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Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 1 Cinesiologia (Leonardo da Vinci. Vitruvian Man. 1492) Profª Luci Fuscaldi Teixeira-Salmela, Ph.D. lfts@ufmg.br Cinesiologia • Derivado do grego – Kinein = mover – Logos = descrever – ESTUDO DO MOVIMENTO • Curiosidade científica dos seres humanos pelo movimento animal • Aristóteles (384-322 A.C.) – “o animal que se move muda de posição. pressionando o que está debaixo dele” Objetivos • Teorias e princípios – anatomia, fisiologia, psicologia, antropologia, mecânica, física, matemática, ortopedia, neurologia, patologia • Por que estudar Cinesiologia? – Compreender as forças que agem sobre o corpo humano e manipulá- las para que a ação humana possa ser melhorada, mantida, ou para que lesões sejam evitadas Conceito da Cinesiologia • Podemos definir cinesiologia agora? – Grosseiramente: estudo do movimento – Ciência que estuda o movimento, que descreve sua direção, posição, compreende as forças que o iniciam, mantém e afetam, aplicando conceitos de anatomia, biomecânica, fisiologia... para que a ação humana possa ser melhorada Aplicação da Cinesiologia • Aplicação – Ortopedia – Pneumologia – Pediatria – Neurologia – Geriatria – Ciências do esporte Conceitos básicos em Biomecânica • Princípios físicos e forças que agem no corpo • Conceitos da mecânica aplicados a sistemas biológicos Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 2 Cinemática • Descreve movimento sem preocupar com as forças que o produzem • Variáveis – Tipo de movimento – Localização – Direção – Quantidade (magnitude) Cinemática • Corpo Humano – Compreendido como grande objeto formado por conjunto de alavancas. – Movimento do corpo X Movimento de suas alavancas. • Tipos de movimento – Rotatório (angular) – Translatório (linear) – Curvilíneo Tipos de movimento • Rotatório (movimento angular) – Segmentos se movem em forma de curva sobre um eixo fixo – Suposto corpo rígido se move em trajetória circular em um ponto central – Pontos dos segmentos mantém distância fixa do eixo – Poucas articulações possuem eixo fixo, porém por didática vários movimentos são ditos como rotatórios – Exemplo: • flexão do cotovelo OCORREM AO REDOR DE UMA LINHA IMAGINÁRIA CHAMADA EIXO DE ROTAÇÃO. O eixo está no ponto em que o movimento de rotação do corpo é zero. No corpo humano, o eixo de rotação está localizado dentro da estrutura articular ou muito próxima à ela. Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 3 Tipo de movimento • Translatório (movimento linear) – Segmentos movem em linha reta paralelamente no espaço – Todas as partes de um corpo rígido movem-se paralelas e na mesma direção das outras partes desse corpo – Exemplo: • Tração articular • Deslizamento articular – Importância: • Estabilidade Tipo de movimento • Curvilíneo – Combinação de rotatório e translatório • Exemplo clássico – bola lançada no ar - gira sobre seu eixo mais deslizamento linear no espaço – Cotovelo Cinemática • Localização do movimento – Posição anatômica – Movimento ocorre paralelo a um plano seguindo sistema de coordenadas universais ( x,y,z ) – 3 planos com 3 eixos perpendiculares – Movimentos ocorrem paralelos aos planos e perpendiculares aos eixos – Planos • Frontal • Sagital • Transversal Posição Anatômica Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 4 Planos de delimitação A – anterior (ventral) P – posterior (dorsal) D – lateral direito E – lateral esquerdo C – cranial, superior ou proximal P1 – podálico, inferior ou distal Eixos: Sagital ou ântero-posterior Longitudinal ou crânio-caudal Látero-lateral ou lateral Planos de secção Planos de secção Sagital Plano que divide o corpo humano em metades D e E. Planos de secção Frontal Plano de secção paralelo aos planos ventral/anterior e Dorsal/posterior. Planos de secção Transversal Plano de secção paralelo aos planos cranial/proximal e Caudal/distal. Planos de movimento • Frontal (coronal) – Divide o corpo em anterior/posterior – Eixo sagital ou ântero-posterior • Sagital – Divide o corpo em metades esquerda/direita – Eixo frontal ou lateral • Transversal – Divide o corpo em superior/inferior – Eixo vertical ou longitudinal Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 5 Planos de movimento – baseados na posição anatômica – interseção no centro de gravidade do corpo = centro de massa (S2) – Plano Sagital • lados D e E – Plano Frontal • partes anterior e posterior – Plano Transverso • partes superior e inferior Terminologia sobre o Movimento Humano • Articulação ponto de união de 2 ossos nos pontos extremos ou lateralmente • Segmento Corporal – secção do corpo localizado entre 2 articulações – antebraço – exceções • mãos, pés e cabeça (apenas um extremo) • Eixo – centro da articulação – linha imaginária Tipos de Articulações – Uniaxial • movimento em apenas um plano • 1 grau de liberdade de movimento • exemplos: cotovelo, radioulnar, interfalangianas, joelho, tornozelo e atlantoaxial – Biaxial • Movimento ao redor de 2 eixos e 2 planos diferentes • exemplos: punho, metacarpofalangianas e metatarsofalangianas – Multiaxial • 3 ou mais planos • exemplos: quadril e ombro Termos de posição e direção Proximal x Distal Termos especiais utilizados para partes dos membros, relacionados à distância da raiz. Localização de Segmentos – Anterior ou Ventral • ponto na frente do corpo no plano sagital – Posterior ou Dorsal • ponto detrás do corpo no plano sagital – Medial/Lateral • ponto próximo ou longe da linha média no plano frontal – Proximal, superior ou Cranial • ponto localizado na parte superior do corpo no plano transverso – Distal, inferior ou Caudal Cinemática • Direção do movimento rotatório – Através de termos anatômicos • Flexão • Extensão • Abdução • Adução – Obs: » segmentos que fazem parte da linha média: flexão lateral. Ex: cabeça/ tronco • Rotação medial • Rotação lateral – Obs: » segmentos que fazem parte da linha média : rotação para direita/esquerda Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 6 Direção do movimento • Flexão – Superfícies das alavancas se aproximam – Plano sagital • Extensão – Superfícies se afastam – Plano sagital Análise do Movimento Humano • Posição Anatômica de Referência • Movimentos – Flexão/extensão • Plano sagital e eixo látero-lateral – Flexão • reduz ângulos entre os segmentos • direção anterior • flexão dorsal/flexão plantar • hiperflexão – Extensão: • aumenta ângulo entre os segmentos • direção posterior • hiperextensão – Elevação/depressão escapular: • movimento vertical da escápula Direção do movimento • Abdução – Segmento distal da alavanca se afasta da linha média – Plano frontal • Adução – Segmento distal aproxima- se da linha média – Plano frontal Abdução/Adução • Plano frontal e eixo ântero-posterior – Abdução • articulações biaxiais ou multiaxiais • abdução dos dedos – relação ao dedo médio na mão – 2º dedo no pé – desvio radial/ulnar • Tronco: flexão lateral • Abdução horizontal • Eversão • Oposição do polegar – Adução • movimento em direção a linha média • adução horizontal • inversão Direção do movimento • Rotação medial (interna) – Rotação no sentido da linha média – Plano transversal • Rotação lateral (externa) – Rotação afastando da linha média – Plano transversal Rotação Medial/Lateral – Plano transverso e eixo longitudinal – Articulações • ombro, quadril e rádio-ulnar – Rotação medial • segmento roda em direção a linha média • pronação – Rotaçãolateral • direção oposta a linha média • Supinação • Protração/retração Escapular – movimento dos ombros para frente/para trás – acompanhado de rotação umeral • Circundução – articulações biaxiais/multiaxiais – movimento combinado – cinturas pélvica e escapular Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 7 Cinemática • Direção do movimento translatório – Compressão • Segmentos movem em direção a articulação – Distração • Segmentos afastam da articulação. – Deslizamento • Segmentos deslizam entre si Quantidade do movimento rotatório • É medida pela amplitude de movimento (ADM), expressa em graus • Ângulo formado pelos segmentos articulares • Goniômetro Quantidade do movimento translatório • É medida pelo deslocamento, expressa em mm • Instrumentos padronizados – KT-1000 Cadeias Cinéticas • Aberta – Segmento distal livre ou fixo – Movimento isolado Cadeias Cinéticas • Fechada – Segmento distal fixo – Envolve mais de uma articulação Cadeias Cinéticas • Cadeia Fechada Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 8 Cadeias Cinéticas • Fechada Cadeias Cinéticas Segmento distal livre Cadeia aberta Cadeias Cinéticas Segmento distal fixo Movimento isolado uma articulação Movimento combinado mais de 1 articulaçao Cadeia aberta Cadeia fechada Cinética • Permite análise das forças que agem sobre o corpo/segmentos • Força – Perturbação mecânica ou carga imposta a um objeto ou material • Forças externas – Fontes externas ao corpo – Ex: gravidade • Forças internas – Fonte interna do corpo – Ex: músculos Forças • F= ma (N) – tende a produzir ou mudar a direção do movimento • Características – Amplitude: quantidade aplicada (N) – Linha de aplicação: imaginária em direção a aplicação da força – Relação ao sistema de coordenadas X-Y-Z – Sentido – Ponto de aplicação Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 9 Forças • Sobrecarga • Combinaçao de forças externas sobre um objeto • Potência • Habilidade do músculo em produzir ou resistir uma força ou de um objeto em resistir uma deformação • Envolve tempo (Watts) • Pressão • Quantidade de força por área de aplicação • P=F/A Forças • Massa • Quantidade de matéria (Kg) • Oferece resistência ao movimento linear • Peso – Massa X aceleração (N) – Massa corporal = 60 Kg e Peso= 600 N • Centro de Massa • Coincide com o centro geométrico • Próximo a parte maior e mais pesada • Varia com a constituição física, idade e sexo Forças • Contato • Força entre dois objetos em contato • Atrito • Resiste ao deslizamento entre 2 objetos Forças • Tipos de Forças • Gravidade: F= mg • Linha de aplicação centro de massa • Reação do solo • Muscular • Linha de ação: através dos tendões • Sentido: centro do músculo Tipos de Contração • Isotônica • Concêntrica: FM > forças externas • Excêntrica: forças externas > FM • Isométrica • Comprimento inalterado • FM= forças externas • encurtamento de elementos contráteis e alongamento dos elásticos Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 10 Tipos de contrações • Isocinética • velocidade constante • Ecocêntrica • comprimento inalterado • movimento articular visível • músculos biarticulares Isocinética Isocinética Ecocêntrica Ecocêntrica Cinética • Forças vetoriais – Toda força que age sobre o corpo pode ser escrita como um vetor – Definido por: • Ponto de aplicação no segmento • Linha de ação • Direção • Quantidade de força – Ex: bíceps braquial com linha de ação indicando tracionamento, rotação do antebraço Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 11 Centro de gravidade (CG) • Ponto da aplicação da força da gravidade – Vertical para baixo • Ponto hipotético onde parece que toda massa está concentrada • Ponto que torna o objeto equilibrado Centro de gravidade (CG) • No corpo humano – Posição anatômica – Anterior a S2 – Muda de acordo com o movimento, podendo localizar fora do corpo • Ex: flexão da coluna Estabilidade e CG • CG dentro da base de suporte = Estabilidade • Fatores a se considerar: – Quando > base de suporte > estabilidade. – Quando mais perto CG da base > estabilidade Pontos clínicos: • Uso de muletas: – Alarga a base, aumenta estabilidade • Equilíbrio: – diminui altura, diminui desvio CG Pontos clínicos: • Idosos/Parkinsonianos: – aumenta base, aumenta estabilidade • Segurando uma mala: – Inclinação traz CG para base de suporte Sistema concorrente de forças • Sistema cujas forças agem sobre mesmo ponto em diferentes direções • Maioria das forças no corpo são parte de um sistema concorrente • Resultante dessas forças dado pelo processo de composição de forças Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 12 Sistema concorrente de forças • Composição de forças: – Ex: dois homens tracionando um bloco formando um ângulo reto – Regra do polígono: vetores paralelos às forças – R= Diagonal Sistema concorrente de forças musculares • Usado para determinar R de dois ou mais músculos/ segmentos de um só músculo com o mesmo ponto de aplicação e direções diferentes • Exemplos: – Deltóides anterior + posterior – Gastrocnêmio medial + lateral. Polias anatômicas • Direção da linha de ação do músculo alterada por proeminência óssea • Não alteram a magnitude da força aplicada • Exemplos: – Patela como polia para o quadríceps femoral – Cabeça do úmero (arredondada) como polia para o deltóide Sistema Paralelo • Forças no mesmo plano com linhas de ações diferentes • Exemplo: 2 crianças numa gangorra • Força age a uma distância de um ponto fixo tende a causar rotação do corpo • Braço de Alavanca • Distância do ponto de aplicação da força ao centro de rotação Alavancas de 1a classe • Duas forças são aplicadas sobre cada lado de um eixo • Semelhantes a gangorra • Poucas no corpo • Ex: – Contração do tríceps sural • Tríceps sural (força) • Tornozelo (eixo) • Centro de massa do pé (resistência) Alavancas de 2ª classe • VM ~2 • Resistência localizada entre a força e o eixo • VM sempre >1 • Alavanca de força • Ação do braquiorradial na flexão do cotovelo R F Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 13 Alavancas de 2a classe • Duas forças aplicadas de forma que a resistência encontra-se entre a força e o eixo • BF > BR • Alavancas potentes, porém raras • Ex: – contração excêntrica do bíceps braquial se opondo a extensão do cotovelo pela ação da gravidade Alavancas de 3ª classe • VM~0.5 • Força localizada entre o eixo e a resistência • BFsempre < BR • VM sempre < 1 • Proporciona velocidade para mover um peso pequeno em longas distâncias • Mais comuns • Exemplos: biceps no cotovelo F R Alavanca de 3a classe • Duas forças aplicadas de forma que, a força encontra- se entre a resistência e o eixo • BR > BF • Pouco potentes, porém comuns • Ex: – bíceps flexiona o cotovelo contra G Torque • Habilidade da força de rodar/ girar segmento • T= magnitude de força (F) X distância ⊥ ao eixo (d⊥) • d⊥ = menor distância entre linha de ação de F e eixo dada por linha perpendicular a linha de ação de F intersectando eixo Torque • F = 120 N, df = 2cm • P = 10 N, dp = 10cm • Tf = 120 N x 0,02m = 2,40 Nm • Tp= 10 N x 0,1m = -1,0 Nm • TR= 2,40 – 1,0 = 1,4 Nm • Qual o tipo desta alavanca ? F = 120 N P = 10 N 2 cm 10 cm Composição de forças no sistema paralelo • TR = Tp +Ts - Tf • Se: – F = 120N, df = 2cm – P = 10N, dp = 10cm – S = 20N, df = 15cm • TR = (120* 0,02) + (-10 *0,1)+ (-20 * 0,15) TR = 2,4 -1,0 - 3,0 • TR = -1,6 Nm • Qualo tipo da alavanca? • Qual direção move o sistema? • Qual o grupo muscular? F = 120 N 2 cm 10 cm P = 10N S = 20N 15 cm Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 14 Vantagem mecânica das alavancas • Medida de eficiência do sistema • VM = BF/BR • Quando BF > BR → VM > 1 • Menor força para gerar torque, pois F x BF = R x BR • Ex: – Se: BF = 5cm, R = 10N, BR = 1cm, temos: • F(N) x 0,05m = 10N x 0,01m • F = 2N (menor F para manter o sistema em equilíbrio) • Obs: para alavancas 1a de classe não há regra Questão de prova • Qual o tipo de alavanca tem maior VM? x Ponto clínico • No exercício terapêutico, aumenta-se ou diminui-se a dificuldade do exercício quando resistência se afasta do eixo? Vantagem x Desvantagem mecânica • Se a maioria das alavancas é de terceira classe, onde BR > BF o sistema é ineficiente? • Quanto mais próximo do eixo estiver o ponto de aplicação da força, maior será a amplitude do movimento, apesar de mais força ser necessária para girar o sistema Trabalho • Δ = Força x deslocamento • Quando um músculo exerce força (alavanca 3a classe) ele despende energia e força para ganhar velocidade e distância • Quando um músculo exerce força resistiva (alavanca 2a classe) vai ganhar pouca velocidade e distância, mas realiza um trabalho negativo e utiliza menos força e energia Momento de força muscular • T = f x d ⊥, onde d= distância do ponto de aplicação da força ao eixo = BF. • Verdadeiro onde a linha de ação muscular é perpendicular ao segmento – Ex: bíceps a 90 graus de flexão • Porém, a maioria dos músculos inserem em ângulos diferentes de 90° com o segmento • d = Momento = linha perpendicular à linha de força do músculo conectando-a com eixo 2cm ∝ = 60° F Fabiano Botelho Siqueira, MSc. Cinesiologia 15 Resolução de força • Pergunta: – “Se a força é aplicada em outro ângulo com o segmento que não 90 graus o torque é menor, para onde vai o resto desse torque?” • Primeiro vimos que: – T= F x M; onde M é a distância perpendicular da linha de força do eixo. Portanto, a porção da força que é aplicada perpendicular ao segmento - rotatória - outra porção - resto. • Força pode ser decomposta em 2: – Rotacional - perpendicular ao segmento – Translatória - compressão (direção à articulação) e distração (oposta à articulação) • Componente translatório – útil para estabilidade 2cm ∝ = 60° F Fr Ft