Psicologia da gravidez
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Psicologia da gravidez

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A grande transformação

Julia T. Costa de Albuquerque
Vitória Fiorini
Geórgia Bueno
Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Goiânia, 2018

 A grande transformação
Julia T. Costa de Albuquerque
 Vitória Fiorini
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
	
Na gravidez ocorrem transformações biológicas, físicas, psicológicas e sociais que influenciam o modo como a gestante passa a ver o mundo que a cerca e a ver se u próprio eu, refletindo e m todo o processo da maternidade e na relação mãe - filho. É um dos momentos mais importantes da vida da mulher, já que esta passa a reconstruir toda sua vida e os papeis que ela exerce na sociedade. A perspectiva da psicologia que trabalha com o desenvolvimento humano trás que no ciclo vital da mulher, há três períodos de transição que constituem verdadeiras fases do desenvolvimento da personalidade, entre elas está: a adolescência, a gravidez, e o climatério. Esses três períodos são importantes no desenvolvimento por se rem marcados por crises de equilíbrio e por transições biológicas como mudanças metabólicas, alterações no f ísico do corpo e alterações hormonais e todos esses períodos e nvolvem necessidade d e novas ad aptações, reajustamentos interpessoais e intrapsíquicos. (Malddonado,1979).
A experiencia de ter um filho sinaliza extrema importância na vida de uma mulher, momento esse que rerquer, sobre tudo, uma reorganização psiqauica frente a essa complexa realidade de ser mae. Maldonado (1988) ressalta que a gravidez é uma transição que faz parte do processo de desenvolvimento e envolve a necessidade de reestruturação em várias dimensões; uma delas é a mudança de identidade e a nova definição de papéis. A transição para a maternidade é, assim, um dos mais importantes acontecimentos de vida em termos desenvolvimentais (Mercer, 2004), já que a maternidade é um processo a longo prazo que ultrapassa a gravidez, onde ser mãe também “é uma acomodação contínua entre expectativas e realidades” (Colman & Colman, 1994, p.178). Assume-se que a maternidade seja um projecto de longo prazo (mínimo 18 anos), distanciando-se desta forma do acontecimento biológico que é a gravidez. ( Carvalho & Loureiro & Simões, 2006). Sendo assim podemos identificar o nascimento de um filho, principapelmente o primeiro como uma situação que funciona como agente de mudança ativo na vida de todos os membros da família principalmente o da mae.
 A gravidez é considerada um momento de crise, mas crise no sentido de mudança e transformação, no sentido de metamorfose. O que caracteriza a gravidez como transição é o fato de representar uma possibilidade de atingir a outros níveis de integração amadurecimento eexpenção da personalidade. Evidentemente, situar a gravidez como crise ou transição não quer dizer que o perido de transição acabe com o parto, sendo que a grande parte das mudanças ocorrem após o parto e, por tanto o purperio seja considerado como a continuação da situação de transformação, pois implica em novas mudanças psicológicas e fisiológicas em relação pais-filho. ( Maldonado,1979).
Durante a gestação a mulher elabora um conjunto de expetativas relativas ao momento do parto. Estas expetativas têm sido influenciadas pela perceção de que o parto resume-se a uma intervenção médica, à qual está associada maior segurança tanto para mulher como para o bebé (Inhorn & Kitzinger, 2006 citado por Pereira & Leal, p. 261, 2015). O parto é um processo bastante intenso vivenciado pela mulher de acordo com a sua singularidade. Dessa forma, é importante compartilhar esse momento com alguém de confiança que possa proporcionar uma vivência mais segura à puérpera. Por sua vez, o modo como a grávida antecipa o parto, determina muitas dimensões importantes do seu bem-estar e comportamento em relação a esta experiência, nomeadamente os seus medos e receios, assim como o tipo de preparação que irá realizar, o local que irá escolher, o recurso ou não a métodos e técnicas de controlo da dor, as pessoas que irá ou não desejar ter presentes, entre outros aspectos. Dado que muito do comportamento da mulher durante o parto é determinado pelo modo como previamente concebe esta experiência, importa saber e perceber melhor a forma como a grávida antecipa o parto, nomeadamente para a ajudar a preparar-se e a participar mais adequadamente no parto. ( Figueredo & Pacheco & Costa & Pais, 2006).
O trabalho em questão traz uma visão das nuances de uma gestação com o relato de uma mulher de 21 anos gravida de 35 semans, abordando melhor a compreensão das questões intrigantes em relação a suas experiencias e sentimentos durante duas gestações.

Método
Participante
Participante do sexo feminino (A.K), 21 anos, casada, mora no estado de Goiás, do lar e mãe. Está gestante de 35 semanas, de seu segundo filho, sendo o priemiro homem e a segunda mulher.

Ambiente/Materiais
A entrevista em questão foi desenvolvida na sala da casa da participante, onde estavam presentes apenas ela as entrevistadoras e seu filho de 10 meses. No local tinha dois sofás, um de dois e outro de três lugares, uma televisão que estava desligada no momento, ar condicionado ligado, um tapete no centro da sala, almofadas, a porta estava fechada, uma sala de mais ou menos 3,15 mts x 4,90 mts. A participante estava sentada de frente para uma das entrevistadoras e as demais estavam nos outros sofás.
Foi utilizado uma entrevista semi- estruturada que foi feita pelas discente a entrevista se encontra no Anexo 1.
Os demais materiais utilizados foram: canetas, lápis, folha de papel A4, impressora, computador, prancheta para apoiar a entrevista.

Procedimento
O presente estudo foi desenvolvido em etapas:
1º etapa: Foi estabelecido um primeiro contato a partir de uma ligação, a participante foi indicada por uma conhecida de uma das integrantes da dupla. Ocorreu o contanto via telefone no dia 28/05 aproximadamente as 14;30 da tarde, foi dito a participante que a mesma estava sendo solicitada para participar de um entrevista feita por estudantes de psicologia que tinham como objetivo uma maior compreensão de como foi e esta sendo passar por uma gravidez e que sua participação era de grande valia, combinamos data, local e horário para ser realizada a entrevista.
 2º etapa: A entrevista foi realizada dia 04/06/2018 às 13h50min ate 15h20min na casa da participante, teve duração media de 1 hora e 30 minutos, foi desenvolvida em apenas um encontro. Uma acadêmica ficou responsável pelas perguntas e a outra pelas anotações, não ouve revezamento já que a participante teve mais abertura com uma das acadêmicas.

	

Resultados e Discussão
 A grávida entrevistada estava de 35 semanas, e essa é a sua segunda gravidez. Há 11 meses ela deu luz ao primeiro filho, C. Ela relata que na primeira gravidez a escolha do parto cesárea foi devido a dores que vinha sentindo. Inclusive nos conta que a bolsa não estourou, e não sentiu contração. Mas sentia muita dor nas costas. E optou dessa forma. Na gravidez atual, a sua escolha de parto decorre da situação de que faz menos de um ano que teve a gravidez anterior. Onde a forma mais segura para ela seria a cesárea. Relatou sentir-se receosa quanto a recuperação do parto, sobre a questão da cicatrização, ir ao banheiro, que vai precisar de ajuda e etc.
O parto é um processo, e é caracterizado por mudanças rápidas (Chiattone, 2006). A mulher geralmente o teme como algo desconhecido, doloroso e como momento inaugural de concretude da relação mãe-filho; teme também o papel de mãe por este ser mitificado e conter a exigência de a mãe ser um modelo de perfeição, a máscara da maternidade envolvida nesse momento. Com todas essas exigências, a gestante chega ao parto, muitas vezes, sem refletir sobre seus desejos, suas possibilidades e suas limitações (Pamplona, 1990). Muitas gestantes por falta de renda não possuem