RESUMO DE DIREITO EMPRESARIAL 3
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RESUMO DE DIREITO EMPRESARIAL 3


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Resumo \u2013 Direito Empresarial III
Neste semestre, estudaremos os títulos de crédito, que são institutos extremamente importantes para a atividade empresarial. Diferentemente, contudo, do que aconteceu no curso de Direito Empresarial até então, eles não estão disciplinados no Código Civil. Os títulos de crédito têm uma relação legal muito mais forte com o Direito das Obrigações, a ponto de se chegar a dizer que o que vamos estudar esse semestre são os efeitos de uma obrigação especial, uma obrigação contraída num documento denominado título de crédito. (887 CC).
Na maioria dos casos envolvendo títulos de créditos as respostas estarão em legislações esparsas. É preciso, por isso, ter sempre em mãos algumas leis e decretos, quais sejam:
Cheque \u2013 lei 7.357/85.
Nota promissória e letra de câmbio \u2013  anexo I do decreto 57.663/66.
Duplicata \u2013 lei 5474/68.
Cédula de crédito bancário \u2013 lei 10.931/2004.
Desde já, deve-se ter em mente que o processo devido para títulos de crédito é a EXECUÇÃO. A execução é o meio próprio para se reclamar as quantias devidas em virtude de título de crédito.
A título exemplificativo, imaginemos um cheque. Quando o sujeito abre uma conta corrente num banco, esse sujeito vai custodiar valores junto ao banco. Nessa conta corrente esse sujeito possuirá capital. Uma forma de utilizar esse dinheiro é através do CHEQUE.
Todo cheque nasce de um negócio jurídico. Se A emitiu cheque para B de bola é porque eles ajustaram um negócio jurídico. Ex: compra e venda. B vendeu algo para A, que pagou esse algo com um cheque. O que se espera numa relação de normalidade dessa situação? B pega o cheque e apresenta ao banco do A. B apresenta ao banco e vê se A tem fundos. Banco do Brasil (por exemplo) verifica assinatura e confere o saldo. Havendo fundos, dá o dinheiro para B.
Mas e se B for surpreendido com a seguinte questão, no banco:\u201d B, não vou te pagar, porque A não tem fundos na conta corrente\u201d. B pode até tentar um contato amigável com A no sentido de receber amigavelmente aquela quantia, e, não conseguindo, ele pode, lastreado nesse cheque, uma ação de EXECUÇÃO, executar o A em juízo.
Mas imagine que B recebeu esse cheque no valor de R$ 15.000. Mas B tinha uma dívida exatamente de 15.000 em face de C. Aí B passa o cheque para C. A forma própria de passar um título para frente é através do endosso.
Disso conclui-se que há sempre motivação negocial na EMISSÃO do título de crédito e na CIRCULAÇÃO do título de crédito.
Mas prosseguindo a hipótese\u2026
O banco, entretanto, negou efetuar o pagamento a C, porque ele afirma que o A não tinha fundos. C propõe contra o A uma ação de EXECUÇÃO. Uma vez executado o A contrata um advogado que apresenta a seguinte defesa: olha juiz, o cheque de fato foi assinado pelo A, mas o A emitiu esse cheque para B. A celebrou um negócio jurídico com B que foi INADIMPLIDO, então não vou pagar nada para C. (Ex: na compra e venda inicial, entre B e A, B não entregou o que deveria ter entregado, então foi justamente por isso que eu, A, retirei o dinheiro do banco, para que B não pegasse indevidamente o meu dinheiro). C, em contrapartida, diz que não tem nada com isso, porque o processo de execução é limitado entre exequente e executado, e que C, em realidade, é um terceiro de boa fé em relação àquele negócio jurídico celebrado entre A e B, motivo pelo qual não poderia ser prejudicado.
Como se soluciona essa questão? Acolhe a defesa de A ou prestigia argumento de C?
No art 25 da lei do cheque acharemos resposta para esse problema
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Art . 25 Quem for demandado por obrigação resultante de cheque não pode opor ao portador exceções fundadas em relações pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores, salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor.
Diz que o emitente do cheque, que no caso é A, não pode opor contra o PORTADOR, que é o C de casa, AS EXCEÇÕES(defesas) pessoais contra B de bola. A lei prestigia o terceiro de boa fé. Vamos entender o motivo disso.
Trata-se do princípio da inoponibilidade das exceções pessoais. Que que isso significa? Significa que, no caso em questão, A não poderia se defender contra um terceiro de boa fé(C) se valendo da relação contratual da qual ele é terceiro, indiferente.
Se fosse o B executando o A já seria diferente (na hipótese da obrigação inadimplida).
De toda forma, pela via própria, numa outra ação, processada pelo procedimento comum, com ampla dilação probatória, A poderá ingressar contra B para resolver a questão da compra e venda. (PROCESSO CIVIL DE CONHECIMENTO \u2013 E NÃO PROCESSO DE EXECUÇÃO).
OBS: o art 25 não prestigia o terceiro de MÁ FÉ. Ex: B sabe sabe que se o A não vai pagar, pois inadimpliu com sua obrigação. Ex: B combina com C de fazer um endosso tendo em vista um CONLUIO fraudulento: aí há uma ressalva ao princípio da inoponibilidade das exceções pessoais. OBS2: Má fé não se presume, mas uma vez comprovada ela faz cair, repita-se, a inoponibilidade das exceções pessoais.
Unidade I \u2013 Teoria Geral dos Títulos de Crédito
1.1 Noção de Crédito
Por que o legislador foi tão incisivo em proteger o terceiro de boa fé? Tentaremos responder a essa questão.
O significa de crédito é um significado econômico. O crédito, do ponto de vista econômico pode ser traduzido na seguinte frase:crédito é a troca de um bem presente por um bem futuro. O crédito é fundamental para a economia. Uma economia não se desenvolve sem operações de crédito. Isso porque o crédito confere poder de compra a quem momentaneamente não tem. O crédito permite que o sujeito utilize o capital alheio quando não tem disponibilidade. E, como dito, as operações de crédito são fundamentais para a economia. O crédito permite a utilização do capital alheio, ele é o oxigênio do capital alheio. Sem crédito a economia ficaria bastante reduzida.
1.2 Elementos do Crédito
Crédito vem do latir credere, que significa ter confiança. Toda operação de crédito é marcada por confiança. Você vende fiado em quem você confia. E o primeiro elemento das operações de crédito pode ser destacada é a
confiança, que tem um aspecto subjetivo
e um aspecto objetivo.
Subjetivo: nas transações comerciais em que as importâncias e valores são pequenos, como no exemplo de comprar fiado na padaria do seu bairro, normalmente o que é preponderante é o aspecto subjetivo da confiança. Você consegue comprar fiado porque o dono da padaria lhe conhece, conhece seus pais. De uma forma mais clara: pela sua boa fama, pela sua fama de bom pagador.
Objetivo, por outro lado, leva em conta a realidade patrimonial do pretenso devedor. Quando você vai contratar um empréstimo junto ao banco. Você, por exemplo, empresário, precisa de capital de giro pra sua empresa. O banco, por mais que tenha sido uma colega de Colégio desse empresário, a confiança que vai ter em você será OBJETIVA, porque o banco se tiver que executar é preciso ter garantias. O banco pode pedir a declaração de imposto de renda, por ex. Pode exigir uma garantia real(um bem seja dado em garantia, HIPOTEQUE um bem IMÓVEL, ou pode pedir que de em PENHOR um bem MÓVEL). Nessas transações profissionais o aspecto OBJETIVO costuma ser preponderante.
Portanto, toda operação de crédito tem o elemento confiança. Você não empresta dinheiro se você não confia que vai te restituir.
Outro elemento sempre presente nas operações de crédito é o:
tempo
Porque temos operações de crédito em dois contratos, que é o contrato de compra e venda a prazo e o contrato de mútuo. Em todos ele você visualiza o tempo. Você pega a mercadoria hoje para daqui a algum TEMPO pagar a quantia devida. Você pega o dinheiro hoje para restituir ao banco ou a quem emprestou a quantia devida. O tempo, também, é um dos elementos da operação de crédito.
(Discussão doutrinária desnecessária: o cheque, por ser ordem de pagamento À VISTA, seria título de crédito IMPRÓPRIO? Na visão do professor, lógico que não, porque o elemento TEMPO está SIM presente, haja vista a necessidade de o credor ter que DEPOSITAR