AD1   História da América I
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AD1 História da América I


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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Centro de Ciências Humanas e Sociais \u2013 CCH
Licenciatura em História - EAD
UNIRIO/CEDERJ
AD 1 - PRIMEIRA AVALIAÇÃO A DISTÂNCIA- 2018.1
DISCIPLINA: HISTÓRIA DA AMÉRICA I
 COORDENAÇÃO: ANDERSON DE OLIVEIRA
	NOME: ALEXANDRE LEITE ROSA
	MATRÍCULA: 14116090130
	PÓLO: DUQUE DE CAXIAS
	DATA: 22/02/2018
RESENHA DO TEXTO
Garcia, Elisa Frühauf. \u201cIdentidades e Políticas Coloniais: guaranis, índios infiéis, portugueses e espanhóis no Rio da Prata, c.1750-1800\u201d. Anos 90, Porto Alegre, v. 18, n. 34, dez. 2011, p. 55-76.
Por
Alexandre Leite Rosa
Trabalho elaborado em cumprimento às exigências da Disciplina de HISTÓRIA DA AMÉRICA I, ministrado pelo professor Anderson de Oliveira.
Duque de Caxias - RJ
2018
PORTUGUESES, ESPANHÓIS E A CONVENIÊNCIA INDÍGENA 
A Autora é Elisa Frühauf Garcia, Doutora em história pela Universidade Federal Fluminense (2007), onde é professora de história da América colonial desde 2009, atua no programa de pós-graduação em história da mesma instituição (PPGH/UFF), orientando teses e dissertações sobre as relações entre as populações nativas e os impérios coloniais europeus. Realizou estágios de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (2007-2009) e no Consejo Superior de Investigaciones Científicas/CSIC-Madrid (2015). É membro do grupo de pesquisa Companhia das Índias, da Red Columnaria (Polo Brasil) e pesquisadora do CNPq e da Faperj. 
Nesse artigo a autora apresenta a relação dos colonizadores portugueses e espanhóis com os índios missioneiros, minuanos e os infiéis, na região do Rio da Prata, aponta para separação ética empregada pelos colonizadores espanhóis com intuito de preservar o controle da colônia. Além de questionar a historiografia no que concerne a distinção dos indígenas entre os missioneiros, que hipoteticamente estariam ao lado dos espanhóis, enquanto que os minuanos estariam do lado lusitano. Também trata da dúbia personalidade dos indígenas com exemplos de alianças por conveniências.
A autora inicia sua fala com a política de separação imposta pelos espanhóis, os colonizadores e índios deveriam viver em territórios separados, pois desta forma seria mais fácil de administrar a colônia, os Jesuítas também acataram essa ordenança nas missões estabelecidas na região do Rio da Prata, ressalto que os índios da colônia espanhola eram conhecidos como missioneiros e também havia outros índios não aldeados chamados de infiéis, virtude não submeterem aos ibéricos. 
Garcia ao mencionar que tal região era também pretendida pelos portugueses, verificamos que os espanhóis utilizavam as missões para defesa de suas fronteiras, bem como os aldeados, dando inicio a mística historiográfica entre índios amigos e inimigos, separando os missioneiros a favor dos espanhóis e os minuanos sempre a favor dos portugueses, o que acaba acarretando o entendimento correlacionado com o conflito Luso-castelhano, que seriam missioneiros contra minuanos e os demais índios tachados como infiéis, os Charruas e Guenoas. 
Ao tratar de estereótipos, de acordo com a autora, os índios eram apresentados como belicosos, tinham inclinação à guerra, em algumas situações este dado favoreciam os funcionários da coroa, na intimidação e segurança do território, os colonos se também se aproveitaram e culparam os índios de violências praticadas por eles, além que os próprios indígenas usavam da fama para afastar seus inimigos coloniais, desta forma, todos os personagens envolvidos eram favorecidos pela imputação indevida da fama indígena. 
A autora alerta que os índios eram apresentados como inimigos, eles tinham momentos de convivência amistosa, até pelo fato que na região do rio da Prata havia uma mistura heterogênea de etnias que formava os Guaranis, eles em inúmeras vezes agiam por seus próprios interesses, inclusive índios aldeados visitavam frequentemente os pueblos onde viviam seus parentes, além de tanto Missioneiros quanto Minuanos iam à procura de outra parceira amorosa e sexo, bem como trabalho para fugir da dependência colonial. Essa convivência amistosa indígena, fez cair sobre eles a desconfiança dos portugueses e espanhóis, pois em qualquer ataque planejado por ambas colônias entre si ou contra outros índios, os Guaranis poderiam repassar as informações aos seus parentes dos pueblos ou de outras colônias.
Segundo Garcia, as populações nativas se relacionavam com outros povos de acordo com suas necessidades e objetivos, era preciso oferecer vantagens aos índios, como determinou o rei de Portugal em 1715 ao governador de Sacramento, Manoel Gomes Barbosa, tratar os Minuanos com urbanidade e oferecendo-lhes trabalhos, fim criar um vínculo, caso isso não ocorresse, os Castelhanos poderiam unir-se aos índios para atacar a colônia de Sacramento. Interessante que um cacique os Minuano através soube aproveitar da situação e pediu a libertação de sua filha que estava no Rio de Janeiro, no que foi atendido sem titubeação. 
A autora chama a atenção para o aumento da rivalidade luso-castelhanas com a assinatura do Tratado de Madri, trazendo mudanças nas fronteiras, por ocasião do início das comissões demarcadoras, os missioneiros fizeram uma aliança com os minuanos, mesmo que firmada a aliança, os missioneiros não confiavam totalmente nos minuanos, tal desconfiança não era sem fundamento, virtude o cacique Moreira, líder minuano, se apresentou aos missioneiros como aliado e, sendo que logo após, estabeleceu um acordo com os portugueses. Ressalta-se a capacidade de articulação política de Moreira ao tratar do assunto com o General Gomes Freire de Portugal, pensando nos interesses de sua comunidade.
Tendo sido desfeito o Tratado de Madri em 1761, como Garcia bem escreveu, os minuanos 
continuaram a relacionar-se com os missioneiros, ao que parece sem maiores ressentimentos 
pelas traições do passado. Podemos perceber que ambos os povos tratavam seus assuntos tanto por conveniências quantos conivências, pois os interesses dos índios iam além dos colonizadores, visto que a situação chegou até surpreender os funcionários espanhóis. A autora corrobora com este fato, ao mencionar as palavras de Félix de Azara (1873, 174) ao assistir a uma festa com a presença dos charruas, minuanos e os missioneiros, sem apresentarem qualquer tipo de diferença. 
O interesse indígena estava além dos interesses coloniais, de acordo com a autora, aconteceu na época da festa presenciada por Azara, os minuanos foram convidados pelos castelhanos para passarem para colônia espanhola, mas vislumbrando melhorias, o cacique minuano Bartolomeu enviou em 1785 uma carta aos portugueses tentando um acordo vantajoso com eles e demonstrando o interesse de ficar sob os domínios portugueses, contudo antes da resposta chegar, os castelhanos destruíram o grupo de Bartolomeu, que foi obrigado a fugir e unir-se a outro grupo minuano que continuou as negociações com os portugueses.
A autora apresenta os minuanos como bons negociadores, após o episódio de Bartolomeu, eles se apresentam aos portugueses com reclamações dos espanhóis, ao expulsarem de suas e os matando, evocaram o antigo tratado de aliança com Portugal, omitindo fatos antigos que ponham em dúvidas a credibilidade minuana e se ofereçam para lutarem contra o inimigo comum, a Espanha, não na posição subalterna, mas como aliados na expansão lusitana. Elisa apresenta autores que demonstram a capacidade indígena de reeditar a própria percepção histórica, com intuito de estabelecer melhores acordos para eles, planejando o futuro (RAPPAPORT, 1990; SIDER, 1994; HILL, 1992). Mas Portugal não aceitou o tratado, haja vista tal aliança poderia trazer problemas ainda maiores na relação dos portugueses com os espanhóis no estabelecimento de novas fronteiras. Fica claro que os lusitanos perceberam a inconstância dos minuanos, pois mudavam suas escolhas conforme as oportunidades em momentos