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1 Fato Típico – Resultado e Nexo Causal DIREITO PENAL www.grancursosonline.com.br AN O TAÇ Õ ES Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online FATO TÍPICO – RESULTADO E NEXO CAUSAL 1. RESULTADO É a consequência proveniente da conduta do agente. Da conduta advém: 1.1. Resultado Naturalístico / Material Modificação do mundo exterior perceptível pelos sentidos provocada pelo comportamento do agente. 2 Fato Típico – Resultado e Nexo Causal DIREITO PENAL www.grancursosonline.com.br AN O TA Ç Õ ES Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online Atenção! Não são todos os crimes que possuem resultado naturalístico. Exemplo: crimes de mera conduta. Crimes formais não necessitam do resultado naturalís- tico para a sua consumação. Crime Material Crime Formal Crime de Mera Conduta Exige a produção de um resultado naturalístico para a sua consumação. Exem- plo: Art. 121 – Homicídio Apesar de não possuir um resultado naturalístico, não existe a sua realização para que se alcance sua consumação. Exemplo: Art. 147 – Ameaça Não possui um resultado naturalístico. Se consuma com a simples prática da conduta. Exemplo: Art. 233 – Ato Obsceno 1.2. Resultado Jurídico / Normativo É a lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Atenção! Todos os delitos possuem resultado jurídico, devido ao princípio da lesivi- dade. O princípio da lesividade determina que o Direito Penal só existe para pro- teger o bem jurídico tutelar. 3 Fato Típico – Resultado e Nexo Causal DIREITO PENAL www.grancursosonline.com.br AN O TAÇ Õ ES Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online Atenção! Crime de dano, crime de perigo, crime de perigo concreto e crime de perigo abstrato são pautados pelo princípio da lesividade. 2. NEXO CAUSAL É o vínculo formado entre a conduta praticada por seu autor e o resultado dela proveniente. Diz o Código Penal (CP) que o resultado, de que depende a existência do crime, somente pode ser imputado a quem lhe deu causa. E na sequência, define causa como: • Toda ação ou omissão humana sem a qual o resultado não teria ocorrido. Como saber se a ação ou omissão foi necessária para produção do resul- tado? Utilizamos o método da eliminação hipotética dos antecedentes causais, também conhecido como Teoria de Thyrén. Tal método foi idealizado em 1984 pelo professor sueco Thyrén. Essa teoria consiste em suprimir mentalmente a ação ou omissão anterior e verificar se o resultado aconteceria da mesma forma como ocorreu. Se o resultado for alterado em razão da supressão daquela ação ou omis- são, significa que ela foi sua causa, caso contrário, não. Veja como funciona: Exemplo: Tício, querendo matar Mévio, efetua disparos de arma de fogo contra ele. Note a série de ações que precedem essa conduta: 1º – Produção da arma utilizada pela indústria; Causa determinante 2º – Aquisição da arma pelo comerciante autorizado; Causa determinante 3º – Compra do revólver por Tício; Causa determinante 4º – Refeição realizada por Tício no dia do homicídio; Não é causa 5º – Sesta realizada pelo homicida antes do atentado; Não é causa 6º – Disparos realizados contra a vítima; Causa determinante 7º – Morte como resultado; Apesar da produção a arma pela indústria e da comercialização legal da arma serem fatores que contribuíram para causar a morte de Mévio, tanto a indústria quando o comerciante não irão responder por esse crime, e, sim, Tício. 4 Fato Típico – Resultado e Nexo Causal DIREITO PENAL www.grancursosonline.com.br AN O TA Ç Õ ES Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online Essa soma entre a Teoria da causalidade simples e a Teoria de Thyrén não causam o regresso ao infinito na análise das causas? O que se tem com a soma dessas duas teorias é o que a doutrina chama de causalidade objetiva (a qual efetivamente regressa ao infinito). Como o Direito Penal não admite responsa- bilização objetiva (sem dolo ou culpa), essa causalidade objetiva não é suficiente para imputação do resultado ao seu autor (a imputação, portanto, não regressa ao infinito). Ou seja, para imputação do resultado, devemos sempre analisar a causa- lidade psíquica (causalidade objetiva + análise do dolo ou culpa do agente). 2.1. Causas Dependentes e Independentes 2.1.1. Causas Dependentes São aquelas que emanam da conduta do agente e se somam (em uma rela- ção de interdependência) para a produção do resultado. Exemplo: Tício, com a intenção de matar Mévio, agride seu desafeto, amar- rando-o por uma corda ao seu carro e arrastando-o pela estrada, momento em que Mévio morre. As condutas consistentes em agredir, amarrar e arrastar a vítima são interdependentes e se somam para a produção do resultado; elas são todas causas dependentes. 2.1.2. Causas Independentes São aquelas inesperadas e imprevisíveis, que possuem a capacidade de pro- duzir o resultado por si só. As causas independentes podem ser absoluta ou rela- tivamente independentes. a) Absolutamente Independentes: Não tem origem na conduta praticada pelo agente. b) Relativamente Independentes: Tem origem na conduta praticada pelo agente. ��Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Paulo Igor.