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Lâminas de serra

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA 
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS FLORESTAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LÂMINAS DE SERRA 
 
 
Prof. Elio José Santini 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANTA MARIA – RS 
2007 
SANTINI, E.J. Lâminas de serra 
 
2 
SUMÁRIO 
 
Elio José Santini1 
 
 
LÂMINAS DE SERRA 
 
1. PERFIL DOS DENTES 
2. PRINCIPAIS FORMATOS DE DENTE 
3. ELEMENTOS DOS DENTES DE SERRA 
3.1. Altura do dente 
3.2. Passo do dente 
3.3. Garganta do dente 
3.4. Ângulo de incidência 
3.5. Ângulo de afiação 
3.6. Ângulo de gancho 
4. MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DAS LÂMINAS 
4.1. Travamento 
4.1.1. Travamento por torção 
4.1.2. Travamento por recalque 
4.2. Afiamento 
4.2.1. Afiação com rebolo de esmeril 
4.2.2. Afiação com limas 
4.3. Tensionamento e desempenamento 
4.3.1. Serra de fita 
4.3.2. Serra circular 
4.3.3. Serra alternativa de quadro 
4.4. Soldagem da lâmina de serra-fita 
5. APLICAÇÕES DE REFORÇOS NOS DENTES DE SERRA 
5.1. Revestimento com estelita 
5.2. Pastilha de carbeto ou carboneto 
 
TECNOLOGIA DE CORTE: VARIÁVEIS ENVOLVIDAS 
 
1. Velocidade da serra 
2. Velocidade de alimentação 
3. Avanço por dente 
4. Profundidade de corte 
5. Largura de corte 
6. Volume de serragem 
7. Energia específica de corte 
8. Potência do motor da serra 
8.1. Serra de fita 
8.2. Serra circular 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
1. Engenheiro Florestal, Dr., professor da disciplina de Serraria e Secagem de Madeira do Curso de 
Engenharia Florestal do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria, Santa 
Maria – RS. 
SANTINI, E.J. Lâminas de serra 
 
3 
LÂMINAS DE SERRA 
 
 
 
 
1. PERFIL DOS DENTES 
 
A forma e o tamanho dos dentes de serra influem decisivamente sobre o resultado do 
corte da madeira. A escolha do formato mais adequado, que reflete no perfil do dente, é 
governada em primeira instância pelos seguintes fatores: 
 
1.1. Tipo de madeira 
 
Madeira dura e seca requer um formato de dente mais robusto. Madeira macia e madeira 
verde aceitam um dente com perfil menos robusto, resultando um maior espaço da garganta. 
 
1.2. Direção de corte 
 
Serras usadas para executar cortes transversais na madeira requerem dentes mais 
resistentes a esforços do que aquelas usadas para cortes longitudinais. 
 
1.3. Velocidade da serra 
 
Lâminas submetidas a altas velocidades geralmente são associadas ao corte de madeiras 
de coníferas e velocidades de alimentação maiores. Em razão disso, requerem uma área de 
garganta grande. 
 
1.4. Velocidade de alimentação 
 
Altas taxas de alimentação sobrecarregam os dentes, o que requer um formato de dente 
mais robusto. Mas altas velocidades de alimentação também requerem uma área de garganta 
ampla. 
 
1.5. Espessura da lâmina 
 
Uma lâmina fina requer um dente proporcionalmente mais forte do que uma lâmina 
espessa. 
 
1.6. Profundidade de corte 
 
Sob as mesmas condições, um aumento da profundidade de corte requer maior área da 
garganta. Ao mesmo tempo, contudo, a lâmina será submetida a maiores esforços, o que deve ser 
compensado pela redução da velocidade de alimentação. 
 
 
2. PRINCIPAIS FORMATOS DE DENTE 
 
Existem basicamente três formas de dente, as quais envolvem as condições gerais de 
corte da madeira, considerando-se tanto madeira verde como seca. A principal diferença entre 
elas se refere à área da garganta. Essas formas, apresentadas na Figura 1, deveriam ser mais ou 
menos modificadas de acordo com as condições reais de trabalho. 
SANTINI, E.J. Lâminas de serra 
 
4 
FIGURA 1 - Formas de dente para lâminas de serra-fita 
 
 
Esta forma é geralmente usada para lâminas de fita 
estreitas, ou seja, larguras de até 50 mm. É um dente 
resistente que pode ser recomendado para madeiras 
excessivamente duras. A área da garganta é 
comparativamente pequena. 
 
Esta forma tem a base do dente plana e uma área da 
garganta grande. É recomendada para madeira com 
grã grosseira e fibrosa e, geralmente, para madeira 
macia. Na opinião de especialistas de serra, a base 
plana do dente reduz os riscos de surgimento de 
fendas nesses locais. 
 
 
É a forma usual para lâminas de fita largas, 
especialmente aquelas com dentes recalcados. 
Devido a forma convexa do dorso do dente, o ângulo 
de incidência é reduzido a um mínimo. 
 
3. ELEMENTOS DOS DENTES DE SERRA 
 
Os principais elementos que compõem os dentes de serra são apresentados na Figura 2: 
 
FIGURA 2 - Principais elementos dos dentes de serra. 
 
 
 
α - ângulo de incidência δ - ângulo de gancho h - altura do dente 
β - ângulo de afiação p - passo do dente r - raio do fundo do dente 
 
 
3.1. Altura do dente (depth of gullet ou tooth height) 
 
Se refere a distância vertical entre a ponta e a base do dente. Para lâminas de serra-fita, 
seu valor deveria ser limitado a um máximo de 43% do passo do dente (ALLEN, 1975). Para 
lâminas com largura entre 100 e 200 mm, a altura do dente pode ser calculada através da 
seguinte equação: 
 
.p
e
e
0,43h
15






= Equação 01. 
 
onde, h = altura do dente, polegadas 
e = espessura da lâmina, polegadas 
e15 = espessura correspondente a 15 gauge = 0,072 polegadas = 1,8288 mm 
p = passo do dente, polegadas 
SANTINI, E.J. Lâminas de serra 
 
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Alguns valores de altura de dente, indicados para madeira macia e madeira dura, são 
apresentados na Tabela 1. Os valores mostrados evidenciam que o passo do dente é maior nas 
serras largas do que nas estreitas, porque aquelas comumente operam a velocidades mais altas e 
estão aptas a realizar cortes mais profundos, e deste modo, necessitam gargantas mais espaçosas. 
 
TABELA 1 - Altura do dente em função do seu passo, da largura e espessura da lâmina. 
 
largura da lâmina 
(mm) 
 
 
espessura da lâmina 
(mm) 
m d 
 
passo do dente 
(mm) 
m d 
 
altura do dente 
(mm) 
m d 
101 
 
0,89 - 1,24 
 
44,4 - 25,4 
 
11,1 - 6,3 
127 
 
1,06 - 1,47 
 
44,4 - 38,1 
 
12,7 - 11,1 
152 
 
1,24 - 1,65 
 
50,8 - 44,4 
 
17,5 - 15,8 
178 
 
1,47 - 1,82 
 
50,8 - 44,4 
 
19,0 - 17,5 
203 
 
1,65 - 2,10 
 
57,1 - 44,4 
 
23,8 - 19,0 
m = madeira macia; d = madeira dura 
Fonte: KOCH (1964) 
 
Considerando-se que um eficiente avanço por dente é uma função do travamento (e em 
conseqüência, da espessura da lâmina), é possível expressar a altura do dente como uma função 
da espessura da lâmina e passo do dente. Em outras palavras, uma lâmina fina produz menos 
resíduos do que uma lâmina espessa, e deste modo, necessita menos espaço na garganta. 
 
3.2. Passo do dente (tooth pitch) 
 
É a distância entre as pontas de dois dentes consecutivos . É influenciado pelo tipo de 
madeira, tipo de lâmina, tipo de travamento, velocidade da serra, velocidade de alimentação, 
profundidade de corte, dentre outros. Seu valor geralmente é maior para lâminas largas, 
recalcadas, que funcionam a altas velocidades e realizam cortes profundos na madeira, já que um 
passo grande permite uma maior capacidade da garganta. 
O consumo de energia é inversamente proporcional ao tamanho do passo. Entretanto, se o 
valor for muito grande os dentes podem perder o fio mais rapidamente, uma vez que cada dente 
será mais exigido para cortar o mesmo comprimento de tábua. Um valor de passo pequeno 
produz superfícies de corte mais lisas, porém com um maior consumo de energia. 
O passo do dente está diretamente relacionado com o comprimento da lâmina, no caso da 
serra fita, ou a circunferência da mesma (serra circular), e inversamente proporcional ao número 
de dentes, conforme as equações abaixo:
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