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Direito Criminal
Teoria do Crime
Professora: Esp. Carolina Zemuner
CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME
CONCEITO DE CRIME
Introdução:
O crime pode ser conceituado levando em consideração 3 aspectos: material, legal e formal (analítico). 
● CONCEITO MATERIAL OU SUBSTANCIAL Crime é toda ação ou omissão humana que leva ou expõe a perigo 
de lesão bens jurídicos penalmente tutelados. Essa conceituação leva em conta a relevância do mal 
produzido, servindo como fator de legitimação do Direito Penal em um Estado Democrático de Direito, ou 
seja, não basta uma lei para qualquer conduta ser considerada penalmente ilícita.
● CONCEITO LEGISLATIVO
Crime é aquilo que a lei define como tal, vejamos a Lei de Introdução ao Código Penal e da Lei de Contravenções 
Penais:
Art. 1º Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer 
alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina, isoladamente, 
pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente.
Ou seja, quando existir pena de reclusão ou detenção, existirá crime. 
Se existir pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, existirá contravenção penal. 
CONCEITO DE CRIME
Introdução:
CONCEITO LEGAL DO CRIME E ART. 28 DA LEI N. 11/343/2006 (LEI DE DROGAS) 
Se todo crime exige a cominação de uma pena de detenção ou reclusão, como fica a conduta de porte de 
droga para uso pessoal? 
Art.28 (Lei de Drogas). Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, 
drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
II - prestação de serviços à comunidade; 
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
Para o STF não houve descriminalização da conduta prevista no art. 28, mas sim, a despenalização em face 
da supressão da pena privativa de liberdade. Concluindo que, a Lei de Introdução ao Código Penal criou um 
conceito genérico de crime aplicável sempre que não existir disposição especial em sentido contrário, como 
é o caso do art. 28, da Lei de Drogas, que criou uma nova definição exclusivamente para o crime de posse de 
droga para consumo pessoal (conceito específico). 
CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME
Introdução:
CONCEITO FORMAL, ANALÍTICO OU DOGMÁTICO 
Esse conceito baseia-se nos elementos que compõem a estrutura do crime. 
Basileu Garcia adotava a posição quadripartida, ou seja, que o crime seria composto por quatro elementos: 
fato típico, conduta, ilicitude, culpabilidade e punibilidade. Contudo, essa posição é minoritária, tendo em 
vista que, a punibilidade não é elemento do crime e sim, consequência. Já a posição tripartida sustenta que o 
crime é composto por três elementos, quais sejam: fato típico, ilicitude e culpabilidade. Posição essa adotada 
por Nelson Hungria, por exemplo. 
Por sua vez, Damásio E. de Jesus e Mirabete entendem que o crime é composto por fato típico e ilícito, sendo 
essa, a posição bipartida, pois entendem que a culpabilidade é um pressuposto da aplicação da pena. 
Mas qual seria o critério adotado pelo Código Penal? 
Não há uma resposta segura, mas adotaremos a teoria tripartida. 
DIFERENÇA
Introdução:
INFRAÇÃO PENAL, DELITO, CRIME E 
CONTRAVENÇÃO PENAL 
Crime e contravenção penal são espécies do 
gênero infração penal, que ainda se divide em 
delito. 
Crime e delito se equivalem, contudo, em 
algumas situações a Constituição Federal e a 
legislação ordinária utilizam a palavra delito, de 
forma inapropriada, como sinônimo de infração 
penal, como acontece no art. 5º, XI, da CF e nos 
arts. 301 e 302, do Código de Processo Penal. 
 
Crime Contravenção Penal
Penas de reclusão ou 
detenção, cumuladas 
ou não com multa
Pena de Prisão simples, multa ou ambas
Admite 
extraterritorialidade
Punição apenas de condutas praticadas 
no Brasil (art. 2º)
Ação Penal Pública 
incondicionada, 
condicionada ou 
privada
Ação penal é pública, devendo a 
autoridade proceder de ofício (Art. 17, 
LCP)
Admite tentativa Não admite tentativa (art. 4º)
Punição em caso de 
dolo ou culpa do 
agente
Permite, em tese, a punição por simples 
violação de um dever de conduta, 
mesmo sem dolo ou culpa (art. 3º). Mas 
há quem acredite que não foi 
recepcionado pela CF. 
TEORIA TRIPARTITE
TEORIA TRIPARTITE - TIPICIDADE
Conceito:
TeoriaTripartida 
Para alguém sofrer uma pena, existirá a necessidade de um processo penal que apure a prática de uma infração penal. 
Na corrente majoritária da doutrina e pelo modo como o Código Penal é estruturado, crime é fato típico, ilícito e 
culpável. 
TIPICIDADE 
Tipicidade é elemento do fato típico, dividindo-se em formal e material. A presença da tipicidade formal e da tipicidade 
material caracteriza 
TIPICIDADE FORMAL: é o juízo de subsunção entre a conduta praticada pelo agente e o modelo descrito pelo tipo 
penal. Por exemplo, o ato de matar alguém tem amparo no crime previsto no art. 121, do Código Penal. 
TIPICIDADE MATERIAL (substancial): é a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico penalmente tutelado em razão da 
prática da conduta legalmente prevista. Por exemplo, roubar lesiona o patrimônio, bem jurídico tutelado penalmente.
CAUSAS EXCLUDENTES DE TIPICIDADE 
Exemplos: princípio da insignificância, erro de tipo, violência física irresistível, adequação social e outros. 
TEORIA TRIPARTITE - ILICITUDE
Conceito:
A ilicitude é a contrariedade entre o fato típico praticado por alguém e o ordenamento jurídico, 
capaz de lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídicos penalmente tutelados. 
O ilícito pode ser formal ou material. 
A ilicitude formal: é a mera contradição entre o fato praticado pelo agente e o sistema jurídico 
em vigor. 
A ilicitude material: contrariedade do fato em relação aos sentimentos comuns de justiça 
(injusto). O comportamento afronta o que o homem médio tem por justo, correto. Trata-se de 
requisito da tipicidade, daí a impropriedade de ser denominada “ilicitude” material.
EXCLUDENTE DE ILICITUDE
Conceito:
CAUSAS EXCLUDENTES GENÉRICAS DA ILICITUDE
As causas excludentes genéricas da ilicitude estão previstas na Parte Geral do Código Penal, 
aplicando-se para qualquer infração penal. 
Art. 23. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade 
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 
EXCLUDENTE DE ILICITUDE
Conceito:
CAUSAS EXCLUDENTES ESPECÍFICAS DA ILICITUDE 
(CÓDIGO PENAL E LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE) 
As causas excludentes específicas de ilicitude podem ser definidas como aquelas previstas na 
Parte Especial do Código Penal e na Legislação Especial, com a aplicação unicamente a 
determinados crimes, como é o caso do exemplo a seguir: 
Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: 
Aborto necessário 
I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; 
Aborto no caso de gravidez resultante de estupro 
II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, 
quando incapaz, de seu representante legal.
CULPABILIDADE
Conceito:
Culpabilidade é o juízo de censura, o juízo de reprovabilidade que incide sobre a formação e a 
exteriorização da vontade do responsável por um fato típico e ilícito, com o propósito de aferir 
a necessidade de imposição da pena. 
o que exclui a culpabilidade: Excludentes
Potencial consciência 
da ilicitude
Inexigibilidade de conduta diversa
Exigibilidade de 
Conduta Diversa
- Coação moral irresistível
- Obediência hierárquica de ordem não 
manifestamente legal
Imputabilidade - Menoridade
- Alguns casos de doença mental
- Embriaguez completa causa por caso 
fortuito ou força maior
TIPICIDADE 
ELEMENTOS:
Elementos do fato típico
São elementos do fato típico:
1. Conduta
2. Resultado naturalístico
3. Relação de causalidade
4. TipicidadeCRIMES MATERIAIS E ELEMENTOS
São chamados materiais aqueles crimes que têm resultado naturalístico. 
Dessa forma, são crimes que apresentam os quatro elementos. 
TIPICIDADE 
ELEMENTOS:
CRIMES TENTADOS, FORMAIS OU DE MERA CONDUTA E ELEMENTOS
Para os crimes tentados, formais ou de mera conduta, o fato típico somente terá presente a conduta e a tipicidade.
Nos crimes formais, o tipo penal contém a conduta e resultado naturalístico, mas dispensa este último para a sua 
consumação. Exemplo: extorsão mediante sequestro. 
Nos crimes de mera conduta, o tipo penal se limita a descrever uma simples conduta, não havendo resultado naturalístico. 
Exemplo: crime de ato obsceno. 
No crime tentado, iniciada a execução, não se consuma por razões alheias à vontade do agente. 
Art. 14. Diz-se o crime:
(...)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.
TIPICIDADE 
PERGUNTA
Questão 1. 
I - O fato típico é composto por conduta, resultado, nexo causal e tipicidade; 
II - A imputabilidade diz respeito às causas excludentes da ilicitude; 
III - A culpabilidade é composta pela antijuridicidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da 
ilicitude.
Assinale a alternativa correta:
A) I está correta
B) I e II estão corretas
C) I e III estão corretas
D) Todas as alternativas estão corretas
TIPICIDADE 
RESPOSTA
Questão 1. 
I - O fato típico é composto por conduta, resultado, nexo causal e tipicidade; 
II - A imputabilidade diz respeito às causas excludentes da ilicitude; 
III - A culpabilidade é composta pela antijuridicidade, exigibilidade de conduta diversa e potencial consciência da 
ilicitude.
Assinale a alternativa correta:
A) I está correta
B) I e II estão corretas
C) I e III estão corretas
D) Todas as alternativas estão corretas
TIPICIDADE 
RESPOSTA
Questão 2. Acerca do fato típico, da teoria e da classificação dos crimes, julgue o item subsecutivo.
Suponha que Maria, servidora pública do Distrito Federal, tenha-se apropriado ilicitamente de um computador 
portátil usado no seu local de trabalho e, em seguida, efetuado a venda desse equipamento. Nesse caso, a 
conduta de Maria pode ser classificada como crime de dano, comissivo, próprio e instantâneo. 
A) Certo
B) Errado
TIPICIDADE 
RESPOSTA
Questão 2. Acerca do fato típico, da teoria e da classificação dos crimes, julgue o item subsecutivo.
Suponha que Maria, servidora pública do Distrito Federal, tenha-se apropriado ilicitamente de um computador 
portátil usado no seu local de trabalho e, em seguida, efetuado a venda desse equipamento. Nesse caso, a 
conduta de Maria pode ser classificada como crime de dano, comissivo, próprio e instantâneo. 
A) Certo
B) Errado
Justificativa. O crime é o do art. 312 do Código Penal brasileiro (peculato). É considerado um crime de dano 
(aquele que se consuma com a efetiva lesão do bem jurídico protegido); comissivo (mediante ação humana); 
próprio (aquele que só pode ser cometido por uma determinada categoria de pessoas); e instantâneo (aquele 
que a consumação se dá em um determinado momento, sem continuidade temporal). 
TIPICIDADE 
PERGUNTA
Questão 3. Majoritariamente entende-se que, de acordo com o conceito analítico, crime é um:
A) Fato típico e antijurídico.
B) Fato antijurídico e culpável.
C) Fato típico, antijurídico e culpável.
D) Fato típico, antijurídico, culpável e punível.
TIPICIDADE 
RESPOSTA
Questão 3. Majoritariamente entende-se que, de acordo com o conceito analítico, crime é um:
A) Fato típico e antijurídico.
B) Fato antijurídico e culpável.
C) Fato típico, antijurídico e culpável.
D) Fato típico, antijurídico, culpável e punível.
Justificativa. A Teoria Tripartite define o crime como a prática de uma conduta típica, antijurídica e culpável. Uma vez que 
esses elementos são necessariamente cumulativos para a configuração do delito, entende-se que qualquer circunstância 
que elimine um desses aspectos torna o crime inexistente.
CONDUTA
Introdução:
CONCEITO
Segundo a posição finalista, conduta é a ação ou omissão humana, consciente e voluntária, dirigida a um fim, 
consistente em produzir um resultado tipificado em lei como crime ou contravenção penal.
Consequências 
QUEM PODE PRATICAR A CONDUTA?
Apenas seres humanos podem praticar condutas penalmente relevantes. É possível contudo admitir a prática de 
crimes no caso de crimes ambientais, por previsão expressa da lei de crimes ambientais. 
Por isso, estão excluídas condutas de outros seres vivos que não são humanos, como animais, por exemplo. É 
possível contudo que o animal seja utilizado como instrumento do crime, como é o caso de um ataque de cão 
provocado por um humano.
CONDUTA DOLOSA E CULPOSA
A conduta penalmente relevante deve ser aquela produzida por um ser humano, agindo com dolo ou culpa. 
CONDUTA
Formas de conduta
O Código Penal, quando tipifica os crimes, faz isso por uma importante razão: para proteger bens jurídicos (vida, 
integridade física, patrimônio, coisa pública, etc).
Existem bens jurídicos que são protegidos através de tipos penais proibitivos, onde o legislador lança o comando 
de não fazer. Por exemplo, o tipo do crime de homicídio traz o comando "não matar". A conduta que infringe essa 
vedação, portanto, é uma conduta comissiva, isto é, uma ação. 
Por outro lado, existem tipos que exigem a proteção de bens jurídicos por meio de ações. São chamados tipos 
mandamentais, pois eles literalmente "mandam o indivíduo agir para evitar a lesão ao bem jurídico". Esses são 
crimes chamados de omissivos, pois a inação do indivíduo gera uma lesão punível. 
Por exemplo, na omissão de socorro, o comando geral da norma é "preste socorro, ou aja de algum modo para 
tentar impedir o resultado". A omissão, a não ação, podendo o indivíduo agir, gera a responsabilização penal. 
CONDUTA
Formas de conduta
O crime omissivo se divide em dois: Crime omissivo próprio e crime omissivo impróprio. 
A professora Patrícia Vanzolini faz as diferenciações em seu livro, conforme tabela abaixo:
Crime Omissivo Próprio Crime Omissivo Impróprio
Violação de normas 
mandamentais.
Violação de normas proibitivas.
Tipificação expressa no 
CP
Construção doutrinária realizada a partir da combinação de um tipo comissivo com a regra 
da parte geral (posição de garante).
Violação de um dever 
geral de atuar
Violação de um dever especial de evitar o resultado. 
Não exige posição de 
garante
Exige a posição de garante
CONDUTA
Na Omissão Própria, a inação está descrita como crime no próprio tipo penal. O descumprimento do dever, portanto, faz a 
pessoa incorrer em um crime próprio (no sentido de "independente", e não de crime somente praticável por um tipo de 
agente). 
Exemplo: Omissão de socorro. (Art. 135 CP) 
Na Omissão Imprópria, por sua vez, o agente guarda íntima relação com a vítima, e um dever de garantir sua integridade. 
A omissão do agente descumpre o dever jurídico de agir, acarretando sua responsabilidade penal em razão da produção do 
resultado naturalístico. 
Por exemplo, no caso de um pai que deixa de alimentar seu filho. (Art. 244 CP) 
NEXO DE CAUSALIDADE 
Só é possível imputar um crime a uma pessoa se o resultado decorreu da ação ou omissão do agente. 
Esse é o chamado nexo de causalidade, ou relação de causalidade.
Art. 13. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se 
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. (Leitura do Artigo e seus parágrafos)
PERGUNTA
Defensor Público (FCC) - 2009
Questão 1. Para formação do nexo de causalidade, no sistema legal brasileiro, a superveniência de causa relativamente 
independente
A) não exclui a imputação do resultado superveniente.
B) exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado, imputando-se os fatos anteriores a quem os praticou.
C) exclui a imputação quando em concurso com outra concausa produz o resultado, atenuando-se a responsabilidade doautor pelo fato anterior.
D) exclui a imputação quando produz o resultado com restrição da responsabilidade de quem praticou o fato subjacente 
ao limite de sua responsabilidade material.
E) exclui parcialmente a imputação, tornando os autores responsáveis pelo fato subjacente no limite de suas 
responsabilidades.
PERGUNTA
Defensor Público (FCC) - 2009
Questão 1. Para formação do nexo de causalidade, no sistema legal brasileiro, a superveniência de causa relativamente 
independente
A) não exclui a imputação do resultado superveniente.
B) exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado, imputando-se os fatos anteriores a quem os praticou.
C) exclui a imputação quando em concurso com outra concausa produz o resultado, atenuando-se a responsabilidade do 
autor pelo fato anterior.
D) exclui a imputação quando produz o resultado com restrição da responsabilidade de quem praticou o fato subjacente 
ao limite de sua responsabilidade material.
E) exclui parcialmente a imputação, tornando os autores responsáveis pelo fato subjacente no limite de suas 
responsabilidades.
Justificativa. Art. 13, CP. O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. 
Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. §1º A superveniência de causa 
relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, 
imputam-se a quem os praticou. [...]
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Resultado
O Resultado pode ser entendido como a consequência provocada pela conduta do agente, que pode ser dividido em:
● Resultado Jurídico: É a violação da norma penal, que ofende o bem jurídico tutelado. Todo crime necessariamente 
tem resultado jurídico.
● Resultado Naturalístico: É a modificação do mundo exterior. Aqui, nem todo crime tem, pois é possível que ele seja de 
mera conduta. Um exemplo de crime de mera conduta é o porte ilegal de armas, pois o mero ato de portar a arma em 
si não gera nenhuma consequência, nenhum resultado material, porém a Lei o repudia pela potencialidade de que esse 
ato tem de gerar maiores danos, como o disparo da arma contra outra pessoa.
Relação de causalidade
A relação de causalidade, ou nexo de causalidade, é a ligação entre a conduta e o resultado naturalístico. 
Várias teorias surgiram com o intuito de elucidar o problema de relação de causalidade. 
Dentre elas, as três que mais se destacaram foram as seguintes:
● Teoria da causalidade adequada - (Excepcionalmente - art. 13, §1º, CP)
● Teoria da relevância jurídica
● Teoria da equivalência dos antecedentes causais (ou da conditio sine qua non).
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES CAUSAIS
(conditio sine qua non)
Pela teoria da equivalência dos antecedentes causais, de von Buri, adotada pelo nosso código Penal, considera-se 
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Isso significa que todos os fatos que 
antecedem o resultado se equivalem, desde que indispensáveis à sua ocorrência. Verifica-se se o fato antecedente 
é causa do resultado a partir de uma eliminação hipotética. 
Se, suprimido mentalmente o fato, vier a ocorrer uma modificação no resultado, é sinal de que aquele é causa deste 
último.
Essa teoria é limitada pela causalidade psíquica (imputatio delicti), ou seja, não basta que o elemento tenha dado 
causa ao que levou ao crime, mas é preciso que o elemento tenha a intenção psíquica de causar a conduta, que 
nada mais é do que a exigência de dolo ou culpa do agente para a produção do resultado
Ex.: O vendedor de armas legalizadas não dá causa se vender a arma a quem tem a licença, a não ser que saiba 
que o indivíduo quer cometer o crime e venda com a intenção de que ele alcance o resultado. 
Assim, o fabricante da arma sequer age com culpa em um eventual homicídio; porém o agente que dispara contra a 
vítima age dolosamente.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
CONCAUSAS
Quando temos essa figura do agente que concorre para a causa, falamos que sobre a situação houve interferência de 
"concausas", ou seja, causas que concorrem para o atingimento do resultado.
E como esse agente que concorre é punido? 
Para sabermos como ocorre a punição, precisamos analisar se a causa externa ao agente ocorreu antes, durante ou depois 
da prática do ato típico. 
Além disso, precisamos analisar se o resultado se deu por causa dessa concausa ou se ele se deu, por si só, em razão da 
prática criminosa do agente, que considera causa como sendo uma conduta adequada à produção do resultado. Ou seja, não 
basta que o comportamento do agente seja indispensável para o desdobramento do crime (como na conditio sine qua non); 
ele precisa ser adequado. 
Sendo assim, seguindo tal linha de raciocínio, faz-se necessária a definição do termo "concausa", que nada mais é do que o 
concurso de fatores (preexistentes, concomitantes ou supervenientes) que, paralelamente ao comportamento do agente, são 
capazes de modificar o curso natural do resultado. Ou seja, são fatores externos à vontade do agente, mas que se unem a 
sua conduta. Assim, têm-se duas causas: a do agente e esses fatores que com a dele convergem. Desta feita, em relação a 
esses fatores, pode-se afirmar que existem duas modalidades de causas: as dependentes e as independentes. 
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Cumpre então destacar que as causas independentes, isto é, aquelas cujo aparecimento não é desejado e nem previsto pelo 
agente e produzem por si só o resultado, são divididas em duas: (a) as absolutamente independentes e (b) as relativamente 
independentes, a depender da sua origem.
As absolutamente independentes não possuem qualquer vínculo com a conduta do agente, ou seja, possuem uma origem 
totalmente divorciada da conduta delitiva e ocorreriam ainda que o agente jamais tivesse agido. Por isso, trazem uma 
solução mais simples e não podem, jamais, ser confundidas pelo intérprete, até porque seus exemplos são clássicos e 
trazidos pela mais ampla doutrina. Possuem três modalidades, a saber:
1) Preexistente: é a causa que existe anteriormente à conduta do agente. Ex: "A" deseja matar a vítima "B" e para tanto a 
espanca, atingindo-a em diversas regiões vitais. A vítima é socorrida, mas vem a falecer. O laudo necroscópico, no entanto, 
evidencia como causa mortis envenenamento anterior, causado por "C", cujo veneno ministrado demorou mais de 10 horas 
para fazer efeito1;
2) Concomitante: é a causa que surge no mesmo instante em que o agente realiza a conduta. Ex: "A" efetua disparos de arma 
de fogo contra "B", que vem a falecer em razão de um súbito colapso cardíaco (cuidado, não se trata de doença cardíaca 
preexistente, mas sim de um colapso ocorrido no mesmo instante da conduta do agente!);
3) Superveniente: é a causa que atua após a conduta do agente. "A" administra dose letal de veneno para "B". Enquanto este 
último ainda está vivo, desprende-se um lustre da casa, que acaba por acertar qualquer região vital de "B" e vem a ser sua 
causa mortis.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Assim sendo, percebe-se que nos três itens acima citados o resultado naturalístico ocorreu de maneira totalmente 
independente da conduta do agente e que as causas atuaram de forma independente foram responsáveis pela produção do 
resultado. 
Então, por não haver relação de causalidade (nexo causal) entre resultado e conduta do agente, este responde apenas pelos 
atos já praticados, isto é, por tentativa de homicídio, desde que comprovado o animus necandi (intento de matar).
Conclui-se, assim, que nas causas absolutamente independentes (quaisquer de suas modalidades - preexistentes, 
concomitantes ou supervenientes) o agente responderá somente pelos atos já praticados, mas jamais pelo resultado, ante a 
falta de relação de causalidade. Aplica-se, então, a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais (conditio sine qua non), 
prevista no artigo 13, caput, CP.Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Já as causas relativamente independentes, por sua vez, têm origem na conduta do agente e, por isso, são relativas: 
dependem da atuação do agente para existir. Também possuem três modalidades:
1) Preexistente: a causa existe antes da prática da conduta, embora seja dela dependente. O clássico exemplo é o agente 
que dispara arma de fogo contra a vítima, causando-lhe ferimentos não fatais. Porém, ela vem a falecer em virtude do 
agravamento das lesões pela hemofilia.
2) Concomitante: ocorre simultaneamente à conduta do agente. Outro clássico exemplo é o do agente que dispara arma de 
fogo contra a vítima, que foge correndo em via pública e morre atropelada por algum veículo que ali trafegava.
Nessas duas hipóteses, por expressa previsão legal (art. 13, caput, CP), aplica-se a teoria da equivalência dos antecedentes 
causais e o agente responde pelo resultado naturalístico, já que se suprimindo mentalmente sua conduta, o crime não teria 
ocorrido como e quando ocorreu. Assim, responde por homicídio consumado.
A grande e essencial diferença aparece na terceira causa relativamente independente:
3) Superveniente: aquela que ocorre posteriormente à conduta do agente. Neste específico caso, torna-se necessário fazer 
uma distinção, em virtude do comando expresso ao artigo 13, §1º, CP: A superveniência de causa relativamente 
independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem 
os praticou.
Logo, depreende-se que existem as causas relativamente independentes que, por si só, excluem o resultado e as que não 
excluem. Sendo assim, novamente pelo expresso comando legislativo, apenas as que produzem por si só o resultado 
naturalístico terão tratamento diverso.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Concausas 
absolutamente 
independentes
São aquelas que geram o 
resultado independente da ação 
do agente, sendo totalmente 
desvinculadas dessa conduta.
Ex.: atirar em alguém que teve 
uma parada cardíaca segundos 
antes.
Responde pelo crime tentado
Concausas 
relativamente 
independentes
São aquelas que não têm 
capacidade de gerar por si só o 
resultado, mantendo alguma 
relação com a conduta.
Ex.: atirar em alguém em partes 
não vitais, motivo pelo qual a 
pessoa vai ao hospital e 
momentos antes da alta pega 
uma infecção hospitalar e morre. 
Se essa causa externa for anterior 
ou concomitante à conduta 
criminosa, o agente responde pelo 
crime tentado.
Se a causa externa for posterior, é 
preciso avaliar se ela causou por si 
só o resultado ou não. Se sim, 
responderá por crime tentado. Se 
não, responderá por crime 
consumado. 
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Para resumir:
1) Causa Superveniente Relativamente Independente que não produz por si só o resultado: aplica-se a teoria da conditio 
sine qua non - regra geral - por não se enquadrar na exceção do §1º do artigo 13. 
Outro exemplo clássico: tem-se a vítima que é alvejada por disparos não fatais, mas vem a falecer em virtude de imperícia 
médica na oportunidade da cirurgia a qual teve que ser submetida em virtude dos ferimentos. Resta claro que a imperícia 
médica não mata qualquer pessoa, mas somente aquela que enseja a intervenção médica. Como a lei manda aplicar a teoria 
da equivalência dos antecedentes, constata-se que a vítima somente faleceu em virtude da intervenção cirúrgica necessária 
em razão dos ferimentos causados por disparos de arma de fogo (suprimindo-se os disparos, a cirurgia não seria necessária 
e, portanto, temos a causa do homicídio). Logo, neste caso, o agente responde por homicídio consumado.
2) Causa Superveniente Relativamente Independente que produz por si só o resultado: é a situação excepcional, que se 
amolda ao artigo 13, §1º, CP. Aqui, aplica-se a teoria da Causalidade Adequada.
Outro exemplo: a vítima que é atingida por disparos de arma de fogo não fatais, mas vem a falecer em virtude do acidente 
automobilístico de sua ambulância e a vítima que, também alvejada, vem a falecer em razão de um incêndio na ala de feridos 
do hospital.
Neste preciso ponto, demanda-se máxima atenção do estudioso do Direito Penal eis que, caso houvesse apenas o caput do 
artigo 13, CP, nesse último item teríamos a imputação de homicídio consumado ao agente, vez que, pela teoria da 
equivalência dos antecedentes, sua conduta é causa do homicídio.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
Destarte, a lei não contém palavras inúteis e a previsão do §1º, artigo 13, tem sua razão de existir. Por expressa 
determinação, deve-se aplicar a teoria da Causalidade Adequada nos casos do item 2 supra, o que enseja entendimento 
diverso.
Por essa teoria, entende-se como causa uma contribuição adequada do agente. Assim, naqueles exemplos da ambulância e 
do hospital em chamas, qualquer pessoa que ali estivesse fatalmente iria morrer e não apenas a vítima alvejada por disparos. 
Como o disparo não fatal não é adequado para configuração do homicídio, o resultado naturalístico morte (em razão do 
acidente ou do incêndio) não pode ser imputado ao agente. Por isso, nestes casos do item 2, o agente responde por 
homicídio tentado.
Percebe-se, deste modo, a grande diferença. Nosso Código Penal determina em quais situações deve o intérprete se valer da 
regra geral (conditio sine qua non) e em quais situações se valer da exceção (causalidade adequada). Assim, a imputação ao 
agente é completamente distinta, a depender da teoria aplicada.
Portanto, recomenda-se demasiada atenção para caracterizar qual modalidade de concausa incide no caso concreto, para 
optar pela teoria correspondente e, assim, atribuir o resultado naturalístico ao agente. Mesmo com tal zelo, não se pode 
perder de vista que a diferenciação decorre única e exclusivamente do comando legal.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
TIPICIDADE
A tipicidade é a adequação do fato com o tipo penal descrito na lei. A tipicidade pode ser formal ou material.
● Formal: A tipicidade formal é o juízo de subsunção entre a conduta praticada pelo agente e o modelo descrito pelo tipo 
penal. Por exemplo, o ato de matar alguém tem amparo no crime previsto no art. 121, do Código Penal. 
● Material: A tipicidade material (substancial) é a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico penalmente tutelado em 
razão da prática da conduta legalmente prevista. Por exemplo, roubar lesiona o patrimônio, bem jurídico tutelado 
penalmente.
Existe a possibilidade de uma conduta típica não ser considerada crime por não haver tipicidade material? Sim. É o caso do 
Princípio da Insignificância, que exclui justamente a tipicidade material. 
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
PERGUNTA
Analista Judiciário - Área Administrativa (FCC) - 2007
Questão 1. Tipicidade é:
A) descrição do fato no texto legal.
B) adequação da conduta ao tipo.
C) comparação da conduta particular com a culpabilidade concreta e descrita no tipo.
D) ação ilícita ou contrária ao direito.
E) juízo de reprovação social.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
PERGUNTA
Analista Judiciário - Área Administrativa (FCC) - 2007
Questão 1. Tipicidade é:
A) descrição do fato no texto legal.
B) adequação da conduta ao tipo.
C) comparação da conduta particular com a culpabilidade concreta e descrita no tipo.
D) ação ilícita ou contrária ao direito.
E) juízo de reprovação social.
Justificativa.
A tipicidade é, justamente, a identificação do fato praticado pelo agente com a hipótese disposta em lei. Trata-se do 
enquadramento de uma conduta ao tipo legal.
Vale pontuar que a tipicidade é a adequação da conduta ao tipo, enquanto o tipo é a descrição do fato no texto legal, havendo 
portanto uma diferença de conceitos.
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
PERGUNTA
Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área XXI (CESPE) - 2014
Questão 2.Quanto às penas, à tipicidade, à ilicitude e aos elementos e espécies da infração penal, julgue o item a seguir.
O princípio da insignificância, com previsão legal expressa na parte geraldo Código Penal (CP), é causa excludente da 
ilicitude do crime e exige, nos termos da jurisprudência do STF, mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma 
periculosidade social da ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica 
provocada.
A) Certo
B) Errado
Resultado, Nexo Causal e Tipicidade
PERGUNTA
Analista Legislativo - Consultor Legislativo Área XXI (CESPE) - 2014
Questão 2.Quanto às penas, à tipicidade, à ilicitude e aos elementos e espécies da infração penal, julgue o item a seguir.
O princípio da insignificância, com previsão legal expressa na parte geral do Código Penal (CP), é causa excludente da 
ilicitude do crime e exige, nos termos da jurisprudência do STF, mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma 
periculosidade social da ação, reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da lesão jurídica 
provocada.
A) Certo
B) Errado
Justificativa. Os erros da afirmativa são: o princípio da insignificância não está previsto no Código Penal e trata-se de uma 
causa excludente de tipicidade material, e não de ilicitude. 
Ademais, vale lembrar os pressupostos de aplicação adotados pelo STF: 
(a) a mínima ofensividade da conduta do agente,
(b) a nenhuma periculosidade social da ação,
(c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e
(d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada (exemplo: o furto de algo de baixo valor).
PRÓXIMA AULA
DOLO E CULPA

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