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Hierarquia das Leis JUS BRASIL

Trabalho sobre hierarquia das leis: aborda aspectos internacionais (ONU, TPI, Pacto de San José, OEA, OIT), globalização, o constitucionalismo e a incorporação dos tratados de direitos humanos ao ordenamento brasileiro (art.5º, §3º).

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jusbrasil.com.br
3 de Março de 2018
Hierarquia das Leis
Introdução
Neste despretensioso trabalho sobre a hierarquia das leis iremos abordar,
sucintamente, alguns aspectos internacionais sobre o tema, haja vista que a
crescente interatividade entre os povos é patente, e os conflitos inevitáveis,
necessitando, assim, cada vez mais o direito regrar essas relações, sobretudo no
que tange a atingir uma harmonia entre as nações, algo que o homem vem
tentando ha certo tempo (depois das duas grandes guerras) às duras custas, sem
contudo lograr êxito, muito embora com alguns avanços. Tais avanços vêm,
paulatinamente, repercutido no ordenamento jurídico interno de muitos países,
tornando os acordos internacionais vinculantes, com status de lei constitucional
De vital importância é também de por em relevo o constitucionalismo, pois o
mesmo releva a soberania de um país, o ordenamento jurídico deste e a hierarquia
das leis. Documento político que é, tem força vinculante não somente no direito
positivado, mas nos preceitos fundamentais e na orientação social do Estado. Daí é
que se inferir que a Constituição é a lei máxima de um País, devendo todas as
demais leis estar em conformidade com ela.
Delinearemos alguns aspectos de nosso ordenamento, a sua funcionalidade e
hierarquia em nosso direito.
Por fim a conclusão sobre o que aqui versamos.
Alguns aspectos internacionais
Há muito tempo tem-se o pensamento de que a Constituição de dado Estado é a lei
maior cuja todas as demais devem estar em consonância e obediência com ela. É
certo, no entanto, que ainda tal pensamento predomina na maioria dos países do
globo, mitigada, embora, pelas convenções internacionais que versam sobre os
direitos humanos.
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Significado: Pensamento de Constituição
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SIG.: Falaremos a respeito
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SIG.: Amenizado
Conforme nos ensina Luiz Flávio Gomes ( 2000, pg. 19)
“Fortalece-se, assim, a idéia de que a proteção dos direitos humanos
não deve se reduzir ao domínio reservado ao Estado, isto é, não deve se
restringir à competência nacional exclusiva ou à jurisdição doméstica
exclusiva, porque revela tema de legítimo interesse internacional.”
Ainda, o culto autor (2000, pg.20)
“A partir da aprovação da Declaração Universal de 1948 e a partir da
concepção contemporânea de direitos humanos por ela introduzida,
começa a se desenvolver o Direito Internacional dos Direitos
Humanos, mediante a adoção de inúmeros tratados internacionais
voltados à proteção de direitos fundamentais.”
Com o fenômeno da globalização, com efeito, temos que cada vez mais as leis
tendem a ser universais, haja vista que o fenômeno social da interação entre os
povos, cada vez mais crescente, requer uma regulamentação. Ora, se é verdade que
a sociedade é dinâmica (dada sociedade), e o Direito não acompanha tal
dinamismo na mesma proporção, regrando as necessidades paulatinamente,
também é verdade a mesma assertiva no plano internacional: ainda estamos
engatinhando na esfera das regulamentações internacionais, a despeito de grandes
avanços, como acordos e instituições permanentes que dirimem e dão diretrizes
para o comportamento de diversas Nações em conjuntos, tais como a ONU, o TPI,
o Pacto de San José da Costa rica, a OEA, OIT etc.
Em nosso País a Constituição é soberana, no entanto, conforme dita o art. 5º,
par.3º, os tratados internacionais que versam sobre direitos humanos entram em
nossa constituição como emenda constitucional.
Parafraseando Alexandre de Moraes, as constituições internacionais passam por
três momentos, quais sejam, o legalista, o constitucionalista e o internacionalista,
este último vigente nos dias hodiernos, talvez quem sabe alcançando a paz
perpétua que tanto Kant e Kelsen preconizavam. Otimismos à parte, a humanidade
ainda vive um período turbulento, no que tange à harmonia entre os povos,
redundando em leis internacionais que nem sempre são seguidas, prevalecendo,
ainda, os interesses de um Estado em detrimento do outro, dando margem, assim,
a uma certa fraqueza das normas internacionais comparadas às nacionais. Grosso
modo, salvo algumas exceções, ainda prevalece no campo internacional o direito de
cada País, sendo o direito internacional não de força vinculante, embora os
tratados e instituições paulatinamente fazem com que apareça com vigor a
internacionalização das leis.
Do Constitucionalismo
Segundo Luiz Fabião Guasque ( 1997, pg.83)
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“ A constituição é o ponto de partida de um processo de criação do
Direito positivo. A Grundnorm, ou lei fundamental dos alemães, é a
fonte comum de validade de todas as normas da mesma ordem
normativa. Mas essa lei magna fornece o fundamento de validade, a
legitimação e o processo para elaboração e o conteúdo dos preceitos
que formam esse sistema infraconstituciaonal.”
Assim, no campo nacional rege o princípio da constitucionalidade das leis, ou seja,
todas as normas infraconstitucionais devem obedecer às leis ditadas pela
constituição, como já dito. A constituição de dada pátria além de estabelecer
normas vinculantes, fornece também diretrizes, preceitos jurídicos e, nas mais das
vezes, o modo pelo qual o governo do Estado funcionará. O que nos mais interessa
aqui é por em relevo o seu caráter hierárquico, condicionando a confecção de
outras normas aos seus ditames. Assim, se uma norma não for constitucional,
poderá ser objeto de uma ação declaratória de inconstitucionalidade, de
competência de julgamento do STF. Destarte, conforme nos ensina Luiz Fabião
Guasque (1997, pg.110)
“ O sistema de inconstitucionalidade das leis visa a assegurar a ordem
jurídica estabelecida com a Constituição, lei fundamental da República
Federativa do Brasil, que fixa o lugar da instância jurídica como forma
de estabilizar e assegurar o poder do Estado.”
Aqui vale lembrar da pirâmide de Kelsen, em cujo ápice se encontra a norma
hipotética abstrata fundamental, norma de valoração de uma sociedade que será a
diretriz de todas as demais leis elaboradas. Tal pirâmide é um exemplo clássico de
hierarquia das leis, pois que mostra que no topo existe uma norma determinante
emanada pelo poder constituinte originário, gerando uma constituição, lei maior
de um país que, via de regra, é curta e dita diretrizes, normas de eficácia contida,
limitada e plena. Geralmente as normas de eficácia plena versam sobre direitos
humanos, não necessitando, pois, de muita regulamentação para sua eficácia, ou
quase nenhuma regulamentação, v. G. O direito ao livre culto religioso, o direito de
ir e vir e etc. Já as normas de eficácia contida e limitada precisam mais da leis que
a regulamentem, que fazem com que elas sejam efetivas, como uma lei que
estabelece que será criado o código penal, o tributário, o processual por leis
ordinárias. Antes da leis ordinárias, hierarquicamente, ainda existem as Emendas
constitucionais e as Leis complementares, ambas sendo emanadas do poder
constituinte derivado. Importante salientar que o poder constituinte originário é
advindo da assembléia constituinte e da própria constituição, fruto de tal
assembléia, e a assembléia, por sua vez, é o fruto da valoração de dada sociedade,
nas palavras de Kelsen é a própria norma hipotética abstrata fundamental.
Da hierarquia das normas no ordenamento jurídico pátrio
O ordenamento jurídico brasileiro segue também o princípio da
constitucionalidade, já analisado. No entanto, como somos um Estado federativo,
uma União de estados-membros, a Constituição federal confere aos estados o
poder constituinte derivado, motivo pelo qual cada estado possui a sua respectiva
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constituição, todas em conformidade, é claro, com a carta magna. Esta, por
exemplo, estabelece competências para cada estado legislar, e também confere ao
município tal poder, sendo este também um ente federado. Assim, v. G., não há
que se falar que uma lei municipal é menos importante que a federal, contanto que
aquela obedeça às disposições desta. O mesmo fenômeno se verifica com as leis
estaduais em relação às demais. Logo, vê-se a supremacia da Constituição. Não se
trata de importância, necessariamente, mas sim de hierarquia.
Temos, em nosso ordenamento jurídico, a seguinte hierarquia:
1º - Constituição Federal
2º - ADCT
3º - Emenda Constitucional
4º - Lei Complementar
5º - Lei Ordinária
6º - Lei Delegada
7º - Medida Provisória
8º - Decreto Legislativo
9º - Resoluções
Alguns autores divergem da classificação acima mencionada, sobretudo no que
tange ao posicionamento da ADCT em 2º lugar: para muitos ela nem poderia estar
ali. Entendemos que ele deve estar neste rol.
A CF, a ADCT, a EC e a LC possuem supremacia sobre as demais, pois que tratam
de assuntos inerentes às leis nacionais. Eis aí a supremacia vertical, porque
inerente às leis federais, atreladas à Constituição federal.
As Emendas são as necessidades constitucionais que surgem com o passar do
tempo, haja vista que a sociedade é dinâmica; apesar da constituição ter um
caráter rígido, urge mudanças ou acréscimos em seu corpo, que só a própria CF
pode regrar. Exemplo disto foi a emenda constitucional nº 45, que teve por intuito
trazer celeridade ao judiciário brasileiro, não ferindo destarte nenhum dispositivo
constitucional. Entretanto nem tudo pode ser mudado, como por exemplo as
cláusulas pétreas contidas no art. 60, par.4º, I, II, III e IV.
As leis complementares são dispositivos para complementação de leis
constitucionais de eficácia contida ou limitada. Há de ter matéria para sua
imposição, senão será lei ordinária.
Os atos das disposições constitucionais transitórias ( ADCT) tem por fito
regulamentar o período de transição que se dá do regime jurídico estabelecido pela
velhaconstituiçãoo para a nova. Deve-se observar que há certas situações em que a
nova constituição pede lei infraconstitucional que venha a regulamentar algumas
de suas normas e, para que essa norma não tenha a sua aplicabilidade prejudicada,
os ADCT’s a regulamentam até que lei específica sobrevenha.
As leis ordinárias são aquelas cuja competência a própria CF conferiu aos entes
federados. São também chamadas de leis residuais, pois, se não for de espécie
específica nenhuma, ou melhor, se não for exceção à regra da separação dos
poderes, é lei ordinária. Assim, a União, os estados, o distrito federal e os
municípios possuem a autonomia da elaborar as suas próprias leis, todas elas,
repito, em total consonância com a Nossa carta magna. Como cada ente federado
possui competência em função da matéria para legislar, a regra é a de não haver
hierarquia entre elas, haja vista que cada uma corresponde à sua competência.
Contudo, o art. 24 de nossa CF prevê que haja caso de legislação concorrente, onde
se estabelece as seguintes normas gerais:
“Art. 24 – Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre:
Pár. 1º - No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á
a estabelecer normas gerais.
Pár. 2º - A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a
competência suplementar dos Estados.
Par.3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a
competência legislativa plena, para atender suas peculiaridades.
Par.4º - A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da
lei estadual, no que lhe for contrário.”
Alguns conflitos de leis ordinárias são resolvidos pelos princípios Lex posteriori
derogat legi priori e Lex especialis derogati legi generali , ou seja, quando da
superveniência de uma nova lei, a anterior é de pronto revogada e, no segundo
caso, quando da aplicabilidade da norma, a especial prevalece sobre a geral.
A lei delegada (art. 68, CF)é de competência do Presidente da república, que
recebe para tanto a delegação do congresso nacional. Para manter o princípio da
separação dos poderes, há de o Presidente especificar o conteúdo e os termos do
exercício da delegação.
A Medida provisória também é de competência do Presidente da Republica, que
a edita com o fito de sanar uma situação urgente. Tem seu prazo por 30 dias,
prorrogáveis por 60. Não se confunde com a lei, muito embora se ache revestida
dela. É uma exceção ao princípio constitucional da separação dos poderes, haja
vista que o Presidente legisla. Há de se apresentar o periculum in mora o
Presidente para propor a medida. Por se tratar de uma situação extraordinária, a
Constituição estabeleceu garantias formais, tentando, com isso, evitar abusos. São
elas:
“1º - convocação extraordinária do Congresso Nacional, quando em recesso;
2º - imediata apresentação ao Congresso Nacional, pelo Executivo, da medida
provisória por este editada, visando a sua conversão em lei;
3º - perda da eficácia ex tunc, ou seja, desde a edição do ato não convertido em lei.”
O Decreto legislativo é de competência do Congresso nacional e não está sujeito
a sanção presidencial (art. 49 da CF). Sua Promulgação é feita através do
Presidente do Senado Federal.
Por fim, as Resoluções também são de competência do congresso (Senado e
Câmara) e não se submetem a sanção presidencial (art. 68, par.2º; art. 52, V; art.
155, par.2º, IV da CF).
Considerações Finais
Com o advento das grandes guerras, não virou só responsabilidade do Estado de
garantir os direitos humanos, mas sim da comunidade internacional. Isto deu
ensejo aos tratados e convenções internacionais, muitos dos quais o Brasil é
sectário. Ora, tais tratados, como já vimos, entram em nosso ordenamento com
status de lei constitucional, e isto acaba repercutindo na hierarquia de nossas leis.
Nosso sistema é o da supremacia da Constituição e é esta a lei maior de nosso País.
No entanto, não há que se falar em hierarquia das leis de um mesmo grupo, mas
sim de competências que a própria constituição delegou aos entes federados para
legislar: a hierarquia se encontra na relação das normas constitucionais e
infraconstitucionais. Ou melhor: a hierarquia se verifica no plano vertical, ficando
o plano horizontal as normas todas subsidiárias umas às outras.
Referências bibliográficas
GUASQUE, Luiz Fabião. Direito Público: temas polêmicos – Freitas Bastos
Editora. 1997
GOMES, Luiz Flávio. O Sistema Interamericano de proteção dos Direitos Humanos
e o Direito Brasileiro – Revista dos Tribunais. 2000
Disponível em: http://rafaneves83.jusbrasil.com.br/artigos/237305942/hierarquia-das-leis

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