 
 
1.178 
total 10.059 58.604 38.962 
 
Caderno Saúde Pública, vol. 20, n.º 5, Rio de Janeiro, out./2004 (com adaptações). 
 
.8. (ENEM-MEC) 
 
De acordo com essa pesquisa, o alvo inicial para a 
redução mais rápida dos focos do mosquito vetor da 
dengue nesse município deveria ser constituído por 
 
(A) pneus e caixas-d’água. 
(B) tambores, tanques e depósitos de barro. 
(C) vasos de plantas, poços e cisternas. 
(D) materiais de construção e peças de carro. 
(E) garrafas, latas e plásticos. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
.9. (ENEM-MEC) 
 
Se mantido o percentual de redução da população total 
de A. aegypti observada de 2001 para 2002, teria sido 
encontrado, em 2003, um número total de mosquitos 
 
(A) menor que 5.000. 
(B) maior que 5.000 e menor que 10.000. 
(C) maior que 10.000 e menor que 15.000. 
(D) maior que 15.000 e menor que 20.000. 
(E) maior que 20.000. 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
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.10. (ENEM-MEC) 
 
 Representar objetos tridimensionais em uma folha de 
papel nem sempre é tarefa fácil. O artista holandês 
Escher (1898-1972) explorou essa dificuldade criando 
várias figuras planas impossíveis de serem construídas 
como objetos tridimensionais, a exemplo da litografia 
Belvedere, reproduzida abaixo. 
 
 
 
Considere que um marceneiro tenha encontrado algumas 
figuras supostamente desenhadas por Escher e deseje 
construir uma delas com ripas rígidas de madeira que 
tenham o mesmo tamanho. Qual dos desenhos a seguir 
ele poderia reproduzir em um modelo tridimensional real? 
 
 
 
(A) 
 
 
 
 
(D) 
 
 
 
 
(B) 
 
 
 
 
(E) 
 
 
 
 
(C) 
 
 
 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
.11. (ENEM-MEC) 
 
 A diversidade de formas geométricas espaciais 
criadas pelo homem, ao mesmo tempo em que traz 
benefícios, causa dificuldades em algumas situações. 
Suponha, por exemplo, que um cozinheiro precise utilizar 
exatamente 100 mL de azeite de uma lata que contenha 
1.200 mL e queira guardar o restante do azeite em duas 
garrafas, com capacidade para 500 mL e 800 mL cada, 
deixando cheia a garrafa maior. Considere que ele não 
disponha de instrumento de medida e decida resolver o 
problema utilizando apenas a latae as duas garrafas. As 
etapas do procedimento utilizado por ele estão ilustradas 
nas figuras a seguir, tendo sido omitida a 5.ª etapa. 
 
 
 
Qual das situações ilustradas a seguir corresponde à 5.ª 
etapa do procedimento? 
 
 
 
(A) 
 
 
 
 
(D) 
 
 
 
 
(B) 
 
 
 
 
(E) 
 
 
 
 
(C) 
 
 
 
 
 
Competências avaliadas: ____________________________ 
 
 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Literatura brasileira 
 
Arcadismo (1768-1808) 
 
Marco inicial 
 
 Publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da 
Costa. 
 
 
 
 ARQUIVO / UFMG 
 
 Vários poetas árcades participaram do movimento contra o 
governo português conhecido por Conjuração Mineira, mas somente 
Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, pagou com a vida a ousadia 
de querer lutar pela nossa independência. Na ilustração, uma 
representação impressionante do suplício de Tiradentes, obra do pintor 
Pedro Américo (1843-1905) 
 
Panorama histórico 
 
 O Arcadismo ou Neoclassicismo corresponde ao 
período de superação dos conflitos religiosos da época 
barroca. No século XVIII, a fé e a religião perdem 
importância, e a Razão e a Ciência passam a explicar o 
homem e o mundo. 
 O Arcadismo coincide com o Século das Luzes, 
marcado pelo Iluminismo (Rousseau, Montesquieu, 
Voltaire); pelo Empirismo Científico (Newton, Lavoisier, 
Lineu, Locke); pelo Enciclopedismo (Diderot, D’Alembert) 
e, no âmbito político, pelo Despotismo Esclarecido. 
 Representa, historicamente, o último período de 
dominação da aristocracia e as primeiras investidas da 
burguesia emergente na Revolução Comercial. A partir 
da Revolução Francesa (1789), a burguesia assume a 
condição de classe dominante. 
 Em Portugal, corresponde à época do Marquês de 
Pombal (1750-1777), que operou profundas 
transformações administrativas e educacionais, como a 
expulsão dos jesuítas, o fim da submissão à Santa 
Inquisição, a laicização do ensino, a reforma universitária 
e a divulgação das ideias científicas. 
 No Brasil, corresponde ao apogeu da mineração do 
ouro em Minas Gerais e à transferência do centro 
econômico e cultural da Colônia do Norte (Pernambuco e 
Bahia) para o Centro-Sudeste (Minas Gerais e Rio de 
Janeiro). Corresponde, também, à fase das primeiras 
rebeliões contra o estatuto colonial, como a Inconfidência 
Mineira, a Revolução dos Alfaiates, etc. Daí o nativismo, 
que passa a ser reivindicatório, e não mais apenas 
descritivo e pitoresco, como ocorrera no Quinhentismo e 
no Barroco. 
 A vida literária ganha novo alento com o surgimento 
de um público leitor. Estabiliza-se, dessa forma, a relação 
autor-obra-leitor, vale dizer, surgem escritores brasileiros, 
que escrevem sobre o Brasil, para leitores brasileiros. 
 
Características árcades 
 
 Volta aos modelos clássicos: revalorização dos 
princípios poéticos greco-romanos e renascentistas. 
Daí a denominação Neoclassicismo. 
 
 Arte como imitação dos grandes autores: o poeta 
imita, não a natureza, como propugnava Aristóteles 
na Antiguidade, mas os autores antigos ou 
renascentistas (Horácio, Ovídio, Virgílio, Petrarca, 
Camões). O poeta arcádico não visa à originalidade, 
mas à perfeição na imitação do modelo. 
 
 Bucolismo e pastoralismo: os árcades tematizam a 
natureza, vista sempre como cenário ameno e 
aprazível. A natureza é convencional e serve de 
cenário para a vida serena dos pastores e suas 
musas, ou de testemunha impassível dos lamentos e 
desenganos do poeta. 
 
 Temas clássicos: o carpe diem (= aproveita o dia), 
quando o pastor, tendo em vista que o tempo passa 
e tudo degenera, convida a pastora a viver e gozar o 
momento presente; o aurea mediocritas (= mediania 
de ouro), ideal de vida pacata e sem excessos ou 
extremos; o fugere urbem (= fugir da civilização), que 
consiste na exaltação da vida simples, e o locus 
amoenus (= lugar ameno), que significa buscar a 
felicidade na natureza. Os poetas árcades adotavam 
como lema o inutilia truncat (= cortar o inútil), 
exprimindo a oposição aos exageros ornamentais do 
Barroco. 
 
 Fingimento e afetação: os poetas árcades adotavam 
pseudônimos pastoris e se referiam a suas amadas 
como musas. Sempre estavam envolvidos em cenas 
poéticas e musicais que exaltavam a vida campestre. 
Não existe, porém, a subjetividade melancólica que 
ainda vai assolar o homem romântico; os 
sentimentos são “fingidos”, usados como motivos 
estéticos, e não espontâneos. 
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Principais autores e obras 
 
 Cláudio Manuel da Costa (1729-1789; pseudônimo: 
Glauceste Satúrnio) — Obras Poéticas; Vila Rica 
 
 Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810; pseudônimos: 
Dirceu e Critilo) — Marília de Dirceu; Cartas Chilenas 
 
 Basílio da Gama (1741-1795; pseudônimo: Termindo 
Sipílio) — O Uraguai 
 
 Frei Santa Rita Durão (1722-1784) — Caramuru 
 
 Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805; 
pseudônimo: Elmano Sadino) — Idílios Marítimos; 
Rimas; A Pena de Talião 
 
Pré-Romantismo (1808-1836) 
 
 Denomina-se Pré-Romantismo a fase de transição 
entre a Era Colonial e a Era Nacional (1808-1836). Essa 
fase foi marcada, no plano histórico, pela transmigração 
da Família Real Portuguesa e pelos desdobramentos de 
sua presença no Brasil (Abertura dos Portos, Imprensa 
Régia, primeiros cursos superiores de Medicina e Direito, 
etc.). No plano literário, destacam-se: o jornalismo 
político (Evaristo da Veiga, Hipólito da Costa e Januário 
Barbosa da Cunha); a oratória sacra (Frei Franciscode 
Monte Alverne) e a poesia didática e moralizante (Padre 
Sousa Caldas e Américo Elísio, pseudônimo de José 
Bonifácio de Andrada e Silva). 
 
 
 Fique ligado! Pesquise!  
 
 Assistir: aos filmes Danton – O processo da 
Revolução (1982), de Andrzej Wajda; Ligações 
perigosas (1988), de Stephen Frears; Casanova e a 
Revolução (1982), de Ettore Scola; Amadeus 
(1984), de Milos Forman — todos relacionados com 
o contexto político e cultural europeu da época. Veja 
também A Missão (1986), de Roland Joffé, cujo 
tema também foi tratado pelo poeta árcade 
brasileiro Basílio da Gama, em seu poema épico 
O Uraguai. 
 
 Pesquisar: sobre as ideias e as obras dos filósofos 
iluministas Voltaire, Montesquieu, Rousseau, 
Diderot e D’Alembert. Procure saber também sobre 
a Enciclopédia, escrita por eles, e sobre o 
Despotismo Esclarecido. 
 
 Ouvir: os compositores de destaque da época, 
como Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus 
Mozart. 
 
 Comparar: os princípios que regem a Constituição 
brasileira e as ideias políticas dos iluministas do 
século XVIII. 
 
 Conhecer: a pintura da época, especialmente a do 
pintor francês Antoine Watteau. 
 
 
 
 *ATENÇÃO, ESTUDANTE!*  
 
Para complementar o estudo deste Módulo, 
utilize seu LIVRO DIDÁTICO. 
 
*********** ATIVIDADES *********** 
 
Texto para as questões 1 e 2. 
 
 01 Torno a ver-vos, ó montes; o destino 
 02 Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 
 03 Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
 04 Pelo traje da Corte, rico e fino. 
 
 05 Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
 06 Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
 07 Vendo correr os míseros vaqueiros 
 08 Atrás de seu cansado desatino. 
 
 09 Se o bem desta choupana pode tanto, 
 10 Que chega a ter mais preço, e mais valia 
 11 Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, 
 
 12 Aqui descanse a louca fantasia, 
 13 E o que até agora se tornava em pranto 
 14 Se converta em afetos de alegria. 
 
COSTA, Cláudio Manoel da. In: FILHO, Domício Proença. 
A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: 
Nova Aguilar, 2002, p. 78-9. 
 
.1. (ENEM-MEC) 
 
Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os 
elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale 
a opção correta acerca da relação entre o poema e o 
momento histórico de sua produção. 
 
(A) Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira 
estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou 
seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico 
e fino”. 
(B) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como 
núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada 
pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo 
urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da 
Colônia. 
(C) O bucolismo presente nas imagens do poema é 
elemento estético do Arcadismo que evidencia a 
preocupação do poeta árcade em realizar uma 
representação literária realista da vida nacional. 
(D) A relação de vantagem da “choupana” sobre a 
“Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária 
que reproduz a condição histórica paradoxalmente 
vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. 
(E) A realidade de atraso social, político e econômico do 
Brasil Colônia está representada esteticamente no 
poema pela referência, na última estrofe, à 
transformação do pranto em alegria. 
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SEE-AC  Coordenação de Ensino Médio LCP  Português  143 
.2. (ENEM-MEC) 
 
Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de 
Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao 
seu interlocutor. 
 
(A) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v. 1). 
(B) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino” (v. 5). 
(C) “Os meus fiéis, meus doces companheiros” (v. 6). 
(D) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v. 7). 
(E) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto” (v. 11). 
 
.3. (FATEC-SP) 
 
Sobre o Arcadismo brasileiro só não se pode afirmar que: 
 
(A) tem suas fontes nos antigos autores gregos e latinos, 
dos quais imita os motivos e as formas. 
(B) teve em Cláudio Manuel da Costa o representante 
que, de forma original, recusou a motivação bucólica 
e os modelos camonianos da lírica amorosa. 
(C) nos legou os poemas de feição épica Caramuru (de 
Frei José de Santa Rita Durão) e O Uraguai (de 
Basílio da Gama), no qual se reconhece qualidade 
literária destacada em relação ao primeiro. 
(D) norteou, em termos dos valores estéticos básicos, a 
produção dos versos de Marília de Dirceu, obra que 
celebrizou Tomás Antônio Gonzaga e que destaca a 
originalidade de estilo e de tratamento local dos 
temas pelo autor. 
(E) apresentou uma corrente de conotação ideológica, 
envolvida com as questões sociais do seu tempo, 
com a crítica aos abusos do poder da Coroa 
portuguesa. 
 
Leia o texto abaixo, de autoria de Cláudio Manuel da 
Costa, para responder às questões 4 e 5. 
 
Este é o rio, a montanha é esta, 
Estes os troncos, estes os rochedos; 
São estes inda os mesmos arvoredos; 
Esta é a mesma rústica floresta. 
 
Tudo cheio de horror se manifesta, 
Rio, montanha, troncos e penedos; 
Que de amor nos suavíssimos enredos 
Foi cena alegre, e urna é já funesta. 
 
Oh quão lembrado estou de haver subido 
Aquele monte, e as vezes que, baixando, 
Deixei do pranto o vale umedecido! 
 
Tudo me está a memória retratando; 
Que da mesma saudade o infame ruído 
Vem as mortas espécies despertando. 
.4. (INEP-MEC) 
 
Assinale a opção que se refere ao texto de modo correto. 
 
(A) Observa-se o elogio do pastoralismo, com a 
consequente crítica aos males que o meio urbano 
traz ao homem. 
(B) A natureza é cenário tranquilo, retratada sem levar 
em conta o estado de espírito de quem a descreve. 
(C) A antítese “Foi cena alegre, e urna é já funesta” 
resume o poema, indicando a passagem do tempo e 
a lembrança do amor perdido. 
(D) Exemplo típico do Arcadismo, constata-se o 
predomínio da razão sobre a emoção, o que revela a 
influência da lógica iluminista. 
(E) Recomenda que se aproveite o dia (carpe diem), 
embora fazendo referência à constância da vida e à 
previsibilidade do destino. 
 
.5. (INEP-MEC) 
 
Ainda a respeito do poema, assinale a opção incorreta. 
 
(A) A métrica regular e a estrutura — um soneto — 
indicam a proximidade do Romantismo. 
(B) Apresenta construções em ordem indireta, mas sem 
o radicalismo da escrita barroca. 
(C) Percebe-se uma identificação entre o poeta e a 
natureza que o rodeia. 
(D) A organização em dois quartetos e dois tercetos é de 
natureza greco-latina. 
(E) Há uma contenção do poeta no uso de figuras de 
linguagem, como a metáfora “e urnaé já funesta”. 
 
.6. (UESPI-PI) 
 
Assinale a alternativa correta acerca do Arcadismo 
brasileiro e de seus autores. 
 
(A) Foi um movimento literário posterior ao Romantismo, 
que teve repercussão em todo o Brasil, 
especialmente em Minas e São Paulo. 
(B) A obra lírica mais divulgada foi Marília de Dirceu, 
longo poema de Tomás Antônio Gonzaga. Nele, o 
poeta se transforma em Dirceu, pastor que se 
enamora da pastora Marília, tendo como cenário um 
ambiente bucólico. 
(C) Cláudio Manuel da Costa, também árcade, escreveu 
Cartas Chilenas, uma crítica à colonização 
portuguesa. 
(D) Silva Alvarenga é o autor de O Uraguai, único poema 
épico do Arcadismo. 
(E) Entre as características árcades estão: a volta aos 
padrões greco-latinos, a visão idílica da natureza, o 
uso exacerbado da linguagem figurada, das 
contradições e dos contrastes. 
________________________________________________ 
*Anotações* 
 
 
 
 
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.7. (SEE-AC) 
 
Assinale E nas erradas e C nas corretas. 
 
01. (**) A literatura brasileira da fase colonial é 
autônoma em relação à Metrópole. 
 
02. (**) Toda a literatura colonial é basicamente 
advinda dos membros da Companhia de 
Jesus, sem nenhuma contribuição dos 
colonos. 
 
03. (**) A Carta de Pero Vaz de Caminha é 
considerada como nossa “certidão de 
nascimento”. 
 
04. (**) A literatura dos cronistas é basicamente 
informativa, geográfica e curiosa das coisas 
locais. 
 
05. (**) Autores românticos e modernistas valeram-se 
de sugestões temáticas e formais das crônicas 
de viagem. 
 
06. (**) A literatura dos viajantes é ocorrência 
exclusivamente brasileira, não tendo nenhum 
similar em nenhuma outra parte do mundo. 
 
07. (**) A poesia de Anchieta está presa aos modelos 
renascentistas e reflete, em seus sonetos, 
uma transparente influência de Camões. 
 
08. (**) A literatura de informação ressalta a 
importância do trabalho com o estilo, com a 
forma. 
 
09. (**) A atitude de Caminha em frente à terra recém-
-descoberta é de decepção e de repulsa pelo 
índio. 
 
10. (**) A produção informativa do Quinhentismo tem 
maior valor histórico-documental que literário. 
 
11. (**) A exaltação das virtudes da terra prestava-se, 
também, ao incentivo à imigração e aos 
investimentos da Europa na Colônia. 
 
 
.8. (SEE-AC) 
 
Coloque o nome do estilo a que se referem as definições 
seguintes (Barroco ou Arcadismo). 
 
a) Procurou-se o campo, a sua pureza, para uma 
motivação estética contra certa conturbação anterior 
nas letras. (________________) 
 
b) Os pastores seriam o modelo, procurando-se, acima 
de tudo, simplicidade. (________________) 
 
c) A arte é complexa, cheia de contrastes e hesitações. 
(________________) 
 
d) É um tempo místico, religioso, com o homem 
tentando obter uma resposta para os seus problemas 
nos valores espirituais. (________________) 
e) A finalidade é depurar a língua, voltando ao “cattivo 
gusto”. (________________) 
 
f) “Inutilia truncat” é o lema, a expressão de vanguarda 
para os seus princípios estéticos. (________________) 
 
g) O estilo é contornado, rebuscado, com uma série de 
raciocínios, ficando o homem em certo dilema. 
(________________) 
 
h) O Iluminismo é um dos princípios básicos, isso na 
França, numa época em que o Enciclopedismo é 
uma nota marcante. (________________) 
 
i) A arte é o reflexo de todo o luxo que caracteriza a 
escultura e a pintura das igrejas. (________________) 
 
j) Nos poemas, a ordem da frase passa a ser mais 
direta, embora ainda se procure certa perfeição 
formal. (________________) 
 
.9. (UFPE) 
 
Ao longo da história da literatura, ocorrem vários estilos. 
O Barroco, por exemplo, é o nome de um estilo que 
predominou no século XVII. Podemos dizer que estilo 
literário 
 
(A) é a síntese das características do principal escritor 
de uma época. 
(B) são os procedimentos artísticos e as concepções de 
mundo predominantes nas obras de uma certa 
época. 
(C) é o conjunto dos estilos individuais de todos os 
autores de uma certa época. 
(D) é a expressão exata do modo de pensar de todos os 
escritores de uma certa época. 
(E) n.d.a. 
________________________________________________ 
*Anotações*

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