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1 
 
ROBERTO JOSÉ MEDEIROS 
JUNIOR 
 
 
FUNDAMENTOS DA 
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
 
 
FACULDADE SÃO BRAZ 
 
CURITIBA/PR 
2018 
 
 
2 
 
 
 
Sumário 
Introdução ........................................................................................ 03 
Aula 1 – A modalidade de ensino em Educação a Distância............ 
Aula 2 – História da Educação a Distância no Brasil........................ 
04 
11 
Aula 3 – Legislação da Educação a Distância no Brasil..................... 17 
Aula 4 – As Tecnologias da Informação e Comunicação................... 23 
Referências .................................................................................... 
Currículo do professor-autor ............................................................ 
 
 
 
 
 
31 
33 
 
 
 
 
3 
 
Introdução 
Este material didático foi organizado com o objetivo de oferecer subsídios 
que possam auxiliá-lo no desenvolvimento das suas atividades acadêmicas na 
disciplina de Fundamentos da Educação a Distância, cujas diretrizes 
metodológicas estão em conformidade com a proposta pedagógica dos cursos 
da Faculdade São Braz na modalidade a Distância. 
Nessa disciplina você participará da discussão sobre o papel do tutor 
presencial e do perfil do aluno a distância e conhecerá a história da Educação à 
Distância (EaD) no Brasil e no mundo. 
Durante o estudo dos temas abordados nesse material, serão realizados 
questionamentos que levarão você a refletir, a buscar soluções, e até mesmo a 
reformular conhecimentos. Eles cumprem um papel decisivo no processo de 
autoavaliação, portanto, é interessante que você reserve um lugar adequado, 
sem interferências externas, que permita registrar o seu pensamento e suas 
ideias, de forma a organizar uma agenda de seus estudos. 
É importante, ainda, ressaltar que o conteúdo deste curso é 
imprescindível às suas atividades de aprendizagem e as informações nele 
contidas vão ajudá-lo a realizar um estudo eficiente e produtivo. 
 
 
 Tenha um bom estudo! 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
Aula 1 – A modalidade de ensino da Educação a Distância 
 
Figura 1.1 – Educação a Distância 
Fonte: © Flickr (2018) 
 
 
 
Olá estudante! Seja bem-vindo à nossa primeira aula da disciplina 
Fundamentos da Educação a Distância (EaD). Nesta aula, você conhecerá a 
 
 
5 
 
teoria que fundamenta a inserção da Educação a Distância no currículo brasileiro 
e saberá qual o seu papel e quais ações/atitudes deve realizar ao frequentar um 
curso na modalidade a distância. Vamos lá? 
 
Destacar a Educação a Distância como um modal de ensino, e não como 
uma tecnologia educacional é, não só ressaltar esse tipo de educação que vem 
ocupando um lugar de destaque na educação brasileira, mas também a definir 
metodologicamente como uma modalidade de ensino adequada a um 
determinado perfil de estudante. 
 
 
Vocabulário 
Modal: relativo a modo, modalidade, maneira própria 
de fazer alguma coisa. 
 
 
A escolha pela modalidade de Educação a Distância (poderíamos 
inclusive ressignificar a Educação a Distância como sendo Formação a 
Distância), geralmente é feita por quem tem menos tempo disponível para sua 
formação profissional, por causa do trabalho, e opta por uma modalidade de 
educação que tenha menor carga horária presencial. 
Outra resposta, oportuna no momento atual em que as faculdades e 
universidades vivem amplamente o sentido de universalização do conhecimento, 
seria que a oferta de algumas graduações, como a de tecnólogo, e de cursos 
técnicos só existe na modalidade a distância. 
A acelerada propagação da educação a distância no Brasil e no Mundo, 
chamada daqui em diante de EaD, é consequência do desenvolvimento 
tecnológico e do maior acesso da população à internet de banda larga. 
É importante observar que a tecnologia não é determinante, nem 
socialmente neutra ou fora de qualquer contexto histórico e social, longe disso, 
contudo essa questão será tratada mais adiante. 
Os estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (acrônimo CTS), e a 
explosão informacional que o mundo viveu nos últimos anos com o advento da 
 
 
6 
 
internet deveriam ser amplamente explorados nos estudos de Educação a 
Distância, mas devido ao formato enxuto do presente material, enumeraremos o 
que lhe cabe como essencial. 
Na concepção de Gaspar (2001, p. 70), a educação a distância é: 
Uma estratégia centrada na aprendizagem que ocorre de métodos e 
meios adequados para que ela se realize efetivamente, com o 
pressuposto de que o aprendente não está face ao ensinante. Exige, 
portanto, controle apertado que se pode resumir a três grandes funções 
processuais: tutoria, supervisão do processo de aprendizagem, 
avaliação do progresso e do resultado dessa aprendizagem. 
 
 
 
Vocabulário 
Acrônimo: palavra formada pela junção das primeiras letras 
ou sílabas iniciais de um grupo de palavras ou de uma 
expressão. 
 
Ainda segundo a autora, essa metodologia de ensino centra o processo 
educativo no aluno, logo, o núcleo central está na aprendizagem realizada pelo 
próprio aprendente, apoiada nos materiais de ensino e no controlo e avaliação 
dessa aprendizagem. (GASPAR, 2001, p. 70). 
Para Moran (2002), a educação a distância é mais do que um processo 
de ensino e aprendizagem mediado por tecnologias, no qual professores e 
estudantes estão separados espacial e/ou temporalmente, ela estaria mais 
fortemente ligada a questões de diferenciação do espaço e do tempo em que 
aprendentes e conteudistas estão organizados. 
 
 
 
Vocabulário 
Conteudista: designado também como especialista, é o 
profissional que domina o assunto de uma disciplina ou 
curso, sendo o autor do conteúdo técnico de uma obra. 
 
Tomando como base as definições de Keegan (1996), vamos ressaltar e 
desenvolver a temática da EaD, apontando as suas características e elementos-
chave. 
 
 
7 
 
 
Na EaD existe um tipo de separação física entre professor e aluno 
durante quase todo o processo educativo. 
De fato, a diferença crucial em todo o processo de formação do 
indivíduo na educação a distância é a ausência do contato presencial com o 
professor da disciplina. 
Um desafio para quem estuda na modalidade de educação a distância 
é o de se acostumar à ausência física de um professor entrando em sala. 
Contudo, essa questão é superada por meio da fala e dos gestos do professor 
durante as videoaulas. 
 
 
 
Vocabulário 
Videoaula: aula gravada em vídeo. 
 
A separação do aluno de um grupo de aprendizado. 
A sala de aula prevê não apenas a presença física de um professor, 
mas também a de um grupo de colegas. 
Nos parece ser tradicional a formação de grupos de interesse mútuo e 
cooperativista no ensino presencial, até porque neste tipo de ensino a carga 
horária, destinada à presença física dos estudantes durante os períodos do 
curso, é semanal, por vezes diuturna, o que leva a uma série de ações que 
estabelecem a obrigatoriedade da presença física em 75%, em relação à carga 
horária semanal da disciplina, para frequentar o curso. Na EaD, o estudante 
está presencialmente em sala de aula apenas uma vez por semana, nos 
restantes dias, a comunicação e o acesso às informações necessárias para 
a realização das atividades são realizados, por meio de um computador ou 
canal de satélite, em casa, no trabalho ou em outros lugares, cumprindo, 
assim, legalmente, a mesma carga horária dos cursos presenciais. 
 
 
 
8 
 
 
Vocabulário 
Diuturna: que se prolonga no tempo; extensa; longa.A participação de uma organização educacional, mediante o 
planejamento, a sistematização, o plano, o projeto e a organização 
dirigida. 
 
Na EaD, tanto quanto em qualquer outra Instituição de Ensino 
Superior (IES), a qualidade do ensino depende diretamente do envolvimento 
da gestão acadêmica em todos os processos. O que chama a atenção é que 
na EaD as IES têm como prerrogativa legal a organização acadêmica em 
ambientes virtuais e também na estrutura física dos polos de atendimento. 
Como comparação, podemos dizer que na EaD a estrutura dos bastidores 
acaba sendo menos visível e mais estruturada pela gestão, uma vez que 
todos os processos de atendimento aos alunos são conduzidos e decididos 
para atender à demanda dos alunos em diferentes polos e estruturas 
acadêmicas. 
 
 
O uso de várias tecnologias e mídias para a distribuição do 
conteúdo do curso. 
 Outro fato relevante é a presença de diferentes mídias para 
disponibilizar conteúdos aos alunos. Tendo sempre em vista que a distância é 
o fator que determina o acesso ao conteúdo, às mídias, estas aqui definidas 
como qualquer meio digital que possa ser compartilhado via internet, 
dependem de diferentes plataformas que disponibilizam o acesso, na internet, 
mesmo que a banda seja de baixa velocidade, ao material produzido pelo 
professor-autor para determinada disciplina. 
 
 
9 
 
É fato, que um arquivo com a extensão .pdf (da sigla, em inglês, portable 
document file) pode ser menor em quantidade de kbites do que o mesmo 
arquivo com a extensão .doc (uma abreviação, em inglês, de document – 
documento, em português). Mas, veja, pode ser menor, porque a informação 
(a mídia em EaD) será compartilhada em uma plataforma que pode, ou não, 
suportar determinada extensão de arquivo. 
 
A comunicação é uma “mão dupla”, ou seja, permite que o aluno também 
possa iniciar um diálogo com o professor. 
Em linhas anteriores, destacamos que, na EaD, a distância faz com que 
os processos de comunicação entre o professor-autor e o estudante sejam 
virtuais e assíncronos, isto é, não síncronos, uma vez que eles não estão no 
mesmo tempo em que decorre a ação educativa. 
Porém, em uma plataforma que estabeleça o acesso dos alunos via chat 
(contração da sigla internet Relay Chat – IRC, bate-papo em português) existe a 
possibilidade de interação síncrona. 
 
 
Vocabulário 
Assíncrono: que não ocorre ou não se efetiva ao mesmo 
tempo. Diz-se que a educação é assíncrona quando o 
professor leciona e o aluno estuda em momentos diferentes. 
 
Síncrona: que acontece ao mesmo tempo; simultânea; 
coincidente. Diz-se que a educação é síncrona, quando o 
professor leciona e o aluno estuda no mesmo momento. 
 
Garcia Aretio (1996) assinala como funções da EaD: 
 
 A democratização do acesso à educação. 
 A fomentação de uma educação permanente e de aperfeiçoamento 
profissional. 
 A possibilidade de uma aprendizagem autônoma, ligada à experiência, 
com redução dos custos. 
 
 
10 
 
 A implantação de educação de qualidade. 
 
Uma das diretrizes da Educação a Distância é a democratização e o 
acesso ao saber escolarizado para atender à demanda, imposta pela sociedade, 
pelo acesso à formação de ensino superior e profissionalizante. 
A EaD, conforme veremos nas próximas aulas, é uma forma eficaz de 
superação dos processos de exclusão social. 
 
Conclusão 
 Como você viu nessa aula, a EaD é considerada um importante recurso 
para atender contingentes maiores de estudantes, de forma mais efetiva que 
outras modalidades de ensino, e sem o risco de reduzir a qualidade dos serviços 
oferecidos em decorrência da ampliação da clientela a ser atendida. 
 
 
Atividades de Aprendizagem 
 
1. De acordo com as características da EaD referidas por Keegan, elabore 
um texto dissertativo (de oito linhas), apontando quais os desafios que o seu 
curso apresenta e as estratégias a serem utilizadas para sua superação. 
 
2. A rápida difusão da Educação a Distância é consequência do 
desenvolvimento tecnológico e da explosão informacional que o mundo viveu 
nos últimos anos. Partindo dessa afirmação, elabore um mapa conceitual do 
avanço tecnológico da comunicação, ocorrido no espaço de 100 anos (mais ou 
menos duas gerações da tecnologia), e do seu uso doméstico. 
 
 
 
 
 
11 
 
Aula 2 – História da Educação a Distância no Brasil 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.1: Utilização de mídias interativas 
Fonte: © Wikimedia Commons (2018) 
 
Olá estudante! Seja bem-vindo à nossa segunda aula da disciplina 
Fundamentos da Educação a Distância (EaD). Nesta aula, será abordada a linha 
temporal dos fatos ocorridos em relação à EaD, no Brasil, e a maneira como a 
 
 
12 
 
disciplina se consolidou como política pública de acesso à educação de ensino 
superior e profissionalizante no Brasil. 
O avanço tecnológico possibilitou o uso de mídias interativas, via cabo de 
rede ou Wi-fi, no computador e, mais recentemente, nos celulares. Mas, nem 
sempre foi assim, pois a internet brasileira deu os primeiros passos no final da 
década de 1980, no entanto só começou a ser acessada em 1996. (OLIVEIRA, 
2011). 
Pensar em Educação a Distância, seria o mesmo que pensar em 
atravessar rios, pontes, estradas, para levar “saberes” produzidos nas 
universidades para alunos distantes geograficamente. Com o advento do acesso 
à internet no Brasil, foi possível instantaneamente diminuir distâncias e modificar 
a velocidade do acesso à informação. 
É fato que a internet oportuniza um contato, em tempo real, entre alunos 
e professores, mesmo que distantes geograficamente. A interatividade 
conseguida por meio dos recursos de multimídia ocasionou uma revolução, há 
poucas décadas atrás inimaginável, capaz de, dependendo do tipo de mídia 
utilizada, promover as condições necessárias à simulação de um ensino 
presencial virtual, como é o caso da videoaula. 
Toda essa revolução provocou mudanças estruturais no processo de 
ensino e aprendizagem, pois a mídia não será mais vista apenas como um 
recurso, mas sobretudo como um instrumento de acesso ao conhecimento. 
Assim, a informação passa a estar disponível para todos, por meio da 
internet, do sinal digital da televisão, de revistas eletrônicas com acesso livre em 
diferentes plataformas, desde a mais imediata, como é o caso do celular via 
tecnologia mobile, até os tablets e computadores integrados, via rede 
cooperativa. 
Segundo (MOORE, M.; KEARSLEY, G. 2008, a Educação à Distância no 
Brasil não existiu apenas na época da 1ª geração da internet. Outros meios 
“tecnológicos”, anteriores ao uso da conexão via internet, já foram utilizados para 
diminuir distâncias e ofertar cursos não presenciais de formação profissional. 
Em 1880, toda informação era disponibilizada integralmente pela via 
impressa (jornal) e distribuída pelos correios, constituindo a chamada 1ª geração 
 
 
13 
 
da EAD. Na Educação, os cursos técnicos de curta duração eram voltados 
exclusivamente para a educação profissional e destinavam-se a alunos 
desfavorecidos socialmente, oferecendo guias de estudo e de autoavaliação e 
material apostilado, que era entregue nas residências, via Correios. 
Na 2ª geração da EaD, apesar de a Rádio Difusão ser novidade no Brasil, 
em 1921 já existia acesso à formação profissional com a oferta dos cursos de 
Português, Francês, Silvicultura, Literatura Francesa, via rádio, em 1923. (MAIA 
& MATTAR, 2007). 
Ainda na onda da rádio, o Instituto Monitor oferecia, e ainda oferece, 
cursos profissionalizantes que nessa época (1934) eram transmitidosna rádio e 
enviados via correio. 
Em 1947, surge a nova Universidade do Ar, patrocinada pelo Serviço 
Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), Serviço Social do Comércio 
(SESC) e emissoras associadas. O objetivo era oferecer cursos comerciais 
radiofônicos. Os alunos estudavam nas apostilas e corrigiam os exercícios com 
o auxílio dos monitores. 
A 3ª geração da Educação a Distância brasileira consistiu nesse salto 
qualitativo da rádio para a TV aberta. 
Do ponto de vista comercial, a televisão no Brasil teve seu auge no início 
da década de 1950, tendo sido inaugurada, em 18 de setembro de 1950, por 
Assis Chateaubriand, fundador do primeiro canal de televisão no país, a TV Tupi, 
em São Paulo. Em 20 de janeiro de 1951, entra no ar a TV Tupi no Rio de 
Janeiro. 
 
 
 
 
 
 
Figura 2.2: Vinheta da Rede Tupi de Televisão 
Fonte: © WikimediaCommons (2018) 
 
 
14 
 
Aproveitando esse início promissor, mesmo que 20 anos depois, surge, 
em 1974, o Instituto Padre Reus e iniciam na TV Ceará os cursos das antigas 5ª 
à 8ª séries (hoje do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental), com material 
televisivo, impresso e monitores, muito semelhante à estrutura didática que 
temos atualmente na EaD, que conta com a presença dos tutores e do design 
instrucional. 
Em 1976, é criado o Sistema Nacional de Teleducação, com cursos 
ministrados por meio de material instrucional. 
Mas ainda faltava um elemento-chave do processo de implementação da 
EaD no Brasil, o qual chamaremos de 4ª geração da EaD: a transmissão de 
conteúdos em tempo real (modo síncrono de transmissão de conteúdos virtuais), 
iniciada na década de 1980 com as transmissões por teleconferência, que 
utilizavam áudio e vídeo em tempo real. 
 
 
Vocabulário 
Teleconferência: realização de conferência com o recurso a 
aparelhos de telecomunicação, na qual os participantes não 
precisam estar presentes fisicamente para se conectarem. 
 
 
Figura 2.3: Tecnologia utilizada em videoconferência 
Fonte: © wikimedia Commons (2018) 
 
 
15 
 
Em 1991, teve início o programa Jornal da Educação: edição do professor, 
concebido e produzido pela Fundação Roquete-Pinto, reeditado, em 1995, com 
a designação Um salto para o Futuro foi incorporado à TV Escola (canal 
educativo da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação), 
tornando-se um marco na Educação a Distância nacional. 
Aqui, é importante destacar que a preocupação com a formação 
continuada dos professores é um assunto recente na educação brasileira e tem, 
na figura do “programa” televisivo, a formação continuada e o aperfeiçoamento 
dos professores, principalmente do Ensino Fundamental, e dos alunos do curso 
de Magistério. 
Com a popularização dos computadores pessoais (PC, sigla em Inglês 
Personal Computer) de 1ª geração, com acesso à internet discada, demarcamos 
a linha temporal dos fatos históricos da EaD ocorridos em cinco gerações. 
A quinta geração, iniciada nos anos de 2000, é a atual geração da internet, 
na qual estão baseados os cursos em EaD, em que as aulas são virtuais e se 
realizam com recurso ao computador e à internet, a qual conta com a existência 
de polos de apoio EaD, que têm acesso à internet banda larga, e com modelos 
eficazes de gestão de ensino e de conteúdo acadêmico. 
Nessa interface, os alunos planejam, organizam e realizam seus estudos 
por si próprios, lançando mão do método construtivista de aprendizado, em 
colaboração com a instituição que oferta o curso e o apoio metodológico do tutor, 
em modo cooperativo, no ambiente virtual de aprendizagem (AVA). 
 
 
Vocabulário 
Interface: elemento que proporciona uma ligação física ou 
lógica entre dois sistemas ou partes de um sistema que não 
poderiam ser conectados diretamente. 
 
Construtivista: segundo Piaget, construtivismo é a ideia de 
que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, 
especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma 
instância, como algo terminado. Pelo contrário, ele se constitui 
pela interação do indivíduo com o meio físico e social, com o 
 
 
16 
 
simbolismo humano, com o mundo das relações sociais, 
constituindo-se por força de sua ação, e não por qualquer 
dotação prévia. 
 
Ambiente virtual de aprendizagem: é um local virtual onde 
são disponibilizadas ferramentas que permitem o acesso a um 
curso ou disciplina, bem como a interação entre os alunos, 
professores e tutores envolvidos no processo de ensino e 
aprendizagem. 
 
Conclusão 
Nessa aula, você conheceu as principais terminologias em Educação a 
Distância, sua conveniência e os fatos históricos que estavam ocorrendo no país, 
ao mesmo tempo que a EaD se tornava importante no contexto da educação 
brasileira, bem como a relevância dessa modalidade de ensino para a formação 
do estudante nos cursos técnicos, de tecnologia e bacharelado. 
 
Atividades de Aprendizagem 
1. Escolha uma ferramenta de criação de linha temporal de fatos históricos 
(utilize por exemplo o obtido no site: <http://timeglider.com/> ou um arquivo 
editável do Microsoft Word com fluxogramas). Elabore uma linha do tempo com 
quatro fatos históricos que estavam ocorrendo no Brasil, ao mesmo tempo que 
a Educação a Distância se consolidava na educação brasileira. 
 
2. A partir do ano de 2002 surgiram novas tecnologias (smartphones, 
tablets, e-books, etc.), que possibilitaram a realização de cursos online. De 
acordo com essa afirmação, elabore um pequeno texto, de no máximo 1 lauda, 
apresentando seus argumentos em relação à tendência atual de crescimento da 
oferta e da demanda por cursos em EaD. 
 
 
17 
 
Aula 3 – Legislação da Educação a Distância no Brasil 
 
 
Figura 3.1: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
Fonte: ©Flickr (2018) 
 
Olá estudante! Seja bem-vindo à terceira aula da disciplina Fundamentos 
da Educação a Distância. Nesta aula, você conhecerá a legislação da Educação 
 
 
18 
 
a Distância (EaD), que estabelece normas de funcionamento dos cursos de 
formação superior, técnica e tecnológica nas IES (Instituições de Ensino 
Superior) brasileiras. Vamos lá? 
 
No que se refere ao contexto histórico das políticas públicas em EaD, 
apresentaremos, a seguir, as cinco ações mais relevantes de interesse 
institucional e do docente para o cumprimento dos aspectos legais inerentes à 
criação e manutenção de cursos em EaD: 
 
1. Em 1996, é criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED), pelo 
Ministério da Educação, dentro de uma política que privilegia a democratização 
e a qualidade da educação brasileira. 
É também nesse ano que a Educação a Distância surge oficialmente no 
Brasil, sendo as bases legais para essa modalidade de educação estabelecidas 
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB n. 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996. 
Nesse documento encontramos as diretrizes de Educação a Distância: 
 
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a 
veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis 
e modalidades de ensino, e de educação continuada. 
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime 
especiais, será oferecida por instituições especificamente 
credenciadas pela União. 
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames 
e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. 
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de 
educação a distância e a autorização para sua implementação, 
caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver 
cooperação e integração entre os diferentes sistemas. 
§ 4º A educação a distânciagozará de tratamento diferenciado, que 
incluirá: 
I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de 
radiodifusão sonora e de sons e imagens; 
II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos 
concessionários de canais comerciais. (Grifo nosso). 
Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394-
20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em: 
3 jul. 2018. 
 
 
 
19 
 
 A esse respeito, cabe mencionar que o incentivo a essa 
modalidade de Educação à Distância aparece na referida lei referenciada como 
diretriz básica para as Instituições de Ensino e conta com o apoio do Ministério 
da Educação e das redes de transmissão televisivas via satélite. 
Desde a criação da lei, tal incentivo foi traduzido e colocado em prática 
mediante a transmissão, via satélite, das aulas ao vivo aos polos presenciais de 
Educação a Distância. 
Para se ter uma noção da importância do acesso às telecomunicações 
para a transmissão das aulas, o Brasil tem 26 satélites em órbita, sendo que 18 
deles são exclusivos para telecomunicações. (Fonte de consulta: 
<http://www.aeb.gov.br/programa-espacial-brasileiro/satelites/>. Acesso em: 3 
jul. 2018). 
Após a criação da LDB de 1996, a oferta de cursos de Educação à 
Distância tem registrado um número crescente de matrículas, proporcional ao 
aumento do número de residências brasileiras com acesso à internet. 
Outro parâmetro importante é observar que o número de residências com 
acesso à internet no Brasil é igual a 36,7 milhões de casas. Este dado foi obtido 
e divulgado, em 2016, pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil. 
Esse dado é importante porque revela a função social que o acesso à 
informação cumpre e que pode ser democratizado com o apoio institucional das 
IES. Esse processo de inserção do social na tecnologia e a não neutralidade da 
Ciência e da Tecnologia são referidos no contexto do acesso à informação, 
quando mencionamos os estudos em CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). 
Um ponto essencial da democratização do acesso da sociedade ao 
conhecimento, foi a rápida oferta dos tradicionais cursos presenciais de 
bacharelado, licenciaturas, técnicos e tecnólogos, por parte das instituições que 
ofertam essas vagas, em uma modalidade que não exige a presença física 
exclusiva do estudante durante o curso. 
A regulamentação da EaD, que seguiu a Lei de Diretrizes e Bases Lei n. 
9.394/1996, se materializou nos Decretos n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, 
e n. 2.561, de 27 de abril de 1998, os quais alteraram a redação dos artigos 11 
e 12. 
 
 
20 
 
É, portanto, no texto do Decreto n. 2.494, de 20 de dezembro de 1996, 
que se redefine a Educação a Distância como: 
 
[...] uma forma de ensino que possibilita a autoaprendizagem, com a 
mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, 
apresentados em diferentes suportes de informação, utilizada 
isoladamente ou combinada, e vinculada pelos diversos meios de 
comunicação. 
 
De 1998 até o início do ano de 2005 não ocorreu qualquer alteração na 
legislação referente à EaD, já que o projeto estava tramitando na Câmara e, 
entre outras deliberações, discutia-se, em âmbito acadêmico, a validade dos 
cursos realizados na modalidade a distância pelas universidades detentoras do 
saber elitizado. 
Fruto das discussões relativas ao tema Educação a Distância no Brasil, o 
Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamenta o art. 80 da Lei 
n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a qual fixa as diretrizes e bases da 
educação nacional, de 27 de abril de 1998 (que revogou os Decretos n. 2.494, 
de 10/02/98, e n. 2.561) determina: 
 
Art. 1º Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a 
distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-
pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a 
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, 
com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas 
em lugares ou tempos diversos. 
§ 1º A educação a distância organiza-se segundo metodologia, gestão 
e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a 
obrigatoriedade de momentos presenciais para: 
I - avaliações de estudantes; 
II - estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente; 
III - defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na 
legislação pertinente; e 
IV - atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o 
caso. (grifo nosso)” 
Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/dec_5622.pdf>. Acesso 
em: 24 jun. 2018. 
 
Em 2006 entra em vigor o Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006, que 
dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de 
instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e 
 
 
21 
 
sequenciais no sistema federal de ensino, incluindo os da modalidade a distância 
(BRASIL, 2006). 
No ano de 2007 entra em vigor o Decreto n. 6.303, de 12 de dezembro de 
2007, alterando dispositivos do Decreto n. 5.622, que estabelece as Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional (BRASIL, 2007). 
A Portaria Normativa n. 11, de 20 de junho de 2017, define o polo EaD e 
determina a estrutura básica de atendimento de uma IES que oferta cursos na 
modalidade a distância e dá outras instruções: 
Art. 10 - O polo de EaD é a unidade acadêmica e operacional 
descentralizada, no país ou no exterior, para o desenvolvimento de 
atividades presenciais relativas aos cursos superiores a distância. 
 
 Parágrafo único - É vedada a oferta de cursos superiores presenciais 
em instalações de polo EaD que não sejam unidades acadêmicas 
presenciais devidamente credenciadas”. (Grifo nosso). 
 
Reforçando a importância da estrutura física de um polo EaD, como sendo 
a estrutura-base de uma IES na oferta de cursos a distância, a referida portaria, 
em seu artigo 11, enumera os itens fundamentais à estrutura que o polo de apoio 
presencial precisa apresentar, para sua constituição: 
Art. 11 - O polo EaD deverá apresentar identificação inequívoca da IES 
responsável pela oferta dos cursos, manter infraestrutura física, 
tecnológica e de pessoal adequada ao projeto pedagógico dos cursos 
a ele vinculados, ao quantitativo de estudantes matriculados e à 
legislação específica, para a realização das atividades presenciais, 
especialmente: I - salas de aula ou auditório; 
II - laboratório de informática; 
III - laboratórios específicos presenciais ou virtuais; 
IV - sala de tutoria; 
V - ambiente para apoio técnico-administrativo; 
VI - acervo físico ou digital de bibliografias básica e complementar; 
VII - recursos de Tecnologias de Informação e Comunicação -TIC; e 
VIII - organização dos conteúdos digitais. 
 
O marcante é que o conceito de EaD prevê a diminuição da distância entre 
o aluno e o professor pela via virtual (tanto em ações síncronas e assíncronas), 
mas deixa claro que existem atividades que exigem a presença do estudante em 
sala de aula para o desenvolvimento de atividades e avaliações do curso, ou 
seja, no Brasil nenhum curso em EaD é 100% virtual. 
 
 
22 
 
A presença dos tutores no polo presencial depende, então, da existência 
de uma sala de tutoria, que deve ser um lugar apropriado para a orientação e o 
treinamento desses professores para exercerem sua função de mediadores dos 
processos de ensino e aprendizagem da EaD. 
Conclusão 
Nessa aula, você tomou conhecimento da legislação em EaD, sobretudo 
da LDB de 1996, e das constantes alterações de redação na legislação brasileira 
no tocante à Educação a Distância, a qual regulamenta as instituiçõesde 
educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais na 
modalidade a distância. 
 
Atividades de Aprendizagem 
 
1. Imagine que você, estudante, é gestor de uma IES e, diante da 
crescente demanda por cursos a distância, resolve ofertar dois cursos 
presenciais de bacharelado na modalidade a distância (EaD). Redija um texto 
enumerando as etapas legais exigidas para a efetivação da oferta desses cursos. 
 
2. Descreva duas ou mais contribuições que considera relevantes para o 
novo panorama da EaD no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
Aula 4 – As Tecnologias de Informação e Comunicação 
 
 
Figura 4.1: Utilização das Novas Tecnologias 
Fonte: Jefferson Rudy/Agência Senado (2018) 
 
Olá estudante! Bem-vindo à nossa quarta aula da disciplina Fundamentos 
da Educação a Distância (EaD). Nela você verá os diferentes tipos de 
tecnologias de informação e comunicação - TIC (as “novas” tecnologias) e as 
ferramentas específicas de comunicação a distância adequadas à modalidade 
de ensino a distância. Vamos lá? 
 
 
 
24 
 
Em seguida, apresentaremos uma breve discussão sobre o que é 
tecnologia. 
O termo Tecnologia, que provém do grego tekhne  "técnica, arte, ofício" 
mais o sufixo logia "estudo", é fruto do esforço da ciência e da engenharia e 
envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que têm como objetivo 
a resolução de problemas nas mais diversas áreas de interesse humano. É uma 
aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas de observação. 
Na linha temporal clássica dos fatos históricos, o desenvolvimento de 
diferentes técnicas (mesmo que consideradas tecnologias primitivas ou 
clássicas) envolvem a descoberta, isto é, a heurística (do grego heuritiko, que 
significa descobrir), para se adquirir e se apropriar de algo novo e mais 
“moderno” em relação às anteriores. Em tecnologia, é natural que se abandone 
determinado tipo de dispositivo, com a justificativa de que existe algo novo 
disponível para substituí-lo. 
De modo simplista, dizemos que a invenção do fogo na alimentação 
substituiu o consumo de alimentos crus, a invenção da roda substituiu o uso de 
objetos cilíndricos para transporte e a escrita substituiu a pintura e a arte 
rupestre, entre outras. 
As tecnologias da era medieval apresentavam diversas invenções, tais 
como: a prensa móvel, as tecnologias militares armamentistas, com a criação de 
artefatos bélicos para o uso em guerras e confrontos de massa, ou as 
tecnologias das grandes navegações que permitiram a expansão marítima. 
 
 
Vocabulário 
Armamentista: relativo ao armamentismo, doutrina que 
defende o aumento da capacidade bélica de um país, como 
forma de evitar guerras. 
 
Artefato bélico: objeto, dispositivo ou equipamento 
manufaturado que lança projéteis. 
 
No entanto, a forma como se carrega, armazena e/ou compartilha 
informações (dados) vem mudando constantemente. Por exemplo, no século 
 
 
25 
 
passado, um arquivo de áudio (uma música gravada em estúdio) era 
armazenado e compartilhado em um meio físico (uma fita cassete) e distribuído 
nesse mesmo formato físico, sendo que a proteção contra a gravação era física 
(uma lingueta que seria quebrada para impedir a gravação). 
No entanto, a forma como se carrega, armazena e/ou compartilha 
informações (dados) vem mudando constantemente. Por exemplo, no século 
passado, um arquivo de áudio (uma música gravada em estúdio) era 
armazenado e compartilhado em um meio físico (uma fita cassete) e distribuído 
nesse mesmo formato físico, sendo que a proteção contra a gravação era física 
(uma lingueta que seria quebrada para impedir a gravação). 
Hoje, o formato de áudio é digitalizado e gravado em um computador 
pessoal (PC), sendo que a partir dessa conversão digital, do formato de fita para 
o formato compacto (por exemplo o MP3), se obtém o arquivo que pode ser 
compartilhado em redes virtuais de comunicação. 
O compartilhamento de músicas em formato digital, por si só, já provocaria 
uma discussão sobre direitos autorais e comercialização desse material, porém, 
deixaremos essa discussão de lado e vamos nos ater ao compartilhamento de 
informação, mais especificamente ao nosso produto da EaD que é o 
conhecimento disponibilizado na internet por meios virtuais. 
Se assumimos que a tecnologia (por vezes, substituída pelo neologismo 
“Novas Tecnologias”) existe para substituir, da melhor forma possível, o modo 
como se faz determinada rotina, então, a tecnologia é a solução dos problemas 
da Ciência. Isso é fato? Ou seria apenas uma parte dela? 
É muito perigoso (do ponto de vista da aceitação às cegas do 
determinismo científico) assumir que a tecnologia resolve todos os problemas 
que a ela são apresentados. 
 
 
Vocabulário 
Determinismo: é uma corrente de pensamento que defende 
a ideia de que as decisões e escolhas humanas não 
acontecem de acordo com um livre-arbítrio, mas sim por meio 
de relações de casualidade. 
 
 
 
26 
 
Se estamos aqui falando, principalmente, de Educação e modalidade de 
ensino, será que o acesso à internet de banda larga com fibra óptica (atualmente, 
a melhor opção de velocidade de conexão) resolve o problema de acesso à 
informação na EaD? Ou ainda: se a qualidade da conexão tende sempre a 
melhorar com o aumento da sua velocidade, a informação compartilhada nessa 
rede seria necessariamente melhor? 
Por ora, vamos nos ater a questões relativas a Ciência, Tecnologia e 
Sociedade (CTS) e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). 
Zarth et al. (1998, p. 35-36) destaca que a “tecnologia é o instrumento 
mais adequado para se impor uma dominação e controle sobre a natureza e 
sobre a sociedade” e que o progresso tecnológico, de certo modo, se constitui 
em estratégia do desenvolvimento capitalista, não necessariamente vinculada às 
necessidades básicas da população, tornando-se um “fator ideológico pelo fato 
de irradiar a ideia de que ele representa o caminho do bem-estar social para 
todos os segmentos sociais”. 
Os estudos de CTS têm vários representantes acadêmicos em 
universidades de grande porte no Brasil. O autor escolhido que mais se alinha 
às instruções dos grupos que estão alocados na EaD é o professor da UFSC, 
Walter Antônio Bazzo, que, desde 1998, nos alerta sobre a necessidade de 
refletirmos sobre a Educação em tempos de globalização e desenvolvimento 
tecnológico: 
Segundo Bazzo (1998, p. 12), para entendermos de tecnologia devemos: 
 
[...] caminhar na perspectiva de uma Mudança Cultural, onde o 
desenvolvimento científico-tecnológico venha imbricado ao 
desenvolvimento de toda a sociedade [...] se adote uma nova 
abordagem no ensino tecnológico, onde os alunos recebam não só 
conhecimentos e habilidades para o exercício de uma profissão, mas 
elementos que os leve a pensar, num processo coletivo, nos resultados 
e consequências sociais e ambientais das inovações científico-
tecnológicas. Esta abordagem requer uma restruturação das práticas 
didático-pedagógicas, através de uma nova postura epistemológica 
dos professores. Desse modo a educação estará contribuindo para a 
‘formação de profissionais com discernimento no trato da ciência e da 
tecnologia não apenas como instrumento de poder, mas sim de 
desenvolvimento humano. 
 
 
 
 
27 
 
Na concepção de Santos e Schnetzler (2010), um programa de ensino 
direcionado ao estudo de CTS está centrado em temas de relevância social, cuja 
abordagem procura explicitar as interfaces entre ciência, tecnologia e sociedade 
e, assim, desenvolver no aluno habilidades básicas voltadas para sua 
participação na sociedade.Assim sendo, o ensino na perspectiva da CTS possibilita o 
desenvolvimento da capacidade de os alunos aprenderem a adotar uma postura 
ativa diante dos problemas atuais, por meio da articulação do conhecimento que 
adquiriram nas aulas com as questões sociais, políticas e ambientais. 
A Ciência e a Tecnologia não são neutras, porém se apresentam como tal 
aos alunos, em especial na EaD que depende quase que integralmente de 
ferramentas de ensino fortemente direcionadas ao uso da tecnologia, em 
especial das Tecnologias de Informação e Comunicação. 
As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) delimitam um campo 
de pesquisa e um conjunto de recursos tecnológicos, usados em especial na 
Educação a Distância para facilitar e envolver o aluno nas atividades rotineiras 
relativas aos seus estudos, que estão presentes na formação de cursos de EaD 
em diferentes níveis e áreas do conhecimento. 
O Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é o local virtual onde o aluno 
da EaD tem acesso aos conteúdos de seu curso a distância. Nesse ambiente 
virtual, alunos e professores, bem como alunos e tutores podem “comunicar-se”, 
utilizando ferramentas advindas dos estudos das TIC, quais sejam: vídeos, 
chats, fóruns e rádio (mais especificamente, a radio web). 
É, portanto, nesse ambiente virtual que ocorre a interação com os colegas 
da sala virtual, assim como com o tutor. Atualmente, as plataformas mais 
utilizadas na Educação são: o Moodle, o Blackboard e o TelEduc. 
A vasta possibilidade de consulta online de livros, por meio das bibliotecas 
virtuais, é um recurso que também serve ao ensino presencial; podemos 
considerar que, nesse aspecto, a facilidade de acesso a matérias e atividades 
virtuais, tão próprias à EaD, está hoje muito presente nos cursos que, até então, 
só investiam na aquisição de livros impressos. 
 
 
28 
 
As IES que ofertam cursos na modalidade a distância têm como 
prerrogativa legal a disponibilização de referencial teórico relativo ao curso em 
seus ambientes virtuais, sendo que nas bibliotecas devem existir livros em 
formato digital que atendam tanto as referências básicas, quanto aquelas 
complementares ao curso. 
 Além dos livros, as revistas em formato digital estão adequadas à 
Educação a Distância em diferentes plataformas. 
A base de dados de artigos científicos “Scielo” (Scientific Electronic 
Library Online) é uma biblioteca eletrônica que abrange uma coleção 
selecionada de periódicos científicos brasileiros e pode ser consultada 
gratuitamente. 
Essa biblioteca está organizada de acordo com a relevância dos artigos e 
a área do conhecimento, permitindo que alunos e professores tenham acesso a 
artigos científicos de diferentes áreas, mediante um crivo cientifico e rigor 
acadêmico. 
Tais mecanismos têm a função de garantir que a fonte de consulta (artigo) 
tenha sido avaliada por especialistas da área, o que possibilita a disseminação 
do conhecimento produzido nas universidades brasileiras. 
Ambientes de escrita coletiva ou colaborativa (software colaborativo) 
também estão disponíveis nas Tecnologias de Informação e Comunicação; as 
chamadas páginas Wiki (Wikipedia, Scholarpedia, Wikibooks, wikiHow, entre 
outros Wikis) são softwares colaborativos que permitem a edição coletiva dos 
documentos, usando um sistema que não necessita que o conteúdo seja revisto 
antes da sua publicação, ou seja, nada do que está escrito é fechado e perene 
no tempo, pois qualquer usuário pode alterar as informações, bastando apenas 
que cite uma fonte da informação disponibilizada, e mesmo assim essa 
referência não é obrigatória. 
É notório o fato de que as TIC podem servir, e servem, para a 
disseminação do conhecimento e da informação de um modo geral, formando a 
sociedade do conhecimento. 
A ressignificação da expressão “sociedade da informação” para 
“sociedade do conhecimento” (knowledge society) surgiu no final da década de 
 
 
29 
 
1990. Atualmente, é utilizada nos meios acadêmicos como alternativa à 
“sociedade da informação”. 
A UNESCO adotou o termo “sociedade do conhecimento”, ou sua variante 
“sociedades do saber”, dentro de suas políticas institucionais, desvinculando-se 
da reflexão puramente acadêmica para incorporar também uma concepção mais 
integral, não ligada apenas à dimensão econômica. 
Abdul Waheed Khan (Subdiretor-geral da UNESCO para a Comunicação 
e Informação), escreveu: 
 
“A Sociedade da Informação é a pedra angular das sociedades do 
conhecimento. O conceito de ‘sociedade da informação’, a meu ver, 
está relacionado à ideia da ‘inovação tecnológica’, enquanto o conceito 
de “sociedades do conhecimento” inclui uma dimensão de 
transformação social, cultural, econômica, política e institucional, assim 
como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento. O 
conceito de ‘sociedades do conhecimento’ é preferível ao da 
‘sociedade da informação’ já que expressa melhor a complexidade e o 
dinamismo das mudanças que estão ocorrendo. [...] o conhecimento 
em questão não só é importante para o crescimento econômico, mas 
também para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade”. 
Fonte: <https://vecam.org/archives/article519.html>. Acesso em: 17 jul. 
2018. 
 
Em artigo publicado na base de dados “ Scielo”, em 2003, os autores 
Bessa, Nery e Terci atentam para o fato de que aqueles que detêm a informação 
e o conhecimento são agentes e responsáveis por uma teia de relações políticas 
e econômicas, sendo esses fatos essenciais ao desenvolvimento de uma Nação: 
 
“O debate sobre a difusão das novas tecnologias tem intensificado o 
debate relativo aos benefícios ou o acirramento das desigualdades 
sociais. Ao contrário de um otimismo generalizado sobre as ondas de 
crescimento provocadas pela nova economia, a apropriação desigual 
destas tecnologias tem se traduzido em um forte debate a respeito da 
assimetria entre aqueles que possuem e os que não possuem 
informação [...]”. 
Fonte: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
88392003000300002>. Acesso em: 17 jul. 2018. 
 
 
Nos ambientes virtuais de aprendizagem, os alunos utilizam fontes para a 
pesquisa, participam de discussões no fórum, editam páginas em modo 
colaborativo (wikis). Todas as ferramentas disponíveis permitem a circulação do 
conhecimento e a troca de informações. 
 
 
30 
 
E mesmo quando existe grande diferença em relação à formação cultural 
do cidadão, a interatividade (interação entre o sujeito e a máquina), presente nas 
perguntas e respostas naqueles ambientes, torna ainda mais enriquecedora a 
relação que se estabelece no processo de ensino e aprendizagem. 
De modo geral, é exatamente essa uma das diferenciações entre o 
modelo de educação presencial e o modelo de educação a distância, pois é 
nesse modelo de colaboração e ressignificação de saberes que se consolida o 
importante papel dos estudantes no próprio processo de aquisição do 
conhecimento. 
 
Atividades de Aprendizagem 
 
1. Elabore um quadro comparativo contendo as vantagens e desvantagens 
existentes no seu curso de Educação a Distância. 
 
2. Escolha um ambiente wiki e disponibilize informação sobre o papel da 
Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) na formação do cidadão. Inicie 
um parágrafo sobre o tema e permita que seus colegas interajam, 
contribuindo para uma nova escrita. 
 
 
 
31 
 
Referências 
BAZZO, Walter Antônio. Ciência, tecnologia e sociedade e o contexto da 
educação tecnológica. Florianópolis: Ed. da UFSC, 1998. 
 
BRASIL. Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Regulamenta o artigo 
80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e 
bases da educaçãonacional. Diário Oficial [da] República Federativa do 
Brasil. Brasília, DF, 20 dez. 2005. 
 
______. Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006. Dispõe sobre o exercício das 
funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação 
superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de 
ensino. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 10 
maio 2006. 
 
______. Decreto n. 6.303, de 12 de dezembro de 2007. Altera dispositivos do 
Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional, e do Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006, que 
dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de 
instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e 
sequenciais no sistema federal de ensino. Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil. Brasília, DF, 13 dez. 2007. 
 
______. Decreto n. 2.561, de 27 de abril de 1998. Altera a redação dos arts. 11 
e 12 do Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, que regulamenta o disposto 
no art. 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/D2561.pdf>. Acesso 
em: 24 nov. 2017. 
 
______. Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998. Regulamenta o Art. 80 da 
Lei de Diretrizes e Bases (Lei n. 9.394/96). Disponível em: 
<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/tvescola/leis/D2494.pdf>. Acesso 
em: 24 nov. 2017. 
 
______. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional. Disponível em: 
<http://www.camara.gov.br/sileg/integras/152182.pdf>. Acesso em: 24 nov. 
2017. 
 
______. Portaria n. 10, de 02 de julho de 2009. Fixa critérios para dispensa de 
avaliação in loco e dá outras providências. Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil. Brasília, DF, 3 jul. 2009. 
 
______. Portaria Normativa n.11, de 20 de junho de 2017. Estabelece normas 
para o credenciamento de instituições e a oferta de cursos superiores a distância, 
 
 
32 
 
em conformidade com o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017. Diário Oficial 
[da] República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 21 jun. 2017. 
 
GARCIA ARETIO, L. Educación a Distancia. Madrid/ES: UNED, 1994. 
 
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ZARTH, Paulo Afonso et. al. Os caminhos da exclusão social. Ijuí: Ed. da 
UNIJUÍ, 1998. 
 
 
 
 
33 
 
Professor-autor 
Roberto José Medeiros Junior 
 
Graduado em Matemática (Bacharelado e Licenciatura) pela Universidade 
Tuiuti do Paraná (2000), Tecnólogo em Gestão Pública pela UFPR/IFPR (2009), 
Especialista em Educação Matemática e Tecnologias pela Universidade Tuiuti 
do Paraná (2001, Especialista em Tutoria a Distância pela FACINTER (2008), 
Mestrado em Educação, na área de concentração Educação, Cultura e 
Tecnologia, linha de pesquisa Educação Matemática pela UFPR (2007), 
Doutorado em Psicologia Social pela Universidade Argentina John F. Kennedy 
(2017). 
Atuou como professor de Teoria e Prática de Ensino na Universidade 
Federal do Paraná (UFPR), de 2005 a 2007, foi professor do quadro próprio do 
Magistério no Estado do Paraná, de 2000 a 2008, foi professor de diversos 
colégios particulares de Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante no 
Estado do Paraná. Atualmente leciona disciplinas de Matemática Aplicada e 
Tecnologias Educacionais para os cursos presenciais e a distância do Instituto 
Federal do Paraná (IFPR).

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