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1 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 2 Pareceres em Consultas Coletânea de Entendimentos TCEMG FICHA CATALOGRÁFICA Revista do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Ano 1, n. 1 (dez. 1983- ). Belo Horizonte: Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, 1983 - Periodicidade irregular (1983-87) Publicação interrompida (1988-92) Periodicidade trimestral (1993- ) ISSN 0102-1052 1. Tribunal de Contas — Minas Gerais — Periódicos 2. Minas Gerais — Tribunal de Contas — Periódicos. CDU 336.126.55(815.1)(05) Capa e projeto gráfico: Revista do TCEMG Impressão e acabamento: Rona Editora Gráfica ISSN 0102-1052 Publicação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais Av. Raja Gabaglia, 1.315 — Luxemburgo Belo Horizonte — MG — CEP: 30380-435 Revista: Edifício anexo — (0xx31) 3348-2142 Endereço eletrônico: <revista@tce.mg.gov.br> Site: <www.tce.mg.gov.br> Permite-se a reprodução desta publicação, em parte ou no todo, sem alteração do conteúdo, desde que citada a fonte e sem fins comerciais. Os pareceres contidos nesta edição referem-se aos mais relevantes de jan./2001 a dez./2011. Coletânea de Entendimentos — TCEMG Pareceres em Consultas PALAVRA DO PRESIDENTE A sociedade vive um novo tempo com profundas alterações paradigmáticas com reflexos significativos na Administração Pública. Devido a essas transformações, impõe-se aos órgãos de controle o dever de reavaliar seus métodos e sistemática de atuação. As tradicionais análises formais e burocratizadas não mais condizem com a realidade da Administração Pública atual. É premente a fiscalização qualitativa e legítima das políticas públicas, que vá além do formalismo e das tecnicidades burocratizantes. Ademais, as Cortes de Contas são um celeiro de dados importantes e de informações sobre o conjunto de ações do Poder Público. É esse potencial que os Tribunais de Contas, como integrantes principais do sistema de controle dos atos públicos, necessitam desenvolver no exercício de suas atividades, de modo a ofertar à sociedade, além de um controle eficaz e resultados, em menor espaço de tempo, uma vasta gama de análises qualitativas, comparativas e também projeções acerca da administração pública. Tal atuação contribuirá sobremaneira para o fortalecimento do controle social mais autêntico e legítimo, porque emanado da população detentora do poder soberano sobre os agentes públicos. Assim, quanto mais informações analíticas o Tribunal de Contas disponibilizar à sociedade, maior será a capacidade crítica dos cidadãos e das organizações civis para exigir dos governos e seus agentes ampla transparência da máquina administrativa e das políticas públicas adotadas. A busca de maior interação entre o Tribunal de Contas, os jurisdicionados e a sociedade deve ser incessante, de modo que o Tribunal possa cumprir sua função pedagógica e orientadora, atuando de forma preventiva. Para tanto, traz-se a lume a presente publicação que tem por escopo evidenciar o entendimento deste Tribunal de Contas acerca dos diferentes temas afetos à gestão pública e ao controle externo, de forma organizada e transparente. Com esse trabalho, conclui-se mais uma etapa do programa “O TCEMG e os Jurisdicionados”, instituído pela Resolução n. 03/2010, que tem por objetivo o desenvolvimento de ações pedagógicas que contribuam para melhorar a qualidade dos serviços prestados à sociedade. Esta coletânea reúne excertos de pareceres exarados nas consultas respondidas pela Casa, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2011. Esse trabalho da Diretoria de Jurisprudência, Assuntos Técnicos e Publicações foi elaborado conforme o plano institucional de consolidação de entendimentos e divulgação dos principais posicionamentos do Tribunal de Contas. A todos uma boa leitura! Antônio Carlos Doorgal de Andrada Conselheiro Presidente Antônio Carlos Doorgal de Andrada CONSELHEIROS Antônio Carlos Doorgal de Andrada Presidente Adriene Barbosa de Faria Andrade Vice-Presidente Sebastião Helvecio Ramos de Castro Corregedor Eduardo Carone Costa Wanderley Geraldo de Ávila Cláudio Couto Terrão Ouvidor Mauri José Torres Duarte AUDITORES Gilberto Diniz Licurgo Joseph Mourão de Oliveira Hamilton Antônio Coelho PROCURADORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS Glaydson Santo Soprani Massaria Procurador-Geral Marcilio Barenco Correa de Mello Subprocurador-Geral Maria Cecília Mendes Borges Sara Meinberg Schmidt de Andrade Duarte Elke Andrade Soares de Moura Silva Cristina Andrade Melo TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS CORPO INSTRUTIVO SECRETARIA EXECUTIVA DO TRIBUNAL DE CONTAS Leonardo de Araújo Ferraz SECRETARIA DA PRESIDÊNCIA Joeny Oliveira de Souza Furtado SUPERINTENDÊNCIA DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS E DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL Cristina Márcia de Oliveira Mendonça SUPERINTENDÊNCIA DE APOIO AO CONTROLE EXTERNO Heloísa Helena Nascimento Rocha DIRETORIA DE CONTROLE EXTERNO DO ESTADO Valquíria de Sousa Pinheiro Baia DIRETORIA DE ASSUNTOS ESPECIAIS E DE ENGENHARIA E PERÍCIA Jacqueline Soares Gervásio Vianna de Paula DIRETORIA DE CONTROLE EXTERNO DOS MUNICÍPIOS Cristiana de Lemos Souza Prates DIRETORIA DE ADMINISTRAÇÃO Giovanna Bonfante DIRETORIA DE GESTÃO DE PESSOAS Leila Renault da Silva DIRETORIA DE PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E FINANÇAS Sandra Bezerra Gomes DIRETORIA DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Anna Flávia Lourenço Esteves Martins Bako DIRETORIA DE JURISPRUDÊNCIA, ASSUNTOS TÉCNICOS E PUBLICAÇÕES Cláudia Costa de Araújo DIRETORIA DA SECRETARIA DO PLENO Alexandre Pires de Lima DIRETORIA DA ESCOLA DE CONTAS Gustavo Costa Nassif DIRETORIA DE SEGURANÇA INSTITUCIONAL Musso José Veloso DIRETORIA DE COMUNICAÇÃO Lúcio Braga Guimarães GABINETE DA PRESIDÊNCIA José Eduardo Lewer de Amorim Chefe de Gabinete José Augusto de Oliveira Penna Naves Assessor CONSULTORIA-GERAL Caio de Carvalho Pereira Publicação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais sob responsabilidade do Conselheiro Presidente Antônio Carlos Doorgal de Andrada - Organização - Diretoria de Jurisprudência, Assuntos Técnicos e Publicações Cláudia Costa de Araújo - Elaboração - Coordenadoria e Comissão de Jurisprudência e Súmula Luisa Pinho Ribeiro Kaukal — Coordenação Reuder Rodrigues Madureira de Almeida Túlio César Pereira Machado Martins - Pesquisa - Lucas Gil Carneiro Salim - Edição e Revisão - Coordenadoria da Revista Juliana Mara Marchesani — Coordenação Diego Felipe Silva Abreu Eliana Engler Sanches Lívia Maria Barbosa Salgado SUMÁRIO INTRODUÇÃO --------------------------------------------------------------------------- 15 1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA --------------------------------------------------- 17 1.1 Administração pública direta ------------------------------------------------17 1.2 Administração pública indireta ----------------------------------------------18 1.3 Entes de cooperação ----------------------------------------------------------19 1.4 Associação de municípios ----------------------------------------------------22 1.5 Publicidade de atos -----------------------------------------------------------25 2 PATRIMôNIO PÚBLICO --------------------------------------------------------- 29 3 PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO -------------------------------------- 33 3.1 Fase interna -------------------------------------------------------------------33 3.2 Habilitação --------------------------------------------------------------------35 3.3 Objeto -------------------------------------------------------------------------37 3.4 Parcelamento e fracionamento ----------------------------------------------38 4 LICITAÇÃO -------------------------------------------------------------------------42 4.1 Cooperativas e consórcios públicos -----------------------------------------42 4.2 Modalidades ------------------------------------------------------------------44 4.3 Obrigatoriedade --------------------------------------------------------------47 4.4 Participação e competitividade ----------------------------------------------50 4.5 Publicidade dos atos ----------------------------------------------------------53 4.6 Registro de Preços ------------------------------------------------------------54 4.7 Outros -------------------------------------------------------------------------56 5 CONTRATAÇÃO DIRETA -------------------------------------------------------- 59 5.1 Dispensa de Licitação --------------------------------------------------------59 5.2 Inexigibilidade ----------------------------------------------------------------63 5.3 Licitação Dispensada ---------------------------------------------------------72 5.4 Outros -------------------------------------------------------------------------73 6 CONTRATOS ----------------------------------------------------------------------- 74 6.1 Prorrogação -------------------------------------------------------------------74 6.2 Reequilíbrio econômico-financeiro -----------------------------------------78 6.3 Sanção contratual -------------------------------------------------------------80 6.4 Outros -------------------------------------------------------------------------81 7 CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES ----- 84 7.1 Execução e fiscalização -------------------------------------------------------84 7.2 Outros -------------------------------------------------------------------------85 8 FINANÇAS PÚBLICAS ------------------------------------------------------------ 97 8.1 Créditos adicionais -----------------------------------------------------------97 8.2 Despesa --------------------------------------------------------------------- 100 8.3 Despesas com pessoal ------------------------------------------------------ 106 8.4 Disponibilidades financeiras ----------------------------------------------- 115 8.5 Educação -------------------------------------------------------------------- 119 8.6 Fundeb ---------------------------------------------------------------------- 129 8.7 Operações de crédito ------------------------------------------------------- 138 8.8 Planejamento e orçamento ------------------------------------------------- 139 8.9 Receita ---------------------------------------------------------------------- 141 8.10 Saúde ----------------------------------------------------------------------- 144 8.11 Transferências ------------------------------------------------------------- 148 9 CONTROLE INTERNO ----------------------------------------------------------150 10 CÂMARA MUNICIPAL ----------------------------------------------------------155 10.1 Competência -------------------------------------------------------------- 155 10.2 Folha de pagamento (gastos com pessoal) ------------------------------- 159 10.3 Repasse de recursos ao Poder Legislativo -------------------------------- 162 10.4 Saldo financeiro de caixa ------------------------------------------------- 171 10.5 Outros --------------------------------------------------------------------- 175 11 AGENTES POLÍTICOS -----------------------------------------------------------177 11.1 Conceituação -------------------------------------------------------------- 177 11.2 Acumulação --------------------------------------------------------------- 177 11.3 Aposentadoria ------------------------------------------------------------- 183 11.4 Fixação de subsídios ------------------------------------------------------ 184 11.5 Gratificação natalina ------------------------------------------------------ 191 11.6 Prefeito e vice-prefeito ---------------------------------------------------- 192 11.7 Recomposição ------------------------------------------------------------- 193 11.8 Secretário municipal ------------------------------------------------------ 197 11.9 Verba indenizatória ------------------------------------------------------- 198 11.10 Vereador ------------------------------------------------------------------ 206 11.11 Outros -------------------------------------------------------------------- 209 12 PESSOAL ----------------------------------------------------------------------------210 12.1 Criação e extinção de cargos --------------------------------------------- 210 12.2 Acumulação de cargos ---------------------------------------------------- 211 12.3 Admissão ------------------------------------------------------------------ 213 12.4 Retribuição pecuniária---------------------------------------------------- 220 12.5 Adicionais e vantagens ---------------------------------------------------- 228 12.6 Verba indenizatória ------------------------------------------------------- 238 12.7 Cessão --------------------------------------------------------------------- 240 12.8 Aposentadoria e reforma ------------------------------------------------- 243 12.9 Pensão --------------------------------------------------------------------- 258 12.10 Fiscalização pelo TCE --------------------------------------------------- 260 13 TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA ---------------------------------------262 14 RESPONSABILIDADE -----------------------------------------------------------266 15 TOMADA E PRESTAÇÃO DE CONTAS ---------------------------------------269 15 INTRODUÇÃO O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais tem se destacado como órgão de controle, que prima pela transparência dos atos públicos. A Corte de Contas mineira, no cumprimento da função constitucional, se propõe a ser uma instituição de referência na garantia do direito da sociedade de acompanhar a regular e efetiva gestão dos recursos públicos. A abertura dos canais de comunicação com os jurisdicionados e a sociedade bem como a disseminação do conhecimento mediante divulgação do trabalho do Tribunal constituem valores estratégicos da Casa. Entre as atribuições do Tribunal, salienta-se sobretudo a de orientar, por meio de respostas a consultas formuladas pelos legitimados, elucidando dúvidas quanto à correta aplicação da legislação vigente. Assim, a Corte de Contas mineira atua de forma preventiva, evitando a ocorrência de irregularidades e danos ao erário. Nesse contexto, o TCEMG publica esta coletânea, na qual disponibiliza excertos dos entendimentos relativos às consultas mais relevantes dirigidas ao Tribunal, no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2011, agrupados por áreas e temas. Com base no Regimento Interno, os pareceres exarados em resposta a consultas possuem caráter normativo e pedagógico, na medida em que visam orientar os gestores sobre o entendimento do Tribunal acerca dos aspectos financeiro, orçamentário, contábil e patrimonial da gestão pública. Recomenda-se que os gestores se mantenham atualizados em relação aos posicionamentos mais recentes deste Tribunal, disponíveis para pesquisa no Informativo de Jurisprudência do TCEMG (http://www.tce.mg.gov.br/informativo), no D.O.C. (http://doc.tce.mg.gov.br) e no sítio eletrônico do Tribunal (http://www.tce.mg.gov.br) onde é possível acessar, na íntegra, todas as decisões. É oportuno ressaltar que os pareceres, exarados após esta edição, serão inseridos no Sistema de Mapeamento e Sistematização da Jurisprudência do TCEMG (Mapjuris), em fase final de elaboração, e que possibilitará a pesquisa das teses extraídas dos julgados e deliberações separadas por assunto. Como visto, o TCEMG tem envidado esforços contínuos para a efetiva publicidade de suas ações e disseminação de seus entendimentos e deliberações, a fim de não só orientar a atuação dos gestores, mas também de fomentar o debate acerca das melhores práticas na gestão de recursos. 17 1ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1.1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA [Criação de Defensoria Pública no âmbito municipal] A colaboração dos municípios com a Defensoria do Estado, se assim exigir o peculiar interesse local, devidamente comprovado e justificado, não pode ir além da cooperação prevista nos arts. 181 e 182 da Lei Maior Mineira, vedado o fornecimento de recursos humanos, salvo estagiários, sob pena de intermediação de mão de obra de servidor público estadual, numa verdadeira burla ao concurso público e, por conseguinte, aos direitos difusos (...) se de um lado os municípios estão, pela Constituição, desobrigados de organizar defensoria, por outro têm eles o dever legal de manter serviços de apoio jurídico à população carente, do que se conclui, com suporte na forma federativa adotada pela Carta da República de 1988, que é constitucional a instituição, por lei, de defensoria pública municipal (...) além de a Carta Magna não proibir a criação de defensoria pública pelos municípios, o art. 30, II, do mesmo diploma, possibilita a esses entes locais suplementar a legislação federal e estadual, inclusive nas matérias do art. 24 da referida Carta (...) não cabe aos municípios consulentes contratar advogados e colocá-los à disposição da Defensoria do Estado. Todavia poderá ele, o município, (...) instituir, organizar e manter a sua própria defensoria municipal desde que reclamada pela população local (Consulta n. 703162. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 08/03/2006). [Município. Instituição de fundo de aval. Impossibilidade] (...) [há] impossibilidade de o município constituir Fundo de Aval para garantir obrigações creditícias contraídas por particulares (...). Como garantia típica de Direito Cambial, o aval tem por objetivo fortalecer o crédito de seus signatários. Sendo a obrigação cambial autônoma e abstrata, no caso de o Poder Público ser avalista, vincular-se-ia pela declaração unilateral de vontade expressa no título, o que significaria sua responsabilização por obrigação alheia perante a instituição bancária, o que afronta os princípios norteadores de Direito Administrativo, destacando-se a supremacia do interesse público sobre o particular e a inalienabilidade dos direitos concernentes ao interesse público (Consulta n. 692542. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 09/03/2005). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1818 [Competência para prover a segurança pública nos Municípios] (...) em matéria de segurança pública, o art. 144 da Constituição Federal tem caráter exaustivo, ao definir como órgãos do sistema de segurança as polícias federal, rodoviária e ferroviária federal, e as polícias civis e as polícias militares dos Estados, não comportando inovação por parte do legislador estadual e/ou municipal. (...). Feitas essas considerações, respondo ao consulente ser do Estado, por meio de sua polícia civil e militar, a responsabilidade pela segurança pública em municípios localizados em seu território. (...) em que pese incumbir ao Estado a construção de quartéis e/ou delegacias, bem como fornecer armamentos, veículos, combustíveis, fardas etc., para as suas polícias, pode o município colaborar financeiramente na manutenção de tais instalações técnicas e do referido serviço, se assim reclamar o peculiar interesse de sua população (Consulta n. 657444. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 19/06/2002). [Implementação e participação de município em associação de crédito popular] (...) o município pode participar de uma associação como descrita [de crédito popular], desde que sejam observados: 1 — as exigências da Lei Federal nº 4.595/64, que dispõe sobre a política e as instituições monetárias bancárias e creditícias; 2 — a indispensável autorização legislativa municipal; 3 — todos os princípios constitucionais do art. 37 da Constituição Federal de modo que, nas questões contratuais e financeiras decorrentes das operações da instituição que se deseja criar, sejam, compulsoriamente, exigidas a prática de atos que encontrem suporte legal, finalidade ética, transparência e isonomia de tratamento entre os micro e pequenos empreendedores. Cumpre acrescentar que a Lei de Responsabilidade Fiscal também condiciona a destinação de recursos públicos para o setor privado à autorização legislativa, ao atendimento da lei de diretrizes orçamentárias e à respectiva previsão no orçamento ou em seus créditos adicionais (Consulta n. 638721. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 12/12/2001). 1.2 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INDIRETA [Incidência de ITBI sobre operações de realização de capital por ocasião de reorganização societária] Não incide Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI) sobre a transferência, por sociedade de economia mista, de imóveis às suas subsidiárias a título de realização de capital, uma vez que a não incidência disposta no art. 156, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, afasta as 19 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 19 hipóteses de imunidade, isenção e renúncia de receita (Consulta n. 778246. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 29/07/2009). [Sociedades de Economia Mista. Despesas com pagamento de empregados afastados para exercício de mandato eletivo] (...) o texto constitucional transcrito [art. 38] e que regula a matéria estabelece de maneira didática seu alcance e destinatários, ou seja, servidores públicos da administração direta, autárquica e fundacional. Não fala em [sociedade de economia] mista. A [omissis], sociedade de economia mista, ainda que definida na Constituição Estadual como integrante de sua administração indireta, não é alcançada pelas determinações contidas no artigo 38 da Constituição Federal. Assim, (...) não há que se falar em ressarcimento integral pelas Prefeituras Municipais das despesas com o pagamento de seus empregados licenciados para o exercício de mandato eletivo, uma vez que não têm eles sequer direito a pleitear tal opção na percepção de suas remunerações (Consulta n. 700417. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 09/11/2005). [Empresas estatais. Patrimônio] (...) empresas estatais criadas para execução de atividade econômica podem utilizar, onerar ou alienar seus bens na forma estatutária, independentemente de autorização legislativa, e suas licitações e contratações sujeitam-se apenas aos princípios da administração pública; empresas estatais prestadoras de serviços públicos só poderão ter seus bens onerados, penhorados ou alienados se houver autorização de lei específica, e suas contratações de obra, serviços e compras, bem como a alienação de seus bens ficam sujeitas a licitação, nos termos do art. 119 da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 644080. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 12/12/2001). 1.3 ENTES DE COOPERAÇÃO [Entidade privada beneficiária de recurso público. Prestação e Tomada de Contas. Observância dos princípios constitucionais. Não inclusão no cômputo das despesas com pessoal] (...) obrigatoriedade de se prestar contas pela entidade privada beneficiária de recurso público. (...) a obrigatoriedade pela tomada de contas, na hipótese de não prestação das contas pela entidade beneficiada, é da entidade pública que repassa a verba. Também é do ente público a responsabilidade pelo envio dessa tomada de contas ao Tribunal. (...) [as] entidades privadas que recebem transferências voluntárias dos entes públicos, não ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 20 controladas diretamente ou indiretamente pelo Poder Público, estão obrigadas a observar aos princípios básicos constitucionais (...), que são impostergáveis a todos aqueles que utilizem ou administrem bens e valores públicos. (...) A Lei Complementar nº 101/2000, no seu art. 18, considera como Despesa Total com Pessoal o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativosa mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias (...). O parágrafo único do mesmo artigo estabelece que os valores dos contratos de terceirização de mão de obra que se referirem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados com “Outras Despesas de Pessoal”. Assim, as entidades subvencionadas têm obrigação de prestar contas dos recursos recebidos ao órgão repassador, mas as despesas com pessoal dessas entidades não entram no cômputo da Despesa de Pessoal do município, até porque não fazem parte do quadro funcional da Prefeitura Municipal (Consulta n. 685317. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/12/2005). [OSCIP. Contratação para prestação de atividades de saúde. Contabilização] (...) é possível a contratação de OSCIP por município para desempenho de atividades de saúde, em caráter complementar, vedadas as de agentes comunitários de saúde e de agentes de combate às endemias; (...) a forma de contratação e o regime de execução e controle das atividades da OSCIP devem ter previsão na legislação municipal, devendo ser feita licitação ou formalizado procedimento de dispensa ou inexigibilidade, se for o caso, para a contratação da entidade parceira; (...) os repasses às OSCIPs deverão ser classificados como despesas de transferências correntes para efeito de apuração de limites com gasto de pessoal; (...) os percentuais mínimos de aplicação em saúde deverão ser aferidos, utilizando-se as despesas executadas pelas OSCIPs, em conformidade com as classificações contábeis previstas no Termo de Parceria e com o disposto na IN TC n. 19/2008 (Consulta n. 809494. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 24/02/2010). [OSCIP. Termo de Parceria. Fiscalização] (...) cumpre ao órgão estatal parceiro verificar e deter consigo documentação, em geral, que ateste a regularidade do procedimento de qualificação da OSCIP, se foram atendidos todos os requisitos constantes em lei para obtenção do título; o procedimento de seleção da OSCIP, independentemente de ter-se dado por meio de licitação, inexigibilidade ou dispensa, desde que regularmente formalizados; a formalização do termo de 21 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 parceria, com o respectivo plano de trabalho e cronograma de desembolso de valores; o competente regulamento da OSCIP para compras e contratações de serviços, com o comprovante de sua publicação; ao final de cada exercício, o relatório de execução do termo de parceria, com o quadro comparativo entre metas propostas e resultados alcançados; ao final do termo de parceria, o relatório conclusivo da Comissão de Avaliação sobre as atividades da OSCIP e a execução de seu plano de trabalho. (...). É de se esclarecer que caberá ao Tribunal de Contas acompanhar a fiscalização da execução do termo de parceria que, obrigatoriamente, deve ser feita pelo órgão estatal parceiro sobre a OSCIP. Ou seja, a fiscalização imediata do termo de parceria cabe ao parceiro estatal (Consulta n. 716238. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/11/2008). [OSCIP. Ano eleitoral. Repasse de recursos e celebração de termos de parceria] (...) art. 73, VI, a, da Lei nº 9.504/97 (...) Da interpretação de precitado dispositivo não pode defluir o entendimento de que, durante o lapso temporal de três meses antes do pleito, deva-se paralisar o repasse de recursos a OSCIPs que, anteriormente, já houvessem firmado termo de parceria com a Administração, já o estivessem executando de maneira adequada e que os recursos já estivessem previstos na Lei Orçamentária Anual. Deve-se coibir que a celebração de termos de parceria seja utilizada como artifício eleitoreiro. Assim, mais razoável é que se evite a celebração de novos termos de parceria nos três meses que antecedem o pleito, a fim de que tal iniciativa não se configure como manobra para captação de votos. Por fim, cumpre apenas a observância dos ditames do art. 42, da Lei de Responsabilidade Fiscal, segundo o qual é vedado, nos dois últimos quadrimestres, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida totalmente no mesmo mandato, ou que, tendo parcelas a serem pagas nos exercícios seguintes, não foram previstas suficientes disponibilidades de caixa para suportá-las (Consulta n. 716238. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/11/2008). [OSCIP. Termo de parceria. Objeto. Assistência jurídica. Não inclusão dos repasses como despesa de pessoal] (...) é possível firmar termo de parceria com OSCIP objetivando promover a assistência judiciária, à população carente, nas áreas de direito previdenciário e de direito do consumidor. Contudo, como pressupostos à assinatura desse termo de parceria, a matéria deverá estar devidamente regulamentada em âmbito municipal. Além disso, em não se configurando as hipóteses de dispensa ou inexigibilidade, nos termos da Lei nº 8.666/93, há que se realizar licitação para contratação de tais entidades, sob ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 22 pena de malferir os princípios que regem a administração pública. Também é imprescindível que seja verificada a adequação da constituição da OSCIP à Lei nº 8.906/94, quando verificado que o termo de parceria prevê o exercício de atividade privativa da advocacia, sendo recomendável evitar que os termos de parceria prevejam o acompanhamento de demandas nas esferas administrativa e judicial, dada a possibilidade de a OSCIP se extinguir antes de finalizados os processos por ela acompanhados. No tocante ao questionamento se as despesas com o pagamento dos funcionários da OSCIP deveriam ser computadas a fim de se apurar o limite das despesas com gasto de pessoal da Administração Municipal, responde-se negativamente, uma vez que esses funcionários não compõem o quadro de servidores, e os repasses à OSCIP deverão ser classificados como despesas de transferências correntes (Consulta n. 716238. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/11/2008). [Aplicação da lei de licitações às OSCIPs] (...) as ONGs qualificadas como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público pelo Ministério da Justiça não se submetem ao regramento comum da Lei n. 8.666/93, mas ao especial da Lei n. 9.790/99 e do Decreto n. 3.100/99. Todavia convém asseverar que, considerando a regra do art. 116 da Lei n. 8.666/93, de utilização subsidiária, aplicam-se, no que couber, as disposições dessa lei aos convênios, acordos, ajustes e instrumentos congêneres, inclusive ao Termo de Parceria por ser ele um instrumento similar aos convênios (Consulta n. 683832. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 04/02/2004). 1.4 ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS [Vinculação de percentual de recursos do Fundo de Participação dos Municípios às contribuições mensais destinadas às associações de municípios] (...) as associações de municípios são entidades dotadas de personalidade jurídica própria, instituídas e mantidas por contribuições dos municípios associados, de sorte que a associação de municípios não pode ser enquadrada nas definições de órgão ou fundo aludidas no inciso IV do art. 167 da Constituição Federal. (...) Caso a associação de municípios seja constituída como consórcio público, a forma de repasse de recursos dos municípios à associação deverá ser o contrato de rateio (...) consignadas as dotações correspondentes na lei orçamentária ou 23 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 em lei de créditos adicionais, sob pena de exclusão do município inadimplente do consórcio. Caso a associação não assuma a forma de um consórcio, o repasse poderá ser feito por meio da celebração de convênio (...). Quanto à despesa com a contribuição mensal dos municípios filiados à associação de municípios (...), o que se veda é a vinculação de receitas de impostos municipais paracusteio da despesa com a referida contribuição. [Assim] respondo (...) pela possibilidade de vinculação de percentual de recursos do FPM para fazer face à contribuição devida à associação de municípios, tendo em vista que os recursos do FPM são (...) receitas de transferências intergovernamentais, não se lhes aplicando a vedação do inciso IV do art. 167 da Carta Magna (Princípio da Não Afetação das Receitas). (...) a referida contribuição dependerá de autorização legislativa para o compromisso de associação e para a execução da despesa de contribuição, bem como da existência de um contrato de rateio ou de um convênio, e, ainda, de disponibilidade orçamentária e financeira. Outra regra (...) é a necessidade de contabilização da contribuição pelo município (...) (Consulta n. 809502. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 05/05/2010). [Associações de municípios. Consórcios Públicos. Regime de licitação e contratação, de pessoal, de recebimento de recursos] (...) as associações de municípios, que são entidades de direito privado (controladas e mantidas pelos municípios) estão sujeitas à licitação para contratar com municípios, bem como com terceiros. (...) em sendo os recursos públicos, as entidades em tela, em que pese serem instituídas como pessoas de direito privado, ao aplicá-los, estão obrigadas a observar aos princípios básicos constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, incluindo o dever de licitar, que são impostergáveis a todos aqueles que utilizem ou administrem bens e valores públicos. (...) O Consórcio Público, criado com prazo de duração determinado ou indeterminado, pode adotar personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. Na primeira hipótese, cria-se uma autarquia especial, chamada de associação pública e, na segunda, cria-se uma fundação ou uma associação. Em quaisquer dessas hipóteses, os servidores do Consórcio são regidos pelas normas da CLT (Consulta n. 731118. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 20/06/2007). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 24 [Associação de municípios. Necessidade de licitar para contratar terceiros] (...) o Tribunal firmou seu posicionamento no sentido de que as associações de municípios, que são entidades de direito privado (controladas pelos municípios) estão sujeitas à licitação para contratar com terceiros (...). Quanto à forma pela qual devem relacionar-se com os municípios, entendeu esta Corte que o instrumento mais adequado, em sendo estabelecida relação de cooperação, é a celebração de convênio, observadas as formalidades legais arroladas no art. 116 da Lei nº 8.666/93. De outra feita, para que possam estabelecer relação de caráter obrigacional com os municípios (contrato com obrigações recíprocas — objeto e contraprestação), devem-se submeter à licitação (Consulta n. 703949. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 21/12/2005). [Impossibilidade de atuação de associações de municípios por meio do sistema de credenciamento] (...) é facultado à Administração Pública utilizar o sistema de credenciamento de prestadores de serviços, nas hipóteses em que não for possível promover a licitação em decorrência de inviabilidade de competição, desde que observados os princípios da isonomia, impessoalidade, publicidade e eficiência. (...). Em 2005, foi editada a Lei nº 11.107/05, que dispõe sobre as normas gerais para os consórcios públicos. De acordo com a mencionada Lei, os consórcios podem adquirir personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. O objeto do consórcio deverá ser sempre a prestação de serviços públicos, sem fins lucrativos. Todas as obrigações financeiras dos entes consorciados são estipuladas em um contrato paralelo ao contrato de consórcio, denominado contrato de rateio. (...) a atuação das associações de municípios no setor de saúde, por meio do sistema de credenciamento, a meu ver, não tem respaldo jurídico, visto que as associações de municípios não foram criadas sob as rédeas da Lei nº 11.107/05, que permite a união de entes federados unicamente para prestar serviços públicos adequados utilizando os recursos públicos como fonte de financiamento. (...) Assim, se uma associação de municípios disponibilizar serviços de saúde financiados pelo próprio usuário, sua atuação será regida pelo regime jurídico de direito privado, devendo, contudo, observar aos princípios éticos e às normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme previsto no art. 22 da Lei nº 8080/90, Lei Orgânica da Saúde. (...) considerando que a CR/88 e a legislação infraconstitucional estabelecem que a gestão associada de serviços públicos, inclusive na área de saúde, deve ser exercida pelos consórcios públicos, entendo que não compete às associações de 25 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 municípios tal prática (Consulta n. 791229. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 01/12/2010). [Associação de câmaras municipais. Impossibilidade] Quanto à contribuição mensal pelo Legislativo local à associação de câmaras municipais, o Tribunal também se posicionou, de forma negativa, sobre o tema, na Consulta nº 113706, especialmente em relação à inviabilidade legal da própria Associação (...). (...). Com efeito, as câmaras representam o Poder Legislativo municipal, porém, são desprovidas de personalidade e capacidade jurídicas, razão pela qual não podem congregar-se em Associações (Consulta n. 727149. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 16/04/2008). 1.5 PUBLICIDADE DE ATOS [Publicidade dos atos do município. Meio eletrônico. Operacionalização pela iniciativa privada. Sítio oficial do poder público. Disponibilização dos atos municipais exclusivamente pela Administração Pública] (...) Princípio da Publicidade está indubitavelmente atendido quando houver publicação do ato em órgão oficial. (...) com a inexorável tendência à incorporação da tecnologia da informação em todos os domínios da Administração Pública, afigura-se perfeitamente possível que as publicações oficiais de Poderes ou órgãos públicos sejam feitas por meio eletrônico (internet), a exemplo do TJMG e da iniciativa deste Tribunal, desde que haja amparo legal, situação diversa de uma publicação pura e simples na internet, como parece perquirir o consulente. (...) A publicação dos atos oficiais municipais deve fazer-se na conformidade não apenas da lei local, mas também da legislação heterônoma porventura aplicável; (...) havendo dispositivo legal impondo a publicação no Diário Oficial do Estado e/ou no Diário Oficial da União, tem ela de ser feita nesses jornais, sob a forma legalmente prevista. (...). Não pode o município terceirizar serviços que abrangem sua atividade-fim, traduzindo atribuições típicas de cargos permanentes, que só podem ser preenchidos por concurso público. (...) não seria razoável utilizar de um veículo já existente para ser sítio oficial de publicação de atos municipais. Para tanto, faz-se necessário que o município tenha um sítio oficial do Poder Público para ser utilizado como meio eletrônico de divulgação oficial dos seus atos. (...) compreendo que apenas a operacionalização de um diário eletrônico municipal possa pertencer à iniciativa privada, visto que ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 26 a disponibilização dos atos municipais, considerando que sua autenticidade e integridade hão ser preservadas, deve ser de responsabilidade exclusiva da Administração Pública, observando as normas referentes à Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP), por exemplo. (...). É possível, quando da publicação do extrato do edital nos Diários Oficiais do Estado ou da União, fazer remissão de que o texto integral do instrumento convocatório está disponível no diário eletrônico oficial do município, desde que esse seja definido como veículo da imprensa oficial(Consulta n. 837145. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 19/10/2011). [Vinculação de símbolos ou imagens do vereador à publicidade da Prefeitura] Publicidade de atos governamentais. Princípio da impessoalidade. [...] O caput e o parágrafo 1º do art. 37 da Constituição Federal impedem que haja qualquer tipo de identificação da publicidade com os titulares dos cargos alcançando os partidos políticos a que pertençam. O rigor do dispositivo constitucional que assegura o princípio da impessoalidade vincula a publicidade ao caráter educativo, informativo ou de orientação social, é incompatível com a menção de nomes, símbolos ou imagens, aí incluídos slogans, que caracterizem promoção pessoal ou de servidores públicos. A possibilidade de vinculação do conteúdo da divulgação com o partido político a que pertença o titular do cargo público mancha o princípio da impessoalidade e desnatura o caráter educativo, informativo ou de orientação (...). (Consulta n. 788106. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 16/03/2011). [Publicidade dos atos do município em sítio eletrônico oficial] É legal a publicação de atos oficiais dos municípios em diário oficial eletrônico em site diverso do do órgão emissor, desde que haja previsão na lei orgânica do município, que seja propagada amplamente esta nova forma de divulgação dos atos oficiais e que sejam observados os dispositivos das legislações federal e estadual que determinam outras formas de publicação. Por derradeiro, mesmo que utilize o meio eletrônico para a divulgação de seus atos oficiais, o município deverá publicar o extrato do conteúdo do ato administrativo no diário oficial (Consulta n. 833157. Rel. Cons. Cláudio Couto Terrão. Sessão do dia 02/03/2011). 27 Ad m in ist ra çã o pú bl ic a 1 [Instituição de diário oficial municipal. Possibilidade. Instituição por lei de iniciativa privativa do Prefeito Municipal] (...) a iniciativa de se instituir diário oficial, no âmbito municipal, é medida salutar que atende ao princípio da publicidade consagrado no art. 37, caput, da Constituição Federal, sendo um dos instrumentos de transparência inerente à atividade da Administração Pública. Por fim, a criação de diário oficial local deve ser precedida de lei de iniciativa privativa do prefeito municipal, (...), bem como de recursos orçamentários próprios (Consulta n. 695855. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 26/10/2005). [Gastos com publicidade. Respeito ao princípio da impessoalidade] (...) pelo mandamento constitucional [§ 1º do art. 37] (...), infere-se que a utilização de recurso público para realização de publicidade institucional é possível desde que tenha caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. (...) não é a mera inserção de nome, símbolo ou mesmo imagem na publicidade estatal condição, por si, suficiente para que se possa caracterizar o desvio de finalidade do administrador. Não é sustentável, até como corolário do princípio da publicidade e transparência dos atos estatais, parâmetros basilares da administração pública e garantia dos cidadãos, que a administração se mantivesse silente sobre a publicidade de algum ato, a título ilustrativo, sobre a inauguração de determinado posto de saúde, unicamente, pelo fato de o administrador ter sido fotografado juntamente com os demais presentes. (...). Não é isto que o preceito constitucional visa coibir. A vedação normativa não pressupõe a simples presença de nomes, símbolos ou imagens, mas sim a ocorrência de vício insanável na publicidade estatal que caracterize que o administrador ou servidor público dela se utilizou para se autopromover à custa do erário. Cabe, pois, como já aludido, questionar o propósito da publicidade. É fundamental que fique comprovado, em cada caso concreto, o intuito de alardear ou elevar os méritos e atributos pessoais, enaltecer virtudes do administrador, enfim, a busca de promoção indevida à custa da publicidade veiculada. Isso, obviamente, na intenção de se obter um bônus de natureza político-pessoal que lhe confira uma posição de vantagem em relação aos demais, em decorrência ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 28 da utilização da propaganda estatal, violando, assim, de forma clara, o princípio constitucional da isonomia. Nesse caso, aí sim, estaremos diante de uma atitude infensa à norma a caracterizar o desvio de finalidade. Obviamente, o que se quer evitar é o mero apontamento de possíveis irregularidades com base numa interpretação automática, para não dizer subjetiva ou discricionária, sem atentar para as particularidades de cada caso concreto, fruto de uma visão de mundo não associada com o dinamismo que deve pautar a concretização do direito pelo intérprete (Consulta n. 711005. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 07/06/2006). 29 2 PATRIMôNIO PÚBLICO [Bens públicos. Adoção da concessão de direito real de uso e da concessão especial para fins de moradia. Possibilidade de doação, em caráter excepcional, de imóveis a particulares] 1) No que diz respeito aos bens imóveis de propriedade do município ocupados por pessoas carentes que estabeleceram lá sua residência, sob o ponto de vista do interesse público, é mais vantajoso para o município a adoção do instituto da concessão de direito real de uso e da concessão especial para fins de moradia, que permitem maior controle quanto à preservação da finalidade social do uso pelo particular e não configuram mera disponibilidade do patrimônio público (...); 2) Possibilidade de o município realizar doação, em caráter excepcional, dos imóveis de sua propriedade, ocupados por pessoas carentes, desde que vinculada a políticas públicas consistentes, sob autorização legislativa, avaliação prévia, indiscutível demonstração de interesse social e licitação (dispensada nos casos do art. 17, I, f, da Lei Federal n. 8.666/93), observados os princípios administrativos, notadamente os da impessoalidade e da moralidade (Consulta n. 862440. Rel. Cons. Mauri Torres. Publicada no D.O.C. em 24/11/2011). [Instituição de almoxarifado na estrutura da Administração. Controle patrimonial e de almoxarifado] A instituição de um almoxarifado gera um custo e, portanto, para que seja efetivada, deve-se verificar se o custo de manutenção de estoques a justifica. Se a manutenção de bens em estoques se mostra vantajosa, de forma a reduzir os custos que representam solicitações de fornecimento feitas com elevada frequência, bem como reduzir os eventuais prejuízos com falta de produtos de uso contínuo, a resposta é positiva quanto à necessidade de sua instituição. Mas se, por exemplo, os bens adquiridos por uma Câmara de um pequeno município são tão poucos que a sua guarda e controle implicam custos desproporcionais à sua implantação, então a resposta deve ser negativa. (...) independentemente da existência de um almoxarifado propriamente dito, há a necessidade de controle efetivo de todas as aquisições procedidas pela Administração Pública (...) exercido na forma prevista pelo inciso IV do art. 5º da IN TC nº 08/2003, com a redação PATRIMÔNIO PÚBLICO 30 dada pelo art. 2º da IN TC nº 06/2004, que estabelece medida de caráter gerencial que não se confunde com a implantação de um “departamento de patrimônio e almoxarifado”. (...) a não instituição de um setor de patrimônio e almoxarifado quando ele se fizer necessário, abrangendo inclusive a disponibilização de espaço físico para o estoque, se for o caso, seria um atentando ao princípio da eficiência, podendo o responsável (...) ser responsabilizado pela sua omissão e pelos prejuízos dela decorrentes (Consulta n. 859097. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 26/10/2011). [Bens móveis públicosinsersíveis. Condições da desincorporação] 1) As desincorporações de bens móveis públicos inservíveis podem ser realizadas por meio de empréstimo, alienação e doação, devendo os bens serem oferecidos inicialmente aos demais órgãos da Administração Pública Municipal e, só em um segundo plano, serem ofertados a entidades particulares de interesse público. (...); 2) Obrigatoriedade de realização de leilão, previsto no art. 17 da Lei Federal 8.666/93, para alienação de bens móveis inservíveis, desde que haja interesse público devidamente justificado e avaliação do bem e que não haja exigência na lei federal de autorização legislativa. (...); 3) As desincorporações de bens móveis públicos realizadas por doação estão condicionadas à existência de interesse público justificado, avaliação e licitação, sendo a última dispensada quando os fins e a utilização têm interesse social, vedada a doação em proveito pessoal ou particular. (...); 4) A receita obtida com a alienação de bens móveis públicos deve ser classificada contabilmente como receita de capital. (...); 5) A Câmara Municipal pode ‘emprestar, alienar ou doar bens móveis inservíveis que estão sob o seu controle patrimonial sem ingerência do Poder Executivo’. (...) (Consulta n. 838957. Rel. Cons. Mauri Torres. Publicada no D.O.C. em 24/10/2011). [Locação de veículos pelo município com cláusula de doação ao final do contrato] Em suma, entendo que a modalidade de locação com doação ao final do contrato não se coaduna com o princípio básico da licitação, que é imprescindível para a contratação, e o qual corresponde à ampla competitividade do certame, podendo ocasionar, sobretudo, verdadeira restrição à oferta da proposta mais vantajosa para a Administração. (...). O entendimento do Tribunal sobre a matéria, em linhas gerais, é de que o município pode celebrar contrato de arrendamento mercantil ou leasing, desde que, observados os seguintes pré-requisitos: autorização legislativa e procedimento licitatório. (...). Nesse caso, sem sombra de dúvidas, seria atendido o princípio da economicidade pela administração municipal, o que não ocorrerá na situação hipotética ora colocada. Em outras palavras, a Administração está apenas Pa tr im ôn io p úb lic o 2 31 atrelando um mau negócio ao final de um contrato de locação, qual seja, a compra de um veículo usado, com pagamento realizado em prestações prévias, embutidas no preço do aluguel (Consulta n. 748953. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 30/03/2011). [Doação de imóveis a pessoas carentes. Requisitos] (...) possibilidade, em tese, de município efetuar doação de imóveis a pessoas comprovadamente carentes, sob autorização legislativa, avaliação prévia, irrefutável demonstração de interesse social e licitação (dispensada nos casos do art. 17, I, f, da Lei n. 8.666/93), devendo essa modalidade ser utilizada excepcionalmente, sendo, pois, preferível a adoção, para os mesmos fins de interesse social, dos institutos da concessão de direito real de uso e da concessão especial para fins de moradia, que admitem maior controle quanto à preservação da finalidade social do uso pelo particular e não se traduzem em mera disponibilidade do patrimônio público. (...) uma das condições para que se proceda a doação ou mesmo a concessão do direito real de uso é que haja, necessariamente, um programa definidor que, de forma objetiva, esclareça quem são os beneficiários e quais os critérios que serão adotados para a doação (Consulta n. 812400. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 06/10/2010). [Alienação de bens móveis. Requisitos para leilão. Classificação contábil da receita advinda da alienação dos bens] “(...) [A Lei n. 8.666/93] exige demonstração de interesse público, prévia avaliação, licitação e autorização legislativa, este último requisito somente exigível quando se trate de bem imóvel. (...) Quando se trata de bens móveis, a autorização legislativa não é necessária...” (...) De qualquer forma, é preciso ressalvar a possibilidade de haver sim a exigência de autorização legislativa para alienação de bens móveis, desde que haja lei estadual ou municipal assim dispondo. (...) visando a um maior resguardo do patrimônio público, poderia o legislador estadual ou o municipal criar a exigência da autorização legislativa prévia como um dos requisitos da alienação de bens públicos móveis daquele ente. Tal norma não significaria nenhuma violação às normas gerais estabelecidas pela Lei Federal n. 8.666/93, mas mera complementação, de acordo com uma decisão política local. (...) o art. 44 da LC n. 101/2000 já prevê que são receitas de capital os valores provenientes da alienação de bens do município e determina que tais receitas devem ser utilizadas na aquisição de outros bens ou na realização de investimentos. (...) A receita obtida com a alienação de bens públicos móveis deve ser classificada contabilmente como receita de capital e pode ser utilizada na aquisição de veículos, pois essa operação não configura pagamento de despesa corrente (Consulta n. 720900. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 06/05/2009). PATRIMÔNIO PÚBLICO 32 [Sociedade de Economia Mista. Direito de uso de seu patrimônio à terceiros] (...) empresas estatais criadas para execução de atividade econômica podem utilizar, onerar ou alienar seus bens na forma estatutária, independentemente de autorização legislativa, e suas licitações e contratações sujeitam-se apenas aos princípios da administração pública; empresas estatais prestadoras de serviços públicos só poderão ter seus bens onerados, penhorados ou alienados se houver autorização em lei específica, e suas contratações de obra, serviços e compras, bem como a alienação de seus bens ficam sujeitas a licitação, nos termos do art. 119 da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 644080. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 12/12/2001). 33 3 PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 3.1 FASE INTERNA [Edital. Delegação. Presidente da Comissão de Licitação] “A competência para expedição do edital apura-se pelas regras comuns de direito administrativo. Nada impede a delegação de competência, no plano administrativo, para que autoridade inferior firme o edital. Discute-se acerca da possibilidade de o edital ser elaborado e firmado pela própria comissão de licitação. Parece que a questão não se enquadra no conceito de ‘norma geral sobre licitações’. Cada ente federativo dispõe de competência para regular a questão, no âmbito da autonomia para dispor sobre sua organização interna” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 8. ed. São Paulo: Dialética, 2001, p. 414-415). Com base no entendimento do eminente doutrinador, entende-se que a atribuição de expedir editais de licitação pode ser delegada ao Presidente da Comissão de Licitação (Consulta n. 706765. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 25/04/2007). [Fase interna. Previsão de recursos orçamentários para a contratação do objeto do certame] (...) É na fase interna (...) que a Administração verificará o atendimento dos pressupostos legais para a contratação pretendida, entre os quais, a existência de recursos orçamentários. A prévia existência de recursos orçamentários, como requisito necessário à instauração da licitação, ressai com clareza solar da Lei Federal n. 8.666/93 (...). (...) a existência de dotação orçamentária é condição sine qua non para a instauração de procedimento licitatório, tanto para obras e serviços, quanto para compra de bens. (...) na fase interna da licitação, além de observar as disposições contidas na Lei Federal n. 8.666/93, o gestor público deverá acautelar- se com o cumprimento das regras contidas na Lei Complementar n. 101/2000, sobretudo aquelas estatuídas no mencionado art. 16. É que (...) os incisos I e II do caput do art. 16 daLei Complementar n. 101/2000 determinam novas providências a serem observadas na fase interna da licitação, exigências, essas, que deverão se agregar àquelas contidas nos arts. 7º, 14 e 38 da Lei Federal n. 8.666/93. (...) além PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 34 de comprovar a existência de recursos orçamentários e a adequação da despesa às leis de natureza orçamentária (LOA, LDO e PPA), é preciso que se demonstre a viabilidade financeira para a assunção da nova obrigação, com a possibilidade real de pagamento das obrigações assumidas durante o exercício financeiro, a fim de evitar o desequilíbrio das contas públicas. (...) à Administração Pública é vedado iniciar procedimento licitatório sem prévia dotação orçamentária suficiente para suportar a respectiva despesa, bem como sem verificar a estimativa do impacto orçamentário- financeiro da despesa a ser gerada, no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subsequentes, como também se o aumento da despesa tem adequação orçamentária e financeira com a Lei Orçamentária Anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias (Consulta n. 706745. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 28/02/2007). [Fase interna. Exigências impostas pelo art. 16 da LRF. Despesa considerada irrelevante] As especificações do art. 16 devem ser introduzidas na chamada fase interna das licitações, também designada como processo (art. 38, da Lei nº 8.666/93). (...) A presente LRF acrescenta à fase interna do certame, além das exigências dos arts. 7º, 14 e 38 da Lei nº 8.666/93, os documentos contemplados nos itens I e II do art. 16. (...) Integram-se, destarte, as diretrizes dos incisos I e II, ora comentadas, aos direitos subjetivos do licitante; e somam-se ainda às demais normas legais que asseguram o chamado “preço limpo” nas licitações. Exatamente, em face do diploma legal licitatório é que, segundo Ivan Barbosa Rigolin, pode-se extrair o conceito de despesa considerada irrelevante ou “de pequena monta”, a que alude o art. 16, § 3º, da LRF. Com efeito, um parâmetro para essa espécie de despesa estaria contido no art. 60, parágrafo único, da Lei n. 8.666/93, ou seja, “aquelas de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea a, correspondente a compras e serviços não referidos no inciso I, aplicável para convite.” (...) Em síntese, a exceção às exigências inseridas nos incisos I e II do art. 16 da LRF está prevista no próprio § 3º, para a despesa considerada irrelevante, assim definida na LDO, ou, se inexistente, pode-se utilizar o valor fixado no art. 60, parágrafo único, da Lei n. 8.666/93, retroindicado, haja vista o princípio da razoabilidade (Consulta n. 668638. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 13/11/2002). [Projeto básico. Necessidade] O projeto básico constitui elemento importante na caracterização do objeto a ser licitado, de forma a indicar seu custo, o prazo de execução, sua viabilidade técnica e econômica, visando possibilitar a todos o mais amplo conhecimento sobre o objeto licitado, desde a solução técnica Pl an ej am en to d a c on tr at aç ão 3 35 pretendida até os tipos de materiais e serviços que serão, no futuro, exigidos pelo órgão público, bem como garantir a regular execução da obra ou serviço licitado, evitando-se correções e aditamentos custosos. (...) Na mesma vertente, a lição abalizada do Professor Jorge Ulisses Jacoby Fernandes em seu artigo intitulado A nova dimensão do projeto básico nas licitações, (...): “Entre as boas inovações trazidas pela Lei nº 8.666/93, que disciplinou no âmbito da Administração Pública o tema da licitação e contratos, está a obrigatoriedade do projeto básico, para a contratação de qualquer obra ou serviço.” (...) o projeto básico é exigência legal para contratação de obras e serviços, sem nenhuma distinção. A inobservância desse requisito, essencial à fase interna e que reflete na fase externa da licitação, pode ensejar a nulidade de todo o certame, haja vista que a ausência desse detalhamento prévio é considerado vício insanável (Consulta n. 657018. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 07/08/2002). 3.2 HABILITAÇÃO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 117. Nos atos convocatórios de licitação, as Administrações Públicas Estadual e Municipais não poderão exigir apresentação de certificado de qualidade ISO ou outro que apresente as mesmas especificidades como requisito para habilitação de interessados e classificação de propostas. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 40. A prova de habilitação profissional é um dos requisitos indispensáveis para que seja considerada legal a contratação, pelo Poder Público, de pessoal para prestar serviços técnicos especializados que requeiram formação escolar de nível médio ou superior. [Execução por estabelecimento filial. Exigência editalícia] (...) somente será possível a execução do objeto de um contrato por intermédio do estabelecimento filial, se, nas condições de habilitação, o edital tiver exigido a apresentação da comprovação da regularidade fiscal perante todos os fiscos, não apenas o do estabelecimento matriz, sede da empresa, como também os daqueles pertinentes ao estabelecimento filial, encarregado da execução contratual, e, por óbvio, se esses documentos estiverem regulares (Consulta n. 724015. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 23/05/2007). [Convite. Habilitação] (...) esta Corte já se manifestou (...) pela obrigatoriedade de se inserir no edital do convite as exigências de prova de regularidade com a seguridade social e com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) (...) (Consulta n. 654063. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 25/08/2004). PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 36 [SICAF. Não restrição da licitação a licitantes cadastrados] A matéria está definida no art. 34 da Lei nº 8.666/93, quando determina que os órgãos e entidades da Administração Pública — aqui incluídos, também, os municípios — que realizem frequentemente licitações manterão registros cadastrais para efeito de habilitação, na forma regulamentar, válidos por, no máximo, um ano. (...) O cadastramento é de grande utilidade operacional; entretanto, sua obrigatoriedade, adotada na esfera federal como condição de habilitação e qualificação de fornecedores, não encontra apoio nem na doutrina nem na jurisprudência e muito menos na Lei nº 8.666/93; ao contrário, agride algumas de suas diretrizes, como os arts. 3º, § 1º, I; 22, §§ 1º, 2º e 3º; 27; e 115. É certo que a lei autoriza os órgãos da Administração Pública, inclusive os dos municípios, a regulamentarem aspectos operacionais em matéria de licitações, mas daí a vedar a ampla participação de licitantes é contrariar o princípio da igualdade, pressuposto constitucional que rege o instituto das licitações. (...) aos municípios não é vedada a adoção de um sistema de cadastro, como aquele adotado pela União visando operacionalizar com rapidez e eficiência as licitações; entretanto, incluir cláusula, em ato convocatório, que restrinja a participação de licitantes, fere o princípio constitucional da igualdade e afronta, literalmente e especificamente, diretrizes da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 680805. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 17/12/2003). [Tipo de licitação e critérios de apuração da classificação dos licitantes no certame para atividade de transporte individual de passageiros por táxi] 1 — A permissão para exploração de serviço de táxi deve ocorrer por meio de processo de licitação, podendo ser adotado o tipo melhor técnica e estipulado, como critério de classificação técnica, pontuação relativa ao tempo de efetivo exercício como motorista profissional, desde que não seja fixada restrição territorial, nos termos dos arts. 44 e 46, § 1º, I, da Lei Federal nº 8.666/93; 2 — Não é possívela estipulação de reserva de vaga, mediante cláusula de preferência, a condutor com determinado tempo de experiência, nos procedimentos licitatórios para permissão do serviço de táxi, devendo o administrador evitar cláusulas restritivas injustificadas ou inadequadas que estabeleçam condições que beneficiem alguns particulares, haja vista a obrigação de respeitar o princípio da ampla competitividade, em atenção ao disposto no art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 841512. Rel. Cons. Mauri Torres. Sessão do dia 16/11/2011). Pl an ej am en to d a c on tr at aç ão 3 37 3.3 OBJETO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 86. É irregular a substituição do objeto licitado dos contratos ou convênios, mediante termo aditivo. [Necessidade de motivação e de licitação para a aquisição de bens usados. Economicidade] (...) tendo em vista que as licitações instauradas pelo Poder Público destinam-se à aquisição de bens novos, entendo que é indispensável que sejam elencadas razões aptas a justificar a opção pela aquisição de bens usados, merecendo destaque o aspecto relativo à economicidade e também como será assegurada a qualidade do produto usado. Assim, se após as análises necessárias a Administração concluir que a melhor opção para satisfazer a necessidade pública é a aquisição de bens usados, é necessária a realização de uma licitação na modalidade compatível com o valor do bem a adquirir, devendo ser acostadas aos autos do processo licitatório justificativas aptas a respaldar essa opção. (...) Se, entretanto, o valor estimado do bem permitir a dispensa da licitação, devem ser obedecidas as determinações do art. 26 da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 696405. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 26/04/2006). [Fornecimento de alimentação. Serviço de caráter continuo] (...) embora omissa a legislação de regência, predomina, na doutrina, entendimento segundo o qual a natureza jurídica do fornecimento de alimento é de prestação de serviços e não de compra. (...) Logo, não devemos confundir compras de natureza ininterrupta com serviços de caráter contínuo, pois os contratos destes, ao contrário dos daquelas, que têm prazo de vigência limitados aos respectivos exercícios financeiros (art. 57, caput), podem ser celebrados por períodos superiores (Lei nº 8.666/93, art. 57, II). (...) Este tipo de serviço, para efeito da legislação de licitação e contratos (Lei nº 8.666/93), enquadra-se nos contratos de execução continuada, que admite a prorrogação por iguais e sucessivos períodos até o limite máximo de 60 meses (art. 57, II) desde que prevista expressamente no termo de ajuste, justificada por escrito e previamente autorizada pela autoridade competente (§ 2º, art. 57), (...) (Consulta n. 678606. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 13/08/2003). [Aquisição de medicamentos mediante licitação. Análise das quantidades estimadas com base em anos anteriores] Na Administração Pública vige, acerca das contratações, o princípio basilar da exigência da licitação, salvo as exceções legais, insculpido no art. 37, XXI, da Constituição. Vale dizer que contratação de obras, serviços, inclusive publicidade, compras, alienações e locações no âmbito da PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 38 administração só pode dar-se com observância das normas gerais sobre licitações e contratos estabelecidas pela Lei Federal nº 8.666/93. Portanto, a Prefeitura Municipal não pode pagar receitas médicas de pessoas carentes do município, sem a realização de licitação. O que se recomenda é que, segundo o magistério de Maurício Balesdent Barreira, “deve a Prefeitura adquirir, mediante licitação, os medicamentos em quantidades estimadas segundo o montante doado nos exercícios anteriores, procedendo, após, à doação direta aos beneficiários; ou, adotando o mesmo procedimento licitatório, pode deixar que as farmácias os entreguem diretamente às pessoas que apresentem a autorização expedida pela autoridade competente. A doação de bens móveis para fins de interesse social dispensa licitação, como dispõe o art. 17, II, a.” (BARREIRA, Maurício Balesdent. Licitações e contratações municipais. Rio de Janeiro: IBAM, 1996, v. 1) (Consulta n. 654472. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 27/02/2002). 3.4 PARCELAMENTO E FRACIONAMENTO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 113. O lapso temporal a ser considerado como parâmetro de definição da modalidade licitatória cabível às contratações relativas a parcelas de um mesmo objeto ou a objetos de natureza semelhante, cuja duração encontra-se regida pelo caput do art. 57 da Lei n. 8.666/93, deverá corresponder ao próprio exercício financeiro, adotando-se, nesses casos, a modalidade licitatória compatível com o valor global das contratações. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 114. É obrigatória a realização de licitação por itens ou por lotes, com exigências de habilitação proporcionais à dimensão de cada parcela, quando o objeto da contratação for divisível e a medida propiciar melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e a ampla participação de licitantes, sem perda da economia de escala, adotando-se, em cada certame, a modalidade licitatória compatível com o valor global das contratações. [Dispensa por pequeno valor. Considerar valor total das contratações de mesma natureza] De fato, conforme registrado nas decisões precedentes, para fins de enquadramento nas hipóteses de dispensa de licitação em virtude do pequeno valor ou para a escolha da modalidade licitatória a ser utilizada, deverá ser considerada a totalidade de contratações de mesma natureza a serem executadas em um exercício financeiro, ainda que com pessoas distintas. Esse entendimento encontra-se pacificado neste Tribunal, por meio do Enunciado de Súmula nº 113 (...) (Consulta n. 858218. Rel. Cons. Adriene Andrade. Publicada no D.O.C. em 21/11/2011). Pl an ej am en to d a c on tr at aç ão 3 39 [Contratação de empresa terceirizada para realização dos serviços, mediante licitação por preço global] Nesse ponto, é imperioso destacar que o Tribunal de Contas já se manifestou inúmeras vezes pela obrigatoriedade de se parcelar o objeto licitado quando ele for divisível e for mais vantajoso técnica e economicamente para a administração, sendo a matéria objeto da Súmula nº 114. O Tribunal de Contas da União, da mesma forma, unificou o entendimento sobre o tema com a edição da Súmula nº 247. Diante do esposado, (...) considero que a realização de licitação por preço global objetivando a aquisição de materiais e mão de obra somente estará legitimada no caso de não ser possível o fracionamento do objeto licitado, nos termos do § 1º do art. 23 da Lei de Licitações e das Súmulas nº 114 do TCEMG e nº 247 do TCU (Consulta n. 838756. Rel. Cons. Cláudio Couto Terrão. Sessão do dia 14/09/2011). [Contratação direta por valor acima do previsto em lei para dispensa. Fracionamento] Os casos de dispensa de licitação devido ao valor do objeto licitado, previstos à primeira vista nos incisos I e II do art. 24 da Lei nº 8.666/93, encerram previsão taxativa, sem nenhum conteúdo variável ou passível de interpretação, precedendo, portanto, a edição de ato tipicamente vinculado. (...) Extrapolado o limite estabelecido pela legislação para contratações com dispensa de licitação, a irrisoriedade ou insignificância do valor excedente é uma circunstância que deve ser considerada no que se refere à aplicação de normas punitivas, de acordo com o exame de cada caso concreto (Consulta n. 833254. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 02/03/2011). [Parcelamento da execução do objeto. Unidades desconcentradas] Ao contrário do que comumente se apregoa, o parcelamento da execução do objeto pretendido pela Administração não é vedado. A vontade legislativa, preconizada nos incisos do art. 23, impõe ao administrador o deverde parcelar desde que não ocorram impedimentos de ordem técnica e econômica. Com isso se privilegia o princípio da competitividade e o desenvolvimento da economia local na busca pela melhor oferta. Ao prever o respeito à modalidade cabível para o somatório global, na parte final do § 2º do art. 23, o legislador acautelou-se contra o fracionamento indevido, que se caracteriza quando o administrador, de forma ilegal, vale-se de exigências e procedimentos menos formais visando, deliberadamente, fugir da modalidade de licitação legalmente determinada pelo valor. Na esteira dessa determinação legal, seguem os comandos contidos no § 5º do art. 23 e nos incisos I e II do art. 24 nos quais, frisa-se, não há vedação ao parcelamento. A lei, para se considerarem globalmente os valores das contratações, exige, PLANEJAMENTO DA CONTRATAÇÃO 40 apenas, que os objetos sejam da mesma natureza e, ainda, os seguintes requisitos legais: execução conjunta, concomitante e no mesmo local. (...). Desse modo, não estando presentes, cumulativamente, os requisitos acima arrolados, não estará a Administração adstrita ao dever de considerar a integralidade do valor a ser contratado. Por conseguinte, as entidades desconcentradas em municípios distintos, dotadas de autonomia financeira, ao contratarem obras e serviços de engenharia ou outros serviços e compras, concomitantemente ou não, respeitados os limites estabelecidos nos incisos I e II do art. 24 da Lei de Licitações, poderão utilizar-se da modalidade convite ou, se for o caso, da dispensa pelo valor, ainda que o somatório global das contratações referentes ao conjunto das unidades administrativas ultrapasse os limites para os referidos procedimentos licitatórios. Ademais, não teria sentido desconcentrar a execução de atividades administrativas em órgãos, diretamente integrantes do poder central, cujo objetivo é alcançar a maior plenitude da eficiência administrativa, se entraves de ordem operacional, como falta de material de expediente ou demora na sua entrega, por exemplo, comprometerem o pronto atendimento das necessidades locais. (...) as licitações realizadas por unidades desconcentradas localizadas em municípios distintos podem ser consideradas de forma autônoma para fim de escolha da modalidade adequada, não precisando somar os valores de seus contratos aos realizados pelas demais unidades (Consulta n. 741568. Rel. Cons. Substituto Gilberto Diniz. Sessão do dia 06/08/2008). [Parcelamento de obras em diversas licitações] Consoante reiteradas decisões desta Casa e da jurisprudência de outros tribunais de contas, o parcelamento do objeto das licitações em si mesmo não configura irregularidade, pelo contrário, estando preenchidos os requisitos da lei, sendo o objeto divisível, trata-se de medida a ser observada para evitar a centralização, favorecer a competição e garantir a economia de escala. (...). Extrai-se da regra citada as condições para que possa ocorrer o parcelamento, as quais devem ser motivadas pela Administração, na fase interna da licitação: a escolha da modalidade licitatória a ser adotada em cada licitação deve levar em conta o valor total da obra, somando-se os valores de cada parcela, ou seja, se o somatório dos valores estimados para cada licitação, estiver no limite para a realização da concorrência, cada parcela a ser licitada será na modalidade concorrência ainda que o valor de cada uma delas esteja dentro do limite para tomada de preços; que se trate de uma mesma obra, de mesma natureza e divisível; que o local de sua realização também seja o mesmo; que as obras possam ser realizadas no mesmo local, conjunta e concomitantente. (Consulta n. 725044. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 09/05/2007). Pl an ej am en to d a c on tr at aç ão 3 41 [Possibilidade de os valores limites de dispensa e os valores limites das diversas modalidades, previstos na Lei n. 8.666/93, serem considerados conforme cada unidade orçamentária que compõe o orçamento municipal] “(...) para fins de definição da modalidade licitatória a ser adotada, deve a instituição considerar a totalidade dos produtos de mesma natureza a serem adquiridos ao longo de um exercício financeiro, tendo em conta os respectivos valores e quantidades. Trata-se de efetuar o planejamento das compras durante o exercício. No caso de parcelamento das compras de produtos de mesma natureza ao longo do orçamento anual, em processos licitatórios distintos, (...) [deve-se] comprovar a viabilidade técnica e econômica de tal procedimento e (...) preservar a modalidade pertinente para a totalidade do objeto em licitação, observando-se as disposições dos §§ 1º e 2º do art. 23 da Lei nº 8.666/93. O mesmo ocorre com os serviços e obras, devendo a instituição realizar licitação na modalidade compatível com o valor estimado para a totalidade dos mesmos. (...). A implantação do procedimento de descentralização administrativa, orçamentária e financeira está a exigir (...) um rigoroso controle interno do fluxo de recursos e uma cuidadosa rede de comunicação entre as unidades orçamentárias e gestoras, uma vez que as dotações descentralizadas devem ser empregadas obrigatória e integralmente na execução do objeto previsto pelo programa de trabalho pertinente, respeitada fielmente a classificação funcional programática da despesa, sem discrepar do inciso VI do art. 167 da Constituição Federal. Pode-se afirmar que a regulamentação da descentralização do crédito orçamentário por unidades gestoras não é tarefa fácil, da mesma forma que também não o é a execução dessa tarefa em nível gerencial, visto exigir uma reforma organizacional e operacional da administração, cujos custos têm que ser avaliados à luz dos princípios constitucionais da razoabilidade e da economicidade. (...) a adoção da descentralização por unidades gestoras em municípios menores deve ser afastada, haja vista que as aquisições setorizadas em unidades gestoras poderão representar o caminho da fragmentação da despesa pública, que, diferentemente do parcelamento, previsto no art. 23, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.666/93, pode causar sério prejuízo aos princípios das licitações. (...) os limites previstos (...) para cada modalidade de licitação e (...) para as dispensas (...) poderão ser considerados, tendo em vista o montante global das despesas a serem executadas por meio das compras, das obras e dos serviços, observada a natureza do objeto licitado, em cada uma das unidades gestoras criadas pelo ente político municipal, levando em conta o exercício financeiro, observado o montante do crédito orçamentário do qual se originará o recurso (Consulta n. 701202. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 09/11/2005). 42 4 LICITAÇÃO1 4.1 COOPERATIVAS E CONSÓRCIOS PÚBLICOS [Impossibilidade de atuação de associações de municípios por meio do sistema de credenciamento] (...) é facultado à Administração Pública utilizar o sistema de credenciamento de prestadores de serviços, nas hipóteses em que não for possível promover a licitação em decorrência de inviabilidade de competição, desde que observados os princípios da isonomia, impessoalidade, publicidade e eficiência. (...) Em 2005, foi editada a Lei nº 11.107/05, que dispõe sobre as normas gerais para os consórcios públicos. De acordo com a mencionada lei, os consórcios podem adquirir personalidade jurídica de direito público ou de direito privado. O objeto do consórcio deverá ser sempre a prestação de serviços públicos, sem fins lucrativos. Todas as obrigações financeiras dos entes consorciados são estipuladas em um contrato paralelo ao contrato de consórcio, denominado contrato de rateio. (...) a atuação das associações de municípios no setor de saúde, por meio do sistema de credenciamento, a meu ver, não tem respaldo jurídico, uma vez que as associações de municípiosnão foram criadas sob as rédeas da Lei nº 11.107/05, que permite a união de entes federados unicamente para prestar serviços públicos adequados, utilizando os recursos públicos como fonte de financiamento. (...). Assim, se uma associação de municípios disponibilizar serviços de saúde financiados pelo próprio usuário, sua atuação será regida pelo regime jurídico de direito privado, devendo, contudo, observar os princípios éticos e as normas expedidas pelo órgão de direção do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme previsto no art. 22 da Lei nº 8.080/90, Lei Orgânica da Saúde. (...) considerando que a CR/88 e a legislação infraconstitucional estabelecem que a gestão associada de serviços públicos, inclusive na área de saúde, deve ser exercida pelos consórcios públicos, entendo que não compete às associações de municípios tal prática (Consulta n. 791229. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 01/12/2010). 1 Para maiores informações sobre o tema ver Edição Especial da Revista do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, A Lei 8.666/93 e o TCEMG, disponível em: <http://revista.tce.mg.gov.br/ Revista/RetornaRevista/301>. Li ci ta çã o 4 43 [Prestação de serviços públicos municipais de saneamento básico] (...) o tema foi objeto da Consulta nº 751717 (...) Nesse particular, a gestão associada de serviços públicos (...) formaliza-se por meio de consórcio público ou convênio de cooperação. (...) devidamente formalizado o consórcio público ou o convênio de cooperação, uma entidade da administração pública indireta de um dos entes federativos consorciados poderá ser contratada para a execução dos serviços públicos sem a necessidade de prévio procedimento licitatório, (...) mediante a celebração de contrato de programa. (...) o ordenamento jurídico pátrio impõe aos municípios, titulares dos serviços públicos de saneamento básico, o dever de garantir o acesso da população a esses serviços. (...) a concessão de subsídios constitui instrumento idôneo para a efetivação desse dever legal. (...) o princípio da universalização do acesso coaduna-se (...) com o estabelecimento de uma política pública, disciplinada em lei municipal que autorize o ente governamental a arcar com o pagamento da tarifa de esgoto de determinados usuários, (...) respeitado o princípio da impessoalidade. (...) O município pode arcar com o pagamento da tarifa de esgoto devida por usuários de baixa renda à COPASA, mediante autorização constante de lei municipal, observada a previsão orçamentária e a disponibilidade de recursos financeiros, bem como as demais regras da LRF que tratam do aumento da despesa decorrente de ação governamental (Consulta n. 727090. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 25/11/2009). [Município. Cooperativas de crédito] (...) impossibilidade de efetivação de depósito e movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativas de crédito, pois elas somente estão habilitadas a captar depósitos de seus associados e a lhes conceder empréstimos. (...) importa esclarecer que a condição para ingresso na cooperativa é a integralização de recursos ao capital da sociedade, o que não é possível para Administração Pública, pois, nessa hipótese, seriam integralizados recursos públicos a serem administrados pela cooperativa — sociedade privada —, os quais ficariam, juntamente com os recursos integralizados por outros associados, à disposição de pessoas físicas e jurídicas associadas — para diversos fins creditícios, inclusive empréstimo, segundo regras estatutárias próprias da sociedade cooperativa. (...) [conclui-se] pela impossibilidade legal de movimentação de recursos públicos pelos municípios em sociedade cooperativa, como também pela impossibilidade de associação dos municípios às cooperativas de crédito (Consulta n. 743522. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 20/02/2008). LICITAÇÃO 44 [Sociedades cooperativas. Participação em procedimento licitatório] Não há como desconhecer que a questão jurídica envolvida é complexa. Todavia, acompanho o entendimento que ampara a possibilidade de participação de cooperativas em licitações, somente permitindo-se no procedimento as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações, observada, entretanto, a natureza jurídica da cooperativa e desde que respeitados os princípios constitucionais – em especial o da impessoalidade e o da igualdade – bem como verificado que o objeto da licitação encontra-se enquadrado ao objeto social da cooperativa e, ainda, absolutamente descaracterizado o cooperativismo de fachada, observada em todos os casos a legislação vigente. Assim, comungo, lastreado por todo o raciocínio exposto, pela impossibilidade de participação de cooperativas de mão- de-obra – cujos trabalhadores desempenham funções sob regime de subordinação – em processos licitatórios, sob pena de infringência dos princípios albergados no sistema positivo pátrio. Observados os apontamentos acima colacionados, concluo pela viabilidade da participação de cooperativas de crédito nos procedimentos licitatórios, cerne da presente questão, devendo-se levar em consideração, entretanto, quais os serviços que podem ser ofertados aos associados e aos não-associados (Consulta n. 711021. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 11/10/2006). [Contratação de cooperativa para prestação de serviços de transporte de passageiros por meio de taxi] (...) a jurisprudência desta Corte, firmada toda ela no sentido da impossibilidade de cooperativas de serviços participarem de licitação para o fornecimento de mão-de-obra de seus cooperados ao Poder Público. (...) firmo convicção no sentido da viabilidade da contratação dessas cooperativas pelo Poder Público: estas estarão colocando à disposição da Administração Pública não a mão-de-obra de seus cooperados, mas o serviço público de transporte de passageiro via táxi, por intermédio desses cooperados, todos verdadeiramente autônomos no exercício da respectiva atividade (Consulta n. 682676. Rel. José Ferraz. Sessão do dia 16/6/2004). 4.2 MODALIDADES2 ENUNCIADO DE SÚMULA N. 113. O lapso temporal a ser considerado como parâmetro de definição da modalidade licitatória cabível às contratações relativas a parcelas de um mesmo objeto ou a objetos de natureza semelhante, cuja duração encontra-se regida pelo “caput” do art. 57 da Lei n. 8.666/93, deverá corresponder 2 Ver também excertos colacionados no Tópico 3.4 — Parcelamento e Fracionamento. Li ci ta çã o 4 45 ao próprio exercício financeiro, adotando-se, nesses casos, a modalidade licitatória compatível com o valor global das contratações. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 114. É obrigatória a realização de licitação por itens ou por lotes, com exigências de habilitação proporcionais à dimensão de cada parcela, quando o objeto da contratação for divisível e a medida propiciar melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no mercado e a ampla participação de licitantes, sem perda da economia de escala, adotando-se, em cada certame, a modalidade licitatória compatível com o valor global das contratações. [Utilização do pregão para contratação de instituição financeira para processamento das folhas de pagamento mediante dação em pagamento em bens imóveis] Admite-se, pois, em princípio, a utilização do pregão para o processamento das folhas de pagamento e mesmo a utilização do critério de maior valor de oferta, desde que bem justificado e fundamentado, combinando os arts. 4º, VIII, e 9º da Lei nº 10.520/02 com os arts. 3º e 45, IV, da Lei nº 8.666/93. Esse tipo de certame está sendo denominado, em círculos especializados, como “pregão negativo” (...). (...) sobre a possibilidade de o maior lance ser pago ao Poder Público contratante mediante a transmissão de bem imóvel. Compulsandoa Lei Federal nº 10.520/2002 e a Lei Estadual nº 14.167/2002, que regulamentam o pregão, bem como a Lei Federal nº 8.666/93, de aplicação subsidiária, não se encontra diretriz normativa que esclareça o problema (...). Assim sendo, se a Fazenda Pública pode receber um bem imóvel de contribuinte para o adimplemento de uma obrigação tributária, não vislumbro óbice na utilização do mesmo procedimento na seara administrativa, por analogia, em que o particular contratado pagaria o lance ofertado no “pregão negativo” mediante a transmissão de bem imóvel, desde que a operação atenda ao interesse público da Administração contratante. (...) entendo que o edital da licitação deverá prever, como forma de adimplemento do contrato administrativo, a dação em pagamento em imóveis, estabelecendo regras referentes à avaliação do bem e à sua aceitação, condicionando-se ao consentimento da Administração contratante e ao atendimento do interesse público, além de prévia autorização legislativa no âmbito da respectiva entidade federativa (Consulta n. 837554. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 25/05/2011). [Pregão eletrônico. Regulamentação. Obras e serviços de engenharia] A Lei n. 10.520/02 poderá ser regulamentada no âmbito dos municípios por meio de decreto, o qual estabelecerá procedimentos específicos e suplementará eventuais lacunas, mormente no que tange ao modo de operacionalização do pregão eletrônico, LICITAÇÃO 46 bem como adotará o rol de bens e serviços comuns existentes ou criará outro desde que condizentes com a aludida lei federal (...). O decreto regulamentar do pregão, na órbita municipal, poderá prever a adoção da modalidade pregão para a contratação de obras e serviços de engenharia, desde que não necessitem de aferição técnica mais apurada, sejam considerados usuais e rotineiros e a Administração tenha como defini-los nos atos convocatórios das licitações de forma satisfatória. (Consulta n. 732557. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 11/06/2008). [Revogação parcial do § 4º do art. 45 da Lei de Licitações. Possibilidade de aquisição de bens de informática na modalidade pregão] A Lei Federal nº 10.520 (...) instituiu nova modalidade de licitação denominada pregão, contendo normas gerais que se aplicam à União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A nova modalidade é considerada um aperfeiçoamento da competitividade, [permitindo] a ampliação das oportunidades de participação de interessados, com a consequente agilização nas aquisições e a redução de despesas para a Administração. A citada lei estabelece, no caput do art. 1º, que o pregão pode ser utilizado para aquisição de bens e serviços comuns, definidos no parágrafo único do mesmo artigo [como] aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital por meio de especificações usuais no mercado. (...) No âmbito estadual, a matéria encontra-se regulamentada pela Lei nº 14.167/2002. O Decreto Estadual nº 42.408/2003, modificado pelo Decreto Estadual nº 43.653/2003, regulamentou a nova modalidade de licitação e incluiu, no rol de bens e serviços comuns, os bens de informática. [Assim como fez o Estado de Minas Gerais,] os municípios poderão, mediante normas próprias, estabelecer procedimentos específicos e suplementar lacunas deixadas na lei [de normas gerais], bem como adotar o rol de bens e serviços comuns existente [no citado decreto estadual ou no decreto federal], ou criar outro, desde que condizente com a Lei [Federal] nº 10.520/2002. (...). Sob esse ângulo, pode-se dizer que os bens e serviços de informática, cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital por especificações conhecidas pelos agentes administrativos, geralmente oferecidos por diversos fornecedores e que são facilmente comparáveis entre si, de modo a permitir a decisão de compra com base no menor preço, devem ser considerados como comuns e, portanto, podem ser licitados por pregão. (...) outros bens e serviços de informática, com elevada complexidade técnica e sofisticação, com especificações e soluções não padronizadas, não devem ser qualificados como comuns e, portanto, não podem ser licitados por meio de pregão. Outro aspecto a ser ressaltado é quanto ao critério de julgamento para bens e serviços de informática. (...). A única exceção admitida pela lei diz respeito a hipóteses previstas em decreto. Li ci ta çã o 4 47 Ora, pode-se arguir que tais exceções foram indicadas no Decreto Federal nº 3.555/00, que qualifica como comuns certos bens e serviços de informática e admite o critério de julgamento menor preço, que é o único compatível com a referida modalidade. A respeito da técnica e preço, entendo, sendo esta também a posição do Tribunal de Contas da União, que a Lei nº 10.520/2002, norma mais recente, revogou parcialmente o § 4º do art. 45 da Lei nº 8.666/93, que impõe esse tipo de licitação [técnica e preço] para as aquisições de bens e serviços de informática (Proc. 012678/2002-5. Relator: Min. Benjamin Zymler. Acórdão nº 313/04, publicado no DOU de 07/4/04). Desta feita, a contratação de bens e serviços de informática de natureza comum pode ser licitada por meio da modalidade pregão, adotando o tipo menor preço. A própria Lei nº 10.520/2002, em seu art. 9º, dispõe que as normas da Lei nº 8.666/93 apenas se aplicam subsidiariamente para a modalidade pregão (Consulta n. 698919. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 05/04/2006). 4.3 OBRIGATORIEDADE ENUNCIADO DE SÚMULA N. 89. Quem ordenar despesa pública sem a observância do prévio procedimento licitatório, quando este for exigível, poderá ser responsabilizado civil, penal e administrativamente, sem prejuízo da multa pecuniária a que se referem os artigos 71, inciso VIII, da Constituição Federal e 76, inciso XIII, da Carta Estadual. [Câmara Municipal. Publicidade institucional. Utilização de recursos públicos. Observância das normas de licitação para a contratação do serviço] (...) infere-se do (...) § 1º do art. 37 da Constituição Cidadã, que a utilização de recurso público para realização de publicidade institucional é possível, desde que tenha caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos. (...) merece destaque a redação do § 2º do art. 2º da nova Lei nº 12.232/2010, que veda a inclusão de quaisquer outras atividades nos contratos públicos de publicidade, em especial assessoria de imprensa, comunicação, relações públicas e realização de eventos festivos de qualquer natureza. Para contratar esses serviços, a Administração Pública deverá promover licitações próprias, obedecendo ao regramento da Lei n. 8.666/93. (...). Assim, no caso específico de serviços de publicidade ou propaganda institucional, deverá a Administração Pública municipal definir, na fase de projeto (básico e executivo), em observância às disposições do art. 7º da Lei n. 8.666/93, a qual ato, programa, obra, serviço ou campanha vai dar publicidade, obedecidas as disposições do § 1º do art. 37 da Constituição Cidadã, e em quais veículos de LICITAÇÃO 48 comunicação será feita a divulgação (...). Cumprida a etapa de projeto, deverá a Administração municipal estimar o custo global e a duração da execução integral do objeto a ser licitado, nos termos do disposto no art. 8º da Lei de Licitações. Esses procedimentos são indispensáveis para a determinação da modalidade de licitação a ser observada, bem como para a adequação do valor a ser contratado aos termos orçamentários. (...) sobre a existência de parâmetro para fixação do valor destinado à aquisição de espaço publicitário, (...) [deve-se observar] os limites fixados no art. 24, II, c/c art. 23, II, a, da Lei Nacional de Licitaçõese alterações posteriores, e, ainda, deve o gestor atentar-se às disposições da Lei Orgânica Municipal (Consulta n. 778003. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 18/08/2010). [Contratação de curso para servidor público efetivo] (...) a promoção de cursos para os agentes administrativos é medida salutar e de extrema valia para a sociedade, a qual se torna diretamente beneficiada com o aprimoramento do conhecimento daqueles que prestam diretamente as atividades e os serviços públicos aos administrados. Todavia, convém não olvidar que, em se tratando de oferta de cursos e treinamentos feita com o emprego de recursos públicos, devem ser exigidas todas as cautelas e os cuidados afetos à área das despesas públicas, como, por exemplo, a previsão legal do gasto e a disponibilidade orçamentária e financeira. No tocante à escolha da instituição que irá ministrar os cursos, é indispensável destacar que o ente municipal deve promover a devida formalização da contratação do particular, em atendimento ao disposto no art. 37, XXI, da CR/88, o qual preconiza que, ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. (...). Vale esclarecer, ainda, ao consulente, que há casos previstos na Lei de Licitações de contratação mediante dispensa ou inexigibilidade de licitação, o que deve ser verificado no caso concreto (Consulta n. 716047. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 12/03/2008). [Permuta de veículos diretamente com empresa privada. Impossibilidade] (...) inexiste possibilidade de se realizar permuta de veículos diretamente com empresa privada por depender a alienação de bens móveis de avaliação prévia e licitação pública, só estando esta dispensada nos casos previstos nas alíneas do inciso II do art. 17 da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 708593. Rel. Cons. Substituto Gilberto Diniz. Sessão do dia 28/11/2007). Li ci ta çã o 4 49 [Orientação quanto à efetiva aplicação do art. 164, § 3º, da Constituição Federal] (...) no que tange à necessidade de procedimento licitatório para manutenção ou abertura de conta e movimentação bancárias pela Administração Pública, concluiu-se: a) em se tratando de instituição financeira privada, a licitação é necessária, nos termos do inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal (Consulta n. 735840. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 05/09/2007). [Realização de cursos de qualificação profissional] (...) é possível ao Poder Público, por meio do Executivo, promover ações públicas voltadas à realização de cursos de formação ou qualificação profissional, com o objetivo de inserir os cidadãos no mercado de trabalho. A contratação de empresa para esse mister deve observar às normas legais de caráter financeiro e fiscal e, ainda, às da Lei de Licitações. Ao Poder Legislativo não é lícito patrocinar ações dessa natureza, tendo em vista que exerce, principalmente, função legiferante. Por remate, salienta-se que os critérios para participar de cursos dessa natureza devem ser previamente definidos por ato normativo próprio (Consulta n. 731284. Rel. Cons. Substituto Gilberto Diniz. Sessão do dia 25/07/2007). [Associação de municípios. Necessidade de licitar para contratar terceiros] (...) as associações de municípios, que são entidades de direito privado (controladas pelos municípios) estão sujeitas à licitação para contratar com terceiros (...). Quanto à forma pela qual devem se relacionar com os municípios, entendeu esta Corte que o instrumento mais adequado, em sendo estabelecida relação de cooperação, é a celebração de convênio, observadas as formalidades legais arroladas no art. 116 da Lei nº 8.666/93. De outra feita, para que possam estabelecer relação de caráter obrigacional com os municípios (contrato com obrigações recíprocas — objeto e contraprestação), devem-se submeter à licitação (Consulta n. 703949. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 21/12/2005). [Não sujeição de entidades privadas ao regime previsto na Lei de Licitações] (...) somente sujeitam-se ao regime da Lei nº 8.666/93 os órgãos da administração pública e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados e Municípios. No entanto, entidades privadas que recebem transferências voluntárias dos entes públicos, não controladas diretamente ou indiretamente pelo Poder Público, estão obrigadas a observar os princípios básicos constitucionais (...), que são impostergáveis a todos aqueles que utilizem ou administrem bens e valores públicos (Consulta n. 685317. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/12/2005). LICITAÇÃO 50 [Contratação de serviço telefônico fixo. Procedimento licitatório] (...) obrigatoriedade de realização de procedimento licitatório, nas áreas atendidas por mais de uma operadora de telefonia, para determinação da prestadora que apresentar a proposta mais vantajosa para a administração (Consulta n. 622240. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 04/08/2004). [Repasse às caixas escolares. Observância às normas licitatórias] (...) o município pode repassar às referidas entidades [caixas escolares] recursos com o fim de subsidiar a merenda escolar, todavia, a realização de licitação pelas caixas escolares é obrigatória, como também o é a devida prestação de contas dos recursos recebidos do município a este Tribunal de Contas (Consulta n. 643174. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 06/03/2002). 4.4 PARTICIPAÇÃO E COMPETITIVIDADE3 [Participação de empresa do gestor] 1) Em regra, é vedada a participação de empresa de propriedade do prefeito em processo licitatório do próprio município, em respeito aos princípios da moralidade e da impessoalidade insertos no art. 37, caput, da Constituição da República, e ao disposto no art. 9º, III, da Lei nº 8.666/93. 2) Entretanto, tal exegese não se mostra intransponível pois, na hipótese de o único posto de combustível do município pertencer a agente político local, o deslocamento dos veículos da Prefeitura para abastecimento em cidades vizinhas poderá implicar gastos excessivos. Nesse caso, os princípios da economicidade e da razoabilidade poderão se sobrepor ao da impessoalidade e à regra do art. 9º, III, da Lei nº 8.666/93, de modo a permitir a contratação direta por inexigibilidade de licitação de posto de gasolina de propriedade do agente político, desde que comprovada a vantagem financeira e preservado o interesse público, conforme reconhecido nas Consultas TC nº 440512 e 675252. 3) Se, no decorrer da execução do contrato, for credenciado outro fornecedor de combustível no município, a Prefeitura deverá instaurar imediatamente procedimento licitatório. (...) no momento da formalização do processo de inexigibilidade, em cada caso concreto, deverá o gestor expor as razões que motivaram a sua opção pela inexigibilidade (...). (Consulta n. 767269. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 29/04/2009). 3 Ver também excertos colacionados no Capítulo 5 — Contratação Direta. Li ci ta çã o 4 51 [Empréstimo com ônus ao erário municipal de máquinas de propriedade do prefeito. Impossibilidade] (...) o prefeito, após a expedição do diploma eleitoral, não poderá contratar com o poder público, exceto se o instrumento a ser celebrado obedecer a cláusulas uniformes, isto é, aquelas que são iguais para todos, exempli gratia, as insertas em contratos de adesão oriundos de fornecimento de água, luz, transporte, seguros etc. (...) a formalização de contrato entreo prefeito e o município fere o princípio da moralidade (...). (Consulta n. 710548. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 31/05/2006). [Contratação de posto de combustível. Sócio vice-prefeito. Ausência de outros postos de combustível] (...) analisada efetivamente a vantagem em se adquirir a mercadoria do único posto do município, em razão da qualidade e do preço ofertado, e a aquisição no posto de gasolina pertencente ao Vice-Prefeito, único da localidade, revelar-se mais vantajosa, sou de parecer que os princípios da economicidade e razoabilidade sobrepor-se-ão ao da impessoalidade e à regra do art. 9º, III, da Lei Orgânica do Município. Entendo, assim, que mediante fiscalização rigorosa dos preços, durante a vigência do contrato, que justifique a sua permanência, com a efetiva atuação do controle interno do município e do controle externo pela Câmara Municipal, a contratação com o único posto de gasolina da localidade poderá ser realizada (Consulta n. 675252. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 04/08/2004). [Proibições e incompatibilidades] Quanto à primeira pergunta, de a vedação legal [do art. 54, II, c, da CR/88] não alcançar o empregador, quando for esse pessoa física, estou convicto de que, da interpretação do art. 54, II, c, da Lei Maior da República, comando inserido no art. 30, II, c, da Lei Orgânica do Município (...), extrai-se que a restrição ali lançada pelo legislador alcança, indistintamente, empresa e pessoa física empregadora, desde que elas gozem de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público do município. Assim, as proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto na Constituição da República para os membros do Congresso Nacional, art. 54, e na Carta Política do Estado para os da Assembleia Legislativa, art. 57, devem ser observadas a fim de se evitar o arbítrio e buscar o equilíbrio na sociedade, que é a detentora do poder político (art. 1º, parágrafo único/CF). Em assim sendo, nos termos da legislação de regência (...), é vedada, desde a posse, a participação em licitação e a consequente realização de obra ou fornecimento de bens e serviços, oriundos de contrato celebrado com Poder Público municipal, pela pessoa do vereador ou por empresa da qual seja proprietário, diretor ou LICITAÇÃO 52 que nela exerça função remunerada, ainda que o empregador seja pessoa física e não empresa (Consulta n. 701702. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 14/12/2005). [Contratação de servidor público] (...) no art. 13, que enumera, taxativamente, nos incisos I-VII, os serviços técnicos profissionais especializados passíveis de contratação administrativa, com inexigibilidade de licitação, desde que se trate de profissional de notória especialização, definida essa no art. 25, § 1º. É oportuno salientar a restrição legal consignada no art. 9º, III, que proíbe a participação, direta ou indireta, na licitação ou na execução de obra ou serviço e do fornecimento de bens a eles necessários, de “servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação”. Em assim sendo, segundo o determinado no diploma licitatório, não poderá celebrar contrato administrativo com a Administração Pública aquele servidor que com ela já tenha algum vínculo, sob pena de infringência dos princípios da moralidade, impessoalidade e isonomia (Consulta n. 638261. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 30/05/2001). [Contratação de empresa de parente de servidor ou dirigente] A clareza do dispositivo [art. 9º, inciso III da Lei nº 8.666/93] não deixa dúvida do impedimento da participação de determinadas pessoas na licitação. O referido artigo retrata os princípios da moralidade pública e da isonomia. O inciso III proíbe expressamente de participar da licitação o servidor ou dirigente do órgão ou entidade contratante responsável pelo certame. Também proíbe a participação de empresas cujos sócios, administradores, empregados, controladores etc. sejam servidores ou dirigentes dos órgãos contratantes. Por oportuno, deve-se esclarecer que tal vedação alcança as contratações entre prefeitos e a municipalidade e, por extensão, a sua participação em processos licitatórios. Alcança também a aquisição de bens por parte da municipalidade de único estabelecimento existente no município do qual seja proprietário o prefeito, visto que ele representa diretamente a municipalidade nas contratações e autoriza as licitações. Mesmo que haja delegação, os impedimentos para a contratação permanecem, visto que poderão estar presentes riscos do relacionamento pessoal produzir distorções incompatíveis com o princípio da isonomia. Como ensina Marçal Justen Filho, “a simples potencialidade do dano é suficiente para que a lei se acautele”. “Por força do disposto no art. 29, inciso IX, c/c com o art. 54, incisos I e II, da Constituição Federal, e art. 57, inciso II, da Constituição Estadual, também é vedada a participação em licitação e a consequente realização de obra ou fornecimento de bens e serviços — decorrente de contrato firmado com pessoa jurídica de direito público do município — de pessoa física Li ci ta çã o 4 53 do vereador ou de empresa da qual seja proprietário, diretor ou que nela exerça função remunerada. Essas vedações consagram o princípio da moralidade, da impessoalidade e da isonomia. Entretanto, não existe na lei nenhum dispositivo que impeça de participar de contratação com a Administração parentes de servidores ou de dirigentes de órgãos, desde que o contrato obedeça às cláusulas uniformes e seja precedido do procedimento licitatório nos termos regidos pela Lei nº 8.666/93. Com relação à contratação de parentes de servidores e dirigentes com dispensa da licitação, especificamente para obras e serviços de engenharia de valor até cinco por cento do limite previsto na alínea a do inciso I do art. 23 da Lei 8.666/93 e para outros serviços e compras de valor de até cinco por cento do limite previsto no inciso II, alínea a, do mesmo art. 23, entendo que, se existirem outras empresas que podem atender a Administração, é prudente que se estabeleça a licitação, para se evitar risco à isonomia que venha comprometer a lisura da contratação (...). (Consulta n. 646988. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 05/12/2001). 4.5 PUBLICIDADE DOS ATOS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 46. A eficácia de Contratos, Convênios e Acordos e seus aditamentos celebrados pelos órgãos e entidades públicas, estaduais e municipais, qualquer que seja o seu valor, dependerá da publicação de seu resumo no Órgão Oficial do Estado ou no Diário Oficial local, a qual deverá ser providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao da sua assinatura, para ocorrer no prazo de 20 dias daquela data. [Publicação de dispensa de licitação] O parágrafo único do art. 61 da Lei nº 8.666 de 21/06/1993 (...) se aplica aos casos de dispensa de licitação previstos nos incisos I e II do art. 24 da mesma lei. Por sua vez, o art. 6º da Lei de Licitações versa: (...) ‘Para os fins desta Lei, considera-se: (...) XIII — Imprensa Oficial — veículo oficial de divulgação da Administração Pública, sendo para a União o Diário Oficial da União, e, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, o que for definido nas respectivas leis’. Nas palavras do Professor Marçal Justen Filho (Comentários à Lei de Licitação e Contratos Administrativos. 8. ed. São Paulo: Dialética, 2000, p. 107), ‘A Lei nº 8.883 acolheu os protestos generalizados contra a indevida intromissão na órbita de peculiar interesse dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cada uma dessas entidades dispõe de autonomia para determinar o órgão que exercitará as funções de ‘Imprensa Oficial’ (...). De fato, como bem sinaliza o trecho da doutrina citada, o dispositivolegal reproduzido explicita a competência outorgada, in casu, aos Municípios, no inciso I do art. 30 da Constituição da República de 1988, de legislar LICITAÇÃO 54 sobre assuntos de interesse local. Assim, a imprensa oficial do município deverá ser definida por lei municipal e, estando assim fixada, este será o veículo de publicação dos atos praticados pela Administração, incluídos aqueles assim determinados na Lei de Licitações (Consulta n. 688118. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/12/2004). 4.6 REGISTRO DE PREÇOS [Insuficiência de potenciais licitantes para formação de cotação de preços. Regularidade dos atos praticados pelo administrador. Princípio da maior competitividade possível] (...) a regra vigente é a da maior competitividade possível, a qual impõe a tarefa de configuração, pelo gestor, de objetos licitados bem definidos e atraentes e de editais o menos possível restritivos, para que acorra ao certame o maior número possível de interessados, viabilizando, assim, ampla cotação para uma definição consistente e clara de que os preços orçados e, também, os contratados estão compatíveis com os praticados no mercado, como, aliás, impõem o art. 15, V, § 1º, e o art. 43, IV, da Lei nº 8.666/93, e, também, o art. 3º, III, da Lei nº 10.520/02. (...) nos casos eventuais em que não acorram suficientes potenciais licitantes aos procedimentos de aquisição de bens e serviços pela Administração, tanto para a fase interna quanto para a fase externa, de modo a — se configurar clara compatibilidade com os preços praticados no mercado — ser imprescindível que se faça demonstrar, nos autos, nas oportunidades processuais cabíveis, que o gestor envidou os esforços possíveis, dentro do razoável, para obter as cotações e outros documentos que comporiam esse juízo e que observou o princípio da maior competitividade possível na fixação do objeto licitado e na composição do edital do certame (Consulta n. 812445. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 14/04/2010). [Procedimento para contratação em sistema de registro de preços. Vantagens do sistema. Adesão do “carona” à ata de registro de preços] (...) as contratações para o sistema de registro de preço são realizadas mediante uma única licitação, nas modalidades concorrência pública, do tipo menor preço ou pregão. Nessa licitação, o órgão gerenciador e os participantes deverão estabelecer os serviços ou quantidade aproximada de material que pretendem adquirir nos próximos 12 meses e estimar o quantitativo mensal do consumo. Realizada a licitação, a Administração deverá firmar a Ata de Registro de Preços, válida por um ano, na qual ficará registrado o preço oferecido pelos fornecedores, que estarão obrigados a mantê-lo fixo por esse prazo, contado da data da apresentação da proposta. Assim, a Administração terá a liberdade de, a qualquer momento em que precisar de uma determinada Li ci ta çã o 4 55 quantidade daquele material/serviço constante no sistema de registro de preço, fazer o pedido ao fornecedor, que estará obrigado a entregá-lo exatamente pelo preço registrado, podendo a Administração adquirir o quantitativo total previsto no edital ou quantidade inferior, ou até deixar de adquirir o produto, sem que isso implique nenhum compromisso de indenização ao fornecedor, caso aquele material/serviço por motivo justificado, deixe de ser por ela utilizado. (...) ao lado dos aspectos positivos, a figura do carona é polêmica, pois poderia representar o avesso do princípio licitatório, uma vez que consiste na permissão dada àquela unidade administrativa que não promoveu o sistema de registro de preço ou tampouco dele participou (ou seja, não é gerenciador, nem participante). O carona apenas se beneficia da ata de outrem, a ela aderindo mediante o cumprimento de algumas exigências formais (...). Deverá o interessado (carona) elaborar processo administrativo por sua iniciativa, qual seja, providenciar termo de referência no qual constem as especificações do objeto que deseja adquirir, após ampla pesquisa de preços de mercado, e, ainda, informações relativas à existência de Ata de Registro de Preço sobre o objeto desejado, para fins de acionar o órgão/entidade gerenciador, externando sua intenção de utilizar a respectiva ata. O órgão gerenciador consultará ao fornecedor acerca da possibilidade de atender àquela adesão uma vez que haverá acréscimo ao quantitativo pactuado. A justificativa apresentada deverá demonstrar a vantagem econômica da adesão à referida ata, mencionando, ainda, a similitude de condições, tempestividade do prazo, suficiência das quantidades e qualidade do bem (Consulta n. 757978. Rel. Cons. Substituto Gilberto Diniz. Sessão do dia 08/10/2008). [Regulamentação. Obras e serviços de engenharia] (...) 3. O art. 15 da Lei nº 8.666/93 prevê a regulamentação do sistema de registro de preços por meio de decreto, a ser editado no âmbito de cada entidade federativa, para fins de adequação às peculiaridades regionais. 4. A regulamentação municipal do sistema de registro de preços poderá incluir a execução de obras e serviços comuns de engenharia, desde que satisfeitos os critérios de divisibilidade do objeto e imprevisibilidade da demanda e que esta seja repetida e rotineira para a Administração Pública, observados, ainda, os princípios que regem as licitações (Consulta n. 732557. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 11/06/2008). [Registro de preços. Terceirização ou delegação dos serviços de licitação] (...) cada ente federado regulamentará para a sua Administração o sistema de registro de preços, atendidas as peculiaridades regionais e observadas as condições ali insertas, entre as quais não visualizo a possibilidade de terceirização ou delegação dos serviços de licitação. (...) sendo a licitação uma atividade inerente ao Poder LICITAÇÃO 56 Público, somente a ele cabe realizá-la, sem nenhuma possibilidade de transferência a pessoa estranha a sua estrutura, por mais vantajosa que seja a terceirização desses serviços. Assim, leis ou decretos municipais que deleguem às associações de municípios, pessoa jurídica de direito privado não integrante da Administração Pública municipal, a atribuição de realizar o registro de preços para as suas futuras contratações, fere de morte o limite regulamentatório inserido nos incisos I a III do § 3º do art. 15 da Lei n. 8.666/93. Isto posto, retorno à dúvida incetada nesta consulta para concluir e reafirmar o meu convencimento de ser juridicamente impossível atribuir a terceiro a realização do procedimento de licitação e muito menos o registro de preços, atividade peculiar e própria da Administração Pública (Consulta n. 661712. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 18/09/2002). [Sistema de registro de preços] De acordo com o § 3º do art. 15, o sistema de registro de preços será regulamentado por decreto, atendidas as peculiaridades regionais, na conformidade das seguintes condições: (I) os preços registrados serão selecionados por meio da modalidade concorrência; (II) será estabelecida prévia estipulação do sistema de controle e de atualização dos preços registrados; (III) a validade dos registros não excederá de um ano. (...). Ante o exposto, entendo que, na espécie, a aquisição dos insumos indicados pelo órgão consulente, por intermédio do sistema de registro de preços do Ministério da Saúde, encontra supedâneo legal e regulamentar, razão pela qual respondo positivamente à pretensão (Consulta n. 647431. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 06/03/2002). [Legalidade da aquisição de insumos para exames laboratoriais] (...) na espécie, a aquisição dos insumos indicados pelo órgão consulente, por intermédio do sistema de registro de preços do Ministério da Saúde, encontra supedâneo legal e regulamentar, razão pela qual respondo positivamenteà pretensão (Consulta n. 647656. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 06/03/2002). 4.7 OUTROS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 80. Para fim de controle externo, nos contratos precedidos de licitação é dispensável a juntada aos autos do despacho de homologação de seu resultado, se o instrumento tiver sido firmado pela mesma autoridade que seria competente para homologar o procedimento licitatório. Li ci ta çã o 4 57 [OSCIP. Contratatação para atividades de saúde] (...) é possível a contratação de OSCIP, por município, para desempenho de atividades de saúde, em caráter complementar, vedadas as de agentes comunitários de saúde e de agentes de combate às endemias; (...) a forma de contratação e o regime de execução e controle das atividades da OSCIP devem ter previsão na legislação municipal, devendo ser feita licitação ou formalizado procedimento de dispensa ou inexigibilidade, se for o caso, para a contratação da entidade parceira; (...) os repasses às OSCIPs deverão ser classificados como despesas de transferências correntes para efeito de apuração de limites com gasto de pessoal; (...) os percentuais mínimos de aplicação em saúde deverão ser aferidos, utilizando-se as despesas executadas pelas OSCIPs, em conformidade com as classificações contábeis previstas no Termo de Parceria e com o disposto na IN TC nº 19/08 (Consulta n. 809494. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 24/02/2010). [Contratos de publicidade. Prorrogação] Indaga o consulente, no primeiro quesito, se os contratos de publicidade estão contemplados no disposto no art. 57, II, da Lei nº 8.666/93. (...). A Lei Nacional de Licitações refere-se à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, mas não oferece critérios para se apreender o que pode ser considerado como tal. A doutrina, por seu turno, ao tratar do dispositivo em questão considera que o contrato de prestação de serviço de forma contínua caracteriza-se pela impossibilidade de sua interrupção ou suspensão, sob pena de acarretar prejuízos ou danos insuperáveis. (...). Em regra, os contratos de publicidade não se encaixam nesse quadro de contrato de duração continuada, haja vista que visam tão somente divulgar uma determinada atividade pública, que se esgota com o seu cumprimento, sem obrigação de continuidade. (...) o contrato de publicidade não possui natureza típica de serviço contínuo, cuja atividade, como bem lembrou a douta Auditoria, tem por fim resguardar as obrigações estatais de execução diferida, ou seja, aquelas que não se exaurem num único exercício financeiro. Cumpre destacar, outrossim, que os contratos de publicidade firmados pelo Poder Público com agências de publicidade devem respeitar o disposto no art. 37, § 1º, da Constituição Federal (...). (...) 1 — os contratos realizados pelo Poder Público com agências de publicidade devem observar o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando adstritos, quanto ao prazo, à vigência dos respectivos créditos orçamentários, não estando contemplados no disposto no art. 57, II, da Lei nº 8.666/93; 2 — quanto à segunda indagação, dirigida para a hipótese de os contratos em questão serem considerados de duração continuada, e concernente à obrigatoriedade de observarem o disposto no art. 65, § 1º, ficando adstritos, no que tange ao valor, à porcentagem de 25%, a resposta à mesma resta LICITAÇÃO 58 prejudicada, diante do parecer negativo à primeira indagação (Consulta n. 736572. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 28/11/2007). [Contratação de empresa privada para recuperação de créditos fiscais] (...) é vedada a transferência a terceiro ou a terceirização da cobrança ou arrecadação da dívida ativa tributária, por tratar-se de serviço público essencial, permanente, coordenado e especializado que, por essas razões, deve ser executado pela própria Administração Pública, por seus agentes especializados; (...) em homenagem ao princípio da continuidade do serviço público, e na hipótese de não haver estrutura devidamente organizada, poderá ser feita a contratação de terceiros para execução do serviço de cobrança ou arrecadação da dívida ativa, mediante prévio certame licitatório nos moldes preconizados pela Lei nº 8.666/93, e pelo prazo estritamente necessário para que a Administração Pública se estruture para que seus próprios agentes executem esse serviço; (...) em ocorrendo a hipótese antecedente, e após a realização do certame licitatório, como afirmado, a Administração Pública não pode celebrar contrato considerado aleatório e de risco, mesmo para o contratado, por contrariar normas legais e princípios jurídicos de observância inderrogáveis pelo Poder Público (...). (Consulta n. 684672. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/09/2004). [Guarda de processos licitatórios. Procedimentos para eliminação] (...) não cabe a este Tribunal determinar o prazo para que se mantenha tal documentação em arquivo, devendo o consulente se nortear em toda a legislação que dispõe acerca do assunto e, se necessário, procurar o auxílio dos órgãos competentes na área da gestão documental (Consulta n. 653773. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 06/02/2002). 59 5 CONTRATAÇÃO DIRETA ENUNCIADO DE SÚMULA N. 89. Quem ordenar despesa pública sem a observância do prévio procedimento licitatório, quando este for exigível, poderá ser responsabilizado civil, penal e administrativamente, sem prejuízo da multa pecuniária a que se referem os artigos 71, inciso VIII, da Constituição Federal e 76, inciso XIII, da Carta Estadual. [Comprovação de regularidade fiscal para contratar com o Estado] É obrigatória a comprovação da regularidade do contratado para com a Fazenda Federal, Estadual e Municipal, nos casos de dispensa e inexigibilidade de processo licitatório, em respeito aos princípios da igualdade e da legalidade, insertos no art. 5º, caput, e art. 37, caput, da Constituição da República, e ao disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei nº 8.666/93 (Consulta n. 786537. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 08/07/2009). 5.1 DISPENSA DE LICITAÇÃO [Dispensa por pequeno valor. Considerar valor total das contratações de mesma natureza] De fato, conforme registrado nas decisões precedentes, para fins de enquadramento nas hipóteses de dispensa de licitação em virtude do pequeno valor ou para os de escolha da modalidade licitatória a ser utilizada, deverá ser considerada a totalidade de contratações de mesma natureza a serem executadas em um exercício financeiro, ainda que com pessoas distintas. Esse entendimento encontra-se pacificado neste Tribunal, por meio do Enunciado de Súmula nº 113 (...) (Consulta n. 858218. Rel. Cons. Adriene Andrade. Publicada no D.O.C. em 21/11/2011). [Contratação direta por valor acima do previsto em lei para dispensa. Fracionamento] Os casos de dispensa de licitação em função do valor do objeto licitado, previstos à primeira vista nos incisos I e II do art. 24 da Lei n. 8.666/93, encerram previsão taxativa, sem nenhum conteúdo variável ou passível de interpretação, precedendo, portanto, a edição de ato tipicamente vinculado. (...). Extrapolado o limite estabelecido pela legislação para contratações com dispensa de CONTRATAÇÃO DIRETA 60 licitação, a irrisoriedade ou insignificância do valor excedente é uma circunstância que deve ser considerada no que se refere à aplicação de normas punitivas, frente ao exame de cada caso concreto (Consulta n. 833254. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 02/03/2011). [Opção pelo procedimento de dispensa de licitação nas situações de inexigibilidade. Possibilidade. Obrigatoriedade de motivar o ato que dispensou a licitação. Desnecessidade de ratificação e publicação do ato de dispensa em órgão oficial de imprensa] (...) discriminam os arts. 24 e 25 da Lei nº8.666/93 as hipóteses de dispensa e de inexigibilidade de licitação, nas quais haverá a contratação direta de um particular para a aquisição de bens ou para prestação de serviços ao ente público. Não obstante, a contratação direta com fulcro nos dispositivos supracitados não autoriza o descumprimento de formalidades prévias, principalmente a verificação da necessidade e da conveniência da contratação e a disponibilidade dos recursos públicos. Nesse sentido, o art. 26 da Lei nº 8.666/93 especifica as medidas a serem adotadas pela Administração para os casos de contratação sem licitação, determinando a composição de um processo que formalize essa pactuação (...). (...) constata-se que, para as despesas de pequeno valor, nos termos do art. 24, incisos I e II, da Lei nº 8.666/93, a Administração pode desobrigar-se das formalidades de ratificação do ato de dispensa pela autoridade superior e de sua publicação na imprensa oficial, haja vista a simplicidade e a pequena relevância dessas contratações. (...) em observância aos princípios da eficiência, da razoabilidade, da proporcionalidade e da economicidade, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 24 da Lei de Licitações, o gestor pode abster-se da publicação do ato de dispensa em órgão oficial de imprensa, uma vez que os custos para essa publicação podem até ser superiores ao valor da despesa contraída. (...) Reitero que a desnecessidade de publicação em órgão de imprensa oficial não exime o órgão público de motivar o ato que dispensou a licitação, haja vista ser imprescindível dar conhecimento ao público da conduta da Administração. Dessa forma, fica demonstrado que é possível a Administração optar pelo procedimento de dispensa de licitação previsto no art. 24, I e II, da Lei nº 8.666/93, nos casos em que a contratação, ainda que se enquadre na hipótese de inexigibilidade, tenha valores inferiores aos limites previstos no citado dispositivo legal, sendo desnecessária a ratificação e a publicação do ato de dispensa em órgão oficial de imprensa (Consulta n. 812005. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 12/05/2010). C on tr at aç ão d ire ta 5 61 [Contratação direta de fundação de fomento da pesquisa, que possui advogados credenciados, para que esses prestem serviços à Administração] “(...) instituições sob a roupagem de fundações destinadas ao fomento da pesquisa, mas com objetivos outros, de prestação de serviços profissionais, como no caso, de prestação de serviços advocatícios, estão buscando contratar com a Administração Pública diretamente, ao equivocado argumento de que, na qualidade de fundações incumbidas regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, a licitação, nesse caso, seria dispensável. (...). É preciso frisar que o referido dispositivo é incabível para a hipótese de contratação de serviços advocatícios ou de quaisquer outros que não estejam diretamente ligados à pesquisa, ao ensino ou ao desenvolvimento institucional. (...) o serviço a ser contratado diretamente pela Administração deverá estar voltado objetivamente à pesquisa, ao ensino ou ao desenvolvimento institucional, nunca desbordando desse objeto, sob pena de vir a representar uma porta aberta para qualquer espécie de terceirização de serviços pelo Poder Público. (...) a contratação [direta, fundamentada no inciso XIII do art. 24] (...) deverá ocorrer mediante prévio processo formal de dispensa, nos termos do art. 26 da Lei nº 8.666/93, que deve ser instruído com os documentos comprobatórios da regularidade da instituição e de sua forma civil, com os elementos de razão da escolha do prestador ou fornecedor e da justificativa do preço pactuado, sempre observando ao princípio da isonomia. (...). Marçal Justen Filho (Comentários À Lei de Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo: Dialética, 1999, p. 243) assevera: “o dispositivo abrange contratações que não se orientam diretamente pelo princípio da vantajosidade. Mas a contratação não poderá ofender o princípio da isonomia. Existindo diversas instituições em situação semelhante, caberá a licitação para selecionar aquela que apresente a melhor proposta — ainda que essa proposta deva ser avaliada segundo critérios diversos do menor preço. A opção por uma determinada linha de pesquisa deverá ser justificada por critérios científicos”. (...). Assim, não poderá a Administração contratar diretamente com fundação que possua advogados credenciados, visando obter serviços advocatícios. (...) em princípio, a prestação de serviço jurídico-advocatício é atividade profissional que deve ser realizada pelo corpo jurídico do próprio município. Na hipótese de este não possuir procuradores suficientes para representá-lo em juízo e promover as ações de competência municipal, determinado serviço — motivadamente — poderá ser terceirizado a uma sociedade civil de advogados, mas, por via de regra, mediante procedimento licitatório prévio (Consulta n. 708580. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 08/11/2006). CONTRATAÇÃO DIRETA 62 [Publicação de dispensa de licitação] O parágrafo único do art. 61 da Lei nº 8.666 de 21/06/1993 (...) se aplica aos casos de dispensa de licitação previstos nos incisos I e II do art. 24 da mesma lei. Por sua vez, o art. 6º da Lei de Licitações versa: (...) “Para os fins desta Lei, considera-se: (...) XIII — Imprensa Oficial — veículo oficial de divulgação da Administração Pública, sendo para a União o Diário Oficial da União, e, para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, o que for definido nas respectivas leis”. Nas palavras do Professor Marçal Justen Filho (Comentários à Lei de Licitação e Contratos Administrativos. 8. ed. São Paulo: Dialética, 2000, p. 107), “A Lei nº 8.883 acolheu os protestos generalizados contra a indevida intromissão na órbita de peculiar interesse dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Cada uma dessas entidades dispõe de autonomia para determinar o órgão que exercitará as funções de ‘Imprensa Oficial’ (...)”. De fato, como bem sinaliza o trecho da doutrina citada, o dispositivo legal reproduzido explicita a competência outorgada, in casu, aos municípios, no inciso I do art. 30 da Constituição da República de 1988, de legislar sobre assuntos de interesse local. Assim, a imprensa oficial do município deverá ser definida por lei municipal e, estando assim fixada, este será o veículo de publicação dos atos praticados pela Administração, incluídos aqueles assim determinados na Lei de Licitações (Consulta n. 688118. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/12/2004). [Aquisição emergencial de medicamentos] (...) numa aquisição emergencial de medicamentos, devidamente comprovada e justificada nos termos do art. 26 do diploma legal retrocitado, o gestor pode contratar com dispensa de licitação. (...) Observe-se que a aplicação dessa norma não outorga ao administrador um cheque em branco, mas visado e dirigido especificamente para socorrer determinada situação emergencial ou calamitosa, sem possibilidade de perpetuação no tempo e no espaço. Nesse pé, a Administração deve-se socorrer das exceções legais apenas em situações especialíssimas, não se esquecendo de que a imprecisão técnica, ausência de planejamento ou má administração não traduz justificativa para elidir a obrigação de licitar (Consulta n. 667415. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 18/09/2002). [Contratação direta. Art 24, XIII. Instituição nacional sem fins lucrativos] O professor Marçal Justen Filho, discorrendo sobre o requisito de inquestionável reputação ético profissional, salienta que o mesmo deve ser enfocado com cautela. Segundo ele, deve ser inquestionável a capacitação para o desempenho da atividade objetivada. Exigem-se as virtudes éticas relacionadas direta e necessariamente com o perfeito cumprimento docontrato. Não é possível impugnar a contratação pelo simples fundamento da discordância com a ideologia adotada pelos sujeitos C on tr at aç ão d ire ta 5 63 envolvidos na instituição. (...). Em se comprovando a presença desse último requisito exigido, estarão atendidas as exigências dispostas no art. 24, inciso XIII, podendo a instituição ser diretamente contratada, mediante dispensa de licitação, mesmo quando a competição se revele viável (Consulta n. 655020. Rel. Cons. Murta Lages. Sessão do dia 31/10/2001). [Instituição nacional sem fins lucrativos. Dispensa de licitação] (...) se a entidade a ser contratada pelo município é uma instituição nacional sem fins lucrativos, que tem entre seus objetivos o desenvolvimento de atividades de treinamento, por meio da realização de cursos de aperfeiçoamento para pessoal técnico de instituições públicas e privadas e apresenta inquestionável reputação ético-profissional, enquadra-se no dispositivo acima [art. 24, XIII da Lei Federal n. 8.666/93]. (...). Segundo o Professor Marçal Justen Filho, “a exigência de inquestionável reputação ético-profissional tem de ser enfocada com cautela. Deve ser inquestionável a capacitação para o desempenho da atividade objetivada. Exigem-se as virtudes éticas relacionadas direta e necessariamente com o perfeito cumprimento do contrato. Disputas ou questionamentos sobre outras questões são secundárias e não se admite um policiamento ideológico ou político sobre o contratado. Não é possível impugnar a contratação pelo simples fundamento da discordância com a ideologia adotada pelos sujeitos envolvidos na instituição (Consulta n. 654845. Rel. Cons. Murta Lages. Sessão do dia 17/10/2001). 5.2 INEXIGIBILIDADE ENUNCIADO DE SÚMULA N. 106. Nas contratações de serviços técnicos celebradas pela Administração com fundamento no artigo 25, inciso II, combinado com o art. 13 da Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993, é indispensável a comprovação tanto da notória especialização dos profissionais ou empresas contratadas como da singularidade dos serviços a serem prestados, os quais, por sua especificidade, diferem dos que, habitualmente, são afetos à Administração. [Forma de remuneração dos serviços prestados por médicos credenciados pela administração pública] (...) a Administração Pública pode utilizar o sistema de credenciamento de prestadores de serviços para contratação de médicos, nas hipóteses em que não for possível promover a licitação em decorrência de inviabilidade de competição, desde que observados os princípios da isonomia, impessoalidade, publicidade e eficiência, conforme Consultas nº 491.187 (04/11/1998), 791.229 (01/12/2010), 811.980 (05/05/2010) e 812.006 (30/03/2011); (...) a remuneração dos CONTRATAÇÃO DIRETA 64 serviços prestados por particulares, visando à complementação dos serviços prestados pelo Estado, deve atender aos parâmetros fixados pelo SUS, com a possibilidade de pagamento de valores superiores, com observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, segundo Consulta nº 811.980 (05/05/2010); (...) Qualquer que seja a escolha do gestor na composição do pagamento do preço pelos serviços levando-se em conta as horas trabalhadas ou a quantidade de procedimentos — [...] deve-se levar em consideração as peculiaridades locais, para que, atendendo-se às especificidades, se demonstre que estão sendo observados os princípios da atividade pública administrativa, em especial, os da proporcionalidade, da razoabilidade, da eficiência e da economicidade (Consulta n. 838582. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 26/10/2011). [Credenciamento. Procedimento para a contratação de serviços de saúde não cobertos pelo SUS] (...) o procedimento que vem sendo admitido com frequência nesta Corte de Contas para assegurar aos usuários do SUS a realização de exames médicos e laboratoriais não disponibilizados é o do credenciamento, por se tratar de uma forma que se afigura mais vantajosa para a Administração e para quem utiliza tais serviços. (...) pode-se conceituar o instituto do credenciamento como sendo o procedimento administrativo que visa à contratação de prestadores de serviços por meio de requisitos estabelecidos previamente no edital de convocação, quando determinado serviço público necessita ser prestado por uma pluralidade de contratados simultaneamente. (...) “Com efeito, o fundamento legal para o credenciamento é a inexigibilidade de licitação, com fulcro no artigo 25, caput, da Lei n. 8.666/93, onde caberá à Administração justificar a inviabilidade de competição, nos termos do art. 26, parágrafo único, da citada Lei de Licitações, devendo, ainda, observar os aspectos necessários e pertinentes para a implantação deste sistema, de modo a preservar a lisura e transparência do procedimento. (...) o credenciamento, mediante inexigibilidade de licitação, assegura a possibilidade de o usuário contar com uma maior gama de profissionais ao seu dispor, podendo escolher aquele que entender mais adequado. Caso se instaure um procedimento licitatório, (...) o julgamento é de uma Comissão, que selecionará um número reduzido de prestadores de serviço, que depois terão que ser aceitos pelos usuários. (...) o instituto do credenciamento, (...) é o meio mais apropriado para atender à população usuária do SUS quanto aos exames laboratoriais não disponibilizados. (...) É legal a contratação, mediante licitação, de laboratórios ou instituições particulares, para a execução de procedimentos na área de saúde (consultas, cirurgias e exames laboratoriais), entretanto, não é a forma mais recomendável, pois o credenciamento, mediante inexigibilidade de licitação, assegura a possibilidade C on tr at aç ão d ire ta 5 65 de o usuário contar com uma maior gama de profissionais ao seu dispor, podendo escolher aquele que entender mais adequado (Consulta n. 833253. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 19/10/2011). [Possibilidade de credenciamento conferindo tratamento diferenciado para microempreendedores individuais] A Administração Pública pode promover o credenciamento conferindo tratamento diferenciado aos microempreendedores individuais, bem como às micro e pequenas empresas, nos termos do art. 170, IX, e 179, ambos da CR/88, e do art. 47 da LC nº 123/06, desde que observado o requisito constante da parte final deste artigo de haver previsão e regulamentação do tratamento diferenciado na legislação do respectivo ente. Saliente-se que a cessão de mão de obra só pode ser realizada por microempreendedores individuais que prestem os serviços de hidráulica, eletricidade, pintura, alvenaria, carpintaria e de manutenção ou reparo de veículos, nos termos do § 5º do art. 6º da Resolução CGSN nº 58/09, bem como por micro e pequenas empresas que não optem pelo Simples Nacional, consoante inciso XII do art. 17 da LC nº 123/06. (...). O credenciamento, por consistir em hipótese especial de inexigibilidade de licitação, não deve ser tratado como regra, mas adotado em caráter suplementar, de modo que tal sistema de contratação não viole as regras do concurso público e observe aos preceitos contidos na Lei de Licitações, notadamente aos princípios da isonomia, impessoalidade, publicidade, eficiência e vinculação ao instrumento convocatório, além do regime de execução do contrato e o valor pago pelo serviço credenciado. (...). Quanto ao critério de escolha dos credenciados, (...) recomenda-se o uso de sistema de sorteio entre os credenciados, com exclusão dos contemplados nos sorteios anteriores. (...) aceita-se o credenciamento quando o cargo não é previsto no quadro permanente, mas enquanto não se realiza o concurso. O Tribunal sempre fixa que havendo vaga, e por uma questão de emergência, admite-se o credenciamento, enquanto não se ultima o concurso(Consulta n. 812006. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 30/3/2011). [Assessoria e consultoria jurídica] (...) todo município deve possuir, no seu quadro de pessoal, um corpo jurídico mínimo de advogados, de acordo com a complexidade da máquina administrativa, que possa exercer tarefas rotineiras, permanentes e não excepcionais do ente. Em regra, não devem ser objeto de execução indireta as atividades inerentes às categorias funcionais que fazem parte do plano de cargos do órgão ou entidade. Contudo, essa regra comporta exceções, diante das situações concretas, cabendo ao administrador público, em cada caso, ater-se aos termos da lei e aos princípios norteadores da administração pública. Se o serviço advocatício CONTRATAÇÃO DIRETA 66 for de natureza singular, por exemplo, não se inserindo nas atividades rotineiras ou habituais dos procuradores municipais, poderá o ente recorrer à contratação de advogado, valendo-se da hipótese do art. 25, inciso II, da Lei 8.666/93 — que remete à inexigibilidade de licitação para contratação de serviços técnicos enumerados no seu art. 13, de natureza singular. Os motivos da contratação devem ser prévia e claramente expressos, observando-se as formalidades do art. 26 da citada Lei Nacional de Licitações. Trata-se de hipótese que tem sua regularidade vinculada não apenas à singularidade ou invulgaridade do serviço — que constituiu atributo do objeto contratado — como também à notória especialização do profissional, mediante comprovado desempenho anterior, reconhecimento no seu campo de atuação e formação jurídica especializada. (...) quando o Poder Público não possui profissionais especializados para a tarefa, de natureza singular — ou, se possuindo, a natureza da tarefa pretendida, pelo volume, não puder ser realizada pelos profissionais do quadro —, é possível a contratação de advogado (...). (...) a solução possível e adequada é o sistema de credenciamento para contratação dos serviços advocatícios, mediante a pré-qualificação dos advogados ou das sociedades de advogados, quando existam demandas judiciais em que o ente seja parte e se mostre desarrazoado ou economicamente inviável o deslocamento do procurador do próprio órgão para prestação dos serviços advocatícios (Consulta n. 765192. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 27/11/2008). [Assessoria e consultoria contábil e jurídica] (...) deve ser comprovado no caso concreto, por um lado, a caracterização da singularidade do objeto a ser contratado e, por outro lado, que a notória especialização do executor seja elemento essencial para a adequada realização desse objeto. Desse modo, o elemento confiança deve ser considerado de forma complementar, tendo em vista os demais requisitos estabelecidos pela lei. Atendidos esses requisitos, poderá ocorrer a contratação mediante a formalização do processo de inexigibilidade de licitação. Nos casos em que os serviços são considerados atividades corriqueiras, habituais da administração pública, a contratação deve ocorrer mediante a realização de procedimento licitatório, como determinam os arts. 2º e 3º da Lei de Licitações (Consulta n. 746716. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 17/09/2008). [Hipóteses de prestação de serviços advocatícios para a Administração Pública. Impossibilidade de contratação direta de serviços rotineiros, que devem ser prestados por quadro próprio de procuradores. Excepcional possibilidade de contratação direta, quando o serviço for singular e houver notória especialização] (...) por via de regra, a prestação de serviço jurídico advocatício é atividade profissional C on tr at aç ão d ire ta 5 67 que deve ser realizada pelo corpo jurídico do próprio ente. Cumpre destacar que o corpo jurídico deve estar previsto no plano de cargos e vencimentos/salários do ente público, quer da Administração Direta, quer da Indireta. Assim, deve o ente público, em seu quadro de pessoal, criado por lei, contemplar número razoável de cargos ou empregos de procuradores a fim de que possa auxiliá-lo nas atividades cotidianas de consultoria e assessoria e de representação em juízo. Os cargos [são] próprios do regime estatutário, e os empregos, próprios do regime celetista este último, adotado, obrigatoriamente, para as empresas públicas e sociedades de economia mista. Dessa forma, afigura-se, em regra, irregular a contratação, ainda que mediante licitação, pelo órgão ou entidade pública, de escritório de advocacia com o objetivo de realizar serviços rotineiros de ajuizamento e acompanhamento das ações normais do ente, quando este, em princípio, possua quadro funcional próprio para execução de tais trabalhos. Contudo, excepcionalmente, em não havendo procuradores suficientes para representar o ente em juízo e promover as ações de sua competência, entendo que determinados serviços advocatícios — motivadamente — possam ser terceirizados a uma sociedade civil de advogados, mas, por via de regra, mediante procedimento licitatório prévio. Não posso (...) deixar de mencionar (...) a hipótese de contratação de advogado, diretamente, com fundamento no preceito contido no art. 25, inciso II, da Lei nº 8.666/93 — que remete à inexigibilidade de licitação para contratação de serviços técnicos enumerados no seu art. 13, de natureza singular, requisitos que devem estar claramente demonstrados e motivados pelo administrador, observadas as formalidades do art. 26 da mencionada Lei Nacional de Licitações. Esta hipótese, de natureza excepcional, como reiteradas vezes já decidiu este Tribunal, tem sua regularidade vinculada à notória especialização do contratado e à característica singular do trabalho prestado, que inviabilize a competição e, por conseguinte, a realização de certame licitatório (Consulta n. 735385. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 08/08/2007). [Contratação de serviços postais] (...) naquela ocasião [Consulta nº 391114], esta Corte firmara o entendimento segundo o qual “(...) Nas contratações de serviços de correios, (...), a licitação é inexigível, pois, em face do monopólio estatal, a competição é inviável. Entretanto, se houver delegação dos serviços, mediante franquia ou franchising, a licitação se impõe, uma vez que nesse caso haverá viabilidade de competição entre os prestadores de serviços.” (...) em 26/11/2007, foi baixada a medida provisória que “dispõe sobre o exercício da atividade de franquia postal e dá outras providências”, ora em processo de análise pelo Senado Federal, após a sua aprovação pela Câmara dos Deputados, em 05/03/2008 (...). Na hipótese CONTRATAÇÃO DIRETA 68 dos autos, considerando que o contrato entre o Legislativo local e a agência de correio franqueada ainda não foi celebrado, o mais prudente seria aguardar a votação da Medida Provisória nº 403/07 pelo Senado Federal, onde poderá sofrer modificações o texto aprovado pela Câmara dos Deputados (...). No momento, contudo, restaria a opção ao consulente de firmar o contrato diretamente com a Diretoria Regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos; contratação essa, que prescindiria de prévio procedimento licitatório, requisito essencial na contratação das agências de correios franqueadas, segundo o entendimento uníssono do Tribunal de Contas da União e da legislação aplicável à espécie (Consulta n. 740459. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 23/04/2008). [Único fornecedor no município não implica, necessariamente, inviabilidade de competição] Essas obrigações de não fazer, dirigidas aos agentes públicos, parentes seus e cônjuge, visam garantir a moralidade no processo de contratação com o Poder Público e, igualmente, coibir tráfico de influência; enfim, evitar todo e qualquer desvio da conduta administrativa, crime político pelo DL nº 201/67 e de improbidade pela Lei nº 8.429/92. (...) as vedaçõesconstantes nas Leis de Licitação e Orgânica do Município sobrepõem a suposta hipótese de inexigibilidade, que só poderá ser examinada em cada caso concreto, por serem exemplificativos os casos do art. 25 da Lei nº 8.666/93. Logo, a (...) existência de único fornecedor no município não implica, de pronto, a possibilidade de contratação direta, pois, também nesse caso, haverá de a Administração comprovar, em regular procedimento licitatório, a inviabilidade fática de competição, a vantagem custo-benefício e a compatível oferta com o mercado, que não se restringe ao do município. A propósito, é bom não se esquecer de que (...) o universo de contratação não se limita à circunscrição territorial do município; ao contrário, é ele bem mais amplo, abrangendo outros municípios, estados-membros e até países (Consulta n. 700280. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 26/10/2005). [Excepcionalidade da possibilidade de contratação direta de serviços de advocacia] (...) esta Corte já se manifestou sobre a matéria em várias ocasiões, sendo que, no trato específico desta, citam-se a Consulta de nº 652069 (...) e a Consulta de nº 684672 (...). O entendimento desta Corte sobre a contratação de serviços advocatícios pela Administração Pública, exarado nas consultas citadas e em várias outras decisões, é de que se deve observar, em princípio, a regra geral contida na Lei nº 8.666/93, que é a de licitar e, em caso específico, o disposto em seu art. 25, que remete para o art. 13, no qual estão catalogados os serviços técnicos, entre eles, os serviços advocatícios. Este Tribunal considera que nem todos os serviços advocatícios podem ser considerados singulares; aliás, poucos têm essa característica. C on tr at aç ão d ire ta 5 69 Somente [podem assim ser consideradas] as causas que, por sua complexidade ou pelo montante isolado que cada uma representa, ou circunstância especial, marcante para a população ou para a administração pública, se revestem desse caráter singular. Se estão no dia a dia da administração, não podem ser considerados eventuais, mas sim serviços rotineiros, ou seja, aqueles que podem ser prestados pela esmagadora maioria de advogados e são passíveis de licitação. Assim, não basta que o serviço esteja listado no art. 13; é necessário que seja singular. (...) Sabemos que a notoriedade não é inerente ao profissional do Direito ou operador do Direito, como chamado por alguns. É adquirida, personalíssima e depende da capacidade de cada um e, às vezes, pode permitir a contratação direta com o Poder Público, desde que o serviço a ser contratado esteja revestido do caráter singular. Ressalte-se, também, que a confiança do Administrador não é fator caracterizador da inexigibilidade. Pelo contrário, o que deve nortear a sua escolha é o interesse público que alcança toda a coletividade, portanto, é impessoal. (...) quanto aos serviços da área fiscal, como recuperações de crédito e outros, a Consulta nº 684672 (...) dirimiu todas as dúvidas. Entendeu-se que é vedada a transferência a terceiro ou a terceirização da cobrança de arrecadação da dívida ativa tributária, por se tratar de serviço essencial, permanente, coordenado e especializado, devendo ser executado pela própria Administração Pública, por seus agentes especializados. E, no caso de não estruturado ainda, poderá ser feita a contratação de terceiros, mediante prévio certame licitatório, nos termos da Lei 8.666/93, pelo prazo estritamente necessário para que se providencie estrutura própria para que seus próprios agentes executem os serviços (Consulta n. 688701. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 15/12/2004). [Formalização da inexigibilidade antecede o credenciamento] (...) somente quando for ultrapassada a etapa concernente às formalidades pertinentes ao processo formal de inexigibilidade de licitação, o credenciamento poderá ser realizado. (...) o procedimento de justificação de inviabilidade de licitação deve ser evidenciado em processo próprio, conforme art. 26 da Lei Nacional de Licitação. (...) se a contratação de apenas um licitante não é suficiente para socorrer o interesse público, não há nenhum óbice para a adoção do sistema de credenciamento pela Administração. Conquanto seja o credenciamento um procedimento administrativo que visa ampliar a oferta de melhores e mais vantajosos serviços bancários para a Administração, sua utilização encontra-se condicionada aos princípios que informam a Lei de Licitação e, por ser excepcional, deve ser justificado pelo administrador. Com efeito, nos casos em que o interesse público justificar o sistema de credenciamento, mormente naquelas hipóteses em que certas necessidades da Administração não seriam satisfeitas por apenas um prestador de serviço, caberá CONTRATAÇÃO DIRETA 70 ao administrador divulgá-lo amplamente, pois, assim agindo, estará respeitando o princípio da isonomia e, com isso, oferecendo aos que possuam os requisitos definidos no edital de convocação a faculdade de adesão ao seu regulamento, que será previamente fixado pela autoridade competente. Assim, em face da inviabilidade de competição, os interessados que satisfizerem as exigências previamente estabelecidas não competirão entre si, pois todos serão credenciados a prestarem os serviços requisitados pelo licitador (Consulta n. 682192. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 10/12/2003). [Divulgação institucional. Viabilidade de competição] (...) a hipótese de inexigibilidade de licitação está afastada dos serviços de publicidade pela própria lei, expressamente, o que não comporta, assim, qualquer outra interpretação. (...) é oportuno relembrar que a exigência de licitação para a Administração Pública tem previsão constitucional no art. 37, inciso XXI, não podendo a sua observância ser preterida sob o pretexto de divulgação institucional do município (Consulta n. 654156. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 13/03/2002). [Contratação de serviços técnicos. Confiança] (...) para ocorrer a inexigibilidade prevista no mencionado art. 25, na contratação de serviços técnicos, relacionados no art. 13, além da inviabilidade da competição, premissa fundamental, impõe-se, ainda, que o serviço apresente singularidade, que seja realizado por empresa ou profissional de notória especialização e que não se trate de serviços de publicidade e divulgação. Dessa feita, se houver possibilidade de competição, ou seja, se existir mais de uma pessoa ou empresa que possa realizar os serviços, deverá haver o procedimento licitatório. (...). De início é importante dizer que a singularidade, como estabelece a Lei de Licitação, é do objeto do contrato. É o serviço pretendido pela Administração que é singular, e não o executor do serviço. Aliás, todo profissional é singular, posto que esse atributo é da própria natureza humana (Jorge Ulisses Jacoby em seu livro Contratação direta sem licitação, p. 299). (...). Singular é, pois, a característica do objeto que o individualiza que o distingue dos demais. É a presença de um atributo incomum na espécie. A singularidade não está associada à noção de preço, de dimensões, de localidade, de cor ou de forma. Assim, a singularidade pode incidir sobre um serviço cujo valor esteja abaixo dos limites dos incisos I e II do art. 24 da Lei nº 8.666/93. (...) A definição da singularidade deve ser estabelecida exclusivamente à luz do interesse público e justificada sob os princípios da impessoalidade, legalidade, moralidade e publicidade. Com relação à caracterização da notória especialização, deve-se registrar que ela envolve dualidade de conceitos, ou seja, a especialização C on tr at aç ão d ire ta 5 71 e a notoriedade. Para a regularidade da contratação direta, impõe-se que o profissional ou empresa possua especialização na realização do objeto. E, como indicaa palavra, se faz no direcionamento, na busca do conhecimento e no desenvolvimento de certa atividade específica diferenciada. Deve também ser aferível, contrastável e, também, deve ser demonstrada. Atualmente é um atributo que por si só não leva ao afastamento da realização da licitação, nem muito menos a credenciar a declaração de inviabilidade de competição. (...) a confiança do administrador em relação ao contratado para realização de um serviço não pode ser usada como critério para fundamentar a inexigibilidade da licitação. Cabe ao administrador definir os aspectos da contratação exclusivamente à luz do interesse público justificado sob os princípios da impessoalidade, legalidade, moralidade e publicidade. Deve-se lembrar que o interesse público não admite preferências pessoais (Consulta n. 652069. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 12/12/2001). [Vale-transporte. Impossibilidade de competição] No tocante à comercialização do vale-transporte, estabelece o artigo 18 do citado decreto [Decreto nº 95.247/1987] que dar-se-á em centrais ou postos de venda estrategicamente distribuídos na cidade onde serão utilizados, contendo esses postos todos os tipos de vale em circulação no sistema local de transporte público. Diante do exposto, há que se notar a impossibilidade de competição face à ausência de opção para a Administração selecionar a proposta mais vantajosa (Consulta n. 644577. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 29/8/2001). [Contratação de servidor público] (...) no art. 13, que enumera, taxativamente, nos incisos I a VII, os serviços técnicos profissionais especializados passíveis de contratação administrativa, com inexigibilidade de licitação, desde que se trate de profissional de notória especialização, definida esta no art. 25, § 1º. É oportuno salientar a restrição legal consignada no art. 9º, III, que proíbe a participação, direta ou indireta, na licitação ou na execução de obra ou serviço e no fornecimento de bens a eles necessários, de “servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação”. Em assim sendo, segundo o determinado no diploma licitatório, não poderá celebrar contrato administrativo com a Administração Pública aquele servidor que com ela já tenha algum vínculo, sob pena de infringência aos princípios da moralidade, impessoalidade e isonomia (Consulta n. 638261. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 30/05/2001). CONTRATAÇÃO DIRETA 72 5.3 LICITAÇÃO DISPENSADA [Doação de imóvel. Excepcionalidade. Licitação dispensada] (...) possibilidade, em tese, de município efetuar doação de imóveis a pessoas comprovadamente carentes, sob autorização legislativa, avaliação prévia, irrefutável demonstração de interesse social e licitação (dispensada nos casos do art. 17, I, f, da Lei nº 8.666/93), devendo essa modalidade ser utilizada excepcionalmente, sendo, pois, preferível a adoção, para os mesmos fins de interesse social, dos institutos da concessão de direito real de uso e da concessão especial para fins de moradia, que admitem maior controle quanto à preservação da finalidade social do uso pelo particular e não se traduzem em mera disponibilidade do patrimônio público. (...) uma das condições para que se proceda à doação ou mesmo à concessão do direito real de uso é que haja, necessariamente, um programa definidor que, de forma objetiva, esclareça quem são aqueles beneficiários e quais os critérios que serão adotados para a doação (Consulta n. 812400. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 06/10/2010). [Distinção entre licitação dispensada e dispensável. Documentos necessários na justificação de preços] O Professor Jorge Ulisses Jacoby Fernandes, citado por [Carlos Pinto Coelho Motta], (...) distingue o que é licitação dispensada e dispensável, in verbis: “A principal distinção entre licitação dispensada, tratada no art. 17, e as dispensas de licitação, estabelecidas no art. 24, repousa no sujeito ativo que promove a alienação, figurando no primeiro caso a Administração, no interesse de ceder parte de seu patrimônio, vender bens ou prestar serviços; e, nos casos do art. 24, a situação é oposta, estando a Administração, como regra, na condição de compradora ou tomadora dos serviços. Outro aspecto distintivo entre licitação dispensada e dispensável é o fato de que, em princípio, na primeira não é necessário observar as formalidades do art. 26 da Lei 8.666/93, significando, com isso, simplificação. Assim, conquanto esse artigo seja bom orientador para salvaguardar o gestor, não é obrigatório seu pontual acatamento, exceto em se tratando de licitação dispensada, regulada pelos §§ 2º e 4º do art. 17. Na dispensa de licitação, ao contrário, com a ressalva dos incisos I e II do art. 24, é sempre obrigatório acatar as formalidades instituídas no art. 26 da Lei de Licitações”. (...) a contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, para a prestação de serviços ou fornecimento de mão de obra constitui hipótese de dispensa de licitação. (...). Cabe citar a advertência do Prof. Adilson Abreu Dallari (DALLARI, Adilson Abreu. Aspectos jurídicos da licitação. São Paulo, 1997, p. 61): “Sendo a licitação sempre exigível, como regra geral, e considerando o princípio constitucional da legalidade, entendemos que a dispensa não pode ser feita por mero e puro ato administrativo, exigindo sempre a existência e a menção de determinado C on tr at aç ão d ire ta 5 73 e específico dispositivo legal como seu fundamento de realidade”. (...) o TCU tem proferido inúmeras decisões, cabendo lembrar a passagem constante do Acórdão nº 1.616/2003 — Plenário: “[Impõe-se] a necessidade de comprovação de que o preço contratado é compatível com o praticado no mercado, através de documentos e demonstrativos, sob pena de irregularidade. Nesse sentido, transcrevem-se partes do Acórdão 1.616/2003 — Plenário/TCU: ‘IRREGULARIDADE: inexistência de demonstrativos comprovando que o preço ajustado era compatível com os valores praticados pelo mercado, resultando na falta de justificativa do preço, exigida pelo art. 26, parágrafo único, inc. III, da Lei 8.666/93; (...) a necessária justificativa de preço não será atendida com qualquer declaração, mesmo que o administrador esteja sinceramente convencido de estar preenchendo o requisito previsto no Estatuto das Licitações. Afirmações (...), se não comprovadas documentalmente, de nada contribuem para preencher o requisito do art. 26, parágrafo único, III, da Lei nº 8.666/93. Uma simples afirmação em sentido contrário, ou seja, de que o preço oferecido pelo proponente não é razoável, é o bastante para colocá-la em xeque. (...). Por essas razões, a presença dos demonstrativos ou outros documentos que comprovem a razoabilidade do preço nos processos de contratação direta é indispensável’. (Relator Min. Augusto Sherman Cavalcanti) (Consulta n. 714113. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 11/10/2006). 5.4 OUTROS [Disponibilização de cópias dos empenhos dos processos licitatórios realizados. Empenho prévio por estimativa] (...) a Administração Municipal deve anexar cópias de todos os empenhos gerados aos processos licitatórios realizados, bem como aos procedimentos de dispensa e inexigibilidade, ainda que o contrato celebrado preveja o fornecimento diário, como no caso do fornecimento combustíveis, em cumprimento às Instruções Normativas nº 08/2003 e 02/2010 do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Esclareça-se, por oportuno, que, em se tratando de contrato cujo montante da despesa não possa ser definido, tal como naqueles celebrados para aquisição diária de combustíveis, admite-se a realização de empenho prévio por estimativa, consoante o § 2º do art. 60 da Lei nº 4.320/64. Nesse caso, a Administração deverárealizar o controle periódico das despesas efetivamente realizadas relativas a cada contrato, ajustando-se os valores exatos das despesas, no final de cada mês, com base naqueles consignados nas notas fiscais totalizadoras do valor mensal gasto, devendo todos os empenhos e eventuais subempenhos formalizados serem anexados ao processo licitatório (Consulta n. 849732. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 17/08/2011). 74 6 CONTRATOS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 16. É exigência legal, e medida essencial para se promover a reserva de recursos orçamentários, que, nos instrumentos de contrato, convênio e acordo, em que figurem como partes pessoas jurídicas de direito público interno, seja indicado, ainda que por estimativa, o valor respectivo. [Previsão do valor da contratação pela Administração] [O contrato administrativo] não se verga aos princípios privatistas do pacta sunt servanda ou da livre negociação, sendo suas cláusulas, em nome da supremacia do interesse público sobre o particular, restritas aos termos da Lei nº 8.666/93, como doutrina José dos Santos Carvalho Filho, em suas próprias palavras: “(...) pode-se conceituar o contrato administrativo como o ajuste firmado entre a Administração e um particular, regulado basicamente pelo direito público, e tendo por objeto uma atividade que, de alguma forma, traduza interesse público (...)” (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 17. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 160, 162-163). (...). Há de ser, portanto, absolutamente previsto o valor de um contrato com a Administração, não se admitindo, nele, as oscilações de valores, que, no ambiente da negociação privada são comuns, porque, no campo da administração pública, todos os gastos licitados têm que ser previstos, hermeticamente, no orçamento próprio, como determina o art. 7º, § 2º, incisos II e III, da Lei n. 8.666/93 (Consulta n. 743662. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 10/09/2008). 6.1 PRORROGAÇÃO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 59. Em se tratando de relação contratual — contrato de locação de bem imóvel — submetida à legislação federal específica, que admite sua prorrogação, independentemente de formalização em instrumento próprio, salvo expressa manifestação em contrário de uma das partes, não é imprescindível termo aditivo para efeito de anotação da despesa e controle da legalidade da execução financeira e orçamentária. C on tr at os 6 7575 ENUNCIADO DE SÚMULA N. 47. A validade da prorrogação automática e sucessiva prevista em contratos, convênios, acordos ou ajustes, dependerá de prévia formalização mediante termo aditivo específico, excetuando-se os contratos de locação regidos por norma federal própria. [Contratação de combustível. Impossibilidade de classificação como serviços contínuos] (...) não se pode dar interpretação extensiva ao inciso II do artigo 57 da Lei nº 8.666/93, para fornecimento de combustível (...), pois a expressão prestação de serviços há de ser tomada no sentido estrito de obrigação de fazer. Não há possibilidade, portanto, de se tentar mascarar contratos de compra em prestação de serviço, se o objetivo do contrato é uma prestação de dar e não de fazer, mesmo porque a motivação da contratação é a aquisição do domínio sobre o produto (combustível) e não a obtenção da prestação de transportar (viaturas). (...) o artigo 57, da Lei nº 8.666/93 é de caráter financeiro, e a regra geral é que os contratos não podem ser prorrogados em razão da anualidade do orçamento público, sendo que os incisos I, II e IV do referido artigo são exceções à regra geral, devendo ser interpretadas restritivamente, como ensina a boa hermenêutica (Consulta n. 805979. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 25/08/2010). [Possibilidade de alteração unilateral pela Administração do pacto inicial prorrogado, implementando-se o acréscimo permitido pelo art. 65, §1º, da Lei de Licitações] Ressalte-se previamente que “a modificação contratual é institucionalizada e não caracteriza rompimento dos princípios aplicáveis. É o reflexo jurídico da superposição dos interesses fundamentais, que traduzem a necessidade de o Estado promover os direitos fundamentais por meio de atuação ativa” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 11. ed. São Paulo: Dialética, 2005, p. 537). E acrescento: a alteração contratual não se confunde com a sua renovação. Considerando as contratações com fundamento no art. 57, II, e o limite de 25% do art. 65, §1º da lei em referência, (...) [estou convencido de que o] escopo/montante [que] deverá ser adotado como base para cálculo do acréscimo pretendido (...) coincide com a soma [dos valores dos objetos] das diversas prorrogações [do contrato]. Ou seja, o limite de 25% será calculado sobre o objeto “ampliado” em função das prorrogações (...) (devidamente atualizado e, se for o caso, revisto). Dessa forma, evidente que a Administração poderá considerar que o limite de 25% não precisará ser calculado em face do objeto/valor contratual de um único período, pois a renovação do contrato produz o efeito de ampliação do objeto ou elevação do montante monetário a ser transferido por uma parte à outra. Por isso, elevando-se a “base de cálculo”, o resultado é o CONTRATOS 76 aumento do acréscimo permitido. Assim, havendo um contrato prorrogado, a Administração Pública está autorizada a promover a alteração de 25% calculada sobre o todo, frisando-se que deverá ser obrigatoriamente tomada em conta a vinculação à modalidade de licitação que abranja o novo montante prorrogado. Cumpre ressaltar que, considerando-se agora como referencial o novo objeto/ montante oriundo do contrato prorrogado e aditado, poderá a Administração — desde que apresente justificativas fundamentadas, observada a real disponibilidade orçamentária de cada período de execução, bem como os limites disciplinados na Lei de Responsabilidade Fiscal — utilizar o acréscimo legal permitido de forma diluída no curso da vigência contratual estendida, da maneira que convier ao melhor interesse público (Consulta n. 742467. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 12/12/2007). [Contratos de publicidade. Prorrogação] Indaga o consulente, no primeiro quesito, se os contratos de publicidade estão contemplados no disposto no art. 57, II, da Lei nº 8.666/93. (...) A Lei Nacional de Licitações refere-se à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, mas não oferece critérios para se apreender o que pode ser considerado como tal. A doutrina (...), ao tratar do dispositivo em questão, considera que o contrato de prestação de serviço de forma contínua caracteriza-se pela impossibilidade de sua interrupção ou suspensão, sob pena de acarretar prejuízos ou danos insuperáveis. (...). Em regra, os contratos de publicidade não se encaixam nesse quadro de contrato de duração continuada, haja vista que visam tão somente divulgar uma determinada atividade pública, que se esgota com o seu cumprimento, sem obrigação de continuidade. Nesse sentido, o contrato de publicidade não possui natureza típica de serviço contínuo, cuja atividade, como bem lembrou a auditoria, tem por fim resguardar as obrigações estatais de execução diferida, ou seja aquelas que não se exaurem num único exercício financeiro. Cumpre destacar, outrossim, que os contratos de publicidade firmados pelo Poder Público com agências de publicidade, devem respeitar o disposto no art. 37, § 1º, da Constituição Federal (...). (...) 1 — os contratos realizados pelo Poder Público com agências de publicidade, devem observar o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando adstritos, quanto ao prazo, à vigência dos respectivos créditos orçamentários, não estando contemplados no disposto no art. 57, II, da Lei nº 8.666/93; 2 — quanto àsegunda indagação, dirigida para a hipótese de os contratos em questão serem considerados de duração continuada, e concernente à obrigatoriedade de observarem o disposto no art. 65, § 1º, ficando adstritos, no que tange ao valor, à porcentagem de 25%, a resposta à mesma resta prejudicada, diante do parecer negativo à primeira indagação (Consulta n. 736572. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 28/11/2007). C on tr at os 6 77 [Prorrogação. Contrato. Fornecimento de mão de obra] (...) questiona-se sobre a possibilidade de prorrogação de um contrato para atender a situação excepcional. Em casos tais (...), a Lei de Licitações prevê a prorrogação de um prazo contratual, em caráter excepcional, devidamente justificado e mediante autorização da autoridade superior, limitada ao prazo de doze meses, conforme disposto no § 4º do art. 57, (...). O citado § 4º foi acrescido ao art. 57 do Estatuto das Licitações, exatamente para atender o tipo de situação descrita pelo consulente nos contratos de prestação de serviços executados de forma contínua, de cujo objeto não pode prescindir a Administração, conforme previsto no inciso II do caput daquele artigo. Esta Corte, (...), tem-se deparado com processos de contratação de serviços (...) terceirizados, nos quais se verifica com grande frequência a oposição de impugnações aos editais, de recursos administrativos em todas as fases da licitação, bem como ações judiciais, tudo a interromper e procrastinar a conclusão do certame. (...) não se pode determinar, com alguma margem de precisão, quando de fato será encerrado o procedimento, daí o porquê de a mencionada lei prever a possibilidade de prorrogação em até doze meses. Esse prazo é mais do que razoável para que o administrador público com o mínimo de planejamento possa superar as dificuldades inerentes a este tipo de contratação. Cumpre observar que, se o contrato já ultrapassou o seu termo final ou o prazo máximo para prorrogação, não poderá ser novamente prorrogado, na forma do § 4º do art. 57, porquanto extinto o contrato. Nesse caso, a solução para a situação emergencial advinda da não finalização do processo de contratação seria firmar novo ajuste, (...) na forma do inciso IV do art. 24 da Lei de Licitações. Tal hipótese, entretanto, configura falta de organização e planejamento, conforme ressaltado no parecer da auditoria, o que importa em responsabilização do gestor (Consulta n. 649440. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 29/08/2001). [Contrato administrativo suspenso por inadimplemento da Administração Pública] Os contratos administrativos, revestidos de características próprias, divergentes dos contratos comuns, caracterizam-se pelas chamadas cláusulas exorbitantes, que facultam à Administração prerrogativas especiais, podendo alterar ou extinguir unilateralmente o pactuado, desde que respeitados os limites estabelecidos na legislação (...). Diante da utilização abusiva do poder exorbitante pela Administração, o legislador ampliou as garantias do contratado, facultando-lhe a rescisão ou a suspensão da execução dos serviços (...). A Lei nº 8.666/93, ao autorizar a rescisão ou a suspensão do contrato, o faz nos seguintes termos: “Art. 78 — Constituem motivo para a rescisão do contrato: XV — o atraso superior a 90 (noventa) dias dos pagamentos devidos pela Administração decorrentes de obras, serviços ou fornecimento, ou parcelas destes, já recebidos ou executados, salvo CONTRATOS 78 em caso de calamidade pública, grave perturbação da ordem interna ou guerra, assegurado ao contratado o direito de optar pela suspensão do cumprimento de suas obrigações até que seja normalizada a situação.” Optando o contratado pela suspensão temporária da execução do contrato, instala-se a possibilidade de prorrogação contratual, de acordo com o previsto no art. 57, § 1º, inciso VI, da Lei nº 8.666/93, que trata do efeito da suspensão sobre o prazo de vigência do contrato “Art. 57 (...) §1º Os prazos de início de etapas de execução, de conclusão e de entrega admitem prorrogação, mantidas as demais cláusulas do contrato e assegurada a manutenção de seu equilíbrio econômico-financeiro, desde que ocorra algum dos seguintes motivos, devidamente autuados em processo: (...) VI — omissão ou atraso de providências a cargo da Administração, inclusive quanto aos pagamentos previstos de que resulte, diretamente, impedimento ou retardamento na execução do contrato, sem prejuízo das sanções legais aplicáveis aos responsáveis.” Uma vez cessada a inadimplência por parte da Administração, e não tendo o contratado optado pela rescisão contratual, admite-se a retomada do contrato, em conformidade com o disposto no citado inciso XV, in fine, do art. 78 da Lei nº 8.666/93. Cumpre destacar a necessidade de atenção especial ao disposto na Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), (...) no sentido de que a retomada do contrato traz impactos no orçamento, uma vez que a prorrogação de despesa criada por prazo determinado também é considerado aumento de despesa, em função do que disciplina o art. 16 daquela lei (Consulta n. 644714. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 30/05/2001). 6.2 REEQUILÍBRIO ECONôMICO-FINANCEIRO [Contrato administrativo de fornecimento de combustíveis. Revisão para recomposição da equação econômico-financeira] A concretização da equação econômico-financeira (...) ocorre (...) no momento em que a proposta do licitante é aceita pela Administração contratante (...). A partir de então, a própria Constituição da República passa a proteger o equilíbrio da relação contratual formalizada (...). (...) A Lei de Licitações, (...), prevê, na alínea d do inciso II do seu art. 65, que o contrato administrativo pode ser alterado, mediante acordo, “(...) objetivando a manutenção do equilíbrio econômico financeiro inicial do contrato”. (...) a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro (...) consiste em obrigação legal relativa à gestão do contrato administrativo (...). (...) passo agora ao estudo das causas que podem desequilibrar a relação estabelecida na formalização da avença. (...) A álea ordinária remete a eventos afetos ao comportamento do contratado, pelos quais não responde a Administração C on tr at os 6 79 Pública. (...) A falha no planejamento e na quantificação dos encargos relativos à execução do contrato não pode servir de argumento para se pleitear o aumento da remuneração devida pela Administração (...). A álea administrativa (...) decorre do comportamento da Administração Pública e pode ser subdividida em fato da administração e fato do príncipe. (...) O § 5º do artigo 65 da Lei nº 8.666/93 disciplina a mais clássica hipótese de fato do príncipe, que é a elevação da carga tributária. (...) a álea extraordinária remete às causas estranhas à vontade das partes que alteram a equação econômico-financeira do contrato administrativo. (...) agruparemos esses eventos nos gêneros caso fortuito ou força maior, fatos supervenientes imprevistos e sujeições imprevistas. (...) O reajuste ou reajustamento é utilizado para compensar os efeitos da inflação (...). A revisão, recomposição ou realinhamento de preços, em linhas gerais, é utilizada em razão de alteração extraordinária nos valores, desvinculada da inflação (...). O instrumento resulta da aplicação da cláusula rebus sic stantibus ou teoria da imprevisão (...). (...) não há exigência de prazo para a aplicação da revisão, visto que ela decorre de evento imprevisível ou, se previsível, de efeitos incalculáveis (...). A repactuação, por fim, assemelha-se ao reajuste por ser prevista para ocorrer a cada 12 meses, mas aproxima-se da revisão de preços no que toca ao seu conteúdo, visto que se trata de negociação entre as partes sobre as variações efetivamente ocorridas nos encargos do contratado (...).(...) a alteração contratual deve ser formalizada por meio de termo aditivo devidamente justificado (...). O contrato administrativo de fornecimento de combustíveis pode ser revisto para a recomposição da equação econômico-financeira, caso se verifique a ocorrência de eventos que desequilibrem a relação inicialmente estabelecida entre os encargos do contratado e a remuneração devida pela Administração Pública, excetuando-se os fatos correspondentes à álea ordinária, pelos quais responde apenas o particular contratante (Consulta n. 811939. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 26/05/2010). [Contrato administrativo. Reajuste] 1. É possível a realização de reajuste ainda quando o contrato administrativo (e o edital de licitações respectivo) não preveja expressamente cláusula a esse respeito, desde que a avença já esteja vigente há mais de 12 meses. 2. Podem ser usados como parâmetros para o reajuste dos contratos administrativos índices de preços setoriais ou gerais, produzidos por instituições consagradas de estatística e pesquisa, mediante exposição de motivos, sendo privilegiada a adoção do menor percentual. 3. O reajuste do contrato administrativo, visando à manutenção da equação econômico-financeira da avença, não está sujeito aos percentuais máximos de que trata o art. 65, § 1º, da CONTRATOS 80 Lei nº 8.666/93, visto que esse dispositivo refere-se às alterações quantitativas do objeto acordado (Consulta n. 761137. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 24/9/2008). [COFINS. Recomposição do equilíbrio econômico-financeiro em contratos administrativos celebrados em data anterior à promulgação da Lei n. 10.833/03] (...) os contratos administrativos, celebrados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, bem como aqueles de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data, nos termos do art. 10, inciso XI, b e c, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitos às normas da legislação da COFINS vigentes anteriormente à respectiva lei, não se aplicando-lhes a recomposição do equilíbrio econômico-financeiro, ainda que se enquadrem nas hipóteses do art. 57 da Lei nº 8.666/93 — como aqueles relativos a prestação de serviços a serem executados de forma contínua. Quanto aos demais contratos administrativos, aplica-se a data da vigência prevista na Lei nº 10.833/2003 (Consulta n. 724728. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/06/2007). 6.3 SANÇÃO CONTRATUAL [Cláusula penal. Previsão apenas em favor da administração pública] A cláusula penal (...) se caracteriza pelo caráter preestimativo dos prejuízos que podem advir de eventual inexecução ou mora no cumprimento da obrigação pactuada. (...) De início, cumpre ressaltar que o particular contratado não poderia ser beneficiário de cláusula penal em contrato administrativo, em virtude da incompatibilidade com o regime jurídico administrativo, que sobreleva a supremacia do interesse público e a indisponibilidade da coisa pública. (...) De outro lado, é de se observar que a impossibilidade de a cláusula penal beneficiar o contratado não implica a vedação da referida convenção em favor da Administração Pública, considerando que, nesse ponto, há congruência com o regime jurídico-administrativo e com as normas de direito público. [Assim, é] descabida a inclusão de cláusula que preveja a aplicação de multa à Administração Pública em virtude de inexecução ou rescisão contratuais, além de inexistir, a priori, vício e/ou nulidade no contrato que estabeleça cláusula penal (multa) somente em favor da Administração Pública (Consulta n. 837374. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 24/08/2011). C on tr at os 6 81 6.4 OUTROS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 34. Os contratos referentes a obras, compras e serviços, sujeitos à licitação, encaminhados ao Tribunal de Contas para o exame de sua legalidade, devem estar instruídos com a documentação integral e comprobatória da observância do procedimento licitatório ou, na hipótese de dispensa ou inexigibilidade de licitação, com o processo respectivo. [Garantia contratual. Restituição] (...) cumpridas as disposições estabelecidas em contrato administrativo, caberá ao gestor público restituir as importâncias provenientes de garantias contratuais, sem a necessidade de prévia autorização do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, uma vez que, com o advento da LC nº 102/2008, foi extinta tal exigência. Cumpre ressaltar, contudo, que a extinção da referida exigência não afasta o papel fiscalizador desta Corte quanto à legalidade dos atos que ensejarem a restituição de garantia contratual. O exercício dessa competência pode se dar em virtude de denúncia, representação, ou mesmo de atuação de ofício, por meio de inspeções in loco e de processos de prestação de contas, sendo obrigação dos órgãos e entidades sob a jurisdição do TCEMG manter organizados e à disposição da Corte todos os documentos relativos aos contratos administrativos e respectivas garantias (Consulta n. 747451. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 10/12/2008). [Contratação de empresas para a transmissão de rádio e para a criação e manutenção de página na internet pela Câmara Municipal] (...) desde que observados os princípios da impessoalidade e moralidade, as transmissões por emissoras de rádio, bem como a criação e manutenção de página na internet atendem aos princípios da publicidade e transparência que devem governar o proceder da administração pública. Quanto à possibilidade da contratação de empresas para a realização desses serviços, valho-me (...) de orientação oriunda da Corte de Contas paranaense, que, em sede de prejulgado, unificou as suas decisões, verbis: “Prejulgado n. 2. Enunciado: Trata-se de prejulgado, sobre legalidade de contratação de radiodifusão para a transmissão das sessões ordinárias das Câmaras Municipais. Designação de relatoria ocorrida na Sessão Plenária n. 21, de 25 de maio de 2006, nos termos do art. 410/RI. Processo de Consulta Relator original Cons. Caio Márcio Nogueira Soares. Decisão vinculante aplicável a todas as ocorrências de consultas para efeito de considerar regulares as despesas com contratações de emissoras de radiodifusão, de televisão a cabo ou de sites de internet, ou outros serviços de publicidade e de propaganda pelas Câmaras Municipais dos municípios CONTRATOS 82 paranaenses, ante as condições estabelecidas no § 1° do art. 37 da CF, da Lei nº 8.666/93 e LC nº 101/2000” (Consulta n. 727149. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 16/04/2008). [Parâmetros legais para acréscimos e supressões nos contratos] O art. 65, § 1º, da Lei nº 8.666/93, estabelece limites para os acréscimos ou supressões que se pretendem fazer nas obras, serviços ou compras, fixando o máximo de 25% do valor inicial atualizado do contrato. Entretanto, excepcionando aquele teto, permitiu o legislador, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até 50% de acréscimos. Por sua vez, consta no § 2º do sobredito dispositivo (...) que nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os patamares estabelecidos no parágrafo anterior, salvo “as supressões resultantes de acordo firmado entre a Administração e os contratados”. Já no § 4º do mesmo artigo, temos que, no caso de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado adquiriu os materiais e os depositou no local da obra, estes serão pagos pelo contratante, no limite dos custos de aquisição, regularmentecomprovados e atualizados monetariamente. Então, somente no caso concreto e, dependendo dos motivos justificadores da medida, harmonizados com as hipóteses que a lei, em tese, agasalha é que se poderão efetivar acréscimos ou supressões em contrato público. Vale dizer, fora dos casos legais, não haverá possibilidade de modificação contratual, não cabendo a esta Casa dizer se podem ou não ser efetivados este acréscimo ou aquela supressão, pois tal mister se insere na atribuição do administrador, sendo reservado ao Tribunal, quando do exame da legalidade do ato, julgá-lo nos termos e limites da legislação de regência. Por outro lado, não se deve olvidar que os acréscimos legalmente autorizados têm por objetivo acobertar superveniência de fato excepcional e imprevisível, estranho à vontade das partes que, fundamentalmente, altere as condições de execução do contrato (Consulta n. 692307. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 06/04/2005). [Vigência dos contratos. Empresas Estatais] (...) as empresas estatais, tendo regime único de contabilidade e não tripartite como ocorre na pública, o que as exclui do sistema orçamentário de registros contábeis, estão, em razão dessas peculiaridades, isentas das limitações do art. 57, caput, da Lei nº 8.666/93, excepcionalidade essa que deve, em respeito ao princípio da publicidade, constar no ato convocatório de licitação. Em razão dessa natureza peculiar das empresas governamentais, bem assim da necessidade de se conciliar o regime de direito privado ao qual se submetem tais entidades, é que os legisladores federal, estadual, distrital e municipal vêm insculpindo nas leis sobre as diretrizes para a elaboração orçamentária o comando de que não se aplicam às empresas públicas e às sociedades de economia mista as normas gerais da C on tr at os 6 83 Lei nº 4.320/64, no que concerne ao regime contábil, à execução do orçamento e ao demonstrativo de resultado, excetuando-se dessa ressalva a aplicação, no que couber, dos arts. 109 e 110 citados (Consulta n. 654717. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 03/11/2004). [Contratos de financiamentos, obras, serviços e/ou aquisição de materiais pelo município, durante os três meses que antecedem as eleições] (...) o impedimento para a realização de transferência de recursos entre os entes federados, nos três meses que antecedem o pleito eletivo, não se verifica no caso de obras que estejam, no prazo de três meses antes das eleições, formalmente iniciadas ou, ao menos, contratadas. (...) existindo convênio e estando a obra ou serviço em andamento antes dos três meses citados, inclusive com cronograma de execução prefixado, pode o município, que recebeu a transferência de recursos, realizar contratações de prestação de serviços e/ou aquisição de materiais para dar cumprimento a obrigação formalmente assumida. (...) a proibição se aplica, com exclusividade, às transferências voluntárias de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, não atingindo os financiamentos obtidos com bancos públicos. (...) as vedações legislativas são interpretadas restritivamente. (...) é necessário prudência e cautela ao gestor público nas contratações durante o ano eleitoral, a fim de não “afetar a igualdade de oportunidade entre candidatos nos pleitos eleitorais”, mas, também, de modo a não paralisar a realização dos interesses da sociedade (Consulta n. 664039. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 21/08/2002). 84 7 CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 7.1 EXECUÇÃO E FISCALIZAÇÃO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 19. O processo do qual resulta a celebração de convênio referente à concessão de subvenção, para fins de controle externo, deve estar instruído com a prova documental de atendimento às normas constantes da Lei Complementar nº 101/00 e à disciplina das Instruções Normativas deste Tribunal, bem como com a prova de efetivo funcionamento da entidade beneficiada. [Prestação de contas de convênios mediante apresentação de documentos originais fiscais ou equivalentes] (...) o Estado de Minas Gerais editou o Decreto nº 44.631/2007, aqui utilizado apenas como parâmetro, que fixou no art. 27 requisitos para prestação de contas de convênios, determinando ao convenente a apresentação de documentos originais ou equivalentes (...). A referida disposição assemelha-se ao entendimento desta Corte de Contas preceituado na IN TC nº 02/2010 (...) especificadamente no art. 2°, V, a: “(...) a) comprovação das despesas, mediante documentos originais fiscais ou equivalentes, em primeira via, devendo as faturas, recibos, notas fiscais e quaisquer outros documentos comprobatórios ser emitidos em nome do beneficiário, com indicação do número do instrumento”. Nesse sentido, infere-se que a IN TC nº 02/2010 do TCEMG e o Decreto Estadual nº 44.631/2007 criaram mecanismos alternativos para viabilizar a prestação de contas. Ressalta-se que é necessário constatar a veracidade (autenticidade) das informações prestadas. (Consulta n. 838658. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 25/05/2011). [Irregularidade formal. Possibilidade de aprovação das contas pelo ente concedente] (...) o ente concedente, em função do caso concreto, ao examinar as prestações de contas de convênio poderá deparar-se com meras irregularidades de natureza formal que não comprometam a essência da execução do convênio e da sua prestação de contas, justificando, assim, desde que, motivadamente, para um pronunciamento favorável à aprovação das contas a ele submetidas. É 85 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 de bom alvitre frisar que, no pronunciamento acerca da aprovação ou não da prestação de contas, jamais poderá ser invocada uma falha formal quando essa for da substância do ato, envolvendo a execução do convênio e a aplicação do recurso disponibilizado. Feitas essas considerações, respondo a presente consulta afirmando que a prestação de contas que apresente erros meramente formais, que não comprometam a lisura e a finalidade do convênio, pode ser aprovada, apontado-se as ressalvas que porventura existirem em separado. (...) a não adoção das providências ressalvadas no pronunciamento do ente concedente deverá implicar consequências estabelecidas no próprio Decreto nº 43.635, no art. 31, para os futuros convênios (...). Isso porque ao ente concedente a Lei não confere poder punitivo e, ainda, uma vez aprovada a prestação de convênio, não poderá a autoridade retificar a sua decisão, exceto nos casos de vício do próprio ato. Assim, caberá ao ente concedente controlar o cumprimento da adoção das medidas estabelecidas no seu pronunciamento, para evitar que, em futuros convênios, as irregularidades antes consideradas meramente formais possam assumir um caráter substancial, pois nessa nova situação a mera formalidade estará atrelada a uma desobediência que deverá ser sopesada no novo pronunciamento, inclusive, para nesse caso, levar a um pronunciamento pela rejeição das contas prestadas (Consulta n. 738363. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 11/06/2008). [Convênios. Prestação de contas] (...) deve a Administração Municipal encaminhar a prestação de contas dos convênios acompanhadas dos documentos originais das despesas realizadas, nos termos do art. 28 do Decreto Estadual nº 43.635/2003, e da alínea j do inciso V do art. 1º da IN TC nº 07/2003. Porém, cópias autenticadas dos documentos integrantes da prestação de contas devem permanecer nos arquivos do ente ou entidade prestador, juntamente com a comprovação de entrega, ao órgão ou à entidade estadual repassadora, dos respectivos originais relativos à prestação de contas do convênio a que se referem (Consulta n. 732497. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 07/05/2008).7.2 OUTROS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 67. O prazo de vigência dos convênios celebrados entre entidades de direito público pode ser superior a 5 (cinco) anos, mas está adstrito à execução do respectivo objeto, sempre determinado e previsto no Plano de Trabalho. CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 86 ENUNCIADO DE SÚMULA N. 58. É irregular o convênio celebrado entre entidades públicas, se a dotação orçamentária utilizada for imprópria para custear as despesas com a execução do instrumento. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 47. A validade da prorrogação automática e sucessiva prevista em contratos, convênios, acordos ou ajustes, dependerá de prévia formalização mediante termo aditivo específico, excetuando-se os contratos de locação regidos por norma federal própria. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 46. A eficácia de Contratos, Convênios e Acordos e seus aditamentos celebrados pelos órgãos e entidades públicas, estaduais e municipais, qualquer que seja o seu valor, dependerá da publicação de seu resumo no Órgão Oficial do Estado ou no Diário Oficial local, a qual deverá ser providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao da sua assinatura, para ocorrer no prazo de 20 dias daquela data. [Concessão de subvenção social pelo Poder Público a entidades privadas sem fins lucrativos, operadoras de serviços de radiodifusão comunitária, por meio de convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere] (...) as rádios comunitárias (...) podem receber auxílio do Poder Público para sua manutenção (...). Esse auxílio dar-se-á sob a forma de subvenção social (...). A concessão desse apoio configura uma suplementação de recursos públicos para o estímulo de iniciativas privadas no campo social e educacional/cultural, (...). E a rádio comunitária enquadra-se no conceito de serviço social e educacional, por consistir em uma entidade civil de caráter cultural e social, gerida e composta pela união dos moradores e dos representantes da comunidade. (...) Não ocorre violação dos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade na concessão de apoio pelo Poder Público a uma entidade cultural. Dentro do juízo de conveniência e oportunidade da Administração, pode o gestor conceder auxílio a uma comunidade que necessite do serviço da rádio. (...) É válida a concessão de subvenção social pelo Poder Público a entidades privadas sem fins lucrativos, desde que suas atividades estejam relacionadas à assistência social, à cultura e à educação. (...) é preciso que tal despesa se enquadre nos requisitos determinados no art. 26 da Lei de Responsabilidade Fiscal, (...). Ressalte-se que esse apoio cultural à rádio comunitária (...) deverá ser formalizado por convênio, acordo, ajuste ou instrumento congênere, devendo a entidade recebedora prestar contas ao órgão concedente dos recursos recebidos (...). (...) mesmo concedendo apoio cultural à rádio comunitária, caso o órgão público deseje divulgar informações oficiais e institucionais, deverá realizar procedimento licitatório (...). À Administração é facultada a concessão de apoio cultural a associação de direito privado, sem fins 87 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 lucrativos, mantenedora de rádio comunitária, (...) esta é uma forma de incentivo e valorização da cidadania. (...) é necessária a previsão desse apoio na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual do órgão concedente, além de sua determinação por lei específica, devendo a entidade beneficiada possuir declaração de utilidade ou interesse público (Consulta n. 811842. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 10/03/2010). [Prestação de serviços públicos municipais de saneamento básico] (...) a gestão associada de serviços públicos (...) formaliza-se por meio de consórcio público ou convênio de cooperação. (...) devidamente formalizado o consórcio público ou o convênio de cooperação, uma entidade da administração pública indireta de um dos entes federativos consorciados poderá ser contratada para a execução dos serviços públicos sem a necessidade de prévio procedimento licitatório, (...) mediante a celebração de contrato de programa. (...) o ordenamento jurídico pátrio impõe aos municípios, titulares dos serviços públicos de saneamento básico, o dever de garantir o acesso da população a esses serviços. (...) a concessão de subsídios constitui instrumento idôneo para a efetivação desse dever legal. (...) o princípio da universalização do acesso coaduna-se (...) com o estabelecimento de uma política pública, disciplinada em lei municipal que autorize o ente governamental a arcar com o pagamento da tarifa de esgoto de determinados usuários, (...) respeitado o princípio da impessoalidade. (...) O município pode arcar com o pagamento da tarifa de esgoto devida por usuários de baixa renda à COPASA, mediante autorização constante de lei municipal, observada a previsão orçamentária e a disponibilidade de recursos financeiros, bem como as demais regras da LRF que tratam do aumento da despesa decorrente de ação governamental (Consulta n. 727090. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 25/11/2009). [Convênio de cooperação e contrato de programa para outorga das competências de organização, regulação, fiscalização e prestação dos serviços públicos municipais de abastecimento de água e esgotamento sanitário] (...) exige-se a promulgação de lei ou leis que estabeleça(m) as normas gerais pertinentes à configuração do convênio de cooperação. Nesse contexto, entendo que o Estado de Minas Gerais deverá disciplinar, por meio de lei, os principais requisitos e contornos pertinentes aos convênios de cooperação a serem celebrados com os municípios, no campo da política de saneamento básico, atendidas as estipulações da Lei Federal nº 11.445/07. Estabelecida a parceria, faz-se necessário promover a elaboração de leis da iniciativa de cada ente público local, as quais se apresentam como condição para a adesão dos municípios ao convênio de cooperação, tal como ocorre nos consórcios públicos. Pela relevância de seus termos, cumpre sublinhar CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 88 que constitui ato de improbidade administrativa atentatório aos princípios da administração pública a celebração de contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas em lei, consoante fixado no art. 10, XIV, da Lei Federal nº 8429/92. No que tange ao contrato de programa, entendo que sua celebração não está jungida à promulgação de lei, uma vez que tal instrumento é mero acordo de vontade, possuindo natureza de negócio jurídico, à semelhança do que ocorre com os contratos de direito público em geral, cujo objeto decorre do exercício da função executiva, ficando a estipulação de seus termos vinculada aos critérios fixados pelo Poder Executivo (Consulta n. 751717. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 08/10/2008). [Convênio. Alteração de objeto e de finalidade] (...) o objeto do convênio é o seu núcleo, contendo a essência da execução do instrumento. (...) substituição seria a mudança do núcleo da finalidade do instrumento e, não, a sua ampliação. (...) mantido o núcleo da finalidade do instrumento, a alteração é permitida. A Lei nº 8.666/93, em seu art. 65, permite alterações quantitativas, para contratos regidos por essa norma. Portanto, a ampliação do núcleo do contrato é acobertada pela legislação em referência. (...) o art. 116, caput, estende as disposições dessa Lei, no que couber, aos convênios. (...) a lacuna aberta pelo legislador (ampliação do objeto do contrato) pode ser aplicada aos convênios (...). A ampliação do núcleo do convênio deve obedecer aos ditames exigidos pela legislaçãoem vigor (...), observando a vigência dos instrumentos, a comprovação de utilização da conta específica, a apresentação de comprovantes de despesas etc. (...) entende este órgão técnico (...) ser possível o aditamento do instrumento de convênio, para “aquisição de maior quantidade de bens ou prolongamento do objeto além daquele apresentado no projeto”, desde que: o plano de trabalho (...) apresente coerência entre o valor orçado pelo convenente e os valores de mercado (...); que a citada economia (...), ao obterem preços inferiores aos propostos nos planos de trabalho, seja (...) não decorrente de orçamento mal elaborado; que o aditamento seja norteado pelos princípios que regem a administração pública, (...) obedecendo aos ditames exigidos pela legislação em vigor (Consulta n. 751507. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 25/06/2008). [Convênio. Aquisição de bens. Realização de obras. Classificação das receitas e das despesas] (...) as transferências efetuadas por meio de convênios, ou seja, as transferências voluntárias são, de acordo com o art. 25 da Lei nº 101/00, entendidas como a entrega de recursos financeiros classificáveis, como despesas correntes ou despesas de capital. De acordo com a consulta, os convênios firmados seriam para a 89 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 aquisição de bens ou construção de obras. Se os bens a serem adquiridos (móveis ou imóveis) levam a um aumento patrimonial, devem ser classificados como de capital. E, nesse caso, as receitas de convênio a eles destinadas e as despesas com sua execução seriam de capital. A propósito, a construção de obras constitui-se um imobilizado que se incorpora ao patrimônio da entidade, aumentado seu ativo imobilizado, portanto, um bem de capital. [É] importante não olvidar que deve haver dotação específica para realização dessas despesas, assim como estarem previstas na LDO, LOA e, no caso específico de gastos referentes à construção de obras que ultrapasse um exercício financeiro, no PPA (Consulta n. 734928. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 28/11/2007). [Consórcio intermunicipal de saúde] No tocante à formalização de convênio com Consórcio Intermunicipal de Saúde, é mister analisar a matéria em conformidade com a Lei Federal nº 11.107/2005, que dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos, afastada sua incidência aos convênios de cooperação, contratos de programa para gestão associada de serviços públicos ou instrumentos congêneres, que tenham sido celebrados anteriormente à entrada em vigor da citada lei, conforme indicado no art. 19 do diploma normativo. (...). Convém assentar que as obrigações que um ente da Federação constituir para com outro ente ou para com consórcio público no âmbito de gestão associada em que haja a prestação de serviços públicos ou a transferência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal ou de bens necessários à continuidade dos serviços transferidos deverão ser constituídas e reguladas por contrato de programa, como condição de sua validade, atendidas as exigências fixadas no art. 13 da Lei nº 11.107/05. Destarte, conclui-se pela possibilidade da celebração de convênio com consórcio intermunicipal de saúde com vistas à promoção e oferecimento de serviços públicos de saúde, em consonância com as exigências fixadas na legislação em vigor. Registra-se, contudo, que é vedado ao município eximir-se de seus compromissos perante a comunidade local no tocante aos serviços essenciais, notadamente aqueles erigidos à categoria de direitos fundamentais sociais, consagradores do princípio da dignidade da pessoa humana (Consulta n. 732243. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/08/2007). [Saldos provenientes de recursos de convênios. Restos a pagar. Equilíbrio financeiro do exercício] (...) as receitas de convênio (...) devem ser previstas na lei de meios, vinculando-se ao objeto convencionado, cuja programação de despesas dela deverá igualmente constar, de forma a estabelecer-se o procurado equilíbrio orçamentário. (...) o equilíbrio entre disponibilidades finais e obrigações a pagar, em cada exercício financeiro, é exigido pelas disposições do art. 42 e seu CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 90 parágrafo único e do inciso III do art. 55 da Lei Complementar nº 101/00. Neste Tribunal, a verificação do equilíbrio financeiro se faz por ocasião da análise formal da prestação de contas anual e do relatório de gestão fiscal, por meio de roteiros que incluem, entre as disponibilidades, os saldos bancários provenientes de recursos de convênios, e, no rol das obrigações, as inscritas em restos a pagar, incluídas as decorrentes de despesas vinculadas a tais recursos. (...) os eventuais saldos provenientes de recursos de convênios devem ser computados entre as disponibilidades finais em cada exercício, quando essas serão confrontadas com as obrigações a pagar, para fins de verificação do equilíbrio financeiro preconizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (Consulta n. 706441. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 30/05/2007). [Repasse de recursos municipais a instituições sem fins lucrativos inadimplentes na prestação de contas de convênios. Autoridade administrativa competente. Tomada de Contas Especial] (...) respondo (...) nos termos do (...) parecer do auditor (...): “(...) o município pode editar normas próprias sobre o assunto — em face da autonomia municipal e da competência para legislar sobre assuntos de interesse local — e, ainda, suplementar a legislação federal e a estadual no que couber. (...) ao município é vedada a transferência de novos recursos financeiros para entidades que não prestaram contas dos recebidos anteriormente. Deve a autoridade administrativa competente, sob pena de responsabilidade solidária, promover a devida tomada de contas especial, para apuração dos fatos, quantificação do dano e identificação do responsável, se for o caso (...). Entretanto (...) poderá haver novos repasses de recursos se ficar comprovado que o atual administrador da entidade não tem responsabilidade pelas irregularidades ocorridas e se, ao mesmo tempo, já tiver tomado medidas para o saneamento do problema, incluindo a propositura de ação judicial específica, se for o caso. (...) caso queira criar normas próprias sobre a matéria, deverá o município observar os princípios constitucionais pertinentes à administração pública, as normas estaduais e federais sobre o assunto e aquelas de direito financeiro e finanças públicas (Consulta n. 718205. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 23/05/2007). [Aquisição, pelo município, de veículo para transporte escolar por meio do FUNDOMAQ. Recursos do FUNDEF. ICMS] Segundo se depreende do art. 7º da Lei nº 15.695/2005 e do art. 19 do Decreto Estadual nº 44.114/2005, há duas formas de ingresso no Programa Máquinas para o Desenvolvimento: por meio de celebração de convênio (...); por meio de termo de compromisso (...) dentre as obrigações do município previstas nas cláusulas-padrão do aludido Termo de 91 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 Compromisso (...) estão a de identificar no edital de licitação que a aquisição do bem realizar-se-á no âmbito do Programa Máquinas para o Desenvolvimento, e a de que o vencedor da licitação entregará os bens grafados com o logotipo do aludido programa (...) à luz daquele dispositivo [Lei n. 15.695/2005, art. 5º, IV] e do princípio da economicidade e da razoabilidade, concluo pela possibilidade de utilização, pelos municípios, de recursos do FUNDEF (40% restantes) para aquisição de micro-ônibus para o transporte dos alunos da rede escolar do ensino fundamental, com obtenção de isenção doICMS, bastando, para tanto, que se comprometam com o Estado, por meio do aludido Termo de Compromisso, aderindo, desse modo, ao Programa Máquinas para o Desenvolvimento (Consulta n. 719701. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/03/2007). [Receita de impostos. Ações e serviços de saúde. Convênios e consórcios intermunicipais] (...) os consórcios intermunicipais de saúde integram as ações e serviços de saúde. Entretanto não existe nenhuma possibilidade de se vincular receita de imposto à despesa com os referidos consórcios, isso porque a Emenda Constitucional nº 29/2000 tornou obrigatória a movimentação financeira dos recursos para saúde por intermédio de um fundo especial (...) Dessa forma, (...) apesar da permissão da vinculação de receita de impostos para a cobertura das ações e serviços de saúde dada pela Emenda Constitucional nº 29/2000, não se vislumbra a possibilidade desta vinculação se dar diretamente, para efeito da despesa, com o consórcio intermunicipal de saúde ou mesmo com qualquer tipo de convênio, pois os recursos deverão estar disponibilizados no Fundo Municipal de Saúde e aplicados mediante dotação consignada na Lei de Orçamento (Consulta n. 703182. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 22/11/2006). [Associação de municípios. Necessidade de licitar para contratar terceiros] (...) as associações de municípios, que são entidades de direito privado (controladas pelos municípios) estão sujeitas à licitação para contratar com terceiros (...). Quanto à forma pela qual devem se relacionar com os municípios, entendeu esta Corte que o instrumento mais adequado, em sendo estabelecida relação de cooperação, é a celebração de convênio, observadas as formalidades legais arroladas no art. 116 da Lei nº 8.666/93. De outra feita, para que possam estabelecer relação de caráter obrigacional com os municípios (contrato com obrigações recíprocas — objeto e contraprestação), devem-se submeter à licitação (Consulta n. 703949. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 21/12/2005). CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 92 [Despesas com peças e combustível para viaturas da polícia militar. Aluguel de moradia de agente público. Interesse público local. Convênios] Esta matéria, fornecimento de combustível ou peça para viaturas da Polícia Militar, pagamento de aluguel de moradia do Comandante da PM, disposição de imóvel para instalação das Polícias Militar e Civil e celebração de convênio de cooperação entre as entidades políticas, (...) nas Consultas nº 443514, 445769, 657444, 647142 (...), este Tribunal dirimiu idênticas dúvidas (...) por meio das Súmulas TC nº 08, 10, 14, 15 e 21 (...). O entendimento unânime desta Corte é o de que, se a vantagem é dirigida ao agente público (juiz de direito, promotor de justiça, comandante da PM, delegado de polícia e servidor), a despesa, além de estranha ao orçamento do município, caracteriza remuneração indireta, o que é vedado. No entanto, se o benefício ou a ajuda municipal são entregues à entidade de direito público, sem nenhum privilégio a agente ou servidor público, para a realização de interesse público local, são eles permitidos, mediante convênios de cooperação (...). Relativamente à necessidade de se submeterem à aprovação da Câmara Municipal convênios de cooperação celebrados com a União e o Estado, exigência inserta no art. 181, II, da Carta Política Mineira, foi ela declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal conforme ADIN nº 770-0 (...). Todavia, o disciplinamento de tais convênios que objetivam gestão associada de serviço público, deverá ser por meio de lei (...) (Consulta n. 702073. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 09/11/2005). [Responsabilização. Prefeito. Legislatura anterior. Acordos, convênios, contratos. Legislatura seguinte] (...) havendo descumprimento pelo prefeito da legislatura anterior quanto à exigência de aplicar percentual da receita em programa institucional, que eu arrolaria como exemplo, nas ações e serviços de saúde ou na manutenção e desenvolvimento do ensino, previstas, respectivamente, nos arts. 198 e 212 da Constituição Federal, ficará o chefe do Executivo da legislatura seguinte impedido de celebrar acordo, convênio, contrato ou instrumento congênere para implantar outro programa de interesse do município. O município não ficará impedido de fazer novos ajustes porque, na hipótese aventada pelo consulente, o prefeito que assumiu a administração municipal não deu causa à irregularidade perpetrada. Se ele, atual gestor, que acabou de assumir a administração do município não era o responsável pelo cumprimento da obrigação, como condená-lo com a cassação do livre exercício da gestão da coisa pública, direito esse o mais legítimo possível, uma vez que eleito pelos munícipes, se não foi ele quem desobedeceu ao comando legal? A inobservância, pelo ex-prefeito, às demais hipóteses arroladas no § 1º do mencionado art. 25, também não deve ser motivo para proibir o repasse de verba ao atual gestor, destinada à realização das políticas públicas uma vez que todas elas podem, em princípio, ser sanadas com implemento de medidas corretivas, como por exemplo, 93 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 aprovação de leis de crédito especial, redução de limites das dívidas consolidada e imobiliária e de pessoal em quadrimestres vindouros etc., razão por que não se justifica a incidência de sanção institucional que prejudicará toda a sorte de atuação gerencial que vise, enfim, ao atendimento do interesse público. (...) Também entendo que não se deve apenar os entes políticos por ações ilegais de gestores de outros mandatos. Eles que respondam pelos seus atos nos termos da legislação própria aplicável a cada caso (...) A solução do caso que se nos apresenta está cristalina no texto da Lei Orgânica deste Tribunal, notadamente na redação dos arts. 61 e 62. No capítulo dedicado à fiscalização dos atos e contratos, a referida lei complementar prevê que a liberação de recurso financeiro para a execução de contrato, convênio, acordo, ajuste e instrumentos congêneres celebrados com Estado ou Município somente poderá ser efetivada se o executor da obrigação tiver prestado contas da aplicação da quota recebida anteriormente, não podendo, se inadimplente na execução do instrumento e/ou da prestação de contas, firmar outro ajuste enquanto não regularizar o termo anterior (Consulta n. 703238. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 28/09/2005). [Orientação e assistência jurídica a pessoas carentes. Atuação do Poder Legislativo municipal e da Defensoria Pública estadual] (...) não é atribuição da Câmara prestar serviço de orientação e assistência jurídica a pessoas carentes como pretendido, pois trata-se de competência própria da Defensoria Pública estadual (...). Entre as atribuições do Poder Legislativo não se encontra o exercício direto da atividade como pretendido. Cabe à Câmara Municipal promover gestões, inclusive elaborando leis que permitam à Prefeitura celebrar termos de cooperação com órgãos estaduais ou federais, objetivando a instalação, no município, de serviços próprios para o exercício dessas atividades (Consulta n. 694461. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 15/06/2005). [Prefeitura e administradora de cartão de crédito. Convênio. Desconto em folha de pagamento] (...) o município é autônomo (...). (...) essa autonomia (...) é (...) apenas meio de dotar os municípios de instrumentos legais capazes de promover o seu desenvolvimento (...) sem nenhum privilégio de classe ou categoria de pessoa. (...) firmar convênio, sem licitação, com administradora de cartão de crédito, para beneficiar (...) servidores locais e (...) a utilização da folha de pagamento para débito (...) não encontra suporte no (...) poder políticomunicipal (...). (...) para as situações que envolvam necessidade de consignação em folha de pagamento do servidor, cabe à Prefeitura regulamentar o assunto (...) não sendo admissível ao Poder Público assumir esses gastos. (...) Quanto à hipótese de celebrar convênio, sem licitação (...), para as consignações facultativas, desconto incidente sobre a remuneração, provento ou pensão do servidor, efetuado com autorização formal do funcionário consignado, CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 94 não é ela [a licitação] necessária, bastando simples credenciamento, já que, na hipótese, não se tem envolvimento de dinheiro público, mas apenas do servidor. (...) o município deve evitar (...) comprometimento de suas atribuições para, em nome de um suposto interesse local, arcar com atividades que não são suas (...) (Consulta n. 688794. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 25/08/2004). [Cessão e requisição de servidores. Convênio. Autorização normativa] Na hipótese de a cessão ser (...) a título de colaboração, o gestor municipal poderá colocar à disposição de outra pessoa de direito público interno, com ou sem ônus para o município, servidor ocupante de seu quadro permanente, se a lei local assim autorizar. (...) a disposição deve ser feita com prazo definido (...). (...) se houver resolução autorizativa da Câmara Municipal, é possível a cessão de servidores efetivos do Legislativo ao Executivo; no caso do Poder Judiciário, é obrigatória a cessão, na época das eleições, independentemente da existência de resolução específica. Em relação à requisição de servidores pelo Legislativo (...), depende, também, da existência de legislação permissiva do órgão/entidade cedente. Quanto à instrumentalização da cessão e da requisição, é de ser feita por meio da celebração de convênio de cooperação, no qual esteja previsto o ônus correspondente, bem como a responsabilidade pelo pagamento das demais parcelas remuneratórias, já percebidas pelo servidor no Poder de origem. (...) o recebimento da gratificação de função pelo servidor cedido ou requisitado somente será viável se a resolução/lei e o convênio assim dispuserem. A (...) consulta (...) protocolizada sob o nº 642579 (...) aborda aspectos relevantes sobre cessão de pessoal, à luz da LRF, (...): “(...) o ônus da cessão de pessoal, quando suportado pelo órgão ou entidade cedente, pode ser considerado como contribuição para o custeio de despesas de competência de outros entes da Federação. (Consulta n. 657439. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 19/06/2002). [Parceria entre o Estado e os consórcios intermunicipais de saúde] No âmbito dos municípios, mais precisamente na área de saúde, esse instrumento de cooperação, que permite a conjugação de esforços para realizar o que sozinho um ente local não conseguiria, vem recebendo o nome de consórcios intermunicipais de saúde. A formação desses consórcios encontra respaldo no próprio art. 241 da Constituição da República, alterado pela Emenda nº 19/98 (...). Esta disposição autoriza, expressamente, a possibilidade de cooperação entre os entes da Federação, na gestão dos serviços públicos e transferência de encargos. No caso da saúde pública, constam da Lei nº 8.080/90 os seguintes comandos [art. 10, §1º, art. 18, VII]: (...) a formação de tais consórcios é de iniciativa autônoma de municípios contíguos. Essa espécie de consórcio público é uma forma inovadora 95 Co nv ên io s e in str um en to s co nt ra tu ai s c on gê ne re s 7 e descentralizada de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua operacionalização é possível graças à combinação de recursos financeiros dos próprios municípios consorciados, do SUS e da Secretaria Estadual de Saúde. E mais, os consórcios, por permitirem uma administração mais flexível das ações de saúde, facilitam a implementação do SUS, reduzem custos e padronizam os procedimentos médicos, na medida em que interligam diferentes municípios. Em assim sendo, os consórcios intermunicipais, além de promoverem a articulação e a integração dos serviços de saúde municipais, são um tipo novo e eficiente de oferta de serviços públicos. Nesse passo, (...) os consórcios, legalmente previstos em lei, são partes integrantes do plano nacional de unificação da saúde, cabendo ao Estado-membro, por via de sua Secretaria de Saúde, não contratá-los, mas conveniar com eles, pois aqui não há interesses antagônicos e sim convergentes. Logo, a vedação inserta no inciso III do art. 9º do Estatuto Nacional de Licitação não alcança tais consórcios, porque o caso não é de contratação. E o que a citada norma proíbe é a participação, na licitação, de servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação; (...) o referido impedimento é dirigido aos serviços precedidos de licitação, e os consórcios em discussão não participam de licitação para poderem prestar serviços de saúde ao SUS, do qual fazem parte por determinação da Lei Nacional de Saúde (Lei nº 8.080/90). Nessa circunstância, o convênio ou qualquer outro ajuste de parceria, a ser celebrado entre os consórcios intermunicipais de saúde e a Secretaria Estadual da Saúde não atentará contra o princípio da moralidade pública e muito menos ao disposto no inciso III do art. 9º da Lei nº 8.666/93, pelo contrário, irá ao encontro dos direitos sociais inscritos nos arts. 196 e seguintes da Magna Carta Política de 1988. Igualmente, convém não esquecer que as normas da lei de licitação retrocitada são aplicáveis aos convênios, no que couber, como se depreende do art. 116. A dúvida do consulente está no fato de que os conselhos de municípios ou de diretores, que fazem parte da estrutura administrativa dos consórcios, são compostos pelos prefeitos ou secretários municipais de saúde. Em verdade, tais conselhos (...) congregam os representantes dos municípios consorciados e são os responsáveis pela condução da política do consórcio. Logo, a vedação inserida no § 4º do art. 26 [da Lei nº 8.080/90] (...) não alcança os membros daqueles conselhos, pois eles atuam como representantes dos municípios nos consórcios. (...) os proprietários, administradores e dirigentes de entidades privadas, contratadas para prestação de serviços de saúde de forma complementar, não poderão exercer cargo de chefia ou função de confiança no Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, vislumbrando nos consórcios intermunicipais não um fim em si próprio, mas um indispensável meio para a consolidação do Sistema Único de Saúde, no que se refere à administração e à orientação das ações e serviços de saúde, tenho que a Secretaria de Estado da Saúde pode com eles formar parceira para desenvolverem, em conjunto, serviços ligados ao SUS, não se aplicando CONVÊNIOS E INSTRUMENTOS CONTRATUAIS CONGÊNERES 96 as vedações contidas no inciso III do art. 9º da Lei nº 8.666/93 e no § 4º do art. 26 da Lei nº 8.080/90 (Consulta n. 657031. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 18/09/2002). [Cessão de servidores. Custeio] (...) ocorrendo a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente federado, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao SUS, há que se cumprir o rol de determinações fixadas no (...) art. 25 da Lei de Responsabilidade Fiscal, visto que se tratam de normas de caráter geral direcionadas a todos os entes da Federação. (...) a cessão de pessoal, desde que devidamente autorizada em lei local, não pode ser considerada como transferência voluntária de recursos e, consequentemente, [conclui-se] que tal modalidade de colaboração entre os órgãos e entidades dos membros da Federação não está vedada, em face das disposições do inciso X do art. 167 da Carta Federal, (...). (...) o que a Constituição da Repúblicaveda (...) é a utilização de recursos financeiros oriundos de transferência voluntária e de concessão de empréstimos, até mesmo por antecipação da receita, para pagamento de despesas com pessoal ativo, inativo e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) o ônus da cessão de pessoal, quando suportado pelo órgão ou entidade cedente, pode ser considerado como contribuição para o custeio de despesas de competência de outros entes da Federação. (...) consoante o disposto no art. 62 da Lei de Responsabilidade Fiscal, os municípios somente contribuirão para o custeio de despesas de competência de outros entes da Federação se houver: autorização na lei de diretrizes orçamentárias e na lei orçamentária anual; e convênio, acordo, ajuste ou congênere, conforme sua legislação. (...) a remuneração e os correspondentes encargos do servidor cedido integram o somatório das despesas de pessoal do órgão ou entidade que se responsabilizar pelo ônus da cessão, nos termos do ajuste a ser celebrado, sendo necessária também a observância do disposto na seção II da Lei de Responsabilidade Fiscal. (...) esta Corte já se pronunciou sobre cessão de pessoal em diversas consultas, entre as quais a de nº 443034 (...) (Consulta n. 642579. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 06/02/2002). [Não aplicação da contrapartida do município na execução de convênio celebrado com entidade estadual] (...) a celebração dependerá de prévia aprovação de competente plano de trabalho (...), contendo (...) plano de aplicação dos recursos financeiros; cronograma de desembolso (...). Destaca-se o § 6º do art. 116, objeto da presente consulta, que prevê a devolução dos saldos financeiros remanescentes à entidade ou órgão repassador dos recursos, no entanto, não se adequando o caso em tela a ele, por se tratar de contrapartida não aplicada (Consulta n. 643373. Rel. Cons. Murta Lages. Sessão do dia 06/06/2001). 97 8 FINANÇAS PÚBLICAS 8.1 CRÉDITOS ADICIONAIS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 77. Os créditos suplementares e especiais abertos sem cobertura legal são irregulares e podem ensejar a responsabilização do gestor. [Abertura de créditos suplementares. Regime próprio de Previdência Social] (...) o saldo positivo da reserva do regime próprio de previdência social só poderá ser usado como fonte de recursos para abertura de créditos adicionais suplementares se destinado a finalidade previdenciária do regime próprio ou a cobertura de suas respectivas despesas administrativas, observados os limites e vedações legais (Consulta n. 809491. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 11/11/2009). [Abertura de créditos especiais. Indicação de existência de recursos financeiros] A abertura de créditos suplementares depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer à despesa, além de ser precedida de exposição justificativa. Entre os recursos que podem ser comprometidos para a abertura de créditos suplementares, que se encontram enumerados no art. 43 da Lei nº 4.320/64, estão “os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais autorizados em lei”. (...) alicerçado nos princípios do planejamento e da transparência, respondo (...) que não pode a Lei Orçamentária ou mesmo outro diploma legal no município, admitir a abertura de créditos suplementares, sem indicar o percentual sobre a receita orçada municipal, limitativo à suplementação de dotações orçamentárias previstas no orçamento (Consulta n. 742472. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/05/2008). FINANÇAS PÚBLICAS 98 [Alteração da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual. Limite percentual para a abertura de créditos suplementares mediante remanejamento] (...) as realocações de recursos decorrentes de remanejamentos de um órgão para outro ou de uma categoria de programação para outra devem ser previamente autorizadas por lei específica, nos termos do art. 167, inciso VI, da Constituição da República. E quanto aos créditos suplementares oriundos de recursos provenientes de superavit financeiro, excesso de arrecadação, operação de crédito ou anulação parcial ou total de dotação orçamentária do mesmo órgão e mesma categoria de programação, não existe vedação que os desautorize até o limite estabelecido na própria lei orçamentária. Se tal limite esgotar-se antes do término do exercício, deverão ser solicitadas novas autorizações ou a majoração do limite, verificando-se os reflexos de tais medidas na lei de diretrizes orçamentárias (LDO) e no plano plurianual (PPA) (Consulta n. 735383. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 25/7/2007). [Créditos adicionais. Iniciativa e motivação] (...) no sistema prescrito pelo legislador constituinte de 1988, compete ao chefe do Executivo, nos três níveis de governo, tanto a iniciativa da lei orçamentária anual como a de abertura de créditos suplementares ou especiais, podendo a lei de meios autorizar a suplementação orçamentária até determinado limite. No entanto a abertura de créditos adicionais deve ser precedida de exposição de motivos, sendo que o respectivo ato deve indicar a fonte dos recursos para fazer face à despesa, a qual se pode originar de superavit financeiro, excesso de arrecadação, anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou operações de crédito. (...). O grau de rigidez do orçamento público almejado pela Constituição da República busca evitar prejuízos para a administração, fortalecendo-o como instrumento de planejamento das ações governamentais, priorizando, especialmente, a gestão fiscal responsável preconizada pela Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar nº 101/00 (Consulta n. 723995. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 03/10/2007). [Abertura de crédito especial. Novo elemento de despesa. Remanejamento. Transposição] (...) o crédito especial só pode ser aberto para a realização de “algo novo”, um programa, projeto ou atividade não previsto na lei orçamentária anual, discriminado por seus elementos de despesa, pessoal, material e outros. Cada programa terá o seu leque de despesas discriminadas, no mínimo, por elementos (art. 15 da Lei nº 4.320/64), o que não quer dizer que, se temos um novo “elemento de despesa”, devemos abrir um crédito especial, uma vez que a despesa com o programa ou ação já estava previsto na lei orçamentária. (...) com a falta de crédito para aquele elemento de despesa, o que se faz é o remanejamento ou transposição 99 Fi na nç as p úb lic as 8 do crédito de um elemento para o outro, com base nos recursos previstos dentro do próprio programa. A teor do art. 43, caput e § 1º, da lei, é perfeitamente possível o remanejamento pretendido desde que autorizado pela lei do orçamento ou por lei específica. Caso o programa não tenha mais recursos, aí sim, seria necessária a abertura de créditos adicionais, disciplinados pelos artigos 40 a 46 da Lei nº 4.320/64. (...) mesmo os créditos especiais podem ser suplementados, se a verba inicialmente prevista não for suficiente para cumprir o programa. A própria lei que institui o crédito especial poderá trazer no seu texto a autorização para suplementação, caso contrário, poderá ser feita a suplementação mediante lei específica. O crédito especial não se integra ao orçamento, mas à execução orçamentária. A suplementação que está contida na lei orçamentária não se aplica aos créditos especiais (Consulta n. 712258. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 25/10/2006). [Suplementação de crédito especial. Autorização legislativa] (...) como modificação que é do orçamento, o crédito suplementar do crédito especial, que objetiva reforçar dotação orçamentária aberta por crédito especial, sujeita-se à prévia autorização legislativa e à indicação dos recursos que o sustentarão (Consulta n. 702853. Rel. Cons.Moura e Castro. Sessão do dia 15/02/2006). [Lei orçamentária anual. Alterações] (...) a lei orçamentária anual é fruto do planejamento das atividades e dos projetos a serem desenvolvidos e reflete o desejo da sociedade de que seja executada da forma como foi aprovada (...) entretanto, (...) durante o exercício financeiro, podem surgir fatos que impliquem a necessidade de se redimensionar o planejamento anterior. (...) seria impraticável se o orçamento, durante a sua execução, não pudesse ser alterado objetivando contemplar situações não previstas quando de sua elaboração. Para tal fim, os mecanismos disponíveis são a abertura de créditos adicionais e a transposição, o remanejamento ou a transferência de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, tudo, evidentemente, mediante prévia autorização legislativa, conforme preceituam os incisos V e VI do art. 167 da Constituição da República (Consulta n. 695159. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 11/05/2005). [Abertura de créditos adicionais. Iniciativa] As dúvidas passíveis de serem respondidas já foram objeto de exame e decisão deste Colegiado de Contas (...) quando ficou assentado o entendimento de que “os créditos suplementares ou especiais destinados a qualquer Poder ou órgão devem ser implementados por via de norma legal de iniciativa do Executivo”. E mais, qualquer comando que vise substituir ou alterar essa competência é inconstitucional por incompatibilidade vertical com a FINANÇAS PÚBLICAS 100 Lei Maior da República. Ante o exposto e para não delongar muito, já que o assunto se encontra ancorado em jurisprudência desta Corte, (...) [destaco], também, a possibilidade de transferência de uma dotação para outra, dentro de mesma categoria econômica, fechando, assim, as questões sujeitas a merecer esclarecimento deste Pleno (Consulta n. 684780. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 24/11/2004). 8.2 DESPESA ENUNCIADO DE SÚMULA N. 93. As despesas públicas que não se fizerem acompanhar de nota de empenho, de nota fiscal quitada ou documento equivalente de quitação são irregulares e poderão ensejar a responsabilização do gestor. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 79. É irregular a despesa de viagem realizada por servidor municipal que não se fizer acompanhar dos respectivos comprovantes. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 25. A despesa realizada pelo Poder Público com a subvenção de culto religioso é ilegal e de responsabilidade pessoal do ordenador. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 21. É irregular a despesa realizada pelo município com o pagamento de aluguel de casa de moradia para o Comandante de Destacamento Policial, por caracterizar uma forma indireta de remuneração a servidores estaduais a que a municipalidade não está obrigada a custear. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 20. As despesas com homenagens — jantares, hospedagens e festividades — a autoridades municipais, estaduais, federais e estrangeiras são legais, se realizadas à conta de dotação orçamentária própria. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 15. O pagamento frequente pelo Município de refeições para Policiais Civis ou Militares é irregular, por caracterizar uma forma indireta de remuneração a servidores estaduais a que a municipalidade não está obrigada a custear. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 14. É vedada a concessão pelo Município de ajuda de custo ou de qualquer vantagem pecuniária a Delegado de Polícia, que é servidor do Estado e por ele remunerado. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 12. As despesas públicas realizadas sem a observância do requisito legal do empenho prévio são irregulares e de responsabilidade pessoal do ordenador. 101 Fi na nç as p úb lic as 8 ENUNCIADO DE SÚMULA N. 10. São irregulares as despesas realizadas pelo Município com o pagamento de aluguel de prédios destinados ao funcionamento de órgãos e entidades estaduais, ou de outra unidade da Federação, salvo se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias, dotação orçamentária específica, formalização de convênio e previsão de contrapartida pelo ente beneficiado pelo pagamento. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 8. São legítimas as despesas realizadas pelo Município com a execução de obras de reparos e melhoramentos em imóveis de propriedade do Estado destinados à instalação de serviços públicos de interesse comum, desde que haja autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias, dotação orçamentária específica e convênio. [Disponibilização de cópias dos empenhos dos processos licitatórios realizados. Empenho prévio por estimativa] (...) a Administração Municipal deve anexar cópias de todos os empenhos gerados aos processos licitatórios realizados, bem como aos procedimentos de dispensa e inexigibilidade, ainda que o contrato celebrado preveja o fornecimento diário, como no caso do fornecimento de combustíveis, em cumprimento às IN TC nº 08/2003 e 02/2010. Esclareça-se, por oportuno, que, em se tratando de contrato cujo montante da despesa não possa ser definido, tal como naqueles celebrados para aquisição diária de combustíveis, admite-se a realização de empenho prévio por estimativa, consoante o disposto no § 2º do art. 60 da Lei nº 4.320/64. Nesse caso, a administração deverá realizar o controle periódico das despesas efetivamente realizadas relativas a cada contrato, ajustando-se os valores exatos das despesas, no final de cada mês, com base naqueles consignados nas notas fiscais totalizadoras do valor mensal gasto, devendo todos os empenhos e eventuais subempenhos formalizados serem anexados ao processo licitatório (Consulta n. 849732. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 17/08/2011). [Anulação de empenhos. Parcelamento de dívida de município com o INSS] (...) é necessário esclarecer que a anulação de empenhos não é vedada em todas as circunstâncias, embora, em regra, esses documentos não possam ser anulados. De fato, o que existe é a restrição ao cancelamento injustificado, visando garantir a boa gestão orçamentária dos recursos públicos, evitando, por exemplo, que os fornecedores de boa-fé sejam prejudicados pela falta de pagamento. Todavia, há situações em que a própria legislação admite que a Administração Pública adote tal procedimento. (...) nada impede que o empenho seja anulado parcialmente, quando seu valor exceder o montante da despesa realizada, e, totalmente, nos casos em que o serviço FINANÇAS PÚBLICAS 102 contratado não tiver sido prestado, o material encomendado não tiver sido entregue, a obra não tiver sido executada ou a emissão tiver sido feita incorretamente, sem prejuízo das sanções cabíveis no âmbito administrativo. (...) Em caso de repactuação da dívida com o INSS, havendo parcelamento das obrigações previdenciárias, os empenhos originais, ainda que liquidados, devem ser cancelados e novos empenhos emitidos, dentro de cada exercício, até que o montante da dívida seja integralmente quitado, observada a característica de longo prazo desse tipo de operação. (...) os parcelamentos são uma transferência de uma dívida de curto prazo para longo prazo (Consulta n. 812243. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 11/05/2011). [Pagamento de despesas com moradia para policiais civis e militares] (...) o pagamento de aluguel de casa residencial para delegado de polícia, comandante de destacamento e de outros membros da Polícia Militar é, sem sombra de dúvida, uma forma indireta de remuneração de servidores do Estado pelo Município e não caracteriza, portanto, serviço ou obra de interesse para o desenvolvimento local a justificar e legitimar a celebração de convênio. A propósito, ao interpretar a concessão de vantagem pecuniária a servidores de outras entidades, esta Corte consolidou as seguintes súmulas: “É vedada a concessão pelo Município de ajuda de custo ou de qualquer vantagem pecuniária a Delegado de Polícia, que é servidor do Estado e porele remunerado.” [Súmula nº 14] (...). “O pagamento frequente pelo Município de refeições para policiais civis ou militares é irregular, por caracterizar uma forma indireta de remuneração ou ajuda de custo a servidores estaduais a que a municipalidade não está obrigada a custear” [Súmula nº 15]. [...] Assim, por não se ajustar ao princípio constitucional de moralidade administrativa, de observância indeclinável, o município não poderá realizar despesa com o pagamento de aluguel de casa residencial para delegado de polícia, comandante de destacamento e membros da Polícia Militar, ainda que exista lei local, pois, nesse caso, o diploma será irremitentemente, inconstitucional (Consulta n. 812500. Rel. Cons. Elmo Braz. Sessão do dia 22/09/2010). [Pagamento de energia elétrica para moradia de juiz de direito. Impossibilidade] (...) proibição de o município realizar despesas com locação de moradia ou dar auxílio, a qualquer título, a magistrado, em virtude de vedação constante da própria lei que contém a organização e a divisão judiciárias do Estado de Minas Gerais (Lei Complementar nº 38/95, art. 319) (Consulta n. 712471. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 28/03/2007). 103 Fi na nç as p úb lic as 8 [Despesas com peças e combustível para viaturas da Polícia Militar. Aluguel de moradia de agente público. Interesse público local. Convênios] [Acerca da] matéria, fornecimento de combustível ou peça para viaturas da Polícia Militar, pagamento de aluguel de moradia do comandante da PM, disposição de imóvel para instalação das Polícias Militar e Civil e celebração de convênio de cooperação entre as entidades políticas, (...) o entendimento unânime desta Corte é o de que, se a vantagem é dirigida ao agente público (juiz de direito, promotor de justiça, comandante da PM, delegado de polícia e servidor), a despesa, além de estranha ao orçamento do município, caracteriza remuneração indireta, o que é vedado. No entanto, se o benefício ou a ajuda municipal são entregues à entidade de direito público, sem nenhum privilégio a agente ou servidor público, para a realização de interesse público local, são eles permitidos, mediante convênios de cooperação (...). Relativamente à necessidade de se submeterem à aprovação da Câmara Municipal convênios de cooperação celebrados com a União e o Estado, exigência inserta no art. 181, II, da Carta Política Mineira, foi ela declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal conforme ADIN nº 770-0 (...). Todavia, o disciplinamento de tais convênios que objetivam gestão associada de serviço público, deverá ser por meio de lei (...) (Consulta n. 702073. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 09/11/2005). [Pagamento pelo município de auxílio-moradia aos instrutores de tiro de guerra] (...) desde que o município celebre convênio com o Ministério da Defesa, mediante prévia autorização legislativa, e desde que haja dotação orçamentária específica para cobrir as despesas advindas da instalação e manutenção dos militares lotados no tiro de guerra, poderá o município arcar com o ônus do aluguel das residências destinadas a moradia dos militares (Consulta n. 694114. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 13/04/2005). [Município. Pagamento de aluguel de residência para militares do exército brasileiro] (...) o município deverá celebrar convênio com o atual Ministério da Defesa, mediante prévia autorização legislativa, desde que haja dotação orçamentária específica para cobrir as despesas advindas da instalação e manutenção dos tiros de guerra, poderá ser incluído no instrumento correlato o ônus com o aluguel das residências destinadas a moradia dos militares (Consulta n. 661715. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 19/06/2002). FINANÇAS PÚBLICAS 104 [Município. Despesa orçamentária. Estrutura] (...) O Manual de Despesa Nacional, em consonância com os artigos 12 e 13 da Lei Federal nº 4.320/64 e com a Portaria Interministerial STN/SOF nº 163/01, dispõe, no subitem 4.4.1, que o conjunto de informações que constitui a natureza da despesa orçamentária forma um código estruturado que agrega a categoria econômica, o grupo, a modalidade de aplicação e o elemento e que essa estrutura deve ser observada na execução orçamentária de todas as esferas de governo. Esclarece que o código da natureza de despesa orçamentária deverá ser composto por seis dígitos, desdobrado até o nível de elemento ou, opcionalmente, por oito, contemplando o desdobramento facultativo do elemento. Nesses termos, entende-se, s.m.j., que a estrutura da natureza da despesa orçamentária, a ser observada pelo município (...) no orçamento-programa e nas notas de empenho deva ser desdobrada até o nível de elemento e, opcionalmente, para atender às necessidades de execução, contemplar o desdobramento do elemento (Consulta n. 775793. Rel. Cons. Subst. Licurgo Mourão. Sessão do dia 29/04/2009). [Ato de ordenação de despesa. Delegação] (...) No mérito, adoto o parecer da auditoria (...) a saber: (...) é possível a delegação de competência do ato de ordenação da despesa, mediante norma legal expressa autorizadora. Em acréscimo, entendo que o instrumento hábil para efetivação da pretendida delegação é a resolução editada pelo próprio Legislativo local, por encerrar assunto de sua competência exclusiva (...). Ele não perde a competência e também não decai da sua responsabilidade. Quem delega não se livra da responsabilidade. A delegação não transfere responsabilidade. Por isso quero (...) fixar que a responsabilidade permanece, ainda que tenha sido delegada a prática do ato (Consulta n. 724177. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 22/08/2007). [Realização da despesa. Empenho. Regime de competência] (...) nos termos do art. 35, inciso II, da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, pertencem ao exercício financeiro as despesas nele legalmente empenhadas. Por isso, qualquer despesa, independentemente da rubrica que integra, pertence àquele exercício financeiro em que figurou orçamentariamente (Consulta n. 704555. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 26/04/2006). [Custeio de despesas particulares por parte do município. Vedação] (...) em razão da autonomia consagrada no art. 18 da Constituição da República e das finanças locais, os municípios podem ampliar ou restringir direitos e obrigações, mas não estão autorizados a subsidiar despesas estranhas ou contrárias aos interesses peculiares de sua população, principalmente quando realizadas em proveito de alguns munícipes, 105 Fi na nç as p úb lic as 8 sejam eles agentes políticos ou não, pois, na esfera pública, não se deve favorecer nem privilegiar determinado grupo de pessoas em prejuízo dos contribuintes. A bem da verdade, se de um lado o município é autônomo, podendo assumir toda e qualquer obrigação pública local, de outro não devemos perder de vista que essa autonomia não é um fim em si própria, mas um meio de dotar aquele ente político de instrumentos legais capazes de promover os anseios de sua sociedade, nunca de uma classe, muito menos a dos agentes políticos que devem dar exemplo de moralidade. Nesse sentido, o município deve evitar o perigoso e indesejável comprometimento de seu orçamento para, em nome de um suposto interesse local, arcar com despesas particulares de membros de Poder. (...) (Consulta n. 677255. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 14/05/2003) [Aplicação da arrecadação das multas de trânsito] (...) após dedução do percentual de cinco por cento das multas arrecadadas, o restante será, obrigatoriamente, aplicado em sinalização, engenharia de tráfego, de campo, policiamento e fiscalização. (...). Outrossim, estando os recursos afetos a despesas certas e determinadas, cabe ao arrecadador depositá-los em conta especial, facilitando, assim, não só o manejodo dinheiro, mas também a ação fiscalizatória deste Tribunal (Consulta n. 656094. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 28/08/2002). [Repasse mensal de valores dos cofres municipais ao Poder Judiciário da comarca. Estruturação, manutenção e funcionamento dos juizados especiais. Autorização por lei municipal] (...) havendo interesse público local, é possível ao município custear despesas com a manutenção e funcionamento dos juizados especiais, desde que precedidas de autorização orçamentária e convênio. (...) o repasse será entregue à entidade de direito público para a realização de interesse comum da população municipal, sem nenhum privilégio a agente ou servidor (...) (Consulta n. 652590. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 12/12/2001). [Aplicação das receitas do Fundo Especial de royalties/petróleo em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento de água, recuperação e proteção ao meio ambiente e saneamento básico] (...) as receitas recebidas a título de compensação financeira advindas do Fundo Especial de Royalties/Petróleo podem ser aplicadas em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento de água, recuperação e proteção ao meio ambiente e saneamento básico, (...) uma vez que o ordenamento jurídico veda sua utilização apenas no pagamento de dívida e no quadro permanente de pessoal, (...). (...) excetuando-se o adimplemento dos FINANÇAS PÚBLICAS 106 débitos com a União e com entidades a ela ligadas, bem como sua aplicação para capitalização de fundos de previdência, nos termos do art. 8º da Lei nº 7.990/89 (Consulta n. 838756. Rel. Cons. Cláudio Terrão. Sessão do dia 14/09/2011). [Aplicação dos recursos oriundos dos royalties recebidos pelos municípios] (...) ficou vedada aos municípios a aplicação de recursos provenientes de royalties no quadro permanente de pessoal e em pagamento de dívidas, exceto as da União e de suas entidades e, ainda, para a capitalização de fundos de previdência (Consulta n. 694698. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 09/11/2005 e Consulta n. 656572. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 25/09/2002). 8.3 DESPESAS COM PESSOAL [Possibilidade de exceder o limite de gastos com pessoal para adequação do plano de carreira aos parâmetros legais] (...) não obstante o excedente no limite de gastos com pessoal, é legítima a adequação do plano de carreira do magistério público municipal da educação básica, porque a instituição e a atualização do respectivo piso salarial constitui obrigação advinda da Lei Federal nº 11.738/08, e porque tal adequação encontra amparo jurídico no inciso I do parágrafo único do art. 22 da Lei Complementar Federal nº 101/00. Impõe-se ao Poder Público, entretanto, o dever de adotar, de plano, as medidas prescritas no art. 23 da própria LRF, que remete a conduta da Administração às providências definidas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Carta Política e no próprio art. 22 da LRF, consoante já demonstrado, tudo devidamente comprovado (Consulta n. 851627. Rel. Cons. Adriene Andrade. Publicada no D.O.C. em 14/12/2011). [Aplicação das receitas do Fundo Especial de Royalties/petróleo em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento de água, recuperação e proteção ao meio ambiente e saneamento básico] (...) as receitas recebidas a título de compensação financeira advindas do Fundo Especial de Royalties/Petróleo podem ser aplicadas em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento de água, recuperação e proteção ao meio ambiente e saneamento básico, (...) uma vez que o ordenamento jurídico veda sua utilização apenas no pagamento de dívida e no quadro permanente de pessoal, (...). (...) excetuando-se o adimplemento dos débitos com a União e com entidades a ela ligadas, bem como sua aplicação para capitalização de fundos de previdência, nos termos do art. 8º da Lei nº 7.990/89 (Consulta n. 838756. Rel. Cons. Cláudio Terrão. Sessão do dia 14/09/2011). 107 Fi na nç as p úb lic as 8 [Membro do conselho tutelar. Remuneração por folha de pagamento. Alocação contábil da despesa] (...) o pagamento do membro do conselho tutelar pelo município, se fixado, não deve ser por meio de Recibo de Pagamento de Autônomo (RPA), porque o conselheiro tutelar não é prestador de serviço autônomo, uma vez que o serviço prestado é permanente, embora o mandato exercido pelo conselheiro seja temporário. O município é orientado a estabelecer em lei municipal a remuneração dos membros dos conselhos tutelares, bem como quando tais estipêndios serão efetivados e pagos, observadas as diretrizes do CONANDA. Saliente-se que, em razão da autonomia funcional dos membros do conselho em relação à Administração municipal, não há, a princípio, que se falar em vínculo empregatício, o qual tem caráter contratual e subordinativo. Porém, uma vez assegurado por lei municipal o pagamento aos membros do conselho tutelar, entendo que devem os conselheiros em efetivo exercício de suas funções receber sua remuneração por folha de pagamento, garantindo-se a esses agentes o recolhimento dos encargos incidentes, como imposto de renda e contribuição previdenciária para o Regime Geral da Previdência Social, durante o período de mandato. (...) Nesse passo, respondendo à segunda indagação, entendo que há que se alocar as despesas desses agentes nos gastos com pessoal da administração pública, de que trata o art. 18 da Lei de Responsabilidade Fiscal, também na mesma linha de pensamento da unidade técnica. Conforme a Portaria Ministerial nº 163/2001, do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão/Secretaria do Tesouro Nacional, a classificação do elemento da despesa correspondente integra a categoria econômica Despesas Correntes, código 1, no grupo de natureza de despesa 1, Pessoal e Encargos Sociais, modalidade Aplicações Diretas, código 90, alocada no elemento de despesa 11 — Vencimentos e Vantagens fixas — Pessoal Civil — 3.1.90.11 (Consulta n. 837566. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 14/09/2011). [Inclusão dos gastos com reajuste e revisão geral anual de vencimentos e do imposto de renda retido na fonte no cômputo da despesa total com pessoal] Os acréscimos decorrentes da revisão obrigatória ou de reajuste estatuído em lei serão incorporados aos vencimentos do servidor de maneira definitiva, por força do estabelecido no inciso XV do já citado art. 37 da Constituição da República: (...) incorporados aos subsídios e vencimentos dos servidores, tais valores não poderiam ser contabilizados separadamente. Configurarão, necessariamente, despesa típica de pessoal, conforme descrição do art. 18 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que indica “quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios (...), inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais”. (...) o crescimento da despesa necessariamente será considerado na apuração do limite global de despesas com pessoal do ente, fixado no art. 19 da FINANÇAS PÚBLICAS 108 LRF. A Lei de Responsabilidade Fiscal traz ainda disposições específicas quanto à revisão anual obrigatória, consignadas no art. 22, parágrafo único, I, e no art. 71 da própria Lei de Responsabilidade Fiscal. O primeiro dispositivo excepciona a revisão, de fundo constitucional, do “congelamento” de despesas a que se sujeita o órgão quando atinge 95% do limite de gastos com pessoal. Já o segundo tinha por fim limitar a elevação de gastos nos exercícios subsequentes à entrada em vigor da LRF. (...) Tendo em vista que a Lei de Responsabilidade Fiscal não revogou dispositivos da Lei Federal nº 4.320/64, as disposições de ambas as leis devem ser harmonizadas. Dessa forma, ao interpretar a Lei de Responsabilidade Fiscal, em especial os limites por ela descritos, o princípio do orçamento bruto não pode ser desconsiderado. Isso implica em considerar o IRRF no cálculoda despesa de pessoal. (...). Nesse sentido, a exclusão do IRRF da despesa total com pessoal poderia distorcer a finalidade da LRF de limitar o comprometimento dos recursos públicos com despesas de natureza remuneratória, dado que o IRRF integra o salário bruto do servidor ou empregado. [Excerto extraído de parecer da lavra do Cons. Antônio Carlos Andrada] (Consulta n. 812412. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/09/2010). [Cômputo de despesas com agentes do PAC e do PSF] (...) levando-se em conta que os programas são compartilhados entre entes da Federação, cada esfera de governo lançará como despesa de pessoal a parcela que lhe couber na remuneração do agente e não a totalidade, sendo que a parte restante, isto é, aquela advinda da transferência intergovernamental, por meio dos programas em comento, usada para pagamento do pessoal contratado, será contabilizada como Outros Serviços de Terceiros — pessoa física, a título de transferência recebida, não integrando, portanto, as despesas com pessoal, para efeito do art. 18 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Consulta n. 832420. Rel. Cons. Elmo Braz. Sessão do dia 26/05/2010). [Termo de Parceria. OSCIP. Objeto. Assistência jurídica. Não inclusão dos repasses como despesa de pessoal] (...) é possível firmar termo de parceria com OSCIP, objetivando promover a assistência judiciária à população carente nas áreas de direito previdenciário e de direito do consumidor. Contudo, como pressupostos à assinatura deste termo de parceria, a matéria deverá estar devidamente regulamentada em âmbito municipal. Além disso, em não se configurando as hipóteses de dispensa ou inexigibilidade, nos termos da Lei nº 8.666/93, há que se realizar licitação para contratação com tais entidades, sob pena de malferir os princípios que regem a administração pública. Também é imprescindível (que) seja verificada a adequação da constituição da OSCIP à Lei nº 8.906/94, quando verificado que o termo de parceria prevê o exercício de 109 Fi na nç as p úb lic as 8 atividade privativa da advocacia, sendo recomendável evitar que os termos de parceria prevejam o acompanhamento de demandas nas esferas administrativa e judicial, dada a possibilidade de a OSCIP se extinguir antes de finalizados os processos por ela acompanhados. No tocante ao questionamento de que as despesas com o pagamento dos funcionários da OSCIP deveriam ser computadas a fim de se apurar o limite das despesas com gasto de pessoal da Administração municipal, responde-se negativamente, uma vez que esses funcionários não compõem o quadro de servidores, e os repasses à OSCIP deverão ser classificados como despesas de transferências correntes (Consulta n. 716238. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/11/2008). [Realização de concurso público. Aumento de despesa de pessoal em final de mandato. Interpretação do art. 21, parágrafo único, da LC n. 101/00 e do art. 73 da Lei n. 9504/97] Na interpretação dessas regras [art. 21, parágrafo único, da LC nº 101/00 e art. 73 da Lei nº 9.504/97], recomenda-se ao intérprete não se ater à literalidade do texto legal, isto é, não entabular interpretação em tiras da lei, mas interpretá-la em harmonia com os princípios constitucionais e demais princípios e normas jurídicas de direito financeiro e orçamentário (...). Nesse contexto, as disposições do parágrafo único do art. 21 da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar nº 101/2000, bem como do art. 73 da Lei nº 9.504/1997, não têm o condão de impedir a prática de atos que resultem em solução de continuidade da administração pública, ou mesmo daqueles que garantam o exercício de situações autorizadas nas leis orçamentárias. Por remate, registre-se que em homenagem ao princípio da moralidade pública, não se pode admitir que norma de hierarquia inferior prescrevesse limitação que, de alguma forma, obstaculizasse a continuidade da execução de serviço público essencial resultante de obrigação do Estado imposta pela Constituição da República (Consulta n. 758478. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 10/09/2008). [Concessão de plano de saúde. Administração pública indireta. Financiamento integral pela administração. Possibilidade] (...) [há] possibilidade de concessão de plano de saúde a servidores e empregados da administração indireta, (...), mediante lei específica de iniciativa do chefe do Executivo, no caso das autarquias e entidades estatais dependentes e, no caso das não dependentes, mediante ato administrativo em conformidade com as disposições das respectivas leis de instituição e dos respectivos estatutos. Em qualquer das hipóteses, é indispensável a realização de processo licitatório, para escolha de empresa privada prestadora dessa espécie de serviço. Participaram da votação os eminentes conselheiros (...), FINANÇAS PÚBLICAS 110 todos defendendo a tese da não obrigatoriedade de participação do servidor no custeio de Plano de Saúde Coletivo contratado pela Administração, desde que a legislação não contemple essa obrigatoriedade, tese essa contrária à adotada pelo ilustre relator (...) (Consulta n. 764324. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 12/05/2010). [Concessão do benefício de plano de saúde para servidores e Vereadores] (...) há a possibilidade da concessão do benefício de plano de saúde aos servidores, desde que sejam respeitados requisitos específicos: “a) previsão em lei de iniciativa do Poder Executivo municipal; b) prévia dotação orçamentária; c) autorização específica em lei de diretrizes orçamentárias; d) licitação prévia para contratar com empresas privadas; e) observância dos limites de despesa com pessoal da Câmara definidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela Constituição da República.” (...) Em relação ao pagamento desse plano de saúde, tendo em vista o caráter remuneratório do benefício, nada impede que a Administração Pública pague o plano de saúde em sua totalidade, se houver orçamento para tanto, ou que contribua somente com uma parte. Segundo entendimento do TJMG, o plano de saúde não tem natureza jurídica previdenciária. E por esse motivo, pode-se concluir que não há a obrigatoriedade de que o servidor arque com uma parte, como ocorre com os benefícios desta natureza, podendo a Câmara Municipal arcar com todo o custo. (...). Cumpre ressaltar, ainda, que a lei que regulamentar a concessão do plano de saúde a familiares de servidores deverá regular o grau de parentesco que pode ser alcançado por tal benefício. Por fim, em qualquer hipótese, deverá o ente concedente respeitar os limites legais com despesa de pessoal e cuidar para que a concessão da vantagem em análise seja feita de forma responsável e planejada, para que não signifique um fator de desequilíbrio financeiro para o município. (...) a concessão do benefício, se custeado, pelo Poder Público, deverá ser acessível a todos os servidores, sem qualquer distinção, vedado sua concessão a apenas uma parcela do quadro de pessoal, como por exemplo filiados a associação de servidores, sindicatos ou outras entidades do gênero, sob pena de violação do princípio da isonomia, (...). Por outro lado, em razão da natureza remuneratória, essa vantagem não poderá ser concedida aos vereadores, nem aos seus familiares, observado o disposto no §4° do art. 39 da Constituição Federal, que estabelece a remuneração dos detentores de mandato eletivo exclusivamente por subsídio, fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer outra vantagem remuneratória (Consulta n. 764324. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 10/03/2010). 111 Fi na nç as p úb lic as 8 [Participação de município no custeio de plano de saúde a seus servidores] (...) a contratação de plano de saúde para servidores não configura duplo benefício social, considerando que nãose enquadra entre as ações e serviços públicos de saúde prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de caráter universal e igualitário a que alude o art. 196 da Lex Legum, os quais se constituem em dever do Estado, termo que abarca União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios. (...) a contribuição da Administração para custeio de plano de saúde para servidores é totalmente legal e, a par de ser considerada como despesa de pessoal, constitui vantagem pecuniária de natureza remuneratória (Consulta n. 759623. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 08/10/2008). [Despesas com pessoal. Assistência à saúde] (...) as parcelas da contribuição patronal destinadas à assistência à saúde dos servidores, por não terem caráter previdenciário, não são incluídas no cômputo das despesas com pessoal quando do preenchimento do respectivo demonstrativo. Quanto ao posicionamento deste Tribunal, informo ao consulente que, sendo a Secretaria do Tesouro Nacional órgão atualmente encarregado da edição de normas gerais para consolidação das contas públicas, nos termos do § 2º do art. 50 da Lei Complementar nº 101/2000, suas instruções normativas, em matéria de sua competência, devem ser acatadas por todos os órgãos e entidades alcançadas pela referida lei (Consulta n. 735556. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 19/12/2007). [Verba pública. Cursos de capacitação para servidores públicos. Custeio não enquadrado no conceito de despesa com pessoal (LRF)] Nesse contexto, a promoção de cursos para os agentes administrativos é medida salutar e de extrema valia para a sociedade, a qual se torna diretamente beneficiada com o aprimoramento do conhecimento daqueles que prestam diretamente as atividades e os serviços públicos aos administrados. Todavia, convém não olvidar que, em se tratando de oferta de cursos e treinamentos feita com o emprego de recursos públicos, devem ser exigidas todas as cautelas e os cuidados afetos à área das despesas públicas, como, por exemplo, a previsão legal do gasto e a disponibilidade orçamentária e financeira. Ademais, no caso específico de despesas destinadas à concessão de benefícios aos servidores públicos, devem ser fixados procedimentos de avaliação dos resultados (...). No tocante à escolha da instituição que irá ministrar os cursos, é indispensável destacar que o ente municipal deve promover a devida formalização da contratação do particular, em atendimento ao disposto no art. 37, XXI, da CR/88, (...). Por fim, vale assentar que, apreciada a natureza da despesa relacionada ao custeio de curso para servidores públicos, tem-se que sua incidência não se enquadra no FINANÇAS PÚBLICAS 112 conceito legal previsto para despesas com pessoal, nos termos do art. 18 da Lei Complementar nº 101/2000, (...). Do exposto, não devem ser computados como despesas com pessoal os gastos eventualmente feitos pela Administração nos casos de capacitação e treinamento de seus agentes administrativos (Consulta n. 737641. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 24/10/2007). [Limite de gastos com pessoal. Base de cálculo] (...) para a despesa total com pessoal (art. 19, c/c art. 20 da Lei de Responsabilidade Fiscal) toma-se por base a receita corrente líquida do exercício, incluindo-se, portanto, os recursos do FUNDEB, e para o cálculo da aplicação de pelo menos 60% com a remuneração dos profissionais do magistério é considerado apenas o total de recursos do FUNDEB, verifica-se não haver incompatibilidade entre ambos os critérios legais (Consulta n. 706480. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 04/07/2007). [Royalties de água. Despesas com pessoal] (...) os recursos decorrentes da compensação financeira de que trata a Lei nº 7.990/89, também denominados royalties, integram a receita corrente líquida para efeito da Lei Complementar nº 101/2000 e, como tal, deverá servir para se calcular o limite das despesas com pessoal do município que os recebe, o que, aliás, já está sendo observado por esta Corte de Contas (Consulta n. 701428. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 08/11/2006). [Despesas com pessoal. Estagiário] (...) na hipótese de o estágio ser concedido pelo Poder Público, no caso o município, é obrigatória a celebração de convênio com a instituição de ensino, instrumento pelo qual serão previamente ajustadas todas as condições gerais e específicas do estágio, com a fixação das obrigações e deveres dos convenentes. (...) não basta a celebração do convênio, devendo haver, também, dotação suficiente contida na lei orçamentária, sem o que o município não poderá assumir as despesas decorrentes da execução do instrumento. (...) a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal), em seu art. 18, caput, define a abrangência das despesas com pessoal, para fins de fixação de limite de gastos, não incluindo ali as relativas ao pagamento de estágio (...). Com efeito, a contabilização deverá ser feita à conta de dotação orçamentária específica no grupo Despesas Correntes, observando-se as disposições da Lei Federal nº 4.320/64 e, ainda, a Portaria Interministerial STN/SOF nº 163/2001 e as suas alterações, que definem as normas para uniformização da execução orçamentária nas três esferas de governo, facilitando a consolidação dos Balanços das Contas Públicas. Assim, evidencia-se que aos estagiários não é dado tratamento de servidor pela Lei de Responsabilidade 113 Fi na nç as p úb lic as 8 Fiscal e que as despesas relativas ao pagamento das respectivas bolsas não têm o caráter de despesa com pessoal (Consulta n. 715526. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 27/09/2006). [Aumento da carga horária dos profissionais do magistério] (...) os novos planos de carreira e remuneração do magistério deverão ser formulados com observância da jornada de trabalho dos docentes, que poderá ser de até 40 horas. Assim, com fulcro naquele dispositivo, o município, ao estabelecer o plano de carreira do pessoal do magistério, não deveria estender a jornada dos seus docentes para além de 40 horas. (...). (...). Com efeito, para a concessão do aumento, deverá a Administração municipal verificar se as projeções de despesa estarão dentro do limite de pessoal previsto para o Executivo municipal: 54% da receita corrente, conforme prevê o art. 20, II, da Lei de Responsabilidade Fiscal. Nesse passo, cabe registrar também, com fulcro no parágrafo único, I, do art. 22 da citada Lei de Responsabilidade Fiscal que, estando o município com sua despesa de pessoal excedente a 95% do limite, ao Poder que tiver incorrido em excesso fica vedada, dentre outros, a concessão de vantagem, aumento ou reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do art. 37 da Constituição (Consulta n. 683251. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 30/06/2004). [Inclusão dos gastos com pessoal do magistério no montante dos gastos com pessoal. Contabilização das despesas relativas ao FUNDEF] Quanto (...) aos gastos com pessoal do magistério estarem incluídos no montante dos gastos de pessoal para efeito do limite previsto na Lei Complementar nº 101/2000 (...), há de se esclarecer que a referida lei não faz nenhuma exclusão a esse respeito, quando relaciona, em seu art. 2º, item II, o que constitui despesas com pessoal para os entes da Federação. (...) incluem[-se] no montante dos gastos com pessoal aqueles referentes ao magistério, (...). Temos que esclarecer que existe definição legal de despesa total com pessoal, contida no art. 18 da Lei Complementar nº 101/2000 (...) que considera no somatório dos gastos de pessoal quaisquer espécies remuneratórias, ali enumeradas de forma não exaustiva. Quanto à questão da contabilização das despesas relativas ao FUNDEF,(...) deverá obedecer às orientações das Portarias STN nº 163/01, 325/01 e 519/01, e, ainda, às IN TC nº 08/04 e 02/05, referentes à Educação, assim como às IN TC nº 01/03 e 04/05, referentes a prestação de contas (Consulta n. 700822. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 01/02/2006). FINANÇAS PÚBLICAS 114 [Contabilização das despesas com terceirização de mão de obra] A Lei Complementar nº 101/2000, no seu art. 18, considera como Despesa Total com Pessoal o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias (...). O parágrafo único do mesmo artigo estabelece que os valores dos contratos de terceirização de mão de obra que se referirem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados como Outras Despesas de Pessoal (...). Assim, as entidades subvencionadas têm obrigação de prestar contas dos recursos recebidos ao órgão repassador, mas as despesas com pessoal dessas entidades não entram no cômputo da Despesa de Pessoal do Município, até porque não fazem parte do quadro funcional da Prefeitura municipal (Consulta n. 685317. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/12/2005). [Limite de gastos com pessoal. Auxílio alimentação] Inegavelmente, a concessão, pela Administração Pública, de auxílio-alimentação, tíquete-alimentação, vale-refeição ou vale-alimentação, independentemente do nomen juris escolhido, constitui benefício pecuniário ao servidor. (...) A respeito do tema, a orientação do Excelso Pretório, notadamente nos Recursos Extraordinários nº 229652, 231216 e 236449, é pacífica em considerar que o benefício em causa tem natureza indenizatória, pois apenas visa ressarcir valores despendidos com alimentação pelo servidor em atividade, sem, contudo, integrar sua remuneração. (...) 1º) o auxílio em exame, por ser benefício pecuniário de caráter indenizatório, não integra as despesas com pessoal do ente, poder ou órgão que o concede a seus servidores; 2º) a concessão do benefício deve: atender ao princípio da isonomia, ser precedida de lei autorizativa, estar prevista na LDO, ter dotação orçamentária específica, observar as normas contidas nos arts. 16 e 17 da Lei Complementar nº 101/2000 e, ainda, se houver a contratação de empresa para o seu fornecimento, obedecer às regras contidas na Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitação e Contratos) (Consulta n. 687023. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/12/2004). [Aplicação dos recursos oriundos dos royalties recebidos pelos municípios] (...) ficou vedada aos municípios a aplicação de recursos provenientes de royalties no quadro permanente de pessoal e em pagamento de dívidas, exceto as da União e de suas entidades e, ainda, para a capitalização de fundos de previdência (Consulta n. 694698. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 09/11/2005 e Consulta n. 656572. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 25/09/2002). 115 Fi na nç as p úb lic as 8 [Contabilização da receita de transferência intergovernamental] (...) as receitas de transferência intergovernamental, mesmo as destinadas a programas específicos, integram a receita corrente líquida que serve de base de cálculo para se chegar ao percentual mínimo a ser gasto com pessoal (...) (Consulta n. 700774. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 22/03/2006). 8.4 DISPONIBILIDADES FINANCEIRAS ENUNCIADO DE SÚMULA N. 109. Comprovada a inexistência de bancos oficiais em seu território, o município poderá, mediante prévia licitação, movimentar seus recursos financeiros e aplicá-los em títulos e papéis públicos com lastro oficial, em instituição financeira privada, sendo-lhe vedada a contratação de cooperativa de crédito para esse fim. [Município. Movimentação de recursos públicos em cooperativas de crédito]41(...) [há] impossibilidade legal de movimentação de recursos públicos em cooperativas de crédito, como também (...) impossibilidade de associação dos municípios às tais sociedades cooperativas (Consulta n. 742449. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 05/03/2008). [Município. Cooperativas de crédito] (...) impossibilidade de efetivação de depósito e movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativas de crédito, pois elas somente estão habilitadas a captar depósitos de seus associados e a lhes conceder empréstimos. (...) importa esclarecer que a condição para ingresso na cooperativa é a integralização de recursos ao capital da sociedade, o que não é possível pela administração pública, pois, nessa hipótese, seriam integralizados recursos públicos a serem administrados pela cooperativa — sociedade privada —, os quais ficariam, juntamente com os recursos integralizados por outros associados, à disposição de pessoas físicas e jurídicas associadas — para diversos fins creditícios, inclusive empréstimo, segundo regras estatutárias próprias da sociedade cooperativa. (...) respondo negativamente à consulta formulada, concluindo pela impossibilidade legal de movimentação de recursos públicos pelos municípios em sociedade cooperativa, como também pela impossibilidade de associação dos municípios às cooperativas de crédito (Consulta n. 743522. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 20/02/2008). 4 Além dos excertos ora colacionados, cumpre ressaltar que acerca da matéria há diversas consultas nesse mesmo sentido. FINANÇAS PÚBLICAS 116 [Inexistência de instituição financeira oficial. Depósito e movimentação bancária das disponibilidades financeiras em cooperativa de crédito. Impossibilidade] (...) restou assentada neste Tribunal de Contas a orientação relativa à impossibilidade de efetivação de depósito e de movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativa de crédito, pois ela somente está habilitada a captar depósitos de seus associados e a lhes realizar empréstimos (Consulta n. 739780. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 07/11/2007). [Inexistência de instituição financeira oficial. Disponibilidades financeiras. Cooperativa de crédito] Ao referir-se à orientação desta Corte vazada naquele parecer [Consulta nº 711021], o Auditor Hamilton Coelho aduziu o seguinte comentário (...): “A orientação desta Casa de Contas, no que se refere ao quesito formulado, é bem clara; não existindo instituições financeiras oficiais no município, poderá ele, mediante autorização específica, contratar serviço bancário com banco privado, bem como ali efetuar movimentação de dinheiro e aplicações financeiras, desde que atreladas em títulos e papéis com lastro oficial, destacando, ainda, que a contratação de casa bancária particular deve ser precedida de procedimento licitatório, a fim de não macular o comando do art. 37, XXI, da Constituição da República.” Com efeito, na consulta citada, restou claramente demonstrada a impossibilidade de efetivação de depósito e movimentação das disponibilidades financeiras municipais em cooperativa de crédito, pois ela somente está habilitada a captar depósitos de seus associados e a eles realizar empréstimos (Consulta n. 737638. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 12/09/2007). [Contratação de instituição financeira. Folha de pagamento de pessoal. Pregão] Para a análise da questão, devo destacar, primeiramente, o art. 164, § 3º, da Constituição da República (...). Numa primeira interpretação do dispositivo constitucional, tem-se que toda verba advinda de órgão público deve ser depositada em banco oficial. Entretanto, entendo que na “disponibilidade de caixa” não estão incluídas as verbas referentes a salário, remuneração, aposentadoria e pensão dos servidores públicos, porque, tão logo a Fazenda Pública deposita os aludidos valores, não mais pode dispor deles, visto que já pertencema terceiros. Quanto à natureza jurídica da instituição financeira em que as despesas estatais, entre elas a de custeio de pessoal, deverão ser depositadas, o art. 164, § 3º, da CR, nada dispõe sobre a questão, o que me leva a concluir que não existe ilegalidade em que os depósitos sejam feitos em instituições privadas. Entendo também que deve ser feita licitação para a gestão da folha de pagamento, pois o procedimento licitatório, além de possibilitar a seleção de proposta mais vantajosa para a Administração, empresta isonomia e 117 Fi na nç as p úb lic as 8 transparência ao ato de escolha da instituição financeira. E ainda, de acordo com a exegese da Lei nº 10.520/02, o pregão com melhor oferta de preço é a modalidade de licitação mais condizente para o presente caso, por ser procedimento mais célere e por permitir uma maior competitividade entre os licitantes, gerando maiores receitas para o erário e benefícios para o órgão público beneficiado (Consulta n. 797451. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 09/12/2009). [Ausência de instituição financeira oficial no município. Movimentação bancária em instituições privadas. Autorização específica de norma municipal ] Firmou esta Corte o entendimento de que as disponibilidades de caixa dos Estados, Distrito Federal e Municípios devem, necessariamente, ser depositadas em instituições financeiras oficiais, consoante § 3º do art. 164 da Constituição Federal/88 e art. 43 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Inexistindo instituições financeiras oficiais no município é de se lhe facultar, mediante autorização específica de norma municipal, proceder à movimentação bancária em instituições privadas, incluídas as aplicações financeiras, desde que estas tenham por lastro títulos ou papéis públicos, devendo para tanto ser observado o procedimento licitatório (Consulta n. 751298. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 11/06/2008). [Recursos do Regime Próprio dos Servidores] (...) observadas as disposições da Lei nº 9.717/98 e da Resolução nº 3.244/04, DJ de 01/11/04, baixada pelo Conselho Monetário Nacional, que dispõe sobre as aplicações dos recursos dos regimes próprios de previdência social instituídos pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou por Municípios, “os recursos arrecadados que compõem o regime próprio dos servidores devem ser depositados em bancos oficiais, em conta específica e distinta das demais contas do instituto previdenciário, mas sua aplicação pode ser feita tanto em instituições financeiras oficiais, quanto em instituições financeiras privadas, autorizadas a funcionar pelo Banco Central, desde que selecionadas mediante processo de credenciamento” (Consulta n. 712927. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 25/10/2006). [Previdência Municipal. Aplicação dos recursos financeiros em instituições financeiras privadas] (...) os recursos arrecadados que compõem o regime próprio dos servidores devem ser depositados em bancos oficiais, em conta específica e distinta das demais contas do instituto previdenciário, mas sua aplicação pode ser feita tanto em instituições financeiras oficiais — entendidas essas como as que possuam capital estatal e controle diretor do poder público, conforme magistério de R. Limongi França FINANÇAS PÚBLICAS 118 — quanto em instituições financeiras privadas, autorizadas a funcionar pelo Banco Central, desde que selecionadas mediante processo de credenciamento, observado o certame seletivo prévio para o caso, de forma que possam ser aplicados em condições de segurança, transparência, rentabilidade, solvência e liquidez (Consulta n. 706966. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 22/03/2006). [Aplicações financeiras de disponibilidades de caixa] A indagação do consulente é se pode aquele instituto [de Previdência e Assistência aos Servidores Municipais] contratar banco não oficial para movimentar conta corrente e efetuar aplicações financeiras, considerando o art. 6º da Resolução do Banco Central nº 3.244, de 28 de outubro de 2004, que regulamenta as aplicações dos recursos dos regimes próprios de previdência social e o § 3º do art. 164 da Constituição Federal. (...) As legislações citadas pelo consulente referem-se a duas situações distintas: a) gestão da aplicação de recurso dos regimes próprios de previdência social; e b) depósito de disponibilidade de caixa dos entes federados. A citada Resolução do Banco Central nº 3.244, de 28 de outubro de 2004, que regulamenta as aplicações dos regimes próprios de previdência social instituídos pela União, pelos Estados ou pelos Municípios dispõe, em seu art. 6º, sobre as formas que devem ser observadas na atividade de gestão da aplicação daqueles recursos (...). Já o § 3º do art. 164 da Constituição Federal determina que “as disponibilidades de Caixa da União serão depositadas no Banco Central, a dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei”. (...) Enquanto as disponibilidades de caixa dos entes da Federação deverão ser sempre depositadas nas instituições financeiras oficiais, salvo os casos ressalvados em lei, (...) as disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos (...) ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e deverão ser aplicadas nas condições de mercado, em instituição administradora previamente selecionada mediante processo de credenciamento, com observância de regras de segurança, solvência, liquidez, rentabilidade, proteção e prudência financeira, conforme diretrizes previstas na norma específica do Conselho Monetário Nacional, no caso a citada Resolução nº 3.244, de 28 de outubro de 2004 (Consulta n. 699098. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 21/12/2005). 119 Fi na nç as p úb lic as 8 [Possibilidade de movimentação bancária em instituições financeiras não oficiais. Necessidade de autorização específica em norma municipal] (...) em síntese, (...) tanto a movimentação bancária quanto a aplicação financeira das disponibilidades hão de se efetivar em agências locais de instituições financeiras oficiais. Entretanto, em não existindo essas no município, é de se lhe facultar, mediante autorização específica em norma municipal, dentro de sua competência concorrente, proceder à movimentação bancária com instituições financeiras privadas ou privatizadas, bem como ali efetuar aplicações financeiras, desde que sejam unicamente com base em títulos e papéis com lastro oficial (Consulta n. 657310. Cons. Rel. Elmo Braz. Sessão do dia 06/11/2002). 8.5 EDUCAÇÃO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 115. Os recursos próprios do Município, repassados às caixas escolares inseridas nas escolas da rede pública municipal, excluídos os valores relativos ao FUNDEB, devem ser contabilizados como despesas realizadas na manutenção e desenvolvimento do ensino, desde que sejam destinados ao ensino fundamental e/ou à educação infantil, haja prévia autorização do repasse em lei específica e sejam atendidas as condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e na Lei de Responsabilidade Fiscal, observada a necessidade de prestação de contas e do cumprimento de regras licitatórias. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 70. A falta de aplicação anual pelo Município de 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino, nos termos da lei, poderá ensejar a responsabilização do gestor, pelo indevido ou irregular emprego de rendas ou verbas públicas, sem prejuízo da solicitação da intervenção do Estado. [Quotas Estaduais do Salário-Educação (QESE). Manutenção e desenvolvimento do ensino.Custeio de assistência social] Os programas suplementares de alimentação — merenda escolar —, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social não podem ser financiados com os recursos destinados à manutenção e desenvolvimento do ensino, mas sim com aqueles provenientes das contribuições sociais, incluídas as contribuições para o salário-educação, e outros recursos orçamentários, conforme preceituado no art. 212, § 4º, da Constituição da República de 1988. É vedada a destinação dos recursos provenientes do salário-educação para o pagamento de despesas com pessoal, uma FINANÇAS PÚBLICAS 120 vez que sua instituição tem por finalidade o financiamento do ensino básico, incluída a educação especial, quando ambos estiverem integrados, conforme art. 7º da Lei nº 9.766/98 (Consulta n. 857633. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Publicada no D.O.C. em 24/10/2011). [Merenda escolar. Possibilidade de custeio com recursos provenientes do salário–educação. Não cômputo no percentual de despesas com aplicação na manutenção e desenvolvimento de ensino. Licitação para utilização da verba QESE] 1 — As despesas com o custeio da merenda escolar podem ser realizadas com os recursos provenientes do salário-educação, desde que aplicadas na educação básica pública, compreendida a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, incluída, ainda, a educação especial, desde que integrada à educação básica, vedada, em qualquer hipótese, a sua destinação ao pagamento de despesas com pessoal. 2 — As despesas realizadas a esse título não poderão ser computadas para fins de aferição do cumprimento do percentual mínimo de aplicação dos recursos provenientes da receita resultante de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino, previsto no art. 212 da Constituição da República de 1988. 3 — Na utilização da verba QESE (Quotas Estaduais do Salário-Educação) para fins de aquisição de merenda escolar, devem ser observadas também as normas de licitação e, em especial, o inciso XII, art. 24, da Lei nº 8.666/93, que trata da aquisição de alimentos perecíveis (Consulta n. 859039. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Publicada no D.O.C. em 25/10/2011) [Utilização de recursos provenientes do salário-educação para o pagamento de alimentação escolar da educação básica. Possibilidade] (...) as contribuições sociais são instituídas exclusivamente pela União e, apesar de terem natureza tributária, não são, em geral, partilhadas entre os demais entes da Federação (...). A interpretação que faço, por conseguinte, desse dispositivo [art. 212, §4º], é que ele autoriza destinar as receitas das contribuições sociais, in generum, ao custeio dos programas suplementares de alimentação e assistência à saúde previstos no inciso VII do art. 208 da Constituição da República. (...). De toda sorte, permanece inalterada a essência da norma, a qual prescreve que a educação básica pública “terá como fonte adicional de financiamento a contribuição social do salário-educação”, o que leva à conclusão de que a quota municipal do salário-educação se destina exatamente a financiar os programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde, previstos no inciso VII do art. 208 da Constituição da República. (...). Cumpre, por fim, observar que o inciso V do art. 6º da IN TC nº 06/07 já previa que os programas suplementares de alimentação (como a merenda escolar), os 121 Fi na nç as p úb lic as 8 quais são financiados com recursos provenientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários, conforme prescrito no § 4º do art. 212 da Constituição, não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino. Essa norma foi integralmente mantida no inciso V do art. 6º da IN TC nº 13/08 atualmente em vigor (Consulta n. 768044. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 13/05/2009). [Realização de cursos de qualificação profissional] (...) é possível ao Poder Público, por meio do Executivo, promover ações públicas voltadas à realização de cursos de formação ou qualificação profissional, com o objetivo de inserir os cidadãos no mercado de trabalho. A contratação de empresa para esse mister deve observar as normas legais de caráter financeiro e fiscal e, ainda, as da Lei de Licitações. Ao Poder Legislativo não é lícito patrocinar ações dessa natureza, tendo em vista que exerce, principalmente, função legiferante. Por remate, salienta-se que os critérios para participar de cursos dessa natureza devem ser previamente definidos por ato normativo próprio (Consulta n. 731284. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 25/07/2007). [Despesas com inativos e pensionistas] (...) os proventos dos servidores docentes inativos não podem, com fulcro nos arts. 70, I, e 71, VI, da Lei nº 9.394/96, que institui diretrizes e bases da educação nacional, e, também, nos arts. 5º, I, e 6º, VIII, da IN TC nº 08/2004, ser considerados, para o fim de apuração do limite constante no art. 212 da Constituição Federal, como despesa de manutenção e desenvolvimento do ensino (Consulta n. 694446. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 17/08/2005). [Percentual constitucional. Despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino] O art. 71 da Lei nº 9.394/1996 estabelece textualmente que não constituirão despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social. (...). Desta feita, o apoio psicológico e fonoaudiológico ao educando, ainda que com necessidades especiais, é considerado assistência social, como também, por corolário, outros programas suplementares, reconhecidamente importantes como coadjuvantes pedagógicos às pessoas portadoras de necessidades especiais. No processo de valorização e incentivo à educação especial, cumpre trazer a lume que a Lei Federal nº 10.845, de 05 de março de 2004, (...). (...) a lei em comento assegurou aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a cessão de professores e profissionais especializados da rede pública de ensino. Assegurou, também, que esses profissionais cedidos, no desempenho de suas atividades, sejam considerados como de efetivo exercício no FINANÇAS PÚBLICAS 122 ensino fundamental público, para os fins do disposto no art. 7º da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, (...). Nesse passo, importa esclarecer que este Tribunal, por meio da citada IN TC nº 08/200452(...) dispôs em seu art. 12, § 2º, para fins de controle dos gastos neste setor, quem seria abrangido pelo campo conceitual profissionais do magistério. Nesse conceito incluem-se, além dos professores que exercem atividade de docência, aqueles que oferecem suporte pedagógico direto a tais atividades, quais sejam, diretores, administradores escolares, ou especialistas em planejamento escolar, inspetores, supervisores e orientadores educacionais. (...). No tocante aos gastos com profissionais que oferecem apoio técnico aos docentes, educadores e especialistas intermediários (...), esses poderão ser contabilizados dentro dos gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino, a teor do disposto no art. 70, I, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que neles inclui a remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação. Quanto aos nutricionistas, (...), estão fora do alcance da expressão demais profissionais do magistério, dada pelo § 2º do art. 12 da IN TC nº 08/2004 deste Tribunal. Não pode, portanto, essa atividade, ser considerada atividade de ensino, mas de assistência social, por força do disposto no art. 71, III, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação e, ainda, consoante prevê o inciso VIdo art. 6º da IN TC nº 08/2004 (Consulta n. 695160. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 18/05/2005). [Contratação de professor leigo. Remuneração proporcional à jornada laboral] (...) os empregados com jornada laboral inferior à legalmente fixada podem auferir salário mínimo proporcional às horas laboradas, sem ofensa à lei. (...) a garantia de salário mínimo está intrinsecamente ligada ao cumprimento integral da jornada de trabalho. Logo, se o trabalhador foi contratado para laborar em jornada inferior à ordinária, o pagamento do salário mínimo, também, será de forma proporcional, sem nenhuma violação do art. 7º, incisos IV e XIII, da vigente Constituição da República. (...). Esclarecida a dúvida do salário mínimo, passaremos à da contratação de professor leigo. A esse respeito, a Lei nº 9.424/96, que dispõe sobre o FUNDEF, determina, em seu art. 9º, §§ 1º, 2º e 3º, que: “Art. 9º... § 1º Os novos planos de carreira e remuneração do magistério deverão contemplar investimentos na capacitação dos professores leigos, os quais passarão a integrar quadro em extinção, de duração de cinco anos. § 2º Aos professores leigos é assegurado prazo de cinco anos para obtenção da habilitação necessária ao exercício das atividades docentes. § 3º A habilitação a que se refere o parágrafo anterior é condição para ingresso no quadro permanente da 5 Revogada pela IN/TCEMG n. 13/2008. 123 Fi na nç as p úb lic as 8 carreira conforme os novos planos de carreira e remuneração.” Logo, decorridos aqueles cinco anos, todos os professores devem ser qualificados, ou seja, não leigos e, ainda, contratados mediante prévia aprovação em concurso público, como determina o art. 37, II, da Constituição da República (Consulta n. 641388. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 01/08/2001). [Transporte escolar] No tocante à comercialização do vale-transporte, estabelece o art. 18 do citado Decreto [Decreto nº 95.247, de 17.11.87] que dar-se-á em centrais ou postos de venda estrategicamente distribuídos na cidade onde serão utilizados, contendo esses postos todos os tipos de vale em circulação no sistema local de transporte público. Diante do exposto, há que se notar a impossibilidade de competição por ausência de opção para a Administração selecionar a proposta mais vantajosa. (...) a Constituição da República no art. 211, § 2º, determinou aos municípios atuação prioritária no ensino fundamental e na educação infantil, sendo dever do Estado o atendimento ao educando, entre outros, por meio de programas de transporte escolar (art. 208, VII). Acerca do benefício aos estudantes do município, a Lei nº 9.394 (...), que estabelece diretrizes e bases da educação nacional, em seu art. 70, incisos I a VIII, relaciona as despesas a serem consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino. Vê-se que, no inciso VIII do art. 70 da mencionada lei, constam como próprias à manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas com transporte. Cabe ressaltar também que este Tribunal, no exercício de sua função orientadora e fiscalizadora, fez publicar no Minas Gerais de 16/01/98 a IN TC nº 02/97, alterada pela IN TC nº 01/99, contendo normas a serem observadas pelo Estado e Municípios para o cumprimento do art. 212 da Constituição Federal, do art. 201 da Constituição do Estado, do art. 60 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal, da Emenda Constitucional nº 14/96 e das Leis nº 9.394/96 e 9.424/96. A referida instrução normativa, relacionando as despesas consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino, estabeleceu, em seu art. 5º, IX, o seguinte: “Art. 5º Considerar-se-ão despesas realizadas com a manutenção e desenvolvimento do ensino as que se refiram a: (...) IX — aquisição de material didático-escolar (como livros, excluídos uniformes, pastas e calçados) e manutenção de programas de transporte escolar.” (Consulta n. 644577. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 29/08/2001). FINANÇAS PÚBLICAS 124 [Aplicação mínima de recursos na manutenção e desenvolvimento do ensino. Destruição de documentos por caso fortuito ou força maior. Comprovação por ocorrência policial e laudo técnico. Recebimento das parcelas do salário- educação] (...) justificativas que tentem, de alguma forma, contornar situações de inobservância, por alguns municípios, das disposições constitucionais e legais que prescrevem a aplicação de percentuais mínimos de recursos financeiros no ensino fundamental, não podem ser acatadas para fins de repasse das parcelas da QESE [Quota Estadual do Salário-Educação] aos municípios, por afrontarem diretamente as disposições do art. 3º da Lei Estadual nº 13.458/2000, diploma que regulamenta a distribuição dos recursos em questão entre o Estado e os Municípios. Isso porque (...) a inobservância de normas imperativas de Direito Público, como é o caso daquelas que regem o ensino fundamental público, não se compadece com nenhum tipo de transação, nem comporta negociação ou exceção de nenhuma espécie, a menos que a própria lei expressamente assim disponha.(...) a propositura de ação judicial pelo atual gestor, com vistas a apurar a responsabilidade da gestão anterior pelo descumprimento das determinações constitucionais relativas ao ensino fundamental, também não tem o condão de satisfazer as exigências contidas no citado dispositivo da Lei Estadual nº 13.458/2000. (...) situação diametralmente oposta é aquela na qual o atual gestor não tem condições de demonstrar e comprovar a aplicação dos recursos mínimos na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental, bem como com a remuneração dos professores em exercício do magistério do ensino fundamental, pois os documentos da execução orçamentária e financeira do exercício anterior foram destruídos, devido a acontecimentos decorrentes de caso fortuito ou força maior, tais como: incêndio e enchente. (...) o sinistro ocorrido na sede administrativa do município deverá ser documentadamente comprovado, por meio de boletim de ocorrência policial e de laudo técnico circunstanciado emitido por órgão ou entidade pública competente, no qual conste expressamente que os documentos da execução orçamentária e financeira do município foram destruídos. Isso posto, observadas as medidas de cautela descritas anteriormente e não sendo possível recuperar as informações que possibilitem demonstrar e comprovar as exigências contidas no art. 3º da Lei Estadual nº 13.458/2000, não vislumbro justificativa capaz de impedir que as parcelas do salário-educação sejam transferidas aos municípios que se enquadrem em situação análoga à descrita nessa última hipótese ora analisada (Consulta n. 646818. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 22/08/2001). 125 Fi na nç as p úb lic as 8 [Profissionais do magistério. Abrangência conceitual] (...) parcela de 60% é destinada a remunerar os professores, inclusive os leigos, e, também, os demais profissionais de educação que desempenham atividade de suporte pedagógico ligada à direção, administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional. Os diretores, supervisores e secretários escolares, em atividade na rede pública de ensino fundamental, serão remunerados com o percentual de 60% daqueles recursos. No entanto convém esclarecer que as despesas ligadas à atividade- meio, desde que necessárias ao funcionamento do ensino fundamental, tais como auxiliares de serviços gerais, vigilância, limpeza, conservação etc. serão suportadas pelos 40% restantes do fundo (Consulta n. 701213. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 15/02/2006). [Despesas com a manutenção e desenvolvimento do ensino. Guarda municipal escolar. Não inclusão] (...) somente as despesas vinculadas aos objetivos básicos das instituições educacionais propriamente ditas podem ser consideradascomo de manutenção e desenvolvimento do ensino, não se enquadrando aí as despesas realizadas nos demais órgãos e entidades vinculados à educação, por mais que beneficiem direta ou indiretamente a atividade ministrada nas escolas. Por isso, embora a atividade da guarda municipal escolar beneficie direta ou indiretamente, a atividade das escolas locais e deva ser implementada pela municipalidade, as despesas com sua criação e manutenção não se enquadram entre aquelas estritamente vinculadas à educação, manutenção e desenvolvimento do ensino (Consulta n. 684917. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 08/09/2004). [Concessão de bolsas de estudo. Estudantes carentes. Instituições privadas de ensino superior] (...) observo que a matéria já foi examinada por esta Corte em diversas oportunidades (...) tendo ficado assentado que: “A Prefeitura pode subsidiar o ensino, inclusive o superior, por meio da concessão de bolsas de estudo para os que demonstrarem falta de recursos, quando houver falta de vagas e de cursos regulares da rede pública na localidade da residência do educando, sendo o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão de sua rede na localidade”. (...) também sedimentaram entendimento de que os valores gastos com a concessão de bolsas de estudos não podem ser incluídos no percentual de 25% do art. 212 da Constituição Federal, além de depender da existência de dotação orçamentária adequada, autorização legislativa e observância aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade. Logo, independentemente de não haver no município instituições de ensino superior pública, (...) a possibilidade de conceder tal subvenção não pode, em hipótese alguma, justificar nenhuns prejuízos aos investimentos obrigatórios FINANÇAS PÚBLICAS 126 na área de atuação prioritária municipal relativa à manutenção e desenvolvimento do ensino. Vale, ainda, acrescentar que se impõe a regulamentação da matéria, em atenção aos princípios da moralidade e da impessoalidade, com estabelecimento de critérios e condições para a concessão de bolsas de estudo e para fazer jus ao benefício, baseados em parâmetros socioeconômicos, criando, ainda, cadastro de inscrição de pretendentes (Consulta n. 801069. Rel. Cons. em Exerc. Gilberto Diniz. Sessão do dia 11/11/2009). [Formação continuada. Concessão de bolsas de estudo] (...) os gastos advindos da concessão de bolsas de estudo destinadas a cursos superiores não poderão ser computadas no percentual mínimo de 25% do Ensino (Consulta n. 728539. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 06/06/2007). [Concessão de bolsas de estudo para professores] (...) como garantia de retorno do dinheiro público investido, entendo ser possível ao município conceder bolsa de estudo somente aos professores do quadro permanente de sua rede de ensino e, mesmo assim, desde que a legislação local contenha dispositivo que agasalhe tal possibilidade, indicada a dotação orçamentária e a disponibilidade de recursos. E mais, o professor beneficiado deve formalizar compromisso de continuar a lecionar no município, durante tempo a ser definido, sob pena de ter que ressarcir as despesas com ele realizadas, o que não poderá ser exigido do mestre contratado temporariamente, dado o seu elo precário com o Poder Público (Consulta n. 695106. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 30/11/2005). [Despesas com servidores inativos e pensionistas. Percentual de 25% da Educação] No mérito, respondo nos termos da Consulta (...) nº 442463, que, em síntese, entendeu que não se pode incluir a despesa com servidores inativos e pensionistas da Educação no percentual de 25%, aplicados naquele setor (...) (Consulta n. 659637. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 30/10/2002). [Impossibilidade do cômputo dos gastos com exames admissionais e demissionais de servidores pertencentes à rede municipal de ensino para fins do alcance do percentual mínimo de 25%] (...) constata-se que o caput do art. 70 da LDB define as despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino como aquelas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis. (...) Os gastos com exames admisionais e demissionais, em meu juízo, não estão vinculados de forma imediata à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais, o que fortalece ainda mais o entendimento de que não podem ser 127 Fi na nç as p úb lic as 8 incluídos no orçamento público reservado à educação. Trata-se, na verdade, de uma despesa ordinária, comum à gestão de pessoal no âmbito de toda administração. (...). A orientação ora adotada busca evitar, outrossim, que todo e qualquer gasto realizado na máquina administrativa ligada à educação seja computado no limite mínimo previsto no art. 212 da Constituição da República, sob pena de se esvaziar o real sentido da norma, que pretende, em última análise, assegurar a efetivação do direito à educação (Consulta n. 771765. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 17/06/2009). [Municipalização do ensino obrigatório. Repasse de recursos municipais ao Estado] O ato de colaboração entre os Estados-membros e os Municípios, na área educacional, encontra-se assim previsto na Constituição da República de 1988: “Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.” A Resolução nº 167/2000, em seus arts. 1º e 2º, prevê a cessão de servidor efetivo do quadro de magistério do Estado a Municípios, dispondo o art. 5º desse mesmo instrumento legal que o Estado e os Municípios arcarão, em conjunto, com o critério da remuneração do servidor que ficar em adjunção ao município e, mais, a contribuição municipal para o custeio da remuneração do funcionário cedido será repassada à Secretaria de Educação, cabendo ao Governo do Estado o pagamento da remuneração devida ao servidor. Assim, dentro da autonomia municipal (art. 18/CF), caberá ao ente local aderir, ou não, aos termos da mencionada resolução. Logo, se a adjunção de professores estaduais do ensino obrigatório for aceita pelo município, como normatizada pela Resolução nº 167/2000, estaremos, indubitavelmente, diante da cooperação técnica de que cuida o inciso VI do art. 3º da Constituição Federal (Consulta n. 624779. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 12/12/2001). [Remuneração de psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas] (...) a atual Constituição da República (art. 212, § 4º), a Lei nº 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação (art. 71, IV), e a IN TC nº 08/2004 (art. 6º, VI) dispõem que não integrarão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com psicólogo, fonaudiólogo e nutricionista, as quais serão, em respeito ao texto constitucional, suportadas pelas contribuições sociais e outros recursos orçamentários (Consulta n. 701199. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 23/11/2005). FINANÇAS PÚBLICAS 128 [Município. Concessão de bolsas de estudo para ensino superior] Esta Corte já se manifestou sobre o tema nas Consultas nº 53163 —4/92 e nº 154612 —1/94 (...). Em ambas ficou definido que “a Prefeitura poderá subsidiar o ensino superior, mediante concessão de bolsas de estudo e de transporte, se julgar necessário aos interesses maiores da coletividade local, desde que não inclua as despesas no percentual de 25% e que tenha a dotação orçamentária adequada e autorização legislativa para tal.” (...) é necessário o atendimento pleno das necessidades referentes à educação fundamental e pré-escolar no município em tela para que este possa fornecer bolsas de estudo para o ensinosuperior. Cumprido tal requisito, o valor a ser despendido com as bolsas de estudo não deverá ser incluído no percentual mínimo determinado no art. 212 da Carta Magna de 1988 e deverá ser empenhado em dotação orçamentária própria e precedido de autorização legislativa específica. Por último, não constitui excesso ressaltar que, não obstante o cumprimento de todas as condições descritas, a concessão de tais bolsas deverá observar os princípios da administração pública, notadamente os da legalidade, moralidade e impessoalidade (Consulta n. 678641. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 06/08/2003). [Município. Auxílio financeiro aos alunos universitários. Deslocamento às cidades vizinhas] (...) possibilidade da despesa desde que observados os requisitos a seguir enumerados: 1) Constar em programas ou projetos incluídos na lei orçamentária anual. Deverá, assim, dispor de recursos orçamentários próprios. 2) Haver o município implementado, plenamente, a obrigação que lhe compete por força de disposições constitucionais, ou seja, se alocar, na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental, recursos acima dos percentuais mínimos previstos na Lei Maior (art. 212 e art. 60 do ADCT, com a redação da Emenda Constitucional nº 14/96) e na respectiva Lei Orgânica. 3) Observar as normas legais para o correto processamento da correspondente despesa e, ainda, não estabelecer restrições, e assegurar caráter isonômico a todos que necessitem do referido transporte (Consulta n. 694445. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 21/09/2005). [Despesas com merenda escolar. Salário-educação] 1 — As despesas com o custeio da merenda escolar podem ser realizadas com os recursos provenientes do salário-educação, desde que aplicadas na educação básica pública, compreendida a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, incluída, ainda, a educação especial, desde que integrada à educação básica, vedada, em qualquer hipótese, a sua destinação ao pagamento de despesas com pessoal. 2 — As despesas realizadas a esse título não poderão ser computadas para fins de aferição do cumprimento do percentual mínimo de aplicação dos recursos provenientes da receita resultante 129 Fi na nç as p úb lic as 8 de impostos, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino, previsto no art. 212 da Constituição da República de 1988 (Consulta n. 777131. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 03/06/2009). 8.6 FUNDEB [Utilização das verbas do FUNDEB para subsidiar empresa terceirizada para o preparo de merenda. Impossibilidade] (...) o art. 212, §§ 5º e 6º, da Constituição — alterado pelas EC nº 14/96 e 53/06, regulamentado pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98, 11.457/07 e pelo Decreto nº 6.003/06 —, institui a contribuição social do salário- educação, destinado, também, ao financiamento de programas suplementares de alimentação e assistência à saúde no ensino fundamental, previstos no inciso VII do art. 208 da CR/88. (...) reafirmo, diante das determinações contidas nas normas transcritas, que as despesas com a merenda escolar não poderão ser classificadas como de manutenção e desenvolvimento do ensino. Por isso, vale dizer, não poderão ser cobertas com os recursos previstos para o FUNDEB, não podendo ser inseridas nas despesas que compõem o percentual constitucional obrigatório de aplicação direta na educação. (...) Isso mais se apresenta evidente quando o inciso IV do art. 71 expressamente exclui os programas de alimentação, entre outros suplementares, do rol das atividades de manutenção e desenvolvimento do ensino. Nesse ponto, andou bem a [IN TC nº 13/2008] (...) [reconhecendo] ser a merenda escolar, efetivamente, um programa suplementar de alimentação, que deve ser custeado por outras fontes. (...) a remuneração de servidor municipal incumbido exclusivamente de preparação da merenda escolar não pode ser relacionada à manutenção e ao desenvolvimento do ensino, como prevê o inciso VII do art. 6º da referida instrução normativa (Consulta n. 812411. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 07/12/2011). [Utilização das verbas do FUNDEB para subvencionar a educação especial gratuita integrada à educação básica. APAE] (...) as despesas referentes a convênios com a APAE, que se destinem a subvencionar a educação especial gratuita (integrada à educação básica), podem ser custeadas com recursos do FUNDEB. Todavia, no que tange às despesas que tenham por finalidade a assistência social, essas não poderão ser custeadas com recursos do referido fundo. (...) a) é possível custear com recursos do FUNDEB as despesas referentes a convênios firmados com entidades comunitárias, confessionais ou filantrópicas, que se destinem a subvencionar a educação especial gratuita (integrada à educação básica); b) é vedado FINANÇAS PÚBLICAS 130 utilizar recursos do FUNDEB para custear despesas com convênios que tenham por finalidade a assistência social, nos termos do art. 23, I, da Lei nº 11.494/2007, c/c o art. 71, II e IV, da Lei nº 9.394/1996; c) devem ser observados os requisitos estabelecidos no art. 15 do Decreto Federal nº 6.253/2007 para fins de destinação de recursos públicos do FUNDEB para escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas (Consulta n. 862537. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 07/12/2011). [Construção de estacionamento na secretaria municipal e auditório destinado a atender a rede municipal de educação com recursos provenientes do FUNDEB] (...) somente as despesas com a construção de auditório destinado ao uso exclusivo do sistema de ensino poderão ser contabilizadas nos 40% dos recursos do FUNDEB, a teor do disposto nos arts. 70, II, e 71, V, da Lei nº 9.394/96, e do art. 5º, II, da IN TC nº 13/2008. Os gastos relacionados às obras de construção de estacionamento no local onde se encontra instalada a secretaria municipal não poderão ser contabilizados nos 40% dos recursos do FUNDEB, por se tratar de obra de infraestrutura que não beneficia a rede escolar (Consulta n. 848337. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 26/10/2011). [Pagamento de férias-prêmio aos profissionais do magistério. Recursos do FUNDEB] (...) a) [há] impossibilidade de custear o pagamento de férias-prêmio indenizadas com recursos referentes ao percentual dos 60% do FUNDEB, bem como computar essas despesas para fins de cumprimento do percentual mínimo de aplicação de 25% dos recursos de impostos e transferências na manutenção e desenvolvimento do ensino. Isso porque a natureza indenizatória dessa despesa não permite que ela seja considerada como parcela remuneratória e, portanto, não pode ser custeada com os recursos acima referidos. (...) b) é vedado computar o montante pago a título de férias-prêmio indenizadas ao pessoal docente e demais profissionais da educação na aferição da aplicação mínima de 25% da receita resultante de impostos e transferências na manutenção e desenvolvimento do ensino, preceituado no art. 212 da CR/88, dada a natureza indenizatória da parcela. (...); c) é possível custear a remuneração recebida pelo profissional do magistério que esteja usufruindo férias- prêmio com recursos de 60% do FUNDEB, por se tratar de afastamento temporário previsto por lei, que não caracteriza suspensão ou ausência da condição de efetivo exercício. Além disso, não há alteração da natureza do pagamento, pois não se trata de indenização; d) é possível custear a remuneração recebida pelo pessoal docente e demais profissionais da educação que estejam usufruindo férias-prêmio com recursos referentes aos 25% da educação, pois, no momento em que o servidor está afastado, 131 Fi na nç as p úb lic as 8 ele continua percebendo a sua remuneração mensal. E, consoante explicitado no item acima, não há alteração da naturezado pagamento, pois não há indenização (Consulta n. 858327. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 26/10/2011). [Possibilidade de inclusão de profissionais do magistério em programa de transporte escolar financiados com os 40% do FUNDEB] A inclusão dos profissionais do magistério em programa municipal de transporte escolar deverá dar- se por meio de lei específica, observando-se os dispositivos legais concernentes, e as respectivas despesas poderão ser alocadas nos 40% do FUNDEB relativos às “demais despesas com manutenção do ensino” (Consulta n. 843564. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Publicada no D.O.C. em 24/10/2011). [Despesas com telecentro. Aplicação dos recursos do FUNDEB] (...) as despesas relativas aos telecentros não devem a priori ser computadas no cálculo da aplicação dos recursos do FUNDEB, visto que esses espaços não se destinam apenas aos alunos da educação infantil e do ensino fundamental, mas a toda comunidade, com vistas a combater a desigualdade tecnológica e o analfabetismo digital e a diminuir os altos índices de exclusão digital. (...) os profissionais que laboram nos telecentros na promoção das atividades de inclusão digital não podem ser considerados como profissionais da educação, não podendo ser remunerados com os recursos vinculados à manutenção e desenvolvimento do ensino e, por conseguinte, não poderiam ser utilizados os recursos do FUNDEB para esse fim. (...) ressalvando entretanto que as despesas com os laboratórios do Proinfo custeadas pela administração municipal, quando esses laboratórios forem utilizados exclusivamente para fins pedagógicos, na educação infantil e/ou no ensino fundamental, como parte de um conjunto de ações educativas que compõem o processo ensino-aprendizagem, podem ser consideradas para fins de cumprimento dos percentuais mínimos da educação, incluindo o FUNDEB, levando-se em consideração os respectivos âmbitos de atuação prioritária, conforme disciplina o art. 211 da CR/88, que delimita a atuação dos Estados e Municípios em relação à educação básica (Consulta n. 747447. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 27/04/2011). [Despesa com auxílio-alimentação. Recursos do FUNDEB] (...) as despesas que podem ser custeadas com recursos do (...) FUNDEB e aquelas que podem ser consideradas como remuneração do magistério para efeito de utilização da parcela de 60% do FUNDEB encontram-se descritas na sessão de perguntas e respostas no sítio eletrônico do Fundo de Desenvolvimento da Educação (FNDE), senão vejamos: 5.15. Despesas com pagamento de passagens, diárias e/ou alimentação FINANÇAS PÚBLICAS 132 podem ser custeadas com recursos do Fundeb? Sim, desde que estas despesas sejam associadas à realização de atividades ou ações necessárias à consecução dos objetivos das instituições educacionais, contemplando a educação básica pública. A título de exemplo podemos mencionar o deslocamento de um servidor, para participação de reunião ou encontro de trabalho em outra localidade, para tratar de assuntos de interesse direto e específico da educação básica pública, do respectivo Estado ou Município, observando-se os respectivos âmbitos de atuação prioritária desses entes federados, conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição. Da mesma forma deve-se considerar o vale-transporte e o vale-alimentação, ressaltando-se que essas despesas devem ser custeadas apenas com a parcela dos 40% dos recursos do fundo. (...) 7.1. O que efetivamente se pode pagar aos profissionais do magistério, a título de remuneração, com a parcela de 60% do Fundeb? Para efeito da utilização dos 60% do Fundeb, a remuneração é constituída pelo somatório de todos os pagamentos devidos (salário ou vencimento, 13º salário, 13º salário proporcional, 1/3 de adicional de férias, férias vencidas, proporcionais ou antecipadas, gratificações, horas extras, aviso prévio, gratificações ou retribuições pelo exercício de cargos ou função de direção ou chefia, salário família etc.) ao profissional do magistério, e dos encargos sociais (Previdência e FGTS) devidos pelo empregador, correspondentes à remuneração paga com esses recursos aos profissionais do magistério em efetivo exercício, independentemente do valor pago, da data, da frequência e da forma de pagamento (crédito em conta bancária, cheque nominativo ou em espécie, mediante recibo), da vigência da contratação (permanente ou temporária, inclusive para fins de substituição eventual de profissionais que se encontrem, legal e temporariamente afastados), do regime ou vínculo de emprego (celetista ou estatutário), observada sempre a legislação federal que trata da matéria e as legislações estadual e municipal, particularmente o respectivo plano de carreira e remuneração do magistério. (...) para fins de composição do percentual de 60% do FUNDEB, apenas as verbas de caráter remuneratório devem ser contabilizadas. (...) natureza jurídica díspar do auxílio-alimentação concedido aos servidores celetistas e daquele pago aos servidores estatutários que trabalham no ensino fundamental e infantil. Aos servidores celetistas, o auxílio-alimentação representa verba remuneratória, consoante o disposto no art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e na Súmula nº 241 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), in verbis: “CLT — Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. TST — Súmula 241 — SALÁRIO- 133 Fi na nç as p úb lic as 8 UTILIDADE. ALIMENTAÇÃO (mantida) — Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 — O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais.” (...) Por seu turno, o pagamento de auxílio-alimentação aos servidores estatutários — de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal — possui caráter indenizatório. (...) necessária é a identificação do regime jurídico trabalhista adotado pelo ente federativo. Na hipótese de se submeterem os profissionais de magistério — de educação básica em efetivo exercício na rede pública — ao regime estatutário, as despesas com auxílio-alimentação podem ser custeadas, tão somente, com a parcela dos 40% dos recursos do FUNDEB, desde que tais despesas estejam, para tanto, associadas à realização de atividades ou ações necessárias à consecução dos objetivos das instituições educacionais, voltadas à educação básica pública. Por outro lado, na hipótese de o ente federativo adotar o regime celetista, o pagamento de auxílio-alimentação a tais profissionais, em razão de seu caráter remuneratório, pode ser custeado com a parcela dos 60% do FUNDEB (Consulta n. 753449. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 23/03/2011). [Despesas com pessoal custeadas com recursos do FUNDEB. Classificação orçamentária e compatibilidade com a LRF] Conforme o art. 11 da IN TC n. 13/2008, os recursos do FUNDEB, incluída a complementação da União, quando for o caso, serão utilizados pelo Estado e pelos Municípios, no exercício financeiro em que lhes forem creditados, exclusivamente em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica pública, assegurados pelo menos 60% para a remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública, nos termos dos arts. 21 e 22 da Lei Federal nº 11.494/07, observando-se os limites de despesas com pessoal fixados pela Lei Complementar nº 101/2000. O pagamento das remunerações dos referidos profissionais constitui despesa pública com pessoal, que deve ser apropriadade acordo com a classificação de despesa estabelecida pela (...) [Portaria STN/MF/SOF nº 163/2001]. Conforme definido na referida portaria, a classificação da despesa orçamentária, segundo a sua natureza, compõe-se de: I — Categoria Econômica; II — Grupo de Natureza de Despesa; e III — Elemento de Despesa. O Grupo de Natureza de Despesa agrega despesas com as mesmas características quanto ao objeto de gastos, sendo: 1 — Pessoal e Encargos Sociais, 2 — Juros e Encargos da Dívida, 3 — Outras Despesas Correntes, 4 — Investimentos, 5 — Inversões Financeiras, 6 — Amortização da Dívida, 7 — Reserva do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) e 9 — Reserva de Contingência. Dessa forma, as despesas com pessoal devem ser apropriadas no Grupo 1, que agrega despesas FINANÇAS PÚBLICAS 134 orçamentárias de natureza remuneratória decorrente do efetivo exercício de cargo, emprego ou função de confiança no setor público, do pagamento de proventos de aposentadorias, reformas e pensões, das obrigações trabalhistas, soldo, gratificações, adicionais, entre outras. Quanto ao Grupo 3 — Outras Despesas Correntes, são agregadas despesas orçamentárias com aquisição de matérias de consumo, pagamento de diárias, contribuições, subvenções, auxílio-alimentação, auxílio- transporte, entre outras. Portanto, (...) acerca da possibilidade de se apropriar contabilmente a despesa de pessoal do FUNDEB na rubrica 3.3.90.36 — Outros Serviços de Terceiros — Pessoa Física, em que o segundo dígito 3 determina o Grupo “Outras Despesas Correntes”, deve ter resposta negativa, porque a característica do objeto de gasto “remunerações” exige que tal despesa seja classificada no Grupo 1 — Pessoal e Encargos Sociais. Assim a classificação correta é 3.1.90... e não 3.3.90... . (...) as normas emitidas pela Secretaria do Tesouro Nacional visam à padronização dos procedimentos contábeis, de modo a proporcionar maior transparência às despesas públicas e a garantir a consolidação das Contas Públicas Nacionais exigida na Lei de Responsabilidade Fiscal. Portanto, deve ser observada a uniformização e a utilização da mesma classificação orçamentária, no âmbito da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, para propiciar o levantamento e análise de informações em nível nacional. (...). O consulente deseja expurgar a despesa de pessoal relativa ao FUNDEB, entretanto, cabe lembrar que os recursos financeiros alocados pela União e pelo Estado acresceram a sua receita base de cálculo. Portanto, o percentual gasto foi compensado com os recursos repassados por aqueles entes. Ou seja, para a determinação dos limites máximos da despesa total com pessoal, estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, é considerada a Receita Corrente Líquida (RCL) do exercício, incluídos os recursos recebidos em relação à citada distribuição do FUNDEB do Estado a seus Municípios. (...). “A legislação do FUNDEB determina que o mínimo de 60% dos valores anuais transferidos à conta do fundo seja destinado à remuneração dos profissionais do magistério em efetivo exercício na educação básica. Já a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), principal instrumento regulador dos gastos do poder público no país, impõe critérios e limites gerais que exigem rigor e responsabilidade na gestão dos recursos públicos nas esferas federal, estadual e municipal, estabelecendo (art. 19, I e II) que o gasto máximo com pessoal não poderá ultrapassar 49% das receitas correntes líquidas, nos estados, e 54%, nos municípios. (...) A obrigação de estados, Distrito Federal e municípios destinarem o mínimo de 60% do FUNDEB para fins de pagamento da remuneração do magistério emana da Constituição Federal, portanto está fora do alcance de outro mandamento infraconstitucional que contenha regra distinta. A LRF, ao estabelecer percentual máximo das receitas correntes líquidas para fins de cobertura dos gastos 135 Fi na nç as p úb lic as 8 com pessoal, não estabelece mecanismo que comprometa o cumprimento definido em relação à utilização dos recursos do FUNDEB. Trata-se de critérios legais, técnica e operacionalmente compatíveis, que devem ser rigorosamente observados pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.” (...) Não há amparo legal para expurgar as despesas com remuneração de pessoal custeadas com recursos de transferências do FUNDEB das despesas de pessoal do município, para os efeitos do que dispõe o art. 20 da Lei Complementar nº 101/2000 (Consulta n. 838061. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 23/02/2011). [Recursos do FUNDEB. Assistência social] O inciso I do art. 23 da Lei nº 11.494/2007 veda a utilização dos recursos do FUNDEB “no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica, conforme o art. 71 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996”. O art. 71 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), por sua vez, determina que não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: “IV — programas suplementares de alimentação, assistência médico- odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social”. (...) as ações realizadas por assistentes sociais no desempenho das atividades de serviço social escolar não podem ser consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino, para efeito de cumprimento dos percentuais de aplicação de receita na educação determinados no art. 212 da Constituição Federal. (...). (...) [há] impossibilidade de remuneração dos profissionais que desempenham serviço social escolar com recursos do FUNDEB, bem como pela impossibilidade de se custearem as despesas decorrentes desse serviço com recursos destinados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino (Consulta n. 783090. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 16/12/2009). [Profissionais do magistério da educação básica. Aumento real e reajuste da remuneração. Concessão de abono, em caráter excepcional e transitório. Período eleitoral] (...) [é] indevido o aumento real da remuneração dos professores do ensino fundamental, de forma a aplicar 60% das verbas repassadas pelo FUNDEB, se realizado no período de vedação eleitoral, qual seja, nos 180 dias anteriores às eleições até a posse dos eleitos. Em caso de simples reajuste de remuneração, realizado apenas para efetivar a recomposição de perda salarial ocasionada pela desvalorização de moeda, entendo não haver tal impedimento. (...) considero ser possível, em caráter excepcional, a concessão de abono ou gratificação aos professores do ensino básico da rede pública para o cumprimento da meta constitucionalmente estabelecida de aplicação dos recursos do FUNDEB, desde que autorizado por lei aprovada 180 dias FINANÇAS PÚBLICAS 136 antes das eleições, sendo imprescindível sua previsão orçamentária e observância aos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (Consulta n. 751530. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 25/11/2009). [FUNDEB. Utilização dos recursos para fins de concessão de abono a servidores da educação municipal] Em relação ao pagamento dos profissionais do magistério, há na Constituição da República e na Lei n. 11.494/2007 um limite mínimo de 60% dos recursos do FUNDEB para sua garantia. Já em relação à parcela restante (de até 40%), não há vinculação ou obrigação de que parte dessa parcela de recursos seja destinada ao pagamento de outros servidores da educação, ainda que o município possa utilizá-la para esse fim. Assim, não há que se falar em abonos para outros servidores da educação decorrentes de critério emanado da legislação federal. Entretanto, o gestor municipal poderá autorizar o pagamento do abono em relação à parcela restante (de até 40%) do FUNDEB, desde que autorizado e com fundamento na legislação local, que obrigatoriamente deveráestabelecer os critérios de concessão, de modo a impelir transparência, isonomia e impessoalidade ao processo de gestão desses entes governamentais. Ademais, correspondendo o abono a vantagem, embora de caráter transitório, que não gera vínculo para outros exercícios, para a sua concessão devem ser satisfeitas as condições estipuladas no art. 169, § 1°, I e II, da Constituição da República, quais sejam: a) existência de prévia dotação orçamentária suficiente para atender às projeções de despesas de pessoal e aos acréscimos dela decorrentes; b) existência de autorização específica na lei de diretrizes orçamentárias. Por derradeiro, há de se registrar que o pagamento de abono não deve ser uma prática habitual na gestão do FUNDEB, pois a sua utilização demonstra a possibilidade de planejamento deficiente na aplicação dos recursos destinados à remuneração dos profissionais do magistério e a possibilidade de revisão ou reformulação do plano de cargos e salários. (Consulta n. 771766. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 24/06/2009). [FUNDEB. Profissionais do magistério da educação básica. Remuneração] (...) os recursos do FUNDEB devem ser aplicados exclusivamente na educação básica, sendo assegurado pelo menos 60% ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício na rede pública — docentes e profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar, planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica. Parece-me, portanto, ser justo e razoável a utilização de recursos do FUNDEB para remunerar 137 Fi na nç as p úb lic as 8 proporcionalmente os diretores e vice-diretores de escolas municipais que atuem tanto na educação básica (educação infantil — creche e pré-escola — e ensino fundamental) quanto no ensino médio, desde que seja possível quantificar o grau de participação desses servidores na educação básica, destacando-a da participação nos outros níveis de ensino. (...) [há] possibilidade de pagamento de diretores e vice-diretores de instituição municipal de ensino que atue tanto na educação básica quanto no ensino médio, desde que observados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, aferíveis por critérios objetivos a serem expressamente indicados pelos órgãos competentes da municipalidade, como, por exemplo, a Secretaria de Educação, o setor de finanças e o controle interno (Consulta n. 715518. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 21/05/2008). [FUNDEB. Férias-prêmio indenizadas] (...) Com efeito, depreende-se da última consulta [737094], relatada pelo Exmo. Conselheiro Antônio Andrada, na Sessão Plenária de 10/10/2007, cujo parecer foi aprovado, por unanimidade, que “o pagamento de férias-prêmio indenizadas não se inclui nas despesas com a manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica, para os fins da Lei Federal n°, 11.494, de 20 de junho de 2007, por não constituir parcela integrante e permanente da remuneração dos servidores.” (Consulta n. 768041. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 27/11/2008). [Férias-prêmio indenizadas] O recebimento das férias-prêmio, em espécie, tem como fundamento a indenização do servidor por um direito de afastamento não gozado, e não o ressarcimento de despesas por ele realizadas em razão do serviço, motivo pelo qual não se confunde com as indenizações que compõem a remuneração. Além do mais, não tem a indenização o caráter de “permanente”, uma vez que ela só ocorre quando e para o servidor que adquire o direito de gozá-las e, por motivo ou permissão previstos em lei, opta por não usufruí-las. (...) o pagamento de férias- prêmio indenizadas não se inclui nas despesas com a manutenção e desenvolvimento do ensino para a educação básica, para os fins da Lei Federal nº 11.494, de 20 de junho de 2007, por não constituir parcela integrante e permanente da remuneração dos servidores. (...): a indenização de férias-prêmio não pode ser paga com os recursos do FUNDEB (60%) destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério e da educação em geral (Consulta n. 737094. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 10/10/2007). FINANÇAS PÚBLICAS 138 [FUNDEB. Obrigações patronais previdenciárias] No que tange à utilização dos recursos, permanece a obrigatoriedade da destinação de, no mínimo, 60% ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em efetivo exercício. (...). Em assim sendo, as despesas decorrentes das “obrigações patronais previdenciárias”, conforme questionado, são parte integrante do pagamento dos profissionais do magistério locais, por expressa disposição legal, devendo estar incluídas no percentual de 60% por constituir despesas de pessoal, classificadas na categoria econômica das Despesas de Custeio (arts. 12 e 13 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964) e demonstradas segundo o anexo III da IN TC nº 03/2007 (Consulta n. 731755. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 20/06/2007). 8.7 OPERAÇÕES DE CRÉDITO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 49. Nos contratos de empréstimos por antecipação de receita do Estado, autorizada na Lei Orçamentária, é dispensável a apresentação do pronunciamento da Junta de Programação Orçamentária e Financeira. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 13. Nas operações de crédito realizadas sem o parecer do Tribunal de Contas, quando solicitado pela Assembleia Legislativa ou Câmara Municipal, será responsabilizado, pessoalmente, o ordenador, caso o Estado ou Município se tornem inadimplentes. [Antecipação da receita do ISSQN. Fato gerador. Vedação preceituada na LRF] A partir da Lei Complementar nº 116/03, o fato gerador do ISS é a prestação de serviços definidos na lista a ela anexa. (...) com base na nova legislação, para que ocorra o nascimento da obrigação tributária, não basta que o fato esteja previsto em lei e tenha sido celebrado um contrato prevendo sua ocorrência mediante prestação de serviço. Necessário será que ocorra a efetiva prestação de serviços. O art. 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal (...) veda uma série de procedimentos que se equiparam às operações de crédito, entre eles está a antecipação de receita de tributos antes da ocorrência do seu fato gerador (inciso I do referido artigo). Dessa forma, considerando que a obrigação tributária nasce, efetivamente, mediante a prestação do serviço, não bastando um contrato prevendo sua ocorrência ou mesmo a previsão em lei, não é possível a antecipação da receita do ISSQN pelo município, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a antecipação de receita de tributos antes da ocorrência do fato gerador (Consulta n. 694692. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 01/06/2005). 139 Fi na nç as p úb lic as 8 8.8 PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 43. A concessão pelo Município de subvenção social — fundamentalmente para assistência social, médica e educacional — só se legitima quando houver disponibilidade de recursos orçamentários próprios ou decorrentes de crédito adicional e for determinada em lei específica. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 23. A indicação da dotação orçamentária, que irá comportar os gastos públicos decorrentes da execução de convênios, contratos, acordos ou ajustes firmados pelo Estado, é exigência legal que não pode ser desprezada, uma vez que visa a demonstrar e promover, respectivamente, a existência e a reserva de recursos e acompanhar a execução do plano plurianual, o cumprimento das diretrizes orçamentárias, bem como do respectivo orçamento. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 16. É exigência legal, e medida essencial para se promover a reserva de recursos orçamentários, que, nos instrumentos de contrato, convênio e acordo, em que figurem como partes pessoas jurídicasde direito público interno, seja indicado, ainda que por estimativa, o valor respectivo. [Demonstração do impacto orçamentário-financeiro] (...) a despesa continuada, orçamentariamente prevista, prescinde da demonstração do impacto orçamentário-financeiro porque isso já se encontra evidenciado na LOA que, implicitamente, prevê aumento continuado, como ocorre, por exemplo, com a folha de salários, contribuições sociais etc. (...) os atos que criarem ou aumentarem despesa que estão fora do orçamento deverão ser instruídos com a estimativa prevista no inciso I do art. 16 e, também, demonstrar a origem dos recursos para o seu custeio (inteligência do § 1º do art. 17 da LC 101/00). (...) A obrigatoriedade da demonstração do impacto financeiro-orçamentário, que tem por finalidade corrigir eventuais falhas ou distorções na condução das novas despesas continuadas, almeja evitar que o orçamento do ano fique comprometido com novas despesas diárias, criadas mais recentes (Consulta n. 693503. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 30/11/2005). [Rejeição parcial de emendas do projeto de lei orçamentária. Repristinação] (...) para que seja restaurado o equilíbrio orçamentário entre receita e despesa, a sobra decorrente de rejeição parcial do projeto de lei encaminhado pelo Executivo ou de veto de emendas legislativas deve ser contabilizada em reserva de contingência. (...) depreende-se do § 8º do art. 166 da Constituição Federal FINANÇAS PÚBLICAS 140 (...) que seja encaminhado ao Legislativo projeto de lei de abertura de crédito especial para as despesas não acertadas pela Câmara, utilizando-se como fonte de recurso as reservas de contingência. (...). As despesas, uma vez rejeitadas pelos vereadores, não mais fazem parte do projeto original, ainda que as emendas por eles apresentadas tenham sido vetadas pelo prefeito, pois, nessa hipótese, não ocorre repristinação. (...) após serem tomadas as providências elencadas, haverá equilíbrio orçamentário (Consulta n. 689778. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 03/08/2005). [Plano plurianual de investimentos. Atribuição de valores às metas. Observância ao princípio da compatibilidade) A legislação não diz (...) que o plano plurianual de investimentos (PPA) deva atribuir valores totais ou parciais às metas nele estabelecidas. Contudo, para o planejamento, não se pode dispensar a ideia de gerenciamento para administração de suas receitas e realização de suas despesas, devendo conter valores, que vão desde valores percentuais para que sejam atendidas gradativamente as metas, visando aos resultados, e, ainda, valores monetários, estes, no que concernem aos recursos necessários a serem empregados nos investimentos previstos e nos programas de duração continuada. (...) os valores previstos no PPA devem ser observados na elaboração da lei orçamentária, visto que constituiu um elemento do sistema orçamentário que deve relacionar- se de forma permanente com os demais integrantes deste, representados pelas diretrizes orçamentárias e orçamento anual. (...) na hipótese de aprovação de dotações no orçamento anual com valores superiores aos atribuídos para as metas correspondentes, existentes no PPA, a resposta é, em princípio, afirmativa, isto é, a inobservância dos valores consignados na planilha financeira integrante do PPA, na elaboração da lei orçamentária anual, poderá importar na ofensa à aludida regra de compatibilidade, a menos que, ao elaborar a lei orçamentária, verifique o chefe do Poder Executivo que a planilha financeira estabelecida no PPA tenha sido subdimensionada, isto é, tenha estimado a receita em valores inferiores à entrada de recursos previstos para aquele ano. (...) a lei que aprovar o plano plurianual deve estabelecer condições para a realização de modificações no plano, admitindo a exclusão ou a alteração de programas, além da inclusão de novo programa por meio de proposta pelo Poder Executivo, com projeto de lei específico, estabelecendo as hipóteses de alteração como, por exemplo, quando houver alteração de indicadores do programa (Consulta n. 684064. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 15/06/2005). 141 Fi na nç as p úb lic as 8 [Renúncia de receita. Impacto orçamentário-financeiro. Medidas de compensação] (...) caso a renúncia tenha sido considerada na estimativa de receita da lei orçamentária e não afete as metas de resultados fiscais, comprovados mediante o demonstrativo previsto no inciso I do art. 14, estarão atendidas as novas exigências introduzidas pela Lei Complementar nº 101/2000. Em caso contrário, deverá o gestor indicar as medidas de compensação, ou seja, aumento da receita, nos três exercícios considerados, conforme também previsto no inciso II, alertando que o ato só terá efeito após implementadas as medidas previstas no § 2º, seguindo-se as exceções indicadas no § 3º e seus incisos, todos do citado art. 14 (Consulta n. 645196. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 19/12/2001). 8.9 RECEITA ENUNCIADO DE SÚMULA N. 96. É vedada a vinculação de receita pública arrecadada a título de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas as hipóteses mencionadas no inciso IV do art. 167 e no § 5º do art. 218 da Constituição Federal e no art. 82 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. [Vinculação de percentual de recursos do Fundo de Participação dos Municípios às contribuições mensais destinadas às associações de municípios] Quanto à despesa com a contribuição mensal dos municípios filiados à associação de municípios (...), o que se veda é a vinculação de receitas de impostos municipais para custeio da despesa com a referida contribuição. (...) respondo (...) pela possibilidade de vinculação de percentual de recursos do FPM para fazer face à contribuição devida a associação de municípios, tendo em vista que os recursos do FPM são (...) receitas de transferências intergovernamentais, não se lhes aplicando a vedação do inciso IV, do art. 167 da Carta Magna (Princípio da não afetação das receitas). (...) a referida contribuição dependerá de autorização legislativa para o compromisso de associação e para a execução da despesa de contribuição, bem como da existência de um contrato de rateio ou de um convênio e, ainda, de disponibilidade orçamentária e financeira. Outra regra (...) é a necessidade de contabilização da contribuição pelo município (...). (...) associação de municípios não se enquadra no conceito de órgão ou fundo descritos no aludido dispositivo da CF, e a contribuição de município integrante de associação de municípios, feita a partir de recursos do FPM, não constitui despesa vedada, de acordo com a definição dada pelo mesmo dispositivo constitucional (Consulta n. 809502. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 05/05/2010). FINANÇAS PÚBLICAS 142 [Incidência de ITBI sobre operações de realização de capital por ocasião de reorganização societária] Não incide Imposto de Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI) sobre a transferência, por sociedade de economia mista, de imóveis às suas subsidiárias a título de realização de capital, uma vez que a não incidência do art. 156, § 2º, I, da Constituição Federal, afasta as hipóteses de imunidade, isenção e renúncia de receita (Consulta n. 778246. Rel. Cons. em Exerc. Licurgo Mourão. Sessão do dia 29/07/2009). [Responsabilidade na gestão fiscal. Arrecadação de receitas] (...) com o propósito de coibir a renúncia, desídia ou omissão na arrecadação de receitas públicas, que é a base da sustentabilidade e do equilíbrio da responsabilidade na gestão fiscal, a Lei Complementar nº 101/00, que estabelece normas de finanças públicas, reforçada pela Lei Federal nº 10.028, que institui sanções penais, civis e administrativas a esse respeito, proíbe ao gestor “abrir mão” de rendas que a ele cabe recolher (Consultan. 701207. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 23/05/2005). [Multas. Contabilização e anistia] As multas, desde que efetivamente arrecadadas, tenham elas cunho tributário ou administrativo, compõem a receita do ente público, devendo ser contabilizadas como tal, visto que, pelo direito financeiro pátrio, vigora, para as receitas públicas, o regime de caixa, ou seja, considera-se pertencente ao exercício financeiro as receitas nele arrecadadas. (...). Caso a multa seja de natureza tributária, advinda de mora no pagamento de um tributo (...), sua redução em até 100% significará exclusão do crédito e deve ser feita por meio de anistia, hipótese prevista no inciso II do art. 175 do Código Tributário Nacional. Sendo a anistia hipótese de renúncia de receita tributária, o administrador, ao concedê-la, deverá observar as exigências do art. 150, § 6º, da Constituição Federal (...). Sendo a anistia de caráter geral, que atinja indiscriminadamente todos os devedores, não lhe incidirão as condições previstas nos incisos I e II do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, consoante intelecção do § 1º do mencionado art. 14. (...). Tratando-se de anistia de multa de mora de origem tributária de alcance restrito ou limitado (...) incidem, nessa hipótese, as condições previstas nos incisos I e II do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que importa em tratamento diferenciado da Administração. (...) Finalmente, em uma terceira hipótese, ocorrendo a liberação, pela Administração, de multa moratória de natureza eminentemente administrativa, não fiscal, tal medida não estará sujeita às condições previstas no art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Consulta n. 694469. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 06/04/2005). 143 Fi na nç as p úb lic as 8 [Dívida ativa municipal. Anistia dos juros e multas. Autorização legislativa específica. Renúncia de receita à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal] O art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal trata especialmente da renúncia de receitas, estabelecendo medidas a serem observadas pelos entes políticos que decidirem pela concessão ou ampliação de incentivo ou benefício de natureza tributária, da qual decorra renúncia de receita pública. (...) o objetivo da lei é o equilíbrio entre receitas e despesas e, por essa razão, qualquer tratamento diferenciado que tenha como impacto a diminuição da receita pública deve ser, para fins da LRF, considerado como renúncia de receita. (...) a anistia, benefício de natureza tributária que dispensa contribuintes do pagamento de multa, juros e outras penalidades decorrentes de lei incidentes sobre débitos inscritos em dívida ativa, bem assim dos demais benefícios e incentivos previstos no citado § 6º do art. 150 da vigente Constituição da República, somente pode ser concedida mediante autorização legislativa específica. E mais: para a efetivação de anistia, como também de outros benefícios e incentivos de natureza tributária que constituam meios de renúncia de receita pública, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, deve o ente político concedente observar as exigências estabelecidas no citado diploma legal, sobretudo em seu art. 14, como exaustivamente demonstrado, e ainda as disposições do Código Tributário Nacional (Consulta n. 649336. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 19/12/2001). [Contribuição para custeio do serviço de iluminação pública. Instituição facultativa pelo município] (...) convém não olvidar que a criação do referido tributo é facultativa e não obrigatória, porque o legislador, ao usar o verbo “poder” no caput do art. 149-A [da CF/88], empregou-o no futuro. (...) a reprimenda contida no parágrafo único do art. 11 da LC nº 101/2000 é dirigida ao ente da Federação que deixar de arrecadar os impostos de sua competência. No caso dos municípios, os tributos são aqueles previstos no art. 156, I, II e III, da Constituição Federal, os quais poderão ou não ser instituídos, em face do princípio constitucional da autonomia dessas pessoas políticas. Mas, uma vez criados, a sua cobrança é obrigatória, sob pena de incidir sobre a gestão fiscal do ordenador de despesa a hipótese legal acima citada (Consulta n. 676837. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 26/03/2003). [Antecipação da receita do ISSQN. Fato gerador. Vedação preceituada na LRF] A partir da Lei Complementar nº 116/03, o fato gerador do ISS é a prestação de serviços definidos na lista a ela anexa. (...) com base na nova legislação, para que ocorra o nascimento da obrigação tributária, não basta que o fato esteja previsto em lei e tenha sido celebrado um contrato prevendo sua ocorrência mediante prestação de serviço. Necessário será que ocorra a efetiva prestação de serviços. O art. 37 FINANÇAS PÚBLICAS 144 da Lei de Responsabilidade Fiscal (...) veda uma série de procedimentos que se equiparam às operações de crédito, entre eles está a antecipação de receita de tributos antes da ocorrência do seu fato gerador (inciso I do referido artigo). Dessa forma, considerando que a obrigação tributária nasce, efetivamente, mediante a prestação do serviço, não bastando um contrato prevendo sua ocorrência ou mesmo a previsão em lei, não é possível a antecipação da receita do ISSQN pelo município, porque a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a antecipação de receita de tributos antes da ocorrência do fato gerador (Consulta n. 694692. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 01/06/2005). [Aplicação da arrecadação das multas de trânsito] (...) após dedução do percentual de cinco por cento das multas arrecadadas, o restante será, obrigatoriamente, aplicado em sinalização, engenharia de tráfego e de campo, policiamento e fiscalização. (...) Outrossim, estando os recursos afetos a despesas certas e determinadas, cabe ao arrecadador depositá-los em conta especial, facilitando, assim, não só o manejo do dinheiro, mas também a ação fiscalizatória deste Tribunal (Consulta n. 656094. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 28/08/2002). [Dívida tributária. Inscrição do débito em dívida ativa. Cobrança judicial] (...) esclareço ao consulente não ser possível incluir o nome do contribuinte no rol de maus pagadores e/ou permitir à instituição bancária cortar o acesso dele a financiamento, pois o lançamento tributário, de natureza meramente declaratório, é revisível na origem ou por via judicial. Ora, a Administração já dispõe de todo um procedimento processual privilegiado para poder receber seus créditos tributários e, ao meu sentir, não precisa lançar mão de outros meios. Logo, deve abster-se de firmar contrato dessa natureza, evitando, assim, possível condenação solidária, ao lado da instituição bancária, em indenização por dano causado ao contribuinte que conseguir provar não ser mau pagador. Se o contribuinte não paga a sua dívida tributária, o caminho legal é a inscrição do débito em dívida ativa e cobrança judicial (Consulta n. 642621. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 28/11/2001). 8.10 SAÚDE [Despesa com auxílio-alimentação. Recursos vinculados aos 15% da saúde. Outras Despesas Correntes] (...) sobre a possibilidade de o município custear despesas relativas a auxílio-alimentação com recursos vinculados aos 15% da saúde, verifica-se que a Constituição de 1988 (art. 196, § 2º do art. 198 e art. 200), a Lei nº 8.080/90 (...) e especificamente a IN TC n. 19/08 (...) estabelecem que 145 Fi na nç as p úb lic as 8 as despesas relativas a auxílio-alimentação, podem ser apropriadas como gastos públicos em ações e serviços de saúde, por compor o grupo de despesas de custeio. (...) o Manual do Anexo de Metas Fiscais (...) demonstra que a União firmou posicionamento de que o auxílio-alimentação é classificado como Outras Despesas Correntes no demonstrativo de gastos com a saúde (...):“Outras Despesas Correntes — Nessa linha, registrar as despesas com aquisição de material de consumo, pagamento de diárias, contribuições, subvenções, auxílio- alimentação, auxílio-transporte, além de outras despesas da categoria econômica Despesas Correntes, não classificáveis nos demais grupos de natureza de despesa, referentes às ações e serviços públicos de saúde.” (...) A classificação do auxílio- alimentação no demonstrativo da saúde, segundo a orientação do manual, é feita no grupo Outras Despesas Correntes, ou seja, fora do grupo despesas com pessoal e encargos sociais. Assim, inserindo-se o pagamento de auxílio-alimentação no grupo das despesas de custeio, nos termos do art. 3° da IN TC nº 19/08, configurando, portanto, despesa corrente. O pagamento realizado sob tal título pode ser custeado com recursos das ações e serviços públicos de saúde, compondo, assim, o percentual de 15% de que trata o inciso III do art. 77 do ADCT da Constituição Cidadã, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 29/00, independentemente da natureza jurídica da relação laboral, se estatutária (cargo público) ou celetista (emprego público) (Consulta n. 753449. Rel. Cons. Sebastião Helvecio. Sessão do dia 23/03/2011). [Contabilização da remuneração dos agentes do Programa de Saúde] (...) possibilidade de o município contabilizar as despesas com agentes vinculados ao Programa de Saúde como outros serviços de terceiros — pessoal física, desde que efetivamente remunerados com recursos da União ou do Estado. Para os agentes remunerados com recursos do próprio município, devem ser contabilizados esses pagamentos como despesas de pessoal, para efeito do enquadramento nos limites do art. 19 da Lei de Responsabilidade Fiscal (Consulta n. 838571. Rel. Cons. Sebastião Helvécio. Sessão do dia 01/12/2010). [Credenciamento de serviços de saúde] O município pode realizar sistema de credenciamento de consultas médicas, desde que precedido de procedimento formal de inexigibilidade de licitação, nos termos do art. 5º, caput, c/c o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 8.666/93. A remuneração dos serviços prestados por particulares poderá ser fixada acima dos valores mínimos estabelecidos pela direção nacional do SUS. A complementação dessa remuneração deverá ser efetuada com recursos do próprio município e levar em conta as circunstâncias locais e as disponibilidades FINANÇAS PÚBLICAS 146 financeiras, sob pena de ver-se frustrado o modelo adotado pelo município para a prestação de serviços de saúde. A consulta poderá ser prestada no próprio consultório médico, após marcação feita pela Secretaria Municipal de Saúde, haja vista que o profissional credenciado não possui vínculo profissional com o ente federativo, não havendo necessidade de prestar o atendimento em local especificado pelo contratante, desde que a escolha do profissional fique a cargo do usuário (Consulta n. 811980. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 05/05/2010). [Formação de banco de medicamentos por consórcios públicos intermunicipais de saúde] (...) o tema dos consórcios públicos tem íntima relação com o sistema federativo de organização do Estado (...) visando ao desenvolvimento regional, mediante o compartilhamento de recursos financeiros, material e de pessoal, entre outros, e, consequentemente, ao bem-estar da população. (...) o legislador (...) fixa diretrizes abertas ao preenchimento das necessidades, disponibilizando instrumentos, como o protocolo de intenções, o contrato de programa, o contrato de rateio (...) para auxiliar os administradores na busca de solução de parceria para a resolução de problemas complexos (...). Especificamente para a formação do banco de medicamentos, há de se considerar o regramento normativo do Sistema Único de Saúde (...) [e] a possibilidade técnica e operacional de integração de dados entre sistemas do Ministério da Saúde e os da Secretaria de Estado da Saúde. Considerados todos esses fatores é que poderão ser estabelecidas, consensualmente, as bases do instrumento operacionalizador da cooperação entre os entes federados. (...) [é] perfeitamente possível a formação do banco de medicamentos (...) (Consulta n. 735489. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 10/12/2008). [Celebração de convênio com consórcio intermunicipal de saúde. Possibilidade] Com vistas a promover a regulamentação da Lei nº 11.107/05, entrou em vigor (...) o Decreto nº 6.017, o qual, ao fixar os objetivos dos consórcios públicos, observados os limites constitucionais e legais, previu, entre outros, os seguintes: a) gestão associada de serviços públicos; b) prestação de serviços, inclusive de assistência técnica, execução de obras e fornecimento de bens à Administração direta ou indireta dos entes consorciados; c) compartilhamento ou o uso em comum de instrumentos e equipamentos, inclusive de gestão, manutenção, informática, pessoal técnico e procedimentos de licitação e de admissão de pessoal etc. Em se tratando de ações e serviços de saúde, dispõe o art. 3º, § 2º, que os consórcios públicos ou entidade a eles vinculada poderão desenvolver tais medidas, desde que obedecidos os princípios, diretrizes e normas que regulam o (...) SUS. (...) [há] possibilidade da celebração de convênio com consórcio intermunicipal de saúde com vistas à promoção e ao 147 Fi na nç as p úb lic as 8 oferecimento de serviços públicos de saúde, em consonância com as exigências fixadas na legislação em vigor. Registra-se, contudo, que é vedado ao município eximir-se de seus compromissos perante a comunidade local no tocante aos serviços essenciais, notadamente aqueles erigidos à categoria de direitos fundamentais sociais, consagradores do princípio da dignidade da pessoa humana (Consulta n. 732243. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 01/08/2007). [Receita de impostos. Ações e serviços de saúde. Convênios e consórcios intermunicipais de saúde] (...) os consórcios intermunicipais de saúde integram as ações e serviços de saúde. Entretanto não existe qualquer possibilidade de se vincular receita de imposto à despesa com os referidos consórcios, isso porque a Emenda Constitucional nº 29/2000 tornou obrigatória a movimentação financeira dos recursos para saúde por intermédio de um fundo especial (...). (...) apesar da permissão da vinculação de receita de impostos para a cobertura das ações e serviços de saúde dada pela Emenda Constitucional nº 29/2000, não se vislumbra a possibilidade dessa vinculação se dar diretamente, para efeito da despesa, com o consórcio intermunicipal de saúde ou mesmo com nenhum tipo de convênio, pois os recursos deverão estar disponibilizados no Fundo Municipal de Saúde e aplicados mediante dotação consignada na lei de orçamento (Consulta n. 703182. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 22/11/2006). [EC n. 29/2000. Ações e serviços públicos de saúde. Fundo Municipal de Saúde] (...) de acordo com o § 3º do art. 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, os recursos do município destinados às ações de serviços públicos de saúde e os que lhes forem transferidos pela União com a mesma finalidade serão aplicados por meio de Fundo de Saúde, que será acompanhado e fiscalizado por conselho de saúde, sem prejuízo da fiscalização feita por controle externo a cargo da Câmara Municipal, com auxílio do Tribunal de Contas. Por seu turno, a Lei nº 8.142/90 (...) previu a criação do Fundo Municipal de Saúde. Portanto, a transferência dos recursos municipais destinados às ações dos serviços públicos de saúde e os transferidos pela União para a mesma finalidade devem ser feitos por meio do Fundo Municipal de Saúde a ser criado por lei municipal (Consulta n. 657278. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 18/09/2002). FINANÇAS PÚBLICAS 148 8.11 TRANSFERÊNCIAS [Vinculação de percentualde recursos do Fundo de Participação dos Municípios às contribuições mensais destinadas às associações de municípios] (...) as associações de municípios são entidades dotadas de personalidade jurídica própria, instituídas e mantidas por contribuições dos municípios associados, de sorte que a associação de municípios não pode ser enquadrada nas definições de órgão ou fundo aludidas no inciso IV do art. 167 da Constituição Federal. (...). Caso a associação de municípios seja constituída como consórcio público, a forma de repasse de recursos dos municípios à associação deverá ser o contrato de rateio (...), consignadas as dotações correspondentes na lei orçamentária ou em lei de créditos adicionais, sob pena de exclusão do município inadimplente do consórcio. Caso a associação não assuma a forma de um consórcio, o repasse poderá ser feito por meio da celebração de convênio (...). Quanto à despesa com a contribuição mensal dos municípios filiados à associação de municípios (...), o que se veda é a vinculação de receitas de impostos municipais para custeio da despesa com a referida contribuição. (...) respondo (...) pela possibilidade de vinculação de percentual de recursos do FPM para fazer face à contribuição devida a associação de municípios, tendo em vista que os recursos do FPM são (...) receitas de transferências intergovernamentais, não se lhes aplicando a vedação do inciso IV, do art. 167 da Carta Magna (princípio da não afetação das receitas). (...) a referida contribuição dependerá de autorização legislativa para o compromisso de associação e para a execução da despesa de contribuição, bem como da existência de um contrato de rateio ou de um convênio e, ainda, da disponibilidade orçamentária e financeira. Outra regra (...) é a necessidade de contabilização da contribuição pelo município (...); a associação de municípios não se enquadra no conceito de órgão ou fundo descritos no aludido dispositivo da CF, e a contribuição de município integrante de associação de municípios, feita a partir de recursos do FPM, não constitui despesa vedada, de acordo com a definição dada pelo mesmo dispositivo constitucional (Consulta n. 809502. Rel. Cons. Antônio Carlos Andrada. Sessão do dia 05/05/2010). [Recursos do FUNDEF. Transferência e movimentação de recursos públicos no Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (SICOOB)] (...) a movimentação e as aplicações financeiras de recursos do FUNDEF deverão ser realizadas no Banco do Brasil, em agência existente no município; na sua falta, na agência mais próxima. Isso visando preservar a integralidade de utilização dos recursos e eventuais rendimentos auferidos em favor do ensino fundamental público, de maneira transparente, 149 Fi na nç as p úb lic as 8 favorecendo o acompanhamento pelo respectivo conselho de acompanhamento e controle social do fundo e pela fiscalização a cargo dos tribunais de contas. Entretanto, invocando-se o princípio da razoabilidade, a liquidação de despesas (pagamentos) a serem efetivadas com recursos do FUNDEF por meio de outras instituições bancárias poderá ser realizada mediante transferência do valor correspondente para a instituição eleita para a respectiva liquidação, na data de sua efetivação, levando- se em consideração o prazo necessário à compensação do valor a ser transferido entre as instituições envolvidas. (...). Assim, entendo que o município não pode transferir ou movimentar seus recursos financeiros, seja de que natureza for, com as cooperativas de crédito mútuo, como é o caso da SICOOB, em razão da natureza das respectivas cooperativas e da regulamentação do Banco Central (Resolução CMN/ BACEN nº 002771) (Consulta n. 711196. Rel. Cons. Elmo Braz Soares. Sessão do dia 31/01/2007). [Vinculação de parcelas do FPM ao pagamento de despesas. Exceções do art. 167, IV, da CR/88] (...) a vinculação de percentual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ao pagamento de despesas específicas está vedada pela Constituição Federal, face ao princípio da não afetação da receita, previsto no art. 167, IV, ressalvando-se tão somente as exceções previstas neste mesmo inciso e no § 4º (Consulta n. 712471. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 28/03/2007). [Contratos de financiamentos, obras, serviços e/ou aquisição de materiais pelo município, durante os três meses que antecedem as eleições] (...) o impedimento para a realização de transferência de recursos entre os entes federados, nos três meses que antecedem o pleito eletivo, não se verifica no caso de obras que estejam, no prazo de três meses antes das eleições, formalmente iniciadas ou, ao menos, contratadas. (...) existindo convênio e estando a obra ou serviço em andamento antes dos três meses citados, inclusive com cronograma de execução prefixado, pode o município que recebeu a transferência de recursos realizar contratações de prestação de serviços e/ou aquisição de materiais para dar cumprimento a obrigação formalmente assumida. (...) a proibição se aplica, com exclusividade, às transferências voluntárias de recursos da União aos Estados e Municípios, e dos Estados aos Municípios, não atingindo os financiamentos obtidos em bancos públicos. (...) as vedações legislativas são interpretadas restritivamente. (...) é necessário prudência e cautela ao gestor público nas contratações durante o ano eleitoral, a fim de não “afetar a igualdade de oportunidade entre candidatos nos pleitos eleitorais”, mas, também, de modo a não paralisar a realização dos interesses da sociedade (Consulta n. 664039. Rel. Cons. Moura e Castro. Sessão do dia 21/08/2002). 150 9 CONTROLE INTERNO ENUNCIADO DE SÚMULA N. 110. Os órgãos e entidades integrantes da administração pública direta e indireta do Estado e dos Municípios deverão possuir escrituração contábil regularmente assentada nos livros Razão e Diário, observados os princípios e normas contábeis pertinentes aos registros dos atos e fatos de natureza orçamentária, financeira e patrimonial, bem como mantê-los permanentemente arquivados na respectiva sede, sob pena de responsabilização. [Controle interno por órgão de entidade autárquica. Existência de lei em sentido estrito. Supervisão pelo órgão central de controle interno] Estando a atuação da entidade autárquica adstrita às atribuições que a lei lhe conferir expressamente e, mais que isso, tendo o dever de exercê-las, a norma que conferir personalidade jurídica à entidade poderá estabelecer uma unidade orgânica responsável pelo exercício das atividades típicas de controle interno, de modo a não haver dúvidas quanto às suas atribuições. Somente nesse contexto, o órgão central de controle interno da entidade poderá desincumbir-se da responsabilidade de encaminhar as informações exigidas pelas IN TC nº 03/2011 e 09/2008. (...). Evidentemente, essa descentralização das atividades de controle interno não desonera o ente político de realizar o controle sobre os atos da autarquia, o que deverá fazer sob a forma de supervisão (princípio da tutela), tendo em vista o vínculo existente entre as entidades da Administração Indireta e os órgãos da Administração Direta. Considerando, então, que a existência de lei é indispensável para que o órgão de controle interno da entidade política se desincumba da responsabilidade de remeter a documentação tratada nos autos, ausente a referida previsão legal, o titular do controle interno poderá ser responsabilizado pelo descumprimento de atribuições legais a ele conferidas, inclusive, nos termos do § 1º do art. 74 da Constituição da República. (...) o órgão de controle interno a que alude o art. 8º da IN TC nº 03/2011 pode ser o órgão interno/específico do fundo previdenciário desde que ele, possuindo natureza autárquica, tenha sido adequadamente criado em lei que estabeleça também a criação do órgão de controle interno comas respectivas atribuições e encargos próprios dos órgãos dessa natureza. (...) enquanto não editada a lei acima referida, o envio das 151 C on tro le in te rn o 9 informações não poderá ser feito por comissão de controle interno, diante da já afirmada necessidade de lei em sentido estrito para que o órgão central de controle interno se desincumba das responsabilidades a ele conferidas originalmente. (...) o relatório que acompanha a prestação de contas dos fundos previdenciários a que se refere o §1º do art. 1º da IN TC nº 09/2008 pode ser realizado pelo órgão de controle interno próprio, desde que observadas as regras delineadas na fundamentação (...) acima (Consulta n. 859022. Rel. Cons. Cláudio Terrão. Sessão do dia 05/10/2011). [Prazo para arquivamento e eliminação de documentos contábeis do município] (...) a eliminação de documentos públicos relacionados às atividades-meio da administração, ainda que tenham sido microfilmados, depende da observância dos prazos previstos na tabela anexa à Resolução nº 14/2001, do CONARQ, e da autorização da autoridade competente, a teor do disposto no art. 3º da referida resolução. No tocante aos documentos relativos às atividades-fim da administração municipal, os prazos de guarda dos documentos deverão ser definidos pelos órgãos públicos na sua específica esfera de competência e, somente após o decurso do prazo definido e a autorização da autoridade competente, é que poderão ser eliminados (Consulta n. 838820. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 23/03/2011). [Arquivamento dos documentos que fundamentam as notas explicativas para posterior exame do TCE] Atualmente, as prestações de contas de exercício encaminhadas ao Tribunal de Contas não devem ser mais instruídas com os documentos de receita e despesa do respectivo exercício financeiro, mas tão somente com a documentação exigida e prevista em instrução normativa própria desta Casa. A par disso, o exame material dos documentos relativos à execução orçamentária, financeira, patrimonial, contábil e operacional — e que dão suporte às informações contidas nas prestações de contas então encaminhadas ao Tribunal — ficou reservado à inspeção ou auditoria in loco, ou ainda, nesta Casa, mediante prévia requisição. (...) (Consulta n. 681327. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 27/10/2004). [Controle externo do Poder Legislativo. Limite de interferência no controle interno do Poder Executivo] A Câmara Municipal exerce a importante função de controle e fiscalização da Administração local, consoante preceito constitucional do art. 29, XI, (...). Por sua vez, a função fiscalizadora exercida pelo Poder Legislativo municipal se faz mediante controle externo, com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado e do Município, conforme dispõe o art. 31 da Constituição Federal (...). (...). Entretanto, o controle externo possui limites de atuação, não podendo a Câmara Municipal invadir a área de competência do Executivo no que tange ao controle interno de CONTROLE INTERNO 152 seus atos. (...) ao exigir o arquivamento das requisições emitidas para autorização de despesas junto com as respectivas notas fiscais, o Legislativo municipal, extrapolando o exercício do controle externo adentra a órbita de competência do Poder Executivo municipal, o que caracteriza flagrante inconstitucionalidade no que diz respeito ao princípio da separação de poderes. (...) Diante do exposto, respondo à consulta (...): a Câmara Municipal não pode exigir o arquivamento das requisições emitidas para autorização de despesas, junto com as respectivas notas fiscais, tendo em vista que tal procedimento submete-se à competência privativa do Poder Executivo municipal no que diz respeito às atividades de seu controle interno. (...). Deve, portanto, a Câmara Municipal restringir-se ao controle externo, o que não dispensa o prefeito municipal de prestar informações dos atos por ele praticados mediante solicitação da Câmara Municipal, desde que devidamente motivada e fundamentada (Consulta n. 780508. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 10/03/2010). [Quadro de servidores do controle interno] Ainda em relação ao cargo de controlador interno, calha trazer à baila excertos da Consulta nº 698185, por mim relatada (...), na Sessão de 31/08/2005 (...), verbis:[...] Ressaltou-se na Consulta n. 683720, relatada pelo Conselheiro José Ferraz na Sessão de 16/06/2004, que a criação do sistema de controle interno, exigência de ordem constitucional, deve estar prevista e regulamentada no âmbito municipal, que indicará os critérios a serem observados para tanto, respeitados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, razoabilidade e finalidade, sendo esses os norteadores fundamentais de ordem jurídica a impor restrições à atuação do administrador. Para finalizar, assevera que o quadro de membros da controladoria deverá contar com servidores de provimento efetivo, não podendo a sua composição conter profissionais que possuam determinados vínculos de parentesco com os controlados, de maneira a evitar que as relações entre controlador e controlado firam o princípio da impessoalidade, cabendo, nesse aspecto, à legislação municipal estabelecer o grau de parentesco que caracterize o impedimento; a remuneração deverá também estar prevista em lei. (Consulta n. 727149. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 16/04/2008). [Requisitos para nomeação dos membros do Controle Interno] (...) a criação do sistema de controle interno, exigência de ordem constitucional, deve estar prevista e regulamentada no âmbito municipal, que indicará os critérios a serem observados para tanto, respeitados os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, razoabilidade e finalidade. (...) o quadro de membros da controladoria deverá contar com servidores de provimento efetivo, não podendo a sua composição conter 153 C on tro le in te rn o 9 profissionais que possuam determinados vínculos de parentesco com os controlados, de maneira a evitar que as relações entre controlador e controlado firam o princípio da impessoalidade, cabendo, nesse aspecto, à legislação municipal estabelecer o grau de parentesco a caracterizar o impedimento (Consulta n. 683720. Rel. Cons. José Ferraz. Sessão do dia 16/06/2004). [Controle interno. Obrigatoriedade] (...) esta Corte teceu esclarecimentos sobre a importância e a obrigatoriedade do controle interno a ser instituído em cada Poder. O que preconiza a Constituição Federal, em seu art. 74, é que cada Poder tenha o seu sistema próprio de controle interno, ainda que atuem de forma integrada (Consulta n. 653889. Rel. Cons. Sylo Costa. Sessão do dia 27/02/2002). [Câmara Municipal. Sistema de Controle interno] (...) depreende-se do art. 74 da Carta Federal que a instituição do sistema de controle interno nos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário é obrigatória, pelo que é atribuição de cada Poder, na esfera de sua competência, dispor sobre a forma de operacionalização do sistema, incluída a nomeação de seus membros, não necessariamente por meio de comissão. (Consulta n. 653861. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 17/10/2001). [Controle interno. Conceito] Controle interno é um controle primário, exercido por órgão que se situa dentro da Administração, devidamente adequado na estrutura organizacional, com funções administrativas e normativas que permitam a fixação de padrões e uniformidade de atuação. É efetuado por agentes públicos, integrados nos quadros de cada um dos Poderes. Não está fora da Administração (como é o caso do controle externo exercido pelo Tribunal de Contas); ao contrário, é parte integrante de seu corpo. Como já visto, há previsão constitucional para o sistema de controle interno, ficando claro, no entanto, que esse controle faz parteda Administração, subordina-se ao administrador, tendo, entre outras, a função de acompanhar a execução dos atos, indicando, em caráter opinativo, preventiva ou corretivamente, ações a serem desempenhadas visando ao atendimento da legislação. O dimensionamento dos profissionais depende da mensuração do trabalho a ser realizado, com definição clara de seus objetivos. (...) o efeito da atuação do controle interno tem estreita ligação com o grau de liberdade que lhe seja dado ter, conferindo-lhe, assim, não só a possibilidade de controlar a despesa, mas, também, a otimização da utilização dos recursos com resultados para toda a administração pública e, por consequência, para a sociedade em geral (Consulta n. 640465. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 19/09/2001). CONTROLE INTERNO 154 [Controle interno. Terceirização] (...) o sistema de controle interno, ao lado do controle externo, este a cargo das casas legislativas, com o auxílio dos tribunais de contas, constituem típicas funções do Estado que, obrigatoriamente, serão realizadas pela Administração Pública, sem nenhuma possibilidade de ter sua execução outorgada a particulares mediante processo de terceirização. Assim, não cuidando os serviços de controle interno de atividade-meio, não há hipóteses legais ou constitucionais permitindo a sua terceirização, isto é, o trespasse de sua execução para pessoa estranha à Administração. Ademais, se uma das finalidades do controle interno é a de apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional, alinhado, ainda, à responsabilidade solidária dos responsáveis pelo autocontrole, acaso deixem de dar conhecimento ao Tribunal de Contas de qualquer irregularidade ou ilegalidade (art. 74, IV e § 1º, da Constituição da República), não vejo como “operacionar” tais comandos na hipótese de uma terceirização (Consulta n. 625798. Rel. Cons. Eduardo Carone Costa. Sessão do dia 14/2/2001). 155 10 CÂMARA MUNICIPAL 10.1 COMPETÊNCIA [Estatuto dos servidores públicos da Câmara Municipal] Relativamente às demais questões, adoto o bem lançado parecer da auditoria, que examinou à saciedade os temas apresentados, a saber: (...) Quanto ao estatuto dos servidores públicos, reportamo-nos, uma vez mais, à lição do mestre Hely Lopes Meirelles, verbis: (...) Os servidores públicos da Câmara Municipal, embora nomeados pelo seu presidente, a quem são subordinados hierárquica e funcionalmente, e pagos com os recursos consignados ao Legislativo, não podem ter estatuto próprio, diverso do que rege os servidores da Prefeitura, porque todos são servidores públicos municipais, sujeitos ao mesmo estatuto dos servidores do município. O que na Câmara tem é quadro próprio de servidores distinto do da Prefeitura, mas regido por um mesmo estatuto municipal (Consulta n. 727149. Rel. Cons. Simão Pedro Toledo. Sessão do dia 16/04/2008). [Controle externo do Poder Legislativo. Limite de interferência no controle interno do Poder Executivo] A Câmara Municipal exerce a importante função de controle e fiscalização da Administração local, consoante preceito constitucional do art. 29, XI, (...). Por sua vez, a função fiscalizadora exercida pelo Poder Legislativo municipal se faz mediante controle externo, com o auxílio do Tribunal de Contas do Estado e do Município, conforme dispõe o art. 31 da Constituição Federal (...). (...). Entretanto, o controle externo possui limites de atuação, não podendo a Câmara Municipal invadir a área de competência do Executivo no que tange ao controle interno de seus atos. (...) ao exigir o arquivamento das requisições emitidas para autorização de despesas junto com as respectivas notas fiscais, o Legislativo municipal, extrapolando o exercício do controle externo, adentra a órbita de competência do Poder Executivo municipal, o que caracteriza flagrante inconstitucionalidade no que diz respeito ao princípio da separação de poderes. (...). Diante do exposto, respondo à consulta: a Câmara Municipal não pode exigir o arquivamento das requisições emitidas para autorização de despesas, junto com as respectivas notas fiscais, tendo em vista que tal CÂMARA MUNICIPAL 156 procedimento submete-se à competência privativa do Poder Executivo municipal no que diz respeito às atividades de seu controle interno. (...). Deve, portanto, a Câmara Municipal restringir-se ao controle externo, o que não dispensa o prefeito municipal de prestar informações dos atos por ele praticados mediante solicitação da Câmara Municipal, desde que devidamente motivada e fundamentada (Consulta n. 780508. Rel. Cons. Adriene Andrade. Sessão do dia 10/03/2010). [Autonomia financeira da Câmara Municipal] Para viabilizar o exercício de suas importantes atribuições, com a autonomia necessária ao munus que lhe é conferido, a Câmara deverá dispor de recursos consignados no orçamento municipal, exercendo, assim, sua autonomia financeira. A administração financeira, a contabilidade e a elaboração da proposta orçamentária da Câmara, que irá integrar o orçamento anual do município é de responsabilidade do presidente da edilidade, que deverá receber assessoria contábil e técnica de seus servidores. Assim, em primeiro lugar, é preciso que haja previsão orçamentária, em programa próprio com vistas à estruturação material da Câmara, para cobrir as despesas com aquisição de bens móveis e imóveis para uso próprio do Legislativo. (...) tais aquisições devem constar do plano plurianual e na lei de diretrizes orçamentárias do município, visto que a aquisição de bens duráveis inclui-se nas despesas de capital. Além dos requisitos de natureza orçamentária, impõe-se acrescentar que a aquisição de bens imóveis, a título oneroso, por compra, permuta ou desapropriação, depende de requisitos de natureza administrativo-financeira, à luz da Lei nº 8.666/93. Consoante se infere do art. 6º da citada lei, em princípio, toda compra ou locação de bens, quer móveis ou imóveis, está a depender de prévia licitação, salvo nas excepcionais hipóteses de dispensa ou inexigibilidade, previstas nos arts. 23 e 24 da Lei de Licitações. No caso de aquisição de imóvel, destaco a dispensabilidade tratada no inciso X do art. 24, quando as necessidades de sua instalação e localização para abrigar as atividades precípuas do órgão condicionarem a sua escolha. Nesse caso, há que se verificar a compatibilidade com o valor do mercado e a avaliação prévia. Portanto, quanto à possibilidade de aquisição de bens diretamente pela Câmara, observados os requisitos acima mencionados, respondo afirmativamente. No tocante à possibilidade de a Câmara se valer da Comissão Permanente de Licitação do Poder Executivo para realizar as tarefas concernentes ao procedimento licitatório, desde a habilitação até a classificação final, tenho como negativa a resposta. Com efeito, o art. 51 dispõe que no mínimo dois servidores qualificados pertencentes ao órgão responsável pela licitação devem integrar a referida comissão. Além desse óbice legal, entendo que há que se buscar preservar a autonomia do Poder Legislativo e a profissionalização de seu quadro próprio de pessoal (Consulta n. 726250. Rel. Cons. Wanderley Ávila. Sessão do dia 16/05/2007). 157 Câ m ar a m un ic ip al 10 [Câmara Municipal. Ato de cooperação e doação entre entes políticos. Impossibilidade] (...) convém não olvidar que o Poder Legislativo não possui receita, recebendo ele apenas repasse de dotação orçamentária. (...). Ademais, a parceria entre entidades governamentais, mediante colaboração mútua ou mesmo a doação de bem adquirido, pela municipalidade, configura-se ato típico de competência do prefeito, sob pena de indevida ingerência, cabendo ao Legislativo a fiscalização do ato de cooperação ultimado pelo Executivo, que, obrigatoriamente, deverá estar voltado para o fim de interesse