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Cirurgia PlásticaPeriodontal

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excelentes resultados estéticos com a raiz 
completamente recoberta e com ganho de gengiva queratini-
zada (Figuras 14).
Figuras 11 – A. Colocação do enxerto no leito receptor. B. Suturas com ponto simples. 
Figura 12 – Sutura do retalho com total cobertura do tecido 
enxertado sem tensão. 
Figura 13 – Reembasamento e colocação de novos provisórios 
após o procedimento cirúrgico.
A B
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Revista PerioNews 2011;5(5):527-33
de Molon RS  Borges Filho FF  de Avila ED  Mollo-Jr. FA  Barros LAB  Cirelli JA
Figuras 14 – Pós-operatório de dois anos com a instalação das próteses defi nitivas metalocerâmicas.
A B
DISCUSSÃO
A estabilidade e a saúde periodontal são fundamen-
tais para o sucesso da Odontologia restauradora12. Para isso, 
o sucesso e a previsibilidade do procedimento cirúrgico para 
recobrimento radicular dependem de vários fatores, como: 
adequado controle da placa13, correta avaliação do nível ósseo 
interproximal14, característica clínica das recessões15, volume 
das papilas adjacentes16, posição dentária, proeminência da raiz 
e a presença de recessão nos dentes adjacentes são fatores 
importantes em relação à expectativa de cobertura total das 
raízes17 e devem garantir uma escolha apropriada da técnica 
cirúrgica.
Na presença de concavidades radiculares, a técnica de re-
cobrimento de raiz com tecido mole pode ser contraindicada 
para superfícies onde o preparo da cavidade e/ou abrasão cer-
vical é superior a uma profundidade de 1,0-3,0 mm18. Nestes 
casos pode-se preencher a cavidade com ionômero de vidro. 
Próteses mal adaptadas, com degrau positivo, negativo ou es-
paço cervical entre a estrutura protética e o preparo dental 
atuam favorecendo o acúmulo de placa. O trauma mecânico, 
causado pela forma incorreta da restauração, somado a agen-
tes microbianos, também promovem a retração gengival. Des-
ta forma, é pertinente afi rmar que o procedimento para reco-
brimento radicular deve ser acompanhado pelo planejamento 
de nova prótese. Caso contrário, a recidiva da condição pode 
retornar em curto prazo. 
Em uma revisão sistemática, os autores1 avaliaram a efi cá-
cia da cirurgia plástica periodontal para tratamento das reces-
sões gengivais e concluíram que os melhores resultados foram 
alcançados quando a técnica de enxerto de tecido conjuntivo 
subepitelial fora utilizada. Ao mesmo tempo, outro estudo19 
concluiu que enxerto de tecido conjuntivo subepitelial associa-
do com o deslocamento coronário do retalho permite melhor 
suprimento sanguíneo ao enxerto. Aumento da vascularização 
no leito receptor é um fator importante para o sucesso da téc-
nica e está diretamente relacionado com melhores resultados 
estéticos e com a diminuição do tempo de cicatrização.
No caso em questão, a escolha do tratamento para re-
cobrir as raízes com uma combinação de procedimentos, res-
taurador e cirúrgicos, foi baseada na classifi cação da recessão 
como Classe I de Miller. É inquestionável que a saúde do perio-
donto deve ser restabelecida antes de qualquer procedimen-
to restaurador15, facilitando sua realização e aumentando sua 
previsibilidade. Simultaneamente ao procedimento cirúrgico, 
provisórios foram confeccionados para manutenção da forma 
do tecido mole durante o pós-operatório. Quando as restaura-
ções não estão de acordo com a forma dos dentes, ocasionam 
desarmonias funcionais com efeitos negativos para o resta-
belecimento da saúde dos tecidos periodontais subjacentes. 
Neste sentido, deve-se controlar as restaurações em todas as 
excursões funcionais da mandíbula, eliminando as prematuri-
dades, e avaliar a uniformidade da restauração protética com a 
raiz, para a manutenção do desenho gengival.
No fi nal do tratamento houve total cobertura radicular 
com redução da hipersensibilidade dentinária cervical, sem 
sangramento a sondagem e com ampla faixa de tecido que-
ratinizado. Ao mesmo tempo, foi obtida coloração semelhan-
te aos tecidos circunvizinhos, com ótimo contorno tecidual e 
com estética favorável.
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 Periodontia
A paciente recebeu instruções sobre os métodos de hi-
giene bucal mais adequado sem causar danos para os tecidos 
periodontais e superfícies de raiz. Estas instruções foram re-
vistas e reforçadas em cada consulta de acompanhamento. 
Intenso controle de placa utilizando uma técnica correta e 
cuidadosa de escovação é importante para a manutenção da 
saúde em longo prazo, principalmente, em áreas submetidas à 
cirurgia de recobrimento radicular associada a procedimentos 
restauradores20.
Embora este procedimento requeira uma área doadora, 
correspondendo a um segundo sítio cirúrgico a ser reparado, a 
técnica de remoção do enxerto proposta, utilizada no presente 
caso, apresenta alta taxa de sucesso e baixo risco de complica-
ções pós-cirúrgicas21.
CONCLUSÃO
A técnica de enxerto de tecido conjuntivo subepitelial 
com deslocamento coronário do retalho proporcionou estéti-
ca clínica para o tratamento de recessões gengivais localizadas 
Classe I e II de Miller. Esta técnica restabeleceu o contorno, a 
textura e a coloração do enxerto, devolvendo as características 
de normalidade aos tecidos. Em conclusão, o restabelecimen-
to da saúde periodontal permitiu a reabilitação estética do pa-
ciente com sucesso.
Nota de esclarecimento
Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio fi nanceiro para pesquisa dado 
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. 
Nós, ou os membros de nossas famílias, não recebemos honorários de consultoria ou 
fomos pagos como avaliadores por organizações que possam ter ganho ou perda com a 
publicação deste trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que 
também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não recebemos 
honorários de apresentações vindos de organizações que com fi ns lucrativos possam 
ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não estamos empregados pela 
entidade comercial que patrocinou o estudo e também não possuímos patentes ou 
royalties, nem trabalhamos como testemunha especializada, ou realizamos atividades 
para uma entidade com interesse fi nanceiro nesta área.
Endereço para correspondência:
Rafael Scaf de Molon (Unesp)
Rua Humaitá, 1.680
14801-903 – Araraquara – SP
Tel.: (16) 3301-6300
molon.foar@yahoo.com.br
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