Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
LICENCIATURA PLENA EM FÍSICA
ASTRONOMIA EM PERNAMBUCO
Recife, 2018
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE FÍSICA
LICENCIATURA PLENA EM FÍSICA
Astronomia em Pernambuco
Trabalho apresentado pelas alunas: Gleyce Alves Pereira da Silva e Hemily Eduarda Santos à disciplina de Conceitos de Astronomia, ministrada pelo professor Antônio Miranda do Departamento de Física da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), referente à realização do trabalho de Astronomia em Pernambuco.
Recife, 2018
 INTRODUÇÃO
	
	Durante o período holandês, entre os anos de 1637 e 1644, se deu o surgimento da Astronomia em Pernambuco que teve como marco a instalação do primeiro observatório das Américas, ato atribuído ao George Marcgrave. Após esse pontapé inicial, a história da astronomia em Pernambuco teve uma pequena pausa, sem grandes acontecimentos contados. Entretanto, no século XX, o padre Johannes Michael Antonius Polman surgiu com uma nova maneira de trabalhar e praticar a astronomia em Pernambuco.
	 Polman, autodidata e cético quanto a pseudociências, desenvolveu pesquisas, estudos e atraiu a atenção de muitos recifenses localizados próximos ao observatório astronômico instalado no bairro da Várzea, Pernambuco. O observatório fazia parte das instalações do antigo Clube Estudantil de Astronomia – CEA, o qual era dirigido pelo Polman e contava com uma equipe de colaboradores que promoviam a prática astronômica no local.
Após constituir o CEA, atrair muitos adeptos à prática astronômica, ministrar cursos e praticar observações astronômicas, a glória conquistada e difundida pelo Jorge Polman sucumbiu. A população não pode mais estar presente nas atividades realizadas no observatório e, devido à inúmeros problemas impostos pelos membros da Ordem da Igreja Católica a qual o padre pertencia, levaram ao encerramento do CEA, e consequentemente resultaram no término daquilo que era feito em prol da divulgação astronômica naquele local.
 Entretanto, embora todo o histórico glorioso e de final desapontador, atualmente há grupos de Astronomia os quais surgiram a partir do legado do Jorge Polman, e que partem dos mesmos ideais do padre quanto aquilo que está ligado à divulgação e pesquisa nesta área científica. Esse breve levantamento histórico destaca um dos marcantes personagens do Estado e a importância da continuidade da prática astronômica para o público geral.	
O BRASIL HOLANDÊS
A invasão holandesa fez parte do projeto da Holanda (Países Baixos) em ocupar e administrar o Nordeste Brasileiro através da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Após a União Ibérica (domínio da Espanha em Portugal entre os anos de 1580 e 1640),a Holanda resolveu enviar suas expedições militares para conquistarem a região nordeste brasileira. Essas expedições tinham como objetivo restabelecer o comércio do açúcar entre o Brasil e Holanda, proibido pela Espanha após a União Ibérica.
						 Figura 1- As 17 províncias dos Países Baixos
 	A primeira expedição invasora ocorreu em 1624 contra Salvador (capital do Brasil na época). Comandados por Jacob Willekens, mais de 1500 homens conquistaram Salvador e estabeleceram um governo na capital brasileira. Os holandeses foram expulsos no ano seguinte quando chegaram reforços da Espanha.
 	Em 1630, houve uma segunda expedição militar holandesa, desta vez contra a cidade de Olinda (Pernambuco). Após uma resistência luso-brasileira, os holandeses dominaram a região, estabeleceram um governo e retomaram o comércio de açúcar com a região nordestina brasileira.
 	Em 1637, a Holanda enviou o conde Maurício de Nassau para administrar as terras conquistadas e estabelecer uma colônia holandesa no Brasil.
	Para a Holanda, com exceção do último quartel, o século 17 foi o da sua supremacia comercial na Europa. Durante o Brasil holandês o comercio e a circulação dos bens foram incentivados, e o crescimento da produção veio em conjunto. Distinto do que fazia Portugal, a coroa na Holanda se aliou ao capital 
Comercial. Enquanto o Brasil produzia, os flamengos transportavam, refinavam e distribuíam o açúcar pela Europa.
	Esse surto de desenvolvimento econômico refletiu na cultura liberal e burguesa da Holanda. Por isso essa época é conhecida como idade de ouro da Holanda nas artes, ciências e afins. 
MAURÍCIO DE NASSAU
	Império Romano- Germânico do século XVII. Trabalhou para a Compania Holandesa das Índias Ocidentais. Era responsável por administrar a região do Nordeste Brasileiro, conquistado pelos holandeses na terceira década do século XVII. Nassau nasceu na cidade de Dillenburg (Alemanha) em 17 de junho de 1604 e morreu na cidade de Cleves (Alemanha) em 20 de dezembro de 1679.
	Mesmo com a falta de interesse, por meio dos holandeses, de desenvolver a cultura dos países conquistados, usavam de intermédio pessoas aptas para estudar a sua natureza. No Brasil holandês não foi diferente, mas com o Conde Maurício de Nassau as ciências e artes tomaram destaque.
								Figura 2- Conde Maurício de Nassau
	Em 23 de janeiro de 1627, desembarcou no Recife o Conde Maurício de Nassau com a missão de tornar o Brasil holandês um empreendimento lucrativo.
GEORGE MARCGRAVE
	George Marcgrave era um naturalista alemão com formação em matemática, história natural, astronomia e medicina. Em 1638, veio para o Brasil, onde ficou até 1643. Realizou três expedições nos territórios dos atuais estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Sua primeira entrada no sertão ocorreu de junho a agosto de 1639 no Ceará. Trabalhou ainda no primeiro observatório astronômico montado na América.	Escreveu boa parte da Historia naturalis brasiliae, que seria publicado depois de sua morte, ocorrida em Luanda. Segundo Piso, Marcgrave teria morrido devido a fraqueza causada pelo alcoolismo, mas é mais provável 
 Figura 3 - George Marcgrave 
que a causa da morte tenha sido a febre tropical, como a malária, contraída na Angola.
Na década de 1630 Marcgrave e o naturalista Piso visitaram a Região Nordeste do Brasil, onde descreveram e desenharam centenas de espécies, entre elas o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), hoje extinto na natureza. A Historia naturalis brasilieae é o resultado desse extraordinário empreendimento científico, que seria empregado por Lineu para conceber seu conceito de 'espécie'. Marcgrave e Piso tiveram o patrocínio do conde Maurício de Nassau.
	Historia naturalis Brasiliae escrita em latim, tem duas partes: De medicina brasiliensi, com 4 livros de autoria de Piso, e Historiae rerum naturalium Brasiliae, com oito livros de autoria de Marcgrave. Dos oito livros de autoria de Marcgrave, os três primeiros tratam das plantas, sendo o primeiro sobre as ervas, o segundo sobre os arbustos e o terceiro sobre as árvores. O quarto livro trata sobre os peixes, o quinto as aves, o sexto dos quadrúpedes e serpentes, o sétimo dos insetos e o oitavo da região com os seus habitantes (geografia, etnologia e metereologia). 	 Figura 4 - Historia naturalis Brasiliae 
	Na apresentação da parte de Marcgrave, em Ad benévolos lectores, Laet diz que o texto de Marcgrave tinha trechos cifrados, porque o autor temia que o seu trabalho fosse publicado sem que fosse lhe dado os devidos créditos. Ainda no Brasil, antes de seguir para a Angola, Marcgrave deu o código das cifras para Nassau. A edição saiu com várias falhas porém, mesmo assim foi considerado o vade-mecum de história natural do Brasil durante um século e meio até as expedições de Spix, Martius e Wied-Neuwied ao interior do Brasil a partir de 1820.
	Laet encontrou, entre os papeis de Marcgrave, o titulo e o esquema de uma grande obra de astronomia com o título de Progymnastica mathematica americana,que lembra Astronomiae instauratae progymnasmata (Exercícios introdutórios para uma nova astronomia), obra mais importante de Brahe editada postumamente por Kepler em 1602. A semelhança não é só no título, mas também no conteúdo e no método: a elaboração de novas teorias com base na observação. A maior originalidade da obra de Marcgrave residia no fato de que ela descrevia o céu austral, pouco estudado até então. O livro foi dividido em três partes: 
Astronomia e Óptica: Estrelas austrais entre o trópico de Câncer e o polo sul celeste. Observação de planetas e eclipses referida às estrelas. Nova teoria dos planetas inferiores (Vênus e Mercúrio) baseada em observações próprias. Teoria da refração astronômica e paralaxe. Nova determinação da obliquidade da eclíptica. Observação de manchas solares e de outras raridades astronômicas (cometas, supernovas).
Geografia e geodésia: Teoria da longitude terrestre e o método de sua determinação. O tamanho da Terra com base em observações próprias. Avaliação dos erros dos geógrafos antigos e modernos.
Tabelas astronômicas mauricianas (Tabulae mauritii astronomicae): Com base nas duas partes anteriores seriam elaboradas essas tabelas.
Assim como as Tabelas Rudolfinas publicadas por Kepler em 1627 com base nas observações de Brahe foram dedicadas, por vontade deste, ao Sacro Imperador Romano Rodolfo II, as Tabelas mauricianas seriam dedicadas por Marcgrave ao conde Maurício de Nassau.
Criticando a edição de Laet de Historiae rerum naturalium Brasiliae, Piso decidiu preparar uma segunda edição, que recebeu o título de Indae utriusque re naturali et medica. Essa obra foi publicada em Amsterdã em 1658 e tinham catorze livros: seis de Piso, em que ele misturou seus próprios temas médicos com os temas de Marcgrave sobre fauna e flora.
O recifense Alfredo de Carvalho (1870 – 1916) afirmou num artigo que Nassau estabeleceu em seu palácio o primeiro observatório austral, de onde Marcgrave fez suas observações. Na biografia de Marcgrave publicada em 1912, Gudger disse que Nassau construiu para Marcgrave em 1639 um observatório de pedra. Essa construção tinha duas torres que podiam ser vistas do mar a seis ou sete léguas e que serviam como faróis aos marinheiros. Gudger ainda disse que foi uma dessas torres que provavelmente Marcgrave usou para seu observatório. 
	Os estudos da astronomia e Marcgrave no tricentenário da morte de Nassau deram ensejo a uma animada controvérsia entre North e o padre Jorge Polman (1927-1986) em torno desse mito. 
TYCHO BRAHE
Tycho Brahe nasceu em Knudstrup, Dinamarca, em 14 de dezembro de 1546, e faleceu em Praga, atual República Checa, em 24 de outubro de 1601. Desde jovem pretendia estudar astronomia, mas atendeu à ordem paterna e cursou, durante três anos o curso de direito na Universidade de Copenhague. Depois, seguiu para Leipzig, Rostock e Augsburg, onde aperfeiçoou seus conhecimentos humanísticos. A cultura astronômica de Brahe, formada na leitura assídua do Almagesto, de Ptolomeu, desenvolveu-se durante os anos de 1562 a 1565, graças exclusivamente aos seus próprios esforços. Embora utilizasse instrumentos rudimentares, demonstrou imperfeições no pensamento de Ptolomeu, passando a chamar a atenção dos astrônomos para a necessidade de instrumentos mais precisos e técnicas de observação mais acuradas. 
 Figura 5 - Tycho Brahe
Depois da morte de seu pai, em 1570, Tycho Brahe retornou à Dinamarca. Graças ao consentimento da família, instala, então, um observatório astronômico no castelo de Herritzvad e, em 1572, na tarde do dia 11 de novembro, descobre, com precisão extraordinária para a época, a exata posição da "estrela nova", na constelação de Cassiopéia. 
Em 1575 realiza viagem de estudos pela Europa, principalmente Alemanha e Itália. Volta à Dinamarca por insistência do rei Frederico 2º, que lhe concede, por doação, a ilha de Hven e uma pensão anual, a fim de que Brahe tivesse condições de construir e equipar um novo observatório astronômico. Dois observatórios foram construídos na ilha, e graças ao apoio do rei, Brahe tornou-se o maior astrônomo da sua época, realizando trabalhos fantásticos. 
Em 1577, por ocasião da passagem de um grande cometa, Tycho demonstrou que este se movia entre as esferas dos planetas, e, portanto, que o céu não era imutável, e as "esferas cristalinas", concebidas na tradição greco-cristã, não eram entes físicos. Apesar da discordância dos astrônomos daquele período, as observações de Brahe foram confirmadas.
Tycho foi o primeiro astrônomo a calibrar e checar a precisão de seus instrumentos periodicamente, e a corrigir suas observações por refração atmosférica. Também foi o primeiro a instituir observações diárias, e não somente quando os astros estavam em configurações especiais, descobrindo assim anomalias nas órbitas até então desconhecidas.
Depois da morte de Frederico 2º, seu sucessor, Cristiano 4º, reduziu consideravelmente a pensão anual de Brahe. Este, desiludido, deixou a Dinamarca em 1597. Aceitou o convite do rei Rodolfo 2º e se instalou no castelo de Benatki, em Praga.
No ano de 1598 publica Digressões sobre mecânica astronômica, obra na qual descreve os instrumentos que ele mesmo inventou e ajudou a construir. Em janeiro de 1600 recebe a visita de Johannes Kepler, que se tornará seu discípulo.
A obra-prima de Tycho Brahe foi editada, depois de sua morte, por Kepler, com o título de Novos conceitos astronômicos de Tycho Brahe. O livro reúne estudos de rara amplitude e extraordinário rigor.
Ainda que Tycho Brahe tenha procurado conciliar a velha doutrina geocêntrica de Ptolomeu com a teoria heliocêntrica de Copérnico - no sistema cosmológico de Brahe, todos os planetas, com exceção da Terra, giram em torno do Sol, e este, acompanhado pelos planetas, gira em torno da Terra -, sua produção científica inspirou o trabalho de importantes cientistas como Kepler, Galileu e Newton.  
JORGE POLMAN
	Padre Polman foi um notável mestre e incentivador da astronomia entre os jovens. Era de Amsterdã, na Holanda e chegou a combater em campo de batalha no fim da Revolução Nacional da Indonésia, em 1949. Em 1952, Polman chegou ao Brasil e, em 1957, foi ordenado sacerdote da ordem do Sagrado Coração de Jesus no Recife. Essa ordem já estava presente em Pernambuco desde do fim do século 19 e os missionários que para cá vinham eram da França, Bélgica e Holanda.
Autodidata, tornou-se professor de ciências físicas e biológicas do Colégio São João, na Várzea – Recife. Como professor, utilizou a astronomia como ferramenta pedagógica de forma ímpar. Em 1971, com o auxilio de um telescópio, aguçou a curiosidade dos alunos que o pediram para lhe Figura 6 - Padre Jorge Polman
mostrarem o céu noturno. 
	O até então pequeno grupo cresceu e deu origem ao Clube Estudantil de Astronomia (CEA) em 1972. Esse clube influenciou fortemente muitos jovens recifenses, que até hoje são fascinados pela astronomia.
 O CEA tinha ênfase na prática observacional, porém, Polman fundamentava essa prática com as aulas que dava. O CEA utilizava um observatório que tinha duas cúpulas, construído no segundo andar de um prédio que ficava na parte de trás do seminário. No térreo e no primeiro andar ficavam outras dependências do observatório, como auditório, biblioteca, oficinas de mecânica e óptica, exposições, etc.
 Figura 7 - Prédio Sede do Clube Estudantil de Astronomia
	“Observar, observar, sempre observar!” era um dos lemas do Padre Jorge Polman:
		“Que o esteio, a espinha dorsal de qualquer associação seja um programa rotineiro de observação, que seja observação de Variáveis; do Sol; Ocultações; Planetas; Lua; não importa o que. Mas que haja uma rotina, uma especialização que resulte em OBSERVAR, OBSERVAR, SEMPRE OBSERVAR” (Pe. Jorge Polman).
OBSERVATÓRIONO RECIFE
	O observatório tinha um formato hexagonal e foi construído numa base quadrada, o seu principal instrumento astronômico era o quadrante de 5 pés.
	Marcgrave fez observações dos mais variados tipos no Recife. Observou diversos fenômenos astronômicos, usou diferentes instrumentos, variou o método de observação e às vezes observou sem instrumentos, especialmente antes da construção do observatório.
ECLIPSES LUNARES
	Durante a estadia de Marcgrave no Recife, ocorreram 13 eclipses lunares. A Terra projeta no espaço um cone de sombra na direção oposta à do Sol. Um observador que estivesse no cone de sombra não veria o Sol, mas, ao redor do cone de sombra há uma região de penumbra. Nela um observador veria apenas um pedaço do disco solar. Quando num eclipse lunar a Lua penetra, ainda que parcialmente, no cone de sombra (umbra), o eclipse umbral. Um eclipse lunar é total ou parcial conforme a Lua penetra total ou parcialmente no cone de sombra. Quando a Lua penetra na região de penumbra, mas não penetra no cone de sombra, o eclipse é penumbral. Os eclipses lunares só ocorrem em noites de lua cheia, mas não é todas as noites de lua cheia que ocorrem eclipses.
	O eclipse do dia 26 de junho de 1638 observado por Marcgrave ocorreu no ano de sua vinda ao Brasil, algumas semanas depois da volta do fracassado ataque de Nassau a Salvador. A observação foi feita sem instrumentos e num tempo chuvoso, onde apresentava nebulosidade. No dia 21 de dezembro de 1638 o eclipse também foi observado antes da construção do Observatório, mas desta vez Marcgrave utilizou um quadrante de 1 pé. O eclipse que ocorreu no dia 8 de outubro de 1642 foi o primeiro a ser observado no Recife após a construção do observatório e já foi observado com o quadrante de 5 pés.
Figura 8- Tabela dos Eclipses Lunares
	ECLIPSE SOLAR
	O único eclipse solar visível do Recife enquanto Marcgrave esteve lá foi o de 13 de novembro de 1640 foi utilizado o quadrante de 5 pés para a observação. O tempo não foi muito favorável, mas não atrapalhou a observação do eclipse que pôde ser concluída com êxito.
OBSERVAÇÕES EXTRA – MERIDIANAS
	Com o quadrante, Marcgrave também fez várias observações extrameridianas. Em 20 e 21 de junho de 1640 observou o Sol. A maior parte de observações extrameridianas foi do planeta Mercúrio, já que os outros planetas, Marte, Júpiter e Saturno, eram observados em geral na passagem meridiana.
OBSERVAÇÕES NO OBSERVATÓRIO COM E SEM LUNETA
	Em Leiden, Marcgrave foi o pioneiro na introdução da luneta como instrumento de pesquisa num observatório astronômico. No Recife, ele começou a utilizar a luneta somente depois que o observatório ficou pronto e foi utilizada para observar ocultações, conjunções, satélites de Júpiter e fases.
CIÊNCIA POR ARRAES
	Miguel Arraes de Alencar nasceu no dia 15 de dezembro de 1916 foi um advogado, economista e político brasileiro. Foi prefeito da cidade de Recife, deputado estadual, deputado federal e por três vezes governador do estado de Pernambuco.
	No Brasil, em São José do Campo – SP existe uma das maiores empresas mundiais em jatos particulares, a EMBRAER. A PETROBRAS é liderança mundial em prospecção de petróleo em águas profundas, dessa experiência resultaram as pesquisas na camada do pré-sal que está a cerca de 800m de profundidade a contar da superfície do mar.
							 Figura 9 - Miguel Arraes
	A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) é outro exemplo brasileiro de destaque. Foi criada em 26 de abril de 1973, para desenvolver tecnologias para a agricultura e pecuária brasileiras. Um dos produtos de maiores destaques do trabalho da EMBRAPA é a soja, que colocou o Brasil entre os maiores produtores mundiais.
	Em Pernambuco, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (LAFEPE) é um exemplo de investimento que resistiu a todas as intempéries. O LAFEPE foi concebido por ocasião do primeiro governo do Dr. Arraes. Ele sempre buscou inovação em favor da população, tanto na criação do Laboratório do Estado, ainda no seu primeiro governo, para a produção de medicamentos a preço baixo, como na preocupação com a eletrificação rural.
	Em sintonia com o que seria comprovado pelas sociedades americanas de engenharia, o Dr. Arraes já via, em 1963, a “eletrificação” como um item fundamental de transformação da qualidade de vida das pessoas.
TURISMO ASTRONÔMICO
TORRE MALAKOFF
A Torre Malakoff, construída em estilo oriental, tunisiano. Funcionou como centro de defesa de Sebastopol em 1855, recebeu esse nome pela sua equivalência com uma fortificação da península da Criméia. A Torre foi conquistada por Mac-Mahon no século XIX, quando acontecia a guerra da Criméia entre a Rússia, a França, a Turquia, a Inglaterra e Piemonte. Mas com a conquista de Mac-Mahon, ele e seus aliados tiveram a vitória naquele conflito.
A torre recifense foi utilizada por muitos anos como observatório astronômico e sede da Capitania dos Portos em Pernambuco. O monumento possui um minarete branco, em forma quadrangular, um relógio,
 Figura 10- Imagem da fachada da Torre Malakoff.
relógio, uma pequena cúpula, ameias nos ângulos, algumas janelas estreitas pintadas na cor azul e um portão de ferro com uma data gravada: 1853. E, em um escudo acima do portão, lê-se: 1855.
	Em 1924 a Torre Malakoff foi ameaçada de demolição. Entretanto, não chegou a ser demolida. E mais uma vez em 1929 o Governo Federal ameaçou o monumento e Mário Melo foi um dos principais a lutar para preservar a Torre, como o mesmo era jornalista ele exerceu o direito que lhe cabia divulgando matérias da época em que a edificação foi construída conquistando assim o apoio do Instituto de Arqueologia, Histórico e Geográfico de Pernambuco.
	Então, contando com o apoio do Instituto citado no parágrafo anterior Mário Melo conseguiu manter a Torre Malakoff e hoje temos uma das ruas do recife com o seu nome. Coincidentemente, do lugar onde se encontra, hoje, o busto célebre intelectual, na avenida que leva o seu nome, é possível se avistar, ao longo, a tão imponente Torre Malakoff.
	Atualmente a Torre é aberta de Terça a sexta, das 10h às 17h | Sábados, das 15h às 18h | Domingos, das 16h às 19h30. Onde todos os domingos o Projeto Desvendando o Céu Austral promove observação astronômica e a entrada é gratuita.
Figura 11- Imagem de uma menina fazendo uma observação da lua oferecida pelo Projeto Desvendando Céu Austral
OBSERVATÓRIO DO ALTO DA SÉ DE OLINDA
O observatório do Alto da Sé de Olinda, localizado no Sítio Histórico de Olinda, lugar próximo de onde teria sido descoberto um cometa, que ficou conhecido como Cometa de Olinda, pelo astrônomo Emmanuel Liais, enviado por D. Pedro II, Imperador do país. Em 6 de dezembro de 1882, astrônomos observaram o Trânsito de Vênus. Após esses acontecimentos o observatório foi desenvolvido em 1890 em um estilo neoclássico e formato cilíndrico, onde seria um lugar para estudar os astros. Abandonado, o espaço foi usado como uma estação meteorológica e na década de 70 foi desativado até ser reaberto pelo Espaço Ciências em 2004, quando foi instalado uma cúpula giratória. 
 Figura 12- Imagem referente ao Observatório do Alto da Sé em Olinda.
Atualmente, o Observatório do Alto da Sé conta com exposições didáticas e tem monitores treinados para orientar a visita e realizar atividades didáticas como o Dominó das Estrelas ou oficina de montagem, lançamento de foguetes e oferece uma vista das mais belas paisagens de Pernambuco.
Existe também uma exposição temática “A próxima fronteira” localizados em três pavimentos do Observatório, que são, no térreo assuntos acerca da Lua, no primeiro andar Marte e no segundo andar Universo desenvolvendo assim uma exploração espacial. O espaço funciona de terça-feira a domingo, das 16h ás 20h. Grupos com mais de dez pessoas devem agendar as visitas pode meio do telefone (81) 3183-5528. A entrada é gratuita.
Figura 13- Imagem do Térreo onde encontra-sea exposição sobre a Lua e os telescópios utilizados para promover a observação do céu.
Figura 14- Primeiro andar do Observatório do Alto da Sé, que aborda conhecimentos sobre Marte e possui uma luneta para observações.
Figura 15-Segundo andar do Observatório que possui como tema o Universo, sendo esse a cúpula metálica possuindo um telescópio tipo newtoniano da marca MEADE modelo LXD-55 com tripé motorizado com acesso automático a mais de 30.000 objetos celestes em seu banco de dados.
OBELISCO MONUMENTAL DO TRÂNSITO DE VÊNUS DA SÉ
	Situado na rua Bispo Coutinho, na Sé o Obelisco lembra a passagem de Vênus pelo disco solar. Durante o trânsito de Vênus o Brasil participou do primeiro grande empreendimento internacional de ciência básica, ao estabelecer três postos de observação sendo um dele em Olinda sob a chefia do astrônomo Julião de Oliveira Lacaille (1852-1926). Em Olinda, apesar das condições não terem sido boas foi possível acompanhar o fenômeno. O trânsito de Vênus tinha o objetivo de medir o paralaxe do transito de Vênus, intenção era que com isso pudéssemos obter uma precisão melhor da distância entre o Sol e a Terra, unidade astronômica (UA). A segunda medida foi realizada pela Sociedade Astronômica do Recife, pelo Espaço Ciências e pela Prefeitura de Olinda. 
	Atualmente, as pessoas podem visitar o obelisco histórico, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e nele encontram duas placas alusivas às duas medições realizadas no local. 
ESPAÇO CIÊNCIA
	 
Figura 16- Entrada principal do Espaço Ciências
	Atualmente, o Espaço Ciências é o maior Museu a céu aberto da América Latina e tem como objetivo popularizar a ciência e apoiar o ensino. A instituição pertence a Secretaria de Ciências, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, não possui fins lucrativos e é aberta ao público. Conta com cerca de 43 funcionários e 70 monitores para atender as necessidades do público. Ocupando uma área de 120 mil m². Possui um Planetário, Auditório, Anfiteatro, Hall de exposições, centro educacional e combina as diversas exposições montadas nos ambientes fechados com as centenas de experimento a céu aberto.
	O horário de funcionamento de segunda a sexta é das 8h às 12h e das 13h às 17h e nos fins de semana das 13h30 às 17h. O horário limite para a entrada de grupos às 16h.
Figura 17-Planetário pertencente ao Espaço Ciências.
 		
Figura 18-Um dos espaços abertos do Espaço Ciências.
PROJETO DESVENDANDO O CÉU AUSTRAL
	O programa “Desvendando o Céu Austral” tem como missão principal a inclusão social, usando estratégias para incentivar e despertar o interesse pela história da ciência e principalmente pela astronomia de Pernambuco.
	É um projeto de extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) que teve inicio em 2004 pelo professor Doutor Antônio Carlos da Silva Miranda ( ex-aluno do Padre Polman) que coordena as seguintes atividades: Oficina das Constelações da Bandeira do Brasil; Curso de Introdução à Astronomia; Observações Astronômicas; Oficina de Foguetes Educativos; o Teatro Científico Experimental, Domingo na Arena e o Turismo Astronômico. Além disso, participa da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com a Caravana da Astronomia e organiza com o INSA e o ON/RJ, a Semana Nacional de Popularização da Ciência do Semiárido. O projeto conta com algumas importantes parcerias: Espaço Ciência; Coordenadoria de Ensino de Ciências do Nordeste (CECINE/UFPE);   Torre Malakoff (Fundarpe); Instituto Nacional do Semiárido (INSA); Observatório Nacional (ON/RJ); Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF); Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC); Clube de Astronomia Vega do IFPE/Campus Pesqueira; Clube de Astronomia Noronha nas Estrelas, entre outros.
Figura 19- Integrantes do Desvendando o Céu Austral.
Figura 20- Curso de Astronomia ofertado pelo Projeto Desvendando o Céu Austral.
OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO DO SERTÃO DE ITAPARICA (OASI)
Figura 21- OASI
	A operação do telescópio foi iniciada em março de 2011, primeiro com missões observacionais presenciais. Desde janeiro de 2014, as observações têm sido realizadas de forma remota. 
As missões observacionais são concentradas em quinze noites por mês, conduzidas por astrônomos na sala de observações remotas do ON, no Rio de Janeiro, e contando com a assistência de um técnico presente no OASI.
	O OASI além de operação pioneira do telescópio robótico, permite a colaboração com outras instituições e projetos do ON – Observatório Nacional – integrando objetos de pesquisa, gerando publicações científicas e formando recursos humanos.
INICIATIVA DE MAPEAMENTO DE ASTEROIDES NAS CERCANIAS DA TERRA NO OBSERVATÓRIO NACIONAL (IMPACTON)
Figura 22- Projeto IMPACTON
O projeto IMPACTON é um esforço no sentido de integrar o ON e o Brasil aos programas internacionais de busca e seguimento de asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra. Esses programas, atendendo determinação da União Astronômica Internacional, visam detectar e monitorar pelo menos 90% desses objetos.
Entretanto, os projetos de busca estão concentrados no hemisfério Norte, fazendo com que 25% da esfera celeste não sejam explorados. Também deve ser notado que a maioria dos objetos descobertos é imediatamente perdida por não haver um seguimento que permita uma boa determinação da órbita. Vale ressaltar que aproximadamente 60% dos objetos próximos à órbita terrestre, alguns com dimensões da ordem de quilômetros, ainda não foram descobertos.
Em sua primeira fase, o projeto IMPACTON teve como objetivo a instalação de um telescópio robótico no Brasil para realizar o seguimento e a caracterização das propriedades físicas desses objetos. Definido como Projeto Estruturante no Plano Diretor do ON (2006-2010), buscou ainda atender às seguintes diretrizes institucionais:
ampliação da cooperação com grupos de pesquisa internacionais;
fortalecimento da atuação nacional do ON, com a ampliação de suas atividades em outras regiões do país e o estabelecimento de parcerias com diferentes instituições para a operação e sustentabilidade do projeto;
fortalecimento da área de pesquisa em Ciências Planetárias do Observatório Nacional, gerando publicações científicas e contribuindo para a formação de recursos humanos, em estreita colaboração com os cursos de pós-graduação do ON e o PIBIC.
A segunda fase, definida no Plano Diretor do ON (2011 - 2015), foi iniciada com a operação da infraestrutura de pesquisa instalada, agora denominada Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI). As observações realizadas no telescópio de 1,0 metro terão como resultado um conjunto homogêneo de dados sobre a distribuição das propriedades físicas de uma amostra estatisticamente significativa da população de objetos em órbitas próximas da Terra. Outro importante resultado esperado é o aprimoramento de tecnologias e softwares para a aquisição automática e remota de imagens e sua redução, também quase automática.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EDU, Uiowa Edu. Historia Naturalis Brasiliae. Disponível em: <https://wiki.uiowa.edu/display/1604724/Historia+Naturalis+Brasiliae>. Acesso em 17 de maio de 2018. 
INJURITIME. Archives. Disponível em: <http://www.injurytime.kr/archives/3330?ckattempt=1>. Acesso em 17 de maio. 
BLOGSPOT, Astronomia para você. Sobre Tycho Brahe. Disponível em: <http://astronomiapravoce.blogspot.com.br/2014/11/sobre-tycho-brahe.html>. Acesso em 18 de maio.
BLOGSPOT, Personastro. Jorge Polman 1927. Disponível em: <http://personastro.blogspot.com.br/2012/07/jorge-polman-1927-1986.html>. Acesso em 19 de maio de 2018.
PRAZERES, A. Observar, observar, sempre observar!. Revista macroCOSMO.com, ano I, Edição nº 8, Julho de 2004. Disponível em: <http://www.revistamacrocosmo.com/edicoes/download/pdf/ macrocosmo8.pdf> Acesso em 24 de maio de 2018.
WORDPRESS. Pergaminho Científico. Disponível em: <https://pergaminhocientifico.wordpress.com/2008/05/17/observar-observar-sempre-observar-pe-jorge-polman/>.Acesso em 24 de maio de 2018.
UFSCAR. Relea. Disponível em: <http://www.relea.ufscar.br/index.php/relea/article/view/56>. Acesso em 24 de maio.
DESENCANTADO. Sertão. Disponível em: <http://sertaodesencantado.blogspot.com/2014/06/observatorio-astronomico-do-sertao-de.html.> Acesso em 5 de junho de 2018.
EXTRANET. IMPACTON. Disponível em: <http://extranet.on.br/impacton/>. Acesso em 4 de junho.
VAINSENCHER, Semira Adler. Torre Malakoff. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br//>. Acesso em: 27/05/2018.
ESPAÇO CIÊNCIAS. Observatório Astronômico. Disponível em: <http://www.espacociencia.pe.gov.br/?atividade=observatorio-astronomico> Acesso em: 01/06/2018.
UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO. Turismo Astronômico. Disponível em: <http://www.ufrpe.br/br/content/turismo-astron%C3%B4mico-revela-tesouro-hist%C3%B3rico-de-pernambuco-na-ci%C3%AAncia-mundial> Acesso em: 01/06/2018
OLHO NO CÉU. Observatório da Sé em Olinda. Disponível em: <http://olhonoceu.blogspot.com/2012/01/observatorio-da-se-em-olinda.html> Acesso em 01/06/2018
ESQUADRÃO DO CONHECIMENTO. Observatório do Alto da Sé no alto e mais perto do céu. Disponível em: <https://esquadraodoconhecimento.wordpress.com/2015/03/11/observatorio-do-alto-da-se-no-alto-e-mais-perto-do-ceu/> Acesso em 01/06/2018
ESPAÇO CIÊNCIAS. Tratado Espaço Ciência. Disponível em: <http://www.espacociencia.pe.gov.br/wp-content/uploads/2017/07/TRATADA-ESPA%C3%87O-CI%C3%8ANCIA-1.jpg> Acesso em 06/06/2018.
DESVENDANDO O CÉU AUSTRAL. O projeto. Disponível em: <http://desvendandoufrpe.blogspot.com/2014/09/desvendando-o-ceu-austral-participa-de.html> Acesso em 06/06/2018.

Mais conteúdos dessa disciplina