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DOUTRINA IV — GRAÇA
MÓDULO 07-A
SUMÁRIO
Introdução ..................................................................................................... 02
Capítulo I — A Natureza da Graça .................................................................... 03
Capítulo II — A Graça no Antigo Testamento .................................................... 03
Capítulo III — A Graça no Novo Testamento ..................................................... 04
Capítulo IV — A Graça e o Plano da Salvação .................................................... 05
Capítulo V — A Graça e o Conhecimento ........................................................... 07
Capítulo VI — A Graça Resistível ...................................................................... 11
Capítulo VII — A Graça Comum de Deus no Refreamento do mal...........................15
Capítulo VIII — Lei e Graça: Uma Visão Reformada ........................................... 18
Conclusão ...................................................................................................... 27
Apêndice A: Textos Problemáticos Sobre a Graça ........................................... ... 28
BIBLIOGRAFIA......................................................................................................31
Mód. 07-A - Graça 2
INTRODUÇÃO
Como muitos outros termos familiares da teologia, a palavra “graça” encerra uma variedade
considerável de conotações e nuanças. Costuma envolver outros assuntos correlatos tais como
o perdão, a salvação, a regeneração, o arrependimento e o amor de Deus. O conceito de graça,
porém, é todo abrangente. É como disse Moffat, “a religião da Bíblia ou é uma religião da graça
ou nada é. . . Não havendo graça, não há evangelho.”1
Estudaremos neste módulo alguns aspectos fundamentais da graça de Deus sob diversos
prismas. É importante, porém, não esquecer que a operação da graça de Deus é um mistério
profundo, muito além da nossa compreensão humana limitada
Capítulo I
A NATUREZA DA GRAÇA
Definição
Graça, em seu sentido comum, é mercê, favor ou benevolência. Teologicamente, é o dom
sobrenatural concedido por Deus como meio de salvação. É misericórdia imerecida, livremente
concedida ao homem por Deus.
Tipos de Graça.
Ao se debater o assunto da graça, deve-se manter uma distinção importante entre graça
comum (geral, universal) e graça especial (salvífica, regeneradora), a fim de se compreender
corretamente o relacionamento entre a graça divina e a situação humana.
Graça Comum. A graça comum ou geral ou universal é assim chamada porque toda a
humanidade a recebe em comum. Seus benefícios são usufruídos pela totalidade da raça
humana, sem distinção entre uma pessoa e outra. A graça comum é vista basicamente em três
aspectos: (1) provisão graciosa de Deus nas coisas naturais, tais como seqüência das estações,
semeadura e colheita (Mat. 5:45); (2) governo ou controle divino da sociedade humana como
poder restritor do mal (Rom. 13:1ss); (3) a consciência interna no homem entre o certo e o
errado, entre a falsidade e a verdade, entre a justiça e a injustiça.
Graça Especial. A graça especial é a graça pela qual Deus justifica, santifica e glorifica o
Seu povo. Ao contrário da graça comum, que é dada universalmente, a graça especial é
outorgada somente àqueles que Deus elege à vida eterna, mediante a fé em Seu Filho, nosso
Salvador Jesus Cristo (2 Cor. 5:18). A graça regeneradora de Deus é dinâmica — não somente
salva como também transforma e revitaliza aqueles cuja vida anteriormente estava destruída e
sem significado (1 Cor. 15:10).
Meios de Graça
Chamam-se meios de graça as vias pelas quais a graça pode ser recebida. O principal meio
é o das Escrituras Sagradas, “de onde deriva a totalidade do nosso conhecimento da fé cristã e
cujo propósito principal é nos comunicar a graça salvífica do evangelho de Jesus Cristo (2 Tim.
3:15; João 20:31). A pregação, que é a proclamação da dinâmica do evangelho, é, conforme
demonstram o ensino e a prática do próprio Cristo e dos apóstolos, um meio de graça de
máxima importância (Luc. 24:47; Atos 1:8; Rom. 1:16; 10:11-15; 1 Cor. 1:17-18, 23).
Semelhantemente, o testemunho pessoal e a evangelização são meios de levar aos outros a
graça do evangelho.
“ Se os itens mencionados acima são essencialmente meios de graça salvífica, também há
meios de graça para a perseverança e o fortalecimento. A exposição das Sagradas Escrituras
1 Moffatt, Grace in the New Testament, pág. 15.
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para a instrução e edificação dos crentes cristãos é um destes meios, como também o é o
estudo particular da Bíblia. Outro meio é a oração, mediante a qual o cristão tem comunhão
com Deus, experimenta Sua presença e abre-se a Seu propósito e poder. Outro meio é o
convívio fraternal com os cristãos na adoração e no testemunho. E também deve-se
acrescentar o sacramento [ordenança] do partir do pão, que Cristo instituiu e ordenou aos Seus
seguidores que o observassem (Atos 2:42).” 2
Capítulo II
A GRAÇA NO ANTIGO TESTAMENTO
Vocabulário Hebraico
As duas palavras hebraicas usadas no Antigo Testamento para graça são hesed e hen.
(1) Hesed é usada cerca de 250 vezes no Antigo Testamento e traduzida principalmente
como “misericórdia” e dezenas de vezes como “bondade”, “longanimidade” etc. Significa amor
leal, firme e fiel, e enfatiza a posse mútua de duas pessoas envolvidas num relacionamento de
amor. Lutero a traduziu por Gnade, a palavra alemã para “graça”. Apesar disso, hesed não é
exatamente o equivalente de graça, mas uma palavra de duas facetas: tanto pode ser
empregada com relação a Deus quanto com relação ao homem. Quando empregada com
relação a Deus significa realmente graça (Lam. 3:22). Quando empregada, porém, com relação
ao homem (Osé. 6:6), deixa subentendido um amor constante por outros ser humano ou por
Deus. Hesed aparece quase sempre associada com a palavra “aliança” e denota a atitude de
fidelidade com que ambas as partes de um pacto devem caracterizar-se. Snaith sugere a
tradução “amor pactual” como o equivalente mais aproximado nas línguas modernas.
(2) Hen não é uma palavra relacionada a alianças nem apresenta duas acepções. “Derivado
de uma raiz que significa ‘curvar-se, abaixar-se’; indica favor imerecido ou condescendência de
um superior em favor de alguém inferior em posição ou valor. Às vezes é usado redentivamente
(Jer. 31:2; Zac. 12:10).”3 É utilizada para significar um favorecimento de um superior, humano
ou divino, para com um inferior, geralmente um ato de clemência. A idéia é de um favor
imerecido e é traduzida por “graça” ou “favor” algumas dezenas de vezes. Encontramos
exemplos de hen humano em Gên. 33:8, 10, 15; 39:4; Rute 2:2, 10. O hen de Deus acha-se
em Jer. 31:2. Ninguém pode mostrar hen para com Deus (mas sim hesed), pois ninguém pode
fazer-Lhe um favor.4
A Graça no Pentateuco
Aparentemente antagônica da graça, é a lei no Pentateuco. Mas é somente aparência. No
Antigo Testamento a comunhão, a libertação, a capacitação, a iluminação, a direção, o perdão,
a esperança, o louvor e a preservação estavam todos baseados na hesed de Deus. A graça
existiu antes de Cristo, no Antigo Testamento. É bem verdade que não estava em primeiro
plano e aparentemente se limitava somente a Israel, mas a graça é anterior à outorga da lei.
Deus tratou com os patriarcas graciosamente. Na própria lei pode-se encontrar a graça. A
escolha de Israel como povo eleito, por exemplo, é atribuída à livre escolha de Deus, e não à
retidão de Israel (Deut. 7:7-8; cf. 8:18).
A Graça nos Profetas
O principal ponto de interesse nos escritos proféticos é o arrependimento.As passagens
típicas alusivas a isto são Amós 5:14 Embora pareça que os profetas punham a ênfase no poder
da vontade humana para o arrependimento, à semelhança da heresia pelagiana, a verdade é
2 Walter A. Elwell, Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, vol. II, pág. 220.
3 Nota para Gên. 6:8 de The Ryrie Study Bible.
4 J. D. Douglas, O Novo Dicionário da Bíblia, art. “Graça”.
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que o arrependimento era reputado como algo interno (Joel 2:13). Ezequiel, por exemplo,
apesar de exigir que a pessoa deva criar um novo coração (Eze. 18:31), também admite que
um novo coração só pode ser obtido como dom da graça de Deus (36:26). O profeta Jeremias
também é do mesmo parecer (Jer. 31:31-34).
A Graça nos Escritos
O termo hen acha-se quase que inteiramente ausente dos salmos, embora seus cognatos
apareçam. Já hesed pode ser encontrado com grande freqüência (Sal. 5:7; 23:6 (traduzido
“misericórdia”); 53:3 (“auxílio”); 52:1 (“bondade” e “misericórdia” no verso 8); 89:33
(“bondade”).
Capítulo III
A GRAÇA NO NOVO TESTAMENTO
“Embora s graça fosse manifesta no Antigo Testamento (Gên. 6:8; Êxo. 34:6; Jer. 31:3),
era apenas como uma vela, comparada ao brilho da graça manifesta na encarnação de Cristo
(Tito 2:11). Graça é o favor imerecido de Deus e fornece a base de nossa salvação, justificação,
eleição, fé e dons espirituais (Efés. 1:7; Rom. 3:24; 11:5-6; Efés. 2:8-9; Rom. 12:6).”5
Vocabulário Grego
O termo grego normalmente usado para traduzir o vocábulo hebraico hen é charis. O verbo
correspondente mais aproximado, charizesthai, era empregado para denotar tanto o perdão
humano como o divino (Col. 2:13; 3:13; Efés. 4:32). O termo hebraico hesed tem seu
equivalente no grego eleos, que tem o sentido de “misericórdia”. Esta palavra, porém, não é
freqüente e ocorre principalmente em passagens fundamentadas no Antigo Testamento, tais
como Rom. 9:15-18, 23; 11:30-32). No entanto, “graça” é tradução preferível à “misericórdia”,
visto incluir o conceito de poder divino que capacita o homem a viver vida moral.
A Graça nos Evangelhos Sinópticos
Embora a palavra charis nunca tenha sido posta nos lábios de Jesus pelos evangelistas, a
idéia teológica é bastante proeminente. Jesus afirma ter vindo buscar e salvar os perdidos.
Muitas de suas parábolas ensinam a doutrina da graça: a dos trabalhadores na vinha ensina
que Deus não tem de prestar contas a ninguém por Seus dons graciosos (Mat. 20:1-16), a da
grande ceia mostra que o privilégio espiritual não garante a felicidade final e que o convite do
Evangelho é para todos (Luc. 14:16-24), a do filho pródigo apresenta o pai recebendo o filho de
uma maneira que ela não merecia (Luc. 15:20-24). Ademais, o arrependimento é sublinhado
como condição de salvação (Mar. 1:15; 6:12; Luc. 24:27).
A Graça e os Escritos de Lucas
Tanto o Evangelho de Lucas como Atos dos Apóstolos necessitam de atenção especial.
Lucas demonstra flexibilidade ao tratar do assunto. Aparece até mesmo o sentido não religioso
do substantivo como o favor feito de um homem para outro (Atos 24:27; 25:3 e 9). O sentido
véterotestamentário de favor é visto em Luc. 1:30; 2:52; Atos 2:47; 7:10, 46. O sentido
dinâmico da graça, cujo resultado é o testemunho eficaz e corajoso, é percebido em Atos 4:33;
11:23; 13:43 e é usado no contexto do apelo universal do evangelho. Lucas também combina,
de maneira insólita, os termos “evangelho” e “graça” (Luc. 4:22; Atos 14:3; 20:24).
5 Nota ao pé da página de A Bíblia Anotada, para João 1:17.
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A Graça e as Epístolas Paulinas
O termo “graça” encontra lugar de destaque nas saudações iniciais e nas bênçãos finais das
epístolas de Paulo, fazendo dobradinha com a saudação convencional da época — “paz”. O
fundamento da doutrina da graça em Paulo encontra-se em Rom. 1:16–3:20. O ser humano é
apresentado como um pecador, que é justificado pela graça de Deus mediante a fé (Rom.
3:21–4:25). Ou seja, Deus, em Sua graça, trata o homem culpado como se nunca tivesse
pecado.
A fé é a resposta humana à graça divina (Rom. 5:2; 10:9; Efés. 2:8). Poderíamos dizer que
a graça é a mão divina estendida e a fé é a mão humana que se apressa em encontrá-la. Essa
fé, no entanto, é também dádiva de Deus (Efés. 2:8). Paulo deixa claro que a fé não é alguma
ação independente do crente. Também não é algo destituído de atitude ética. A verdadeira fé
“atua pelo amor” (Gál. 5:6). Sem obras, é uma fé morta.
A Graça e Outros Escritos Neotestamentários
Em 1 Pedro, o apóstolo salienta a graça nos capítulos 1 e 2 por meio dos variantes usuais
de eleição e herança; 3:7 apresenta-nos a frase incomum “graça de vida”. Utiliza-se graça
igualmente em 5:10 com relação à glória futura do crente.
Em Hebreus, o escritor emprega ambas as palavras gregas para graça. Em 2:9 a graça
divina é relacionada aos sofrimentos de Cristo. O termo charis é utilizado em 12:28 para indicar
a gratidão humana para com a Divindade. A graça é reputada como uma chamada à
consagração em 12L14-15. A frase “trono da graça” (4:16) associa a majestade e a misericórdia
divinas. Outra expressão interessante, que aparece em 10:29, é “o Espírito da graça”, dando a
entender que o Espírito Santo o promotor da graça.
Nos escritos joaninos pouca coisa se diz sobre a graça, embora a temática do amor seja um
tópico recorrente do começo ao fim. A idéia mais aproximada de graça é o conceito de vida
eterna obtido pela fé interior na pessoa do Cristo. A glória do Verbo encarnado é apresentado
com características de “graça e verdade” (João 1:14).
Capítulo IV
A GRAÇA E O PLANO DA SALVAÇÃO
Todos Pecaram
Gênesis 8:21; I Reis 8:46; II Crônicas 6:36; Salmos 51:5; Provérbios 22:15; 20:9;
Eclesiastes 7:20; 8:11; 9:3; Ezequiel 22:29,30; Jeremias 3:17; 4:4,18,22; 5:23; 7:24; 8:3; 17:9;
Gênesis 6:5; Romanos 3:23; 5:19; Marcos 7:21; Tiago 1:14; Romanos 11:32; I João 1:10;
Romanos 3:10-18.
Não há nenhum ser humano neste universo que não seja pecador. O pecado é hereditário.
Os homens não são pecadores porque pecaram, mas pecam porque são pecadores, isto é, já
nasceram do pecado: "Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu minha
mãe" (Sl.51:5). Como o pecado é hereditário, ele passa a todos os homens, de modo que não
há nenhum no mundo que seja santo: "Na verdade, que não há homem justo sobre a terra,
que faça bem, e nunca peque" (Ec.7:20). Todo ser humano é pecador!
Todos Estão Condenados
Gênesis 3:19; Ezequiel 18:4; Jeremias 6:16-19; Isaías 59:1-16; Lucas 12:4,5; Colossenses
2:13; João 3:18,36; Romanos 5:12,14,19; 6:23; Gálatas 3:10,11; Hebreus 9:27; Apocalipse
20:14,15; 21:8; Efésios 2:1; 2:5
Uma vez que todos os homens são pecadores, então todos estão condenados diante de
Deus, pois o pecado torna o homem condenável. Este fato nenhum homem pode negar, pois a
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condenação resultante do pecado é a morte: "Porque o salário do pecado é a
morte..."(Rm.6:23). Pela morte todos passam; ela comprova que todos são pecadores. Homens
considerados santos, que são venerados e adorados; homens considerados deuses, que não
puderam salvar a si mesmos da morte. Sobre todos pesa o vaticínio: "Pelo que por um homem
entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os
homens porque todos pecaram" (Rm.5:12). Todo ser humano está condenado à morte!
Há Um Salvador
Isaías 53:1-7; I Pedro 2:24; 3:18; João 3:16; Romanos 5:8; Atos 4:12; João 14:6; Isaías
43:25; Jeremias 31:34; Isaías 43:11; Lucas 2:11; João 4:42; I João 4:14; Judas 25; Romanos
4:25.
Evangelho significa "boas novas". Depois de tomar consciência de que é pecador e quesobre si pesa a sentença de morte, o ser humano se alegra, pois há uma boa nova para ele. Há
um Salvador que pode salvá-lo da morte! É esta a mensagem central do evangelho. A Bíblia
prega a morte (ou melhor, a justiça de Deus) apenas para que o homem procure a salvação. Se
alguém não souber que está doente não procurará pelo remédio. Só procura por salvação quem
sabe que está perdido. Por isso a intenção da Bíblia não é assustar ninguém, mas conduzi-lo ao
evangelho da salvação.
Jesus Cristo é o Salvador. Ele morreu para que tivéssemos vida. Ele pagou na cruz por
todos os nossos pecados, para que ficássemos livre da condenação da morte. Mas esta oferta
não é para todos; vale somente para aqueles que o confessarem somo Salvador e Senhor de
suas vidas: "Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que
Deus O ressuscitou dos mortos serás salvo". Rom. 10:9. Lembre-se de que um pecador perdido
não pode salvar o seu próximo, pois não é capaz de salvar nem a si mesmo. Aqueles que os
homens veneram e consideram como deuses não são de fato deuses porque eles também
morreram: "Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate
dele". Sal. 49:7. Por isso a Bíblia anuncia que só Jesus Cristo Salva: "E em nenhum outro há
salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo
qual devamos ser salvos". At. 4:12.
A Salvação É Pela Graça
Salmos 49:7,8; Romanos 3:20; 4:4-8; 10:3; 11:6; Isaías 55:1; Apocalipse 22:17; Efésios
2:8,9; Romanos 6:23; Isaías 59:6; 64:6; Atos 17:4,17; Tiago 2:10; Isaías 40:2; João 6:29; Tito
3:5-7; II Timóteo 1:9; Ezequiel 33:12,13; Jeremias 13:23; Gálatas 2:16; 3:11.
As Escrituras são claras em afirmar que a salvação é um dom gratuito de Deus. É um
presente. Não se pode obtê-la pelo esforço próprio. As melhores obras que fazemos, podem
agradar ao próximo, e até mesmo a Deus, em certo sentido, mas são insuficientes para
promover a salvação. Nossas obras de justiça são consideradas trapo de imundície: "Mas todos
nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós
caímos como folha, e as nossas culpas como um vento nos arrebatam". Is.64:6.
O batismo não salva, a guarda do sábado não salva, freqüentar igreja não salva, ler a Bíblia
não salva, fazer caridade não salva, ser bonzinho não salva, ir à missa não salva, ser católico
não salva, ser protestante não salva, ser batista não salva, ser adventista não salva, ser budista
não salva, ser pastor não salva, ser padre não salva, ser monge não salva. Nada salva, exceto
Jesus Cristo! só Jesus Cristo salva! e não é pelas obras, mas pela graça de deus, porque a
salvação é um presente que o Deus vivo Jesus Cristo nos dá: "Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém
se glorie" (Ef.2:8,9). "...o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor"
(Rm.6:23). Ou a recebemos humildemente, ou a recusamos e tentamos obtê-la por nós
mesmos, infrutiferamente pelas obras. Se agirmos assim ofendemos a Deus, pois
Mód. 07-A - Graça 7
consideraremos sua obra incompleta e ineficiente e tentamos dar uma mãozinha a Deus, com
nossos esforços. O plano de Deus é tão perfeito que até o mais miserável dos pecadores tem a
chance de se salvar, apenas crendo e aceitando o presente de Deus, ao passo que se fosse
pelas obras, apenas os bons se salvariam. Mas Jesus veio buscar pecadores, pois os sãos não
precisam de médico. Mas todos aqueles que se reconhecem doentes espirituais hão de receber
o médico de suas almas: "...todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus; aos que crêem no seu nome"(Jo.1:12). Você precisa receber a Jesus!
A Salvação É Mediante A Fé
Marcos 16:16; João 1;12; 3:16,18,36; 5:24; 6:35; 7:38,39; 11:25,26; Atos 10:43; 13:39;
15:9; 16:31; Atos 8:37; 26:18; Tiago 2:19; João 14:1; Romanos 10:8-10; 10:4; Romanos 5:1;
Efésios 2:8; Hebreus 11:6.
A graça de Deus é a causa da salvação e a fé é o meio. Quando alguém troca o pneu de
um carro, não dizemos que foi o macaco quem trocou o pneu, mas o dono do carro. O macaco
foi o instrumento usado para fazer a troca. Desse modo o macaco foi o meio para trocar o
pneu, mas a causa foi o homem que efetuou a troca. Embora se possa falar filosoficamente em
outras causas, como o pneu furado, por exemplo, mas devemos entender que estamos falando
da causa primária e não da causa imediata. É claro que vários fatores ocasionam a salvação,
como o próprio fato de estarmos perdidos, ou o fato de ouvirmos a mensagem do evangelho,
mas tudo isto são causas imediatas, e por assim dizer, tornam-se meios. A causa primária é o
próprio Deus, a sua graça, a sua vontade de salvar, o seu desejo e amor pela humanidade!
Em certo sentido podemos dizer que a graça é a parte de Deus e a fé é a parte do homem
(embora a fé também seja um dom de Deus). Deus oferece gratuitamente a salvação, mas o
homem tem a responsabilidade de acreditar, confiar e recebê-la. Você precisa crer em Jesus e
em sua palavra!
Como Se Consegue
Atos 2:21; Lucas 11:9-13; Jeremias 29:12,13; 33:3; Mateus 11:28; João 6:37.
Se você entendeu a mensagem, e deseja de fato e de verdade a salvação, então basta pedi-la a
Deus. Lembre-se que é um presente, que Ele está disposto a dar a todos que lhe pedirem. Se
pedimos então cremos que não podemos comprar e que necessitamos daquilo que pedimos.
Mas se pedimos nos humilhamos perante Deus e Ele atende aos humildes. Se ele não quisesse
dar não teria enviado Jesus para morrer pelos pecadores: "...o que vem a Mim de maneira
nenhuma o lançarei fora"(Jo.6:37). Jesus disse: "Vinde a Mim todos os que estais cansados..."
(Mt.11:28). "O Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede,
venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida" (Apoc. 22:17). "Pedi e dar-se-vos-á;
buscai e achareis..." (Luc. 11:9). "Ó vós todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que
não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem
preço..." (Is.55:1). Você precisa pedir a Deus pela salvação!
Capítulo V
A GRAÇA E O CONHECIMENTO
Walter Santos Baptista
"Antes crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele
seja dada a glória, assim agora, como até o dia da eternidade". (2Pe 3.18)
O cristão é um ser humano em desenvolvimento. Alguém usava uma camiseta onde estava
escrito: "Tenha paciência porque ainda estou em construção".
Mód. 07-A - Graça 8
É verdade. Estamos em construção. O crente em nosso Senhor Jesus Cristo tem que
agradecer diariamente a graça de Deus e de Seu Filho, e ir penetrando mais e mais além do
véu do santuário.
Sim. A graça e o conhecimento têm como sua fonte a pessoa de Cristo Jesus. Pedro, o
apóstolo, nos adverte a crescer "na graça e no conhecimento" do Senhor, e o faz no mesmo
espírito que levou Paulo a dizer "seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele
que é a cabeça, Cristo" e "o Senhor vos faça crescer e abundar em amor uns para com os
outros e para com todos."
A experiência da santificação está relacionada ao crescimento cristão, e é, mesmo, um desafio
ao crescimento na sabedoria, no conhecimento, na experiência e na graça.
A Graça
A graça de Deus, Seu amor que não merecemos, faz-nos o que somos. Ela é Deus em
operação no nosso ser. É impressionante que todas as religiões começam com o ser humano
buscando seu(s) deus(es). Assim no animismo, no candomblé, no hinduismo, etc. Mas o
evangelho de Cristo começa com Deus buscando a pessoa humana. Só temos que examinar o
testemunho da Sua Palavra:
"Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: em que Deus enviou seu Filho
unigênito ao mundo, par que por meio dele vivamos. Nistoestá o amor: não em que nós
tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como
propiciação pelos nossos pecados. Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro".
A graça de Deus escolheu os patriarcas: Noé, Abraão, Jacó, José, Moisés. Escolheu os
profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel, Amós (7.14,15). Jesus Cristo escolheu os apóstolos
(Mt 10.10; Mc 3.13; Lc 6.13; 9.1; 2Co 12.9); escolheu os seus santos (Rm 1.7; 1Co 1.2: Ef
1.1,2). A Bíblia é a história da graça de Deus, e Deus Pai é o Deus de toda graça (1Pe 5.10),
como o Espírito Santo é o Espírito da graça (Zc 12.10), e Jesus Cristo é a Palavra de Deus
cheia de "graça e de verdade"(Jo 1,14).
Mas a graça de Jesus Cristo, na qual somos encorajados a crescer, não é uma graça
barata, graça de liquidação. Não é a pregação do perdão sem arrependimento, do batismo sem
discipulado, da comunhão sem confissão. Porque graça barata é a graça sem cruz, que
dispensa o Calvário e sem Jesus Cristo ressuscitado!
Não! Pela graça há uma nova relação com Deus, uma nova obediência. E afirmar Efésios
2.8 ("Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus) é
sinônimo de confiança no valor da obra salvadora de Deus.
A graça se reflete em três aspectos: a já mencionada salvação pela graça, a segurança por
meio da graça e a graça como regra de conduta. A graça salvadora é mais que simples amor
porque é amor que liberta, que torna o salvo triunfante sobre o juízo final (leia Jo 3.18); é o
amor sem limites e livre de Deus pelo perdido. A segurança pela graça significa que Deus
guarda os seus (leia Jo 10.27-29; Rm 8.35-39; Jo 6.37,39). Como regra de vida significa que
devemos crescer nela pela transformação segundo a imagem de Cristo, o que é produzido em
nós pelo poder do Espírito Santo (leia 2Co 3.18). E então surge em nossa vida um novo senso
de responsabilidade por nossas atitudes, de propriedade por nossas ações, de alegria por estar
vivo e ativo no reino de Deus; novo sentido de esperança para o futuro, e, por isso,
celebramos a graça, maravilhosa graça, abundante graça, extraordinária graça que nos dá
salvação, vida e alegria!
O Conhecimento
O "conhecimento de Cristo" pode ser uma de duas coisas, ou as duas; um conhecimento
acerca de Jesus Cristo (cf. 2Pe 1.5,6), ou/e um conhecimento pessoal de Cristo, um encontro
com Ele como Salvador pessoal, um contato constante com Ele.
Mód. 07-A - Graça 9
Então, qual o Cristo que você conhece? O Cristo morto da teologia popular brasileira?
Mostrando a uns amigos americanos um templo antigo da Igreja Majoritária, ao lado do
espanto, misto de admiração pelos painéis folheados a ouro, altares rebuscados, tive um
repentino susto ao ver debaixo de um dos altares um cadáver num caixão. Olhando melhor,
observei que era uma imagem em tamanho natural representando o Cristo defunto tão ao
gosto de certa forma de religiosidade. São expressões de um folheto de cordel:
"Vendo Jesus Cristo morto
Ao pé da cruz se sentaram
5.000 e 5 chagas
Encontrou no corpo dele.
5.000 e doze espinhos
A Virgem retirou dele.
5.000 gramas de sangue
Fazem cortina pra ele.
Aos mãos estavam furadas,
Os ossos desconjuntados,
Despido de suas vestes
Os dois pés finos cravados,
O peito rasgado à lança.
Os dois olhos fechados".
Qual o Cristo que você conhece? O Cristo distante? O Cristo do Corcovado, dos Altos do
Cruzeiro (praticamente toda cidade do interior, e algumas capitais como Salvador, Rio de
Janeiro, Recife têm um morro para onde se vai em romaria, subindo, por vezes, de joelho a
escadaria numa autêntica demonstração de "salvação pelas obras"). O Cristo metafísico, longe
de nós?
Qual o Cristo que você conhece? O Cristo-que-não-inspira-respeito? Das músicas profanas e
piadas pretensamente jocosas?
Qual o Cristo que você conhece? O Cristo docético, pálido, ausente da vida diária; cuja
natureza humana e deformada, ou substituído por um orixá?
Qual o Cristo que você conhece? O Cristo-Oxalá, filho unigênito do Pai Olorum?
O Cristo Senhor de Maitreya do movimento "Nova Era"?
O Cristo-só-homem? Grande filósofo? Grande mestre? Volto a lhe perguntar, qual o Cristo
que você conhece? O Cristo sem poder, inerte, que nega a palavra profética de que o Espírito
do Senhor está sobre Ele, e O ungiu para anunciar boas novas, proclamar libertação,
restauração, por um fim à opressão, e proclamar o ano das bênçãos, da graça, o ano aceitável
do Senhor (cf. Lc 4.17-21; Is 61.1ss)?
Qual o Cristo que você conhece? O Cristo existencialista de Bultmann? O Cristo
revolucionário, parazelote, de Cullmann, dos teólogos da libertação, das categorias políticas?
Ou o Cristo servo-sofredor dos profetas, o Cristo da esperança de todo o Novo Testamento?
Num dos seus iluminados livros, o Pr. A. W. Tozer ensina que há graus de conhecimento das
realidades divinas. E, fazendo um paralelo com o templo de Jerusalém, explica dizendo que o
primeiro deles é o grau da razão que se refere ao pátio do templo, ao ar livre e recebendo a luz
natural. Verdade é que tudo era divino, mas a qualidade do conhecimento se tornava mais
sublime à medida que o adorador deixava o átrio, a parte de fora do templo, e ia se
aproximando do Santo dos Santos onde estava a arca. O segundo grau é o da fé
correspondendo ao lugar Santo. É aquele que penetra na fé da criação divina do Universo, crê
na Trindade Divina, crê que Deus é amor, e que Jesus Cristo morreu por nós, ressuscitou, e
está ao lado do Pai. O mais elevado é o da experiência espiritual: é o Santo dos Santos, o
Mód. 07-A - Graça 10
conhecimento mais puro. Em João 14.21, Jesus disse: "Aquele que tem os meus mandamentos
e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o
amarei, e me manifestarei a ele."
E Paulo fala de sua experiência no Espírito com as seguintes expressões: "É necessário
gloriar-me, embora não convenha; mas passarei a visões e revelações do Senhor. Conheço um
homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo não sei, se fora do corpo não sei; Deus o
sabe) foi arrebatado até o terceiro céu. Sim, conheço o tal homem (se no corpo, se fora do
corpo, não sei: Deus o sabe), que foi arrebatado ao paraíso, e ouviu palavras inefáveis, as
quais não é lícito ao homem referir." (2Co 12.1-4)
Essa é a bem-aventurança maior: entrar pelo véu rasgado no lugar Santíssimo. “Tendo
pois, irmãos, ousadia para entrarmos no santíssimo lugar, pelo sangue de Jesus, pelo caminho
que Ele nos inaugurou, caminho novo e vivo, através do véu, isto é, da sua carne, e tendo um
grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira
certeza de fé; tendo o coração purificado de má consciência, e o corpo lavado com água limpa,
retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é aquele que fez a
promessa." (Hb 10.19-23).
O Crescimento
O alvo do crente em Jesus Cristo é crescer. Crescer na graça (2Pe 3.18), crescer no
conhecimento (Cl 1.10), crescer na fé (1Ts 1.3), crescer na sabedoria (Pv 1.5), crescer em tudo
(Ef 4.15).
Em Êxodo 33.13. Moisés faz um pedido ousado a Deus: "rogo-te que agora me mostres os
teus caminhos, para que eu te conheça". O Senhor, então, assegura que irá com ele (cf. V.
14). No verso 18, ele faz um pedido ainda mais ousado "Rogo-te que me mostres a tua glória".
E, com isso, Moisés nos ensina que não podemos ficar com menos.
Crescer como cristão, na fé, na graça e no conhecimento é uma construção do Espírito de
Deus. É o Espírito Santo o grande operário de Deus em nosso próprio espírito.
Ora, as pessoas sensíveis à vida espiritual desejam ser mudadas para melhor. Pois o
evangelho tem uma proposta radical: é preciso morrer! Morrer para o passado e nascer para
uma nova vida: "Porque morreste, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus":(Cl 3.3;
cf. Rm 6.2,7ss; Cl 2.13; 1Co 15.31,36; Ef 4.24).
Então, virão os sinais de crescimento: a paz, a alegria, a esperança, a segurança, a
gratidão, o serviço (cf. Rm 14.17; Jo 14.27; Rm 5.5; 1Pe 1.3; 1Jo 5.12,13; Lc 24.53; Rm 12.1).
Por que crescer espiritualmente? Porque nosso Deus o espera. Pelo Espírito, entramos na
nova vida em Cristo; pelo Espírito, vemos em Jesus a revelação de Deus, e então nos
entregamos a Ele, e Seu Espírito toma conta de nós e faz a obra, "porquanto o amor de Deus
está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5.5). É preciso
crescer espiritualmente porque nossa utilidade no reino de Deus o exige, decorrendo daí um
interesse profundo na Causa de Cristo, e a participação ativa no reino. É preciso crescer
espiritualmente para evitar a advertência de Paulo em 1Tm 1.5-7.
No entanto, se alguma dificuldade há, ponha-a diante de Deus em oração, e faça certas
perguntas: quem ordena crescer? Não é o pastor, mas o próprio Deus. Em quem devo crer?
Em Jesus Cristo. Mas não pergunte, "como posso crer?" Pois diante de tantas graças, bênçãos
e maravilhas, pergunte "Como poderia deixar de crer?" E, então, submeta-se!
Pedro termina a carta como a começara (cf. 1.2), e como a vida cristã é vida de
desenvolvimento, crescimento e rumo à maturidade, ao lado da ordem de Pedro está o
encorajamento de Paulo,
"... esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante,
prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus" (Fl 3.13,14),
Mód. 07-A - Graça 11
não esquecendo o profeta Oséias: "Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor..." (6.
3). Amém.6
Capítulo VI
A GRAÇA RESISTÍVEL
Airton Evangelista da Costa
O título deste estudo poderia ser: Uma vez salvo, salvo para sempre? Ou: Se o crente
cometer apostasia perderá a salvação? Sei tratar-se de um assunto controvertido. De um lado,
os que seguindo a doutrina do Calvinismo consideram a salvação imperdível. Do outro, os que
alinhados ao ensino do Arminianismo consideram plenamente possível o cair da graça. Para
melhor compreensão, vejamos um resumo dessas doutrinas.
Calvinismo
O calvinismo é um sistema teológico elaborado pelo teólogo francês João Calvino (1509-
1564). Os pontos fundamentais do seu ensino são:
(1) Depravação total: Os homens nascem depravados, não lhes sendo possível, nesse
estado, escolher o caminho da salvação.
(2) Eleição incondicional - Somos escolhidos por Deus para salvação, independente de
qualquer mérito de nossa parte.
(3) Graça irresistível - Os escolhidos não resistirão à graça salvadora do Criador, em
razão da atuação do Espírito Santo, convencendo-os do pecado.
(4) Expiação limitada aos eleitos - O alto preço do resgate, pago por Jesus na cruz,
alcançou apenas os eleitos.
(5) Perseverança dos crentes - Nenhum dos eleitos perderá a salvação; irão
perseverar até o fim, pois estão predestinados ao céu desde a fundação do mundo. Em resumo,
o movimento teológico calvinista defende a absoluta soberania de Deus, e a exclusão do livre-
arbítrio. Deus concede aos eleitos graça eficaz e irresistível, que permite ao homem continuar
perseverante por toda a vida.
Arminianismo
O arminianismo é um sistema teológico formulado pelo teólogo holandês Jacobus Arminius
(1560-1609), em oposição à doutrina Calvinista da predestinação, assim exposto:
(1) Livre-arbítrio - Deus concedeu ao homem a capacidade de aceitar ou recusar a
salvação que lhe é oferecida.
(2) Eleição condicional - Deus elege ou reprova com base na fé ou na incredulidade
em Jesus Cristo.
(3) Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos, e não somente pelos eleitos.
(4) Graça resistível - É possível ao homem rejeitar a Graça de Deus e, em
conseqüência, perder a salvação.
(5) Decair da Graça - Os salvos podem perder a salvação se não perseverarem até o
fim.
Os defensores da graça irresistível, ou seja, os que tomam partido no Calvinismo, não
admitindo a perda da salvação dos "eleitos" em nenhuma hipótese, apresentam, dentre outros,
os seguintes argumentos bíblicos:
6 Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião.
Mód. 07-A - Graça 12
"Eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; ninguém poderá arrebatá-las da minha
mão" (Jo 10.28).
"Quem nos separará do amor de Cristo?..." (Rm 8.35).
"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar..."(Jd 24).
"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção"
(Ef 4.30)
"Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, tudo se
fez novo" (2 Co 5.17).
"Pois [Jesus Cristo] nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e
irrepreensíveis diante dele. Em amor nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus
Cristo..." (Ef 1.4-5).
"Porque os que dantes conheceu, também os predestinou ...aos que predestinou, a esses
também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses
também glorificou"(Rm 8.29-30).
Outras referências associadas à eleição e predestinação: Jr 1.5;10.23; Sl 65.4; Jo 6.44;
9.23; 10.13; Ef 1.11-12; 2.10; 2 Tm 1.9; 2 Ts 2.13. 1 Jo 2.18-19.
Os que admitem a perda da salvação do crente, em caso de abandono da fé, apresentam,
dentre outros, os seguintes argumentos bíblicos:
"Se voluntariamente continuarmos no pecado, depois de termos recebido o pleno
conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação
horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários" (Hb 10.26-27).
"Meus irmãos, se algum dentre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que
aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma..."
(Tg 5.19-20).
"Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora, como o ramo, e secará; tais ramos
são apanhados, lançados no fogo e se queimam" (Jo 15.6).
"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, dando
ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios" (1 Tm 4.1).
"Agora, contudo, vos reconciliou no corpo de sua carne...se é que permaneceis fundados e
firmes na fé..."(Cl 1.22-230).
"Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? ..." (Hb 2.1-3).
Livre-Arbítrio
Deus criou o homem com liberdade para tomar decisões, com liberdade para rejeitar ou
aceitar Seu plano de salvação, para crer ou não crer nEle. Essa liberdade faz parte da condição
humana. Caso contrário, seríamos como marionetes, ou robôs programados pelo Criador. Não
seríamos culpados por nossos atos.
Adão e Eva tiveram a liberdade de decidir; influenciados pelo diabo, optaram pela
desobediência ao Criador. Antes disso, Lúcifer, um anjo de grande prestígio no céu, também
usou de seu livre-arbítrio, desejou ser igual ao Altíssimo e caiu em rebelião.
Em Deuteronômio 28, Deus coloca diante do seu povo dois caminhos: (a) "Se obedeceres à
voz do Senhor teu Deus...todas as bênçãos virão sobre ti..." (b) "Mas se não deres ouvidos à
voz do Senhor teu Deus...virão sobre ti todas estas maldições...". Noutras palavras, Deus
concede ao seu povo a liberdade de escolha.
Jesus nos deixou outro exemplo dessa liberdade. Em Mateus 7, Ele afirma que diante dos
pecadores existem dois caminhos: um deles é espaçoso e conduz à perdição; o outro, estreito,
conduz à vida eterna. Disse mais que são poucos os que percorrem o caminho apertado. Ora,
se não prevalecesse a vontade humana, todos os homens seguiriam o caminho estreito, porque
é da vontade de Deus que todos se salvem.
Mód. 07-A - Graça 13
O cerne da questão está na condição do homem após aceitar Jesus como seu Senhor eúnico Salvador. O crente, usando o seu livre-arbítrio, pode voltar-se para o pecado, perder a fé,
perder a graça de Deus e, assim, perder a salvação? Mais uma pergunta cabe formular: o
crente possui livre-arbítrio? Se a resposta for afirmativa, é evidente que ele poderá usá-lo, e
usá-lo para abandonar a sua fé original e fazer morrer a chama do primeiro amor; se negativa,
teríamos que solicitar respaldo bíblico para tal opinião.
A partir da decisão do primeiro casal no Éden, as evidências escriturísticas provam que em
nenhuma circunstância o ser humano perde o direito à liberdade de escolha dada por Deus. O
argumento de que temos o Consolador que nos convence do pecado, e portanto não podemos
cair, não me parece suficiente. Vejam: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um
coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo" (HB 3.12). Só pode haver desenlace quando
há enlace; só podemos sair de onde entramos; "apartar-se do Deus vivo" significa quebrar uma
aliança existente.
Eleição e Predestinação
No estudo da apostasia pessoal não se pode deixar de comentar a doutrina dos eleitos e
predestinados. No Calvinismo, nada impedirá a salvação dos escolhidos. No arminianismo, a
eleição e a reprovação é com base na fé ou incredulidade. Examinemos o seguinte versículo:
"Veio [Jesus] para o que era seu, e os seus não O receberam; mas a todos quantos O
receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome"(Jo
1.11-12). Somente seremos adotados como filhos se crermos em Jesus. Logo, os "eleitos" estão
sujeitos a esta condição.
Os "eleitos" de Deus são todos os que, após receber a Cristo, perseveram na fé obediente.
Por isso, Jesus advertiu aos discípulos: "Aquele que PERSEVERAR até o fim será salvo" (Mt
10.22). Os que mantiverem a fé perseverante estarão predestinados à vida eterna. Logo, os
que forem negligentes não terão o mesmo destino.
São eleitos os que estiverem unidos a Cristo: "Quem nEle crê, não é condenado, mas quem
não crê já está condenado, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3.18).
Portanto, o entendimento de uma eleição por meio de um ato unilateral da parte de Deus fica
prejudicado. É da vontade de Deus que nenhum homem se perca (Jo 6.39) ou caia da graça (Gl
5.4; 2 Pe 3.9). A expressão "cair da graça" nos diz da possibilidade de alguém perder a
salvação.
Se todos os homens são chamados a participarem do plano de salvação (Jo 3.16), não há
como acreditarmos que Deus escolhe alguns e, por exclusão, condena os demais. Se
estivessem previamente escolhidos, não teria sentido a recomendação para que "todos os
homens em todos os lugares se arrependam" (At 17.30), nem a ordem do "Ide por todo o
mundo, e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16.15).
O ensino calvinista leva ao entendimento de que Deus, ao eleger seus preferidos, selou por
um ato divino o destino dos não eleitos, ou seja, a morte eterna. Os não escolhidos estariam
proibidos de crer em Jesus para serem salvos. Não consigo entender - ainda que me esforce - a
idéia de que Cristo morreu somente por alguns pecadores. Vejamos: Cristo morreu pelos
pecadores (Rm 5.8); Cristo morreu pelos ímpios (Rm 5.6); Cristo morreu para dar salvação aos
que nEle crerem (Jo 3.16, 11.26); Cristo veio para dar vida às ovelhas perdidas (Mt 15.24;
18.11).
Como vimos, a eleição para a salvação em Cristo é oferecida a todos (Jo 3.16-17), porque
Deus "deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm
2.4), "pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens" (Tt 2.11).
Deus não deseja salvar apenas uma parte dos homens, mas TODOS os homens.
Se houvesse a dupla predestinação, ou seja, os escolhidos para o céu, os não escolhidos
para a perdição, o inferno não teria sido preparado para o diabo e seus anjos, como diz Mateus
Mód. 07-A - Graça 14
25.41. Este versículo teria outro enunciado: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno,
preparado desde a fundação do mundo para o diabo e seus anjos, e para todos os não eleitos".
Ora, os homens são jogados no lago de fogo e enxofre em conseqüência de uma decisão por
eles tomada em vida, a decisão (livre-arbítrio) de não seguir o caminho estreito.
A predestinação e a eleição dizem respeito ao corpo coletivo de Cristo (a verdadeira igreja),
e somente alcançam os que tomam parte neste corpo mediante a fé viva em Jesus Cristo (At
2.38-41; 16.31). Como está dito à p. 1890 da Bíblia de Estudos Pentecostal, "no tocante à
eleição e predestinação, podemos aplicar a analogia de um grande navio viajando para o céu.
Deus escolhe o navio (a igreja) para ser sua própria nau. Cristo é o Capitão e Piloto desse
navio. Todos os que desejam estar nesse navio eleito, podem fazê-lo mediante a fé viva em
Cristo. Enquanto permanecerem no navio, acompanhando seu Capitão, estarão entre os eleitos.
Caso alguém abandone o navio e o seu Capitão, deixará de ser um dos eleitos. A predestinação
concerne ao destino do navio e ao que Deus preparou para quem nele permanece. Deus
convida todos a entrar a bordo do navio eleito mediante Jesus Cristo". Como veremos a seguir,
muitas são as advertências para que ninguém saia do navio; caso alguém não permaneça nele,
não chegará ao porto seguro. Vejamos.
A Graça Condicional
A seguir, alguns textos que falam da PERMANÊNCIA na fé como condição sine qua non para
não perdermos a coroa da vida.
"Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em mim, e eu nele, esse dá
muito fruto...Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora..." (Jo 15.5-6).
Comentário: Nessa alegoria Jesus diz da possibilidade de um crente abandonar a fé, deixá-
Lo, e perder a salvação.
"A vós também, que noutro tempo éreis estranhos...agora vos
reconciliou no corpo da sua carne...se é que permaneceis fundados e firmes na fé, não vos
deixando afastar da esperança do evangelho..." (Cl 1.21-23).
Comentário: Paulo fala aos "santos e irmãos em Cristo. A reconciliação em Cristo depende da
permanência na fé.
"Mas o meu justo viverá pela fé. E se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele. Nós,
porém, não somos daqueles que retrocedem para a perdição, mas daqueles que crêem para a
conservação da alma" (Hb 10.38-39).
Comentário: Em outras palavras: Se o crente ("meu justo") me abandonar, estará perdido. A
possibilidade de recuo, de deixar, de abandonar a fé é uma realidade possível. "Daqueles que
retrocedem" é uma palavra de exortação, uma injeção de ânimo para que continuem firmes na
fé, mas fala também da possibilidade de o crente volta ao primitivo estado.
"E odiados de todos sereis por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até o fim
será salvo" (Mt 10.22).
Comentário: A segunda parte poderia ser assim: "Aquele que não perseverar até o fim NÃO
será salvo".
A necessidade de fidelidade e vigilância é realçada na parábola das Dez Virgens (Mt 25.1-
13), onde Cristo demonstra que boa parte dos crentes não estará preparada na Sua inesperada
vinda. Da mesma forma, a parábola do "Servo Vigilante" (Lc 12.35-48) demonstra a imperiosa
necessidade de o crente não negligenciar na fé, e manter-se espiritualmente pronto para a
volta do Senhor.
"Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba
que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma
e cobrirá uma multidão de pecados" (Tg 5.19-20).
Mód. 07-A - Graça 15
Comentário: A epístola, dentre outros objetivos, destinou-se a encorajar crentes judeus,
exortando-os a se manterem na Verdade que lhes foi revelada. Como se vê, Tiago admite ser
possível alguém, "dentre os irmãos", abandonar a fé e resistir à graça.
"Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão... Portanto
se, depois de terem escapado das corrupçõesdo mundo, pelo conhecimento do Senhor e
Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último
estado pior do que o primeiro" (2 Pe 2.15,20-22).
Comentário: Pedro retrata a situação dos falsos mestres que anteriormente receberam a
redenção pelo sangue de Jesus, depois voltaram à escravidão do pecado e perderam a
salvação.
Conclusão
Ao terminar de fazer o homem à sua imagem e conforme sua semelhança, Deus declarou
que Sua obra era muito boa (Gn 1.31). Adão estava livre para tomar decisões, até para
desobedecer ao Criador, como de fato desobedeceu (Gn 2.16-17; 3.1-6). Nas palavras do
Senhor a Caim (Gn 4.7) nota-se que a liberdade de decidir continua fazendo parte do ser
humano.
A salvação em Cristo é oferecida a todos os homens porque Ele morreu por todos os
pecadores, pelo mundo inteiro, e não apenas pelos eleitos
(2 Co 5.14-15; Hb 2.9; 1 Jo 2.2). A salvação está disponível a todos, mas os interessados
deverão buscá-la na cruz, pois é dada somente aos que crêem.
Não existe eleição sem Cristo. A condição para sermos eleitos é a fé obediente em Cristo
Jesus. Vejam:
"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as
bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo, como também NOS ELEGEU NELE [em
Cristo] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele
em caridade, e nos PREDESTINOU para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo,
segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1.3-5).
Capítulo VII
A GRAÇA COMUM DE DEUS NO
REFREAMENTO DA PECAMINOSIDADE HUMANA
Gildásio Reis
Introdução
Como vimos, a queda perverteu a imagem de Deus segundo a qual o homem foi criado e
que, em conseqüência disso, a pessoa humana age pecaminosamente em sua relação com
Deus, com o próximo e com a natureza. Por causa da queda cada ser humano é
fundamentalmente egocêntrico e sem amor, odiando a Deus, odiando os outros e devastando a
natureza.
Se Deus não refreasse a pecaminosidade humana seria impossível viver neste mundo.
Não obstante as Escrituras declararem a depravação total da humanidade, muitos de nós
têm bons vizinhos, podemos confiar em pessoas com quem fazemos negócios. Muitos de nós
conhecem pessoas que não obstante não serem cristãs, são amáveis, prestativas e honestas.
Como explicar isto? A resposta é o nosso estudo de hoje sobre a Graça Comum.
Que explicação podemos dar para a bondade que, em certa medida, constatamos nos
incrédulos?
Mód. 07-A - Graça 16
Definição de Graça Comum
"Graça Comum é a restringência e também a influência persuasiva do Espírito Santo agindo
através da verdade revelada no Evangelho, ou através da luz da razão e da consciência,
aumentando o efeito moral natural de tal verdade sobre o entendimento, consciência e coração.
Ela não envolve nenhuma mudança de coração, mas simplesmente a melhora dos poderes
naturais da verdade, a restringência das paixões más, e o aumento da emoções naturais em
vista do pecado, do dever e do interesse próprio"
"Graça comum é cada favor de qualquer espécie ou grau, excetuando a salvação, que este
mundo imerecedor e maldito pelo pecado, desfruta das mãos de Deus"
Por Graça Comum ou universal (porque alcança todos indiscriminadamente) entende-se
uma graça que restringe a manifestação do pecado na vida humana sem remover a
pecaminosidade humana, permitindo que incrédulos profiram muitas verdades e produzam
muitos feitos que são bons. É uma graça que refreia o pecado, porém sem regenerar o ser
humano.
1 – BASE BÍBLICA PARA A GRAÇA COMUM:
A Bíblia ensina a existência de uma graça de Deus que restringe (freia) o pecado na vida
daqueles que não são o Seu povo.
Gênesis 20:6 "Respondeu-lhe Deus em sonho: Bem sei que com sinceridade de coração
fizeste isso; daí o ter impedido eu de pecares contra mim e não te permiti que a tocasses." –
Abimeleque não era, obviamente, um crente. Todavia, Deus o impediu de pecar.
Romanos 1:24-28 "Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências
de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;
pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar
do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o
modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;
semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se
inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e
recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma
disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes,"
Este texto mostra que houve épocas em que Deus não restringiu a manifestação do
pecado. Deus "os entregou", "os abandonou" aos seus próprios pecados.
Romanos 13:3-4 "Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim
quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto
que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque
não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que
pratica o mal". –
Punições tais como multas, sentenças de prisão e outros é uma maneira de restringir o
pecado. (I Pedro 2:13,14)
2 – DIFERENÇAS DE GRAÇA COMUM E GRAÇA ESPECIAL:
A diferença entre elas deve ser vista no resultado que elas realizam naqueles que são
totalmente depravados.
a. A Graça Especial tem uma conotação redentora, enquanto a Comum é sinônima de não-
redentora. A Graça Comum refreia o pecado, mas não muda a natureza. Ela segura a
manifestação do pecado, mas não o extingue.
b. A Graça Especial muda as disposições interiores retirando do pecador a inimizade contra
Deus. A Graça Comum não provoca mudanças na vida do pecador. É apenas um freio.
Mód. 07-A - Graça 17
c. A Graça Especial muda o coração, a comum muda apenas a atitude. A mudança
realizada pela graça comum é apenas moral e não espiritual.
d. A Graça Especial atinge somente os eleitos, enquanto a comum atinge a todos
indistintamente, como o próprio nome diz, é "comum".
3 – A NATUREZA DA GRAÇA COMUM:
Calvino ensinou que há uma graça de Deus que restringe a manifestação do pecado na vida
humana sem remover a pecaminosidade humana.
Negativamente = A graça comum restringe o pecado
a. Restringe a manifestação do pecado. Gênesis 20:6; II Reis 19: 27-28; Gênesis 4:14-15.
Pela operação do Espírito, Deus evita que todas as potencialidades do homem para o mal
se manifestem em toda a sua violência.
b. Restringe a manifestação da ira divina. Rm 2:4.
Deus age sobre Si mesmo restringindo a manifestação plena da Sua vingança contra atos
maus dos homens. A paciência de Deus para com os homens é uma manifestação da graça
comum. Temporariamente Ele suspende Sua ira.
Rm 2:4 - "Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade,
ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?
c. Restringe a manifestação da plenitude da pecaminosidade humana.
O ser humano é depravado, mas nem sempre vemos a manifestação da sua
pecaminosidade que seja proporcional com sua potencialidade de pecar. O homem não peca
tudo o que é capaz.
Positivamente: Promove a justiça
a. O irregenerado é recipiente da bondade de Deus.
Gn 39:5 "E, desde que o fizera mordomo de sua casa e sobre tudo o que tinha, o SENHOR
abençoou a casa do egípcio por amor de José; a bênção do SENHOR estava sobre tudo o que
tinha, tanto em casa como no campo."
At 14:16-17 "o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos
seuspróprios caminhos;
contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do
céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria."
Lc 6:35-37 "Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar
nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno
até para com os ingratos e maus.
Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.
Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e
sereis perdoados;"
Lc 16:25 "Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua
vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em
tormentos."
A incredulidade dos homens não é motivo para eles não receberem bênçãos de Deus.
b. O irregenerado é capacitado a fazer coisas boas.
O homem é incapaz de por ele mesmo fazer coisas boas. Se as faz é pela graça de Deus
(Mt 5:46; Lc 6:34).
Calvino diz que os incrédulos podem ser revestidos dos dons excelentes de Deus (música,
poesia, pintura, artes, ciência, etc.).
"Toda verdade vem do Espírito de Deus e portanto rejeitar ou desprezar as coisas boas que
os incrédulos fazem é insultar o Espírito Santo de Deus.
Mód. 07-A - Graça 18
4 – OS MEIOS PELOS QUAIS O PECADO É REFREADO (Restringido)
a. A revelação geral de Deus (a natureza) – Rm 2:14-15
b. O governo civil – Rm 13:3-4 – I Pe 2:13,14
Multas, prisões etc...
c. Os relacionamentos sociais ou opinião pública.
Alguns pecados não cometemos porque:
Somos casados, temos uma família, vizinho, colegas, zelamos por nossa reputação...
5 – O PROPÓSITO ÚLTIMO DA GRAÇA COMUM
O grande propósito da graça comum de Deus, como podemos deduzir, é o bem-estar do
povo eleito de Deus. Mt 24:21-22.
CONCLUSÃO:
Qual o valor da Doutrina da Graça Comum?
1. A Doutrina da Graça Comum sublinha o poder destrutivo do pecado.
2. A Doutrina da Graça Comum reconhece os dons de que vemos nos seres humanos
irregenerados como dons de Deus.
3. A Doutrina da Graça Comum nos ajuda a explicar a possibilidade da civilização e cultura
nesta terra a despeito da condição decaída do homem.
Capítulo VIII
LEI E GRAÇA: UMA VISÃO REFORMADA
Mauro Fernando Meister
É quase um paradigma para os cristãos modernos associar o Antigo Testamento à Lei e o
Novo Testamento à Graça. Em várias oportunidades propus a estudantes de seminário e na
escola dominical estabelecer o relacionamento entre os termos e, invariavelmente, a resposta
tem sido a seguinte relação:
LEI — Antigo Testamento
GRAÇA — Novo Testamento
I. Estamos sob a Lei ou sob a graça?
Esse questionamento reflete um entendimento confuso do ensino bíblico acerca da lei e da
graça de Deus. Muitos associam a lei como um elemento pertencente exclusivamente ao
período do Antigo Testamento e a graça como um elemento neotestamentário. Isso é muitas
vezes o fruto do estudo apressado de textos como:
...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé
em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé
em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).
Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça
(Romanos 6.14).
E, de fato, uma leitura isolada dos textos acima pode levar o leitor a entender lei e graça
como um binômio de oposição. Lei e graça parecem opostos, sem reconciliação — o cristão
está debaixo da graça e conseqüentemente não tem qualquer relação com a lei. No entanto,
essa leitura é falaciosa. O entendimento isolado desses versos leva a uma antiga heresia
Mód. 07-A - Graça 19
chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem
qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a
lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a
tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo). Nesse caso, a obediência
não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e
de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa idéia é que a Reforma Protestante
lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia (só a graça)..
No século XVI, os católicos acusavam os reformadores de antinomistas (que é contra a lei),
de serem contrários à lei de Deus. Até mesmo o grande reformador Martinho Lutero expressou
preocupação quanto a alguns de seus seguidores que, em seu zelo de proclamar a graça por
tanto tempo desprezada pela Igreja, acabavam por desprezar a Lei. Desde a reforma têm
aparecido movimentos enfatizando um ou outro desses aspectos, lei ou graça, sempre de forma
excludente. Um dos mais recentes movimentos nessa linha, enfatizando a graça em detrimento
da lei, é o dispensacionalismo. Essa forma de abordagem surgiu no século XIX, caracterizando a
lei como a forma de salvação no período mosaico e o evangelho como a forma de salvação na
dispensação da igreja. Esse é, possivelmente, o movimento que mais influência exerce
atualmente na interpretação do papel da lei e da graça entre os evangélicos ao redor do
mundo.
Em uma direção oposta, outro grande movimento foi iniciado por Karl Barth, em seu livro
God, Grace and Gospel, onde argüi por uma unidade básica entre lei e graça, direcionando seu
pensamento para um novo moralismo.2 Para termos uma boa idéia de como o debate ainda é
atual, em 1993 foi publicado o livro Five Views on Law and Gospel, da coleção Counterpoints,
no qual cinco escritores evangélicos contemporâneos expressam diferentes pontos de vista
sobre a relação entre a lei e o evangelho (graça).3 Sem sombra de dúvida, o assunto ainda está
muito longe de apresentar um consenso entre os evangélicos.
As implicações da forma como entendemos a relação entre lei e graça vão muito além do
aspecto puramente intelectual. Esse entendimento vai, na verdade, determinar toda a forma
como alguém enxerga a vida cristã e que tipo de ética esse cristão irá assumir em sua
caminhada. John Hesselink, um estudioso sobre a relação entre lei e graça, exemplifica que, na
década de 1960, os cristãos proponentes da ética situacionista se levantaram contra leis, regras
e princípios gerais, propondo uma nova moralidade.4 Esse movimento propõe que a ética das
Escrituras não é absoluta, mas depende do contexto. Nem mesmo a lei moral de Deus é
absoluta; ela depende da situação. Essa proposta surgiu e se desenvolveu dentro do
cristianismo tradicional, alcançando seguidores de todas as bandeiras denominacionais,
praticamente sem restrições. A lei não tem mais qualquer papel determinante na ética cristã; o
que determina a ética cristã é o “princípio do amor,” conclui o movimento. A conseqüência
dessa conclusão é que a graça suplanta a lei. As decisões éticas devem ser tomadas levando
em consideração o princípio do amor. Tome-se por exemplo a questão do aborto no caso de
estupro. Aprová-lo nessas circunstâncias é um ato de amor baseado no princípio do amor à
mãe que foi estuprada. Ou mesmo a questão da pena de morte. Ela não se encaixa no princípio
do amor ao próximo e, portanto, não pode ser uma prática cristã. Até mesmo situações como o
divórcio passam a ser aceitáveis pelo princípio do amor. A separação de casais passa a ser
aceitável pelo mesmo princípio. O mesmo acontece com o homossexualismo. Aceitar o
homossexualismo passa a ser um ato de amor, e portanto, essa prática não pode ser
considerada como pecado, ou, se assim considerada, é um pecado aceitável.
Mas seria essa a verdadeira conclusão do cristianismo e o verdadeiro ensino das Escrituras
sobre a lei? É isso que o estudodas Escrituras e o cristianismo histórico nos ensinam? Nas
páginas a seguir avaliaremos o pensamento de Calvino a respeito dessa questão e a aplicação
calvinista refletida na Confissão de Fé de Westminster (CFW).
Mód. 07-A - Graça 20
II. O Uso da Lei
Para entendermos bem o uso da lei precisamos entender o que são o pacto das obras e o
pacto da graça. Assim, é prudente começarmos por esclarecer o que são esses pactos e qual o
conceito de lei que está envolvido na questão.
Pacto das Obras e Pacto da Graça5 é a terminologia usada pela Confissão de Fé de
Westminster6 para explicar a forma de relacionamento adotada por Deus para com as suas
criaturas, os seres humanos. Mais do que isso, essa terminologia reflete o sistema teológico
adotado pelos reformados, conhecido como teologia federal.7 De forma bem resumida,
podemos dizer que o pacto das obras é o pacto operante antes da queda e do pecado. Adão e
Eva viveram originalmente debaixo desse pacto e sua vida dependia da sua obediência à lei
dada por Deus de forma direta em Gênesis 2.17 — não comer da árvore do conhecimento do
bem e do mal.8 Adão e Eva descumpriram a sua obrigação, desobedeceram a lei e incorreram
na maldição do pacto das obras, a morte.
O pacto da graça é a manifestação graciosa e misericordiosa de Deus, aplicando a maldição
do pacto das obras à pessoa de seu Filho, Jesus Cristo, fazendo com que parte da sua criação,
primeiramente representada em Adão, e agora representada por Cristo, pudesse ser redimida.
Porém, a lei antes da queda não se resume à ordem de não comer do fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal. A lei não deve ser reduzida a um aspecto somente. Existem
outras leis, implícitas e explícitas, no texto bíblico. Por exemplo, a descrição das bênçãos em
Gênesis 1.28 aparece nos imperativos sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e dominai.
Esses imperativos foram ordens claras do Criador a Adão e sua esposa e, por conseguinte,
eram leis. O relacionamento de Adão com o Criador estava vinculado à obediência, a qual ele
era capaz de exercer e assim cumprir o papel para o qual fora criado. No entanto, o
relacionamento de Adão com Deus não se limitava à obediência. Esse relacionamento,
acompanhado de obediência, deveria expandir-se de maneira que nele o Deus criador fosse
glorificado e o ser humano pudesse ter plena alegria em servi-lo. A Confissão de Fé nos fala da
lei de Deus gravada no coração do homem (CFW 4.2). Essa lei gravada no coração do ser
humano reflete o tipo de intimidade reservada por Deus para as suas criaturas.
Nesse contexto podemos perceber que a lei tinha um papel orientador para o ser humano.
Para que o seu relacionamento com o Criador se mantivesse, o homem deveria ser obediente e
assim cumprir o seu papel. A obediência estava associada à manutenção da bênção pactual. A
não obediência estava associada à retirada da bênção e à aplicação da maldição. A lei,
portanto, tinha uma função orientadora. O ser humano, desde o princípio, conheceu os
propósitos de Deus através da lei. Tendo quebrado a lei, ele tornou-se réu da mesma e recebeu
a clara condenação proclamada pelo Criador: a morte.
O que acontece com essa lei depois da queda e da desobediência? Ela tem o mesmo papel?
Ela possui diferentes categorias? Por que Deus continuou a revelar a sua lei ao ser humano
caído?
III. De que Lei estamos Falando?
A revelação da lei de Deus, como expressão objetiva da sua vontade, encontra-se
registrada nas Escrituras. Esse registro, que começou nos tempos de Moisés, fala-nos da lei que
Deus deu a Adão e também aos seus descendentes. Essa lei foi revelada ao longo do tempo.
Dependendo das circunstâncias e da ocasião em que foi dada, possui diferentes aspectos,
qualidades ou áreas sobre as quais legisla. Assim, é importante observar o contexto em que
cada lei é dada, a quem é dada e qual o seu objetivo manifesto. Só assim poderemos saber a
que estamos nos referindo quando falamos de Lei.
A Confissão de Fé, no capítulo 18, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial.
Cada uma tem um papel e um tempo para sua aplicação:
Mód. 07-A - Graça 21
(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de
Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.
(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por
exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.
(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao
seu comportamento e aos seus principais deveres.
A. Toda a Lei é aplicável aos nossos dias?
Quanto à aplicação da Lei, devemos exercitar a seguinte compreensão:
(a) A Lei Civil tinha a finalidade de regular a sociedade civil do estado teocrático de Israel.
Como tal, não é aplicável normativamente em nossa sociedade.
(b) A Lei Religiosa tinha a finalidade de imprimir nos homens a santidade de Deus e
apontar para o Messias, Cristo, fora do qual não há esperança. Como tal, foi cumprida com sua
vinda.
(c) A Lei Moral tem a finalidade de deixar bem claro ao homem os seus deveres, revelando
suas carências e auxiliando-o a discernir entre o bem e o mal. Como tal, é aplicável em todas as
épocas e ocasiões..9
Assim sendo, é fundamental que, ao ler o texto bíblico, saibamos identificar a que tipo de
lei o texto se refere e conhecer, então, a aplicabilidade dessa lei ao nosso contexto. As leis civis
e cerimoniais de Israel não têm um caráter normativo para o povo de Deus em nossos dias,
ainda que possam ter outra função como, por exemplo, ensinar-nos princípios gerais sobre a
justiça de Deus. Portanto, a lei que permanece “vigente” em nossa e em todas as épocas é a lei
moral de Deus. Ela valeu para Adão assim como vale para nós hoje. Isto implica que estamos,
hoje, debaixo da lei?
B. Estamos sob a Lei ou sob a Graça de Deus?
Muitas interpretações erradas podem resultar de um entendimento falho das declarações
bíblicas de que “não estamos debaixo da lei, e sim da graça” (Romanos 6.14). Se
considerarmos que os três aspectos da lei de Deus apresentados acima são distinções bíblicas,
podemos afirmar:
(a) Não estamos sob a Lei Civil de Israel, mas sob o período da graça de Deus, em que o
evangelho atinge todos os povos, raças, tribos e nações.
(b) Não estamos sob a Lei Religiosa de Israel, que apontava para o Messias, foi cumprida
em Cristo, e não nos prende sob nenhuma de suas ordenanças cerimoniais, uma vez que
estamos sob a graça do evangelho de Cristo, com acesso direto ao trono, pelo seu Santo
Espírito, sem a intermediação dos sacerdotes.
(c) Não estamos sob a condenação da Lei Moral de Deus, se fomos resgatados pelo seu
sangue, e nos achamos cobertos por sua graça. Não estamos, portanto, sob a lei, mas sob a
graça de Deus, nesses sentidos.
Entretanto...
(a) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando a soma
de nossos deveres e obrigações para com Deus e para com o nosso semelhante.
(b) Estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela, resumida nos Dez
Mandamentos, representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado
pelo Espírito Santo em nossa pessoa (João 14.15). Nos dois últimos aspectos, a própria Lei
Moral de Deus é uma expressão de sua graça, representando a revelação objetiva e
proposicional de sua vontade.10
IV. Os Três usos da Lei11
Mód. 07-A - Graça 22
Para esclarecer a função da lei de Deus dada por intermédio de Moisés12 nas diferentes
épocas da revelação, Calvino usou a seguinte terminologia:
A. O Primeiro Uso da Lei: Usus Theologicus
É a função da lei que revela e torna ainda maior o pecado humano. Segue o ensino de
Paulo em Romanos 3.20 e 5.20: “...visto que ninguém será justificadodiante dele por obras da
lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Sobreveio a lei para que
avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.”13
Calvino aponta para esse papel da lei diante da realidade do homem caído. Sendo o pecado
abundante, vivemos no tempo em que a lei exerce o “ministério da morte” (2 Co 3.7) e, por
conseguinte, “opera a ira” (Rm 4.15).
Cabe aqui uma nota sobre a terminologia dos reformadores (especialmente Calvino) a
respeito da lei. A palavra lei é usada em pelo menos dois sentidos distintos, que devem ser
entendidos a partir do contexto. Em alguns casos o termo lei é usado como um sinônimo de
Antigo Testamento, da mesma forma como Evangelho é usado como um sinônimo de Novo
Testamento. Em outros contextos o termo lei é usado como uma categoria especial referente
ao seu uso como categoria de comando, um mandamento direto expressando a vontade
absoluta de Deus sobre alguma coisa, sem promessa. É dessa forma que Calvino interpreta a lei
em 2 Co 3.7, Rm 4.15 e 8.15. Nesse sentido, o binômio que se confirma é o binômio Lei x
Evangelho. O mandamento que não traz salvação versus a graça salvadora de Deus. Porém,
não podemos esquecer que é o próprio Antigo Testamento que nos apresenta a promessa da
salvação de Deus, a sua graça operante sobre os crentes da antiga dispensação.
Em Romanos, Paulo aponta para a perfeição da lei, que, se obedecida, seria suficiente para
a salvação. Porém, nossa natureza carnal confronta-se com a perfeição da lei, e essa, dada
para a vida, torna-se em ocasião de morte. Uma vez que todos são comprovadamente
transgressores da lei, ela cumpre a função de revelar a nossa iniqüidade.
Explicando isso, Calvino comenta:
Ainda que o pacto da graça se ache contido na lei, não obstante Paulo o remove de lá;
porque ao contrastar o evangelho com a lei, ele leva em consideração somente o que fora
peculiar à lei em si mesma, ou seja, ordenança e proibição, refreando assim os transgressores
com a ameaça de morte. Ele atribui à lei suas próprias qualificações, mediante as quais ela
difere do evangelho. Contudo, pode-se preferir a seguinte afirmação: “Ele só apresenta a lei no
sentido em que Deus, nela, se pactua conosco em relação às obras.14
B. O Segundo Uso da Lei: Usus Civilis
É a função da lei que restringe o pecado humano, ameaçando com punição as faltas contra
ela mesma.15 É certo que essa função da lei não opera nenhuma mudança interior no coração
humano, fazendo-o justo ou reto ao obedecê-la. A lei opera assim como um freio, refreando “as
mãos de uma ação extrema.”16 Portanto, pela lei somente o homem não se torna submisso,
mas é coagido pela força da lei que se faz presente na sociedade comum. É exatamente isto
que permite aos seres humanos uma convivência social. Vivemos em sociedade para nos
proteger uns dos outros. Com o tempo, o homem pode aprender a viver com tranqüilidade por
causa da lei de Deus que nos restringe do mal. O homem é capaz, por causa da lei de Deus, de
copiá-la para o seu próprio bem. É até mesmo capaz de criar leis que refletem princípios da
justiça de Deus. Calvino menciona o texto de 1 Timóteo 1.9-10 para mostrar essa função da lei:
...tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e
rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas,
impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã
doutrina...
Mód. 07-A - Graça 23
Assim, a lei exerce o papel de coerção para esses transgressores e evita que esse tipo de
mal se alastre ainda mais amplamente no seio da sociedade humana. Essa ação inibidora da lei
cumpre ainda um outro papel importante no caso dos eleitos não regenerados. Ela serve como
um aio, um condutor a Cristo, como diz Paulo em Gálatas 3.24: “...de maneira que a lei nos
serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.” Dessa
forma ela serviu à sociedade judia e serve à sociedade humana como um todo. Da mesma
forma essa lei serve ao eleito ainda não regenerado. Ele, antes da manifestação da sua
salvação, é ajudado pela lei a não cometer atrocidades, não como uma garantia de que não
fará algo terrível, mas como uma ajuda, pelo temor da punição.
C. O Terceiro Uso da Lei
Esse uso da lei só é válido para os cristãos — ensina-os, a cada dia, qual a vontade de
Deus.17 Segundo o texto de Jeremias 31.33, a lei de Deus seria escrita na mente e no coração
dos crentes: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias,
diz o SENHOR: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei;
eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
Se a lei de Deus está impressa na mente e escrita no coração dos crentes, qual a função da
lei escrita por Moisés? Ela é realmente necessária? Não basta um coração convertido, amoroso
e cheio de compaixão para conhecer a vontade de Deus? A “lei do amor” e a consciência do
cristão orientado pelo Espírito Santo não bastam? Não seria suficiente apenas termos a paz de
Cristo como árbitro de nossos corações? (Cl 3.15).
Creio que não é bem assim. A lei, assim como no Éden, tem ainda um papel orientador
para os cristãos. Embora eles sejam guiados pelo Espírito de Deus, vivendo e dependendo tão
somente da sua maravilhosa graça, a “lei é o melhor instrumento mediante o qual melhor
aprendam cada dia, e com certeza maior, qual seja a vontade de Deus, a que aspiram, e se
lhes firme na compreensão.”18 A paz de Cristo como o árbitro dos corações só é clara quando
conhecemos com clareza a vontade de Deus expressa na sua lei. Deus expressa sua vontade na
sua lei e essa se torna um prazer para o crente, não uma obrigação. Calvino exemplifica com a
figura do servo que de todo o coração se empenha em servir o seu senhor, mas que, para
ainda melhor servi-lo, precisa conhecer e entender mais plenamente aquele a quem serve.
Assim, o crente, procurando melhor servir ao seu Senhor empenha-se em conhecer a sua
vontade revelada de maneira clara e objetiva na lei.
A lei também serve como exortação para o crente. Ainda que convertidos ao Senhor, resta
em nós a fraqueza da carne, que pode ser, no linguajar de Calvino, chicoteada pela lei, não
permitindo que estejamos à mercê da inércia da mesma.
Vejamos alguns exemplos do relacionamento entre o crente do Antigo Testamento e o
terceiro uso a lei. Primeiramente, podemos observar o prazer do salmista ao falar da lei no
Salmo 19.7-14:
“ A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá
sabedoria aos símplices.
“Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é
puro e ilumina os olhos.
“O temor do SENHOR é límpido e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são
verdadeiros e todos igualmente justos.
“São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do
que o mel e o destilar dos favos.
“Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa.
“Quem há que possa discernir as próprias faltas? Absolve-me das que me são ocultas.
“Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então, serei
irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão.
Mód. 07-A - Graça 24
“As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua
presença, SENHOR, rocha minha e redentor meu.”
Que princípio de morte opera nessa lei, segundo o salmista? Nenhum. Para o regenerado, o
crente no Senhor, a lei é prazer, é desejável, inculca temor, restaura a alma e lhe dá sabedoria.
Isso de alguma forma parece contradizer os ensinos do Novo Testamento. O terceiro uso da lei
é claro para o salmista. A lei em si não faz nenhuma dessa coisas, mas para o coração
regenerado elatraz prazer e alegria. Na lei o salmista reconhece a sua rocha, o seu redentor,
Jesus Cristo: “rocha minha e redentor meu.”
Observe também o Salmo 119.1-20:
“Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do SENHOR.
“Bem-aventurados os que guardam as suas prescrições e o buscam de todo o coração; não
praticam iniqüidade e andam nos seus caminhos.
“Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.
“Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos.
“Então, não terei de que me envergonhar, quando considerar em todos os teus
mandamentos.
“Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos
juízos.
“Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.
“De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a
tua palavra.
“De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos.
“Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.
“Bendito és tu, SENHOR; ensina-me os teus preceitos.
“Com os lábios tenho narrado todos os juízos da tua boca.
“Mais me regozijo com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas.
“Meditarei nos teus preceitos e às tuas veredas terei respeito.
“Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra.
“Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra.
“Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.
“Sou peregrino na terra; não escondas de mim os teus mandamentos.
“Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos.”
De onde vem esse desejo do salmista pelos juízos de Deus? Da lei que opera sobre o
homem natural? Certamente que não. Mas para o homem regenerado a lei de Deus se torna
objeto de desejo da alma. A lei é maravilhosa para aquele que tem os olhos abertos pelo
Senhor. Amar a lei de Deus é ensino claro das Escrituras para os regenerados. Viver na lei de
Deus é bênção para o cristão, para o salvo. Ela é o nosso orientador para melhor conhecermos
a vontade do nosso Senhor e assim melhor servi-lo. Observe que o viver segundo a lei de Deus
é considerado uma bem-aventurança, é como ter fome e sede de justiça.
Pergunto: O que seria do cristão sem a lei para orientá-lo? Como conheceria ele a vontade
de Deus? (essa, aliás, é uma das perguntas mais freqüentes entre os crentes no seu dia-a-dia).
Ele seria um perdido, buscando respostas em seu próprio coração, na igreja, no consenso
eclesiástico, na autoridade de alguém que considerasse superior. Mas o crente tem a lei de
Deus, expressando objetivamente qual é o desejo do Criador para a criatura, qual o desejo do
Pai para seus filhos.
Mas essa visão da lei não nos traz de volta ao legalismo? Estamos então novamente
debaixo da lei? Certamente que não. Para bem entendermos a posição bíblica expressa por
Calvino sobre a lei no pacto da graça, precisamos entender também como ele relaciona Cristo e
a Lei.
Mód. 07-A - Graça 25
V. Cristo e a Lei
Precisamos entender que Cristo satisfez e cumpriu a lei de forma plena e completa. Ele não
veio revogar a lei. Façamos uma breve análise de Mateus 5.17-19: “Não penseis que vim
revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos
digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo
se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim
ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os
observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.”
Alguns pontos interessantes são demonstrados por Jesus nessa passagem:
(a) Ele veio cumprir a lei e não revogá-la.
(b) A lei seria cumprida totalmente, em todas as suas exigências e em todas as suas
modalidades (moral, cerimonial e civil) enquanto houvesse sentido em fazê-lo.
(c) Aquele que viola a lei não pode chegar ao Reino dos Céus! (“aquele que violar...será
considerado mínimo no reino dos céus.”) “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos
escribas e fariseus de modo algum entrareis no reino dos céus”. “Queres entrar na vida, guarda
os mandamentos”, disse Jesus ao jovem rico. Ninguém será salvo na desobediência a Deus,
embora a causa da salvação esteja na graça divina e não na obediência. A obediência é o
resultado da salvação, fruto da fé e do amor a Deus.
(d) Aquele que cumpre a lei será considerado grande no Reino dos Céus.Como entender
essas conclusões de Jesus com respeito a si mesmo e à Lei?
(a) Ele veio cumprir a lei e de fato a cumpriu em todas as suas dimensões: cerimonial, civil
e moral. Não houve qualquer aspecto da lei para o qual Cristo não pudesse atentar e cumprir.
Cristo cumpriu a lei de forma perfeita, sendo obediente até a própria morte. Ele tomou sobre si
a maldição da lei. Ele se torna o fundamento da justificação para o eleito.
(b) Ele não só cumpriu a lei perfeitamente, mas também interpretou a lei de forma perfeita,
permitindo aos que comprou na cruz, entendê-la de forma mais completa, mais abrangente.
(c) Os que nele crêem agora também podem cumprir os aspectos necessários da lei para
uma vida santa. No entanto, esses que por ele são salvos não são mais dependentes da lei para
a sua salvação. Por isso há uma diferença clara entre os que chegam ao Reino dos Céus:
alguns serão considerados maiores do que outros.
(d) Cristo, ao cumprir a lei, ab-roga a maldição da lei, mas não a sua magisterialidade.19 A
lei continua com o seu papel de ensinar ao ser humano a vontade de Deus. A ab-rogação da
maldição da lei é aquilo a que Paulo se refere em textos como Rom. 6.14 e Gál. 2.16 —
estamos debaixo da graça! A lei continua no seu papel de nos ensinar, pela obra do Espírito
Santo. Não somos mais condenados pela lei nem servos da mesma. A lei, por expressar a
vontade de Deus, se nos torna um prazer.
Johnson resume o material sobre Cristo e a lei no pensamento de Calvino da seguinte
forma: O ponto principal, claro, é que Cristo cumpriu a lei em todos os aspectos, seja no vivê-
la, no submeter-se à maldição da lei para satisfazer a sua exigência de punição dos
transgressores, ou restabelecendo sobre outras bases a possibilidade de cumprir aquilo que a
lei requer. Cristo, em outras palavras, satisfez tudo o que a lei exigiu ou pode vir a exigir da
humanidade. A justificação que estava associada à lei agora pertence completamente a Cristo.20
Portanto, nossa obediência à lei não acontece e não pode acontecer sem Cristo. Tentar
viver debaixo da lei, sem Cristo, é submeter-se à escravidão. Porém, obedecer à lei com Cristo
é prazer e vida. Também, nesse sentido, Cristo é o fim da lei!
Conclusão
Como fica o aparente paradoxo inicial entre a Lei e Graça? Como corrigir essa visão
distorcida? Mais uma vez creio que a visão correta da Confissão de Fé pode nos ajudar a
entendê-lo:
Mód. 07-A - Graça 26
Este pacto da graça é freqüentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de
Testamento, em referência à morte de Cristo, o testador, e à perdurável herança, com tudo o
que lhe pertence, legada neste pacto.
Este pacto no tempo da lei não foi administrado como no tempo do Evangelho. Sob a lei foi
administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascoal e
outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, prefigurando, tudo, Cristo que havia de vir; por
aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para
instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos
pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se o Velho Testamento.
Sob o Evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, as ordenanças pelas quais
este pacto é dispensado são a pregação da palavra e a administraçãodos sacramentos do
batismo e da ceia do Senhor; por estas ordenanças, posto que poucas em número e
administradas com maior simplicidade e menor glória externa, o pacto é manifestado com
maior plenitude, evidência e eficácia espiritual, a todas as nações, aos judeus bem como aos
gentios. É chamado o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos de graça diferentes em
substância mas um e o mesmo sob várias dispensações (CFW 7.4–6).
Portanto, ao relacionarmos lei e graça devemos nos lembrar dos diversos aspectos e
nuanças que estão envolvidos nesses termos.
Primeiramente, encontramos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a graça de
Deus. Ele não reserva a sua graça somente para o período do Novo Testamento como muitos
pensam. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento podemos ver Deus agindo
graciosamente, salvando aqueles que crêem na promessa do Redentor. Assim Abel, Enoque,
Noé, Abraão e todos os santos do Antigo Testamento foram remidos. Nenhum deles foi salvo
por obediência à Lei, ainda que o Senhor exigisse deles, assim como requer de nós, que
sejamos obedientes.
Em segundo lugar, a lei opera para vida ou morte no pacto das obras e somente para a
morte no pacto da graça. No pacto das obras, por mérito, o homem poderia continuar vivo e
merecer a “árvore da vida.” Portanto, pela obediência o homem viveria. No pacto da graça a lei
opera para condenação do homem caído. Porque o homem já está condenado, ele não pode
mais cumprir a lei e ela lhe serve para a morte.
Por último, o crente se beneficia da lei estando debaixo da obra redentora de Cristo. O
mérito de Cristo, sendo obediente à lei até as últimas conseqüências, compra-nos o benefício
da salvação e a graça de conhecermos a vontade de Deus pela sua lei. O único modo de o ser
humano ser salvo é submeter-se totalmente àquele que, por mérito, compra-lhe a salvação.
Ainda aqui o homem é beneficiado pela Lei. Cristo a cumpre e declara justificado aquele por
quem ele morre.
Portanto, o nosso gráfico do início deveria ser modificado para refletir a verdade bíblica
sobre a Lei e a Graça de Deus:
Dispensação do
Antigo Testamento
Dispensação
do Novo Testamento
Obras-Fruto da obediência a Deus. Obras - como fruto da fé, obediência.
Lei – Revela a vontade de Deus, e
apontava par o salvador.
Evangelho – Salva por meio da fé em
Jesus.
Lei –justifica na obediência ao que tem fé,
como Abraão. Condena o desobediente.
Lei – condena os injustos, revela o pecado,
orienta a conduta do cristã. Dessobedece-
la é pecado, I Jo 3.4.
Graça – Misericórdia diviva no trato com
seu povo. Causa da salvação.
Graça- Plena em Jesus Cristo. Causa da
salvação.
Mód. 07-A - Graça 27
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me
ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (João 14.21).7
Notas
1 Sobre esse assunto, verificar o artigo W. R. Godfrey, “Law and Gospel,” em New Dictionary of
Theology, eds. Sinclair Ferguson e David F. Wright (Leicester: InterVarsity, 1988), 379.
2 Ibid, 380.
3 Greg Bahnsen et al., Five Views on Law and Gospel (Grand Rapids: Zondervan, 1996). Os
cinco autores são Greg Bahnsen, Walter Kaiser Jr., Douglas Moo, Wayne Strickland e Willem
VanGemeren.
4 John Hesselink, “Christ, the Law and the Christian: An Unexplored Aspect of the Third Use of
the Law in Calvin´s Theology,” em B. A. Gerrish, Refomatio Perennis (Pittsburgh: Pickwick
Press, 1981), 12.
5 Calvino usa com certa freqüência a expressão pacto da graça [por exemplo, Comentário à
Sagrada Escritura: Romanos (São Paulo: Parácletos, 1997), 277; As Institutas, vol. 2, trad.
Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1985), 3.17.15; 4.13.6. (A
numeração refere-se ao livro, capítulo e parágrafo respectivamente. A citação da página,
quando necessária, vem após o parágrafo, separada por vírgula).
6 Adotada como padrão de fé pela Igreja Presbiteriana do Brasil e por várias outras igrejas
reformadas no mundo.
7 Ver meu artigo “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto,” Fides Reformata 3.1 (1998),
110-122, especialmente 111-112.
8 Mais detalhes sobre a lei em “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto (II),” Fides
Reformata 4.1 (1999), 89-102.
9 F. Solano Portela, “Pena de Morte - Uma Avaliação Teológica e Confessional”, publicação
eletrônica - http://www.ipcb.org.br/publicacoes/pena_de_morte.htm
10 Ibid.
11 Uma discussão muito esclarecedora do assunto se encontra em Merwyn S. Johnson,
“Calvin’s Handling of the Third Use of the Law and Its Problems,” Calviniana: Ideas and
Influences of Jean Calvin, 10 (1988), 33-50.
12 As Institutas, 2.7.1, 109.
13 Ibid., 2.7.7.
14 Calvino, Romanos, 277. Parte do comentário de Romanos 8.15.
15 As Institutas, 2.7.10.
16 Ibid., 2.7.10, 119.
17 Ibid., 2.7.12
18 Ibid., 2.7.12, 121.
19 As Institutas, 2.7.14, 123.
20 Johnson, “Calvin’s Handling,” 44.
7 Fonte: Revista Fides Reformata. Mauro Fernando Meister, ministro presbiteriano, mestre em
Teologia Exegética do Antigo Testamento pelo Covenant Theological Seminary, nos Estados
Unidos, e doutor em Línguas Semíticas (hebraico) pela Universidade de Stellenbosch, África do
Sul. É coordenador do Departamento de Teologia Sistemática e professor na área de Antigo
Testamento no Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e no Seminário
Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo.
Mód. 07-A - Graça 28
CONCLUSÃO
A graça de Deus é a realidade pela qual os homens são salvos em todos os sentidos:
justificados, santificados e glorificados. É ela que perdoa, aproxima de Deus e restaura o
pecador à sua posição original de comunhão plena com seu Criador. O próprio evangelho, que é
a boa nova da salvação, pode ser chamado de graça. É pelo favor de Deus que somos salvos,
não por merecimentos próprios. Depois de ser agraciado, devemos permanecer firmes (1 Ped.
5:12), na qual devemos perseverar (Atos 13:43). É a graça e o conhecimento de Jesus Cristo (2
Ped. 3:18) nos quais o cristão deve crescer.8
APÊNDICE A
TEXTOS PROBLEMÁTICOS SOBRE GRAÇA
Existem alguns textos que parecem dar a entender que lei e graça são conceitos opostos,
antagônicos, antitéticos. Afirmamos, no entanto, serem conceitos complementares e
perfeitamente harmônicos.
João 1:17
Segundo a compreensão de alguns intérpretes, a declaração joanina de João 1:17 que a lei
foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo
significa que a morte de Cristo introduziu a graça para tomar o lugar da lei. Cometem tríplice
erro neste caso.
O Evangelho Não é Exclusividade Neotestamentária. Erram primeiramente ao
conceber a idéia equivocada de que lei a graça revelam aspectos opostos da natureza divina.
Segundo eles, a lei revelaria o aspecto irado e severo de Deus nfatizado no AT; enquanto a
graça revelaria Seu lado misericordioso e amorável enfatizado no NT. Na verdade, graça e
evangelho são conceitos encontradiços no AT. Paulo em Heb. 4:1-2 afirma que as boas-novas
foram anunciadas aos israelitas recém-libertos do Egito e, em Gál. 3:8-9, que o evangelho foi
preanunciado a Abraão e ainda em Rom. 4:3-6, diz que homens como Abraão e Davi foram
justificados pela fé.9
Jesus Não Aboliu a Lei. Erram em terceiro lugar porque concluem de maneira falaciosa
que a morte de Jesus modificou, anulou ou diminuiu a lei dos Dez Mandamentos, quando isso
na verdade não aconteceu, pois o próprio Jesus afirmou que não veio “revogar a lei” (Mat.
5:17). Há no NT cerca de cinqüenta provas diretas de que o Decálogo permanece em vigor.
A Graça Não Anula a Lei. Em segundo lugar, erram porque fazem parecer que a lei e a
graça são conceitos contraditórios e antagônicos, quandona verdade são conceitos harmônicos
e complementares (Sal. 85:10). Lei e graça não trabalham em competição, mas em perfeita
cooperação. A lei aponta o pecado; a graça salva do pecado. A lei é a vontade de Deus; a graça
é o poder para fazer a vontade de Deus. A graça, portanto, não anula a lei, mas capacita
aquele que foi agraciado por ela a cumpri-la. A conjunção adversativa “mas”, presente na
versão portuguesa e que sugere forte contraste entre a lei e a graça, não existe nos originais —
foi interpolada por tradutores tendenciosos.
Antes de Cristo Havia Graça. Em terceiro lugar erram quando sugerem que antes de
Cristo não havia graça nem verdade, pois a graça tem existido desde o início do mundo. Paulo
fala da “graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos.” 2 Tim. 1:9. Abraão
foi salvo pela graça (Gál. 3:8; Rom. 4:3). Jeremias fala da “graça no deserto” (Jer. 31:2). Noé
8 John L. McKenzie, Dicionário Bíblico, art. “Graça”.
9 Henry A. Virkler, Hermenêutica Avançada, pág. 104.
Mód. 07-A - Graça 29
achou graças aos olhos do Senhor (Gên. 6:8) e Davi foi salvo pela fé (Rom. 4:6), e assim
aconteceu com muitas personagens bíblicas. Em matéria de salvação, todas as pessoas de
todas as épocas sempre estiveram debaixo da graça. No Céu só haverá uma classe de salvos:
os remidos pelo sangue de Cristo (Apoc. 5:9).
Note o que diz o teologo Mark Finley: “Tanto no Antigo Testamento como no Novo
Testamento, a salvação é pela graça, por meio da fé. Deus não pode ter dois métodos de
salvação. Tito 2:11 afirma: ‘porque a graça de Deus se tem manifestado trazendo salvação a
todos os homens.’ No Antigo Testamento, as pessoas eram salvas por meio do Cristo que havia
de vir. Cada cordeiro sacrificado apontava para a vinda do Messias (Gên. 3:21; 22:9-13). No
Novo Testamento, as pessoas são salvas pelo Cristo que há de voltar. Numa circunstância, a fé
apontava [para a frente] para a cruz; na outra, a fé olhava para trás, para a cruz. Jesus é o
único meio de salvação (Atos 4:12).”10
Em Cristo Há Plenitude de Graça. O que João quis então dizer com “graça e verdade”?
Por “graça”, quis dizer que, embora ela existisse no passado, foi revelada agora em “plenitude”
na pessoa de Jesus, sem ser eclipsada pela interpretação legalista dos rabinos com relação ao
sistema mosaico. Por “verdade”, quis dizer que em Cristo se cumpriram as sombras de todos os
tipos e cerimônias do AT. O tipo encontrara o antítipo; a sombra, a realidade. Em nenhum
momento, porém, João sugere que a lei ou o sábado foram abolidos.
Romanos 6:14
Romanos 6:14 talvez seja o texto paulino mais freqüentemente utilizado como pretexto
para a teoria de que, a partir de Cristo, os cristãos estão debaixo da graça e, por conseguinte,
foram desobrigados da observância da Lei. A interpretação comum é a de que os cristãos já
não se acham debaixo dos Dez Mandamentos como regra de conduta, pois seus valores morais
provêm agora do princípio do amor revelado por Cristo. Esta, porém, apesar de sua aparente
piedade, é uma interpretação viciosa da passagem. Eis as evidências:
O Tema do Capítulo Não é a Lei Moral. Não há nada no contexto imediato sugerindo
que Paulo esteja tratando da Lei Moral propriamente dita. Tanto no contexto imediato como no
remoto de todo o capítulo, o que Paulo faz é contrastar o domínio do pecado com o poder da
graça de Cristo. Além disso, a expressão não é debaixo da Lei, mas debaixo de lei. Paulo não
está se referindo aqui a qualquer lei em particular, mas à lei como um princípio. A idéia básica
de seu argumento é a de que os cristãos se salvam não pelo princípio da lei, mas pelo princípio
da graça.
A Interpretação Leva a Absurdos. Interpretar a expressão “debaixo da lei” com o
sentido de “sob a dispensação da lei mosaica” implicaria que os crentes que viveram sob a
dispensação judaica não foram receptores da graça. Essa idéia é inteiramente absurda. Além
do que, conforme John Murray perspicazmente observa, “o estar desobrigado da lei mosaica
como dispensação não põe a pessoa automaticamente sob o regime da graça”.
A Lei Não é Descartada. O próprio Paulo, depois de declarar que não estamos debaixo de
lei, mas de graça, pergunta: “E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e
sim da graça? De modo nenhum!” (v. 15). Nos termos mais enfáticos possíveis, Paulo declara
que o fato de o cristão não utilizar a lei como meio de salvação não significa que tenha licença
para quebrantá-la (Rom. 2:13; 3:31; 7:12; e 8:4).
O Significado de “Debaixo da Lei”. Ora, se estar sob a graça não nos isenta de guardar
a lei, o que Paulo então quer dizer quando afirma que os cristãos não estão mais debaixo da
lei?
Visto que “debaixo da graça” significa sob o imerecido favor de Deus, o contraste com
“debaixo da lei” pressupõe a idéia de estar sob o desfavor de Deus ou condenação pronunciada
10 Mark Finley, Estudando Juntos: Manual de Referência Bíblica, pág. 36.
Mód. 07-A - Graça 30
pela Lei. Assim, em Rom. 6:14, Paulo ensina que os crentes não devem ser controlados pelo
pecado (cf. Rom. 6:1-2, 6, 11-13) porque a graça de Deus os libertou do domínio do pecado e
da condenação da Lei.
A antítese denota que “debaixo da lei” significa simplesmente que os cristãos não se acham
mais “sob o domínio do pecado e, conseqüentemente ”sob a condenação da lei” porque a graça
de Cristo os libertou de ambas as coisas. Isso fica bem claro quando lemos Rom. 3:19. ‘Ora,
sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo
o mundo seja culpável perante Deus.’ Aqui Paulo equipara o estar sob a lei com ‘ser culpável
perante Deus’.
Sob a Condenação da Lei. Em outras palavras, os que se acham debaixo da lei são
aqueles que são culpados de transgredi-la (seja por legalismo, seja por antinomismo) e que,
por isso mesmo, se acham sob a condenação dela. Esse é o motivo por que os cristãos não
estão debaixo da lei. Pelo poder da graça, eles não mais a transgridem, portanto não são réus
de juízo. “A graça não importa em liberdade para pecar, mas numa mudança de senhores, e
numa nova obediência e serviço. A graça não anula a santa lei de Deus, mas unicamente a
falsa relação do homem para com ela.”11
“À luz dessas considerações, concluímos que, longe de rejeitar a autoridade da Lei, Paulo
ensina que os crentes não devem transgredir a Lei simplesmente porque a graça de Deus os
libertou do pecado, pois ‘uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça’ (Rom.
6:18). Somente a mente pecaminosa ‘não se submete à lei de Deus (Rom 8:7). Mas os cristãos
têm a mente do Espírito, que os capacita a cumprir os justos preceitos da Lei (Rom. 8:4).
Assim, os cristãos não se acham mais ‘debaixo a lei’, no sentido de que a graça de Deus os
libertou do domínio do pecado e da condenação da lei, mas ainda estão “sob a Lei” no sentido
de estarem sob a obrigação de pautarem a vida pelos princípios morais dela.” — Samuele
Bacchiocchi, The Sabbath Under Crossfire, cap. 5, “Paul and the Law”.
Efésios 2:8
Paulo não está querendo insinuar aqui que no Antigo Testamento as pessoas eram salvas
pelas obras e que no NT são salvas pela graça. Desde o Gênesis até o Apocalipse, o método de
salvação de Deus foi sempre o mesmo: pela graça mediante a fé.
Dom Gratuito. A salvação é um “dom gratuito” (Rom. 6:22), não condicionado a nenhum
mérito humano. É uma expressão da atitude espontânea de amor da parte de Deus. No
processo da salvação, podemos dizer que Deus toma a iniciativa de salvar quem não merece
ser salvo: estende graciosamente através do abismo a mão poderosa com a dádiva (perdão,
justificação e santificação) e nós, pelo impulso do Espírito, estendemos pela fé nossa mão vazia
eimpotente em direção à dádiva, crendo que receberemos o que Deus está ofertando. O preço
da salvação é sempre o sangue de Cristo. As maiores e melhores boas obras que possamos
fazer não entram nesse preço, nem mesmo como parte mínima.
Requer Obediência. A graça, porém, não nos isenta da obediência à lei de Deus. Pelo
contrário, a existência da graça é uma das maiores provas de que a Lei está em vigor. Foi por
causa de nossas transgressões da lei que a graça se tornou necessária, tanto para perdão de
nossos pecados como para capacitação da obediência (Rom. 5:20). Ainda que as obras não
sejam causa da salvação, são com certeza efeito delas (ver Rom. 3:31). A fé não anula a
obediência. Pelo contrário, confirma a lei (Rom. 3:31). A verdadeira fé se manifesta em boas
obras. Embora não seja um substituto da fé, a obediência é uma conseqüência natural e
necessária da fé. Pelo fruto se conhece a árvore. A árvore é minha profissão de fé; o fruto são
minhas ações. Se minha fé é genuína, meu fruto será obediência à lei. O fruto, no entanto, é
11 Vincent, Word Studies, vol. 3, pág. 11.
Mód. 07-A - Graça 31
posterior à árvore. Não é a maçã que faz da árvore de que surgiu uma macieira; é a árvore que
faz seu fruto ser maçã.
Portanto o fato de sermos salvos pela graça mediante a fé, sem as obras da lei, não significa
que estejamos autorizados a transgredir a lei.
BIBLIOGRAFIA
A BÍBLIA ANOTADA. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1991.
DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova, 1981.
ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. 3 vols. São Paulo: Vida
Nova, 1990.
FINLEY, Mark. Estudando Juntos: Manual de Referência Bíblica.
MCKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulus, 1984.
RYRIE, Charles Caldwell. The Ryrie Study Bible. Chicago: Moody Bible Institute, 1978.
VIRKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada.
Mód. 07-A - Graça 32
Avaliação de Doutrina IV: Graça – Módulo 07-A
PREZADO ALUNO:
- Estude o módulo e entregue esta avaliação respondida sem rasuras
- Não copie do colega e responda com caneta azul ou preta.
01. Trabalho de Pesquisa (25% da nota total): Principais controvérsias teológicas
surgidas no cristianismo com respeito à graça.
02. Questionário (25%)
03. Avaliação sala de aula 50%.
QUESTIONÁRIO
01 – Dê a sua definição de graça.
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02 – O que é graça comum? Quais suas principais manifestações?
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03 – O que é graça especial? Quais seus principais aspectos?
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04 – Quais os meios da graça?
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05 – Que palavras hebraicas transmitem o conceito de graça no AT? O que significam?
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06 – Qual a importância da graça para o Antigo Testamento?
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Aluno:________________________________Matrícula:___________________
Cidade:______________________UF:_______________Data:____/_____/_____
Mód. 07-A - Graça 33
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07 – Qual o principal termo grego usado para descrever graça no Novo Testamento? Qual seu
significado?
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08 – Qual a importância da doutrina da graça nos livros do Novo Testamento?
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09 – Na sua opinião, a graça de Deus pode ou não ser resistida? Justifique.
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10 – Por que a graça não anula a lei?
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