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Gestão de Resíduos Sólidos Iveraldo Guimarães Gestão de Resíduos Sólidos Natal/RN 2015 Gestão de Resíduos Sólidos Iveraldo Guimarães Catalogação da Publicação na Fonte (CIP). Ficha Catalográfica elaborada por Luís Cavalcante Fonseca Júnior - CRB 15/726. G943g Guimarães, José Iveraldo. Gestão de resíduos sólidos / José Iveraldo Guimarães ; edição e revisão do Instituto Tecnológico Brasileiro (ITB). – Natal, RN : 2015. 167 p. : il. ISBN 978-85-68100-61-5 Inclui referências 1. Resíduos sólidos - gestão. 2. Impactos ambientais. 3. Direito ambiental. I. Instituto Tecnológico Brasileiro. II.Título. RN/ITB/LCFJ CDU 349.6 presidente PROF. PAULO DE PAULA diretor geral PROF. EDUARDO BENEVIDES diretora acadêmica PROFA. LEIDEANA BACURAU diretora de produção de projeto PROFA. JUREMA DANTAS FICHA TÉCNICA gestão de produção de materiais didáticos PROFA. LEIDEANA BACURAU coordenação de design instrucional PROFA. ANDRÉA CÉSAR PEDROSA projeto gráfico ADAUTO HARLEY SILVA diagramação MAURIFRAN GALVÃO designer instrucional ITSUO MACÊDO OKASHITA revisão de língua portuguesa FERNANDO PAULO DE FARIAS NETO SÍLVIA BARBALHO BRITO revisão das normas da ABNT LUÍS CAVALCANTE FONSECA JÚNIOR SÍLVIA BARBALHO BRITO ilustração RAFAEL EUFRÁSIO DE OLIVEIRA “A lata de lixo é, na verdade, o resumo da vida diurna de uma família. É ela quem diz nas espinhas de peixe e nas cas- cas de ovos os pratos que houve à mesa. É ela quem informa se lá dentro da sala de jantar se toma vinho ou cerveja [...]. Cada lata de lixo é, em suma, a crônica doméstica de uma família, deixada à noite na porta da rua”. (Humberto de Campos Veras) Índice iconográfico Diálogos Importante Querendo mais? Internet Curiosidade Vocabulário Você conhece? Mídias Atividades O material didático do Sistema de Aprendizado itb propõe ao aluno uma linguagem objetiva, sim- ples e interativa. Deseja “conversar” diretamente, dialogar e interagir, garantir o suporte para o es- tudante percorrer os passos necessários a sua aprendizagem. Os ícones são disponibilizados como ferramentas de apoio que direcionam o foco, identificando o tipo de atividade ou material de estudo. Observe-os na descrição a seguir: Curiosidade – Texto para além da aula, explorando um assunto abordado. São pitadas de conheci- mento a mais que o professor pode proporcionar ao aluno. Importante! – Destaque dado a uma parte do conteúdo ou a um conceito estudado, que seja con- siderado muito relevante. Querendo mais – Indicação de uma leitura fora do material de estudo. Vem ao final da competência, antes do resumo. Vocabulário – Texto explicativo, normalmente curto, sobre novos termos que são apresentados no decorrer do estudo. Você conhece? – Foto e biografia de uma personalidade conhecida pelas suas obras relacionadas ao objeto de estudo. Atividade – Resumo do conteúdo praticado na competência em forma de exercício. Pode ser apre- sentado ao final ou ao longo do texto. Mídias – Contém material de estudo auxiliar e sugestões de filmes, entrevistas, artigos, podcast e outros, podendo ser de diversas mídias: vídeo, áudio, texto, nuvem. Internet – Citação de conteúdo exibido na Internet: sites, blogs, redes sociais. Diálogos – Convite para discussão de assunto pelo chat do ambiente virtual ou redes sociais. Apresentação institucional 11 Palavra do professor autor 13 Apresentação das competências 15 Competência 01 Conceituar resíduos sólidos 19 Os resíduos sólidos 20 Relativizar a característica inservível do lixo 21 O conceito de ambiente 22 Classificação dos resíduos sólidos 23 Classificação dos resíduos sólidos de acordo com a sua origem 26 Conhecer a evolução da geração de resíduos sólidos no Brasil e nos países da OCED 29 Implementar ações para reduzir a geração de resíduos sólidos no Brasil 33 Resumo 34 Autoavaliação 34 Competência 02 Classificar os resíduos sólidos 39 Conceituar as características físicas dos resíduos sólidos 40 Conceituar a compressibilidade de resíduos sólidos 44 Classificar e caracterizar as características químicas dos resíduos sólidos 47 Determinar as características biológicas dos resíduos sólidos 51 Sumário Resumo 53 Autoavaliação 53 Competência 03 Caracterizar a geração de resíduos sólidos 57 A geração de resíduos sólidos 58 A relação entre a geração de resíduos sólidos e os fatores socioeconômicos 58 A relação entre a geração de resíduos sólidos, a poluição e os impactos ambientais 59 A relação entre a geração de resíduos sólidos e a saúde pública 65 Resumo 67 Autoavaliação 67 Competência 04 Determinar métodos para reduzir impactos ambientais 71 As resoluções oficiais como medidas para redução de impactos ambientais pela GRS 72 As medidas de redução de impactos ambientais pela GRS adotadas pela iniciativa privada 72 Os processos de redução de impactos ambientais pela GRS na indústria sucroalcooleira 74 Os processos de redução de impactos ambientais pela GRS na indústria de pneus 75 Os métodos para redução de desperdícios de recursos naturais 79 Resumo 81 Autoavaliação 82 Competência 05 Caracterizar os processos de digestão anaeróbia e aeróbia dos resíduos sólidos 87 Os processos de digestão anaeróbia dos resíduos sólidos 88 As etapas do processo de digestão anaeróbia 89 A etapa da hidrólise do processo de digestão anaeróbia 89 A etapa da acidogênese do processo de digestão anaeróbia 91 A etapa da acetogênese do processo de digestão anaeróbia 91 A etapa da metanogênese do processo de digestão anaeróbia 92 O processos de digestão aeróbia dos resíduos sólidoso 95 Os processos da digestão aeróbia dos resíduos sólidos em uma compostagem 96 Resumo 99 Autoavaliação 99 Competência 06 Caracterizar a composição gravimétrica e analisar parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos urbanos 105 A importância da determinação da composição gravimétrica 106 Os resíduos sólidos para a composição gravimétrica 106 A composição gravimétrica 107 Os resultados da composição gravimétrica 109 Os parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos urbanos 110 O teor de pH dos resíduos sólidos orgânicos 111 O Teor de Carbono Total – COT de matéria orgânica e nitrogênio dos resíduos sólidos orgânicos 112 O teor de sólidos totais fixos e sólidos totais voláteis dos resíduos sólidos orgânicos 113 Resumo 114 Autoavaliação 115 Competência 07 Caracterizar acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte e disposição dos resíduos sólidos urbanos 119 O acondicionamento de resíduos sólidos urbanos 120 O acondicionamento de resíduos sólidos urbanos 120 O acondicionamento de resíduos sólidos domésticos 121 O acondicionamento de resíduos sólidos públicos 122 Os resíduos domiciliares especiais 123 A coleta e transporte de resíduos sólidos urbanos 125 Os veículos de coleta e transporte de resíduos sólidos urbanos 126 Os lixões de disposição dos resíduos sólidos urbanos 127 Os aterros controlados de disposição dos resíduos sólidos urbanos 129 O aterro sanitário 130 A elaboração de um projeto básico para a implantação do aterro sanitário 131 O licenciamento ambiental para a implantação do aterro 132 A documentação do projeto executivo do aterro sanitário 133 A impermeabilização do solo do aterro sanitário 133 As atividades de impermeabilização do aterro sanitário 134 Resumo 135 Autoavaliação 135 Competência 08 Conhecer a legislação aplicável ao gerenciamento de resíduos sólidos 141 Fatores importantes para o desenvolvimento dos serviços de limpeza pública 141 A origem da legislação que dispõe sobre os resíduos sólidos no Brasil 142 Alegislação estadual no Brasil sobre os resíduos sólidos 143 Algumas leis da legislação do distrito federal sobre resíduos sólidos 144 A Lei nº 12.493/1999 sobre resíduos sólidos – Paraná 145 A legislação municipal sobre os resíduos sólidos 145 As resoluções do CONAMA sobre o gerenciamento de resíduos sólidos 146 Índice da Legislação referente ao gerenciamento dos resíduos sólidos baseado em estudo realizado pela Associação Brasileirade Tratamento de Resíduos Sólidos – ABETRE 149 Resumo 155 Autoavaliação 155 Referências 157 Conheça o autor 166 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 11 Apresentação institucional O Instituto Tecnológico Brasileiro (itb) foi construído a partir do sonho de educadores e empreendedores reconhecidos no cenário educacional pelas suas contribuições no desen- volvimento econômico e social dos Estados em que atuaram, em prol de uma educação de qualidade nos níveis básico e superior, nas modalidades presencial e a distância. Esta experiência volta-se para a educação profissional, sensível ao cenário de desen- volvimento econômico nacional, que necessita de pessoas devidamente qualificadas para ocuparem vagas de trabalho e garantirem suporte ao contínuo crescimento do setor pro- dutivo da nação. O Sistema itb de Aprendizado Profissional privilegia o desenvolvimento do estudante a partir de competências profissionais requeridas pelo mundo do trabalho. Está direcionado a você, interessado na construção de uma formação técnica que lhe proporcione rapida- mente concorrer aos crescentes postos de trabalho. No Sistema itb de Aprendizado Profissional o estudante encontra uma linguagem clara e objetiva, presente no livro didático, nos slides de aula, no Ambiente Virtual de Aprendiza- gem e nas videoaulas. Neste material didático, um verdadeiro diálogo estimula a leitura, o projeto gráfico permite um estudo com leveza e a iconografia utilizada lembra as modernas comunicações das redes sociais, tão acessadas nos dias atuais. O itb pretende estar com você neste novo percurso de qualificação profissional, con- tribuindo decisivamente para a ampliação de sua empregabilidade. Por fim, navegue no Sistema itb: um estudo prazeroso, prático, interativo e eficiente o conduzirá a um posicio- namento profissional diferenciado, permitindo-lhe uma atuação cidadã que contribua para o seu desenvolvimento pessoal e do seu país. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 13 Olá! Antes de iniciarmos nossas competências, preciso lhe falar sobre o papel fundamen- tal que você terá no processo de melhoramento das nossas relações com o meio ambiente e os resíduos sólidos (os quais nós mesmos produzimos), através da aplicação de técnicas e metodologias que já desenvolvemos e continuamos a desenvolver. Enquanto eu elaborava este livro — que trata do componente curricular Gestão de Re- síduos Sólidos — com o objetivo de compartilhá-lo com você, passavam por meus pensa- mentos as imagens de impactos ambientais negativos que o lixo vem causando, quase que impunemente, por este planeta afora. Impactos que criam problemas para a saúde pública, que poluem recursos hídricos, contaminam os lençóis freáticos, promovem condições para a proliferação de ratos, moscas, baratas, mosquitos, entre outros vetores que nos transmitem doenças (as mais letais). Convencia-me a todo instante que você e eu teríamos cada vez mais de nos envolver com a intervenção e os efeitos desses resíduos sobre o meio ambiente e so- bre nós. Somente assim, com envolvimento, é que poderíamos cumprir nosso objetivo de um maior aprendizado sobre esse tema que está em luz vermelha de alerta máximo, clamando por urgência. Cada uma das intervenções dos resíduos sobre o ambiente obriga-nos a avaliar e a ana- lisar seu potencial impactante para que encontremos medidas amenizadoras ou de elimina- ção. São caminhos que nós dois trilharemos ao longo deste livro, colhendo, absorvendo e aplicando conceitos e métodos. O Brasil esforça-se para se desenvolver e conviver harmonicamente com os seus ecos- sistemas, muitos já asfixiados pelo nó górdio (ou seja, problema insolúvel) do lixo. Mas esse esforço é insuficiente, pois ainda faltam técnicos em meio ambiente que orientem, executem Palavra do professor autor G es tã o de R es íd uo s Só lid os 14 e embasem esse desenvolvimento sustentável. É aí que você entra: o país precisa de você. Ele precisa avidamente de técnicos que saibam como auxiliar na elaboração, no acompanha- mento e na execução de sistemas de gestão ambiental. Não importa se você estará atuando nas empresas empreendedoras, nas empresas de consultorias elaborando os estudos ambientais ou nos órgãos responsáveis pela avaliação e análise desses estudos. Importa que você adquira a capacidade de fazê-lo. E, ao fazer essa leitura, você começa a se credenciar para ser o técnico tão necessário, tão requerido. Seja bem-vindo! G es tã o de R es íd uo s Só lid os 15 Apresentação das competências Nosso estudo sobre Gestão de Resíduos Sólidos foi estruturado em uma sequência de oito competências, as quais serão apresentadas a você agora. Na primeira competência, você aprenderá sobre os conceitos de resíduos sólidos e de ambiente, a classificar esses resíduos enquadrando-os nas suas respectivas classes e de acordo com os riscos de contaminação e com a sua origem, além de determinar a evolução da geração de resíduos sólidos. A competência dois lhe ensinará como conceituar as características dos resíduos sóli- dos, como classificar as suas características físicas e também como classificar e determi- nar as suas características químicas e biológicas, assim como lhe apresentará as tecnolo- gias para seu tratamento térmico. Os conceitos de geração de resíduos sólidos serão apresentados a você na terceira competência. Você estudará a sua relação com fatores socioeconômicos, poluição, im- pactos ambientais e saúde pública, a como monitorar a poluição em aterros sanitários e a determinar as atividades dos catadores de resíduos sólidos como impactos ambientais socioeconômicos. Na quarta competência, você conhecerá as resoluções oficiais que dispõem sobre me- didas para redução de impactos ambientais pela geração de resíduos sólidos. Também aprenderá sobre os processos dessa redução nas indústrias sucroalcooleira, de pneus e do papel, além de demonstrar métodos de redução de desperdícios dos recursos naturais. Na competência cinco, você conhecerá os conceitos de digestão anaeróbia dos resídu- os sólidos e a determinação e caracterização das etapas de hidrólise, acidogênese, aceto- gênese e metanogênese desse processo, com a produção de substâncias, dentre as quais o metano e o hidrogênio. E também lhe será apresentada a conceituação e a caracteriza- ção dos processos de digestão e da dinâmica da compostagem aeróbia. A classificação e a determinação da composição gravimétrica dos resíduos sólidos ur- banos será o nosso foco na competência seis, bem como a análise e a determinação dos parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos (como pH, carbono total, sólidos fixos e voláteis totais). Na sétima competência, você conhecerá os conceitos e a caracterização de acondicio- namento de resíduos sólidos domésticos e públicos e os processos de armazenamento de resíduos domésticos especiais. Compreenderá também os conceitos e a caracterização da coleta e do transporte dos resíduos sólidos, além de inteirar-se sobre como elaborar um projeto básico de implantação de um aterro sanitário. Na competência oito, você aprenderá sobre a legislação que rege o gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil (a partir dasua origem), as leis federais, estaduais e municipais que dispõem sobre os resíduos, assim como as Resoluções emitidas pelo Conselho Nacio- nal de Meio Ambiente – CONAMA, que legislam a seu respeito. Competência 01 Conceituar resíduos sólidos G es tã o de R es íd uo s Só lid os 19 Conceituar resíduos sólidos Vou confessar a você que há poucos dias estive diante de uma montanha que se forma- va com camadas de lixo cobertas por terra à proporção que ela se elevava: nascia um ater- ro sanitário. Antes, todo aquele lixo era destinado a um depósito gigantesco de resíduos que se acumulavam a céu aberto: um lixão. Um lixão feito de plástico, latas, metais, náilon, borracha, papel e muita matéria orgânica apodrecendo ao sol e ao relento, produzindo todas as consequências malévolas para o ambiente e para nós. Sua cidade também tem ou teve algo semelhante, toda cidade brasileira tem ou teve algo semelhante. Há quantas gerações a humanidade peleja para livrar-se do próprio lixo? Desde sempre. Os tratores rugiam pelo esforço de aterrarem o lixo que nunca parava de chegar lá das bandas da cidade. Certamente, foi aquele cenário que me transportou de volta aos mea- dos de dezembro de 2014: uma reportagem do Fantástico, na Rede Globo, me sensibiliza- ra tanto que parecia que eu a revia naquele momento, como se meus olhos rodassem um replay das cenas. Será que você também assistiu? Era sobre Lauren Singer, uma jovem bióloga americana formada em estudos ambien- tais. Ela vive quase sem produzir resíduos: leva ao mercado uma sacola de material orgâni- co para trazer suas frutas e vegetais; evita comprar produtos em garrafas ou embalagens plásticas; produz o próprio detergente, xampu ou creme hidratante; a própria pasta de den- te e o desodorante. Confessou que é vegetariana por uma questão de sustentabilidade. Em dois anos, ela produziu uma quantidade de lixo tão insignificante que cabe em um pequeno pote de material reciclável. Assista essa reportagem e conheça mais sobre a iniciativa de Lauren Sin- ger: <http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/12/jovem-americana- -produz-lixo-que-cabe-dentro-de-pote-em-dois-anos.html>. Querendo mais G es tã o de R es íd uo s Só lid os 20 Liguei o carro e comecei a me afastar dali, enquanto lembrava que cada um de nós produz cerca de quase meia tonelada de lixo por ano. É chegada a hora de se levar a sério a proposta do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), uma entidade que defende princípios para se alcançar a meta Lixo Zero, como Lauren já faz. Mas, qualquer grama de resíduo que se reduza já me encherá de esperança. Os resíduos sólidos Você já notou que estamos nos referindo aos termos “lixo” e “resíduo sólido” sem qual- quer distinção? Não tem nada de errado nenhum dos dois termos. É que eles possuem o mesmo significado, lixo é apenas mais popular. Mas, em verdade, o que eu queria lhe per- guntar era como poderemos conceituar esse lixo nosso de cada dia? Você poderia construir uma definição dele, mesmo breve? Ah! Gostei da lembrança. É verdade. A Lauren, a bióloga americana do Lixo Zero, definiu lixo “como tudo o que vai para um aterro e fica lá para sempre”. Ou seja, materiais inúteis ou perigosos que devem ser descartados. No entanto, quero que saiba que foram elabo- radas conceituações mais complexas, a exemplo da definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através da NBR 10004/2004 que estabelece serem “resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades de origem industrial, domés- tica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição” (ABNT, 2004, p. 1), que se amontoam nos lixões e se recobrem nos aterros. Figura 1 – Resíduos sólidos em lixão Fonte: <http://i1.wp.com/blogdomartins.com.br/wp-content/uploads/2013/09/lixao.jpg?resize=540%2C303>. Acesso em: 17 ago. 2015. A norma NBR 10004/2004 dispõe ainda que se incluem nessa definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como deter- minados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponí- vel (ABNT, 2004, p. 1). Importante Não é tão difícil assim essa conceituação da ABNT, concorda? E não podemos deixar de lembrar a definição estabelecida pela Lei nº 12.305/2010, a qual instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela determina que o resíduo sólido é qualquer [...] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de ativi- dades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos de água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010, extraído da internet). Diante de tudo que foi exposto até agora, tenho certeza que você deve estar se pergun- tando: “com todo esse material tão perigoso exposto sobre a terra, sem qualquer seguran- ça, como o ambiente pode sobreviver?” Claro que sua missão será encontrar uma resposta para esse questionamento. Você irá encontrá-la, além de outras para tantas outras ques- tões. Porém, nós temos que subir degraus e, antes de pisarmos no próximo, vamos encon- trar uma conceituação para esse ambiente com o qual você está preocupado. Relativizar a característica inservível do lixo Pelo que entendemos até agora, qualquer conceituação de resíduos sólidos conteria a essência de que eles são materiais supérfluos ou perigosos, resultantes de atividades G es tã o de R es íd uo s Só lid os 21 humanas e que devem ser eliminados. Concorda? Você pode até concordar, mas eu quero provocar a sua consideração. Por exemplo: você possuía uma mesa dobrável de passar roupa que não tinha mais serventia (por várias razões). Ela se transformou em lixo e foi descartada. De repente, eu vejo a sua mesa descartada e a pego para usá-la como mesa de meu teclado, após algumas adaptações. Então, observe que há uma relatividade na característica inservível e descartável do lixo, pois aquilo que não lhe servia mais se tor- nou matéria-prima de um novo produto. E quando eu, por uma razão qualquer, descartar minha mesa de teclado, será que alguém irá reaproveitá-la em uma nova função? Se esse processo continuar indefinidamente, como definir lixo, afinal? Diante dessa reflexão, eu poderia dizer que lixo é aquele produto que ninguém nunca mais irá reivindicar para usá-lo ou transformá-lo em um novo produto com nova função. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 22 Podemos até, inadvertidamente, chamar de lixo um galho ou uma folha de árvore caída no solo — mas não estaremos corretos porque a natureza não produz lixo. Vou explicar: as excreções dos seres vivos, inservíveis ou peri- gosas para eles próprios (a exemplo, urina e fezes), são biodegradados por bactérias, que reduzem substâncias complexas em elementos mais sim- ples. O oxigênio liberado pela fotossíntese, considerado um resíduo para os vegetais, é de uso e necessidade vital para todos os organismos aeróbios. Como preconizava o cientista James Lovelock, autor da “teoria de Gaia”, o resíduo de um ser vivo é o alimento de outro, mas, se não for consumido, os ciclos bioquímicos farão sua transformação. Antoine-Laurent de Lavoisier já afirmara que na naturezanada se perde, tudo se transforma. Curiosidade O conceito de ambiente O ambiente não é algo fácil de conceituar. Está duvidando? Então, me dê uma definição de meio ambiente. Eu lhe dou cinco minutos para você elaborá-la. Seus cinco minutos já se passaram. Eu sei que você bolou uma definição para ambiente e provavelmente constatou que esse conceito pode ser mais abrangente do que suspeita- va, que pode ter diferentes perspectivas e se adequar de acordo com a necessidade dos interessados. Entretanto, para a nossa finalidade, tomaremos emprestada a definição que G es tã o de R es íd uo s Só lid os 23 diz ser o ambiente o meio do qual retiramos os recursos naturais essenciais à sobrevivên- cia e necessários para nosso desenvolvimento; e ainda, o meio de vida que mantém as funções ecológicas das quais depende a própria vida. Figura 2 – Meio ambiente com recursos essenciais à sobrevivência Fonte: <http://www.mensagenscomamor.com/diversas/meio_ambiente.htm>. Acesso em: 17 ago. 2015. O ambientalista francês Godard (1980, p. 7) postulava ideias bem similares com rela- ção aos conceitos expostos, pois afirmava que não se define ambiente “apenas como um meio a defender, a proteger, ou mesmo a conservar intacto, mas também como potencial de recursos que permite renovar as formas materiais e sociais do desenvolvimento.” Apenas para deixar mais abrangente a conceituação de ambiente, não vamos nos es- quecer daquele contida na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 3º, inciso “L”, se- gundo a qual ele “seria um conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” (BRASIL, 1981, extraído da internet). Classificação dos resíduos sólidos Você aprenderá agora como classificar os resíduos sólidos. Claro que a classificação a ser adotada aqui não é a única nem tampouco a definitiva, porém, será aquela que nos servirá de baliza nesses nossos estudos. Dessa maneira, vamos classificá-los quanto aos riscos de contaminação ambiental e quanto a sua origem, em conformidade com a Norma Brasileira NBR 10.004 da ABNT. Com relação aos potenciais riscos de contaminação am- biental, os resíduos sólidos podem se classificar em perigosos (classe I), não inertes (clas- se II), e inertes (classe III). Para seu melhor aprendizado, vamos conceituar e exemplificar cada um deles de acordo com suas classes. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 24 Figura 3 – Classificação dos resíduos sólidos com relação aos riscos de contaminação Fonte: <http://www.scielo.br/img/revistas/rcf/v24n62/04f04.jpg>. Acesso em: 17 ago. 2015. Resíduos sólidos perigosos (classe I) Os resíduos sólidos perigosos, enquadrados como da classe I, são aqueles considera- dos inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos ou patogênicos. Com essas qualidades, eles realmente podem apresentar riscos à saúde humana ou impactos negativos ao meio am- biente se manuseados ou dispostos de forma inadequada. Quais produtos seriam esses tão potencialmente nocivos? São, por exemplo, elemen- tos químicos radioativos (gerados em usinas nucleares, como césio, plutônio e estrôncio), óleos minerais e lubrificantes, filtros de óleo, filtros de ar, papéis e plásticos contaminados com graxa/óleo e varreduras, pastilhas de freio, serragens contaminadas com óleo, graxas ou produtos químicos, resíduos de sais provenientes de tratamento térmico de metais, estopas, lona de freio, borra de tinta, borra de chumbo e latas de tinta. Por conta de sua periculosidade, eles não podem ser dispostos em aterros sanitários comuns, porém, po- dem ser armazenados temporariamente, tratados, incinerados ou dispostos em aterros sanitários apropriados para recebê-los. Varredura: Pro- dutos residuais coletados após var- rição no interior de indústrias, postos de combustíveis, curtumes, limpeza urbana etc. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 25 Figura 4 – Resíduo atômico armazenado de forma inadequada, em Asse, Alemanha Fonte: <http://www.dw.com/image/0,,16445664_303,00.jpg>. Acesso em: 17 ago. 2015. Figura 5 – Ilustração de radiação do césio 137 Fonte: Oliveira (2015). Em setembro de 1987, em Goiânia, Goiás, dois catadores de lixo encon- traram um aparelho de radioterapia que fora descartado como lixo. Dentro dele encontrava-se uma cápsula de césio 137. Quando expuseram a cáp- sula com o seu pó branco (o sal cloreto de césio) e sua radiação azul (IM 05) para a comunidade não sabiam que haviam libertado a própria morte. Vieram os primeiros sintomas de contaminação radioativa com náuseas, vômitos, diarréias e tonturas e lesões na pele. Milhares de pessoas foram contaminadas e dezenas faleceram. Curiosidade G es tã o de R es íd uo s Só lid os 26 Resíduos sólidos não inertes (classe II) Os resíduos sólidos não inertes, enquadrados como da classe II, são aqueles consi- derados combustíveis, biodegradáveis ou solúveis. Eles não podem ser classificados na classe I porque não apresentam potencialidade para se tornarem perigosos, logo, podem ser dispostos em aterros sanitários ou reciclados. São basicamente constituídos de papéis, vidros, metais, materiais orgânicos da indústria alimentícia, lamas de sistemas de trata- mento de águas, limalha de ferro, poliuretano, fibras de vidro, resíduos provenientes de limpeza de caldeiras e lodos provenientes de filtros, pó de polimento, gessos, varreduras, polietileno e embalagens. Resíduos sólidos inertes (classe III) Os resíduos sólidos inertes, enquadrados como da classe III, são aqueles cujas carac- terísticas não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, por isso mesmo podem ser dispostos em aterros sanitários ou reciclados. Por falar em características, eles detêm a qualidade de não alterar a sua própria constituição em uma linha qualquer de tempo, nem tampouco as propriedades do ambiente. Ao contrário dos resíduos não inertes, eles não se solubilizam e são representados por entulhos de demolição e sucatas de aço. Biodegradável: matéria que se decompõe com a ação de microrga- nismos. Figura 6 – Resíduo atômico armazenado de forma inadequada, em Asse, Alemanha Fonte: <http://www.dw.com/image/0,,16445664_303,00.jpg>. Acesso em: 17 ago. 2015. Classificação dos resíduos sólidos de acordo com a sua origem A classificação dos resíduos quanto a sua origem agrupou os mais diversificados tipos G es tã o de R es íd uo s Só lid os 27 de lixo em cinco classes: lixo doméstico, lixo comercial, lixo público, lixo domiciliar espe- cial (entulho de obras, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, pneus) e lixo de fontes especiais (lixo industrial, radioativo, de portos, aeroportos, rodoferroviárias, agrícola e hos- pitalar). Mas, não basta apenas você conhecer a sua classificação: é preciso que saiba conceituar cada desses tipos mencionados (IBAM, 2001). Para facilitar seu aprendizado, sumarizei essas conceituações no Quadro 1: Classes de resíduos Tipos especiais de resíduos Classificação de resíduos hospitalares Conceituação de resíduos Doméstico Comercial Público Domiciliar especial Entulhos Lâmpadas fluorescentes Pneus Pilhas e baterias Resíduos gerados no cotidiano das edi- ficações residenciais: apartamentos, condomínios, casas, por exemplo. Resíduos gerados nas atividades diá- rias dos empreendimentos comerciais, cujas propriedades dependem das ativi- dades desenvolvidas. Resíduos presentes nos locais públicos constituídos de folhas, ramos, galhos, frutas, flores, galhos, areia e outros tipos de resíduos(tais como restos ali- mentícios, garrafas plásticas, papéis, embalagens, entulhos), todos lançados irregular e indevidamente pela própria comunidade. Os resíduos da construção civil (entu- lhos) se compõem de materiais inertes (como argamassa, vidros, telas de nylon concreto, madeira, papelão, vidros, me- tais), os quais correspondem a 50% dos resíduos urbanos. O pó que se encontra no interior das lâmpadas fluorescentes (e se incandes- ce com a eletricidade) contém mercúrio, que é liberado quando elas se quebram. Nos aterros sanitários, se transformam em resíduos perigosos. Os pneus são causadores de problemas ambientais. Se deixados ao ar livre, acu- mulam água de chuva e propiciam um ambiente adequado para o desenvolvi- mento de mosquitos; se são queimados, geram gases tóxicos. Elas podem conter os seguintes me- tais: chumbo (Pb); cádmio (Cd); mer- cúrio (Hg); níquel (Ni); prata (Ag); lítio (Li); zinco (Zn); e manganês (Mn). Esses elementos são resíduos perigosos e podem impactar negativamente o am- biente e o homem. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 28 Classes de resíduos Tipos especiais de resíduos Classificação de resíduos hospitalares Conceituação de resíduos Fontes especiais Industrial Radioativo Portuários, aeroportuários e rodoferroviários Agrícola Hospitalar Lixo biológico Lixo cirúrgico Lixo radioativo Lixo farmacêutico Lixo químico Lixo comum Resíduos produzidos pelas indústrias que possuem diferentes características, pois dependem da matéria-prima utiliza- da na sua fabricação. Resíduos que emitem radiações com intensidades superiores aos limites permitidos pela legislação vigente. São resultantes do processamento de com- bustível atômico em reatores nucleares e aplicações médicas. Resíduos originados em terminais e no interior de navios, aeronaves e veícu- los. São periculosos devido ao risco de transmissão de patogenias por pessoas e cargas. Resíduos na forma de embalagens con- taminadas com pesticidas e fertilizantes químicos. Resíduos constituídos de meios de cul- turas microbiológicas, vacinas vencidas e materiais de áreas contaminadas. Resíduos compostos de tecidos, sangue e outros líquidos oriundos de cirurgias e necropsias, além de órgãos e fetos, agulhas, pipetas, lâminas de bisturis e ampolas. Resíduos constituídos de materiais ra- dioativos originados de usinas de ener- gia, laboratórios de análises e serviços de radioterapia e medicina nuclear. Resíduos compostos de medicamentos contaminados, com prazos de validade vencidos ou não utilizados. Resíduos com teores de toxicidade, mu- tagênicos, inflamáveis e corrosivos. Resíduos que não são perigosos e se assemelham aos resíduos domiciliares. Quadro 1 – Classificação de resíduos sólidos de acordo com sua origem Fonte: IBAM (2001). Já que estamos estudando juntos sobre esses diferentes tipos de resíduos, eu confesso que me incomoda essa categoria de “lixo domiciliar especial”, pois ela traz consigo uma bomba química silenciosa e de alta periculosidade para a nossa saúde: a pilha. Sei que você vai me entregar o contra-argumento de que produzimos resíduos muito mais pericu- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 29 losos. Pode ser, mas as pilhas que se transformam em lixo me incomodam muito por sua aparência inofensiva e sua blindagem que transmite uma sensação de segurança. As pilhas não são tão inofensivas assim: elas carregam em seu interior metais como chumbo, mercúrio, cádmio e níquel (para citar alguns), que são passíveis de misturar-se ao ambiente com a deterioração de seu invólucro, apesar da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) considerar que elas podem ser descartadas em lixões desde que apre- sentem baixos teores dos referidos metais. Acontece que são bilhões de pilhas descarta- das, e aí o baixo teor dos metais pode se tornar um teor significativo. Para mim essa norma é muito frágil, não acha? Figura 7 – Pilhas descartadas como resíduo sólido Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/-GYVPoHky4nE/TfqcSgLPeTI/AAAAAAAAAGI/OmUExo_U_rA/s320/pilhas.jpg>. Acesso em: 17 ago. 2015. “Entretanto, quais os danos que esses metais poderiam causar em nossas vidas para me deixar tão incomodado?” Você me pergunta. Vou lhe revelar: o chumbo pode causar anemia e problemas pulmonares, disfunção renal, convulsões e levar ao coma; o mercúrio também pode causar convulsões, além de infecções no trato digestivo e lesões cerebrais; o cádmio é carcinogênico, FIM assim como o níquel; e o manganês afeta o sistema neuro- lógico. Entendeu agora porque essa bomba química silenciosa me deixa tão incomodado? Conhecer a evolução da geração de resíduos sólidos no Brasil e nos países da OCED Há um assunto muito importante concernente aos nossos estudos sobre o qual tere- mos de nos deter mais devagar: é referente à evolução da produção dos resíduos sólidos, tanto no Brasil quanto em outros países. A sua determinação depende da presença de um Carcinogênico: substância que pro- voca ou estimula o desenvolvimento de um tumor malig- no no organismo. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 30 indicador: a quantidade de resíduo que cada um de nós produz por dia ou por ano. É o que chamamos de geração per capita, uma das principais características físicas dos resíduos. Então, antes de continuarmos, vamos descobrir como se determina o valor desse indicador. Imagine que você acaba de receber a incumbência de determinar a evolução da gera- ção de resíduos sólidos de um município brasileiro. Você já conhece a cidade e certamente esse conhecimento irá lhe ajudar a fazer a tarefa. De acordo com o último censo, a popula- ção urbana era de 30 mil habitantes e crescia a uma taxa de 4% ao ano. Você também des- cobriu que o município produzia 15 toneladas de lixo por dia. Com esses dados em mãos, você projetará a evolução da geração de resíduos para os próximos 10 anos. Inicialmente, calculará quanto de resíduos uma pessoa da comunidade produz por dia (o indicador). Para tanto, divida a quantidade de lixo coletada (15.000 kg) pelo número de habitantes (30.000) e obterá a geração de lixo per capita, isto é, por pessoa. 15.000 : 30.000 = 0,5 Kg de resíduo/hab./dia Com uma taxa de crescimento populacional da ordem de 4% ano, você poderá calcu- lar a população futura acrescentando a percentagem de crescimento sobre a população anterior, como exemplificado na equação a seguir. A população em 2010 era de 30.000 habitantes crescendo a 4% ao ano. Em 2011, a população será de: 30.000 hab. X 4% : 100 = 1.200 + 30.000 = 31.200 habitantes Assim, você deve continuar a determinar as futuras populações do município até ao ano 2020, quando ele terá uma população de 44.401 habitantes, como mostrado no Quadro 2: Quadro 2 – Projeção populacional até 2020 Fonte: autoria própria (2015). Fonte: autoria própria Exemplo de evolução populacional Ano 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 População urbana (habitantes) 30.000 31.200 32.448 33.745 35.094 36.497 37.956 39.474 41.052 42.694 44.401 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 31 Fonte: autoria própria Exemplo de evolução de geração de resíduos Ano 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 População urbana (hab.) 30.000 31.200 32.448 33.745 35.094 36.497 37.956 39.474 41.052 42.694 44.401 Resíduos (kg/hab./dia) 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 Coleta de resíduos/dia (t) 15,0 15,6 16,2 16,8 17,5 18,2 18,9 19,7 20,5 21,3 22,2 Quadro 3 – Exemplo de evolução de geração de resíduosFonte: autoria própria (2015). Com os dados da evolução demográfica e de posse da quantidade de resíduos produ- zida por cada habitante (0,5 Kg de resíduo/hab./dia), você poderá determinar a evolução da geração de resíduos da cidade, mostrada no Quadro 3. Para tanto, bastará multiplicar a população de cada ano pelo indicador da geração de resíduos. Exemplificando: no ano de 2016, a população será de 37.956 habitantes e assim: 37.956 hab. X 0,5 Kg = 15.600 Kg de resíduos coletados/dia Sabendo a evolução da geração de resíduos, você ajudará a cidade a se planejar sobre a necessidade de adequar o sistema de coleta, transporte e disposição dos resíduos sóli- dos produzidos pela comunidade. Em uma cidade com 85.000 habitantes e com coleta diária de lixo na ordem de 51 toneladas, qual seria a sua geração per capita? Produza um texto com suas conclusões. Lembre-se de compartilhá-lo em nosso fórum. Atividade 01 Você aprendeu como calcular o indicador de geração evolutiva de resíduos. Agora, va- mos saber como o Brasil e o mundo trata dessa questão. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tinha uma população de 175 milhões de habitantes no ano de 2002, a qual cresceu para mais G es tã o de R es íd uo s Só lid os 32 de 190 milhões em 2009 (BRASIL, 2009a; 2009b). Nesse mesmo período, a geração de resíduos cresceu de 140 mil toneladas para mais de 190 mil. Diante desses números, você pode até concluir que o crescimento da geração de resíduos é diretamente proporcional ao crescimento da população. No entanto, não é bem assim, visto que esses mesmos núme- ros demonstram que percentualmente a geração de resíduos cresce mais (21%) do que a população (7,8%). O que acontece é que, para haver uma relação direta entre os dois crescimentos, seria necessário ocorrer também um desenvolvimento econômico (maior poder aquisitivo e de consumo da população) e um aumento do Produto Interno Bruto – PIB (CAMPOS, 2012). É por essa razão que nos países mais ricos, que possuem todas essas premissas, os indica- dores de geração de resíduos sólidos apresentam-se muito mais robustos. Um exemplo do que estou afirmando: no Brasil, a geração per capita anual desses re- síduos foi de 359 kg/hab. em 2009; na Noruega, foi de 830 kg/hab., conforme dados da Organização para Cooperação Econômica e de Desenvolvimento (OCED, 2009), que possui mais de trinta países filiados. Na verdade, enquanto o Brasil gera 359 kg/hab./ano, outros países muito mais desenvolvidos — como a Dinamarca, a Irlanda, os Estados Unidos e a Nova Zelândia — produzem acima de 600 kg/hab./ano de resíduos sólidos. Per capita: expres- são que significa, em latim, por cabe- ça. Geralmente, e estatisticamente, indica uma média por pessoa, do consumo de um alimento, por exemplo. A Organização para Cooperação Econômica e de Desenvolvimento – OCED é se- diada em Paris e se constitui de 34 países-membros. Foi fundada em 1961 para suceder a Organização para a Cooperação Econômica Europeia. A OCDE atua com ações internacionais e intergovernamentais reunindo países mais ricos e alguns países emergentes com o objetivo de potencializar seu crescimento econômico. O Brasil não é membro da OCDE, mas é considerado um parceiro-chave, o que lhe permite participar de Comitês da Organização e de inúmeras áreas de trabalho. O objetivo de todas as nações é reduzir a geração dos resíduos. Os países ricos gastam esforços com ações, tais como incluir em suas legislações sistemas econômicos na forma de cobrança pela disposição em aterros, de impostos sobre produtos, pela geração dos próprios resíduos e crédito pelas reciclagens, como explicou Azevedo (2004). Cada país vem desenvolvendo outras experiências no sentido de reduzir a geração de resíduos sólidos: a Bélgica incentiva o desenvolvimento da compostagem; na Itália, am- pliam-se os processos de coleta seletiva; a Dinamarca obteve sucesso com a reciclagem de G es tã o de R es íd uo s Só lid os 33 entulhos (NOVAES, 2001); e a Alemanha, a Finlândia e a Espanha incentivam o consumo sustentável (BIANCHI; CIAFANI, 2009). Implementar ações para reduzir a geração de resíduos sólidos no Brasil E o Brasil? O que você acha que nós estamos fazendo nessa guerra planetária para reduzir a geração de resíduos sólidos? Inicialmente, vamos nos situar na nossa atual re- alidade com relação à geração de resíduos. Os dados registrados em Brasil (2009) nos informam que a média per capita da produção de resíduos, como já vimos, era de 359 kg/ hab./ano. Na região Sul, a geração per capita de resíduos fora estimada em 0,81 kg/hab./ dia; na região Sudeste, em 0,88 kg/hab./dia; na região Nordeste, em 1,03 kg/hab./dia; na região Norte, 1,15 kg/hab./dia; e na Centro-Oeste, 1,47 kg/hab./dia. Você já entendeu que são vários os fatores que podem interferir na geração de resíduos sólidos — dentre eles, o PIB. Na Europa, até o ano 2000, havia uma relação direta de cresci- mento entre os dois indicadores. A partir daí, o PIB passou a crescer mais que a geração de resíduos. No Brasil, havia uma paridade de crescimento entre os indicadores até o ano de 2008. Em 2009, ocorreu uma queda no valor do PIB, mas a geração total de resíduos conti- nuou crescendo. Um evento inverso ao evento da Europa, como se constata na tabela abaixo. Ano Número de municípios (amostra) Geração per capita kg/ hab./dia Geração re- síduos 1.000 toneladas/dia População (habitantes) PIB 2010 (R$ milhões) Tabela 1 – Evolução da geração per capita de resíduos sólidos e do produto interno bruto no Brasil (2002-2009) Fonte: Brasil (2009a; 2009b). 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 50 80 113 153 205 306 262 1087 0,75 0,74 0,76 0,79 0,93 0,97 0,98 0,96 140,09 146,56 153,32 160,40 167,80 175,55 183,65 192,12 174.621.249 176.926.250 179.155.520 181.305.387 183.372.268 185.352.688 187.243.286 189.040.821 2.689.757 2.720.598 2.876.007 2.966.879 3.084.280 3.272.156 3.441.081 3.418.896 Uma ação positiva efetiva realizada no Brasil foi a promulgação da Lei nº 12.305/2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prioriza a redução na geração de resíduos e induz a uma gestão com sustentabilidade. Outra ação eficaz é a cobrança de uma taxa pela oferta dos serviços relativos à geração e disposição do lixo (BRASIL, 2010). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 34 Você, como técnico em meio ambiente, poderá auxiliar nessa luta sugerindo, por exem- plo, incentivos à propagação do processo de compostagem e ao aumento na aquisição de geladeiras, pois elas reduzem resíduos orgânicos; à implementação da educação am- biental permanente no currículo escolar; ao uso de produtos com embalagens retornáveis. E outras e outras. Não seria um bom exercício você elaborar uma relação de ações que podem eliminar a geração de resíduos? Pois faça. Para ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos que compartilhamos nesta competência, sugiro a leitura do livro Gestão de resíduos sólidos, or- ganizado por Carlos Silva Filho e Fabrício Soler, que fizeram um exaustivo trabalho ao compilar primoroso material sobre a gestão de resíduos sólidos para colocar à nossa disposição. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu a conceituar resíduos sólidos e de ambientes; a classificar esses resíduos de acordo com os riscos de contaminação em sólidos perigosos (classe I), em não inertes (classe II) e inertes (classe III); e também quanto as suas origens em doméstico, comercial, público, domiciliar especial e de fontes especiais; além de deter- minar a evoluçãoda geração de resíduos sólidos. Autoavaliação 01. Qual das afirmativas abaixo está correta? a) Resíduos nos estados sólido e semissólido são aqueles que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. b) Resíduos nos estados sólido e semissólido são aqueles derivados unicamente de ativi- dades agrícolas. c) Resíduos nos estados sólido e semissólido são aqueles que podem ser reciclados. d) Resíduos nos estados sólido e semissólido são aqueles que podem ser industrializados. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 35 02. Qual das afirmativas abaixo está correta? a) O ambiente é o meio constituído de proteínas que sofrem a biodegradação. b) O ambiente é o meio com o qual conseguimos estabelecer uma conexão entre substân- cias orgânicas. c) O ambiente é o meio constituído apenas por substâncias orgânicas. d) O ambiente é o meio do qual retiramos os recursos naturais essenciais à sobrevivência e necessários para nosso desenvolvimento. 03. Quais são as respostas corretas para estas lacunas? I – Com relação aos potenciais riscos de __________, os resíduos sólidos podem se classi- ficar em perigosos (classe I), não inertes (classe II), e inertes (classe III). II – Os resíduos sólidos perigosos, enquadrados como __________, são aqueles considera- dos inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos ou patogênicos. III – Os elementos químicos radioativos (gerados em usinas nucleares, como césio, plutô- nio e o estrôncio) e os óleos minerais são classificados como __________. IV – Os resíduos sólidos são classificados em __________. a) contaminação ambiental; da classe I; perigosos; perigosos, não inertes e inertes. b) da classe I; perigosos; contaminação ambiental; perigosos, não inertes e inertes. c) contaminação ambiental; perigosos, não inertes e inertes; perigosos; da classe I. d) perigosos; perigosos, não inertes e inertes; da classe I; contaminação ambiental. 04. Os resíduos sólidos inertes, enquadrados como da classe III, são aqueles cujas carac- terísticas: a) Oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. b) Não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente. c) Alteram as propriedades do ambiente. d) Alteram a sua própria constituição. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 36 05. Os resíduos gerados nas atividades diárias em casas, apartamentos, condomínios e outras edificações residenciais são classificados como: a) Comerciais. b) Públicos. c) Domésticos. d) Industriais. Classificar os resíduos sólidos Competência 02 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 39 Classificar os resíduos sólidos Nesta competência, você aprenderá a conceituar as características dos resíduos sóli- dos; a classificar as suas características físicas; a classificar e determinar as suas carac- terísticas químicas e biológicas; e conhecerá as tecnologias para seu tratamento térmico. Você compreenderá que cada tipo de resíduo sólido solicita um tipo de gerenciamento diferente e específico. Tendo em vista que é de interesse de todos, ele não deve se resumir tão somente a sua coleta e a sua disposição o mais distante possível, como todos desejam. Deve sim ter um tratamento individualizado para mitigar ou eliminar impactos ambientais, socioeconômicos ou de saúde pública. E esse tratamento deverá direcionar-se para os processos de reaproveitamento e reciclagem. Espero que você também compartilhe com esse pensamento. E o que você pensa da ideia de que todo o lixo por nós produzido deveria ser matéria- -prima de novos mecanismos de produção e, claro, de fonte energética? Eu sei que um projeto dessa natureza exigiria uma mudança radical de nosso comportamento, pois seria necessária a implantação de um modelo de gestão dos resíduos que contemplasse as me- tas de redução e aproveitamento. Vou lhe revelar um fato que pode até parecer absurdo, mas não é: o lixo orgânico pro- duzido no Brasil (65% do lixo produzido) tem potencial de se transformar na mesma quan- tidade de energia produzida pelas hidrelétricas, sem nenhum dos impactos ambientais que elas promovem. Na cidade de Marl, na Alemanha, um biodigestor trata 300 toneladas de lixo orgânico/dia e produz uma potência elétrica instalada da ordem de 3 MW. Se, por exemplo, o Brasil construísse duas mil usinas semelhantes, produziria a mesma quantida- de de energia (6.000 MW) que produzirá a terceira maior hidrelétrica do mundo (a de Belo Monte, no Pará) com um custo centenas de vezes menor. Apenas como epílogo da nossa conversa, também vou lhe dar uma notícia sobre o Ja- pão: nesse país, cerca de 78% do lixo que sua população produz se transforma em energia. Aqui no Brasil, a percentagem é de 0% (CEMPRE, 2008; EPE, 2007). Esse cenário mudará com o planejamento e a participação efetiva de técnicos. Entendeu por que você é tão necessário? Você está lembrado que já concluímos que as características dos resíduos sólidos (com relação a sua função) são dependentes das origens deles e de aspectos climáticos, socioeconômicos, geográficos, dentre outros. Essas características foram classificadas em físicas, químicas e biológicas. Importante Um parâmetro relativo às características físicas dos resíduos sólidos, geração per capi- ta, já foi discutido por nós anteriormente. Agora, estudaremos os parâmetros da composi- ção gravimétrica, do peso específico aparente, do teor de umidade e da compressibilidade (ou compressividade, como alguns estudiosos costumam chamar). Conceituar a composição gravimétrica Em virtude das variações das constituições dos resíduos, diversos são os parâmetros que participam das análises de suas características. Porém, um deles as expressa mais completamente: a composição gravimétrica, outra importante característica física dos resí- duos sólidos. Já ouviu falar dessa “dama”? Ela desnudará cada componente de uma mas- sa qualquer de resíduo sólido e nos dará o conhecimento das suas participações individu- ais percentualmente, o que permite e facilita a detecção da capacidade de sua reciclagem, assim como pode definir a melhor maneira de sua gestão. Uma análise gravimétrica é a determinação da quantidade proporcional de um deter- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 40 Conceituar as características físicas dos resíduos sólidos Os nossos estudos, nesta competência, vão se direcionar para a caracterização dos resíduos sólidos. A primeira coisa que precisamos aprender é que eles não têm caracte- rísticas imutáveis. Pelo contrário, elas são movediças, pois dependem, com relação a sua função, das origens dos resíduos e dos aspectos climáticos, socioeconômicos, geográficos, dentre outros. Torna-se imprescindível conhecer essas características dos resíduos para o sucesso de nosso aprendizado sobre eles. Sei que você ficou ansioso para questionar: “e por quê?” Para que se determine a mais adequada disposição, a melhor destinação final que atenda a todos os requisitos legais e socioeconômicos. minado constituinte de uma amostra, que se possa pesar. Em nosso caso, a composição gravimétrica seria o percentual de cada constituinte de uma massa de lixo em relação ao peso total da amostra sob análise. Não nos aprofundaremos, neste momento, para a sua determinação, pois o faremos adiante quando estudarmos a caracterização de sua com- posição, na sexta competência. Mas, já adianto para você que essa determinação se inicia com a seleção do material coletado, normalmente constituído de ossos, metais, papeis, fraldas, tecidos, madeiras, isopores, papelões, couros, cerâmicas, borrachas e, principal- mente, matéria orgânica,como detalhou Alcântara (2010) em suas pesquisas. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 41 Figura 8 – Componentes dos resíduos domiciliares e comerciais separados na amostra Fonte: <http://www.resol.com.br/cartilha/img/2RS/cap2_fig8.gif>. Acesso em: 12 fev. 2015. Para ilustrar a conceiuação da composição gravimétrica, o Quadro 4 mostra essa com- posição em três municípios brasileiros: Bareiras-BA, São Carlos-SP e Maceió-AL. Fonte: autoria própria Composição gravimétrica (%) Matéria Orgânica Plástico Papel Metal Vidro Outros Centro Barreiras - BA 63,80 11,30 8,9 2,00 3,80 13,70 São Carlos - SP1 59,08 10,47 7,38 1,31 1,67 20,09 Maceió - AL2 56,60 13,50 8,90 1,70 1,30 18,00 Quadro 4 – Composição gravimétrica dos resíduos sólidos em algumas cidades brasileiras Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-9IIYKouscvc/UcR15VYa4iI/AAAAAAAAAg8/1VRf-hXCoFc/s1600/17+tabela+4.JPG>. Acesso em: 12 fev. 2015. Componentes G es tã o de R es íd uo s Só lid os 42 Apenas para complementar nossos conhecimentos, a seguir apresenta-se a composi- ção gravimétrica média dos resíduos sólidos gerados no Brasil. Quadro 5 – Composição gravimétrica média dos resíduos sólidos gerados no Brasil Fonte: adaptado de Pereira Neto (2007). Fonte: autoria própria Componente Percentual da composição gravimétrica (%) Matéria orgânica Papelão Papel Plástico rígido Plástico maleável Metais Vidro Outros Total 64 5,0 8,5 2,0 2,7 1,5 1,5 14,8 100 Determinar o Peso Específico Aparente O Peso Específico Aparente – PEA dos resíduos sólidos corresponde à relação entre o peso e o volume da amostra coletada. Sei que essa definição é simples e que certamente você assimilou facilmente. Mas vou estendê-la mais um pouco com o conceito dado em IBAM (2001), que preconiza ser o PEA “o peso do resíduo solto em função do volume ocu- pado livremente, sem compactação, expresso em Kg/m3”, e depende de fatores como a composição gravimétrica e do grau de compactação. Matematicamente, é expresso atra- vés da fórmula γ = Prs / Vo, em que: – γ é peso específico aparente; – Prs é peso do resíduo solto; – Vo é o volume da amostra. Isto é: o peso específico aparente (γ) é o resultado divisão do peso do resíduo solto (Prs) pelo volume da amostra (Vo). Como exercício prático, vamos tomar emprestados os números da citada pesquisa do professor Carvalho (2012), que encontrou 1,3 m3 de volume total da amostra de resíduos sólidos e um peso de 201,7 Kg. Inserido esses dados na fórmula: γ = Prs / Vo, γ = 201,7 Kg / 1,3 m3 γ =155,15 Kg/ m3 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 43 Figura 9 – Determinação do peso específico aparente dos resíduos sólidos Fonte: <http://www.resol.com.br/cartilha/img/2RS/cap2_fig4.gif>. Acesso em: 12 fev. 2015. Logo, os resíduos sólidos da cidade de Barreiras, na Bahia, têm um peso específico aparente de 155,15 Kg / m3. Determinar o teor de umidade dos resíduos sólidos O teor de umidade é a característica física que mostra a quantidade de água contida em uma massa de resíduos sólidos, que é mensurada como percentual de seu peso. Essa quantidade de umidade contida nos resíduos pode ser determinada através de um método de secagem: se, por exemplo, você for um técnico responsável pela elaboração dessa aná- lise, inicialmente coletará uma amostra de cerca de dois litros de resíduos e a pesará com a sua umidade. Em seguida, a amostra é colocada em uma estufa, onde ficará por um perí- odo de quatro dias sob uma temperatura de 6o C. Após esse tempo, você retirará o material seco para nova pesagem. A diferença entre o peso úmido e o peso seco representará o teor de umidade (TCHOBANOGLOUS, 1993), que pode ser expresso percentualmente com o uso da fórmula %Tu = Pu - Ps / Pu x 100, em que: – %Tu representa o teor de umidade em percentagem; – Pu representa o peso úmido inicial (em Kg); – Ps representa o peso seco final (em Kg). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 44 Um aterro sanitário funciona de forma semelhante a um biorreator, no qual se processa a biodegradação sob as condições locais de umidade, temperatura, pressão, além de permitir a entrada de água oriunda da pluviosidade ou umi- dade dos resíduos, através da porosidade do maciço desses resíduos. Curiosidade Isto é: o teor de umidade (%Tu) será igual ao peso úmido inicial (Pu) menos o peso seco final (Ps) e multiplicado por 100. Ainda exemplificando, a sua amostra pesava 100 Kg com a umidade e, ao final da secagem, o peso seco foi de 49 Kg. Assim: %Tu = 100 Kg - 49 Kg / 100 x 100 %Tu = 51 Kg / 100 Kg x 100 %Tu = 0,51 x 100 %Tu = 51 % de umidade Você já aprendeu a determinar o teor de umidade de uma amostra de resíduos sólidos, no entanto, precisa saber da sua importância sobre vários fatores que determinam o ade- quado funcionamento de um aterro sanitário ou de uma unidade de compostagem. Ele influencia diretamente, por exemplo, a velocidade de degradação da matéria orgânica e o peso específico aparente do lixo. Mas é significativamente influenciado pela quantidade de matéria orgânica contida nos resíduos sólidos e pelas condições climáticas: estações do ano, incidência de chuvas. O teor de umidade dos resíduos sólidos domiciliares no Brasil foram determinados por Machado Júnior (1978), que registraram valores entre 50 e 60%. Conceituar a compressibilidade de resíduos sólidos Você já ouviu falar de compressibilidade? Não? Pois bem. É um vocábulo que faz parte da terminologia da gestão dos resíduos sólidos. Significa o grau de redução do volume que uma massa de resíduos pode sofrer quando compactada. Mas saiba de antemão que a compactação de resíduos sólidos em um aterro sanitário não é igual a uma compactação do solo para a construção de uma estrada, por exemplo. A diferença está na constituição do material a ser comprimido. Você já teve a oportunidade de ver o movimento de máqui- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 45 nas construindo uma rodovia: enquanto na estrada o material constituinte na formação do solo é predominantemente a argila, areia e silte (tornando-o homogêneo e impermeável), o maciço de resíduos sólidos no aterro é composto de madeira, borracha, vidro, papel, plás- tico, metais e outros (tornando-o permeável e heterogêneo). Não é difícil de entender, portanto, que a compressibilidade seja uma das caracterís- ticas físicas dos resíduos que mais promovem significativas alterações na sua estrutura, incluindo uma das mais importantes: o recalque, que estudaremos em seguida. Podemos ter uma ideia desse evento de compressibilidade quando observamos o sistema de com- pactação de resíduos metálicos para reciclagem, como se vê na Figura 10: Figura 10 – Compactação de resíduos sólidos para compactação Fonte: <http://www.manutencaoesuprimentos.com.br/imagens/lixo-reduzido-em-volume-apos-compactacao-industrial.jpg>. Acesso em: 12 fev. 2015. Você aprendeu que é grande a diversidade de materiais que compõe os resíduos do aterro. Eles variam entre regiões devido às condições de desenvolvimento socioeconômi- cas, como constataram Santos e Presa (1995). Certamente, você já apreendeu que essa composição tão heterogênea determina uma influência direta nas características da com- pressibilidade, sobressaindo-se, dentre elas, o efeito do recalque. Ele é considerado de crucial importância pelos técnicos em tecnologia de resíduos sólidos no comportamento estrutural dos aterros sanitários. Mas espere aí. Estou falando em recalque e nem lhe perguntei de seu conhecimento sobre esse fenômeno. De qualquer modo, para nossosobjetivos, podemos definir recalque em um aterro sanitário como a redução da sua altura em consequência da compressibili- dade determinada pelo próprio peso dos resíduos e por sua biodegradação. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 46 Os resíduos sólidos em um aterro sanitário, conforme os estudos de Gri- solia e Napolioni (1996), são classificados nas fases sólida, líquida e ga- sosa. No início da formação do aterro predominam os resíduos sólidos; em um segundo momento, origina-se o chorume a partir do processo de degradação da matéria orgânica, caracterizando a fase líquida; além da formação de gases, dentre eles o metano, iniciando a fase gasosa (Figura 11), processos esses relacionados à biodegradação, ao teor de umidade e às condições climáticas. Querendo mais Chorume: líquido escuro e mal chei- roso gerado pela degradação dos resíduos orgânicos do aterro. Figura 11 – Aterro sanitário com fase gasosa Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-3BTQy9DiCpc/TdJWFt3rZKI/AAAAAAAAAPc/5QJwyQxAxFc/s1600/chama+em+aterro.gif>. Acesso em: 12 fev. 2015. Você certamente já teve oportunidade de ver um aterro sanitário. O lixo vai sendo de- positado e se acomodando com o peso das camadas superpostas, não é verdade? Pois bem, com a superposição dos resíduos começam a ocorrer os recalques, que podem ser classificados em três tipos: • Recalque imediato: ocorre imediatamente depois que se dispõem as camadas, e ainda são mais compactadas por equipamentos; • Recalque primário: acontece pela drenagem de líquidos e gases originados em virtude G es tã o de R es íd uo s Só lid os 47 da compressão dos resíduos que se adensam pelo peso de suas camadas sobrepostas; • Recalque secundário: se origina da degradação biológica. É considerado pelos estudio- sos como o tipo mais importante, devido a sua atividade por toda a vida útil do aterro. O recalque também é considerado muito importante na dinâmica do aterro porque, enquanto seu volume diminui, aumenta sua capacidade de armazenamento (MARIANO, 1999; JUCÁ, 2003). Classificar e caracterizar as características químicas dos resíduos sólidos Em conformidade com a constituição química dos resíduos sólidos, eles podem ser classificados em orgânicos e em inorgânicos. Os resíduos sólidos orgânicos são resultan- tes de matéria orgânica, quer de origem animal ou vegetal (restos de carne, peixe, grãos, ossos, sementes, borra de café, verduras, frutas); e os resíduos sólidos de origem inorgâ- nica são constituídos por plásticos, vidros, metais, papel, papelão. As principais caracterís- ticas químicas desses resíduos podem ser classificadas em poder calorífico, potencial de hidrogênio (pH), composição química e relação carbono/nitrogênio (C:N). Conceituar o poder calorífico dos resíduos sólidos Conceituando o poder calorífico, eu poderia dizer que é uma característica química indi- cadora da capacidade potencial de um resíduo sólido desprender determinada quantidade de calor quando submetido à queima. É a quantidade de energia nele contida. Mas temos de entender que esse parâmetro pode variar conforme suas propriedades. Os resíduos fibrosos, por exemplo, com sua quantidade de calor inerente, têm potencia- lidade para gerar energia, além de produzirem o gás metano que pode ser usado como um biogás para a produção de energia termoelétrica. Isso significa que os resíduos sólidos po- dem participar, no futuro, como um importante constituinte da matriz energética do país. E por que não os resíduos sólidos urbanos com a potencialidade de seu poder calorífico? Não esqueça que agora mesmo o Brasil sofre uma crise energética devido à baixa plu- viosidade e à escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas. Mais do que nunca há uma premente necessidade de diversificar e aumentar a oferta de energia no país. Portanto, o tratamento térmico de resíduos sólidos urbanos, para aproveitar o seu poder calorífico, certamente aumentará essa oferta de capacidade energética e ainda nos dará outra opção de disposição final dos resíduos com menos impactos ambientais. Matriz energética: representação da quantidade de re- cursos energéticos oferecidos por um país, a exemplo das hidrelétricas, da madeira, do álcool, do gás natural, do petróleo, do urânio, dos ventos, da radiação solar. Você saberia dizer o que é um tratamento térmico de resíduos? Vou defini-lo da maneira mais simples possível: é um processo que utiliza o calor para reduzir o volume e produzir energia dos resíduos sólidos que tenha na sua constituição química o hidrogênio e o carbono. Importante Entretanto, que tratamentos são esses? Dentre outros, são utilizados aqueles com tec- nologias que contemplam a pirólise, a gaseificação, o plasma e a incineração: • Tecnologia de pirólise: consiste na decomposição química de resíduos sólidos pela ação do calor, na ausência de oxigênio, durante o qual se produz mais energia do que se consome; • Tecnologia de gaseificação: processo que converte o carbono e os hidrocarbonetos dos resíduos utilizando altas temperaturas e quebrando ligações químicas; • Tecnologia de plasma: consiste em submeter os resíduos a alta energia até que sejam transformados em plasma; • Tecnologia de incineração: eficiente no processo de reduzir o volume dos resíduos. Seu objetivo, além da redução do volume e do peso da massa dos resíduos, é diminuir os seus componentes poluentes e gerar calor e energia. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 48 Figura 12 – Incinerador de resíduos sólidos Fonte: <http://www.mapservices.com.br/remocao-de-residuos-solidos-e-liquidos/>. Acesso: 13 fev. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 49 Plasma é um estado da matéria originado de seu estado gasoso em um processo de hiperaquecimento caracterizado pela ionização dos átomos (quando os elétrons se desligam da atração do núcleo atômico). Conceituar o potencial de hidrogênio (pH) dos resíduos sólidos Certamente, você já ouviu falar de pH (potencial de hidrogênio). O pH do sangue, da água da piscina, da água mineral, da água do rio, etc. O seu valor indica que o material analisado é ácido se for menor que sete; e alcalino (ou básico) se for maior que sete. Os resíduos sólidos nos aterros possuem um pH entre 5 (ácido) e 7 (neutro). Sua ação tem grande amplitude: interfere nos processos de corrosão e de biodegradação, afeta as atividades de enzimas na decomposição anaeróbia dos aterros, indica a evolução global do processo de estabilização dos resíduos. Normalmente, ele aumenta seu valor com o passar do tempo, pois, segundo Moreira (2009), formas ácidas iniciais tendem a neutralizar-se ou alcalinizar-se, com diminuição da concentração de oxigênio. Esse fato foi realmente cons- tatado por Farquhar (1989) durante análises realizadas em chorumes de aterro sanitário, conforme demonstrado na tabela a seguir: Tabela 2 – Variações de pH de acordo com o tempo de atividade do aterro sanitário Fonte: adaptado de Farquhar (1989). Fonte: autoria própria Parâmetro Tempo de Atividade do Aterro pH 0 - 5 anos 5 - 10 anos 10 - 20 anos 20 anos 5,0 - 6,0 6,0 - 7,0 7,0 - 7,5 7,5 Conceituar a composição química dos resíduos sólidos Posso lhe afirmar com toda convicção que é de fundamental importância o conheci- mento da composição química dos resíduos de um aterro sanitário, principalmente quando eles sofrem degradações e se transformam em substâncias gasosas ou líquidas nocivas ao meio ambiente. Sabendo-se da sua constituição, ficará mais fácil aplicar as tecnologias adequadas para o seu tratamento, posto que o biogás formado vá poluir a atmosfera e o chorumecontaminará os aquíferos subterrâneos, por exemplo. O chorume, como você já sabe, é um líquido de coloração escurecida e muito mal chei- roso. Ele é a fase líquida resultante dos resíduos aterrados que se infiltra pela massa poro- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 50 sa levando substâncias químicas e biológicas dissolvidas ou suspensas. Esse líquido vem da própria umidade dos resíduos, das chuvas, dos lençóis freáticos e dos processos de decomposição. Para adensar mais um pouco a conceituação do chorume, acrescentamos que ele se origina essencialmente da digestão do material orgânico por ação bacteriana. Quando se analisa a composição química do chorume — também denominado de lixivia- do por alguns autores (MATURANA; SILVA, 2000) —, constata-se a presença de: substâncias orgânicas; compostos nitrogenados; halogênios inorgânicos (não metais), como carbona- tos, cloretos, sulfatos, íons sódio, potássio e cálcio; e metais, como ferro, zinco, manganês, níquel, cobre, dentre outros. Nas suas pesquisas sobre a caracterização do chorume do aterro sanitário de Bauru, em São Paulo, Segato e Silva (2000) comprovaram a presença de elementos e substân- cias químicas referidos e registraram suas possíveis origens, como pode você analisar no Quadro 6: Quadro 6 – Elementos e substâncias químicas do chorume e suas origens Fonte: adaptado de Maturana e Silva (2000). Fonte: autoria própria Substâncias químicas Origens Sódio, potássio, magnésio Fosfato, nitrato, carbonato Cobre, ferro, estanho Prata, manganês Níquel, cádmio, chumbo Alumínio Cloro, bromo, prata Arsênio, antimônio, cromo Matéria orgânica, entulhos de construção, cascas de ovos. Matéria orgânica. Material eletrônico, latas, tampas de garrafas. Pilhas comuns e alcalinas, lâmpadas fluorescentes. Baterias recarregáveis (celular, telefone sem fio, automóveis). Latas descartáveis, utensílios domésticos, embalagens laminadas. Tubos de PVC, negativos de filmes e de raios X. Embalagens de tintas, vernizes, solventes orgânicos. Conceituar a relação carbono/nitrogênio (C:N) dos resíduos sólidos A relação carbono/nitrogênio (C:N) é um importante parâmetro químico referente aos resíduos sólidos. Ela pode ser um eficiente indicador da evolução do seu nível de decom- posição ao longo da atividade de um aterro sanitário. Sua importância está no fato de que esses macronutrientes são imprescindíveis para o desenvolvimento microbiológico: o carbono fornece a energia necessária para o metabolismo da síntese celular e o nitrogênio entrará na constituição do protoplasma celular. Através de um processo de calcinação, amostras, assim como a concentração de car- bono. Conhecendo também o teor de nitrogênio, através de análises específicas, você cal- cularia a relação C:N, seu resultado definiria a fase de bioestabilização na qual a massa de resíduos se encontraria. Calcinação: quei- ma de substâncias para promover uma decomposição química. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 51 Você deve estar perguntando: “e qual seria a melhor relação C:N para se obter a me- lhor eficácia nesse processo de biodegradação?” Conforme os resultados dos estudos de Trombin (2005), a relação média C:N encontrada nos resíduos sólidos orgânicos do bairro universitário da cidade de Criciúma-SC foi de 25:1. Esse resultado estava inserido nos limi- tes estabelecidos, pois a relação considerada adequada pelos estudiosos está entre 25/1 e 35/1. Vou lhe dizer o motivo: se a relação for superior aos números apresentados (70/1, por exemplo), a biodegradação perderá a eficiência, pois se esgotará o nitrogênio para consumo bacteriano e o excesso de carbono será eliminado como gás carbônico; se for inferior (5/1, por exemplo), haverá eliminação do excesso de nitrogênio como constituinte da amônia, eventos que cessarão até que se alcance a nova relação nas proximidades de 30/1, conforme os estudos de Kiehl (2002). Simples, não? Relacione os principais parâmetros relativos às características físicas e químicas dos resíduos e faça uma breve caracterização de cada uma de- las. Compartilhe seu texto em nosso fórum. Atividade 01 Determinar as características biológicas dos resíduos sólidos Você sabe que as características biológicas dos resíduos sólidos são dependentes de microrganismos que os habitam, a exemplo das bactérias, dos vírus, dos protozoários, dos fungos, dos vermes, enfim, daqueles que de uma forma ou de outra participam dos proces- sos de biodegradação da matéria orgânica presente. Algumas de suas espécies até são potencialmente patogênicas para seres vivos, in- cluindo nós mesmos, como a bactéria Leptospira interrogans, causadora da leptospirose transmitida por ratos. Mas como os resíduos são dependentes desses microrganismos? Uma característica biológica dos resíduos de crucial importância geotécnica para a gestão eficaz de um aterro sanitário é a biodegradabilidade por sua ação, como confirmaram os estudos de Oliveira (2002). Geotécnica: ciência que estuda as propriedades do solo e rochas (no nosso caso, dos maciços de resíduos sólidos), em conformidade com os projetos de construção e manutenção de aterros sanitários, a exemplo dos processos de defor- mabilidade. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 52 Figura 13 – Bactéria Leptospira interrogans, causadora da leptospirose Fonte: <http://tidsskriftet.no/image/2012/T-10-1223-01-ENG-Nol-Ny.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. Mas a ação degradadora dos microrganismos sobre os resíduos sofre influência de- cisiva da granulometria e da composição de suas partículas, do teor de umidade, do pH, da temperatura do aterro e até do próprio tempo de atividade. E não se pode descartar a característica biológica da toxicidade dos resíduos nos aterros. Certamente você deve estar se perguntando também: “e qual a finalidade de todos esses conhecimentos sobre essas características estudadas?” Eu poderia lhe respon- der que elas contribuem para uma eficaz avaliação dos riscos a nossa saúde, evitando manipulação incorreta desses resíduos e também para que se realize uma correta ges- tão do seu tratamento, como preconizava Andrade (1997). No entanto, eu acrescentaria que são determinantes na aplicação de diferentes tipos de tratamento de resíduos e no desenvolvimento de processos para a inibição de cheiro e para retardar ou acelerar os eventos de biodegradação. Para ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos que compartilha- mos nesta competência, sugiro a leitura do livro Resíduos Sólidos, de Daniel Ribeiro, editado pela Interciência. A obra apresenta uma meto- dologia que transforma os resíduos industriais em novos insumos que são reaproveitados. Mídias G es tã o de R es íd uo s Só lid os 53 Resumo Nesta competência, você aprendeu a conceituar as características dos resíduos sóli- dos; a classificar as suas características físicas em composição gravimétrica, peso espe- cífico aparente, teor de unidade e compressibilidade; a classificar e a determinar as suas características biológicas e químicas — contemplando o poder calorífico, o potencial de hidrogênio (pH), a composição química e a relação carbono/nitrogênio (C:N) —; e, por fim, conheceu as tecnologias para o tratamento térmico dos resíduos. Autoavaliação 01. A tecnologia para a decomposição química de resíduos sólidos, pela ação do calor, na ausência de oxigênio, durante o qual se produz mais energia do que se consome, denomina-se: a) Pirólise. b) Calcinação. c) Incineração. d) Catálise. 02. A análise que determina a quantidade proporcional de um determinado constituinte de umaamostra de resíduos e que se possa pesar é denominada de: a) Teor de umidade. b) Química. c) Bacteriológica. d) Gravimétrica. 03. O chorume é um líquido escuro e mal cheiroso gerado pela degradação dos resíduos orgânicos do aterro sanitário. Ele é também conhecido por: a) Nitrogenado. b) Lixiviado. c) Alcalino. d) Orgânico. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 54 04. Qual é o conceito correto de biodegradação? a) É o processo de decomposição dos resíduos sólidos por contínuas alterações do pH. b) É o processo de decomposição dos resíduos sólidos pela ação de substâncias químicas. c) É o processo de decomposição dos resíduos sólidos orgânicos sob a ação de microrga- nismos. d) É o processo de decomposição dos resíduos sólidos promovido por seu peso específico aparente. 05. As características dos resíduos sólidos determinadas pelas populações microbianas e agentes patogênicas estão relacionadas aos aspectos: a) Biológicos. b) Químicos. c) Socioeconômicos. d) Físicos. Caracterizar a geração de resíduos sólidos Competência 03 Caracterizar a geração de resíduos sólidos Nesta competência, você estudará sobre os conceitos de geração de resíduos sólidos e sobre sua relação com fatores socioeconômicos, como a poluição, os impactos ambientais e a saúde pública. Também aprenderá a monitorar a poluição em aterros sanitários e a determinar as atividades dos catadores de resíduos sólidos, como impactos ambientais socioeconômicos. O consumismo é um fato que está presente no meu, no seu, no cotidiano de todos nós e se torna uma peça importante nos nossos estudos, porque é ele o responsável pela produ- ção dos resíduos sólidos resultantes de nosso consumo, sob a forma de plásticos, metais, lixo eletrônico, substâncias químicas, entulhos, alimentos, metais, baterias de telefones celulares, lâmpadas de mercúrio, pilhas. Ge st ão d e Re sí du os S ól id os 57 Figura 14 – Atividades em aterro sanitário Fonte: <http://s04.video.glbimg.com/x240/2543895.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015 Esse consumismo, entretanto, não surgiu assim de repente. Eu bem que poderia contar essa história para você desde vários séculos atrás, no entanto, não acrescentaria muito ao objetivo desta competência. Mas é importante você conhecer os seus três momentos G es tã o de R es íd uo s Só lid os 58 mais relevantes no percurso do século XX: considere o primeiro momento transcorrido logo após a segunda guerra mundial, estendendo-se até à década de 1970, quando o desen- volvimento econômico trouxe a riqueza material e ampliou o hábito do lazer; o segundo momento entrelaçou-se com o primeiro desde os anos de 1960 e chegou à década de 1980, quando se elevaram as primeiras ondas de crítica contra ele; e o terceiro momento, certamente foi aquele quando começou a se enraizar a globalização, desde os anos de 1990 — com seus tentáculos alcançando cada pedacinho deste mundo. E então, vamos juntos caracterizar esses conceitos de geração de resíduos sólidos? A geração de resíduos sólidos Eu sei que você definiria facilmente a geração de resíduos sólidos. Porém, gostaria de tomar emprestada a conceituação feita por Tchobanoglous (1993) (já citado quando apren- demos sobre teor de umidade), que considera a geração uma etapa da gestão de resíduos na qual se estuda e se analisa a sua quantidade e a sua composição, além das variações apresentada por ela ao longo do tempo. Acredito que você partilha comigo a opinião de que ela é um dos problemas mais críticos de nossa sociedade e se agrava a cada dia pelo aumento da população, pela expansão contínua do urbanismo e do consumo avassalador de bens de consumo, em consequência da crescente produção industrial e agropecuária. Figura 15 – Resíduos agrícolas descartados em aterro sanitário Fonte: <http://domtotal.com/img/diarios/148_149.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. A relação entre a geração de resíduos sólidos e os fatores socioeconômicos Uma importante característica da geração de resíduos sólidos é a dependência que ela tem de variados fatores. Ela também está intimamente relacionada com nossa higiene, com nosso grau de instrução, com o clima dominante da região na qual vivemos, com G es tã o de R es íd uo s Só lid os 59 a nossa renda. Não vamos abrir uma discussão sobre todos os fatores que influenciam a evolução da geração de resíduos aqui no Brasil, entretanto, pelo menos, sobre alguns dos mais relevantes, a exemplo do nível de renda. Tendo em vista esse fator, eu vou lhe apresentar alguns dados que demonstrarão a sua relação direta com a taxa de geração de resíduos. Ela foi comprovada por Oliveira (2004), com outros estudiosos, em uma pesquisa realizada em Campina Grande, na Paraíba. O estudo constatou uma significante variação da geração per capita de resíduos sólidos em função da renda de seus habitantes, que variou entre 399,5 gramas/habitante/dia a 1.206,8 gramas/habitante/dia; e os menores valores de geração foram promovidos pelas populações de menor poder aquisitivo. A verdade é que quando cresce o consumo de bens, aumenta a quantidade de resíduos. Gostaria que você também registrasse outro fator que merece referência: a relação que existe entre a taxa de geração de resíduos per capita e o tamanho da população. De acordo com um levantamento realizado pela CETESB (VIEIRA, 2001), a geração de resíduos/habi- tantes varia por faixa populacional e quanto maior é a população de um município, maior é a produção de resíduos, conforme você pode observar no Quadro 7: Quadro 7 – Relação entre o tamanho da população e a produção de resíduos Fonte: Vieira (2001). População (x 1000) Produção de Resíduos (Kg/hab./dia) Até 100 ≥ 500 > 500 >1000 0,4 0,5 0,6 0,7 A relação entre a geração de resíduos sólidos, a poluição e os impactos ambientais Antes de conversar com você sobre a relação da geração de resíduos sólidos com a poluição e os impactos ambientais, vou conceituar esses dois eventos: O impacto ambiental, de acordo com Verocai (1992), consiste na alteração da qua- lidade ambiental que resulta na modificação de processos naturais ou sociais pro- vocada por ação humana; enquanto que poluição é a introdução no meio ambiente de qualquer forma de matéria e energia que possa afetar negativamente o homem ou outros organismos, conforme Sánchez (2013). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 60 A relação entre a geração de resíduos sólidos e a poluição Você aprendeu que a poluição é a contaminação do ambiente com uma forma de maté- ria que nos comprometa de forma negativa. Então, se o lixo é lançado em locais inapropria- dos, ele poderá ser essa substância poluente. E de que forma esse lixo pode afetar a você, a mim ou ao ambiente? Quando um lixão ou um aterro sanitário, por exemplo, é instalado, ele poderá ser o ator principal, com poten- cial de poluir o subsolo e seus aquíferos subterrâneos, a atmosfera e os recursos hídricos superficiais presentes nas suas proximidades, como rios, estuários ou lagos. Em hipótese, você imagine ter sido designado como um técnico que fará uma avaliação dessa potencialidade poluidora e o monitoramento de um aterro que se instalará na área de influência de uma cidade. Nesse caso, quais seriam seus procedimentos essenciais? Você deve ter em mente que a poluição dos resíduos sólidos que compõem o aterro deve ser monitorada desde sua implantação, continuando até muito tempo depois dele ter encerrado suas atividades. Monitorar a poluição dos resíduos sólidos em aterros sanitários O monitoramento da poluição dos resíduostem por objetivo avaliar a qualidade ambien- tal do aterro, para evitar possíveis impactos que possam causar. Seu trabalho contemplaria análises ambientais que pudessem, por exemplo, acompanhar a evolução da qualidade dos aquíferos subterrâneos ou superficiais (características físicas, químicas e biológicas). Até por- que o vetor mais eficaz de dispersar poluentes é a água. O método mais usual para a coleta de amostras de águas subterrâneas é a perfuração de poços que alcancem esses mananciais. Figura 16 – Coleta de água para análise nos poços de monitoramento do aterro sanitário Fonte: <http://4.bp.blogspot.com/_1VB921PUyWk/TLydonI-CdI/AAAAAAAAAyo/m6vxA3OXQYo/s1600/DSCF3306.JPG>. Acesso em: 18 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 61 Vou elencar, a seguir, algumas dessas análises a serem realizadas para acompanhar essa qualidade, explicitando suas funções. • pH: o valor do potencial de hidrogênio (pH) indica que o material analisado é ácido (em uma escala de 0 a 14) se for menor que sete; e alcalino (ou básico), se for maior que sete. Os resíduos sólidos nos aterros possuem um pH entre 5 (ácido) e 7 (neutro), como você já observou anteriormente. Sua ação tem grande amplitude: interfere nos processos de corrosão, de biodegradação INICIAR VOCABULÁRIO [[Biodegradação: de- composição da matéria orgânica por ação de microrganismos.]] FIM; afeta as atividades de enzimas na decomposição anaeróbia dos aterros; e indica a evolução global do pro- cesso de estabilização dos resíduos no aterro; • Nitrogênio: o nitrogênio dissolvido se apresenta na água nas formas de amônia, de ni- trato e de nitrito, para citar algumas. Nas águas superficiais, suas altas concentrações podem promover eventos de eutrofização enquanto que nas águas subterrâneas, suas altas concentrações podem ser indicativas de contaminação; • Fósforo: o fósforo normalmente se apresenta nos mananciais hídricos na forma de fos- fatos e, quando suas concentrações ultrapassam um miligrama por litro, a exemplo do nitrogênio, também pode ser um indicador de poluição; • Temperatura: ela é um parâmetro que influi nos processos bioquímicos que acontecem na água, assim como tem significativa influência nos eventos de solubilidade de gases ali presentes; • Demanda Biológica de Oxigênio – DBO: a DBO pode ser definida como a quantidade de oxigênio dissolvido consumido por bactérias aeróbias ao decompor a matéria orgâ- nica presente no aterro. Nas águas subterrâneas, teores superiores a cinco miligramas por litro indicarão processos de contaminação. Você também poderá analisar outros parâmetros com a mesma finalidade de avaliar a qualidade das águas, tais como o oxigênio dissolvido, a turbidez, dureza, cloretos, metais; assim como a qualidade do ar; os recalques superficiais; o controle tecnológico dos materiais geotécnicos utilizados e o chorume, o líquido lixiviado. Do mesmo modo que com a água, no chorume você fará análises laboratoriais contemplando a Demanda Química de Oxigênio – DQO dos metais pesados, carbonatos, potássio, dentre outros que sejam requeridos. Eutrofização: cres- cimento geométrico da população de microalgas. Lixiviação: é a extração de um ele- mento constituinte de uma massa de (resíduos) sólidos por sua dissolução em um líquido. Como monitorar a qualidade dos lixiviados produzidos pelos aterros sanitários? Atividade 01 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 62 A relação entre a geração de resíduos sólidos e os impactos ambientais O impacto ambiental, como você já aprendeu, é uma alteração da qualidade ambiental de um ecossistema, que resulta na modificação de processos naturais, geralmente em razão da introdução de um poluente. Vou tomar como exemplo o chorume do aterro, o qual tem influência direta com os eventos de biodegradação dos resíduos orgânicos e pode causar danos ambientais aos recursos hídricos. Antes de continuarmos, quero relembrar que nos aterros em início de operacionali- zação, as concentrações dos componentes do chorume são mais elevadas do que nos aterros antigos. Pois bem, nos aterros novos, e contínuos receptores de águas de chuva, ele apresenta altas concentrações de carbono, nitrogênio orgânico, materiais inorgânicos, além de metais como o cromo, o cádmio, o mercúrio, o chumbo, dentre outros. E ainda, você poderá constatar nas suas análises o pH ácido, compostos com toxidez e alta concen- tração de DBO e DQO, como descobriu Santos (2004). A referida elevada concentração de DBO presente teria participação efetiva na causa de um significativo impacto ambiental, pois, durante sua percolação, ele poderia contaminar as águas subterrâneas e, em sequência, as águas superficiais. Com essas águas contaminadas, as espécies aquáticas e as plantas irrigadas sofreriam os malefícios resultantes e, com a demanda de oxigênio em estado crítico, a alternativa para a continuidade da biodegradação da matéria orgânica seria os processos anaeróbios, com a consequente produção de gases tóxicos, como a amônia, o metano, e outros. Assim, você, ao final do estudo, poderá elencar os possíveis impactos ambientais a serem causa- dos pelo chorume, dentre os quais certamente seriam incluídos a alteração da qualidade do ar, devido às emanações dos gases formados e a alteração da qualidade das águas subterrâneas e superficiais. Percolação: movimento de fluidos através de porosidades, neste caso, por entre os resíduos do aterro. Figura 17 – Estrutura de um aterro de resíduos sólidos Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-BHWN17kZz Gg/UY4PMWkbFsI/AAAAAAAALE4/pCCFvHUwqtQ/s1600/lixo_aterro.gif>. Acesso em: 18 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 63 Vou substituir, em alguns momentos o termo “Gestão de Resíduos Sólidos” pela sigla GRS, combinado? A relação entre a geração de resíduos sólidos – GRS e os impactos socio- ambientais Diante do que já foi estudado, eu estou propenso a acreditar que o problema dos resíduos sólidos no Brasil é realmente muito mais complexo do que apenas um conjunto de questões de natureza técnica ou de caráter financeiro. Estou fazendo essa afirmação, porque até pare- ce que temas vitais como a diminuição da quantidade de resíduos ou a sua reciclagem não exigem medidas concretas e urgentes para mudar a situação atual do crescimento ininter- rupto de bens consumíveis — com o consequente descarte cada vez mais intenso dos seus resíduos. Aliás, já sobrevoamos esse assunto quando nos referimos ao consumismo. Evidentemente que não darei, neste momento, qualquer solução imediata para esse proble- ma tão cheio de complexidades. No entanto, posso levar você a fazer uma breve reflexão sobre ele, contemplando pelo menos uma de suas dimensões: a relação entre a geração de resíduos sólidos com impactos socioambientais. E creio que essa relação pode muito bem ser exemplifi- cada pela atuação dos catadores de lixo (e de material reciclável) e pelo processo da reciclagem. A atuação dos catadores de lixo e a reciclagem como relação entre GRS e impactos socioambientais Acredito que você também saiba que o Brasil ainda não apresenta números relevantes relativos aos processos de reciclagem de vários dos seus constituintes, com raras exce- ções, a exemplo das latinhas de alumínio (97%) ou garrafas PET (55%). Das cerca de 250 mil toneladas de resíduos gerados por dia no país, apenas 3% do lixo orgânico é reciclado; 20% do plástico; e 23% de embalagens de longa vida (polietileno, papel e alumínio). O gráfico da Figura 18 apresenta valores referentes à reciclagem, no Brasil, desses e de outros componentes. Os valores representam a percentagem reciclada de cada componente dos resíduos sólidos estudados.Curiosidade G es tã o de R es íd uo s Só lid os 64 Os valores representam a percentagem reciclada de cada componente dos resíduos sólidos estudados. Figura 18 – Média nacional de reciclagem de resíduos sólidos Fonte: <http://www.projetoreciclar.ufv.br/img/media_nacional.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. Esses valores somente seriam incrementados incentivando-se a coleta seletiva dos resí- duos, tanto pela própria população, ainda na sua geração, quanto nas centrais de triagem. E exatamente nessas circunstâncias revela-se o catador de lixo (ou de material reciclável), nosso protagonista, que assume a função de coletar, transportar, triar, prensar, armazenar e negociar esses materiais para serem reutilizados — o que personifica, com essa atuação, um impacto socioambiental pela geração dos resíduos. Seja de maneira informal ou organizados em cooperativas, eles atuam independente- mente da existência ou não de políticas públicas transparentes relativas à gestão dos resí- duos sólidos. Seu trabalho promove o retorno dos resíduos recicláveis para que reocupem um lugar no ciclo produtivo, gerando economia de energia e de matéria prima, junto com todas as consequências benéficas para a sociedade. Figura 19 – Triagem de resíduos sólidos por catadores Fonte: <http://mshoje.com/media/pictures/news/1354/591 609d9c5c6e9f6d337322556b90c74.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 65 Em 2002, a atividade de catador foi reconhecida como categoria profis- sional, registrada na Classificação Brasileira de Ocupação – CBO, sob nº 5192-05 como “Catador de Material Reciclável”. Essa nova categoria de trabalhadores exerce a função de coletar, transportar, triar, prensar, arma- zenar e negociar esses materiais para serem reutilizados. Curiosidade A relação entre a geração de resíduos sólidos e a saúde pública Certamente para você não há novidade nenhuma a estreita relação dos resíduos sóli- dos com os riscos que eles oferecem à saúde humana. Nos lixões, nos aterros, em quais- quer lugares onde eles sejam dispostos, estarão nos deixando expostos às substâncias químicas tóxicas e aos agentes infecciosos. E eu lhe perguntaria: quais caminhos esses contaminantes usam para chegar até nós? A atmosfera contaminada, a lixiviação e a percolação do chorume, como bem descreveu El-Fadel (1997), em seu trabalho sobre a geração de chorume em aterros sanitários. E vou aproveitar essa oportunidade para lhe revelar um fato sinistro. Os estudos de Sissino e Moreira (1996), assim como os de Santos Filho (2003), sobre a avaliação da contaminação e a poluição de um aterro no Rio de Janeiro, demonstraram que as áreas das suas proximidades apresentavam elevados teores de compostos orgânicos e de me- tais pesados. Eu sei que você vai já perguntar: e isso tem consequências maléficas? Tem sim. Os pes- quisadores descobriram que as pessoas ali residentes apresentam em seu sangue altas concentrações dos mesmos compostos encontrados na área. E mais, outros estudiosos descobriram que, para essas pessoas, as possibilidades de sofrerem anomalias congêni- tas (PALMER, 2005) e abortos (DUMMER, 2003) aumentaram. Imagine você, agora, o que pode acontecer com os catadores de resíduos expostos de modo direto às condições tão insalubres? Claro que também vão adoecer. Tanto contaminados pelas substâncias quími- cas, como por agentes biológicos infecciosos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 66 Exemplificar agentes infecciosos presentes nos resíduos sólidos Você já sabe que os resíduos sólidos são potencialmente perigosos para a nossa saúde, pois são sempre atrativos para vetores. E você já deve ter algum conhecimento das doen- ças que eles causam: a exemplo das parasitoses, amebíase, diarreias, dengue, chicun- gunya, leishmaniose, leptospirose, tifo, etc. Os ratos transportam piolhos e pulgas por entre seus pelos e esses minúsculos artrópodes podem trazer em seus corpos bactérias da espécie Rickettsia prowazekii. Quan- do eles picam uma pessoa, ou depositam suas fezes em feridas abertas, transferem esse parasita que se reproduz em células dos vasos sanguíneos. Em alguns dias, sobrevêm dores de cabeça, no corpo e nas articulações, manchas vermelhas persistentes, e a febre: é o tifo. Esses mesmos vetores, os ratos, também transmitem outra doença de origem bac- teriana, a leptospirose, causadora de dores nos músculos, na cabeça e no tórax, além de avermelhar os olhos, diarreia e manchas rosadas pelo corpo. As moscas infectam as pessoas através dos alimentos e até mesmo do contato, causando a febre tifoide; as baratas podem transmitir vetores do protozoário flage- lado Giardia lamblia, que causam a doença intestinal giardíase por meio da ingestão dos seus cistos; os mosquitos da espécie Aedes aegypti são causadores da dengue e da chicungunya (doenças infecciosas e febris), quando infectados pelo vírus da família Flavarídae. Para ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos que compartilhamos nesta competência, sugiro a leitura do Guia do Profissional em Resíduos Sólidos – Projeto, Operação e Monitoramento de Aterros Sanitários, da ReCESA (Rede de capacitação e Extensão Tecnológica em Saneamento Ambiental) e o livro Resíduos Sólidos Urbanos (e seus impactos ambien- tais), publicado pelo IEE (Instituto de Eletrotécnica e Energia) e a USP, organizado pelas Professoras Maria Cecília Loschiavo e Sylmara Gonçal- ves Dias. E para maiores informações sobre o chorume, acesse: <http:// vendoaquimica.webnode.com.br/news/tratamento-de-chorume/>. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu sobre a caracterização da geração de resíduos só- lidos e a relacioná-la com os fatores socioeconômicos, com a poluição, com os impactos ambientais e com a saúde pública. Obteve conhecimentos sobre os mecanismos para mo- nitorar a poluição em aterros sanitários e, por fim, aprendeu a exemplificar as ações dos catadores de resíduos sólidos como impactos ambientais socioeconômicos. Autoavaliação 01. Assinale de acordo com o conceito enunciado: uma etapa da gestão de resíduos na qual se estuda e se analisa a sua quantidade e sua composição, além das variações ao longo do tempo, refere-se a: a) Geração de resíduos sólidos. b) Expansão do urbanismo. c) Medição do consumismo. d) Produção industrial. 02. Preencha as lacunas com as respostas apropriadas e marque a alternativa correta. • Nossa higiene, nosso grau de instrução, o clima dominante da região na qual vive- mos e a nossa renda são características que estão intimamente relacionadas com ___________________. • Com relação à produção de resíduos quanto maior é a população de um município, maior é ___________. • A alteração da qualidade ambiental que resulta na modificação de processos naturais ou sociais provocada por ação humana é um conceito aplicado ao______________. • _____________ é a introdução no meio ambiente de qualquer forma de matéria e ener- gia que possa afetar negativamente o homem ou outros organismos, a) a geração de resíduos sólidos; a produção; impacto ambiental; poluição. b) a geração de resíduos sólidos, a produção; meio ambiente; impacto ambiental. c) poluição; o impacto ambiental; ambiente; lixo. d) o meio ambiente; poluição; gerenciamento dos resíduos sólidos; poluição. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 67 03. Responda os conceitos enunciados a seguir e assinale a alternativa correta • Elemento químico de maior percentagem na constituição da atmosfera e que compõe substâncias decompostas por bactérias. • Decomposição da matéria orgânica pela ação de microorganismos. •Crescimento geométrico da população de microalgas em mananciais hídricos. • Movimento de fluidos através de porosidades, a exemplo das reentrâncias dos resíduos de um aterro sanitário. a) Oxigênio; Percolação; Biodegradação; Eutrofização. b) Gás carbônico; Biodegradação; Percolação; Eutrofização. c) Nitrogênio; Biodegradação; Eutrofização; Percolação. d) Hidrogênio; Eutrofização; Biodegradação; Percolação. 04. Preencha os parênteses com a letra V (verdadeiro) para o conceito correto e com a letra F (falso) para a definição errada do processo de reciclagem. ( ) - É o processo através do qual a matéria orgânica é decomposta na ausência de oxigê- nio. ( ) - É o processo pelo qual o oxigênio dissolvido é consumido por bactérias aeróbias ao decompor a matéria orgânica presente no aterro. ( ) - É o processo que altera a qualidade ambiental de um ecossistema, geralmente em razão da introdução de um poluente. ( ) - É o processo de conversão de resíduos em materiais ou produtos com possibilidade de reuso. a) V, F, V, V. b) F, F, V, V. c) V, V, F, V. d) F, F, F, V. 05. Preencha os parênteses da segunda coluna com a numeração correspondente à res- posta correta da primeira coluna e marque a alternativa correta. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 68 ( 1 ) Consumismo ( ) Ratos ( 2 ) Chorume ( ) Poluente líquido ( 3 ) Saúde pública ( ) Baterias ( 4 ) Resíduo sólido urbano ( ) Produção de resíduos a) 3, 2, 1, 4. b) 3, 2, 4, 1. c) 4, 2, 3, 1. d) 4, 3, 1, 2. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 69 Determinar métodos para reduzir impactos ambientais Competência 04 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 72 Determinar métodos para reduzir impactos ambientais G es tã o de R es íd uo s Só lid os 73 Nesta competência, você conhecerá as resoluções oficiais que dispõem sobre medidas para redução de impactos ambientais pela geração de resíduos sólidos; as medidas de redução desses impactos adotadas pela iniciativa privada. Aprenderá com os processos dessa redução nas indústrias sucroalcooleira, de pneus e de papel; além de conhecer mé- todos de redução de desperdícios dos recursos naturais. T’sai Lun era um jovem chinês forte e inteligente. Aos quinze anos de idade chegou à corte para servir o imperador Ho Ti, da dinastia Ham Oriental. Habilidoso e eficiente, não demorou muito para ganhar confiança e admiração dos governantes, e em consequência, começou a ser promovido com frequência, até que o tornaram uma espécie de duque, ou marquês. No decorrer do tempo, especializou-se na fabricação de diversos instrumentos e armas, como as mais perfeitas espadas, para uso da família imperial, e por conta dessas atividades findou por se interessar em tecnologia de fabricação. Provavelmente sofria com a escassez de informações. Principalmente registradas. Os poucos livros existentes tinham folhas fabricadas com bambu (inconvenientes e pesados) ou seda, com um custo muito alto, ou ainda à base de cânhamo, muito raro. Ali estava um problema a ser resolvido. T’sai começou suas experiências para fazer um produto viável em todos os aspectos, no qual pudesse anotar suas atividades. Em certo dia do ano 105 d.C., ele juntou cascas de árvores, pedaços de tecidos e até de redes de pesca descartadas, triturou toda essa estranha matéria-prima e a mergulhou em água com cal, deixando-a assim por algumas semanas. O passo seguinte foi reduzir essa massa a uma polpa, que foi aquecida e laminada em uma superfície lisa. Toda a umidade foi retirada pelo vento e pelo sol, e as finas camadas se transformaram no pa- pel, absolutamente adequado para escrever. O imperador Ho Ti ficou tão entusiasmado que elaborou uma ordem para que aquele papel, confeccionado por T’sai, fosse adotado em todo o reino da China. Cânhamo: varie- dade da planta Cannabis. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 74 Figura 20 – Fabricação do papel pelos chineses Fonte: <http://html.rincondelvago.com/000741410.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. Os livros produzidos com papel, que você utiliza para leitura, foram fabricados com uma tecnologia muito semelhante à descoberta pelo duque T’sai Lun há dois milênios. Mas não vamos esquecer que, para cada tonelada de papel produzida, precisamos derrubar mais de uma dezena de árvores. As resoluções oficiais como medidas para redução de impactos ambientais pela GRS Creio que ainda está fresco em sua memória a potencialidade do chorume para causar danos ambientais negativos nos aterros sanitários. Mas, certamente, como técnico, você irá se deparar com os mais variados impactos em consequência da geração de resíduos sólidos nas próprias fontes produtoras, oriundos das mais diferentes atividades humanas. E nenhuma dessas atividades deixará de se preocupar em encontrar soluções para mitigar esses impactos à natureza. Os resíduos sólidos industriais, por exemplo, precisarão de tratamento e destino ade- quados e de acordo com as suas características. Esse tratamento e disposição farão com que se recuperem significativas quantidades de matéria-prima e energia, que de outra forma seriam perdidas como fontes poluidoras. E eu lhe garanto que existe uma real pre- ocupação com o tema, tanto por parte de instituições governamentais como pelo setor privado, a exemplo das indústrias químicas, de alimentos e agroindústrias. Já é bem visível a mobilização para que sejam implementadas políticas ambientais que resultem na dimi- nuição dos impactos nascidos de suas atividades. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 75 Em termos de legislação referente aos resíduos sólidos, os órgãos oficiais revisam con- tinuamente resoluções afins, para seu aperfeiçoamento, como por exemplo, a Resolução ANVISA da Diretoria Colegiada 306/2004, que dispõe sobre o regulamento técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde. A Resolução ANVISA RDC 306/2004 aprimora, atualiza e complementa os procedimentos contidos na Resolução RDC 3, de 25 de fevereiro de 2003, relativos ao gerenciamento dos resíduos gerados nos serviços de saúde – RSS, com o objetivo de preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente, considerando os princípios da biossegurança de empregar medi- das técnicas, administrativas e normativas para prevenir acidentes — pre- servando a saúde pública e o meio ambiente. Importante Outro exemplo de aperfeiçoamento na legislação referente aos resíduos sólidos de serviços de saúde foi a publicação da Resolução CONAMA 358/2005, que também apri- mora, atualiza e complementa os procedimentos contidos nas Resoluções CONAMA nº 283/2001 e nº 5/1993, ambas revogadas, que também tratavam dos resíduos de servi- ço da saúde. Entendeu? Neste nosso tempo de século XXI, floresce com mais intensidade a preocupação no meio governamental com a qualidade e a sustentabilidade do meio ambiente. Mas essa mesma preocupação também se propaga, como já dito, pelos meios produtivos privados. As medidas de redução de impactos ambientais pela GRS adotadas pela iniciativa privada Vou falar mais um pouco sobre a conceituação de resíduos sólidos, pois é sobre a sua transformação e seu reaproveitamento que nós vamos tratar agora. Como impedir que eles causem danos ambientais? O resíduo sólido que não detém nenhum potencial de reutilização e tem como único destino possível o aterro sanitário, será aquele que podemos chamar definitivamente de G es tã o de R es íd uo s Só lid os 76 lixo. Por outro lado, os resíduos sólidos são detentoresde um valor econômico agregado e podem ser reincorporados ao processo produtivo, como bem conceituou Demajorivic (1995), em seu trabalho Da política tradicional de tratamento de lixo à política de gestão de resíduos sólidos. Diante dessa abordagem, os resíduos com potencial de reutilização devem ser con- siderados como um novo recurso explorável e não como fonte poluidora. Você quer estudar alguns desses tipos de resíduos? Eu considero importante para nosso aprendizado. Na indústria sucroalcooleira, por exemplo, os resíduos do bagaço, vinhaça e a torta de filtro possuem alto potencial de reaproveitamento como fertilizantes agrícolas. Ainda como exemplos de resíduos aproveitáveis nas atividades da agroindústria, você poderá defron- tar-se com a viabilidade de utilização dos resíduos da fabricação de abacaxi em conserva (cascas e aparas) para o processamento do suco-base (BORGES, 2004). Na indústria têxtil, você constatará que já se reciclam seus tecidos residuais em acessó- rios e se reaproveitam as aparas na produção de fios que retornam ao processo de fiação (MALUF; KOLBE, 2003). Na indústria da construção civil, você observará que os entulhos são reciclados como agregados de argamassas alternativas, como defendeu Levy (1997), em sua dissertação de mestrado. Os exemplos poderiam ser inúmeros. Vamos conhecer mais detalhadamente alguns dos métodos que atualmente são empregados para a transformação de resíduos sólidos com o objetivo de reduzir seus impactos na natureza. Sucroalcoolei- ra: referente ou pertencente ao açúcar e ao álcool; canavieira. Figura 21 – Modelo de uma maquina móvel utilizada para a reciclagem de resíduos sólidos da construção civil Fonte: <http://www.portalresiduossolidos.com/reciclagem-de-residuos-solidos-da-construcao-civil/>. Acesso em: 18 ago. 2015. Os processos de redução de impactos ambientais pela GRS na indústria sucroalcooleira Já te disse que os resíduos da indústria sucroalcooleira possuem alto potencial de re- aproveitamento como fertilizantes agrícolas. E não posso esquecer de acrescentar que a G es tã o de R es íd uo s Só lid os 77 palha e a vinhaça, resíduos das usinas de cana-de-açúcar, também podem se transformar para produzir biogás. Mas e o bagaço da cana? Que até tão pouco tempo era descartado em aterros sanitários ou sepultado nas próprias usinas? Gostaria de saber em quais produtos ele pode ser transformado? Pois bem, inicialmen- te, para você tomar conhecimento do potencial para o setor energético e agrícola do país, eu lhe informo que a produção nacional atual desse subproduto corresponde a cerca de 30% da cana moída (BURGI, 1985), isto é, cerca de 12 milhões de toneladas por ano. Eles podem ser utilizados como fonte de alimento para ruminantes na produção de fibrocimento, posto que adquire a resistência mecânica adequada (REVISTA ABRIL, 2010); na cogeração de energia na produção de papel, cujo processo exige menos substâncias químicas, (REVISTA GLOBO RURAL, 2011); na produção de madeira (painéis aglomerados) e, consequente, na diminuição dos impactos sobre as florestas (MENDES, 2008 e 2010); e, por fim, na produção de cosméticos (loção, sabonetes) (REVISTA CANAVIALIS, 2009). Fique certo que você encontrará muitos e muitos outros produtos oriundos dos proces- sos de transformação dos resíduos sólidos da indústria sucroalcooleira. Os processos de redução de impactos ambientais pela GRS na indústria de pneus Pode ter certeza que a indústria de pneus tem muito com que se preocupar. Você já percebeu a quantidade de resíduos de pneus que se acumulam diariamente por todo o país? Isso é muito preocupante e, devido o seu significativo potencial de causar impactos ambientais, tornou-se motivo de regulação oficial. O CONAMA, em sua Resolução nº 258/1999, conceitua pneu ou pneumático inser- vível, como sendo aquele que não mais se presta a processo de reforma de maneira a permitir condição de rodagem adicional. E o considera, quando dispostos inadequada- mente, um passivo ambiental que resulta em sério risco ao meio ambiente e à saúde pública. Essa mesma Resolução dispôs que a responsabilidade pela coleta, transporte e disposição final dos resíduos seria do produtor/importador. Daí que aumentou ainda mais a preocupação da indústria. Acredito que você também esteja preocupado com o acúmulo contínuo desses resíduos e, como já enfatizei, a indústria também. Tanto que a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos – ANIP implementou o Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis, através do qual recolhe-se anualmente milhões de pneus por todo o território nacional para serem reciclados ou reaproveitados. Mas todo esse esforço ainda não é su- Ruminantes: subor- dem de mamíferos artiodátilos, que inclui os veados, girafas e bovídeos, caracterizados pela presença de um es- tômago complexo, com três ou quatro câmaras, adaptado à ruminação. Cogeração: proces- so pelo qual são produzidos duas formas de energia (elétrica e térmica, por exemplo). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 78 ficiente, pois continua ocorrendo a disposição indevida nos recursos hídricos, promovendo assoreamentos e contribuindo para o recrudescimento das enchentes, que afetam grave- mente a vida das pessoas. E quando esses pneus começam a formar montanhas, aumenta o risco que eles incen- deiem-se, liberando nuvens densas de fumaça negra constituídas de monóxido de carbono, óxidos de enxofre, nitrogênio, hidrocarbonetos, metais pesados e dioxinas. Para você enten- der quão perigoso se torna um desses incêndios, o coquetel de poluentes que ele origina pode nos causar câncer, enfraquecer nosso sistema imunológico e nos tornar inférteis. Sucroalcoolei- ra: referente ou pertencente ao açúcar e ao álcool; canavieira. Figura 22 – Montanha de pneus inservíveis se incendiando Fonte: <http://s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2011/06/03/incendio_mg_620.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. O termo "dioxina" é aplicado para uma família de derivados de dioxina, conhecidos como dibenzodioxinas policloradas (PCDD’s). Não quero as- sustar, mas a dioxina é considerada uma das substâncias mais tóxicas e perigosas. E não apenas pela queima de pneus, mas também a queima de lixo plástico, borracha pellets de carbono, solventes ou defensivos agrí- colas. Aquela considerada a mais potente das dibenzodioxinas é a 2, 3, 7, 8-tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). Faço apenas um alerta: como essa substância está presente em potes e recipientes plásticos, de pvc e tam- bém pode ser produzida por reações térmicas, sugiro não usar esse tipo de recipiente em micro-ondas. Curiosidade G es tã o de R es íd uo s Só lid os 79 Figura 23 – Estrada construída com asfalto-borracha Fonte: <http://2.bp.blogspot.com/-j8i1CVKdPCM /UZFNHNNiQII/AAAAAAAAAEE/H3ZKknkknyw/s1600/Asfalto+borracha+1.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. Diante de tal ameaça, instituições públicas, oficiais e mesmo a própria população, se reúnem para combatê-la. A indústria, por exemplo, já desenvolve processos com o objetivo de retirar os pneus inservíveis do ambiente com o objetivo de transformá-los e fazê-los retornar para utilização como um novo produto com uma nova função. Tendo em vista quando não reutilizado, eles se amontoarão na natureza por centenas de anos, causando os mais negativos impactos ambientais. O processo de transformação de pneus em asfalto Os pneus inservíveis podem ser reciclados para a produção de energia, pisos com a durabilidade dos tijolos de concreto, asfalto ou como matéria-prima para a fabricação de móveis, obras de arte, entre outros produtos. Vou tomara reciclagem desses pneus em pavimento asfáltico, como exemplo dos processos de redução de impactos ambientais pela geração de resíduos sólidos. O processo de transformação consiste basicamente na trituração do pneu e na separa- ção do aço em sua constituição, com o auxílio de um imã. Em seguida é digerido em vapor d’água e óleos minerais para desvulcanizá-lo e moê-lo, resultando em grânulos de borra- cha, os quais são incorporados ao asfalto e à brita, originando um asfalto-borracha muito resistente à decomposição. Eu fico me perguntando quais impactos negativos ao ambiente são evitados ou reduzi- dos com a construção desse tipo de rodovia construída à base de pneu reciclado? Certa- mente o suficiente para deixar o ambiente mais saudável e a população com mais saúde. Imagine você quantos pneus inservíveis são retirados do ambiente, se para cada quilôme- tro de estrada construída o asfalto-borracha consome cerca de mil pneus. Cada pneu reciclado reduz os impactos da contaminação da atmosfera pelo carbono, dióxido de enxofre, dioxinas e outros poluentes, resultantes da sua queima, do assorea- mento do leito de corpos hídricos, evitando intensificação de cheias, de epidemias virais G es tã o de R es íd uo s Só lid os 80 — consequentes da transformação desses resíduos em locais de procriação de mosquitos e ratos, vetores de diversas patogenias (Cimino e Zanta, 2005). Ao mesmo tempo em que se reduzem os impactos, esse tipo de rodovia ganha maior tempo de vida útil, maior elasti- cidade e durabilidade, maior aderência para os veículos, dentre outras vantagens. Alguns pesquisadores, a exemplo do professor José Leomar, da USP de São Carlos/SP, contestam o termo asfalto ecológico para o asfalto-borracha encontrado em alguns textos. Eles alegam que as altíssimas temperaturas requeridas na produção do asfalto-borracha promovem o aumento da poluição atmosférica, embora não contradigam os benefícios causados pelo produto reciclado. Para o pesquisador Luciano Specht, da UFRGS, não ocorre poluição maior pelo processo de reciclagem que a poluição convencional e argumenta que nos Estados Unidos, que utiliza milhões de pneus nesse processo, essa discussão está ultrapassada desde a década de 1990. Para aumentar ainda mais seu conhecimento, informo que o Governo do Estado de São Paulo sancionou a Lei nº 14.691/2012, a qual dispõe sobre “o uso do asfalto enriquecido com borracha proveniente da reciclagem de pneus inservíveis na conservação das estradas esta- duais”. Eu aposto no futuro: estão em desenvolvimento tecnologias para mitigar mais ainda os efeitos das emissões do processo de reciclagem dos pneus (LAGARINHOS; TENÓRIO, 2008). O aproveitamento de pneus inservíveis Já nos referimos a alguns produtos originados dos pneus inservíveis. Andrade, 2007, re- gistra em sua tese Pneus Inservíveis: Alternativas Possíveis de Reutilização inúmeras formas de uso. Em grânulos ou inteiros, são usados como estabilizadores de encostas, pavimentos asfálticos, concretos leves, taludes, pistas esportivas, parques infantis, recifes artificiais, para abrigo e aumento das populações marinhas e, como anteriormente dissemos, na confecção de obras de arte e na fabricação de móveis, como exemplificado na Figura 24: Figura 24 – Móveis fabricados a partir pneus inservíveis Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/-GLt8HZG2xZI/Tf12ddPPRWI/AAAAAAAAAAw/nElvHM2MZ6U/s1600/ reciclagem+de+pneus+1.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 81 Os métodos para redução de desperdícios de recursos naturais Creio que você tenha aprendido bem o significado de redução de impactos ambien- tais a partir do desenvolvimento de processos de reaproveitamento e de reciclagem de resíduos sólidos. Logo, será fácil compreender os processos de redução para desperdício de recursos naturais a partir do uso, sem desperdício, dos seus produtos. Se você me pedisse para definir esses processos, eu os consideraria como o emprego de técnicas ou de métodos para suavizar ou para evitar suas explorações desnecessárias. Acontece que um dos sintomas de crescimento da economia de um país é o aumento do consumo de bens materiais por sua população, e nenhum país quer abdicar de crescer. Porém, como tudo na vida, esse crescimento tem um preço correspondente ao aumento da exploração desses recursos, que servem de matéria-prima requerida para cada um desses bens — a exemplo do petróleo com os derivados do seu refinamento: a nafta, a gasolina, o quero- sene, o óleo diesel e o plástico. Diante desse cenário e objetivando reduzir a exploração dos recursos, surge a ne- cessidade de reduzir todo desperdício no uso dos seus produtos. E como fazer isso? Você terá que empregar, desenvolver ou auxiliar a desenvolver métodos e técnicas para alcançar esse objetivo. A nossa vida é moldada pelos produtos que consumimos e cada um deles derivam de um recurso natural. Assim, o plástico resulta do petróleo, o alumínio da bauxita, as superligas metálicas do nióbio, o papel da celulose da madeira e outros tantos mais. Agora, escolha um produto para que eu possa exemplificar! O papel? Acho um bom exemplo. A redução de desperdícios de recursos naturais para a fabricação do papel As árvores são a matéria-prima para a fabricação do papel, e para fabricá-lo é necessá- rio transformar a madeira em uma polpa de celulose, após separá-la de outras substâncias químicas orgânicas, que fazem parte da constituição da madeira, como a lignina e a hemi- celulose. Você entendeu de imediato que não é possível fazer papel sem cortar árvores? Além disso, entendeu também que diminui esse desperdício se reduzirmos o uso do papel? Para seu conhecimento, 37% das cópias impressas nas empresas brasileiras são des- necessárias, conforme estudo da Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Documentos – ABGD, Infotec (2013). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 82 Faça uma pesquisa sobre processos de redução de desperdício do petró- leo. O plástico poderá ser o exemplo do produto final. Atividade 01 A pressão sobre as florestas é intensa. E o papel é um produto faminto de celulose: para se produzir uma tonelada dele é preciso que se utilizem três toneladas de madeira, ou seja, que mais de uma dezena de árvores sejam derrubadas (IDEC, 2006). É bem verdade que a maior parte da madeira usada na fabricação de papel provém de árvores plantadas (prin- cipalmente pínus e eucalipto), porém, essa monocultura pode causar impacto ambiental sobre a umidade do solo, como descobriram Camino e Budowski (1998). No processo da fabricação do papel, depois que a madeira é cortada, ela será descascada e picada para a formação de cavacos (pequenas las- cas), que serão cozidos em solução química para formar uma polpa. Essa polpa será lavada, centrifugada e posta certo tempo em repouso. Após isso, ela passará por um processo de branqueamento, através do qual ocorre a separação da celu- lose. Essa polpa de celulose seguirá para a mesa plana onde se transformará em fo- lha contínua e lisa. Em uma esteira rolante, será pren- sada e seca com ar quente para seguir rumo aos rolos de rebobinagem, dos quais se desprende, para formar as bobinas. Curiosidade Figura 25 – Bobinas de papel, no final do processo de produção Fonte: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ discovirtual/aulas/1595/imagens/papel.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 83 Você tem ideia de quanto cada brasileiro consome de papel por ano? Cerca de um pou- co mais de 40 quilos (GAZETA DO POVO, 2012). E essa quantidadesignifica que cada um de nós derruba quase uma árvore por ano. Diante desse cenário, eu lhe faço um questio- namento: o que você faria se uma empresa pedisse para elaborar um plano, objetivando diminuir o uso do papel e, consequentemente, reduzir o desperdício do recurso florestal? Tenho certeza que você diria que o plano mais simples e rápido poderia contemplar ações de: fazer cópias de textos utilizando as duas faces das folhas; fazer correções no próprio computador, evitando reimpressões do mesmo documento; não imprimir desneces- sariamente; conscientizar os funcionários sobre a necessidade de reduzir o consumo de papel; instituir o uso do papel reciclado, dentre outros. Muito bem! Se esse seu plano for posto em prática, muitas árvores sobreviverão. Para ampliar seus conhecimentos, sugiro a leitura do livro Gestão de Resíduos na Agricultura e Agroindústria, da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais – FEPAF (2006), editado por Cláudio Spadotto Wagner Ribeiro. Em seus capítulos, são tratados, dentre ou- tros tópicos, a geração de resíduos sólidos, o aproveitamento de resí- duos da indústria sucroalcooleira, a gestão de resíduos na produção animal e os resíduos de agroquímicos no ambiente. O livro nos dá uma visão sobre a geração e utilização de resíduos e seus prováveis impac- tos ambientais relacionados. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu sobre as resoluções oficiais que dispõem a respeito de medidas para redução de impactos ambientais pela geração de resíduos sólidos e sobre as medidas de redução desses impactos adotadas pela iniciativa pri- vada. E, como exemplos, exercitou sobre os processos dessa redução nas indústrias sucroalcooleira, de pneus e do papel. Além de ter conhecido métodos de redução de desperdícios dos recursos naturais. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 84 Autoavaliação 01. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: a Resolução CONAMA 358/2005, que aprimora, atualiza e complementa os pro- cedimentos contidos nas Resoluções CONAMA 283/2001 e 5/1993, ambas revogadas, dispõe sobre: a) ( ) Os resíduos de serviço da saúde. b) ( ) Os resíduos agrários. c) ( ) Os resíduos urbanos. d) ( ) Os resíduos industriais. 02. Preencha as lacunas com as respostas corretas. • O resíduo sólido que não detém nenhum potencial de reutilização, e tem como único destino possível o aterro sanitário, conforme definição de Demajorivic, 1995, será aqui- lo que podemos chamar definitivamente de __________. • Os materiais detentores de um valor econômico agregado e podem ser reincorporados no processo produtivo, conforme definição de Demajorivic, 1995, são denominados ___________. • O_________, resíduo sólido resultante da indústria sucroalcooleira, pode ser utilizado como forragem, fonte de alimento para ruminantes; e na produção de fibrocimento. • A Resolução Nº 258/1999, conceitua_______________, como sendo aquele que não mais se presta a processo de reforma de maneira a permitir condição de rodagem adi- cional. a) pneu inservível; lixo; resíduo sólido; bagaço. b) bagaço, pneu inservível, lixo, resíduos sólidos. c) lixo; resíduos sólidos; bagaço; pneu inservível. d) bagaço, pneu inservível, lixo, resíduo sólido. 03. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: os pneus inservíveis podem ser reciclados para a produção de: a) ( ) Vidros e plásticos reutilizados. b) ( ) Filamentos ferruginosos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 85 c) ( ) Substâncias para a indústria petroquímica. d) ( ) Energia, pisos, asfalto. 04. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: as árvores são recursos naturais e matéria-prima para a fabricação do papel, para reduzir a quantidade de madeira utilizada, é necessário diminuir o uso des- necessário: a) ( ) Da hemicelulose. b) ( ) Da lignina. c) ( ) Das substâncias químicas inorgânicas. d) ( ) Do papel. 05. Preencha os parênteses da segunda coluna com a numeração correspondente à res- posta correta da primeira coluna. ( 1 ) Madeira ( ) Pavimento ( 2 ) Cana-de-açúcar ( ) Bagaço ( 3 ) Pneu ( ) Plástico ( 4 ) Nafta ( ) Celulose a) 1 - 2 - 3 - 4 b) 3 - 2 - 4 - 1 c) 4 - 1- 3 - 2 d) 3 - 1 - 4 - 2 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 86 Caracterizar os processos de digestão anaeróbia e aeróbia dos resíduos sólidos Competência 05 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 88 Caracterizar os processos de digestão anaeróbia e aeróbia dos resíduos sólidos Nesta competência, você aprenderá sobre os conceitos de digestão anaeróbia dos resíduos sólidos. Determinará e caracterizará as etapas de hidrólise, acidogêne- se, acetogênese e metanogênese desse processo, com a produção de substâncias, dentre as quais metano e hidrogênio. Igualmente, conceituará e caracterizará os pro- cessos de digestão aeróbia dos resíduos sólidos e aprenderá sobre a dinâmica da compostagem aeróbia. Você assistiu aos filmes da série De Volta para o Futuro lançados na década de 1980 e protagonizados pelos atores Christopher Lloyd, no papel do professor Doc Brow, e Michael J. Fox, no papel de Marty? Se assistiu, não sei se observou que eles fize- ram várias profecias de tecnologias futurísticas, as quais estariam realizadas no ano de 2015. Por exemplo, os óculos tecnológicos (bem semelhantes aos óculos Google Glass), as câmeras digitais superfinas, os monitores de tela plana e fina, as videocon- ferências, os tablets e os computadores em todos os lugares. Você é testemunha que todas elas se tornaram realidade. Mas o que eu quero lhe falar mesmo é sobre uma cena do De Volta para o Futuro 2, quando o professor Doc vai buscar Marty para transportá-lo do seu tempo ao nosso tem- po. Exausto, ele retira do lixo latas de alumínio, restos de comida e lança os resíduos na câmara de digestão de seu veículo do tempo. Certamente para degradá-los, extraindo o hidrogênio ou outro gás e transformando-os em energia para a sua máquina. Neste ano de 2015, no qual estou escrevendo este material didático, várias são as tecnologias (em desenvolvimento e já aplicadas) para utilização dos resíduos sólidos como fonte de energia: veículos trafegam à base do metano e, no Japão, uma usina gera hidro- gênio a partir do lixo doméstico, produzindo energia elétrica (INOVAÇÃO TECNOLÓGICA, 2004). Não sei se chegaremos ao carro do tempo do professor Doc, mas sei que chegou o tempo de mover este país com os nossos próprios resíduos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 89 Os processos de digestão anaeróbia dos resíduos sólidos Você vai trabalhar agora com os mecanismos de decomposição dos resíduos sólidos orgâ- nicos – RSO. Aliás, você já teve oportunidade de estudá-los brevemente quando falei sobre as características biológicas daqueles resíduos e foi observado que eles dependem de micror- ganismos, tais como protozoários, fungos e vermes, mas, essencialmente, de bactérias, para sua degradação: processo que conhecemos por digestão anaeróbia (ou aeróbia). Nossos estudos, entretanto, se iniciarão com a digestão anaeróbia, a qual consiste em processos bioquímicos realizados pelos já referidos microrganismos para a biodegradação da matéria orgânica constituinte dos resíduos, na ausência de oxigênio. Porém, para fun- damentar esses conceitos, considero importante lhe repassar alguns dados estatísticos, que mostrarão a situação em que se encontra o Brasil no que diz respeito à geraçãode resíduos sólidos orgânicos e à necessidade do fenômeno da sua biodegradação. O Brasil gera anualmente quase 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos e dessa geração total um percentual de um pouco mais de 60% (50 milhões de RSO) corresponde à matéria orgânica suscetível à biodegradação (BOSKOV, 2008). Entendeu a importância desses números? 50 milhões de toneladas por ano de matéria orgânica precisam ser de- compostas, serviço esse realizado através da digestão anaeróbia. E essa digestão produz o biogás, um substituto do gás natural, que pode ser utilizado para obtenção de energia elétrica em fornos e em veículos automotores, por exemplo. E você sabe muito bem que o mundo está sedento por novas tecnologias de produção de energia que reduzam os custos de produção. É nesse cenário que surge a digestão anaeróbia, cuja energia produzida já se torna destaque em vários países da Europa e Ásia (PARKER, 2007). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 90 Uma tonelada de resíduo orgânico pode gerar 200 m3 de biogás (ACRÍTI- CA, 2012), os quais podem produzir 270 kWh de energia (ou, um metro cúbico de resíduo sólido orgânico para gerar 1,35 kWh). Então, se o Brasil tivesse como meta transformar os 50 milhões de toneladas de resíduos orgânicos que gera por ano em energia elétrica, produziria cerca de 100 milhões de MWh, (um megawatt equivale a 1.000 kWh), ou 100 tWh (um terawatt equivale a 10 milhões de mWh) (HENRIQUES, 2003), exatamente a capacidade máxima que a hidroelétrica de Itaipu já conseguiu alcançar. Curiosidade As etapas do processo de digestão anaeróbia Você já aprendeu que a digestão anaeróbia é um processo biológico (ou mais precisa- mente, bioquímico) que transforma em gases a matéria orgânica putrescível (biodegradá- vel) em ambiente de absoluta ausência de oxigênio. A partir de agora, conhecerá os me- canismos mais íntimos desse processo. Esses gases resultantes das reações bioquímicas, ao longo desse processo, são o metano (CH4) e o dióxido de carbono, o CO2. No resíduo líquido, após análises químicas, você detectará a amônia, sulfetos e fosfatos. No entanto, para se chegar a esses produtos finais, a biodegradação obriga-se a utilizar diversos grupos de microrganismos em quatro fases da digestão — que chamaremos etapas. Vou atender sua curiosidade e dizer logo quais etapas são essas e dizer brevemente o que acontece em cada uma delas: a primeira é a hidrólise, quando ocorre a quebra das grandes moléculas de proteínas, lipídios e carboidratos em açúcares, aminoácidos e áci- dos graxos. Apenas a título de informação, destes últimos (ácidos graxos) se originam os sabões, detergentes, xampus. A segunda, a acidogênese, continua o processo de quebra das moléculas, formando substâncias como amônia, ácido sulfídrico, ácidos orgânicos, ce- tonas. A terceira, a acetogênese, ocorre com a digestão das moléculas simples resultantes da acidogênese, tendo como produto dessas reações o dióxido de carbono, o hidrogênio e o ácido acético. E, como última etapa, a metanogênese, quando ocorre a produção de metano, dióxido de carbono e água. O Quadro 8 resume as etapas da digestão anaeróbia: G es tã o de R es íd uo s Só lid os 91 Etapa da Hidrólise: biodegradação de proteínas, carboidratos, lipídios em aminoácidos, ácidos graxos, açúcares. Etapa da Acidogênese: biodegradação de açúcares, aminoácidos, ácidos graxos em ácidos orgânicos, álcoois, cetonas. Etapa da Acetogênese: biodegradação de ácido acético (e outros ácidos de cadeias mais simples), dióxido de carbono, hidrogênio. Etapa da Metanogênese: biodegradação do ácido acético em metano e dióxido de carbono Quadro 8 – Resumo das etapas da digestão anaeróbia Fonte: autoria própria (2015). A etapa da hidrólise do processo de digestão anaeróbia Considero que essa primeira etapa da digestão anaeróbia deva principiar com uma per- gunta, a mesma que um professor me fez quando eu estudava a bioquímica da digestão e que agora repasso para você: sabe o que é hidrólise? Pois bem. O próprio vocábulo já diz G es tã o de R es íd uo s Só lid os 92 o que ele significa. “Hidro”, que provém do grego Hidro e que significa água e “lise”, que provém do grego lyses e significa quebra, separação; ou seja, em nosso caso, hidrólise é a quebra da ligação química de uma molécula. E tudo se inicia com a matéria orgânica em uma solução aquosa em ambiente sem oxigênio, no interior de um aterro sanitário, ou em um biodigestor anaeróbio, por exemplo. Aproveito a referência sobre o biodigestor anaeróbio para lhe informar ainda — com- plementando o conceito — que esse equipamento é um reservatório —normalmente com cobertura plástica — no qual se preserva um ambiente com ausência de oxigênio, como ilustrado na Figura 26, onde ocorre a transformação da matéria orgânica em seus consti- tuintes, e consequente formação do gás metano. Biodigestor: equi- pamento no qual a matéria orgânica putrescível se biodegrada pela ação de bactérias anaeróbias. Anóxico: sem oxigênio. Figura 26 – Biodigestor anaeróbio Fonte: <https://www.embrapa.br/bme_images/m/47840040m.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Siga passo a passo a etapa da hidrólise para que não surjam dúvidas. Nesse ambiente anóxico, as bactérias fermentativas ou hidrolíticas começam o seu trabalho de degradar as grandes moléculas, como as de lipídios, celulose (carboidrato) ou proteínas, em molécu- las menores (ZANOTTO, 2003). Você deve estar perguntando: e como elas fazem isso? É simples! Elas secretam subs- tâncias chamadas enzimas, que promovem reações bioquímicas. O mais interessante é que grupos específicos dessas bactérias transformam grupos de moléculas, escolhidas por elas, em outros tipos de moléculas de natureza diferente. Por exemplo, bactérias dos gêne- ros Clostridium, Bacteroides, Streptococcus, e Bacillus biodegradam as proteínas em ami- noácidos; as dos gêneros Clostridium, Micrococcus e Staphylococcus biodegradam lipídios em ácidos graxos; e as dos gêneros Clostridium, Staphyloccoccus, Acetivibrio e Eubacte- rium biodegradam os carboidratos em açúcares de moléculas mais simples (Abreu, 2007). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 93 A etapa da acidogênese do processo de digestão anaeróbia A segunda etapa da digestão anaeróbia, como você já sabe, é a acidogênese, cujo vocá- bulo por si só também traduz o seu significado. Formado pela junção das palavras ácido e gênese, ácido, do latim acidus: picante; gênese, do latim genesis: origem. Significa origem de ácido. Nesta etapa, as substâncias originadas da hidrólise são transformadas por um grupo de bactérias conhecidas como acidogênicas. Essas substâncias, os aminoácidos, ácidos graxos e açúcares, são agora biodegradadas em moléculas de cadeias menores ainda, a exemplo dos ácidos orgânicos valérico, propiônico, butírico ou lático, álcoois, cetonas, áci- dos inorgânicos e do hidrogênio livre (H2), além de outros compostos (BENGTSSON, 2008). Agora chegamos a um momento em que preciso lhe esclarecer sobre esses processos da digestão anaeróbia que você está estudando: apesar das bactérias a eles incorporadas te- rem atuações específicas para cada grupo de substâncias, elas não são exclusivas para uma determinada etapa da digestão. Por exemplo, as bactérias dos gêneros Clostridium, Bacte- roides, Bacillus e Streptococcus, que biodegradam proteínas na etapa de hidrólise, também metabolizam aminoácidos na etapa de acidogênese. Entendeu? Elas são polivalentes. A maioria das bactérias acidogênicas são anaeróbias estritas (somente anaeróbias), mas uma pequena percentagem consiste de bactérias faculta- tivas que podem oxidara matéria orgânica com algum oxigênio eventual no meio. Dessa maneira, elas consomem esses resíduos oxidativos e eliminam qualquer toxicidade para a microbiota estritamente anaeróbia do sistema (ABREU, 2007). Importante A etapa da acetogênese do processo de digestão anaeróbia A acetogênese, como o próprio vocábulo anuncia, é o processo da digestão anaeróbia que dá origem ao ácido acético, derivado do latim acetum, azedo, oficialmente conhecido G es tã o de R es íd uo s Só lid os 94 por ácido etanoico. Só para você saber, este ácido é o principal constituinte do vinagre. Esse processo da digestão, que resulta no ácido acético (CH3COOH), consiste na degrada- ção de açúcares originados da etapa anterior, da acidogênese. Figura 27 – Molécula de ácido acético: carbono (átomos negros); o xigênio (átomos vermelhos);hidrogênio (átomos cinzentos) Fonte: <http://pontociencia.org.br/galeria/? content%2Fpictures3%2Fmoleculasfamosas%2Fac_acetico.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Nesse processo há também a formação de hidrogênio (H2) e de dióxido de carbono (CO2), principalmente. E todas essas substâncias que se originam nesta etapa derivam das ações bioquímicas realizadas por bactérias, conhecidas como acetogênicas. Dentre os seus gêneros que mais se destacam, posso lhe citar Acetobacterium, Acetoanaerobium, Acetogenium, Butribacterium, Pelobacter e Clostridium, os quais foram observados em um estudo realizado em reatores anaeróbios por Archer e Kirsop (1990), quando determina- vam sua densidade populacional. Eles perceberam que a bactéria do gênero Clostridium também esteve presente atuando nos mecanismos das etapas de hidrólise e acidogêne- se? Pois é, esse gênero realmente se destaca como polivalente. Voltemos às substâncias resultantes de seu trabalho. Elas serão utilizadas diretamente na etapa seguinte, a metanogênese, por outros tipos de bactérias, denominadas metanogênicas, que irão gerar os produtos finais da digestão: o metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2). A etapa da metanogênese do processo de digestão anaeróbia Você aprendeu que na etapa da acetogênese ocorre a formação do acetato, ou ácido acético. E agora na metanogênese, última etapa da digestão anaeróbia, o ácido acético será metabolizado por bactérias metanogênicas e transformado em metano (CH4). Acon- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 95 CH3COOH → CH4 + CO2 (equação 01) 4H2 + CO2 →CH4 + 2H2O (equação 02) tece, no entanto, que não existe apenas um único caminho para o acetato se transformar em metano. Existem dois. Um deles é através de sua simples redução pela ação de bactérias metanogênicas, classificadas mais especificamente como acetotróficas, que produzem cerca de 70% do metano em reatores anaeróbios, de acordo com estudos de Chernicharo (2007) em reação bioquímica, conforme a equação: O vocábulo acetotrófico é formado por aceto, de ácido acético + o sufixo trófico, que significa “um nível de nutrição (ou trófico) ao qual pertence uma determinada espécie”. Se uma planta produz seu próprio alimento, ela é considerada um produtor; se um inseto se alimenta da planta, ele se torna um consumidor com nível trófico (ou de nutrição) de primeira ordem. A lagartixa que comer o inseto, será um consumidor de segunda ordem; e, assim, os consumidores subsequentes vão mudando de nível trófico, até que se chega aos decompositores, que se alimentam de organismos mor- tos, feito as bactérias. As acetotróficas pertencem a um nível de nutrição de decomposição do ácido acético da matéria orgânica morta. Curiosidade O outro caminho é feito também através da ação de bactérias metanogênicas, mas classificadas como hidrogenotróficas (nível de nutrição de metabolização do hidrogênio e do dióxido de carbono), para a formação do metano, de acordo com a equação 02: E você deve estar me perguntando: quais bactérias são essas responsáveis por esse processo metanogênico? São bactérias bem diferentes daquelas que conhecemos nas eta- pas anteriores da digestão anaeróbica, como por exemplo as Clostridium ou Bacteroides. Elas são conhecidas por Archaebacteria ou simplesmente arqueias. Apesar de apresen- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 96 tarem semelhanças com as bactérias já referidas, como, por exemplo, ter a ausência de um núcleo celular diferenciado, apresentando diferenças tanto morfológicas (estrutura da parede celular) quanto fisiológicas (excretam metano como resíduo de seu metabolismo). As arqueias foram classificadas em grupos, de acordo com as características de cada uma delas. E dentre os seus gêneros, como exemplo, eu posso citar Methanococcus, Me- thanospirillum, e Methanobacterium, a qual lhe apresento na Figura 28: Figura 28 – Archaebacteria metanogênica Methanobacterium thermoautotrophicum Fonte: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/co mmons/4/41/Prefoldin_3D_Structure.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Quadro 9 – Substâncias decompostas nas etapas da biodigestão e respectivas bactérias Fonte: <http://www.c2o.pro.br/vis_int_agua/figuras/dig_anae.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Você acompanhou, até este momento, as etapas pelas quais passa a digestão anae- róbia dos resíduos sólidos orgânicos, que, sob ação de diferentes espécies de bactérias, acabam produzindo o metano. Para que você fixe o aprendizado, eu lhe apresento um es- quema (Quadro 9) que contempla as substâncias biodegradadas durante o processo com as respectivas bactérias responsáveis em cada evento. Composto orgânicos complexos Ácidos orgânicos, álcoois, cetonas Ex: Glicose, aminoácidos, ácidos graxos Acetato, CO2 e H2 CH4 e CO2 Bactérias hidrolíticas Bactérias acetogênicas Arqueas metanogênicas Bactérias acidogênicas fermentativas G es tã o de R es íd uo s Só lid os 97 Figura 29 – Resumo do processo da digestão anaeróbia Fonte: Mendes (2005). Ainda para uma maior fixação do seu aprendizado, vou complementar esse exercício com a Figura 29, que resume todo o nosso estudo, apresentando cada etapa da dinâmica da digestão anaeróbia, desde a hidrólise à metanogênese — incluindo as reações acetotró- ficas e hidrogenotróficas. Quais substâncias são produzidas na fase de acidogênese da digestão anaeróbia? Atividade 01 O processos de digestão aeróbia dos resíduos sólidos Você estudou a dinâmica da digestão anaeróbia dos resíduos sólidos orgânicos, que se desenvolve em ambiente anóxico com a ação das bactérias hidrolíticas, acidogênicas, acetogênicas e metanogênicas. A partir de agora, você vai aprender sobre a dinâmica da digestão aeróbia, que pode ser conceituada como um processo de biodegradação dos resí- duos sólidos, no qual bactérias aeróbias (que vivem na presença de oxigênio) decompõem a matéria orgânica, gerando como produto final o dióxido de carbono (CO2) e água (H2O). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 98 Acrescento também o significado de estabilização (ou mineralização) da matéria orgâ- nica: a mineralização ou estabilização de uma matéria orgânica acontece quando suas moléculas complexas de proteínas, lipídios ou carboidratos, por exemplo, são biodegra- dadas em moléculas mais simples como dióxido de carbono, amônia, água. Esse proces- so de mineralização é realizado por decompositores (as bactérias aeróbias, por exemplo) que exigem como recompensa por esse serviço o pagamento em oxigênio, pois é ele sua fonte de energia para a realização da respiração, da reprodução e de todos os seus requerimentos vitais. Os processos da digestão aeróbia dos resíduos sólidos em uma compostagem Para você aprender sobre os mecanismos queregem a digestão aeróbia, o melhor caminho é entender os fundamentos da compostagem. Sei que você já ouviu falar muito sobre compostagem, mas não será nada custoso estudarmos mais um pouco esse tipo de transformação dos resíduos sólidos orgânicos, o qual eu conceituaria, basicamente, como a biodegradação desses resíduos por microrganismos, com a característica principal de ter como produtos finais o CO2, água, substâncias minerais, calor e matéria orgânica estável ou húmus. Um material tão rico em nutrientes, que é considerado como um dos mais efi- cientes fertilizantes naturais. E um fato essencial nesse processo é que ele sempre ocorre utilizando como substrato os resíduos sólidos orgânicos. Os fatores que mais se destacam no processo bioquímico aeróbio da compostagem (pela atuação exclusiva de microrganismos) são a umidade, os nutrientes, a oxigenação e a temperatura. Porém, você deve atentar para o fato de que a temperatura, diferentemente dos outros fatores citados, não tem origem externa e sim é resultado das atividades meta- bólicas das bactérias e outros microrganismos. Os microrganismos que atuam na compostagem Estou falando em microrganismos e você está querendo saber que microrganismos são esses? São fungos e bactérias, dentre estas últimas os actinomicetos (aeróbios e fila- mentosos), propagados nos mais diversos ecossistemas, conforme estudos de Uzcátegui- -Negrón (2009). Esses organismos se sucedem ao longo da sequência de ações em con- formidade com as características que o meio apresente. Vou classificá-los de acordo com a temperatura ambiental. Em ambientes com temperaturas que variam 0 a 20oC habitam os microrganismos psi- Húmus: matéria orgânica, rica em nutrientes, resul- tante da biodegra- dação de resíduos sólidos orgânicos, como restos vege- tais ou animais. A dinâmica biofísica de sua formação é conhecida como humificação. Substrato: mma- terial sobre o qual se desenvolvem organismos que passam nele a viver. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 99 crófilos, capazes de viver em baixas temperaturas; mesófilos, que vivem sob temperaturas entre 15 e 43o e termófilos, que podem viver sob temperaturas acima de 40 a 85oC (FER- NANDES; SILVA, 1996). Agora você já sabe que tipo de organismos são responsáveis pela compostagem. Mas, como fazê-la? Desenvolver os processos de compostagem Agora você já sabe que existem dois tipos de compostagem: aeróbia e anaeróbia. Aqui estamos tratando da compostagem aeróbia, na qual os organismos utilizados poderão ser bactérias (exemplo de microrganismo), ou minhocas (exemplo de macrorganismo, com a utilização do gênero Eisenia), que neste caso o processo receberá a denominação de ver- micompostagem. Para implantar um projeto de compostagem em uma atividade agrícola, você, como técnico em meio ambiente terá que adotar determinados critérios. O primeiro deles poderia ser a escolha do processo mais tecnicamente adequado aos resíduos a se- rem tratados; o segundo, a escolha do processo que menos impactos ambientais promo- vam ao ambiente e um terceiro, aquele processo cujo custo/benefício seja economicamen- te viável e atenda às metas e objetivos requeridos. Sobre um terreno plano ou escavado, lugar que se chama composteira, o material or- gânico a ser utilizado será disposto (em nosso exemplo, resíduos agrícolas, como frutas e verduras, além de outros restos vegetais e esterco), sobre um substrato ramoso para favorecer a aeração. Figura 30 – Disposição de resíduos agrícolas orgânicos Fonte: <http://www.agrodkv.com/imagens/imgterra.jpg>. Acesso em: 18 ago. 2015. Todo esse material orgânico será disposto em camadas. Após uma semana de iniciada a compostagem o material será irrigado e misturado, com o objetivo de aumentar sua aeração. Nessa etapa (fase mesofílica) as bactérias mesófilas se proliferam e com sua G es tã o de R es íd uo s Só lid os 100 atuação ininterrupta de metabolização provocam a elevação da temperatura dos resíduos em biodecomposição que alcança cerca de 40oC. Você observará que à proporção que a temperatura aumenta, a população dessas espécies mesófilas começará a diminuir. O revolvimento do material, que já tomará um aspecto granuloso escurecido, continuará a renovar sua oxigenação. Figura 31 – Aeração mecânica das leiras de resíduos metabolizados na compostagem Fonte: <http://www.quimica.com.br/pquimica/wp-content/uploads/2012/03/Aeracao1-300x191.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Figura 32 – Húmus, produto final da compostagem aeróbia Fonte: <http://www.wikienergia.pt/~edp/images/thumb/c/c7/Composto.jpg/300px-Composto.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Em lugar das bactérias mesófilas, surgirão novas espécies adaptadas a altas tempera- turas: as termófilas, que irão acelerar a degradação dos resíduos e elevarão mais ainda a temperatura, que atingirá cerca de 80o C. Essa fase termofílica poderá ter a duração de até dois meses, quando toda a matéria orgânica será transformada em um composto, o húmus (conhecido como fase de humificação), excelente fertilizante rico em carbono, nitrogênio, potássio, fósforo, cálcio, magnésio. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 101 Você já deve ter entendido que a compostagem é um processo de reciclagem dos resí- duos sólidos orgânicos. Um processo que, além de produzir um dos melhores fertilizantes orgânicos para utilização na agricultura, contribui para a redução de resíduos sólidos que normalmente se destinam a aterros sanitários; e diminui as emissões de dióxido de carbo- no para atmosfera. Veja o resumo da dinâmica da compostagem: Matéria orgânica + microrganismos + O2 → CO2 + H2O + calor + húmus Para ampliar seus conhecimentos sobre a digestão anaeróbia, sugiro a leitura do livro Digestão de Resíduos Sólidos Orgânicos e Aproveita- mento do Biogás, 2003, de Sérvio Túlio Cassini, editado pelo projeto Programa de Pesquisas em Saneamento Básico – PROSAB, o qual abor- da acerca de tratamentos anaeróbios de resíduos sólidos orgânicos. E para ampliar seu aprendizado sobre a digestão aeróbia, minha suges- tão é a leitura do Manual Prático para a Compostagem de Biossólidos, de autoria dos professores Fernando Fernandes e Sandra Márcio da Silva, da Universidade Estadual de Londrina, o qual apresenta, dentre os temas relacionados, os fundamentos, os sistemas e as possibilida- des de uso da compostagem. Disponível em <http://www.finep.gov.br/ prosab/livros/Livro%20Compostagem.pdf>. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu sobre os conceitos de digestão anaeróbia dos re- síduos sólidos e a determinar e a caracterizar as etapas de hidrólise, acidogênese, aceto- gênese e metanogênese desse processo. Igualmente, aprendeu sobre os conceitos e as características dos processos de digestão aeróbia dos resíduos sólidos, além da dinâmica da compostagem aeróbia. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 102 Autoavaliação 01. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: O processo de digestão anaeróbia, no qual ocorre a quebra das grandes molé- culas de proteínas, de lipídios e de carboidratos em açúcares, aminoácidos e ácidos graxos, é classificada como: a) ( ) Hidrólise. b) ( ) Acetogênese. c) ( ) Acidogênese. d) ( ) Pirólise. 02. Preencha as lacunas com as respostas corretas. - O _______________ é um equipamento no qual a matéria orgânica putrescível se biode- grada pela ação de bactérias anaeróbias. - A etapa de digestão anaeróbia __________________ se caracteriza pela biodegradação de aminoácidos, ácidos graxos e açúcares em moléculasde cadeias menores, a exem- plo dos ácidos orgânicos valérico, propiônico, butírico ou lático, alcoóis, cetonas. - As etapas da digestão anaeróbia ocorrem em ambientes_______________. - A ________________ é o processo da digestão anaeróbia que dá origem ao ácido acético. a) acidogênese; biodigestor; sem oxigênio; acetogênese. b) acetogênese; sem oxigênio, acetogênese; biodigestor. c) biodigestor; acidogênese; sem oxigênio; acetogênese. d) biodigestor; acetogênese; sem oxigênio; acidogênese. 03. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: As bactérias responsáveis pela etapa da digestão anaeróbia são classificadas como: a) ( ) Filamentosas. b) ( ) Hidrolíticas. c) ( ) Aeróbias. d) ( ) Metanogênicas. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 103 04. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Vários são os fatores que se destacam no processo bioquímico aeróbio da com- postagem, porém, aquele que resulta das atividades metabólicas das bactérias e ou- tros microrganismos é: a) ( ) A temperatura. b) ( ) A umidade. c) ( ) A salinidade. d) ( ) Condutividade. 05. Preencha os parênteses da segunda coluna com a numeração correspondente à res- posta correta da primeira coluna. ( 1 ) Anóxico ( ) Bactéria aeróbia ( 2 ) Húmus ( ) Fertilizante ( 3 ) Actinomiceto ( ) Altas temperaturas ( 4 ) Termófilo ( ) Sem oxigênio a) 4 - 3 - 1 - 2 b) 3 - 2 - 4 - 1 c) 3 - 4 - 2 - 1 d) 2 - 3 - 4 - 1 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 104 Caracterizar a composição gravimétrica e analisar parâmetros físico- químicos dos resíduos sólidos urbanos Competência 06 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 106 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 107 Caracterizar a composição gravimétrica e analisar parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos urbanos Nesta competência, você aprenderá sobre como classificar e como determinar a gravime- tria ou composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos. A analisar e a determinar os parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos pH, carbono total, sólidos fixos e voláteis totais. Quando Humberto de Campos escreveu sua epígrafe sobre o lixo nosso de cada dia, lis- tando as espinhas de peixe, as cascas de ovos, a cerveja, o vinho (que certamente geravam garrafas de vidro, tampas de metal e cortiças) para criar sua crônica doméstica de cada família, ele, na verdade, praticava, mesmo inconscientemente, o início do processo de uma composição gravimétrica. Provavelmente, o poeta não teria qualquer intimidade com esse estudo sobre os resíduos sólidos e não saberia que uma gravimetria desses resíduos significava separar, listar, pesar e determinar qual a participação quantitativa (percententual) de cada componente. Provavel- mente, também, não pensaria nas mudanças de qualidade que sofria o lixo, de acordo com os aspectos sociais, econômicos, culturais, de hábitos ou de nível educacional. Nem, igualmente, que as pessoas com alto poder aquisitivo tivessem tão estreita relação com o descarte de materiais recicláveis, que os elevados percentuais de matéria orgânica em meio aos seus resí- duos totais significassem que ocorria um desperdício de alimento. Nem poderia imaginar que, atualmente, o crescimento do descarte de pilhas e baterias estivesse requerendo mais centros de coleta e mais educação ambiental ou que nos bairros mais pobres o aumento do descarte de fraldas descartáveis indicasse um aumento na população de crianças. O lixo tem voz. Ouvir o que ele tem a dizer através da composição gravimétrica permiti- rá elaborar melhores planejamentos nas atividades de limpeza urbana ou aperfeiçoar as atividades de reutilização, reciclagem e recuperação dos resíduos gerados. Ah! Poeta, você bem que começou. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 108 A importância da determinação da composição gravimétrica Os nossos estudos irão explorar a caracterização da composição gravimétrica dos resí- duos sólidos urbanos. Você já conhece esse parâmetro, relativo às características físicas desses resíduos, desde a competência dois. Explicitei que ele é a determinação da quanti- dade proporcional de um constituinte de uma amostra a qual se possa pesar, seria o per- centual de cada um desses constituintes de uma massa de resíduos em relação ao peso total da amostra sob análise — como exemplificado no gráfico da Figura 33, mas não nos aprofundaremos sobre as razões pelas quais a sua determinação é tão necessária para a gestão desses resíduos. Então, vamos fazê-lo agora. Figura 33 – Composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos no Brasil Fonte: <http://cisbra.eco.br/sites/default/files/gravim.%20Brasil.png>. Acesso em: 19 ago. 2015. O seu aprendizado sobre a importância de se determinar a gravimetria dos resíduos começa pelo entendimento de que esse processo é fundamental para se conhecer e ava- liar tanto a geração, quanto a origem desses resíduos. E ele resulta em informações que podem subsidiar as ações de sua gestão. Para o desenvolvimento desses estudos, vamos eleger como referências algumas pes- quisas realizadas por Moura (2012), no município de Itaúna, em Minas Gerais, e por Carva- lho (2012), no município de Barreiras, na Bahia, que analisaram a composição gravimétrica de seus resíduos sólidos. Os resultados da análise gravimétrica em Itaúna demonstraram, por exemplo, significativas variações na geração dos resíduos quando foram comparadas as suas origens com as classes sociais do município. Os resíduos sólidos para a composição gravimétrica Para você entender as etapas constituintes da composição gravimétrica desenvolvidas G es tã o de R es íd uo s Só lid os 109 Figura 34 – Quarteamento na composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos Fonte: <http://esdocs.org/docs/index-13153.html?page=8>. Acesso em: 19 ago. 2015. na pesquisa, não será necessário assumir todos os seus aspectos técnicos, mas apenas aqueles suficientes à compreensão de como se deve realizar esse tipo de análise. Por exemplo, a metodologia empregada será a mesma utilizada por Moura (2012) e preconi- zada por Abreu (2008) e Pessin (2002), na qual os resíduos das amostras são misturados, quarteados e analisados. O quarteamento consiste na coleta de quatro amostras de luga- res distintos de um aterro sanitário ou de diferentes caminhões que estejam descarregan- do. As amostras são postas sobre uma lona para a devida qualificação e pesagem. Na pesquisa de Moura (2012), os resíduos foram classificados em dois tipos: • Resíduos molhados: representados por matéria orgânica, trapos e panos, contaminan- tes químicos (por exemplo, pilhas, baterias, medicamentos, lâmpadas, cosméticos, la- tas de tinta e óleo de motor), contaminantes biológicos (por exemplo, fraldas descartá- veis, algodão, curativos, seringas, lâminas de barbear, cabelos, pelos) e outros diversos (velas, cigarro, embalagens metalizadas, rolhas, cartões magnéticos e telefônicos); • Resíduos secos: representados por metais, borrachas, couro, plásticos, isopor, papel, papelão. Todos esses resíduos foram coletados de três classes sociais representativas da popu- lação: alta, média e baixa, de acordo com o seu poder aquisitivo e a sua escolaridade, a partir de bairros previamente selecionados. A composição gravimétrica O primeiro passo para determinar a composição gravimétrica é proceder a seleção do material coletado e quarteado, normalmente constituído dos resíduos de metais, papel,G es tã o de R es íd uo s Só lid os 110 %CG = Mc / Mt x 100 Em que: %CG é o percentual da composição gravimétrica %; Mc é o peso do componente (Kg); Mt é o peso total da amostra (Kg). A composição gravimétrica (%CG) será igual ao peso do componente (Mc) dividi- do pelo peso total da amostra (Mt) e multiplicado por 100. Como exercício prático, vou usar os resultados obtidos no estudo de composição gravi- métrica realizado na cidade de Barreiras, na Bahia, por Carvalho (2012). O peso total da amostra foi de 201,7 Kg, como se pode constatar no Quadro 10: Quadro 10 – Composição gravimétrica dos resíduos sólidos da cidade de Barreiras/BA Fonte: Carvalho (2012). papelão, plástico, vidros, material orgânico e outros tipos. O segundo passo contempla a pesagem total e as pesagens individuais dos componentes da amostra. Está acompanhando? Vamos para a terceira etapa, que consiste em colocar os valores obtidos na equação seguinte: Componetes Kg % Papel Papelão Tetra pack Total papel Plático duro Plástico flexível PET Total plástico Matéria orgânica putrescível Total orgânico Metal ferroso Metal não ferroso (alumínio) Total metal Vidro Total vidro Cabelos Areia Trapo Papel higiênico/guardanapo/fraldas Total outros Total geral 7,9 9,0 1,0 17,9 2,7 11,9 8,3 22,9 128,6 128,6 3,0 1,0 4,0 7,7 7,7 0,5 10,0 1,6 8,5 20,6 201,7 3,9 4,5 0,5 8,9 1,3 5,9 4,1 11,3 63,8 63,8 1,5 0,5 2,0 3,8 3,8 0,2 5,0 0,8 4,2 10,2 100,00 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 111 Vou selecionar um dos constituintes da amostra, por exemplo, a matéria orgânica pu- trescível que teve o seu peso estimado em 128,6 Kg. Figura 35 – Pesagem de resíduos sólidos para a composição gravimétrica Fonte: <http://www.ipeuna.sp.gov.br/portal/images/stories/ 2014_news/20140918_Estudo_Gravimetrico.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. A sua participação na composição gravimétrica, em termos percentuais, será de: Mc = 128,6 Kg Mt = 201,7 Kg %CG = 128,6 /201,7 x 100 CG = 63,8% Os resultados da composição gravimétrica Após a determinação da composição gravimétrica, é necessário fazer uma análise dos resultados obtidos, pois ela será uma ferramenta importante na gestão dos resíduos. Ob- serve, por exemplo, o percentual obtido nas gravimetrias realizadas em Itaúna e Barreiras. Com relação à matéria orgânica mensurada, constatou-se que a percentagem média en- contrada fora de 54% do total dos resíduos em Itaúna e 63,8%, em Barreiras. Claro que esses números podem sofrer variações de acordo com a região, dependendo de alguns fatores, como situações diferentes de poder aquisitivo da população, situações geográficas, climáticas ou culturais. Mas lhe informo que os percentuais encontrados estão de acordo com a geração nacional (50 a 60%, MMA, 2015), apesar de eventuais percen- tuais fora de curva, conforme você verifica no Quadro 11. Cada constituinte estudado na composição gravimétrica tem o potencial de dar importantes informações sobre a situação socioeconômica da população e, não custa enfatizar, auxiliar no processo de gerenciamen- to de seus resíduos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 112 Quadro 11 – Percentagem de matéria orgânica dos resíduos sólidos em municípios brasileiros Fonte: 1Nóbrega (2007); 2Naval (2000); 3Rica (2012); 4Moura (2012); 5Mercedes (1947); 6Freitas (2006). Município Matéria Orgânica (%) Pedras de Fogo (PB)1 Palmas (TO)2 Salinas (MG)3 Itaúna (MG)4 Belo Horizonte (MG)5 Varjão (DF)6 68 63 46,4 54 63,4 57,2 Agora vou lhe fazer um questionamento para que se exemplifique o potencial que pos- suem esses constituintes da composição gravimétrica como indicadores das condições socioeconômicas da população geradora de resíduos: se você estivesse realizando essas análises e conseguisse esses resultados com a matéria orgânica, de tão altos percentuais apresentados pelas pesquisas, qual seria sua conclusão? Exatamente esta: esses números são indícios de desperdício de alimento. Mas, certa- mente, você concluiria também que eles diagnosticam uma necessidade dos municípios ao adotarem e incentivarem a população a tratar esse tipo de resíduo através dos proces- sos de compostagem. Inclusive essa atitude estaria respaldada na Lei no 12.305/2010, que em seu Artigo 3º, inciso VII, considera a compostagem como uma forma de destinação final ambientalmente adequada de resíduos (BRASIL, 2010). Calcule a composição gravimétrica de plástico flexível, cujo peso determi- nado foi de 20 kg e o peso total da amostra foi de 200 kg. Atividade 01 Os parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos urbanos Você já constatou que do total de resíduos sólidos urbanos coletados no país, mais de 50% são de natureza orgânica (IBGE, 2010). Para um conhecimento mais aprofundado sobre esse tipo de resíduo, os técnicos investigam sobre suas características físicas, quí- micas, biológicas e físico-químicas. Já falei sobre as suas características físicas, químicas e biológicas, agora você irá apren- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 113 der sobre as de caráter físico-químico. A importância desse estudo reside no fato de que essas características são necessárias para a avaliação do seu potencial relativo ao proces- so de degradação, assim como para subsidiar a gestão dos resíduos sólidos. Ao assumir a condição de um técnico em ambiente e tiver que realizar uma análise físico-química de resíduos sólidos orgânicos, você deverá eleger como parâmetros, essencialmente, o pH, o carbono total – COT, os sólidos totais voláteis, os sólidos totais fixos e teor de umidade — a determinação do teor de umidade foi explicitada na competência dois deste livro. O teor de pH dos resíduos sólidos orgânicos Você deve recordar do conceito de pH (potencial de hidrogênio) visto na competência dois. Lá, afirmei que se o material analisado tiver valor menor que sete, indicará ser áci- do, quando maior que sete, alcalino (ou básico). E, para determinar esse valor em uma amostra de resíduo sólido orgânico, separa-se um quilo de matéria orgânica da porção quarteada durante a análise gravimétrica, o qual deverá ser transportado ao laboratório para que se procedam as análises. Essas análises serão realizadas com medidores de pH específicos para semissólidos, como por exemplo: carnes, vaselinas, queijos. Ele é um parâmetro indicador, de natureza química, que durante o processo de biode- gradação da matéria orgânica pode estabelecer o estágio de desenvolvimento do processo de estabilização dessa matéria. Figura 36 – Análise de pH em matéria orgânica semissólida Fonte: <http://www.testo.pt/resources/media/global_media/produkte/testo_205/t esto-205-pH-value-measurement_i8r.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Por exemplo, lembra-se que nas etapas de hidrólise e acidogênese da digestão anae- róbia ocorre a formação dos ácidos valérico, propiônico, butírico, acético? Pois bem, essas substâncias, evidentemente de caráter ácido, promovem a diminuição do pH dos resíduos; G es tã o de R es íd uo s Só lid os 114 e, por causa desse evento, pode-se constatar essas fases do processo. E eu lhe dou mais uma informação: esse pH baixo pode afetar a dinâmica da digestão, por interferir nas reações das enzimas. O Teor de Carbono Total – COT de matéria orgânica e nitrogênio dos resíduos sólidos orgânicos O teor de carbono [C] é outro indicador no processo da biodegradação dos resíduos sólidos orgânicos, pois ele é igualmente capaz de sinalizar fases da evolução desse pro- cesso (a análise do carbono total poderá ser feitapor combustão seca em um analisador específico, a exemplo do analisador de carbono da Figura 37). Ainda em relação a esses resíduos, através de ensaios de calcinação pode-se conhecer o teor de matéria orgânica neles contida (processo de queimar substâncias, que em nosso caso se refere à queima, ou decomposição térmica, da matéria orgânica). Você já saber que o carbono na matéria orgânica é um componente preponderante e participa da constituição dos lipídios, carboidratos, aminoácidos, ácidos graxos, dentre outras substâncias orgânicas. A verdade é que o carbono predomina nessa constituição da matéria com 58% do seu peso total, como descobriu Nelson & Sommers (1996) nos seus estudos de análises químicas. Figura 37 – Analisador de carbono Fonte: <https://www.bruker.com/fileadmin/user_upload/1-Products/X-rayDiffraction_ ElementalAnalysis/CS_ONH/Rund_IMG_0781_R_high_02.jpg>. Acesso em: 19 ago. 2015. Mas eu não poderia falar sobre o carbono na matéria orgânica sem mencionar o nitrogê- nio, tendo em vista que ele compõe 5% de sua massa total (EAB, 1998), na forma de ami- noácidos, ureia ou ácidos nucléicos, por exemplo. E por que estou me referindo também ao nitrogênio? Porque a relação entre esses macroelementos, carbono e nitrogênio [C:N], pode interferir nas etapas da dinâmica da biodegradação. Se a relação [C:N] for alta, a concentra- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 115 ção de nitrogênio será baixa; se a relação for baixa, a concentração de nitrogênio será alta. Um valor alto dessa relação afetará o metabolismo das bactérias degradadoras. Por exemplo, conforme os estudos de Kiehl (1985), em uma relação C:N de 60/1 (60 partes de carbono para uma de nitrogênio) elas somente conseguirão estabilizar a matéria orgânica em um período de 30 a 60 dias; em uma relação de 33/1, em período de 15 a 30 dias. Devo complementar essas informações, no entanto, com resultados de outras pesqui- sas: por exemplo, Rezende (2005) considera os valores ótimos para a relação [C:N] entre 8 e 12, e indesejáveis, acima de 18; Kayhanian (1993) encontrou uma relação [C:N] entre 15 e 20 para o húmus estabilizado; e Pullicino (2002) registrou que valores dessa relação superiores a 20 pode causar danos ao ambiente (às plantas, por exemplo), resultado que confirma os dados de Rezende (2005). Já vimos que a determinação do carbono total poderia ser feita em laboratório por com- bustão seca em analisador específico. E como determinar o teor de matéria orgânica – TMO dos resíduos? Como disse antes, através de ensaios de calcinação. Pelo método da mufla, por exemplo, estabelecido por Goldin (1987). Por esse método, determina-se o TMO pela percentagem de massa perdida durante a calcinação em relação à massa total original, de acordo com fórmula seguinte: [TMO] = (P - (T - C) x 100) / P TMO = teor de matéria orgânica P = peso da amostra (g) C = tara do cadinho (g) T = peso da cinza + peso do cadinho (g) Mufla: tipo de estu- fa para incineração de substâncias em altas temperaturas. Cadinho: recipiente de argila refratária, ou de outra maté- ria, em forma de pote (ou tronco de cone), resistente a temperaturas elevadas. Para a determinação do nitrogênio, a técnica mais usual é através do método de Kjel- dahl, que consiste na digestão da amostra para a conversão total do nitrogênio. A determinação do carbono, nitrogênio e matéria orgânica é fundamental para o geren- ciamento dos resíduos sólidos urbanos, pois será subsídio norteador no seu tratamento e na sua disposição final. O teor de sólidos totais fixos e sólidos totais voláteis dos resíduos sólidos orgânicos Antes de determinarmos os teores dos sólidos fixos e voláteis, gostaria de conceituá-los. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 116 Você saberia definir o que seriam os sólidos fixos totais ou sólidos voláteis totais? Vamos juntos consolidar esse aprendizado. Você tem que iniciar conhecendo os sólidos totais – ST, eles são o resultado da seca- gem em estufa (massa sólida obtida) após evaporação da água da amostra, sob tempera- tura de 100 a 105º C (FERNANDES, 1997). Porém, se esses sólidos totais forem submetidos em uma mufla, a uma temperatura de 500º C, toda a matéria orgânica da amostra se transforma em dióxido de carbono e água, e o resultado no fundo do cadinho será somente de sólidos inorgânicos ou do que chama- mos por sólidos fixos totais. Creio que você entendeu bem sobre o conceito de sólidos fixos. E o que são sólidos vo- láteis? São os resíduos volatilizados dos sólidos totais durante o processo de calcinação, em mufla, da amostra à temperatura de 500 a 600º C. Para ampliar seus conhecimentos sobre a composição gravimétrica e sobre as características físico-químicas dos resíduos sólidos urbanos, sugiro a leitura de uma coletânea de trabalhos técnicos compilados no livro Alternativas de Disposição de Resíduos Sólidos Urbanos para Pe- quenas Comunidades (2002). Essa obra — organizada por uma equipe constituída dos professores Armando Borges de Castilhos Junior, Lisete Celina Lange, Luciana Paulo Gomes, Neide Pessin e editada pela Asso- ciação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES/SP — trata de tópicos importantes para a gestão dos resíduos sólidos, a exemplo de estudos comparativos de métodos para análises físico-químicas dos resí- duos e monitoramento dos processos de digestão anaeróbia. Disponível em: <http://www.finep.gov.br/prosab/livros/livrocompletofinal.pdf>. Querendo mais Volatilizar: evapo- rar; reduzir a gás. Resumo Nesta competência, você aprendeu sobre como classificar e determinar a gravime- tria dos resíduos sólidos urbanos, a entender a importância desses estudos, a analisar e a determinar parâmetros físico-químicos dos resíduos sólidos, tais como: pH, carbono total, sólidos fixos e voláteis totais. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 117 Autoavaliação 01. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Constituinte de uma massa de resíduos sólidos urbanos que se apresenta com maior porcentagem em amostras coletadas nos aterros sanitários. a) ( ) Papel. b) ( ) Metais. c) ( ) Material orgânico. d) ( ) Tecidos. 02. Preencha as lacunas com as respostas corretas. - A determinação da ___________dos resíduos sólidos urbanos é fundamental para se co- nhecer e avaliar tanto a geração, quanto a origem desses resíduos. - Os resíduos______________, no processo de se determinar a sua gravimetria, são repre- sentados por matéria orgânica, trapos e panos, contaminantes químicos, contaminan- tes biológicos, dentre outros. - O resultado da relação entre os macroelementos ___________ e ____________pode inter- ferir na dinâmica da biodegradação dos resíduos sólidos. - Os _____________são os resíduos evaporados dos sólidos totais durante o processo de calcinação da amostra à temperatura de 500 a 600 oC. - O pH _____________pode afetar a dinâmica da digestão dos resíduos sólidos por interfe- rir nas reações das enzimas. a) composição gravimétrica; sólidos voláteis; carbono e nitrogênio; molhados; baixo. b) composição gravimétrica; secos; carbono e nitrogênio; sólidos fixos; alto. c) composição gravimétrica; sólidos fixos; carbono e nitrogênio; secos; alto. d) composição gravimétrica; molhados; carbono e nitrogênio; sólidos voláteis; baixo. 03. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Quando os sólidos totais são submetidos a uma temperatura de 500º C e toda a matéria orgânica da amostra se transforma em dióxido de carbono e água, a matéria resultante é denominadade: a) ( ) Sólidos fixos totais. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 118 b) ( ) Sólidos móveis. c) ( ) Sólidos orgânicos. d) ( ) Sólidos metanogênicos. 04. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: O percentual de cada componente de uma massa de resíduos sólidos em rela- ção ao peso total dessa amostra coletada é conhecido por: a) ( ) Composição gravimétrica. b) ( ) Quarteamento de resíduos. c) ( ) Fator socioeconômico. d) ( ) Geração de resíduos. 05. Preencha os parênteses da segunda coluna com a numeração correspondente à res- posta correta da primeira coluna. ( 1 ) Papel e papelão ( ) Nitrogênio ( 2 ) Mufla ( ) Matéria orgânica ( 3 ) Método de Kjeldahl ( ) Calcinação ( 4 ) Carbono total ( ) resíduos secos a) 2 - 1 - 4 - 3 b) 3 - 4 - 2 - 1 c) 1 - 3 - 2 - 4 d) 3 - 4 - 1 - 2 Caracterizar acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte e disposição dos resíduos sólidos urbanos Competência 07 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 120 Caracterizar acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte e disposição dos resíduos sólidos urbanos Nesta competência, você aprenderá a conceituar o acondicionamento de resíduos só- lidos; a caracterizar os resíduos sólidos domésticos e públicos; a armazenar os resíduos domésticos especiais; a conceituar e a caracterizar a coleta e o transporte de resíduos sóli- dos; a determinar os veículos de coleta e transporte dos resíduos sólidos; a conceituar e a caracterizar os lixões, os aterros controlados e os aterros sanitários; e, por fim, a elaborar um projeto básico de implantação de um aterro sanitário. Determinados hábitos nossos foram adquiridos desde os tempos mais remotos e foram passando, silenciosamente, desde a geração primordial para as sucessoras. Não surgiu hoje esse nosso hábito (e necessidade) de descartar os resíduos que produzimos. Fosse porque se considerava o lixo um perigo ou por razões religiosas. Os israelitas, por exemplo, há apenas alguns milênios, possuíam regras de limpeza em seus acampamentos, con- forme registrado em Deuteronômio 23:13-15: “Deverás prover um lugar fora do acampa- mento para as tuas necessidades. Junto com teu equipamento tenhas também uma pá. Quando saíres para fazer as tuas necessidades, cava com ela, e, ao terminar, cobre as fezes. Pois Iahweh, teu Deus, anda pelo acampamento para te proteger e para entregar-te os inimigos. Portanto, teu acampamento deve ser santo, para que Iahweh não veja em ti algo de inconveniente e te volte as costas”. Na idade média, as pessoas negligenciaram a higiene ambiental e os resíduos se torna- ram um perigo mortal, pois provocaram epidemias que mataram milhões de pessoas. Com o aumento da população humana, ocorreu também o aumento da preocupação com o seu destino final, aprimoramos a técnica de enterrá-los e inventamos o aterro sanitário, mas ainda temos muito que aprimorar. Enquanto eu estava aqui escrevendo, meu gato foi ao jardim e urinou no chão, depois enterrou o seu dejeto, pois é de sua natureza ser limpo. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 121 O acondicionamento de resíduos sólidos urbanos Você saberia dizer o que significa acondicionar resíduos sólidos? Eu vou me adiantar. Começo te explicando o vocábulo acondicionar, que significa acomodar, guardar, preservar. Os resíduos sólidos que produzimos são descartados para destinos diversos. No entan- to, antes que sejam recolhidos para serem transportados, eles precisam ser acondiciona- dos, mas de maneira higiênica, sanitariamente adequada. E mais, de uma forma que este- ja em conformidade aos requerimentos exigidos por suas características e quantidades. E é muito importante que esse acondicionamento seja adequado, em recipientes fechados, para poder proporcionar maiores facilidades às coletas desses resíduos, para que não se tornem tão impactantes suas condições visuais e seus odores, para que não ocorram aci- dentes ou atraiam animais em busca de alimentos e não se proliferem vetores de doenças, como os mosquitos, baratas, formigas e ratos. O acondicionamento de resíduos sólidos urbanos Eu não podia deixar você continuar seus estudos sobre o acondicionamento dos resí- duos sólidos urbanos (os quais, para facilitar nossos estudos, podem ser classificados em domésticos e públicos) se não te falasse sobre os tipos de recipientes utilizados, com as adequações necessárias, de acordo com as suas características. É lógico que a escolha desses recipientes deve ocorrer de acordo com a origem dos resíduos, com as suas carac- terísticas, com a frequência das coletas e do seu custo, evidentemente. Creio que eu deva fazer, neste momento, um breve parêntese para classificar os tipos de resíduos, de acordo com a Resolução CONAMA No 5/1993 e de suas espe- cíficas embalagens. Os resíduos biológicos (classe A) devem ser acondicionados em lixeiras revestidas com sacos brancos; os resíduos químicos (classe B), em galões es- pecíficos; os resíduos radioativos (classe C), em caixas blindadas; os resíduos comuns ou domésticos (classe D), em sacos plásticos pretos, com resistência para que não se rompam e em volumes de 20, 30, 50 ou 100 litros, como exemplificado na Figura 38. Mas existem resíduos que merecem uma atenção especial, são aqueles perfuro cor- tantes. Eles devem ser acondicionados em coletores específicos confeccionados em papelão ou outro material sólido. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 122 Os sacos plásticos são confeccionados principalmente com polietileno de baixa densidade, polietileno de alta densidade ou de polipropileno e têm como base química o carbono, o hidrogênio e o oxigênio. Quando queima- dos, não liberam substâncias tóxicas na atmosfera. No entanto, não são biodegradáveis. Apesar dessas características e de sua comprovada dura- bilidade, observa-se que sua disposição nos aterros sanitários torna-se um Curiosidade G es tã o de R es íd uo s Só lid os 123 Figura 38 – Resíduos domésticos acondicionados em sacos plásticos pretos Fonte: <http://www.hypeness.com.br/wp-content/uploads/2013/08/Goedzak_interna.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. O acondicionamento de resíduos sólidos domésticos Continuando, de uma maneira geral, para uma coleta manual de resíduos domésticos, o recipiente não deve ultrapassar o peso de 30 kg para que seja viável o seu manuseio, que sejam herméticos, mas que se esvaziem completamente com facilidade; que sejam fortes o suficiente para impedir perfurações com resíduos perfurantes. Sim, você poderia acrescentar, mas essas características elencadas dependeriam, em certos aspectos, de outra característica a ser considerada: se o recipiente a ser escolhido será com ou sem retorno. Assim sendo, os recipientes para acondicionar resíduos domiciliares poderiam ser sacos plásticos, contêineres de plástico ou de metal. Não resta dúvida que os recipientes sem retorno possuem várias vantagens, como o aumento da produtividade das coletas e a desnecessidade de assepsia após realizá-las. É isso mesmo. Concluímos, então, que os sacos plásticos atendem a esses requisitos reque- ridos, pois são facilmente lacrados, leves e possuem um custo muito baixo. Hermético: fecha- do de maneira a impedir a entrada e a saída do ar. método com destino definitivo. Mas eles são fotodegradáveis, com o passar do tempo se transformam em polímeros de cadeias moleculares menores, que irão poluir solos e águas (MEIO AMBIENTE, 2009). Porém, estão che- gando os sacos de plástico biodegradávelque se decompõem sob certas condições de luminosidade, concentração de oxigênio e umidade. Eles são fabricados a partir de resinas de amido (do milho, mandioca ou batata), como o ácido poliláctico. (WILDER, 2006) G es tã o de R es íd uo s Só lid os 124 Por que os resíduos sólidos urbanos devem ser acondicionados em con- tentores hermeticamente fechados? Atividade 01 O acondicionamento de resíduos sólidos públicos Para acondicionar os resíduos produzidos pela comunidade, mas com a responsabilida- de do setor público de acondicioná-los, são utilizados outros tipos de recipientes, embora alguns deles sejam semelhantes, diferindo apenas nas suas dimensões. Esses recipientes são as papeleiras de rua, as cestas coletoras de pilhas e baterias, sacos plásticos com capacidade para 150 litros, contêineres plásticos e metálicos, caminhões poliguindastes veiculares simples e duplos, caixas estacionárias do tipo Brooks. Figura 39 – Poliguindaste veicular simples com caixa estacionária Brooks Fonte: <http://www.carmetal.com.br/wp-content/uploads/2014/03/POLIGUINDASTE-DUPLO- FC-2426-BRANCO-129-1600x1200.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 125 Figura 40 – Recipientes para resíduos radioativos na Central Nuclear Alm. Fonte: <http://www.eletronuclear.gov.br/Portals/0/0980pa.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. Com os referidos equipamentos, o setor público acondiciona resíduos oriundos de imóveis de baixa renda (favelas e conjuntos habitacionais); de grandes gerado- res (imóveis comerciais e industriais que geram diariamente volumes de resíduos superiores a 120 litros), que utilizam contêineres diferenciados por cores conforme as suas características; da construção civil, acondicionando os entulhos em contê- ineres Brooks estacionários com capacidade para 5 m³; de fontes especiais, como as indústrias, que utilizam recipientes específicos na forma de tambores metálicos ou bombonas plásticas com capacidade superior a 200 litros e contêineres plásticos com padrões de volumes variáveis de 120 a 1600 litros; dos portos, aeroportos e dos serviços de saúde e das usinas nucleares, que utilizam contêineres à prova de radiação, como você vê na Figura 40: Os resíduos domiciliares especiais Os resíduos domiciliares especiais, a exemplo das pilhas, baterias, lâmpadas flu- orescentes e pneus, precisam ser armazenados temporariamente em áreas sob a gestão governamental — até que tenham seus destinos de disposição determinados. Cada um desses resíduos requer um armazenamento específico e adequado, devido as suas particularidades. Para a caracterização desse tipo de armazenamento, utilizarei as baterias como exemplo. Elas não podem ser armazenadas de forma aleatória nem amontoadas por causa de suas propriedades perigosas e, por isso, devem ser acondicionadas em contêineres lacrados para que não ocorra emanação de hidrogênio, que tem natureza explosiva. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 126 Figura 41 – Recipiente para armazenamento de baterias Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/_rXUoVzkGsk0/ TSzgsedHLCI/AAAAAAAAAFU/SfpdX20v08I/s200/PB300137.JPG>. Acesso em: 20 ago. 2015. Figura 42 – Recipiente para armazenamento de baterias Fonte: <http://jedox.com.br/online/coletor-de-pilhas-e-baterias-25l.html#>. Acesso em: 20 ago. 2015. E, ainda, aquelas que não estão comprovadamente descarregadas devem ser estoca- das de tal maneira que seus eletrodos não contatem com os eletrodos de outras baterias, para evitar eventuais fagulhas elétricas. Os locais de seu armazenamento deverão atender as normas básicas de segurança e serem providos de cobertura e ventilação. Enfim, devem atender o que dispõe as normas 4 DZ 1311 – Diretriz de Destinação de Resíduos e 4 NB 1183 – Armazenamento de Resíduos Sólidos Perigosos – ABNT. Você deve saber que esses mesmos cuidados deverão ser oferecidos às pilhas, essas “miniusinas” portáteis de energia elétrica devem ser oferecidas aos usuários com con- dições mínimas, para que eles possam descarta-las em locais seguros, como postos de coletas e coletores apropriados, semelhantes a este mostrado na Figura 42: G es tã o de R es íd uo s Só lid os 127 A coleta e transporte de resíduos sólidos urbanos Depois de acondicionados após sua geração, os resíduos necessitam ser coletados. Tenho certeza que você conceituaria corretamente essa etapa de coleta e transporte com base nos conhecimentos que já adquiriu. E a definiria como o seu recolhimento, após sua geração e acondicionamento, para transportá-lo em veículos destinados para tal finalida- de, a locais de armazenamento, estações de tratamento e adequada destinação final. Mas você precisa saber que existem dois atores diferentes para essas ações. Um é o próprio órgão municipal, responsável pela limpeza da cidade (com ou sem ter- ceirização), que tem a função de recolher e transportar os resíduos produzidos e acondi- cionados pelas repartições públicas, pelo pequeno comércio e pelas residências, ou seja, aqueles estabelecimentos que geram menos de 120 litros de resíduos por dia. O outro ator seria o grande gerador de resíduos, aquele que produz um volume diário superior a 120 litros, que utiliza empresas privadas, mas autorizadas pelo órgão público competente. Qual o fator que você elegeria como o mais importante para o sucesso da etapa da cole- ta de resíduos no serviço da limpeza urbana? É isso mesmo: a regularidade. Não esqueça que você um dia poderá ser responsável pelo gerenciamento dessa atividade em determi- nada comunidade, portanto, o aprendizado dos fundamentos básicos desse serviço será, certamente, proveitoso. A regularidade do serviço de coleta criará credibilidade junto à população. Para tanto, será necessário que a coleta seja realizada em cada unidade geradora (domicílio, casas comerciais) cumprindo rigorosamente um calendário pré-estabelecido, com dias e horários fixos e regulares. Essa regularidade habituará as pessoas a colocarem os depósitos com resíduos defronte a seus imóveis naqueles dias estabelecidos — estabelecendo a confian- ça de que o veículo coletor irá passar para o recolhimento. E posso lhe garantir que se o município tiver um controle de peso ou volume dos resí- duos coletados, será possível constatar através de cálculos o desenvolvimento regular ou não da coleta. Como se faz essa verificação? É muito simples. Basta comparar os pesos dos resíduos coletados em duas semanas consecutivas. Por exemplo, você como gerente do serviço verificaria qual a quantidade coletada na quinta-feira passada e compararia com a quantidade coletada na semana determinada. Essas quantidades não podem ter uma variação maior que 10%. Esse procedimento pode se repetir, sempre utilizando como parâmetros os mesmos dias da semana. E já que estamos falando sobre regularidade, vamos aproveitar para falar sobre a frequ- ência da coleta — tema importantíssimo devido às características de nosso clima tropical. As elevadas temperaturas obrigam que as coletas sejam frequentes, sem haver longos G es tã o de R es íd uo s Só lid os 128 intervalos entre elas, para evitar mau cheiro e atração de insetos. Essa frequência das coletas pode ser diária, nos locais de maior geração de resíduos; em dias alternados, nas áreas de menor geração; e coletas especiais ou diferenciadas, em áreas de urbanização desordenada, por exemplo. Os veículos de coleta e transporte de resíduos sólidos urbanos Para a realização das coletas dos resíduos é preciso que se determinem os tipos de equipamentos e veículos coletores e, para tanto, tem que se levar em conta váriosfatores, dentre os quais o melhor custo/benefício, os seus custos (tanto de investimento quanto de operacionalização), as características dos resíduos, a qualificação da mão-de-obra local, a densidade populacional de cada bairro e, evidentemente, a qualidade das ruas e avenidas — suas larguras, pavimentação e topografia. Dentre os equipamentos e veículos coletores, seleciono o lutocar, que é um carrinho de duas rodas, de locomoção manual, com um reci- piente de volume entre 100 e 120 litros aberto na parte superior, para conter saco plástico, que acondiciona resíduos de varredura de ruas e avenidas. Figura 43 – Lutocar, carrinho coletor de resíduos de varredura Fonte: <http://www.metalmax.ind.br/index.php?link= verproduto&id_produto=29&label=LUTOCAR>. Acesso em: 20 ago. 2015. Ainda temos o poliguindaste, caminhão com acionamento hidráulico, ao qual já me referi anteriormente, possuindo funções de suspender e transportar as caixas do tipo Brooks, nas quais são acondicionados os resíduos; o caminhão basculante toco, veículo curto com dois eixos ou trucado, ou longo com três eixos; o caminhão compactador de resíduos, que possui uma capacidade volumétrica de até 19 m3, normalmente com sis- tema hidráulico para basculamento automático; o caminhão basculante trucado do tipo Roll-On/Roll-Off, sem compactação, que opera com contêineres de até 30 m3 e é dotado de elevadores para o basculamento. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 129 Figura 44 – Caminhão basculante trucado do tipo Roll-On/Roll-Off Fonte: <http://img.olx.com.br/images/75/7584952017.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. Voltando à hipótese de que você estaria exercendo a função de gerenciar o sistema de limpeza do município e, com isso, coordenasse o processo de aquisição de veículos desti- nados à atividade de recolhimento, certamente você elegeria critérios para fundamentar sua decisão de escolha para a compra. E eu lhe pergunto: quais seriam esses critérios? Sei que você citaria fatores que até já conversei aqui contigo, tais como: características de resíduos ou custo/benefício. Mas gostaria de lhe adiantar que esses critérios também podem ser determinados através de métodos técnicos, a exemplo da Análise Hierárquica de Processo – AHP, que utiliza sistemas de decomposição e síntese entre critérios para se alcançar a melhor escolha. E foi utilizando esse método que Silva e Souza (2011) en- contraram os critérios de durabilidade, preço (para maximizar a relação custo/benefício), assistência técnica, operabilidade (veículo de operação simples) e estética. A maior parte dos resíduos produzidos no Brasil são transportados para aterros sa- nitários por esses veículos descritos. Estou lhe falando “a maior parte”, porque os números estatísticos variam de fonte para fonte, embora a maioria concorde com a afirmativa, de acordo com os resultados a partir do ano de 2010. A ABRELPE (2010), por exemplo, registra que os aterros sanitários recebem 57,6% dos resíduos gerados pela população; os aterros controlados, 24,3%; e os lixões, 18,1%. Claro que deve existir uma percentagem destinada à compostagem, incineração, reciclagem e outros destinos, mas não foi computada na pesquisa. Você sabe a diferença entre lixão, aterro sanitário e aterro controlado? Vou falar sobre eles agora. Os lixões de disposição dos resíduos sólidos urbanos Eu sei que você sabe o que significa um lixão. Todos nós, infelizmente, conhecemos esse símbolo da nossa ignorância e insensibilidade social. Porém, felizmente, os seus dias A Lei nº 12.305/2010, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS, insti- tui uma política nacional para os resíduos e trata da sua disposição final e Curiosidade G es tã o de R es íd uo s Só lid os 130 estão terminando por força de lei — apesar de ainda existirem no Brasil 2.906 lixões em operação (AGENDA 21, 2013). Mas o que eu estou querendo mesmo é que o conceituemos de uma maneira mais técnica. Assim, podemos defini-lo como local no qual se dispõem os resíduos sólidos sem ne- nhum tratamento que impeça potenciais impactos significativos ao meio ambiente; a céu aberto, exposto ao sol e às chuvas e sem qualquer compactação ou preparação do solo para receber a massa de resíduos. E como não existe nenhum sistema de tratamento do chorume que percola através da porosidade, ele se aprofunda pela terra e contamina o lençol freático, como mostra o desenho esquemático da Figura 45:Percolar: passar (um líquido) através de um meio para filtrá-lo ou extrair substâncias. Figura 43 – Desenho esquemático de um lixão Fonte: <http://agenda21comperj.com.br/sites/localhost/files/lixaoxaterro1.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. Sua exposição ao relento torna os resíduos muito atrativos para ratos, insetos, escor- piões, aves e vetores de doenças, tais como parasitoses, amebíase, diarreias, dengue, chicungunya, leishmaniose, leptospirose, tifo etc. E quais seriam as primeiras vítimas des- sa poluição biológica? Você está correto! São os catadores de comida e outros materiais. Essas pessoas são as primeiras a se contaminarem, pois lidam diretamente com os pató- genos, sem nenhuma proteção. adequada (sem causar impactos ambientais negativos), que em consequên- cia eliminará os lixões. Fora definido pelo Ministério do Meio Ambiente que os 5570 municípios brasileiros estariam obrigados a encerrar as atividades desses lixões em agosto de 2014, bem como instituir a coleta seletiva e a reciclagem dos resíduos sólidos. Isso não aconteceu. Mais da metade dos municípios continuam operando lixões. Os prefeitos solicitaram uma prorro- gação do prazo, que foi negada pelo presidente em exercício, Michel Temer. Ressalte-se que os lixões constituem crime ambiental de acordo com a Lei N° 9.605, desde 1998. Os aterros controlados de disposição dos resíduos sólidos urbanos Eu poderia classificar o aterro controlado como uma categoria intermediária de disposição de resíduos entre o lixão e o aterro sanitário. Na verdade, é uma tentativa de melhorar as condi- ções ambientais do lixão. E quais seriam essas mudanças estruturais? Na maioria dessas ten- tativas, os resíduos antigos são recobertos por uma camada de terra que depois será gramada. Em alguns casos, os resíduos são forrados antes da cobertura de terra, para que diminua o flu- xo do chorume que vai para o lençol freático, evitando os efeitos das chuvas. No entanto, não se impermeabilizará a sua base, nem se tratará o chorume. Os novos resíduos serão recobertos com terra à proporção que forem chegando. Em alguns casos, se consegue construir chaminés para a liberação dos gases, como mostrado no desenho esquemático da Figura 46: G es tã o de R es íd uo s Só lid os 131 Figura 46 – Desenho esquemático de um aterro controlado Fonte: <http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp-content/uploads/2013/02/ O-Que-%C3%A9-Aterro-Controlado.jpeg>. Acesso em: 20 ago. 2015. O aterro sanitário Você deve se lembrar. Já conversei sobre o aterro sanitário quando falei do concei- to de recalque da compressibilidade dos resíduos, lá na competência dois. Ali você aprendeu que as camadas de resíduos iam se depositando no aterro e se acomodan- do com o peso das camadas superpostas, cada uma delas coberta com terra. Esse é o princípio do aterro sanitário. Com esse método de disposição dos resíduos sobre um terreno aplainado e impermeabilizado, tende-se a evitar impactos ambientais e danos às pessoas. Apenas para complementar (e corroborar) esse conceito, relembrarei a Lei 12.305/10 que define o aterro sanitário (disposição final ambientalmente adequada), em seu Artigo 3o, como a distribuição ordenada derejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. Características do aterro sanitário Voltando para um lixão: resíduos sólidos expostos às chuvas, exalando odores de maté- ria em decomposição, moscas, mosquitos, baratas, ratos, urubus, representando a fauna comum desse ambiente putrefato e dispersor de doenças, as águas subterrâneas se con- taminando com um chorume tóxico, crianças, mulheres e homens misturados ao lixo, ca- tando o alimento do dia ou algum material reciclável que se possa vender, contaminando- -se, adoecendo e morrendo. Vamos sair daqui e retornar ao aterro sanitário. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 132 Figura 47 – Aterro sanitário de Paulínia/SP Fonte: <http://www.estre.com.br/img/galeria/servicos/tratamento/04.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. Olha para esse novo cenário acima. Não há mau cheiro impregnando o ar que res- piramos, não há insetos, ratos ou urubus, não há contaminação dos lençóis freáticos, não há pessoas em estado miserável catando restos. E por quê? Se também é um G es tã o de R es íd uo s Só lid os 133 depósito de resíduos urbanos? Porque seu projeto de construção foi elaborado de ma- neira que sua operacionalização não causasse danos ao ambiente, muito menos à saúde humana. Ele contempla a escolha da área, o projeto executivo, o licenciamento ambiental, a implantação do aterro, a preparação do terreno, a operacionalização do empreendimento, a determinação de sua vida útil e o monitoramento da área após o encerramento de suas atividades. Qual a diferença entre lixão, aterro controlado e aterro sanitário? Atividade 01 A elaboração de um projeto básico para a implantação do aterro sanitário Acompanhe agora o desenvolvimento das etapas de elaboração de um projeto para im- plantação de um aterro sanitário. Inicio com os estudos preliminares, o seu princípio será o fator de localização e a escolha da área de instalação do empreendimento. E não pense que será uma tarefa fácil. É necessário levar em conta alguns critérios muito rígidos, como, por exemplo, a expansão urbanística das cidades, a restrição da disponibilidade de áreas próximas à produção dos resíduos, o atendimento às legislações e diretrizes federais, es- taduais e municipais, as vias de acesso, os fatores sociais das comunidades próximas, as possibilidades econômicas e financeiras do órgão responsável, a proximidade dos corpos hídricos, a profundidade das águas subterrâneas, a permeabilidade do solo, a disponibi- lidade do material de cobertura. Esse conhecimento é um subsídio fundamental para a elaboração de nosso projeto. A escolha da área é muito importante, pois determina método construtivo do ater- ro. É isso mesmo! Dependendo da geomorfologia do terreno, a construção pode ser feita através do método de trincheira (quando o terreno é plano e pouco inclinado), de rampa (quando o terreno é plano e seco) e de área (quando o terreno se localiza em zonas baixas). O método de trincheira é o mais apropriado para terrenos que sejam planos ou pouco inclinados e cujas águas subterrâneas sejam bem profundas. O método da rampa é o mais indicado para solos planos e secos, também são adequados para servir de cobertura. O método de área é o mais adequado para ser empregado em zonas baixas, cujo solo não pode ser utilizado como cobertura. Para fazer o aterro, será preciso usar material de jazidas, daí a necessidade de sua localização ser próxima a uma jazida. Importante Para melhorar a compreensão sobre a elaboração desse projeto, vou delinear um cro- nograma de ações. Depois de escolhida a área, faz-se o seu levantamento topográfico, definindo os limites, a localização e a altimetria do solo — com suas curvas de nível e o estudo das condições geológicas e geotécnicas. O passo seguinte será o requerimento do licenciamento ambiental. O licenciamento ambiental para a implantação do aterro O processo de licenciamento consiste no requerimento pelo empreendedor e na emis- são das licenças prévias, de instalação e de operação pelo órgão licenciador do Estado. Para cada dessas licenças existem exigências e condicionantes que devem ser atendidas. Após o requerimento da licença prévia, o órgão licenciador visitará a área escolhida e, a partir de suas observações, irá elaborar um termo de referência para o desenvolvimento de um estudo de impacto ambiental a ser realizado por conta do responsável pelo aterro. A elaboração do estudo de impacto ambiental (EIA-RIMA) consistirá de uma ampla e profun- da pesquisa sobre os aspectos físicos (climáticos, hídricos, geológicos, hidrogeológicos e geomorfológicos), biológicos (ou bióticos), os quais contemplam a caracterização da flora, da fauna e das suas inter-relações e socioeconômicos (ou antrópicos), da área diretamente afetada e das áreas sob influência direta e indireta das atividades da disposição dos resí- duos. Com a aprovação do EIA-RIMA e o deferimento da licença prévia, o empreendedor fará o requerimento da licença de instalação, quando deverão ser apresentados todos os projetos de execução. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 134 A documentação do projeto executivo do aterro sanitário O projeto executivo do aterro deverá conter, essencialmente, os resultados da topografia em planta planialtimétrica (escala 1:5.000), com as curvas de nível, dos ensaios geotécni- cos e das análises físico-químicas das águas de todos os corpos hídricos sob sua influência direta ou indireta, o projeto de todas as edificações, das vias de acesso, de abastecimento d’água e drenagem pluvial, o projeto de coleta e tratamento do chorume, de impermeabi- lização, de drenagem de fundo e superficial, as plantas do sistema de captação e queima do biogás, o manual de operação do aterro, das bermas definitivas (borda que separa dois taludes, ver Figura 48) e estruturas de descarga. Figura 48 – Berma em aterro sanitário Fonte: <http://www.uepg.br/denge/aulas/fundacao/bermas.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. E essa documentação ainda se complementa com um plano de monitoramento am- biental, que deverá incluir o projeto dos poços de monitoramento do lençol freático com a memória de cálculo dos estudos de estabilidade do aterro e de todas as edificações com um plano de encerramento das atividades do aterro. A impermeabilização do solo do aterro sanitário Um dos detalhes de um projeto de aterro que considero como o maior potencializa- dor para impactos ambientais negativos, quando negligenciado, é a impermeabilização do solo. Operação imprescindível para evitar que o chorume alcance os lençóis freáticos e que faz a total diferenciação entre o aterro sanitário e o lixão. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 135 O maior usual e funcional impermeabilizante dos solos do aterro é a manta ou geomem- brana de polietileno de alta densidade (PEAD). Ela tem como característica específica re- sistência aos efeitos nocivos das substâncias geradas pelos resíduos sólidos, assim como diversos outros tipos de agressões químicas e até mecânicas. A operação se inicia aplainando o solo e limpando-o de quaisquer vegetações, pedras ou ou- tros materiais perfurantes, escavação de valetas de ancoragem e paginação da geomembrana (estender com ajuste a manta no solo), realizada com perfeição para proporcionar melhores con- dições de colar suas sobreposições. Na instalação da manta serão deixadas folgas (não esticar em sua potencialidade) para evitar rupturas sob a ação de dilatação, contração e intempéries. Figura 49 – Soldagemde mantas de impermeabilização em aterro sanitário Fonte: <http://www.qiscombr.winconnection.net/recordengenharia/ interna.asp?pag=servico&IDGrupoServico=3>. Acesso em: 20 ago. 2015. Figura 50 – Desenho esquemático de um aterro sanitário Fonte: <http://agenda21comperj.com.br/sites/localhost/files/lixaoxaterro3.jpg>. Acesso em: 20 ago. 2015. As atividades de impermeabilização do aterro sanitário As atividades de um aterro sanitário normalmente são estimadas para um período de tempo da ordem de vinte anos e, como já dissemos, o seu projeto executivo contempla um plano de encerramento dessas atividades. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 136 Esse plano considera, como um dos fatores essenciais para evitar futuros impactos ambientais negativos provocados pelos resíduos enterrados, um projeto para a cobertura da camada final; um sistema de controle de águas superficiais e de drenagem; um controle para o escapamento dos gases e do tratamento dos percolados; um sistema de monitora- mento ambiental com análises de demanda bioquímica de oxigênio, carbono orgânico to- tal, demanda química de oxigênio, sólidos em suspensão, nitrogênio orgânico e amoniacal, nitrato, fósforo total, ortofosfato e alcalinidade. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 137 Para ampliar seus conhecimentos sobre o acondicionamento, a coleta, o transporte e a disposição de resíduos sólidos urbanos, sugiro a leitura do livro Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos) publicado pelo Instituto Brasileiro de Ad- ministração Municipal – IBAM (2001). Disponível em: <http://www.resol. com.br/cartilha4/manual.pdf>. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu a conceituar o acondicionamento de resíduos só- lidos, a caracterizar os resíduos sólidos domésticos e públicos, a armazenar os resíduos domésticos especiais, a conceituar e caracterizar a coleta e o transporte de resíduos sóli- dos, a determinar os veículos de coleta e transporte dos resíduos sólidos, a conceituar e a caracterizar os lixões, os aterros controlados e os aterros sanitários e, por fim, a elaborar um projeto básico de implantação de um aterro sanitário. Autoavaliação 01. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Os recipientes para acondicionamento de resíduos sem retorno possuem várias vantagens, dentre as quais citamos: a) ( ) Menor geração de resíduos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 138 b) ( ) Maior resistência a elementos perfurantes. c) ( ) Desnecessidade de assepsia. d) ( ) Menor proliferação de insetos. 02. Preencha as lacunas com as respostas corretas. - As baterias devem ser acondicionadas em contêineres lacrados para que não ocorra ema- nação do gás___________, que tem natureza explosiva. - O fator mais importante para o sucesso da etapa da coleta de resíduos no serviço da lim- peza urbana é_______________. - O ____________é um carrinho de duas rodas com um recipiente de volume entre 100 e 120 litros aberto na parte superior para conter saco plástico que acondiciona resíduos de varredura de ruas e avenidas. - O _____________é um local a céu aberto, exposto ao sol e às chuvas, no qual se dispõem os resíduos sólidos sem nenhum tratamento que impeça potenciais impactos significa- tivos ao meio ambiente. a) carbônico; irregularidade; rolimã; depósito. b) hidrogênio; regularidade; lutocar; lixão c) oxigênio; irregularidade; lutocar, depósito. d) nitrogênio; regularidade; rolimã; lixão. 03. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: A distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública, à segurança e a minimi- zar os impactos ambientais adversos, é conhecida como: a) ( ) Aterro controlado. b) ( ) Armazém de transição. c) ( ) Cobertura de geomembrana. d) ( ) Aterro sanitário. 04. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Para a instalação de um aterro sanitário é necessário que se realize um estudo G es tã o de R es íd uo s Só lid os 139 que abrange conhecimento sobre os aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos da área de implantação, ele é conhecido como: a) ( ) Estudo de atividades químicas. b) ( ) Estudo de desenvolvimento. c) ( ) Estudo de impacto ambiental (EIA-RIMA). d) ( ) Estudo de permeabilidade do solo. 05. Preencha os parênteses da segunda coluna com a numeração correspondente às res- postas corretas da primeira coluna, relativas à classificação dos tipos de resíduos de acordo com a Resolução CONAMA No 5/1993 e de suas respectivas e específicas em- balagens. ( 1 ) Resíduos biológicos ( ) Classe C ( 2 ) Resíduos químicos ( ) Classe B ( 3 ) Resíduos radioativos ( ) Classe D ( 4 ) Resíduos domésticos ( ) Classe A a) 2 - 1 - 3 - 4 b) 3 - 4 - 1 - 2 c) 3 - 2 - 4 - 1 d) 4 - 2 - 1 - 3 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 140 Conhecer a legislação aplicável ao gerenciamento de resíduos sólidos Competência 08 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 142 Conhecer a legislação aplicável ao gerenciamento de resíduos sólidos Nesta competência, você aprenderá sobre a legislação que rege o gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil, a partir da sua origem, e conhecerá as leis federais, estaduais e municipais que dispõem sobre os resíduos, assim como as Resoluções emitidas pelo Conse- lho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, que legislam a seu respeito. Toda a legislação aplicável ao gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil encontra-se personificada na Lei nº 2.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos e dispôs sobre as diretrizes de seu gerenciamento, sobre as responsabilidades dos seus geradores e do poder público, também sobre os princípios, objetivos e instrumentos que lhe norteiam. Diante dessa apresentação, você poderia até me perguntar: quem são esses geradores mencionados? Somos nós, pessoas físicas, são as empresas privadas e os órgãos oficiais. Enfim, todos os que desenvolvam atividades capazes de gerar resíduos sólidos e aqueles que estejam ligados à sua gerência. E você poderia até me fazer outra pergunta: existe algum tipo de resíduo que não esteja sob o olhar rigoroso dessa Lei? Existe sim. São os rejeitos radioativos. Esses tipos de resíduos são regulados por uma legislação específica. Apesar dessa Lei, que institui a política nacio- nal sobre os resíduos sólidos, outras foram promulgadas com maiores especificidades, bem como normatizações foram estabelecidas por vários órgãos no âmbito federal, a exemplo do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária – SNVS, do Sistema Unificado de Atenção à Sani- dade Agropecuária – SUASA, do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – SINMETRO, e do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA. Fatores importantes para o desenvolvimento dos serviços de limpeza pública Diante de tudo que você estudou até este momento, estou certo da concordância de que os fatores mais importantes para o sucesso de um eficaz desempenho nos serviços de limpeza de uma comunidade são o envolvimento da população e a atuação do setor público G es tã o de R es íd uo s Só lid os 143 com ações operacionais. A população faz-se importante porque desempenha o papel do fiscal, de colaborador, em mutirão, na limpeza pública e é o pagador pelosserviços. Tem que ser importante, não? Mas existe outro fator muito importante, que tem a função de ser o alicerce dessa estrutu- ra. E você deve estar perguntando: que fator é esse? É o instrumento legal, a legislação que utiliza sua função específica de regulamentar, normatizar e orientar as ações pertinentes à gerência dos resíduos sólidos, à limpeza pública, para diminuir ou evitar os impactos ambien- tais contra a saúde humana e o meio ambiente. Essa legislação, além de dispor sobre as formas de pagamentos dos serviços, também dispõe sobre sua cobrança, sobre como a população deve proceder diante da problemática dos resíduos, como se deve administrá-los e punir por seu uso indevido e ainda regula os processos do licenciamento ambiental para o seu tratamento, transporte e disposição final. A origem da legislação que dispõe sobre os resíduos sólidos no Brasil Nem falamos tanto sobre legislação, mas já deu para entender que ela pode ser conceituada, de forma bem abreviada, como um conjunto de leis que trata sobre um determinado assunto ou matéria. A Constituição Federal (BRASIL, 1988), no inciso VI do seu Artigo 23, determina que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas. A nossa legislação sobre o gerenciamento dos resíduos sólidos teve sua origem em 1981, quando foi sancionada a Lei nº 6.938, a qual estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, que, como dispõe seu Artigo 2º, tem por objetivo “a preservação, melhoria e re- cuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico”. (BRASIL, 1981, extraído da internet). Embora não se refira especificamente aos resíduos sólidos, definia o termo poluição, em seu Artigo 3º, como sendo “a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades: que direta ou indiretamente afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente (inciso III, item d)”. (BRASIL, 1981, extraído da internet). Vinte e seis anos depois, em 2007, o presidente da república sancionou a Lei nº 11.445 que institui as diretrizes nacionais para o saneamento básico. E é nessa Lei que pela pri- meira vez, no âmbito das leis brasileiras, se fez uma conceituação sobre limpeza urbana e manejo de resíduos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 144 A Lei Federal nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007, em seu Artigo 3º, no inciso I, considera saneamento básico um conjunto de serviços, infra-estruturas e instalações operacionais, do qual faz parte a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos (na alínea c), que ela define como “um conjunto de ati- vidades, infra-estruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas.” Importante Espero que você não se importe que eu faça algumas metáforas. No dia dois de agosto de 2010, através da Lei nº 12.305 (BRASIL, 2012), nasceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, em seu Artigo 1º, dispôs “sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos”. Quatro meses depois, em dezembro de 2010, o presidente da república aprovou o Decreto nº 7.404 que regulamenta a nossa Lei nº 12.305, estabelece normas para sua execução e cria um Comitê Interministerial com a finalidade de apoiar a estruturação e a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Você está observando que o governo federal somente foi despertar para o tão cruciante problema dos resíduos sólidos na vida dos brasileiros ao final da década de 2000. No en- tanto, desde a década de 1990 que vários Estados já haviam instituído a política estadual de resíduos sólidos. A legislação estadual no Brasil sobre os resíduos sólidos A partir das leis e decretos federais primordiais sobre os resíduos sólidos foi criada uma ampla legislação aplicável ao gerenciamento desses resíduos, da qual se sobressaem as leis estaduais, municipais, suas resoluções e normas técnicas. Dentre as unidades federativas que a instituíram, eu relaciono o Distrito Federal e os Estados do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Ser- gipe. Como exemplos para nosso estudo, escolhi algumas das leis instituídas pelo Distrito Fe- deral e pelo Estado do Paraná, constituintes das suas legislações sobre os resíduos sólidos. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 145 Algumas leis da legislação do distrito federal sobre resíduos sólidos Em dezembro de 2003 sancionou-se a Lei nº 3.232, no Distrito Federal, que dispôs sobre a Política Distrital de Resíduos Sólidos. Em seu Artigo 1° ficaram estabelecidos “princípios, procedimentos, normas e critérios referentes à geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos sólidos no território do Distrito Federal — visando o controle da poluição e da contaminação, bem como à minimização de seus impactos ambientais”. Além de estabelecer essa normatiza- ção, também definiu resíduos sólidos como “qualquer forma de matéria ou substância, nos estados sólido e semissólido, que resultem de atividade industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços, de varrição e de outras atividades da comunidade, capaz de causar poluição ou contaminação ambiental.” (BRASIL, 2003, extraído da internet). E tentando avançar cada vez mais no aperfeiçoamento da gestão dos resíduos, o Dis- trito elabora a Lei nº 4.325, publicada em 30 de junho de 2009, que dispôs sobre o tra- tamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde. Três anos depois, em 2012, publica a Lei nº 4.774, que determina “a obrigatoriedade de estabelecimentos que comercializem pilhas, baterias e lâmpadas fluorescentes de colocarem à disposição dos consumidores recipientes para a coleta do referido material quando descartados ou inuti- lizados.” (BRASIL, 2012, extraído da internet). Figura 51 – Recipientes de coleta de lâmpadas fluorescentes Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-p4RQpi0pPYA/Tiden9VO0aI/AAAAAAAABJE/TsdugIDR22I/s320/ destina%25C3%25A7%25C3%25A3o+de+lampadas+fluorescentes.JPG>. Acesso em: 20 ago. 2015. No entanto, quando comparamos as quantidades de resíduos sólidos coletados e destinadas à sua disposição final no Distrito Federal (aterro sanitário 34.2%) com as do Brasil (aterro sanitário 58,3%, Quadro 12) observamos que, apesar de seu pioneirismo na aplicação de uma moderna legislação, há uma premente necessidade de melhorar G es tã o de R es íd uo s Só lid os 146 seu gerenciamento de resíduos (eu lhe informo que apenas as regiões Sul e Sudeste destinam mais de 70% de seus resíduos sólidos para aterros sanitários, conforme dados da (ABRELPE, 2013)). G es tã o de R es íd uo s Só lid os 147 Fonte: autoria própria Ano Aterro Sanitário Aterro Controlado Lixão 2013 2013 2013 34,2 50 15,8 58,3 24,3 17,4 Quadro 12 – Disposição final dos resíduos sólidos urbanos (RSU) do Distrito Federal e do Brasil Fonte: ABRELPE (2013). Disposição Final Distrito Federal (RSU%) Brasil (RSU%) A Lei nº 12.493/1999 sobre resíduos sólidos – Paraná O Estado do Paraná adotou uma legislação bastante rigorosa com relação ao gerencia- mento dos resíduos sólidos. Em 1990 sancionou a Lei no 12.493 que define princípiose regras norteadores sobre geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos resíduos. A legislação prioriza a adoção dos mais moder- nos sistemas tecnológicos, que possuem função de diminuir a geração dos resíduos, como dispõe a Lei no 12.493 em seu Artigo 3º: “a geração de resíduos sólidos, no território do Estado do Paraná, deverá ser minimizada através da adoção de processos de baixa geração de resíduos e da reutilização e/ou reciclagem de resíduos sólidos, dando-se prioridade à reutilização e/ou reciclagem a despeito de outras formas de tratamento e disposição final, exceto nos casos em que não exista tecnologia viável.” (PARANÁ, 1990, extraído da internet). E a mesma Lei demonstra sua rigorosidade no seu Artigo 4o quando determina que “as atividades geradoras de resíduos sólidos, de qualquer natureza são responsáveis pelo seu acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento, disposição final, pelo passivo ambiental oriundo da desativação de sua fonte geradora, bem como pela recupe- ração de áreas degradadas.” (PARANÁ, 1990, extraído da internet). A legislação municipal sobre os resíduos sólidos Os municípios também elaboraram suas legislações com relação à gestão dos resíduos sólidos, a exemplo de Belo Horizonte/MG, Campo Grande/MS, Cuiabá/MT, Curitiba/PR, Florianópolis/SC, Fortaleza/CE, João Pessoa/PB, Manaus/AM, Natal/RN e Porto Alegre/ RS. No índice de legislações ao qual já me referi, igualmente registra leis e decretos dos municípios brasileiros para seus estudos e consultas. Evidentemente que não vamos anali- Figura 52 – Lixo eletrônico Fonte: <http://www.fiamfaam.br/momento/imgnoticias/ alessandra%20felix%20cardoso/image/lixo.png>. Acesso em: 20 ago. 2015. Através dessa legislação exposta, você constata que os municípios buscam melhorar os seus serviços de gestão e tratamento dos resíduos sólidos. Inclusive, há a demonstração de um esforço comum entre o poder executivo municipal e o setor privado. Verificamos essa parceria através da Lei nº 6.298 de 2011, sancionada pelo município de Natal, que dispôs sobre a reciclagem de resíduos sólidos provenientes da construção civil. Em seu Artigo 2º transparece a determinação do poder executivo de “incentivar a criação de cooperativas populares e indústrias voltadas para reciclagem de materiais provenientes de empresas do ramo da construção civil e entulho; assim como o desenvolvimento de projetos destinados a estimular a utilização de materiais recicláveis.” (PREFEITURA DO NATAL, 2011, extraído da internet). Por outro lado, estabelece em seu Artigo 3º que empresas geradoras de entulhos devem destiná-los para empresas especializadas em reciclagem desse tipo de resíduos. As resoluções do CONAMA sobre o gerenciamento de resíduos sólidos A geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e desti- nação final dos resíduos sólidos são atividades concernentes à limpeza urbana, condicio- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 148 sar cada uma delas em sua totalidade, porém, não será custoso observarmos algumas de suas leis publicadas. A Lei nº 10.522 de 2012, do município de Belo Horizonte, instituiu o sistema de gestão sustentável de resíduos da construção civil e o plano municipal de gerenciamento integra- do desse tipo de resíduos. O município de Cuiabá também instituiu o mesmo sistema de gestão sustentável de resíduos da construção civil através da Lei nº 4.949 de 2007. Em Campo Grande, a Lei nº 4.952/2011 instituiu a política municipal de resíduos sólidos. Em João Pessoa, a Lei nº 12.160 de 2011 instituiu normas, prazos e procedimentos para ge- renciamento, coleta, reutilização, reciclagem e destinação final do lixo tecnológico. nadas ao licenciamento ambiental e aos estudos de impactos ambientais. O processo de licenciamento ambiental está previsto na Lei Federal nº 6.938, de 31/8/1981, e foi regulamentado pelo Decreto Federal nº 99.274, de 06/6/1990. A Re- solução CONAMA nº 01/86 determina os critérios para avaliação de impacto ambiental e define as atividades que necessitam de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) — e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) —, entre as quais se incluem ferrovias, portos e terminais de minério, de petróleo e de produtos químicos, aeroportos, barragem para fins hidrelétricos, extração de minério e a implantação de aterros sanitários. Além das Resoluções que tratam dos processos de licenciamento e de estudos de ava- liação de impactos ambientais, o CONAMA elaborou resoluções que normatizam as ativida- des industriais sobre os seus resíduos gerados, a queima dos resíduos sólidos provenien- tes dos estabelecimentos de saúde, portos e aeroportos, o tratamento e a disposição final de resíduos de serviços de saúde, a destinação final de pneumáticos inservíveis, o geren- ciamento ambientalmente adequado de pilhas e baterias usadas. Veja agora as resoluções mais pertinentes aos resíduos: • Resolução CONAMA no 006/1988, que dispõe sobre o processo de licenciamento am- biental de atividades industriais, sobre os resíduos gerados e/ou existentes que deve- rão ser objeto de controle específico; • Resolução CONAMA no 006/1991, que desobriga a incineração ou qualquer outro tratamento de queima dos resíduos sólidos provenientes dos estabelecimentos de saúde, portos e aeroportos, ressalvados os casos previstos em lei e acordos internacionais; • Resolução CONAMA no 008/1991, que veda a entrada no Brasil de materiais residuais destinados à disposição final e incineração; • Resolução CONAMA no 005/1993, que dispõe sobre o gerenciamento de resíduos sóli- dos gerados nos portos, terminais ferroviários e rodoviários, aeroportos; • Resolução CONAMA no 237/1997, que dispõe sobre o sistema de licenciamento ambiental, a regulamentação de seus aspectos na forma do estabelecido na Polí- tica Nacional de Meio Ambiente, estabelece critério para o exercício da competên- cia para o licenciamento a que se refere o art. 10 da Lei nº 6.938/81 e dá outras providências; • Resolução CONAMA no 257/1999, que disciplina o descarte e o gerenciamento am- bientalmente adequado de pilhas e baterias usadas, no que tange à coleta, reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final; G es tã o de R es íd uo s Só lid os 149 • Resolução CONAMA no 258/1999, que trata da destinação final de pneumáticos inservíveis; • Resolução CONAMA no 275/2001, que estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos a ser adotado na identificação de coletores e transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva; • Resolução CONAMA no 334/2003, que dispõe sobre os procedimentos de licenciamen- to ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos; • Resolução CONAMA no 358/2005, que dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências (revoga as disposições da Resolução no 5/93, que tratam dos resíduos sólidos oriundos dos serviços de saúde, para os serviços abrangidos no art. 1º desta Resolução); • Resolução CONAMA nº 401/2008, que estabelece os limites máximos de chumbo, cá- dmio e mercúrio para pilhas e baterias comercializadas no território nacional e os cri- térios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado, e dá outras providências; • Resolução CONAMA nº 404/2008, que estabelece critérios e diretrizes para o licencia- mento ambiental de aterro sanitário de pequeno porte de resíduos sólidos urbanos; • Resolução CONAMA nº 416/2009, que dispõe sobre a prevenção à degradação ambien- tal causada por pneus inservíveis e sua destinaçãoambientalmente adequada, e dá outras providências; • Resolução CONAMA nº 465/2014, que dispõe sobre os requisitos e critérios téc- nicos mínimos necessários para o licenciamento ambiental de estabelecimentos destinados ao recebimento de embalagens de agrotóxicos e afins, vazias ou con- tendo resíduos. Como já comentei com você anteriormente, a legislação referente aos resíduos sólidos, além das leis e resoluções, também se constitui de normas, decretos, deliberações norma- tivas, que estarão inseridas no índice já referido. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 150 Quais as atividades que constituem o processo da limpeza urbana? Atividade 01 Índice da Legislação referente ao gerenciamento dos resíduos sólidos baseado em estudo realizado pela Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos Sólidos – ABETRE Leis e Decretos Federais • Lei Federal nº 6.938/1981, que estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA e institui o Cadastro de Defesa Ambiental; • Lei Federal nº 7.802/1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produ- ção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens; • Lei Federal nº 9.974/2000, que altera a Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens; • Decreto nº 4.074/2002, que regulamenta a Lei n° 7.802, de 11 de julho de 1989, que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens; • Lei Federal nº 10.308/2001, que dispõe sobre a seleção de locais, a construção, o licenciamento, a operação, a fiscalização, os custos, a indenização, a responsabili- dade civil e as garantias referentes aos depósitos de rejeitos radioativos, e dá outras providências; • Lei Federal nº 11.107/2005, que dispõe sobre normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios contratarem consórcios públicos para a realização de objetivos de interesse comum, e dá outras providências; • Lei Federal nº 11.445/2007, que estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico; e conceitua a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos; • Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e alte- ra a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; G es tã o de R es íd uo s Só lid os 151 • Decreto Federal nº 7.704/2010, que regulamenta a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa; • Decreto Federal nº 3.665/2000, que dá nova redação ao Regulamento para a Fisca- lização de Produtos Controlados [pelo Exército] (R-105) e dispõe sobre destinação de resíduos enquadráveis, como produtos controlados pelo Exército; • Decreto Federal nº 4.581/2003, que promulga a emenda ao anexo I e a adoção dos anexos VIII e IX à Convenção de Basiléia sobre o controle do movimento transfronteiriço de resíduos perigosos e sua disposição; • Decreto Federal nº 5.940/2006, que institui a separação dos resíduos recicláveis des- cartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis; • Decreto Federal nº 6.017/2007, que regulamenta a Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos; • Decreto Federal nº 7.619/2011, que regulamenta a concessão de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de resíduos sólidos. Leis, decretos e outros documentos normativos de alguns Estados Estado do Acre: • Lei Estadual nº 2.539/2012, que dispõe sobre a obrigatoriedade de empresas fabri- cantes, distribuidoras e vendedoras de equipamentos eletrônicos instaladas no Estado, criarem e manterem programa de recolhimento e reciclagem. Estado do Ceará: • Lei Estadual nº 13.103/2001, que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos e dá outras providências correlatas. Estado do Espírito Santo: • Lei Estadual nº 9.624/2009, que institui a Política Estadual de Resíduos Sólidos e defi- ne princípios, fundamentos, objetivos, diretrizes e instrumentos para a Gestão Integra- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 152 da, Compartilhada e Participativa de Resíduos Sólidos; • Lei Estadual nº 9.941/2012, que dispõe sobre normas e procedimentos para a coleta seletiva, o gerenciamento e a destinação final do “lixo tecnológico” no Estado e dá ou- tras providências. Estado de Goiás: • Lei Estadual nº 14.248/2002, que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos e dá outras providências. Estado de Mato Grosso: • Lei Estadual nº 7.862/2002, que dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos e dá outras providências; • Lei Estadual nº 8.876/2008, que estabelece os procedimentos, as normas e critérios refe- rentes à coleta, reutilização, reciclagem, tratamento e à destinação final do lixo tecnológico; • Lei Estadual nº 9.535/2011, que dispõe sobre a utilização de sacolas e sacos plásticos, destinados ao armazenamento e descarte de lixos e resíduos, nas mesmas cores dos respectivos recipientes da coleta seletiva. Estado de Mato Grosso: • Lei Estadual nº 13.766/2000, que dispõe sobre a política estadual de apoio e incentivo à coleta seletiva de resíduos sólidos; • Lei Estadual nº 14.128/2001, que dispõe sobre a Política Estadual de Reciclagem de Materiais e sobre os instrumentos econômicos e financeiros aplicáveis à Gestão de Re- síduos Sólidos; • Lei Estadual nº 18.031/2009, dispõe sobre a Política Estadual de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto nº 45.181/2009; • Decreto Estadual nº 45.181/2009, que regulamenta a Lei nº 18.031, de 12 de janeiro de 2009, e dá outras providências; • Deliberação Normativa COPAM nº 118/2008, que altera os artigos 2º, 3º e 4º da Delibe- ração Normativa 52/2001, estabelece novas diretrizes para adequação da disposição final de resíduos sólidos urbanos no Estado, e dá outras providências. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 153 Estado do Paraná: • Lei Estadual nº 16.075/2009, que proíbe o descarte de pilhas, lâmpadas fluorescentes, baterias de telefone celular e demais artefatos que contenham mercúrio metálico em lixo doméstico ou comercial, conforme especifica, e adota outras providências; • Lei Estadual nº 17.232/2012, que estabelece diretrizes para coleta seletiva contínua de resíduos sólidos oriundos de embalagens e de produtos que compõe a linha branca no âmbito do território paranaense; • Decreto Estadual nº 6.674/2002, que aprova o Regulamento da Lei 12.493, de 1999, que dispõe sobre princípios, procedimentos, normas e critérios referentes à geração, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos Resíduos Sólidos no Estado do Paraná, visando o controle da poluição, da contami- nação e a minimização de seus impactos ambientais, e adota outras providências. Leis,Decretos e Outros Documentos Normativos de Alguns Municípios Município de Belo Horizonte: • Lei Municipal nº 10.522/2012, que institui o Sistema de Gestão Sustentável de Resídu- os da Construção Civil e Resíduos Volumosos – SGRCC e o Plano Municipal de Geren- ciamento Integrado de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos – PMRCC, e dá outras providências. Município de Campo Grande: • Lei Municipal nº 4.952/2011, que institui a Política Municipal de Resíduos Sólidos do Município de Campo Grande/MS. Município de Florianópolis: • Lei Municipal nº 8.569/2011, que dispõe sobre o recolhimento e destinação dos pneus inservíveis no Município de Florianópolis, e dá outras providências; • Lei Municipal nº 8.806/2012, que determina o estabelecimento de normas e procedi- mentos para o gerenciamento e destinação de lixo tecnológico, e dá outras providências. Município de Natal: • Lei Municipal nº 6.298/2011, que dispõe sobre a Reciclagem de Resíduos Sólidos Pro- venientes da Construção Civil, e dá outras providências. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 154 Normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT que tratam de resíduos sólidos • ABNT NBR nº 8849/1985, que determina as condições mínimas exigíveis para a apre- sentação de projetos de aterros controlados de resíduos sólidos urbanos; • ABNT NBR nº 10.157/1987, que determina as condições mínimas exigíveis para proje- to e operação de aterros de resíduos perigosos, de forma a proteger adequadamente as coleções hídricas superficiais e subterrâneas próximas, bem como os operadores destas instalações e populações vizinhas; e os requisitos exigíveis para amostragem de resíduos sólidos; • ABNT NBR nº 11.174/1990, que determina as condições exigíveis para obtenção das condições mínimas necessárias ao armazenamento de resíduos classes II (não inertes) e III (inertes), de forma a proteger a saúde pública e o meio ambiente; • ABNT NBR nº 11.175/1990, que determina as condições exigíveis de desempenho do equipamento para incineração de resíduos sólidos perigosos, exceto aqueles assim classificados apenas por patogenicidade ou inflamabilidade; • ABNT NBR nº 12.235/1992, que determina as condições exigíveis para o armazena- mento de resíduos sólidos perigosos, de forma a proteger a saúde pública e o meio ambiente; • ABNT NBR nº 12.808/1993, que classifica os resíduos de serviços de saúde quanto aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que tenham gerenciamento adequado; • ABNT NBR nº 12.810/1993, que determina os procedimentos exigíveis para coleta interna e externa dos resíduos de serviços de saúde, sob condições de higiene e segurança; • ABNT NBR nº 12.810/1993, que define os termos utilizados na coleta, varrição e acon- dicionamento de resíduos sólidos urbanos; • ABNT NBR nº 13.463/1995, que classifica a coleta de resíduos sólidos urbanos dos equipamentos destinados a esta coleta, dos tipos de sistema de trabalho, do acondicio- namento destes resíduos e das estações de transbordo; • ABNT NBR nº 13.591/1996, que define os termos empregados exclusivamente em re- lação à compostagem de resíduos sólidos domiciliares; • ABNT NBR nº 8.843/1996, que estabelece os procedimentos adequados ao gerencia- mento dos resíduos sólidos e as alternativas que podem ser usadas em casos de emer- G es tã o de R es íd uo s Só lid os 155 gência, com vistas a preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente; • ABNT NBR nº 13.853/1997, que determina as características de coletores destinados ao descarte de resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes, tipo A.4, con- forme a ABNT NBR 12808; • ABNT NBR nº 13.853/1997, que determina as condições mínimas exigíveis para proje- to, implantação e operação de aterros de resíduos não perigosos, de forma a proteger adequadamente as coleções hídricas superficiais e subterrâneas próximas, bem como os operadores destas instalações e populações vizinhas; • ABNT NBR nº 10.004/2004, que classifica os resíduos sólidos quanto aos seus potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que possam ser gerenciados adequadamente; • ABNT NBR nº 10.007/2004, que determina os requisitos exigíveis para amostragem de resíduos sólidos; • ABNT NBR nº 15.112/2004, que determina os requisitos exigíveis para projeto, implan- tação e operação de áreas de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos; • ABNT NBR nº 15.113/2004, que determina os requisitos mínimos exigíveis para proje- to, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos da construção civil classe A e de resíduos inertes; • ABNT NBR nº 9191/2008, que estabelece os requisitos e métodos de ensaio para sa- cos plásticos destinados exclusivamente ao acondicionamento de lixo para coleta; • ABNT NBR nº 13.221/2010, que especifica os requisitos para o transporte terrestre de resíduos, de modo a minimizar danos ao meio ambiente e a proteger a saúde pública; • ABNT NBR nº 15.849/2010, que especifica os requisitos mínimos para localização, pro- jeto, implantação, operação e encerramento de aterros sanitários de pequeno porte, para a disposição final de resíduos sólidos urbanos; • ABNT NBR nº 16.006/2011, que especifica os requisitos e métodos de ensaio para as papeleiras plásticas (lixeiras de rua) com capacidade nominal volumétrica de 50 litros; • ABNT NBR nº 12.809/2013, que estabelece os procedimentos necessários ao geren- ciamento intraestabelecimento dos resíduos de serviços de saúde, os quais, por seus riscos biológicos e químicos, exigem formas de manejo específicas, a fim de garantir condições de higiene, segurança e proteção à saúde e ao meio ambiente. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 156 Para ampliar seus conhecimentos sobre a legislação aplicável ao geren- ciamento de resíduos sólidos, sugiro a leitura do livro de Erika Bechara, Aspectos Relevantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei nº 12.305, publicado pela Editora Atlas e o livro Política nacional de resídu- os sólidos, editado pela Câmara dos Deputados e disponível em: <http:// fld.com.br/catadores/pdf/politica_residuos_solidos.pdf>. Querendo mais Resumo Nesta competência, você aprendeu sobre a legislação que rege o gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil, a partir da sua origem; aprendeu também que a eficácia do desempenho nos serviços de limpeza de uma comunidade depende do envolvimento da população e da atuação do setor público com suas ações operacionais; que esses serviços estão fundamentados por uma legislação que utiliza sua função específica de regulamen- tar, normatizar e orientar as ações pertinentes à gerência dos resíduos sólidos, à limpeza pública, para diminuir, ou evitar, os impactos ambientais contra a saúde humana e o meio ambiente; e, por fim, conheceu as leis federais, estaduais e municipais que dispõem sobre os resíduos, assim como as Resoluções emitidas pelo Conselho Nacional de Meio Ambien- te – CONAMA, que legislam a seu respeito. Autoavaliação 01. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: O conjunto de normas jurídicas fundamentais, que norteia e submete todas as demais legislações de um país, é conhecido como: a) ( ) Legislação estadual. b) ( ) Constituição Federal. c) ( ) Legislação municipal. d) ( ) Conselho nacional. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 157 02. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: A Lei nº 11.445, que instituiu as diretrizes nacionais para o saneamento básico, também fez uma conceituaçãode: a) ( ) Limpeza pública e manejo de resíduos. b) ( ) Aterro sanitário. c) ( ) Legislação sobre resíduos. d) ( ) Qualidade ambiental. 03. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: A Lei Federal nº 6.938, de 31/8/1981 (regulamentada pelo Decreto Federal nº 99.274, de 06/6/1990), que estabeleceu a Política Nacional de Meio Ambiente, é a mesma na qual está previsto o processo de: a) ( ) Licenciamento ambiental. b) ( ) Vigilância Sanitária. c) ( ) Manejo industrial. d) ( ) Descarte de resíduos. 04. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: A Resolução CONAMA nº 01/86 determina os critérios para avaliação de impacto ambiental e define as atividades que necessitam de estudos denominados de: a) ( ) Atividades químicas. b) ( ) Gerenciamento urbano. c) ( ) Impacto ambiental (EIA-RIMA). d) ( ) Permeabilidade dos solos. 05. Assinale com um X no parêntese da resposta correta, de acordo com o conceito enun- ciado: Conforme os dados coletados pela Associação Brasileira das Empresas de Lim- peza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2013), a disposição final dos resíduos sólidos urbanos (RSU) nos aterros sanitários do Brasil é da ordem de: a) ( ) 98,6%. b) ( ) 12,5%. c) ( ) 58,6%. d) ( ) 84,2%. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 158 Referências ABRELPE. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil. [S.l.: s.n.], 2013. Disponível em: <http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2013.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2015. ABREU, E. F. Estudo da diversidade microbiana metanogênica em reatores UASB tratando esgoto sanitário. 2007. 93f. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. ABREU, M.F. Coleta Seletiva com inclusão social: em municípios, empresas, instituições condomínios e escolas. Belo Horizonte: CREA-MG, 2008. ACRITICA.COM. 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Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 2003. G es tã o de R es íd uo s Só lid os 167 G es tã o de R es íd uo s Só lid os 168 Conheça o autor José Iveraldo Guimarães Iveraldo Guimarães é biólogo marinho, especialista em carcinologia, com pós-graduação em universidades e centros de pesquisa nos Estados Unidos, na França e Bélgica. Desde sempre dedicou-se à biologia e à atividade do cultivo de camarões, da qual é um dos pesqui- sadores pioneiros. E na sua mania de pioneirismo fez parte da equipe que criou a Universida- de Potiguar. Atualmente é consultor de empresas e atua na elaboração de projetos e estudos ambientais. Autor de artigos e livros técnicos e de literatura, dentre os quais Fundamentos de Larvicultura de Camarões Marinhos, Iniciação ao Cultivo de Camarões Marinhos, Jundiaí, o Rio dos Bagres Mortos, Os Veleiros do Infinito, O Vendedor de Poesias.