Prévia do material em texto
APOSTILA DE APOIO METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO São Paulo 2016 2 Capítulo 1 – Determinação do tema, sua delimitação e problema da pesquisa Como primeira etapa de um trabalho de pesquisa, deve-se escolher o assunto (tema) sobre o qual versará o trabalho. Em Gestão de Departamento Pessoal encontra-se inúmeras possibilidades de temas que podem ser pesquisados. Cada área da Gestão de Departamento Pessoal pode ser um tema de pesquisa. São exemplos de temas: a) Justiça do trabalho; b) Previdência Social; c) Reformas das Leis Trabalhistas; d) Encargos Sociais. A partir do momento que o tema foi definido faz-se necessário delimitá-lo. Severino (1998, p.74) diz que cabe ao pesquisador delimitar, com precisão o tema escolhido, distinguindo-o de temas afins, determinando o domínio sobre o qual irá se pesquisar. Uma coisa é escrever sobre “liberdade” (tema), outra sobre “liberdade psicológica”, ou sobre “liberdade política” (temas já delimitados). Na visão de Medeiros (2003) a delimitação do tema deve levar em consideração a extensão da pesquisa. O autor recomenda que, para que o assunto não seja excessivamente abrangente, deve-se determinar circunstâncias especificadoras como tempo e espaço, bem como a definição dos termos e conceitos. Quanto mais delimitado for um tema, melhor enfoque terá a pesquisa. A seguir, alguns exemplos de delimitações de temas para pesquisa: Tema 1 – Administração de recursos humanos Delimitação – A implantação de um plano de carreira em empresas manufatureiras localizadas na capital de São Paulo. Tema 2 – Administração de informações Delimitação – A utilização de um sistema integrado de gestão (ERP) em empresas metalúrgicas. Tema 3 – Administração social Delimitação – As influências decorrentes na gestão empresarial, motivadas pelas práticas de responsabilidade social, na empresa X. Após a definição do tema e sua delimitação, o próximo passo é definir o “problema da pesquisa” Koche (2002, p.106) expressa que “Um problema de investigação delimitado expressa a possível relação que possa haver entre, no mínimo, duas variáveis conhecidas”. O autor aconselha que o problema deve ser expresso por uma “pergunta inteligente” que indicará os caminhos a serem seguidos pelo investigador. Severino (1998, p. 75) afirma que antes da realização do trabalho, é necessário se ter idéia clara do problema a ser resolvido, da dúvida a ser superada. “O raciocínio não se desencadeia quando não se estabelece devidamente um problema”. 3 Retomando os exemplos anteriores, pode-se exemplificar possíveis problemas de pesquisa: Tema 1 – Administração de recursos humanos Delimitação – A implantação de um plano de carreira em empresas manufatureiras localizadas na capital de São Paulo. Problema de Pesquisa – A implantação de um plano de carreira melhora a satisfação dos empregados ? Tema 2 – Administração das Informações Delimitação – A utilização de um sistema integrado de gestão (ERP) em empresas metalúrgicas Problema de Pesquisa – Que conseqüências na lucratividade ocasionou a utilização de um sistema de gestão ERP ? Tema 3 – Administração social Delimitação – As influências decorrentes na gestão empresarial, motivadas pelas práticas de responsabilidade social, na empresa X. Problema da Pesquisa – Ocorreram modificações nos estilos de liderança após a implementação das práticas de responsabilidade social ? PLANO DE CARREIRA SATISFAÇÃO DOS EMPREGADOS VARIÁVEL CONHECIDA VARIÁVEL CONHECIDA QUAL A RELAÇÃO ? VARIÁVEL CONHECIDA SISTEMA DE GESTÃO LUCRATIVIDADE DA EMPRESA VARIÁVEL CONHECIDA QUAL A RELAÇÃO ? 4 Severino (1998, p. 75) lembra que a definição precisa do problema desencadeia a formulação da hipótese geral da pesquisa. Como último tópico deste capítulo resta definir os tipos de pesquisa, utilizando as definições de Koche (2002, p. 122–126). Os tipos mais comuns de pesquisa são: a) Pesquisa bibliográfica: desenvolve-se tentando explicar um problema, utilizando o conhecimento disponível em livros ou obras congêneres. O investigador, a partir do levantamento do conhecimento disponível, deve analisar este conhecimento e avaliar sua contribuição no auxílio da compreensão ou explicação do problema; b) Pesquisa experimental: o investigador analisa o problema, constrói suas hipóteses e trabalha manipulando os possíveis fatores, as variáveis, avaliando como se dá as relações. Nesse tipo de pesquisa, a manipulação na quantidade e qualidade das variáveis proporciona o estudo da relação entre causas e efeitos de um determinado fenômeno, podendo o investigador controlar e avaliar os resultados dessas relações. Podemos exemplificar com uma pesquisa experimental na agricultura. Imaginemos que se queira identificar o tio de semente de trigo que tem maior produtividade para ser cultivado em uma determinada região. O investigador determina as principais variáveis que podem ser trabalhadas tais como: o tipo de solo, a qualidade e quantidade do adubo, os tipos de fungicidas, temperatura, clima, umidade do solo e época de plantio. A pesquisa pode ser feita planejando-se a manipulação de uma ou de diversas variáveis. Pode-se, por exemplo, manter constantes todas as demais variáveis e manipular somente a variável “tipo de semente”. c) Pesquisa descritiva: estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um dado fenômeno sem manipulá-las. A pesquisa experimental cria e produz uma situação em condições específicas. A pesquisa descritiva constata e avalia essas relações à medida que essas variáveis se manifestam espontaneamente em fatos, situações e nas condições já existentes. Não há manipulação antes das variáveis. É feita a constatação de sua manifestação, posterior. Considerando o mesmo objetivo da pesquisa anterior, o pesquisador deveria trabalhar com uma amostra de agricultores que cultivam trigo e far-se-iam os registros pertinentes ao tipo e quantidade de semente cultivada, tipo de solo, irrigação utilizada, quantidade e qualidade da adubação, época de plantio, além de outras variáveis influentes. Através de testes estatísticos se faria a análise e avaliação da relação entre semente e produtividade. d) Pesquisa exploratória: a pesquisa experimental e descritiva pressupõem que o investigador tenha um conhecimento a respeito dos fenômenos que está se estudando. Existem casos, porém, que ainda não se possui um sistema de teorias e conhecimentos desenvolvidos. Nesses casos é necessário desencadear um processo de investigação que identifique as causas do fenômeno e as características essenciais das variáveis. Assim, na pesquisa exploratória não trabalhamos com a relação entre as variáveis, mas sim, com a descoberta da presença das variáveis e sua caracterização quantitativa ou qualitativa. Podemos considerar o exame ENEM como uma pesquisa exploratória, pois seu resultado fundamenta no que um aluno deveria ter de conhecimento e habilidades desenvolvidos ao concluir o 2º grau. O objetivo fundamental de uma pesquisa exploratória é o de descrever ou caracterizar a natureza das variáveis que se quer conhecer. Com relação aos três exemplos de pesquisas até agora desenvolvidos, todos eles se referem a uma pesquisa descritiva. PRÁTICAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL ESTILOS DE LIDERANÇA VARIÁVEL CONHECIDA VARIÁVEL CONHECIDA QUAL A RELAÇÃO ? 5 Capítulo 2 – Projeto de Pesquisa A segunda etapa do nosso trabalho é a realização do “Projeto de Pesquisa”. Os quatro primeiros tópicos do projeto de pesquisa já foram discutidos no Capítulo 1. São eles: Tema; Delimitação do tema; Problemada pesquisa; Tipo da pesquisa. Os itens adicionais do projeto são: Objetivo geral da pesquisa; Hipóteses; Objetivos específicos da Pesquisa; Explicitação do quadro teórico; Procedimentos metodológicos e técnicos; Cronograma de desenvolvimento, e Referências bibliográficas básicas. A seguir, as principais características de cada um destes tópicos. O objetivo geral da pesquisa deve estar associado ao problema da pesquisa, citando as variáveis que compõem o problema, dentro da delimitação definida para o estudo. Nos exemplos apresentados no capítulo 1, temos: Tema 1 – Objetivo Geral “Analisar as conseqüências de implantação de um plano de carreira sob o ponto de vista da satisfação dos empregados em empresas manufatureiras da cidade de São Paulo” Tema 2 – Objetivo Geral “Verificar o quanto a implantação de um sistema de gestão empresarial interfere na lucratividade de empresas metalúrgicas” Tema 3 – Objetivo Geral “Avaliar as possíveis mudanças nos estilos de liderança ocasionadas pelas práticas de responsabilidade social, dentro da empresa X” Koche (2002, p. 108-109) afirma que a hipótese é a solução provisória proposta como sugestão no processo de investigação. O principal objetivo da investigação científica é saber se a sugestão apresentada como hipótese será ou não confirmada. 6 Devemos atentar ao fato de que, mesmo não se confirmando as hipóteses, não se perde o caráter científico da pesquisa, tendo-se sucesso na mesma. Na redação das hipóteses deve aparecer termos de relação que unem as variáveis. Assim, pode-se utilizar, como exemplo, as seguintes expressões: é diretamente proporcional; está inversamente relacionado; produz; se.......então......;resulta; há relação significativa, e outras. Nos nossos exemplos, algumas possíveis hipóteses: Tema 1 : Hipóteses (possíveis) Opção 1: “A implantação do plano de carreira melhora significativamente a satisfação dos empregados”, ou Opção 2: “A implantação do plano de carreira em nada modifica a satisfação dos empregados”. Tema 2: Hipótese “A utilização adequada de um sistema integrado de gestão pode aumentar a lucratividade empresarial entre 2 a 5%” Tema 3: Hipótese “A prática de ações voltadas à responsabilidade social produz mudanças significativas nos estilos de liderança praticados na empresa” Os objetivos específicos da pesquisa expressam os sub-objetivos ou objetivos particulares de cada parte ou variável componente do problema da pesquisa. Podem ser considerados como um detalhamento do objetivo geral, de tal forma que “se forem atingidos”, também se atingirá o objetivo geral. Uma dica importante para utilizar no planejamento da edição do trabalho de pesquisa é utilizar cada objetivo específico como um capítulo. Exemplificando possíveis objetivos específicos para o tema 1 da nossa relação de temas- exemplo. Tema 1 – Objetivos Específicos 1. Conceituar, caracterizar e tipificar planos de carreira empresariais; 2. Avaliar as vantagens e desvantagens na utilização de um plano de carreira; 3. Conceituar e caracterizar a questão do nível de satisfação dos empregados; 4. Avaliar os trabalhos que relacionam plano de carreira com o nível de satisfação dos empregados e seus resultados. 5. Efetuar estudo de caso em quatro empresas manufatureiras da cidade de SP, de produtos e porte semelhantes, duas que possuem plano de carreira implantado, e duas que não possuem. Observe que os objetivos específicos sugerem os capítulos para a edição do trabalho de pesquisa: Capítulo 1 – Planos de Carreira : Conceituação Capítulo 2 - Planos de Carreira : Aspectos sobre sua utilização Capítulo 3 – Nível de satisfação dos empregados Capítulo 4 – Relações entre planos de carreira e nível de satisfação dos empregados 7 Capítulo 5 – Pesquisa de Campo Severino (1998, p.129), quanto a explicitação do quadro teórico, observa que ele “constitui o universo de princípios, categorias e conceitos, formando sistematicamente um conjunto logicamente coerente, dentro do qual o trabalho do pesquisador se fundamenta e se desenvolve”. Cita também que o quadro teórico serve antes como diretriz e orientação de caminhos de reflexão. Quanto ao nosso exemplo de projeto de pesquisa (tema 1), a explicitação do quadro teórico poderia conter, após pesquisa prévia em alguns elementos da bibliografia,: a) as definições de plano de carreira, o que são, quais seus objetivos, tipos e características,e b) as definições relativas a nível de satisfação dos empregados. Não se trata do desenvolvimento final dos capítulos teóricos, porém, visa definir os princípios básicos das variáveis utilizadas no problema da pesquisa. O projeto de pesquisa deve apresentar também os procedimentos metodológicos e técnicos com os quais a pesquisa será realizada. Cada tipo de pesquisa terá seu procedimento metodológico específico. As pesquisas poderão combinar mais de uma forma, como por exemplo uma pesquisa bibliográfica-descritiva ou uma pesquisa bibliográfica-experimental. No caso do tema 1 no nosso exemplo, temos uma pesquisa bibliográfica-descritiva e os procedimentos metodológicos e técnicos seriam: a) pesquisa bibliográfica em livros, teses e artigos relacionados a planos de carreira e satisfação dos empregados; b) desenvolvimento de um formulário de pesquisa relacionando a aplicação de planos de carreira e o nível de satisfação dos empregados. c) estudo de caso em pelo menos 4 empresas manufatureiras da cidade de São Paulo, duas que possuem e duas que não possuem um plano de carreira implantado. O projeto de pesquisa deve também incluir um planejamento temporal de realização da pesquisa, apresentando um cronograma de desenvolvimento. Um gráfico de Gantt é aconselhável para a edição do cronograma. Voltando ao nosso exemplo, o cronograma de pesquisa do tema 1 poderia ser: Fases da Pesquisa Escala temporal – Meses ou Semanas 1 Desenvolver Projeto de Pesquisa 2 Aprovação do Projeto de Pesquisa 3 Pesquisa Bibliográfica 4 Desenvolver Instrumentos Coleta de Dados 5 Pesquisa de Campo 6 Análise da Pesquisa de Campo 7 Edição da Monografia 8 Entrega da Monografia 9 Apresentação à Banca 8 Por último, o projeto de pesquisa deve apresentar uma relação de fontes bibliográficas que já foram, ou estão sendo, ou serão consultadas no desenvolvimento da pesquisa bibliográfica e de campo. Neste momento, a relação ainda é parcial, podendo posteriormente, durante a realização da pesquisa, ser complementada com novas fontes Capítulo 3 – Fichamento ( ou Documentação ) dos Elementos da Pesquisa Segundo Severino (1996) a documentação deve ser feita seguindo um plano sistemático onde se encontra os temas e/ou subtemas da área ou do trabalho em questão. Assim, aconselha-se a realizar a documentação após a confecção do “Projeto de Pesquisa”, no qual, o tópico “Objetivos Específicos” irá apresentar os temas e subtemas sugeridos por Severino. A documentação é composta, segundo Severino (1996) por três partes: documentação temática; documentação bibliográfica, e documentação geral. 3.1 – Documentação Temática A documentação temática forma um conjunto geral de fichas ( fichas cartão ou folhas sulfite ou páginas armazenadas em um computador ), encabeçadas pelos temas ou sub-temas ( na nossa visão, os tópicos dos Objetivos Específicos do Projeto de Pesquisa ). Os elementos a serem registrados nas fichas de documentação temática não são obtidos apenas nas leituras particulares, mas também de aulas, conferências e seminários. Deve-se registrar nas fichas, todos os elementos como textos, explicações, definições importantes sobre o tema ou tópico referente. Deve-se anotar também, as idéias e os comentáriosparticulares do pesquisador. Quando se transcreve na ficha uma citação literal, deve-se utilizar aspas, conforme aconselha Severino (1996, pg. 38) 3.2 – Documentação Bibliográfica A documentação temática se completa com a documentação bibliográfica. O fichário de documentação bibliográfica constitui um acervo de informações sobre livros, artigos e demais trabalhos que foram pesquisados sobre determinado assunto. Deve-se documentar a bibliografia de todos os meios de pesquisa utilizados na confecção da documentação temática. Cada tipo de fonte de informação utilizada na documentação temática poderá ser documentada conforme indicações no quadro a seguir, adaptado de Portela (2005, p. 15- 28) 9 Liv ros em ge ral Liv ros em ge ral em m eio ele trô nic o Liv ros co m ca pít ulo s d e div ers os au tor es Fa sc ícu lo de re vis ta, no tod o Ar tig o d e r ev ist a Ar tig o de r ev ist a se m au tor ia co nh ec ida Ar tig o de r ev ist a em me io ele trô nic o Fa sc ícu lo de jo rna l, no tod o Ar tig o de j orn al co m au tor ia co nh ec ida Ar tig o de j orn al se m au tor ia co nh ec ida Ar tig o d e j orn al em m eio ele trô nic o Te se s, dis se rta çõ es e ou tro s t rab alh os ac ad . Te se s, dis se rta çõ es e m me io ele trô nic o Autor X(1) X(1) X(1) X(1) X(1) Título do Livro X X X Edição X X X Local da Edição X X X X X X X X X Editora X X X X X Ano de Publicação X X X X Site X X X X Data de Acesso X X X X Autor coordenador ou organizador X Ide m ao an ter ior , a cre sce nta nd o Ide m ao an ter ior , a cre sce nta nd o Ide m ao an ter ior , a cre sce nta nd o Autor do capítulo X(1) Título do capítulo X Número do capítulo X Nome da Revista X X X Ano / Volume X X X X Número X X X X Data da Publicação X X X X X X Total de Páginas X X Nome do Artigo X X X X Números das Páginas X X X X Nome do Jornal X X X Caderno do Jornal X X Nome do Trabalho X Referência do Trabalho X(2) Nome do Instituto de Ensino X Local do Instituto de Ensino X (1) – Registrar todos os autores (2) – Especificar o tipo de trabalho: tese de doutorado, dissertação de mestrado, conclusão pós- graduação ou trabalho de conclusão de curso 10 3.3 – Documentação Geral Severino (1996) classifica como documentação geral a guarda de documentos úteis retirados de fontes perecíveis, ou seja, recortes de jornais, xerox de livros ou revistas, apostilas, gráficos e tabelas. 3.4 – Sugestão para a Documentação Tendo-se um tema a ser pesquisado ( ou um tópico dos objetivos específicos do Projeto de Pesquisa ), pode-se organizar a documentação da seguinte forma: a) Documentação Temática a1) – anotar uma identificação da fonte a2) – indicar a página a3) – criar ou transcrever as informações documentais. Se for cópia, utilize aspas como indicativo. Nos demais casos, utilize a técnica de “paráfrases” (citações indiretas). Exemplo: Tópico: Trabalhos científicos Livro: Fundamentos de Metodologia Pág. 137 : “ A finalidade de um relatório de pesquisa é a de comunicar os processos desenvolvidos e os resultados obtidos em uma investigação, dirigido a um leitor ou público-alvo”. Pág. 138 : Trabalhos escolares como resumos, resenhas e artigos não podem ser considerados como trabalhos científicos. b) Documentação Bibliográfica Utilize a tabela exposta no tópico 3.2 No caso do exemplo anterior: Autor: Jose Carlos Koche Livro: Fundamentos de metodologia científica. Teoria da ciência e iniciação à pesquisa. Edição: 20ª Editora: Vozes Ano Publicação: 1997 Local: Petrópolis, RJ c) Documentação Geral c.1) Escolha um local adequado para guardar a documentação, como uma pasta, por exemplo; c.2) Identifique como o tema ou com o tópico em pesquisa; c.3) Arquive os materiais. 11 Capítulo 4 – Elementos da Composição da Redação (Citações, Paráfrases e Notas de Rodapés) O objetivo principal deste capítulo é apresentar três importantes conceitos e elementos que são utilizados na redação científica. São eles: as citações, as paráfrases e as notas de rodapé. 4.1 - Citações Severino (1998, p. 89) define citações como elementos retirados dos livros e dos demais documentos pesquisados durante a sua leitura, que se revelam úteis para corroborar as idéias do autor ou pesquisador no decorrer do seu raciocínio. As citações são transcritas a partir das fichas de documentação (explicadas no capítulo 3), podendo ser transcrições literais ou então apenas alguma síntese do trecho que se deseja citar. As citações podem ser “diretas” ou “indiretas”. O trabalho de Portela (2005, p. 30-31) será utilizado para defini-las. 4.1.1 – Citações Diretas Citação direta é a transcrição textual (literal) de parte da obra do autor consultado. As transcrições de até três linhas são inseridas no próprio texto e devem ser colocadas entre aspas duplas. Exemplo: A citação é um elemento importante na documentação de um trabalho científico. No dizer de Koche (2002, p. 153), “... as citações podem ser sob a forma de transcrição, em que se reproduz o texto, ou de paráfrase, em que se usa a citação livre do texto, sem reprodução.” Nas citações diretas podem ser utilizados símbolos ou destaques nas palavras, como: [ ... ] para fazer supressões; [ ] para o autor fazer interpolações ou comentários; Negrito, Itálico para dar ênfase ou destaque. Citações diretas com mais de três linhas devem ser destacadas do texto na forma de apresentação independente, com recuo de 4 cm da margem esquerda, com letra menor que a do texto, espaço simples entre linhas e sem aspas. Exemplo: As citações são introduzidas no texto para esclarecimento do assunto em discussão para sua ilustração ou sustentação de uma idéia. A fonte da qual foi extraída a informação deve estar citada obrigatoriamente, respeitando-se desta forma os direitos autorais (França et al., 1996, p. 96). 4.1.2 - Citações Indiretas Citações indiretas são textos baseados na obra do autor pesquisado, sem no entanto, reproduzi-los. São assim, paráfrases. Exemplo: Para Severino (1998, pg. 89), não se pode admitir em hipótese alguma as transcrições de passagens de um outro autor, sem se fazer a devida referência. 12 4.1.3 – Citação de citação É a menção a um texto ao qual se teve acesso através da citação em outro documento, podendo acontecer tanto em citação direta, quanto em indireta. Para indicar a autoria original do texto utiliza-se a expressão latina apud (citado por, conforme, segundo) Exemplo: Conforme Baude Laire (apud Medeiros, 2003, p. 187), o riso é satânico, e, portanto, profundamente humano. 4.1.4 – Sistemas de Chamadas A indicação das citações no texto devem ser através do sistema numérico ou autor-data e o sistema escolhido deve ser adotado em todo o trabalho, correlacionando com as listagens de referências e/ou notas de rodapé. A ABNT determina o uso do sistema autor-data para as citações no texto e do sistema numérico para as notas explicativas, sendo que no sistema numéricoas citações devem estar correlacionadas com a lista de referências e notas de rodapé, já nos sistemas autor- data, as citações devem estar correlacionadas somente com a lista de referências. Pode-se usar o sistema numérico para citações no texto, desde que não haja notas explicativas. 4.1.4.1 – Sistema autor-data O sobrenome do autor é mencionado todo em letras maiúsculas, quando aparece entre parênteses e apenas com a letra inicial maiúscula quando aparece fora de parênteses. Quando o autor não é parte da frase, a indicação vem toda em parênteses. Exemplo: “Um dos princípios do comércio eletrônico é que a informação fica mais barata” (STEWART, 2002, p.80). Quando o autor é parte integrante da frase, somente o ano e a página (se for o caso) aparecem entre parênteses. Exemplo: Segundo Stewart (2002, p.80) a informação fica mais barata quando se utiliza o comércio eletrônico. É muito importante o autor ou pesquisador conhecer as formas de citação relativas a algumas situações especiais. a) como citar duas obras escritas pelo mesmo autor em um mesmo ano. Neste caso as citações se diferenciam pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data (ano) e sem espacejamento. O mesmo procedimento é feito da lista de referências. Exemplos no texto: Conforme Freire (2002a)....... Conforme Freire (2002b)....... Na listagem de referências (bibliografia) FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. 9ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002a. 245 p. FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho d’água, 2002b. 127 p. 13 b) como citar obras de até três (3) autores No caso de citação de uma obra de dois autores incluídos na sentença, estes são separados por “e”. Exemplo: Damião e Sarreta (1995). Ao se ter três (3) autores, separa-se o primeiro do segundo por vírgula e o segundo do terceiro por “e”. Exemplo: Farias, Guimarães e Azevedo (1999). Quando citados entre parênteses, estes são separados por ponto e vírgula. Exemplo: (FARIAS; GUIMARÃES; AZEVEDO, 1999) . c) como citar diversos documentos de um mesmo autor, mencionados juntos e publicados em anos diferentes; Neste caso a autoria é citada uma vez para todos os trabalhos, porém com todas as datas em ordem crescente, separadas por vírgula. Exemplo: ( GIL, 1993, 1995, 2001). d) como citar uma obra com mais de três (3) autores Neste caso deve-se utilizar o primeiro seguido da expressão et al. , tanto no caso de os mesmos estarem inseridos na sentença ou não. Exemplo: Oliveira el al. (1999) , ou (OLIVEIRA et al., 1993) e) como citar uma obra sem indicação de autoria Deve-se utilizar a primeira palavra do título seguida de reticências e o ano (e página se for o caso) Exemplo: Guia...(2005) ou (O MÉTODO, 2004) f) como citar obras de entidades Deve-se utilizar o nome da entidade por extenso até o primeiro sinal de pontuação. Exemplo: No texto : Brasil (2006) Na listagem de referências (bibliografia) ______________________________________________________________________ BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Diagnóstico de Educação Física: desportos no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2006 g) como citar informações obtidas verbalmente Deve-se indicar entre parênteses que a informação é verbal, mencionando-se os dados disponíveis, em nota de rodapé (nota explicativa). 14 Exemplo: No texto: O novo modelo de comutação bibliográfica entrará em vigor no mês de maio de 2002 ( informação verbal)1 Em notas: 1 Notícia fornecida por Ricardo Rodrigues no XII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, em Recife, outubro de 2005. 4.1.4.2 – Sistema Numérico A indicação da fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algarismos arábicos, remetendo às notas de rodapé (notas de referências) e lista de referências no final do trabalho. A indicação da numeração no texto pode ser feita entre parênteses alinhada a ele, ou um pouco acima da linha, após a pontuação que fecha a citação. A ABNT (NBR 6023) define que não deve ser usado o sistema numérico para citações n texto quando se tem notas de rodapé (notas explicativas). Exemplo: No texto : “o processo de elaboração de hipótese é de natureza criativa” 1 Na lista de referências (bibliografia) 1 GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. Na nota de referência (rodapé) 1GIL (2002, p.20) 4.2 – Notas de Rodapé Notas de Rodapé são anotações colocadas preferencialmente ao pé da página e separadas do texto por um traço horizontal de 3 cm aproximadamente, iniciado na margem esquerda. Devem ser gravadas em letra menor que a do texto, com espaço simples de entrelinhas e cada nota iniciando nova linha. Devem ser alinhadas, a partir da segunda linha da mesma nota, abaixa da primeira linha da primeira palavra. As Notas de Rodapé podem ser EXPLICATIVAS ou DE REFERÊNCIA. Não se pode usar no mesmo trabalho notas explicativas e de referência, pois ambas utilizam sistema numérico (numeração única e individual e com algarismos arábicos). OBSERVAÇÃO IMPORTANTE. Normalmente em trabalhos de conclusão de curso, utiliza-se apenas NOTAS EXPLICATIVAS. As citações realizadas n texto utilizam o sistema “autor-data”, correlacionando-se com a lista de referências (bibliografia). 15 4.2.1 – Notas Explicativas Têm como finalidade fazer certas considerações suplementares que não caberiam no texto, sem quebrar a lógica do mesmo, também informar o leitor a respeito de dados obtidos em fase de elaboração, ou comunicações verbais consideradas importantes. A numeração deve ser única e consecutiva para cada capítulo ou parte do trabalho, e feita em algarismos arábicos. 4.2.2 – Notas de Referência A numeração deve ser única e consecutiva para cada capítulo ou parte do trabalho, e feita em algarismos arábicos. A primeira nota de referência de uma obra, deve ser completa, as subsequentes da mesma obra podem aparecer de forma abreviada, com as expressões latinas citadas no exemplo a seguir. As expressões latinas devem ser utilizadas após uma referência abreviada e, a referência abreviada só pode ser utilizada após uma referência completa. Exemplo: No texto: ..... a numeração deve ser única e consecutiva... (1) Na Nota de Rodapé de Referência: Na primeira vez que a obra é referenciada, utiliza-se a referência completa. Assim, temos: (1) CHAGAS, Joseane; ARRUDA, Susana de. Normas de referências e de citações: complementos para publicação. Florianópolis: Cidade Futura, 2002. A partir da segunda vez que a obra é citada a referência pode ser abreviada. Assim temos: (2) CHAGAS; ARRUDA (2002, p.13) Se acontecer duas citações seqüenciais de uma mesma obra, utiliza-se ibdem ou Ibid. (na mesma obra). Assim temos: (3) CHAGAS; ARRUDA (2002, p.13) (4) Ibid., p.15 Se acontecer duas citações seqüenciais de um mesmo autor, utiliza-se idem ou Id. (mesmo autor). Assim, no exemplo temos: (5) CHAGAS; ARRUDA (2002, p.13) (6) Id., 2000, p. 19 Se acontecer duas citações seqüenciais de uma mesma obra e de uma mesma página, utiliza-se loco citato – loc.cit. (mesma página já citada). No exemplo temos: (7) CHAGAS; ARRUDA (2002, p.13) (8) CHAGAS; ARRUDA, loc.cit. 16 Pode-se também utilizar confira, confronte (Cf) a partir da segunda citação de uma obra. Exemplo: (9) Cf. CARVALHO, 1998 Utiliza-se apud (citado por, conforme, segundo) no caso de citação de citação. (10) ANDRADE, 1995 apud MEDEIROS, 2003, p. 254. ATENÇÃO: As expressões Id, Ibid, op. Cit. E Cf. só podem ser usadas na mesma página ou folha da citação a que se referem. 4.3 – Paráfrases Segundo Medeiros(2003, p.183) “ a transcrição literal se colocação de aspas (ou outro tipo de destaque como recuo, itálico, negrito, espaço interlinear, corpo diferente do usado no texto) e indicação da fonte constitui-se em fraude ou plágio.” A paráfrase torna-se assim um importante recurso na criação de textos explicativos. Greimas e Courtés apud Medeiros (2003, p.181) afirmam que a paráfrase “consiste em produzir, no interior de um mesmo discurso, uma unidade discursiva que seja semanticamente equivalente a uma outra unidade produzida anteriormente”. Embora as palavras utilizadas sejam diferentes, o sentido é mantido, eqüivalendo ao texto original. Parafrasear é, pois, traduzir as palavras de um texto por outras de sentido equivalente, mantendo, porém, as idéias originais. Othon Garcia apud Medeiros (2003, p.183) recomenda o uso de paráfrases como um dos exercícios mais proveitosos para aprimorar o vocabulário, proporcionando oportunidade para reestruturação fraseológica. Daí por que o estudioso e o pesquisador, freqüentemente, buscam o aprimoramento da paráfrase. Através dela, paulatinamente melhoram seu desempenho redacional, aprendem a fixar conteúdo, resumir, resenhar. Um trabalho monográfico, um artigo científico, são produtos, em grande parte, de paráfrases. 4.3.1 – Tipos de Paráfrases Medeiros (2003, p. 183-186) aponta os seguintes tipos de paráfrases: 1)- Reprodução; 2)- Resumo; 3)- Comentário Explicativo e 4)- Desenvolvimento 4.3.1.1 – Reprodução A reprodução implica rescrever um texto, substituindo os vocábulos. Consiste em repetir com palavras simples, mas próprias, o pensamento do texto original. Por exemplo: “ Se posso prever tudo o que uma pessoa vai me dizer, a mensagem é totalmente redundante e eu posso abster-me de a ouvir ou ela de o dizer....” (PIGNATARI apud MEDEIROS, 2003, p. 184) Substituindo os vocábulos por outros de sentido equivalente, o texto poderia ficar assim: “ Quando se pode prever tudo aquilo que uma pessoa vai falar, o conteúdo de sua exposição é inteiramente redundante e eu posso deixar de prestar-lhe atenção ou ela de o dizer.” 4.3.1.2 – Resumo 17 A Norma NBR 6028:1990 da ABNT define resumo como “apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto” Segundo Medeiros (2003, p.142), “resumo é uma apresentação sintética e seletiva das idéias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas. Nele devem aparecer as principais idéias do autor do texto. O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde informações de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. Em sua elaboração, devem-se destacar quanto ao conteúdo: assunto do texto; objetivo do texto; A articulação de idéias; As conclusões do autor do texto objeto do resumo. Formalmente, o redator do resumo deve atentar para alguns procedimentos: Ser redigido em linguagem objetiva; Evitar a repetição de frases inteiras do original, e Respeitar a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados. Finalmente, o resumo, não deve apresentar juízo valorativo ou crítico e deve ser compreensível por si mesmo, isto é, dispensar a consulta do original. Para o pesquisador o resumo é um instrumento de trabalho. 4.3.1.3 – Comentário Explicativo O comentário explicativo, ou explanação de idéias, desenvolve conceitos, argumenta, busca esclarecer tudo o que está mais ou menos obscuro. Não se trata de usar mais palavras, mas de ampliar idéias para que o texto se torne claro, incisivo, evidente. Suponha-se o seguinte texto: “O apogeu já é decadência, porque sendo estagnação não pode conter em si um progresso, uma evolução ascensional. Bilac representa uma fase destrutiva da poesia, porque toda perfeição em arte significa destruição” (Mário de Andrade, 1976, p.32) A explanação das idéias contidas no texto seria: Se o apogeu é considerado o último degrau de uma escada, a partir do momento que é alcançado, passa-se à estagnação, que é índice de deteriorização, ou iniciasse o processo de declínio. A poesia parnasiana, que alcançou em Bilac um defensor máximo, representa uma estética literária que, levada às últimas conseqüências, destroi o poético da poesia. O desenvolvimento, ou amplificação das idéias de um texto, consiste em reescrevê-lo, adicionando exemplos, pormenores, comparações, contrastes, exposição de causa e efeitos e definição dos termos utilizados. Capítulo 5 – Realizando a Pesquisa de Campo Existem várias formas de se realizar a pesquisa de campo que podem ser aplicadas tanto para pesquisas exploratórias quanto para pesquisas descritivas. São eles: 1. Levantamento ou Surveys; 18 2. Estudo de campo, e 3. Estudo de caso. Levantamento ou Surveys As pesquisas deste tipo se caracterizam pelo questionamento direto das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema pesquisado para em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados. Quando o levantamento recolhe informações de todos os integrantes do universo pesquisado, tem-se um censo. Na maioria dos levantamentos, não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. Antes, seleciona-se mediante procedimentos estatísticos, uma amostra significativa de todo o universo, que é tomada como objeto de investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida mediante cálculos estatísticos. As principais vantagens dos levantamentos são: conhecimento direto da realidade: a investigação torna-se mais livre de interpretações calcadas no subjetivismo dos pesquisadores; economia e rapidez: desde que se tenha uma equipe de entrevistadores, torna-se possível a obtenção de grande quantidade de dados em curto espaço de tempo; quantificação: os dados podem ser agrupados em tabelas, possibilitando análises estatísticas. À medida que os levantamentos se valem de amostras probabilísticas, torna-se possível até mesmo conhecer a margem de erro dos resultados obtidos. Dentre as principais limitações dos levantamentos estão: ênfase nos aspectos perspectivos: os levantamentos recolhem dados referentes à percepção que as pessoas têm acerca de si mesmas. Ora, a percepção é subjetiva, o que pode resultar em dados distorcidos. Há muita diferença entre o que as pessoas fazem ou sentem e o que elas dizem a esse respeito. pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais: como os fenômenos sociais são determinados por fatores interpessoais e institucionais, os levantamentos mostram-se pouco adequados para a investigação profunda desses fenômenos. limitada apreensão do processo de mudança: o levantamento fornece uma espécie de fotografia de determinado problema, mas não indica suas tendências à variação e muito menos as possíveis mudanças estruturais. Considerando as vantagens e limitações expostas, pode-se dizer que os levantamentos tornam-se muito mais adequados para estudos descritivos que explicativos. Estudo de Campo Os estudos de campo apresentam muitas semelhanças com os levantamentos. Distinguem- se destes, porém, em relação principalmente a dois aspectos. Primeiramente, os levantamentos procuram ser representativos de um universo definido e fornecer resultados caracterizados pela precisão estatística. Já os estudos de campo procuram muito mais o aprofundamento das questões propostas do que a distribuição das características da população segundo determinadas variáveis. Como conseqüência, o planejamento do estudo de campo apresenta muito maior flexibilidade, podendo ocorrer mesmo que seus objetivos sejam reformulados ao longo do processode pesquisa. Outra distinção é a de que no estudo de campo estuda-se um único grupo ou comunidade em termos de sua estrutura social, ou seja, ressaltando a interação de seus componentes. Assim, o estudo de campo tende a utilizar muito mais técnicas de observação do que de interrogação. Para ilustrar essas diferenças, considere-se um levantamento a ser realizado em determinada comunidade. Procurar-se-á, neste caso, descrever com precisão as características de sua população em termos de sexo, idade, estado civil, escolaridade, renda, etc. Já num estudo de campo, a ênfase 19 poderá estar, por exemplo, na análise da estrutura do poder local ou das formas de associação verificadas entre seus moradores. Estudo de caso O estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante os outros tipos de delineamentos considerados. O estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias fontes de evidência. O estudo de caso pode, pois, ser utilizado tanto em pesquisas exploratórias quanto descritivas e explicativas. Cabe ressaltar, todavia, que existem preconceitos contra o estudo de caso, com os que são indicados a seguir: a) Falta de rigor metodológico. A realização de estudos de caso não define procedimentos metodológicos rígidos. Logo, o que propõe ao pesquisador é que redobre seus cuidados tanto no planejamento quanto na coleta e análise de dados. b) Dificuldade de generalização. A análise de um único ou mesmo de múltiplos casos fornece uma base muito frágil para a generalização. Porém, os objetivos do estudo de caso não é proporcionar o conhecimento preciso das características de uma população a partir de procedimentos estatísticos, mas sim o de expandir ou generalizar proposições teóricas. c) Tempo destinado à pesquisa. Alega-se que os estudos de caso demandam muito tempo para ser realizados. Todavia, a experiência acumulada nas últimas décadas mostra que é possível a realização de estudos de caso em períodos mais curtos . Convém ressaltar, no entanto, que um bom estudo de caso constitui tarefa difícil de realizar. Capítulo 6 – Amostragem na Pesquisa Social Necessidade da Amostragem na Pesquisa Social De modo geral, as pesquisas sociais abrangem um universo de elementos tão grande que se torna impossível considerá-los em sua totalidade. Por essa razão, nas pesquisas sociais é muito freqüente trabalhar com uma amostra. É o que ocorre, sobretudo, nas pesquisas designadas como levantamento ou experimentos. Quando um pesquisador seleciona uma pequena parte de uma população, espera que ela seja representativa dessa população que pretende estudar. Para tanto necessita observar os procedimentos definidos pela Teoria da Amostragem. A Teoria da Amostragem encontra-se hoje consideravelmente desenvolvida, ficando difícil a qualquer pesquisador justificar a seleção de uma amostra sem recorrer a seus princípios. Conceitos Básicos a) Universo ou população. É um conjunto definido de elementos que possuem determinadas características. Comumente fala-se de população como referência ao total de habitantes de determinado lugar. Todavia, em termos estatísticos, pode-se entender como amostra o conjunto de alunos matriculados numa escola, os operários filiados a um sindicato, os integrantes de um rebanho de determinada localidade, o total de indústrias de uma cidade, ou a produção de televisores de uma fábrica em determinado período. b) Amostra. Subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população. Uma amostra pode ser constituída, por exemplo, por cem empregados de uma população de 4.000 que trabalham em uma fábrica. Outro exemplo de amostra pode ser dado por determinado número de escolas que integram a rede estadual de ensino. 20 Amostragem aleatória simples A amostragem aleatória simples é o procedimento básico da amostragem científica. Pode-se dizer mesmo que todos os outros procedimentos adotados para compor amostras são variações deste. A amostragem aleatória simples consiste em atribuir a cada elemento da população um número único para depois selecionar alguns desses elementos de forma casual. Para se garantir que a escolha dessa amostra seja devida realmente ao acaso, podem-se utilizar tábuas de números aleatórios. Estas tábuas são constituídas por números apresentados em colunas, em páginas consecutivas. Um fragmento de página de números aleatórios é aqui apresentado como ilustração. 52024 36684 59440 14520 06111 72520 15278 21058 26635 90903 11515 04184 30985 07372 72032 89628 35622 05020 77625 78849 As tábuas podem ser utilizadas da seguinte maneira: cada elemento da população é associado a um número. Determina-se a quantidade de algarismos do maior dos números associados aos elementos da população. Consulta-se, a seguir, qualquer uma das listas de números, considerando o número de algarismos. Por exemplo, para uma população de 500 elementos, assinala-se qualquer combinação de três colunas, ou conjunto de três algarismos consecutivos, ou três linhas etc. Suponha-se que sejam utilizados os três últimos algarismos de cada conjunto de cinco. Caminhando-se de cima para baixo, partindo de 024, assinalam-se todos os números inferiores a 501, até que sejam alcançados tantos números quantos forem os elementos necessários para a composição da amostra. Será, assim, obtida a seguinte seqüência: 024, 111, 372, 020, 440, .......... Os números dessa seqüência serão, portanto, escolhidos para constituir a amostra. Determinação do tamanho da amostra Fatores que determinam o tamanho da amostra Para que uma mostra represente com fidedignidade as características do universo, deve ser composta por um número suficiente de casos. Este número, por sua vez, depende dos seguintes fatores: extensão do universo, nível de confiança estabelecido, erro máximo permitido e percentagem com a qual o fenômeno se verifica. Amplitude do universo. A extensão da amostra tem a ver com a extensão do universo. Para tanto, os universos de pesquisa são classificados em finitos e infinitos. Universos finitos são aqueles cujo número de elementos não excede a 100.000. Universos infinitos, por sua vez, são aqueles que apresentam elementos em número superior a esse. São assim denominados porque, acima de 100.000, qualquer que seja o número de elementos do universo, o número de elementos da amostra a ser selecionada será rigorosamente o mesmo. Nível de confiança estabelecido. De acorto com a teoria geral das probalidades, a distribuição das informações coletadas a partir de amostras ajusta-se geralmente à curva “normal” (curva de Gauss), que apresenta valores centrais elevados e valores externos Curva de Gauss ou Curva Normal -2δ -1δ +1δ +2δ 21 reduzidos, conforme indica a figura ao lado. O nível de confiança de uma amostra refere-se à área da curva normal definida a partir dos desvios-padrão em relação à sua média. Numa curva normal, a área compreendida por um desvio-padrão à direita e um à esquerda da média corresponde a aproximadamente 68% de seu total. A área compreendida por dois desvios, por sua vez, corresponde a aproximadamente 95,5% de seu total. Por fim, a área compreendida por três desvios corresponde a 99,7% de seu total. Isso significa que, quando na seleção de uma amostra são considerados dois desvios-padrão, trabalha-se com um nível de confiança de 95,5 %. Quando, por sua vez, são considerados três desvios-padrão,o nível de confiança passa a ser de 99,7%. Erro máximo permitido. Os resultados obtidos numa pesquisa a partir de amostras não são rigorosamente exatos em relação ao universo de onde foram extraídas. Esses resultados apresentam sempre um erro de medição, que diminui na proporção em que aumenta o tamanho da amostra. O erro de medição é expresso em termos percentuais e nas pesquisas sociais trabalha-se usualmente com uma estimativa de erro entre 3 e 5%. Percentagem com que o fenômeno se verifica. A estimação prévia da percentagem com que se verifica o fenômeno é muito importante para a determinação da amostra. Por exemplo, numa pesquisa cujo objetivo é verificar qual a percentagem de protestantes que residem numa cidade, a estimativa prévia deste número é bastante útil. Se for possível afirmar que essa percentagem não é superior a 10%, será necessário um número de casos bem maior do que numa situação em que a percentagem presumível estivesse próxima de 50%. Cálculo do tamanho da amostra – Populações infinitas A fórmula básica para o cálculo do tamanho de amostras para populações infinitas é a seguinte: n = δ2.p.q / e2 onde: n = Tamanho da amostra; δ = Nível de confiança escolhido, expresso em números de desvios-padrão; p = Percentagem com a qual o fenômeno se verifica; q = Percentagem complementar ( 100 – p ); e = Erro máximo permitido. Seja o exemplo acima considerado: verificação do número de protestantes residentes em determinada cidade. Se esta cidade tiver uma população superior a 100.000 habitantes, Ter-se-á, em termos estatísticos, uma população infinita. Logo, a fórmula será adequada. Se for possível admitir que o número de protestantes se situa por volta de 10%, não excedendo essa percentagem, tem-se p = 10. Conseqüentemente, q será igual a 100 – 10, ou seja, 90. Se for desejado um nível de confiança bastante alto ( superior a 99% ), aplica-se à formula três desvios; logo, δ2 será igual a 32, ou seja, 9. Se o erro máximo tolerado for de 2%, e2 será igual a 22, ou seja, 4. Assim, tem-se a equação: n = 9.10.90 / 4 = 1.025 . Logo, para atendera às exigências estabelecidas, o número de elementos da amostra deverá ser de 1.025. Se todavia, for aceito o nível de confiaça de 95% (correspondente a dois desvios) e um erro máximo de 3%, o número de elementos da amostra será bem menor, como se vê mediante a aplicação da fórmula : n = 4.10.90 / 9 = 400 . Convém lembrar que neste caso a afirmativa da percentagem com a qual o fenômeno se verifica foi estabelecida previamente. Quando isto não é possível, adota-se o valor máximo de p, que é 50. 22 Cálculo do tamanho da amostra – Populações finitas Quando a população pesquisada não supera 100.000 elementos, a fórmula para o cálculo do tamanho da amostra passa a ser a seguinte: n = δ2.p.q.N / e2 (N-1) + δ2.p.q onde: n = Tamanho da amostra; δ = Nível de confiança escolhido, expresso em números de desvios-padrão; p = Percentagem com a qual o fenômeno se verifica; q = Percentagem complementar ( 100 – p ); N = Tamanho da população; e = Erro máximo permitido. Seja agora o exemplo de uma pesquisa que tenha por objetivo verificar quantos dos 10.000 empregados de uma fábrica são sindicalizados. Presume-se que esse número não seja superior a 30% do total, deseja-se um nível de confiança de 95% (dois desvios) e tolera-se um erro de até 3%. Então: n = 4.30.70.10000 / 9.9999 + 4.30.70 = 853 Logo, deverão ser pesquisados 853 empregados. Determinação da margem de erro da amostra Quando já se efetivou uma pesquisa e se deseja conhecer a margem de erro da amostra utilizada, aplica-se a fórmula seguinte: δp = p.q / n onde: δp = erro-padrão ou desvio da percentagem com que se verifica determinado fenômeno; p = percentagem com que se verifica o fenômeno; q = percentagem complementar (100 – p ); n = número de elementos incluídos na amostra. Se, por exemplo, em uma pesquisa efetuada com uma amostra de 1.000 pessoas adultas, verificou-se que 30% bebem café pelo menos uma vez por dia, qual a probabilidade de que tal resultado seja verdadeiro para todo o universo? Ter-se-á então: δ = 30 . 70 / 1.000 = 1,45 Como o valor encontrado (1,45) corresponde a um desvio, para dois desvios, Ter-se-á o dobro ( 2,95 ) e para três desvios o triplo (4,35). Isto significa que para um nível de confiança de 95% (dois desvios ), o resultado da pesquisa apresentará como margem de erro, 2,95% a mais ou a menos. É provável, portanto, que o número de consumidores de café esteja entre 25,05 e 32,95%. 23 Capítulo 7 – Entrevistas Pode-se definir entrevista como a técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados que interessam à investigação. A entrevista é, portanto, uma forma de interação social. Mais especificamente, é uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação. A entrevista é muito utilizada no âmbito das pesquisas de ciências sociais. Muitos profissionais da área social como psicólogos, sociólogos, pedagogos, assistentes sociais valem-se dessa técnica, não apenas para a coleta de dados, mas também com os objetivos voltados a diagnósticos e orientação social. Pela flexibilidade que possui, a entrevista é considerada como a técnica fundamental de investigação nos mais diversos campos e pode-se afirmar que o desenvolvimento que as ciências sociais tiveram nas últimas décadas, foi obtido graças à sua aplicação. Vantagens da entrevista A intensa utilização da entrevista na pesquisa social deve-se a uma série de razões, entre as quais cabe considerar: a) a entrevista possibilita a obtenção de dados referentes aos mais diversos aspectos da vida social; b) a entrevista é uma técnica muito eficiente para a obtenção de dados em profundidade acerca do comportamento humano; c) os dados obtidos são suscetíveis de classificação e de quantificação. Se comparada com o questionário, que é outra técnica de largo emprego nas ciências sociais ( explicado em capítulo a parte ), apresenta outras vantagens: a) não exige que a pessoa entrevistada saiba ler e escrever; b) possibilita a obtenção de maior número de respostas, posto que é mais fácil deixar de responder a um questionário do que negar-se a ser entrevistado; c) oferece flexibilidade muito maior, posto que o entrevistador pode esclarecer o significado das perguntas e adaptar-se mais facilmente às pessoas e às circunstâncias em que se desenvolve a entrevista; d) possibilita captar a expressão corporal do entrevistado, bem como a tonalidade de voz e ênfase nas respostas. Limitações da entrevista A entrevista apresenta no entanto, uma série de desvantagens, o que a torna, em certas circunstâncias, menos recomendável que outras técnicas. As principais limitações da entrevista são: a) a falta de motivação do entrevistados para responder as perguntas que lhe são feitas; b) a inadequada compreensão do significado das perguntas; c) fornecimento de respostas falsas, determinadas por razões conscientes ou inconscientes; d) inabilidade ou mesmo incapacidade do entrevistado para responder adequadamente, em decorrência de insuficiência vocabular ou de problemas psicológicos; e) a influência exercida pelo aspecto pessoal do entrevistador sobre o entrevistado; f) a influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado; g) os custos com o treinamento de pessoal e a aplicação das entrevistas. Todas essas limitações, de alguma forma intervêm na qualidade das entrevistas. Todavia, em função da flexibilidade própria, muitas dessas dificuldades podem ser contornadas. Para tanto, o responsável pelo planejamento da pesquisadeverá dedicar atenção especial ao processo de seleção 24 e treinamento dos entrevistadores, já que o sucesso desta técnica depende fundamentalmente do nível da relação pessoal estabelecido entre entrevistador e entrevistado. Níveis de estruturação das entrevistas A entrevista é seguramente a mais flexível de todas as técnicas de coleta de dados de que dispõem as ciências sociais. Daí porque podem ser definidos diferentes tipos de entrevista, em função de seu nível de estruturação. As entrevistas mais estruturadas são aquelas que predeterminam em maior grau as respostas a serem obtidas, ao passo que as menos estruturadas são desenvolvidas de forma mais espontânea, sem que estejam sujeitas a um modelo preestabelecido de interrogação. A partir deste princípio, as entrevistas podem ser classificadas em: informais, focalizadas, por pautas e formalizadas. Entrevista informal É o tipo de entrevista menos estruturada possível e só se distingue da simples conversação porque tem como objetivo básico a coleta de dados. O que se busca com entrevistas deste tipo é a obtenção de uma visão geral do problema pesquisado, bem como a identificação de alguns aspectos da personalidade do entrevistado. A entrevista informal é recomendada nos estudos exploratórios, que visam abordar realidades pouco conhecidas pelo pesquisador, ou então oferecer visão aproximativa do problema pesquisado. Nos estudos desse tipo, com freqüência, recorre-se a entrevistas informais com informantes-chaves, que podem ser especialistas no tema em estudo, líderes formais ou informais, personalidades destacadas etc. Entrevista focalizada A entrevista focalizada é tão livre quanto a anterior; todavia, enfoca um tema bem específico. O entrevistador permite ao entrevistado falar livremente sobre o assunto, mas, quando este se desvia do tema original, esforça-se para a sua retomada. Este tipo de entrevista é bastante empregado em situações experimentais, com o objetivo de explorar a fundo alguma experiência vivida em condições precisas. Também é bastante utilizada com grupos de pessoas que passaram por uma experiência específica, como assistir a um filme, presenciar um acidente etc. Nestes casos, o entrevistador confere ao entrevistado ampla liberdade para expressar-se sobre o assunto. A entrevista focalizada requer grande habilidade do pesquisador, que deve respeitar o foco de interesse temático sem que isso implique conferir-lhe maior estruturação. Entrevista por pautas A entrevista por pautas apresenta certo grau de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos interessantes que o entrevistador vai explorando ao longo de seu curso. As pautas devem ser ordenadas e guardar certa relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas e deixa o entrevistado falar livremente à medida que refere às pautas assinaladas. Quando este se afasta delas, o entrevistador intervém, embora de maneira suficientemente sutil, para preservar a espontaneidade do processo. As entrevistas por pautas são recomendadas sobretudo nas situações em que os respondentes não se sintam à vontade para responder a indagações formuladas com maior rigidez. Esta preferência por um desenvolvimento mais flexível da entrevista pode ser determinada pelas atitudes culturais dos respondentes ou pela própria natureza do tema investigado ou por outras razões. 25 À medida que o pesquisador conduza com habilidade a entrevista por pautas e seja dotado de boa memória, poderá, após seu término, reconstruí-la de forma mais estruturada, tornando possível a sua análise objetiva. Entrevista estruturada Desenvolve-se a partir de uma relação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanece invariável para todos os entrevistados, que geralmente são em grande número. Por possibilitar o tratamento quantitativo dos dados, este tipo de entrevista torna-se o mais adequado para o desenvolvimento de levantamentos sociais. Entre as principais vantagens das entrevistas estruturadas estão a sua rapidez e o fato de não exigirem exaustiva preparação dos pesquisadores, o que implica custos relativamente baixos. Outra vantagem é possibilitar a análise estatística dos dados, já que as respostas obtidas são padronizadas. Em contrapartida, estas entrevistas não possibilitam análise dos fatos com maior profundidade, posto que as informações são obtidas a partir de uma lista prefixada de perguntas. Quando a entrevista é totalmente estruturada, com alternativas de resposta previamente estabelecidas, aproxima-se do questionário. Alguns autores preferem designar este procedimento com questionário por contato direto. Preparação do roteiro da entrevista A preparação do roteiro depende da definição do tipo de entrevista a ser adotado. Numa entrevista informal, basta definir os tópicos de interesse, ficando seu desenvolvimento por conta das habilidades do entrevistador. Já nas entrevistas estruturadas, esse processo assemelha-se bastante à redação do questionário. Nesse caso, um questionário pode ser convertido num roteiro de entrevista e vice-versa. Apesar disso, algumas regras gerais referentes à elaboração do roteiro são: As instruções para o entrevistador devem ser elaboradas com clareza, observando: como iniciar a entrevista, o tempo previsto, locais e circunstâncias que poderá ser realizada, como proceder em caso de recusa, etc.; As questões devem ser elaboradas de forma a possibilitar que sua leitura pelo entrevistador e entendimento pelo entrevistado ocorram seu maiores dificuldades. Nas entrevistas estruturadas, o enunciado da questão deve ser redigido de forma a dispensar qualquer tipo de informação adicional ao entrevistado. Devem, também, ser incluídas expressões que indicam a transição entre as questões, como, por exemplo : “Por favor, diga-me....”. “Estamos interessados em saber....” ou “Agora gostaria que você me dissesse” etc. Questões potencialmente ameaçadoras devem ser elaboradas de forma a permitir que o entrevistado responda sem constrangimentos. É preciso considerar que a entrevista face a face não garante o anonimato. Questões abertas devem ser evitadas. Quando são elaboradas questões desse tipo, o entrevistador precisa anotar as respostas. Como o tempo disponível geralmente é restrito, torna- se elevado o grau de probabilidade de mudança tanto de significado quanto ênfase entre o que o respondente diz e o que o entrevistador registra. As questões devem ser ordenadas de maneira a favorecer o rápido engajamento do respondente na entrevista, bem como a manutenção do seu interesse. Formulação das perguntas Nas entrevistas estruturadas, a formulação das perguntas assume um caráter metódico. Já nas entrevistas não estruturadas o desenvolvimento das perguntas depende do contexto da conversação. Em ambos os casos, todavia, as perguntas devem ser padronizadas na medida do possível a fim de que as informações obtidas possam ser comparadas entre si. 26 Não existem, naturalmente, regras fixas a serem observadas para a formulação das perguntas na entrevista. Todavia, a experiência de muitos pesquisadores possibilita a formulação de algumas recomendações que são válidas para a maioria das entrevistas. As mais importantes são: só devem ser feitas perguntas diretamente quando o entrevistado estiver pronto para dar a informações desejada e na forma precisa; devem ser feitas em primeiro lugar perguntas que não conduzam à recusa em responder, ou que possam provocar algum negativismo; deve ser feita uma pergunta de cada vez; as perguntas não devem deixar implícitas as respostas; convém manter na mente as questões mais importantes até que se tenha informação adequada sobre elas; assim que uma questão tenha sido respondida, deve ser abandonada em favor da seguinte. Nasentrevistas estruturadas, as perguntas devem ser formuladas de maneira tal que correspondam a um estímulo idêntico para todos os informantes. Daí porque nesse tipo de entrevista as questões devem ser feitas exatamente como estão redigidas no formulário e na mesma ordem. O único momento em que se pode modificar esse procedimento é quando o informante não entende a pergunta. Mesmo nestes casos, o entrevistador deve repeti-la textualmente antes da explicação, porque muitas vezes a aparente falta de entendimento corresponde mais a um problema de desatenção do que à incapacidade de compreender seu significado. Conclusão da entrevista Tanto por razões de ordem ética quanto técnica, a entrevista deve encerrar-se num clima de cordialidade. Como, de modo geral, nas entrevistas de pesquisa o entrevistado fornece as informações sem receber qualquer tipo de vantagens, convém que seja tratado de maneira respeitosa pelo entrevistador, sobretudo no encerramento da entrevista, quando sua missão já está cumprida. Capítulo 8 – Questionários Conceituação Pode-se definir questionário como a técnica de investigação composta por um número relativamente elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo a coleta de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc. Os questionários, na maioria das vezes, são propostos por escrito aos respondentes. Costumam, nesse caso, ser designados como questionários auto-aplicados. Quando, porém, as questões são formuladas oralmente pelo pesquisador, podem ser designados como questionários aplicados com entrevista ou formulários. Vantagens do questionário O questionário apresenta uma série de vantagens. A relação que se segue indica algumas dessas vantagens, que se tornam mais claras quando o questionário é comparado com a entrevista. possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que estejam dispersas numa região geográfica muito extensa, em vista do questionário poder ser enviado pelo correio; implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o treinamento dos pesquisadores; garante o anonimato das respostas; permite que as pessoas o respondam no momento em que julgarem mais conveniente; não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado. 27 Limitações do questionário O questionário enquanto técnica de pesquisa apresenta algumas limitações, tais como: impede o auxílio ao informante quando este não entende corretamente as instruções ou perguntas; impede o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido, o que pode ser importante na avaliação da qualidade das respostas; não oferece a garantia de que a maioria das pessoas devolvam-no devidamente preenchido, o que pode implicar a significativa diminuição da representatividade da amostra; envolve, geralmente, número relativamente pequeno número de perguntas, porque é sabido que questionários muito extensos apresentam alta probabilidade de não serem respondidos. proporciona resultados bastante críticos em relação à objetividade, pois os itens podem ter significado diferente para cada sujeito pesquisado. Construção do questionário Construir um questionário consiste basicamente em traduzir os objetivos da pesquisa em questões específicas. As respostas a essa questões é que irão proporcionar os dados requeridos para testar as hipóteses ou esclarecer o problema da pesquisa. As questões constituem, pois, o elemento fundamental do questionário. Tipos de Questões Questões fechadas: Nas questões fechadas, apresenta-se ao respondente um conjunto de alternativas de resposta para que seja escolhida a que melhor representa sua situação ou ponto de vista. Por exemplo, para a pergunta “ Qual a sua religião? “, poderão ser apresentadas as seguintes alternativas: Católico, Protestante, Espírita, Outra religião ou Sem religião. Não é conveniente oferecer um número muito grande de alternativas, pois isso poderá prejudicar a escolha. No caso da questão sobre a religião, como sabe-se que católicos, protestantes e espíritas reunidos correspondem à grande maioria dos brasileiros, pode-se incluir todas as outras religiões numa outra categoria. A não ser que haja interesse específico em saber qual a participação de grupos religiosos minoritários na população estudada. Nesse caso, poderão ser incluídas outras categorias, como: ortodoxo, budista, muçulmano, judeu, etc. Nas questões fechadas, é preciso garantir que as alternativas sejam mutuamente exclusivas, ou seja, apenas uma das alternativas poderá corresponder à situação do respondente. Também é necessário garantir que, qualquer que seja a situação do respondente, haja uma alternativa em que este se enquadre. Por esta razão é que, em muitos casos, oferece-se a alternativa “outras”. É o caso da pergunta referente à religião. Questões abertas: Nas questões abertas, apresenta-se a pergunta e deixa-se um espaço em branco para que a pessoa escreva sua resposta sem qualquer restrição. Por exemplo: “ Qual é, no seu entender, o principal problema que o Governo precisa resolver?”. Resposta: ____________________________________________________ A principal vantagem das questões abertas é a de não forçar o respondente a enquadrar sua percepção em alternativas preestabelecidas. No entanto, questionários com muitas questões abertas freqüentemente retornam com muitas delas não respondidas, visto requererem maiores esforços para serem respondidas. Também convém levar em consideração que o processo de tabulação das respostas torna-se muito mais complexo. Questões dependentes: Quando uma questão depende da resposta da outra é denominada dependente. Por exemplo, a resposta à pergunta: “Quantos cigarros você fuma por dia?”, num 28 questionário também aplicado a não fumantes, depende da resposta a uma questão anterior: “Você fuma cigarros?”. Há diversas formas de apresentação desse tipo de questão. Pode-se, após cada alternativa, escrever o procedimento a ser seguido. Por exemplo, para a questão “ Você fuma cigarros?”. Se Sim, responda à questão seguinte. Se não, responda à questão número 3. Apresentação do questionário A apresentação material do questionário merece particular atenção, sobretudo porque as respostas devem ser dadas sem a presença do pesquisador. Como a apresentação material constitui, na maioria dos casos, o mais importante estímulo para a obtenção das respostas, cuidados especiais deverão ser tomados em relação a: Apresentação gráfica: Estes cuidados envolvem o tipo de papel, os caracteres, a diagramação, o espaçamento das questões, a apresentação dos quadros a preencher, dos quadrinhos a assinalar, etc. Estes cuidados são importante para facilitar não apenas o preenchimento, mas também as operações de codificação e tabulação. Instruções para preenchimento: O questionário deve conter instruções acerca do correto preenchimento das questões, preferencialmente com caracteres distintos. Quando se passa de uma parte a outra, não se deve hesitar em imprimir fórmulas de transição. Introdução do questionário. O questionário deve conter uma introdução, seja através de carta em separado, ou de uma introdução apresentada em tipos gráficos especiais. Essa introdução deverá conter informações acerca da entidade patrocinadora do estudo e das razões que determinaram sua realização. A introdução deverá ainda servir para explicar por que são importantes as respostas do consultado e para informar acerca do anonimato da pesquisa. Pré-teste do questionário. Depois de redigido o questionário, mas antes de aplicado definitivamente, deverá passar por uma prova preliminar. A finalidade desta prova, geralmente designada como pré-teste, é evidenciar possíveis falhas na redação do questionáriotais como: complexidade das questões, imprecisão na redação, desnecessidade das questões, constrangimentos ao informante, exaustão, etc. O pré-teste é realizado mediante a aplicação de alguns questionários a elementos que pertencem à população pesquisada. Para que o pré-teste seja eficaz é necessário que os elementos selecionados sejam típicos em relação ao universo, e que aceitem dedicar para responder ao questionário maior tempo que os respondentes definitivos. Isto porque, depois de responderem ao questionário, os respondentes deverão ser entrevistados a fim de se obterem informações acerca das dificuldades encontradas. Capítulo 9 – Escalas Sociais Conceituação Escalas sociais são instrumentos construídos com o objetivo de medir a intensidade das opiniões e atitudes da maneira mais objetiva possível. Consistem basicamente em diferentes formas de se solicitar ao indivíduo pesquisado que assinale, dentro de uma série graduada de itens, aqueles que melhor correspondem à sua percepção acerca do fato pesquisado. A construção de escalas sociais envolve diversos problemas, posto que, por serem de natureza quantitativa, constituem instrumentos bastante complexos. Faz-se necessário, no entanto, primeiramente definir os conceitos de opinião e atitude. O conceito de atitude, é visto como uma tendência à ação, que é adquirida no ambiente em que se vive e deriva de experiências pessoais e também de fatores e personalidade. Assim, o termo atitude designa disposição psicológica, adquirida e organizada a partir da própria experiência, que inclina o indivíduo a reagir de forma específica em relação a determinadas pessoas, objetos ou situações. 29 O conceito de opinião, por sua vez, refere-se a um julgamento ou crença em relação a determinada pessoa, fato ou objeto. Sua conceituação é mais simples que a de atitude por implicar uma representação consciente e estática. As opiniões podem ser expressas verbalmente. Já as atitudes são inferidas a partir das várias formas de expressão humana. Escalas sociais mais utilizadas Escalas de graduação As escalas de graduação apresentam um contínuo de atitudes possíveis em relação a determinada questão. Os enunciados de atitudes correspondem a graus, que indicam maior ou menor favorabilidade. O exemplo a seguir é o de uma escala de graduação destinada a mensurar a opinião perante a pena de morte. Como você se coloca em relação à pena de morte ? ( ) Totalmente favorável ( ) Favorável com algumas restrições ( ) Nem aprovação, nem desaprovação ( ) Desaprovação em muitos aspectos ( ) Totalmente desfavorável Estas escalas apresentam geralmente cinco graus, sendo que o centra corresponde a uma posição indefinida. Podem-se, porém, elaborar escalas com três ou quatro graus. Em alguns casos, a escala de quatro pode ser preferida porque evita a tendência central. Escalas com mais de cinco graus geralmente são inconvenientes. Escalas de distância social Estas escalas são utilizada para estabelecer relações de distância entre as atitudes em relação a determinados grupos sociais. O primeiro uso de uma escala de distância social é a medição do nível de aceitação que cidadãos de um determinado país têm, em relação a 4 grupos étnicos ( ingleses, suecos, poloneses e coreanos ). O exemplo abaixo é real e a pesquisa foi feita por Bogardus em 1925, com 1.725 cidadãos norte-americanos. Tabela X - Reações de 1.725 cidadãos norte-americanos em relação a quatro grupo étnicos, em porcentagem. % de aceitação dos grupos étnicos como: P ar en te p or c as am en to C ol eg a de C lu be V iz in ho C ol eg a de tr ab al ho C id ad ão d o pa ís S om en te c om o tu ris ta E xc lu iri a do p aí s Ingleses 93,7 96,7 97,3 95,4 95,9 1,7 0,0 Suecos 45,3 62,1 75,6 78,0 86,3 5,4 1,0 Poloneses 11,0 11,6 28,3 44,3 58,3 19,7 4,7 Coreanos 1,1 6,8 13,0 21,4 23,7 47,1 19,1 30 Depois de Bogardus, vários autores elaboraram outras escalas de distância social baseadas nos mesmos princípios. Escala de Thurstone A escala de Thurstone (1976) constitui a primeira experiência de mensuração de atitudes com base numa escala de intervalos. A despeito das críticas que lhe têm sido formuladas e de ter caído em desuso, esta escala é tomada freqüentemente como a base metodológica para os procedimentos de mensuração de atitudes. A tabela a seguir mostra um exemplo de acordo com o modelo da escala de Thurstone. Seu objetivo é medir as atitudes dos empregados em relação à empresa. São indicados aqui os valores atribuídos a cada um dos itens; todavia, os mesmos não são apresentados no momento de sua aplicação. Tabela X : Escala de Thurstone mensurando a atitude dos empregados em relação à empresa ITENS VALOR Sinto que faço realmente parte da organização 9,72 Posso sentir-me mais ou menos seguro no meu emprego 8,33 Geralmente posso descobrir que posição ocupo perante meu chefe 7,00 Em geral, a empresa nos trata como merecemos 6,60 Penso que se deve ensinar a todos os empregados, os melhores métodos de trabalho 4,72 Até agora não consegui entender qual é a política de pessoal da empresa 4,06 Nunca tive oportunidade de usar minha experiência no meu trabalho 3,18 Nunca consegui descobrir que posição ocupo perante meu chefe 2,77 Grande número de empregados sairiam daqui se pudessem encontrar bons empregos 1,67 Penso que a política da empresa é pagar pouco aos empregados para que eles peçam demissão 0,80 A elaboração de uma escala deste tipo segue os seguintes passos: a) Pede-se a certo número de pessoas que manifestem por escrito suas opiniões acerca do problema a ser estudado. Os enunciados dessas opiniões devem ser claros, breves e em número suficiente para cobrir toda a gama de atitudes possíveis, desce as mais favoráveis até a mais desfavoráveis; b) Depois de elaborada a lista de enunciados (cerca de 100), cada um deles é transcrito em cartões que são entregues a um grupo de pessoas. Estas pessoas (juízes), cujo número se situa em torno de 100, são solicitadas a ordenar os enunciados em onze grupos, de acordo com uma escala de graduação que vai da atitude mais favorável à menos favorável; c) Depois de terem os enunciados recebido uma nota variando de 1 a 11, calcula-se a mediana e o desvio quartílico da distribuição de cada enunciado segundo a ponderação atribuída pelos juizes. Aqueles enunciados que apresentam elevada dispersão são excluídos por sua ambigüidade ou irrelevância. Os demais recebem um valor de acordo com a mediana de sua distribuição. d) Por fim, seleciona-se certo número de enunciados (entre 15 e 30) uniformemente distribuídos ao longo de uma escala de onze pontos separados por intervalos equivalentes. A lista assim obtida constitui a escala que se aplica aos sujeitos cuja atitude se deseja medir. Escala de Likert 31 A escala de Likert baseia-se na de Thurstone. É, porém, de elaboração mais simples e de carater ordinal, não medindo, portanto, o quanto uma atitude é mais ou menos favorável. A construção de uma escala deste tipo segue os seguintes passos: Recolhe-se grande número de enunciados que manifestam opinião ou atitude acerca do problema ser estudado; Pede-se a certo número de pessoas que manifestem sua concordância ou discordância em relação a cada um dos enunciados, segundo a graduação: corcorda muito (1), concorda um pouco (2), indeciso (3), discorda um pouco (4), discorda muito (5); Procede-se à avaliação dos vários itens, de modo que uma resposta que indica a atitude mais favorável recebe o valor mais alto e a mesmos favorável o mais baixo; Calcula-se o resultado total de cada indivíduo pela soma dos itens;Analisam-se as respostas para verificar quais os itens que discriminam mais claramente entre os que obtêm resultados elevados e os que obtêm resultados baixos na escala total. Para tanto, são utilizados testes de correlação. Os itens que não apresentam forte correlação com o resultado total, ou que não provocam respostas diferentes dos que apresentam resultados altos e baixos no resultado final, são eliminados para garantir a coerência interna da escala. O exemplo abaixo possui ítens que compõem uma “escala de internacionalismo” elaborada pelo próprio Likert em 1976. Uma pessoa que ama a seus semelhantes deve negar-se a participar de qualquer guerra, por mais graves que sejam as conseqüências para seu país. Concordo Plenamente ( 5) Concordo ( 4) Indeciso (3) Discordo (2) Discordo plenamente (1) Devemos estar dispostos a lutar por nosso país, seja por caus justa ou injusta. Discordo plenamente (1) Discordo (2) Indeciso (3) Concordo ( 4) Concordo Plenamente ( 5) Devemos lutar pela lealdade a nosso país antes de pensar na confraternização mundial Discordo plenamente (1) Discordo (2) Indeciso (3) Concordo ( 4) Concordo Plenamente ( 5) Nosso país jamais deve declarar guerra, qualquer que seja a circunstância Concordo Plenamente ( 5) Concordo ( 4) Indeciso (3) Discordo (2) Discordo plenamente (1) Note-se que no caso de afirmações favoráveis ao internacionalismo, as ponderações mais altas referem-se à concordância. Nas afirmações desfavoráveis ocorre o contrário.