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Escatologia   Doutrina das Últimas Coisas

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de um ímpio, após a ressurreição, 
alguns acham que haverá um processo diferente, porque crêem não ser lógico que o 
corpo ressurreto de um ímpio passe pelo mesmo tipo de mudança que o corpo de um 
crente, uma vez que àquele está reservado um destino diferente deste. 
Certamente o corpo do ímpio não irá se decompor, sendo adaptável à sua nova 
realidade infernal (afinal, ímpios não conseguiriam ficar no inferno “eternamente” se seus 
corpos atuais fossem feitos da mesma substância que são feitos hoje. Pelo menos a 
matéria dos corpos teria de ser modificada.) 
 
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Quando ocorrerá a ressurreição 
 
 Baseados em trechos como Jo 5.28 e 29, parece claro que os ímpios ressuscitarão 
no mesmo momento que os crentes. E quando os crentes e os ímpios ressuscitarão? 
Quando Cristo estiver voltando (1 Ts 4.15, 16). Em outras palavras, ressuscitarão por 
ocasião do fim do mundo, no último dia deste mundo (Jo 11.23, 24). 
 
Antes de continuar o estudo, queremos esclarecer um ponto importantíssimo 
na Escatologia, que diz respeito ao Milênio. Para quem não sabe do que estou 
falando, preste atenção: há um grupo de estudiosos, chamados pré-milenistas, 
crendo que, logo após Sua segunda vinda, o Senhor Jesus reinará mil anos nesta 
terra juntamente com seus santos transformados (tanto os que estavam vivos 
quanto os que ressuscitaram). Já os amilenistas, outro grupo, considera que 
esses mil anos são simbólicos, tiveram início na primeira vinda de Cristo e 
terminarão justamente no Seu retorno a Terra. Há também um terceiro grupo, os 
pós-milenistas. Esses crêem que o milênio (palavra latina para “mil anos”) 
começou a partir do momento em que as nações começaram a ser evangelizadas 
pela Igreja, e que a tendência do mundo é ficar cada vez melhor até a volta de 
Cristo. Note que o conceito de “pré”, “a” ou “pós” milenista está relacionado 
diretamente ao assunto da segunda vinda de Cristo. Se você crê que Jesus volta 
antes de um milênio na terra, você é pré. Se você crê que a volta de Cristo não está 
ligado a um reino literal e milenar nesta terra, você é “a”. E se você pensa que 
Jesus voltará após o milênio de paz nesta terra, você é “pós”. Toda essa confusão 
se deve a diferentes interpretações de um único trecho bíblico: Apocalipse 20.1-8 
Tomaremos a posição amilenista neste estudo, ignorando a ocorrência de um 
“milênio” literal nesta terra após a segunda vinda de Cristo e indo diretamente para 
o estudo do juízo final. Entretanto, caso haja curiosidade com respeito às três 
posições (“pré”, “a” e “pós”-milenistas), solicitamos que seja consultado o 
apêndice sobre o Milênio. 
7. O juízo final 
 
 A segunda vinda e o juízo final estão relacionados ao fim do mundo e ao início de 
um novo céu e uma nova terra (Mt 25.31-34, 41; Ap 20.15-21.1). Quando Cristo vier, 
julgará o mundo (justos e ímpios), premiará quem tiver de ser premiado e condenará 
quem tiver de ser condenado. Logo depois disso haverá o gozo da vida e da morte 
eternas. 
 O famoso "julgamento do trono branco" (Ap 20.11-15) envolverá tanto justos 
quanto ímpios, o que significa que justos e ímpios serão julgados simultaneamente. 
Cremos nisso porque o v. 15 diz que “se alguém não foi achado inscrito no livro da vida, 
esse foi lançado para dentro do lago de fogo”. Isso significa que a omissão do nome de 
uma pessoa nesse livro indica o inferno como seu destino. Logo, os ímpios estarão ali. 
Quanto aos crentes, não há dúvida de que passaremos por esse tribunal também, num 
julgamento que envolverá nossas ações, de maneira geral, enquanto crentes (1 Co 3.10-
15). Seremos julgados no mesmo momento que os ímpios, no mesmo tribunal e diante do 
mesmo juiz (Mt 25.31-34, 41). A Bíblia não menciona outro tribunal, no final dos tempos, 
além deste do “trono branco”. 
É importante perceber que esse juízo, na verdade, não envolverá a destinação 
dos réus, pois isso é decidido enquanto estamos vivos: quem recebe a Jesus como 
Senhor e Salvador não morrerá eternamente (Jo 3.16; 1 Jo 5.13), ou seja, não entrará em 
juízo para condenação (Jo 5.24; 6.47; Rm 8.1). Já o ímpio, aquele que não quis ir a Jesus 
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quando teve oportunidade, perdeu o convite da vida eterna (Jo 5.39, 40), já está 
condenado (Jo 3.18, 36) e seu nome, com certeza, não estará no livro da vida. 
Se o destino das pessoas já é decidido nesta vida, como foi dito acima, qual a 
razão de um juízo final? 
Em primeiro lugar, é óbvio que um Juízo Final seria necessário para aqueles que 
estiverem vivos por ocasião do retorno de Cristo, mas essa não é a razão principal. As 
três principais razões para o Juízo Final são as seguintes: 
1ª) Mostrar a soberania de Deus e a Sua glória na revelação do destino final de 
cada pessoa. Sabemos que até essa ocasião o destino final de cada pessoa terá 
permanecido oculto ao conhecimento dos homens. No Dia do Juízo, porém, a graça de 
Deus será manifesta diante de toda a humanidade, por causa da salvação do Seu povo, 
enquanto que a justiça divina também se manifestará a toda a humanidade, por ocasião 
da condenação dos ímpios (Rm 9.22, 23). Ainda com respeito ao julgamento dos ímpios, 
o teólogo reformado Hermann Bavinck disse que “a glória de Deus... se manifesta na 
vitória de Cristo sobre todos os seus inimigos” (pg. 621). 
2ª) Revelar o grau de punição que cada ímpio irá receber na morte eterna (Mt 
11.20-24; Lc 12.47, 48). É certo que todo incrédulo que morre hoje já está em tormentos 
no inferno, como podemos ver na ilustração da parábola do rico e Lázaro (Lc 16.19-23). 
No Dia do Juízo será apenas revelado o grau de tormentos que essa pessoa passará a 
receber no “lago de fogo”, nome dado àquilo que poderia ser chamado de “inferno final” 
(Ap 20.15). 
Alguns acham terrível a idéia de que haverá graus de punição no inferno, mas isso 
é algo resultante da justiça de Deus. Pensemos na seguinte ilustração: um pai de família 
honesto, boa pessoa, muito piedoso, não aceita a Cristo como Salvador, após ter-lhe sido 
pregado o Evangelho. Ora, ele deixou de fazer o essencial. Da mesma maneira, Adolf 
Hitler não recebeu a Jesus, mas, ao contrário do homem citado anteriormente, Hitler foi 
cruel no período de sua existência terrena. Pergunta: seria justo que ambos, ainda que 
tenham o inferno como destino, tenham o mesmo sofrimento? 
Devo dizer que não sabemos se os crentes terão conhecimento dessa informação 
específica quanto ao grau de punição dos ímpios. 
3ª) Revelar o galardão que cada crente vai receber (1 Co 3.13-15 cf. Ap 22.12). É 
certo que o crente que morre em Cristo hoje já está gozando da presença de nosso 
Senhor (Lc 23.43; 2 Co 5.6-8 e Fp 1.21-23), mas a definição dos galardões só ocorrerá 
por ocasião de Sua segunda vinda e do juízo final (1 Co 3.13 e Ap 22.12). 
Portanto, esse juízo envolverá somente as obras, tanto dos crentes quanto dos 
incrédulos. No caso do crente, as obras que forem "aprovadas" pelo Senhor 
permanecerão; então, ele - o crente - receberá galardão (1 Co 3.14). Com relação ao 
incrédulo, uma vez que seu destino também já estará decidido, suas obras apenas 
definirão o grau de sofrimento e/ou punição no inferno (Mt 11.22-24). 
Que tipo de coisas serão julgadas? 
 
Serão julgadas todas as coisas que foram realizadas durante esta vida terrena (2 
Co 5.10). Basicamente: 
NOSSAS OBRAS EM GERAL: Mt 25.35-40; Ap 20.12 cf. 1 Co 3.7-9; 1 Pd 1.17 e 
Ap 22.12. 
NOSSAS PALAVRAS: Mt 12.36, 37; Tg 3.1. 
NOSSOS PENSAMENTOS: 1 Co 4.5; Rm 2.16. 
Em suma, o crente terá que prestar contas da sua fidelidade ou infidelidade a Deus 
(Mt 25.21, 23). Tudo virá à tona no Dia do Juízo (Mt 6.4, 6 e 18; 10.26; Lc 12.2; 1 Tm 
5.24, 25). 
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Volto a repetir que seremos salvos independentemente daquilo que fizermos, mas, 
se não formos bons crentes, essa salvação se dará como que “através do fogo” (1 Co 
3.15). Em outras palavras, seremos purificados e aperfeiçoados para