Prévia do material em texto
Comportamento Suicida Leonardo Santos – R2 Estima-se que 800 mil pessoas morram desta forma anualmente, uma a cada 40 segundos, o que equivale a 1,4% dos óbitos totais. Cerca de 78% ocorrem em países de renda média e baixa. Segundo a OMS, apenas 28 países possuem estratégia nacional de combate à morte voluntária. A média global é de 10,7 por 100 mil habitantes, sendo 15/100 mil entre homens e 8 entre as mulheres 1 COMPORTAMENTO SUICIDA CAP 16 PAG:481 OBJETIVO: discutir sobre fenomenologia do suicida e manejo Funções: identificar o risco; proteger o paciente; incluir no manejo e, se possível, remover ou diminuir o impacto dos fatores de risco As várias definições de suicídio costumam conter a ideia central, mais evidente, ligada ao ato de terminar com a própria vida, além de ideias periféricas, menos evidentes, relacionadas à motivação, à intencionalidade e à Letalidade. Podemos nos referir ao comportamento suicida como todo ato pelo qual um indivíduo causa lesão a si mesmo, qualquer que seja o grau de intenção letal e de conhecimento do verdadeiro motivo para isso evento aceitável ou constituinte da tradição em certas culturas a pecado, na Idade Média, dilema humano, no século XVII e, no século XIX, sinal de doença mental 2 INTRODUÇÃO E MAGNITUDE As várias definições de suicídio costumam conter a ideia central, mais evidente, ligada ao ato de terminar com a própria vida, além de ideias periféricas, menos evidentes, relacionadas à motivação, à intencionalidade e à Letalidade. Podemos nos referir ao comportamento suicida como todo ato pelo qual um indivíduo causa lesão a si mesmo, qualquer que seja o grau de intenção letal e de conhecimento do verdadeiro motivo para isso evento aceitável ou constituinte da tradição em certas culturas a pecado, na Idade Média, dilema humano, no século XVII e, no século XIX, sinal de doença mental 3 Comportamento Suicida Definição: à motivação, à intencionalidade e à Letalidade Visão do suicídio ao longo da História Idade Média: Evento aceitável -> Pecado Século XVII: Dilema Humano Século XIX: Sinal de Doença Mental As várias definições de suicídio costumam conter a ideia central, mais evidente, ligada ao ato de terminar com a própria vida, além de ideias periféricas, menos evidentes, relacionadas à motivação, à intencionalidade e à Letalidade. Podemos nos referir ao comportamento suicida como todo ato pelo qual um indivíduo causa lesão a si mesmo, qualquer que seja o grau de intenção letal e de conhecimento do verdadeiro motivo para isso evento aceitável ou constituinte da tradição em certas culturas a pecado, na Idade Média, dilema humano, no século XVII e, no século XIX, sinal de doença mental 4 Comportamento Suicida Atitudes e crenças errôneas em relação ao suicídio Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir o paciente a isso. Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular. Quem quer se matar se mata mesmo. No lugar dele, eu também me mataria. Veja se, da próxima vez, você se mata mesmo! Quem se mata é bem diferente de quem apenas tenta. Diferentes atitudes em relação ao suicídio não se encerram em períodos da história; elas persistem, com maior ou menor força, no âmago de cada um de nós e têm o poder de conduzir nossas ações. Nossas atitudes influenciam o que fazemos ou deixamos de fazer pelos pacientes que atendemos Se eu perguntar sobre suicídio, poderei induzir o paciente a isso. Diferentemente de uma crença comum, questionar sobre suicídio não inocula essa ideia na mente de uma pessoa. A pergunta, se feita de modo sensato e franco, fortalece o vínculo com o paciente, que passa a se sentir aliviado e acolhido por um profissional cuidadoso e interessado na extensão de seu sofrimento. Ele está ameaçando o suicídio apenas para manipular. Ainda que, em alguns casos, possa haver um componente manipulativo, a avaliação clínica deve ser cuidadosa; não se deve desconsiderar o risco. Quem quer se matar se mata mesmo. Essa crença pode conduzir à imobilidade. As pessoas que pensam em suicídio frequentemente estão ambivalentes entre viver ou morrer. Quando obtêm apoio emocional no momento certo, podem desistir do suicídio. No lugar dele, eu também me mataria. Há sempre o risco de o profissional se identificar com aspectos do desamparo e da desesperança de seus pacientes, sentindo-se impotente. Há também o perigo de se valer de um julgamento pessoal para iniciar ou não ações de prevenção. Veja se, da próxima vez, você se mata mesmo! O comportamento suicida desencadeia sentimentos de hostilidade e rejeição. Isso nos impede de tomar a tentativa de suicídio como um marco a partir do qual podem se mobilizar forças para uma mudança de vida. Quem se mata é bem diferente de quem apenas tenta. Vistas em conjunto, as pessoas que tentam o suicídio têm características diferentes daquelas que de fato o cometem. No entanto, devemos ter cuidado ao extrapolar achados de estudos populacionais a situações individuais. Há muita heterogeneidade quanto a motivação, intenção e grau de letalidade. 5 Comportamento Suicida Abordagens teóricas sobre Suícidio Émile Durkheim 1897: O suicídio: estudo sociológico Suicídio Egoístico – Anômico – Altruísta – Fatalista Propensão biológica Visão psicodinâmica Famílias desestruturadas Dificuldade de estabelecimento de vínculos afetivos Modelos de identificação Estrutura egoica frágil Relações simbióticas Visão cognitivo-comportamental diferentes graus de coesão e de integração sociais. Quatro tipos de suicídio foram caracterizados. O suicídio egoístico é observado em indivíduos que perderam o sentido de integração com a sociedade e a influência das forças sociais. Haveria isolamento, individualismo mórbido e falta de sentido na vida. O suicídio anômico é observado nas sociedades em crise, quando há ausência ou enfraquecimento das normas de integração social e diminuição da solidariedade. O estado de desregramento cria um desequilíbrio entre desejos ili-mitados e as possibilidades de satisfação. Com o passar do tempo, o conceito de anomia foi expandido para explicar o maior número de suicídios em áreas de grandes cidades onde se encontra diminuição ou ausência de padrões de conduta, isolamento social e anonimato. No suicídio altruísta, há demasiada integração social a encorajar o sacrifício da própria vida. O suicídio fatalista ocorre em situações de intensa pressão social, como se observa em prisões e em cidades sitiadas pelo inimigo.5 A propensão biológica que contribui para a ocorrência de alguns suicídios não é específica. Ela se encontra igualmente associada a outras manifestações do binômio agressividade/impulsividade e é fomentada pela presença de transtornos mentais. Há um interesse crescente em fatores genéticos que sejam independentes de patologias específicas, mas que se associem a anormalidades neurobiológicas ou a perfis clínicos estáveis ao longo do tempo (endofenótipos), como agressividade/impulsividade, deficiências no sistema serotonérgico, nível de cortisol em resposta ao estresse e desempenho em testes de tomada de decisões. Outra linha de pesquisa incorpora fatores ambientais no modelo de suscetibilidade: a partir de situações traumáticas ocorridas precocemente na infância, desregula-se a expressão de certo número de genes envolvidos em funções normais do cérebro (alterações epigenéticas). Essa desregulação vem sendo frequentemente encontrada em casos de suicídio. Espera-se que, uma vez identificados, marcadores biológicos possam auxiliar na avaliação clínica, bem como abrir portas para o tratamento de estados psíquicos, biologicamente condicionados, que aumentam o risco de suicídio.6,7 A visão psicodinâmica refere-se a fantasias inconscientes de imortalidade, de vingança, de restabelecimento de vínculos perdidos ou ameaçados e de controle onipotente. O ato suicida pode resultar do abalo à invulnerabilidade narcísica,com intolerância à dor da perda e à impotência.8 Algumas relações interpessoais têm natureza simbiótica. Há uma tentativa de reduzir o outro a si mesmo em uma relação idealizada. Após a fase de apaixonamento narcísico (simbiótica), não há individuação e amadurecimento da relação. Quando surgem dificuldades e rompimentos, o vínculo, antes ideal, transforma-se em vínculo aterrorizante ou vazio desesperador.9 Em nosso meio, Cassorla10 investigou a trajetória de vida de adolescentes do sexo feminino que tentam o suicídio. Em geral, elas vêm de famílias desestruturadas, e há dificuldade de estabelecimento de vínculos afetivos e de modelos de identificação. De estrutura egoica frágil, essas jovens buscam relações simbióticas com seus parceiros. Qualquer ameaça de ruptura de relacionamento desencadeia imensa angústia, com sentimentos de desintegração e aniquilamento. Daí as repetidas tentativas de suicídio como recurso desesperado para manter vínculos afetivos. O ato suicida pode ser entendido como um ato-dor, em que a força de conteúdos psíquicos irrepresentáveis leva ao predomínio do traumático. O ocorrido escapa do universo representacional do sujeito, o que impede o processamento da dor em termos de sofrimento, com identificação de sentimentos e intermediação de palavras. A cisão suscitada pelo trauma psíquico incapacita o sujeito de ser dono de seu destino. Ocorre, então, a passagem ao ato: não suportando manter-se em cena, o sujeito se evade, em um ato-dor.11 Na visão cognitivo-comportamental, a tentativa de suicídio é uma forma extrema de esquiva. Contingências coercitivas, como o reforço negativo e a punição, incrementam e mantêm tal comportamento. Após uma tentativa de suicídio, ocorrem mudanças ambientais (reforçadores familiares e sociais) que podem aumentar ou diminuir a probabilidade de novos atos suicidas.12 Pessoas que tentam o suicídio são mais sensíveis a estímulos que sinalizam fracassos e rejeições, constroem distorções cognitivas no sentido de se sentirem frequentemente enganadas, sem escapatória, e não conseguem antecipar cenários positivos. Há mais dificuldade na resolução de problemas pessoais e interpessoais. A rigidez cognitiva e o pensamento dicotômico acabam por levar à busca de soluções do tipo tudo ou nada.13 6 Comportamento Suicida Magnitude -Coef.Global: 11,4 (15 para homens e 8 para mulheres). Figura 1 - Países com os maiores coeficientes padronizados de mortalidade por suicídio 7 Comportamento Suicida Magnitude Em 2012 houve 11.821 suicídios registrados – 32m/dia. Obs: subestimada. Figura 2 - Estimativas de coeficientes padronizados de mortalidade por suicídio, número absoluto de suicídios e variação percentual entre 2000 e 2012 em alguns países 8 Comportamento Suicida Magnitude Jovens indígenas do Centro-Oeste: 18 X taxa normal RGS: 15 por 100 mil Coeficiente de suicídio entre os sexos 4H:1M Tipos de Mortes enforcamento (58%), arma de fogo (17%) e ingestão de pesticidas (5%). Entre as mulheres, o enforcamento (49%), seguido de fumaça/fogo (9%), precipitação de altura (6%), arma de fogo (6%) e ingestão de pesticidas(5%) 9 Comportamento Suicida Magnitude Estima-se n de tentativas de suicídio supere em dez vezes de suicídios. 2 e 19% em maioria mulheres Em hospitais gerais, a incidência de suicídios é de 3 a 5 vezes maior Os 3 grupos mais frequentes: Recuperam de uma tentativa de suicídio Instáveis e impulsivos Sob pressão de uma doença crônica reagudizada ouo Dx Recente os que se recuperam de uma tentativa de suicídio e que mantêm a intenção de pôr fim à vida; os pacientes potencialmente instáveis e impulsivos (como os que sofrem de delirium ou de abstinência de drogas); e os que estão sob pressão de uma doença crônica reagudizada ou sob o impacto de um diagnóstico descoberto recentemente 10 Comportamento Suicida Figura 3 - Prevalência de comportamento suicida na região urbana de Campinas (SP). 11 AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA 12 AVALIAÇÃO DO RISCO Não há fórmulas e nem escalas precisas Sistematização da coleta de Informações COMPORTAMENTO SUICIDA Figura 4 – Sistematização de coleta de informações 13 AVALIAÇÃO DO RISCO O que está acontecendo? COMPORTAMENTO SUICIDA Ficar atento: – sentimentos indiscriminados e conflituosos, falsas crenças ou pensamentos automáticos que impedem uma visão mais ampla entrevista inicial tem dois objetivos: um semiológico, com coleta de várias informações, e outro relacional, com provimento de apoio emocional e vinculação. O mais importante é procurar compreender o ponto de vista do paciente. Não há lugar para comentários rapidamente apaziguadores que pareçam desconsiderar o sofrimento da pessoa. A entrevista inicial tem dois objetivos: um semiológico, com coleta de várias informações, e outro relacional, com provimento de apoio emocional e vinculação. O mais importante é procurar compreender o ponto de vista do paciente. Não há lugar para comentários rapidamente apaziguadores que pareçam desconsiderar o sofrimento da pessoa. O primeiro contato pode ocorrer em condições pouco favoráveis, se o paciente estiver reticente, sonolento ou recebendo cuidados médicos intensivos. A autoagressão pode ser negada, embora familiares e equipe médica façam referência a uma tentativa de suicídio. É preciso cautela, pois o relato de fontes secundárias de informação costuma mesclar fatos com interpretações. O paciente poderá referir uma frustração, um conflito ou uma necessidade. É preciso ouvir atentamente o que a pessoa precisa (consegue) nos dizer e aceitar sua urgência. Além disso, é importante atentar para o con teúdo latente do que se ouve – sentimentos indiscriminados e conflituosos, falsas crenças ou pensamentos automáticos que impedem uma visão mais ampla. Tudo isso poderá ser abordado mais tarde, com calma, quando houver maior capacidade para a reflexão. 14 AVALIAÇÃO DO RISCO 2. Estado Mental Atual Psychache e constrição cognitiva. dor intolerável Ansiedade, inquietude e insônia Impulsividade e agressividade. Desesperança. Ambivalência COMPORTAMENTO SUICIDA Aspectos Psicodinamicos Psychache e constrição cognitiva. O neologismo psychache denomina uma dor intolerável, vivenciada como uma turbulência emocional interminável. É uma sensação angustiante de estar preso em si mesmo, sem encontrar saída. Diante da aparente falta de opções (constrição cognitiva), o suicídio é encarado como única saída, uma forma de cessar a consciência e interromper a dor psíquica.38 Ansiedade, inquietude e insônia podem aumentar o desespero e a ideação suicida. Além da ansiedade, a insônia é outro fator de risco igualmente modificável pelo tratamento. Impulsividade e agressividade. Atos impensados e explosões de raiva podem aparecer espontaneamente no relato do paciente ou de informantes. O paciente poderá negá-los se a pergunta mencionar termos como “impulsividade” e “agressividade”. É melhor evitá-los inicialmente: Quando estamos sob muita pressão, podemos fazer coisas sem pensar, algo que, se tivéssemos um pouco mais de tranquilidade naquele momento, faríamos de um jeito diferente. Isso já aconteceu com você? Poderia me dar alguns exemplos? Desesperança. Alguns estudos mostraram que sentimentos de desesperança, bem como a falta ou o enfraquecimento de razões para viver, associam-se mais fortemente ao suicídio do que o próprio humor deprimido:39 Como está sua expectativa em relação ao futuro? Você tem esperança de que sua situação vá melhorar? Ao avaliar a desesperança, procure, também, que razões o paciente encontra para viver. Por isso, é importante perguntar: Faz algum plano para o futuro? Na sua visão, quais as boas razões que tem para viver? Ambivalência é o conflito entre duas forças opostas: o desejo demorrer e o desejo de viver. Não devemos nos valer da ambivalência para denunciar, ao paciente, a incoerência de suas manifestações. Ambivalência é diferente de incerteza; o desejo de morrer coexiste com o desejo de ser resgatado e salvo. Ela nos dá a chance de intervir, aliando-nos ao lado do paciente que quer viver. 15 AVALIAÇÃO DO RISCO 2. Estado Mental Atual Vergonha e vingança Fatores Agravantes Se a pessoa estiver morando sozinha Com pouco ou nenhum apoio de amigos e de familiares Se estiver insistindo desesperadamente em uma reconciliação improvável Se sua forma de pensar e de agir for do tipo tudo ou nada Se houver história de impulsividade Se passou a ingerir bebida alcoólica em excesso COMPORTAMENTO SUICIDA Psychache e constrição cognitiva. O neologismo psychache denomina uma dor intolerável, vivenciada como uma turbulência emocional interminável. É uma sensação angustiante de estar preso em si mesmo, sem encontrar saída. Diante da aparente falta de opções (constrição cognitiva), o suicídio é encarado como única saída, uma forma de cessar a consciência e interromper a dor psíquica. Psychache e constrição cognitiva. O neologismo psychache denomina uma dor intolerável, vivenciada como uma turbulência emocional interminável. É uma sensação angustiante de estar preso em si mesmo, sem encontrar saída. Diante da aparente falta de opções (constrição cognitiva), o suicídio é encarado como única saída, uma forma de cessar a consciência e interromper a dor psíquica.38 Ansiedade, inquietude e insônia podem aumentar o desespero e a ideação suicida. Além da ansiedade, a insônia é outro fator de risco igualmente modificável pelo tratamento. Impulsividade e agressividade. Atos impensados e explosões de raiva podem aparecer espontaneamente no relato do paciente ou de informantes. O paciente poderá negá-los se a pergunta mencionar termos como “impulsividade” e “agressividade”. É melhor evitá-los inicialmente: Quando estamos sob muita pressão, podemos fazer coisas sem pensar, algo que, se tivéssemos um pouco mais de tranquilidade naquele momento, faríamos de um jeito diferente. Isso já aconteceu com você? Poderia me dar alguns exemplos? Desesperança. Alguns estudos mostraram que sentimentos de desesperança, bem como a falta ou o enfraquecimento de razões para viver, associam-se mais fortemente ao suicídio do que o próprio humor deprimido:39 Como está sua expectativa em relação ao futuro? Você tem esperança de que sua situação vá melhorar? Ao avaliar a desesperança, procure, também, que razões o paciente encontra para viver. Por isso, é importante perguntar: Faz algum plano para o futuro? Na sua visão, quais as boas razões que tem para viver? Ambivalência é o conflito entre duas forças opostas: o desejo de morrer e o desejo de viver. Não devemos nos valer da ambivalência para denunciar, ao paciente, a incoerência de suas manifestações. Ambivalência é diferente de incerteza; o desejo de morrer coexiste com o desejo de ser resgatado e salvo. Ela nos dá a chance de intervir, aliando-nos ao lado do paciente que quer viver. Vergonha e vingança. É aconselhável não menosprezar o sentido de expiação de culpa ou de ataque vingador que um suicídio pode representar: a vergonha por um segredo descoberto, falhas e frustação de expectativas, a humilhação sentida diante do abandono. Nesses casos, mesmo na ausência dos principais fatores de risco (transtorno mental, tentativa de suicídio prévia), um contexto insuportável leva à necessidade de fazer alguma coisa definitiva. Considere os seguintes fatores agravantes: •••••• se a pessoa estiver morando sozinha com pouco ou nenhum apoio de amigos e de familiares se estiver insistindo desesperadamente em uma reconciliação improvável se sua forma de pensar e de agir for do tipo tudo ou nada se houver história de impulsividade se passou a ingerir bebida alcoólica em excesso A entrevista inicial tem dois objetivos: um semiológico, com coleta de várias informações, e outro relacional, com provimento de apoio emocional e vinculação. O mais importante é procurar compreender o ponto de vista do paciente. Não há lugar para comentários rapidamente apaziguadores que pareçam desconsiderar o sofrimento da pessoa. O primeiro contato pode ocorrer em condições pouco favoráveis, se o paciente estiver reticente, sonolento ou recebendo cuidados médicos intensivos. A autoagressão pode ser negada, embora familiares e equipe médica façam referência a uma tentativa de suicídio. É preciso cautela, pois o relato de fontes secundárias de informação costuma mesclar fatos com interpretações. O paciente poderá referir uma frustração, um conflito ou uma necessidade. É preciso ouvir atentamente o que a pessoa precisa (consegue) nos dizer e aceitar sua urgência. Além disso, é importante atentar para o con teúdo latente do que se ouve – sentimentos indiscriminados e conflituosos, falsas crenças ou pensamentos automáticos que impedem uma visão mais ampla. Tudo isso poderá ser abordado mais tarde, com calma, quando houver maior capacidade para a reflexão. 16 AVALIAÇÃO DO RISCO 3. Intencionalidade Suicida Desejo e à determinação de pôr fim à vida COMPORTAMENTO SUICIDA Figura 5– Características que acompanham o aumento da intencionalidade suicida A intencionalidade suicida diz respeito ao desejo e à determinação de pôr fim à vida. De modo geral, consideramos que ela cresce a partir de ideias vagas sobre morrer, geralmente de forma passiva, chegando a planos detalhados de como se matar, incluindo providências tomadas antes da morte e cuidados para evitar eventual salvamento logo após a tentativa de suicídio (Fig. 16.3). De início, pode ser feita uma pergunta geral sobre o valor dado à vida ou sobre ideias passivas de morte. A seguir, o questionamento sobre suicídio deve ser feito utilizando-se uma linguagem clara e direta. Alguns exemplos são: Diante das dificuldades que você veio enfrentando, algumas pessoas poderiam pensar que a vida ficou difícil demais. Você chegou a pensar que não vale mais a pena viver? Você pensa muito sobre morte, sobre pes soas que já morreram ou sobre sua própria morte? Quando você diz que preferiria estar morto, isso é um desejo de morrer devido a uma doença, por exemplo, ou chega a pensar em suicídio? Você pensou em suicídio durante essa última semana? Com frequência, quando o paciente responde afirmativamente à primeira questão sobre ideação suicida, o profissional da saúde busca apaziguá-lo e tenta dissuadi-lo, chegando a mudar de assunto. Nada mais equivocado, pois deve ser seguido um encadeamento de perguntas que partem do mais amplo e que vão se afunilando em detalhes sobre eventual plano suicida (Fig. 16.4). 17 Figura 6– Sequência de perguntas que investigam o grau de intencionalidade suicida AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A sequência de perguntas indica que estamos interessados em obter informações que se concentrem em três áreas de interesse: presença e natureza das ideias de morte (passivas ou ativas); persistência e intensidade da ideação suicida (e qual o controle que o paciente tem sobre ela); e plano suicida. De início, a ideação suicida costuma trazer desconforto. A ideia de pôr fim à vida, quando vem em mente, parece perigosa e alheia ao indivíduo, provocando ansiedade. Caso persista na consciência, o indivíduo lutará contra ela. Dizemos, por isso, que a ideação é egodistônica. Quando o suicídio passa a ser visto como uma possibilidade de alívio (ideação egossintônica), abremse as portas para o planejamento de como se matar, o que implica um alto grau de risco. 18 AVALIAÇÃO DO RISCO 3. Intencionalidade Suicida Desejo e à determinação de pôr fim à vida COMPORTAMENTO SUICIDA Figura 5– Características que acompanham o aumento da intencionalidade suicida A intencionalidade suicida diz respeito ao desejo e à determinação de pôr fim à vida.De modo geral, consideramos que ela cresce a partir de ideias vagas sobre morrer, geralmente de forma passiva, chegando a planos detalhados de como se matar, incluindo providências tomadas antes da morte e cuidados para evitar eventual salvamento logo após a tentativa de suicídio (Fig. 16.3). De início, pode ser feita uma pergunta geral sobre o valor dado à vida ou sobre ideias passivas de morte. A seguir, o questionamento sobre suicídio deve ser feito utilizando-se uma linguagem clara e direta. Alguns exemplos são: Diante das dificuldades que você veio enfrentando, algumas pessoas poderiam pensar que a vida ficou difícil demais. Você chegou a pensar que não vale mais a pena viver? Você pensa muito sobre morte, sobre pes soas que já morreram ou sobre sua própria morte? Quando você diz que preferiria estar morto, isso é um desejo de morrer devido a uma doença, por exemplo, ou chega a pensar em suicídio? Você pensou em suicídio durante essa última semana? Com frequência, quando o paciente responde afirmativamente à primeira questão sobre ideação suicida, o profissional da saúde busca apaziguá-lo e tenta dissuadi-lo, chegando a mudar de assunto. Nada mais equivocado, pois deve ser seguido um encadeamento de perguntas que partem do mais amplo e que vão se afunilando em detalhes sobre eventual plano suicida (Fig. 16.4). 19 3. Intencionalidade Suicida Avaliar A intensidade, a persistência e a aceitação dos pensamentos suicidas Sobre Planos Suicidas Como, onde e quando Questionar a existência e a facilidade de acesso a meios letais(pesquisa de meios letais) Condições agravam risco de suicidio: Informado sobre o poder letal de um método O plano de adotar o mesmo recurso empregado por uma pessoa próxima que se matou AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A sequência de perguntas indica que estamos interessados em obter informações que se concentrem em três áreas de interesse: presença e natureza das ideias de morte (passivas ou ativas); persistência e intensidade da ideação suicida (e qual o controle que o paciente tem sobre ela); e plano suicida. De início, a ideação suicida costuma trazer desconforto. A ideia de pôr fim à vida, quando vem em mente, parece perigosa e alheia ao indivíduo, provocando ansiedade. Caso persista na consciência, o indivíduo lutará contra ela. Dizemos, por isso, que a ideação é egodistônica. Quando o suicídio passa a ser visto como uma possibilidade de alívio (ideação egossintônica), abremse as portas para o planejamento de como se matar, o que implica um alto grau de risco. 20 3. Intencionalidade Suicida Itens da escala de intencionalidade Suicida de Beck Circunstâncias que sugerem alta intencionalidade suicida Comunicação prévia de que iria se matar Mensagem ou carta de adeus Providências finais antes do ato Planejamento detalhado Precauções para que o ato não seja descoberto AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A sequência de perguntas indica que estamos interessados em obter informações que se concentrem em três áreas de interesse: presença e natureza das ideias de morte (passivas ou ativas); persistência e intensidade da ideação suicida (e qual o controle que o paciente tem sobre ela); e plano suicida. De início, a ideação suicida costuma trazer desconforto. A ideia de pôr fim à vida, quando vem em mente, parece perigosa e alheia ao indivíduo, provocando ansiedade. Caso persista na consciência, o indivíduo lutará contra ela. Dizemos, por isso, que a ideação é egodistônica. Quando o suicídio passa a ser visto como uma possibilidade de alívio (ideação egossintônica), abremse as portas para o planejamento de como se matar, o que implica um alto grau de risco. O risco em quadros instáveis. Delirium, abuso ou abstinência de substâncias, transtornos da personalidade, estados mistos do transtorno bipolar e depressão ansiosa podem lançar ao suicídio um paciente que, em vários momentos, incluindo o da consulta, parecia tranquilo. Isso implica cautela na formulação do risco de suicídio e no manejo de certas condições clínicas, mesmo quando o paciente nega ideação suicida. Ocultação das ideias suicidas. Alguns pacientes respondem de forma evasiva; outros, ocultam deliberadamente a intenção suicida. Em certas situações, um clínico experiente poderá ter boas razões para não se basear nas respostas obtidas: evidência de quadro psicótico paciente evita contato visual durante a entrevista incapacidade de estabelecer um contato empático paciente aparenta raiva ou distanciamento emocional relutância em responder questões sobre ideação suicida respostas do tipo “eu não sei”, “sei lá”, etc. Calma repentina em meio à crise. Deve-se desconfiar das falsas melhoras, especialmente quando situações de crise ainda continuam sem solução ou foram temporariamente apaziguadas pela internação hospitalar. É preciso observar melhor e ficar intrigado com a súbita melhora de uma pessoa que, até há pouco, nos deixava tão preocupados. Início de recuperação da depressão. O início da recuperação de quadros depressivos é um período crítico. O paciente que volta a ter iniciativa e aumento de energia pode tentar o suicídio. Deve-se lembrar, ainda, que, no início do tratamento com antidepressivos, principalmente em adolescentes, podem surgir pensamentos suicidas. 21 3. Intencionalidade Suicida Itens da escala de intencionalidade Suicida de Beck Circunstâncias que sugerem alta intencionalidade suicida Ausência de pessoas por perto que possam socorrer Não procurar ajuda logo após a tentativa de suicídio Método violento ou uso de drogas mais perigosas Crença de que o ato seja irreversível e letal Afirmação clara de que queria morrer Desapontamento por ter sobrevivido AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A sequência de perguntas indica que estamos interessados em obter informações que se concentrem em três áreas de interesse: presença e natureza das ideias de morte (passivas ou ativas); persistência e intensidade da ideação suicida (e qual o controle que o paciente tem sobre ela); e plano suicida. De início, a ideação suicida costuma trazer desconforto. A ideia de pôr fim à vida, quando vem em mente, parece perigosa e alheia ao indivíduo, provocando ansiedade. Caso persista na consciência, o indivíduo lutará contra ela. Dizemos, por isso, que a ideação é egodistônica. Quando o suicídio passa a ser visto como uma possibilidade de alívio (ideação egossintônica), abremse as portas para o planejamento de como se matar, o que implica um alto grau de risco. O risco em quadros instáveis. Delirium, abuso ou abstinência de substâncias, transtornos da personalidade, estados mistos do transtorno bipolar e depressão ansiosa podem lançar ao suicídio um paciente que, em vários momentos, incluindo o da consulta, parecia tranquilo. Isso implica cautela na formulação do risco de suicídio e no manejo de certas condições clínicas, mesmo quando o paciente nega ideação suicida. Ocultação das ideias suicidas. Alguns pacientes respondem de forma evasiva; outros, ocultam deliberadamente a intenção suicida. Em certas situações, um clínico experiente poderá ter boas razões para não se basear nas respostas obtidas: evidência de quadro psicótico paciente evita contato visual durante a entrevista incapacidade de estabelecer um contato empático paciente aparenta raiva ou distanciamento emocional relutância em responder questões sobre ideação suicida respostas do tipo “eu não sei”, “sei lá”, etc. Calma repentina em meio à crise. Deve-se desconfiar das falsas melhoras, especialmente quando situações de crise ainda continuam sem solução ou foram temporariamente apaziguadas pela internação hospitalar. É preciso observar melhor e ficar intrigado com a súbita melhora de uma pessoa que, até há pouco, nos deixava tão preocupados. Início de recuperação da depressão. O início da recuperação de quadros depressivos é um período crítico. O paciente quevolta a ter iniciativa e aumento de energia pode tentar o suicídio. Deve-se lembrar, ainda, que, no início do tratamento com antidepressivos, principalmente em adolescentes, podem surgir pensamentos suicidas. 22 4. Fatores de Risco – dados populacionais Tentativa de suicídio é o principal fator de risco para futuro suícidio O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório Ato de autoagressão implica maior risco de suicídio Em hospitais gerais, além da depressão e da agitação psicomotora, o abuso de substâncias é outro fator de risco para o suicídio A gravidez e o primeiro ano após o parto associam-se a um decréscimo de 3 a 8 vezes nas taxas de suicídio AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 23 4. Fatores de Risco – dados populacionais Sociodemográficos Sexo masculino Adultos jovens (19-49 anos) e idosos Estados civis viúvo, divorciado e solteiro Orientação homo ou bissexual Ateus, protestantes tradicionais > católicos, judeus Grupos étnicos minoritários AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 24 4. Fatores de Risco – dados populacionais Transtornos mentais Depressão, transtorno bipolar, abuso/dependência de álcool e de outras drogas, esquizofrenia, transtornos da personalidade (especialmente borderline) História familiar de doença mental Falta de tratamento adequado em saúde mental Ideação ou plano suicida Tentativa de suicídio pregressa História familiar de suicídio AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 25 4. Fatores de Risco – dados populacionais Psicossociais Abuso físico ou sexual Perda ou separação dos pais na infância Instabilidade familiar Ausência de apoio social Isolamento social Perda afetiva recente ou outro acontecimento estressante Datas importantes (reações de aniversário) Desemprego Aposentadoria AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 26 4. Fatores de Risco – dados populacionais Psicossociais Violência domésticaDesesperança, desamparo Ansiedade intensa Vergonha, humilhação (bullying) Baixa autoestima Desesperança Traços de personalidade: impulsividade, agressividade, labilidade do humor, perfeccionismo Rigidez cognitiva, pensamento dicotômico Pouca flexibilidade para enfrentar adversidades AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 27 4. Fatores de Risco – dados populacionais Outros Acesso a meios letais (arma de fogo, venenos) Doenças físicas incapacitantes, estigmatizantes, dolorosas, terminais Estados confusionais orgânicos Falta de adesão ao tratamento, agravamento ou recorrência de doenças preexistentes Relação terapêutica frágil ou instável AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA A tentativa de suicídio é o principal fator de risco para um futuro suicídio. Por isso, deve ser encarada com seriedade, como um sinal de alerta a indicar a atuação de fenômenos psicossociais complexos.26 Qualquer ato de autoagressão implica maior risco de suicídio.[NT] A história de repetidas tentativas de suicídio, com baixa intenção letal e sem complicações clínicas, não pode ser desconsiderada. As circunstâncias e as consequências das tentativas de suicídio devem ser detalhadas. Um grupo de interesse especial é constituído por pacientes que repetidamente se ferem com lâminas de barbear, cacos de vidro ou com cigarros. Em geral, os atos são explicados como uma tentativa de diminuir a angústia e a vivência de despersonalização. A visão do próprio sangue é acompanhada por sensação de alívio e prazer. Baixa autoestima, humor instável, comportamento impulsivo, instabilidade nos relacionamentos e abuso de álcool e de outras drogas são frequentemente encontrados nesse grupo.27-29 O transtorno mental é um fator de risco quase obrigatório, ainda que insuficiente, para o suicídio. Isso ocorre por diversas razões, como a condição clínica que dificulta a adaptação à sociedade, leva à estigmatização; diminui a adaptação funcional e a qualidade de vida; frequentemente provoca instabilidade de humor e sentimentos dolorosos, como ansiedade, raiva e frustração; representa um ônus emocional e financeiro para o indivíduo e a família; e predispõe a vários estresses situacionais.30 28 4. Fatores de Risco – dados populacionais AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA 29 4. Fatores de Risco – dados populacionais Fatores de proteção contra o suicídio AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA Fatores de proteção contra o suicídio Personalidade e estilo cognitivo Flexibilidade cognitiva Disposição para buscar ajuda Abertura à experiência de outrem Habilidade para se comunicar Capacidade para fazer boa avaliação da realidade Habilidade para solucionar problemas da vida Estrutura familiar Bom relacionamento interpessoal Senso de responsabilidade em relação à família Crianças pequenas na casa Pais atenciosos e consistentes Apoio em situações de necessidade Fatores socioculturais Integração e bons relacionamentos em grupos sociais Adesão a valores e a normas socialmente compartilhados Prática religiosa e outras práticas coletivas (clubes esportivos, grupos culturais) Rede social que propicia apoio prático e emocional Estar empregado Disponibilidade de serviços de saúde mental Outros Gravidez, puerpério Boa qualidade de vida Regularidade do sono Boa relação terapêutica 30 4. Fatores de Risco – dados populacionais Fatores de proteção contra o suicídio AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA Fatores de proteção contra o suicídio Personalidade e estilo cognitivo Flexibilidade cognitiva Disposição para buscar ajuda Abertura à experiência de outrem Habilidade para se comunicar Capacidade para fazer boa avaliação da realidade Habilidade para solucionar problemas da vida Estrutura familiar Bom relacionamento interpessoal Senso de responsabilidade em relação à família Crianças pequenas na casa Pais atenciosos e consistentes Apoio em situações de necessidade Fatores socioculturais Integração e bons relacionamentos em grupos sociais Adesão a valores e a normas socialmente compartilhados Prática religiosa e outras práticas coletivas (clubes esportivos, grupos culturais) Rede social que propicia apoio prático e emocional Estar empregado Disponibilidade de serviços de saúde mental Outros Gravidez, puerpério Boa qualidade de vida Regularidade do sono Boa relação terapêutica 31 4. Fatores de Risco – dados populacionais Avaliação do risco de suicídio em adolescentes São mais propensos ao imediatismo , à impulsividade e não têm plena maturidade emocional, tendo prejuízos ao lidar com situações de estresse. Fatores de risco: Perfeccionismo e autocrítica exacerbada, problemas na identidade sexual e nos relacionamentos interpessoais, discussões frequentes com os pais, autoridades ou colegas, isolamento social, bem como bullying AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA 32 4. Fatores de Risco – dados populacionais Avaliação do risco de suicídio em adolescentes Mudanças marcantes na personalidade ou nos hábitos Comportamento ansioso, agitado ou deprimido Piora do desempenho na escola, no trabalho e em outras atividades que costumava manter Afastamento da família e de amigos Perda de interesse em atividades de que gostava Descuido com a aparência Perda ou ganho inusitado de peso AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA Sinais que denotam a presença de transtorno mental na adolescencia 33 4. Fatores de Risco – dados populacionais Avaliação do risco de suicídio em adolescentes Mudança no padrão comum de sono Comentários autodepreciativos persistentes Comentários negativos em relação ao futuro, desesperança Disforia marcante (combinação de tristeza, irritabilidade e acessos de raiva) Comentários sobre morte, sobre pessoas falecidas e interesse por essa temática Doação de pertences que valorizava Expressão clara ou velada de querer morrer ou de pôr fim à vida AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA 34 5. Formulação do risco de suicídio AVALIAÇÃO DO RISCO COMPORTAMENTO SUICIDA Figura 6– Esquema didático com três gradações de risco de suicídio formulação do grau de risco de suicídio só é possível após uma avaliação clínica cuidadosa e sistemática. Baseá-la apenas na intuição, após breve entrevista sem informações detalhadas, é temerário. Não custa relembrar que uma formulação de risco não é uma predição sobre quem poderá ounão se matar. Trata-se de um julgamento clínico que permite priorizar as ações dirigidas ao paciente. O esquema didático da Figura 16.5 reúne de forma ilustrativa alguns parâmetros em três configurações de risco de suicídio. Não haverá qualquer evidência de que o profissional concluiu a avaliação de risco de suicídio se ele não a registrar no prontuário do paciente. Tal registro deve ser feito em conjunto com as principais medidas terapêuticas e recomendações. Se não for possível fazer ou esclarecer algo, isso também deve constar no registro. A formulação deve ser compartilhada com outros profissionais envolvidos no tratamento. 35 MANEJO 36 MANEJO Modalidade de risco crônico de suicídio Padrão de chamar atenção Manipulação Controlar o Ambiente O que fazer? Decisão compartilhada “Sozinho, eu não sou capaz de mantê-lo vivo. Eu posso ajudá-lo, no entanto, a se cuidar melhor, a suportar mais os seus sentimentos e, de alguma forma, se proteger de seus impulsos suicidas. Essa é uma tarefa para todos nós, não apenas para uma pessoa.” Em certas situações, o gesto ou a ameaça de suicídio parece servir ao objetivo de chamar a atenção e de controlar o ambiente. Isso gera um sentimento de rejeição nas pessoas próximas, que se afastam ou revidam de forma hostil. Fecha-se, desse modo, um círculo vicioso que aprisiona a todos e que precisa ser desfeito. O que é interpretado como manipulação pode até ser um componente do comportamento, mas não o único. Pode haver um transtorno mental subjacente que não foi diagnosticado ou tratado de forma adequada, bem como a influência de condições psicossociais passíveis de intervenção. A mensagem a ser transmitida a paciente e familiares, em reunião, deve ser: Sozinho, eu não sou capaz de mantê-lo vivo. Eu posso ajudá-lo, no entanto, a se cuidar melhor, a suportar mais os seus sentimentos e, de alguma forma, se proteger de seus impulsos suicidas. Essa é uma tarefa para todos nós, não apenas para uma pessoa. A responsabilidade por um plano de tratamento e pelas ações que visam a sua execução deve ser compartilhada. A mensagem é a de que todos devem assumir algum risco, caso se espere que o paciente desenvolva a capacidade de suportar o agravamento, provavelmente circunstancial e passageiro, de uma tendência suicida recorrente. A abordagem tem sido usada no tratamento de pacientes que sofrem de transtorno da personalidade borderline40 e é válida apenas quando se conhece bem o paciente e não houver risco iminente de suicídio. É importante relembrar que pessoas que repetidamente se autoagridem correm maior risco de tentar suicídio. 37 MANEJO Objetivos essenciais : em curto prazo, manter o paciente seguro em médio prazo, manter o paciente estável Circunstâncias que indicam a necessidade de uma internação Psiquiátrica Estado mental crítico cuja gravidade impeça boa condução ambulatorial Exigência de se obter histórico mais acurado ou completo Necessidade de um período mais longo de observação do paciente Reavaliação do tratamento psiquiátrico que vinha sendo realizado Ausência de uma rede de apoio social Família claramente disfuncional ou sem condições de dar continência emocional Familiares mostram-se cansados de cuidar do paciente Quando há risco iminente de suicídio, é preciso manter o paciente a salvo, objetivo para o qual todo o esforço deve se voltar. Ações rápidas e objetivas exigem do profissional disponibilidade e prontidão. Além do estado crítico do paciente, há também familiares atônitos, geralmente tomados por sentimentos contraditórios, que precisarão de esclarecimento e de apoio emocional. Algumas condições exigem internação psiquiátrica (Quadro 16.10). Caso sejam esgotados os recursos de negociação, uma internação involuntária pode 38 MANEJO No Pronto-Socorro: Zelar por sua segurança, evitando-se a evasão e o acesso a meios de autoagressão Mais frequentes na primeira semana de internação e no primeiro mês após am alta hospitalar Disponibilidade e a capacitação da equipe assistencial Psicofármacos: reduzir a ativação e a impulsividade do paciente e ajudá-lo a dormir à noite. Contratos de não agressão – questionável? O paciente deve ocupar um leito de fácil observação pela enfermagem, que favoreça o monitoramento e, se possível, em andar térreo ou em local com proteção nas janelas. Em casos mais graves, recomenda-se uma pessoa permanentemente ao lado do paciente. Deve-se enfatizar o risco de suicídio para a equipe assistencial. A atenção deve ser redobrada em alguns períodos, como na troca de turnos da enfermagem, nos passeios no pátio, na licença hospitalar (quando ocorre de um terço a metade dos suicídios de pacientes internados). Os suicídios são mais frequentes na primeira semana de internação e no primeiro mês após a alta hospitalar.41 Em quadros clínicos em que a estabilidade emocional, a capacidade de julgamento e o autocontrole estejam afetados, a eficácia dos chamados contratos de não agressão é questionável. Tal acordo dá, ao clínico e aos familiares, uma falsa sensação de segurança. É imprudente atribuir tanto poder à robustez da aliança terapêutica. É preferível confiar em reavaliações frequentes do risco de suicídio, acompanhadas de ações apropriadas que efetivamente proporcionem segurança. É inegável que, diante da urgência e da angústia que a intenção suicida impõe, fiquemos tentados a conduzir o paciente para algo assegurador, como uma ideologia ou cuidados extremados de salvamento. No entanto, tais posturas podem resultar no fortalecimento de um aspecto potencialmente letal: a tendência de o paciente transformar uma pessoa – você, no caso – no responsável por sua sobrevivência. Na mesma linha de pensamento, encorajar um paciente a continuar vivo em nome do tratamento, do terapeuta ou de sua família é reforçar a sensação de que só deva viver por causa dos outros. Esse sentimento mais encoraja do que previne o suicídio. 39 MANEJO Estratégia de prevenção após uma tentativa de suicídio Níveis de prevenção População-alvo Exemplos de ações Níveis de prevenção, populações-alvo e exemplos de estratégias que podem ser adotadas na prevenção do suicídio Níveis de prevenção Universal Seletiva Indicada População-alvo Público em geral Grupo com risco moderado Grupo com alto risco Exemplos de ações Restrição de acesso a meios letais Divulgação responsável pela mídia Acesso a serviços de saúde mental e de apoio social Recursos operacionais e capacitação profissional a fim de melhorar a detecção e o tratamento de transtornos mentais associados ao suicídio Acompanhamento de pessoas que tentaram o suicídio Apoio a familiares e amigos enlutados 40 MANEJO Três passos para ajudar uma pessoa em risco de suicídio Três passos para ajudar uma pessoa em risco de suicídio Risco. O primeiro passo é própria suspeita do risco de uma pessoa vir a se matar. Parece óbvio, mas, às vezes, isso não nos vem à mente. Com sensibilidade, devemos perguntar sobre ideias de morrer, de se matar. Ouvir. O segundo passo é ouvir com atenção e respeito, sem julgar, recriminar ou se apressar em preleções morais ou religiosas. Conduzir. O terceiro passo é conduzir a pessoa até um profissional de saúde mental, ou seja, não ficar paralisado. Para quem se encontra fragilizado e sem esperança, a iniciativa de buscar ajuda geralmente não se dá espontaneamente. 41 MANEJO Eficácia de diferentes estratégias de prevenção do suicídio Muito forte Forte Potencialmente benéfico Restrição de acesso a métodos de suicídio Educação dos responsáveis Tratamento adequado de doenças mentais Apoio adequado após uma tentativa de suicídio Cobertura discreta pela imprensa de casos de suicídio Treinamento de médicos generalistas Programas escolares baseados na promoção de habilidades sociais Triagem de depressão e de risco de suicídio Centros deaconselhamento em crise Apoio para familiares e amigos enlutados Controle mais efetivo da ingestão de bebidas alcoólicas Serviços comunitários de saúde mental e de apoio social Educação do público em geral Dar especial atenção a pessoas que tentaram suicídio é uma estratégia indicada para a prevenção do suicídio. Com o objetivo de testar um programa de incentivo à busca e à manutenção de tratamento, a Organização Mundial da Saúde realizou um ensaio clínico controlado, o Estudo Multicêntrico de Intervenção no Comportamento Suicida – SUPRE-MISS. No Brasil, Campinas foi escolhida como cidade para a execução do projeto.48 Foram comparados dois grupos de pessoas atendidas por tentativas de suicídio, sorteadas aleatoriamente para compor duas modalidades de tratamento: uma intervenção psicossocial, incluindo entrevista motivacional e telefonemas periódicos, segundo o fluxograma da Figura 16.6 (no momento da alta hospitalar, os pacientes eram encaminhados para um serviço da rede de saúde) tratamento comum (apenas um encaminhamento, por ocasião da alta, para um serviço da rede de saúde) 42 MANEJO Eficácia de diferentes estratégias de prevenção do suicídio 2.238 indivíduos participaram Risco Suicidio: 10 X maior Dar especial atenção a pessoas que tentaram suicídio é uma estratégia indicada para a prevenção do suicídio. Com o objetivo de testar um programa de incentivo à busca e à manutenção de tratamento, a Organização Mundial da Saúde realizou um ensaio clínico controlado, o Estudo Multicêntrico de Intervenção no Comportamento Suicida – SUPRE-MISS. No Brasil, Campinas foi escolhida como cidade para a execução do projeto.48 Foram comparados dois grupos de pessoas atendidas por tentativas de suicídio, sorteadas aleatoriamente para compor duas modalidades de tratamento: uma intervenção psicossocial, incluindo entrevista motivacional e telefonemas periódicos, segundo o fluxograma da Figura 16.6 (no momento da alta hospitalar, os pacientes eram encaminhados para um serviço da rede de saúde) tratamento comum (apenas um encaminhamento, por ocasião da alta, para um serviço da rede de saúde) 43 MANEJO Em suma... Várias das estratégias de prevenção do suicídio baseiam-se em um profissional que, em dado momento, por estar na porta de entrada do sistema de saúde, estará frente a frente com uma pessoa em crise suicida. Este é um ponto nevrálgico em qualquer planejamento na área de saúde: o profissional que, individualmente, no encontro com o paciente, deverá dar realidade prática aos fluxogramas idealizados pelos gestores das políticas de saúde pública. Em decorrência do contato mais próximo com as famílias, os profissionais das unidades básicas de saúde e os agentes comunitários de saúde são o primeiro recurso no trabalho de prevenção. Uma relação de proximidade e o conhecimento dos indicativos de risco são essenciais para identificar pessoas potencialmente suicidas. Feito isso, é preciso haver profissionais capazes e disponíveis para o tratamento de casos mais graves em serviços de saúde mental. Na falta destes, identificar o risco e não ter para onde encaminhar o paciente pode deixar o profissional agustiado com sentimentos de desamparo e impotência e com o receio de ser responsabilizado por um suicídio que venha a ocorrer. 44