Aula_18._Empreendedorismo_Sustentavel_e_Ambiental
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Definições, Diferenças e Semelhanças entre Empreendedorismo Sustentável e Ambiental:
Análise do Estado da Arte da Literatura entre 1990 e 2012.
Autoria: Mariana Brunelli, Marcos Cohen
RESUMO
Novas fontes de receitas estão sendo descobertas em atividades e tecnologias que reduzem o
impacto de produtos e processos sobre a natureza e a sociedade. Nesse contexto, emergiram na
literatura os conceitos de empreendedorismo ambiental e sustentável. Todavia, suas definições
não são claras, limitando o avanço das pesquisas. Este artigo então buscou analisar a literatura
existente com o objetivo de melhor compreender o significado desses conceitos, visando destacar
semelhanças e diferenças entre eles e propor um modelo conceitual síntese. Descobriu-se que
esses são conceitos distintos, mas interligados, sendo o empreendedorismo sustentável mais
amplo que o empreendedorismo ambiental.
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1. Introdução
O cenário global contemporâneo de instabilidade e crise contribuiu para a popularização
do conceito de desenvolvimento sustentável. O termo passou a estar mais presente no vocabulário
social, empresarial e governamental nos últimos anos e muitos analistas o consideram o novo
paradigma para o século XXI (Lubin & Esty, 2010; Brown, 2003). No entanto, as marcas
deixadas no mundo pela relação entre o desenvolvimento econômico e o conhecimento científico
ao longo do século XX causaram efeitos perversos, refletidos na degradação ambiental, na
fragilização do tecido social e no aumento da desigualdade de renda.
Conforme coloca Baumgarten (2003), a noção de sustentabilidade desenvolveu-se em
meio a uma longa crise instalada nas últimas décadas do século XX, durante o processo
contraditório e diverso da formação da sociedade global. A partir de 1987, com a publicação do
Relatório Brundtland (WCED, 1987), também conhecido como “Nosso Futuro Comum”, as
discussões sobre desenvolvimento sustentável se intensificaram.
O desenvolvimento sustentável pode ser entendido como um processo de mudança social
e elevação de oportunidades sociais que tem como objetivos integrar e compatibilizar o
desenvolvimento econômico e social e a qualidade ambiental (Egler, 1999; Equipe NEAL
UNICAP, 1999). Esta definição embute a noção de que os problemas ambientais não podem ser
tratados isoladamente das questões socioeconômicas, tais como, por exemplo, a pobreza e a
desintegração social (Musters, Graaf & Keurs, 1998).
Assim, pode-se afirmar que o desenvolvimento sustentável de uma sociedade visa
promover simultaneamente a equidade social, a eficiência econômica e a conservação ambiental,
o que torna sua implementação extremamente complexa, considerando-se que, em muitas das
vezes, tais objetivos mostram-se pouco claros ou mesmo antagônicos, em função dos divergentes
interesses dos agentes envolvidos: governo, organizações com fins lucrativos, organizações sem
fins lucrativos, comunidade (segmentada em suas diferentes classes sociais) e outras
organizações, formando um complexo sistema de múltiplas inter-relações e interdependências
(Equipe NEAL UNICAP, 1999).
A partir da década de 90, o conceito de desenvolvimento sustentável foi sendo
progressivamente incorporado ao planejamento das empresas por meio da sustentabilidade
corporativa (Elkington, 1994; 1998) como novo componente das estratégias corporativas e das
operações. Assim, a responsabilidade socioambiental passou, aos poucos, a ser vista como
necessária e, até mesmo, vital à sobrevivência das empresas no longo prazo (Barbieri, 2004).
Além disso, novas fontes de receitas começaram a ser enxergadas para atividades e
tecnologias que reduzem o impacto de produtos e processos produtivos sobre a natureza e a
sociedade (Gibbs, 2009; Schaper, 2002). O próprio comportamento do mercado consumidor,
cada vez mais consciente e exigente, passou a pressionar as empresas a produzir produtos e
serviços ecologicamente mais corretos.
Nesse contexto, emergiram na literatura acadêmica os conceitos de empreendedorismo
ambiental e empreendedorismo sustentável como modelos de empreendedores que veem a crise
socioambiental como oportunidades para novos negócios. Todavia, são conceitos cujas definições
são diversas e para os quais existem muitas questões em aberto relacionadas às atividades desses
empreendedores e seus impactos e implicações mais amplas para as economias nacionais (Hall,
Daneke & Lenox, 2010).
Portanto, a pesquisa apresentada neste artigo objetivou analisar o estado da arte sobre
empreendedorismo sustentável e ambiental visando obter um modelo teórico sintético a partir dos
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consensos e tendências identificados. Ao consolidar a literatura em busca de delimitações mais
claras para essas tipologias, este estudo pretendeu contribuir para um maior entendimento a
respeito dos novos tipos de empreendedorismo que estão surgindo como produto da sociedade
global contemporânea no sentido de auxiliar o avanço das pesquisas sobre eles.
Este artigo foi dividido em cinco partes. Após esta introdução, a revisão de literatura foi
apresentada. Na sequência, o método da pesquisa foi descrito. Em seguida, a discussão do
conteúdo foi elaborada como resultado do artigo. Por fim, as conclusões e considerações finais
foram destacadas.
2. Revisão da Literatura
2.1. Empreendedorismo Sustentável
É preciso ressaltar, primeiramente, que, por se tratar de um conceito novo, existe uma
discussão sobre nomenclatura na literatura. Uns consideram correto usar o termo
empreendedorismo orientado à sustentabilidade (sustainability-driven entrepreneurs;
sustainability-driven entrepreneurship) por considerarem a sustentabilidade um processo e pelo
fato de nenhuma empresa ser totalmente sustentável (Parrish, 2008, 2010; Tiley & Young, 2009;
Schlange, 2007). Contudo, o termo empreendedorismo sustentável (sustainable
entrepreneurship; sustainable entrepreneurs; sustainopreneurship) se popularizou, sendo
adotado pela maioria dos pesquisadores. Neste artigo, esses termos foram usados como
sinônimos.
De acordo com Hockerts e Wüstenhagen (2010), o conceito de empreendedorismo
sustentável emergiu recentemente na literatura acadêmica e define a criação de negócios que
combinam, ao mesmo tempo, a geração de valor econômico, social e ambiental. A raiz do
conceito derivou de estudos que relacionavam empreendedorismo com desenvolvimento
sustentável (Thompson, Kiefer & Young 2011; Schaltegger & Wagner, 2011) e de pesquisas
sobre empreendedorismo social e empreendedorismo ambiental (Hockerts & Wüstenhagen, 2010;
Boszczowski & Teixeira, 2009; Borges, Borges, Ferreira, Najberg & Tete, 2011).
No entanto, Shepherd e Patzelt (2011) argumentaram que apesar dos conceitos de
empreendedorismo ambiental e social serem relacionados ao de empreendedorismo sustentável,
não são sinônimos. É o que defenderam também Thompson et al. (2011). Para eles, por exemplo,
o empreendedorismo social não deve ser categorizado como um subconjunto do
empreendedorismo sustentável porque nem todas as missões sociais são sustentáveis e os
empreendedores sustentáveis mesmo tendo a intenção de resolver questões sociais não têm
apenas esse foco. Outro argumento encontrado para diferenciar o empreendedorismo social do
sustentável mencionou que aquele voltado às questões sociais é menos orientado ao lucro, sendo
em grande parte composto por organizações não governamentais (ONGs) ou híbridas, ao
contrário daqueles orientados à sustentabilidade que perseguem a rentabilidade (Schaltegger &
Wagner, 2011).
Igualmente, Dean e McMullen (2007) não incluirem o empreendedorismo social em suas
análises com o mesmo argumento de que a missão social é o foco no caso deles e não o lucro.
Todavia, esses autores deram outro enfoque ao empreendedorismo ambiental e considerando-o
um subconjunto do empreendedorismo sustentável. Cohen e Winn (2007) adicionaram ainda que
benefícios sociais resultam de iniciativas ambientais. Ademais, de maneira mais categórica,
Rodgers (2010) considerou o empreendedorismo sustentável uma definição ampla de eco-