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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Profa. Me. Cora Costa DIREITO DE FAMÍLIA • Casamento • Como fica a união estável? • Aproveitam-se os efeitos? • As regras da LINDB sobre casamento também hão de ser aplicadas à união estável. • SALVO as atinentes às formalidades habilitantes e celebrantes. CAPACIDADE PARA CASAR • Aferida pela lei pessoal de cada um dos nubentes. • Pela lei do domicílio (LINDB, art. 7º, caput). • Independe o local da celebração do casamento e da nacionalidade das partes. • A forma do casamento segue a lei do local de sua celebração (art. 7º, § 1º, in fine). • A capacidade para contrair matrimônio obedece à lei pessoal de cada qual dos nubentes (art. 7º, caput). EXEMPLO Pretendendo um brasileiro casar-se no Brasil com consorte (independentemente da nacionalidade) domiciliada no Paraguai, deverá verificar se está a noiva habilitada pela lei paraguaia a se casar (no Paraguai, a maioridade se atinge aos 20 anos de idade, conforme o art. 36 de seu Código Civil). Alguém com dezoito anos de idade (idade plenamente núbil no Brasil) poderá ser ainda menor (e, portanto, incapaz) para contrair matrimônio pela lei de seu domicílio (o Paraguai). QUAL A LEI A REGER OS IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS? • A lei do local da celebração do matrimônio. Art. 1.521. Não podem casar: I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II - os afins em linha reta; III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; V - o adotado com o filho do adotante; VI - as pessoas casadas; VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte EXEMPLO Situação da noiva domiciliada no Paraguai cujo casamento se realizou no Brasil: não se há de verificar se a lei paraguaia impõe algum impedimento para o matrimônio, mas somente se a lei brasileira os estabelece. A lei estrangeira poderá dizer que está impedido de casar um parente colateral de quarto grau. Esse impedimento, à evidência, não será levado em consideração no Brasil, pois o Código Civil brasileiro proíbe colaterais de se casarem apenas até o terceiro grau (art. 1.521, IV). CASAMENTO REALIZADO NO BRASIL • Todas as formalidades habilitantes e celebrantes serão exclusivamente regidas pela lei brasileira (LINDB, art. 7º, § 1º). • Cada ordem jurídica chama para si a competência para reger as formalidades habilitantes e celebrantes do matrimônio • não deixando margem a que outra legislação estrangeira as conteste. CASAMENTO REALIZADO NO EXTERIOR • As formalidades habilitantes e celebrantes do casamento serão regidas pela lex loci celebrationis. • Cada país tem regras específicas sobre tais formalidades, que deverão ser observadas pelos nubentes. • Brasileiro que casa no exterior: • Obrigatoriedade do registro no Brasil dos assentos de casamento de brasileiros celebrados no estrangeiro. Art. 1.544, CC: casamento de brasileiro, celebrado no estrangeiro, perante as respectivas autoridades ou os cônsules brasileiros, deverá ser registrado em cento e oitenta dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil, no cartório do respectivo domicílio, ou, em sua falta, no 1º Ofício da Capital do Estado em que passarem a residir. • E se não houver o registro? • O casamento torna-se inválido? • Art. 7º, LINDB: a pessoa que é casada em seu domicílio, aqui também se presume casada, aplicando-se o estatuto pessoal. • O registro exigido não é constitutivo • Serve para efeitos de prova e publicidade do casamento consular. • Nesse sentido, o STJ: “o casamento realizado no estrangeiro é válido no país, tenha ou não sido aqui registrado, e por isso impede novo matrimônio, salvo se desfeito o anterior.” (STJ, Ac.3aT., REsp.280.197/RJ, rei. Min. Ari Pargendler, j.11.6.02, DJU 5.8.02). • A eficácia do casamento consular não registrado: • A falta de registro, após o prazo de cento e oitenta dias, não torna o casamento ineficaz no território brasileiro, harmonizando as regras do Código Civil com a regra do estatuto pessoal acolhida pela Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (art. 7o) • é possível lavrar o registro mesmo após o referido prazo. • Quem é casado no país em que estiver domiciliado, reputa-se casado no Brasil. CASAMENTO CONSULAR • Tanto brasileiros no exterior quanto estrangeiros no Brasil podem casar perante as autoridades consulares de seus respectivos países. • Nesses casos, será aplicada a lei nacional dos nubentes, em exceção à regra geral lex loci celebrationis. • A autorização para que cônsules celebrem casamentos no Estado: • Atribui competência a tais agentes para “agir na qualidade de notário e oficial de registro civil, exercer funções similares, assim como outras de caráter administrativo, sempre que não contrariem as leis e regulamentos do Estado receptor”. Art. 5º, f, da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1963. CASAMENTO CONSULAR DE BRASILEIROS NO EXTERIOR • Art. 18, LINDB. • As autoridades diplomáticas ou consulares estrangeiras só podem celebrar matrimônios de seus nacionais. • A nacionalidade dos nubentes poderá ser originária ou derivada. • Não poderão celebrar casamento de um nacional com um estrangeiro. • O critério adotado para os casamentos consulares é o da nacionalidade de ambos os nubentes. • Não tendo ambos os nubentes a mesma nacionalidade, só lhes resta convolar núpcias segundo as normas ordinárias estabelecidas pela lex loci. DIVÓRCIO • Os casais (nacionais ou estrangeiros) que contraíram núpcias no Brasil e aqui se domiciliam terão de submeter-se à competência da autoridade brasileira para aqui se divorciar. • Salvo eleição de foro estrangeiro, com a anuência de ambos. Homologação de sentença estrangeira de divórcio. Contestação: sentença proferida por juiz incompetente, citação nula e não comprovação do trânsito em julgado. art. 217, I a III, do Regimento Interno. 1. Casamento realizado no Brasil e aqui domiciliado o casal desde antes da união até a presente data, e não tendo havido eleição de foro estrangeiro, com a concordância de ambos, é incompetente para decretar o divórcio perante as leis brasileiras o juiz norteamericano, ainda que desta nacionalidade seja um dos cônjuges. 2. É nula a citação realizada no Brasil de acordo com as leis norteamericanas, mediante notificação remetida por cartório de registro de títulos e documentos, redigida em língua estrangeira. 3. Não se homologa sentença estrangeira sem prova do seu trânsito em julgado: Súmula 420. 4. Homologação indeferida. DIVÓRCIO CONSENSUAL CONSULAR • Lei nº 11.441/2007: possibilitou no Brasil a realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual pela via administrativa (extrajudicial). • Lei nº 12.874/2013: incluiu os §§ 1º e 2º ao art. 18 da LINDB, para o fim de autorizar às autoridades consulares brasileiras que também celebrem a separação e o divórcio consensuais de brasileiros no exterior. § 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. § 2º É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscriçãode petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública. DIVÓRCIO CONSENSUAL REALIZADO NO EXTERIOR • Independe de homologação pelo STJ para valer no Brasil, a teor do que expressamente dispõe o art. 961, § 5º, do CPC/2015: A sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no Brasil, independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça. • Qualquer divórcio consensual? • STJ → dispensa homologatória somente aplicável aos divórcios consensuais puros • quando na sentença respectiva não se discutam outras questões para além da mera dissolução do vínculo conjugal. • Divórcio consensual do tipo qualificado → se na sentença foram discutidas outras questões como guarda de filhos, alimentos ou partilha de bens, será necessária a prévia homologação da sentença pelo STJ para que possa operar efeitos no Brasil. RELAÇÕES PARENTAIS • Guarda de filhos • Estando pais e filhos domiciliados no Brasil: • será a lei brasileira a competente para determinar a atribuição da guarda (lei do domicílio familiar). • Nada importa, à luz do direito brasileiro, a nacionalidade de pais e filhos, senão apenas o seu domicílio no País. • Art. 7º, caput, da LINDB → “[a] lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre (…) os direitos de família”. • Pais domiciliados em países distintos → inexistirá o domicílio familiar. • Qual norma há de ser aplicada à determinação da guarda? • Lei do estatuto do filho (lei da residência habitual do menor, à luz do entendimento atual) • Sempre que outra não lhe seja mais favorável. ALIMENTOS • Convenção de NY sobre Prestação de Alimentos no Estrangeiro, de 20 de julho de 1956 → o Brasil é signatário. • Estabelece um sistema de cooperação internacional com vistas a facilitar ao credor de alimentos (“parte demandante”) que receba as verbas alimentares devidas de alimentante (“parte demandada”) que se encontra no território de um dos seus Estados-partes. • Convenção sobre a Lei Aplicável às Obrigações Alimentares foi concluída na Haia, em 2 de outubro de 1973. • Prevê como lei aplicável à regência das obrigações alimentares a lei da residência habitual do credor (art. 4º) • A convenção entrou no ordenamento jurídico brasileiro com a aprovação do Decreto 9.176/2017. • Passou a valer no Brasil a partir de 01/11/2017. ADOÇÃO INTERNACIONAL DE MENORES • A qualificação da adoção como internacional dá-se não em virtude da nacionalidade das partes, mas em razão de a residência do adotado e do(s) adotantes(s) localizar-se em diferentes países. • Em princípio, será a lei domiciliar do adotado a competente para reger a adoção (LINDB, art. 7º), sempre que outra não lhe seja mais favorável. Se um casal residente no Brasil adota uma criança residente no México, haverá adoção internacional, independentemente da nacionalidade do(s) adotante(s) e do adotado. Haverá, igualmente, adoção internacional se brasileiros residentes no exterior adotarem criança brasileira residente no Brasil. A QUESTÃO DA NACIONALIDADE • A criança estrangeira adotada por brasileiro não adquire, ipso jure, a nacionalidade brasileira em razão da adoção. • A pessoa adotada só poderá ser nacional do Brasil, quando maior, se assim pretender, e por meio do processo de naturalização. • Enquanto não for naturalizada brasileira, será a criança ou o adolescente pessoa estrangeira residente permanentemente no Brasil. • Naturalizando-se, porém, brasileiro, poderá o adotado (a depender da legislação de seu país de origem) manter a nacionalidade originária, passando, assim, a ter dupla nacionalidade. CONVENÇÃO INTERAMERICANA SOBRE CONFLITO DE LEIS EM MATÉRIA DE ADOÇÃO DE MENORES (1984) • Concluída em La Paz (Bolívia) em 24 de maio de 1984. • A Convenção se aplica à adoção de menores: • são pessoas de 0 a 18 anos, nos termos do art. 1º da Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989. • A residência habitual do menor será responsável por reger: • Sua capacidade, seu consentimento e demais requisitos para a adoção, bem como os procedimentos e formalidades extrínsecos necessários à constituição do vínculo (art. 3º). • A lei do domicílio do(s) adotante(s) há de regular • (a) a capacidade para ser adotante, • (b) os requisitos de idade e estado civil do(s) adotante(s), • (c) o consentimento do cônjuge do adotante, se for o caso, e • (d) os demais requisitos para ser adotante (art. 4º, primeira parte). • Quando os requisitos da lei do(s) adotante(s) forem manifestamente menos estritos que os da lei da residência habitual do adotado, a prevalência será da lei do adotado (art. 4º, in fine). • Finalidade: impedir que legislações estrangeiras facilitem a adoção internacional de menores, ameaçando a sua proteção. CONVENÇÃO RELATIVA À PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E À COOPERAÇÃO EM MATÉRIA DE ADOÇÃO INTERNACIONAL (1993) • Concluída na Haia em 29 de maio de 1993. • Em vigor no Brasil desde 1º de julho de 1999. • Objetivos: • (a) estabelecer garantias para que as adoções internacionais sejam feitas segundo o interesse superior da criança e com respeito aos direitos fundamentais que lhe reconhece o Direito Internacional; • (b) instaurar um sistema de cooperação entre os Estados-contratantes que assegure o respeito às mencionadas garantias e, em consequência, previna o sequestro, a venda ou o tráfico de crianças; • (c) assegurar o reconhecimento nos Estados-contratantes das adoções realizadas segundo a Convenção (art. 1º).