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Princípio do juízo natural - Resumo

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Processo Civil - Resumo
PRINCÍPIOS DA JURISDIÇÃO: JUÍZO
NATURAL
Esse princí pio deve se r analisad o sob duas perspectiv as: o subje tivo e o
objetivo.
Do ponto de vis ta subjet ivo, a imparci alidade figu ra como uma car acterístic a
da função j urisdicional , é um pressu posto proces sual e um princíp io da jurisd ição. Se
o juiz atua r em uma causa e es tiver imped ido, por e xemplo, o processo s erá
invalidado pod endo enseja r a nul idade de s eus atos o u a propos itura de a ção
rescisória. O órgão juri sdicional é abstrat o, sendo com posto por agentes, q ue podem
ser variáve is ou perm anentes, se ndo que t odos exercem munus público, inclu sive os
advogados.
De forma objet iva, esse princípi o divide-se em du as garantias b ásicas:
proibição d e juízo ou tribunal d e exceção e respeit o absolut o às regras ob jetivas d e
determinação de compet ência. Assim dispõe a CF:
“Art. 5º
XXXVII - não haverá juíz o ou tribun al de exceção ;
(...)
LIII - ninguém ser á processad o nem sen tenciado se não pela au toridade
competente; (...)”

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É proibida a criação de juíz os ou trib unais para julgament os de causas
relacionado s a fatos já consum ados. A jurisdição só pode s er exerci da por ó rgãos
previstos na CF (monocráticos ou coleg iados). Log o, o juízo nat ural é ina fastável e,
salvo raríss imas exce ções (desafo ramento, po r ex.), ni nguém pode subtrair ou retira r
de sua compe tência as cau sas que lh e foram co metidas orig inalmente.
Quanto a c ompetência, o juiz natu ral é o c ompetent e para julga r cada c ausa,
sendo atrib uído pela le i o poder d e julgar. Um exemplo, é o tribu nal do jú ri, órgão
competente para julgar os crimes d olosos cont ra a vida.
Ainda, para que o juízo s eja natural é necess ário, além d o aspecto ob jetivo, q ue
o juiz e seus auxiliares sejam imp arciais (escrivão, per ito, mediadores e conciliadores) .
Os advogad os e defens ores públi cos são de fensores dos inte resses da pa rte
que representam, log o, são parciais p or excelência.
Caso seja constatada a p arcialidade do juiz, as pa rtes poderão arguir
impedimento (art. 1 44, CPC) ou s uspeição (deve ser p rovada art. 145, CPC). Os
dispositivos que tratam dessas hipóteses são aplicáveis também aos membros do
Ministério Público, auxil iares da justiça e demais sujeitos imparciais do process o, não
estando lim itados apen as à figura d o magistrad o.
“Art. 148. Aplicam-se os motivos de impedimento e de suspeição:
I - ao membro d o Ministério P úblico;
II - aos auxili ares da ju stiça;
III - aos demais sujeitos imparciais do processo.”
O Ministério Público po de atuar no s processos como parte ou também com o
custos legis ( fiscal da lei). Ainda assim, a atuação do Ministéri o Público c omo parte não
deve ser parci al como faz um advogado ao t utelar o seu cliente, o p romotor
representa interesses da sociedad e como um todo e te m sua atuaç ão limitad a às

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funções institucionais que a CF lhe at ribuiu. Logo, deve atuar sempre c om
imparcialid ade.
“Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a d efesa da o rdem ju rídica, do regime
democrático e dos inter esses socia is e individ uais indispo níveis.”
O promotor de ju stiça que , por exemp lo, deixar de pedir a abs olvição do réu
que sabe se r inocente , viola o p rincípio do juízo natu ral e atua fora das su as
atribuições legais. A inda assim, d a mesma fo rma que c om o magi strado, o mem bro
do Ministéri o Público q ue concede entrevistas , antes d o ajuizament o da ação ou no
curso do pr ocesso, emit indo sua opiniã o sobre o cas o, deve ser c onsiderado s uspeito
e afastado d o processo.
Portanto, c omo já me ncionado, o princípio do juízo natural não abrange
apenas o mag istrado. E ngloba tamb ém o membro d o Minist ério Público e os demai s
agentes que desempenham múnus público ao longo do processo. Ainda, o STF utiliza
a expressão “promotor nat ural”, tem a no infor mativo nº 511. Nesse se ntido:
“a impossibilidade de alguém s er processado senão pelo ór gão de
atuação do Ministério Público dotado de a mplas garantias pessoais e
institucionais, de absoluta independênc ia e liberdade de convicção, com
atribuições previamente f ixadas e conhecidas” (HC nº 90.277/DF)