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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS UNIDADE ACADÊMICA DE GRADUAÇÃO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA – LICENCIATURA PESQUISA EM EDUCAÇÃO FÍSICA PATRÍCIA FARDIN ANÁLISE TEMÁTICA: QUALIDADE, QUANTIDADE E INTERESSES DO CONHECIMENTO SÃO LEOPOLDO 2016 1 PATRÍCIA FARDIN ANÁLISE TEMÁTICA: QUALIDADE, QUANTIDADE E INTERESSES DO CONHECIMENTO Trabalho apresentado para a disciplina de Pesquisa em Educação Física, pelo Curso de Educação Física-Licenciatura da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS, ministrada pelo Professor Dr. Ednaldo Pereira Filho. São Leopoldo 2016 ANÁLISE TEMÁTICA: QUALIDADE, QUANTIDADE E INTERESSES DO CONHECIMENTO A análise temática descrita do primeiro capítulo do livro, Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som, dos autores Bauer e Gaskell (2002) tras abordagens sobre métodos de pesquisa, abordagem qualitativa e quantitativas, o delineamento e diferenças entre elas, os modos e meios de representação de dados, os elementos retóricos da pesquisa social e os interesses dos conhecimentos e métodos. Os autores Bauer, Gaskell e Allun (2002) dizem que é possível descrever o processo da pesquisa em termos de combinações de elementos através de quatro dimensões colocadas a seguir: O delineamento de acordo com seus princípios (levantamento por amostragem, observação participante, estudos de caso, experimentos e quase- experimentos). Os métodos de coleta de dados (entrevista, observação e a busca de documentos). Os tratamentos analíticos dos dados (análise de conteúdo, a analise retórica, a análise de discurso e a análise estatística) Os interesses do conhecimento (sobre o controle, a construção de consenso e a emancipação dos sujeitos do estudo). Gaskell e Allun (2002) defendem a ideia de que as quatro dimensões devem ser vistas como escolhas relativamente independentes no processo de pesquisa e que a escolha qualitativa e quantitativa é primeiramente uma decisão sobre geração de dados e os métodos de análise e só secundariamente uma escolha sobre o delineamento da pesquisa ou de interesses de conhecimento. Modos e meios de representação: tipos de dados Os dados sociais podem ser construídos através comunicação formal ou informal, em formato de texto, imagem e materiais sonoros. Para os autores Bauer, Gaskell e Allun (2002, p. 21) A comunicação informal possui algumas poucas regras explícitas: as pessoas podem falar, desenhar ou cantar do modo que queira. E na comunicação formal a competência exige um conhecimento especializado. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa Os autores (2002) trazem a questão da discussão sobre a diferença de pesquisa quantitativa e qualitativa e a polêmica da superioridade entre ambas. A pesquisa quantitativa trabalha com modelos estatísticos, interpretação de números para explicar os dados, sendo bastante utilizado o levantamento de opinião. Já a pesquisa qualitativa evita números lida com interpretação das realidades sociais. O protótipo mais conhecido é, provavelmente a entrevista em profundidade. A grande polêmica entre as duas tradições de pesquisa social aparentemente competitivas , Bauer, Gaskell e Allun (2002) procuram superar essa polêmica partindo de cinco pressupostos. Não há quantificação sem qualificação, é necessário a categorização do mundo social, para mensurar os fatos e as distinções. Não há análise estatística sem interpretação, os dados não falam por si, mesmo processados sofisticadamente, é necessária compreensão sobre o campo de investigação para obter estatísticas relevantes. Pluralismo metodológico dentro do processo de pesquisa além da lei do instrumento, o processo de coleta de dados acaba muitas vezes sucumbindo-se as rotinas mecânicas de delineamento do questionário e de amostras do levantamento, sendo necessário uma visão mais abrangente do processo, diferentes metodologias têm muitas contribuições a oferecer. A ordenação no tempo, previsão, levantamento, análise, interpretação (de dados) e comunicação dos resultados. Discurso independente dos “padrões de boas prática Serve para estabelecer uma base autocrítica, padrões para revisão dos pares, ganhar credibilidade e como um instrumento didático no treinamento dos estudantes. Elementos retóricos da pesquisa social A ciência e a retórica historicamente tiveram uma relação difícil, a retórica era vista como um embelezamento verbal, que necessita ser evitado se alguém quiser alcançar a verdade do problema. Os autores (2002) pressupõem que toda apresentação de resultados na pesquisa é um conjunto de três elementos básicos da persuasão (chamados de três mosqueteiros), o logos (lógica do argumento), o pathos (tipos de apelo dado à audiência) e o ethos (referencias implícitas e explicitas). Sendo sim no contexto de se comunicar os resultados da pesquisa , o ideal cientifico de uma retórica de pura racionalidade argumentativa, uma ilusão. Seguindo essa perspectiva os autores apresentam implicações úteis para nosso problema. Primeiro , sentimo-nos livres para considerar a metodologia da pesquisa social como meio retórico. Segundo libertamo-nos do obscurecimento epistemológico que pesa sobre as discussões dos métodos. Em terceiro podemos tratar a pesquisa quantitativa e qualitativa de modo igual, a parti destes pressupostos. E quarto e último a retórica se desenvolve no contexto do falar e do escrever públicos, o que nos lembra que o método e o procedimento constituem uma forma de responsabilidade pública para a pesquisa que necessita ser exercida à altura. Para Habermas (apud BAUER, GASKELL e ALLUN, 2002) são essenciais para a pesquisa social cientifica os métodos e procedimentos de coleta e de apresentação de evidência, pois são elas que definem o nível de retórica que demarca as atividades cientificas de outras atividades públicas e colocam com clareza a pesquisa dentro da esfera pública, sujeitando-a as exigências de credibilidade. Os métodos e os procedimentos são o meio cientifico propicio do respeito a evidência, pressupondo uma esfera pública que tenha autonomia de permitir uma busca da evidencia sem censura, o que não pode ser assumido como algo dado. Interesse do conhecimento e métodos Para Filstead: Métodos quantitativos e qualitativos são mais que apenas diferenças entre estratégias de pesquisa e procedimentos de coleta de dados. Esses enfoques representam, fundamentalmente, diferentes referenciais epistemológicos para teorizar a natureza do conhecimento, a realidade social e os procedimentos para se compreender esses fenômenos (apud BAUER, GASKELL e ALLUN, 2002, p. 29) Esta afirmação exemplifica o ponto de vista de que os enfoques quantitativos e qualitativos com referência à pesquisa social representam posições epistemológicas diferentes. Por meio da interpretação que Habermas fez de Marx, Peirce, Gademer e Dilthey (apud BAUER, GASKELL e ALLUN, 2002) identifica-se três interesses do conhecimento que são a base das ciências: A empírico-analítica, quem como interesse o controle técnico, a ação como proposito racional. As ciências histórico-hermenêuticas que estabelecem um consenso, a compreensão intersubjetiva, se dá no elo da própria experiência e na esfera da comunicação entre diferentes, As ciências críticas, que desafiam os pressupostos aceitos acriticamente até o momento através de um processo auto reflexivo, ela não exclui o modo de investigação empírico analítico, mas vai além do entendimento hermenêutico. Finalizando, Bauer, Gaskell e Allun destacam que mais que a escolha da técnica empregada é importante ter fatores que possibilitem a ação emancipatória, onde os pesquisadores questionam simultaneamente seus próprios pressupostos e as interpretações de acordo com os dados, como os resultados são recebidos e por quem são recebidos. referencias BAUER, Martin, W. GASKELL, George, ALLUM, Nicholas. C. Qualidade, quantidade e interesses do conhecimento. IN:BAUER, Martin.W. GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: Um manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002. p. 17-36