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FACULDADE TEOLÓGICA NACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
BATALHA ESPIRITUAL 
 
 
2 
Faculdade e Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
 
CAPÍTULO 1 
VERDADES E MENTIRAS SOBRE BATALHA ESPIRITUAL 
 
 
 
Eles atravessaram o mar e foram para a região dos gerasenos. Quando Jesus 
desembarcou, um homem com um espírito imundo veio dos sepulcros ao seu encontro. 
Esse homem vivia nos sepulcros, e ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com 
correntes; pois muitas vezes lhe haviam sido acorrentados pés e mãos, mas ele 
arrebentara as correntes e quebrara os ferros de seus pés. Ninguém era suficientemente 
forte para dominá-lo. Noite e dia ele andava gritando e cortando-se com pedras entre os 
sepulcros e nas colinas. 
 
Quando ele viu Jesus de longe, correu e prostrou-se diante dele, e gritou em alta voz: “Que 
queres comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me 
atormentes!” Pois Jesus lhe tinha dito: “Saia deste homem, espírito imundo!” Então Jesus 
lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” 
 
“Meu nome é Legião”, respondeu ele, “porque somos muitos.” E implorava a Jesus, com 
insistência, que não os mandasse sair daquela região. Uma grande manada de porcos 
estava pastando numa colina próxima. Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para 
os porcos, para que entremos neles”. Ele lhes deu permissão, e os espíritos imundos 
saíram e entraram nos porcos. A manada de cerca de dois mil porcos atirou-se precipício 
abaixo, em direção ao mar, e nele se afogou. Os que cuidavam dos porcos fugiram e 
contaram esses fatos na cidade e nos campos, e o povo foi ver o que havia acontecido. 
 
Marcos 5.1-14 
 
Quando estamos diante do assunto “batalha espiritual”, devemos considerar que o maior 
milagre de Jesus Cristo é a salvação do pecador – que, após encontrar-se com Ele, nasce 
de novo, é transformado e recebe uma nova vida. Neste capítulo, abordaremos a ação do 
Maligno por meio da atuação dos demônios, bem como a doutrina sobre a libertação 
desses espíritos imundos, o que há de verdades bíblicas sobre o assunto e muitos dos 
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Faculdade e Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
 
absurdos que vêm sendo praticados, em nome dessa guerra, em alguns setores da Igreja 
brasileira. 
 
Esta reflexão não tem o objetivo de ofender, entristecer ou até mesmo alarmar quem quer 
que seja. Porém, trataremos de um assunto que tem pouca referência bíblica, em virtude 
da pequena importância que as próprias Escrituras dão ao tema. Acredite, você que dedica 
muito tempo do seu ministério a isso: essa não é a ênfase central da Palavra de Deus. 
Curiosamente, no entanto, muitas pessoas fazem teologias imensas sobre o assunto, 
enquanto a própria Bíblia Sagrada apenas pontua algumas questões. 
 
Portanto, abordaremos este tema com o firme propósito de esclarecer os irmãos e as irmãs 
na fé, visto que há muitas doutrinas erradas sendo divulgadas por aí. Diversas pessoas 
são influenciadas de maneira equivocada e aplicam determinados ensinamentos sem uma 
observação bíblica do assunto. Este é um erro muito comum: repetir o que outra pessoa 
fala ou faz sem analisar o tema na verdadeira fonte de autoridade que é a Palavra de 
Deus. Como cristãos, precisamos ter o hábito de examinar tudo à luz das Sagradas 
Escrituras. 
 
Se depositarmos a nossa confiança em pessoas, por mais influentes ou inteligentes que 
sejam, cometeremos o erro de conferir autoridade a alguém que é falho, pois o ser humano 
é imperfeito. Toda autoridade espiritual que um indivíduo tenha deve vir, exclusivamente, 
da Bíblia Sagrada, não das próprias experiências. Essas servem para endossar o 
argumento bíblico, ou seja, devem ser usadas como ilustração, sempre centradas na 
Palavra. A pregação do Evangelho deve ser fundamentalmente bíblica e não extraída de 
passagens pinçadas aleatoriamente. E a justificativa está no fato de que alguns trechos da 
Bíblia, por serem empregados de modo superficial e isolado, acabam servindo de base 
para os mais variados tipos de heresia. 
 
DISTORÇÕES BÍBLICAS 
 
Allan Kardec (pseudônimo do francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, o mentor do 
espiritismo denominado “kardecista”, em sua homenagem) fez uso de vários trechos dos 
evangelhos para fundamentar doutrinas sem nenhuma 
 
 
4 
Faculdade e Seminário Teológico Nacional 
Ensino à Distância 
 
 ligação com o que as Escrituras realmente dizem. Um exemplo é a passagem de João 
14.2, em que Jesus declara: “Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, 
eu volo teria dito; vou preparar-vos lugar” (ARA). Os espíritas utilizam esse versículo para 
justificar a possibilidade de inúmeras encarnações. Na verdade, o que Jesus disse é que 
na casa do Pai há lugar para muitas pessoas, para todos os que venham a crer no 
Cordeiro de Deus como Senhor e Salvador. Cristo fez a promessa de que iria preparar uma 
casa para cada um de nós, sendo-lhe necessário partir para completar a obra do Senhor, 
que nos aguarda na eternidade. Entretanto, tirada do seu contexto e aliada a falsos 
argumentos, essa passagem torna-se uma heresia. 
 
Outro exemplo são as Testemunhas de Jeová, que acrescentam ao versículo de João 1.1 
uma pequena palavra que muda bastante o sentido do texto. Observe: “No princípio era o 
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era um Deus”. Com a inclusão do termo 
“um”, a divindade de Jesus Cristo é negada. É uma pequena mudança que, vinculada a 
afirmativas enganosas, faz parecer verdade o que, na realidade, é mentira. 
 
Precisamos entender que o que realmente importa não é considerar quem está 
transmitindo a mensagem, mas se o que está sendo dito de fato está escrito na Palavra de 
Deus. O expositor da Palavra pode ser respeitado como uma das maiores autoridades do 
mundo, porém, se o que estiver pregando não for bíblico, de nada vale. Não se deixe 
impressionar por aqueles que se expressam muito bem, que têm belos discursos ou são 
famosos. Se Jesus tivesse buscado sucesso pessoal, não teria nascido em Belém, mas em 
Roma, que era a grande cidade da sua época. O poder de Deus não precisa de 
publicidade, mas deve ser pregado por seus filhos conforme a soberania do Senhor. Dessa 
forma, é necessário estudarmos a Palavra e o pano de fundo histórico de toda essa 
situação. 
 
SAÍRAM DE NÓS MAS NÃO ERAM DE NÓS 
 
Grande parte das práticas de libertação utilizadas hoje em dia é condenável e sem 
embasamento bíblico. No Brasil, elas surgiram no final da década de 1970 e início de 
1980, por intermédio de homens que se converteram na Igreja Pentecostal de Nova Vida, 
atual Igreja Cristã Nova Vida (ICNV). Dois deles se tornaram muito famosos e são 
conhecidos em todo o território nacional em virtude dos seus programas de televisão. 
(Timóteo 3.16,17) 
 
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Ensino à Distância 
 
Em um determinado evento a que compareci ouvi a conversa de algumas pessoas, na qual 
uma delas afirmava que esses dois homens foram discípulos do Bispo Roberto McAlister, 
fundador da Igreja Cristã Nova Vida. Quase me pronunciei, pois esses dois indivíduos, na 
verdade, foram afastados da ICNV por defenderem ideias e doutrinas não abraçadas por 
nossa igreja. Na época, eles pediram ao Bispo Roberto autorização para iniciar um 
trabalho de libertação – nos moldes que realizam hoje – a qual lhes foi negada. Por causa 
disso, se rebelaram, saíram da Nova Vida e fundaram uma igreja. Algum tempo depois, 
eles se desentenderam e um deles fundou a própria denominação. 
 
Não cabe aqui nenhum tipo de comentário positivo ou negativo sobre o fato. Eles 
procederam conforme aquilo em que acreditavam. Todavia, essa fé nunca foi corroborada 
pelo fundador da Igreja Cristã Nova Vida. Pelo contrário, desde o início a realização de 
práticas sem base bíblicafoi combatida e rejeitada nas igrejas da nossa denominação. 
 
O MOVIMENTO DE GUERRA ESPIRITUAL 
 
Outra questão que rende muita discussão a respeito dessas “teologias sobre demônios” 
(por mais paradoxal que seja essa expressão) é o movimento de guerra espiritual que 
surgiu na América do Norte por volta da década de 1980. Esse movimento chegou ao 
Brasil quase na mesma época e foi abraçado por alguns que promoveram uma série de 
preceitos e ensinamentos que não procedem da Bíblia Sagrada. 
 
A escritora Rebecca Brown (pseudônimo da ex-médica Ruth Irene Bailey, que teve sua 
licença médica cassada por imperícia e medicação imprópria a seus pacientes) escreveu 
um livro sobre a hierarquia demoníaca. Ela relatou ter tido uma experiência espiritual, em 
que foi ao inferno e fez uma entrevista com Satanás. Durante o tal encontro, o Diabo lhe 
teria revelado, sem o menor problema, toda a hierarquia infernal. O feito seria o mesmo 
que perguntar a Osama Bin Laden quais seriam os próximos ataques da Al-Qaeda. Você 
acredita que ele divulgaria tais informações? Agora, imagine Satanás, o pai da mentira, 
tornando conhecida toda a sua estratégia! Amado leitor, o Diabo não tem nada a nos 
ensinar. 
 
As Escrituras nos previnem de que nos últimos tempos pessoas obedeceriam a ensinos de 
demônios: “O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e 
seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios” (1 Timóteo 4.1). Apostasia 
significa “abandonar a fé”. No caso das pessoas que pregam tal teologia, como citamos 
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Ensino à Distância 
 
acima, a consequência é a mesma. A Bíblia reprova esse tipo de ensinamento, porque o 
Diabo é o pai da mentira.( João 8.44) 
 
SATANÁS É UM ATOR COADJUVANTE 
 
A Palavra de Deus é o nosso único referencial. Não podemos nos pautar em experiências 
humanas, muito menos em orientações demoníacas, porque, no que diz respeito às coisas 
espirituais, a autoridade máxima é a Palavra do Senhor: 
 
Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a 
correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente 
preparado para toda boa obra. 
 
Para estarmos aptos a fazer “toda boa obra”, é necessário o ensino, a instrução e a 
correção da Palavra. Deus recomendou a Josué que zelasse por viver totalmente de 
acordo com o Livro da Lei, sem nenhum desvio para a direita ou para a esquerda, a fim de 
que fosse bem-sucedido. 
 
Somente seja forte e muito corajoso! Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu 
servo Moisés lhe ordenou; não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, 
para que você seja bem-sucedido por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras 
deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente 
tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-
sucedido. 
 
Josué 1.7,8 
 
A Bíblia não oferece muitas informações sobre o Diabo, apenas o suficiente para 
compreendermos a sua atuação. É até explicável, já que o tema das Escrituras é a história 
da redenção do ser humano que caiu, por meio de Adão. Satanás é um ator coadjuvante: o 
enganador, o trapaceiro, o que instigou Eva a pecar. A causa da queda do homem foi a 
desobediência, cujos atores principais foram o casal Adão e Eva.( Gênesis 3) Eles podiam 
simplesmente ter repreendido a serpente e obedecido ao Senhor. Por isso, podemos tirar a 
seguinte conclusão: o pior inimigo do homem é o próprio homem. Os únicos que podem 
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Ensino à Distância 
 
destruir a nossa vida espiritual somos nós mesmos. Quem não tem amor o bastante para 
obedecer a Deus cai nas ideias e ciladas do Diabo. 
 
A ênfase da Palavra está no relacionamento do homem com o Criador, no relacionamento 
de fé e obediência. Quando destacamos demasiadamente o Inimigo, estamos 
endeusando-o, conferindo-lhe um valor que ele não tem nem merece. Isso o faz parecer 
poderoso e determinante, algo que ele também não é, pois é mentiroso e enganador. 
Determinante é alguém que define algo e faz com que as coisas aconteçam. Quem faz isso 
é Deus. De certo modo, também temos essa atitude quando somos desobedientes e 
praticamos ações erradas, pecando e prescrevendo assim a nossa própria queda. 
 
O QUE REALMENTE IMPORTA 
 
A Bíblia ensina na medida certa o que precisamos saber sobre o Adversário. Então, 
deixemos de lado as especulações, que só geram mistificações inúteis, como 
interrogatórios a demônios e outras ações do tipo. Isso desvia o nosso foco daquilo que de 
fato importa, que é a nossa relação com o Pai mediante a Palavra da Verdade. 
 
Deus é o Criador de todas as coisas e de todos os seres. É o Único que detém o poder de 
criação. Uma das leis científicas existentes afirma: “Na natureza nada se cria, nada se 
perde, tudo se transforma”.5 Realmente, depois que Deus criou não existe mais criação, 
apenas transformação, elaboração ou combinação dos elementos já formados. A Bíblia 
afirma no livro de Gênesis 1.31a: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado 
muito bom”. É provável que você então se pergunte: “Se tudo o que o Pai fez era bom, 
quem criou Satanás?”. A resposta é fácil: Deus o criou. Mas é necessário observar que o 
Senhor o criou como um ser bom, para servir diante dele, o Criador. O esclarecimento a 
ser feito aqui é que o Altíssimo criou o anjo que viria a ser quem conhecemos como 
Satanás para boas obras, mas ele possuía livre-arbítrio e escolheu tornar-se maligno. 
 
Deus é criador, o Diabo não. Logo, para fazer suas obras malignas, ele utiliza o que o 
Criador já fez, pervertendo o seu sentido pelo engano do pecado. Quando o Senhor criou o 
Jardim do Éden, confiou o governo desse local ao homem. Alguns dizem que o homem, na 
sua desobediência, entregou esse governo a Satanás. Na verdade, o governo foi tomado. 
O Diabo fez uso dos elementos da Criação para influenciar o homem, a quem Deus tinha 
dado autoridade sobre a natureza. Dessa forma, o Inimigo das nossas almas opera sobre a 
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Ensino à Distância 
 
Terra por intermédio das pessoas que, pelo pecado e o afastamento do Senhor, se deixam 
usar por ele. 
 
5 Frase atribuída ao químico francês Antoine Laurent Lavoisier (1743–1794), considerado 
o pai da química moderna. 
 
Se o homem tivesse permanecido em obediência, ainda estaríamos num local com as 
características do Éden, fazendo uso da natureza de maneira sábia. No entanto, quem 
destrói a Criação é o próprio ser humano, inspirado na sua corrupção pelo Maligno. O 
Diabo não tem poderes de, por exemplo, causar uma tempestade. Tal poder pertence a 
Deus. Porém, ele pode possuir uma pessoa e levá-la a cometer barbaridades ou pode 
enganar nações com falsas doutrinas. O poder do Inimigo é o do engano, utilizando os 
elementos da Criação. 
 
Após criar o mundo, o Altíssimo deu autoridade ao homem para governá-lo. O Diabo 
consegue agir neste mundo por meio do ser humano, pois como o Maligno não é deste 
mundo e não pode agir aqui, o faz por intermédio de alguém. E, justamente por causa 
disso, a Bíblia nos orienta a não dar espaço para o mal. 
 
MENTIRAS E VERDADES 
 
O texto-base deste capítulo, Marcos 5.1-14, que fala sobre o jovem endemoninhado, é 
usado para justificar uma série de erros sobre o assunto. Em todas as outras ocasiões em 
que Jesus e os discípulos expulsaram demônios, eles apenas disseram: “Em nome de 
Jesus, sai!”, ou utilizaram uma frase simples. Ninguém fez entrevista com o Diabo ou 
perguntou o nome dele. O registro bíblico mostra apenas essa situação no Evangelho de 
Marcos. Com base nesse texto, alguns afirmam que perguntar o nome do demônio dá 
autoridadesobre o espírito maligno. No entanto, essa era uma crença egípcia. Tanto que 
cada faraó, ao assumir o reino, se não gostasse do seu antecessor, apagava o seu nome 
para eliminar a sua autoridade e a sua influência. 
 
 
 
 
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Ensino à Distância 
 
 A questão de saber ou não o nome dos demônios ou a sua origem é totalmente 
desnecessária. A Bíblia Sagrada nos orienta a nem sequer pronunciar o nome deles: “Não 
invoquem os nomes dos seus deuses” (Josué 23.7b). O texto se refere aos falsos deuses. 
E alguns dos espíritos imundos ocupam essa posição. Não dizer o nome é para não dar 
popularidade a eles. Ou seja, no momento da libertação não é necessário dizer o nome de 
demônio nenhum, basta repreendê-lo no nome santo e poderoso de Jesus Cristo. 
 
O que deve ser feito é apenas identificar o motivo da possessão, como, por exemplo, 
espírito de prostituição ou espírito de mentira. Não existe nenhuma informação do Diabo 
que nos seja útil. O que ele diz não traz entendimento, pelo contrário, só confunde. O 
objetivo de Satanás pode ser expresso com a frase: “Falem mal ou falem bem, mas falem 
de mim!”. Então não dê notoriedade ao Inimigo ou faça qualquer divulgação dele. 
 
Quando Jesus chegou à província dos gerasenos, veio ao seu encontro um homem 
terrivelmente endemoninhado. Observe as características do rapaz: não morava em uma 
casa, vivia ao relento ou dentro de covas; andava sem roupas, gritando maldições e 
aberrações; feria-se com pedras e todo tipo de objeto; era totalmente antissocial, 
transtornado pela ação maligna que sobre ele estava. O primeiro fato espiritual aconteceu 
quando esse homem correu em direção a Jesus: “Que queres comigo, Jesus, Filho do 
Deus Altíssimo? Rogo-te por Deus que não me atormentes!”.( Marcos 5.7) Em outras 
palavras, os demônios estavam dizendo: “Não temos nada com você! Não nos atormente!”. 
O Diabo tem noção do plano do Senhor já revelado. O plano divino inclui o fato de que 
Satanás será lançado no lago de fogo e enxofre no Juízo Final.( Apocalipse 20.10-14) 
Todos os seguidores, obreiros e demônios de Satanás serão lançados no Inferno. Por isso, 
o clamor daqueles demônios era no sentido de que Jesus não os castigasse antes do 
Juízo Final. 
 
Outro ponto dessa passagem é que, após o clamor dos demônios, o Senhor Jesus os 
repreendeu: “Saia deste homem, espírito imundo!”.( Marcos 5.8) Em seguida, Jesus 
pergunta – e é nisso que muitos se baseiam: “Qual é o seu nome?”. “Meu nome é Legião”, 
respondeu ele, “porque somos muitos.”.( Marcos 5.9) O nome do demônio não era legião, 
mas se referia à quantidade deles. 
 
Por volta de 50 a.C., no tempo do imperador Júlio César, uma legião romana era composta 
de três mil homens. Porém, ao longo da história, a legião que fazia parte do exército de 
Roma oscilou entre dois mil e oito mil homens. O que Jesus estava fazendo era mostrar às 
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pessoas quanto alguém podia ficar endemoninhado. No entanto, é preciso ter em mente 
que as informações do Diabo nunca são confiáveis. 
 
“E implorava a Jesus, com insistência, que não os mandasse sair daquela região.” (Marcos 
5.10). Esse foi o pedido que os demônios fizeram a Jesus. O Diabo não é onipresente, ou 
seja, não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Quando alguém está 
endemoninhado, o espírito imundo não pode estar em outro lugar ao mesmo tempo. Só 
quem é onipresente é Deus. No tempo de Jesus, havia um conceito da existência de 
espíritos territoriais que dominavam regiões. Mas só Deus é dono e Senhor de toda a 
Terra. A Bíblia mostra que Israel, ao sair do Egito, tomou os territórios ao longo do 
caminho, e os povos foram derrotados e seus deuses destronados. Os povos 
testemunharam reconhecendo que Jeová era o dono de toda a Terra. O ato de lançar para 
fora da terra significava tomar o território, deixando uma parte do mundo livre de demônios. 
 
“Os demônios imploraram a Jesus: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles” 
(Marcos 5.12). Alguns podem pensar: “Ah, Pastor, tadinhos dos porcos!”. Porém, se 
observarmos o contexto histórico, veremos que esse fato aconteceu numa cidade em 
Israel, onde a maioria dos moradores era de estrangeiros que criavam manadas de suínos. 
E criação de porcos é uma abominação para os judeus, que consideram o animal imundo. 
 
Jesus, então, permitiu que os espíritos malignos entrassem naqueles animais. Em nenhum 
momento, o Mestre aceitou a resposta dos demônios, mas ordenou que eles entrassem 
nos suínos. O Senhor validou o fato de que o rapaz estava horrivelmente endemoninhado 
não pela palavra do Diabo, mas pela entrada dos espíritos naqueles animais. Os demônios 
não são onipresentes, por isso não é possível um mesmo demônio entrar em dez porcos 
ao mesmo tempo, mas muitos espíritos malignos podem entrar em um mesmo ser. 
 
Esse é o único caso bíblico em que o Mestre pergunta algo do tipo. Ele fez isso para 
mostrar quanto alguém pode ficar endemoninhado. Mas essa não é uma regra bíblica, até 
porque o Diabo nem mesmo confessou um nome, apenas algo relativo ao número. No 
entanto, muitos utilizam essa passagem para afirmar o conceito de que é preciso perguntar 
o nome do espírito maligno, e que desse modo se 
 
 
 
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ganha autoridade sobre ele. Mas onde está escrita tal afirmação? Talvez esteja escrito em 
algum papiro egípcio com mais de quatro mil anos, mas não na Bíblia! Tenha sempre em 
mente: nossa autoridade está no nome do Senhor Jesus. 
 
LIBERTAÇÃO X EXPULSÃO 
 
Outra prática equivocada, muito comum, é a invocação. Alguns começam os cultos já 
mandando sair determinados espíritos, pronunciando os nomes de vários deles. Essa 
prática é errada porque o nosso culto tem de ser para o Senhor. Devemos invocar é a 
presença de Deus. Caso aconteça alguma manifestação maligna, esta deve ser 
repreendida no nome de Jesus Cristo. Perguntar o que não precisa ser perguntado fragiliza 
a consciência das pessoas, porque alguns ficam com medo e acabam dando vazão a 
ações demoníacas. 
 
Não há credibilidade naquilo que Satanás fala, mas há valor no que Jesus Cristo fez. O 
Diabo é pai da mentira, por isso não lhe pergunte nada, caso contrário estará obedecendo 
a ensinamentos de demônios. Veja o que a Bíblia nos orienta: 
 
Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi 
homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando 
mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira. 
 
João 8.44 
 
A Palavra de Deus também fala sobre a estratégia maligna no texto bíblico de Mateus 
12.43,45a: 
 
Quando um espírito imundo sai de um homem, passa por lugares áridos procurando 
descanso. Como não o encontra, [...] Então vai e traz consigo outros sete espíritos piores 
do que ele, e, entrando, passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior 
do que o primeiro. 
 
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Particularmente, gosto de separar as expressões “expulsão de demônios” de “libertação”. 
Libertação vem pela Palavra de Deus, como Jesus afirmou: “E conhecerão a verdade, e a 
verdade os libertará” (João 8.32). Conhecer a verdade não é um processo intelectual, e sim 
de vivência. Se alguém conhece a verdade, num sentido profundo de intimidade, de 
possuí-la de fato, está liberto não só do poder do Diabo como também do pecado. A 
Palavra é libertadora. 
 
Quando falamos de expulsão de demônios, surge o pensamento equivocado de que 
devemos expulsar demônios apenas dentro das igrejas. A expulsão de demônios acontece 
da seguinte forma: se um espírito maligno se manifestar, deve ser repreendidoem o nome 
de Jesus Cristo. Não é preciso gritar, sacudir a cabeça da pessoa ou ficar nervoso. Basta 
ter autoridade espiritual. Podemos fazer isso em tom de voz baixo, porque se demônio 
tivesse medo de grito não passaria em frente a um estádio de futebol em dia de jogo. 
 
Quando um demônio é expulso de alguém e a pessoa não é discipulada e instruída na 
Palavra de Deus, o espírito maligno volta. “Então vai e traz outros sete espíritos piores do 
que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele homem torna-se pior do 
que o primeiro” (Lucas 11.26). Por isso a importância do ensino e de ser cheio da Palavra. 
 
Durante o culto, existem situações em que pessoas são libertas em meio à ministração da 
mensagem bíblica, sem manifestação demoníaca aparente. Em igrejas em que não existe 
a prática do ensino da Bíblia e da sua verdade, onde se dá prioridade apenas ao ato de 
expulsar espíritos imundos, nada é modificado na vida das pessoas. Isso acontece porque 
falta a ministração da Palavra da Verdade. 
 
Por que muitos líderes agem assim? Porque gostam do espetáculo e isso os faz parecer 
poderosos. Quando uma manifestação demoníaca acontece, a expulsão deve ser feita de 
maneira discreta, de preferência em local reservado, para que a pessoa não fique exposta 
e o fato não vire uma exibição. 
 
AUTORIDADE ESPIRITUAL 
 
Em uma ocasião, os discípulos não conseguiram expulsar o demônio de um menino. Veja 
o relato em Marcos 9.17-29: 
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E um, dentre a multidão, respondeu: Mestre, trouxe-te o meu filho, possesso de um espírito 
mudo; e este, onde quer que o apanha, lança-o por terra, e ele espuma, rilha os dentes e 
vai definhando. Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam. Então, 
Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos 
sofrerei? Trazei-mo. E trouxeram-lho; quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o 
agitou com violência, e, caindo ele por terra, revolvia-se espumando. Perguntou Jesus ao 
pai do menino: 
 
Há quanto tempo isto lhe sucede? Desde a infância, respondeu; e muitas vezes o tem 
lançado no fogo e na água, para o matar; mas, se tu podes alguma coisa, tem compaixão 
de nós e ajuda-nos. Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê. E 
imediatamente o pai do menino exclamou [com lágrimas]: Eu creio! Ajuda-me na minha 
falta de fé! Vendo Jesus que a multidão concorria, repreendeu o espírito imundo, dizendo-
lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai deste jovem e nunca mais tornes a ele. E ele, 
clamando e agitando-o muito, saiu, deixando-o como se estivesse morto, a ponto de 
muitos dizerem: Morreu. Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu, e ele se levantou. 
Quando entrou em casa, os seus discípulos lhe perguntaram em particular: Por que não 
pudemos nós expulsá-lo? Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de 
oração [e jejum]. 
 
Jesus disse à multidão que os discípulos não haviam conseguido expulsar o espírito 
demoníaco por causa da falta de fé. No entanto, ao ser questionado em particular, Jesus 
respondeu que aquela casta só poderia sair por meio da oração. No texto transcrito acima, 
as palavras “e jejum” estão entre colchetes. Isso significa que elas não fazem parte dos 
originais, sendo um acréscimo inserido. Em Mateus 17.14-21, onde esse episódio também 
está registrado, toda a frase está entre colchetes: “[Mas esta casta não se expele senão 
por meio de oração e jejum]” (v. 21). Porém, a instrução original do Senhor é: essa casta 
só pode sair por meio de jejum e da oração. Jesus estava falando de consagração e 
dedicação na oração. 
 
Se não formos pessoas dedicadas à oração, não teremos autoridade espiritual, porque 
esta não vem pela roupa que usamos ou pela entonação de nossa voz. A autoridade 
espiritual vem por meio da dedicação à oração, pela busca da intimidade com Deus. 
 
Existem situações em que alguém tenta expulsar um demônio e ele não sai. Quando isso 
acontece, pode ser que a pessoa supostamente “possessa” esteja querendo atrair a 
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atenção e a piedade dos irmãos, a fim de obter algum benefício em particular. Infelizmente, 
vi o fato acontecer muitas vezes. Em outros casos, o benefício que desejam é atrair a 
atenção por carência. Nessas situações, nem precisamos falar no nome de Jesus. Basta 
dizer: “Fulano, pare com isso e se levante!”. 
 
Em uma situação parecida, um certo Pastor que conheço falou para a pessoa que 
aparentava estar possessa: “Se continuar vou chamar a polícia!”. É impressionante como a 
pessoa parou de se contorcer e rapidamente se levantou. Quando se trata de um espírito 
demoníaco, este se submete à autoridade do nome de Jesus. Para o caso de um espírito 
maligno que não sai quando um cristão vai expulsá-lo, pode haver duas possibilidades. A 
primeira: o cristão não tem uma vida de oração e vive de maneira hipócrita; a segunda: o 
caso realmente não é uma questão de possessão espiritual. 
 
Deus nos deu autoridade: “Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões, 
e sobre todo o poder do inimigo; nada lhes fará dano” (Lucas 10.19). No entanto, 
precisamos ter sempre em mente que expulsão de demônios não é motivo de espetáculo, 
muito menos é o centro de um culto a Deus, nem mesmo um ministério. Porque os 
ministérios dados pelo Senhor são: “E ele designou alguns para apóstolos, outros para 
profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres” (Efésios 4.11). Logo, 
isso é o que devemos buscar. Por mais novo na fé que seja, o cristão tem autoridade sobre 
Satanás, pois este não tem poder e foi destituído na 
 
cruz do Calvário. Maior é Deus, que está em nós, do que aquele que está no mundo,( 1 
João 4.4) e isso é um fato. 
 
CONCLUSÃO 
 
Não temos de entrevistar demônios, muito menos buscar informações deles. Precisamos 
estar atentos quanto aos enganadores e mentirosos. A Bíblia nos garante que não há nada 
em oculto que não venha a ser revelado (Mateus 10.26) e que todo o poder da mentira cai, 
porque a Palavra de Deus é verdade e ela sempre prevalecerá. 
 
Jesus Cristo venceu e sua vitória foi arrasadora. O Inimigo está com seus dias contados, 
por isso não devemos temê-lo nem desejar aprender nada com ele. Temos que pregar o 
Evangelho, e se, por um acaso, ao longo de nossa caminhada cristã, cruzarmos com 
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algum demônio, basta expulsá-lo em o nome de Jesus Cristo. A Igreja não precisa ter 
medo, fazer espetáculo nem valorizar as atuações demoníacas, porque Cristo já triunfou. 
 
Quanto a nós, vivamos segundo a Palavra de Deus; preguemos o Evangelho da verdade, 
sem fantasias e mistificações. O papel da Igreja de Jesus Cristo não é promover 
espetáculo ou show de horrores, mas pregar as boas-novas da salvação. É ensinar e 
discipular as pessoas a andarem com Cristo, em obediência às Sagradas Escrituras. 
 
* * 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 2 
O CAMPO DE BATALHA 
 
PR. ADRIANO CONCEIÇÃO DA SILVA 
 
Ao raiar o dia 1° de setembro de 1939, as tropas da Alemanha nazista iniciaram a invasão 
da Polônia, tendo como objetivo principal a retomada de um território conhecido como 
“corredor polonês”, que ligava a Polônia ao Mar Báltico. A partir dessa ação alemã eclodiu 
um dos conflitos mais sangrentos da história: a Segunda Guerra Mundial. De 1939 a 1945, 
os países do eixo (Alemanha, Itália e Japão) e os aliados (Inglaterra, a extinta União 
Soviética, França e Estados Unidos e outros, como o próprio Brasil) se enfrentaramem 
diversas batalhas que produziram um terrível saldo de mais de 50 milhões de mortos e 
quase 30 milhões de mutilados. 
 
Iniciei este capítulo com a descrição de uma guerra travada entre humanos por perceber 
que muitos falam e ensinam sobre o tema “batalha espiritual” como se ele ocorresse 
exatamente do mesmo modo que acontecem as guerras em nosso mundo físico. 
 
Com pouco mais de duas décadas de caminhada cristã, já ouvi relatos de irmãos 
emocionados que afirmam ter visto anjos sangrando no meio da igreja após um embate 
ferrenho contra as hostes de Satanás, ou a visão do exército celestial frente a frente com o 
exército das trevas, prestes a se enfrentar, disputando o controle de um determinado 
território. 
 
Meu objetivo aqui não é o de ridicularizar as experiências de irmãos sinceros, mas ampliar 
a visão que temos sobre batalha espiritual, porque na maior parte das vezes este conflito é 
travado de uma maneira totalmente silenciosa e bem menos spielberguiana do que se 
possa imaginar. Todavia, isso não significa que esta guerra seja menos séria, que 
possamos vencê-la com meia dúzia de jargões evangélicos ou que seus efeitos possam 
ser menos maléficos. Pelo contrário, quanto mais sutis forem as investidas do Inimigo, 
mais preparo e vigilância para vencer seus ardis o cristão deverá ter. 
 
 
 
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A BATALHA NA MENTE 
 
Embora pese pouco mais de um quilo, o cérebro humano é o mais complexo e organizado 
arranjo de matéria que existe em todo o planeta. Tem em média 100 bilhões de neurônios 
(com cerca de 100 trilhões de conexões), que, em conjunto, conseguem realizar tarefas 
com mais eficiência do que os supercomputadores mais poderosos que existem na 
atualidade. O número de ligações entre os neurônios de um único cérebro humano é 
superior ao número de todos os computadores do planeta que estão ligados hoje à rede 
mundial de computadores – a Internet. A maioria dos cientistas dos nossos dias concorda 
que o cérebro é o órgão que coordena o funcionamento do restante do corpo, incluindo o 
funcionamento até do coração. 
 
Em toda a sua complexidade e importância, o cérebro humano – que podemos traduzir por 
“mente”, em seus aspectos relacionados ao pensamento 
 
– é o palco principal onde o cristão trava sua batalha contra Satanás e o seu império. É por 
isso que o sábio Salomão, inspirado por Deus, escreveu o texto de Provérbios 4.23, que 
diz: “Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida”. 
 
É importante compreendermos que, para os hebreus, a palavra “coração” era usada para 
designar a sede dos pensamentos, dos sentimentos e da vontade humana. Por essa 
razão, algumas traduções da Bíblia substituem a palavra “coração” pela palavra 
“pensamento”. Então, esse mesmo texto de Provérbios poderia ser escrito assim: “Acima 
de tudo, guarde os seus pensamentos, pois deles depende toda a sua vida”. 
 
Pelo fato de nossa vida depender do tipo de pensamento que desenvolvemos (que 
produzimos), Satanás, que é um ser muito inteligente e conhece o ser humano de maneira 
profunda, busca “lançar suas sementes” na mente humana para que o homem pense, aja e 
reaja de acordo com a sua vontade. Quero deixar bem claro que estou me referindo à 
mente do cristão, que, por pertencer a Cristo, não pode ser invadida pelo maligno e por 
nenhum de seus súditos. A mente do cristão se torna um verdadeiro campo de batalha 
porque o trabalho paciente e incansável do Diabo é o de tentar manipulá-la por meio de 
pensamentos errados, impressões equivocadas e desejos distorcidos. O objetivo do 
Adversário é que o servo de Deus seja totalmente derrotado ou pelo menos viva abaixo 
das expectativas que o Senhor tem para a sua vida. 
 
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Sim, a mente humana é o maior campo da batalha espiritual entre os homens e os 
demônios. 
 
O apóstolo Paulo, em 2 Coríntios 5.19,20, fez a seguinte declaração: “...Deus em Cristo 
estava reconciliando consigo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens, e 
nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como 
se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio...”. 
 
Que declaração extraordinária! Primeiro fomos reconciliados com Deus, pois estávamos 
separados dele em virtude do pecado. Depois, recebemos a missão de proclamar ao 
mundo que seu relacionamento com Deus também pode ser restabelecido. É pelo fato de 
conhecer essa missão, que se aplica a todos os filhos de Deus, que o Adversário ataca 
com tanta voracidade a mente de homens e mulheres que querem experimentar e 
comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. 
 
O EXEMPLO DE ELIAS 
 
A Bíblia registra em 1 Reis 19.1-9 o seguinte relato: 
 
Ora, Acabe contou a Jezabel tudo o que Elias tinha feito e como havia matado todos 
aqueles profetas à espada. Por isso Jezabel mandou um mensageiro a Elias para dizer-
lhe: “Que os deuses me castiguem com todo o rigor, se amanhã nesta hora eu não fizer 
com a sua vida o que você fez com a deles”. Elias teve medo e fugiu para salvar a vida. 
Em Berseba de Judá ele deixou o seu servo e entrou no deserto, caminhando um dia. 
Chegou a um pé de giesta, sentou-se debaixo dele e orou, pedindo a morte. “Já tive o 
bastante, Senhor. Tira a minha vida; não sou melhor do que os meus antepassados.” 
Depois se deitou debaixo da árvore e dormiu. 
 
De repente um anjo tocou nele e disse: “Levante-se e coma”. Elias olhou ao redor e ali, 
junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele 
comeu, bebeu e deitou-se de novo. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e disse: “Levante-
se e coma, pois a sua viagem será muito longa”. Então ele se levantou, comeu e bebeu. 
Fortalecido com aquela comida, viajou quarenta dias e quarenta noites, até chegar a 
Horebe, o monte de Deus. Ali entrou numa caverna e passou a noite. 
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Elias foi levantado como profeta da nação de Israel em um dos períodos mais críticos da 
História. O rei Acabe e sua esposa, Jezabel, mergulharam o povo de Deus em uma era de 
profunda idolatria. Baal, o deus da fertilidade dos fenícios, tornou-se o “deus da nação”. 
Além disso, os verdadeiros profetas estavam sendo assassinados e a Palavra do Senhor 
era totalmente desprezada. 
 
Elias surge nesse contexto da história de Israel como alguém levantado por Deus para 
confrontar os pecados da liderança da nação e trazer o povo de volta para o verdadeiro 
Deus. 
 
Antes dos episódios narrados no capítulo 19, Elias vivenciou experiências fantásticas com 
Deus: profetizou que viria seca sobre a terra e que só voltaria a chover quando ele 
determinasse (e assim se cumpriu a palavra), viu Deus multiplicar a farinha e o azeite de 
uma viúva, ressuscitou o filho único da viúva e venceu de forma esmagadora os 450 
profetas de Baal. Depois de todas essas grandiosas experiências, Elias fugiu como um rato 
diante da ameaça de Jezabel e cometeu pelo menos outros três erros que não devemos 
praticar no momento de perseguição: 
 
a) Elias buscou o isolamento; 
 
b) Elias desistiu da vida; 
 
c) Elias foi tomado por um sentimento de autocomiseração. 
 
O que aconteceu com o grande profeta Elias? Por que de uma hora para outra caiu em tão 
profunda depressão? Ele vivenciou o maior desafio do seu ministério profético: vencer a 
guerra espiritual que estava sendo travada em sua mente. Satanás tentou paralisá-lo pelo 
simples fato de que ele era um dos poucos remanescentes que estavam sabotando os 
planos do Inimigo naqueles dias. 
 
Aquele ataque de Satanás contra o profeta só foi desfeito porque o próprio Deus foi ao 
encontro de Elias pararestaurá-lo daquela condição. Agora observe bem as palavras do 
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Senhor para um homem que tinha aceitado o conselho mentiroso do Diabo de que sua 
vida e missão tinham chegado ao fim: “O Senhor lhe disse: ‘Volte pelo caminho por onde 
veio, e vá para o deserto de Damasco. Chegando lá, unja Hazael como rei da Síria. Unja 
também Jeú, filho de Ninsi, como rei de Israel, e unja Eliseu, filho de Safate, de Abel-
Meolá, para suceder a você como profeta” (1 Reis 19.15,16). Para quem pensava que 
estava tudo acabado, Deus mostra a Elias que ele ainda seria canal da unção de Deus 
para muitas pessoas. 
 
EXEMPLOS ATUAIS 
 
Assim como os servos de Deus do Antigo e do Novo Testamentos, os cristãos ao longo de 
mais de 2 mil anos de História da Igreja travaram ferozes batalhas contra o Inferno em 
suas mentes. Ainda hoje, o Maligno tem se dedicado de maneira silenciosa à “arte” de 
minar a mente de homens e mulheres, para que não se cumpra o propósito de Deus em 
suas vidas. 
 
Certa vez, um pregador da Palavra muito amigo telefonou-me pela manhã cedo. Ele estava 
internado e, embora soubesse que aquela enfermidade não era para sua morte, 
necessitava que eu orasse por ele, porque sentia uma opressão terrível em sua mente. Era 
como se o Diabo estivesse dizendo: “Você vai morrer. Não adianta crer em Deus. Você 
está no fim da linha”. Dias depois do incidente, o irmão recebeu alta médica e voltou a 
exercer suas atividades ministeriais sem grandes restrições, para a glória de Deus. 
 
Em outra ocasião, fui procurado por um irmão em Cristo, que era casado. Segundo suas 
próprias palavras, a esposa era muito dedicada. O seu problema era uma repentina paixão 
por uma colega de trabalho que passou a dominá-lo, a ponto de querer se divorciar e viver 
aquela aventura, que, por sinal, ele reconhecia como errada. Depois daquele encontro, 
nunca mais vi o irmão. Não sei qual foi a sua decisão, mas sei que o Diabo o atacou na 
mente, pois foi gerado em seu coração um sentimento equivocado que só poderia causar 
destruição para os envolvidos. 
 
O propósito do Inimigo em relação ao ser humano está registrado no conhecido texto de 
João 10.10: “O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir...”. Ser bem-sucedido em 
seus planos de roubo, morte e destruição contra um cristão traz um sabor de satisfação 
muito maior para Satanás. 
 
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Diante disso, será que há como vencer a guerra espiritual na mente? A Bíblia nos instrui 
em como lutar e vencer esse tipo de conflito? A resposta é sim. Quem sabe você esteja 
vivendo essa batalha no exato momento em que lê as páginas deste livro. Vamos aprender 
então princípios da Palavra que o ajudarão a prevalecer contra os ataques malignos à sua 
mente. Nunca se esqueça das palavras registradas pelo apóstolo Paulo em Romanos 8.31: 
“Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?”. 
 
COMO VENCER A BATALHA ESPIRITUAL NA MENTE? 
 
Vivemos em um tempo em que a maioria das pessoas busca respostas rápidas e 
superficiais para todos os seus questionamentos. Mas esse não é o objetivo deste livro. 
Por essa razão, você não vai receber uma “receita” de como vencer a guerra espiritual na 
mente. O que vamos fazer é analisar seis princípios com base na Palavra de Deus a fim de 
que estejamos bem preparados para a peleja. 
 
1. Precisamos de visão equilibrada a respeito do Inimigo 
 
Esse não é um princípio específico sobre a guerra espiritual na mente, mas um princípio 
geral que deve nortear a vida do cristão em todos os momentos. O equilíbrio é 
fundamental, porque grande parte da liderança evangélica assume uma postura radical ao 
lidar com o tema “batalha espiritual”. 
 
De um lado estão aqueles que promovem Satanás à condição de clone de Deus. Eles 
falam do Inimigo como se fosse páreo para o Altíssimo, como se o Criador do Céu e da 
terra estivesse “suando a camisa” para não perder o trono para o Diabo. Isso é um terrível 
e grande engano. Porque o Senhor é o grande El Shadai – o Deus que tem todo o poder –, 
aquele que não tem rival. O rei Davi expressou essa verdade em 1 Crônicas 29.11: “Teus, 
ó Senhor, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há 
nos céus e na terra é teu. Teu, ó Senhor, é o reino; tu estás acima de tudo”. Os quatro 
seres viventes declaram dia e noite diante do trono de Deus: “... Santo, santo, santo é o 
Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir” (Apocalipse 4.8). 
Nunca superdimensione o poder das trevas. Há cristãos e igrejas que falam mais nos feitos 
e no poder do Diabo do que no Deus eterno. Satanás diante de Deus não passa de um 
“ratinho com um megafone”; ele é um ser criado que tem seus dias de maldade contados, 
pois já está condenado. 
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O outro extremo, não menos perigoso, é ocupado por aqueles que afirmam que o Diabo é 
um derrotado e que não precisamos nos preocupar com ele. Para esses líderes, o nome 
do Adversário é humilhado e frequentemente usado em piadinhas nos púlpitos. Porém, a 
Bíblia não nos ensina a nos posicionarmos dessa maneira. Observe o que a Palavra afirma 
sobre o assunto em dois textos bastante conhecidos: 
 
Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês. 
 
Tiago 4.7 
 
Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e 
procurando a quem possa devorar. 
 
1 Pedro 5.8 
 
Da mesma forma, nunca subestime o poder das trevas. Cristãos estão perdendo 
importantes batalhas na vida espiritual porque entendem que o Diabo é um “cão morto”, 
inofensivo e até engraçado. A verdade é bem outra. Nosso adversário é inteligente e cruel. 
Por isso é importante o devido preparo para vencê-lo. 
 
2. Precisamos ocupar a mente com as coisas do alto 
 
Para que as ideias, as sugestões e os sentimentos semeados pelo Maligno não se alojem 
em nossa mente, precisamos ocupá-la ao máximo com as coisas de Deus. Paulo ensinou 
duas importantes verdades sobre o tema: 
 
Finalmente, irmão, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, 
tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de 
excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas. 
 
Filipenses 4.8 
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Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde 
Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e 
não nas coisas terrenas. 
 
Colossenses 3.1,2 
 
A mente humana funciona como uma esponja que absorve tudo o que vemos, ouvimos e 
percebemos. Uma cena forte de violência ou um acidente pode ficar registrado em nossa 
memória por muito tempo, talvez por toda a nossa vida. Sendo assim, precisamos 
selecionar muito bem aquilo a que assistimos, como também o que lemos e ouvimos. 
Precisamos “alimentar”, municiar nossa mente com o que edifica. O apóstolo Paulo deixa 
bem claro que aquele que serve a Deus deve preencher a mente com o que agrada ao 
Senhor. 
 
Nos últimos anos, tem crescido o número de cristãos que procuram sua liderança para 
confessar pecados relacionados ao vício de pornografia, seja pela internet, por filmes ou 
revistas. Casamentos estão sendo desfeitos e muitas pessoas têm se tornado reféns de 
pensamentos pervertidos. 
 
Também cresce o sucesso de programas de TV em que os participantes ficam presos em 
uma casa, vigiados por câmeras 24 horas por dia. Coisas simples do cotidiano, como 
escovar os dentes ou tomar banho, podem ser observadas pelos telespectadores. O triste 
éque o sucesso de tais programas é garantido por meio de apelo sexual, além de brigas e 
fofocas entre seus participantes. O mais triste é que muitos cristãos perdem seu tempo 
sagrado inserindo esse lixo em suas mentes, quando poderiam usar o mesmo tempo em 
oração ou meditação nas Escrituras Sagradas. 
 
Precisamos entender nossa mente como um campo, que, para produzir bons frutos (bons 
pensamentos), necessita que toda erva daninha seja arrancada e somente boas sementes 
sejam plantadas. 
 
De vez em quando alguém me faz a seguinte pergunta: “Pastor, é pecado ver novela?” Ou: 
“Posso ouvir música não cristã?”. Como disse anteriormente, as pessoas querem 
respostas prontas: pode ou não pode, sim ou não. Mas, para tristeza de alguns, respondo: 
“Você tem que saber se isso acrescenta algo ao seu intelecto ou à sua espiritualidade”. 
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Minha resposta é sincera, porque creio que nem toda música não evangélica seja nociva e 
que ainda existem raros, mas bons programas de TV, assim como existem músicas, 
pregações, livros e debates ditos evangélicos que trazem ensinamentos completamente 
estranhos à Palavra de Deus e que devem ser rejeitados. 
 
Quando era recém-convertido, ouvi uma ilustração de sermão que nunca esqueci. O Pastor 
disse que um homem muito esperto tinha dois cães, um preto e um branco. Então ele 
alimentava o cão branco e deixava o outro com fome por dias. Ele levava os dois animais 
para a praça principal de uma cidade e os punha para brigar. Obviamente, o cachorro 
branco espancava o preto. Dias depois, voltava para a mesma praça, porém agora o cão 
preto era que estava alimentado. O dono dos cães estava aceitando apostas. O que 
acontecia? As pessoas apostavam no cachorro branco, mas agora era o preto que dava 
uma surra e o povo perdia grande soma de dinheiro para o dono dos cães. 
 
Apesar de simples, o objetivo da ilustração é mostrar que o espírito tem de estar bem 
alimentado para vencer as inclinações da carne. Sem dúvida alguma, a ilustração também 
serve para pensarmos na mente, pois precisamos que ela seja alimentada – preenchida 
pelas coisas celestiais – para que as sementes malignas não sobrevivam no “campo” da 
nossa mente. 
 
3. Precisamos ter a mente constantemente renovada 
 
Em Romanos 12.2 está escrito: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas 
transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e 
comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Outro princípio fundamental para 
que a batalha 
 
travada na mente seja vencida é a sua renovação constante pelos valores do Reino de 
Deus, para que tudo o que for contrário à Palavra de Deus seja automaticamente 
rechaçado. 
 
O apóstolo Paulo afirma em 1 Coríntios 2.16 que temos a mente de Cristo. Ter a mente de 
Cristo significa ter os pensamentos, os valores e os sentimentos semelhantes aos do 
Senhor Jesus. Não há cirurgia humana que possa nos fazer adquirir a mente de Cristo ou 
de qualquer outra pessoa. O milagre de possuir a mente de Cristo só acontece por dois 
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processos: o novo nascimento (João 3.3-6), que ocorre quando entregamos nossa vida a 
Cristo e recebemos a sua natureza, e o lavar purificador da Palavra de Deus (Efésios 
5.26). 
 
Vivemos em um mundo que jaz no Maligno. Os níveis de moralidade, caráter e 
espiritualidade são cada vez mais baixos. Apenas com a mente impregnada da Palavra do 
Senhor o ser humano consegue se manter fiel a Deus. É por isso que o salmista dá um 
importante conselho aos jovens: “Como pode o jovem manter pura a sua conduta? Vivendo 
de acordo com a tua palavra” (Salmos 119.9; grifo do autor). 
 
O cristão terá condições de rejeitar todos os manjares deste mundo apenas se a sua 
mente estiver encharcada com a Palavra de Deus. Só a mente sã poderá rejeitá-los sem 
titubear. 
 
Um grande amigo muito jovem estava com um grupo de colegas estudantes, quando foi 
convidado a participar de uma orgia sexual. Ele imediatamente rejeitou “a oferta” por ser 
cristão. Mas o colega contra-argumentou: “Não tem ninguém da sua igreja vendo”. E o 
rapaz prontamente respondeu: “Mas o meu Deus está aqui comigo”. 
 
Foi com a mente impregnada da Palavra que Jesus venceu a mais terrível batalha na 
mente: a tentação no deserto (Mateus 4.1-11). Ele estava com fome e o Diabo 
pessoalmente o tentou. Mas em todas as investidas Jesus declarou: “Está escrito”. 
 
Não é de estranhar o fato de vermos tantos líderes espirituais caindo em adultério e tantos 
cristãos com comportamento duvidoso. A geração de cristãos da atualidade é a que 
investe menos tempo em oração e meditação na Palavra de Deus, por isso tantas derrotas 
no seio da Igreja. 
4. Precisamos ter discernimento espiritual 
 
O quarto princípio para se vencer a batalha na mente é o discernimento espiritual. 
Discernimento significa “saber a diferença”, “perceber com clareza”. Nesse contexto de 
guerra espiritual, significa a capacidade de identificarmos quando é o Inimigo que está 
atacando nossa mente. 
 
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Em muitas ocasiões, não é necessário uma grande percepção para identificarmos os 
ataques de Satanás. Por exemplo: em uma das mensagens sobre o Apocalipse, pregadas 
pelo saudoso Bispo Roberto McAlister, ele narra a experiência de um pastor sul-africano 
que veio pregar no Brasil e se sentiu fortemente oprimido por um espírito de prostituição. O 
homem se trancou no quarto do hotel e ligou para o seu país, pedindo oração aos irmãos 
de sua igreja. Embora a experiência desse pastor tenha sido intensa, isso não exigiu dele 
grande discernimento em perceber a origem maligna daquilo que vivenciou. 
 
Outro exemplo: em 1996, fui convidado pelo Pastor Jorge Duarte, da Igreja Cristã Nova 
Vida (ICNV) Mesquita, no Rio de Janeiro, para assumir a liderança da Geração Ação, como 
chamamos na denominação o grupo de jovens, daquela igreja local. Aceitei de imediato a 
convocação, apesar de entender que era um grande desafio em minha vida. Só que, a 
partir daquele momento, minha mente passou a ser bombardeada por um pensamento 
sutil. Não foi simplesmente uma reação normal de medo ou insegurança diante de um 
desafio. Comecei a acreditar que Deus estava me direcionando a não aceitar a liderança 
da juventude da igreja. Fiquei convicto de que deveria agradecer ao Pastor pela confiança 
e informá-lo de que o meu chamado era para cooperar apenas nos bastidores. Além do 
mais, faltavam-me conhecimento, maturidade e tempo. 
 
Tudo parecia indicar que a decisão era sensata e acima de tudo dada por Deus. Nunca fui 
tímido, muito menos sou de fugir dos desafios da obra do Senhor. O problema é que 
“parecia” que Deus estava me orientando a tomar tal decisão. 
 
Em nossos dias, quantos irmãos sinceros (não estou falando de líderes sem caráter) 
recebem a “revelação de Deus” de sair de sua igreja e fundam um ministério, 
enfraquecendo a igreja de origem e gerando ressentimentos terríveis. Enganados por 
Satanás, afirmam: foi a vontade do Senhor. 
 
Um detalhe muito importante acendeu uma luz de alerta dentro de mim. Eu sabia que 
decisões alinhadas com a vontade de Deus trazem paz ao coração. E, ao invés de paz, eu 
sentia uma angústia muito grande. Então decidi ficar quieto e continuar orando. A oração 
nos põe face a face com Deus e cara a cara com o Maligno. Logo, a mentira do Inimigo se 
dissolveu. Minha mente se abriu e consegui discernir que Deus me chamava para aquela 
obra. 
 
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Até hoje ouço testemunhos de pessoas que foram abençoadas naquela época. Ali também 
descobri que Deus me escolhera para ser um Pastor.Quantas coisas o Senhor fez por 
mim e por meu intermédio que poderiam ter sido descartadas caso me faltasse a 
sensibilidade espiritual para perceber o que Deus queria realizar. A Bíblia afirma em 1 
Coríntios 2.15: “Mas quem é espiritual discerne todas as coisas...”. 
 
Vivemos dias de grande confusão, a maioria das pessoas (inclusive cristãs) vive sem 
direção: guiados por seus sentimentos, pela mídia e pelo próprio Satanás. Mas o apóstolo 
Paulo ensina aos irmãos da igreja de Corinto que aqueles que são espirituais não serão 
ludibriados, pois conseguirão discernir todas as coisas. A promessa não é para todos os 
religiosos, tampouco para todos os membros de uma igreja, mas para aqueles que são 
espirituais, ou seja, aqueles que crucificam sua carne e são guiados pelo Espírito Santo. 
 
5. Precisamos ter autoridade espiritual 
 
As últimas palavras que Jesus proferiu antes de ser elevado aos céus estão registradas em 
Marcos 16.15-18: “...Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. 
Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes sinais 
acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 
pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; 
imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados”. 
 
Jesus deu uma ordem aos seus discípulos e prometeu que lhes daria autoridade (ou 
poder). Em Atos 1.8, Lucas também registra uma das últimas palavras de Jesus antes da 
ascensão: “Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão 
minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da 
terra”. 
 
Que tipo de poder é esse que prometeu nos dar? Seria algum tipo de poder político ou 
financeiro? Ou será que estava querendo dizer que seríamos superiores aos reles mortais? 
Na verdade, Jesus nos prometeu poder para: 
 
a) Testemunharmos dele; 
 
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b) sermos usados para realização de sinais e maravilhas; 
 
c) repreendermos toda fúria do Inferno. 
 
Dentro do contexto de batalha espiritual na mente, o cristão não só pode, como deve, se 
levantar com autoridade contra as forças do Inferno. Não há o que temer, pois a Bíblia é 
clara quanto ao papel do cristão em relação a Satanás. Vejamos três referências bíblicas 
que falam sobre o assunto: 
 
a) Mateus 16.18: “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a 
minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la”; 
 
b) Tiago 4.7: “Portanto, submetam-se a Deus. Resistam ao Diabo, e ele fugirá de 
vocês”; 
 
c) 1 João 4.4: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está 
em vocês é maior do que aquele que está no mundo”. 
 
Muitos aceitam passivamente a tirania de Satanás, vivendo constantemente debaixo de 
pressão e com a mente confusa, como consequência de toda uma engenharia infernal 
para dirigi-la ou pelo menos perturbá-la. A vitória de um cristão começa na mente (Saiba 
mais em ZÁGARI, Maurício, A Verdadeira Vitória do Cristão. Rio de Janeiro: Anno Domini, 
2012) e Satanás sabe disso, porque nossos pensamentos determinam quem nós somos e 
em que cremos. É na mente que determinamos servir a Cristo ou ao mundo, fazer a 
vontade de Deus ou a nossa, sermos cheios do Espírito Santo ou vivermos uma 
espiritualidade rasa. 
 
Com Cristo tenho aprendido diante de ataques tenebrosos a não me intimidar, a não 
aceitar os abusos do Maligno. Quando assumi a liderança da ICNV Chatuba, no município 
de Mesquita (RJ), durante semanas fui assolado com pesadelos em que demônios me 
sufocavam ou eu era espancado e ameaçado de morte. Acordei diversas vezes com o 
coração acelerado, como se tivesse acabado de participar de uma maratona. 
 
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Um dia, no meio dessa batalha, levantei-me e abri a boca, não para clamar a Deus, pois 
minhas palavras foram endereçadas ao Inferno. Eu disse: “Satanás, minha vida pertence 
ao Senhor Jesus, aquele que te derrotou na cruz do Calvário. Por isso, querendo você ou 
não, aquilo que o Todo-Poderoso tem para realizar por meio da minha vida naquele lugar 
vai se cumprir”. Apesar das lutas e outros ataques que tenho sofrido, sei em quem tenho 
crido e sei que Ele me deu autoridade para prevalecer no mundo espiritual. 
 
6. Precisamos de parceiros de oração (de intercessores) 
 
O sexto e último princípio é a necessidade de buscarmos ter parceiros de oração. 
Geralmente valorizamos isso por parte de nossos líderes, mas entre o povo é muito 
importante que se crie o compromisso de oração mútua. É o que nos ensina a Palavra de 
Deus em Tiago 5.16: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns 
pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz”. 
 
Uma das marcas da sociedade pós-moderna é o individualismo, aquela lógica de “cada um 
por si e Deus por todos”. A Igreja inclusive tem incorporado tal filosofia, pois muitos fazem 
parte de alguma comunidade de fé e não se relacionam com outros: por opção ou porque 
são completamente ignorados pelos irmãos. 
 
A Igreja precisa restaurar o verdadeiro conceito de unidade, pois somos membros uns dos 
outros. Embora a salvação seja pessoal, a bênção de Deus é ordenada quando vivemos 
em união (Salmo 133). 
 
O texto de Tiago 5.16 chega a ser surpreendente em nossos dias. Somos curados quando 
há confissão e oração mútua. Tenho experimentado a veracidade desse texto, pois me 
reúno regularmente com outros seis pastores (além das reuniões semanais do Presbitério 
da ICNV) para momentos de oração e encorajamento. 
 
A batalha espiritual na mente pode ser vencida quando dividimos nossa dificuldade com 
outros cristãos que possam nos apoiar em oração. 
 
CONCLUSÃO 
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O objetivo deste capítulo é abrir os nossos olhos e apresentar alguns princípios que podem 
nos ajudar a vencer a guerra espiritual. Você que deseja vencer essa luta, que tem como 
principal campo de batalha a mente humana, ore a Deus, declarando em o nome de Jesus 
que seus pensamentos serão totalmente controlados pelo Senhor. Peça perdão pelas 
vezes que você permitiu que eles se tornassem contrários à Palavra de Deus. Consagre a 
sua mente ao Senhor. Ele o ajudará a pensar como Jesus pensa e, consequentemente, a 
agir como Ele age. 
* * * 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 3 
A ARMA PRINCIPAL DA BATALHA 
 
PR. LUIZ FERNANDO MARTINS 
 
Usem... a espada do Espírito, que é a palavra de Deus. 
 
Efésios 6.17 
 
Quando falamos sobre vencer a batalha espiritual na mente, aprendemos que as 
estratégias para obter essa vitória advêm da Palavra de Deus. O sucesso de grandes 
homens de Deus resume-se simplesmente ao fato de que eles ouviram e obedeceram às 
Sagradas Escrituras. Jesus afirmou que é impossível que a sua Palavra falhe: “Os céus e a 
terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão” (Mateus 24.35). Por essa razão, 
torna-se impossível ser vitorioso nos embates contra o Inimigo se não dermos a devida 
importância às Escrituras. A parábola do semeador exemplifica bem essa questão de não 
priorizarmos a Palavra. 
 
O semeador saiu a semear. Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do 
caminho, e as aves vieram e a comeram. Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não 
havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, 
as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz. Outra parte caiu entre 
espinhos, que cresceram esufocaram as plantas. [...] Quando alguém ouve a mensagem 
do Reino e não a entende, o Maligno vem e lhe arranca o que foi semeado em seu 
coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. Quanto ao que foi semeado em 
terreno pedregoso, este é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria. Todavia, 
visto que não tem raiz em si mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma 
tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona. Quanto ao que foi 
semeado entre os espinhos, este é aquele que ouve a palavra, mas a preocupação desta 
vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera. 
 
Mateus 13.3-7,19-22 
 
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Ouvir, entender e obedecer. Há uma prática cristã chamada lex orandi que fala exatamente 
sobre isso. Lex se refere à questão de que a pessoa, além de ouvir ou ler, deve entender e 
pôr em prática. Trata-se de observar a Lei de Deus, meditar na sua Palavra e obedecer ao 
que está escrito nela. Muito importante na cristandade antiga, essa prática foi deixada de 
um tempo para cá. Os cristãos hoje não meditam mais na Bíblia Sagrada. Alegram-se 
muito com ela, mas meditam pouco em suas palavras. Muitas vezes, a mensagem é bem 
aceita na igreja, porém em casa ela não existe, não serve para nada. É por falta dessa 
prática que muitos servos de Deus abandonam a fé cristã ou até mesmo usam as 
Escrituras para defender um ensinamento antibíblico. 
 
Conforme a parábola mencionada, quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a 
compreende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado em seu coração (v. 19). Essa 
passagem faz referência àquele que ouviu a mensagem do Evangelho com descaso. São 
as pessoas que até vão à igreja, mas não têm compromisso. Elas ouvem, mas não 
praticam. Além disso, estão muito longe de compreender que o Diabo faz de tudo para 
roubar do nosso entendimento a semente da Palavra. Já vimos que existe uma batalha 
que se trava em nossa mente. Por isso mesmo, não podemos ignorar o fato de que 
existem espíritos malignos que rondam os nossos pensamentos. 
 
A parábola do semeador também nos adverte da prioridade que precisamos dar à Palavra 
de Deus. Às vezes, priorizamos mais as práticas religiosas. Por exemplo, quando algo 
muito ruim acontece, todo bom religioso vai logo dobrar os joelhos e orar. Ou então pede 
para alguém fazer uma oração e até jejuar. Lembro-me de certa vez que perdi meus 
óculos. Fazia pouco tempo que os tinha comprado e meu pai ainda estava pagando. Como 
orei para recuperá-los! Fiquei apavorado com a ideia de ter que contar aos meus pais o 
que havia acontecido. Eu nunca orava e não gostava de orar, muito menos de ler a Bíblia, 
mas naquele dia não parei de orar quando cheguei à igreja. Suei a camisa de tanto que 
orei e supliquei por misericórdia. 
 
Esse é um exemplo simples de como muitos só se voltam para o Senhor quando estão 
enfrentando dificuldades. Priorizamos o relacionamento com Deus quando nos vemos em 
aperto. Buscamos Sua presença em oração e Sua orientação na Palavra quando estamos 
em situações difíceis. Isso é um problema, pois, quando não priorizamos as Escrituras, 
também ficamos em segundo plano. Deus passa a priorizar a nossa vida quando Sua 
Palavra também é prioridade em nosso viver. 
 
 
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A CENTRALIDADE DAS ESCRITURAS 
 
O apóstolo Paulo, em Romanos 10.16, fez uso das palavras do profeta Isaías quando 
disse: “No entanto, nem todos os israelitas aceitaram as boas-novas. Pois Isaías diz: 
‘Senhor, quem creu em nossa mensagem?’”. Há pessoas que de fato não dão a menor 
importância à mensagem do Evangelho, à Palavra do Senhor. Além disso, há uma prática 
no meio cristão de somente dar atenção a uma palavra que é agradável de ouvir. Porém, 
nem sempre a Palavra de Deus virá da forma como gostamos de escutar. Certa vez, um 
Pastor disse que havia coisas na Bíblia que ele não gostava de ouvir ou ler, mas que eram 
necessárias. 
 
Todo conselho que não tem a Bíblia como centro não é confiável. Se desejarmos ser bem-
sucedidos em qualquer luta contra o nosso Adversário, precisamos buscar orientação nas 
Escrituras. Muitas vezes queremos que Deus fale conosco usando o pregador, quando na 
verdade poderíamos ouvir a Sua voz por intermédio de Sua Palavra. Deus pode falar 
conosco no silêncio do nosso quarto. Não daremos prioridade simplesmente porque foi no 
silêncio? Sabe por que muitas vezes não vemos Deus agir em nossas vidas? Por falta da 
Palavra de Deus. Oraremos quanto for necessário, mas se a Bíblia não tiver prioridade, de 
nada adiantará. Precisamos deixar de esperar Deus falar conosco somente na pregação. A 
simples leitura da Bíblia pode trazer a resposta certa para as nossas indagações, o milagre 
que tanto esperamos, a estratégia que realmente destruirá os propósitos de Satanás. 
 
Sendo assim, cabe aqui uma pergunta: Que lugar a Palavra de Deus ocupa em nossa 
vida? O profeta Oséias disse, como registrado em seu livro: “Meu povo foi destruído por 
falta de conhecimento” (4.6). Ele ainda prossegue dizendo: “Conheçamos o Senhor; 
esforcemo-nos por conhecê-lo” (6.3). A derrota diante das ferramentas do Inimigo é certa 
quando não consultamos as Sagradas Escrituras. Israel foi destruído porque não tinha o 
devido conhecimento de Deus e de sua Palavra. Portanto, o lugar adequado para a 
Palavra de Deus deve ser sempre o que lhe concede prioridade. Apenas dessa forma será 
possível produzir frutos que se converterão em derrotas do Inferno. A Palavra não 
frutificará em outro lugar que não seja o de prioridade, que requer obediência. 
 
Se esse for o nosso entendimento, conseguiremos compreender a Palavra no momento 
em que ela nos trouxer algo que não nos faça sorrir. Às vezes, a mensagem que 
ouviremos nos fará chorar. Mas, ainda assim, ela não deve perder o lugar de privilégio em 
nossas vidas. Somente dessa maneira estaremos fortalecidos contra a influência do poder 
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das trevas, das entidades malignas que operam por meio do engano – dependendo da 
importância que damos ou não à Palavra de Deus. 
 
LIBERTAÇÃO, QUEBRA DE MALDIÇÃO E RENÚNCIA DE PECADOS: INÓCUAS SEM 
A PALAVRA 
 
João declarou em seu Evangelho: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” 
(8.32). Não há maior libertadora de almas do que a Palavra de Deus que temos em mãos. 
Não adianta “ministrar libertação” sobre a vida de uma pessoa se ela não quiser que a 
mensagem libertadora entre em sua vida e promova transformação. Uma pessoa pode 
chegar à igreja cheia de demônios e o pastor expulsar todos em o nome de Jesus. 
Todavia, se ela não construir muros em volta de sua casa (vida), eles voltarão, pois a casa 
estará aberta, vazia, sem proteção. A Palavra de Deus é a proteção que qualquer pessoa 
necessita ter; ela é “lâmpada que ilumina os [nossos] passos e luz que clareia o [nosso] 
caminho” (Salmos 119.105). 
 
Por acaso, alguém teria coragem de parar o carro na rua, com carteira em cima do banco, 
talão de cheques no painel e a chave na ignição? Dependendo do lugar onde se mora, 
ninguém tem coragem de dormir com a janela do quarto aberta, em consequência do medo 
de que a casa seja invadida por um ladrão. Na vida espiritual, há pessoas que estão com a 
casa destrancada, sem a devida proteção da Palavra. Nesses casos, o ladrão vem, rouba, 
mata e destrói (João 10.10). A arma mais eficiente no combate às potestades das trevas 
não é tanto a oração, mas o valor que damos às verdades de Deus. 
 
Certa vez, uma mulher chegou à igreja pedindo oração porque estava rodeada de 
problemas com o marido, o filho, a vizinha e outras pessoas. Então, o Pastor que a 
atendeu perguntou: “Vamos orar, você quer Jesus?” Ela lhe devolveu a pergunta:“Essa 
igreja tem revelação?”. O pastor respondeu: “Não”. “Ah, então eu não quero”, retrucou a 
mulher – e foi embora. 
 
É impressionante como as pessoas se apegam a movimentos, mas negligenciam a Palavra 
de Deus, que é o alimento para a alma. Muitos quebram os princípios bíblicos e acreditam 
que, porque frequentam a igreja 
 
 
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ou são filhos de crentes, estão ilesos de cobranças da parte do Senhor. Quem vive na 
prática do pecado não conhece a Palavra; se conhecesse, se esforçaria para andar na luz, 
porque em Deus não há treva nenhuma (1 João 1.5). 
 
Crentes em Jesus não ficam endemoninhados, mas a pouca importância dada à Palavra 
de Deus é tão grande que está causando falta de discernimento. Certa vez, orei por uma 
jovem numa igreja e, de repente, ela caiu endemoninhada. Naquele momento, alguém 
disse: “Ela está repousando no espírito”. Repouso no espírito? Tinha uma casta do 
tamanho de uma árvore na vida daquela menina, e as irmãs glorificavam a Deus sem 
perceber que se tratava de algo maligno. Então eu disse: “Não é aleluia não, irmãs. É 
demônio que está oprimindo a jovem”. 
 
A razão para a falta de discernimento é que a Palavra de Deus não está tendo prioridade. 
Aquela jovem ainda não havia feito uma aliança de fato e de verdade com Cristo, e as 
irmãs não tinham intimidade e profundidade na Palavra. Não adianta fazer oração forte, 
quebra de maldição, renúncia de pecados, participar de círculo de oração, se as Escrituras 
não estiverem em primeiro lugar. Uma das regras básicas da libertação é priorizar o 
conhecimento e a prática da Palavra. 
 
FOME DA PALAVRA 
 
Quando Jesus foi tentado pelo Diabo no deserto, Jesus o confrontou com a Palavra 
escrita: 
 
Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O tentador aproximou-se dele 
e disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães”. 
Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que 
procede da boca de Deus’”. Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais 
alta do templo e lhe disse: “Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está 
escrito: ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, 
para que você não tropece em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está 
escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’”. Depois, o Diabo o levou a um monte 
muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo 
isto te darei, se te prostrares e me adorares”. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois 
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está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’”. Então o Diabo o deixou, 
e anjos vieram e o serviram. 
 
Mateus 4.2-11 
 
Jesus fez uso da Palavra que norteava a sua própria vida: “Nem só de pão viverá o 
homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus” (v. 4). Da mesma forma, 
devemos ter uma palavra que direcione a nossa vida. A que rege a minha vida é 2 Timóteo 
3.14,15: “Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem 
convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as 
Sagradas Letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em 
Cristo Jesus”. Constantemente, preciso voltar a ler essa passagem para não me esquecer 
de quem é Deus na minha vida. 
 
Não devemos fazer isso para impressionar Deus. Ele não se impressiona com qualquer 
coisa. Se desejarmos chamar a atenção dos céus para nós, devemos ter uma vida 
devocional com a Palavra de Deus. Será que alguém com fome consegue dormir em cima 
de um prato de comida? Acredito que, por mais que a pessoa esteja cansada, quando 
chegar em casa, ela primeiro irá comer. O dia inteiro andando na rua, sob o sol escaldante, 
o estômago fazendo aquele barulho e ao entrar em casa sente aquele cheirinho gostoso... 
será que ela resistirá? Muito difícil. 
 
Então, por que não podemos fazer o mesmo com a Palavra de Deus? Porque de certa 
forma não estamos com tanta fome assim. Nesse caso, precisamos insistir, nos esforçar e 
meditar de novo. Faça isso até que consiga inculcar esse princípio em sua mente e jamais 
o perca de vista. Não sei fazer oração mágica, mas tenho certeza de que a Palavra de 
Deus é capaz de nos tornar pessoas sábias que farão escolhas sábias. A melhor delas é 
obedecer os mandamentos do Senhor. 
Você quer vencer o Diabo? Tenha um firme compromisso com a mensagem do Evangelho. 
E se porventura você se sente perseguido por ele, Deus o abençoe por isso. Satanás só 
persegue quem quer andar na Palavra. Se ele não o estiver incomodando, é porque há 
algo de errado e, como dizia o Bispo Roberto McAlister, “se você é um cristão autêntico e 
não tem um probleminha com o Diabo, então está dormindo com ele”. 
 
O normal para quem quer permanecer na Palavra de Deus é ser tentado. Por que o Diabo 
foi tentar Jesus no deserto? Ele não perde tempo com quem já lhe pertence e serve. Ele 
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atenta contra a vida daquele que ora, que persevera em cumprir o que está na Bíblia 
Sagrada. Por essa razão, não podemos rejeitar a Palavra de Deus, porque, quando 
fazemos isso, estamos rejeitando o próprio Senhor e ficamos desprotegidos. 
 
FRUTOS DA PALAVRA 
 
Muitos podem dizer: “Pastor, estou sendo tentado por uma ‘mulher de Potifar’ no meu 
trabalho”, ou “Pastor, não consigo parar de me relacionar sexualmente no namoro”. Se não 
houver uma postura por parte dessas pessoas de resistir a esses desejos, de fato elas se 
tornarão presas do Adversário. E tal posicionamento só será eficiente se estiver com base 
na Palavra. Todavia, quem não quer vida de santidade com o Senhor irá beber, cobiçar a 
mulher do outro, mentir, fornicar e fazer tudo o que desagrada a Deus. Que trabalho o 
nosso Inimigo terá com o cristão que não tem proteção? Que guerra venceremos se a 
Palavra de vida não estiver em nós? 
 
Quantas vezes precisei sair da casa de minha namorada – hoje, minha esposa – 
correndo? Algumas vezes, eu mal chegava e dizia: “Hoje não podemos namorar. Não me 
pergunte o porquê”. Voltava pelo caminho cantando e, quando chegava em casa, tomava 
um banho bem gelado. Fazia isso para não pecar contra o Senhor. É uma escolha. Você 
escolhe pecar ou não pecar. 
 
Não adianta pedir oração para evitar a falha. É necessário fazer uma escolha. Por isso, a 
palavra que está sendo semeada deve cair em boa terra. Se cair pelo caminho, o Maligno 
a roubará e ela não frutificará – não poderá promover transformação e libertação. Quando 
o Diabo não trabalha para distorcer e confundir a Palavra de Deus, ele procura roubá-la de 
nós. Por isso é tão importante não permitir que isso aconteça. Se ele consegue ter êxito 
em seus planos, não veremos as promessas de Deus se cumprirem em nossas vidas; ele 
nos inutilizará totalmente. 
 Talvez você não estivesse inclinado a fazer essa leitura por não gostar do teor do assunto 
que nos chama a uma responsabilidade, mas beleza e formosura não herdarão o Reino 
dos céus. Porém, obediência e prática, sim. 
 
Então, o que fazer para viver de forma obediente aos preceitos divinos? Como permanecer 
na Videira? Qual o segredo? Fazer uma atividade legal para a juventude ficar mais firme 
no Senhor? Em algumas igrejas, se não houver atividades, novas programações e 
pregadores ou cantores que estão em evidência, os bancos simplesmente se esvaziam. 
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Alguém pode reclamar: “O pastor só prega sobre este assunto”. Napoleão Falcão, um 
renomado pregador, quando se converteu passou dois anos pregando no mesmo 
versículo:“Não sabeis vós que os vossos corpos são santuário de Deus e o Espírito 
Santo...” Na cadeira do barbeiro, quando ele ouviu essa palavra, recebeu a plenitude do 
Espírito Santo. Então, toda vez que ele abria a boca para pregar nesse versículo, o Senhor 
lhe dava uma nova revelação. Não existe nada mais novo do que a Palavra de Deus. 
 
UMA ARMA PARA OS FORTES 
 
Você quer algo novo em sua vida? Medite nesse livro de dia e de noite como o Senhor 
falou a Josué: “Seja forte e corajoso, porque você conduzirá esse povo para herdar a terra 
que prometi sob juramento aos seus antepassados. Somente seja forte e muito corajoso! 
Tenha o cuidado de obedecer a toda a lei que o meu servo Moisés lhe ordenou; não se 
desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem-sucedido 
por onde quer que andar. Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar 
nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só 
então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido. Não fui eu que lhe 
ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu 
Deus, estará com você por onde você andar” (Josué 1.6-9). Quando o Senhor falou para 
Josué ser forte e corajoso, não era para derrotar os inimigos, mas para meditar nas 
Escrituras. Quem não medita na Palavra de Deus não é forte nem corajoso. 
 
Na passagem em que Miriã e Arão criticam Moisés, lemos: “Imediatamente o Senhor disse 
a Moisés, a Arão e a Miriã: ‘Dirijam-se à Tenda do Encontro, vocês três’. E os três foram 
para lá. Então o Senhor desceu numa coluna de nuvem e, pondo-se à entrada da Tenda, 
chamou Arão e Miriã. Os dois vieram à frente, e ele disse: ‘Ouçam as minhas palavras: 
Quando entre vocês há um profeta do Senhor, a ele me revelo em visões, em sonhos falo 
com ele. Não é assim, porém, com meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. 
Com ele falo face a face, claramente, e não por enigmas; e ele vê a forma do Senhor. Por 
que não temeram criticar meu servo Moisés?’” (Números 12.4-8). Moisés tinha intimidade 
com o Senhor. Você quer ver o Senhor? Quer que as palavras dele estejam em seus 
lábios? Medite nelas. 
 
Em Mateus 13.21, encontramos aqueles que não permitem o tratamento e as profundas 
transformações que a Palavra de Deus proporciona: “Todavia, visto que não tem raiz em si 
mesmo, permanece por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por 
causa da palavra, logo a abandona”. Muitos querem ser missionários, porém não abrem 
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mão do pecado. Não oram, não louvam, não adoram, não meditam na Bíblia. Qualquer 
pessoa que deseja ser um missionário deve ter o mínimo de intimidade com a Palavra. A 
árvore de raiz rasteira cai com qualquer vento que sopra. Assim acontece com aquele que 
não tem raízes na Bíblia; diante de qualquer dificuldade que enfrenta, deixa de ir à igreja e 
até murmura contra Deus. 
 
Que preço estamos dispostos a pagar para que a Palavra de Deus nos guie e se cumpra 
em nossa vida? Se alguém quiser ser santo e quiser vencer as astutas ciladas do Diabo, 
como disse o apóstolo Paulo, precisa saber manejar bem a “espada do Espírito”. O Senhor 
não nos fez fracos, mas sim homens e mulheres fortes a ponto de dizer “não” para o que 
nos impede de nos aprofundarmos no conhecimento das Escrituras. 
 
A terra do nosso coração precisa ser como a que está descrita em Mateus 13.23: uma “boa 
terra”, ou seja, alguém com a alma inclinada a ouvir e compreender a Palavra. Quando isso 
acontece, vencer a guerra é consequência. Além disso, o resultado será a produção de 
frutos, pois Jesus disse que um produzirá cem, o outro, sessenta, e o outro, trinta. 
 
Muitos afirmam ter a Palavra, mas na verdade não a aplicam. Por isso estão indo à falência 
em diversas áreas da vida. Estão perdendo a guerra para o Adversário na família, nos 
relacionamentos, no trabalho, na vida espiritual. Não há como crescer se a semente da 
Palavra não for plantada em terra fértil, se os pilares necessários para sustentar a vida não 
forem erguidos. Não existe prosperidade sem entendimento real e profundo da Palavra de 
Deus. 
 
COMO MANEJAR A ARMA 
 
Entretanto, é importante saber que entender a Palavra de Deus não é a mesma coisa que 
entender a aula de um professor na faculdade. Muitas pessoas conhecem a Bíblia de 
ponta a ponta, mas não conhecem o seu Autor – Deus. Para compreender o que está 
escrito nela, é necessária a presença do Espírito Santo, que nos ensina todas as coisas. 
Ser ensinado por Ele nos ajudará a aplicar a Palavra a nossas vidas. 
 
Daniel, por exemplo, conseguiu entender a revelação que recebera do Senhor porque leu o 
profeta Jeremias: “No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelas 
Escrituras, conforme a palavra do Senhor dada ao profeta Jeremias, que a desolação de 
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Jerusalém iria durar setenta anos” (Daniel 9.2). Ele leu as Escrituras e descobriu qual seria 
o tempo da desolação de Jerusalém: 70 anos de cativeiro. O ponto de partida desse 
entendimento foi a Palavra de Deus, que gera frutos para a eternidade. Muitos perdem o 
que receberam do Senhor por falta de entendimento. Até a intercessão feita por Daniel foi 
com base na Palavra. 
 
O profeta simplesmente mudou o rumo da História quando percebeu pelos livros que já era 
tempo de acabar com a assolação de Jerusalém. Ele passou a orar, jejuar e se humilhar 
em prol daquele povo (Daniel 10). O problema é que não queremos investir tempo com 
Deus. Temos tempo para ouvir músicas, falar da vida dos outros, ver televisão, se 
relacionar pela internet, mas não temos tempo para a Palavra do Senhor. Daniel, durante 
três semanas, pranteou, chorou e clamou. A geração de hoje está falindo porque 
justamente não quer ter trabalho para alcançar entendimento do que diz respeito a Deus. 
 
Somente eu, Daniel, tive a visão; os que me acompanhavam nada viram, mas foram 
tomados de tanto pavor que fugiram e se esconderam. Assim fiquei sozinho, olhando para 
aquela grande visão; fiquei sem forças, muito pálido, e quase desfaleci. Então eu o ouvi 
falando e, ao ouvi-lo, caí prostrado, rosto em terra, e perdi os sentidos. Em seguida, a mão 
de alguém tocou em mim e me pôs sobre as minhas mãos e os meus joelhos vacilantes. E 
ele disse: “Daniel, você é muito amado. Preste bem atenção ao que vou lhe falar; levante-
se, pois eu fui enviado a você”. Quando ele me disse isso, pus-me em pé, tremendo. E ele 
prosseguiu: “Não tenha medo. Daniel. Desde o primeiro dia em que você decidiu buscar 
entendimento e humilhar-se diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas, e eu vim em 
resposta a elas. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu durante vinte e um dias. 
Então Miguel, um dos príncipes supremos, veio em minha ajuda, pois eu fui impedido de 
continuar ali com os reis da Pérsia. Agora vim explicar-lhe o que acontecerá ao seu povo 
no futuro, pois a visão se refere a uma época futura. 
 
Daniel 10.7-14 
 
Daniel teve tal êxito em sua vida porque valorizou a Palavra e se empenhou em buscar 
ouvir a voz de Deus. A resposta até demorou, 21 dias, mas desde o primeiro dia ele já 
tinha sido ouvido. Todavia, ele perseverou e o resultado não poderia ter sido diferente: a 
compreensão espiritual do que recebera do próprio Deus. Ele foi vencedor porque era 
dedicado à Palavra. Seremos bem-sucedidos na batalha espiritual tal como o profeta? 
Tudo depende de como manejarmos a grande arma que Deus nos deu para vencê-la: a 
Bíblia Sagrada. 
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 CAPÍTULO 4 
AS ARMAS AUXILIARES DA BATALHA 
 
PR. SILAS BATISTA DE MENEZES 
 
Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passoagora a mostrar-lhes um 
caminho ainda mais excelente. Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se 
não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu 
tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé 
capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres 
tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado se não tiver amor, nada 
disso me valerá. Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O 
maior deles, porém, é o amor. 
 
1 Coríntios 12.31; 13.1-3,13 
 
Da mesma maneira que os demais, este é um capítulo de confronto, pois se queremos de 
fato entender o conceito bíblico de batalha espiritual, precisamos compreender que a 
verdadeira guerra espiritual é aquela que travamos contra nossa própria natureza. Não 
adianta nos concentrarmos no Diabo e não analisarmos algumas questões que são de 
extrema importância na vida cristã. 
 
Como já foi dito, em nossa caminhada com Cristo deveríamos valorizar muito mais os 
ensinamentos das Escrituras, pois a Bíblia nos dá orientação para os momentos de 
combate contra o nosso Adversário. No entanto, nem sempre aplicamos a Palavra de 
forma correta em nossas vidas. Escolhemos valorizar o que não é prioridade, o que não 
tem maior importância. Valorizamos as bênçãos materiais em detrimento das espirituais. 
Valorizamos mais os dons espirituais do que o fruto do Espírito. Reconhecemos o valor dos 
dons e sabemos que devemos buscá-los. Porém a vida do crente deve ser norteada por 
virtudes que farão diferença exatamente quando ele estiver enfrentando a oposição das 
trevas. 
 
Paulo, um homem de Deus que vivenciou diversas batalhas contra o Inimigo, revela em 1 
Coríntios 13.13 um segredo infalível para quem quer vencer qualquer luta espiritual. O 
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apóstolo simplesmente mostra o caminho que todo cristão deve percorrer para ser bem-
sucedido diante das forças satânicas: pautar a vida em três pilares importantes: a fé, a 
esperança e o amor. 
 
A igreja de Corinto, a quem o apóstolo Paulo escreveu essa carta, era uma igreja cheia de 
dons espirituais, cujo vocabulário utilizado era o “evangeliquês” da atualidade, ou seja, a 
linguagem do fogo, onde milagres aconteciam, havia profetas e os dons de cura estavam 
sempre presentes. 
 
Aparentemente, os coríntios entendiam tudo sobre batalha espiritual. Mas era uma igreja 
enferma, que precisava aprender mais sobre virtudes das quais o cristão não pode se 
afastar de forma alguma. 
 
Assim como a igreja de Corinto, nós supervalorizamos aquilo que pode ser visto. Os dons 
muitas vezes são desenvolvidos e passam a ser admirados na vida das pessoas que os 
possuem. Porém, nem sempre os dons são sinais de que a igreja está ou é uma 
comunidade saudável. Muito menos de que a igreja está bem guarnecida. 
 
Do ponto de vista humano, se olhássemos para os crentes de Corinto, diríamos que se 
tratava de fato de homens e mulheres espirituais. Todavia, quando lemos toda a carta do 
apóstolo Paulo aos Coríntios, observamos que, apesar de a igreja possuir muitos dons, era 
uma igreja doente, enferma, dividida. Afinal, uns diziam “eu sou de Paulo”; outros, “e eu de 
Apolo”; alguns outros, “eu de Cefas”. Os “mais espirituais” diziam: “eu [sou] de Cristo”! 
Estes eram os piores. 
 
Os dons eram usados naquela ocasião para engrandecimento pessoal. Por essa razão, o 
apóstolo precisou ensinar que os dons servem para proveito do outro. Sendo assim, se eu 
utilizo os dons para o meu próprio proveito, e não para benefício do meu irmão, há algo de 
errado. 
 
Aquelas pessoas, apesar de desenvolverem os dons, eram carnais. Precisavam ser 
instruídas pelo apóstolo. Por isso, do capítulo 12 ao 14, Paulo discorre sobre os dons. No 
capítulo 12, ele fala acerca da diversidade de dons e da unidade do Corpo de Cristo. Ele 
afirma que todos os membros, embora desempenhem funções diferentes, são muito 
importantes no Corpo, mesmo que alguns considerem outros de menor valor. 
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 No capítulo 13, ele discorre acerca do amor. E, no capítulo 14, continua ensinando sobre 
os dons, ressaltando o uso correto de cada um deles. É interessante observar que, entre 
os capítulos 12 e 14, Paulo interrompe sua linha de raciocínio – os dons – para falar sobre 
o amor. É como se de repente ele desse uma parada antes de retomar o assunto de que 
vinha falando. Está tratando a respeito dos dons no capítulo 12, mas, quando chega ao 13, 
faz uma pausa para falar sobre algo mais importante. Por isso, sua forma de encerrar esse 
texto bíblico não poderia ser outra: “Assim, permanecem agora estes três: a fé, a 
esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor” (v. 13). 
 
Com base na sequência dada pelo apóstolo Paulo, quero partilhar reflexões sobre essas 
três virtudes – fé, esperança e amor – na vida do cristão. Elas são armas indispensáveis na 
guerra espiritual e devem fazer parte da essência do crente. 
 
FÉ 
 
O que é a fé? A fé não é algo simples de descrever nem algo fácil de compreender. O 
escritor da carta aos Hebreus referiu-se à fé como “a certeza daquilo que esperamos e a 
prova das coisas que não vemos” (11.1). E prosseguiu declarando que “sem fé é 
impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe” (v. 6). 
Portanto, podemos afirmar que a fé faz parte da vida do crente em Jesus, porque sem ela 
não se pode dizer que se é cristão. 
 
Somos crentes porque primeiro Deus gerou em nossos corações a fé inicial para que 
pudéssemos crer em seu Filho. A fé para salvação não consiste apenas numa crença 
intelectual em algum credo ou num conjunto de dogmas religioso. Por mais sincera que 
seja essa crença, a verdadeira fé existe no espírito. É algo que parte de dentro para fora. 
Não se restringe somente ao nível intelectual, ao nível da nossa mente. Assim, posso dizer 
que creio em Deus, acredito nele, mas isso transcende o entendimento humano. 
 
A fé para salvação é gerada pelo Senhor e significa uma entrega total da nossa alma a Ele. 
Se afirmamos que temos fé em Deus, temos que de fato considerá-lo como Senhor da 
nossa vida. Tudo o que o nosso “eu” considera de valor devemos entregar-lhe para que 
Ele preencha com os seus valores. Precisamos nos esvaziar cada dia mais para que o 
Senhor preencha o nosso ser. Não podemos dizer que temos fé em Deus se queremos ter 
uma vida independente dele. Só podemos declarar nossa fé quando de fato nos 
entregamos totalmente a Ele. 
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E qual é o objeto da nossa fé? O objeto da nossa fé é Deus, Cristo, as promessas que Ele 
nos fez. Tudo o que o Senhor preparou de antemão para os remidos, nós recebemos pela 
fé: a salvação, a cura espiritual, a santificação, a regeneração, o crescimento espiritual. E 
como essa fé se manifesta em nossas vidas? “Pois vocês são salvos pela graça, por meio 
da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Efésios 2.8). De quem vem a salvação 
pela graça? De nós? Não. De Deus, para que ninguém se glorie. É a graça do Senhor se 
manifestando em nossa vida, de modo que, se dizemos que temos fé – se entregamos 
nossas vidas a Ele – é porque essa fé já se instalou em nossos corações. 
 
Portanto, a fé elimina a autojustificação. Uma vez instalada em nosso ser, produz alegria – 
uma alegria que não é baseada em circunstâncias, pois pode ser percebida mesmo em 
meio à dor ou ao sofrimento. A fé, nesses momentos, gera paz. Isso é um fato que não 
conseguimos explicar. 
 
Certa vez, evangelizei uma pessoa que me perguntou: “Como ter paz num mundo tão 
turbulento?”. “Não sei explicar”, respondi. “Mas posso dizer quesinto paz e que, se você 
quiser, também poderá sentir”. Tudo é pela fé. Por isso, o apóstolo disse: “... permanecem 
a fé, a esperança e o amor”. 
 
Qual é o fim da fé? Em 1 Pedro 1.7-9, está escrito: “Assim acontece para que fique 
comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo 
que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus 
Cristo for revelado. Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem 
agora, creem nele e exultam com alegria indizível e gloriosa, pois vocês estão alcançando 
o alvo da sua fé, a salvação das suas almas”. 
 
Se lermos o versículo anterior, “Nisso vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de 
tempo, devam ser entristecidos por todo tipo de provação” (v. 6), perceberemos a 
afirmação do apóstolo de que haverá provações da nossa fé e um breve momento de 
tribulação. Ele chama de breve porque não existe fé madura se não for provada no fogo. 
 
Seja cauteloso com a frase: “Ah, Senhor, aumenta a minha fé”. Se você é uma pessoa que 
continuamente faz esse pedido, saiba que Deus irá acrescentar a sua fé, porém você 
passará por momentos muito difíceis, porque é assim que a nossa fé cresce. 
 
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Depois de termos alcançado essa compreensão, é importante focalizar a outra afirmação 
de Pedro, a de que a nossa fé, depois de confirmado o seu valor, se tornará muito mais 
preciosa do que o ouro perecível, e redundará em louvor, glória e honra na revelação de 
Jesus Cristo. 
 
Portanto, qual é o fim da nossa fé? A salvação da nossa alma. Por esse motivo, quando 
não temos fé também não temos salvação. Se apostatamos da fé, demonstramos não ter o 
que há de mais precioso: a própria fé – a fé para salvação, que nos faz suportar as aflições 
da vida. Isso porque o Senhor nunca nos prometeu que não teríamos dificuldades. “Pare 
de sofrer!” é uma mensagem enganosa e desonesta, pois nós conhecemos a realidade da 
vida e sabemos que enfrentamos dias de turbulência. 
 
Entretanto, quando o Senhor põe fé em nossos corações, sabemos e cremos naquilo que 
Ele falou: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28.20). É essa 
fé que gera a nossa salvação, que nos ajuda a suportar as aflições da vida e em nossa 
vida prática nos leva a fazer o bem às pessoas. Pois a fé sem obras é morta, como disse 
Tiago. 
 
Certa vez, li uma frase que me chamou a atenção: “A fé é a graça pela qual um homem vê 
a Cristo”. Como já foi dito, só podemos ir ao Senhor pela fé. O apóstolo Paulo sabia da 
importância da fé na batalha espiritual travada pelas pessoas, mas ele disse: “... 
permanecem, pois a fé [e também] a esperança”. 
 
ESPERANÇA 
 
Quem é a nossa esperança? Quando Paulo escreveu a Timóteo, disse: “Paulo, apóstolo 
de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, a ‘nossa 
esperança’”. Nossa esperança é o Senhor. Quando perdemos a esperança, perdemos tudo 
porque só nele podemos esperar. Nesse mundo turbulento, tão cheio de dores e 
amarguras, onde coisas terríveis acontecem, o que seria de nós se não tivéssemos 
esperança? 
Quando alguém perde a esperança, perde o Senhor. Quando, por exemplo, alguém perde 
a esperança de ver um parente convertido aos pés do Senhor, está dizendo que não confia 
mais nele. Se você tem alguém em sua casa que não conhece o Senhor, e, apesar da sua 
oração, percebe que a vida dessa pessoa vem se tornando cada vez pior, não desista. Se 
você acreditar que seu parente é um caso perdido, que o Senhor não está ouvindo, você 
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correrá o risco de perder a esperança. Pensar dessa forma é não crer que o Senhor pode 
salvar, que Ele permanece o mesmo. Além disso, você pode cair no erro de se considerar 
melhor do que o outro porque o Senhor foi capaz de salvá-lo. Todavia, para o Senhor, não 
há melhor ou pior. Todos éramos perdidos e o Senhor nos resgatou pela Sua graça e pelo 
Seu amor. 
 
O que esperar do Senhor, então? A Bíblia diz que dele podemos esperar a paz. Quantos 
têm a paz no coração? Também podemos esperar a alegria na alma, o descanso e a vida 
eterna. Nele, contrariando o dito popular, podemos esperar dias melhores. No Senhor, 
podemos esperar. Sendo assim, o que vamos fazer? Desprezar esse tesouro que temos 
ou abraçá-lo cada vez mais, orando: “Senhor, jamais quero te perder, jamais quero perder 
a esperança de viver”? 
 
Quantos não tentaram pôr fim à própria vida porque perderam a esperança? Não acredito 
que as pessoas que se suicidam queiram morrer. Elas querem viver, mas não sabem como 
porque não têm mais expectativas na vida. Mas o Senhor continua o mesmo, com Seu 
poder para ressuscitar mortos e vivificar. Pode ser que você, querido leitor, esteja morto 
espiritualmente, mas o Senhor afirma que os mortos ouvirão a sua voz. Como? Só a graça 
de Deus mesmo. Como pode um morto ouvir? Um morto não sente nada, não ouve nada. 
Está morto. Os mortos ouvirão, ressuscitarão e reviverão. Esperança. 
 
O escritor aos Hebreus declarou que a esperança é como um refúgio que nos mantém 
seguros: “Para que, por meio de duas coisas imutáveis nas quais é impossível que Deus 
minta, sejamos firmemente encorajados, nós, que nos refugiamos nele para tomar posse 
da esperança a nós proposta. Temos esta esperança como âncora da alma, firme e 
segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu” (6.18,19). 
 
A esperança é a âncora da alma. Ela nos mantém firmes neste mundo de turbulência; ela 
que nos faz perseverar em meio aos ataques do Inimigo. E é a esperança de que um dia 
tudo será diferente que nos levará a uma realidade gloriosa. Como João escreveu em 
Apocalipse 21.4-7: “‘Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, 
nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou’. Aquele que estava 
assentado no trono disse: ‘Estou fazendo novas todas as coisas!’ E acrescentou: ‘Escreva 
isto, pois estas palavras são verdadeiras e dignas de confiança’. Disse-me ainda: ‘Está 
feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. A quem tiver sede, darei de beber 
gratuitamente da fonte da água da vida. O vencedor herdará tudo isto, e eu serei seu Deus 
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e ele será meu filho’”. Tudo está feito! Você crê nisso? Tem essa esperança? Glória a 
Deus! Eu tenho essa esperança. 
 
Vimos que a fé é algo espetacular e a esperança, que se fundamenta na fé, também é 
maravilhosa. Com ela, podemos ter convicção de que venceremos todas as guerras que 
enfrentamos contra as forças do Maligno. Porém, Paulo prossegue afirmando que há algo 
ainda mais excelente e que se constitui numa poderosa arma: o amor. “... Porém, o maior 
destes é o amor.” 
 
AMOR 
 
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino 
que ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba 
todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se 
não tiver amor, nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o 
meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá. 
 
1 Coríntios 13.1-3 
 
Muitos podem não acreditar, mas uma arma poderosíssima contra o Diabo é o amor. Toda 
vitória espiritual deve ser centrada no amor. Batalha Espiritual se vence com Cristo e Cristo 
é amor. As pessoas que foram libertas alcançaram a libertação porque Cristo as amou. E 
assim como elas receberam o Seu amor também precisam receber amor da Igreja. O 
mundo precisa perceber que o amor do Senhor Jesus está derramado em sua Noiva, que 
é o conjunto de todos nós que fomos feitos seus filhos pela graça. 
 
Todavia, qual é a nossamotivação no Evangelho do Senhor? Qual é a nossa motivação ao 
evangelizar? Ao cantar no coral, ao trabalhar em qualquer departamento da igreja? Qual é 
a nossa motivação de viver? O que está por trás dos nossos atos quando fazemos o bem a 
alguém? Os três versículos acima falam sobre isso. Mas, antes de entrarmos no assunto, 
 observe a seguinte orientação de Paulo: “... busquem com dedicação os melhores dons” 
(1 Coríntios 12.31). 
 
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Muitos crentes pentecostais gostam de “fogo”. Para eles, quanto mais barulho, mais 
significa que o Espírito do Senhor está ali. Porém, o apóstolo deixa claro que não é bem 
assim. É necessário buscarmos os dons de Deus, mas isso não é tudo. 
 
Houve uma época em que apenas quem manifestasse publicamente os dons espirituais 
era considerado espiritual. Se falasse com variedade de línguas em público era a pessoa 
mais espiritual do mundo. Se Deus realizasse uma cura por meio dela, então, era quase 
um deus. Há muitos anos, conheci “profetas” que eram venerados por irmãos e irmãs que 
não tomavam nenhuma decisão sem antes consultá-los. O mais interessante é que Deus 
sempre tinha “algo” para falar por esses “profetas”. Era incrível! Houve até uma “profetisa” 
cuja casa vivia cheia de gente pela manhã, à tarde e à noite. Obviamente ela tirava 
proveito disso. 
 
Mas será que isso é de fato espiritualidade? Por que estamos realizando a “obra” da 
maneira como fazemos? Porque muitos estão fazendo o que é certo pela motivação 
errada, como se Deus não sondasse os nossos corações. Muitos oram com a motivação 
errada. Jesus conhecia a intenção dos fariseus. Ele sabia que aqueles homens usavam a 
desculpa de orar nas casas das viúvas apenas para comer a comida que elas ofereciam. 
Deus conhecia o coração. Ele sabia que a oração podia ser falsificada, podia ser 
narcisismo espiritual, sensacionalismo, hipocrisia. 
 
Certa vez, pouco antes do Natal, assisti a uma pregação pela televisão de um desses 
sacerdotes televisivos. Ele fez a pergunta e ele mesmo respondeu: 
 
“Quer dizer que o senhor não vai comemorar o Natal? Não, eu não vou comemorar o Natal. 
Como posso comemorar o Natal quando muitos dos meus irmãos estão passando 
necessidade? Como comemorar o Natal numa mesa farta quando muitos estão sofrendo? 
Como posso comemorar o Natal...?” E assim prosseguiu, citando uma série de coisas. “Eu 
vou fazer um jejum em prol da igreja. Vou ficar a pão e água durante doze dias.” Ele 
passou meia hora (contei no relógio) dizendo que faria um jejum em prol da igreja, que ia 
ficar “a pão e água”. 
 
Quem de fato deseja jejuar para Deus abençoar a vida de alguém, para ser cheio 
espiritualmente ou receber a Sua unção, não precisa fazer o que aquele homem fez. O 
verdadeiro propósito do jejum é esvaziar-se para que Deus encha. Se de fato aquele 
propósito fosse verdadeiro, ele não precisaria anunciar por meia hora na TV que ia fazer 
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um jejum, subir os montes etc. Além do mais, até hoje ele deveria ficar em jejum, porque 
tenho certeza absoluta de que na igreja dele ainda há pessoas sofrendo, desempregadas e 
na miséria. 
 
Então, por que usar a rede de televisão para dizer que vai jejuar? Porque as pessoas o 
terão como um líder espiritual e desejarão segui-lo. Por isso há muitos crentes em Jesus 
sendo manipulados por pessoas inescrupulosas. Porém, não é isso que é espiritualidade. 
Posso fazer uma oração parecer espiritual sem que ela seja. Posso pregar para satisfazer 
o meu ego ou apenas para aparecer. No entanto, o Senhor conhece o meu coração. 
 
Por qual motivo eu prego? Por qual motivo você faz o que faz? Nos tempos de Paulo, ele 
disse que alguns pregavam por inveja. Que coisa inacreditável! “É verdade que alguns 
pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade” (Filipenses 
1.15). Mas, como o próprio apóstolo declarou: “Aqueles pregam Cristo por ambição 
egoísta, sem sinceridade, pensando que me podem causar sofrimento enquanto estou 
preso. Mas, que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos 
ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a 
alegrar-me, pois sei que o que me aconteceu resultará em minha libertação, graças às 
orações de vocês e ao auxílio do Espírito de Jesus Cristo” (v. 17-19). 
 
Se eles pregavam e sua motivação não era saudável, o Senhor era sabedor de tudo. Não 
que Cristo esteja de acordo com tal intenção, mas Ele julgará todos, inclusive suas obras. 
O mais importante a saber é que não é o pregador, mas o Espírito Santo, quem convence. 
Não é a oratória, porque qualquer um pode fazer teatro e ter uma boa retórica. Boas obras 
e um pouco de carisma têm rendido um bom dividendo para muitas pessoas. Mas isso não 
é o suficiente. 
 
Os coríntios usavam os dons de línguas para exaltar a si mesmos, mas eram como um 
sino batendo, que só faz barulho. O som que produziam era como o de duas bacias 
batendo uma na outra. Não havia melodia, apenas alarde. Devemos, sim, pedir ao Senhor 
os dons. No entanto, é mais importante pedir que o Senhor nos encha com o seu amor 
para que possamos fazer o bem às pessoas, porque esse é o verdadeiro objetivo do 
Cristianismo. 
 
Não posso dizer que amo o Senhor se odeio o meu irmão. É o que aprendemos com o 
apóstolo João: “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, 
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pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê” (1 João 
4.20). Portanto, mais importante do que desenvolver os dons, é preciso buscar o fruto do 
Espírito, cuja primeira virtude é o amor. 
 
O Senhor Jesus resume toda a Lei em dois mandamentos: amar a Deus acima de todas as 
coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Marcos ainda afirma em seu Evangelho que 
“... amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e 
ofertas” (12.33). Sendo assim, se sou cristão de verdade, devo amar o próximo. Se de fato 
me considero seguidor de Cristo, tenho que expressar este amor não só por meio de 
palavras, mas de atitudes também. Não foi assim que o Senhor Jesus fez? “Porque Deus 
tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crer não 
pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). 
 
Sim, Jesus nos amou. Amou alguém como Pedro, que o negara três vezes, e os demais 
discípulos que, na hora do aperto, o abandonaram. Homens cheios de falhas e defeitos, 
incrédulos. Apesar disso, Jesus os amou até o fim: “Um pouco antes da festa da Páscoa, 
sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, 
tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13.1). 
 
CONCLUSÃO 
 
Jesus amou até a cruz. Ele morreu para pudéssemos ter fé, esperança e amor, virtudes 
que são armas importantíssimas e indispensáveis na batalha espiritual. A começar pelas 
que surgem dentro de nós. 
 
* * * 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 5 
O DEUS DA BATALHA 
 
PR. OSVALDO CHAVES 
 
Mas o povo estava sedento e reclamou a Moisés: “Por que você nos tirou do Egito? Foi 
para matar de sede a nós, aos nossos filhos e aos nossos rebanhos?” Então Moisés 
clamou ao Senhor: “Que farei com este povo? Estão a ponto de apedrejar-me!” 
Respondeu-lhe o Senhor: “Passe à frente do povo. Leve com você algumas das 
autoridades de Israel, tenha na mão a vara com a qual você feriu o Nilo e vá adiante. Eu 
estarei à sua espera no alto da rocha do monte Horebe. Bata na rocha, e dela sairá água 
para o povo beber”. Assim fez Moisés, à vista das autoridades de Israel. E chamouaquele 
lugar Massá e Meribá porque ali os israelitas reclamaram e puseram o Senhor à prova, 
dizendo: “O Senhor está entre nós, ou não?” 
 
Êxodo 17.3-7 
 
Quando falamos sobre batalha espiritual, é necessário compreender, como já foi dito, que 
a pior de todas as batalhas é aquela travada dentro de nós mesmos. No Novo Testamento 
vemos os cristãos de Corinto, cuja visão a respeito do Senhor estava obscurecida e 
precisava ser clareada à luz da Palavra. Já no Antigo Testamento percebemos claramente 
que, assim como os cristãos de Corinto precisavam de fato conhecer a Deus, o povo de 
Israel também necessitava descobrir que mais importante do que receber as bênçãos de 
Deus é ter a sua presença. A maneira como enxergamos o Senhor faz toda a diferença 
quando enfrentamos lutas espirituais, principalmente quando temos que lutar contra os 
falsos deuses do Egito que insistem em permanecer dentro de nós. 
 
Por que isso é importante? Pois nem sempre a batalha espiritual que teremos de travar 
será contra um espírito maligno, mas contra nossa vaidade, nossa falta de conhecimento 
de Deus, nossa desobediência. 
 
 
 
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DEUS ESTÁ ENTRE NÓS? 
 
Israel foi tirado do Egito por meio de sinais fantásticos e intervenções extraordinárias da 
parte do Senhor. As dez pragas desafiaram todos os deuses do Egito e os humilharam. A 
travessia pelo meio do mar a pés enxutos e o afogamento de todo o poderoso exército de 
faraó demonstrou que não há deus como o Deus de Israel. O maná, que caiu do céu para 
suprir a necessidade imediata de alimento, e a preservação de suas roupas e calçados 
revelaram a provisão fiel de Deus Pai. O próprio Moisés chama a atenção do povo para a 
singularidade daquele Senhor e do seu cuidado para com eles: “Pois, que grande nação 
tem um Deus tão próximo como o Senhor, o nosso Deus, sempre que o invocamos?” 
(Deuteronômio 4.7). 
 
No entanto, havia um grande risco por trás de toda essa sucessão de eventos poderosos. 
Israel poderia vir a crer num deus menor. Seu foco poderia ser posto apenas no poder, e 
não também na palavra fiel desse Deus. Sua fé poderia se prender apenas à crença de 
que suas necessidades imediatas seriam todas supridas oportunamente e que sua 
experiência com o Senhor se resumiria a isso. Foi exatamente o que aconteceu. 
 
Tão logo o povo começou a experimentar as primeiras dificuldades no deserto – e 
certamente não é fácil viver no deserto –, passou a expressar seu descontentamento, a 
ponto de sentir falta do Egito, do tempo em que eles eram escravos. Se cressem na 
promessa fiel de um Deus que, muito mais do que fazer chover maná e carne, desejava 
transformá-los de dentro para fora, eles saberiam que no final seriam conduzidos à boa 
terra – com uma nova compreensão da vida. Se fossem capazes de entender os sinais 
maravilhosos como um meio para um fim bem mais importante, permaneceriam firmes em 
meio às provações. 
 
Porém, eles só podiam crer no poder demonstrado em feitos extraordinários. Quando 
faltava aquele poder, simplesmente viravam as costas e olhavam saudosamente para o 
passado. A falta da manifestação de poder fazia-os duvidar até mesmo da mais preciosa 
promessa do Senhor – a de que Sua presença estaria sempre com eles: “O Senhor está 
entre nós, ou não?” (Êxodo 17.7). Não devemos ser tão apressados em julgar tal 
comportamento, pois o que aconteceu naquela época com o povo escolhido por Deus se 
repete aqui e agora, muitas vezes, conosco. Com a 
 
 
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experiência de Israel na jornada pelo deserto, aprendemos valiosas lições para nossa 
própria caminhada. 
 
ACUSAÇÕES E SUSPEITAS 
 
Quando cremos somente no poder revelado nos milagres e sinais, não somos capazes de 
sobreviver às contrariedades. Nosso culto não é dirigido a Deus, mas ao seu poder; aos 
milagres e sinais. O maior problema com o culto ao poder é que ele precisa sempre de 
uma nova demonstração para se manter ativo. Aqui surge um problema: Deus não tem 
compromisso com esse culto. Ele não se disporá a oferecer um show todas as vezes em 
que nós nos sentirmos desmotivados. Se o nosso entendimento sobre Ele não estiver 
claro, passaremos todo o tempo de escassez e luta acusando Deus ou os outros. 
 
Tão logo saiu do Egito, “toda a comunidade de Israel reclamou a Moisés e Arão. Disseram-
lhes os israelitas: ‘Quem dera a mão do Senhor nos tivesse matado no Egito! Lá nos 
sentávamos ao redor das panelas de carne e comíamos pão à vontade, mas vocês nos 
trouxeram a este deserto para fazer morrer de fome toda esta multidão!’” (Êxodo 16.2,3). 
Os 430 anos no Egito levaram aquele povo a confiar apenas no poder. Faraó dominava por 
meio da demonstração de força. A dupla investidura do rei/deus – pretensão dos 
governantes daquela época – confundia a mente do povo. Israel queria um deus que se 
empenhasse na exibição de um poder confiável, que lhe desse segurança e desafiasse o 
faraó. A grande preocupação em seus corações se voltava para o atendimento das 
necessidades imediatas. Nas palavras de Paulo: “...seu deus é o estômago e eles têm 
orgulho do que é vergonhoso; só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3.19b). 
 
Em circunstâncias adversas, em vez de descansarmos na fidelidade de Deus, de 
tentarmos entender o propósito maior que Ele tem naquela situação – Ele sempre tem um 
propósito –, suspeitamos do Senhor e não conseguimos nos contentar com a provisão do 
pão (maná) de cada dia: “‘Ninguém deve guardar nada para a manhã seguinte’, ordenou-
lhes Moisés. Todavia, alguns deles não deram atenção a Moisés e guardaram um pouco 
até a manhã seguinte, mas aquilo criou bicho e começou a cheirar mal. Por isso Moisés 
irou-se contra eles” (Êxodo 16.19,20). Até mesmo a bênção que vem de Deus para suprir 
nossas necessidades pode tomar outra forma – degradante, perversa – quando passamos 
a confiar nela e a atribuir-lhe mais importância do que ao Deus que fez a provisão. 
 
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Ainda assim o Senhor permanece fiel: “Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim 
o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-
se de que somos pó” (Salmos 103.13,14). A fidelidade é um dos atributos do caráter de 
Deus, por isso Ele jamais será infiel. O Senhor sabe muito bem do que somos feitos. Por 
essa razão, mesmo diante da nossa ingratidão, Ele nos sustenta, pois se nos deixar por 
nossa própria conta, certamente pereceremos. Então, seu cuidado para conosco nada tem 
a ver com a questão de mérito. 
 
O salmista Asafe trata com riqueza de detalhes essa relação de rebeldia versus graça 
entre o povo no deserto e o Senhor Deus: “Mas contra ele continuaram a pecar, 
revoltando-se no deserto contra o Altíssimo. Deliberadamente puseram Deus à prova, 
exigindo o que desejavam comer. Duvidaram de Deus, dizendo: ‘Poderá Deus preparar 
uma mesa no deserto?’ (...) Com a boca o adulavam, com a língua o enganavam; o 
coração deles não era sincero; não foram fiéis à sua aliança. Contudo, ele foi 
misericordioso; perdoou-lhes as maldades e não os destruiu. Vez após vez conteve a sua 
ira, sem despertá-la totalmente” (Salmos 78.17-19; 36-38). Asafe tinha clara percepção da 
graça extrema desse Deus que faz tudo unicamente para a sua glória e por amor ao seu 
nome (Salmos 79.9). 
 
A TRANSGRESSÃO DO PRIMEIRO MANDAMENTO 
 
O povo ainda voltaria a murmurar muitas vezes. Mas essa postura não surpreenderia o 
Senhor, pois Ele sabia perfeitamente o que estava em seus corações. Como vimos acima, 
Israel fazia confissão verbal, mas seu coração não era sincero. Havia muitos deuses 
estranhos povoando suas mentes (32.1). A verdadeira conversão – deles e nossa – é um 
processo longo econstante. Muitos símbolos precisam ser abandonados; muitos pactos, 
quebrados; muitos valores, revistos. Essa mudança não pode ocorrer em uma noite, ou em 
apenas um evento. Aqui se encontra o valor do verdadeiro discipulado, do trabalho lento e 
constante, da gestação de Cristo em nosso interior (Gálatas 4.19). 
 
Somos pródigos em produzir deuses que se amoldem às nossas vaidades e desejos. Em 
vez de almejarmos ter o caráter de Deus, optamos por fazer deuses adequados à nossa vil 
humanidade – não é sem razão que os deuses gregos são famosos por revelar 
características essencialmente humanas; são deuses feitos segundo o coração do homem. 
Mesmo quando não fabricamos deuses em madeira ou barro, nós os concebemos em 
nossas mentes. Assim como na constatação de Paulo em Atenas (Atos 17), descobrimos 
em nós mesmos uma religiosidade latente, porém sofremos da pretensão de adorar a um 
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Deus que não conhecemos. Nesse caso, ecoa o apelo do profeta Oséias: “Conheçamos o 
Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo” (Oséias 6.3). Mais que todos os nossos esforços 
por realizar tarefas ou oferecer sacrifícios, o Senhor deseja que tenhamos empenho em 
conhecê-lo (Oséias 6.6; Miquéias 6.7,8). 
 
Por tudo isso se fez extremamente necessária e relevante a dramática exortação de Josué 
na assembléia de Siquém, muitos anos mais tarde: “Agora temam ao Senhor e sirvam-no 
com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram 
além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor” (Josué 24.14). Josué sabia muito bem o 
que estava fazendo. Às portas da Terra da Promessa, não faria sentido arrastar para 
dentro de uma nova vida aquele povo com os seus velhos pecados e vícios. Ele foi capaz 
de compreender que é relativamente simples retirar os deuses do altar e lançá-los fora, 
mas não é tão simples tirá-los do coração. Esse conceito se estende por toda a Escritura e 
é traduzido nos escritos de Paulo nos seguintes termos: “Despir-se do velho homem” e 
“revestir-se do novo, criado para ser semelhante a Deus” (Efésios 4.22-24). 
 
O PROCESSO DE PURIFICAÇÃO DO DESERTO 
 
Dessa forma, entendemos por que o deserto é parte de um processo terapêutico utilizado 
por Deus; funciona como um depurador da fé. É ali que se aprende a crer não apenas no 
Deus de poder que realiza sinais e maravilhas, mas no Deus cuja aliança com Seu povo 
exige que Ele tome a frente e seja o Bom Pastor. É o que diz o testemunho do próprio 
Deus: “Lembrem-se de como o Senhor, o seu Deus, os conduziu por todo o caminho do 
deserto, durante estes quarenta anos, para humilhá-los e pô-los a prova, a fim de conhecer 
suas intenções, se iriam obedecer aos seus mandamentos ou não. Assim, ele os humilhou 
e os deixou passar fome. Mas depois os sustentou com maná, que nem vocês, nem os 
seus antepassados conheciam, para mostrar-lhes que nem só de pão viverá o homem, 
mas de toda palavra que procede da boca do Senhor” (Deuteronômio 8.2,3). A verdadeira 
questão aqui é a aliança de Deus com o povo. A obediência aos mandamentos é a 
condição fundamental para a participação nos benefícios daquela aliança. A provisão, os 
recursos e os milagres são apenas parte das ações salvíficas do grande “Eu Sou”. 
 
O deserto é lugar de purificação; ali toda vaidade é trazida à tona e o coração é tratado. É 
nele que enfrentamos o nosso maior adversário na batalha espiritual: nós mesmos. Nossas 
intenções e pretensões são redirecionadas ou até mesmo substituídas por outras que 
sirvam ao propósito de Deus. Foi assim que o Senhor Jesus se tornou aprovado. À 
semelhança de Israel, Ele também foi levado pelo Espírito ao deserto (Mateus 4.1). Ali, 
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entrou em contato com o mesmo dilema daquele povo: servir a Deus ou a si mesmo? 
Satisfazer a vontade do Pai ou saciar a fome de pão? Amar a Deus acima de todas as 
coisas ou criar deuses mentais que venham a se adequar ao limite da sua humanidade? 
Ele escolheu ser fiel à vontade do Pai e assim sobreviveu ao deserto (Mateus 4.2-11). Não 
há outro meio de atravessar para além do Jordão e entrar na Promessa a não ser pelo 
deserto: “E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” 
(Lucas 14.27). Nele, ou escolhemos o caminho da fidelidade a Deus e sobrevivemos ou 
tombamos ante a fragilidade do que somos. 
 
OS QUE CAÍRAM NO DESERTO 
 
Mesmo que, em princípio, o povo tenha estado tão perto da verdade sobre Deus, com o 
tempo acabou se afastando cada vez mais. A poucos dias da Terra Prometida, sua falta de 
fé revelou quão longe estavam de Javé. No episódio dos doze espias (Números 13), no 
retorno da missão de reconhecimento, dez homens trouxeram um relato desolador. 
Descreveram a si mesmos como “gafanhotos” diante dos gigantes da terra de Canaã. Essa 
autoimagem tão depreciativa mostra uma total falta de maturidade espiritual. Por outro 
lado, dois deles, Josué e Calebe, expressaram a verdadeira fé no verdadeiro Deus – eles 
reconheceram o tamanho do desafio, mas demonstraram total confiança em si mesmos e 
no seu Deus. Eles não tinham fé na fé, mas confiavam na palavra do Deus que fez a 
promessa – eles foram fiéis à aliança. O problema é que o povo se deixou levar pela 
maioria e em uníssono chorou, rendendo-se ao medo e à incredulidade. Aqui não se trata 
de ter muita ou pouca fé, mas apenas de confiar ou não na promessa. 
 
Uma sentença pesada veio da parte do Senhor: “No entanto, juro pela glória do Senhor 
que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais miraculosos 
que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes 
– nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. 
Ninguém que me tratou com desprezo a verá. (...) Nenhum de vocês entrará na terra que, 
com mão levantada, jurei dar-lhes para sua habitação, exceto Calebe, filho de Jefoné, e 
Josué, filho de Num” (Números 14.21-23,30). 
 
Ao falar sobre o perigo da incredulidade, o autor aos Hebreus evoca esse momento crítico 
do povo no deserto (Hebreus 3.7ss). Sua análise daqueles fatos ajuda-nos a entender o 
que se passou com aquele povo. Ele fala do “coração perverso e incrédulo” que nos afasta 
do Deus vivo (3.12); o deus que eles conheciam não era o Deus vivo. Também fala da 
importância de nos apegarmos “até o fim à confiança que tivemos no princípio” (3.14). A 
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caminhada pelo deserto é longa, assim como a caminhada da vida – não basta ser fiel até 
certo ponto, mas é preciso ir até o fim. Nesse ponto, o mesmo autor tem uma palavra ainda 
mais forte: “Pois as boas novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; mas a 
mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada de fé por 
aqueles que a ouviram” (4.2). Aqui está a questão central da sentença divina: apesar de 
terem visto tudo o que o poder de Deus realizou, a palavra que lhes foi anunciada não foi 
seguida de fé para a salvação. 
 
Todos esses, contra os quais Deus esteve irado por quarenta anos, caíram no deserto 
(Hebreus 3.17). Nada lhes faltou. Foram eles que atravessaram o mar a pés enxutos; que 
beberam água da rocha; que viram a glória do Senhor. É curioso perceber que os que 
caem geralmente são aqueles a quem nada falta, desde Adão. Por isso, Hebreus adverte: 
“Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, 
seguindo aquele exemplo de desobediência” (4.11). Essa insatisfação que leva à queda só 
pode ser domada por meio da disciplina de uma vida que se volta para Deus, dia a dia. O 
maná de hoje não serve para o amanhã. A cada dia precisamos sair ao campo para colher 
uma nova porção de graça e sustento da parte do Senhor.Até que um dia o veremos como 
Ele é, conheceremos como somos conhecidos, nunca mais sentiremos qualquer 
necessidade e seremos completamente satisfeitos. 
 
A verdadeira fé é aquela que se sustenta, sobretudo, na esperança e no conhecimento da 
promessa e na obediência à Palavra. 
 
Assim se faz a verdadeira fé; ela é muito mais do que uma crença. É um tipo de 
conhecimento ou interpretação da verdadeira finalidade da vida, que é servir aos 
propósitos de um Deus de amor que tudo fez para a sua glória. Pedro é incisivo na 
definição do sentido pleno da fé: a salvação das nossas almas (1 Pedro 1.9). Foi para isso 
que Jesus Cristo se revelou: sua missão consiste em apresentar diante de si mesmo uma 
igreja pura, gloriosa, sem mancha nem ruga, mas santa e irrepreensível (Efésios 5.25-27). 
Cabe a cada cristão esquadrinhar as Escrituras em busca do entendimento dos termos 
dessa aliança e viver por eles. 
 
Por essa razão, Abraão é tido como paradigma da fé. Mesmo diante da possibilidade real 
de perder o que lhe era mais precioso, ele creu que a promessa feita a ele seria realizada 
– cumpriu-se em Abraão a máxima de Anselmo: (Anselmo de Cantuária viveu entre 1033 e 
1109 na Europa. Foi um teólogo e filósofo muito influente em seu tempo, formulando 
conceitos que buscavam conciliar a fé e a razão) “Crer para compreender; a fé em busca 
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de entendimento”. O propósito maior é agradar aquele que fez a promessa. Por esse 
motivo aquele crente subiu o monte Moriá com a decisão firme de obedecer a Deus, ainda 
que o seu coração sangrasse dentro do peito. “Assim, quer vocês comam, bebam ou 
façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Coríntios 10.31). Essa fé 
sustentou o Filho de Deus em suas maiores provas (Mateus 4.1-4). Pode parecer estranho 
pensar que Jesus precisou de fé, mas o fato é que Ele não só precisou como expressou 
sua fé muitas vezes: “Durante seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e 
súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido 
por causa da sua reverente submissão. Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por 
meio daquilo que sofreu” (Hebreus 5.7,8). Pode-se perceber isso em sua agonia no 
Getsêmani: “Meu Pai, se for possível afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu 
quero, mas sim como tu queres” (Mateus 26.39). 
 
Paulo também se apegou à fé na vontade soberana de Deus para suportar as várias 
situações-limite por que passou: “Mas temos esse tesouro em vasos de barro, para mostrar 
que este poder que a tudo excede provém de Deus, e não de nós. De todos os lados 
somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; 
somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 
4.7-9). O que sustentava esse homem em meio a tanta contrariedade? A esperança na 
fidelidade daquele que fez a promessa. Para Paulo, só há verdadeira vida em Cristo, e a 
própria morte torna-se lucro, cumprindo-se o propósito de Deus (Filipenses 1.20,21). 
 
Pedro expressa claramente qual é a função do poder de Deus manifestado na vida dos 
seus filhos: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a 
piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria 
glória e virtude” (2 Pedro 1.3). Ao refletirmos cuidadosamente nesse único versículo, 
perceberemos que: 
 
a) Pelo seu poder, Deus nos dá tudo de que necessitamos – não tudo o que queremos 
– e isso deve nos encher de paz e confiança; 
 
b) Ele nos dá para que pratiquemos uma vida piedosa – há uma finalidade bem clara 
na liberação do seu poder e provisão; 
 
c) Essa prática deve ter como base/meta o pleno conhecimento da pessoa de Jesus. 
 
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Então, o que Deus faz tem a finalidade de revelar o que Deus é. Tudo o que Ele criou e 
cria tem como propósito final a exaltação da sua glória. 
 
TUDO PARA A GLÓRIA DE DEUS 
 
Semelhantemente ao povo de Deus no passado, em muitos momentos nós adulamos o 
Senhor com a boca, “enganamos” com a língua, mas o nosso coração não é sincero. Não 
somos fiéis à sua aliança. O que dizemos sobre Deus nem sempre reflete algo sobre Ele, 
de fato. Quando lemos em um adesivo: “Deus é fiel”, na maioria dos casos essa 
declaração nada tem a ver com Deus. Só estamos dizendo que conseguimos obter aquele 
bem em que colamos o tal adesivo e estamos felizes por isso. Na verdade, dizer que Deus 
é fiel não pode ser uma atitude associada ou condicionada à suposta prova dessa 
fidelidade. Deus é fiel porque a fidelidade faz parte do seu caráter, faz parte do seu ser. Ele 
permanecerá fiel, mesmo quando eu não conseguir obter aquilo que desejo – foi assim 
com o seu Filho amado. 
 
No entanto, se a nossa fé só pode se sustentar ante a manifestação do seu poder, ela 
corre o risco de morrer nesse deserto sem que possamos conhecer o verdadeiro Deus. 
Assim como a mulher de Jó, reduziremos Deus ao tamanho das circunstâncias de tempo e 
espaço. Para o bem da nossa fé, da verdadeira fé no verdadeiro Deus, Jó conseguiu 
discernir como poucos a verdade sobre Deus e o tipo de relacionamento que o Todo-
Poderoso tem com os homens: “Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal?” (Jó 
2.10); e ainda: “Embora ele me mate, ainda assim esperarei nele” (Jó 13.15a). 
 
O compromisso do Deus revelado nas Sagradas Escrituras é em primeiro lugar com a sua 
glória e com o louvor do seu nome. Nas palavras de John Piper: “Deus é a pessoa mais 
teocêntrica do universo”. (PIPER, John. Irmãos Nós Não Somos Profissionais. Shedd 
Publicações: São Paulo 2009; p. 20) Infelizmente, temos sido bombardeados por uma 
pregação antropocêntrica, na qual Deus, ou melhor, o que supomos ser deus, tem 
obrigações para conosco. Afinal, nós o aceitamos e, assim, o entendemos 
equivocadamente, Ele teria assumido tais obrigações. Dessa maneira, o homem está no 
centro, ele é merecedor. 
 
O fato é que esse delírio provocado pela liberdade da qual desfrutamos fez-nos esquecer a 
pregação primitiva: “Meus irmãos, quero que saibam que mediante Jesus lhes é 
proclamado o perdão dos pecados. Por meio dele, todo aquele que crê é justificado de 
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todas as coisas das quais não podiam ser justificados pela Lei de Moisés” (Atos 13.38,39). 
Toda a arrogância e a prepotência da religiosidade judaica se baseavam na 
incompreensão desse fato. Então, construíram um edifício religioso com base num sistema 
meritório, pela observância externa dos termos da lei mosaica. Mas seus corações 
continuavam conservando os mesmos velhos hábitos da vida na impiedade. Nas palavras 
de Jesus, em Lucas 11.39: “Vocês, fariseus, limpam o exterior do copo e do prato, mas 
interiormente estão cheios de ganância e de maldade”. Os judeus não aceitavam a graça, 
porque viver a graça de Jesus impõe a inversão do processo que eles viviam. 
 
É preciso limpar o interior do prato e viver o dia a dia confiando apenas na graça, 
praticando a justiça e a verdade. Com base nisso, o discípulo de Jesus entende que: 
 
a) Ele não merece nada do que recebe – e tudo o que ele é e possui vem de Deus: 
“Tudo vem de ti e nós apenas te demos do que vem das tuas mãos” (1 Crônicas 29.14b); 
 
b) por receber tanto de Deus sem nada merecer, a única atitude sensata do discípulo é 
servir a Jesus bem enquanto viver, seguindo o exemplo do apóstolo Paulo: “... nem 
considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a 
corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou” (Atos 20.24). Não se trata 
de expressar gratidão – não no sentido de tentar cobrir a medida do bem recebido das 
mãos de Deus mediante oserviço a Ele – mas “gratuidade”, pela doação da vida em 
resposta ao amor extremo derramado em nossos corações. 
 
Talvez seja o caso de recuperar a compreensão primitiva da provisoriedade dessa vida; 
assumir o custo da decisão de não vivê-la como um fim em si mesmo, de não amar a 
criatura acima do Criador. 
 
O cerne da mensagem cristã é a glória de Deus. Por toda a Bíblia, desde o Antigo 
Testamento, encontramos marcas profundas dessa mensagem. Nos livros da lei: “(...) eu 
serei glorificado por meio do faraó e de todo o seu exército (...)” (Êxodo 14.4b); nas 
palavras dos profetas: “Por amor do meu próprio nome eu adio a minha ira; por amor do 
meu louvor eu a contive, para que você não fosse eliminado” (Isaías 48.9); “Embora os 
nossos pecados nos acusem, age por amor do teu nome, ó Senhor!” (Jeremias 14.7ab); 
nos salmos: “Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, para a glória do teu nome;” (Sl 79,9a); 
“Não a nós, Senhor, nenhuma glória para nós, mas sim ao teu nome, por teu amor e por 
tua fidelidade” (Salmos 115.1). Não temos dificuldade em aceitar a graça. O nosso 
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problema é permanecer na graça. Essa era a recomendação de Paulo aos irmãos de 
Antioquia (Atos 13.43) – continuem na graça. Ele tinha plena consciência de que o cristão 
deve ter como alvo a glória de Deus em tudo o que faz (1 Coríntios 10.31), pois a 
finalidade de tudo o que a Escritura revela é que Deus seja TUDO em todos (1 Coríntios 
15.28). 
 
A aliança de Jesus com os seus discípulos está fundamentada numa clara noção de 
serviço. Nos seus últimos momentos com eles, naquela hora em que Ele só podia pensar 
em algo que fosse absolutamente essencial, sua escolha foi convidá-los para uma última 
refeição. Após aquele momento tão singularmente especial, os discípulos passaram a 
disputar entre si qual deles seria o maior – isso é o que somos nós. Diante disso, Jesus 
tomou uma bacia com água, uma toalha, e passou a lavar-lhes os pés – isso é o que 
precisamos ser (cf. Lucas 22; João 13). Ao propor a série de parábolas das “coisas 
perdidas” (Lucas 15), Jesus deixa uma clara lição da correta relação do pecador com a 
graça recebida. É preciso perder tudo, vender tudo, desamar a tudo e correr para os 
braços do Pai. 
 
O VERDADEIRO DEUS REVELADO EM CRISTO 
 
Jesus falou à mulher samaritana sobre os verdadeiros adoradores e o verdadeiro culto 
(João 4), o que pressupõe uma falsa adoração e um falso culto. Falou também aos judeus 
que o perseguiam, mostrando-lhes a incoerência da sua religiosidade: “Vocês estudam 
cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são 
as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para 
terem vida” (João 5.39,40). Essa declaração de Jesus é de grande importância, pois deixa 
claro que é possível que alguém examine e “estude cuidadosamente” as Escrituras e nelas 
encontre algo bem diverso daquilo que Ele veio revelar. E mais, mostra que o estudo da 
Bíblia por si só pode não levar a Cristo. Em ambos os casos, Jesus procura alertar para o 
perigo da devoção a um deus desconhecido. Isso fica ainda mais evidente na declaração 
de João 8.19: “Vocês não conhecem nem a mim, nem a meu Pai”. Só Jesus pode revelar o 
verdadeiro Deus, pois Ele é o verdadeiro Deus e a vida eterna (1 João 5.20); “Quem me 
vê, vê o Pai” (João 14.9). Então, qualquer aproximação das Escrituras em busca do 
verdadeiro Deus deve ser feita em humildade de espírito e livre de preconceitos, em inteira 
rendição a Jesus Cristo, sem “mas”. 
 
Paulo dedica boa parte de seus escritos a demonstrar qual é o Cristo que ele anuncia (1 
Coríntios 1.23; 2.2; Romanos 5.8; Gálatas 3.1; 6.14; Colossenses 1.20; 2.4). Sua 
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mensagem mostra que a Cruz é o centro da mensagem cristã. Mas o Cristo crucificado é 
escândalo para os judeus e loucura para os gentios, pois estes buscavam o deus da 
sabedoria e aqueles o deus dos sinais e milagres – herança da geração que caiu no 
deserto. 
 
O fundamento pode ser o correto, mas a edificação sobre ele precisa preservar a correção 
(1 Coríntios 3.10-15). Os gálatas começaram a carreira de modo correto, mas aos poucos 
se deixaram desviar da retidão (Gálatas 3.1ss). É plausível deduzir que a Igreja primitiva 
ainda oscilava entre o verdadeiro Deus e o falso e que a causa disso era o entendimento 
equivocado da verdade do Evangelho. Então, mesmo sendo grato pelo simples fato de os 
irmãos demonstrarem fé e amor ao Senhor Jesus, Paulo orava por eles para que 
entendessem qual era a esperança à qual foram chamados (Efésios 1.15-19). A teologia 
paulina é pontilhada pela esperança. Não se trata de otimismo em relação às coisas 
terrenas, mas de confiança e certeza na consumação da obra que Deus, um dia, começou 
em cada um de nós (Romanos 8.18-27; Filipenses 1.6). (Saiba mais em ZÁGARI, Maurício, 
A Verdadeira Vitória do Cristão. Rio de Janeiro: Anno Domini, 2012) 
 
A primeira vez que li as palavras de 1 Coríntios 11, fui tomado de pânico. Nesse trecho das 
Sagradas Escrituras, pude ver que é perfeitamente possível nos reunirmos como Igreja, em 
nome de Deus, tendo o mobiliário disposto corretamente, a Palavra de Deus nas mãos, os 
sacramentos diante de nós, o “povo de Deus” no mesmo lugar e, ainda assim, não termos 
um culto verdadeiro. E mais: é possível que, nesse caso, o culto nos faça mais mal do que 
bem (1 Coríntios 11.17). Paulo usa palavras pontiagudas e que fazem perceber que 
precisamos nos dispor constantemente ao autoexame quanto à validade da nossa fé e 
consequentemente do nosso culto: “Quando vocês se reúnem [para participar da ceia], não 
é para comer a ceia do Senhor”; “Examine-se cada um a si mesmo, e então coma do pão e 
beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe 
para sua própria condenação” (1 Coríntios 11.20,28,29). 
 
Então, cooperando com a palavra de Jesus à samaritana, é possível que venhamos a 
oferecer um falso culto, provocado por uma falsa ideia de Deus e de sua obra. Isso me faz 
tremer. Antes de Jesus vir ao mundo e antes dos ensinos de Paulo, Isaías já alertava o 
povo de Deus sobre o falso e o verdadeiro culto. O profeta denunciou que não havia prazer 
em Deus pelo culto que o povo oferecia, pelo contrário, Ele expressava repugnância 
(Isaías 1.11-13). Se o alvo for a glorificação do verdadeiro Deus, o culto a Ele precisa ser 
feito em conformidade com a prática da justiça (Isaías 58). 
 
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LANÇANDO FORA OS FALSOS DEUSES 
 
Como restaurar o verdadeiro culto? A primeira coisa a fazer é retomar o conceito bíblico do 
verdadeiro Deus. Vivemos um tempo em que grande parte das pessoas que frequenta a 
igreja só conhece o Senhor de ouvir falar – da mesma forma que Jó, antes da sua 
experiência transformadora no deserto. Consequentemente, essas pessoas não 
experimentam a necessária devoção que precede o culto. De fato, precisamos retomar a 
compreensão sobre a nossa relação com Deus típica do primeiro amor. O chamado do 
Senhor ao homem é para que, uma vez liberto, o seu caminho seja conduzido por Deus. O 
Senhor não quer ser apenas aquele que “abençoa” – não no sentido triunfalista onde a 
palavra “bens” virou sinônimo de bênção – mas quer, principalmente, ser o Guia do 
caminho dos seus filhos. É para isso que Ele nos liberta; para que possamos tomar a 
decisão livre de lhe rendermos inteiramente nossas vidas. 
 
Antes de conhecermos o Senhor, vivíamos guiados por desejos e paixões egoístas que 
nos levavam à obediência ao curso desse mundo. Nesse estado, a Bíblia diz que 
estávamos mortos (Efésios 2.1-3). Aqui há um diálogo que precisa ser considerado 
constantemente: se vivermos para o pecado,morremos para Deus; se vivermos para 
Deus, morremos para o pecado. 
 
É por isso que, muitas vezes, o Senhor permite que as lutas venham, pois por meio 
delas o Pai nos leva de volta à obediência e à retidão, o que possivelmente redundará em 
bênção (Salmos 119.67): “Antes de ser castigado, eu andava desviado, mas agora 
obedeço à tua palavra”. 
 
É necessário lançar fora os falsos deuses aos quais servíamos antes de conhecer o 
Senhor Jesus. Ninguém pode ver o Reino sem nascer de novo, mas o novo nascimento é 
apenas o início de uma longa jornada que só pode ser levada a efeito com muita seriedade 
e disciplina. O homem natural não nasce nem um pouco disposto a seguir a vontade do 
Senhor. A nossa herança original é a natureza de Adão – arrogante e desobediente. Os 
salmistas sabiam que o caminho do Senhor precisa ser aprendido: “Ensina-me o teu 
caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, 
para que eu tema o teu nome” (Salmos 86.11). Também sabiam que a iluminação desse 
caminho vem da Palavra de Deus (Salmos 119.105). Quando aprendemos o caminho e 
passamos a andar por ele, então Deus deixa de ser apenas uma ideia nebulosa em nossas 
mentes para ser o verdadeiro Senhor. 
 
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CONCLUSÃO 
 
Precisamos buscar ajuda em Deus para abrir mão de toda ideia distorcida que temos a seu 
respeito. Tal postura nos levará a abandonar os falsos deuses que formulamos em nossas 
mentes por causa da nossa vaidade. Sendo assim, as necessidades cotidianas não 
determinarão a nossa fé nele, pois sabemos que não estamos em condições de exigir 
nada, pois tudo de melhor que o Senhor poderia nos dar, Ele já nos deu. Então, ficaremos 
livres de todo jugo e viveremos contentes com o que Ele faz e confiantes na sua provisão, 
agora e no futuro. E, assim, saberemos com certeza que o Deus dos Exércitos sempre 
estará ao nosso lado na hora em que formos enfrentar toda e qualquer batalha espiritual. 
* * * 
 
 
 
 
 
 
Sim, nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e potestades, 
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas 
regiões celestes. Sim, Satanás e seus demônios militam contra nós. E sim, estamos em 
guerra espiritual. Mas não podemos parar aí. Temos que saber também que sim, Deus é 
muito mais poderoso que Satanás. Sim, o maior campo de batalha espiritual, onde o 
Adversário lança seu mais intenso bombardeio, é a nossa mente. Sim, a Palavra de Deus é 
nossa maior arma nessa luta, junto com a fé, a esperança e o amor. E sim, Cristo tem 
sempre que ser o foco da nossa vida, das nossas preocupações e de nossos cultos, e não 
as hostes espirituais da maldade. 
 
Vivemos num mundo tenebroso e em dias sombrios. Mas não apenas porque há demônios 
entre nós ou porque o Diabo anda ao nosso derredor buscando a quem possa tragar. As 
trevas e sombras que recaem sobre a Igreja de Jesus Cristo têm origem em grande parte 
dentro das nossas próprias congregações. Pois muitos de nós têm devotado muito mais 
atenção aos demônios do que a Cristo. 
 
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Ou seja: trocamos o prato principal pela sobremesa. Trocamos o primário pelo secundário. 
Trouxemos para o epicentro da nossa vida de fé algo que deveria estar na periferia. Jesus 
não dava conversa para demônios. Sua metodologia consistia simplesmente em “Cala-te e 
sai”. Mas só isso não dá ibope, não sustenta um “ministério”, não gera congressos, não 
atrai pessoas amedrontadas, não cria shows de TV. O que desperta a mórbida curiosidade 
dos temerosos e desinformados adeptos dos ensinos atuais de “batalha espiritual” – com 
técnicas, mapeamentos, hierarquias, nomes e mil outras informações fornecidas por 
supostos ex-satanistas, por demônios mentirosos que se manifestam em exorcismos ou 
por pessoas que tiveram “revelações” – são esses seres do mal, que passaram a ditar as 
ações de suas vidas de fé. 
 
Os adeptos dessa corrente de “batalha espiritual” repreendem mais os demônios do que 
oram a Deus. Dedicam-se mais ao estudo das supostas verdades ocultas do que a uma 
boa análise teológica. Fascinam-se por séries intermináveis de livros de autores que 
garantem ter tido experiências sobrenaturais, arrebatamentos e outras vivências que 
revelam o que a Bíblia não diz. 
É possível que um ou outro desses relatos seja verídico? Que o que os demônios digam 
em sessões de exorcismo seja verdade? Só Deus o sabe. Mas essas são as perguntas 
erradas. As perguntas certas são: de que modo esses relatos e essas afirmações afetam 
minha caminhada de fé? Aproximam-me mais de Cristo? Tornam-me um cristão melhor? 
Ajudam-me a amar mais a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo? 
Estimulam em mim a manifestação do fruto do Espírito? Levam-me ao arrependimento dos 
meus pecados? Conduzem-me a buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua 
justiça? Fazem a minha adoração ser mais bíblica, cristocêntrica e realizada em espírito e 
em verdade? 
 
Essa é a questão. Se sairmos bem de uma batalha espiritual mas não dissermos “sim” a 
essas perguntas... terá de fato sido um triunfo? Ou apenas placebo? Como em tudo no 
bom combate da fé, devemos buscar na Bíblia a resposta. Em nenhuma outra fonte: na 
Bíblia e na Bíblia somente. E as palavras de Jesus proferidas no Sermão do Monte nos 
dão uma boa pista sobre isso. Ouçamos o que o Mestre diz, como registrado no capítulo 7 
do evangelho segundo Mateus: 
 
Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por 
dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. (...) Nem todo 
aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que 
faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, 
Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não 
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realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-
se de mim vocês, que praticam o mal! 
 
Vemos então que expulsar demônios não é credencial para ninguém afirmar que conhece 
Cristo. Chamar Jesus de “Senhor” também não. Mas sim dar bons frutos. Mateus 3.10 
afirma: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto 
será cortada e lançada ao fogo”. Qualquer semelhança com o Salmo 1 não é mera 
coincidência: 
 
Como é feliz aquele que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos 
pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores! Ao contrário, sua satisfação está na 
lei do Senhor, e nessa lei medita dia e noite. É como árvore plantada à beira de águas 
correntes: Dá fruto no tempo certo e suas folhas não murcham. Tudo o que ele faz 
prospera! Não é o caso dos ímpios! São como palha que o vento leva. Por isso os ímpios 
não resistirão no julgamento, nem os pecadores na comunidade dos justos. Pois o Senhor 
aprova o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios leva à destruição! 
 
Ser bem-sucedido na grande batalha espiritual é tornar-se como essas árvores: plantadas 
à beira de águas correntes, que dão fruto no tempo certo e cujas folhas não murcham. Que 
assim seja nossa vida, como ramos ligados à Videira Verdadeira e não a qualquer figueira 
seca. Se não, não teremos vida. Pelo contrário, seremos amaldiçoados pelo Senhor, 
secaremos e morreremos. Mas se nos mantivermos ligados à Videira de onde vem a seiva 
da vida teremos vida em abundância nesta terra. E, mais importante: teremos vida ao lado 
de Deus por toda a eternidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 6 
ASPECTOS POSITIVOSE NEGATIVOS DA BATALHA ESPIRITUAL 
 
 
ASPECTOS POSITIVOS 
 
Inicialmente, é preciso arrolar os aspectos positivos do atual movimento de discernimento 
da batalha espiritual. No entanto, qualquer lista que se faça está longe de ser exaustiva e 
completa, elegendo apenas alguns dos movimentos básicos que precisam ser pensados 
por nós. 
 
Pensando, portanto, inicialmente, nos aspectos positivos do movimento de batalha 
espiritual, dizemos que o seu aspecto responsivo em relação à tendência atual é positivo. 
Eu, particularmente, gosto de tudo aquilo que responde à realidade. De alguma forma, nós 
estamos, durante anos, refletindo sobre a necessidade de a Igreja ser uma instituição que 
responda à realidade. 
O atual movimento de batalha espiritual - sem que aqui haja qualquer justificativa dos seus 
conteúdos e do que está sendo pregado - mostra que a Igreja foi capaz de dar um "bate-
pronto”, ou seja, aquele chute de primeira, na linguagem futebolística. Há nesse 
movimento, portanto, uma resposta imediata. 
O segundo aspecto positivo é a releitura da Bíblia nessa perspectiva, ou seja: todos os 
acontecimentos mundiais que nos cercam, forçando a Igreja a dar uma resposta, fazem 
também a Igreja reler a Bíblia com outros olhos. Começa-se a descobrir que a Bíblia fala 
de coisas que até então se pensava não existirem. Assim, qualquer situação externa 
secular, ampla, que de algum modo cercou e cerceou a Igreja, forçou- a a refletir e a 
responder a tais questões de uma maneira mais adequada. Há uma quantidade enorme de 
textos bíblicos que, em outras ocasiões, estavam esquecidos “na prateleira”, postos de 
lado, mas que agora estão sendo recuperados e repensados, tornando-se objetos de 
reflexão. O problema surge quando as coisas se tornam exageradas, porque toda e 
qualquer releitura da Bíblia que se torna exagerada, de algum modo, deforma-se e adoece. 
Mas, ainda que exageradas, essas releituras acabam sendo úteis àqueles que ouvem 
todas as coisas e estão dispostos a reter o que é bom, com uma mente madura e 
equilibrada. 
Eis alguns exemplos: há algumas décadas, houve um movimento na Igreja Evangélica no 
mundo que era o da teologia da secularização, a qual era extremamente exagerada. 
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Aqueles que embarcaram nela apaixonadamente acabaram perdendo a fé, perdendo a 
espiritualidade e a possibilidade de se relacionarem com o invisível, tornando-se áridos e 
secos. Houve outros, todavia, que não embarcaram naquela teologia, mas que 
conseguiram resgatar dela o aspecto positivo, qual seja, a convocação de levar o sagrado 
e a espiritualidade para o mundo. Ora, essa é uma convocação positiva, porém só foram 
capazes de fazê- la e de executá-la aqueles que foram capazes de fazerem uma reflexão 
crítica, discernindo o que servia ou não, o que era ou não de acordo com a Palavra de 
Deus. 
Outro exemplo é o da teologia da esperança, que cerca de 30 anos passados exacerbou a 
consciência de alguns, fazendo-os mergulharem num mundo de utopias irrealizáveis, 
frustrando e amargurando todos aqueles que nela acreditaram ardorosamente. Mas, 
mesmo assim, ela deixou um "saldo positivo” àqueles que a discerniram não de forma 
ardorosa, fazendo-os concluir que a fé cristã precisa ter referenciais utópicos que sejam 
seus engravidadores, sendo aqueles que remetem para adiante, estabelecendo 
referências maiores do que a mediocridade circundante. 
A Teologia da Libertação é um outro bom exemplo. Com ela ocorreu a mesma coisa. Os 
que creram nela obcecadamente reduziram o mundo ao estômago e aos elementos sociais 
e econômicos, perdendo, deste modo, uma série de outras percepções. Entretanto, os que 
foram capazes de encará-la como um movimento que continha aspectos positivos, 
integrando-os às suas vidas tais como os elementos relacionados às práticas sociais, os 
quais são úteis e inteiramente bíblicos - não exacerbaram o que de bom havia nessa 
teologia. 
 
Em qualquer situação é sempre assim: os exageros são sempre perniciosos (eu, 
pessoalmente, acredito que o diabo é o pai dos exageros). 
A terceira tendência positiva no movimento de batalha espiritual é a sua busca de 
discernimento espiritual. No atual movimento de batalha espiritual há todo um desejo de 
compreender o mundo espiritual, de discernir principados, potestades, sendo levada a 
sério essa tarefa, procurando desnudá-los, objetivando discernir o que acontece nas 
regiões celestiais. 
 
O quarto aspecto positivo no movimento de batalha espiritual é que o seu espírito de 
combatividade é apreciável, como a criação de um louvor de guerra bonito, gostoso 
extremamente desafiante, fazendo-nos deixar de lado os cânticos mais tradicionais, para 
entoarmos canções mais aguerridas como, por exemplo, “Ele é o Leão da tribo de Judá” e 
"O nosso General é Cristo”. Tais louvores têm a propriedade de elevarem a alma a um 
estado de exaltação tão tremendo, que faz uma pessoa sentir-se capaz de, em nome de 
Jesus – O qual é o “Leão da tribo de Judá”, e O qual também é o “nosso General” -, vencer 
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qualquer inimigo, mesmo que seja o diabo. Sem dúvida alguma, tais cânticos são muito 
mais motivantes para esta geração do que aqueles hinos tradicionais (com algumas 
exceções, é claro!), porque estes não nos desafiam a um confronto com o inimigo - 
conquanto eu acredite que estes hinos tenham a sua hora e o seu espaço, convidando-nos 
para uma reflexão mais intimista. 
 
O quinto aspecto positivo no movimento de batalha espiritual é a sua visão estratégica da 
cidade, especialmente nos contextos urbanos. Há um apelo enorme para que se 
compreendam as relações que se estabelecem dentro dela e para que se compreendam 
as forças que operam nela; quais são os principados e potestades que se assenhorearam 
das estruturas urbanas? Isso tudo tem um valor enorme, no que se refere à evangelização 
urbana, a qual não é feita sem que aqueles que a praticam tenham a visão da cidade como 
um grande ente social, que precisa ser discernido e enfrentado no conjunto das forças 
visíveis e invisíveis componentes desse ajuntamento humano. 
 
Esses são alguns aspectos positivos do movimento de batalha espiritual que merecem 
destaque, portanto. Em contrapartida, também acredito ser importante listar alguns 
aspectos negativos desse movimento, os quais não devem ser entendidos como 
resultantes de uma reflexão pessoal crítica e azeda, mas apenas como a revisão deles, 
objetivando uma proposta equilibrada. 
 
ASPECTOS NEGATIVOS 
 
O primeiro aspecto negativo é a ênfase no macro, no grande, que tem roubado a 
percepção do micro, instância na qual as pessoas reais existem na espiritualidade. Ou 
seja, hoje em dia, vêem-se freqüentemente as pessoas “amarrando” demônios nos ares. 
Pessoas vão às praças públicas, fazendo o exercício de “amarrar” os principados e as 
potestades, dizendo: 
 
“- Tá amarrado!” 
 
No entanto, os possessos continuam nas esquinas. O que é interessante no movimento de 
batalha espiritual é que cada vez mais ele está mais macro, porém cada vez mais menos 
encarnado; cada vez mais gigante, intentando "amarrar” os demônios que atuam na 
cidade, entretanto pessoas possessas continuam transitando pelas ruas. 
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Outra nuance do macro, que vai vencendo o micro, é que se ora cada vez mais em grupo, 
todavia menos individualmente. Vê-se uma ênfase enorme nas atitudes públicas e 
coletivas como ir à praça “amarrar” demônio, orar em público, cantar em público... Mas, a 
pergunta que faço é a seguinte: como são tais pessoas em casa, sozinhas? Será que toda 
a exaltação e fervor demonstrados em público continuam? Parece que não. 
 
O segundo aspecto negativo do movimento debatalha espiritual é que a ênfase no 
invisível tem roubado em muito a visão do visível. Todos estão “especialistas” em ver o 
invisível; porém, estão cegos para ver o visível. Por exemplo: batalhamos contra os 
exércitos nas regiões invisíveis, entretanto esquecemo-nos da prostituta, que é um ser 
visível e que carece da nossa ajuda. Mas, “amarram-se” principados e potestades nas 
regiões celestiais (eu não tenho nada contra isso! Acredito que se deve enfrentá-los com 
oração, em nome de Jesus), em detrimento da prostituta, do drogado, do menor de rua, 
dos seres visíveis e cotidianos - os quais não devem ser jamais esquecidos - com os quais 
nos deparamos na nossa cidade e no nosso país. 
 
Outro exemplo é que se enfrenta o espírito de corrupção do país, mas se vota num 
candidato evangélico corrupto. É um paradoxo: “amarram-se” principados e potestades nas 
regiões celestiais, mas se vota num candidato evangélico visivelmente corrupto. Se se quer 
“amarrar” o demônio da corrupção, deve- se começar por não votar em candidato 
evangélico corrupto, começando, com isso, a fazer um “exorcismo” no Congresso. 
Um outro exemplo ainda pode ser dado. “Amarra-se” o espírito de violência sobre o Rio de 
Janeiro, mas não se faz nada contra os agentes visíveis da violência que atuam entre nós, 
destruindo e deturpando a vida de crianças nas ruas, e corrompendo a vida de homens e 
de mulheres. Faz-se nada, ou quase nada contra isso. 
 
O terceiro aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é que a ênfase no 
discernimento dos espíritos tem causado muita neurose. Há tanta gente discernindo 
espíritos a toda hora e em todo lugar, que até mesmo já discerniu o seu próprio espírito 
como maligno. Pessoas têm adoecido em razão disso. De vez em quando, encontro com 
uma dessas irmãzinhas fervorosas, que fazem diariamente orações de batalha espiritual, 
que me dizem - recorrendo ao dito popular - o seguinte: 
 
“- Pastor, por que quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece?" 
 
Eu lhe respondo: 
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"- Deixa o diabo em paz! A senhora não dá sossego a ele o dia inteiro!...” 
 
Certa vez me encontrei com uma irmã, num outro país, a qual me falou o seguinte: 
 
“- Eu vim para Europa, mas estou aqui com uma lista de pedidos pelos quais devo orar. Eu 
entro no banheiro, oro. Ando na rua orando. Mas, conquanto ore, minha cabeça está um 
inferno!” 
 
Eu lhe respondi: 
 
“- Sabe por quê? Mesmo que o diabo não existisse, alguém que pensa na vida apenas 
considerando as lutas, as opressões e as dificuldades, como a senhora pensa, está 
vivendo num inferno. Não precisa de diabo nem de demônio. A senhora já se basta, 
vivendo desse modo.” 
 
Cuidado com esse tipo de gente que vê diabo em todas as coisas! Tenho, particularmente, 
muito medo de qualquer espiritualidade que vê o diabo mais ativo no mundo do que o 
Espírito de Deus. Qualquer espiritualidade que vê o diabo agindo mais intensamente no 
mundo do que o Espírito Santo de Deus está doente. Não se pode viver uma 
espiritualidade que faça do diabo o ser mais poderoso do mundo do que Deus; não se 
pode viver uma espiritualidade que faça de espíritos malignos os agentes mais atuantes do 
mundo do que o Espírito Santo de Deus. Afinal de contas, devemos acreditar no que nos 
diz o apóstolo João: 
 
"(...) porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo.” 
 
(I João 4:4b) 
 
O quarto aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é a ênfase maniqueísta da 
luta do bem contra o mal. Ou seja: parte do movimento de batalha espiritual vê o mundo 
assim: as forças da luz de um lado contra as forças das trevas de outro. É o bem contra o 
mal. Essa visão maniqueísta da luta do bem contra o mal cega a visão de que bem e mal 
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se interpenetram na história humana desde a queda, no Éden. A primeira ocorrência de 
maniqueísmo se deu antes da queda do homem. Em Gênesis 1:4b isto pode ser verificado: 
 
“(...) e fez separação entre a luz e as trevas.” 
 
Hoje em dia, bem e mal se interpenetram. Basta ler o que Paulo escreveu aos romanos 
sobre o conflito que se operava em sua alma: 
 
“Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, 
e, sim, o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Neste 
caso, quem faz isto não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em 
mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum: pois o querer o bem está em mim; 
não, porém, o efetuá -lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, 
esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e, sim, o peca-do 
que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em 
mim. (...) Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” 
 
(Romanos 7: 15-21,24) 
 
Jesus também Se posicionou contra o maniqueísmo na parábola do joio e do trigo 
 
(Mateus 13:24-30), que diz: 
 
“Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que 
semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, vem o inimigo 
dele, semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu 
fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da cosa, lhe disseram: 
Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, 
lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e 
arranquemos o joio? Não! replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também 
com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita, e, no tempo da colheita, direi aos 
ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado: mas o trigo, recolhei-o 
no meu celeiro.” 
73 
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O que Jesus estava querendo dizer com tal parábola? Possivelmente isso: 
 
“- É tarefa muito difícil separar a luz das trevas. Cuidado! Só Deus, no fim de tudo, discerne 
o que é o quê, e quem é quem.” 
 
Cuidado, portanto! Porque o maniqueísmo pode cegar-nos a percepção de que em todo o 
bem há mal e de que em todo o mal há bem, desde a queda do homem. No homem mais 
malévolo encontra-se humanidade; no homem mais santo encontra-se perversão. 
 
O quinto aspecto negativo no movimento de batalha espiritual é a ênfase nos inimigos 
explícitos de Deus, que muitas vezes encobre a percepção e o discernimento espiritual 
daquelas que são as forças que agem contra Deus, ainda que usando o Seu nome. As 
pessoas estão tão preocupadas com os inimigos explícitos, que deixam de praticar 
discernimento com relação às forças (estas sim) antagônicas a Deus, mesmo se 
manifestando em nome dEle. O que há de gente, tanto em nome de Deus quanto no nome 
de Jesus, fazendo coisas que deixam Deus escandalizado é algo espantoso. Devemos ter 
cuidado, para que na luta contra potestades malignas que atuam na cidade em que 
moramos, não percamos o discernimento das potestades malignas que atuam na nossa 
denominação, na nossa igreja, que falam nos púlpitos das nossas conferências 
evangelísticas. Tal como Jesus diz em Mateus 
 
7:21-24: 
 
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a 
vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me.- Senhor, 
Senhor! porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não 
expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi 
explicitamente: - Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. 
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparadoa um 
homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”. 
 
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Com isto, a Palavra de Deus nos está dizendo que há muita gente expulsando demônios, 
profetizando e realizando milagres, em nome de Jesus, porém vivendo, na prática, contra 
Ele. 
 
O sexto aspecto negativo no movimento de batalha espiritual é a ênfase no papel 
poderosamente malévolo do diabo, que subtrai dos agentes humanos sua 
responsabilidade pelo mal moral e social que praticam. Há pessoas que fizeram do diabo 
um ser poderosamente malévolo, responsabilizando-o por todo mal que há no mundo, 
numa tentativa de isentarem-se da sua própria responsabilidade de evitarem o mal, 
praticando o bem. Tais pessoas, com essa postura, negam o que Tiago diz em sua carta: 
 
"(...) mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” 
 
(Tiago 4:7b) 
 
Em alguns lugares, vejo pessoas quase que pregando que o diabo é irresistível; quando 
ele faz o “strip-tease” da maldade, ninguém resiste. É o que andam pregando por aí. 
Cuidado! Tal maneira de pensar tira a capacidade de se viver com responsabilidade. 
 
O diabo, de repente, tornou-se um ser vicário no seio da igreja evangélica, levando todas 
as nossas culpas, apenas não nos perdoando, não nos redimindo e não nos salvando 
delas, mas explicando todas elas. O diabo transformou-se num “pobre diabo”. Hoje em dia, 
o indivíduo adultera, e alega, pondo a culpa no diabo: 
 
“-Foi o diabo que me induziu a isso.” 
 
Tirou-se do homem a responsabilidade moral e individual do pecado, colocando-a toda 
sobre o diabo, atribuindo-lhe toda culpa pelos deslizes humanos. 
 
O sétimo aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é a ênfase no choque de 
poderes nas regiões celestiais, que muitas vezes tira a racionalidade na percepção dos 
fenômenos históricos. Ou seja: às vezes estamos com a mente tão concentrada no mundo 
75 
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abstrato, que nós nos esquecemos do que diz Apocalipse 12:10, que afirma que a grande 
luta espiritual não é no céu, mas na terra: 
 
"(...) Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo 
que pouco tempo lhe resta.” 
 
Portanto, o grande discernimento não é o baseado na busca da compreensão do que 
acontece nas regiões abstratas; mas, o grande discernimento é aquele que procura 
compreender o que acontece aqui, no mundo concreto, onde o diabo se manifesta 
diariamente, nas situações as mais variadas. 
 
O oitavo aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é a ênfase na luta espiritual 
de olhos fechados e dentro dos lugares de oração, que faz de muitas reuniões de batalha 
espiritual verdadeiras sessões de “videogames” para crentes. 
 
Um pastor, certa vez, contou-me: 
 
“- Eu às vezes chego a algumas igrejas, e vejo alguns fliperamas, alguns jogos de salão 
acontecerem.” 
 
E, pensando no que ele me disse, certa vez chegando em casa, vindo de uma viagem, 
encontrei meu filho Lukas, que é "viciado” em Nintendo, entretido num desses jogos, numa 
"luta" do bem contra o mal. Há uma guerreira que dá umas espadadas no rosto de um 
gigante monstruoso e demoniacamente feio. Eu me aproximo do meu filho e lhe digo: 
 
“- Oi, Lukas!” 
 
E ele não dá a mínima: 
 
“-Ih!... Vai!... Aí”... Caraaaaamba!...”– continua ele envolvido no jogo. 
 
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Ele está "salvando” o mundo! Eu fico imaginando que a situação do Presidente dos 
Estados Unidos é mais confortável do que a desse meu filho, em relação à "salvação” do 
planeta. 
 
Tento outra vez: 
 
“- Lukas, sou eu ... papai! Cheguei de viagem!...”. 
 
E continua ele lá: 
 
"- Vai, vai, vai!... Ih!...Eh!... Eeeeeehhhhh! Uaaaaaaaaaaau! É demaaaaaaaais!” 
 
Às vezes, encontro-me em certos lugares nos quais a atitude de batalha espiritual está 
presente com todos os seus elementos bonitos, valorosos e válidos, entretanto fico com a 
mesma sensação de que as pessoas envolvidas estão fazendo apenas uma 
“performance”: “amarram” demônio aqui, "amarram” demônio ali; outros, mais ousados, 
jogam-no no abismo. Aí se ouvem expressões como: 
 
“- Temos que salvar a cidade! ‘Amarramos’ o país!... Tá ‘amarrado’ o demônio da 
corrupção do Brasil!” 
 
Ainda que tudo isso seja falado, embora se diga que o demônio da corrupção está 
“amarrado” os corruptos continuam soltos. A sensação que se tem, quando se sai de uma 
dessas reuniões de batalha espiritual, é que do lado de fora não há mais nenhuma criança 
abandonada na rua, que não há mais mendigo algum debaixo das marquises; que não há 
mais prostitutas nas esquinas, que os corruptos estão presos; que o Congresso Nacional é 
composto apenas de homens honestos e comprometidos com a causa pública; enfim, que 
não há mais problemas em nosso país. 
 
Entretanto, na vida real, do lado de fora, nada mudou. 
 
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A pergunta que se faz é a seguinte: há valor no movimento de batalha espiritual? Há. No 
entanto, não há valor na atitude triunfalista e simplista que imagina que numa espécie de 
“jogo de salão espiritual” se resolvem os problemas do país. 
 
Só há valor na atitude de oração, de intercessão e de enfrentamento, quando ela é adulta 
e amadurecida, e que sabe que em si mesma não resolve todas as coisas, mas que tem 
consciência que é parte de um processo muito maior, o qual nos transporta da oração e da 
intercessão para o mundo real, em nome de Jesus, para enfrentarmos as potestades 
visíveis (corrupção, prostituição, imoralidade, crises, guerras, fome, desamor, etc.) cujas 
correspondências invisíveis enfrentamos com nossa declaração de fé acerca do triunfo de 
Jesus na cruz. 
 
O nono aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é a ênfase exagerada na 
quebra de maldições, que reduz demais o discernimento dos males da alma, da mente, da 
família e da cultura, os quais geram hábitos adoecedores. 
 
Quando tudo é quebra de maldições, corre-se o risco de se cair num terreno perigosíssimo. 
Isto porque não se pode acreditar que maldições são quebradas apenas com oração e 
jejum. Como já se disse, elas fazem parte de um processo maior, o qual nos transporta de 
uma atitude intimista para uma atitude prática e real, a qual tem sua visibilidade concreta 
em ações para com o próximo, baseadas no caráter e na conduta de Jesus. Não adianta 
dizer-se cristão. É necessário, porém, viver a vida que Cristo viveu. 
A Bíblia não nos diz que Abraão fez um pacto com um espírito de mentira. Mas, a Palavra 
de Deus nos dá conta de que, toda vez em que se encontrava em apuros, ele mentia: 
 
"Quando se aproximava do Egito, quase ao entrar, disse a Sarai, sua mulher: - Ora, bem 
sei que és mulher de formosa aparência; os egípcios, quando te virem, vão dizer: - É a 
mulher dele, e me matarão, deixando-te com vida. Dize, pois, que és minha irmã, para que 
me considerem por amor de ti e, por tua causa, me conservem a vida”. 
 
(Gênesis 12:11-13) 
 
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“Partindo Abraão dali para a terra do Neguebe, habitou entre Gades e Sur, e morou em 
Gerar. Disse Abraão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei 
de Gerar, mandou buscá-la.” 
 
(Gênesis 20:1-2) 
 
A Bíblia nos diz que Isaque - filho de Abraão - assistiu a isso tudo. Deste modo, quando 
também se encontrava em apuros, Isaque também mentia, tal como o pai: 
 
“Isaque, pois, ficou em Gerar. Perguntando-lhe os homens daquele lugar a respeito de sua 
mulher, disse: É minha irmã; pois temia dizer: É minha mulher; para que, dizia ele consigo, 
os homens do lugarnão me matem por amor de Rebeca, porque era formosa de 
aparência.” 
 
(Gênesis 26:6-7) 
 
Jacó - filho de Isaque e, portanto, neto de Abraão - seguiu a mesma cultura de mentira, 
fazendo pior que seu pai e avô, mentindo e enganando: 
 
“Jacó foi a seu pai, e disse: Meu pai! Ele respondeu: Fala. Quem és tu, meu filho? 
Respondeu Jacó a seu pai: Sou Esaú, teu primogênito; fiz o que me ordenaste. Levante-te, 
pois, assenta-te, e come da minha caça, para que me abençoes.” 
 
(Gênesis 27:18-19) 
 
Em razão dessa mentira, Jacó fez nascer ira no coração do irmão: 
 
“Passou Esaú a odiar a Jacó por causa da bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e 
disse consigo: Vêm próximos os dias de luto por meu pai; então matarei a Jacó, meu 
irmão.” 
 
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(Gênesis 27:41) 
 
Jacó, também, preferiu um filho dentre os outros que teve, gerando inveja no coração 
destes: 
 
“Ora Israel [Jacó] amava mais a José que a todos seus filhos, porque era filho da sua 
velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos, que o 
pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar 
pacificamente.” 
 
(Gênesis 3:3-4) 
 
Quem quebrou toda essa cultura de mentira, de engano, de ódios e de inveja foi alguém 
que não quebrou tudo isso com uma oração de renúncia, mas com uma formação sólida 
de caráter, independentemente das circunstâncias externas. Seu nome: José. 
 
“E disse José a seus irmãos: Eu sou José; vive ainda meu pai? E seus irmãos não lhe 
puderam responder, porque ficaram atemorizados perante ele. Disse José a seus irmãos: 
Agora, chegai- vos a mim. E chegaram-se. Então disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem 
vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós 
mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque para conservação da vida, Deus me 
enviou adiante de vós. (... ) Assim não fostes vós que me enviastes para cá e, sim, Deus, 
que me pôs por pai de Faraó, e senhor de todo a sua casa, e como governador em toda a 
terra do Egito.” 
 
(Gênesis 45:3-5, 8) 
 
O que se está querendo dizer com isso? Está-se querendo dizer que há forças malignas 
que passam de pai para filho, de geração a outra geração, destruindo vidas e 
relacionamentos. Mas isso está longe, muito longe de abranger e explicar todo o problema. 
Há problemas que têm a ver conosco mesmos, não com o diabo. O diabo é a cultura da 
nossa casa; o diabo é ter paparicado um filho, esquecendo-se dos outros; o diabo é ter 
sido filho de um pai tirano; o diabo é ter assistido às crises de família que muitas vezes 
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redundaram em desavenças; o diabo é ter sido estigmatizado psicologicamente durante 
toda a infância. 
 
O que se está querendo dizer com isso? Está-se querendo dizer que o movimento de 
quebra de maldições, conquanto tenha a sua validade em áreas e em aspectos legítimos, 
defensáveis e bíblicos, está longe de explicar as ambigüidades da alma humana, da 
família, do casamento e do ser como um todo. 
 
De vez em quando encontro alguma senhora que me diz: 
 
“- Pastor!... Eu não sei o que está havendo! Eu já 'quebrei’ já renunciei, já ‘amarrei’ mas, 
mesmo assim, continua tudo igual como era antes.” 
 
“- Minha irmã - eu digo - a senhora só precisa rejeitar a única coisa que precisa ser 
rejeitada. O diabo não é o causador de todos os seus problemas. Seus problemas têm a 
ver com a senhora também.” 
 
Interessante que um dos textos mais fortes de maldição na Bíblia é Malaquias 4:6: 
 
“Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que 
eu não venha e fira a terra com maldição.” 
 
Esse texto diz, primeiramente, que quem fere a terra com maldição não é o diabo, porém o 
Senhor: 
 
“... para que eu não venha e fira a terra com maldição.” 
 
Esse "eu” que está falando neste texto não é o diabo, mas é o Senhor. 
 
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A segunda coisa que esse texto diz é que essa maldição que desgraça a terra é quebrada 
com conversão, com perdão, com misericórdia, com quebra de padrões familiares, com 
mudança de mente, de comportamentos, de relações e de vínculos: 
 
“Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais...” 
 
O décimo aspecto negativo do movimento de batalha espiritual é que a ênfase na vitória 
espiritual ignora o fato de que Jesus disse que as pessoas e as sociedades são livres para 
não encherem a casa, e, assim, serem tomadas pelas forças da maldade. 
 
Às vezes, ouvindo determinadas pessoas, tem-se a impressão de que basta falar, declarar, 
crer e dizer, para que as coisas sejam aquilo que se afirma que serão. Jesus não entendia 
assim. Ele diz em Lucas 11:21-26 que quando o mais valente chega em casa, amarra o 
valente bem armado, tirando-o dali. A casa, que era ocupada por este, tem que ser cheia, 
caso contrário, ficando fazia e arrumada, forças piores podem vir sobre ela, destruindo tudo 
de novo: 
 
“Quando o valente, bem armado, guarda a sua própria casa, ficam em segurança todos os 
seus bens. Sobrevindo, porém, um mais valente do que ele, vence-o, tira-lhe a armadura 
em que confiava e lhe divide os despojos. Quem não é por mim é contra mim; e quem 
comigo não ajunta espalha. Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares 
áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: voltarei para minha casa donde saí. E, 
tendo voltado, a encontra varrida e ornamentado. Então vai, e leva consigo outros sete 
espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado daquele homem se 
torna pior do que o primeiro.” 
 
(Lucas 11:21-26) 
 
Os indivíduos e as sociedades continuam livres para querer ou não querer. Essa é a 
história da cidade de Gadara. 
 
“Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois 
endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia 
passar por aquele caminho. E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! 
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Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? Ora, andava pastando, não longe deles, uma 
grande manada de porcos. Então os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos 
para a manada dos porcos. Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para 
os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do 
mar, e nas águas pereceram. Fugiram os porqueiros, e, chegando à cidade, contaram 
todas estas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados. Então a cidade todo saiu 
para encontrar-se com Jesus: e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse do terra deles.” 
 
(Mateus 8:28-34) 
 
Jesus passa por tal cidade (“Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos”), 
expulsa demônios que atormentavam dois homens (“vieram-lhe ao encontro dois 
endemoninhados (...) Então os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, mando-nos para a 
manada dos porcos. Pois ido, ordenou-lhes Jesus”), e depois vai embora. Aqueles homens 
ficam livres, mas a cidade e os seus moradores continuam possessos (“Então a cidade 
toda saiu para encontrar-se com Jesus: e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra 
deles”). 
 
Deste modo, os indivíduos e as sociedades continuam livres para querer ou não querer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 7 
DISCERNINDO PRÁTICAS E PERCEPÇÕES PERIGOSAS 
 
 
Há algumas percepções e práticas que precisam ser discernidas por nós,das quais 
estaremos tratando, neste capítulo. 
 
Inicialmente, a primeira prática perigosa é a da autonomia total do diabo. 
Em muitos aspectos o movimento da batalha espiritual está dando uma autonomia ao 
diabo que ele não tem. O diabo continua servo, continua diabo. 
 
Às vezes, vêem-se pessoas tratando o diabo como se ele estivesse em pé de igualdade 
com o Senhor, dando a ele uma autonomia - agora sim - diabólica. Cuidado! Dar 
autonomia ao diabo é diabólico. 
Quem inventou essa heresia foi um dos pais da Igreja, em 165 da era Cristã, chamado 
Justino Mártir. Ele começou a afirmar que o diabo era absolutamente autónomo, o que fez 
surgir uma série de outras heresias que lhe foram decorrentes e paralelas. 
No Velho Testamento, vê-se o diabo abaixo de Deus. Ele é um rebelado, mas continua um 
servo, ainda que rebelado. As aparições de Satanás, no Velho Testamento, são 
extremamente subservientes. Observa-se isso com relação à vida de Jó. Tudo que 
Satanás lhe faz à vida é com a permissão de Deus: 
 
“Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente 
contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.” 
 
(Jó 1:12) 
 
Observe-se, também, no espírito maligno que põe mentira na boca dos falsos profetas nos 
dias do profeta Micaías: 
 
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“Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o enganarei. 
Perguntou-lhe o Senho:. Com quê? Respondeu ele: Sairei, e serei espírito mentiroso na 
boca de todos os seus profetas. Disse o Senhor: Tu o enganarás, e ainda prevalecerás; 
sai, e faze-o assim.” 
 
(I Reis 22:21-22) 
 
No Novo Testamento, vê-se o diabo julgado na cruz e com os seus dias contados, dizendo 
por meio de seus demônios: 
 
“(...) Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” 
 
(Mateus 8:29) 
 
Segunda prática perigosa que precisa ser discernida é aquela que diz que Deus está 
impotente sem a participação humana. Ou seja: se não orarmos, Deus não age; se não 
pedirmos, Deus não atende; se não declararmos, Deus não Se manifesta; se não 
autorizarmos, Deus não atua; e sem nós falarmos, Deus não faz nada. Segundo essa 
teoria, Deus precisa nos comunicar primeiramente o “pretende” fazer, para depois agir. 
Isso é completamente diferente do que vemos, de fato, Deus fazer. 
 
Por exemplo, tive alguns amigos de drogas e de maluquice. Cinco anos depois de ter-me 
convertido, um deles procurou-me apavorado em casa, chorando e trêmulo. Eu lhe 
perguntei: 
 
" - O que houve?” 
 
Ele me respondeu: 
 
“- Você não vai acreditar!... Eu e meu irmão estamos numa crise financeira enorme... 
 
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E resolvemos colocar fogo no maior edifício da cidade, onde fica a nossa loja. Isso porque 
fizemos um seguro e, em caso de perda do imóvel, ganharíamos uma fortuna Pois não é 
que, quando na semana passada estava tudo preparado para darmos esse golpe, antes de 
sair de casa, sentado no sofá, entrou um ser estranhíssimo na minha sala, cheio de luz. Eu 
fiquei tremendo todo, não podendo me mexer de tanto medo. Ele me disse: ‘- Eu vou lhe 
mostrar o que você vai fazer.’ Ele passou a mão no meu rosto e vi o prédio em chamas, 
famílias morrendo, choro, morte, destruição... Meu irmão chegou em casa, e viu aquele ser 
e as mesmas coisas que eu tinha visto. Ficamos os dois paralisados. Ele foi embora, e 
mandou-nos que o chamássemos. Eu o estou chamando porque Ele mandou.” 
 
Havia alguém orando por aquela situação? Havia alguém intercedendo para que aquela 
tragédia fosse evitada? Não. Mas Deus é livre! Deus continua a interferir nos fatos, nas 
situações e na História como Ele bem entende. 
 
Talvez algumas das ironias da Bíblia sejam essas: quem estava orando pela conversão de 
Saulo de Tarso? Quem? Não se sabe que alguém tenha orado por isso e reivindicado, 
dizendo: 
 
“- Aleluia! Eu estava orando há 15 anos pela conversão do nosso irmão Saulo.” 
 
Que nada! Quando ele se converteu, muitos já pensavam em desertar. 
 
Ou, ainda, a conversão de Cornélio, um pagão. Ele era pagão, mas gente boa, do tipo 
espírita kardecista, que dava esmolas, fazia caridade. Até que um dia, um anjo do Senhor 
lhe aparece e diz: 
 
“(...) As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus. Agora 
envia mensageiros aJope, e manda chamar Simão, que tem por sobrenome Pedro.” 
 
(Atos 10:5) 
 
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E Cornélio manda emissários a Pedro para que marquem um encontro, no qual a tônica da 
conversa será sobre a soberania de Deus, O qual não faz acepção de pessoas. Deus 
utiliza quem bem Ele entende para o cumprimento da Sua vontade, ainda que aos olhos 
humanos os instrumentos sejam inadequados: 
 
“Aconteceu que, vindo Pedro a entrar, lhe saiu Cornélio ao encontro e, prostrando-se-lhe 
aos pés, o adorou. Mas Pedro o levantou, dizendo: Ergue-te, que eu também sou homem. 
Falando com ele, entrou, encontrando muitos reunidos ali, a quem se dirigiu, dízendo: vós 
bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproxímar-se a alguém de 
outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou 
imundo;iísso, uma vez chamado, vim sem vacilar. Pergunto, pois, por que razão me 
mandastes chamar? Respondeu lhe Cornélio: Faz hoje quatro dias que, por volta desta 
hora, estava eu observando em minha casa a hora nona de oração, e eis que se 
apresentou diante de mim um varão de vestes resplandecentes, e disse: Cornélio, a tua 
oração foi ouvida, e as tuas esmolas lembrados no presença de Deus. Manda, pois, 
alguém a Jope a chamar Simão, por sobrenome Pedro; (...) Portanto, sem demora, mandei 
chamar-te, e fizeste bem em vir. Agora, pois, estamos todos aqui, na presença de Deus, 
prontos para ouvir tudo o que te foi ordenado da parte do Senhor. Então falou Pedro, 
dizendo: Reconhe-ço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, 
em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável. Esta é a palavra 
que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de 
Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos.” 
 
(Atos 10:25-36) 
 
Outro exemplo dessa liberdade de Deus ocorre na vida de Pedro, quando este é tirado da 
prisão. A igreja estava orando, porém não acreditava em que aquilo por que orava fosse se 
concretizar: 
 
“Então Pedro, caindo em si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu 
anjo e me livrou da mão de Herodes e de toda a expectativa do povo judaico. 
Considerando ele a sua situação resolveu ir à casa de Maria, mãe de João, cognominado 
Marcos, onde muitas pessoas estavam congregadas e oravam. Quando ele bateu ao 
postígo do portão, veio uma criada, chamada Rode, ver quem era; reconhecendo a voz de 
Pedro, tão alegre ficou, que nem o fez entrar, mas voltou correndo para anunciar que 
Pedro estava junto do portão. Eles lhe disseram: Estás louca. Ela, porém, persistia em 
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afirmar que assim era. Então disseram: É o seu anjo. Entretanto Pedro continuava 
batendo; então eles abriram viram-no e ficaram atônitos.” 
 
(Atos 12:11-16) 
 
Deus continua sendo Deus, apesar da vontade e da incredulidade humanas. 
 
A terceira percepção perigosa - possivelmente a mais perigosa dentre as demais - que 
anda por aí é a que ensina a buscar conhecimento das coisas profundas de Satanás, em 
Satanás. Podemos chamar essa percepção de Síndrome de Tiatira. Isto porque na igreja 
de Tiatira havia um grupo de crentes que se julgava sabedor das “coisas profundas de 
Satanás”.“Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina 
e que não conheceram como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não 
jogarei sobre vós”. 
 
(Apocalipse 2:24) 
 
Há pessoas querendo aprender como lidar com o diabo, fazendo “entrevista” com o 
demônio. Algumas pessoas me falam certas coisas, e eu lhes pergunto: 
 
“- Onde foi que vocês ouviram isso? Isso não encontra respaldo algum na Bíblia!” 
 
“ - Foi um demônio que nos falou. – respondem-me. - Nós queríamos saber como e por 
que ele agia de tal maneira; nós o ‘amarramos’ e lhe ordenamos, e ele nos disse.” 
 
É impressionante, e, ao mesmo tempo, paradoxal: aprender a verdade com o mentiroso. 
Engana-se quem pensa que pode encontrar alguma verdade no diabo. Jesus disse: 
 
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“(...)Ele [o diabo] foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele 
não há verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é proprio, porque é 
mentiroso e pai da mentira”. 
 
(João 8:44) 
 
Mesmo assim, vem um irmãozinho e diz: 
 
“ - Diabo! Fala aqui! Explica a sua natureza! Eu o quero analisar.” 
 
É uma sessão de “psicanáIise demonológica”, durante a qual o diabo fala um monte de 
mentiras, as quais são creditadas como verdades e passadas adiante para outras pessoas. 
Cuidado! Muitas das coisas misteriosas que se ouvem acerca do diabo, que, se procuradas 
na Bíblia, não serão achadas, procedem de confissões do próprio diabo a pessoas que 
estão dentro da igreja e que acreditam em tais declarações dele, muitas vezes não 
percebendo que essas confissões vão de encontro com o que a Bíblia diz. 
 
A quarta percepção perigosa é a que traz consigo o enfraquecimento da obra da cruz e a 
hipertrofia da fé humana. A cruz, em alguns lugares, está cada vez mais fraca, não 
parecendo que nela as maldições foram quebradas, tal como Paulo nos afirma: 
 
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, 
porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. 
(Gálatas 3:13) 
 
Com isso, tranformam-se exceções em regras e regras em exceções. 
 
A quinta percepção perigosa é a que traz consigo a minimização do papel da conjuntura 
social e da ambiência histórica. Há quem pense que o diabo pode fazer a História. O diabo 
não pode fazê-la, porém. Há apenas Um, que é o Senhor da História; o diabo é apenas 
participante dela, mas com um poder enorme para influenciá-la. Ainda que tenha tal poder 
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de influenciá-la, o diabo está sujeito a ela, não sendo o mentor da História, mas somente 
parte dela. Eu, particularmente, acredito que o diabo piora com a sociedade. O diabo está 
mais diabo a cada dia. O diabo apenas muda para pior. 
 
Certa vez, ouvi um irmão pregando que o diabo ia se converter. E quando ele terminou de 
pregar, um grupo de pastores correu em sua direção, sacudiram-no, perguntando-lhe: 
 
“ - Que negócio é esse, irmão?! De onde é que você tirou isso... de que o diabo vai se 
converter?!” 
 
Ele olhou para um daqueles pastores que estavam à sua volta, e disse: 
 
“ - Você não se converteu?! Se você pôde, por que o diabo não pode?!” 
 
É importante que saibamos que o diabo age dentro da conjuntura. O diabo do Velho 
Testamento é quase inocente perto do diabo descrito nas cartas de Paulo. Uma coisa era 
ser diabo para Adão e Eva; outra coisa é ser diabo em Roma, o que exige muito mais 
sofisticação. Ser diabo em Nova York e em Paris, por exemplo, muito mais ainda. No Rio 
de Janeiro... 
 
nem é bom pensar. 
Num certo sentido, a Bíblia diz que o diabo está dentro da História, conquanto não a dirija. 
Ele - o diabo - e seus demônios estão limitados e condicionados pela História, agindo 
dentro dela, porém não lhe sendo senhores. Há um só Senhor sobre todas as coisas, e é 
Aquele que ressuscitou dentre os mortos, qual seja, Jesus Cristo, o nosso Senhor. 
 
A sexta percepção perigosa se refere à falta de modelos bíblicos, que tem absolutizado os 
modelos experienciais, os quais, quase sempre, são muito relativos. Isto quer dizer que 
falta o modelo bíblico do discernimento das coisas espirituais. Quais são os modelos que 
temos? Toda vez que se ouve falar de batalha espiritual, pode-se estabelecer 
 
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alguma relação, ou com a Argentina, ou com a Coréia (o modelo oriental), ou, ainda, com 
os Estados Unidos, especificamente com a Califórnia (o modelo americano). 
 
Mas o que se quer é o modelo bíblico! Não importa o que alguém na Argentina, na Coréia 
ou nos Estados Unidos diz; mas o que importa é o que a Bíblia diz. 
Quando os nossos modelos e referenciais não são os da Palavra de Deus, mas 
experienciais, ocorre o surgimento da teologia demonológica, por meio da qual se ensina e 
se acredita naquilo que demônios e bruxos dizem, tornando-se eles os principais objetos 
de nosso estudo e atenção. 
Todos nós temos de ser crentes, mas crentes na Palavra de Deus, baseando nossas vidas 
nela, e, em nome de Jesus, não devemos nos impressionar com coisa alguma que não 
proceda da Bíblia. Paulo alerta-nos sobre tal perigo, dizendo-nos: 
 
“Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além 
do que vos temos pregado, seja anátema.” 
 
(Gálatas 1:8) 
 
O que é necessário saber ou sobre Deus, ou sobre o diabo está na Bíblia. O que for além 
dela é mentira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 8 
DISCERNINDO PRINCIPADOS E POTESTADES 
 
 
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revestí-vos de 
toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a 
nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, 
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas 
regiões celestes...” 
 
(Efésios 6:10-12) 
 
Em relação ao texto acima, gostaria de abordar uma temática presente nele que é a do 
discernimento de quem são os principados e as potesdades invisíveis acerca dos quais 
Paulo faz alusão. 
 
No contexto em que esse texto se insere, Paulo está claramente falando de realidades 
transcendentais, quando diz que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne”; que 
nossa luta não é contra o palpável, que é tocável. Paulo projeta a nossa percepção para 
um outro nível, para uma outra dimensão, ao dizer que a nossa luta é “contra os 
principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças 
espirituais do mal, nos regiões celestes.” 
Eu, pessoalmente, concordo plenamente com a afirmação de que não há uma trama em 
torno daqueles que são os instrumentos da maldade no mundo visível. Em geral, não há. 
Aqui e ali, encontram-se alguns mais conscientes, mas, no geral, aqueles que são 
instrumentalizados, "marionetados”, que são conduzidos por essas forças invisíveis não se 
dão bem conta de como estão fazendo parte de um projeto diabólico, portanto, destrutivo. 
Entretanto, como já se disse, encontro alguns com uma certa consciência. Eu tenho me 
encontrado, nas reuniões de que participo, com pessoas de religiões as mais diversas 
(budistas, krishinas, espíritas, umbandistas), todas preocupadas com o problema grave da 
fome, da miséria e da violência. Nessas reuniões e em outros encontros, ao lidar com tais 
pessoas - de grupos religiosos diferentes, com perspectivas distintas - percebe-se que, em 
princípio, elas ficam inteiramente “armadas” devido à presença de um pastor, achando quese vai agredi-las com um “bastão espiritual”, expulsando-as dali, dizendo: 
 
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“ - Saaaaai!... Em nome de Jesus!” 
 
Nota-se que a presença de um pastor entre eles gera algum tipo de constrangimento e 
desconforto, até porque, certa vez, um dos presentes a uma daquelas reuniões, disse-me 
que já havia lido alguns dos meus livros. Mas, isso foi dito com ar de preocupação, antes 
do início da reunião. Ele assim me falou, com um ar grave: 
 
“ -Li alguns livros seus...” 
 
Ao final daquele encontro, já sorridente, ele me falou outra vez: 
 
“ –É querido, eu já li alguns livros seus, sabia?!” 
 
Acredito que ele estava pensando que eu fosse tratá-lo, na reunião, com a mesma 
intensidade com a qual abordo os temas espirituais em alguns dos meus livros. 
 
Mas, o que foi importante naqueles encontros de cidadania e de conversa sobre os 
problemas não só da cidade do Rio de Janeiro, mas também de outros de algum modo 
relevantes para todo o país, é que foi possível encontrar a maior humanidade possível 
naquelas pessoas. De modo que se fica com um ódio terrível do diabo, que as está 
usando; porém cheio de misericórdia, de compaixão e de ternura por elas. Dentre elas se 
verifica, aqui e ali, uma pessoa ou outra um pouco mais arguta, mais perspicaz, ou outra 
com mais discerni-mento. Mas, no geral, são pessoas que não sabem que estão 
envolvidas com o mal. 
 
Todavia, é bom que se diga o seguinte: conquanto a maior parte dos instrumentos usados 
pelos principados e pelas potestades não saibam o quão usados são e nem saibam o 
tamanho e a dimensão da grande trama espiritual na qual estão envolvidos, aqueles que 
os usam sabem. Ou seja, se não há uma intenção por parte dos indivíduos e dos 
instrumentos utilizados, há uma intenção por parte daqueles que os usam. 
 
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Nesse sentido, o que Paulo está dizendo é que há uma grande trama cósmica. Em outras 
palavras, ele diz: 
 
“ - A nossa luta não é contra a carne, nem contra o sangue. Isso porque, no nível pessoal, 
no nível individual, no nível do instrumento, no nível daqueles que são usados, a coisa é 
simples de resolver. O discernimento das coisas espirituais tem que ir para além do nível 
imediato, sendo imprescindível perceber a grande trama diabólica no nível cósmico, no 
qual atuam os principados e potestades, que não são seres ‘burros’ mas inteligentes.” 
 
Em 1978, eu saía do escritório da VINDE, em Manaus - naquela época recém-criada, 
funcionando num porão de uma casa - para ir a minha casa almoçar. Quando voltei do 
almoço, encontrei um funcionário, que estava encostado na parede, e, junto dele, alguém o 
ameaçava com uma faca enorme em seu pescoço. 
 
Porém, antes de eu entrar no escritório, um irmão paraibano me disse o seguinte: 
 
“ - Não entra, não!... que ele fura o bucho.” 
 
Eu não entendi nada. 
 
“ - O que meu irmão?!” 
 
“ - Não entra, não, que ele fura o bucho” - falou ele depressa. “ - Fale devagar para que eu 
possa entende.” - pedi. 
 
“ - Não en-tra que e-le fu-ra o bu-cho” - ele falou pausadamente, enfiando o dedo na minha 
barriga. 
 
Eu lhe perguntei: 
 
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“ - Mas quem é que vai furar o bucho?” 
 
Ele me levou até a porta e disse: 
 
“ – O possesso! Olha lá ele!” 
 
Da porta, eu pude ver o Eraldo, nosso funcionário, encostado à parede, com um 
endemoninhado apontando uma faca em seu pescoço, e pedindo-lhe: 
 
“ - Fala aquele nome fala! Fala aquele nome fala!” 
 
Eraldo, timidamente, tentou dizer: 
 
“ - Em nome de... de... de... de...” 
 
Ele - Eraldo - era novo na fé naquela ocasião. A secretária havia fugido para o banheiro. 
Outros dois funcionários haviam se trancado numa sala anexa. O endemoninhado, porém, 
insistia com Eraldo: 
 
“ - Fala aquele nome, fala! Fala aquele nome, fala” 
 
Eu perguntei àquele irmão paraibano: 
 
“ - Há quanto tempo ele está aqui fazendo isso?” “ - Há mais de uma hora.” 
 
Logo em seguida, aquele irmão me perguntou: 
 
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“ - O que o senhor vai fazer, pastor?” 
 
“ - É uma boa pergunta.” – eu lhe disse “ - Isso exige muita reflexão. Eu não sei o que eu 
vou fazer. Mas, uma coisa eu sei que vou fazer: vou conversar com o meu pai.” 
 
Entrei no carro e me dirigi à igreja do meu pai. Chegando lá, logo desabafei: 
 
“ - Papai, eu estou numa situação assim, assim, assim... O que eu faço?” 
 
“- Não sei, meu filho! Vamos orar e ver o que é possível fazer.” 
 
Nós entramos no carro, e ainda na frente da igreja, levantamos um clamor ao Senhor, de 
mais ou menos uns cinco minutos, e depois eu disse: 
 
“ - Agora vamos!” 
 
Chegando no escritório da VINDE - havia uma sorveteria ao lado que se chamava Beijo 
Frio, que era um “point” da cidade, na época, sendo um local disputadíssimo pela moçada - 
eu já saí do carro num impulso, recitando aos gritos o Salmo 91 pelo meio da rua: 
 
 
“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, e descansa à sombra do Onípotente, diz o 
Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio. Pois ele te livrará do laço 
do passarinheiro, e da peste perniciosa. Cobrir-te -á com as suas penas, sob suas asas 
estarás seguro: a sua verdade é pavês e escudo. Não te assustarás do terror noturno, nem 
da seta que voa de dia, nem da peste que se propaga nas trevas, nem da mortandade que 
assolaao meio-dia. Caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido. 
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás o castigo dos ímpios. Pois disseste: O 
Senhor é o meu refúgio. Fizeste do altíssimo a tua morada.” 
 
 
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Quando eu já estava mais ou menos no meio do salmo, eu ouço o endemoninhado lá de 
dentro gritar: 
 
“ – Desgraçaaaaaaaaaaado!!! Eu não me refugio na sombra do Altíssimo!” 
 
Eu continuei gritando e entrando: 
 
“Nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda. Porque aos seus anjos 
dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te 
sustentão nas suas mãos para não tropeçares nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspiíde, 
calcarás aos pés o leãozinho e a serpente. Porque a mim se apegou com amor, eu o 
livrarei; pô-lo-ei a salvo, porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe 
responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei, o glorificarei. Saciá-lo-ei com 
longeividade, lhe mostrarei a minha salvação.” 
 
Eu já me encontrava anestesiado. Ele podia até estar com a metralhadora do Rambo, que 
nada mais estava importando. Quando entrei na sala, o endemoninhado estava a uns 10 
metros de distância de mim. Ele jogou o Eraldo no chão, e correu com a faca, como um 
louco, na minha direção. Quando ele se aproximou de mim, eu disse: 
 
“ - Sai dele, em nome de Jesus!” 
 
Ele caiu, apanhou a faca de novo, veio até mim, e eu lhe disse outra vez: 
 
“ - Sai dele, em nome de Jesus!” 
 
Ele caiu, apanhou mais uma vez a faca, e a pôs a dois centímetros do meu rosto. Eu olhei 
nos olhos dele, e disse mais uma vez: 
 
“ - Sai dele, em nome de Jesus!” 
 
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E, caindo aos meu pés, eu lhe retirei a faca, e entreguei-a para alguém. Ele, olhando para 
mim, perguntou: 
 
“ - Quem é você?” 
 
“ - Eu sou o pastor Caio. E você, quem é?” “ - Eu me chamo Pedro.” 
 
“ - O que você está fazendo aqui?” - perguntei-lhe. 
 
“ - Eu não sei. Eu sou um sapateiro. Eu estava costurando sapatos lá na beirado rio, há 5 
km daqui. De repente, uma força entrou em mim. E eu acho que vim direto para cá, afim de 
matar alguém. E era você que eu estava procurando.” 
 
Aquele homem não tinha consciência de nada, mas quem o mandou lá sabia o que estava 
querendo. Quem o mandou lá tinha um projeto, uma intenção, um propósito, um plano e 
sabia o que estava fazendo. 
 
Quem são, portanto, esses principados e potestades invisíveis? Vamos procurar defini-los, 
caracterizá-los, dando os perfis desses personagens do mundo espiritual, conforme 
descritos pela palavra de Deus. 
 
PRINCIPADOS E POTESTADES: QUEM 
 
SÃO E COMO SE MANIFESTAM 
 
Inicialmente, vejamos no Velho Testamento quem são eles, como são chamados e como 
se manifestam. Vale também perguntar, primeiramente, como é que o Velho Testamento 
descreve a Satanás. Ele aparece inicialmente em Gênesis, como a serpente: 
 
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“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha 
feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do Jardim? 
(...) Então a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no 
dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do 
bem e do mal.” 
 
(Génesis 3:1, 4 e 5) 
 
Satanás aparece, portanto, como um ser provocador de inteligências à autonomia. Ele 
existe para, de alguma forma, fazer a inteligência humana não se submeter ao projeto de 
Deus. O propósito de Satanás é estimular a razão humana à autonomia, desviculando-a da 
obediência a Deus. 
 
Ele aparece no Livro de Jó, no capítulo 1, como um obcecado promotor de justiça: ele é o 
acusador, o advogado de acusação, que questiona a Deus quanto à integridade de Jó, 
pondo em questão os motivos que o levam a ser justo para com Deus e com os homens: 
 
“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também 
Satanás entre eles. Então perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás 
respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela. Perguntou ainda o 
Senhor a Satanás: Observaste a meu servo Jó? Porque ninguém há no terra semelhante a 
ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal. Então respondeu 
Satanás ao Senhor: Porventura Jó debalde teme a Deus? Acaso não o cercaste com sebe, 
a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens 
se multiplicaram na terra. Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e 
verás se não blasfema contra ti na tua face.” 
 
(Jó 1:6-11) 
 
Com essa atitude de Satanás, aprendemos algo terrível: toda obra de acusação provém do 
diabo. E não somente isto: toda a busca meticulosa, exagerada, obcecada e detalhista da 
“justiça” é também diabólica. 
 
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Satanás aparece também em 1 Crônicas 21:1 e 7, como o provocador de reis, incitando o 
coração de Davi a fazer um censo com perspectivas erradas, em razão do qual sobrevêm 
ao povo de Israel calamidades tremendas, porque a ira do Senhor se manifesta. 
 
“Então Satanás se levantou contra Israel, e incitou a Davi a levantar o censo de Israel. 
(...)Tudo isto desagradou a Deus, pelo que feriu a Israel.” 
 
Ele é também descrito como o acusador impiedoso; aquele que chama a culpa à luz; 
aquele que põe o dedo em riste; aquele que torna os pecados conhecidos; aquele que 
agita a consciência; aquele que faz que sentimentos de culpa se exacerbem. Ele é assim 
caracterizado em Zacarias 3:1-5, quando ele é posto como advogado de acusação num 
grande tribunal espiritual, tentando fazer o sumo sacerdote Josué sentir-se um ser 
desprezível, vil e culpado: 
 
“Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do Senhor, e 
Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O 
Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor que escolheu Jerusalém te repreende; não 
é este um tição tirado do fogo? Ora, Josué, trajado de vestes sujas, estava diante do anjo. 
Tomou este a palavra, e disse aos que estavam diante dele: Tirai-lhe as vestes sujas. A 
Josué disse: Eis que tenho feito que passe de tií a tua iniquidade, e te vestirei de finos 
trajes. E dísse eu: Ponham -lhe um turbante limpo sobre a cabeça. Puseram-lhe, pois, 
sobre a cabeça um turbante limpo e o vestiram com trajes próprios; e o anjo do Senhor 
estava ali.” 
 
O Velho Testamento não fala tanto do diabo, o qual é descrito e referido em alusões muito 
rápidas. Entretanto, o Velho Testamento não para por aí; são descritos outros personagens 
do mundo espiritual, que são os demônios. 
 
Em I Reis 22:21, os demônios são apresentados como espíritos mentirosos que se 
manifestam por meio dos falsos profetas: 
“Então saiu um espírito, e se apresentou diante do Senhor, e disse: Eu o enganarei. 
Perguntou-lhe o Senhor: Com quê? Respondeu ele: Sairei, e serei espírito mentiroso na 
boca de todos os seus profetas. Disse o Senhoz: Tu o enganarás, e ainda prevalecerás; 
sai, e faze-o assim.” 
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Isto se dá quando Josafá (rei de Judá) e Acabe (rei de Israel) vão à guerra juntos, e os 
profetas destes os estimulam a ir para a luta. Josafá, não contente, faz a seguinte pergunta 
aos cerca de 400 profetas de Acabe: 
 
“Não há aqui ainda algum profeta do Senhor para o consultarmos?” 
 
(I Reis 22:7) 
 
Eles trazem o profeta Micaías, que profetiza: 
 
“(...) Vi todo o Israel disperso pelos montes, como ovelhas que não têm pastor; e disse o 
Senhor: Estes não têm dono; torne cada um em paz para a sua casa.” 
 
( I Reis 22:17) 
 
Acabe, porém, não confiou na sua palavra, por acreditar que Micaías sempre profetizava o 
mal a seu respeito: 
 
“Então o rei de Israel disse a Josafá: Não te disse eu que ele não profetiza meu respeito o 
que é bom, mas somente o que é mau?” 
 
(I Reis 22:18) 
 
Micaías, então, lhe diz o que viu na sua visão, acerca do “espírito mentiroso” que o Senhor 
permitiu que controlasse os profetas de Acabe, dando a este um mau conselho: 
 
“(...) Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército do céu estava junto a ele, à sua 
direita e à sua esquerda. Perguntou o Senhor: Quem enganará a Acabe, para que suba, e 
caia em Ramote-Gileade? (...) Então saiu um espírito, e se apresentou diante do 
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Senhor, e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o Senhor: Com quê? Respondeu ele: 
Sairei, e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o Senhor: Tu o 
enganarás, e ainda prevalecerás; sai, e faze-o assim.” 
 
(I Reis 22:19-20b;21-22) 
 
Assim, descobre-se que é obra demoníaca proferir mentiras por intermédio da boca de 
falsos profetas. 
 
O Velho Testamento ainda fala desses espíritos como podendo ser espíritos de 
prostituição. É o que é referido em Oséias 4:12: 
 
“O meu povo consulta o seu pedaço de pau, e a sua vara lhe dá resposta, porque o 
espírito de prostituição os engana, e eles prostituindo-se abandonam o seu Deus.” 
 
Neste verso se diz que a sociedade de Israel, naqueles dias, estava cheia, possuída por 
espírito de prostituição de todo tipo, que corrompia a nação como um todo. 
 
O Livro de Jó, no capítulo 4, fala-nos de espírito de medo, de terror: 
 
“Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo”. 
 
(Jó 4:15) 
 
O Salmo 91 parece ecoar tal afirmação, quando fala do terror noturno: 
 
“Não te assustarás do terror noturno...” 
 
(Salmo 91:5a) 
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Ensino à DistânciaNo texto de Jó, o que se tem é a afirmação de um de seus amigos - Elifaz - que, pelo jeito, 
tinha uma compreensão bastante espírita do mundo, concebendo o cosmos absolutamente 
regido por leis de causa e efeito, do ponto de vista moral. Se se está sofrendo, é porque se 
fez algo errado: 
 
“Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniqüidade e semeiam o mal isso mesmo eles 
segam.” 
 
(Jó 4:8) 
 
Com isso, Elifaz vai desenvolvendo um raciocínio espírita com uma determinada lógica, até 
que num dado momento ele diz: 
 
“Então um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos do meu corpo.” 
 
(Jó 4:15) 
 
Em seguida, ele continua descrevendo alguma coisa muito parecida com as que aparecem 
em manifestações espiritualistas: 
 
“Parou ele, mas não lhe discerni a aparência; um vulto estava diante dos meus olhos; 
houve silêncio e ouvi uma voz.” 
 
(Jó 4:16) 
 
A Bíblia, no Velho Testamento, também faz menção à manifestação de um espírito de 
adivinhação numa sessão com a pitonisa de En-Dor, quando Saul vai consultá-la com a 
intenção de falar com Samuel: 
 
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“Então disse Saul aos seus servos: Apontai-me uma mulher que seja médium, para que me 
encontre com ela e a consulte. Disseram-lhe os seus servos: Há uma mulher em En-Dor 
que é médium. (...) Então lhe disse a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-
me subir Samuel.” 
 
(I Samuel 28:7 e 11) 
 
O Velho Testamento também fala acerca de espíritos das ruínas e das geografias do ódio. 
Especialmente em Isaías e Jeremias encontramos afirmações reiteradas quanto a isso, 
sobretudo quando se fala de Babilônia, de Nínive, de Jerusalém e de algumas outras 
cidades abomináveis, as quais foram destruídas por causa do seu pecado, de sua 
injustiça, da bruxaria e da idolatria que praticavam: 
 
“Farei de Jerusalém montões de ruína, morada de chacais; e das cidades de Judá farei 
uma assolação, de sorte que fiquem desabitadas.” 
 
(Jerernias 9:11) 
 
“Babilônia se tornará em montões de ruínas, morada de chacais, objeto de espanto e 
assobio, e não haverá quem nela habite.” 
 
(Jeremias 51:37) 
 
Além disso, o Novo Testamento fala do assunto de modo ainda mais explícito: 
 
“Então exclamou com potente voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou 
morada de demônios, covíl de todo espécie de espírito imundo e esconderijo de todo 
gênero de ave imunda e detestável.” 
 
(Apocalipse 18:2) 
 
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Ao ler tais textos, parece que esses lugares - encharcados de ódio, destruição e caos - e 
que configuraram uma geografia de injustiça e de impiedade, tornam-se referenciais de 
algo espiritual que não é apenas simbólico, mas, de alguma forma, real e concreto. 
 
Eu poderia contar várias histórias que nos deixam entender que as afirmações de Jeremias 
e de Isaías não são só poéticas e simbólicas, porém factuais. 
Em I Samuel 16:14-16, fala-se de um espírito maligno de tormenta, que é o que angustia a 
Saul, deixando-o hipocondríaco: 
 
“Tendo-se retirado de Saul o Espírito do Senhor, da parte deste um espírito maligno o 
atormentava. Então os servos de Saul lhe disseram: Eis que agora um espírito maligno, 
enviado de Deus, te atormenta. Manda, pois senhor nosso, que teus servos, que estão em 
tua presença, busquem um homem que saiba tocar harpa: e será que, quando o espírito 
maligno da parte do Senhor vier sobre ti, então ele a dedilhará, e te acharás melhor.” 
 
Isto porque na versão da Septuaginta, ou seja, a versão grega do texto do Velho 
Testamento hebraico, Saul é descrito como hipocondríaco. Os espíritos malignos que 
agiam nele levaram-no a desenvolver uma hipocondria psicológica. 
 
O Velho Testamento também fala de anjos - caídos ou não. 
 
A primeira categoria de anjos que aparece no Velho Testamento são os chamados anjos 
das nações, os quais são associados nos salmos com deuses de nações. No original 
grego, diz-se que quando Deus estava repartindo as terras, Ele o fez de acordo com o 
número de Seus filhos. Na versão em português, tem-se o seguinte texto: 
 
“Quando o Altíssímo dístribuía as heranças às nações, quando separava os filhos dos 
homens uns dos outros, fixou os termos dos povos, segundo o número dos filhos de 
Israel.” 
 
(Deuteronômio 32:8) 
 
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Eu andei lendo e estudando alguns comentaristas e exegetas especialistas no Velho 
Testamento, os quais são unânimes em dizer que o texto original não fala em filhos de 
Israel, mas, sim, em filhos de Deus, que é a mesma designação usada no Velho 
Testamento para referir-se a anjos: 
 
“Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também 
Satanás entre eles.” 
 
(Jó 1:6) 
 
Parece que essa mesma realidade é a mesma que aparece no livro do profeta Daniel, 
onde se fala que as nações da terra encontram correspondência espiritual nas regiões 
celestiais. Fala-se, naquele texto ainda, de alguns príncipes, a saber: da Pérsia, como um 
ser espiritual que tem ingerências profundas sobre o reino persa (Daniel 10:13); do 
príncipe da Grécia (Daniel 10:20); e, de Miguel, como o príncipe de Israel: 
 
“E ele disse: Sabes por que eu vim a ti? Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; 
e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia. Mas eu te declararei o que está expresso 
na escritura da verdade: e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a nãio ser 
Miguel, vosso príncipe.” 
 
(Daniel 10:20-21) 
 
No livro do profeta Isaías, do capítulo 41 ao 48, essa mesma idéia parece forte, porque 
naquele texto Deus nos é apresentado julgando os deuses dos povos num conselho 
celestial. Não se está falando de um juízo de Deus sobre ídolos, mas se está falando do 
juízo de Deus sobre principados e potestades espirituais que estão recebendo uma 
sentença divina pela corrupção das nações que estiveram sob seu jugo. 
 
A idéia bíblica de que a Babilônia representava forças espirituais malignas deveria nos 
fazer tomar aceitável a idéia de que nações, hoje, estão, igualmente, sob a mesma 
opressão de forças espirituais malignas. 
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Outro ser descrito - também como anjo - é o Anjo do Senhor, que aparece inúmeras vezes 
no Velho Testamento, em forma humana. Não se trata de anjos, mas de o Anjo do Senhor. 
Uma de suas primeiras aparições está em Gênesis 18:1-4: 
 
“Apareceu o Senhor a Abraão nos carvalhais de Manre, quando ele estava assentado à 
entrada da tenda, no maior calor do dia. Levantou ele os olhos, olhou, e eis três homens de 
pé em frente dele. Vendo-os, correu da porta do tenda ao seu encontro, prostrou -se em 
terra, e disse: Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do 
teu servo: traga-se um pouco de água, lavai os vossos pés e repousai debaixo desta 
árvore.” 
 
Observe, atentamente, que são três os homens que aparecem a Abraão. No entanto, este 
se dirige a apenas um deles, chamando-o de “Senhor meu”. Os outros dois são apenas 
descritos como anjos. Isso é confirmado, quando Abraão conversa com o Senhor a 
respeito da destruição de Sodoma e Gomorra, que lhe fora anunciada por Ele, uma vez 
que seu sobrinho Ló era morador de uma daquelas cidades: 
 
“Disse ainda Abaão: Não se ire o Senhor, se lhe falo somente mais esta vez: Se, 
porventura, houver ali dez? Respondeu o Senhor: Não a destruirei por amor dos dez. 
Tendo cessado de falar a Abraão, retirou-se o Senhor; e Abraão voltou para o seu lugar. 
Ao anoitecer vieram os dois anjos a Sodoma, a cuja entrada estava Ló assentado”. 
 
(Gênsis 18:32-19:1a.)É importante, ainda, que se chame a atenção para o fato de que tal aparição não foi uma 
visão ou um sonho. Isto porque Abraão os trata com toda hospitalidade que era costume 
oferecer aos visitantes naquela região: 
 
“traga-se um pouco de água, lavai os vossos pés e repousai debaixo desta árvore; trarei 
um bocado de pão: refazei as vossas forças, visto que chegastes até vosso servo; depois 
seguireis avante. Responderam: Faze como disseste. Apressou-se, pois, Abraão para a 
tenda de Sara, e lhe disse: Amassa depressa três medidos de flor de farinha, e faze pão 
assado ao borralho. Abraão, por sua vez, correu ao gado, tomou um novilho, tenro e bom, 
e deu-o ao criado, que se apressou em prepará-lo. Tomou também coalhada e leite e o 
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novilho que mandara preparar, e pôs tudo diante deles; e permaneceu de pé junto a eles 
debaixo da árvore; e eles comeram.” 
 
(Gênesis 18:4-8) 
 
Esse mesmo Anjo aparece em Juízes 2:1-5 de maneira gritante, porque nesse texto se diz 
que ele não só aparece, mas também prega: 
 
“Subiu o Anjo do Senhor de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe à 
terra, que, sob juramento, havia prometido a vossos pais. Eu disse: Nunca invalidarei a 
minha aliança convosco. Vós, porém., não fareis aliança com os moradores desta terra, 
antes derrubareis os seus altares; contudo, não obedecestes à minha voz. Que é isso que 
fizestes? Pelo que também eu disse: Não os expulsarei de diante de vós; antes vos serão 
por adversários, e os seus deuses vos serão laços. Sucedeu que, falando o Anjo do 
Senhor estas palavras a todos os filhos de Israel, levantou o povo a sua voz e chorou. Daí 
chamarem a esse lugar Boquim [pranteadores]; e sacrificaram ali ao Senhor.” 
 
O Anjo do Senhor Se apresentou a Israel, pregando e exortando-o ao arrependimento, de 
maneira que todo o povo chorou na presença dEle. 
 
Ainda em Juízes 6:11-12, é feita outra referência a esse Anjo, agora, porém, manifestando-
Se a Gideão: 
 
“Então veio Anjo do Senhor, e assentou-se debaixo do caralho, que está em Ofra, que 
pertencia a Joás, abiezrita e Gideão, seu filho, estava malhando o trigo no lagar, para o pôr 
a salvo dos midianitas. Então o Anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe diss: O Senhor é 
contigo, homem valente.” 
 
Também em Juízes 13:3 é esse mesmo Anjo que anuncia o nascimento de Sansão à sua 
mãe: 
 
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“Apareceu o Anjo do Senhor a esta mulher, e lhe disse: Eis que és estéril, e nunca tiveste 
filho; porém conceberás, e darás à luz um filho.” 
 
Em Zacarias 3:1-2a, esse mesmo Anjo cala a boca de Satanás: 
 
“Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava dionte do Anjo do Senhor, e 
Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor. Mas o Senhor disse a Satanás: O 
Senhor te repreende, ó Satanás.” 
 
Esse mesmo Anjo é chamado de príncipe do exército do Senhor: 
 
“Estando Josué ao pé de Jericó, levantou os olhos, e olhou: eis que se achava em pé 
diante dele um homem que trazía na mão uma espada nua; chegou-se Josué a ele, e 
disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou 
príncipce do exército do Senhor, e acabo de chegar. Então Josué se prostrou sobre o seu 
rosto na terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu Senhor ao seu servo? Respondeu o 
príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça as sandálias de teus pés, porque o lugar 
em que estás é santo. E fez Josué assim.” 
 
(Josué 5:13-15) 
 
Ele também Se manifesta como o inimigo noturno de Jacó, que “sai no tapa” com ele a 
noite inteira: 
 
“(...) e lutava com ele um homem, até ao romper do dia. Vendo este que não podia com 
ele, tocou-lhe no articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o 
homem. Disse este: Deixa-me ir, pois ia rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ír, 
se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: - Jacó. 
Então disse: já não te chamarás Jacó, e, sim, Israel: pois como príncipe lutaste com Deus 
e com os homens, e prevaleceste.” 
 
(Gênesis 32:24b-28) 
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Portanto, esse Anjo do Senhor é descrito por meio de categorias divinas, confundindo-Se 
com Deus – quando se fala nEle, fala-se em Deus – numa mesma perspectiva, a tal ponto 
que, desde a antigüidade, os comentaristas bíblicos falam de uma Teofania ou de uma 
Cristofania, ou seja, de uma manifestação do próprio Cristo. 
 
É-nos também apresentado esse mesmo Anjo como o destruidor noturno dos exércitos de 
Senaqueribe. 
 
“Então naquela mesma noite saiu o Anjo do Senhor, e feriu no arrail dos assírios a cento e 
oitenta e cinco mil; e quando se levantaram os restantes pela manhã, eis que todos estes 
eram cadáveres.” 
 
(II Reis 19:35) 
 
Este rei assírio, sitiando Jerusalém, e insultando ao rei de Judá, ao profeta e a todos os 
moradores daquele reino, dispunha de um exército enorme de milhares de homens 
fortemente armados e muito bem preparados. Diz -nos a Bíblia que Deus falou com o 
profeta naquela mesma noite e este disse ao rei de Judá: 
 
“Pelo que assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: Não entrará nesta cidade, nem 
lançará nela flecha alguma, não virá perante ela com escudo, nem há de levantar 
trincheiras contra ela. Pelo caminho por onde vier, por esse voltará; mas nesta cidade não 
entrará, diz o Senhor.” 
 
(II Reis 19:32-33) 
 
Outra expressão muito bonita encontrada no livro de Reis é a proferida por Eliseu: 
 
“(...)Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros!” 
 
(II Reis 2:12) 
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Este é o clamor de Eliseu, proferido quando Efias está sendo trasladado ao céu. Quando, 
ainda, o rei da Síria declara guerra a Israel (II Reis 6:8), sitiando a cidade de 
 
Dotã, onde se encontrava o profeta Eliseu (II Reis 6:1314), é pensando naqueles “carros 
de Israel, e seus cavaleíros”, e vendo-os, que Eliseu assim diz ao seu moço: 
 
“(...) Nio temas; porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” 
 
(II Reis 6:16) 
 
Isso é ratificado na oração que Eliseu faz ao Senhor: 
 
“Orou Eliseu, e disse: Senhor, peço- te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor 
abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, 
em redor de Eliseu.” 
 
(II Reis 6:17) 
 
Anjos também aparecem no Velho Testamento como ministradores de calamidades. Isto 
porque quando Davi faz a escolha política errada de fazer o censo (I Crônicas 21:2), vindo 
sobre ele o juízo de Deus (I Crônicas 21:7), é um anjo destruidor que executa o mandado 
divino: 
 
“Enviou Deus um anjo a Jerusalém, para a destruir; ao destruí-la, olhou o Senhor, e se 
arrependeu do mal, e disse ao anjo destruidor: Basta, retira agora a tua mão. O anjo do 
Senhor estava junto à eira de Ornã, o jebuseu. Levantando Davi os olhos, viu o anjo do 
Senhor, que estava entre a terra e o céu, com a espada desembainhada na mão, 
estendida contra Jerusalém; então Davi e os anciãos, cobertos de panos de saco, se 
prostraram com o rosto em terra.” 
 
(I Crônicas 21:15-16) 
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O profeta Ezequiel fala de seres viventes e angelicais muito estranhos, de uma outra 
ordem, de uma outra natureza: 
 
“Do meio dessa nuvem saía a semelhança de quatro seres viventes, cuja aparência era 
esta: tinham a semelhança de homem. Cada um tinha quatro rostos, como também quatro 
asas. As suas pernas eram direitas, a planta de cujos pés era como a de um bezerro, e 
luzia como o brilho de bronze polido. Debaixodas asas tinham mãos de homens, aos 
quatro lados; assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas. Estas se uniam uma à 
outra; não se viravam quando iam; cada qual andava para a sua frente. A forma de seus 
rostos era como o de homem; à direita os quatro tinham rosto de leão; à esquerda, rosto 
de boi; e também rosto de águia todos os quatro. Assim eram os seus rostos. Suas asas se 
abriam em cima; cada ser tinha duas asas, unidas cada uma à do outro; outras duas 
cobriam os corpos deles.” 
 
(Ezequiel 1:5-11) 
 
E Isaías 6:2, fala-nos de serafins que aparecem enchendo o templo com a glória de Deus, 
trazendo reverência eterna ao Senhor: 
“Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com 
duas cobria os seus pés e com duas voava.” 
De uma maneira geral e rápida, é isso que o Velho Testamento diz desses seres. O Novo 
Testamento acrescenta algumas coisas mais. 
 
Primeiramente, o Novo Testamento, quando fala de Satanás, diz que ele é o tentador, 
focalizando-o como perturbador da dimensão existencial e psicológica, estimulando áreas 
da psiquê, tentando fazer que esta se volte contra o projeto de Deus: 
 
“Então o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas 
pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão 
viverá o homem, mas de toda palavra que procede do boca de Deus. Então o diabo o 
levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo. E lhe disse: Se és Filho de 
Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito; e: Eles 
te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: 
Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Levou-o ainda o diabo a um monte 
muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glóría deles, e lhe disse. Tudo isto te 
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darei se prostrado, me adorares. Então Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está 
escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto.” 
 
(Mateus 4:3-10) 
 
Satanás também é apresentado como distorcedor da verdade, o desviador da visão da 
Cruz; aquele que é capaz de transformar a revelação de Deus numa teologia humana. É o 
que se verifica quando Pedro, após dizer “Tu és o Cristo, o Fílho do Deus vivo” (Mateus 
16:16b), e de ter ouvido Jesus lhe dizer “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não 
foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus”. (Mateus 16:17), logo 
após Pedro ter declarado e ouvido tais palavras, ele ouviu Jesus dizer ainda: 
 
“É necessário que o Filho do homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, 
pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e no terceiro ressucite.” 
 
(Lucas 9:22) 
 
Pedro, ao ouvir essas palavras, achou que, porque Deus o havia usado uma vez, o usaria 
sempre, falou-lhe: 
“(...) Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá.” 
 
(Mateus 16:22b) 
 
Jesus, entretanto, lhe responde: 
 
“(...) Arreda! Satanás; tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de 
Deus, e, sim, das dos homens.” 
 
(Mateus 16:23) 
 
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Satanás também é apresentado como o príncipe deste mundo: 
 
“(...) porque o príncipe deste mundo já está julgado.” 
 
(João 16:11) 
 
Satanás ainda é descrito como o deus deste século: 
 
“(...) o deus deste século cegou os entendimentos dos íncrédulos, para que lhes não 
resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” 
 
(II Coríntios 4:4) 
 
Ele também é considerado o patrocinador do ódio, segundo o texto de II Coríntios 
 
2:10-11: 
“A quem perdoais alguma coisa, também eu perdôo; porque de fato o que tenho perdoado, 
se alguma coisa tenho perdoado, por causa de vós o fiz na presença de Cristo, para que 
Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os desígnios.” 
 
Em João 8:44b, Satanás é chamado por Jesus de homicida, pai de todo tipo de violência: 
 
“(...) Ele foi homicida desde o princípio.” 
 
Nesse mesmo texto de João, ele também é descrito como o pai da mentira: 
 
“(...) e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere a 
mentira, fala do que lhe é próprio porque é mentiroso e pai da mentira.” 
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(João 8:44c) 
 
Ele também é o mentor da hipocrisia religiosa. Foi Satanás que incitou a Ananias e a Safira 
a mentirem ao Espírito Santo, acerca do dinheiro resultante da venda de uma propriedade: 
 
“Entretanto, certo homem, chamado Ananias, com sua mulher Safira, vendeu uma 
propriedade, mas, de acordo com sua mulher, reteve parte do preço, e, levando o restante, 
depositou-o aos pés dos apóstolos. Então disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás 
teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?” 
 
(Atos 5:1-3) 
 
É o pai dos religiosos empedrados, de acordo com João 8:44a, quando Jesus diz aos 
religiosos dos Seus dias: 
 
“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos.” 
É o articulador das divisões da Igreja: 
 
“Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em 
desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não 
servem a Cristo, nosso Senhor, e, sim, a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e 
lisonjas, enganam os corações incautos. Pois a vossa obediência é conhecida por todos; 
por isso me alegro a vosso respeito; e quero que sejais sábios para o bem e símplices para 
o mal. E o Deus da paz em breve esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás.” 
 
(Romanos 16:17-20) 
 
Em outras palavras, sempre ou quase sempre, no meio das divisões quem está tendo 
vitórias não é Deus, mas o diabo. Pode ser até que a divisão esteja sendo feita em nome 
do Espírito Santo, mas, cuidado! O diabo vai estar dando uma gargalhada num canto da 
igreja. A divisão só é admissível quando é feita em razão de um grande e importante 
princípio da Palavra de Deus, seja tal princípio de natureza ética, ou doutrinária. 
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Satanás também é apresentado como o requerente da vida humana. Em Lucas 22:31, é - 
nos dito que ele reclamou a vida de Pedro: 
 
“Símão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo.” 
 
Satanás é enfocado como o carrasco dos homens, quanto à disciplina, de acordo com 1 
Coríntios 5:5. Alguns deles são entregues a Satanás para a destruição do corpo, a fim de 
que a culpa lhes traga conseqüências psicossomáticas “para a destruição da carne, a fim 
de que o 
espírito seja salvo no dia do Senhor [Jesus].” 
Ele – Satanás – é descrito como transformista, como um “camaleão espiritual”, em II 
 
Coríntios 11:14: 
 
“E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz.” 
 
Satanás é tido por atiçador de hostilidades contra a Igreja, de acordo com Apocalipse 
 
2:10: 
 
“Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão 
alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à 
morte, e dar-te-ei a coroa da vida.” 
 
Ele é apresentado, também, como o grande dragão, em Apocalipse 12:9: 
 
“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o 
sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra e, com ele, os seus anjos.” 
 
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Satanás é descrito como acusador, em Apocalipse 12:10b:“(...) pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de 
noite, diante do nosso Deus.” 
 
Também Satanás é descrito como o pervertedor das nações do mundo, como em 
 
Apocalipse 20:7b8a: 
 
“Satanás será solto da sua prisão, e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da 
terra.” 
 
Ele é, também, o enganador milagroso, que é capaz de fazer sinais e prodígios com a 
força da mentira e das trevas, conforme em I Timóteo 4:1: 
“Ora, o espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão dao fé, 
por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.” 
 
O Novo Testamento não só fala do diabo, mas também fala de demônios, de espíritos 
malignos que possuem pessoas; de espíritos de enfermidade, como o de surdez e de 
mudez (Marcos 7:25), de gagueira (Marcos 7:32-34) e de encurvamento. O Novo 
Testamento também fala de espíritos de comunidade, como em Gadara (Mateus 8:28-34), 
onde os espíritos pedem a Jesus para não serem mandados para fora daquela região, 
porque haviam se especializado em “gadaranismo”. Fala-se em espíritos de angústia 
coletiva (Apocalipse 9), quando se descreve a abertura do poço do abismo, do qual sai 
toda sorte de seres espirituais melévolos, que geram angústia e perversão na sociedade 
humana, as quais redundam em todo tipo de violência, como a guerra, a pornografia, o 
caos social e a inteligência do homem rebelada contra Deus, quando o homem começa a 
sentir um desejo ardente de morrer. 
 
O Novo Testamento também fala de anjos como portadores de boas novas (Lucas 1:26-
28), quando do anúncio do nascimento de Jesus; ou como libertadores de cristãos, quando 
da libertação de Pedro: 
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“Eis, porém, que sobreveio um anjo do Senhor, e uma luz iluminou a prisão; e, tocando ele 
o lado de Pedro, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. Então as cadeias caíram-lhe 
das mãos.” 
 
(Atos 12:7) 
 
Os anjos também são descritos como recepcionistas daqueles que morrem no Senhor, 
conforme Lucas 16:22a, quando Lázaro - o mendigo - é levado pelos anjos ao seio de 
Abraão: 
 
“Aconteceu morrer o mendigo e se relevado peIos anjos para o seio de Abraão.” 
 
Os anjos são descritos, no Novo Testamento, como confodadores de aflitos, como em 
Lucas 22:43, quando Jesus, na Sua agonia no Getsêmani, é confortado por um anjo: 
“Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.” 
 
Também os anjos são pré-evangelizadores, “preparadores de terreno” espirituais, tal como 
é narrado em Atos 10:3-4, quando Cornélio tem o coração preparado para receber a 
palavra que Pedro lhe traria, através de uma ação pré-evangelizadora de um anjo: 
 
“Esse homem observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia, um anjo 
de Deus, que se aproximou dele e lhe disse: Cornélio! Este, fixando nele os olhos, e 
possuído de temor, perguntou: Que é Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as 
tuas esmolas subiram para memória diante de Deus.” 
 
Também anjos são algozes dos prepotentes, como aquele que fere a Herodes por não 
haver dado glória a Deus: 
 
“Em dia designado, Herodes, vestido de traje real, assentado no trono, dirigiu-lhes a 
palavra; e o povo clamava: É a voz de um deus, e não de um homem! No mesmo instante 
um anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado glóría a Deus; e, comido de vermes, 
expirou.” 
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 (Atos 12:21-23) 
 
Também são os anjos enfrentadores de poderes malignos, conforme a epístola de Judas, 
verso 9: 
 
“Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do 
corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, 
disse: O Senhor te repreenda.” 
 
São descritos também como intercessores de campos missionários: 
 
“Um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para a banda do sul, no 
caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi.” 
 
(Atos 8:26) 
 
Filipe é retirado de uma cruzada evangelística em Samaria (Atos 8:4-8) e enviado para um 
lugar deserto, para pregar o evangelho ao ministro da fazenda da Etiópia (Atos 8:27). 
 
Em Atos 16:9b, Paulo está incerto para onde ir, e, à noite, tem uma visão, na qual um 
varão macedônio se apresenta a ele e lhe diz: 
 
“Passa à Macedônia, e ajuda-nos.” 
 
Certa vez, lendo alguns livros dos “pais” da Igreja, constatei que é opinião quase unânime 
entre eles que essa visão de Paulo foi a de um anjo. Isto porque, chegando a Filipos - 
cidade da Macedônia - uma mulher chamada Lídia se converte (Atos 16:14), uma jovem 
possessa de espírito de adivinhação é liberta (Atos 16:16-18), o carcereiro da prisão onde 
ficaram presos Paulo e Silas se converte (Atos 16:29-30), uma igreja é estabelecida (Atos 
17:4), e, em virtude de todas essas coisas, o ministério de Paulo toma um novo rumo, 
devido ao atendimento do pedido feito para ir à Macedônia. 
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No Apocalispe os anjos são descritos como mensageiros de Deus, questionadores da 
verdade, libertadores de forças espirituais, guerreiros, portadores de oráculos, guardadores 
de cidade, soldados nas batalhas espirituais, anunciadores de juízos e adoradores 
incessantes na presença de Deus. 
Embora a exposição desses elementos descritos tenha sido um pouco longa, ela se faz 
necessária, uma vez que, possivelmente, haja algum leitor não muito afeito com eles, 
objetivando resgatar esses personagens bíblicos: o que fazem, onde agem e como agem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 9 
DISCERNINDO NOSSAS RELAÇÕES COM OS PRINCIPADOS E AS POTESTADES 
 
Depois de se ter uma idéia rápida acerca dos seres espirituais que são descritos pela 
Bíblia, cabe a seguinte pergunta: o que nós precisamos saber, hoje, sobre a nossa relação 
com tais seres espirituais? 
 
Há algumas coisas que a Palavra de Deus nos diz que são absolutamente importantes 
discernir no lidar, no enfrentar e no perceber o mundo espiritual que nos cerca. 
A primeira coisa que a Palavra de Deus diz que precisamos saber é que a cruz 
relativizou o poder dos principados e potestades. 
O que a Palavra de Deus diz a esse respeito pode ser encontrado em Colossenses 
 
2:14-15: 
 
“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o 
qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o no cruz; e, despojando os 
principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na 
cruz.” 
 
Também em João 12:31, encontra-se algo acerca disso: 
 
“Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.” 
 
Falando a obra do Espírito Santo, Jesus diz: 
 
“Quando ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: (...) do juízo, 
porque o príncipe deste mundo já está julgado.” 
 
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(João 12:8 e11) 
 
O diabo e todos os demônios já estão julgados; os principados e as potestades estão 
julgados. Para os principados e potestades, a cruz é o ponto mais escatológico e mais 
apocalíptico da História. O fim para eles, portanto, já veio. Nas regiões celestiais, o fim já 
chegou. E o diabo sabe disso. É por isso que Apocalipse 12:10 diz: 
 
“(...) Agora veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, 
pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noíte, 
diante do nosso Deus”Eu aprendi isso na prática. Eu era recém-convertido, e fui levado “a reboque” para expulsar 
um demônio. Eu era novo na fé, naquela ocasião. Alguém foi chamar um pastor experiente 
para isso: 
 
“ - Pastor, pastor!...- Tem uma pessoa possessa lá perto de casa! Vamos lá!” 
 
Eu, que estava perto daquele pastor, olhando para mim, falou: 
 
“ - Vamos comigo, meu filho!” 
 
Logo eu que, meses antes, havia sido um meio possesso! E lá fui eu. 
Como eu andava rápido, e o pastor andava um pouco mais devagar, conversando com o 
irmão que fora chamá-lo, quando dei por mim, eu já havia entrado na casa onde estava a 
mulher possessa. Quando entrei na casa, e a possessa partiu na minha direção, e eu a 
encarei, em nome de Jesus, falei-lhe da Cruz. Eu lhe falei: 
 
“- Em nome de Jesus, que morreu na Cruz, eu o repreendo!” 
De imediato, ela - a possessa - citou-me Colossenses 2:14-15, na íntegra. Depois disso, eu 
perguntei àquele irmão que fora buscar-nos: 
 
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“– Ela já foi a alguma igreja?” 
 
Ele me respondeu: 
 
“- Nunca. Ela não sabe ler! Ela é ‘burra depai e de mãe’!...” 
 
Mas, apesar disso que ele me falou, ela recitou na íntegra tal texto bíblico. O espírito 
maligno, por meio dela, falou: 
 
“- Eu estava lá! Quando Ele cancelou o escrito de dívida, e expôs os principados e as 
potestades ao desprezo, triunfando sobre eles na Cruz, eu estava lá!” 
 
Confesso: o diabo nunca me edificou tanto! 
 
Saiba disso: na batalha espiritual, não temos que vencer os principados e as potestades, 
porque eles já estão vencidos; porém, temos apenas que reclamar a vitória de Jesus. Essa 
é a primeira coisa que precisamos saber. Vejo muita gente querendo lutar e vencer uma 
batalha que já está vencida. A rigor, a batalha espiritual já se deu. Hoje, nós estamos 
apenas afirmando a vitória de Jesus. 
A segunda coisa que precisamos saber e aprender é que os principados e as potestades 
aprendem com a Igreja. Ou seja, há toda uma relação didática, pedagógica e instrutiva da 
nossa parte com os principados e as potestades. Como isso se dá? 
 
“Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos 
principados e potestades nos lugares celestiais.” 
 
(Efésios 3:10) 
Enquanto estamos por meio destas páginas pensando e refletindo sobre batalha espiritual, 
de acordo com Paulo, os principados e as potestades estão fazendo o mesmo. Enquanto 
vivemos, praticamos nossa missão no mundo. A Palavra de Deus nos assevera que os 
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principados e potestades estão recebendo ministração acerca da sabedoria divina, 
mediante a reflexão, a ação e a postura da Igreja no seu fazer missionário na terra. 
 
É por isso que a Igreja tem que desmascarar poderes espirituais. O apóstolo Paulo diz que 
não ignorava os desígnios do diabo (II Coríntios 2:11). Era em virtude disso que ele podia 
exercer discernimento, como o afirmado em Atos 16: 16-18,, em que Paulo, olhando para 
aquela moça com espirito de adivinhação - a qual "confirmava” que Paulo era servo do 
Deus Altíssimo (Atos 16:17) -, não encontrou nela nenhuma atitude de propaganda positiva 
do reino, mas de uma atuação maligna e escarnecedora do diabo (Atos 16:18). Por isso 
Paulo diz: 
 
“Para que Satanás não alcance vantagem sobre nós, pois não lhe ignoramos os 
desígnios.” 
 
(II Coríntios 2:11) 
 
A Palavra de Deus também nos diz em I Coríntios 4:9, que os apóstolos deixavam os 
poderes espirituais (os principados e as potestades) perplexos, no teatro espiritual. 
 
“Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se 
fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, 
como a homens.” 
 
O interessante que a palavra utilizada no original grego é “ theátron”, que se refere a palco, 
a espetáculo. Paulo diz que as potestades e os principados estão de olho na ação da 
Igreja, na ação de apóstolos, na ação de homens e de mulheres de Deus. Há toda uma 
expectativa espiritual acerca de tais manifestações. Ninguém evangeliza ou deve 
evangelizar brincando. Paulo diz em 1 Coríntios 10 e 11 que os momentos de culto são 
impregnados de realidades espirituais. Nós nos “ocidentalizamos”, tornando-nos muito 
racionalistas, muito fechados, com uma mente muito árida, muito lógica, perdendo a 
possibilidade de ler a Bíblia com os olhos que discernem o grande teatro espiritual, no qual 
eu e você somos personagens cotidianos. 
Paulo está dizendo que os principados e potestades o conheciam: 
 
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“Mas o espírito maligno lhes respondeu: conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas, vós, 
quem soís?” 
 
(Atos 19:15) 
 
É acerca disso que Paulo está falando: 
 
“ - As potestades e os principados me conhecem. Nós, apóstolos, tornamo-nos espetáculos 
tanto a anjos, quanto a homens.” 
 
Lembro-me de uma ocasião em que entrei na casa de uma pessoa possessa, no bairro de 
São Francisco, em Manaus. Quando cheguei àquela casa, encontrei uma menina que tinha 
vindo do interior do Amazonas, a qual não sabia ler nem escrever, e que nunca havia saído 
do interior do estado para a capital, e que nunca havia me visto antes; com uma força 
sobre-humana – havia, mais ou menos, uns 8 homens segurando-a, os quais ela jogava de 
um lado para o outro. 
 
Quando cheguei àquela casa, portanto, ela, olhando para mim, falou com uma voz 
masculina: 
 
“ - Desgraçado! Eu o conheço! Eu o vi no Rio de Janeiro. Você era meu, mas o perdi!” 
 
Naquela casa, apenas eu e aquele espírito sabíamos a que este se referia. Foi numa noite 
de “reveillon”, no Rio de Janeiro, em 1972, eu ia ficando possesso, na praia de 
Copacabana, sentindo uma coisa escuríssima entrando em mim... Fui perdendo o controle 
sobre mim mesmo... Apenas me lembrei de um versículo que a minha avó me ensinara 
embalando a minha rede em Manaus, que diz: 
 
 
“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu 
estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” 
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(Salmo 23:4) 
 
Eu me encontrava, naquela noite, com a cabeça cheia de maconha, cheia de cocaína, 
cheia de bebida e de tudo que não prestava... Mas, no momento em que senti aquela coisa 
entrando em mim, lembrei-me desse versículo ensinado pela minha avó. Eu não cheguei a 
pronunciá-lo. O versiculo só passou pela minha cabeça, quando senti aquela coisa ser 
jogada para fora de mim. 
 
E lá estava eu no Amazonas, vendo, na prática, não nos bancos de um seminário, mas na 
prática, o que a Bíblia diz quanto aos principados e potestades conhecerem as ações da 
Igreja. Apóstolos, homens e mulheres de Deus são espetáculo tanto a anjos quanto a 
homens. 
Muitas vezes, em algumas cruzadas evangelísticas, literalmente me sinto no centro desse 
palco, no qual há forças espirituais tremendas em ação. Se se quer evangelizar com 
seriedade; se se quer pregar com compromisso; se se quer orar com fé; se se quer 
ministrar com honestidade, é imprescindível que se adquira o discernimento de que não se 
está apenas verbalizando uma verdade ou um sentimento, mas que se está no meio de um 
conflito espiritual tremendo, no qual anjos e demônios reconhecem a sabedoria de Deus 
pela ministração daqueles que são povo de Deus na Igreja. 
A terceira coisa que precisamos saber e aprender é que os principados e as potestades 
alimentam e são alimentados pelas forças da História. Algo acerca disso já foi falado bem 
sucintamente no capítulo anterior, mas agora, iremos nos deter um pouco mais sobre esse 
assunto. 
Em Apocalipse 17:12-13,diz o seguinte: 
 
“Os dez chifres que viste são dez reis, os quais ainda não receberam reino, mas recebem 
autoridade como reis, com a besta, durante uma hora. Têm estes um só pensamento, e 
oferecem à besta o poder e a autoridade que possuem.” 
 
O interessante no texto citado é que a besta lhes dá autoridade e eles, reciprocamente, 
oferecem autoridade a ela. Eles não têm autoridade ("ainda não receberam reino”), mas já 
receberam da besta uma unção para tê-la (“mas recebem autoridade como reis, com a 
besta”), e, quando a têm, devolvem-na a ela ("e oferecem à besta o poder e a autoridade 
que possuem.”). 
 
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Este texto de Apocalipse está dizendo absolutamente isto: os principados e as potestades 
alimentam e são alimentados pelas forças da História - as forças políticas, econômicas, 
culturais e pela sua conjuntura mais ampla e complexa. 
 
A quarta coisa que precisamos saber e aprender é que os principados e potestades não 
existem autonomamente. Primeiramente, porque não são independentes de Deus. Isto 
porque continuam sob a soberania divina. 
É importante que fique claro que não temos um universo dividido, no qual uma parte 
pertence a Deus e a outra ao diabo. Não! O universo não está dividido assim. O universo 
se manifesta desta forma: há Alguém sobre tudo e sobre todos. O Seu nome é o Senhor, e 
abaixo dEle estão todas as coisas. 
Também os principados e as potestades não são independentes uns dos outros, não 
agindo sem conexão entre si. O apóstolo Paulo nos fala de uma coordenação e de uma 
conjugação de forças e poderes: 
 
“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e no força do seu poder. Revestí-vos de 
toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a 
nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, 
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nos 
regiões celestes.” 
 
(Efésios 6:10-12) 
 
Observem as seguintes palavras extraídas do texto acima: “principados”, “potestades”, 
"dominadores” e "forças”. Todas elas dão-nos uma idéia de ação coordenada. 
 
Os principados e as potestades também não são independentes da História, agindo e 
atuando dentro dela. 
A quinta coisa que precisamos saber e aprender é que os principados e potestades são 
sensíveis a duas ações especiais da Igreja. Há duas ações especiais da Igreja que 
sensibilizam imensamente o mundo das realidades espirituais. 
A primeira ação é a oração, conforme Atos 12:1 onde se diz que a Igreja está orando 
"marotamente” (v. 12), mas, apesar disso, um anjo é enviado para abrir a porta do cárcere 
para Pedro sair (v.7). 
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Já em Mateus 17:14-21, é narrado o fato da tentativa feita pelos discípulos de Jesus de 
expulsarem o demônio, mas não o conseguem. Jesus, porém, descendo do monte da 
transfiguração, diz-lhes: 
 
“(...) esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.” 
 
(Mateus 17:21) 
 
Os teólogos tentam dar as explicações as mais diversas a este texto; mas, eu prefiro 
continuar a acreditar que oração é oração, e jejum é jejum, literalmente. 
 
A segunda ação que sensibiliza os principados e potestades é o testemunho dos crentes, o 
qual deflagra processos tremendos nas regiões celestiais. O testemunho que gera tais 
processos é o de Jesus, quando se abre a boca para anunciar-Lhe a vitória, pregando a 
Sua cruz e não se dobrando às forças históricas que tentam fazer que se negue o Seu 
nome, e andando em integridade, proclamando a Sua vitória. 
Em Apocalipse 12:11, lemos: 
 
“Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do 
testemunho que deram, e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” 
 
Sei que, atualmente, a intenção de muitos, quando pensam em enfrentar principados e 
potestades, é convidar crentes para algum lugar para fazerem declarações bonitas e 
triunfantes da vitória de Jesus, Todavia, o texto acima de Apocalipse diz que tais 
declarações não são feitas de mim para você, e nem de mim para os seres espirituais 
apenas; mas, ela é feita de nós para o mundo. Quando se vai para a sociedade, deve-se 
proclamar a vitória da cruz 
(“venceram por causa do sanque do Cordeiro”), suportando o peso de ser servo de Jesus, 
mesmo às custas de ações e atitudes que trarão conseqüências profundas à vida, 
podendo redundar em morte. 
 
 
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CAPÍTULO 10 
DISCERNINDO AS FORÇAS HISTÓRICAS NA BATALHA ESPIRITUAL 
 
Agora que já se sabe quem são esses seres espirituais; agora que já se sabe o que a Cruz 
lhes fez; agora que já se sabe qual a relação dos principados e potestades com a Igreja; 
agora que já se sabe como os principados e potestades atuam na História; agora que já se 
sabe quais as ações da Igreja que fragilizam tais seres espirituais; agora, enfim, que já se 
sabe tudo isso, uma pergunta deve ser feita: será que se pode escolher um caso, ou fazer 
um estudo de casos, no qual se possa ver esses seres em ação, bem como o povo de 
Deus em ação em relação a esses seres? 
 
No capítulo 10 do profeta Daniel, diz-nos que tudo o que vai ser descrito e narrado nele 
ocorreu num momento histórico-político importantíssimo. O que é interessante na Bíblia é 
que as coisas espirituais não estão divorciadas da História. Não se fala das dimensões 
celestiais num lugar indefinido; ao contrário, elas têm a ver com a terra, com o mundo em 
que vivemos. 
Primeiramente, diz-se que tudo aconteceu no terceiro ano do rei Ciro (v.1) - acerca do qual 
Isaías havia profetizado quase 100 anos antes (Isaias 45), dizendo que Deus o levantaria 
para abrir a porta aos exilados judeus em Babilônia, permitindo-lhes a volta à sua terra, a 
fim de reconstruírem suas vidas. 
Prosseguindo, Daniel diz que no terceiro ano do rei Ciro ele estava à beira do rio Tigre 
(Daniel 10:4). Lá, Daniel teve a visão de anjo, o qual é descrito de forma inteiramente 
diferente daquelas que geralmente ouço, quando alguém diz que teve uma visão de um. 
Geralmente, dizem-me: 
 
“- Pastor, eu vi um anjão com uma espada deste tamanho!...” 
 
Passado algum tempo, eu pergunto a uma das pessoas que me disseram ter visto um anjo: 
 
“- Como era mesmo aquele anjo que você disse que viu?” 
 
“- Ah! Me esqueci, pastor!” - responde-me. 
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Eu nunca vi um anjo. Mas, no dia em que vir um, certamente, mesmo que viva mais 400 
anos, vou descrevê-lo exatamente da mesma forma que o vi pela primeira vez. Não 
consigo crer em alguém que diz que vê anjo, mas se esquece dele no dia seguinte. 
 
Daniel, entretanto, diz: 
 
“- Eu vi um anjo!... E, olha, eu tive uma tremedeira danada... Mudei de cor... fiquei branco 
de medo... quase desmaiei... Eu fiquei estarrecido com aquela visão esmagadora!...” 
 
O anjo o toca e lhe diz: 
 
“- Levanta, Daniel.” 
 
Daniel diz que foi tocado pelo anjo (v.10), ficando de pé, mas que, mesmo assim, 
continuou a sentir medo (v.11). O anjo, então, começa a relatar-lhe o propósito de sua 
visita: 
 
“(...) Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que te vou dizer, e levanta-te 
sobre os pés; porque eis que te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, eu me pus 
em pé tremendo. Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que 
aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as 
tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim. Mas o príncipe do reino da 
Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio paraajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia. Agora vim para fazer-te entender o 
que há de suceder ao teu povo nos últimos dias; porque a visão se refere a dias ainda 
distantes.” 
 
(Daniel 10:11-14) 
 
O anjo começa a dizer-lhe que os persas vão cair (v.20) e que outro reino iria levantar-se - 
o da Grécia (v.20), surgindo um homem poderoso nesse reino, cujo nome não é citado, 
mas é Alexandre, o Grande. Esse reino grego será intenso e mundial (Daniel 11:3), porém 
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curto. Quando esse rei grego morrer, o reino será dividido em quatro (Daniel 11:4). E foi 
isso que ocorreu, historicamente falando. Cassandro, Lasímoco, Ptolomeu e Seleuco 
ficaram com os reinos. Dois desses reinos tornam-se especialmente fortes, quais sejam o 
de Ptolomeu e o de Seleuco. 
 
Depois disso, o anjo diz que haverá guerra entre o reino do norte e o reino do sul (Daniel 
11:10-11). E o campo dessa batalha será Israel. 
Daniel faz menção a uma mulher muito bonita, que é Cleópatra, aparecendo em Daniel 
11:6, a qual é filha do rei do Sul, mas que é dada a um príncipe do reino do Norte, na 
tentativa de uma aliança entre os reinos. Mas, a aliança é quebrada depois (Daniel 11:7). 
Vão sendo descritas as inúmeras lutas históricas entre Ptolomeus e Seleucos. Também é 
mencionada a revolta dos macabeus (Daniel 11:14). 
O que é que se aprende com toda essa narrativa? 
Em primeiro lugar, aprende-se que os principados e as potestades têm relação com a 
História. Em Daniel 10:13, encontramos algo a esse respeito, falando que as 
manifestações espirituais se relacionavam com o mundo visível e suas expressões 
políticas. O verso 13 nos fala do príncipe da Pérsia – a qual existe na geografia mundial 
real, concreta. O anjo está dizendo que havia uma correspondência espiritual, e que havia 
principados malignos agindo na Pérsia: 
 
“Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias. Porém Miguel, um dos 
primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia.” 
 
Em Daniel 10:20b, fala-se sobre o príncipe da Grécia: 
 
“(...) eis que virá o príncipe da Grécia.” 
 
Também havia um principado poderoso agindo na Grécia. 
 
E, em Daniel 10:21b, fala-se em Miguel, que é chamado de “vosso príncipe” ou seja, 
príncipe do povo de Israel: 
 
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“(...) e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso 
príncipe.” 
 
Se a Pérsia tinha principados; se a Grécia tinha principados; se Israel tinha Miguel; a 
pergunta que deve ser feita agora é a seguinte: quem são os principados que estão sobre 
o 
Brasil? 
 
Algo interessante é notar que os principados também mudam com a História. Eles estão 
tão imiscuídos nela, que não mantêm um mesmo padrão de atuação o tempo todo: a 
História muda, eles mudam com ela. 
Se os principados e potestades não mudassem, nós teríamos o mesmo padrão de ação 
espiritual na Pérsia (atualmente Irã) até hoje. Houve convulsões religiosas e políticas tão 
profundas que determinaram outra manifestação espiritual lá. 
 
Mas o princípio que fica é este. Por mais estranho que isso possa parecer a algumas 
mentes teológicas mais sofisticadas, a Bíblia é clara quanto à atuação dos principados e 
potestades no seio da História, agindo sobre nações, de maneira tão íntima, tão intrínseca 
que a Bíblia os especifica, referindo-se à área de atuação deles, como o príncipe das 
Nações. 
Há todo um exercício a ser feito por nós, com cuidado e inteligência, para discernirmos 
quem são os principados que atuam no nosso país. 
Em segundo lugar, aprende-se que a batalha espiritual não nos isenta de vivermos dentro 
o conjunto das forças históricas. 
A vitória do anjo sobre os principados da Pérsia não mudou a História, do ponto de vista 
mediato. O anjo diz a Daniel: 
 
“- Eu vim para te dizer que tu és amado. Não pude chegar mais cedo, porque fui impedido 
pelo príncipe da Pérsia. Miguel veio ao meu socorro. Depois disso é que eu pude vir.” 
 
Poder-se-ia pensar que ele - o anjo - diria o seguinte: 
 
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“- O povo de Israel está livre, nunca mais ninguém vai oprimi-lo. Não há mais sofrimento, 
desgraça, opressão, não há mais nada que aflija o homem.” 
 
Não é isso que se espera como resultado de vitória nas regiões celestiais? No entanto, o 
anjo diz que houve vitória, mas que, apesar dela, sofrimentos e angústias sobreviriam 
sobre o povo de Deus. 
 
Isso nos deve levar a rever completamente o nosso entendimento do que vem a ser vitória 
nas regiões celestiais. Vitória nas regiões celestiais, tendo por base o texto de Daniel 10 e 
11, não significa mudanças sócio-políticas radicais; não significa reviravoltas econômicas 
dramáticas; não significa, necessariamente, a prosperidade material do povo de Deus. A 
vitória do anjo não mudou dramaticamente a História, mas mostrou o que haveria de 
acontecer no futuro: 
 
“Agora vim para fazer-te entender o que há de suceder ao teu povo dos últimos dias; 
porque a visão se refere a dias ainda distantes.” 
 
(Daniel 10:14) 
 
Em terceiro lugar, aprende-se que a batalha espiritual não é tanto a de neutralizar forças 
espirituais, mas de discerni-las, a fim de não nos aliarmos a elas. 
 
Há pessoas que pensam que não é preciso ter tal discernimento, uma vez que acreditam 
que não vão ter garantias de que o seu confronto espiritual não vai mudar a História, 
imediatamente. Daniel não mudou o curso histórico. A peleja foi vencida nas regiões 
celestiais não necessariamente para neutralizar as forças espirituais que estavam agindo 
na 
História, nem para neutralizar as forças históricas alimentando as espirituais; mas, 
sobretudo, para discerni-las, para não nos aliarmos a elas. 
 
Daniel recebe discernimento da visão: 
 
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“(...) e teve inteligência da visão.” 
 
(Daniel 10:1b) 
 
O perigo é que alguns do povo de Daniel não tiveram discernimento, aliando-se ao lado 
errado. É o que se diz em Daniel 11:14: 
 
“Naqueles tempos se levantarão muitos contra o rei do Sul; também os dados à violência 
dentre o teu povo se levantarão para cumprirem a profecia, mas cairão.” 
 
Em quarto lugar, aprende-se que a batalha espiritual não é ganha quando o povo de 
 
Deus triunfa sobre as forças da História, e, sim, quando não se deixa seduzir por elas. 
Encontra-se uma afirmação acerca disso em Daniel 11:33-35, que diz: 
 
“Os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada e pelo fogo, 
pelo cativeiro e pelo roubo, por algum tempo. Ao caírem eles, serão ajudados com 
pequeno socorro; mas muitos se ajuntarão a eles com lisonjas. Alguns dos entendidos 
cairão para serem provados, purificados, e embranquecidos, até ao tempo do fim, porque 
se dará ainda no tempo determinado.” 
 
Há, nesse texto, alguma palavra de vitória sobre as forças históricas? Ao contrário: estão 
debaixo de pancada. 
 
Por fim, em quinto lugar, o que se aprende é que a batalha espiritual não é caracterizada 
por vitória histórica do povo de Deus, mas pela sua salvação. 
A grande vitória não é ter a garantia de que, um dia, o Brasil vai ter um Presidente da 
República evangélico. A grande vitória não é ter a certeza de que todas as verbas públicas 
irão para os caixas da Igreja. A grande vitória não é saber que nada vai ser feito sem a 
autorização de algum pastor poderoso. 
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Note-se que o povo de Israel tem um defensor, que é Miguel (Daniel 12:1), mas passam 
por angústias terríveis:“Nesse tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e 
haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo; 
mas naquele tempo será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro.” 
 
Mas, a Palavra de Deus ainda diz: 
 
“(...) mas naquele tempo será salvo o teu povo.” 
 
O povo de Daniel não se tornou o povo mais forte da História. Pelo contrário, é descrito 
como um povo fraco e abatido, mas com a promessa de que seria uma nação de pessoas 
salvas. 
 
Do Brasil, o que podemos esperar quanto à vitória contra os principados e potestades? A 
Palavra de Deus nos promete apenas que podemos ser um povo salvo; o que nós 
queremos ver é um povo de gente embranquecida e purificada; gente que não se dobra, 
gente que não se curva, gente que não se vende; gente que não se deixa seduzir por 
lisonjas; gente que não pega em armas para praticar violência; gente que sabe que a luta 
não é contra carne e sangue, mas contra principados e potestades; gente que sabe que 
não é por força nem por violência, mas que é pelo Espírito Santo de Deus que se 
consegue vencer (Zacarias 4:6b), em nome de Jesus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 11 
DISCERNINDO OS TRÊS NÍVEIS DE BATALHA ESPIRITUAL 
 
 
“Acautelai-vos por vós mesmos, para que nunca vos suceda que os vossos corações 
fiquem sobrecarregados com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das 
preocupações deste mundo, e para que aquele dia não venha sobre vós repentinamente, 
como um laço. Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra. 
Vigiai, pois, a todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que 
têm de suceder, e estar em pé na presença do Filho do homem.” 
 
(Lucas 21:34-36) 
 
Neste capítulo, nós vamos tratar da batalha espiritual em três níveis diferentes, quais 
sejam: o individual (aquilo que acontece na mente e no coração de cada um de nós 
individualmente), o social (aquilo que acontece na memória da sociedade - nos “porões” 
psíquicos da sociedade) e o cultural (a formação de valores e de percepções dentro da 
sociedade). 
 
O texto acima de Lucas aborda, de uma maneira sucinta, os três níveis de batalha 
espiritual, os quais nos propomos a tratar neste capítulo. 
Primeiramente, está o nível individual, porque Jesus está falando a pessoas, a indivíduos, 
alertando-os, advertindo-os acerca de coisas que poderiam atingi-los, implicando luta 
individual para cada uma delas (“Acautelai -vos por vós mesmos”). Mas também é dito que 
tal luta individual também se daria num âmbito mais amplo do que o individual, referindo-se 
ao nível social. Isto é atestado quando Ele fala para se ter cuidado com orgias, embriaguez 
e preocupações deste mundo ("nunca vos suceda que os vossos corações fiquem 
sobrecarregados com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações 
deste mundo”). Jesus está falando de uma sociedade, na qual tais coisas se tornaram 
referenciais muito nítidos. Jesus faz referência ao nível social - Ele não só fala de orgia, 
embriaguez e das preocupações deste mundo, mas fala também das conseqüências para 
uma sociedade em que tais valores estão impregnando a consciência de todos. Ele não diz 
para se ter cuidado apenas com a orgia, embriaguez e com as preocupações materialistas 
do dia-a-dia; Ele diz, também, para se ter cuidado com as conseqüências desses 
comportamentos ("nunca vos suceda que os vossos corações fiquem sobrecarregados 
com as conseqüências da orgia, da embriaguez e das preocupações deste mundo”). Ou 
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seja, ter cuidado com aquilo que vai se transformar em hábito, em cultura. Não se está 
necessariamente dizendo a alguém que se envolveu com orgia, com embriaguez ou com 
as preocupações deste mundo. Jesus diz para se ter cuidado não só com estas coisas, 
mas também com suas conseqüências destrutivas. Pode ser que você, que lê este livro, 
não pratique tais coisas, mas está inserido numa sociedade que gerou uma cultura que 
está impregnada pela licenciosidade, pela corrupção ou pelo imediatismo materialista, que 
podem atingi-lo, penetrá-lo e vitimá-lo não porque você as pratique, mas pela assimilação e 
absorção dessa cultura que é tremendamente destrutiva. Isso é tão sério, que Jesus diz 
que as conseqüências de tais coisas iriam abranger toda a terra, atingindo a todos os seus 
habitantes: 
 
“Pois há de sobrevir a todos os que vivem sobre a face de toda a terra.” 
 
(Lucas 21:35) 
 
Será que Jesus está dizendo que todas as pessoas estariam praticando aquelas coisas, ou 
está dizendo que a formação dessa cultura tornar-se-ia algo globalizante, tendo um poder 
de penetração enorme na alma humana, sem que esta percebesse, ou quisesse? 
 
Eu e você, diariamente, estamos envolvidos com esses três níveis de luta espiritual. 
Algumas das manifestações mais corriqueiras que se dão em cada um desses níveis às 
vezes vêm mascaradas de fisionomias despretensiosas, inocentes... Mas, por trás delas, 
há forças espirituais operantes e poderosas. 
 
A Batalha Espiritual no Nível Individual 
 
Para se perceber, de uma maneira mais objetiva, a luta que se trava na mente, no coração, 
na consciência, nas emoções, nos desejos, nas volições e no íntimo de cada um, faz-se 
necessário refletir sobre o texto que se encontra em Mateus 4:3-10, que fala sobre a 
tentação de Jesus no deserto: 
 
“Então o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas 
pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão 
viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Então o diabo o 
137 
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levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo. E lhe disse: Se és Filho de 
Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito; e: Eles 
te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: 
Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Levou-o ainda o diabo a um monte 
muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: Tudo isto te 
darei se prostrado, me adorares. Então Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está 
escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto.” 
 
Neste texto, encontra-se o maior estratagema de indução da mente humana jamais 
concebido na História. As três tentações a que Jesus foi submetido como indivíduo, como 
pessoa, têm complexidades tremendas. De alguma forma, elas explicitam áreas de 
susceptibilidade e fragilidade individual que são comuns a todos os seres humanos. 
Nessas tentações, são encontradas lutas, pressões, induções, questionamentos, 
perturbações que atingem a cada um de nós, nas circunstancias e situações as mais 
diversas. 
 
A primeira tentação é a de tentar absolutizar o desejo humano. Essa tentação busca fazer 
do desejo humano a medida maior, a referência mais importante, em função da qual a vida 
pode ser orientada; essa tentação é a de dizer a si próprio que leis, princípios, regras e 
valores são menores que o próprio desejo, o qual não pode ser reprimido sob hipótese 
alguma. 
É isso que o diabo tenta fazer brotar no coração e na mente de Jesus, inicialmente: 
 
"Então o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas 
pedras se transformem em pães.” 
 
(Mateus 4:3) 
 
Em outras palavras, o diabo estava Lhe dizendo: 
 
“- Libera os desejos de Teu corpo. Teu corpo quer; Teu corpo sente; Teu corpo precisa; 
Teu corpo tem fome.” 
 
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Ensino à DistânciaHá uma afirmação profunda do desejo mais intrínseco que habita o corpo de cada um de 
nós, que é o sexual, não apenas restrito e relacionado ao ato sexual em si, mas num 
sentido amplo de satisfação de um prazer físico. Por exemplo, essa satisfação pode ser até 
mesmo oral (há pessoas que comem muito, porque estão impotentes sexualmente; e uma 
das maneiras de compensar a impotência sexual é comendo). Cada um vive os dramas de 
sua própria sexualidade, seja ela reprimida, seja ela adoecida, de maneira diferente, e 
tenta satisfaze-la pelos meios mais distintos. 
 
Deste modo, o diabo se aproxima de Jesus e argumenta: 
 
“ - Teu corpo quer e precisa; Tu tens fome. Portanto, alimenta-Te! Leva o Teu desejo às 
últimas conseqüências.” 
 
O diabo não só absolutiza o desejo do corpo, mas o desejo da alma: 
 
“Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu 
respeito; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” 
 
Em outras palavras, o diabo estava Lhe dizendo: 
 
“– Tu queres ser conhecido e notado? Pula do pináculo do templo na hora em que houver 
o maior número de pessoas no átrio. Assim, todos O verão, especialmente se uma legião 
de anjos se formar numa espécie de ‘pára-quedas’ celestial, de modo que Tu desças de 
maneira triunfal.” 
 
Há nessa afirmação um estímulo muito sutil a área de satisfação da auto-estima, de auto-
aceitação da própria personalidade. 
 
Por último, o diabo absolutiza o desejo do espírito. O desejo de glória, de realização 
humana, de promoção, de deixar uma marca na História, de conquista: 
 
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“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a 
glória deles, e lhe disse: Tudo isto te darei se prostrado, me adorares.” 
 
(Lucas 4:8-9) 
 
Fico pensando em algumas sessões de psicoterapia que são freqüentadas por muitas 
pessoas, nas quais se recebe todo o tipo de orientação de psicoterapeutas que não são 
cristãos - portanto, não tendo nenhum referencial da Palavra de Deus -, os quais estimulam 
seus pacientes a satisfazerem seus desejos, negados e reprimidos, que, segundo esses 
profissionais, os estão infelicitando. Às vezes, surge aquele desejo enorme de ir para cama 
com outro, ao qual se é estimulado, sob a alegação de que tal vontade não pode ser 
reprimida, não impor-tando os meios. 
 
A segunda tentação é a de tentar manipular o sagrado na vida humana. Isto é muito sério, 
porque se faz alusão ao poder de se operarem milagres: transformar pedras em pães. 
 
“(...) manda que estas pedras se transformem em pães.” 
 
Há também a tentativa de manipulação do poder da promessa de Deus. A promessa que o 
diabo tenta manipular é a encontrada no Salmo 91:11-12: 
 
“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus 
caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” 
 
É essa a promessa divina a que o diabo recorre, tentando seduzir a Jesus: 
 
 
 
“Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu 
respeito; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” 
 
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(Mateus 4:6) 
 
O diabo também tenta distorcer o ideal de serviço a Deus e à humanidade. Jesus quer 
servir a humanidade, quer alcançar o ser humano, sendo-lhe o seu Salvador, mesmo que 
seja nos confins da terra. 
 
O diabo, entretanto, lhe propõe o mundo: 
 
“Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a 
glória deles, e lhe disse. Tudo isto te darei se prostrado, me adorares. Então Jesus lhe 
ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele 
darás culto.” 
 
(Mateus 4:8-9) 
 
O diabo é especialista em perverter o sagrado. É por isso que, freqüentemente, ele é 
capaz de transformar o milagre em charlatanismo, é capaz de transformar a promessa 
genuína de Deus em heresia; é capaz de transformar o serviço caridoso ao próximo em 
negócio. 
 
Soube, algum tempo atrás, depois da chacina dos meninos da Candelária, no Rio de 
Janeiro, que há cerca de 600 meninos de rua dormindo no centro da cidade, ou seja, um 
número muito menor do que se imaginava que houvesse. Também soube que há 600 
organizações de caridade recebendo dinheiro do Governo Federal, dos EUA e de países 
da Europa, para atenderem às crianças de tua do Rio. O absurdo é que há uma entidade 
para cada criança. No entanto, nada é feito! As crianças continuam abandonadas, 
dormindo ao relento. Dentre essas 600 organizações, há apenas, no máximo, 40 fazendo 
alguma coisa. As demais têm um diretor-executivo ganhando US$ 2.000,00, uma psicóloga 
ganhando US$1.000,00, uma assistente social ganhando US$ 1.000,00, uma secretária 
ganhando US$ 800,00, um monte de gente ganhando em dólares para fazer nada! O que 
deveria ser uma motivação maravilhosa - ajudar a crianças de rua - transforma-se, 
subitamente, em algo maligno. O serviço caridoso, muitas vezes, tornou -se um negócio 
altamente rentável. Isso também acontece, infelizmente, dentro da Igreja, dentro dos 
projetos missionários e dentro de tantos outros segmentos religiosos, nos quais, tantas 
vezes, se usa o nome de Jesus. 
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A terceira tentação é a de tentar absolutizar o papel da dimensão econômico-social, do 
marketing e da política. O diabo tenta encher o coração de Jesus com obsessões quanto a 
isso. A questão econômico-social está presente quando o diabo propõe a Jesus: 
 
“(...) Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” 
 
O diabo tenta incutir-Lhe que qualquer milagre tem que ser feito, mesmo que seja “na 
marra”. 
A questão do marketing aparece quando o diabo Lhe propõe atirar-Se do pináculo do 
templo: 
 
“Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu 
respeito; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” 
 
Com tal proposta, o diabo estava querendo dizer-Lhe que não haveria necessidade alguma 
de Ele - Jesus - cumprir o Seu ministério. Bastava que Ele subisse no pináculo do templo e 
de lá Se precipitasse, para que todos O vissem, quando os anjos fossem ao Seu encontro 
nos ares, sustentando-O até o chão. Assim, segundo o diabo, Jesus seria visto, “de cara”, 
como o Filho de Deus. Isso tudo, na mente do diabo, valia muito mais do que três anos de 
ministério combativo, sincero e perseverante. 
 
A questão política também se faz presente quando o diabo tenta seduzi-Lo, dizendo que 
tudo o que tem valor, tudo o que importa, tudo o que tem sentido é a política, como 
primeira e última referência da vida. 
A quarta tentação é a de tentar criar a filosofia de que os fins justificam os meios. 
Cada uma das três tentações acima descritas traz em si tal filosofia. O diabo, 
implicitamente, diz isso para Jesus: 
 
“- Não importa como Tu vais chegar lá! O importante é chegar! Não importa se Tu vais 
comer pão em algum lugar. O que importa é que transformes pedras em pães aqui, para 
Te alimentares. Tu não queres ser visto como o Salvador? Nada de cruz! Salta do pináculo 
do templo, para que os anjos venham ao Teu socorro, afim de que, em vindo eles, todos 
possam ver quem Tu és. Tu, também, não queres os reinos do mundo? Porque conquistá-
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los pelo sacrifício e pelo amor? Nada disso! Por que Tu não Te curvas diante de mim? Eu 
dou um jeitinho nisso!...” 
 
Essa filosofia nos atinge cotidianamente nas mais variadas áreas da nossa vida, sejaa 
profissional, seja nas nossas opções políticas, seja no modo através do qual vemos o 
mundo e as pessoas ao nosso redor. 
 
Em síntese, o que o diabo está dizendo é: 
 
“- Para comer, para se promover e para conquistar, vale tudo!” 
 
Eu, particularmente, acredito que, algum dia, todos nós já ouvimos algo parecido com isso. 
Algum tempo atrás, ouvi de um líder religioso, neste país, uma afirmação que ele próprio 
fizera, de que, por Jesus, ele faria qualquer coisa. Ele disse: 
 
“- Por amor a Jesus, eu passo cheque sem fundos; por amor a Jesus, eu passo duplicata 
fria; por amor a Jesus, eu minto; por amor a Jesus, enfim, eu faço qualquer coisa.” 
 
Isso não é brincadeira, infelizmente! Hoje, no nosso país, há muita gente acreditando 
nessa filosofia e, em decorrência disso, praticando-a. Essa é uma filosofia diabólica! É o 
mesmo que transformar pedras em pães, pular do pináculo e curvar-se diante do diabo, 
crendo que os fins justificam os meios. 
A quinta tentação é a de tentar desviar o foco histórico de Deus para o homem. 
 
Quando o diabo se aproxima de Jesus, ele tenta de toda forma tirar o foco de Deus e 
desviá-lo para Jesus. Isso se verifica por meio da proposição condicional de que se utiliza 
o diabo, a fim de tentar seduzir a Jesus: 
 
“(...) Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” 
 
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(Mateus 4:3) 
“(...) Se és Filho de Deus, atira-te abaixo...” 
(Mateus 4:6a) 
 
A preocupação que o diabo manifesta por meio de tais expressões não é com a glória de 
Deus, mas com a situação imediata, presente, circunstancial; não é com a vontade de 
Deus, mas com o conforto, com a satisfação pura e simples; não é com as opções de 
Deus, mas com tudo aquilo que pode facilitar a vida. 
 
Preocupam-me todas as manifestações de espiritualidade que colocam um homem ou uma 
mulher contra a parede, forçando-os a darem uma demonstração de quem eles são. 
Certa ocasião, um pastor contou-me que estava em crise com a sua igreja. Eu lhe 
perguntei, então, qual a razão daquela crise. Ele me respondeu que lá na igreja dele o 
critério que os membros estabeleceram para saber quem é pastor ungido é saber se ele 
tem ou não o poder de soprar e as pessoas caírem. 
Quase ninguém está interessado em saber como o pastor se relaciona com Deus, se ele lê 
ou não a Bíblia, em como ele trata a mulher, em como ele trata os filhos, em como ele 
administra a igreja. Ninguém se interessa pelo caráter do líder. A coisa toda está resumida 
ao poder de sopro, ao “soprômetro” se soprou, e caiu, é homem de Deus. Tome cuidado 
com isso! 
 
Quando a espiritualidade começa a requerer demonstrações (“Se és Filho de Deus, manda 
que estas pedras se transformem em pães.” “(...) Se és Filho de Deus, atira-te 
abaixo...”),tal espiritualidade não provém de Deus, O qual não requer de nós 
demonstrações de poder para que verdadeiramente sejamos reconhecidos como Seus 
filhos; mas, Deus quer que vivamos, apenas, como Seus filhos. O que passar disso tem 
procedência maligna. 
A sexta tentação é a de tentar criar a mentalidade utilitária do mundo espiritual. 
Segundo tal tentação, o mundo espiritual tem que ser utilizado, ao qual se possa ter 
acesso, a fim de manipulá-lo. Nas três tentações a que foi submetido Jesus, há palavras 
que refletem a função utilitária que o mundo espiritual deve ter. Na primeira tentação se 
tem: 
 
“(...) Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães.” 
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Com isso, o diabo estava querendo dizer a Jesus: 
 
“- Se há poder em Ti, esse poder tem que estar a Seu serviço.” 
 
Na segunda tentação, o diabo lhe diz: 
 
“(...) Se és Filho de Deus, atira-te abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a 
teu respeito, e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” 
 
O diabo está querendo dizer a Jesus o seguinte: 
 
“– Se a Palavra de Deus serve para alguma coisa, ela tem que ser útil, no momento em 
que Tu precisares.” 
 
Na terceira tentação, o diabo Lhe propõe: 
 
“(...) Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares.” 
 
O diabo quis dizer a Jesus: 
 
“- Basta que Tu me adores, para que tenhas tudo quanto queres.” 
 
Preocupa-me muito, também, todo tipo de manifestações de espiritualidade utilitária. 
Infelizmente, nos dias de hoje, cada vez mais um número maior de pessoas olha para o 
mundo espiritual numa perspectiva utilitária, a qual se baseia em '”palavras de ordem” do 
tipo manda, decreta. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra a fé genuína; mas é que, 
em muitos casos, manifestações outras podem estar embutidas em tais práticas. 
 
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Ou ainda: é perigosa e diabólica a espiritualidade utilitária, uma vez que ela concebe a 
Deus, como Deus, apenas como fonte de bênçãos. Se Deus não abençoar - sobretudo 
material e financeiramente - Deus não é Deus, segundo essa espiritualidade. 
Portanto, exerçamos o nosso discernimento espiritual não apenas para distinguir as forças 
obviamente diabólicas que estão operando neste mundo; mas exerçamo-lo também para 
discriminar as forças malignamente sutis que estão operando dentro da Igreja e dentro das 
nossas próprias teologias. 
 
A sétima tentação é a de tentar gerar desapontamento em relação à Palavra de Deus. Um 
dos ardis a que o diabo constantemente recorre é o de produzir dentro do coração humano 
o descrédito, a tristeza, a frustração, o abatimento e o cansaço em relação à Palavra do 
Senhor. No episódio da tentação de Cristo, ele - o diabo - lança mão do Salmo 91 (Mateus 
4:6), no seu trecho mais eloqüente, e propõe a Jesus: 
 
“- Olha, há um montão de gente lá embaixo. Se Tu pulares daqui, e os anjos vierem ao Teu 
socorro, será um verdadeiro show. Pula daqui, porque Tu tens base bíblica para fazer isso, 
sem que mal algum Te suceda. Está lá nas Escrituras: Aos Seus anjos ordenará a Teu 
respeito; eles Te sustentarão nas suas mãos para que não tropeces em pedra alguma. 
Isso é a Palavra de Deus para Ti. Pula, então. Pula!” 
 
Jesus, olhando-o, diz: 
 
“– O Salmo 91 foi escrito para homens, não foi escrito para passarinhos. Homens andam 
no chão; passarinho é que anda pelo céu, voando. Se o homem estiver andando com Deus 
realmente, com dignidade e querendo servi-Lo, os anjos do Senhor o ampararão em todos 
os seus caminhos. Eu não pulo, não, diabo!” 
Possivelmente, hoje em dia, alguém teceria o seguinte comentário quanto à atitude de 
Jesus em não pular do pináculo do templo: 
 
“– Ele não tem fé...” 
 
A oitava tentação é a de tentar fazer a relação com o poder e com a autoridade ser mais 
importante que a relação com a vontade de Deus para a vida humana. É tentação 
extremamente sutil e diabólica a de tentar fazer que a nossa relação com o poder e com a 
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autoridade seja mais importante do que a nossa relação com a vontade de Deus. O diabo 
aproxima-se de Jesus e lhe diz: 
 
“- Olha, Jesus, os reinos são meus. Eu os darei a Ti. Tu queres poder e autoridade? Eu os 
tenho para Te dar!” 
 
Jesus, entretanto, lhe diz: 
 
“- Meu negócio não é poder e nem autoridade. Meu negócio é cumprir a vontade de Meu 
Pai, O qual está nos céus. Arreda de Mim, Satanás! Só ao Senhor Deus de toda a terra se 
deve prestar culto e adoração. Só a Ele se deve dar glória.” 
 
O primeiro nível de batalha espiritual acerca do qual se falou foi o individual, que foi 
analisado levando-se em consideração oito tipos de tentações que abrangem um campo 
enorme de ação do diabo na mente humana, sobretudo na de pessoas que queremservir 
a Deus, mas que estão enfrentando uma batalha no nível da mente. 
 
A Batalha Espiritual no Nível Social 
 
O segundo nível de batalha espiritual é o que se dá na memória social. Os principados e 
potestades estão condicionados pelo arcabouço social influenciando a sociedade, ao 
mesmo tempo em que são limitados por ela, muitas vezes submetendo-se ou ajustando-se 
às circunstâncias sociais. 
 
Para ilustrar tal afirmação, nada melhor do que a história de Gideão, que pode ser 
resumida da seguinte maneira: Israel plantava trigo, o qual era roubado pelos midianitas 
(Juízes 6:3), os quais também invadiam a terra, com seu gado e com toda a sua gente, 
destruindo-a (Juízes 6:5). Deste modo, ninguém mais agüentava plantar trigo, uma vez que 
os midianitas sempre o roubavam. O povo começou a clamar angustiado diante de Deus, 
porque plantava e não comia (Juízes 6:7). Deus suscita livramento por meio de Gideão, o 
qual é visitado pelo Anjo do Senhor (Juízes 6:11), que lhe diz: 
 
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“(...) O Senhor é contigo, homem valente. Vai nessa tua força, e livro a Israel das mãos dos 
midianitas; porventura não te enviei eu?” 
 
(Juízes 6:12b e 14b) 
 
Gideão, atemorizado, responde-lhe: 
 
“(...) Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em 
Manassés, e eu o menor na casa de meu pai.” 
 
(Juízes 6:15) 
 
Gideão enfrenta conflitos interiores, querendo saber se realmente fora ele ou não escolhido 
para tal missão, pedindo ao Anjo um sinal (Juízes 6:17): 
 
“Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste, eis que eu porei uma porção 
de lã na eira: se o orvalho estiver somente nela, e seca a terra ao redor, então conhecerei 
que hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste.” 
 
(Juízes 6:36-37) 
 
Gideão recebeu da parte de Deus o sinal pedido: 
 
“E assim sucedeu; porque ao outro dia se levantou de madrugada e, apertando a li, do 
orvalho dela espremeu uma taça cheia de água.” 
 
(Juízes 6:38) 
 
Não satisfeito ainda, Gideão pede um outro sinal: 
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“Não se acenda contra mim a tua ira, se ainda falar só esta vez; rogo-te que mais esta vez 
faça eu a prova com a lã: que só a lã esteja seca, e na terra ao redor haja orvalho.” 
 
(Juízes 6:39) 
 
Mais uma vez Gideão tem o seu pedido atendido: 
 
“E Deus assim o fez naquela noite: pois só a lã estava seca, e sobre a terra ao redor havia 
orvalho.” 
 
(Juízes 6:40) 
 
Gideão, então, crê que realmente fora ele designado a cumprir a missão de destruir os 
midianitas. Gideão convocou a quase todo o Israel para anunciar-lhe o livramento do 
Senhor (Juízes 6:35). Ajuntaram-se a Gideão 32 mil homens (Juízes 7:3). Mas, o Senhor 
diz a Gideão: 
 
“(...) É demais o povo que está contigo, para eu dar os midianitas em sua mão; a fim de 
que Israel se não glorie contra mim, dizendo: A minha própria mão me livrou.” 
 
(Juízes 7:2) 
 
O Senhor ainda diz a Gideão: 
 
“Apregoa, pois, aos ouvidos do povo, dizendo: Quem for tímido e medroso volte, e retire-se 
da região montanhosa de Gileade.” 
 
(Juízes 7:3a) 
 
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Tendo feito Gideão conforme o Senhor lhe ordenara, 22 mil homens voltaram para suas 
casas (Juízes 7:3b), ficando apenas 10 mil (Juízes 7:3b). Disse mais o Senhor a Gideão: 
 
“( ...) Ainda há povo demais: faze-os descer às águas, e ali os provarei; aquele de quem eu 
te disser: Este irá contigo, esse contigo irá; porém todo aquele de quem eu te disser: Este 
não irá contigo, esse não irá. (...) Todo que lamber as águas com a língua, como faz o cão, 
esse porás a parte; como também a todo aquele que se abaixar de joelhos a beber.” 
 
(Juízes 7:4 e 5b) 
 
Dos 10 mil homens que foram submetidos a tal teste, apenas 300 beberam água em pé, 
como gente (Juízes 7:6a), acerca dos quais o Senhor falou a Gideão: 
 
“Com estes trezentos homens que lamberam as águas eu vos livrarei, e entregarei os 
midianitas nas tuas mãos.” 
 
(Juízes 7:7a) 
 
Entretanto, o coração de Gideão ainda tinha temores, dúvidas e vacilações quanto ao 
sucesso de sua missão. O Senhor, porém, fala a Gideão: 
 
“Se ainda temes atacar, desce tu e teu moço Pura ao arraial; e ouvirás o que dizem; 
depois, fortalecidas as tuas mãos, descerás contra o arraial.” 
(Juízes: 7:10-11a) 
 
Atendendo à ordem do Senhor, Gideão, acompanhado do seu moço - Pura -, desce ao 
arraial, às escondidas. Chegando lá, “na moita”, Gideão ouve dois homens conversarem. 
Naquele momento, um estava contando ao seu companheiro: 
 
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“(...) Tive um sonho. Eis que um pão de cevada rodava contra o arraial dos midianitas, e 
deu de encontro à tenda do comandante, de maneira que esta caiu, e se virou de cima 
para baixo, e ficou assim estendida.” 
 
(Juízes 7:13b) 
 
Depois de ter relatado o sonho, o que o ouvia lhe disse: 
 
“(...) Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Nas 
mãos dele entregou Deus os midianitas e todo este arraial.” 
 
(Juízes 7:14) 
 
Ouvindo tal sonho, e sabendo do seu significado, Gideão volta ao arraial de Israel, e diz 
aos seus comandados: 
 
“(...) Levantai-vos, porque o Senhor entregou o arraial dos midianitas nos vossas mãos.” 
 
(Juízes 7:15b) 
 
Após ouvir as palavras do Senhor, Gideão cercou o arraial dos midianitas, "(...) repartiu os 
trezentos homens em três companhias, e deu-lhes a cada um nas suas mãos trombetas, e 
cântaros vazios, com tochas neles." (Juízes 7:16). 
Depois disso, disse-lhes Gideão: 
 
“(...) Olhai para mim, e fazei como eu fizer. Chegando eu às imediações do arraial, como 
fizer eu, assim fareis. Quando eu tocar a trombeta, e todos os que comigo estiverem, então 
vós também tocareis a vossa ao redor de todo o arraial, e direis: Pelo Senhor e por 
Gideão!” 
 
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(Juízes 7:17-18) 
 
Dispondo, desta forma, os homens para a batalha, Gideão comanda os seus trezentos 
homens na luta contra os midianitas (Juízes 7:19 -20), os quais ficam apavorados, e que, 
segundo o relato bíblico, dão “a correr, e a gritar, e a fugir.” (Juízes 7:21b). 
 
Gideão alcança a vitória com uma minoria que lutou em nome do Senhor. 
Essa narrativa sobre Gideão apresenta-nos uma luta de potestades. Primeiramente, 
fazem-se presentes as potestades espirituais, as quais se manifestam mesmo naqueles 
governos que se dizem ateus, não crendo em Deus nem na existência do diabo. Não é por 
tal descrença que nem Deus nem o diabo vão estar ausentes. Não há nada, nem instância 
a mais remota possível que não esteja impregnada de realidades espirituais. Não há 
nenhum fenômeno humano - seja social, seja político – que não esteja penetrado por 
aquelas realidades. Os fenômenos sociais são mais do que eles realmente aparentam ser. 
Mesmo uma guerra entre povos está impregnada de forças espirituais. 
O segundo tipo de potestade – entendam-se potestades como poderes – que aparecem no 
episódio de Gideão são as potestades políticas. Elas aparecem logo em Juízes 6:1, 
representadas pelos midianitas, os quais têm o poder de invadir, de saquear, de matar e 
de fazer guerra. A outra potestade política é Israel (Juízes 6:2), que não pode tanto, em 
função do eu é invadido e espoliado. Os midianitas e Israel são potestades porque são 
poderes. 
Nesse mesmo sentido, o Palácio do Planalto, no Brasil, é uma potestade; a Casa Branca, 
nos EUA é uma potestade; a Casa Rosada, na Argentina, é uma potestade; nessemesmo 
sentido a Câmara dos Deputados e o Senado são uma potestade; o Supremo Tribunal de 
Justiça também o é. São potestades, só que políticas. 
 
 
A terceira potestade que aparece no episódio de Gideão são as potestades econômicas 
que se manifestam na luta pelo trigo: 
 
“Porque cada vez que Israel semeava, os midianitas e os amalequitas, como também os 
povos do Oriente, subiam contra ele. E contra ele se acampavam, destruindo os produtos 
da terra até à vizinhança de Gaza, e não deixavam em Israel sustento algum, nem ovelhas, 
nem bois, nem jumentos.” 
152 
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(Juízes 6:34) 
 
Em Juízes 6:11, descobre-se que era o trigo o principal motivo pelo qual os midianitas 
eram levados a saquear Israel: 
 
“(...) estava malhando o trigo no lagar para o pôr a salvo dos midianitas.” 
 
(Juízes 6:11b) 
 
Nesse sentido, cada plano econômico é uma potestade; cada pacote econômico é um 
poder também de natureza espiritual, pois ajuda a determinar a resposta que as pessoas 
dão a Deus e ao mundo. 
 
A quarta potestade que aparece no cenário da luta de Gideão contra os midianitas são as 
potestades culturais, que têm a ver com memórias, - símbolos, representações, meios de 
comunicação. 
Em Juízes 6:25, fala-se em Baal, em poste-ídolo, e numa série de outras coisas que já 
haviam sido incorporadas ao patrimônio religioso-cultural do povo israelita. 
É nesse contexto que se dá o chamamento de Gideão para libertar a Israel. A vitória dele 
precisa ser entendida a partir do sonho do soldado midianita, narrado em Juízes 7:13-14. 
Gideão é a expressão do pão roubado, que volta como um bumerangue: 
 
“(...) Tive um sonho. Eis que um pão de cevada rodava contra o arraial dos midianitas.” 
(Juízes 7:13) 
 
A história da região é a história do trigo. O soldado sonha com o pão que é feito com o 
trigo que é roubado por ele mesmo. O que ele começa a sentir é culpa, a qual começa a 
ocupar a sua mente, até mesmo quando dorme, em sonhos, em pesadelos, fragilizando-o, 
não só a ele, mas a todos que estão no arraial dos midianitas. 
 
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Embora sempre invadindo, saqueando, roubando, matando e usurpando, tais atitudes 
começam a fazer mal aos midianitas, que sabiam no íntimo de seus corações que seria o 
próprio pão, feito com o trigo roubado por eles, que os destruiria. Tal qual um bumerangue 
que é arremessado por uma pessoa, mas que volta ao mesmo ponto de onde foi lançado. 
É algo que vai, mas que volta. O pecado é assim também. 
A Bíblia diz que a planície entre a fonte de Harode até o outeiro de Moré (Juízes 7:1) 
estava cheia de midianitas, amalequitas e de povos do Oriente para saquearem a Israel, 
mais uma vez: 
 
“Os midianitas, os amalequitas e todos os povos do Oriente cobriam o vale como 
gafanhotos em multidão; e eram os seus camelos em multidão inumerável como a areia 
que há na praia do mar.” 
 
(Juízes 7:12) 
 
Mas, segundo a Palavra de Deus, quando os trezentos homens de Gideão gritam 
 
“Espada pelo Senhor e por Gideão!” (Juízes 7:20b), eles saem “a correr, e a gritar, e a 
fugir.” (Juízes 7:21b). 
Foi o Espírito Santo que infundiu medo no coração de toda aquela gente apavorada que 
corria gritando, desesperadamente. Mas o Espírito do Senhor utilizou um fenômeno 
psicossocial: uma culpa acumulada durante anos a qual os fragilizou. 
O que aprendemos no episódio da luta de Gideão contra os midianitas, que pode nos 
ajudar a discernir a atuação de principados e potestades na memória social de um povo? 
Em primeiro lugar, aprendemos que a culpa social sempre se volta sobre a sociedade 
responsável por ela. Quem viver ainda verá os sérvios se autodestruindo: ninguém que 
violenta mães na frente de seus filhos; ninguém que rouba, mata e estupra crianças 
passará impune sem que tais ações se voltem sobre suas próprias cabeças. Ninguém 
também assola, ninguém mata, ninguém rouba, ninguém adultera, ninguém explora sem 
que todos esses pecados e suas conseqüências voltem sobre quem os praticou. Podem 
até demorar, mas sempre voltam. 
 
Em segundo lugar, aprendemos que a culpa social pode transformar-se em inconsciente 
coletivo. A sociedade que está praticando injustiça, perversão, idolatria, iniqüidade vai 
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sendo penetrada em seu inconsciente por tais coisas, redundando em sonho, pesadelo, 
suor frio à noite, em noite mal dormida, em estresse noturno, que vai minando, fragilizando 
a mente humana. 
Uma das coisas mais curiosas para mim seria poder fazer uma pesquisa sobre com o que 
os brasileiros sonham. 
Em terceiro lugar, aprendemos que a culpa social pode transformar-se em consciência 
coletiva. Há uma culpa que se acumulou, indo para o inconsciente, mas que volta numa 
consciência esmagadoramente poderosa e fragilizante. O sonho do soldado midianita é 
inconsciente (Juízes 7:13b), mas, de repente, transforma-se em consciente, porque ele 
sonhou, e lembrou-se do que sonhou. Às vezes, o indivíduo acorda mal-humorado, e não 
sabe o porquê; trata mal a mulher, e também não sabe o porquê; bate nos filhos, e não 
sabe o porquê; tem vontade de matar o vizinho, e não sabe o porquê; olha para a 
empregada com culpa, e não sabe o porquê; se é empresário, vê o seu empregado triste, 
desmotivado, e não sabe o porquê. Mas chega uma hora em que todos esses motivos 
obscuros saem do nível do inconsciente, voltando ao nível da consciência. 
A prova de que o sonho do soldado midianita já tinha se tornado numa obsessão, num 
pesadelo na cabeça de todos eles, é que ao contar o sonho, o que o ouvia interpreta-o de 
imediato: 
 
“(...) Não é isto outra coisa, senão a espada de Gideão, filho de Joás, homem israelita. Nas 
mãos dele entregou Deus os midianitas e todo este arraial.” 
 
(Juízes 7:14) 
 
O sonho do soldado era o mesmo que povoava a mente de todos os soldados midianitas, 
de modo que, quando um sonhou, o outro teve logo a interpretação: 
“- Sonhei com um ‘pão-bumerangue’, que dava sobre a tenda do comandante e a 
derrubava ao chão.” 
 
“- É Gideão, que vem sobre nós para destruir-nos.” 
 
As potestades espirituais, sejam elas boas, sejam elas más, agem no espaço de fragilidade 
da sociedade, tornando-a extremamente vulnerável. Quando a sociedade chega a esse 
ponto, tudo pode acontecer. Se gritarem “(...) Pelo Senhor e por Gideão!” a sociedade cai; 
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mas, se gritarem “Por Chico Xavier!”, ela também cairá. Quando a sociedade chega a esse 
ponto, é a hora de a Igreja discernir as forças espirituais que estão agindo no ambiente 
social onde ela está inserida, anunciando o Reino e a Salvação de Deus, em nome de 
Jesus. 
 
No caso de Gideão, é um Anjo do Senhor que está à frente. Mas, no caso dos alemães, na 
época da 2.ª Guerra, foram potestades diabólicas, que arregimentaram o pais inteiro para 
matar e nem sentir que matava. No Rio de Janeiro, atualmente, estamos presenciando as 
duas frentes: de um lado, estão as potestades diabólicas agindo com um poder 
avassalador de morte; de outro, porém, muitas e muitas almas se convertendo; sambistas 
e macumbeiros indo a Jesus. É hora de ver quem é que vai gritar mais forte. 
 
O que é preciso ter é convicção de que o Brasil está maduro. As pessoas estão sonhando, 
porque a iniqüidade se acumulou. O tempo chegou. É hora de gritarmos forte “Por Jesus e 
pelo Senhor!”, e todas as demais forças cairão, em nome de Jesus. 
É por isso que a Bíblia diz que o pecado não encheu ainda a medida de certos povos 
(Gênesis 15:16b). Eu, particularmente, não entendia isso. 
Algum tempo atrás, Israel assinava o acordo de paz com os palestinos. Naqueleepisódio, 
via a ironia da História: primeiro, Israel vence ao forte, quando era fraco; sente-se 
fortalecido com isso, até mais do que deveria realmente ser. Em contrapartida, os 
palestinos começaram a fazer guerrilhas e mais guerrilhas, até que desistem. Os jovens 
palestinos vão para as ruas e começam a atirar pedras (é a história de Davi e Golias, ao 
contrário: Israel é Golias e os jovens palestinos, Davi). Jogaram tantas pedras, que Israel 
assinou o acordo com os palestinos. Fora mais fácil para Israel enfrentar guerrilhas e 
guerrilheiros do que pedradas de jovens desarmados. 
No Brasil, já chegou o tempo. É hora de aproveitarmos, porque esse tempo vai, esse 
tempo vem, mas, às vezes, não volta. Assim como as consciências se sensibilizam, as 
consciências sociais também se petrificam. Chegou, portanto, o momento de gritarmos 
pelo Senhor Jesus, aqui no Brasil, enquanto as consciências estão sensíveis. 
 
A Batalha Espiritual no Nível Cultural 
 
Em Marcos 5:1-20 é narrada a história do endemoninhado gadareno. Ao atravessar o mar 
da Galiléia, chegando à cidade de Gadara (Marcos 5:1), vem ao encontro de Jesus um 
homem possesso de espíritos imundos (Marcos 5:2). Segundo o próprio texto bíblico, tal 
homem “vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; porque, 
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tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebrados por ele 
e os grilhões despedaçados e ninguém podia subjugá-lo” (Marcos 5:3-4). 
 
Ao defrontar-se com Jesus, Este lhe falou: 
 
“(...) Espírito imundo, sai desse homem!” 
 
(Marcos 5:8b) 
 
O endemoninhado retrucou: 
 
“(...) Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não 
me atormentes.” 
 
(Marcos 5:7) 
 
Jesus, em contrapartida, pergunta ao espírito que fala: 
 
“(...) Qual é o teu nome?” 
 
(Marcos 5:9a) 
 
E o espírito Lhe responde: 
 
“(...) Legião é o meu nome, porque somos muitos.” 
 
(Marcos 5:9b) 
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Então, ao serem ordenados que saíssem daquele homem, os espíritos Lhe rogaram 
“encarecidamente que não os mandasse para fora do país.” (Marcos 5:10). 
 
Mas, por que os demônios suplicaram a Jesus que não os mandasse para fora daquele 
país? Porque haviam se especializado em infernizar gadarenos, conhecendo sua 
antropologia, sua história, sua cultura. 
Os demônios, então, pediram-Lhe que os deixasse entrar nos porcos que pastavam por ali. 
Jesus o permitiu. 
E, saindo do corpo daquele homem, os demônios dirigiram-se a uma manada de porcos, 
que, conforme a Bíblia, era constituída de aproximadamente dois mil porcos (Marcos 5:13), 
os quais, infestados de espíritos malignos, precipitaram-se “despenhadeiro abaixo, para 
dentro do mar, onde se afogaram.” (Marcos 5:13). 
Os porqueiros, ao verem o que acontecia, entram em pânico. Uma “lei econômica” que 
Jesus estabelece é que a propriedade privada precisa ser respeitada até o ponto em que a 
sua manutenção não esteja destruindo a vida humana. Quando se chega a tal ponto, a 
propriedade privada tem de ser usada para salvar vidas. 
Os porcos se precipitam no mar, morrendo afogados. Os porqueiros ficam apavorados, 
porque do ponto de vista econômico, eles sofreram uma grande perda. 
Indo ao encontro de Jesus, os porqueiros “viram o endemoninhado, o que tivera a legião, 
assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram.” (Marcos 5:15). 
E, vendo isso, pedem a Jesus que Se retire daquela cidade (Marcos 5:17), porque eles não 
conseguiam viver com a lucidez. 
O que é que se pode aprender com essa história, que, embora sendo a história de um 
homem, ela é mais do que isso: ela é a história de uma cultura, de uma sociedade. 
A primeira é que as dez cidades - Decápolis dentre as quais Gadara (ou Gerasa) - haviam 
sido fundadas por Alexandre, o Grande, daí sua origem grega (Decápolis), as quais foram 
ampliadas pelos seus sucessores, ficando no meio dos reinos que sucederam o reino de 
Alexandre (acerca dos quais já se falou no capítulo anterior), ou seja, ao norte a Síria, 
onde ficava o reino dos Selêucidas, e o outro ao Sul, no Egito, onde era o reino dos 
Ptolomeus. Decápolis ficava entre esses dois reinos, portanto, Gadara também. Daí, 
quando houve desentendimento entre os selêucidas e os ptolomeus, Gadara também se 
tornou campo de batalha. Ora esta cidade ficava sob o domínio dos selêucidas, ora sob o 
domínio dos ptolomeus. E, depois de estar alternadamente sob o jugo selêucida e sob o 
jugo ptolomaico, ocorre a Revolta dos Macabeus, ficando agora Gadara sob o jugo judaico. 
Depois desse período de domínio judaico, apoderam-se de Decápolis os romanos, que 
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impõem sua língua, seu regime de governo, suas manifestações religiosas, suas leis, 
enfim, uma nova cultura. Nesse período de domínio romano, dá-se uma nova revolta dos 
judeus, a qual é sufocada, e o governo daquelas dez cidades é dado a Herodes, que 
começa a fazer obras “faraônicas” em todas elas. Depois desse período de governo de 
Herodes, o próprio César, o Augusto, toma o poder. 
O Novo Testamento alterna o nome da cidade do “gadareno”, ora chamando-a de Gadara, 
ora chamando-a de Gerasa. Mas é esta última que nos ajuda a entender a mensagem do 
texto em questão. Trata-se de uma curiosidade interessante sobre o nome Gerasa. Ele 
vem do hebraico “Gers”, que significa expulsar, tirar de dentro, expelir. Isso reflete toda 
conturbada história sócio-política não só daquela cidade, como também das outras nove. 
Porque com todo “entra-e-sai” das forças que disputavam o poder naquela região, criou-se 
uma cultura de possessão. Portanto, a cidade de Gerasa (ou Gadara) tem um nome que 
desenvolve e denuncia tal estado de coisas, qual seja, o de possessão. Era uma 
sociedade que “se acostumara” à invasão, à possessão. Na cidade de Gerasa - que tem 
uma cultura que assimilou e que absorveu a idéia da possessão política, econômica, social 
- o diabo usa esse estado de coisas. Com isso se aprende que os fenômenos sócio-
político-econômicos não são estanques, mas que podem ser manipulados por forças 
espirituais para esmagarem seres humanos, espiritualmente. 
 
A história do gadarenos ajuda-nos a compreender que havia naquela cidade uma cultura 
de possessão. Porque as sociedades, quando adoecidas, “abrem a porta” para o diabo 
entrar nelas, e agir nas mentes humanas. 
Observe-se que há uma cultura entre a cidade e a possessão, uma vez que há uma 
relação estranha e doentia entre a cidade de Gerasa e seu possesso “de estimação”. 
Como se sabe disso? A Bíblia nos diz que ele vivia nos sepulcros (Marcos 5:3), mas não 
morria de fome. Por quê? Porque aparecia sempre um pratinho de comida, um pedaço de 
pão, uma garrafa d’água ou de vinho ao lado da sepultura toda manhã. A sociedade dos 
gerasenos mantinha o possesso, a “besta”. A cidade fazia cadeias para serem quebradas, 
porque a Bíblia diz que grilhões e cadeias eram postos nele, os quais eram quebrados 
(Marcos 5:4). Eu, pessoalmente, não acredito na resistência daquelas cadeias e grilhões 
que lhe eram postos. Isto porque, se se quiser fazer corrente resistente para possesso 
algum quebrar, isso é possível. Quebra-se o braço; a corrente não. Porque até a 
possessão demoníaca tem limites, que é o limite físico da resistência do osso de um 
possesso. O possesso fica com uma força sobre-humana, enquanto o osso agüenta. Por 
exemplo, uma menina possessa, às vezes, consegue jogar ao chão dez ou quinze 
homens; mas não joga cinqüenta. Mesmo o poder diabólico agindo no corpo humano, tem 
um limite, que é o limite do corpo. 
No entanto, para o endemoninhado gadareno eram feitas correntes para serem quebradaspor ele. De alguma forma há uma mórbida situação de contentamento em se ver o 
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possesso quebrar as correntes. Os moradores daquela cidade não conseguiam quebrar as 
correntes sócio-político-econômicas dos povos que os invadiram, mas há um dentre eles 
que consegue quebrar todo tipo de corrente, num “espetáculo de liberdade”. 
A cidade tem uma relação doentia com o possesso, porque ela o quer possesso. No 
momento em que Jesus “despossessa” o possesso, seus moradores ficam aborrecidos, 
porque Jesus acabou com o seu “espetáculo”. 
Aprende- se com isso que, de algum modo, as sociedades precisam de seus possessos, 
de seus loucos, de seus doentes. As sociedades não podem sofrer a sua própria violência, 
a sua própria impotência, a sua própria frustração sem uma válvula de escape. Torna-se 
imprescindível que haja o gadareno, e muitos “loucos” para que outros possam se achar 
normais. 
Não se pode viver sempre com ódios revolucionários. Por isso tem que se vazar toda a 
frustração social, política, econômica, cultural, emocional e sexual de todo tipo num ser que 
carrega em si toda a nossa miséria e amargura. 
A Igreja também precisa de seus doidos, para se sentir mais normal. Quando estão todos 
normais, ninguém gosta, sendo preciso haver um maluco, para que todos possam 
conversar teologicamente, doutrinariamente, metodologicamente, etc. Aparecem, então, os 
loucos, os possessos, os monstruosos, os suicidas, os hereges e os charlatães. 
Se se quer entender quais são as potestades que estão operando na cultura brasileira, não 
é preciso fazer pergunta a endemoninhado: 
 
“- Qual é a potestade que está atuando no Brasil? Fala, demônio!” 
 
Não é preciso nada disso! Basta ouvir Raul Seixas. Por quê? Porque quando se fala nele, 
fala-se de tantos outros que estão vazando loucura. Nas suas músicas, ele diz um monte 
de esquisitices, mas que muita gente gosta. E um dado interessante sobre ele, que é um 
“gadareno cultural” do Brasil: quando ele estava vivo, as pessoas lhe estavam dando 
“pratinho”, “corrente” para ele quebrar, etc. Até que ele morreu e transformou-se em ídolo. 
Talvez seja ele a primeira pessoa na nossa cultura, a tornar-se ídolo depois de morto no 
Brasil. É um fenômeno quase que religioso. Por quê? Muitas pessoas da nossa sociedade, 
quando ele estava vivo, davam-lhe o “pratinho”, sustentando-o. Ainda que não houvesse 
muita identificação entre ele e a sociedade que o mantinha, era importante a sua 
existência. Quando ele morre, não havendo mais a possibilidade de projetar nele tudo o 
que ela queria, a sociedade começa a cultuar a sua memória, para mantê-lo vivo, porque 
ele precisa estar vivo, com toda a sua loucura, a fim de que a sociedade possa se sentir 
um pouco mais sã. 
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Dentro da Igreja evangélica brasileira esse mesmo fenômeno está acontecendo. 
A história do gadareno também nos ajuda a discernir a relação entre a dimensão sócio-
política e suas conseqüências espirituais sobre a vida dos indivíduos. As situações sócio-
políticas têm suas conseqüências e implicações na vida espiritual das pessoas. Observe-
se que todo drama sócio-político-cultural de toda a cidade de Gadara afeta a vida do 
indivíduo. Talvez aquele endemoninhado tivesse nascido uma pessoa sensibilíssima; podia 
ser o maior poeta, ou o maior músico daquela cidade. Geralmente, o diabo esmaga as 
pessoas mais sensíveis. Raramente se vê um indivíduo bruto, possesso. Quase sempre é 
uma alma sensível que cai nas mãos do diabo. Ele vê aquilo que ninguém vê; sente o que 
ninguém sente. Desde pequeno, algo estranho começa a nascer dentro dele. Sentimentos 
de frustração e de amargura vão brotando no seu interior, fragilizando-o. Até que o diabo 
usa essa fragilidade individual da personalidade, das emoções, da auto-imagem, entrando 
dentro dele, destruindo sua vida, até o dia em que Jesus chega e diz: 
 
“- Sai dele, espírito imundo!” 
 
Libertando-o do diabo e dos demônios que estavam dentro dele, Jesus o desoprime de 
toda carga maligna que estava sobre ele. 
 
Não adianta dizer que se vive com Deus e com Jesus - aqui no Brasil - e dizer que não se 
dá a mínima importância aos acontecimentos sociais, culturais, políticos e econômicos, 
porque se é de outra esfera. Não adianta dizer isso. Agindo assim, algumas pessoas 
tentam negar que vivem no Brasil. 
Certa vez um pastor me falou que não conseguiu ficar numa certa igreja, porque ele tinha 
que fazer um “suicídio intelectual”, uma vez que, ao chegar lá, um irmão, líder da igreja, 
dizia assim, no início do culto: 
 
“- Irmãos, vamos repetir: No meu país não tem inflação! No meu país não tem inflação! No 
meu país não tem inflação! No meu país não tem inflação! Meu dinheiro não corrói! Meu 
dinheiro não corrói! Meu dinheiro não corrói! Meu dinheiro não corrói!” 
 
Tal pastor ficou naquela igreja durante um ano, ouvindo essas coisas. No entanto, naquele 
período, 30% de inflação ao mês. E a coisa piorou mais ainda quando aquele mesmo 
irmão, líder da igreja, começou a dizer assim: 
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“- Olhe para a sua mulher e diga: Minha mulher é bonita. Minha mulher é bonita. Minha 
mulher é bonita. Minha mulher é bonita.” 
 
Aquele pastor me disse que, se a relação era a mesma, em que ele dizia que não havia 
inflação, mas havia, e se aquele irmão está mandando dizer que a nossa mulher é bonita, 
é porque, de fato, não é. 
 
De outra vez, conversando com um empresário, ele me disse: 
 
“- Eu nem quero saber mais! Não quero saber de coisa alguma. Eu não estou nem aí para 
o Brasil. Eu estou vivendo bem, sem conseqüência da alguma da crise.” 
 
Essa conversa foi algum tempo atrás. Outro dia, conversando com o mesmo empresário, 
ele já não se sentia o mesmo. Por quê? Porque nenhum de nós que vive no planeta Terra 
consegue se desvincular das realidades políticas, sociais e econômicas, vivendo como se 
elas não trouxessem nenhuma ingerência espiritual à vida. Porque, conquanto sejam de 
natureza sócio-político-econômica, o diabo usa a conjuntura, as circunstâncias do 
momento histórico e a espiritualidade que tais forças em conjunto geram para influir na 
mente e na alma das pessoas, deprimindo-as, desgraçando-as, oprimindo-as, 
desvalorizando-as em sua autoimagem, “gadarenizando-as” enfim. 
 
O gadareno foi também vitimado pela dimensão sócio -política nas seguintes áreas: ele se 
feria com pedras por uma sociedade que se odiava po não poder ser livre. Ele quebrava as 
cadeias de um povo que ansiava por libertação, mas não sabia como tê-la. Ele era a 
expressão mais livre e organizada e uma sociedade oprimida e desorganizada. Por isso 
quando Jesus lhe pergunta o nome, os demônios que o possuem verbalizam um outro 
anseio: legião, a qual era a forma mais organizada de coletividade naqueles dias, que era 
a legião romana. Ele é o único que denuncia o opressor: os romanos, que estavam no 
país, mais que eram indesejados ali, mas para os quais ninguém tinha coragem de dizer 
isso. Só aquele homem, lançando mão do “pré-requisito” de ser possesso, pode falar o que 
quiser, porque o doido pode falar o que quiser. Até Davi, quando ameaçado de morte, e 
querendo escapar, fez-se de doido (I Samuel 21:12 -14). O gadareno endemoninhado 
denuncia como o opressor? Quando interrogado por Jesus acerca de seu nome, ele 
responde: 
 
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“- Legião, porque somos muitos.” 
Ele, com isso, está explicitando dois desejos: o do diabo, ao querer continuar destruindo 
aquela vida, e o dos romanos, de continuarem ali, exercendo o poder naquela região. O 
diabo e Roma tinham os mesmos objetivos: oprimir e destruir a vida humana.Assim, descobrimos que doenças “psicodemoníacas” também podem ser produzidas - pelo 
menos agravadas - por conflitos de classe, por exploração econômica e política, por 
conflitos entre tradições que são quebradas, por revoluções, por violência urbana, por 
impotência humana, por abusos, por culpa, por revolta, por ódio, pela frustração sócio-
econômica, e pela corrupção e pela injustiça institucionalizadas. Se vemos tudo isso 
acontecer no Brasil, tais coisas não acontecem apenas nos níveis em que os sociólogos, 
psicólogos, psiquiatras, cientistas sociais e políticos, e tantos outros especialistas dizem 
estar acontecendo; mas elas criam cunhas, que lascam, abrindo passagens para dentro da 
espiritualidade geral do país, oportunizando ao diabo, por tais vias, embrenhar-se por elas, 
a fim de arruinar a alma das pessoas. 
 
A melhor maneira de discernir os espíritos que operam numa sociedade é mediante a 
compreensão da cultura nacional. Os demônios nunca se tomam totalmente autônomos 
em relação à realidade histórica, precisando eles de veículos para se manifestarem. 
Quando atuam em pessoas, eles querem corpos; quando querem atuar mais amplamente, 
precisam de culturas, de sociedades, de sistemas políticos e econômicos. 
 
A cidade mais mal sucedida em termos de evangelização no país é Uberaba. A maior parte 
das cidades brasileiras hoje tem, no mínimo, de 10 a 15% de crentes na população, 
algumas já chegando a 40%. Anápolis tem um índice elevado, bem como Londrina e 
Goiânia; alguns municípios do Rio de Janeiro apresentam um índice elevadíssimo de 
população evangélica. Mas, Uberaba tem em torno de 2% de população evangélica, como 
sinal da influência espírita naquela localidade. 
 
Uma coisa estranha é que Uberlândia cidade vizinha a Uberaba - é uma cidade próspera, 
cuja Igreja cresce, sendo a “Disneylândia” do Triângulo Mineiro, provocando um complexo 
de inferioridade nos moradores de Uberaba, que pode ser verificado quando se conversa 
com os seus habitantes: 
 
“- Ah!... Lá em Uberlândia as coisas acontecem... Aqui, não!” 
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Uberlândia - cuja origem do nome é algo americanizado, portanto de Primeiro Mundo - 
procede de “Uber”, que significa farinha e de “Land” que significa terra; portanto Terra da 
Farinha. No entanto, Uberaba significa Terra da Farinha Podre. Indagando acerca do 
significado do nome dessa cidade, encontrei outra significação: “terra da curva do rio não-
sei-de-que amaldiçoado” . As significações do nome de tal cidade só traduzem desgraça. 
 
A importância das relações culturais é algo inegável. Não só as de nível nacional, como 
também as de um bairro, as de um município, as de uma cidade. Por que São Paulo é São 
Paulo, e o Rio é o Rio? Não há, apenas, quatrocentos quilômetros separando essas duas 
cidades. Há, também, algo mais que as distingue. Em São Paulo, sente-se uma “coceira” 
por se ganhar dinheiro; no Rio, sente-se uma vontade de "soltar a franga” e “liberar geral”. 
Desculpem-me os cariocas! 
Eu queria desafiar os cristãos de Uberaba a transformarem a sua cidade de Terra da 
Farinha Podre em Terra do Pão da Vida, em nome de Jesus. 
O que se pode fazer para enfrentar as potestades sócio-político-cultural-econômicas no 
nível individual? 
A primeira é submissão à Palavra. Volte-se para a Palavra, como Jesus o fez: “Está 
escrito”. Livros evangélicos são ótimos, mas nossa fonte de orientação e submissão é a 
Bíblia, a Palavra de Deus. Se tiver que escolher entre algum livro, fique, sempre, com a 
Palavra do Senhor. 
A segunda coisa para enfrentar essas potestades no nível individual é praticar o bom 
senso, não se “estupidificando”, não pulando do pináculo do templo. Jesus disse: “Não 
tentarás o Senhor teu Deus”. 
A terceira é resistir ao diabo. Jesus disse: “Retira-te, Sátanás”. É necessário falar, 
repreendendo o demônio, uma vez que isto é feito no nome de Jesus. 
Se fizermos essas três coisas - submissão à Palavra, prática do bom senso e resistência 
ao diabo - ele, o diabo, fugirá de nós, conforme nos diz a Palavra de Deus: 
 
“(...) mas resistí ao diabo, e ele fugirá de vós.” 
 
(Tiago 4:7b) 
 
 
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CAPÍTULO 12 
DISCERNINDO OS ELEMENTOS DA FÉ CRISTÃ 
 
 
“(...) se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás.” 
 
(Apocalipse 2:9b) 
 
“Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava 
como dragão.” 
 
(Apocalipse 13:11) 
 
Estamos entrando, neste capítulo, num terreno onde todo cuidado é necessário, porque a 
terra é santa, sendo preciso todo cuidado quando se abordam aspectos relacionados às 
entidades que representam a fé cristã. 
 
Tais entidades podem começar com propósitos maravilhosos e com ideais de serviço ao 
Reino de Deus, mas, no curso do tempo, mudarem sua natureza, pervertendo-se e “se 
demonizando”. Essa é a terrível sutileza que pode acontecer-lhes. 
Os dois textos acima dizem que, para nós cristãos, não é importante saber o que as 
entidades dizem sobre si mesmas. Jesus diz, acerca delas, que “(...) se declaram judeus, e 
não são, sendo antes sinagoga de Satanás”. O que as entidades dizem sobre si mesmas 
não é importante, mas, o que elas são. 
Por outro lado, se o que elas dizem sobre si mesmas não é importante, também com o que 
elas se parecem não o é. João, no livro do Apocalipse, fala da besta que emerge da terra, 
que é o poder religioso que abençoa o estado corrupto e “demonizado”. João nos diz que 
tal besta se parecia com o Cordeiro, tendo Suas feições, mas o seu discurso, o que dizia, 
característico do dragão. Isso é muito sério, principalmente porque nossa tendência é 
ficarmos muito impressionados com esses dois aspectos - com o que falam e com o que se 
parecem. A Bíblia nos diz que o que elas dizem não importa, mas o que elas são de fato; e 
com o que elas se parecem também pouco importa. 
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Há um conceito absolutamente fundamental quando uma instituição, quando uma 
entidade, seja ela uma igreja, seja ela uma entidade de qualquer outra natureza, “se 
demonizam” e se pervertem em seu caminho, rendendo-se às influências malignas dos 
principados e das potestades. O conceito é simples e é basicamente este: sempre que 
qual-quer coisa ou qualquer instituição torna-se um fim em si mesma, fugindo assim a seu 
propósito original, ela “se demoniza”. A VINDE pode “demonizar-se” daqui há algumas 
gerações adiante. A igreja que freqüentamos pode “demonizar-se” a nossa denominação 
pode “demonizar-se”, dezenas de missões evangélicas no passado “se demonizaram”. Nós 
não estamos falando novidade alguma com relação à possibilidade de que daqui para 
frente tais coisas aconteçam. Imaginemos o que ocorreu com a Igreja Católica Apostólica 
Romana original. Fora ela uma Igreja maravilhosa, com raízes apostólicas, com gente 
santa... Porém, dois séculos depois essa instituição se obscurece, enchendo-se de trevas 
e pervertendo-se, na Idade Média. 
Para mim, um dos exemplos mais dramáticos disso é o Santo Sepulcro, local onde se 
celebra a crucificação de Jesus e Sua ressurreição, com possibilidades históricas as mais 
prováveis de que aquele seja o lugar, geográfica e geologicamente falando, em que Jesus 
ressuscitou. Sempre que entro naquele lugar não me sinto bem. É um cenário cheio de 
idolatria, obscuridade, com um clima espiritual de morte, mas não da morte que passa de si 
mesma para a vida, porém morte em si mesma, morte como aniquilamento final. É muito 
comum cristãos irem àquele lugar. Eles vão até lá alegres, mas, quando ali entram, levam 
um susto tremendo. Eu digo sempre que isso é um exemplo do que ocorreu com a 
serpente de bronze no deserto, aqual Moisés fez para que, ao olharem para ela, as 
pessoas que tivessem sido mordidas de cobras fossem curadas (Números 21:9). Essa 
mesma serpente de bronze, que no passado fora bênção, transforma-se em maldição, 
tendo que ser destruída (II Reis 
18:4). 
 
O interessante é que um lugar histórica e geograficamente tão significativo quanto aquele 
tenha conseguido se transformar em algo tão obscuro e, às vezes, até cheio de presença 
espiritual maligna. 
Se isso pôde ocorrer com a montanha do Calvário, o mesmo pode acontecer com a nossa 
denominação, com o lugar mais santo da nossa igreja, e com qualquer coisa que fazemos. 
A Bíblia está cheia de exemplos que ilustram isso. 
A Arca da Aliança simboliza o lugar da presença intensa de Deus. Nela havia exemplares 
originais das Tábuas da Lei, uma porção do maná e a vara de Arão que florescera 
(Hebreus 9:4). Tudo isso ocorre por ordem e por instrução divina. Mas, no momento em 
que essa mesma Arca começa a ser observada e concebida como um fim em si mesma; 
no momento em que ela começa a tomar conta sozinha do cenário religioso, crescendo na 
mente das pessoas, tornando-se objeto de culto; quando ela deixa de apontar para a 
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direção para a qual foi destinada, passando a captar para si mesma toda a atenção, ela 
perde a sua significação. O que Deus faz com ela? Deus “perde” essa Arca. No exílio ela 
desaparece, nunca mais volta a ser encontrada, o que, possivelmente, salvou os judeus no 
exílio de se terem transformado num povo idólatra da Arca, uma vez que o templo estava 
destruído, e Jerusalém fora arrasada. Se eles ficassem com a Arca lá no exílio, talvez a 
história fosse outra. Deus os salva da Arca, a fim de salvá-los para Ele. 
O Templo também foi construído por ordem divina, segundo a arquitetura divina, com 
instruções minuciosas de Deus. Repentinamente, ele deixa de ser o lugar da presença de 
Deus, tornando-se um fim em si mesmo, transformando-se no lugar dos negócios, no lugar 
das jogatinas. Deus o destrói. Ele é reconstruído, na intenção de ser outra vez o lugar da 
presença de Deus. Perverte- se mais uma vez. Jesus entra nele, exorcizando-o (João 2:13-
16). O ato de Jesus de entrar no Templo com azorragues, expulsando dali as pessoas que 
faziam mau uso dele, é um ato de exorcismo institucional e religioso. Devemos interpretar, 
portanto, este ato de Jesus, da mesma forma que interpretamos uma expulsão de 
demônios. Como o exorcismo feito por Jesus não resolveu tudo, o Templo foi destruído 
depois. 
A Sinagoga também foi criada por um movimento de judeus no exílio, em Babilônia, para 
substituir o Templo, para fazerem dela um local onde a Palavra pudesse ser ensinada, 
podendo seus filhos crescerem na fé, mantendo-se unidos, além de servir como um centro 
de promoção cultural do judaísmo, sendo um local de reflexão e de oração. Isso acontece. 
Depois, transforma-se num fim em si mesma, mais importante do que Deus. Pela 
sinagoga, pessoas são perseguidas e mortas. Paulo, por exemplo, sofre barbaramente as 
intervenções impiedosas e intolerantes daqueles que eram os líderes da Sinagoga. Em 
Apocalipse 2:9b se diz, como que resumindo isso, que tais pessoas “se declaram judeus, e 
não são, sendo antes 
sinagoga de Satanás”. 
A Igreja, em Apocalipse, já recebe advertências de Jesus quanto ao risco de ela “se 
demonizar”, perdendo seu alvo, seu rumo, seu propósito, ensimesmando-se, voltando-se 
para si própria. Quando se lê em Apocalipse 2 e 3 as palavras proféticas de Jesus, 
confrontando a Igreja, elas revelam a Sua denúncia quanto ao ensimesmamento, quanto à 
possibilidade de “demonização”, na medida em que se vai perdendo o rumo. Jesus diz em 
Apocalipse 2:5 à igreja de Éfeso: 
 
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se 
não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” 
 
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Com isso, Jesus está dizendo que aquela igreja iria acabar, se continuasse a praticar o 
que a desviava dos caminhos de Deus. 
 
Ele também diz à igreja de Pérgamo, em Apocalipse 2:16: 
 
“Portanto, arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora, e contra eles pelejarei com a 
espada da minha boca.” 
 
A essa igreja, Jesus diz que ela deve se arrepender, a fim de que Ele não venha sobre ela 
e a destrua. 
 
Jesus diz à igreja de Sardes, em Apocalipse 3:3b: 
 
“(...) Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em 
que hora virei contra ti.” 
 
À igreja de Laodicéia, Ele diz: 
 
“(...) estou aponto de vomitar-te da minha boca.” 
 
(Apocalipse 3:16b) 
 
Essas expressões todas são fortíssimas e deveriam ser ouvidas com toda a intensidade 
com a qual foram proferidas, significando exatamente o que elas queriam significar. 
 
A grande questão sobre como começar a entrar na área do exercício do discernimento de 
quando essas entidades religiosas “se demonizam” começa primeiramente com uma 
percepção da relação de Jesus com a religião em Israel. Se queremos achar as pistas para 
discernir a “demonização” institucional, atentemos para a relação de Jesus com a religião 
em Israel, porque tal percepção nos ajuda a discernir quando a religião "se demoniza”. 
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QUANDO A IGREJA “SE DEMONIZA” 
 
Há quatro pistas que o Evangelho nos dá sobre quando a religião “se demoniza”. 
 
A primeira pista é quando a religião aceita o mundo como o mundo é. A religião 
“se demoniza” quando ela aceita o mundo como o mundo é. Jesus foi chamado de 
satânico pela religião, porque Ele não aceitava o mundo como ele era. Ele olha para o 
mundo e diz: 
 
“- Não, não está certo!” 
 
Mas, a religião olha para o mundo e diz: 
 
“- Está tudo bem!” 
 
Há, com isso, um choque tremendo, o qual é verificado em quatro áreas: 
 
1.º . Jesus não aceitou a possessão demoníaca como “status” para ninguém. Jesus olhava 
para o possesso, para gente oprimida espiritualmente, e expulsava os demônios que os 
atormentavam. O que aconteceu? Foi acusado de expelir demônios em nome de Belzebu. 
 
“(...) Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios.” 
 
(Mateus 12:24) 
 
Infelizmente, essa mesma atitude dos fariseus em acusarem Jesus de expelir demônios 
pelo poder de Belzebu ainda se verifica em muitas igrejas tradicionais. É necessário muito 
cuidado, principalmente aquele que tem a pretensão de achar-se o grande discernidor de 
quem é ou não é de Deus, a fim de que não venha a estar afirmando o fato de que prefere 
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ver pessoas quietamente possessas a aflitamente em processo de libertação, em nome de 
Jesus. 
 
2.º. Jesus não aceitou a normalidade da vida pretensamente “certinha” dos religiosos. 
 
Jesus olhou para os fariseus em suas práticas rígidas e formais, com tudo muito certinho e 
tudo no lugar, e com isso, achando-se com a capacidade de julgar as demais pessoas, de 
enfrentar o próximo com ar de superioridade, porém vivendo a desgraça de serem 
mediocremente felizes: felizes por participarem de todas as reuniões da igreja; felizes por 
sentarem nos primeiros bancos da igreja; felizes por se acharem o exemplo de virtude 
cristã; felizes por acreditarem que são melhores que os outros. Isso é o farisaísmo. Jesus 
diz não a isso tudo. Ele procurava justamente os de vida torta, os desviados, os infelizes. 
Por exemplo, a mulher samaritana: 
 
“Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não 
tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos 
já tiveste,e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” 
 
(João 4:16-18) 
 
O gadareno é um outro exemplo. Zaqueu também o é. Jesus - com relação a este último 
“escandaliza” a todos, quando diz que vai à sua casa: 
 
“Quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, disse-lhe: Zaqueu, desce 
depressa, pois me convém ficar hoje em tua cosa. (...) Todos os que viram isto 
murmuravam dizendo que ele se hospedara com homem pecador.” 
 
(Lucas 19:5 e 7) 
 
Jesus escandaliza a todos aqueles que acham que tudo está certo como está, julgando-se 
eleitos de Deus por vocação e méritos próprios, de modo que, os que não o são, devem 
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ser tratados como pecadores e, como tais, sujeitos à condenação. Esquecem-se das 
palavras de Paulo: 
 
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós é dom de Deus; e 
não de obras, para que ninguém se glorie.” 
 
(Efésios 2:8-9) 
 
Jesus subverte a normalidade farisaica, não se encaixando em padrão algum. Diante 
disso, dizem que Ele é louco e endemoninhado: 
 
“Ele tem demônio e enlouqueceu.” 
 
(João 10:20a) 
 
Em uma outra situação semelhante, também O chamam de possesso: 
 
“(...) Tens demônio.” 
 
(João 7:20) 
 
3.º . Jesus não aceita a “filosofia do Gabrie1à” praticada pelos fariseus. A “filosofia da 
Gabriela” é aquela que preconiza: “eu nasci assim, vou viver assim, vou morrer assim: 
Gabriela, sempre Gabriela.” Jesus não crê nisso. Isto porque quando a mulher pecadora 
unge os Seus pés com ungüento e os beija, e os enxuga com os seus cabelos (Lucas 
7:37-38) e Jesus lhe diz que os seus pecados estavam perdoados (Lucas 7:48), o fariseu, 
em cuja casa Ele estava, Lhe diz, julgando definitivamente a mulher: 
 
“(...) Se este [Jesus] fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, 
porque é pecadora.” 
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(Lucas 7:39b) 
 
Em outras palavras, o fariseu estava pregando a “filosofia da Gabriela” a Jesus: 
 
“- Tu não sabes que ela é pecadora, e que nasceu assim, e que vive como tal e que vai 
morrer no pecado? Ela é uma prostituta! Tu não sabias? Não tem jeito, não!” 
 
Quando observamos mais atentamente os Evangelhos, verificamos que a “filosofia da 
Gabriela”, embora afirmada e reafirmada diariamente pelos fariseus, é contrariada na 
mesma proporção por Jesus. E porque Ele age assim, é chamado de blasfemo: 
 
“Por que fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, 
que é Deus?” 
 
(Marcos 2:7) 
 
Porque Jesus diz que as pessoas podem mudar, que não há ninguém que esteja debaixo 
de opressão que não possa ser liberto, Ele é acusado de blasfemo. 
 
Freqüentemente, ouço pessoas, em muitas igrejas evangélicas, dizerem: 
 
“- Não sei por que se gasta tanto dinheiro com esse tipo de gente irrecuperável! Uma vez 
drogado, sempre drogado. Uma vez prostituta, sempre prostituta.” 
 
Há muitas igrejas que pensam assim, infelizmente. Acreditam que “pau que nasce torto 
morre todo”. 
 
4.º . Jesus não aceita que ninguém passe fome ou necessidade em dia santo. Por causa 
disso, Jesus foi acusado de transgredir a Lei, juntamente com os Seus discípulos: 
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“Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, estando os seus 
discípulos com fome entraram a colher espigas e a comer. Os fariseus, porém, vendo isso, 
disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado.” 
 
(Mateus 12:1-2) 
 
Quando a Igreja se torna realista demais, é um perigo. Nós somos chamados à 
inconformação radical. Paulo diz: 
 
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos 
por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos 
conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para 
que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” 
 
(Romanos 12:1-2) 
 
Segundo o apóstolo Paulo, tudo é mutável, se a graça de Deus está operando. É 
imprescindível haver utopia, sonho, projeto, esperança e paixão. É imprescindível, 
sobretudo, ter a certeza de que Deus no mundo é sempre um Deus agindo e mudando os 
estados de coisas e as pessoas. 
 
Quando a Igreja aceita o mundo como ele e, alguma coisa a está pervertendo 
demoniacamente. 
A segunda pista é quando a religião tem mais prazer em punir do que em perdoar. Quando 
isto estiver ocorrendo na nossa igreja, ou na nossa denominação, é porque ela já “se 
demonizou”. 
 
Quando os crentes começam a sentir prazer nas sessões extraordinárias, para as quais 
toda a igreja é convocada para punir e disciplinar irmãos em pecado, cuidado! Tal igreja 
pode estar em processo de “demonização”. Eu, particularmente, conheço crentes que não 
perdem a uma sessão de disciplina de sua igreja. Eles faltam à celebração da Ceia, às 
reuniões de oração, ao culto evangelístico ao ar livre, mas, em dia de sessão disciplinar, lá 
estão eles, nos primeiros bancos, eufóricos. Cuidado! Há algo demoníaco operando nesse 
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tipo de comportamento. Tais pessoas assemelham- se aos “atiradores de pedra” descritos 
em João 8. São os especialistas em atirarem pedra, em disciplinar: 
 
“Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério 
e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi 
apanha da em flagrante de adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam 
apedrejadas; tu, pois, que dizes?” 
 
(João 8:3-5) 
 
Pessoas que agem como escribas e fariseus estão fazendo parte de um projeto de religião 
“demonizada”. 
 
O projeto de religião de Jesus não tem prazer em punir, mas em perdoar. O projeto de 
religião de Jesus tem prazer em dizer: 
 
“(...) Mulher, onde estio aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? (...) Nem eu 
tampouco te condeno; vai, e não peques mais.” 
 
(João 8:10b e 11b) 
Algum tempo atrás, um amigo contou-me uma história que me deixou profundamente 
entristecido. Ele contou-me um episódio que se deu numa sessão de disciplina ocorrida 
numa igreja da qual ele era pastor auxiliar. Disse-me ele que uma determinada moça da 
igreja aproximou-se do pai, muito envergonhada, e confessou: 
 
“- Papai, eu quero que o senhor me ajude. Porque hoje à noite, voltando da escola, cinco 
homens me agarraram, levaram-me para um terreno baldio... e me estupraram...” 
 
Essa moça era uma menina de quinze anos de idade. Choraram juntos, pai e filha. A 
notícia chegou ao pastor da igreja, um homem insensível. Ele mandou chamar o pai da 
menina e lhe disse: 
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“- Ouvi dizer que a sua filha foi agarrada atrás de um muro, num terreno baldio... É 
verdade?” 
 
O pai falou: 
 
“- Não, pastor. Ela foi violentada ...” 
 
O pastor retrucou: 
 
“- Olha, essa história de mulher dizer que foi agarrada e violentada... Eu? Eu não acredito, 
não! Uma mulher quando quer fechar a perna, não há homem que abra.” – e depois 
arrematou: “- Traga a menina para a sessão da igreja.” 
 
Esse meu amigo que me contou essa história me disse que presenciou a tudo isso, como 
pastor auxiliar, sem voz e sem poder de decisão, vendo 20 homens de cabeça branca, 
líderes daquela igreja, quase que numa atitude de “masturbação psicológica” perguntarem 
à menina: 
 
“- Diga-nos aqui, menina. Como foi? Tiraram-lhe a roupa como? Conte-nos como tudo 
aconteceu.” 
 
E as perguntasmais aviltantes possíveis foram feitas à menina. Ele se desfazia em pranto: 
 
“- Não, não foi isso, não! Eu não os vi!... Me agarraram... me bateram... quase arrancaram 
meu cabelo...” 
 
Sadicamente, aqueles líderes insistiam: 
 
“- Que é isso, menina! Conte-nos como foi de verdade! Pode abrir o coração!” 
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Meu amigo me disse que num determinado momento, não agüentando mais, ele começou 
a vomitar, saindo correndo para o banheiro, onde vomitou quase que interminavelmente. 
Saindo do banheiro, às pressas, foi embora para casa, disse para a mulher e para os filhos 
que iriam sair daquela cidade. Vendeu tudo o que tinha, comprou passagens para ele e 
para sua família, mudou-se para um outro país, no qual reside até hoje. 
 
Ele me disse que não suportou mais aquela situação, porque era, pelo menos, a quarta 
vez que ele presenciava coisas como aquela acontecerem. 
 
Uma igreja assim está tão “demonizada” quanto um terreiro de macumba. Há algo de 
maligno agindo naquela igreja. Não é o Espírito de Jesus, nem o Espírito da graça. 
A terceira pista é quando aqueles que mostram virtudes divinas são vistos como maus, e 
aqueles que mostram características satânicas são tidos como bons, pela Igreja. 
 
O indivíduo que está cheio de amor, de misericórdia, de compaixão, de bondade, de 
piedade e de mansidão é escorraçado. Mas, aquele que faz politicagem, que é impiedoso, 
malicioso, vai obtendo sucesso: diácono, presbítero, presidente de organizações dentro da 
igreja, etc. Foi o que aconteceu com Jesus. Ele era bondoso, piedoso, misericordioso, 
amoroso, compassivo, generoso, mas, mesmo assim, O mataram. 
“Que mal fez ele? Perguntou Pilatos.” 
 
(Mateus 27:23a) 
 
Jesus não roubou, não matou, não mentiu, mas viveu a justiça, a verdade, o amor, e o 
perdão. Mas, por que O mataram? Por inveja, segundo a Bíblia: 
 
“(...) por inveja o tinham entregado.” 
 
(Mateus 27:18b) 
 
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É preciso que olhemos para nossa igreja, para nossa denominação, procurando ver se 
aqueles que mostram virtudes divinas, portanto sendo piedosos, simples, amorosos e 
misericordiosos, estão sendo reconhecidos como servos de Deus, ou se estão sendo 
julgados, enquanto que os que são “mafiosos”, espertalhões e oportunistas estão 
ascendendo aos mais altos escalões do poder eclesiástico. Quando isso ocorre na Igreja, 
algo diabólico está operando nela. 
 
A quarta pista é quando a continuidade do poder da Igreja se torna mais importante do que 
a sua abertura para a novidade de Deus. Em João 11:47b-48, é possível verificar os 
líderes religiosos de Israel verem Jesus ressuscitar a Lázaro e dizerem: 
 
“(...) Que estamos fazendo, uma vez que este homem opera muitos sinais? Se o deixarmos 
assim todos crerão nele; depois virão os romanos e tomarão não só o nosso lugar, mas a 
própria nação.” 
 
Torna-se evidente que os principais dos sacerdotes e os fariseus - os líderes da religião, 
portanto - não queriam nem saber que um milagre extraordinário havia sido operado da 
parte de Deus. O que importa a eles é a continuidade do poder da igreja que, segundo 
pensavam, estava ameaçada, uma vez que Jesus estava operando milagres dentre as 
pessoas, as quais criam nEle. Os líderes religiosos da época temiam perder o poder, tendo 
em vista o crescimento da popularidade de Jesus. Acreditavam que, se O deixassem 
continuar a fazer milagres, perderiam o seu posto, o seu “status” de líderes. 
 
Vejo isso ocorrer em muitos grupos evangélicos, infelizmente. Ouço pastores que me 
dizem o seguinte: 
“ - Olha, pastor Caio, estou preocupadíssimo com essa onda teológica que está vindo por 
aí! Sabe por quê? Porque ela vai tirar o meu lugar.” 
 
Eu respondo da seguinte maneira, quando ouço tais palavras: 
 
“- Meu irmão, quem tem mensagem não precisa ter medo de nova onda alguma. Se você 
tem mensagem, a sua igreja nunca vai acabar. E se acabar, é porque ela não tem 
mensagem. E se não tem mensagem, é bom que ela acabe mesmo.” 
 
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Nós aprendemos nas relações de Jesus com as instituições religiosas nos Evangelhos 
quando elas se “demonizam”, mas também aprendemos com as relações de Paulo com a 
religião, em que momento a Igreja “se demoniza”. 
 
Paulo diz que há dois critérios básicos por intermédio dos quais se deve julgar uma igreja 
que começa a “se demonizar”. 
Em primeiro lugar, Paulo nos diz que a Igreja está sendo penetrada, de alguma forma, por 
algo maligno, quando a consciência pagã determina a compreensão da fé cristã. Quando 
numa igreja as pessoas são batizadas, participam da Ceia, podendo ter dons espirituais, 
mas se a visão com a qual estão interpretando o mundo ainda é pagã, correm o risco de se 
associarem a demônios. Vejamos o que o apóstolo Paulo diz à igreja de Corinto, acerca 
disso: 
 
“(...) e eu não quero que vos torneis associados aos demônios.” 
 
(I Coríntios 10:20b) 
 
Paulo está falando a uma igreja. Ele está dizendo em outras palavras: 
 
“- Cuidado, porque pode ser que alguma coisa faça vocês se associarem aos demônios.” 
 
O interessante é que no contexto imediatamente anterior Paulo está falando de alimentos 
sacrificados a ídolos (I Coríntios 10:17-19). Ele fala do perigo de que a igreja não tivesse 
se libertado da mentalidade pagã do panteão greco-romano, olhando ainda para o ídolo 
como se em si mesmo ele tivesse algum poder: 
 
“No tocante à comida sacrificada a ídolos, sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no 
mundo, e que não há senão um só Deus.” 
 
(I Coríntios 8:4) 
 
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Com isso, Paulo está dizendo que o perigo não está no ídolo em si mesmo - porque ele 
não é nada -, mas o que está por trás dele. Paulo está dizendo, em outras palavras: 
 
“- Quando vocês, que ainda não se viram livres da mentalidade pagã, comem alimentos 
sacrificados aos ídolos, com a idéia de que o alimento em si está impregnado de algo 
demoníaco, o qual, de fato, está, estão-se associando a demônios. Não porque há 
demônio na comida, mas porque vocês pensam que há, e a comem assim mesmo. Eu 
como, e não acontece nada, porque como dando graças a Deus, e também porque comida 
não é nada. Eu como porque creio que não há demônio na comida, porque se cresse que 
houvesse demônio no, feijão e no arroz e os comesse assim mesmo, eu estaria 
estabelecendo uma relação demoníaca com tal alimento.” 
 
Paulo alerta para o cuidado que se deve ter quanto a olhar para vida com uma mentalidade 
pagã. Há pessoas que se convertem, mas que mantêm alguns resquícios pagãos em sua 
maneira de conceber a espiritualidade. A essas pessoas Paulo diz que tenham cuidado: 
 
 
“(...) e eu não quero que vos torneis associados aos demônios.” 
 
Às vezes vou a algumas igrejas, nas quais algumas pessoas me dizem o seguinte: 
 
“- Pastor Caio, por que o senhor não dá uma 'soprada’ hoje, aqui, para que todos caiam?” 
 
Então eu pergunto: 
 
“- Mas... porque, irmão?” 
 
Respondem-me: 
 
“- É porque ontem pregou aqui o pastor ‘Fulano de Tal’ que não pregou com toda a unção 
com que o senhor pregou esta noite, mas que soprou e caiu muita ,gente. Se o senhor 
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soprar então, aí é que vai cair um monte de gente mesmo. Ainda mais que o povo está 
com uma vontade enorme de cair.” 
 
Eu respondi: 
 
“ - Se Deus quiser derrubar qualquer um enquanto eu estiver pregando, Ele pode fazê-lo, 
pois Ele é livre. Mas, eu?!... dar tampinha na testa das pessoas para que elas caiam?!... 
Nunca!” 
 
Creio queDeus pode derrubar pessoas diante do Seu poder, mas me preocupo muito 
quando vejo tais coisas acontecerem na igreja com muita freqüência ultimamente. Porque, 
num país como o nosso, no qual as pessoas estão acostumadas a levar passe, preocupa-
me que muitas delas - que estão entrando numa fila para receberem tapinha na cabeça, e 
caírem - estejam substituindo o passe espírita pelo passe evangélico. Amedronta-me que a 
visão pagã do espiritismo não tenha sido eliminada, e que alguém, oriundo da macumba e 
do espiritismo, ainda sem multa consciência do que ocorre na igreja, ao ver tal coisa 
acontecer, interprete-a como o passe evangélico. Paulo nos diz para termos cuidado: 
 
“Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha de algum modo a ser tropeço para os 
fracos.” 
 
(1 Coríntios 8:9) 
 
Depreende-se, então, que tal coisa está sendo vista com uma mentalidade pagã. E se é 
pagã, caiu-se no mesmo espírito sobre o qual Paulo fala em 1 Coríntios 10:19-20: 
 
“Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem 
algum valor? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as 
sacrificam, e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados aos demônios.” 
 
É pela mesma razão que me preocupo muito com uma tal visão mágica que algumas 
pessoas têm de objetos, tais como do lenço, do sal, da água fluidificada, porque, será que 
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no nosso contexto, eles não funcionam apenas como uma cristianização de uma 
mentalidade pagã, a qual continua estabelecendo os mesmos vínculos idolátricos do 
passado? 
 
Em segundo lugar, Paulo nos diz que a Igreja está sendo penetrada, de alguma forma, por 
algo maligno, quando o exagero dita as regras da vida. A luta indômita e freqüente de 
Paulo durante todo o seu ministério é a do equilíbrio, não deixando nunca que a 
espiritualidade descambasse para o lado do exagero. Há três batalhas que ele enfrenta 
para manter o equilíbrio. 
 
A primeira é a batalha do legalismo x liberarismo. Escrevendo a epístola de Gálatas, nós o 
vermos lidar com irmãos que defendem o legalismo. Já escrevendo à igreja de Corinto - 
cidade portuária, com prostituição, turismo, beleza - ele alerta quanto à tendência dos seus 
membros de afrouxarem a vida religiosa, quanto ao cuidado com o “vale tudo” da 
espiritualidade, quanto a fugir da imoralidade, do adultério, da idolatria. 
A segunda é a batalha do racionalismo x misticismo. Paulo diz, escrevendo aos coríntios, 
que decidira nada mais saber a não ser de Jesus Cristo crucificado, com medo de que a fé 
cristã se tornasse em algo inteiramente racionalista: 
 
“Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E foi em 
fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós. A minha palavra e a minha 
pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração 
de Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana; e, sim, 
no poder de Deus.” 
 
(I Coríntios 2:2-5) 
 
Em Colossenses 2:18, Paulo nos alerta quanto ao culto aos anjos, diz-nos para termos 
cuidado com as mentes que se dizem invadidas de visões sobrenaturais: 
 
“Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, 
baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal.” 
 
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A terceira é a batalha da pobreza x prosperidade. Em II Coríntios 9:10-11a, Paulo 
primeiramente fala da igreja da Macedônia que, inicialmente, havia sido pobre, passado 
por tribulações, dificuldades. Mas, Paulo diz a ela que Deus é Deus de graça, O qual supre 
abundantemente todas as coisas, interessando-Se em que haja prosperidade, para que, 
prosperando, ela possa continuar a ser uma igreja generosa, abençoando a vida de outras 
pessoas: 
 
“Ora, aquele que dá semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e 
aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça. Enriquecendo-vos 
em tudo para toda a generosidade.” 
 
Porém, escrevendo I Timóteo 6:9-10; 17-19, Paulo fala da tendência de os irmãos ricos da 
igreja de Timóteo estarem pensando apenas em prosperidade: 
 
“Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências 
insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor 
do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si 
mesmos se atormentaram com muitas dores. (...) Exorta aos ricos do presente século que 
não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas 
em Deus que tudo proporciona ricamente para nosso aprazimento, que pratiquem o bem, 
sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si 
mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro a fim de se apoderarem da verdadeira 
vida.” 
 
Cuidado com o dinheiro e com a ansiedade pela prosperidade material, porque trazem em 
si mesmos o germe da destruição. Observemos como tais coisas parecem contraditórias: 
primeiramente ele fala para um grupo que se deve ter confiança em Deus, crendo que Ele 
é abençoador e, por isso, supre as necessidades de cada um, mesmo na precariedade e 
escassez de recursos; depois, para um outro grupo, Paulo diz que se deve ter cuidado com 
a prosperidade, porque ela pode matar. 
 
Heresias são sempre verdades exageradas. Heresias só são perigosas porque partem de 
pressupostos verdadeiros, mas que foram exacerbados, deturpados, absolutizados e 
agigantados, obcecando a alma e a mente humana, tirando-lhe o equilíbrio e, por fim, 
“demonizando-a”. 
 
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PRINCÍPIOS IMPORTANTES 
 
Há, porém, alguns princípios que, se observados, ajudam-nos a exercer discernimento 
espiritual. 
 
O primeiro refere-se a uma pergunta que sempre devemos fazer, ao olharmos para uma 
instituição religiosa, seja ela uma igreja, seja ela uma missão: quem é que está sendo 
glorificado através dela? Quem é que recebe glória? É o líder da instituição? É a instituição 
em si? Preocupa-me muito quando denominações evangélicas históricas fazem cultos 
comemorativamente exclusivos, anunciando a sua “presbiterianicidade”, a sua 
“batisticidade”, a sua “luteraneidade”, e assim por diante. Devemos ter cuidado. Deus não 
divide Sua honra com igreja (seja ela qual for), nem com o líder dela (seja ele quem for). A 
glória é única e exclusivamente de Deus. 
 
Em segundo lugar devemos ver se a Palavra de Deus é o centro. Se a Palavra não for 
mais centro, mas for o sopro, a queda, uma nova revelação, é uma nova apropriação da 
Palavra que Pedro não soube, Paulo não soube, nem Jesus soube. Então, cuidado! Se o 
que se ensina não está descrito nas Escrituras, não creia, mesmo que seja praticado pelo 
homem mais santo da igreja, pelo homem mais santo da denominação. 
Em terceiro lugar, devemos ver se há equilíbrio, porque o diabo é o pai do exagero, o qual 
também é mentira. Mentira não é apenas negar uma verdade, mas também exagerá-la, 
exacerbá-la. O diabo é o pai do exagero. 
 
Faz vinte anos que estou caminhando com Jesus, fazendo um esforço enorme para manter 
o equilíbrio. Quando me converti, a ênfase era carismática, sendo a espiritualidade de 
certa forma mensurada pela capacidade de falar em línguas, expulsar demônios, profetizar. 
A primeira pergunta que era feita a um convertido naqueles dias era: 
 
“- Você é batizado no Espírito Santo?” 
 
Ou, então: 
 
“- Você já falou em línguas?” 
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Nessa ocasião, eu já era pastor presbiteriano, em Manaus. Pregandonos lugares mais 
diversos, eu era abordado por irmãos na fé que me perguntavam: 
 
“- O senhor fala em línguas?” 
 
Eu lhes respondia: 
 
“- Sim, falo.” 
 
Falo, sim. Às vezes, até mesmo nos púlpitos das igrejas mais tradicionais. Falo, mas falo 
baixinho. Ninguém precisa me ouvir falar. Só Deus, porque o próprio apóstolo Paulo disse 
que esse dom não se destina à edificação de outros, mas à individual: 
“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o 
entende, e em espírito fala mistérios.” 
 
(1 Coríntios 14:2) 
 
Perguntavam-me ainda: 
 
“- O senhor expulsa demônios?” 
 
Não havia como negar, uma vez que na porta do meu escritório, às vezes se formava uma 
fila só de endemoninhados, parecendo um INPS de possessos. Então me diziam: 
 
“- O senhor é carismático, então!” 
 
Eu lhes respondia: 
 
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“- Não, eu sou cristão!'” 
 
“- Mas por que você não é carismático?” 
 
“- Porque eu prefiro continuar a ser apenas cristão.” - respondia. 
 
Eles ficavam me olhando, e arriscavam: 
 
“- Você é diferente. Faz as coisas que os carismáticos fazem, mas se nega a dizer que é 
um deles...” 
 
Eu, incisivamente, respondia, então: 
 
“- Eu não digo que sou carismático, porque ser carismático é ser pequeno demais. Ser 
cristão é maior! Eu sou cristão!" 
 
Depois, veio uma outra ênfase, a qual falava que as grandes questões eram aquelas 
relacionadas à injustiça, à corrupção, à opressão e à tirania. Os livros mais lidos naquela 
ocasião eram os do profeta Isaías, Jeremias, Oséias e Amós. Os defensores da Teologia 
da Libertação, ouvindo-me pregar, diziam: 
 
“- Esse é um dos nossos!” 
 
Disseram-me certa vez: 
 
“- Que coisa maravilhosa! Nunca tínhamos visto um carismático progressista.” 
 
Eu lhes dizia: 
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“- Mas eu não sou nem carismático, nem progressista.” 
 
“- Então, o que o senhor é?” - perguntaram. 
 
“- Eu faço um esforço enorme para ser crente.”- respondia. 
 
Eles insistiam: 
 
“- Então... Como é que o senhor vê a Teologia da libertação?” 
 
“- Há coisas muito interessantes nela. Mas, o fundamento da minha fé, da minha vida e de 
tudo que penso está na Bíblia. Quando falo contra a corrupção, contra a injustiça, contra a 
miséria, tais coisas não têm nada a ver com o ponto de vista de teologias humanas, mas 
têm a ver com o que diz Isaías, Jeremias, Oséias. Enfim, têm a ver com a Palavra de 
Deus. Só isso.” 
 
Muitos ficaram chateados comigo, em virtude desse meu posicionamento. Eu lhes disse: 
 
“- Eu não posso me envolver com isso, uma vez que essa teologia passa. E eu não quero, 
mais à frente, ter que voltar atrás e pedir desculpas às pessoas porque me equivoquei, 
porque ‘embarquei numa furada’.” 
 
Em quarto lugar, devemos ver qual é a consciência que as pessoas têm na igreja: se é 
consciência cristã ou é consciência pagã. 
 
Em quinto lugar, devemos ver se a entidade religiosa tem existência para fora de si, ou se 
existe para fazer propaganda de si mesma, garantindo sua sobrevivência. 
Em sexto lugar, devemos ver se há espaço para o que é novo nele, tendo Deus portas 
abertas para agir; devemos ver se ela está aberta para mudanças promovidas pela 
atuação do Espírito Santo. 
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Em sétimo lugar, devemos ver se há sinais regulares de arrependimento, dando os seus 
membros provas visíveis e sinceras de contrição e de confissão de pecados, porque se 
houver apenas triunfalismo, Deus não está nela. Triunfalismo é atitude de fariseu, ao dizer: 
 
“- Graças a Ti, ó Deus, porque eu não sou pagão, não sou pecador! Graças a Ti porque 
sou honesto, Senhor!” 
 
Quando a igreja descamba para o lado do triunfalismo, ela se torna estéril, árida, sem vida. 
Mas tem que haver choro, confissão de pecado, quebrantamento, para que possa haver 
perdão e justificação. 
 
Em oitavo lugar, devemos ver como o dinheiro é administrado pela instituição religiosa, 
vendo, ainda, se ele é valorizado acima da medida que deve ser. Devemos ver se se fala 
mais em dinheiro do que em Jesus. 
Em nono lugar, devemos ver como a questão do poder é tratada. Veja se há na instituição 
religiosa um tirano, um dono absoluto, um ditador, porque, se houver, dela Jesus não é o 
cabeça. 
Em décimo lugar, devemos ver se o amor e a justiça “temperam-se” um ao outro. 
Devemos ver se na instituição religiosa há amor e há justiça. Vejamos se o exercício da 
justiça não é uma prática justiceira; e que o amor não é frouxo, mas justo e misericordioso. 
Na batalha espiritual, nós não temos apenas que lidar com a “demonização” da sociedade, 
mas também com a “demonização” do sagrado. Cabe a nós, hoje e sempre, ver se a Igreja 
continua confessando que Jesus veio em carne para destruir as obras do diabo, ou se ela 
agora já se contenta com o fato de que ela mesma se tornou um fim em si mesma. 
Exercendo tais discernimentos, estaremos preparados não apenas para expulsar 
demônios que se manifestam em pessoas, cidades, culturas e nações, mas também 
capacitados para perceber a ação dessas forças dentro de instituições cristas, disfarçadas 
em regras morais, tradições e ênfases antibíblicas. 
 
 
 
 
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CAPÍTULO 13 
COMO ESTAR PREPARADO PARA VENCER PRINCIPADOS E POTESTADES 
 
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes 
outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito 
que agora atua nos filhos da desobediência, entre os quais também todos nós andamos 
outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos 
pensamentos e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, 
sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós 
mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça sois salvos, -, e 
juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo 
Jesus.” 
 
(Efésios 2:1-6) 
 
“A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o 
evangelho das insondáveis riquezas de Cristo, e manifestar qual seja a dispensação do 
mistério desde os séculos oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, 
a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades 
nos lugares celestiais.” 
 
(Efésios 3:8-10) 
 
Até aqui vimos pontos positivos, pontos negativos e perigos do movimento de batalha 
espiritual. Vimos também quais são os personagens espirituais contra os quais lutamos. 
Vimos também como tal luta se trava no nível pessoal, social e cultural, e como ela se deu 
no universo cósmico, sendo a Cruz a nossa vitória. 
 
No capítulo anterior, vimos como as instituições - mesmo as cristãs - podem ser 
“demonizadas”, quando perdem o referencial da sua missão e do seu propósito de 
existência. 
Neste capítulo, vamos tentar esboçar alguma coisa que nos pode ensinar como estar 
preparados para enfrentar a batalha espiritual. Isto porque a Carta de Paulo aos crentes de 
Éfeso pode ser lida sob várias perspectivas. Nela há alguns temas em torno dos quais 
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certas verdades gravitam. Um dos temas mais fortes dessa carta é o que se refere às 
regiões celestes, aos principados e potestades e às relações dessas dimensões espirituais 
com a vivência e com a prática do povo de Deus no mundo. A prova disso é que nos dois 
textos da Cartaque lemos, Paulo está afirmando as regiões celestiais. Primeiramente, ele 
fala: 
 
“(...) por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos 
delitos, nos deu vida juntamente com Cristo – pela graça sois salvos, -, e juntamente com 
ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus.” 
 
Em seguida, ele ainda diz: 
 
“(...) pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados 
e potestades nos lugares celestiais.” 
 
Por último, ele ensina a viver, a se preparar para a existência, e conclui: 
 
“Quanto aos mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de 
toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a 
nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, 
contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas 
regiões celestes.” 
 
Constata-se, a partir disso, que há uma preocupação de Paulo em ensinar a estarmos 
preparados para enfrentar os principados e as potestades, que existem com tanta 
realidade quanto reais são as coisas visíveis que apalpamos e vemos. 
 
ENFRENTANDO PRINCIPADOS E POTESTADES 
 
E como estar preparados para enfrentar os principados e potestades? 
 
189 
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Em primeiro lugar, é necessário que, primeiramente, tenhamos sido libertos do império das 
trevas. Não podemos sair por aí querendo enfrentar principados e potestades com a vida 
ainda não liberta do império das trevas. Isso é de suma importância. Demônios se 
submetem ao nome de Jesus, em razão do Seu nome. Até falsos profetas que não O 
conhecem podem expulsar demônios, conforme o próprio Jesus o diz, em Mateus 7:22-23: 
 
“Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós 
profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não 
fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos 
de mim, os que praticais a iniqüidade.” 
 
Entretanto, precisamos saber que, de vez em quando, o diabo resolve dar uma “surra” 
violenta em alguns filhos de Ceva - exorcistas ambulantes que andam por aí expulsando 
demônios, sem conhecerem a Jesus (Atos 1913-14). O diabo, porém, sabe dizer a tais: 
 
“(...) Conheço a Jesus e sei quem é Paulo, mas, vós, quem sois?” 
 
(Atos 19:15b) 
 
Portanto, a primeira coisa que precisamos saber para estarmos preparados para enfrentar 
os principados e as potestades é se realmente fomos libertos do império das trevas. Paulo 
fala acerca disso, dizendo que se fomos libertos de uma vida que se caracterizava por uma 
atitude de conformação aos tempos, de uma vida que se submetia às ingerências e às 
injunções do império das trevas, não podemos andar “segundo o curso deste mundo, 
segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da 
desobediência, entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações 
da nossa carne fazendo a vontade da carne e dos pensamentos.” (Efésios 2:2-3a) . Com 
isto, Paulo quer dizer que o curso deste mundo nada mais é do que seguir e adotar para si 
os padrões, valores, hábitos e referenciais deste mundo. Paulo quer dizer, em outras 
palavras: 
 
“- Um dia nós fomos libertos do império das trevas. Um dia, também estivemos sob delitos 
e pecados. Entretanto, fomos retirados desse império. O que deve nos dar essa certeza é 
uma vida totalmente diferente daquela que antes vivíamos, a qual se caracterizava por 
adotar para si os padrões e valores deste mundo.” 
190 
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Paulo ainda nos diz mais: 
 
“- A nossa vida, que antes estava sob o domínio do império das trevas, era caracterizada 
por total submissão às forças espirituais que influenciam a humanidade, ou seja, segundo 
o príncipe da potestade do ar, o qual atua nos filhos da desobediência. Portanto, se somos 
libertos do império das trevas, já não temos mais canal algum aberto com essas forças 
espirituais malignas. Porém, andamos segundo o Espírito Santo, conforme a mente de 
Cristo, consoante a vontade de Deus.” 
 
Em segundo lugar, a vida, debaixo do poder do império das trevas, era marcada pela 
absolutização do desejo da carne, caracterizando-se por ser uma existência segundo as 
inclinações da nossa própria carne e dos nossos pensamentos. Sob essa perspectiva, o 
desejo do corpo e os pensamentos devem ser sempre absolutizados, estimulados, 
liberados e realizados. Paulo fala acerca disso, quando diz que “também todos nós 
andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e 
dos pensamentos.” 
 
(Efésios 2:3). 
Paulo nos diz que Ele - Jesus - nos deu vida, estando nós mortos em nossos delitos e 
pecados (Efésios 2:1). Vivíamos sob o poder do pecado, tanto externamente, no que se 
referia às questões sociais (do mundo em direção à alma), quanto internamente, no que 
tangia aos nossos próprios desejos carnais e dos nossos pensamentos, que geravam 
conflitos tremendos no espírito (da carne e da mente em direção à alma). No entanto, Deus 
nos libertou desse estado de opressão, pelo Seu grande amor por nós: 
 
“Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e 
estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça 
sois salvos, - , e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares 
celestiais em Cristo Jesus.” 
(Efésios 2:4-6) 
 
Ainda que não estejamos plenamente assentados nos lugares celestiais, já desfrutamos, 
de alguma forma, as bênçãos de um dia poder estarmos lá assentados. É uma bênção que 
não se realiza só prospectivamente, ainda que se concretize plenamente só no futuro. É, 
também, uma bênção para o agora, uma bênção “hic et nunc”. 
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Precisamos saber, portanto, que principados e potestades só são vencidos por aqueles 
que já estão sentados em lugares espirituais em Cristo Jesus. 
O Presidente da República não pode fazer nada contra os demônios. Nem ministros de 
estado, nem governadores, nem deputados e senadores. Tais pessoas podem realizar 
projetos em âmbitos específicos, mas, no âmbito espiritual, no que se refere ao 
enfrentamento de potestades e principados, só podem aqueles que morreram com Cristo, 
que ressuscitaram com Ele e que estão assentados nos lugares espirituais com Ele, é que 
podem desembainhar a espada, para enfrentar as forças espirituais malignas, em nome de 
Jesus. 
Em terceiro lugar, é preciso que vivamos numa busca constante de unidade. É um contra-
senso enfrentar principados e potestades com um exército todo dividido, no qual há ódio, 
amargura, falta de reconciliação, portanto, sem objetivo comum. É um absurdo, então, 
haver dissensões entre nós, porque, havendo conflitos internos, não teremos forças para 
enfrentar os principados e potestades nas regiões celestes. E em razão disso que Paulo 
põe o tema dos principados e potestades no centro (Efésios 2:11-3:16), desenvolvendo em 
torno dele toda uma discussão a respeito da unidade da Igreja. Paulo fala algumas coisas 
interessantes acerca disso. 
Primeiramente, Paulo diz que a unidade é fruto da compreensão da obra da Cruz: 
 
“Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo 
sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derrubado a 
parede da separação que estava no meio, a inimizade aboliu na sua carne a lei dos man-
damentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse em si mesmo um novo 
homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédioda cruz, destruindo por ela a inimizade.” 
 
(Efésios 2:13-16) 
 
Não é a denominação que nos une. Nós - Igreja - só conseguimos viver em unidade se, 
obcecadamente, colocarmos os nossos olhos na cruz, no sangue do Cordeiro. É olhar para 
o outro, absolutamente diferente de nós - às vezes estranho, ou até mesmo bizarro - 
reconhecendo que ele é lavado no sangue do Cordeiro como nós. 
 
192 
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Em segundo lugar, Paulo diz que é preciso entender a unidade como fruto de uma atitude 
madura. De um lado, olhamos para a Cruz de Cristo, que nos uniu, que nos reconciliou, 
que pos por terra diferenças étnicas, diferenças sociais, preconceitos e posturas antigas, 
convergindo-nos uns para os outros, com base no sangue do Cordeiro. De outro lado, 
Paulo diz que, para isso, é necessária uma atitude amadurecida, porque, se for de criança, 
não une: 
 
“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que 
fostes chamados, com todo humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos 
uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do 
Espírito no vínculo da paz." 
 
(Efésios 4:1-3) 
 
Em outras palavras, Paulo está dizendo: 
 
“- Se não houver maturidade, é impossível haver unidade. Para que haja unidade, é 
preciso que as pessoas estejam vivendo com humildade, às vezes tendo que ‘engolir’ 
coisas, sendo pacientes, não impondo ‘no peito e na raça’ suas vontades; é imprescindível 
que sejam flexíveis, mansas; que falem a verdade em amor; que sejam longânimas, crendo 
que o tempo pode ser responsável pela maturação do outro; que tenham a capacidade de 
olhar para o passado e aprender com ele; que se suportem umas as outras em amor.” 
 
Paulo diz, ainda, que é preciso haver um esforço diligente, consciente para se obter a 
unidade, a fim de que se mantenha e se preserve o vínculo da paz no Espírito, sendo 
necessário muito cuidado, porque o corpo é de Cristo. Portanto, não o dividamos. 
 
Em terceiro lugar, Paulo diz que é preciso entender que a unidade resulta de um 
discernimento adulto de nossas origens comuns. Paulo fala de sete referenciais de origem, 
dos quais precisamos sempre nos lembrar, os quais, ainda, caracterizam a irmandade 
essencial no corpo de Cristo, mais importantes do que os muitos fatores que podem causar 
divisão à Igreja. Eis os sete referenciais: 
 
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“Há somente um corpo e um espírito, como também fostes chamados numa só esperança 
da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de 
todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.” 
 
(Efésios 4:4-6) 
 
Há muitas denominações evangélicas, mas, Jesus, Ele tem só um corpo. Não há o espírito 
dos presbiterianos, o espírito dos batistas, o espírito dos pentecostais, etc. Há, porém, um 
só Espírito, O qual faz o pentecostal dançar e o reformado enlevar-se cantando hinos 
tradicionais. Só há uma esperança: é a de sermos resgatados do corpo mortal em que 
vivemos para uma vida total, plena e eterna em Jesus Cristo, o nosso Senhor, O qual nos 
vocacionou para a salvação. Há um só Senhor, que é sobre todos, que é o Senhor Jesus. 
Se Ele é nosso Senhor, somos irmãos. Há uma só fé, não se fazendo referencia alguma a 
nenhum corpo doutrinário harmônico; porém, de uma única fé, da qual se diz: 
 
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não 
de obras, para que ninguém se glorie.” 
 
(Efésios 2:8-9) 
 
Há um só batismo, que não e por imersão, nem por aspersão, nem por efusão, mas pelo 
Espírito Santo. É um batismo que não é na água, mas na morte e na ressurreição de 
Jesus. É um batismo que não é feito com símbolos. Quando alguém nos estertores da 
vida, sem água, sem pastor, sem ninguém, sem coisa alguma, diz, tal como o ladrão da 
cruz: 
 
“Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.” 
 
(Lucas 23:42) 
 
Esse alguém é batizado com Cristo, sepultado com Ele, ressuscitado com Ele, e ainda O 
ouve dizer: 
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“(...) Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso.” 
 
(Lucas 23:43) 
 
Há um só Pai, O qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. Se olhamos 
para cima, e chamamos a Deus de Pai, somos irmãos. A teologia que afirma o Pai, afirma 
que há o Filho e o Espírito Santo. Não somos irmãos na teologia que só afirma o Pai, nem 
na teologia que só afirma Jesus, nem na teologia que só afirma o Espírito Santo. Mas, na 
teologia em que Pai, Filho e Espírito Santo são afirmados, não importa o quanto diferentes 
sejamos, nós somos irmãos. 
 
Em quarto lugar, Paulo diz que a unidade se concretiza no esforço de harmonia 
doutrinária, dizendo, ainda, que tal harmonia deve ser o alvo, o objetivo de todos nós. 
Quais são as causas que nos impelem a buscar a harmonia doutrinária, objetivando a 
diminuição das distâncias, dos extremismos, das discrepâncias? Paulo nos diz que elas 
provêm do equilíbrio dos dons ministeriais: 
 
“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para 
evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos 
para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo.” 
 
(Efésios 4:11-12) 
 
A maturidade de se buscar a harmonia doutrinária surge quando a Igreja recebe 
ministração variada e diversa, quando não ouve uma teologia que é um “samba de uma 
nota só”, mas quando está ouvindo vozes que se equilibram. E por isso que Paulo fala que 
Deus concedeu uns para apóstolos, outros para pastores, outros para evangelistas, etc., 
com o objetivo do aperfeiçoamento do corpo de cristo, “até que todos cheguemos à 
unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida 
da estatura da plenitude de Cristo.” (Efésios 4:13). 
 
Quando uma igreja é só de evangelistas, ela perde o equilíbrio, só se falando em 
conversão, em apelo. As famílias estão em crise, membros brigando uns com os outros, 
crentes passando pelas dificuldades as mais diversas, mas não há uma palavra para trazer 
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cura à família, à alma; nenhuma atitude que vá em auxílio do que está necessitado. A 
igreja, porém, só fala em conversão. 
 
Quando a igreja é só de profetas, ela adoece, ficando com uma tendência enorme de 
amargurar-se, uma igreja um tanto ufanista acerca da sua relação com Deus e da Sua 
Palavra, tornando-se uma comunidade que apenas celebra o seu poder de falar, não 
ensinando, esquecendo-se dos elementos doutrinários apostólicos mais amplos. 
 
Quando a igreja é só de pastores, ela fica enferma, não tendo voz para fora, curando 
almas, não havendo ensino e exortação. 
Mas, quando a igreja tem pluralidade de ministérios, e os realiza à luz da Palavra de Deus, 
alcança-se a unidade, no vínculo da fé, em nome de Jesus. 
Portanto, para que a unidade se concretize, ela tem de proceder do equilíbrio entre os 
dons ministeriais. 
Em quinto lugar, Paulo diz que a unidade vem do nosso compromisso com a fé. A unidade 
funciona quando ela não é um fim em si mesma, não ocorrendo para si própria. É em razão 
disso que Paulo discrimina quais são os objetivos da unidade: 
 
“Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a 
edificação do corpo de Cristo.” 
 
Em sexto lugar, Paulo diz que a unidade provém do nosso desencantamento com relação 
às invenções teológicas. Só conseguimos caminhar em direção ao amadurecimento 
quanto à harmonia doutrinária, quando nós deixamos de ser meninos, não nos deixandoenganar por qualquer coisa: 
 
“Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do filho de Deus, à 
perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais 
sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento 
de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” 
 
(Efésios 4:13-14) 
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Unidade só é possível, quando a Igreja está amadurecida, não se abalando por doutrinas 
que entram e saem de moda de tempos em tempos. 
 
Em sétimo lugar, Paulo diz que a unidade vem da capacidade de harmonizarmos verdade 
e amor. 
 
“Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, 
de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda junta, segundo a 
justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si 
mesmo em amor.” 
 
(Efésios 4:15-16) 
 
É o equilíbrio entre o amor e a verdade, mas não de um amor licencioso, nem da verdade 
tirana. Mas da igreja que equilibra o amor com a verdade, e a verdade com amor. 
 
O que isso tudo tem a ver com principados e potestades? 
Paulo diz que, quando a Igreja vive no espírito de reconciliação e de unidade, ela ganha 
ascendência sobre os principados e potestades. A Igreja pode “amarrar” todos os 
demônios, mas se os crentes estiverem brigando uns com os outros, sem paz, sem 
harmonia, tal ação não tem impacto nas regiões celestiais. O diabo gargalha da Igreja, 
quando a vê fazendo batalha espiritual, mas com o corpo todo desajustado, cheio de 
ressentimentos, mágoas, amarguras e crise. É o que a Palavra de Deus nos diz: 
 
“Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos 
principados e potestades nos lugares celestiais.” 
 
(Efésios 3:10) 
 
Agora é a hora de buscarmos a unidade da Igreja, não a deixando para o futuro. Esta é a 
hora de embasbacarmos, em nome de Jesus, os principados e as potestades, deixando-os 
perplexos, por vivermos a unidade no corpo de Cristo. 
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Em quarto lugar, é preciso buscar saúde para a vida moral, espiritual, conjugal, familiar e 
profissional. Não basta sabermos que fomos libertos do império das trevas, e nem é só 
termos um bom convívio com o nosso irmão na busca da unidade, mas é preciso que 
olhemos para dentro de nós mesmos para vermos se há, no nosso interior, saúde moral, 
espiritual, conjugal, familiar (em termos mais amplos) e profissional (Efésios 6:5-9). 
Falando de vida moral, Paulo diz: 
 
“Mas a impudicícia, e toda sorte de impurezas, ou cobiça, nem sequer se nomeie entre 
vós, como convém a santos, nem conversação torpe, nem palavras vis, ou chocarrices, 
coisas essas inconvenientes (...) Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou 
avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. (...) E não sejais 
cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém reprovai-as.” 
 
(Efésios 53-5,11) 
 
Paulo afirma tais realidades, mas nos admoesta a lembrarmos que somos luz no Senhor: 
 
“Pois outrora éreis trevas, Porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz 
(porque o fruto da luz consiste em toda bondade, e justiça, e verdade), provando sempre o 
que é agradável ao Senhor.” 
 
(Efésios 5:8-10) 
 
Lembro-me de quando ainda era pastor em Manaus (por volta de 1977). Um dia eu estava 
em casa, à noite. E na hora do jantar, chegou a nossa casa um pastor trazendo um outro 
pastor, este absolutamente endemoninhado. Possesso, olhando para as pernas da minha 
irmã, começou a falar toda sorte de palavras torpes e vulgares, dizendo, ainda, o que 
queria fazer às mulheres que estavam na casa. Olhando também para mim, e dirigindo-me 
um monte de acusações, disse: 
“- Eu usei esse homem aqui para o acusar, dizendo que você é tudo o que não presta.” 
 
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E eu ouvindo tudo aquilo. Às vezes, ele voltava um pouco à lucidez. Lá pelas tantas eu 
olhei para ele, e lhe recitei Hebreus 4:12-13: 
 
“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois 
gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para 
discernir os pensamentos e propósitos do coração. E não há criatura que não seja 
manifesta na sua presença; pelo contrário todas as coisas estão descobertas e patentes 
aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” 
 
Logo em seguida, perguntei-lhe: 
 
“- Qual é o seu nome?” 
 
Tão logo terminei de fazer -lhe a pergunta, aquele pastor foi arremessado a uns três 
metros de distância, rolando pelo chão da minha casa, depois pelo quintal, uivando como 
um animal raivoso, e dizendo: 
 
“- Eu sou o demônio. Eu entrei nesse desgraçado, porque ele estava pastoreando no 
interior do Amazonas, e estava adulterando com uma caboclinha que era empregada dele. 
Todo dia ia para a cama com ela. Esse desgraçado teve a coragem de me desafiar em 
praça pública, chegando para um bruxo que falava em meu nome, dizendo: ‘- Bruxo, eu o 
repreendo!’ Eu falei para ele, através do bruxo: ‘-Quem é você para me repreender, seu 
adúltero, hipócrita! Você está vindo da cama de adultério. Como você tem coragem de falar 
comigo? Vou entrar em você, e vou fazê-lo pular como um possesso na frente de todos.’ E 
foi por causa disso que entrei nele.” 
 
Eu o levei para fora da minha casa, mais ou menos às três horas da manhã. O demônio, 
porém, continuava a dizer: 
 
“- Eu saio, eu saio! Mas deixa eu entrar no guarda-noturno, que está ali, perto daquele 
poste.” 
 
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“- Você não vai entrar em ninguém.” - eu lhe respondi. “- Deixa, então, eu entrar no 
cachorro.”- ele insistia. 
 
Quando acabou de falar, todos os cachorros da vizinhança começaram a latir juntos. 
 
“- Você não vai entrar em ninguém”. - eu lhe disse novamente. 
 
“- Para onde é que você vai me mandar?” - ele me perguntou. 
 
Eu lhe respondi: 
 
“- Eu não recebi poder de Deus para traçar o destino espiritual de nenhuma criatura dEle... 
nem do seu! Quem disse para onde você vai foi o Senhor Jesus. Agora, uma coisa eu lhe 
digo: eu recebi autoridade, em nome de Jesus, para lhe dizer que você não vai ficar nele. E 
eu o entrego ao Senhor Jesus, que sabe para onde vai mandá-lo. Sai dele, agora, em 
nome de Jesus!” 
 
O demônio deixou aquele pastor, o qual caiu num pranto tremendo. Ele me perguntou o 
que havia acontecido. Contei-lhe toda a história. Ao final, ele me perguntou: 
 
“- Crente fica possesso?” 
 
“- Não! Mas, pastor fica. Crente não fica. Quem é batizado, selado no Espírito Santo da 
promessa, habitado pelo Senhor Jesus... não tem diabo que toque nele, em nome de 
Jesus.” - eu lhe respondi. 
 
O diabo pode oprimir, pode pressionar, pode tentar induzir, pode angustiar, pode tocar na 
carne; mas, possuir a consciência de um ser que foi comprado e lavado pelo sangue de 
Jesus, nunca! Se o contrário acontecer, repreenda, em nome de Jesus. 
 
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“- Tudo isso aconteceu- eu lhe disse- porque você aprendeu a pregar, era pastor... 
 
Você só nunca se converteu, nunca encontrou a Jesus de fato. Você é papagaio de pirata 
no navio da igreja. Agora, vai para casa, e jejue até encontrar um lugar de 
arrependimento.” 
 
Dois dias depois, recebi um bilhete dele, que dizia: 
 
“Pastor, duas horas atrás, encontrei um lugar de arrependimento. Há 48 horas que não 
como, que minha mulher não come, que meus filhos não

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