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ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AOS PACIENTES SUBMETIDOS A CIRURGIAS NEUROLÓGICAS CAMILA RODRIGUES SUCUPIRA; LETICIA LIMA DOS SANTOS; SAMARA SILVA DE QUEIROZ; THALITA CABRAL LIMA. Especialidade responsável pelo diagnostico e tratamento de lesões e doenças do sistema nervoso central (SNC); Áreas de intervenção neurocirúrgica: NEUROCIRURGIA (SANTOS, 2015). Doenças da coluna vertebral: hérnia de disco, doenças da coluna cervical, mielomeningocele, lesões e tumores da medula espinhal; Doenças dos nervos periféricos: Síndrome do túnel do carpo, lesões do plexo braquial, lesões e tumores de nervos periféricos; Doenças do crânio e encéfalo: Tumores intracranianos e da hipófise, aneurismas cerebrais, AVC, hidrocefalia, epilepsia, neuralgia do trigêmeo, traumatismo cranioencefálico (TCE). 2 Problema de saúde pública mundial; Principal causa de morbimortalidade - Maior causa de incapacidades em adultos; Lesões traumáticas - principal causa de morte em adultos jovens; EPIDEMIOLOGIA DO TCE (ANDRADE, 2009). Primárias: Trauma direto ao encéfalo (PAF ou AB) ou resultado da movimentação cerebral impactante; Secundárias: Se inicia após o acidente e dificulta a sobrevivência das células que não foram lesadas pelo trauma inicial; 3 Últimos 10 anos: Mais de um milhão de pessoas apresentaram sequelas irreversível em decorrência de TCE; Em 2000: 2º lugar em mortes com transportes terrestres; O numero de internações no Brasil em 2014 foi de 81.206 (homens) e 25.452 (mulheres); EPIDEMIOLOGIA DO TCE (NETO et al., 2016). CURSODEBOMBEIRO, 2017. 4 PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS Remoção, de amplo retalho ósseo que não retornará ao local de origem após o procedimento; Indicação: Aliviar a pressão intracraniana e evitar desenvolvimento de herniações cerebrais. CRANIECTOMIA CRANIOTOMIA (RIBEIRO, 2012). Abertura cirúrgica no crânio para se obter acesso às meninges e a estrutura intracraniana. O retalho ósseo retorna ao local de origem após o procedimento. Indicação: Clipagem de aneurismas, ressecção de tumores cerebrais, TCE e malformações arteriovenosas. (FISIOTERAPIA PARA TODOS, 2017). (ALAMY, 2016; ANATOMIA E SAÚDE, 2014). 6 Ótimos métodos para promover a redução imediata da pressão intracraniana (PIC): Melhorar a oxigenação, complacência e pressão de perfusão cerebral (PPC). Indicação: Hematoma subdural agudo e tumefação cerebral; Cefaleia pós- cirúrgica - incisão cirúrgica, espasmos da musculatura do pescoço, posicionamento durante o procedimento e por hipotensão liquórica DESCOMPRESSIVA (PIMENTA et al., 2005; Filho, 2006). 7 COMPLICAÇÕES Quadro 1– Possíveis complicações da cirurgia Craniectomia Craniotomia Higroma Hidrocefalia Hidrocefalia ColeçãoSubdural HerniaçãoTranscalvárica Infecção (meningite) FístulaLiquórica FONTE: FALEIRO, 2006; SAADE et al,. 2014 Localização do tumor em área importante; Menores riscos de sequelas na fala ou no movimento; Áreas são estimuladas para localizar a correta extensão do tumor e retira-lo sem comprometimento das funções; Inicia-se com anestesia geral; Após a craniotomia, a sedação é superficializada e mantida com anestesia local. PACIENTE ACORDADO (LUCILIUS; CONCEIÇÃO, 2010). ULTIMOSEGUNDO, 2017. 9 Pré-operatório: Promover o preparo emocional do paciente; Inspecionar o couro cabeludo e realizar tricotomia conforme prescrição; Controlar rigorosamente a pressão arterial; Monitorizar sinais vitais; Administrar anticonvulsionantes conforme prescrição; Posicionar o paciente em Fowler para reduzir a PIC; Realizar cateterismo vesical e instalar balanço hídrico; CUIDADOS DE ENFERMAGEM (PEREIRA et al., 2015; NOGUEIRA, 2014). 10 Pós-operatório: Verificar nível de consciência, resposta verbal e compreensão da comunicação; Manter o leito em Fowler, lateralizando a cabeça do paciente; Realizar mudança de decúbito respeitando suas limitações; Avaliar assimetria facial e testar mobilidade e força das extremidades; Realizar curativo compressivo: se houver dreno de penrose trocar após 24 horas, se houver dreno de sucção, trocar após 72 horas, anotando aspecto e volume; Verificar curativo em busca de possíveis sangramentos. CUIDADOS DE ENFERMAGEM (PEREIRA et al., 2015; NOGUEIRA, 2014). 11 Doença vascular onde ocorre dilatação local das paredes de uma artéria cerebral; Causas: Enfraquecimento ou defeito congênito da parede arterial, hipertensão não controlada, tabagismo, traumatismo cranioencefálico (TCE) ou o avanço de idade; Os sintomas só aparecem quando há compressão de nervos cranianos e tecidos vizinhos ou quando há rompimento de aneurisma; Após o rompimento: Letalidade até 50%, e os que sobrevivem evoluem com sequelas. ANEURISMA INTRACRANIANO (LACHECEN; RIBEIRO; CAMELO, 2017; ENFERMAGEM NOVIDADE, 2016). 12 Aneurisma roto: Cefaleia súbita e intensa, vômitos, dor e rigidez na nuca e na coluna vertebral, distúrbios visuais (ptose, diplopia), perda da consciência por período indeterminado, hemiparesia e convulsões focais. SINTOMAS (HINKLE; CHEEVER, 2015). METODOSELFHEALING, 2012 NUTRALIMENTOSAUDE, 2017 DIARIODEBIOLOGIA, 2015 13 Aneurisma Roto: Exames por imagem - Tomografia computadorizada e Ressonância magnética de encéfalo que indicam a realização de cirurgia; Aneurisma Não-Roto: Difícil diagnóstico - Angiografia cerebral; Indicação cirúrgica para tratar aneurisma não-roto: Levar em conta o tamanho, condições clinicas do paciente e o risco de rotura; O risco da cirurgia deve ser menor do que o risco já existente com a doença. DIAGNÓSTICO (FLEURY, 2007; JUNIOR, 2011; ENFERMAGEM NOVIDADE, 2016). 14 A: Céu aberto: Craniotomia e colocação de um clipe metálico na base do aneurisma; B: Embolização endovascular: Técnica minimamente invasiva; Pequenas molas no interior do aneurisma formando um coágulo que impede o sangramento. CIRURGIA (JUNIOR, 2011; ENFERMAGEM NOVIDADE, 2016). UNIMED, 2007 15 CUIDADOS DE ENFERMAGEM Realizar avaliação neurológica completa: reação pupilar, nível de consciência, função motora e sensorial, dificuldades da fala; Avaliar presença de cefaleia, distúrbio visual, rigidez de nuca e documentar, notificando qualquer alteração. FISIOINBLOG, 2011 (HINKLE; CHEEVER, 2015). 16 CUIDADOS DE ENFERMAGEM Pós-operatório: Monitorar rigorosamente a deterioração neurológica; Elevar a cabeceira do leito e verificar a pressão, nível de consciência, respostas pupilares e função motora de 1h/1h; Monitorar a frequência respiratória e relatar qualquer alteração; Manter o paciente em repouso absoluto no leito e manter estimulação sensorial mínima; Administrar anticonvulsionante conforme prescrição; Monitorar e relatar quaisquer sintomas de novo sangramento do aneurisma (HINKLE; CHEEVER, 2015). 17 NEUROENDOSCOPIA Trepanação no crânio; Técnica minimamente invasiva; O aparelho possui uma câmera acoplada e iluminação própria; Benefícios: Melhor precisão, menor tempo cirúrgico, menor sangramento e menor tempo de internação; Melhores resultados e maior segurança ao paciente; Indicação: Tratamento de hidrocefalia, cirurgia de hipófise por acesso endonasal e ressecção de cistos cerebrais. (ZORZI, 2015; CRUZEIRO, 2013; NEUROCIRURGIA, 2016). ZORZI, 2015 CRUZEIRO, 2013 18 COMPLICAÇÕES Taxa de 2% a 7%, considerada baixa. Quadro 2– Possíveis complicações daNeuroendoscopia Hemorragia Déficits de memoria por lesão dofórnix Hemiparesia Fistulaliquórica Pneumoencéfalo FONTE: ZORZI, 2015; SANTOS et al., 2011 DISCECTOMIA Cirurgia da coluna vertebral, realizada para extração total ou parcial do disco intervertebral, com objetivo de descomprimir o nervo afetado; Hérnia de disco, dor intensa,compressão da medula espinhal ou de raízes nervosas; Indicação: Insucesso de tratamentos conservadores (fisioterapia e medicações no alivio da dor); Posicionamento na discetomia lombar: Decúbito ventral ou prona. Remoção parcial da hérnia; (GOMES, 2010; SUGISAWA, 2017). 20 DISCECTOMIA Posicionamento na discetomia cervical: Decúbito dorsal ou supina; Via de acesso: região frontal do pescoço; Retirada total do disco e realização e artrodese; (SUGISAWA, 2017; ROCHA, 2018). Quadro 3– Possíveis complicações dadiscectomia Lesão acidental da raiz; Hematoma Infecção do sítio cirúrgico Fistula aquosa FONTE: ROCHA,2018. ALAMY,2011 DRELOYRUSAFA, 2017 21 CUIDADOS DE ENFERMAGEM Pós-operatório: Administrar analgésico conforme prescrição; Realizar a troca de curativo oclusivo e retira-lo após 24h da cirurgia; Se houver dreno de sucção, promover o cuidado do local de inserção e verificar a característica da drenagem; Analisar nível de dor; Estimular a deambulação assim que possível, auxiliando-o; Orientar sobre autocuidado e postura adequada. (GOMES, 2010; SUGISAWA, 2017). 22 PRESSÃO INTRACRANIANA - PIC Definição: Relação entre o conteúdo craniano e seu volume: Cérebro – 80%, LCR – 10%, Sangue circulante – 10 % Regulador do equilíbrio neurológico; Medida normal:15mmHg; (BEZERRA, 2009). INESP, 2014 23 HIPERTENSÃO INTRACRANIANA - HIC Mudanças no volume de qualquer componente > 20 mmHg por no mínimo 5 minutos em crianças e 20 minutos em adultos; Processo de compensação: Alteração de um dos volumes, geralmente desvio do LCR, maior absorção ou menor produção de LCR e redução do volume sanguíneo cerebral; PPC é definida como a diferença entre a pressão arterial média (PAM) e a pressão intracraniana (PIC); Redução da pressão de perfusão cerebral (PPC): piora o dano celular por isquemia e pode levar a morte encefálica; (GALVÃO, 2016; GIUGNO et al., 2003). 24 HIPERTENSÃO INTRACRANIANA - HIC Causas: Traumatismo cranioencefálico (TCE); Hemorragias subaracnóideas Tumores cerebrais; Encefalopatias tóxicas e virais, entre outros; Sintomas: Letargia, alterações no nível de consciência e respostas vasomotoras e respiratórias anormais, retardo na resposta a estímulos verbais, agitação psicomotora e fala lentificada. (HINKLE; CHEEVER, 2015; PRECEPTA, 2013). 25 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Avaliação neurológica - escala de coma de Glasgow: Abertura ocular, Melhor resposta motora e Melhor resposta verbal; Avaliação de decorticação e descerebração; Avalia-se a postura, exame pupilar, fotorreatividade, agitação; Manter as grades do leito elevada e acolchoar as superfícies duras; Monitorização invasiva – Avaliação correta da PIC; (EBSERH, 2008). 26 MONITORIZAÇÃO INVASIVA Indicação: PIC maior que 15 - 20 mmHg; Inserção de cateter, sendo o intraventricular considerado “padrão ouro”; Apresenta maior índice de complicações relacionadas a infecção e obstruções do cateter; (ALCÂNTARA; MARQUES, 2009; BALLESTERO, 2016). JONERS JR. et al 2012 27 CUIDADOS DE ENFERMAGEM Manter vias respiratórias desobstruídas; Elevar a cabeceira do leito em 30 a 45º (caso não haja contraindicação); Monitorar oximetria de pulso e gasometria arterial; Utilizar coxins ou travesseiros para manter alinhamento da cabeça com a coluna; Evitar a realização de várias intervenções juntas para prevenir picos da PIC; Verificar a temperatura e mantê-la menor que 37,5 ºC; Realizar técnica asséptica sempre que for manipular o sistema de drenagem; Realizar curativo diariamente no local de inserção do cateter (HINKLE; CHEEVER, 2015; GALVÃO, 2016). 28 NEUROPROTEÇÃO OBJETIVO: Prevenir lesões secundárias ao trauma e mecanismos que levam a morte neuronal; Intervenções específicas: cabeceira elevada a 30º (Fowler), posicionamento neutro da cabeça, controle da temperatura corporal < 37ºC, controle da glicemia, controle da PIC, PAM e PPC, balanço hídrico rigoroso e oxigenação; Proteção do SNC e redução de danos neuropsicológicos. (HINKLE; CHEEVER, 2015). 29 CASO CLÍNICO T. C. L, 40 anos, sexo masculino, solteiro, caminhoneiro, procedente de Itapaci, município do estado de Goiás. Deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento da cidade de Brasília – DF com traumatismo cranioencefálico vitima de espancamento, apresentando múltiplas escoriações em face, abdome e MMSS, epistaxe e otorragia. Foi levado a emergência por amigos que relatam ausência de crise convulsiva. Paciente encaminhado para hospital da região com rebaixamento do nível de consciência e em Glasgow 9 (AO: 3 – RV: 2 – RM: 4), letargia, agitação psicomotora, náuseas e vômitos, fala lentificada e resposta respiratória anormal. Após admissão, foi conduzido para realização de diversos exames e TC de crânio, onde apresentou hematoma subdural agudo em região temporal esquerda com desvio da linha média sugerindo aumento da pressão intracraniana. Após avaliação médica, recebeu indicação para craniotomia descompressiva e drenagem do hematoma para hemostasia do foco de sangramento e normatização da PIC. Paciente operado sob anestesia geral, em posição supina e com a cabeça lateralizada para o lado oposto à lesão. A cirurgia durou 3 horas e 40 minutos. Foi admitido na unidade de terapia intensiva (UTI) no pós-operatório imediato de craniotomia. Paciente sedado e em neuroproteção. Segue monitorizado quanto à circulação, respiração, saturação, estado de consciência, intensidade da dor e medida constante da pressão intracraniana e da pressão de perfusão cerebral (PPC). CASO CLÍNICO AO EXAME FISÍCO: Paciente sob sedação profunda, com RASS -5 (Sem resposta a estímulo verbal ou físico). Hipocorado (+/4+), hidratado, anictérico, acianótico, afebril. Paciente restrito ao leito. Higiene corporal reduzida. Estado nutricional satisfatório; Cabeça: Tricotomia e hematoma galeal em região lateral esquerda. Curativo oclusivo e seco em escoriações. Presença de cateter intraventricular para monitorização da PIC e PPC; Globo Ocular: Equimose periorbital. Pupilas isocóricas e fotorreagentes; Cavidade Nasal: Sonda nasogástrica em sifonagem; Pavilhão Auricular: ausência de otorragia ou otorreia; Cavidade Oral: Arcada dentária incompleta. Em VM, uso de TOT; Pescoço: ausência de massa, linfonodos e tireoide impalpáveis. Sem rigidez na nuca; Tórax típico de expansibilidade normal. AP: Murmúrios vesiculares audíveis sem presença de ruídos adventícios; AC: RCR, bulhas normorritmicas e normofoneticas em 2T, ausência de bulhas acessórias; MMSS pulsos periféricos palpáveis. Tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Presença de oxímetro de pulso em MSE e cateter venoso central de inserção periférica em região antecubital do MSD para aporte calórico e medicações, sem presença de sinais flogísticos; Abdome tenso, presença de lesão e hematomas em Flanco e fossa ilíaca esquerda. RHA ausentes, macicez predominante; Genitália sem comprometimentos; Eliminação urinaria: Presença de sonda vesical de demora. Diurese de aspecto claro; Eliminação intestinal: ausência de evacuação desde a admissão; Sem presença de LPP em dorso; MMII com ausência de edema; Escala de Braden : 10 pontos (risco alto); PA:120x90 mmHg; Tax: 36,8ºC; FR: 14 irpm; FC: 68 bpm; PAM: 100mmHg; PIC: 20mmHg; PPC: 80mmHg; Sat. O2: 97 %; Glicemia: 120 mg/dl AO EXAME FISÍCO: DIAGNÓSTICOS E INTERVENÇÕES Capacidade adaptativa intracraniana diminuída relacionada à lesão cerebral caracterizado por aumento desproporcional da PIC após estímulo (Trauma). Meta: Paciente apresentará capacidade adaptativa intracraniana normalizada em curto prazo. Prescrições: - Monitorar o estado neurológico atentamente e comparar com os dados iniciais; - Monitorar a pressão intracraniana (PIC) e a pressão de perfusão cerebral (PPC); - Elevar a cabeceira da cama de 30º a 45º, caso não exista contraindicação; - Avaliarnível de consciência pela Escala de Coma de Glasgow. NA ADMISSÃO: Risco de perfusão tissular cerebral ineficaz relacionado à lesão cerebral. Meta: Paciente não deverá apresentar perfusão tissular cerebral ineficaz. Prescrições: - Realizar exame pupilar e avaliar o nível de consciência pela escala de coma de Glasgow; - Monitorar a condição respiratória (frequência, ritmo e profundidade das respirações); - Monitorar pressão de perfusão cerebral (PPC) e PAM; - Encaminhar o paciente para realização de exames diagnósticos; NA ADMISSÃO: Ventilação espontânea prejudicada relacionado a nível de consciência reduzido caracterizado por presença de dispositivo ventilatório. Meta: o paciente devera apresentar melhora na ventilação em curto prazo. Prescrição: - Realizar aspiração de vias aéreas sempre que necessário; - Prevenir a extubação acidental no transporte do paciente, na mudança de decúbito, no banho no leito; - Reconhecer a manusear adequadamente o alarmes do ventilador mecânico; - Realizar higiene oral para prevenção de peneumonia. NO PÓS OPERATÓRIO: Risco de infecção relacionado a alteração na integridade da pele e procedimentos invasivos (cateter intraventricular, SNG, TOT, PICC, SVD). Meta: Paciente não deverá apresentar infecção. Prescrições: - Examinar condição de incisão cirúrgica, cateteres,sonda a cada 15 minutos na primeira hora e sucessivamente a cada 30 minutos; - Monitorar sinas e sintomas de infecção; - Utilizar técnica asséptica para aspiração, sondagem vesical, punção venosa e em outros procedimentos em que seja pertinente; - Atentar para recomendações de mudança de sitio de inserção de cateteres de acordo com a CCIH. NO PÓS OPERATÓRIO: Risco de úlcera por pressão relacionada a agentes farmacológicos, alteração na função cognitiva e sensibilidade, imobilização física e escore na escala de BRADEN < 18. Meta: paciente não deverá apresentar lesão por pressão. Prescrição: - Realizar mudança de decúbito regularmente e manter cabeceira elevada; - Observar proeminências ósseas em busca de áreas hiperemiadas e realizar massagens; - Providenciar coxins ou colchão pneumático para aliviar a pressão; - Manter a pele do paciente limpa, seca e bem hidratada; NO PÓS OPERATÓRIO: Risco de desequilíbrio na temperatura corporal relacionado à lesão encefálica grave e sedação. Meta: Paciente não deverá apresentar desequilíbrio na temperatura corporal. Prescrição: - Monitorizar a temperatura corporal e mantê-la estabilizada; - Manter o paciente aquecido com cobertor ou manta térmica; - Retirar campos e roupas molhadas do paciente e cobri-lo com roupas secas; - Manter o controle da temperatura ambiente. NO PÓS OPERATÓRIO: CONCLUSÃO A cirurgia neurológica é uma especialidade que atua sobre o SNC, sendo indicada em casos de doenças da coluna vertebral, dos nervos periféricos e do crânio e encéfalo; Existem diversos procedimentos cirúrgicos em neurocirurgia, citamos neste trabalho os principais: Craniotomia, Craniectomia, Cirurgia para aneurisma cerebral, Discectomia, Neuroendoscopia, e abordamos também sobre a hipertensão intracraniana; Concluímos que o papel do enfermeiro é indispensável para a recuperação do paciente, tanto no pré quanto no pós-operatório, seja monitorizando, auxiliando, acompanhando, estimulando, observando e promovendo melhores condições e dando suporte ao paciente. 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALCANTARA, T. F. D. L.; MARQUES, I. R. Avanços na monitorização neurológica intensiva: implicações para a enfermagem. Rev. bras. enferm., Brasília , v. 62, n. 6, p. 894-900, Dez. 2009. ANDRADE, A. F. et al. Mecanismos de lesão cerebral no traumatismo cranioencefálico. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 55, n. 1, p. 75-81, 2009. BALLESTERO, M. F. M. Avaliação de método não invasivo para monitorização da pressão intracraniana em crianças e adolescentes portadores de hidrocefalia. 2016. 115f. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo. BEZERRA, C. I. L. Hipertensão intracraniana: as bases teóricas para a assistência de enfermagem. 2009. Disponível em: <https://www.webartigos.com/artigos/hipertensao-intracraniana-as-bases-teoricas-para-a-assistencia-de-enfermagem/29002>. Acesso em: 02 mai. 2018. CHEEVER, K.H.; HINKLE, J.L, Brunner e Suddarth – Manual de Enfermagem Médico Cirúrgica 13ª Ed. 2015. 788p. FALEIRO, R. M. CRANIOTOMIA DESCOMPRESSIVA. Análise de Fatores Prognósticos e Complicações em 89 Pacientes. 2006. 70 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais. FILHO, P. A. S. R. Cefaléia pós-craniotomia em pacientes submetidos à cirurgia para clipagem de aneurismas cerebrais. 2006. 132 f. Dissertação (Doutorado) – Universidade de São Paulo. GALVÃO, E. O que o enfermeiro precisa saber para atuar na monitorização da pressão intracraniana. 2016 . Disponível em: <http://saudeexperts.com.br/o-que-o-enfermeiro-precisa-saber-para-atuar-na-monitorizacao-da-pressao-intracraniana/> Acesso em: 04 mai. 2018. GIUGNO, K. M. et al. Tratamento da hipertensão intracraniana. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 79, n. 4, p. 287-296, Ago. 2003. LACHECEN, F.; RIBEIRO, E. R.; CAMELO, R. F. M. P. Comparação entre a intervenção cirúrgica convencional e a intervenção endovascular dos aneurismas intracranianos realizados no Sistema Único de Saúde. Rev. de saúde pub. do paraná, Londrina, v.18, n.1 p.45-53, jul., 2017. NETO, C. D. M. et al. Epidemiologia do traumatismo cranioencefálico no Brasil. In: I Congresso Nacional de Especialidades em Fisioterapia. 2016, João Pessoa – PB. Resumos. Temas em Saúde - Edição Especial, p. 386- 403. NORTH AMERICAN NURSING DIAGNOSIS ASSOCIATION - NANDA International. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2015- 2017. Porto Alegre: Artmed; 2015. PIMENTA, N. J. G. et al. Craniotomia descompressiva para tratamento precoce da hipertensão intracraniana traumática. Arq. Neuro-Psiquiatr, São Paulo, v. 63, n. 2b, p. 508-513, Jun. 2005. RIBEIRO, M. C. O. Dor aguda no pós-operatório de craniotomia eletiva: Características e manejo do fenômento doloroso. 2012. 111 f. Dissertação (Doutorado) – Universidade Federal de Sergipe. SAADE, N. et al. Avaliação dos fatores prognósticos da craniectomia descompressiva no tratamento do traumatismo cranioencefálico grave. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro , v. 41, n. 4, p. 256-262, Ago. 2014. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Caso faça uso deste arquivo, por favor dê a devida referência. Ass: Samara Queiroz