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Controle de vocabulário   Recuperação da informação   Arquivologia   Aguiar

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records, repository for original records, authorithy”. A palavra arch, de onde provém, tem por 
sua vez o sentido mais lato de “foundation, command, power, authority”. Refere-se pois ás 
atividades administrativas (DURANTI, 1989, p. 6 apud ROSSEAU; COUTURE, 1998, p. 32). 
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instaurado o conceito de Arquivo Público, ao possibilitar acesso à sociedade. 
Outro aspecto importante destacado pelo autor foi o uso do documento como 
garantia de prova para constituição de direitos dos cidadãos. Percebe-se 
também a presença de elementos constituintes de uma rede de arquivos e de 
serviços disponíveis aos cidadãos. 
Da idade antiga a idade média os arquivos constituíram um arsenal 
valioso de informações de auxílio para o fortalecimento de ideologias políticas, 
culturais e econômicas aliadas às práticas administrativas dos governantes. 
Na Idade Média, “verifica-se igual tendência, acrescida de uma 
preocupação inicial com a autenticidade dos documentos.” (TESSITORE, 1996) 
A evolução dos arquivos medievais e do fazer arquivístico nesse 
período, ainda é fortemente marcada pela ausência de construtos teóricos, 
orienta-se pela prática indutiva, funcional e empírica, utiliza-se de 
procedimentos e operações herdadas da antiguidade romana. 
Nesse período, amplia-se a noção das instituições arquivísticas como 
espaço, lugar onde se preservam documentos antigos. 
SILVA et al (2002, p.70-100) afirma que no período medieval o sentido 
prático da administração é influenciado pelas normas do direito romano. 
Contribuiu significativamente para ampliar o valor e a função da escrita e os 
arquivos adquirem ainda mais importância. Neste período há o surgimento de 
novas tipologias documental custodiado pelos arquivos, o que denota um 
avanço no fazer administrativo, a qual passa a conservar outros documentos, 
além da perspectiva jurídica e administrativa, conserva-se também, 
documentos financeiros e até historiográficos. 
Em decorrência do aumento e da proliferação de novos tipos de 
documentos, verifica-se a primeira nomeação de arquivistas nas cortes 
européias, além dos primeiros regimentos de funcionamento de arquivos e 
organização de inventários. Este período foi marcado pela aceleração dos 
arquivos, não havendo mudanças significativas concernentes ao conceito de 
arquivo e das práticas arquivísticas. Mesmo com o surgimento e o 
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aperfeiçoamento dos regulamentos, os arquivos no período medieval 
continuavam sendo orientados por matrizes que remontam à Antiguidade 
Clássica, mantêm-se a origem administrativa da documentação; a concepção 
jurídica do serviço; a noção de que ele é fonte de informação; inclusive 
servindo de memória sobre o passado; e finalmente o caracter privado do 
acervo, cujo acesso depende diretamente do soberano” (SILVA et al, 2002, 
p.88). 
Vê-se o surgimento do Estado Propriedade e a decadência do Estado 
como República, isto é, a noção do público é substituída pelo surgimento do 
privado. Nesse período prevalecem os ideais políticos do Estado soberano, 
norteado pela noção do privado como forma organizativa sócio-política de toda 
sociedade. Nesse contexto desaparece a noção de Arquivo Público. 
Com o advento da era moderna e a criação dos Estados-Nação, 
configura-se a ampliação da representação patrimonialista e jurídico-
administrativo da instituição arquivística como espaço e como instrumento para 
garantir a eficiência administrativa e política dos estados. 
A partir do século XIV, assiste-se à maturação do fazer arquivístico 
advinda das necessidades de aprimoramento do fazer arquivístico para apoiar 
com mais eficácia o aparelho do estado. 
O fazer arquivístico neste período, passou assentar-se não apenas no 
empirismo, mas em procedimentos, regulamentos e normas. 
O advento da Revolução Francesa em 1789, reconfigurou os planos 
político, econômico, social e cultural da sociedade ao estabelecer como 
princípio norteador de sua ação política os conceitos de Soberania Nacional e o 
Estado de Direitos, instaura-se os princípios de justiça, garantia, 
responsabilidade, eficácia da administração estatal diante dos cidadãos. 
Vê-se o aparecimento de uma configuração política e social, com nítida 
diferenciação das esferas pública e do privado, enfatiza o direito público como 
princípio organizacional de todo o ordenamento político (FARIA, 1978, p. 33-34 
apud CAMARGO, 1988, p.58). 
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No âmbito da Arquivística vê-se o surgimento da Lei de 7 messidor, 
aprovada no ano II da Revolução. 
“[...] todo cidadão tem direito de pedir em cada depósito a exibição dos 
documentos ali contidos” (JARDIM 2001, p.4). 
Ao inaugurar a noção de acesso e uso social dos arquivos, os mesmos 
deixam de ser meramente um instrumento a serviço do estado e da 
manutenção do poder e aos poucos passam a ser entendidos como um 
Arquivo da Nação, ao permitir o direito do cidadão comum o acesso aos 
documentos de arquivos. Surge então, em 1790 a criação do Arquivo Nacional 
da França, fruto das atividades, ações e atos produzidos pela Assembléia 
Nacional na Revolução de 1789. De acordo Schellenberg (2005, p.26) é 
considerado o primeiro Arquivo Nacional do Mundo. 
A iniciativa contribuiu para a instituição de uma administração orgânica 
responsável para cobrir toda a rede de repartições públicas acumuladoras. 
(JARDIM, FONSECA, 1992, p.24-25). 
A partir de 1790, logo após o advento da Revolução Francesa, inicia-se 
no interior da prática arquivística o surgimento de importantes marcos. 
(Schellenberg, 2005, p.27) 
? Criação de uma administração nacional e independente dos arquivos; 
? Proclamação do princípio de acesso público aos arquivos; 
? Reconhecimento da responsabilidade do Estado pela conservação 
dos documentos de valor passado. 
 
Nesse período, um dos feitos que merecem destaque é a proclamação 
do princípio de acesso público aos documentos, ao ampliar a dimensão social 
do arquivo, e provocar o uso social dos arquivos. 
Outro marco que impactou positivamente para a institucionalização 
política das organizações arquivísticas foi a iniciativa da criação dos arquivos 
públicos. Schellenberg (2005, p.30-33) aponta quatro razões principais para 
esta iniciativa: 
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? necessidade prática de incrementar a eficiência governamental. 
A necessidade prática de organizar e preservar os documentos 
produzidos e acumulados no passado (Antiguidade, Idade Média e Antigo 
Regime) como também os documentos produzidos em decorrência dos atos e 
atividades desenvolvidas no âmbito da Revolução de 1789. 
De acordo com Schellenberg (2005, p. 26) “deveriam ser guardados os 
documentos da Nova França, documentos esses que traduziam suas 
conquistas e mostravam suas glórias”. Isso por que: 
 
Durante toda a Revolução Francesa, os documentos foram 
considerados básicos para a manutenção de uma antiga 
sociedade e para o estabelecimento de uma nova. Os 
documentos da sociedade antiga foram preservados 
principalmente e, talvez, sem essa intenção, para usos 
culturais. Os da nova sociedade o foram para proteção de 
direitos públicos (SCHLLENBERG, 2005, p. 27). 
 
 
 
? A segunda razão foi de ordem cultural 
Instaura-se uma visão culturalista dos acervos custodiados pelas 
organizações arquivísticas em detrimento de uma visão utilitária 
administrativo, político e jurídico. Instauram-se as noções de patrimônio 
cultural e documental e, conseqüentemente, das instituições arquivísticas, 
prevalece o entendimento dos arquivos públicos como constituintes de fontes 
para fins culturais, devendo ser preservados. 
? A terceira razão foi de interesse pessoal. 
A importância dada aos documentos antigos e os recentes, forçaram os 
revolucionários franceses a criar os Archives

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