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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA / ITEC CURSO: ENGENHARIA DE ALIMENTOS DISCIPLINA: TERMODINÂMICA APLIC. A ENG. DE ALIMENTOS II DOCENTE: RAUL NUNES DE C. JUNIOR DISCENTE: DANIELA DE ARAUJO FUGACIDADE BELÉM – PA 2018 1 FUGACIDADE E COEFICIENTE DE FUGACIDADE A segunda lei da termodinâmica estabelece um conjunto de potenciais químicos para serem usados na solução de problemas. Estes potenciais para substâncias puras são: Nos processos onde as variáveis selecionadas são P e T o potencial químico será a energia livre de Gibbs: Para processos envolvendo substâncias puras onde apenas a pressão varia: Se a substância for um gás ideal a equação de Clapeyron-Mendelev se aplica: Inserindo na equação mais acima e integrando resulta: Esta expressão para calcular o potencial químico se caracteriza por uma simplicidade ímpar, mas só serve se a substância estudada for um gás ideal. Caso não seja um gás ideal deve-se escolher uma equação de estado adequada, e ser feita uma integração. A equação resultante não será simples. Porém para manter a simplicidade, a pressão é substituída por um novo parâmetro proposto por Lewis e Randall denominado fugacidade e representado por f. Com isso, a equação fica: Transferindo a complicação para este novo parâmetro. A fugacidade pode ter várias interpretações. Alguns gostam de chamá-la de "pressão química" para contrapor a pressão que seria uma "pressão física". Em todo caso, a fugacidade é um parâmetro fictício muito útil que está ligada as forças intermoleculares que caracterizam os fluidos não ideais. O coeficiente de fugacidade, tanto na fase vapor quanto do componente puro, pode ser calculado pela equação do virial: O segundo coeficiente do virial para a mistura é dado pela regra de mistura e o segundo coeficiente do virial cruzado B é dado pelas mesmas equações de Tsonopoulos para B, porém, com as propriedades críticas da mistura: O coeficiente de fugacidade do componente i na saturação se reduz a expressão com B, o segundo coeficiente do virial para o componente puro, dado pela correlação de Tsonopoulos: 2 CRITÉRIOS PARA EQUILÍBRIO EM TERMOS DE FUGACIDADE O equilíbrio líquido-vapor ocorre quando: Como a energia livre de Gibbs é difícil de ser calculada, na química e engenharia química usamos o conceito de fugacidade para estabelecer e calcular o equilíbrio, pois a fugacidade é proporcional à energia livre de Gibbs. fl: fugacidade da fase líquida [Pa] fV: fugacidade da fase sólida [Pa] 3 FUGACIDADE TOTAL E FUGACIDADE DE UMA SUBSTÂNCIA PURA A pressão de vapor de uma substância pura (ou pressão de equilíbrio líquido-vapor) pode ser calcula a partir de uma equação de estado ou a partir de equações de pressão de vapor. O cálculo via equações de pressão de vapor é mais fácil e rápida, porém nem sempre se encontram os parâmetros das equações de pressão de vapor. A equações de pressão de vapor mais conhecidas são as equações de: Antoine: Riedel: Harlecher-Braun: A pressão de equilíbrio líquido-vapor de uma substância pura pode ser calculada utilizando uma equação de estado. Inicialmente, escolhe-se uma temperatura entre o ponto de fusão e a temperatura crítica do fluido de interesse e estima-se a pressão de vapor. A equação de estado adotada é resolvida com esses valores de T e P para os volumes (compressibilidades) do líquido e do vapor, lembrando que o menor valor de V corresponde ao líquido, enquanto o maior valor de V corresponde ao vapor. Esses valores permitem o cálculo das fugacidades das fases líquido e vapor utilizando as expressões apropriadas para os coeficientes de fugacidade, dada a equação de estado escolhida. Se fL for igual a fV dentro de uma faixa de tolerância, a pressão estimada é a pressão de vapor correta na temperatura de interesse. Contudo, caso a fugacidade da fase líquida seja maior que a da fase vapor, a pressão estimada é muito baixa; a pressão estimada é muito alta quando: A Equação acima é conhecida como equação de Clausius-Clapeyron. O calor de vaporização, na verdade, é função da temperatura; contudo, na aplicação desta Equação supôs-se que o calor de vaporização seja constante, algo válido apenas para pequenas faixas de temperatura. 4 FUGACIDADE NA FASE GASOSA O cálculo da fugacidade de uma substância pura em fase gasosa é dado por: Na Equação 6.18 deve-se utilizar o valor da compressibilidade do fluido no estado vapor e o volume molar do fluido em estado gasoso. Usando a equação de Redlich-Kwong teremos a seguinte fórmula para o coeficiente de fugacidade: Lembrando que o valor do volume molar a ser usado é o volume molar do fluido na fase gasosa (maior raiz da equação de estado). Se a equação do virial for usada, obtemos a fórmula: Deve-se salientar que a equação do virial utilizada para o cálculo da fugacidade quando truncada no segundo coeficiente do virial torna-se menos precisa à medida que a pressão aumenta. Utilizando-se a equação de Peng-Robinson, que descreve bem o comportamento de hidrocarbonetos e gases simples, tem-se: De forma geral, o cálculo da fugacidade de uma substância pura em fase gasosa a partir de uma equação de estado volumétrica envolve as seguintes etapas: Para um dado valor de T e P, deve-se calcular o volume molar V ou o fator de compressibilidade Z usando a equação de estado escolhida. Ao usar as equações de estado cúbicas ou outras mais complexas, a solução utilizada será a de baixa densidade, ou seja, o maior valor de V ou Z; O valor calculado de V ou Z é então aplicado nas Equações acima, ou outra equação equivalente para o cálculo do coeficiente da fugacidade da substância. 5 FUGACIDADE NA FASE LÍQUIDA Da equação para o cálculo da fugacidade de um componente em uma solução líquida (fase líquida incompressível) tem-se: Para a utilização prática desta equação necessitamos ainda de uma expressão para o cálculo da fugacidade do componente “i” no estado de líquido puro (). - Determinação de Para o cálculo de fugacidade de líquidos pode-se considerar o seguinte: St Para um sistema puro tem-se que: (Fases líquidas e vapor coexistindo em equilíbrio TD) Para esta equação, esta notação significa uma condição de saturação e não requer qualquer distinção entre líquido e vapor. Então podemos nos referir aos pontos B e C como vapor e líquido saturado alternadamente quando discutimos fugacidade. O cálculo de fugacidade no ponto B (vapor saturado) é adequado para o cálculo da fugacidade no ponto C (fugacidade de líquido saturado). O cálculo da fugacidade de saturação pode ser feito por qualquer método para cálculo de fugacidade de vapor (gás real). Uma pequena diferença aparece na metodologia para calcular a fugacidade entre os pontos C e D. Cálculo fugacidade entre os pontos C e D (Poynting e Equação de Estado. - Método de Poynting Considerando a seguinte equação: : fugacidade do componente “i” puro no estado de liquido saturado; [(T, PSat)]. : fugacidade do componente “i” puro no estado líquido; [ (T,P)]. Considerando o fluido incompressível (líquido), tem-se: OBS: O pode ser calculado pela equação de Rackett. A equação acima é escrita na seguinte forma: Da definição de coeficiente de fugacidade para componente puro tem-se: Logo, Finalmente a fugacidade para um componente “i” numa mistura pode ser escrita como: Onde: OBS: Para a maioria dos sistemas a baixas e moderadas pressões as seguintes consideração são verdadeiras. Então: 6 FUGACIDADE NA FASE SÓLIDA A pressão de vapor de um sólido geralmente é muito baixa e, portanto o coeficiente de fugacidade da substância é próximo de 1. Assim, a fugacidade de um sólido pode ser estimada, com boa aproximação por: Para pressões baixas a Equação acima é simplificada para:REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FERNANDES, F.A.N; PIZZO, S.M.; JUNIOR, D.M. TERMODINÂMICA QUÍMICA. 1ª edição, 2006.