Histologia - Fernando Zanette
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Histologia - Fernando Zanette


DisciplinaInternato Médico II – Saúde do Adulto – Clínico5 materiais30 seguidores
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Histologia 3ª Fase \u2013 Fernando N. Zanette \u2013 Med. UFSC 13.2 
 Sistema reprodutor masculino 
O aparelho reprodutor masculino é composto por testículos, ductos genitais, glândulas acessórias e pênis. 
Os testículos desempenham a função de produzir hormônios e espermatozoides. A testosterona \u2013 assim como 
seu metabólito, a diidrotestosterona \u2013 qualifica-se como o principal hormônio andrógeno proveniente dos 
testículos, e ela atua de forma imprescindível na espermatogênese, diferenciação sexual durante a embriogênese e 
desenvolvimento fetal e para o controle da secreção das gonadotropinas. A diidrotestosterona age em diversos 
órgãos e tecidos do corpo durante a puberdade e a vida adulta. Juntamente a isso, ambos os andrógenos 
influenciam os caracteres sexuais secundários masculinos. 
Os ductos genitais e as glândulas acessórias produzem secreções que servem para nutrir e conceder 
mobilidade aos espermatozoides enquanto estes permanecem armazenados no homem. Os espermatozoides e as 
secreções dos ductos genitais e glândulas acessórias compõem o chamado sêmen. 
 Testículos 
Cada testículo se encontra envolvido pela túnica albugínea, uma cápsula 
grossa de tecido conjuntivo denso. Ela se espessa na superfície dorsal do testículo 
para formar o mediastino do testículo, de onde partem septos fibrosos que 
dividem os testículos em lóbulos testiculares. Cada um desses lóbulos é ocupado 
por de um a quatro túbulos seminíferos que se alojam como novelos dentro de um 
tecido conjuntivo frouxo rico em vasos sanguíneos e linfáticos, nervos e células 
intersticiais (de Leydig). Os túbulos seminíferos produzem os espermatozoides, 
ao passo que as células intersticiais secretam o andrógeno testicular. 
Durante o desenvolvimento testicular no feto, os testículos migram da parte 
dorsal da cavidade abdominal e se alojam dentro do escroto, ficando suspensos na 
extremidade do cordão espermático. Devido a essa migração, cada testículo 
arrasta consigo a túnica vaginal, um saco de membrana serosa derivada do 
peritônio. Essa túnica consiste em uma camada parietal exterior e uma camada 
visceral interna, que recobrem a túnica albugínea nas porções laterais e anterior 
do testículo. O escroto desempenha o importante papel de regulador de 
temperatura testicular. 
 Túbulos seminíferos 
Esses túbulos enovelados - em número de 250~1.000 por testículo - iniciam em fundo cego e terminam em 
curtos tubos conhecidos como túbulos retos. Estes conectam os túbulos seminíferos a uma anastomose de canais 
finos - revestidos por um epitélio simples pavimentoso ou cúbico -, o que acaba por formar a rede testicular no 
mediastino do testículo. 
Os túbulos seminíferos são formados por uma parede compos-
ta por um epitélio germinativo ou epitélio seminífero, que é 
envolvida por uma lâmina basal e por uma bainha de tecido 
conjuntivo. Este é formado por algumas camadas de fibroblastos e 
sua camada mais interna \u2013 aderida à lâmina basal \u2013 consiste em 
células mióides achatadas e contráteis com características de células 
musculares lisas. As células intersticiais ocupam a maior parte do 
espaço entre os túbulos seminíferos. 
Corte histológico de testículo 
Corte histológico de testículo com túbulos seminíferos 
destacados 
O epitélio seminífero consiste em dois tipos celulares: as células de Sertoli e as células da linhagem 
espermatogênica. Dispostas em 4 a 8 camadas, estas células apresentam como função a produção de 
espermatozoides \u2013 processo conhecido como espermatogênese e, na diferenciação final, espermiogênese. 
 Espermatogênese 
O processo se inicia com uma célula germinativa primitiva, a 
espermatogônia, pequena e localizada próxima à lâmina basal do 
epitélio. Durante a puberdade, as espermatogônias iniciam a divisão 
mitótica e produzem sucessivas gerações celulares. 
 O hormônio folículo estimulante (FSH) estimula 
as células de Sertoli no processo da espermatogênese. 
As células-filhas podem seguir dois caminhos: 
 Continuar a mitose, permanecendo como células-tronco 
de outras espermatogônias. As que seguem esse caminho recebem a 
denominação de espermatogônias de tipo A; 
 Diferenciar-se durante sucessivos ciclos de divisão para se 
transformarem em espermatogônias de tipo B. 
Em histologia comum, não é possível distinguir os dois tipos 
de espermatogônia. 
As espermatogônias de tipo B se qualificam como células 
progenitoras que se diferenciarão em espermatócitos primários, os 
quais apresentam 26 cromossomos e material genético 2n. Logo após 
sua formação, esses espermatócitos primários entram na prófase da 
meiose I. Como essa prófase dura cerca de 22 dias, a maioria dos 
espermatócitos presentes nos cortes se encontrará nessa fase . Os 
espermatócitos primários apresentam o maior tamanho da linhagem 
espermatogênica e podemos distingui-los pela presença de 
cromossomos nos seus núcleos e pela sua localização próxima à 
lâmina basal. 
Dessa primeira divisão meiótica surgem duas células menores denominadas espermatócitos secundários, 
com somente um cromossomo sexual (22 + X ou 22 + Y), e metade da quantidade de DNA. Espermatócitos 
secundários mostram-se difíceis de observar em cortes de testículo já que permanecem um período efêmero em 
intérfase e logo entram na segunda divisão meiótica, que também é 
rápida. A divisão de cada espermatócito secundário resulta em duas 
espermátides. 
 Espermiogênese 
Fase final da produção de espermatozoides, processo pelo 
qual as espermátides se transformam em espermatozoides. 
Nenhuma divisão celular se processa durante essa transformação. 
As espermátides podem ser distinguidas pelo seu pequeno 
tamanho, por núcleos com porções variadas de cromatina 
condensada e por sua posição próxima ao lúmen. O espermatozoide 
maduro é liberado no lúmen do túbulo seminífero ao final do 
processo. 
Pode-se dividir espermiogênese em três etapas: 
 Etapa do complexo de Golgi 
Corte histológico aproximado de testículo, com os prin-
cipais elementos visíveis. No tecido intersticial se local i-
zam as células de Leydig, produtoras de testosterona, e 
externamente aos ductos seminíferos pode se ver a túnica 
albugínea e a túnica vaginal 
Corte de testículo evidenciando as células de Sertoli - 
de núcleo menos corado e com o citoplasma se prolon-
gando até o lúmen tubular - e as células da linhagem 
espermatogênica 
O citoplasma das espermátides contém um complexo de Golgi bastante desenvolvido. Pequenos grânulos 
PAS-positivos chamados grânulos pró-acrossômicos acumulam-se no complexo de Golgi. Eles depois se fundem 
para formar um único grânulo acrossômico no interior de uma vesícula limitada por membrana, chamada 
vesícula acrossômica. Os centríolos migram para perto da superfície da célula, em posição oposta ao acrossomo 
que está se formando, e depois migram para perto do núcleo, ao mesmo tempo em que começa a se formar o 
axonema do flagelo. 
 Etapa do acrossomo 
A vesícula e o grânulo acrossômico se estendem sobre a 
metade anterior do núcleo como um capuz e passam a ser chamados 
de capuz acrossômico e, finalmente, de acrossomo. Este contém 
várias enzimas hidrolíticas \u2013 como hialuronidase, neurominidase e 
fosfatase ácida. As enzimas são capazes de dissociar as células da 
corona radiata e de digerir a zona pelúcida, estruturas que 
envolvem os ovócitos. Quando os espermatozoides encontram um 
ovócito, vários pontos da membrana externa do acrossomo se 
fundem com a membrana citoplasmática do espermatozoide, 
liberando as enzimas acrossômicas no espaço extracelular. Esse 
processo, denominado reação acrossômica, é um dos primeiros 
passos da fertilização. 
Durante essa etapa da espermiogênese o núcleo das espermá-
tides fica voltado para a base do túbulo seminífero e o axonema se 
projeta em seu lúmen. Além disso, o núcleo se torna mais alongado