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Tempos Modernos

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feudal desaparece, ou passa a ser 
homem de negócios. Quando as classes ascendem ou 
caem, o homem tem emprego ou fica desempregado; 
quando a taxa de investimento se eleva ou desce, o ho-
mem se entusiasma, ou se desanima. Quando há guerras, 
o corretor de seguros se transforma no lançador de fo-
guetes, o caixeiro da loja, em homem do radar; a mulher 
vive só, a criança cresce sem pai. A vida do indivíduo e a 
história da sociedade não podem ser compreendidas 
sem compreendermos essas alternativas.
E, apesar disso, os homens não definem, habitual-
mente, suas ansiedades em termos de transformação histó-
rica [...]. O bem-estar que desfrutam, não o atribuem habi-
tualmente aos grandes altos e baixos da sociedade em que 
vivem. Raramente têm consciência da complexa ligação 
entre suas vidas e o curso da história mundial [...]. Não dis-
põem da qualidade intelectual básica para sentir o jogo que 
se processa entre os homens e a sociedade, a biografia e a 
história, o eu e o mundo. Não podem enfrentar suas preo-
cupações pessoais de modo a controlar sempre as transfor-
mações estruturais que habitualmente estão atrás deles. [...]
A própria evolução da história ultrapassa, hoje, a ca-
pacidade que têm os homens de se orientarem de acordo 
com valores que amam. E quais são esses valores? [...] as 
velhas maneiras de pensar e sentir entraram em colapso. 
[...] Que – em defesa do eu – se tornem moralmente insen-
síveis, tentando permanecer como seres totalmente parti-
culares? [...]
Não é apenas de informação que precisam. [...]
O que precisam [...] é uma qualidade do espírito que 
lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a 
fim de perceber com lucidez o que está ocorrendo no 
mundo e o que pode estar acontecendo dentro deles 
mesmos. É essa qualidade, afirmo, que jornalistas e pro-
fessores, artistas e públicos, cientistas e editores estão 
começando a esperar daquilo que poderemos chamar de 
imaginação sociológica. [...]
O primeiro fruto dessa imaginação – e a primeira 
lição da ciência social que a incorpora – é a ideia de que 
o indivíduo só pode compreender a sua própria experiên-
cia e avaliar seu próprio destino localizando-se dentro de 
seu próprio período; só pode conhecer suas possibilida-
des na vida tornando-se cônscio das possibilidades de 
todas as pessoas, nas mesmas circunstâncias em que ele.
MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: 
 Zahar Editores, 1980 [1959]. p. 9-12 (grifo nosso).
Professor, na p. 22 do Manual do Professor (Leitura complementar), você 
encontra comentários e sugestões para utilização deste texto nas aulas.
Leitura complementar
 Forrest Gump: o contador 
de histórias 
 EUA, 1994, duração 142 min. 
Direção de Robert Zemeckis.
 enquanto espera a chegada de um 
ônibus, Forrest Gump relata sua traje-
tória a pessoas sentadas próximas a 
ele entrelaçando sua biografia a acon-
tecimentos da história de seu país. 
 memórias póstumas de 
Brás cuBas
 Brasil, 2001, duração 101 min. 
Direção de André Klotzel.
 adaptado do romance homônimo de 
machado de assis, o defunto Brás 
cubas decide se distrair na eternida-
de relembrando fatos de sua vida e 
de seu tempo. 
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Sessão de cinema
Professor, na p. 22 do Manual do Professor (Sessão de cinema), você encontra sugestões para trabalhar com os filmes indicados. 
PNLD 2015 - FGV TemPos De socioLoGia
6ª ProVa
adriana
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Introdução 11
De olho no enem
após responder à questão proposta, relacione a percepção do narrador da letra da canção ao 
conceito de imaginação sociológica de c. W. mills.
1. (Enem 2012) Gabarito: (C)
Professor, na p. 23 do Manual do Professor (Construindo seus conhecimentos) 
você encontra sugestões para o desenvolvimento das atividades propostas.
Construindo seus conhecimentos?
Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei
GONZAGA, L.; CORDOVIL, H. A vida de viajante, 1953. Disponível em: 
<www.recife.pe.gov.br>. Acesso: 20 fev. 2012 (fragmento).
 a letra dessa canção reflete elementos identitários que representam a
 (A) valorização das características naturais do sertão nordestino.
 (B) denúncia da precariedade social provocada pela seca.
 (C) experiência de deslocamento vivenciada pelo migrante.
 (D) profunda desigualdade social entre as regiões brasileiras.
 (E) discriminação dos nordestinos nos grandes centros urbanos.
olhares sobre a socieDaDe
1. Leia atentamente a canção a seguir.
Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles
E os Rolling Stones...
Girava o mundo
Sempre a cantar
As coisas lindas
Da América...
[...]
Cantava viva, à liberdade
Mas uma carta sem es-
perar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América...
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs...
[...]
Era um garoto
Que como eu!
Amava os Beatles
E os Rolling Stones
Girava o mundo
Mas acabou!
Fazendo a guerra
No Vietnã...
[...]
Não tem amigos
Nem vê garotas
Só gente morta
Caindo ao chão
Ao seu país
Não voltará
Pois está morto
No Vietnã...
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não 
há
Mas duas medalhas sim....
Ratá-tá tá tá...
Tatá-rá tá tá...
[...]
Era um garoto que como eu 
amava os Beatles e os Rolling 
Stones (C era um ragazzo che 
como me amava i Beatles e i 
Rolling Stones). Mauro Lusini / 
Francesco Franco Magliacci 
– Versão: Brancato Jr. / © by 
Universal Music Publishing 
Ricordi SRL. / Universal Music 
Publishing MGB Ltda.
a) identifique o contexto social referido na letra da canção.
b) o narrador conta a história de um “garoto” de sua geração. De que modo a biografia do 
“garoto” relaciona-se com a biografia do narrador e com a biografia de outros “garotos” 
de sua época? 
c) relacione a canção com a ideia de imaginação sociológica desenvolvida por c. W. mills.
era um garoto que como eu amava 
os beatles e os rolling stones
Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles
E os Rolling Stones..
Girava o mundo
Sempre a cantar
As coisas lindas
Da América...
[...]
Cantava viva, à liberdade
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América...
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs...
[...]
Era um garoto
Que como eu!
Amava os Beatles
E os Rolling Stones
Girava o mundo
Mas acabou!
Fazendo a guerra
No Vietnã...
[...]
Não tem amigos
era um garoto que como eu amava os beatles e os rolling stones
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6ª ProVa
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12 Parte I – Saberes cruzados
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Boticelli. Alegoria da primavera, c. 1477-1478. Óleo sobre painel, 3,15 × 2,05 m. 
Esta obra é uma das pinturas mais conhecidas da arte ocidental. O tema foi inspirado na mitologia grega e em poemas que versam sobre a chegada dessa estação. A obra foi 
produzida no alvorecer dos tempos modernos por Sandro Boticelli, pintor renascentista da Escola Florentina.
Professor, na p. 23 do Manual do Professor (Orientações gerais), você encontra sugestões para o desenvolvimento das aulas.
1 A chegada dos “tempos modernos” 
É importante entender o cenário de mudanças 
que favoreceu o surgimento da Sociologia no século 
XIX. Para isso, faremos uma primeira grande viagem no 
espaço e no tempo na companhia do conhecimento 
produzido por outras disciplinas,