A liberdade religiosa Artigo Araújo
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A liberdade religiosa Artigo Araújo

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1 Graduando do Curso de Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Centro

de Ensino Superior do Seridó/CERES, Campi de Caicó/RN. E-mail: pauloanderson2011@gmail.com

2 Doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Mestre em Ciências Jurídicas

pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Professor Assistente da Universidade Federal do Rio

grande do Norte (UFRN). Autor do livro “Mercosul e Estado de Direito”. E-mail:
orionemedeiros@uol.com.br

A LIBERDADE RELIGIOSA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 E ALGUNS ASPECTOS

POLÊMICOS

Autor: Paulo Anderson Moreira de Araujo¹

Orientador: Prof. Dr. Orione Dantas de Medeiros²

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Evolução da Liberdade Religiosa no Brasil. 2.1 A Constituição

do Brasil de 1824. 2.2 A Constituição do Brasil de 1891. 2.3 A Constituição do Brasil de

1934. 2.4 A Constituição do Brasil de 1937. 2.5 A Constituição do Brasil de 1946. 2.6 A

Constituição do Brasil de 1967/69. 2.7 A Constituição do Brasil de 1988. 3. Amplitude da

liberdade de Religião na Constituição Federal de 1988. 3.1 A Liberdade Religiosa e o Direito

ao Ateísmo. 3.2 O Sistema Tributário e a Liberdade Religiosa. 3.3 O Preâmbulo da

Constituição Federal de 1988. 3.4 A Escusa de Consciência por Motivos Religiosos. 3.5 Pode

haver cooperação entre o Estado e a Igreja havendo colaboração de interesse público. 3.6 A

Assistência Religiosa nos Estabelecimentos de Internação Coletiva. 4. Aspectos Polêmicos

referente à Liberdade Religiosa. 4.1 A expressão Deus seja louvado nas notas de Real. 4.2 O

Sacrifício de Animais nos Rituais Religiosos. 4.3 O Curandeirismo e as Cirurgias Espirituais.

4.4 O não recebimento de sangue por Testemunhas de Jeová. 4.5 O uso de Símbolos

Religiosos em Locais Públicos. 4.6 Os Feriados Religiosos. 4.7 O Ensino Religioso nas

Escolas Públicas. 4.8 Proselitismo Religioso. 5. Considerações Finais. Referências

Bibliográficas.

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Catalogação da Publicação na Fonte Universidade Federal
do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas -

SISBI

Araujo, Paulo Anderson Moreira de.

A liberdade religiosa na constituição de 1988 e alguns aspectos

polêmicos / Paulo Anderson Moreira de Araujo. - Caicó: UFRN, 2015.

35f.

Orientador: Dr. Orione Dantas de Medeiros.

Trabalho de Conclusão de Curso - Bacharelado em Direito -

Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

1. Aspectos Polêmicos - Brasil. 2. Constituição Federal. 3.

Liberdade Religiosa. 4. Religião. I. Medeiros, Orione Dantas de.

II. Título.

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RESUMO: O presente trabalho científico tem a intenção de abordar a análise da liberdade

religiosa na Constituição Federal de 1988 e alguns aspectos polêmicos referente a este

assunto, tendo como base os ensinamentos dos principais doutrinadores desse tema e da

jurisprudência. Além do mais, apresenta uma visão geral acerca da amplitude e dos aspectos

 da liberdade religiosa, demonstrando a sua importância para o desenvolvimento desse

assunto. Por fim, apresenta várias polêmicas acerca desse tema.

Palavras-chave: Liberdade Religiosa; Religião; Constituição Federal; Aspectos Polêmicos;

Brasil.

ABSTRACT: This scientific work has the intent to approach the analysis of religious

freedom in the federal constitution of 1988 and some controversial aspects concerning this

affair, based on the teachings of the leading scholars of this issue and case law. Besides, it

presents an overview about the breadth and aspects of religious freedom, demonstrating their

contribution to the development of this subject. Finally, it presents several controversies about

this theme.

Keywords: Religious Freedom; Religion; Federal Constitution; Controversial Aspects;

Brazil.

1. Introdução

Desde os tempos antigos, percebemos que as crenças religiosas ou as religiões

estão presentes na vida das pessoas, conforme observamos através da arqueologia. Porém,

cumpre destacar que durante boa parte da história, a liberdade religiosa não era garantida para

a sociedade, pois ela só foi alcançada recentemente. Aliás, há ainda hoje vários países em

todo o mundo, que não concedem liberdade religiosa para as pessoas.

No caso do Brasil, pode-se afirmar que a constituição de 88, concede para as

pessoas liberdade religiosa, diferentemente da constituição de 1824, que previa que a religião

oficial do Brasil seria a Católica Apostólica Romana.

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É importante ressaltar que, muito embora a liberdade religiosa seja um tema que

aparente ser simples, ela é um assunto muito complexo e amplo, de tal forma que apresenta

inúmeros aspectos e vários pontos polêmicos, difíceis de serem solucionados.

Iniciaremos o presente trabalho fazendo um esboço histórico acerca da liberdade

religiosa nas constituições brasileiras, demonstrando como ocorreu o seu processo de

evolução no Brasil, até a Constituição Federal de 88.

Logo após, trataremos da amplitude da liberdade religiosa, ou seja, da liberdade

de crença, da liberdade de culto e da liberdade de organização religiosa. Discorremos

também, sobre alguns aspectos da liberdade religiosa, como a liberdade religiosa e o direito

ao ateísmo, o sistema tributário e a liberdade religiosa, o preâmbulo da constituição de 88, a

escusa de consciência por motivos religiosos, a assistência religiosa nos estabelecimentos de

internação coletiva e se é possível haver cooperação entre Estado e Igreja.

Abordaremos ainda, alguns aspectos polêmicos referentes a liberdade religiosa,

como a expressão “Deus seja louvado” nas notas de real, o sacrifício de animais nos rituais

religiosos, o curandeirismo e as cirurgias espirituais, o não recebimento de sangue por

Testemunhas de Jeová, o uso de símbolos religiosos em locais públicos, os feriados religiosos,

o ensino religioso nas escolas públicas e o proselitismo religioso.

2. Evolução da Liberdade Religiosa no Brasil

Inicialmente, é importante destacar que durante o período colonial (1500-1822), a

liberdade religiosa que atualmente desfrutamos no Brasil não era concedida para as pessoas

aqui residentes, pois durante esse período a religião Católica Apostólica Romana era

considerada como a religião oficial nas terras brasileiras. Além do mais, durante esse período,

inúmeras foram as perseguições religiosas vivenciadas pelos colonos que não professassem

esta religião.

Cláudio Araújo da Silva, no seu artigo “O Direito Fundamental e a Liberdade

Religiosa: garantias e limitações ao livre exercício dos cultos religiosos no Brasil”, ressalta

que:

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No mês de Janeiro de 1808 com a chegada da família real ao Brasil, antes

mesmo da primeira carta constitucional (1824), foi decretado pelo Príncipe

Regente João a abertura dos portos às nações amigas e em Novembro do

mesmo ano, um novo decreto concedeu amplos privilégios a imigrantes de

qualquer nacionalidade ou religião. Em 1810 foi assinado entre Portugal e

Inglaterra tratados de Aliança e Amizade de Comércio e Navegação [1].

Dessa forma, houve a chegada de inúmeros estrangeiros nas terras brasileiras,

devido a tais decretos e tratados. Como consequência, houve a necessidade de se conceder

Liberdade Religiosa a estas pessoas e as demais que já moravam no Brasil.

2.1 A Constituição do Brasil de 1824

Primeiramente, constata-se que a constituição do Brasil de 1824 foi outorgada em

nome da Santíssima Trindade [2].

Esta constituição em seu texto oficializou a religião Católica Apostólica Romana

como a religião oficial