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1 Profº Dr. SERGIO REIS FERRADOZA 11ª atualização em janeiro/2018 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO 2 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Material resumido para uso exclusivo dos alunos do 8º período da Faculdade Católica Dom Orione, para o 1º semestre de 2018. 3 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO MÓDULO 3 TRATADOS INTERNACIONAIS Ø É a ferramenta básica do DIP; Ø É a fonte mais importante do DIP; Ø Os mais antigos datam de 5.000 anos; Ø O primeiro registro, confiável, foi datado entre 1280 e 1272 a. C.. Foi um Tratado bilateral havido entre Hatusil III, rei dos hititas, e Ramsés II, faraó egípcio da XIXª dinastia. Ø O referido Tratado colocou fim à guerra nas terras Sírias, dispondo sobre a paz perpétua entre os dois reinos e, ainda, sobre comércio, migrações e extradição. 4 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø É indispensável para que os Estados (bilateral ou multilateralmente) assumam direitos e obrigações internacionais. Ø Regulam toda sorte de matéria. Ø É elaborado com a participação direta dos Estados e Organizações Internacionais, por isso é democrático; 5 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza CONCEITO DE TRATADO INTERNACIONAL Ø É uma conjunção entre os art. 2°, 1, a, da Convenção de Viena sobre os tratados (1969) e o art. 2°, 1, a, da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais (1986): É um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo DIP, quer conste de um instrumento único, quer de 2 ou + instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica. Ø Ou seja: 6 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza O tratado é todo acordo formal concluído entre sujeitos de Direito Internacional Público e destinado a produzir efeitos jurídicos. Ø Os tratados são normatizados pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, de 1969 com vigência internacional a partir de 27 de janeiro de 1980. Ø O Brasil ratificou o Tratado de Viena de 1969 no Decreto nº 7.030 de 14 de dezembro de 2009; Ø Há também o tratado entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais (Viena – 1986). 7 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø O Tratado mais importante é a Carta das Nações Unidas. Ø Foi assinada em São Francisco, em 26/06/1945, após o término da Conferência das Nações Unidas sobre Organização Internacional; Ø Entrou em vigência em 24/10/1945. Ø A Carta das Nações objetiva: • Preservar as gerações pós guerra (WW I e II); • Reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações; 8 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza • Estabelecer condições sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do DIP possam ser mantidos e, • Promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade ampla. 9 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 10 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Terminologia dos tratados internacionais TERMINOLOGIA DOS TRATADOS (NOMENCLATURAS) Ø São vários os sinônimos para a expressão Tratado. Ø Existem 38 nomenclaturas na Europa e 20 nos países de língua portuguesa para tratado. Ø O termo mais usual não difere tecnicamente dos demais, pois prestigia-se o conteúdo, a finalidade buscada pelas partes no documento internacional. Ø A CF/88, artigo 84, VIII, utiliza os termos: tratados, convenções e atos internacionais. 11 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: [...] VIII – celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional; v O tratado internacional é referendado pelo Congresso Nacional 12 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza SÃO ALGUNS DOS SINÔNIMOS DE TRATADO 1. Tratado: Ø É utilizado para os acordos solenes, matéria política. Ex.: tratado de paz. 2. Convenção: Ø Tratado que cria normas gerais e na maioria das vezes são tratados multilaterais e sobre matéria técnica. Ex.: convenção sobre o mar territorial. 13 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 3. Declaração: É usado para acordos que criam princípios jurídicos ou ‘afirmam uma atitude política comum’. Ex.: Declaração de Paris de 1856. Havia a Guerra da Criméia (1853 a 1856) onde a Rússia (derrotada) lutou contra a Turquia, França, Inglaterra e o Piemont-Sardenha (reino precursor da itália). Nesta declaração a Rússia cedeu parte da Bessarábia (o Sul) à Moldávia, neutralizando-se a sua posição no Mar do Norte. Cedeu também a embocadura do rio Danúbio para a Turquia e é proibida de manter bases ou forças navais no Mar Negro. O tratado estabelecia também a liberdade de navegação no Danúbio e assegurava uma administração à Moldávia. 14 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 4. Pacto: Ø É um tratado solene. Ø Foi utilizado pela 1° vez no Pacto da Liga das Nações (1919). Ex.: Pacto de Renúncia à Guerra de 1928. É O Pacto Briand-Kellogg (1928). Tratado multilateral destinado a renunciar à guerra como meio de solucionar conflitos. Abrangia 62 países. O Pacto nunca impediu nenhuma guerra, mas continua a ter força de lei nos EUA. No DI serviu como arcabouço para a noção de crimes contra a paz, sob a qual o Tribunal de Nuremberg sentenciou diversos criminosos de guerra. Desde a assinatura do Pacto Briand-Kellogg (1928), declarar guerra constitui um crime contra a paz. 15 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 5. Estatuto: Ø Estabelece normas para os tribunais internacionais, usualmente empregados para os tratados coletivos. Ex.: Estatuto da Corte Internacional de Justiça. 6. Acordo: Ø Geralmente usado para os tratados de cunho econômico, financeiro, comercial e cultural. 16 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ex. de acordo promulgados pelo Min. Lewandowski sobre execução penal e intercâmbio cultural em 24/09/2014 1. Acordos sobre transferência de condenados entre os países do Mercosul (assinado em 2004) e entre o Brasil e Angola (assinado em 2005). Conforme os acordos, um criminoso oriundo de um país e condenado em outro poderá cumprir pena em sua terra natal. Os acordos são válidos para nacionais e também para residentes legais e permanentes dos países envolvidos. O Objetivo é aproximar o detento de seus familiares durante a execução da pena, a fim de facilitar sua ressocialização. A transferência depende, de a conduta ser considerada criminosa em ambos os países, e do consentimento expresso do condenado. 17 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 2) Acordo na Área cultural com a Ucrânia e com o Kuaite. Criando base jurídica para a cooperação e o intercâmbio cultural em diversas áreas, como literatura, artes cênicas, visuais, música, cinema, bibliotecas e museus. Os acordos promovem a realização de projetos conjuntos em instituições culturais públicas e privadas, e facilitam a entrada, permanência e saída de participantes de iniciativas culturais. Os acordos com a Ucrânia, assinado em 2009, e com o Kuaite, assinado em 2010, preveem a criação de grupos conjuntos para acompanhar sua execução. Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp? idConteudo=275911&tip=UN 18 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 7. Modus vivendi: Ø Designa um acordo provisório ou temporário,que são realizados, por meio de troca de notas. Ø Os acordos de caráter administrativo também se consolidam por trocas de notas. Ex.: sobre a negação do Reno de 1936. 19 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 8. Protocolo: Ø Normalmente pode ter 2 significados: a) protocolo de uma conferência, que é a ata de uma conferência ou; b) protocolo-acordo, verdadeiro tratado em que são criados normas jurídicas. É utilizado neste caso como um suplemento a um acordo já existente. Ex.: Protocolo de Ouro Preto (1994), suplemento ao Tratado de Assunção (1991). 20 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Protocolo de Quioto (1997), constitui-se no protocolo de um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa antropogênicas do aquecimento global. 21 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 9. Concordata: Ø São os assinados pela Santa Sé sobre assuntos religiosos. Ø A concordata trata de matéria que seja da competência comum da Igreja e do Estado. 10. Compromisso: Ø Utilizado para os acordos sobre litígios que vão ser submetidos a arbitragem. 11. Acordo de sede: Ø Acordo em que um Estado permite a instalação física de uma organização internacional em seu território. 22 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 23 11) Troca de notas – são acordos sobre matérias administrativas. É um mecanismo convencional, utilizado, alternativamente, para a negociação e conclusão de Tratados. Pode haver TN quando as partes anseiam acordar sobre determinado assunto, com o intuito de produzir efeitos jurídicos. Também pode haver TN como meio de comunicação entre diplomatas, sem que se verifique o ânimo de resultar, tais notas escritas, num acordo ou Tratado. Pode haver TN quando as partes intencionam ver extinto certo Tratado em vigor (a denúncia). DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 24 12) Acordos em forma simplificada ou acordos executivos: São aqueles que não são submetidos ao Poder Legislativo para aprovação. Muitas vezes são feitos por trocas de notas. São concluídos pelo Poder Executivo. 13) Carta: Tratado solene que estabelece direitos e obrigações. Terminologia também empregada para denominar atos constitutivos de organizações internacionais. Ex.: Carta da ONU, Carta da OEA etc. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 25 14) Convênio - tratado que versa sobre matéria cultural ou de transporte, necessita, em regra, de aprovação do Legislativo. Ex.: Convênio de Intercâmbio Cultural Brasil - Japão (1961). 15) Acomodação ou compromisso ou arranjo: palavra não utilizada no Brasil. É um acordo provisório e segundo Rousseau, ele não tem por finalidade regulamentar a aplicação de um tratado anterior. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 26 18) gentlemen's agreementes (acordos entre cavalheiros): Estão regulamentados por normas morais. São bastante comuns nos países anglo-saxões. A sua finalidade é fixar um "programa de ação política". Não criam obrigação jurídica para o Estado, vez que são assinados em nome pessoal. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 27 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Classificação dos tratados internacionais 28 Ø São inúmeras as classificações utilizadas para os tratados internacionais. Utilizaremos as mais expressivas para o nosso estudo. Ø Utilizaremos a seguinte classificação: a) Quanto ao número de partes; b) Quanto ao tipo de procedimento utilizado para sua conclusão; c) Quanto a sua execução no tempo e; d) Conforme a sua natureza jurídica. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 29 a) QUANTO AO NÚMERO DE PARTES Ø Podem ser bilateral ou multilateral ou coletivo. Bilateral ou particulares Ø É celebrado somente por 2 partes. v Tratado entre Estado e Organização Internacional formada por vários Estados é singular. Ø Cada organização internacional independentemente de sua constituição, corresponde a uma pessoa jurídica de Direito das Gentes. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 30 Multilateral ou coletivo ou gerais ou plurilaterais: Ø É formado por 3 ou + partes pactuantes. Ø É aberto à participação de qualquer Estado, sem restrições, ou de considerável número de Estados. Ø Têm por objeto a produção de normas gerais de DI ou tratar, de modo geral, de questões de interesse comum. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 31 b) QUANTO AO PROCEDIMENTO UTILIZADO PARA SUA CONCLUSÃO: Ø Podem ser stricto sensu e tratados em forma simplificada. Stricto sensu ou em sentido estrito: Para sua conclusão, segue um procedimento complexo, composto de 2 fases internacionalmente distintas: FASE 1) Inicia com as negociações e termina com a assinatura de seu texto e, FASE 2) é a fase interna do Estado, que segue a regra legislativa para aprovação de uma norma internacional, culminando com a ratificação. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 32 De forma simplificada: Para sua conclusão, existe apenas uma fase, que é a assinatura do acordo. Com a assinatura as partes já apõem o seu consentimento definitivo em obrigar-se pelo pactuado. É necessário a ratificação. São geralmente tratados bilaterais, concluídos, na maioria das vezes, por meio de troca de notas, com sua lavratura em instrumento único, sem formalidades ou delongas. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 33 c) QUANTO A EXECUÇÃO NO TEMPO Ø Podem ser tratados transitórios ou permanentes, mutalizáveis ou não-mutalizáveis. Transitórios: são aqueles tratados que, embora criem situações que perdurem no tempo, tem sua execução feita de forma instantânea e imediata. São tratados criadores de situações jurídicas estáticas e objetivas, ex.: tratados que dispõem sobre cessão de territórios, estabelecem limites ou fronteiras, ou, ainda, transmitem de forma definitiva determinados bens. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 34 Permanentes: são aqueles cujos tratados cuja execução se protrai no tempo. Ex.: tratados de cooperação, de comércio, de extradição, os de proteção dos Direitos Humanos etc. Difere-se no tempo enquanto estiver em vigor e, pode ter vigência longa ou curta. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 35 D) QUANTO A CLASSIFICAÇÃO DOS TRATADOS Ø Podem ser mutalizáveis e não mutalizáveis. v Só ocorre nos contratos multilaterais. M u t a l i z á v e i s : a c o r d o s m u l t i l a t e r i a i s c u j o descumprimento por parte de alguma ou algumas das partes entre si não comprometem a execução do acordo como um todo. Neste caso, a inexecução do tratado por algumas das partes não impede que o mesmo continue sendo aplicado em relação às demais que o estão executando fielmente. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 36 Não-mutalizáveis: tratados multilaterais que não concebem divisão em sua execução, de sorte que, se alguma das partes, pelo motivo que seja, não puder cumprir o pactuado, uma em relação às outras, todas as demais irão sofrer com a sua violação. Ex. O tratado da Antártica. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICOFerradoza E) QUANTO A NATUREZA JURÍDICA Ø Podem ser tratados-lei e tratados-contrato. Tratados-lei (tratados-normativos): ou law-making treaties, geralmente celebrados por grande número de Estados. Objetiva fixar normas gerais de DIP, podendo ser comparados a verdadeiras leis. Neles, cria-se uma regra objetiva de DIP, pela vontade paralela das partes, de aplicação geral aos casos pelo acordo estipulado. As partes se comprometem de cumprir o acordado (pactua sunt servanda). 37 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Não são obrigatórias senão para os Estados que os celebram. São via de regra, tratados multilaterais, e há possibilidades de ingresso de outros Estados que não participaram do seu processo de conclusão. Tratados contratos: as vontades das partes são divergentes, não surgindo, assim, a criação de uma regra de DIP, mas estipulação recíproca de prestações e contraprestações com fim comum. Cada parte, neste caso, mira justamente aquilo que de bom pode lhe dar a outra. 38 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza É um verdadeiro contrato entre partes, que se exaure com o cumprimento da respectiva obrigação. Resultam de concessões mútuas dos Estados, de troca de vontades com fins diverso, e têm aparência de contratos (apesar de não serem contratos: são tratados). Ex. de tratado contrato: Tratado de Assunção e seus protocolos são tratados contratuais, já que visto que estabelecem normas de conduta. Uma vez equiparados aos contratos, esses tratados estariam subordinados ao princípio do pacta sunt servanda, o qual obriga as partes a cumprir o que foi acordado de boa-fé, sob pena de responsabilização internacional do Estado. 39 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza F) QUANTO A POSSIBILIDADE DE ADESÃO POSTERIOR DOS TRATADOS Ø Podem ser abertos e fechados. Abertos: os tratados que permitem posterior adesão por parte dos Estados que não participaram de suas negociações, ou mesmo não o ratificaram no momento devido. Os tratados abertos podem ser limitados ou ilimitados. Limitados: permitem a adesão posterior, mas são limitados a um número certo de Estados ou a algum bloco de Estados (Ex.: o tratado que constituiu o Mercosul). 40 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ilimitados: abertos para todos os Estados que pretendem ser partes no tratado (Ex. Tratados internacionais e proteção dos direitos humanos). Fechados: tratados que não permitem qualquer tipo de adesão posterior. 41 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza G) QUANTO AO PROCEDIMENTO UTILIZADO PARA SUA CONCLUSÃO Ø Solenes ou em devida forma: Ø Apresentem o seguinte rito: 1. negociação; 2. assinatura ou adoção; 3. aprovação legislativa estatal; e 4. ratificação ou adesão. 42 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 43 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Forma dos tratados internacionais Forma dos tratados internacionais: Ø Uma das principais características de um tratado é o seu caráter formal. Ø Um tratado para ser válido do ponto de vista jurídico necessariamente deve assumir a forma escrita. Ø Sempre que falamos de um tratado estamos nos referindo a um documento pronto e acabado, não sendo válido o uso de tal terminologia quando o instrumento ainda está em fase de negociação. 44 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 45 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Efeito jurídico dos tratados internacionais 46 EFEITOS JURÍDICOS DOS TRATADOS INTERNACIONAIS Ø O tratado deve produzir efeitos jurídicos no mundo do direito. Ø Assim, o tratado assume uma característica dúplice, uma de ato jurídico e outra de norma que deste ato decorre. Ø Ø É isto exatamente que diferencia o tratado dos acordos de cavalheiros (gentleman’s agreements) ou das meras cartas de intenções. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 47 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Validade dos tratados internacionais VALIDADE DOS TRATADOS INTERNACIONAIS Ø Para que os tratados tenham validade eles devem contar com 4 requisitos essenciais: • Capacidade das partes; • Habilitação dos agentes signatários; • Consentimento mútuo; • Objeto lícito e possível. 48 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 49 a) Capacidade das partes: Ø Todo Estado tem capacidade de concluir tratados (art. 6° da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados – 1969) Ø Às organizações internacionais está expresso no art. 6° da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre organizações Internacionais (1986); Ø A Santa Sé, os beligerantes, os insurgentes e os territórios internacionalizados também podem celebrar tratados internacionais. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 50 Ø A capacidade das partes em realizar tratados pode ser ilimitada se for o Estado Soberano. Ø Aos Estados semi-soberanos dependem da anuência dos Estados protetores. Ø No Brasil, conforme art. 52, V da CF/88 é o Senado: Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: V - autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios; DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 51 b) Habilitação dos agentes signatários Ø Consiste na concessão de plenos poderes aos representantes (negociadores) dos entes internacionais para negociar e concluir tratados; Ø Os secretários-gerais e secretários-gerais adjuntos são os representantes das organizações internacionais que estão dispensados da apresentação do instrumento de plenos poderes. Ø Os chefes de Estado e os chefes de governo dispõem de representatividade originária, enquanto os demais possuem representatividade derivada. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza c) Objeto lícito e possível: Ø O tratado não pode violar uma norma imperativa do DIP geral (Jus cogens), além de que o objeto não pode contrariar a moral; Art. 53 da Conv. Viena sobre Dto dos Trat. (69/86) Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de DIP geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de DIP geral da mesma natureza. 52 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 53 d) Consentimento mútuo: Ø O consentimento é a aquiescência dos sujeitos de DIP aos termos acordados durante a negociação e se expressa por meio da assinatura dos signatários Ø A Ratificação é o ato unilateral com que o sujeito de DIP, signatário de um tratado,exprime definitivamente, no plano internacional, sua vontade de obrigar-se. Ø A manifestação volitiva dos entes participantes não pode haver nenhum vício – erro, dolo, corrupção, ou coação de um Estado pela ameaça ou emprego da força. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 54 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Procedimento para formação dos tratados internacionais FORMAÇÃO DOS TRATADOS – PROCEDIMENTO (FASES) 55 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza FASE NOME DA FASE ATO PRATICADO 1 Negociação Ø É a primeira das fases da conclusão d o t r a t a d o , s e n d o e l a d e competência do Poder Executivo do Estado, mais precisamente e genérica do chefe de Estado. Ø Esta fase tem o seu fim com aelaboração escrita de um texto, que é o tratado. 56 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza FASE NOME DA FASE ATO PRATICADO 2 Assinatura Ø Põem fim a fase de negociação; Ø É importante por autenticar o texto do compromisso; Ø Não vincula o Estado pactuante, salvo quando o representante estiver autorizado, por simples assinatura, a fazê-lo. 57 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 3 Aprovação legislativa Ø Após a assinatura, o tratado passa Congresso; Ø No CN é discutido e, se aprovado, é encaminhado para a Presidência da República, que enviará Carta de Ratificação; Ø No CN os tratados costumam passar pelas comissões de re lações exteriores, de constituição e justiça e mais a comissão relativa à matéria do tratado. Ø Segue para aprovação em plenário, devendo ser aprovado por maioria simples pelas 2 casas legislativas. Ø Art. 49, I da CF: Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I - resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; Ø A decisão do parlamento é formalizada por meio de um decreto legislativo promulgado pelo presidente do Senado. 58 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 59 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 4 Ratificação ou a adesão Ø Ato unilateral por meio do qual a pessoa jurídica de DI, signatária de um tratado, expressa definitivamente, no plano internacional, sua vontade de obrigar-se, se sujeitar-se aos termos de um tratado. Ø O titular do ato de ratificação é sempre o Poder Executivo (titular das relações exteriores). Ø Poder Legislativo jamais ratificará tratados, pois a sua manifestação de vontade opera apenas no plano do direito interno. 60 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø A adesão ocorre se o país signatário não tenha participado do processo de feitura do tratado, aderindo a ele posteriormente. PRAZO PARA RATIFICAÇÃO DE UM TRATADO: Não existe prazo fixo para ratificação. O tratado pode silenciar a respeito, deixando este ponto para a vontade dos estados (prazo razoável) ou fixar um período máximo de tempo para sua ratificação. FORMA DE RATIFICAÇÃO: Deve ser expressa. Via de regra se consuma com a comunicação formal à outra parte, ou ao depositário do tratado. Ocorre então a troca e o posterior depósito dos instrumentos formais de ratificação. 61 FORMA DE RATIFICAÇÃO Ø Deve ser expressa. Ø Via de regra se consuma com a comunicação formal à outra parte, ou ao depositário do tratado. Ø Ocorre então a troca e o posterior depósito dos instrumentos formais de ratificação. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 62 DEPOSITÁRIO DOS INSTRUMENTOS DE RATIFICAÇÃO: Em tratados multilaterais não seria viável o envio dos instrumentos de ratificação para cada um dos países signatários do tratado, por isto criou-se a figura do depositário que é o país responsável pelo recolhimento dos instrumentos de ratificação de todos os países signatários e comunicação desta ratificação aos demais países. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 63 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 5 Promulgação Ø É o ato em que o chefe do poder executivo sanciona um tratado (ou uma lei) e determina que ela seja publicada; Ø A promulgação certifica a existência e a válidade do tratado, bem com sua executor iedade no âmbi to de c o m p e t ê n c i a d o E s t a d o o u o r g a n i z a ç ã o i n t e r n a c i o n a l participante; Ø A promulgação sucede à sanção e antecede a publicação. 64 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 6 Publicação Ø Leva ao conhecimento da população a existência e a executoriedade do tratado, já atestadas por intermédio do instituto da promulgação. Ø A todos é dado conhecimento de seus termos e do início de sua vigência. Ø O tratado só passará a ter validade interna após ter sido aprovado pelo Congresso Nacional e ratificado e promulgado pelo Presidente da República. 65 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 7 Registro Ø O registro é a lavratura do tratado no secretariado da ONU. Ø Quando um dos Estados acordantes requeira o registro do tratado para que ele surta efeito erga omnes contra todos os signatários. Ø O registro pode ser feito em qualquer fase. v Lembrando que nos tratados simplificados, o procedimento é mais curto exigindo apenas a negociação e assinatura. 66 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Efeito dos tratados internacionais 67 EFEITOS DOS TRATADOS INTERNACIONAIS Ø Em regra os tratados só produzem efeitos inter partes; contudo há exceções a saber (efeitos sobre terceiros). Efeitos sobre terceiros: a) Efeito difuso: atinge todos os Estados, pois se refere a situações jurídicas objetivas. ex.: Tratados entre condôminos de rio interior que resolvem abri-lo á navegação de outros Estados; tratado de limites; tratado de abertura de rios e mares à navegação. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 68 b) Efeito aparente: quando um tratado estabelece que as partes gozarão de vantagens e privilégios que uma delas vier a conceder a outros Estados, por outro tratado. Neste caso um tratado produz efeito para outro país como fato e não como norma jurídica. Ex.: tratado de alíquota privilegiada de impostos. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 69 c) Efeito de direito a terceiros: art. 36 da Convenção de Viena. Esta possibilidade, gera o direito de adesão ao tratado aos Estados que não fazem parte dele. Ex.: tratados abertos à adesão. d) Efeito de obrigações a terceiros: art. 35 da Convenção de Viena. Uma obrigação nasce para um terceiro Estado de uma disposição de um tratado se as partes no tratado tiverem a intenção de criar a obrigação por meio dessa disposição e o terceiro Estado aceitar expressamente, por escrito, essa obrigação. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 70 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Emenda nos tratados internacionais 71 Possibilidade de Emendas nos tratados: Ø Nos tratados, assim como as legislações, tem cabimento alteração de cláusulas ao longo do tempo por emendas; Ø Cada tratado disciplina o aceite ou não o instituto das emendas (carta da OEA 2/3 dos países membros). Ø Questão jurídica controversa é acerca da situação jurídica dos países não concordantes das emendas, se deixam de ser parte do pacto ou se mantém no tratado com a sua vigência original. Ø Ressaltando-se que a concordância do Legislativo é imprescindível para a aprovação das emendas dos tratados firmados pelo Brasil. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 72 Ø A aprovação das emendas também se faz por meio de decreto legislativo. DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 73 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Extinção de um tratado internacional EXTINÇÃO DE UM TRATADO INTERNACIONAL Ø A Convenção de Viena Sobre o Direito dos Tratados prescreve em seu art. 54 que a extinção de um tratado ou a retirada de uma das partes pode ter lugar: 1. De conformidade com as disposições do tratado; ou 2. A qualquer momento, pelo consentimento de todas as partes, após consulta aos outros Estados e Organizações Internacionais. 74 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Formas de extinção de um tratado: a) Expiração do termo pactuado ou término do prazo de vigência;b) Consentimento mútuo; c) Denúncia; d) Execução integral; e) Inviabilidade da execução; f) Guerra; g) Caducidade; h) Fato de terceiro: i) Ruptura das relações diplomáticas e consulares e; j) Inexecução por uma das partes ou violação de um tratado: 75 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza a) Expiração do termo pactuado ou término do prazo de vigência: Ø Podem as partes impor ao tratado prazo de vigência. Ø Nesse caso, a partir da data estipulada o acordo perde sua eficácia. 76 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza b) Consentimento mútuo: Ø As partes integrantes em comum acordo, resolvem pela sua extinção. Ø O assentimento deve ser expresso ou tácito, e de uma esmagadora maioria de partes que conseguem anular a opinião daqueles que discordam. 77 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza c) Denúncia: Ø É a manifestação unilateral de uma das partes no sentido de não se sujeitar mais aos termos do tratado. Ø É pela denúncia que o Estado exterioriza sua retirada do acordo internacional. Ø Nos tratados multilaterais, com a denúncia, é apenas alterado a sua composição e deixa de surtir efeitos tão- somente para o Estado que denuncia, continuando a vigorar normalmente para os demais Estados-parte. Ø A denúncia só vai extinguir os tratados bilaterais, pois nos multilaterais significa apenas a saída de um dos denunciantes 78 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Tratados imunes a denúncia: Ø Em tratados de vigência estática (ex. acordo que delimita fronteira), em regra bilaterais, não admitem denúncia unilateral. Pré-aviso para denúncia: Ø Art. 56, ponto 2 da Convenção sobre o Direito dos Tratados prevê um lapso temporal para a denúncia: 2. Uma parte deverá notificar, com pelo menos 12 meses de antecedência, a sua intenção de denunciar ou de se retirar de um tratado, [...] 79 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø Violação a este prazo de 12 meses gera responsabilidade internacional do Estado. Amplitude da denúncia: Ø Em geral a denúncia é efetuada em relação à globalidade do tratado. Ø Só será consedida denúncia parcial se as cláusulas, que se pretender denunciar, forem separáveis do restante do acordo, não afetando a aplicação do tratado. 80 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Retratação da denúncia: Ø Somente é cabível quando ainda não tiver produzido os efeitos jurídicos que lhe são inerentes. Ex.: tratados que definem fronteiras. 81 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Procedimento para fazer a denúncia: Ø Comunicação escrito em forma de notificação, carta ou instrumento para o outro Estado-parte nos tratados bilaterais e para o depositário nos multilaterais. Ø Rezek e Alberto Amaral Junior, posição majoritária, entende não ser necessário a participação dos 2 poderes quando da denúncia. Ø Outra corrente, minoria, entende que é necessário os 2 poderes consentir. 82 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza d) Execução integral: Ø Ocorre no momento em que é atingida a finalidade para a qual foi instituído o acordo. 83 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza e) Inviabilidade da execução: Ø A impossibilidade jurídica ou física para a execução extingue o tratado, mas não pode o empecilho alegado pela parte ser proveniente de sua violação ao acordo. Ø O tratado deve ser suspenso se a impossibilidade for temporária (guerra). 84 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza f) Guerra: Ø Alguns tratados celebrados entre Estados são imunes a guerra. Ex.: • Tratados de vigência estática; • Tratados equivalente a título jurídico; • Tratados de empréstimo, e; Os tratados elaborados justamente para viger durante o período de beligerância como as Convenções de Haia de 1899 e 1907 (Convenção sobre a Resolução Pacífica de Controvérsias Internacionais – 1899; Convenção sobre a Resolução Pacífica de Controvérsias Internacionais - 1907). 85 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ex. de tratados com situações objetivas • Tratados que estipulam limites ou cessões territoriais e foram executados na sua íntegra e; • Tratados multilaterais entre beligerantes e neutros não são extintos, os seus efeitos é que ficam suspensos entre as partes beligerantes e mantidos aos Estados neutros, porém com o fim da guerra, o tratado volta a produzir seus efeitos normalmente. 86 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza h) Caducidade: Ø Acontece quando o tratado não é aplicado por um grande espaço de tempo ou quando se forma um costume contrário a ele. 87 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza i) Renúncia do beneficiário: Ø O tratado termina quando houver a renúncia do benefício, oposto que há tratados que estabelecem vantagens para uma das partes e obrigações para a outra. Ø Assim, o tratado extinguirá com a manifestação de vontade de apenas uma das partes contratantes, mas esta deve ser a beneficiada, pois a renúncia não trará prejuízos à outra parte, mas sim vantagens. 88 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza j) Fato de terceiro: Ø As partes contratantes cedem a um terceiro o poder de terminar o tratado. Ex.: art. 8° do Tratado de Lacarno (1925), de garantia mútua (Alemanha, Bélgica, França, Inglaterra e Itália), deu ao Conselho da Liga o poder para pôr fim a ele. 89 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza l) Ruptura das relações diplomáticas e consulares: Ø A Convenção de Viena Sobre o Direito dos Tratados, dispõem que o rompimento das relações diplomáticas ou consulares entre partes num tratado não afeta as relações jurídicas estabelecidas entre elas pelo tratado, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares for indispensável à correta aplicação do tratado internacional (art. 63). 90 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza m) Inexecução por uma das partes ou violação de um tratado: Ø Violado o tratado por uma das partes, autoriza-se a suspensão ou execução, nos termos do art. 60 da Conv. sobre o Direito dos Tratados (1969). Ø A violação não extingue o tratado de imediato, apenas confere á parte prejudicada certos direitos dentre os quais o de extingui-los. Ø Não fosse assim, as partes facilmente burlariam o compromisso acordado, como meio eficaz de se desligarem das obrigações assumidas. 91 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 92 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Reserva nos tratados internacionais RESERVAS NOS TRATADOS INTERNACIONAIS Ø O conceito de reserva se encontra no art. 19, c, da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (1969): É uma declaração unilateral, qualquer que seja sua redação ou denominação, feita por um Estado, ao assinar, ratificar, aceitar ou aprovar um Tratado, ou a ele aderir, com o objetivo de excluir ou modificar os efeitos jurídicos de certas disposições do Tratado em sua aplicação a esse Estado. Ø Só é cabível em tratados multilaterais que admitam reserva. 93 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø Porém, há tratados internacionais multilaterais que não admitem a reserva, é o caso do Estatuto de Roma de 1998, o qual prevê em seu artigo 120, que não serão admitidos reservas. Artigo 120 do Estatuto de Roma que criou o TPI. Reservas Não são admitidas reservas a este Estatuto. 94 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø O art. 2º, § 1º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, sempre que um Estado não concordarcom determinada cláusula de um Tratado, mas ainda assim quiser fazer parte dele, poderá extraí-la, restringi-la, ampliá-la ou modificá-la. Ø As reservas, para serem válidas, devem preencher uma condição de forma e outra de fundo. A condição de forma é que ela deve ser apresentada por escrito pelo Poder Executivo. Como condição de fundo, ser aceita pelas outras partes contratantes. 95 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø As reservas nos Tratados Internacionais são possíveis, a não ser que sejam incompatíveis com seu objeto e sua finalidade (art. 19, c da Convenção) 96 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza EXEMPLO DE RESERVA EM TRATADOS Ø O Brasil quando da ratificação do Tratado de Viena sobre Tratados (1969), Decreto 7.030 de 2009, se reservou nos artigos 25 e 66: Artigo 25. Aplicação Provisória 1. Um tratado ou uma parte do tratado aplica-se provisoriamente enquanto não entra em vigor, se: 97 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Artigo 66. Processo de Solução Judicial, de Arbitragem e de Conciliação Se, nos termos do § 3º do art. 65, nenhuma solução foi alcançada, nos 12 meses seguintes à data na qual a objeção foi formulada, o seguinte processo será adotado: a) qualquer parte na controvérsia sobre a aplicação ou a interpretação dos artigos 53 ou 64 poderá, mediante pedido escrito, submetê-la à decisão da Corte Internacional de Justiça, salvo se as partes decidirem, de comum acordo, submeter a controvérsia a arbitragem; b) qualquer parte na controvérsia sobre a aplicação ou a interpretação de qualquer um dos outros artigos da Parte V da presente Convenção poderá iniciar o processo previsto no Anexo à Convenção, mediante pedido nesse sentido ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 98 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza MOMENTO EM QUE PODE SER INSERIDA A RESERVA a) No momento da assinatura do tratado, como no da ratificação ou na adesão. Ø Neste caso as ressalvas serão traduzidas em reservas no momento da ratificação. b) O Congresso Nacional pode fazer ressalvas sobre o texto do tratado e até mesmo desabonar as reservas feitas por ocasião da assinatura do tratado. Ø O Presidente da República fica impedido de confirmar as reservas previamente feitas. 99 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Ø Como é o Poder Executivo o competente para a formulação de reservas, ele não está obrigado a aceitar o que for proposto pelo Legislativo. Ø Entretanto, neste caso, se ele não ratificar, o Tratado não entrará em vigor. Ø Se for o caso, deverá remeter o Tratado outra vez ao Legislativo para reapreciação. 100 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Retirar a reserva: Ø A Convenção de Viena de 1969, assevera que a qualquer momento o Estado que formulou a reserva poderá retirá- la, sem consultar aqueles Estados que a apreciaram. Ø Isto é possível porque há um interesse da sociedade internacional de que o Tratado seja apl icado uniformemente ao maior número de Estados. Ø A retirada de uma reserva ou de uma objeção só começará a produzir efeitos quando o outro Estado receber a comunicação disto. 101 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza Posicionamento da ONU acerca da Reserva: 1) Estado aceita a reserva. A reserva vigora entre o Estado que aceita e o que formulou a reserva; 2) Estado não aceita a reserva, mas acha que ela é compatível com o Tratado. Neste caso há o Tratado entre aquele que não aceita e o que formulou a reserva. Não se aplicará somente à cláusula que foi tratada com reserva (componente político: a reserva não fere a essência do Tratado). 102 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza 103 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO BIBLIOGRAFIA BIBLIOGRAFIA BÁSICA ACCIOLY, Hildebrando. Manual do direito internacional público – 16. ed. rev. Atual. e ampl. – São Paulo: Saraiva, 2008. 104 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza BIBLIOGRAFIA SUPLEMENTAR AMARAL JÚNIOR, Alberto do. Introdução ao Direito Internacional Público : Atlas; GUERRA, Sidney. Curso de direito internacional público. 7. ed. São Paulo : Saraiva, 2013. MELLO, Celso D. de Albuquerque. Curso de Direito Internacional Público. 15. ed., vol. 1. Rio de Janeiro: Renovar: 2004. 105 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza NEVES, Gustavo Bregalda. Direito internacional público e direito internacional privado. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2009. GUERRA, Sidney César Silva. Direito internacional público. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2004. MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Direito internacional público: parte geral. 4 ed. Rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. 2008. 106 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO Ferradoza