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1 ROBERTO JOSÉ MEDEIROS JUNIOR FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA FACULDADE SÃO BRAZ CURITIBA/PR 2018 2 Sumário Introdução ........................................................................................ 03 Aula 1 – A modalidade de ensino em Educação a Distância............ Aula 2 – História da Educação a Distância no Brasil........................ 04 11 Aula 3 – Legislação da Educação a Distância no Brasil..................... 17 Aula 4 – As Tecnologias da Informação e Comunicação................... 23 Referências .................................................................................... Currículo do professor-autor ............................................................ 31 33 3 Introdução Este material didático foi organizado com o objetivo de oferecer subsídios que possam auxiliá-lo no desenvolvimento das suas atividades acadêmicas na disciplina de Fundamentos da Educação a Distância, cujas diretrizes metodológicas estão em conformidade com a proposta pedagógica dos cursos da Faculdade São Braz na modalidade a Distância. Nessa disciplina você participará da discussão sobre o papel do tutor presencial e do perfil do aluno a distância e conhecerá a história da Educação à Distância (EaD) no Brasil e no mundo. Durante o estudo dos temas abordados nesse material, serão realizados questionamentos que levarão você a refletir, a buscar soluções, e até mesmo a reformular conhecimentos. Eles cumprem um papel decisivo no processo de autoavaliação, portanto, é interessante que você reserve um lugar adequado, sem interferências externas, que permita registrar o seu pensamento e suas ideias, de forma a organizar uma agenda de seus estudos. É importante, ainda, ressaltar que o conteúdo deste curso é imprescindível às suas atividades de aprendizagem e as informações nele contidas vão ajudá-lo a realizar um estudo eficiente e produtivo. Tenha um bom estudo! 4 Aula 1 – A modalidade de ensino da Educação a Distância Figura 1.1 – Educação a Distância Fonte: © Flickr (2018) Olá estudante! Seja bem-vindo à nossa primeira aula da disciplina Fundamentos da Educação a Distância (EaD). Nesta aula, você conhecerá a 5 teoria que fundamenta a inserção da Educação a Distância no currículo brasileiro e saberá qual o seu papel e quais ações/atitudes deve realizar ao frequentar um curso na modalidade a distância. Vamos lá? Destacar a Educação a Distância como um modal de ensino, e não como uma tecnologia educacional é, não só ressaltar esse tipo de educação que vem ocupando um lugar de destaque na educação brasileira, mas também a definir metodologicamente como uma modalidade de ensino adequada a um determinado perfil de estudante. Vocabulário Modal: relativo a modo, modalidade, maneira própria de fazer alguma coisa. A escolha pela modalidade de Educação a Distância (poderíamos inclusive ressignificar a Educação a Distância como sendo Formação a Distância), geralmente é feita por quem tem menos tempo disponível para sua formação profissional, por causa do trabalho, e opta por uma modalidade de educação que tenha menor carga horária presencial. Outra resposta, oportuna no momento atual em que as faculdades e universidades vivem amplamente o sentido de universalização do conhecimento, seria que a oferta de algumas graduações, como a de tecnólogo, e de cursos técnicos só existe na modalidade a distância. A acelerada propagação da educação a distância no Brasil e no Mundo, chamada daqui em diante de EaD, é consequência do desenvolvimento tecnológico e do maior acesso da população à internet de banda larga. É importante observar que a tecnologia não é determinante, nem socialmente neutra ou fora de qualquer contexto histórico e social, longe disso, contudo essa questão será tratada mais adiante. Os estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (acrônimo CTS), e a explosão informacional que o mundo viveu nos últimos anos com o advento da 6 internet deveriam ser amplamente explorados nos estudos de Educação a Distância, mas devido ao formato enxuto do presente material, enumeraremos o que lhe cabe como essencial. Na concepção de Gaspar (2001, p. 70), a educação a distância é: Uma estratégia centrada na aprendizagem que ocorre de métodos e meios adequados para que ela se realize efetivamente, com o pressuposto de que o aprendente não está face ao ensinante. Exige, portanto, controle apertado que se pode resumir a três grandes funções processuais: tutoria, supervisão do processo de aprendizagem, avaliação do progresso e do resultado dessa aprendizagem. Vocabulário Acrônimo: palavra formada pela junção das primeiras letras ou sílabas iniciais de um grupo de palavras ou de uma expressão. Ainda segundo a autora, essa metodologia de ensino centra o processo educativo no aluno, logo, o núcleo central está na aprendizagem realizada pelo próprio aprendente, apoiada nos materiais de ensino e no controlo e avaliação dessa aprendizagem. (GASPAR, 2001, p. 70). Para Moran (2002), a educação a distância é mais do que um processo de ensino e aprendizagem mediado por tecnologias, no qual professores e estudantes estão separados espacial e/ou temporalmente, ela estaria mais fortemente ligada a questões de diferenciação do espaço e do tempo em que aprendentes e conteudistas estão organizados. Vocabulário Conteudista: designado também como especialista, é o profissional que domina o assunto de uma disciplina ou curso, sendo o autor do conteúdo técnico de uma obra. Tomando como base as definições de Keegan (1996), vamos ressaltar e desenvolver a temática da EaD, apontando as suas características e elementos- chave. 7 Na EaD existe um tipo de separação física entre professor e aluno durante quase todo o processo educativo. De fato, a diferença crucial em todo o processo de formação do indivíduo na educação a distância é a ausência do contato presencial com o professor da disciplina. Um desafio para quem estuda na modalidade de educação a distância é o de se acostumar à ausência física de um professor entrando em sala. Contudo, essa questão é superada por meio da fala e dos gestos do professor durante as videoaulas. Vocabulário Videoaula: aula gravada em vídeo. A separação do aluno de um grupo de aprendizado. A sala de aula prevê não apenas a presença física de um professor, mas também a de um grupo de colegas. Nos parece ser tradicional a formação de grupos de interesse mútuo e cooperativista no ensino presencial, até porque neste tipo de ensino a carga horária, destinada à presença física dos estudantes durante os períodos do curso, é semanal, por vezes diuturna, o que leva a uma série de ações que estabelecem a obrigatoriedade da presença física em 75%, em relação à carga horária semanal da disciplina, para frequentar o curso. Na EaD, o estudante está presencialmente em sala de aula apenas uma vez por semana, nos restantes dias, a comunicação e o acesso às informações necessárias para a realização das atividades são realizados, por meio de um computador ou canal de satélite, em casa, no trabalho ou em outros lugares, cumprindo, assim, legalmente, a mesma carga horária dos cursos presenciais. 8 Vocabulário Diuturna: que se prolonga no tempo; extensa; longa.A participação de uma organização educacional, mediante o planejamento, a sistematização, o plano, o projeto e a organização dirigida. Na EaD, tanto quanto em qualquer outra Instituição de Ensino Superior (IES), a qualidade do ensino depende diretamente do envolvimento da gestão acadêmica em todos os processos. O que chama a atenção é que na EaD as IES têm como prerrogativa legal a organização acadêmica em ambientes virtuais e também na estrutura física dos polos de atendimento. Como comparação, podemos dizer que na EaD a estrutura dos bastidores acaba sendo menos visível e mais estruturada pela gestão, uma vez que todos os processos de atendimento aos alunos são conduzidos e decididos para atender à demanda dos alunos em diferentes polos e estruturas acadêmicas. O uso de várias tecnologias e mídias para a distribuição do conteúdo do curso. Outro fato relevante é a presença de diferentes mídias para disponibilizar conteúdos aos alunos. Tendo sempre em vista que a distância é o fator que determina o acesso ao conteúdo, às mídias, estas aqui definidas como qualquer meio digital que possa ser compartilhado via internet, dependem de diferentes plataformas que disponibilizam o acesso, na internet, mesmo que a banda seja de baixa velocidade, ao material produzido pelo professor-autor para determinada disciplina. 9 É fato, que um arquivo com a extensão .pdf (da sigla, em inglês, portable document file) pode ser menor em quantidade de kbites do que o mesmo arquivo com a extensão .doc (uma abreviação, em inglês, de document – documento, em português). Mas, veja, pode ser menor, porque a informação (a mídia em EaD) será compartilhada em uma plataforma que pode, ou não, suportar determinada extensão de arquivo. A comunicação é uma “mão dupla”, ou seja, permite que o aluno também possa iniciar um diálogo com o professor. Em linhas anteriores, destacamos que, na EaD, a distância faz com que os processos de comunicação entre o professor-autor e o estudante sejam virtuais e assíncronos, isto é, não síncronos, uma vez que eles não estão no mesmo tempo em que decorre a ação educativa. Porém, em uma plataforma que estabeleça o acesso dos alunos via chat (contração da sigla internet Relay Chat – IRC, bate-papo em português) existe a possibilidade de interação síncrona. Vocabulário Assíncrono: que não ocorre ou não se efetiva ao mesmo tempo. Diz-se que a educação é assíncrona quando o professor leciona e o aluno estuda em momentos diferentes. Síncrona: que acontece ao mesmo tempo; simultânea; coincidente. Diz-se que a educação é síncrona, quando o professor leciona e o aluno estuda no mesmo momento. Garcia Aretio (1996) assinala como funções da EaD: A democratização do acesso à educação. A fomentação de uma educação permanente e de aperfeiçoamento profissional. A possibilidade de uma aprendizagem autônoma, ligada à experiência, com redução dos custos. 10 A implantação de educação de qualidade. Uma das diretrizes da Educação a Distância é a democratização e o acesso ao saber escolarizado para atender à demanda, imposta pela sociedade, pelo acesso à formação de ensino superior e profissionalizante. A EaD, conforme veremos nas próximas aulas, é uma forma eficaz de superação dos processos de exclusão social. Conclusão Como você viu nessa aula, a EaD é considerada um importante recurso para atender contingentes maiores de estudantes, de forma mais efetiva que outras modalidades de ensino, e sem o risco de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela a ser atendida. Atividades de Aprendizagem 1. De acordo com as características da EaD referidas por Keegan, elabore um texto dissertativo (de oito linhas), apontando quais os desafios que o seu curso apresenta e as estratégias a serem utilizadas para sua superação. 2. A rápida difusão da Educação a Distância é consequência do desenvolvimento tecnológico e da explosão informacional que o mundo viveu nos últimos anos. Partindo dessa afirmação, elabore um mapa conceitual do avanço tecnológico da comunicação, ocorrido no espaço de 100 anos (mais ou menos duas gerações da tecnologia), e do seu uso doméstico. 11 Aula 2 – História da Educação a Distância no Brasil Figura 2.1: Utilização de mídias interativas Fonte: © Wikimedia Commons (2018) Olá estudante! Seja bem-vindo à nossa segunda aula da disciplina Fundamentos da Educação a Distância (EaD). Nesta aula, será abordada a linha temporal dos fatos ocorridos em relação à EaD, no Brasil, e a maneira como a 12 disciplina se consolidou como política pública de acesso à educação de ensino superior e profissionalizante no Brasil. O avanço tecnológico possibilitou o uso de mídias interativas, via cabo de rede ou Wi-fi, no computador e, mais recentemente, nos celulares. Mas, nem sempre foi assim, pois a internet brasileira deu os primeiros passos no final da década de 1980, no entanto só começou a ser acessada em 1996. (OLIVEIRA, 2011). Pensar em Educação a Distância, seria o mesmo que pensar em atravessar rios, pontes, estradas, para levar “saberes” produzidos nas universidades para alunos distantes geograficamente. Com o advento do acesso à internet no Brasil, foi possível instantaneamente diminuir distâncias e modificar a velocidade do acesso à informação. É fato que a internet oportuniza um contato, em tempo real, entre alunos e professores, mesmo que distantes geograficamente. A interatividade conseguida por meio dos recursos de multimídia ocasionou uma revolução, há poucas décadas atrás inimaginável, capaz de, dependendo do tipo de mídia utilizada, promover as condições necessárias à simulação de um ensino presencial virtual, como é o caso da videoaula. Toda essa revolução provocou mudanças estruturais no processo de ensino e aprendizagem, pois a mídia não será mais vista apenas como um recurso, mas sobretudo como um instrumento de acesso ao conhecimento. Assim, a informação passa a estar disponível para todos, por meio da internet, do sinal digital da televisão, de revistas eletrônicas com acesso livre em diferentes plataformas, desde a mais imediata, como é o caso do celular via tecnologia mobile, até os tablets e computadores integrados, via rede cooperativa. Segundo (MOORE, M.; KEARSLEY, G. 2008, a Educação à Distância no Brasil não existiu apenas na época da 1ª geração da internet. Outros meios “tecnológicos”, anteriores ao uso da conexão via internet, já foram utilizados para diminuir distâncias e ofertar cursos não presenciais de formação profissional. Em 1880, toda informação era disponibilizada integralmente pela via impressa (jornal) e distribuída pelos correios, constituindo a chamada 1ª geração 13 da EAD. Na Educação, os cursos técnicos de curta duração eram voltados exclusivamente para a educação profissional e destinavam-se a alunos desfavorecidos socialmente, oferecendo guias de estudo e de autoavaliação e material apostilado, que era entregue nas residências, via Correios. Na 2ª geração da EaD, apesar de a Rádio Difusão ser novidade no Brasil, em 1921 já existia acesso à formação profissional com a oferta dos cursos de Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, via rádio, em 1923. (MAIA & MATTAR, 2007). Ainda na onda da rádio, o Instituto Monitor oferecia, e ainda oferece, cursos profissionalizantes que nessa época (1934) eram transmitidosna rádio e enviados via correio. Em 1947, surge a nova Universidade do Ar, patrocinada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Serviço Social do Comércio (SESC) e emissoras associadas. O objetivo era oferecer cursos comerciais radiofônicos. Os alunos estudavam nas apostilas e corrigiam os exercícios com o auxílio dos monitores. A 3ª geração da Educação a Distância brasileira consistiu nesse salto qualitativo da rádio para a TV aberta. Do ponto de vista comercial, a televisão no Brasil teve seu auge no início da década de 1950, tendo sido inaugurada, em 18 de setembro de 1950, por Assis Chateaubriand, fundador do primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi, em São Paulo. Em 20 de janeiro de 1951, entra no ar a TV Tupi no Rio de Janeiro. Figura 2.2: Vinheta da Rede Tupi de Televisão Fonte: © WikimediaCommons (2018) 14 Aproveitando esse início promissor, mesmo que 20 anos depois, surge, em 1974, o Instituto Padre Reus e iniciam na TV Ceará os cursos das antigas 5ª à 8ª séries (hoje do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental), com material televisivo, impresso e monitores, muito semelhante à estrutura didática que temos atualmente na EaD, que conta com a presença dos tutores e do design instrucional. Em 1976, é criado o Sistema Nacional de Teleducação, com cursos ministrados por meio de material instrucional. Mas ainda faltava um elemento-chave do processo de implementação da EaD no Brasil, o qual chamaremos de 4ª geração da EaD: a transmissão de conteúdos em tempo real (modo síncrono de transmissão de conteúdos virtuais), iniciada na década de 1980 com as transmissões por teleconferência, que utilizavam áudio e vídeo em tempo real. Vocabulário Teleconferência: realização de conferência com o recurso a aparelhos de telecomunicação, na qual os participantes não precisam estar presentes fisicamente para se conectarem. Figura 2.3: Tecnologia utilizada em videoconferência Fonte: © wikimedia Commons (2018) 15 Em 1991, teve início o programa Jornal da Educação: edição do professor, concebido e produzido pela Fundação Roquete-Pinto, reeditado, em 1995, com a designação Um salto para o Futuro foi incorporado à TV Escola (canal educativo da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação), tornando-se um marco na Educação a Distância nacional. Aqui, é importante destacar que a preocupação com a formação continuada dos professores é um assunto recente na educação brasileira e tem, na figura do “programa” televisivo, a formação continuada e o aperfeiçoamento dos professores, principalmente do Ensino Fundamental, e dos alunos do curso de Magistério. Com a popularização dos computadores pessoais (PC, sigla em Inglês Personal Computer) de 1ª geração, com acesso à internet discada, demarcamos a linha temporal dos fatos históricos da EaD ocorridos em cinco gerações. A quinta geração, iniciada nos anos de 2000, é a atual geração da internet, na qual estão baseados os cursos em EaD, em que as aulas são virtuais e se realizam com recurso ao computador e à internet, a qual conta com a existência de polos de apoio EaD, que têm acesso à internet banda larga, e com modelos eficazes de gestão de ensino e de conteúdo acadêmico. Nessa interface, os alunos planejam, organizam e realizam seus estudos por si próprios, lançando mão do método construtivista de aprendizado, em colaboração com a instituição que oferta o curso e o apoio metodológico do tutor, em modo cooperativo, no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Vocabulário Interface: elemento que proporciona uma ligação física ou lógica entre dois sistemas ou partes de um sistema que não poderiam ser conectados diretamente. Construtivista: segundo Piaget, construtivismo é a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Pelo contrário, ele se constitui pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o 16 simbolismo humano, com o mundo das relações sociais, constituindo-se por força de sua ação, e não por qualquer dotação prévia. Ambiente virtual de aprendizagem: é um local virtual onde são disponibilizadas ferramentas que permitem o acesso a um curso ou disciplina, bem como a interação entre os alunos, professores e tutores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Conclusão Nessa aula, você conheceu as principais terminologias em Educação a Distância, sua conveniência e os fatos históricos que estavam ocorrendo no país, ao mesmo tempo que a EaD se tornava importante no contexto da educação brasileira, bem como a relevância dessa modalidade de ensino para a formação do estudante nos cursos técnicos, de tecnologia e bacharelado. Atividades de Aprendizagem 1. Escolha uma ferramenta de criação de linha temporal de fatos históricos (utilize por exemplo o obtido no site: <http://timeglider.com/> ou um arquivo editável do Microsoft Word com fluxogramas). Elabore uma linha do tempo com quatro fatos históricos que estavam ocorrendo no Brasil, ao mesmo tempo que a Educação a Distância se consolidava na educação brasileira. 2. A partir do ano de 2002 surgiram novas tecnologias (smartphones, tablets, e-books, etc.), que possibilitaram a realização de cursos online. De acordo com essa afirmação, elabore um pequeno texto, de no máximo 1 lauda, apresentando seus argumentos em relação à tendência atual de crescimento da oferta e da demanda por cursos em EaD. 17 Aula 3 – Legislação da Educação a Distância no Brasil Figura 3.1: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Fonte: ©Flickr (2018) Olá estudante! Seja bem-vindo à terceira aula da disciplina Fundamentos da Educação a Distância. Nesta aula, você conhecerá a legislação da Educação 18 a Distância (EaD), que estabelece normas de funcionamento dos cursos de formação superior, técnica e tecnológica nas IES (Instituições de Ensino Superior) brasileiras. Vamos lá? No que se refere ao contexto histórico das políticas públicas em EaD, apresentaremos, a seguir, as cinco ações mais relevantes de interesse institucional e do docente para o cumprimento dos aspectos legais inerentes à criação e manutenção de cursos em EaD: 1. Em 1996, é criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED), pelo Ministério da Educação, dentro de uma política que privilegia a democratização e a qualidade da educação brasileira. É também nesse ano que a Educação a Distância surge oficialmente no Brasil, sendo as bases legais para essa modalidade de educação estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Nesse documento encontramos as diretrizes de Educação a Distância: Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. § 4º A educação a distânciagozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. (Grifo nosso). Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394- 20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em: 3 jul. 2018. 19 A esse respeito, cabe mencionar que o incentivo a essa modalidade de Educação à Distância aparece na referida lei referenciada como diretriz básica para as Instituições de Ensino e conta com o apoio do Ministério da Educação e das redes de transmissão televisivas via satélite. Desde a criação da lei, tal incentivo foi traduzido e colocado em prática mediante a transmissão, via satélite, das aulas ao vivo aos polos presenciais de Educação a Distância. Para se ter uma noção da importância do acesso às telecomunicações para a transmissão das aulas, o Brasil tem 26 satélites em órbita, sendo que 18 deles são exclusivos para telecomunicações. (Fonte de consulta: <http://www.aeb.gov.br/programa-espacial-brasileiro/satelites/>. Acesso em: 3 jul. 2018). Após a criação da LDB de 1996, a oferta de cursos de Educação à Distância tem registrado um número crescente de matrículas, proporcional ao aumento do número de residências brasileiras com acesso à internet. Outro parâmetro importante é observar que o número de residências com acesso à internet no Brasil é igual a 36,7 milhões de casas. Este dado foi obtido e divulgado, em 2016, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. Esse dado é importante porque revela a função social que o acesso à informação cumpre e que pode ser democratizado com o apoio institucional das IES. Esse processo de inserção do social na tecnologia e a não neutralidade da Ciência e da Tecnologia são referidos no contexto do acesso à informação, quando mencionamos os estudos em CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). Um ponto essencial da democratização do acesso da sociedade ao conhecimento, foi a rápida oferta dos tradicionais cursos presenciais de bacharelado, licenciaturas, técnicos e tecnólogos, por parte das instituições que ofertam essas vagas, em uma modalidade que não exige a presença física exclusiva do estudante durante o curso. A regulamentação da EaD, que seguiu a Lei de Diretrizes e Bases Lei n. 9.394/1996, se materializou nos Decretos n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, e n. 2.561, de 27 de abril de 1998, os quais alteraram a redação dos artigos 11 e 12. 20 É, portanto, no texto do Decreto n. 2.494, de 20 de dezembro de 1996, que se redefine a Educação a Distância como: [...] uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizada isoladamente ou combinada, e vinculada pelos diversos meios de comunicação. De 1998 até o início do ano de 2005 não ocorreu qualquer alteração na legislação referente à EaD, já que o projeto estava tramitando na Câmara e, entre outras deliberações, discutia-se, em âmbito acadêmico, a validade dos cursos realizados na modalidade a distância pelas universidades detentoras do saber elitizado. Fruto das discussões relativas ao tema Educação a Distância no Brasil, o Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamenta o art. 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a qual fixa as diretrizes e bases da educação nacional, de 27 de abril de 1998 (que revogou os Decretos n. 2.494, de 10/02/98, e n. 2.561) determina: Art. 1º Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático- pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. § 1º A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a obrigatoriedade de momentos presenciais para: I - avaliações de estudantes; II - estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente; III - defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na legislação pertinente; e IV - atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso. (grifo nosso)” Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/dec_5622.pdf>. Acesso em: 24 jun. 2018. Em 2006 entra em vigor o Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e 21 sequenciais no sistema federal de ensino, incluindo os da modalidade a distância (BRASIL, 2006). No ano de 2007 entra em vigor o Decreto n. 6.303, de 12 de dezembro de 2007, alterando dispositivos do Decreto n. 5.622, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 2007). A Portaria Normativa n. 11, de 20 de junho de 2017, define o polo EaD e determina a estrutura básica de atendimento de uma IES que oferta cursos na modalidade a distância e dá outras instruções: Art. 10 - O polo de EaD é a unidade acadêmica e operacional descentralizada, no país ou no exterior, para o desenvolvimento de atividades presenciais relativas aos cursos superiores a distância. Parágrafo único - É vedada a oferta de cursos superiores presenciais em instalações de polo EaD que não sejam unidades acadêmicas presenciais devidamente credenciadas”. (Grifo nosso). Reforçando a importância da estrutura física de um polo EaD, como sendo a estrutura-base de uma IES na oferta de cursos a distância, a referida portaria, em seu artigo 11, enumera os itens fundamentais à estrutura que o polo de apoio presencial precisa apresentar, para sua constituição: Art. 11 - O polo EaD deverá apresentar identificação inequívoca da IES responsável pela oferta dos cursos, manter infraestrutura física, tecnológica e de pessoal adequada ao projeto pedagógico dos cursos a ele vinculados, ao quantitativo de estudantes matriculados e à legislação específica, para a realização das atividades presenciais, especialmente: I - salas de aula ou auditório; II - laboratório de informática; III - laboratórios específicos presenciais ou virtuais; IV - sala de tutoria; V - ambiente para apoio técnico-administrativo; VI - acervo físico ou digital de bibliografias básica e complementar; VII - recursos de Tecnologias de Informação e Comunicação -TIC; e VIII - organização dos conteúdos digitais. O marcante é que o conceito de EaD prevê a diminuição da distância entre o aluno e o professor pela via virtual (tanto em ações síncronas e assíncronas), mas deixa claro que existem atividades que exigem a presença do estudante em sala de aula para o desenvolvimento de atividades e avaliações do curso, ou seja, no Brasil nenhum curso em EaD é 100% virtual. 22 A presença dos tutores no polo presencial depende, então, da existência de uma sala de tutoria, que deve ser um lugar apropriado para a orientação e o treinamento desses professores para exercerem sua função de mediadores dos processos de ensino e aprendizagem da EaD. Conclusão Nessa aula, você tomou conhecimento da legislação em EaD, sobretudo da LDB de 1996, e das constantes alterações de redação na legislação brasileira no tocante à Educação a Distância, a qual regulamenta as instituiçõesde educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais na modalidade a distância. Atividades de Aprendizagem 1. Imagine que você, estudante, é gestor de uma IES e, diante da crescente demanda por cursos a distância, resolve ofertar dois cursos presenciais de bacharelado na modalidade a distância (EaD). Redija um texto enumerando as etapas legais exigidas para a efetivação da oferta desses cursos. 2. Descreva duas ou mais contribuições que considera relevantes para o novo panorama da EaD no Brasil. 23 Aula 4 – As Tecnologias de Informação e Comunicação Figura 4.1: Utilização das Novas Tecnologias Fonte: Jefferson Rudy/Agência Senado (2018) Olá estudante! Bem-vindo à nossa quarta aula da disciplina Fundamentos da Educação a Distância (EaD). Nela você verá os diferentes tipos de tecnologias de informação e comunicação - TIC (as “novas” tecnologias) e as ferramentas específicas de comunicação a distância adequadas à modalidade de ensino a distância. Vamos lá? 24 Em seguida, apresentaremos uma breve discussão sobre o que é tecnologia. O termo Tecnologia, que provém do grego tekhne "técnica, arte, ofício" mais o sufixo logia "estudo", é fruto do esforço da ciência e da engenharia e envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que têm como objetivo a resolução de problemas nas mais diversas áreas de interesse humano. É uma aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas de observação. Na linha temporal clássica dos fatos históricos, o desenvolvimento de diferentes técnicas (mesmo que consideradas tecnologias primitivas ou clássicas) envolvem a descoberta, isto é, a heurística (do grego heuritiko, que significa descobrir), para se adquirir e se apropriar de algo novo e mais “moderno” em relação às anteriores. Em tecnologia, é natural que se abandone determinado tipo de dispositivo, com a justificativa de que existe algo novo disponível para substituí-lo. De modo simplista, dizemos que a invenção do fogo na alimentação substituiu o consumo de alimentos crus, a invenção da roda substituiu o uso de objetos cilíndricos para transporte e a escrita substituiu a pintura e a arte rupestre, entre outras. As tecnologias da era medieval apresentavam diversas invenções, tais como: a prensa móvel, as tecnologias militares armamentistas, com a criação de artefatos bélicos para o uso em guerras e confrontos de massa, ou as tecnologias das grandes navegações que permitiram a expansão marítima. Vocabulário Armamentista: relativo ao armamentismo, doutrina que defende o aumento da capacidade bélica de um país, como forma de evitar guerras. Artefato bélico: objeto, dispositivo ou equipamento manufaturado que lança projéteis. No entanto, a forma como se carrega, armazena e/ou compartilha informações (dados) vem mudando constantemente. Por exemplo, no século 25 passado, um arquivo de áudio (uma música gravada em estúdio) era armazenado e compartilhado em um meio físico (uma fita cassete) e distribuído nesse mesmo formato físico, sendo que a proteção contra a gravação era física (uma lingueta que seria quebrada para impedir a gravação). No entanto, a forma como se carrega, armazena e/ou compartilha informações (dados) vem mudando constantemente. Por exemplo, no século passado, um arquivo de áudio (uma música gravada em estúdio) era armazenado e compartilhado em um meio físico (uma fita cassete) e distribuído nesse mesmo formato físico, sendo que a proteção contra a gravação era física (uma lingueta que seria quebrada para impedir a gravação). Hoje, o formato de áudio é digitalizado e gravado em um computador pessoal (PC), sendo que a partir dessa conversão digital, do formato de fita para o formato compacto (por exemplo o MP3), se obtém o arquivo que pode ser compartilhado em redes virtuais de comunicação. O compartilhamento de músicas em formato digital, por si só, já provocaria uma discussão sobre direitos autorais e comercialização desse material, porém, deixaremos essa discussão de lado e vamos nos ater ao compartilhamento de informação, mais especificamente ao nosso produto da EaD que é o conhecimento disponibilizado na internet por meios virtuais. Se assumimos que a tecnologia (por vezes, substituída pelo neologismo “Novas Tecnologias”) existe para substituir, da melhor forma possível, o modo como se faz determinada rotina, então, a tecnologia é a solução dos problemas da Ciência. Isso é fato? Ou seria apenas uma parte dela? É muito perigoso (do ponto de vista da aceitação às cegas do determinismo científico) assumir que a tecnologia resolve todos os problemas que a ela são apresentados. Vocabulário Determinismo: é uma corrente de pensamento que defende a ideia de que as decisões e escolhas humanas não acontecem de acordo com um livre-arbítrio, mas sim por meio de relações de casualidade. 26 Se estamos aqui falando, principalmente, de Educação e modalidade de ensino, será que o acesso à internet de banda larga com fibra óptica (atualmente, a melhor opção de velocidade de conexão) resolve o problema de acesso à informação na EaD? Ou ainda: se a qualidade da conexão tende sempre a melhorar com o aumento da sua velocidade, a informação compartilhada nessa rede seria necessariamente melhor? Por ora, vamos nos ater a questões relativas a Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Zarth et al. (1998, p. 35-36) destaca que a “tecnologia é o instrumento mais adequado para se impor uma dominação e controle sobre a natureza e sobre a sociedade” e que o progresso tecnológico, de certo modo, se constitui em estratégia do desenvolvimento capitalista, não necessariamente vinculada às necessidades básicas da população, tornando-se um “fator ideológico pelo fato de irradiar a ideia de que ele representa o caminho do bem-estar social para todos os segmentos sociais”. Os estudos de CTS têm vários representantes acadêmicos em universidades de grande porte no Brasil. O autor escolhido que mais se alinha às instruções dos grupos que estão alocados na EaD é o professor da UFSC, Walter Antônio Bazzo, que, desde 1998, nos alerta sobre a necessidade de refletirmos sobre a Educação em tempos de globalização e desenvolvimento tecnológico: Segundo Bazzo (1998, p. 12), para entendermos de tecnologia devemos: [...] caminhar na perspectiva de uma Mudança Cultural, onde o desenvolvimento científico-tecnológico venha imbricado ao desenvolvimento de toda a sociedade [...] se adote uma nova abordagem no ensino tecnológico, onde os alunos recebam não só conhecimentos e habilidades para o exercício de uma profissão, mas elementos que os leve a pensar, num processo coletivo, nos resultados e consequências sociais e ambientais das inovações científico- tecnológicas. Esta abordagem requer uma restruturação das práticas didático-pedagógicas, através de uma nova postura epistemológica dos professores. Desse modo a educação estará contribuindo para a ‘formação de profissionais com discernimento no trato da ciência e da tecnologia não apenas como instrumento de poder, mas sim de desenvolvimento humano. 27 Na concepção de Santos e Schnetzler (2010), um programa de ensino direcionado ao estudo de CTS está centrado em temas de relevância social, cuja abordagem procura explicitar as interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade e, assim, desenvolver no aluno habilidades básicas voltadas para sua participação na sociedade.Assim sendo, o ensino na perspectiva da CTS possibilita o desenvolvimento da capacidade de os alunos aprenderem a adotar uma postura ativa diante dos problemas atuais, por meio da articulação do conhecimento que adquiriram nas aulas com as questões sociais, políticas e ambientais. A Ciência e a Tecnologia não são neutras, porém se apresentam como tal aos alunos, em especial na EaD que depende quase que integralmente de ferramentas de ensino fortemente direcionadas ao uso da tecnologia, em especial das Tecnologias de Informação e Comunicação. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) delimitam um campo de pesquisa e um conjunto de recursos tecnológicos, usados em especial na Educação a Distância para facilitar e envolver o aluno nas atividades rotineiras relativas aos seus estudos, que estão presentes na formação de cursos de EaD em diferentes níveis e áreas do conhecimento. O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é o local virtual onde o aluno da EaD tem acesso aos conteúdos de seu curso a distância. Nesse ambiente virtual, alunos e professores, bem como alunos e tutores podem “comunicar-se”, utilizando ferramentas advindas dos estudos das TIC, quais sejam: vídeos, chats, fóruns e rádio (mais especificamente, a radio web). É, portanto, nesse ambiente virtual que ocorre a interação com os colegas da sala virtual, assim como com o tutor. Atualmente, as plataformas mais utilizadas na Educação são: o Moodle, o Blackboard e o TelEduc. A vasta possibilidade de consulta online de livros, por meio das bibliotecas virtuais, é um recurso que também serve ao ensino presencial; podemos considerar que, nesse aspecto, a facilidade de acesso a matérias e atividades virtuais, tão próprias à EaD, está hoje muito presente nos cursos que, até então, só investiam na aquisição de livros impressos. 28 As IES que ofertam cursos na modalidade a distância têm como prerrogativa legal a disponibilização de referencial teórico relativo ao curso em seus ambientes virtuais, sendo que nas bibliotecas devem existir livros em formato digital que atendam tanto as referências básicas, quanto aquelas complementares ao curso. Além dos livros, as revistas em formato digital estão adequadas à Educação a Distância em diferentes plataformas. A base de dados de artigos científicos “Scielo” (Scientific Electronic Library Online) é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros e pode ser consultada gratuitamente. Essa biblioteca está organizada de acordo com a relevância dos artigos e a área do conhecimento, permitindo que alunos e professores tenham acesso a artigos científicos de diferentes áreas, mediante um crivo cientifico e rigor acadêmico. Tais mecanismos têm a função de garantir que a fonte de consulta (artigo) tenha sido avaliada por especialistas da área, o que possibilita a disseminação do conhecimento produzido nas universidades brasileiras. Ambientes de escrita coletiva ou colaborativa (software colaborativo) também estão disponíveis nas Tecnologias de Informação e Comunicação; as chamadas páginas Wiki (Wikipedia, Scholarpedia, Wikibooks, wikiHow, entre outros Wikis) são softwares colaborativos que permitem a edição coletiva dos documentos, usando um sistema que não necessita que o conteúdo seja revisto antes da sua publicação, ou seja, nada do que está escrito é fechado e perene no tempo, pois qualquer usuário pode alterar as informações, bastando apenas que cite uma fonte da informação disponibilizada, e mesmo assim essa referência não é obrigatória. É notório o fato de que as TIC podem servir, e servem, para a disseminação do conhecimento e da informação de um modo geral, formando a sociedade do conhecimento. A ressignificação da expressão “sociedade da informação” para “sociedade do conhecimento” (knowledge society) surgiu no final da década de 29 1990. Atualmente, é utilizada nos meios acadêmicos como alternativa à “sociedade da informação”. A UNESCO adotou o termo “sociedade do conhecimento”, ou sua variante “sociedades do saber”, dentro de suas políticas institucionais, desvinculando-se da reflexão puramente acadêmica para incorporar também uma concepção mais integral, não ligada apenas à dimensão econômica. Abdul Waheed Khan (Subdiretor-geral da UNESCO para a Comunicação e Informação), escreveu: “A Sociedade da Informação é a pedra angular das sociedades do conhecimento. O conceito de ‘sociedade da informação’, a meu ver, está relacionado à ideia da ‘inovação tecnológica’, enquanto o conceito de “sociedades do conhecimento” inclui uma dimensão de transformação social, cultural, econômica, política e institucional, assim como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento. O conceito de ‘sociedades do conhecimento’ é preferível ao da ‘sociedade da informação’ já que expressa melhor a complexidade e o dinamismo das mudanças que estão ocorrendo. [...] o conhecimento em questão não só é importante para o crescimento econômico, mas também para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade”. Fonte: <https://vecam.org/archives/article519.html>. Acesso em: 17 jul. 2018. Em artigo publicado na base de dados “ Scielo”, em 2003, os autores Bessa, Nery e Terci atentam para o fato de que aqueles que detêm a informação e o conhecimento são agentes e responsáveis por uma teia de relações políticas e econômicas, sendo esses fatos essenciais ao desenvolvimento de uma Nação: “O debate sobre a difusão das novas tecnologias tem intensificado o debate relativo aos benefícios ou o acirramento das desigualdades sociais. Ao contrário de um otimismo generalizado sobre as ondas de crescimento provocadas pela nova economia, a apropriação desigual destas tecnologias tem se traduzido em um forte debate a respeito da assimetria entre aqueles que possuem e os que não possuem informação [...]”. Fonte: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102- 88392003000300002>. Acesso em: 17 jul. 2018. Nos ambientes virtuais de aprendizagem, os alunos utilizam fontes para a pesquisa, participam de discussões no fórum, editam páginas em modo colaborativo (wikis). Todas as ferramentas disponíveis permitem a circulação do conhecimento e a troca de informações. 30 E mesmo quando existe grande diferença em relação à formação cultural do cidadão, a interatividade (interação entre o sujeito e a máquina), presente nas perguntas e respostas naqueles ambientes, torna ainda mais enriquecedora a relação que se estabelece no processo de ensino e aprendizagem. De modo geral, é exatamente essa uma das diferenciações entre o modelo de educação presencial e o modelo de educação a distância, pois é nesse modelo de colaboração e ressignificação de saberes que se consolida o importante papel dos estudantes no próprio processo de aquisição do conhecimento. Atividades de Aprendizagem 1. Elabore um quadro comparativo contendo as vantagens e desvantagens existentes no seu curso de Educação a Distância. 2. Escolha um ambiente wiki e disponibilize informação sobre o papel da Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) na formação do cidadão. Inicie um parágrafo sobre o tema e permita que seus colegas interajam, contribuindo para uma nova escrita. 31 Referências BAZZO, Walter Antônio. Ciência, tecnologia e sociedade e o contexto da educação tecnológica. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1998. BRASIL. Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o artigo 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educaçãonacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 20 dez. 2005. ______. Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006. Dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 10 maio 2006. ______. Decreto n. 6.303, de 12 de dezembro de 2007. Altera dispositivos do Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e do Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 13 dez. 2007. ______. Decreto n. 2.561, de 27 de abril de 1998. Altera a redação dos arts. 11 e 12 do Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o disposto no art. 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/D2561.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2017. ______. Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998. Regulamenta o Art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases (Lei n. 9.394/96). Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/D2494.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2017. ______. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: <http://www.camara.gov.br/sileg/integras/152182.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2017. ______. Portaria n. 10, de 02 de julho de 2009. Fixa critérios para dispensa de avaliação in loco e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 3 jul. 2009. ______. Portaria Normativa n.11, de 20 de junho de 2017. Estabelece normas para o credenciamento de instituições e a oferta de cursos superiores a distância, 32 em conformidade com o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 21 jun. 2017. GARCIA ARETIO, L. Educación a Distancia. Madrid/ES: UNED, 1994. GASPAR, M. I. Ensino a distância e ensino aberto: paradigmas e perspectivas. In: Perspectivas em Educação, Revista Discursos. Lisboa, Universidade Aberta, 2001. p. 67-76. Edição Especial. KEEGAN, D. Foundations of distance education. 3. ed. London and New York: Routledge, 1996. MAIA, C.; J. MATTAR. ABC da EaD: a Educação a Distância hoje. 1. ed. São Paulo: Pearson, 2007. MOORE, M. G.; KEARSLEY, Greg. Distance education: a systems view. Belmont: Wadsworth Publishing Company, 1996. Tradução 2008. MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T.; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 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Atuou como professor de Teoria e Prática de Ensino na Universidade Federal do Paraná (UFPR), de 2005 a 2007, foi professor do quadro próprio do Magistério no Estado do Paraná, de 2000 a 2008, foi professor de diversos colégios particulares de Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante no Estado do Paraná. Atualmente leciona disciplinas de Matemática Aplicada e Tecnologias Educacionais para os cursos presenciais e a distância do Instituto Federal do Paraná (IFPR).