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Lesões celulares reversíveis e 
irreversíveis 
Curso de Fisioterapia (3º Período)
Professora MSc. Telma Lélia Gonçalves Schultz de Carvalho
Santarém
2018
Célula normal = homeostase (metabolismo, diferenciação e especialização);
Adaptações: são respostas estruturais e funcionais reversíveis, a estresses fisiológicos mais excessivos e a alguns estímulos patológicos, durante os quais estados constantes novos, porém alterados, são alcançados, permitindo que a célula sobreviva e continue a funcionar. 
Resposta adaptativa: 
aumento no tamanho das células (hipertrofia) e da atividade funcional, 
aumento do número de células (hiperplasia), 
diminuição do tamanho e da atividade metabólica das células (atrofia);
mudança do fenótipo das células (metaplasia). 
Quando o estresse é eliminado, a célula pode retornar a seu estado original, sem ter sofrido qualquer consequência danosa.
Lesões reversíveis e irreversíveis
Introdução
Limites da resposta adaptativa ultrapassados ou se as células forem expostas a agentes lesivos ou estresse, privadas de nutrientes essenciais, ou ficarem comprometidas por mutações que afetam os constituintes celulares essenciais, sobrevém uma sequência de eventos, chamada lesão celular.
A lesão celular é reversível até um certo ponto, mas se o estímulo persistir ou for intenso o sufi ciente desde o início, a célula sofre lesão irreversível e, finalmente, morte celular. 
Lesão irreversível: morte celular (resultado final da lesão celular progressiva, é um dos eventos mais cruciais na evolução da doença, em qualquer tecido ou órgão. 
Causas: isquemia (redução do fluxo sanguíneo), infecção e toxinas. 
Morte celular fisiológica: processo normal e essencial na embriogênese, no desenvolvimento dos órgãos e na manutenção da homeostasia. 
Principais vias de morte celular: a necrose e a apoptose. 
Outro processo de morte: autofagia (privação de nutrientes induz uma resposta celular adaptativa).
Lesões reversíveis e irreversíveis
Introdução
Lesões reversíveis e irreversíveis
Introdução
Lesões reversíveis e irreversíveis
-DEFINIÇÃO:
	É o processo de adaptação da célula diante de um efeito agressivo do desequilíbrio homeostásico, sofrendo alterações regressivas ou progresivas.
 
AGRESSÃO---> RESPOSTA CELULAR ---> ADAPTAÇÃO CELULAR 
Se existe vida, então existe também doença?
O conflito saúde X enfermidade sempre existiu para toda espécie de ser vivo.
Na pré- história o homem agia instintivamente.
Lesões reversíveis e irreversíveis
--Alteração regressiva:
 
	Consiste na diminuição do metabolismo celular o que caracteriza morfologicamente a degenerações (Virchow) – atualmente emprega-se o termo lesões reversíveis.
								
-Alteração progressiva:
	Confere um aumento no metabolismo celular, vinculando distúrbios de crescimento (hipertrofia, hiperplasia, metaplasia e neoplasias).
Se existe vida, então existe também doença?
O conflito saúde X enfermidade sempre existiu para toda espécie de ser vivo.
Na pré- história o homem agia instintivamente.
LESÃO CELULAR
LETAL
SUB-LETAL (Não- Letais)
MORTE
NECROSE
PROCESSOS ADAPTATIVOS
Dist de 
crescimento
DEGENERAÇÕES
Irreversível 
reversível 
Hidrópicas
Gordurosa
Hialinas
Mucóides
Glicogênica
CALCIFICAÇÃO
A
P
O
P
T
O
S
E
7
Lesões celulares reversíveis
(Degenerações) 
Lesões reversíveis (Não – letais)
Degeneração ou lesões regressivas 
Existindo disfunção celular, acumula-se dentro da célula produtos do metabolismo perturbado.
Estas alterações são reversíveis, retirando a agressão inicial elas voltam ao normal, não produzindo transtornos funcionais graves.
Lesões reversíveis (Degeneração ou lesões regressivas)
Classificação
Degeneração hidrópica: Água.
Degeneração gordurosa: Lipídios.
Degeneração hialina: Proteínas.
Degeneração mucoide: Muco.
Degeneração glicogênica: Carboidratos.
Podemos classificar as degenerações (lesões reversíveis) de acordo com o acúmulo de substâncias intra ou extra-celular:
Conceito: Processo patológico reversível caracterizado por alterações morfológicas, bioquímicas e funcionais decorrentes da incapacidade celular de manter sua homeostasia, resultando em alterações físico-químicas e no acúmulo de substâncias no interior (citoplasma) das células. Geralmente ocorre por alterações enzimáticas que geram o acúmulo de substrato.
1.Degeneração hidrópica 
Lesões celulares com acúmulo de Água 
Sinônimos: inchação turva, tumefação turva, degeneração vacuolar e edema celular 
Conceito: Acúmulo intracelular de água, consequência de desequilíbrios no controle do gradiente osmótico a nível de membrana plasmática e nos mecanismos de absorção e eliminação de água e eletrólitos intracelulares.
Macroscopia: - O órgão encontra-se pálido
 - Ocorre o aumento de volume e peso (tumefação turva)
 - Perda de brilho
 - Obs: A tumefação ocorre por compressão dos capilares, causando palidez local.
Microscopia: - Aumento do volume celular, com alteração da proporção citoplasma/núcleo; Vacuolização citoplasmática
Ultra - estrutura: - Mitocôndrias aumentadas; Ocorre a perda da capacidade energética mitocondrial (↓ ATP).
1.Degeneração hidrópica 
Lesões celulares com 
acúmulo de Água 
Corte histológico de rim normal. Aumento de 10x. 
Corte histológico de rim com tumefação turva e degeneração hidrópica. Aumento de 10x. 
1. Degeneração hidrópica
FIGURA. Alterações morfológicas na lesão celular reversível e necrose. A - Túbulos renais normais com células epiteliais viáveis. B- Lesão isquêmica inicial (reversível), mostrando aumento do citoplasma e tumefação celular. C - Necrose (lesão irreversível) de células epiteliais, com perda dos núcleos, fragmentação das células e extravasamento dos conteúdos.
1. Degeneração hidrópica
Hepatócitos normais
Hepatócitos balonizados
Hidropisias fetais: acúmulo de líquido no feto durante o crescimento intrauterino.
Pode ser causada pela incompatibilidade dos grupos sanguíneos Rh entre a mãe e a criança (hidropisia imune).
1. Degeneração hidrópica
Figura. Hidropisia fetal. 
Acúmulo generalizado de líquido no feto.
B. Acúmulo de líquido é particularmente nos tecidos moles do pescoço (higroma cístico).
1.Degeneração hidrópica 
Lesões celulares com acúmulo de Água 
Etiologia 
Causas mais comuns:
Hipóxia;
Infecções bacterianas agudas;
Infecções virais agudas;
Intoxicações endógenas ( uremia );
Intoxicações exógenas (agrotóxicos, medicamentos);
Agentes físicos (calor e/ou frio);
Hipertermias;
Alterações circulatórias gerais;
Alterações nutricionais;
Etc.
1.Degeneração hidrópica (Lesões celulares com acúmulo de Água 
Etiologia 
= Bactérias, fungos, etc.
= cloreto; cianeto
1.Degeneração hidrópica 
Lesões celulares com acúmulo de Água 
- Patogênese: 
A degeneração ocorre pelo comprometimento da regulação do volume celular – basicamente controlado pela concentrações de Sódio (Na+) e potássio (K+) no citoplasma.
Local: principalmente em células parenquimatosas (fígado, rim e coração).
 
 
22
Degeneração Hidrópica
22
1.Degeneração hidrópica 
1.Degeneração hidrópica 
Patogenia:
	
2. Degeneração gordurosa 
Lesões celulares com acúmulo de lipídios 
Sinônimos: Esteatose ou Degeneração Lipidosa.
Conceito: Acúmulo anormal de lipídios no interior das células parenquimatosas. O fígado, órgão diretamente relacionado com o metabolismo de lipídios é o mais afetado.
“Acúmulo anormal de gordura ( triglicérides ) no citoplasma”.
Macroscopia:
 - Aumento de volume e de peso do órgão;
Cor amarelada; além da presença de gorduras emulsionadas na faca ao corte. 
Obs: As modificações no volume e coloração do órgão afetado dependerão da causa da esteatose e da quantidade de lipídio acumulado. 
Microscopia: Presença de vacúolos ou gotículas citoplasmáticas
- Vacúolos pequenos = sugestivo de doença metabólica aguda (Esteatosediscreta);
- Vacúolos grandes = sugestivo de doença tóxica ou viral crônica (Esteatose severa).
Etiopatogenia:
Aumento de Ácidos Graxos Livres (FFA, do inglês)
26
No fígado: Aumento de volume e peso (as vezes de 1,5 para 3 a 6 Kg, no ser humano) com bordas abauladas e consistência amolecida, coloração amarelada, superfície externa lisa e brilhante.
Fígado com esteatose 
Fígado normal
2. Degeneração gordurosa (Lesões celulares com acúmulo de lipídios 
Macroscopia:
27
28
Microscopia:
2. Degeneração gordurosa (Lesões celulares com acúmulo de lipídios 
29
Kwashiorkor
2. Degeneração gordurosa (Lesões celulares com acúmulo de lipídios 
31
32
Lipidose
Conceito - Acúmulo de lipídeos complexos (esfingolipídeos e gangliosídeos) e colesterol e seus ésteres no citoplasma de células que normalmente não a armazenam
Etiopatogênese
Depósitos de colesterol (Aterosclerose e Xantomas)
32
33
Lipidose
Aterosclerose (Depósito de colesterol)
33
.
34
Lipidose
Xantomas
Histiócitos - Derme
34
Os histiócitos são macrófagos inactivos, fixos, com os pseudópodes retraídos e com aspecto ovóide. 
3. Degeneração hialina 
Lesões celulares com acúmulo de proteína 
Sinônimos: Hialinose.
Conceito: São lesões de aspecto vítreo (Hiallos = vidro) pelo excesso de proteínas originadas de processos inflamatórios. Alteração da constituição físico-química dos elementos proteicos, resultando em acúmulo no interior do citoplasma, caracterizado à microscopia de luz, pela presença de material vítreo, amorfo, hialino (róseo), brilhante e róseo.
Pode ocorrer: Pulmão: Síndrome da angústia respiratória das crianças e adultos ; Pâncreas: Hialinização das ilhotas de Langerhans na diabetes; Paredes de Vasos: Hipertenção arterial, glomerulonefrites, lúpus eritrematosos 
 PROTEÍNAS (Amiloidoses) Gotículas de reabsorção nos túbulos renais proximais (proteinúria); Aumento da síntese de imunoglobulinas (Corpúsculos de Russel); Defeitos do dobramento (Transporte e secreção defeituosos; Toxicidade às proteínas anormais) 
3. 1. Degeneração hialina propriamente dita
Conceito 
- Depósito de proteínas no tecido conjuntivo fibroso e na parede dos vasos 
Tecido fibroso 
- Está relacionada com o processo de cicatrização, decorrente de processos inflamatórios – Queloides.
Cicatriz recente: Vermelhas e tumefeitas – vasos sanguíneos, água e tecido conjuntivo jovem. 
Cicatriz antiga: cor Branco – amarelado ou levemente vermelha, perde a tumefação. 
3. 1. Degeneração hialina 
DH goticular: Gotículas hialinas nas células. Doenças: comprometimento renal.
Corpúsculos de Russell: devido ao aumento na síntese de proteínas secretoras normais que ocorre em plasmócitos produtores de IgG (imunoglobulina), o RE se distende produzindo vesículas. Doenças: Inflamação crônica.
Corpúsculo de Councilman-Rocha Lima: Hepatócitos diminuídos (geralmente em apoptose). Doenças: Hepatites virais (B e C).
- Corpúsculos de Mallory: se deve a destruição de proteínas do citoesqueleto, da mitocôndria mas é reversível. Doenças: característico da cirrose hepática alcoólica, carcinoma hepático; deficiência de Vit. A.
3. 1. Degeneração hialina propriamente dita
DH na deficiência da alfa-1 – antitripsina: Promove acúmulo de proteínas no fígado. Doenças: icterícia neonatal; enfisema pulmonar; pancreatite e cirrose.
DH de Crooke: observado nas células produtoras de ACTH (Horm. Adrenocorticotrófico). Doenças: Síndrome de Cushing.
D. Cérea de Zenker: Observada em células musculares estriadas (ex; diafragma). O sarcoplasma coagula-se, perde as estrias. Doenças: Febres altas (hipertermia), leptospirose, septicemia e choque anafilático.
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4. Degeneração mucoide
Lesões celulares com acúmulo de muco
- Estas células descamam e há liberação do muco em situações como gripe, rinite e hipermotilidade
gástrica.
 - As degenerações benignas ocorrem principalmente em estômago, intestino grosso e brônquios
Local: Ocorre nas células epiteliais produtoras de mucopolissacarídeos;
Vulgarmente chamada de inflamação catarral;
Câncer de estômago, intestino e ovário (aspecto gelatinoso)
É típico em no tecido conjuntivo cartilaginoso dos discos intervertebrais e meniscos; Ocorre em síndromes reumáticas; Pode gerar aneurismas;
Apresenta-se também em doenças genética (síndrome de Hunter).
Sinônimos: Mucopolissacaridose.
Conceito: Lesões celulares que causa como efeito o acúmulo excessivo de muco no interior das células. Hiperprodução de mucina através de estímulos mecânicos, químicos e, eventualmente, biológicos.
4. Degeneração mucóide
Lesões celulares com acúmulo de muco
Macro:
 -Grande quantidade de substância fluida consistência viscosa
- Aspecto translúcido, semelhante a catarro ou muco
 
Micro:
 -Núcleo deslocado para a periferia da célula
-Em forma de um anel de sinete ( o núcleo fica na periferia em formato de meia-lua).
Sinônimos: Mucopolissacaridose.
5. Degeneração glicogênica 
Lesões celulares com acúmulo de glicogênio
Características gerais: Diminuição intracelular – Indivíduos caquéticos, desnutridos;
Alteração na utilização dos carboidratos: que levam a hiperglicemia (obesidade e diabetes);
Armazenamento anômalo: Síndromes genéticas ocasionadas por defeito metabólico na síntese e/ou metabolismo do glicogênio.
Características macroscópicas: Pouco significativas. Sem lesão aparente macroscopicamente ou um discreto aumento de volume e palidez.
Características microscópicas: no fígado, o glicogênio é observado mais nos núcleos dos hepatócitos (vacúolos).
 
Sinônimos: Degeneração glicêmica; Glicogenoses.
Conceito: Acúmulo anormal intracelular de glicogênio. Metabolismo alterado dos carboidratos (energia). Doenças genéticas acúmulo de glicogênio nas células do fígado, rins, músculos esqueléticos e coração que têm como causa básica a deficiência de enzimas que atuam no processo de sua degradação. Os depósitos: intralisossômicos ou no citosol.
5. Degeneração glicogênica 
Lesões celulares com acúmulo de glicogênio
Glicogenoses 
Há + de 10, as mais importantes:
Doença de Von Gierke (Glicogenose do Tipo I): O glicogênio acumula-se no fígado por deficiência da glicose-6-fosfatase (degradação do glicogênio em glicose) – Hepatomegalia e hipoglicemia (50% de mortalidade);
Doença de Pompe (Tipo II): Deficiência de glicosidase lisossômica (maltase ácida) – Acúmulo de glicogênio em células cardíacas e do músculo esquelético (cardiomegalia – morte em 2 anos);
Doença de McArdle (Tipo V): Acúmulo de glicogênio no músculo esquelético por deficiência de fosforilase muscular (quebra o glicogênio em glicose) – Câimbras dolorosas e mioglobinúria.
Glicogênio em células epiteliais no sistema renal e ilhotas de Langerhans (Diabetes mellitus)
 Distúrbios genéticos (Glicogenoses)
Hepatócitos normais
Glicogenose hepática
5. Degeneração glicogênica 
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Lesões celulares irreversíveis
(Morte celular: Apoptose e necrose) 
Próxima aula
Pesquisa
Você pode ser imortal?
Nascer, reproduzir, morrer - eis o ciclo da vida. Mas isso é só por enquanto. A ciência está trabalhando para que ninguém mais morra de velho. E é possível que dê tempo de você entrar nessa (https://super.abril.com.br/ciencia/voce-pode-ser-imortal/).
Sabe aquela expressão “de certo na vida, só a morte”? Parece que ela vai perder o sentido em breve. “Em 50 anos não vai mais existir definição para expectativa de vida. Teremos um controle tão completo do envelhecimento que as pessoas viverão indefinidamente”, diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge. 
Então a telomerase ajudará as células a não se deteriorar. Mas e se elas já tiverem sido maltratadas? 
Injeções de telomerase
Impedem que as células definhem
Células-tronco
Renovam nosso estoque de células
Fome em pílulas
Simulam a falta de alimentos no corpo
Água pesada
Protege as células dos radicais livres
BIBLIOGRAFIA BÁSICA 
OBRIGADA

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