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Brasília-DF. Gestão de Projetos Elaboração Camila de Luna Maciel Gadelha Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8 UNIDADE I INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS ............................................................................................... 11 CAPÍTULO 1 VISÃO GERAL SOBRE PROJETO ............................................................................................... 11 CAPÍTULO 2 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS .................................................................................. 20 CAPÍTULO 3 O GUIA PMBOK ...................................................................................................................... 46 UNIDADE II PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO .................................................................................. 61 CAPÍTULO 1 GERENCIAMENTO DA INTEGRAÇÃO DO PROJETO .................................................................. 61 CAPÍTULO 2 GERENCIAMENTO DO ESCOPO E DO TEMPO DO PROJETO .................................................... 70 CAPÍTULO 3 GERENCIAMENTO DOS CUSTOS E DA QUALIDADE DO PROJETO ............................................. 95 UNIDADE III PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) .................................................................... 108 CAPÍTULO 1 GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HUMANOS E DAS COMUNICAÇÕES DO PROJETO ........... 108 CAPÍTULO 2 GERENCIAMENTO DOS RISCOS DO PROJETO ....................................................................... 122 CAPÍTULO 3 GERENCIAMENTO DAS AQUISIÇÕES E DAS PARTES INTERESSADAS DO PROJETO .................... 133 UNIDADE IV DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS ..................................................................................................... 148 CAPÍTULO 1 INVESTIGAÇÃO E METODOLOGIA NA GESTÃO DE PROJETOS ................................................ 148 CAPÍTULO 2 ESTUDOS DE CASO .............................................................................................................. 162 PARA (NÃO) FINALIZAR ................................................................................................................... 176 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 179 5 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 6 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 7 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 8 Introdução Projetos são executados em diversas áreas. Desde Computação até Engenharia e Medicina, eles desempenham um papel importante na criação de produtos. Adicionalmente, projetos são desempenhados tanto no mercado de trabalho quanto no universo acadêmico, aumentando sua relevância perante a sociedade. A partir disso, é possível atingir resultados importantes, contribuindo de forma significativa para a melhoria da qualidade de vida e aumento da captação de recursos em uma empresa, por exemplo. Mesmo desempenhando um papel importante, os projetos frequentemente são levados ao insucesso. Segundo o Harvard Business Review (FLYVBJERG; BUDZIER, 2011), um entre seis projetos de Tecnologia da Informação têm um custo médio ultrapassado em 200% e seu prazo médio ultrapassado em 70%. Adicionalmente, o Gallup Business Review (HARDY-VALLEE, 2012) informa que a economia dos Estados Unidos perde de 50 a 150 bilhões por ano devido a falhas em projetos de Tecnologia da Informação. Na medida em que os problemas foram sendo identificados, percebeu-se uma frequente repetição, mesmo se os projetos que tivessem esses problemas fossem executados em áreas de entendimento opostas, como Engenharia e Sociologia. Tanto os problemas quanto as soluções foram coletados, o que gerou um conjunto de boas práticas cuja adoção melhorou o percentual de sucesso dos projetos. Esse conjunto de boas práticas é chamado Gerenciamento de Projetos. Segundo o Price Water House Coopers, 97% das organizações acreditam que o gerenciamento de projetos é crítico para o desempenho dos negócios e sucesso da organização. Por exemplo, a correta especificação do que será executado no projeto ajuda significativamente na criação de um cronograma realístico para a entrega de um produto. Em consequência, as atividades desse projeto podem ser detalhadamente definidas para que se possa também estabelecer um orçamento do que será gasto e o valor a ser cobrado do cliente. A partir daí é possível responder a questões muito pertinentes para o cliente, tais como: » Quais as características do produto sendo entregue?» Quanto tempo será necessário para elaborar o produto? » Qual o orçamento disponível para entregar o produto ao cliente? A resolução dessas questões envolve diversas áreas de conhecimento. Cada uma exige que ações sejam realizadas para que o projeto termine com sucesso. Por exemplo, as 9 atividades que envolvem o levantamento das características do produto são enumeradas na área de Gerenciamento de Escopo. Similarmente, a área de Gerenciamento de Tempo enumera boas práticas para determinar o tempo necessário para entregar o produto com as características definidas pelo cliente. Da mesma forma, o orçamento definido para a entrega do produto é determinado com o auxílio das atividades definidas na área de Gerenciamento de Custos. As boas práticas definidas nas diversas áreas de conhecimento são influenciadas pela estrutura organizacional da empresa, que define, por exemplo, o grau de liberdade do gerente de projetos. A partir disso, um subconjunto de práticas que exigem liberdade por parte da gerência não pode ser adotado. Dependendo dos impactos gerados no projeto e das metas definidas, novas posturas devem ser adotadas para o sucesso do projeto. Da mesma forma, as ações a serem executadas no projeto são afetadas pelo ciclo de vida dos projetos, pois este ciclo define em que fase o projeto está. Sendo assim, se o projeto está sendo iniciado, é necessário definir o orçamento necessário à execução do projeto, definição de responsáveis, abertura formal do projeto e outras atividades do tipo. Da mesma forma, se o projeto está sendo encerrado, é importante coletar lições aprendidas a partir das ações desempenhadas, entregar o produto e encerrar formalmente o projeto, entregando toda a documentação necessária ao cliente. Várias ferramentas estão disponíveis para auxiliar o uso das boas práticas nos projetos. Na área de Gerenciamento de Escopo, uma ferramenta central é a Estrutura Analítica do Projeto (EAP). A EAP é um gráfico que permite que as atividades do projeto sejam definidas utilizando o nível de detalhamento adequado à correta execução do projeto. Já na área de Gerenciamento de Tempo, o gráfico de Gantt possibilita que as atividades definidas sejam organizadas em ordem, de forma a identificar gargalos na execução destas e chegar a estimativas mais precisas quanto ao tempo necessário para executá-las. Objetivos » Conhecer terminologias sobre Gestão de Projetos. » Compreender a importância do gerenciamento de projetos nas empresas. » Entender as influências organizacionais das empresas e o ciclo de vida de projetos. » Conhecer as áreas de conhecimentos de projetos. » Compreender todas as etapas de gerenciamento de projetos. 10 » Estudar como os projetos podem se inserir e podem ser aplicados nas organizações. » Usar este material como um guia para aprofundamento nos estudos. 11 UNIDADE IINTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS CAPÍTULO 1 Visão geral sobre projeto Órgãos em gestão de projetos Para diminuir os custos decorrentes da adoção de más práticas na execução de projetos, especialistas de todo o mundo se reuniram para criar um conjunto de dicas de como conduzir um projeto de forma eficaz. Por meio de reuniões, essas dicas foram transformadas em boas práticas que pudessem evitar que os projetos tivessem insucesso. Com o agrupamento desses especialistas ao longo das regiões do globo, surgiu a necessidade da criação de setores específicos que organizassem a atuação e divulgação dessas informações nas empresas. A partir daí, surgiram instituições cujo objetivo principal é lidar com as informações específicas da área de Gerenciamento de Projetos. Essas são responsáveis por criar, atualizar e disseminar boas práticas que se adequem às diversas naturezas de projetos nas organizações. Ao conjunto dessas boas práticas dá-se o nome de guia. Existem três grandes instituições responsáveis por atualizar e disseminar guias de boas práticas em Gestão (ou Gerenciamento) de Projetos, com foco na capacitação profissional nesta área (OLIVEIRA, 2010): » International Project Management Association (IPMA):foi a primeira organização internacional com foco em Gerenciamento de Projetos, começando suas atividades em 1965, em Viena. Hoje, ela está registrada na Suíça e tem associações com mais de 120.000 membros no mundo inteiro. É uma associação sem fins lucrativos, responsável por gerenciar uma rede internacional de Associações, em que cada país tem autonomia para estabelecer suas regras. Ela fornece padrões e estabelece guias para os profissionais de Gerenciamento de Projetos por meio do IPMA Competence Baseline (ICB). Além disso, ela atua em diversos 12 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS setores, como os industriais, governamentais, terceiro setor e comunidade. Dentre as parcerias atuais no Brasil, desenvolve atividades com o Instituto de Desenvolvimento em Gestão de Projetos (IDGP), Fundação Getúlio Vargas, Revista Mundo PM e a Escola Politécnica da UFRJ. » Crown Commercial Service (CCS):é uma organização do governo do Reino Unido com foco no governo. Uma de suas principais publicações é o PRINCE2. Eles trabalham com mais de 1.400 organizações e 2.600 fornecedores. Dentre suas responsabilidades, estão: › gerenciar a obtenção de bens e serviços para que organizações do setor público com necessidades similares possam negociar com os mesmos fornecedores, obtendo vantagens; › melhorar o gerenciamento de fornecedores e contratos; › aumentar a economia do pagamento de taxas por meioda centralização de compras de mercadorias em comum e serviços, estreitando o relacionamento de projetos menores; › liderar as políticas do governo em benefício do governo do Reino Unido. » Project Management Institute (PMI):é a maior organização sem fins lucrativos para a disseminação das boas práticas em Gerenciamento de Projetos no mundo. Sua sede é localizada nos Estados Unidos e tem mais de meio milhão de associados e profissionais certificados em mais de 185 países. Essa instituição atua em diversos setores, como academia, organizações, governo e indústria. Dentre suas responsabilidades, estão: › formular padrões profissionais de Gerenciamento de Projetos; › gerar conhecimento por intermédio de investigação; › promover o Gerenciamento de Projetos como profissão por meio de programas de certificação. A cada quatro anos, o PMI lança seu guia de boas práticas em Gerenciamento de Projetos que se transformou em uma norma do padrão ANSI: O PMBOK. Como o PMBOK é o padrão mais difundido e aceito mundialmente, ele será adotado para orientar as discussões deste curso. Será usada como parâmetro a 5ª edição do Guia PMBOK (2013), uma vez que esta é a versão mais atual do PMI. O guia PMBOK ajuda a resolver erros de projetos passados e planejar e executar os projetos para evitar erros comuns. Com isso, é possível (STELLMAN; GREENE, 2009): » estimar e ordenar as tarefas do projeto; 13 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I » esboçar técnicas para planejamento e monitoramento de custos; » ajudar a aprender como planejar e a se proteger contra defeitos. Acesse o site do PMBOK Brasil no <http://brasil.pmi.org> e veja as possibilidades de interação com esse órgão. Existem eventos em todas as regiões do Brasil! Definição de projeto Um projeto é “um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo” (PMBOK, 2013). O termo temporário não quer dizer que o projeto deve ser obrigatoriamente curto. Ele pode durar anos. Em verdade, existem projetos históricos que estão em execução há séculos, como os que são desenvolvidos em museus para preservar patrimônios históricos. Ao passo que é temporário, o projeto tem início, fime objetivos. O início deve ser definido por meio de algum marco, como um documento com atribuição de responsabilidades enquanto o projeto estiver sendo executado. O fim deve ser determinado pelas pessoas responsáveis determinadas no início do projeto. Os objetivos inicialmente determinados devem ser atingidos e a decisão sobre esse marco cabe aos responsáveis pelo projeto. Os projetos criam produtos, serviços ou resultados exclusivos. Para isso, eles devem ter metas e objetivos bem definidos e essa definição deve ser feita no início de sua execução. Além disso, cada projeto é único. Por exemplo, um projeto que vise à criação de um software para um setor varejista não é o mesmo que um projeto direcionado a uma empresa específica desse setor. Isso decorre da necessidade de cada situação ser diferente, já que os clientes também são diversos. Um projeto pode criar (PMBOK, 2013): » um produto que pode ser um componente de outro item, um aprimoramento de outro item, ou um item final; » um serviço ou a capacidade de realizar um serviço (por exemplo, uma função de negócios que dá suporte à produção ou distribuição); » uma melhoria nas linhas de produtos e serviços (por exemplo, um projeto Seis Sigma executado para reduzir falhas); ou » um resultado, como um produto ou documento (por exemplo, um projeto de pesquisa que desenvolve o conhecimento que pode ser usado para 14 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS determinar se uma tendência existe ou se um novo processo beneficiará a sociedade). Os projetos dispõem de recursos limitados e são progressivamente elaborados. Os recursos podem ser materiais, humanos ou de infraestrutura. Como todos esses têm um custo associado, a limitação de recursos decorre da necessidade de se estabelecer um orçamento que vai determinar o custo do projeto. No início, tem-se uma ideia inicial do que será feito no projeto que vai sendo cada vez mais elaborada, uma vez que há melhor esclarecimento de questões relativas ao tempo, custo e requisitos do projeto. Com isso, ele vai sendo construído em etapas. Como o projeto é dividido em partes, ele é dito ser iterativo. A partir da visão do projeto em partes, é possível diminuir o problema a ser resolvido estabelecendo objetivos mais detalhados. Então, as saídas de cada iteração (ou etapa) são examinadas para modificação e cada etapa adiciona mais informações à versão atual do projeto. A partir daí, há um maior delineamento do que se pretende ser feito, de forma a torná-lo progressivamente elaborado (ou incremental). Quando uma etapa é terminada, mais detalhes são adicionados à versão atual do projeto, o que pode requerer que etapas anteriores sejam retomadas. Sintetizando, as principais características do projeto são: » temporário, possuindo início e fim bem definidos; » entregam produtos, serviços ou resultados exclusivos; » iterativo e incremental; » realizado por pessoas e consome recursos. Segundo o PMI (2013), exemplos de projetos incluem: » desenvolvimento de um novo produto, serviço ou produto; » efetuar uma alteração na estrutura, processos, pessoal ou estilo de uma organização; » desenvolvimento ou aquisição de um sistema de informações novo ou modificado (hardware ou software); » executar um empenho de pesquisa cujo produto será apropriadamente registrado; » construção de um edifício, planta industrial ou infraestrutura; » implementação, melhoria, ou aperfeiçoamento dos processos e procedimentos dos negócios existentes. 15 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Relação entre projetos e conceitos similares Frequentemente, o conceito de projeto é confundido com outras definições da área de Gerenciamento de Projetos. São eles: » Processo. » Programa. » Portfólio. Um processo é um conjunto de tarefas relacionadas para obter um produto, serviço ou resultado predefinido anteriormente. Os processos são caracterizados por sua anatomia, constituída de entradas, saídas e ferramentas ou técnicas (Figura 1). As entradas são insumos necessários para a execução do processo, como documentos, políticas, regras de sua companhia. As ferramentas são compostas de técnicas, ou softwares específicos necessários usados para processar as entradas. As saídas são os resultados do seu processo, como documentos, planos, orçamentos, cronogramas ou o próprio produto sendo construído. Figura 1. Anatomia de um processo. Entradas Ferramentas Saídas Os projetos e processos são realizados por pessoas, restringido por recursos limitados, planejados, executados e controlados. No entanto, o projeto é um trabalho temporário que cria um único resultado e é progressivamente elaborado. O processo é repetitivo e gera o mesmo produto várias vezes. Além disso, ele é permanente, representando uma sequência de atividades com um objetivo de produzir dado resultado no projeto. Um projeto pode conter diversos processos para sua realização. Como exemplos de processos, pode-se citar: pintar paredes, testar um software e coletar requisitos de um cliente. O processo é uma sequência de atividades que possui entradas, ferramentas e saídas específicas. Ele é contínuo e repetitivo. Um programa é um conjunto de projetos que devem ser gerenciados para atingir um objetivo específico ou benefício para a companhia. Esse agrupamento de projeto pode ocorrer de duas formas: 1. Um projeto complexo é dividido em projetos menores. 2. Projetos relacionados são executados de forma paralela. 16 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS A partir do agrupamento de projetos com um objetivo específico, é possível obter vantagens que os projetos separadamente não conseguiriam. Com exemplo, dois engenheiros que estejam construindo cada um uma casa podem se unir para obter melhores descontos em uma loja de construção, já que, juntos, eles consomem mais material de construção do que separados. Os projetos diferenciam-se dos programas porque, ao contrário dos projetos, os programas não são temporários. Eles são um grupo de projetos relacionados entre si de maneira articulada. Os programas não contêm descrição detalhada das atividades nem aspectos relacionados à operacionalização. Em adição, eles podem conter atividades cíclicas, repetitivas e podem não ter um fim preciso. Os programas são completados quando todos os projetos associados e ele são finalizados. Por isso, um programa é subordinado aos projetos que o compõem. O programa relaciona-se ao benefício e os projetos são mensurados com relação ao impacto do benefício. Por isso, os objetivos do projeto tendem a ser tangíveis, ao passo que a equipe do programa trabalha no sentido de obter um resultado, sendo a melhoria de um processo específico. Os benefícios de um programa são a soma dos benefícios de todos os projetos diferentes e isso pode levar a uma mudança de como a organização funciona. Por exemplo, considere a suíte Microsoft Office e seus programas associados. A mudança da aparência de cada botão entre as versões dos softwares segue o mesmo padrão, apesar de eles serem softwares diferentes. Cada software representaria um projeto e essa mudança de design é uma das diretrizes do programa que contém esses projetos. O programa é um conjunto de projetos que visa atingir um benefício que não seria possível se os projetos fossem executados separadamente. O portfólio é um grupo de projetos ou programas que são ligados do ponto de vista estratégico e tem papel central na tomada de decisões da organização. Não importa se os mesmos recursos são usados ou se as características são parecidas, mas, sim, sua importância estratégica para a empresa. O agrupamento dos programas e projetos é feito para atingir o sucesso no desenvolvimento de produtos ou serviços e maximizaçãoda eficiência da corporação. O gerenciamento de portfólio está ligado à análise estratégica e gerenciamento financeiro das diversas iniciativas na empresa. Por exemplo, uma empresa pode criar um portfólio de lançamento de novos produtos, de forma a maximizar os resultados positivos na realização dessa atividade. 17 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I O portfólio é uma coleção de projetos ou programas agrupados para facilitar o gerenciamento de atividades e atender aos objetivos estratégicos da empresa. Os projetos possuem escopo reduzido e entregas específicas. Já o portfólio possui escopo de negócio que segue a estratégia de cada organização. O programa tem escopo abrangente para atender às expectativas do negócio e pode sofrer modificações. No projeto, o sucesso é medido por meio do tempo, custo e escopo. No programa, o sucesso é mensurado por retorno de investimento e entrega de benefícios, ao passo que o portfólio mede o sucesso em termos de desempenho dos componentes em conjunto, não separadamente. A Figura 2 ilustra a relação entre projetos, programas e portfólios. Outra estrutura em que os portfólios, programas e projetos estão relacionados é o Gerenciamento Organizacional de Projetos (GOP). O GOP, segundo o PMI (2013), é uma estrutura de execução da estratégia corporativa que utiliza o gerenciamento de projetos, de programas e de portfólio, assim como outras práticas organizacionais que possibilitam a execução da estratégia organizacional de forma consistente e previsível, produzindo melhor desempenho, melhores resultados e uma excelência competitiva sustentável. O gerenciamento de portfólios, gerenciamento de programas e gerenciamento de projetos estão alinhados ou são acionados por estratégias organizacionais. Por outro lado, o gerenciamento de portfólios, o gerenciamento de programas e o gerenciamento de projetos diferem na maneira em que cada um contribui para o alcance das metas estratégicas. O gerenciamento de portfólios alinha-se com as estratégias organizacionais, selecionando os programas ou projetos certos, priorizando o trabalho e proporcionando os recursos necessários, enquanto o gerenciamento de programas harmoniza os componentes dos seus projetos e programas e controla as interdependências a fim de alcançar os benefícios especificados. O GOP promove a capacidade organizacional ligando os princípios e práticas do gerenciamento de projetos, programas e portfólios com facilitadores organizacionais (por exemplo, práticas estruturais, culturais, tecnológicas e de recursos humanos) para amparar as metas estratégicas. Uma organização mede as suas capacidades e, então, planeja e implementa melhorias visando ao alcance sistemático das melhores práticas. 18 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Figura 2. Relação entre projetos, programas e portfólio. p Portfólio Subportfólios Projetos Projetos Projetos Projetos Projetos Programas Programas Subprogramas Subprogramas – Estratégias e prioridades – Elaboração progressiva – Governança – Disposição sobre as mudanças solicitadas – Impactos das mudanças em outros portfólios, programas ou projetos – Estratégias e prioridades – Elaboração progressiva – Governança – Disposição sobre as mudanças solicitadas – Impactos das mudanças em outros portfólios, programas ou projetos – Estratégias e prioridades – Elaboração progressiva – Governança – Disposição sobre as mudanças solicitadas – Impactos das mudanças em outros portfólios, programas ou projetos – Relatórios de desempenho – Solicitações de mudança com impacto em outros portfólios, programas ou projetos – Relatórios de desempenho – Solicitações de mudança com impacto em outros portfólios, programas ou projetos – Relatórios de desempenho – Solicitações de mudança com impacto em outros portfólios, programas ou projetos Projetos Fonte: Adaptada de PMBOK (2013). O Quadro 1 mostra a comparação de perspectivas de projetos, programas e portfólios em várias dimensões no contexto da organização. Quadro 1. Visão geral comparativa do gerenciamento de projetos, gerenciamento de programas e gerenciamento de portfólios. Gerenciamento de projeto organizacional Projetos Programas Portfólios Escopo Os projetos têm objetivos definidos. O escopo é elaborado progressivamente durante o ciclo de vida do projeto. Os programas possuem um escopo maior e fornecem benefícios mais significativos. Os portfólios possuem um escopo organizacional que muda com os objetivos estratégicos da organização. Mudança Os gerentes de projetos esperam mudanças e implementam processos para mantê-las gerenciadas e controladas. Os gerentes de programas esperam mudanças dentro e fora do programa e estão preparados para gerenciá-las. Os gerentes de portfólio monitoram continuamente as mudanças nos ambientes interno e externo mais amplos. Planejamento Os gerentes de projetos elaboram progressivamente planos detalhados no decorrer do ciclo de vida do projeto a partir de informações de alto nível. Os gerentes de programas desenvolvem o plano geral do programa e criam planos de alto nível para orientar o planejamento detalhado no nível dos componentes. Os gerentes de portfólios criam e mantêm comunicação e processos necessários ao portfólio global. 19 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Gerenciamento de projeto organizacional Projetos Programas Portfólios Gerenciamento Os gerentes de projetos gerenciam a equipe do projeto para atender aos objetivos do projeto. Os gerentes de programas gerenciam a equipe do programa e os gerentes de projetos; eles proporcionam a visão e liderança global. Os gerentes de portfólios podem gerenciar ou coordenar o pessoal de gerenciamento de portfólios, ou o pessoal de programas e projetos que possam ter responsabilidades de entrega de relatórios para compor o portfólio agregado. Sucesso O sucesso é medido pela qualidade do produto e do projeto, pela pontualidade, pelo cumprimento do orçamento e pelo grau de satisfação do cliente. O sucesso é medido pelo grau em que o programa atende às necessidades e pelos benefícios para os quais foi executado. O sucesso é medido em termos do desempenho de investimento agregado e realização dos benefícios do portfólio. Monitoramento Os gerentes de projetos monitoram e controlam. Os gerentes de programas monitoram o progresso dos componentes do programa para garantir que os objetivos, cronogramas, orçamento e benefícios globais dele sejam atendidos. Os gerentes de portfólios monitoram as mudanças estratégicas e alocação de recursos totais, resultados de desempenho e riscos do projeto. Fonte: PMI, 2013. 20 CAPÍTULO 2 Introdução à gestão de projetos Conceito de gestão de projetos De acordo com PMI (PMI2013), Gestão ou Gerenciamento de Projetos “é a aplicação de conhecimentos, habilidades ferramentas e técnicas nas atividades do projeto a fim de atender os requisitos do projeto”. O propósito básico para iniciar um projeto é atingir metas específicas. A razão para organizar atividades em um projeto é focar nas responsabilidades e autoridade para alcançar metas em projetos individuais ou em pequenos grupos. Portanto, o Gerenciamento de Projetos é um fator estratégico para o bom gerenciamento de recursos nas organizações, permitindo que elas unam os resultados do projeto com os objetivos dos negócios sendo desenvolvidos. O Gerenciamento de Projetos é diferente do projeto em si, uma vez que este é um esforço temporário para atingir um resultado único. O Gerenciamento de Projetos reúne as boas práticasnecessárias para entregar o resultado esperado no nível de qualidade esperado pelo cliente. Kerzner (2011) apresenta um conceito mais complexo: O Gerenciamento de Projetos é o planejamento, a organização, a direção e o controle dos recursos da empresa para um objetivo de relativo curto prazo, que foi estabelecido para concluir metas e objetivos específicos. Ademais, o Gerenciamento de Projetos utiliza a abordagem sistêmica de gestão por meio da alocação de pessoal funcional (hierarquia vertical) para um projeto específico (hierarquia horizontal). A partir daí, o Gerenciamento de Projetos é percebido como um sistema que envolve alocação de pessoas para um projeto determinado. Sendo assim, ele assume caráter interdisciplinar, contendo estratégias relacionadas a escopo, tempo, recursos, comunicação, qualidade, custos, riscos, dentre outros. Em adição, as estratégias usadas objetivam aumentar não só o desempenho das pessoas entre a hierarquia de diferentes cargos, caracterizados por meio da hierarquia vertical, mas, também, de pessoas que estão no mesmo grau hierárquico, ou mesmo sem caracterização de hierarquia, sendo orientadas a metas (hierarquia horizontal). 21 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I De forma geral, os benefícios do Gerenciamento de Projetos são (KERZNER, 2011): » delimitação de responsabilidades entre os funcionários, apesar da rotatividade e quantidade de pessoal; » previsão sobre os resultados do projeto, incluindo impossibilidade de realização do projeto; » identificação e acompanhamento de informações sobre cronograma, custos, qualidade e requisitos do produto ou serviço com vistas ao acompanhamento corretivo das atividades; » realização de estimativas a serem usadas em planejamentos futuros. As metas e objetivos específicos do projeto são frequentemente definidos por pessoas que desempenham papéis externos ao projeto, chamadas stakeholders ou partes interessadas. Um stakeholder é uma pessoa afetada positivamente ou negativamente pelo tempo, escopo, custos, qualidade ou riscos do projeto. Ele dita o que será feito no projeto, chegando a aprovar o orçamento final do projeto. Os gerentes de projetos devem fazer a interface com as partes interessadas, de forma que estas podem criar pressões e influências em relação ao projeto. Um exemplo frequente de stakeholder é o cliente que receberá o produto ou serviço final que será o resultado do projeto. Stakeholders ou partes interessadas são indivíduos ou organizações que podem ser impactadas de forma positiva ou negativa pelo projeto. Os stakeholders podem ser de dois tipos: ativos ou passivos. Os passivos têm influência direta no resultado do projeto. Então, eles podem tomar decisões que vão gerar grande impacto, chegando a decidir aumentar o orçamento do projeto ou encerrá-lo, por exemplo. Nem sempre a comunicação entre esse tipo de partes interessadas é efetiva, portanto o gerente de projetos pode ter que equilibrar os diversos interesses conflitantes que possam surgir. As partes interessadas passivas têm influência no projeto, mas não podem tomar atitudes de grande impacto. O patrocinador ou sponsor é a pessoa de máxima autoridade no projeto. Ele proporciona os fundos para financiar o projeto, resolve problemas e as mudanças de escopo, aprova os resultados obtidos e dá direção ao projeto. Ele tende a ser aquele que começa o projeto ou pensa sobre ele. Eles se autodenominam donos do projeto. Exemplos de patrocinadores são o gerente, supervisor ou um parceiro no projeto. Ele normalmente mostra um interesse ativo no progresso do projeto e pode aprovar ou desaprovar ações específicas. Em contrapartida, os stakeholders tendem a ter interesse no resultado do 22 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS projeto, em vez de eu sua concepção. Os stakeholders não dão aprovação de entregas do projeto, mas é necessário deixar eles cientes do que está sendo entregue no projeto para manter a saúde e rentabilidade do projeto. Patrocinador é uma pessoa ou grupo que fornece os recursos ou dinheiro para o projeto. Para manter um bom relacionamento com o cliente, o Gerenciamento de Projetos deve dispor os recursos da empresa dentro do prazo, custo, recursos e desempenho esperados. Caso o cliente seja externo à empresa, o bom relacionamento com o cliente também deve ser observado. A inter-relação entre esses itens obriga, por exemplo, com que mudanças no prazo gerem impactos nos custos e no desempenho ou tecnologia a ser usada. Com isso, alterações de escopo ou em outros itens devem ser detalhadamente examinadas. Além disso, a relevância do cliente é vital para o bom andamento do projeto, chegando a determinar o gerente de projetos de acordo com o perfil do cliente. A Figura 3 ilustra a relação entre essas restrições. Figura 3. Interpretação do Gerenciamento de Projetos. EM BOAS RELAÇÕES COM O CLIENTE RECURSOS PRAZO CUSTOS DESEMPENHO/TECNOLOGIA Fonte: Adaptada de Kerzner (2011). “O gerenciamento de projetos é a arte de criar a ilusão de que qualquer resultado provém de uma série de atos deliberados predeterminados quando, na verdade, tudo ocorreu por acaso” (KERZNER, 2011). Até que ponto se pode concordar com o autor? O que ele quis dizer ao expressar esta ideia? O sucesso em Gerenciamento de Projetos O sucesso de um projeto está intimamente relacionado ao serviço ou produto percebido pelo cliente. Alguns podem entender que entregar o que o cliente deseja dentro do 23 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I prazo e do orçamento é o fato principal de um projeto de sucesso. No entanto, cada cliente tem sua própria ideia de sucesso. Por exemplo, um cliente pode estar disposto a sacrificar funcionalidades para uma entrega mais rápida, enquanto outro pode ficar feliz em atrasar o prazo para desenvolver uma funcionalidade específica. Em ambos os casos, o projeto teve sucesso porque as expectativas do cliente foram atendidas. Ao mesmo tempo, em ambos os casos, o projeto não foi entregue dentro do prazo ou com as funcionalidades esperadas. Diante disso, o conceito de sucesso em projetos atinge um maior grau de complexidade. Somente 39% dos projetos são executados com sucesso (CHAOS, 2013). Na sequência, 18% dos projetos são cancelados antes de completar ou entregues e nunca são usados, sendo considerados com falha. Ainda nessa pesquisa, 43% dos projetos são desafiados, significando que eles são finalizados fora do prazo, com orçamento estourado e com menos funcionalidades do que o previsto anteriormente. Mesmo assim, a taxa de finalização de projetos com sucesso vem aumentando desde 2004. O aumento da execução de projetos com sucesso inclui vários fatores, como ter uma visão sistemática do projeto, métodos, habilidades, ferramentas, custos, decisões, influências internas e externas, e a relação entre os membros da equipe. Entender as principais características que fazem um patrocinador de sucesso também ajuda nesse contexto. A profissionalização do gerente de projetos e o aumento de programas de treinamento nessa área também ajudam. Adicionalmente, o aumento da adoção de metodologias ágeis para pequenos projetos e declínio do uso de projetos em cascata contribui para o aumento do sucesso em projetos. Um projeto de sucesso deve comparar as expectativas do cliente com o resultado obtido. Mais do que isso, esse resultado deve ser alcançado dentro do menor prazo possível, consumindo o mínimo de recursos e com o menor orçamento. Segundo Kerzner (2011), o projeto de sucesso deve atingir os seguintes objetivos: » estar dentro do prazo e custo esperados; » maximizar o uso dos recursos disponíveis; » Estar de acordo com o nível de tecnologia ou desempenho esperados; » ser aceito pelo cliente;» ter mudanças mínimas ou adequadas ao escopo; » não atrapalhar o fluxo principal de trabalho da organização ou a cultura da empresa. 24 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Diante da exposição desses fatores, surgem as perguntas: Porque é permitido que as mudanças de escopo sejam mínimas ou adequadas ao escopo? Como, assim, não atrapalhar o fluxo do projeto ou cultura da empresa? A primeira resposta está associada ao fato de que a grande maioria dos projetos não termina com o mesmo escopo definido no início do projeto. Em verdade, 69% dos projetos sofrem mudança de escopo desde suas fases iniciais (CHAOS, 2013). Portanto, as mudanças de escopo tornam-se bastante prováveis, exigindo um gerenciamento de mudanças eficaz e bem-pensado em relação ao escopo inicial do projeto. As mudanças no escopo devem ser reduzidas ao máximo e as que não podem ser evitadas devem ser aprovadas pelo gerente do projeto e pelos stakeholders. O fluxo do trabalho da organização e a cultura da empresa também devem ser respeitados. Infelizmente, vários gerentes se veem como empreendedores trabalhando para determinada empresa. Isso os leva a quererem conduzir o projeto de acordo com seus próprios valores, mas o cliente deve ser consultado, permitindo que mudanças no projeto sempre sejam autorizadas por ele. O gerente de projetos deve gerenciar dentro das diretrizes, políticas, procedimentos e regras da instituição a quem ele presta serviço. Todas as empresas possuem uma cultura corporativa; então, mesmo que um projeto seja diverso, o gerente não deve esperar que o pessoal alocado se desvie das normas culturais. Atender aos requisitos do projeto significa balancear itens conflitantes, tais como: » escopo, tempo, custo, risco e qualidade do projeto; » satisfação do cliente; » requisitos identificados (necessidades) e não identificados (expectativas). Cada projeto, independente do que está sendo produzido ou quem está fazendo o trabalho, é afetado por restrições de tempo, escopo, custo, recursos, qualidade e riscos. Essas restrições têm um tratamento especial umas com as outras, uma vez que prevalecer o desenvolvimento de uma sempre gera um efeito nas outras. Por causa disso, se todas as restrições não forem gerenciadas em conjunto, o projeto estará atrasado, com orçamento estourado ou com qualidade abaixo do esperado. Quanto mais próxima for a estimativa inicial dos valores reais para essas restrições, menos “surpresas” se terá ao longo do desenvolvimento do projeto (STELLMAN; GREENE, 2009). Antigamente, somente as restrições de custo, tempo, escopo e qualidade eram citadas como principais no projeto, excluindo riscos e recursos. Mas refletindo apenas sobre essas quatro restrições, não há como ter uma visão clara do projeto. O importante é entender que todas as seis restrições (ver Figura 4) estão relacionadas umas às outras. Tomando como exemplo um projeto que objetiva promover um evento, um possível 25 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I problema nos recursos, como uma alocação inadequada das salas, pode causar insucesso do projeto. Figura 4. As restrições influenciadoras do projeto. Fonte: Adaptada de Stellman e Greene (2009). Sempre que há uma mudança nas restrições do projeto, as partes interessadas são impactadas. Por isso, as mudanças só devem ser feitas se forem aprovadas por eles. Grande parte do esforço em Gerenciamento de Projetos é direcionada ao impacto de uma mudança no projeto. A análise de impacto das mudanças ajuda a decidir o que as partes interessadas farão quando as mudanças ocorrerem. Por exemplo, algumas mudanças podem afetar os requisitos ou qualidade do produto, e isso pode ser inaceitável diante dos objetivos estabelecidos pela parte interessada. O gerente de projetos e suas habilidades O gerente de projetos é a pessoa designada pela organização para liderar a equipe do projeto e tomar ações para garantir o atendimento dos objetivos do projeto. O papel do gerente de projetos é diferente de um gerente funcional ou gerente de operações. Normalmente, o gerente funcional se concentra em supervisionar uma unidade funcional ou de negócios, e os gerentes de operações são responsáveis pela eficiência e eficácia das operações de negócios. De maneira geral, os gerentes de projetos são responsáveis pelo atendimento de tarefas, necessidades de equipe e necessidades individuais. Como o gerenciamento de projetos é a ligação entre a estratégia e as atividades operacionais, o gerente de projetos torna-se o elo entre a estratégia e a equipe. Entretanto, a compreensão e aplicação do conhecimento, das ferramentas e técnicas reconhecidas como boas práticas não são suficientes para o gerenciamento de projetos eficaz. Além das habilidades específicas a qualquer área e das proficiências de gerenciamento geral exigidas pelo projeto, o gerenciamento de projetos 26 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS eficaz exige que o gerente de projetos possua as seguintes competências, segundo o PMI (2013): » Conhecimento: refere-se ao que o gerente de projetos sabe sobre gerenciamento de projetos. » Desempenho: refere-se ao que o gerente de projetos é capaz de fazer ou realizar quando aplica seu conhecimento em gerenciamento de projetos. » Pessoal: a efetividade pessoal abrange atitudes, principais características de personalidade e liderança, que fornecem a habilidade de guiar a equipe do projeto ao mesmo tempo em que atingem objetivos e equilibram as restrições deste. As habilidades para o gerente de projetos, chamadas de interpessoais seriam: liderança; construção de equipes, motivação, comunicação, influência, tomada de decisões, consciência política e cultural, negociação, ganho de confiança; gerenciamento de conflitos, e coaching. Coaching é um processo que utiliza técnicas, ferramentas e recursos de diversas ciências. Algumas pessoas dizem que coaching é ciência, mas, na realidade, é um mix de recursos e técnicas que funcionam em ciências do comportamento (psicologia, sociologia, neurociências) e de ferramentas da administração de empresas, esportes, gestão de recursos humanos, planejamento estratégico e outros. É um processo que produz mudanças positivas e duradouras. Conduzido de maneira confidencial, individualmente ou em grupo, o coaching é uma oportunidade de visualização clara dos pontos individuais, de aumento da autoconfiança, de quebrar barreiras de limitação, para que as pessoas possam conhecer e atingir seu potencial máximo e alcançar suas metas. Saiba mais sobre coaching em <http://www.ibccoaching.com.br/tudo-sobre- coaching/coaching/o-que-e-coaching/; acesso em: 4/2/2015>. Frequentemente, o papel do gerente de projetos se confunde com outros dois papéis: gerente funcional e gerente de operações. Porém o gerente de projetos se diferencia desses dois. Isso decorre do fato de que o gerente funcional fiscaliza uma unidade de negócios do projeto. Ele tem responsabilidade de definir onde e como a tarefa será feita (critérios técnicos), responsabilidade de fornecer recursos suficientes para alcançar os objetivos dentro das restrições do projeto (quem realizará o trabalho) e responsabilidades para a 27 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I entrega. Em outras palavras, uma vez que o gerente de projetos fornece os requisitos do projeto, o gerente funcional identifica os critérios técnicos, mais atrelados à natureza do projeto. Já o gerente de operações é responsável por garantir que a unidade de negócios é eficiente. Ele conhece os objetivos estratégicos da produção, como qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custo. Ele realiza o planejamento e controle da produção decidindo sobre como empregar de forma mais adequada os recursosda produção e executando o que foi previsto. Ademais, ele melhora o desempenho da produção inserindo a administração de qualidade total no processo de elaboração do produto ou serviço a ser entregue para o cliente. A Figura 5 mostra as responsabilidades do gerente de projetos durante a execução de um projeto. O gerente é responsável por alocar e gerenciar recursos, sejam eles humanos, de infraestrutura ou capital. Com isso, ele converte esses recursos (as entradas) em produtos, serviços ou lucro (as saídas). Para isso, o gerente usa ferramentas e técnicas obtidas com o estudo de gerenciamento de projetos, assim como habilidades interpessoais e de comunicação. Além disso, ele deve se familiarizar com as políticas da empresa e do negócio aos quais o projeto pertence. Figura 5. A integração e o gerente de projetos. Processos Integrados Equipamentos Capital Pessoal Instalações Materiais Informações Produtos Serviços Lucros Gerenciamento da Integração Recursos Saídas Entradas Fonte: Adaptada de Kerzner (2011). Dependendo da estrutura da organização, um gerente de projetos pode se reportar a um gerente funcional. Em outros casos, um gerente de projetos pode ser subordinado a um gerente de programa ou de portfólio que é o responsável final por grandes projetos. Nesse tipo de estrutura, o gerente de projetos trabalha intimamente com o gerente de portfólio ou de programas para alcançar os objetivos do projeto e garantir que o plano do gerente de projetos está de acordo com o plano do programa geral. O gerente de projetos também trabalha intimamente com outros papéis, como o analista e negócios, gerente de garantia de qualidade e outros especialistas. 28 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Para ter um papel central no desempenho de um projeto, o gerente deve desenvolver habilidades pessoais e técnicas. Durante o desenvolvimento dessas habilidades, é desenvolvido um processo que leva a vários pontos (MEREDITH, 2009): » Entender o contexto do gerenciamento de projetos: grande parte da dificuldade em se tornar um gerente de projetos vem da falta de entendimento dos desafios particulares que o gerenciamento de projetos simboliza na maioria das empresas. Projetos existem fora de hierarquias estabelecidas e representam mudanças. É importante que o gerente de projetos desempenhe seu papel entendendo os conflitos que podem ocorrer. » Reconhecer os conflitos dos times do projeto como um progresso: muitos dos conflitos entre os membros do time são ocasionados pela diferença entre as personalidades dos envolvidos. Eles não devem ser ignorados, mas, sim, analisados. Uma vez que o gerente constata a natureza do conflito, ele pode ser resolvidos, pois evitá-lo só fará o problema piorar. » Entender quem são os stakeholders e o que eles querem: os gerentes que reconhecem o impacto dos stakeholders e trabalham para minimizar sua interferência com eles são mais eficientes do que aqueles que trabalham em modo reativo, continuamente surpreso por demandas externas emergentes. É impossível agradar todos os stakeholders ao mesmo tempo. Em vez disso, os gerentes devem se concentrar em manter relações satisfatórias que permitam fazer seu trabalho com o mínimo de interferência externa. » Aceitar e usar a natureza política das organizações: o mundo é politizado, e assim são as organizações. Os gerentes que almejam alcançar o sucesso devem aprender como usar a política para o seu proveito. » Liderar o projeto: liderança é um ponto principal no projeto. Bons líderes ajudam o projeto a suceder mesmo em situações adversas, ao passo que líderes fracos reduzem as chances de sucesso do projeto mesmo em situações favoráveis. A essência da liderança é usar a flexibilidade, tratando cada situação de forma particular. Isso leva a uma percepção realística de fraquezas e pontos fortes no projeto e à atribuição de responsabilidade aos subordinados. » Entender o que significa sucesso: qualquer projeto é bom enquanto pode ser usado. Consequentemente, o esforço deve ser empregado para 29 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I garantir que o sistema se adequa às necessidades do cliente, junto com suas preocupações e que eles têm a palavra final no projeto. » Construir e manter a equipe coesa: o trabalho do gerente é fazer o possível para manter a equipe coesa. Algumas vezes é necessário ter conversas individuais com os membros do time para verificar se suas atitudes e satisfação com relação ao processo estão sendo adotadas. » Entusiasmos e desespero são contagiosos: os gerentes devem ser fonte de motivação e entusiasmo para os outros membros do time, independente do estado atual do projeto. Eles devem ser uma fonte de informação segura e confiável para todos os membros da equipe. » Manter sempre um olhar no futuro e um olhar no passado: é importante que o gerente sempre consulte suas lições aprendidas para não cometer os mesmos erros do passado. Não se pode controlar o futuro, mas se pode continuamente adotar estratégias de mitigação para erros indesejados. » Lembre-se sempre o que você está tentando fazer: não se deve perder o propósito geral do projeto. É fácil desviar a atenção para problemas urgentes, mas que não contribuem para a realização do projeto. Com isso, é possível perder a visão do que será o projeto. O trabalho desenvolvido no projeto deve ser focado para os resultados que pertencem ao produto ou serviço que será desenvolvido. » Usar o tempo cuidadosamente ou ele o usará: muitos gerentes descobrem que gastam grande parte do seu tempo com atividades improdutivas, como telefonemas não esperados em uma seção de planejamento, conversas “rápidas” com outros gerentes que acabam durando horas etc. Um planejamento das atividades do dia deve ser realizado pelos gerentes, de modo a evitar uma postura reativa aos problemas e se tornar escravos de seus próprios prazos. » Sobretudo, planejar: a essência de um gerenciamento de projetos eficiente é tomar a maior parte do tempo planejando o máximo possível para, então, começar a agir. Por exemplo, deve-se planejar o cronograma, a composição do time, as especificações do projeto e o orçamento. Um planejamento completo exige tempo e esforço, entretanto um projeto planejado em excesso pode levar à perda de oportunidades, ao passo que quando o planejamento é terminado, essas podem não mais existir. 30 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS O que é mais importante para um bom gerente de projetos: habilidades profissionais ou técnicas? O gerente obrigatoriamente deve ter conhecimentos técnicos sobre o ramo em que o projeto está inserido? Descubra a resposta para estas e outras perguntas sobre o perfil do gerente de projetos no vídeo de Ricardo Vargas: <https://www.youtube.com/watch?v=Pa4pFoMadrE>. Estilos organizacionais As organizações dividem-se em três tipos: funcionais, projetizadas e matriciais (PMBOK, 2013). Nas organizações funcionais, os times que trabalham no projeto não se reportam diretamente ao gerente funcional. Em vez disso, os times ficam alocados em departamentos e o gerente aloca-os temporariamente no projeto. Os gerentes não têm autoridade para fazer as decisões finais do projeto. A Figura 6 mostra um exemplo de estrutura funcional em uma organização. Figura 6. Exemplo de organização funcional. Presidência Preparação de material Pessoal administrativo Pessoal técnico Serviços gerais Operários Departamento de compras Secretária da presidência Gerência administrativa Gerência técnica Gerência de manutenção Controladoria Fonte:<https://a022780.wordpress.com/tipos-de-estruturas-organizacionais/estrutura-funcional/>. Existemvantagens e desvantagens em se adotar o tipo funcional para a organização das empresas (MEREDITH, 2009). As principais vantagens são: » especialistas podem ser usados em diferentes projetos; » existe muita flexibilidade em se usar a equipe; » a divisão funcional pode ser usada como uma base de tecnologia quando algum funcionário sai do projeto; » os especialistas na divisão podem ser agrupados para dividir conhecimento e experiência; 31 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I » a divisão funcional é um caminho natural para o avanço dos indivíduos que têm especialidade em determinada área. Dentre as desvantagens para a adoção de organizações funcionais, pode-se citar: » o cliente não mantém o foco nas principais atividades do projeto que vão levar à entrega do produto. O departamento tem foco na parte que lhe foi atribuída e não na prioridade das atividades do projeto como um todo; » nenhum indivíduo tem responsabilidade total sobre o projeto. Com isso, há uma falta de coordenação dos setores que trabalham no projeto, o que pode causar uma falha de comunicação com o cliente; » existe uma tendência para subestimar o esforço demandado no projeto; » a motivação das pessoas designadas para o projeto tende a ser fraca; » a visão sistêmica do projeto é dificultada pela divisão do projeto em unidades. Com isso, alguns projetos que precisam ser desempenhados com conhecimento do todo são prejudicados. Em contrapartida, as organizações projetizadas concedem toda a autoridade ao gerente de projetos. As equipes são organizadas em razão dos projetos; então, o gerente escolhe os membros do time e os libera no final o projeto. Para compatibilizar essas ações, os gerentes de projetos fornecem uma estimativa e monitoram o orçamento e os prazos definidos no projeto. Consequentemente, o gerente é responsável pelo sucesso ou fracasso do projeto. A Figura 7 mostra um exemplo de organização projetizada. Figura 7. Exemplo de organização projetizada. Gerente de Projetos Gerente de Projetos Gerente de Projetos Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal Executivo Chefe Coordenação de Projeto Fonte: Adaptada de imagem extraída de <http://jkolb.com.br/estrutura-organizacional-projetizada/>. 32 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Nesse tipo de organização, os pequenos projetos são muito custosos de serem executados. Em contrapartida, os grandes projetos são mais fáceis para serem operados. Além desta, há muitas outras vantagens e desvantagem ao se adotar organizações projetizadas (KERZNER, 2011). As vantagens são: » o gerente de projetos mantém o máximo controle de todos os recursos do projeto, incluindo custos e pessoal; » os participantes trabalham diretamente para o projeto, então partes que não estão atingindo as metas esperadas; » tempo de reação a problemas é rápido; » a equipe demonstra lealdade ao projeto, o que melhora o desenvolvimento do produto. Em consequência, eles se tornam mais prováveis de serem especialistas do projeto; » o gerenciamento de níveis superiores mantém mais tempo livre para a realização de decisões no projeto; » o gerenciamento de interfaces torna-se melhor se os componentes do projeto são diminuídos; » o gerente de projetos é o ponto focal fora da empresa para tratar com o cliente. Em uma estrutura organizacional projetizada, uma reação rápida mantém as atividades dentro do cronograma, mas o desenvolvimento de tecnologias é afetado porque, como os grupos funcionais dentro de um mesmo projeto são divididos, os esforços podem ser duplicados entre subpartes de um projeto. Além disso, podemos citar as seguintes desvantagens de uma estrutura projetizada: » custo proibitivo para manter vários times menores de um mesmo projeto; » falta de continuidade na carreira e oportunidades para as pessoas do projeto, causando falta de oportunidades para intercâmbio entre projetos; » o controle dos especialistas em funções requer coordenação de altos níveis; » tendência de reter pessoal mais tempo do que o pedido, requerendo que o balanceamento de carga seja feito por profissionais de níveis superiores; » sem grupos funcionais fortes, a parte tecnológica sofre porque não há existência de grupos funcionais. 33 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I As organizações matriciais são um meio-termo entre as organizações funcionais e projetizadas. Elas são uma tentativa de combinar as organizações funcionais e projetizadas. Cada gerente de projetos se reporta diretamente para os diretores gerais e cada departamento tem gerentes funcionais que se reportam ao gerente de projetos. O gerente de projetos tem toda a responsabilidade pelo sucesso do projeto, mas tem uma função de coordenador das atividades do projeto. Já os gerentes funcionais só têm responsabilidade pelo sucesso de seus departamentos e se reportam ao gerente para decidir sobre o projeto. Eles tomam decisões técnicas sobre o projeto, atualizando seus liderados constantemente sobre novidades do ramo em que eles atuam. A Figura 8 mostra um exemplo de estrutura matricial. Figura 8. Exemplo de organização matricial. DEPTO. DE PESQUISA DEPTO. DE VENDAS DEPTO. DE ENGENHARIA PRESIDÊNCIA DEPTO. DE PRODUÇÃO DEPTO. FINANCEIRO AGEND. DE PRODUÇÃO ENGENHEIROS REPRESENT. DE VENDAS CONTADORES DE CUSTOS CIENTISTAS GERÊNCIA DE PROJETO A GERÊNCIA DE PROJETO B GERÊNCIA DE PROJETO C GERÊNCIA DE PROJETO D DEPARTAMENTALIZAÇÃO MATRICIAL Organização Matricial em processo de pesquisa e produção Fonte; Adaptada de figura extraída de <https://pt.wikipedia.org/wiki/Departamentaliza%C3%A7%C3%A3o_matricial>. Algumas regras são exigidas nas estruturas matriciais (KERZNER, 2011): » os participantes devem passar o tempo todo no projeto; » os cargos devem se comunicar horizontal e verticalmente, isto é, entre cargos de mesma hierarquia e de hierarquias distintas; » o acesso entre os gerentes deve ser fácil, assim como a comunicação entre eles. Consequentemente, a negociação de recursos entre os gerentes deve ocorrer constantemente e serem atuantes no planejamento do projeto; » deve ser estabelecido um método rápido e efetivo para resolução de conflitos; 34 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS » as estruturas matriciais têm vantagens e desvantagens. As vantagens principais são: › englobar as vantagens das estruturas projetizadas e funcionais; › pode reduzir a multiplicação e dispersão de recursos, já que esses são distribuídos em vários setores; › por ser mais flexível, permite maior flexibilidade e adaptabilidade da organização ao ambiente; › facilita a cooperação entre os departamentos. Como desvantagens desta estrutura, pode-se citar: › devido à adoção de dois papéis de autoridade (o gerente de projetos e funcional), há maior dificuldade de coordenação, o que pode causar frustração e confusão; › por causa da sua estrutura complexa, tem mais focos de conflitos e desequilíbrios de poder; › é mais difícil de apurar os responsáveis pelos problemas; › há perda excessiva de tempo em reuniões para discussão de problemas. As organizações matriciais classificam-se em fracas, balanceadas e fortes. A força da matriz é baseada na influência que o gerente de projetos ou gerente funcional tem nos projetos da organização. Se o gerente de projetos tiver mais poder que o gerente funcional, ela é matriz forte. O gerente de projetos tem mais autoridade que o gerente funcional, mas a equipe se reporta aos dois gerentes. Em adição, a equipe pode ser avaliada com relação ao seu desempenho no projeto e também suas especialidades na função. A entrega do projeto é mais importante que as habilidades pessoais.Caso os dois gerentes tenham influências similares, ela é considerada matriz balanceada. O gerente de projetos compartilha sua autoridade com o gerente funcional. Então, quando o gerente de projetos toma decisões sobre alocação de pessoal, ele consulta o gerente funcional. Da mesma forma, o gerente funcional toma decisões técnicas em acordo com o gerente de projetos. Se o gerente funcional tiver mais poder, ela é considerada matriz fraca. Os gerentes de projeto têm alguma autoridade, mas eles não são responsáveis pelos recursos do projeto. Ademais, as decisões precisarão ser feitas em comum acordo com a aprovação do gerente funcional. A Figura 9 mostra essa diferença entre as gradações de influências nos projetos pelo gerente funcional ou de projetos. 35 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Figura 9. A relação entre os tipos de organizações matriciais e os gerentes. Gerente de Projetos Gerente Funcional Forte Balanceada Fraca O diferenciador maior entre as estruturas forte e fraca está no comando da organização ser predominante para o gerente de projetos ou funcional. Os gerentes de projeto numa matriz forte têm mais autoridade do que em uma empresa com matriz fraca. Por consequência, se o gerente de projetos é um especialista em tecnologia, ele pode ser chamado pelos liderados a dar consultorias sobre o assunto e o gerente funcional será responsável apenas por direções técnicas no projeto. Ativos de processos organizacionais Os ativos de processos organizacionais têm informações sobre como os projetos devem ser desenvolvidos e como os projetos passados foram conduzidos. Eles informam como a empresa normalmente executa os projetos dela e são necessários porque cada companhia normalmente tem padrões de como executar seus projetos. Esses padrões normalmente estão expostos em guias e instruções de como gerenciar os projetos, procedimentos a serem seguidos, como os processos são categorizados e modelos para todos os documentos que são possíveis de serem criados. Os ativos de processos organizacionais são de dois tipos processos e procedimentos e base de conhecimentos corporativa (PMBOK, 2013). Os processos e procedimentos podem ser: » guias e critérios para unir o conjunto de processos da organização e procedimentos para satisfazer as necessidades específicas do projeto; » modelos, como, por exemplo, registros de riscos, modelos de contratos; » políticas específicas padrões da organização, como políticas de recursos humanos, de segurança e saúde, auditorias de processos e definições de processos em uso nas organizações; » procedimentos de controle de finanças, como relatórios de prazo e detalhamentos de contas; 36 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS » procedimentos de gerenciamento e controle de defeitos, como pedidos de mudança e relatórios de defeitos; » requisitos de comunicação da organização, como tecnologias de comunicação usadas, meios de comunicação autorizados, políticas de retenção de registros e requisitos de segurança; » guias-padrão como instruções de trabalho, critérios de avaliação de propostas e critérios de medida de desempenho; » requisitos ou guias para o encerramento do projeto, como lições aprendidas, auditorias finais de projeto, avaliação do projeto, validação do produto e critérios de aceitação. A base de conhecimento da organização pode conter: » arquivos de projetos anteriores, como arquivos de prazos, custo, escopo, calendários de projetos, registros de riscos, e arquivos de impacto de riscos; » bancos de dados de gerenciamento de defeitos e outras questões, informações de controle, resolução de defeitos e ações para soluções de problemas; » bases de conhecimento da organização contendo as versões de padrões da organização, políticas, procedimentos e outros documentos do projeto; » informações históricas e bases de conhecimentos de lições aprendidas, como documentos e registros de projetos, documentação e outras informações sobre o encerramento do projeto e informações de gerenciamento de riscos; » bancos de dados de medição de processos usados para coletar e tornar disponíveis os dados medidos em processos e produtos. Uma função básica dos ativos de processo organizacionais é que eles contêm as suposições necessárias que podem impactar no sucesso do projeto como a capacidade da metodologia de gerenciamento de projetos, o software de gerenciamento de projetos usado, formulários, checklists e formulários. Esses dados frequentemente estão em algum tipo de repositório. Um dos mais importantes ativos de processos organizacionais são as lições aprendidas, que representam o conjunto de informações históricas do projeto. No fim de cada projeto, a equipe deste se reúne e escreve tudo que foi aprendido no projeto. Isso inclui 37 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I aspectos positivos e negativos. Dessa forma, quando outro projeto for executado por outro gerente de projetos, ele pode tomar vantagem das lições aprendidas em projetos anteriores executados na organização em que ele trabalha. Fatores ambientais da empresa Os fatores ambientais da empresa representam o que é preciso saber sobre como a empresa faz negócios. Quando o projeto está sendo planejado, muita informação é necessária. É preciso saber como cada departamento opera, as condições do mercado às quais o projeto está submetido, as estratégias gerais da empresa, e políticas requisitadas pelo trabalho, a cultura da empresa e os costumes dos funcionários. As suposições sobre as condições do ambiente externo à empresa que podem afetar o sucesso do projeto, como taxas de mercado, requisitos e demandas do cliente em mudança, mudanças na tecnologia e políticas do governo são exemplos de fatores ambientais da empresa. Como exemplos de fatores ambientais da empresa, podem ser citados (PMBOK, 2013): » Clima político. » Sistema de informações de gerenciamento de projetos: é uma ferramenta automática que coleta as informações do projeto, como estimativas de custos, prazos, gerenciamento de configuração, entre outros. » Bancos de dados comerciais, que ajudam nas estimativas de dados de custo e informações de riscos, por exemplo. » Cultura e estrutura da organização; recursos e facilidades relativas à distribuição geográfica. » Padrões da indústria ou do governo, como políticas de órgãos regulatórios, códigos de conduta e padrões de produto e qualidade. » Recursos de infraestrutura, humanos e de capital. » Máxima tolerância a riscos assumidos pelos stakeholders. Partes interessadas (Stakeholders) Conforme dito anteriormente, os stakeholders incluem todos os membros da equipe e todas as partes interessadas do projeto que pertencem ou não à organização. A Figura 10 mostra a relação entre as partes interessadas, o projeto e a equipe do projeto. 38 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Figura 10. Relação entre partes interessadas do projeto. Partes interessadas no projeto Outras partes interessadas Gerente de portfólios Gerente de programas Escritório de projetos Patrocinador Equipe de gerencia- mento do projeto Gerente do projeto Outros membros da equipe do projeto Gerentes de operações Gerentes funcionais Fornecedores e parceiros comerciais Clientes e/ou usuários O projeto Fonte: Adaptada de PMBOK (2013). Os stakeholders têm nível de responsabilidade variável, de acordo com a importância deles no projeto. As responsabilidades deles podem variar de responder a questionários a fornecer suporte político, monetário e outros. Alguns deles podem diminuir o sucesso do projeto, passiva ou ativamente. Esses stakeholders requerem a atenção do gerente de projetos durantetoda a execução do projeto. Dentre os exemplos de stakeholders, podem ser citados (PMBOK, 2013): » Patrocinador: é a pessoa ou grupo que fornece suporte e recursos para o projeto. O patrocinador pode ser interno ou externo à organização do projeto. Ele pode estar envolvido em atividades como autorizar mudanças de escopo, revisões de etapas do projeto e decisões de alto risco. Esse conceito foi explicado inicialmente no Capítulo 2. » Usuários e clientes: os clientes são as pessoas ou organizações no projeto que vão aprovar o resultado, serviço ou produto do projeto. Os usuários são as pessoas que vão usar o produto, serviço ou projeto. Ambas as categorias podem ser externas ou internas ao projeto. » Vendedores: são companhias externas que entram com um acordo contratual para fornecer componentes ou serviços necessários para a execução do projeto. 39 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I » Parceiros de negócios: são organizações externas que têm uma relação especial com a empresa. Os parceiros de negócio fornecem ajuda especializada para cumprir com esses requisitos específicos, como instalação, treinamento e suporte. » Grupos da organização: os grupos organizacionais são stakeholders internos à organização e que são afetados pelas ações da equipe. Como exemplos desse tipo de grupo, podemos citar o setor de recursos humanos, marketing e vendas. Normalmente, existe uma quantidade grande de interação entre o negócio da organização e a equipe do projeto, uma vez que eles trabalham para atingir os mesmos objetivos. » Gerentes funcionais: são peça-chave de uma área funcional do gerenciamento de projetos. A eles são atribuídos uma equipe específica e permanente para conduzir o projeto, e eles tem uma diretriz bastante clara de como executar todas as tarefas dentro de suas áreas funcionais de responsabilidade. » Outros stakeholders: como exemplos, podemos citar instituições financeiras, órgãos reguladores, consultores ou outras pessoas que tenham interesse no projeto ou no resultado do projeto. Com tantos tipos de stakeholders, o patrocinador tem um papel-chave. Isso decorre do fato de que o sucesso do projeto é intimamente ligado às percepções dele. Com isso, ele pode influenciar negativamente ou positivamente no projeto. Por isso, a relação entre os membros da equipe do projeto, o patrocinador e o gerente de projetos, é muito importante. Sabendo que os gerentes de projeto e funcional devem ter a mesma responsabilidade no sucesso do projeto, a alta gerência deve apoiar as decisões do gerente de projetos para que ele possa manter suas decisões junto ao gerente funcional. Quando a alta gerência age em consonância com esses objetivos, eles assumem o papel de patrocinadores do projeto, mostrando que o patrocínio não acontece somente no nível da direção. A Figura 11 expressa os requisitos necessários para uma boa relação entre o gerente de projetos e o patrocinador. 40 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Figura 11. A interface do patrocinador do projeto. PATROCINADOR DO PROJETO: ALTA ADMINISTRAÇÃO PATROCINADOR DO PROJETO: BAIXA/MÉDIA GERÊNCIA PATROCINADOR DO PROJETO GERENTE DO PROJETO GERENTE DO PROJETO EQUIPE DO PROJETO RELACIONAMENTO PROJETOS PRIORITÁRIOS PROJETOS DE MANUTENÇÃO • ESTABELECIMENTO DE OBJETIVOS • PLANEJAMENTO PRÉVIO • ORGANIZAÇÃO DO PROJETO • ALOCAÇÕES PRINCIPAIS • PLANO-MESTRE • POLÍTICAS • MONITORAMENTO DA EXECUÇÃO • ESTABELECIMENTO DE PRIORIDADES • RESOLUÇÃO DE CONFLITOS • CONTATO ENTRE O EXECUTIVO E O CLIENTE Fonte: (KERZNER, 2011). Equipe de projeto A equipe do projeto é uma equipe cujos membros pertencem a grupos diferentes, funções e são designados para atividades do mesmo projeto. Uma equipe pode ser subdividida em equipes, caso necessário. Normalmente, as equipes são alocadas em um projeto somente por determinado período. A equipe do projeto é uma coleção interdependente de indivíduos que trabalham juntos para alcançar um objetivo comum e que são responsáveis por compartilhar a responsabilidade de resultados específicos do projeto em organizações. A equipe do projeto inclui o gerente de projetos, a equipe do gerente de projetos e outros membros da equipe que conduzem o trabalho do projeto, mas não são necessariamente envolvidos com o gerenciamento do projeto. Os membros da equipe são pessoas de diferentes grupos com conhecimento específico ou um conjunto de habilidades necessárias para conduzir o projeto. A estrutura dessa equipe pode variar muito, mas, em todos os casos, o líder do time é sempre o gerente de projetos, não importa que autoridade o gerente de projetos possa ter para outros membros da equipe. A equipe do projeto possui diversos papéis, dentre eles (PMBOK, 2013): » Funcionários de gerenciamento de projetos: são os membros da equipe que realizam atividades relacionadas a gerenciamento de 41 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I projetos, tais como planejamento de prazos, orçamento, comunicações, gerenciamento de riscos e suporte administrativo. » Equipe de projetos: são os membros da equipe responsáveis por conduzir as entregas do projeto. » Especialistas: realizam atividades necessárias ao desenvolvimento ou execução do projeto. As atividades incluem contratações, gerenciamento financeiro, logística, engenharia, testes e controle de qualidade. » Representantes do cliente e usuários: são os membros da organização que aceitam as entregas do projeto ou validam a aceitabilidade do produto. » Vendedores: são empresas externas que usam um acordo contratual para fornecer os componentes ou serviços necessários para o projeto. Como é um grande risco depender de partes externas para entregar o projeto, alguns membros da equipe são designados para acompanhar as entregas, ao mesmo tempo em que avaliam o grau de qualidade desses componentes. » Parceiros de negócios: são companhias externas que fazem negócios com a empresa. Composição A composição da equipe do projeto varia de acordo com fatores como cultura da organização, escopo e localização. A relação entre o gerente de projetos e a equipe varia dependendo da autoridade do gerente de projetos. Em alguns casos, o gerente de projetos pode ser o gerente funcional, tendo toda a autoridade sobre os membros. Em outros, o gerente de projetos não tem autoridade sobre a organização ou a equipe do projeto, e pode exercer o papel de gerente de projetos em tempo parcial ou sob um contrato específico que foi previamente assinado. A composição de membros na equipe de projetos pode ser de duas formas (PMBOK, 2013): » Dedicada: os membros da equipe do projeto estão alocados em tempo integral. A equipe pode ser alocada presencial ou virtualmente para trabalhar com o projeto, mas sempre se reporta ao gerente para informar as atividades desempenhadas. Essa é a estrutura mais simples para um gerente de projetos, já que a delimitação de autoridades é clara, permitindo que a equipe foque nos objetivos do projeto. 42 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS » Tempo parcial: como alguns projetos podem ter atividades extras que não foram previstas inicialmente, membros de outros times podem ser alocados temporariamente no projeto para finalizar trabalhos não previstos. O gerente funcional mantém o controle sobre os membros da equipe e os recursos alocados para o projeto. O gerente de projeto cuida de tarefas relativas à administração dele. Por causa disso, membros da equipe em tempo parcial podem estar alocados em mais de um projeto. As alocações em tempo integral e parcial podem existir em qualquer estrutura organizacional. Equipes com projetos dedicados são mais frequentes em organizações projetizadas, em quea maioria dos recursos da organização é envolvida em um projeto e os gerentes têm grande independência e autoridade. Equipes de projeto parcial são comuns em organizações funcionais, e organizações matriciais usam os dois tipos de alocação. Se um membro da equipe tem um envolvimento limitado no projeto, sua alocação pode ser classificada como de tempo parcial. A composição da equipe do projeto também pode variar de acordo com a localização geográfica dos membros da equipe. Por exemplo, os membros podem compor um time virtual. Isso acontece porque as tecnologias permitem que os indivíduos, em diferentes localizações ou países, trabalhem como uma só equipe. Nesse tipo de colaboração há uso de ferramentas virtuais colaborativas, como videoconferências, para coordenar suas atividades e trocar informações no projeto. Nesse contexto, qualquer tipo de estrutura organizacional pode ser usado. O gerente, que é responsável por esse tipo de equipe, deve lidar com diferentes culturas, horas de trabalho, condições locais e idiomas. Motivação Processos eficientes e relações sadias criam grandes oportunidades para o sucesso do projeto. Enxergar o lado pessoal dos membros da equipe é umfator primordial para o sucesso do projeto. Por isso, a principal tarefa do gerente de projetos é encorajar cada membro da equipe a estar motivado e comprometido com o sucesso do projeto. Embora a motivação seja desenvolvida por cada um, o gerente pode criar oportunidades para que ela seja desenvolvida nas pessoas que ele lidera. Os seguintes fatores encorajam uma pessoa a se tornar e continuar motivada para alcançar um objetivo (VIEIRA, 2007): » Desejo: o valor de se alcançar um objetivo. » Viabilidade: a possibilidade de se alcançar o objetivo. » Progresso: suas conquistas à medida que se trabalha para atingir um objetivo. » Recompensa: o pagamento ao se atingir uma meta. 43 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Quando o projeto encontra necessidades profissionais e pessoais em cada uma dessas áreas, o gerente fortalece o comprometimento da equipe para alcançar o sucesso do projeto. Algumas ações podem ser realizadas para motivar a equipe do projeto (PORTNY, 2013): » Aumentar o comprometimento deixando os objetivos do projeto mais claros: embora algumas pessoas consigam finalizar um projeto porque algumas pessoas a requisitaram, ela fica muito mais propensa a terminá-lo quando reconhece os benefícios desse término. Quando o gerente discute os benefícios do projeto para a equipe, ele deve refletir sobre o fato de que estes benefícios são mais importantes para a organização dele, os empregados e clientes. » Encorajar a persistência demonstrando a viabilidade do projeto: um projeto é viável quando ele é possível de ser realizado. Não importa o quanto desejável um projeto seja, se o gerente está convencido de que não pode fazer nada para levá-lo ao sucesso, ele desistirá quando encontrar as menores dificuldades, e na sequência os outros membros do projeto. O gerente não tem como garantir o sucesso, mas ele deve acreditar que ele tem uma chance razoável de alcançá-lo. » Dar feedbacks contínuos sobre o desempenho dos membros do projeto: fazer os membros da equipe apreciar o valor e a viabilidade do projeto ajuda a motivá-los inicialmente. Entretanto, se o projeto demorar mais do que algumas semanas, a equipe, inicialmente motivada, pode desanimar sem reforço contínuo vindo do gerente. Em geral, pessoas trabalhando em uma atividade particular devem saber como eles estão ao longo do tempo. » Fornecer recompensas por um trabalho bem feito: recompensar membros da equipe pelo seu esforço na conclusão do projeto confirma que eles atingiram os resultados desejados e atingiram os objetivos do cliente. Isso também reafirma que o gerente reconhece e aprecia as contribuições dos membros da equipe. Esse reconhecimento, em troca, torna mais provável que os funcionários participem de projetos futuros. Muitos psicólogos desenvolveram hierarquias de prioridade para as necessidades que motivam os membros de uma equipe para um desempenho satisfatório. Maslow foi o primeiro a identificar essas necessidades. A partir da Teoria da Motivação de Maslow, os líderes modernos e gerentes executivos encontraram meios para entender a motivação dos funcionários para efeitos de gestão da força de trabalho. De acordo com esta teoria, 44 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS o ser humano possui diversas necessidades que podem ser separadas em categorias hierarquizadas. Para motivar uma pessoa, deve-se identificar qual é a categoria mais baixa na qual ela tem uma necessidade, e suprir essas necessidades antes de pensar em outras em categorias mais altas (KERZNER, 2011). A hierarquia de Maslow é mostrada na Figura 12. Cada necessidade humana influencia na motivação e na realização do indivíduo que o faz prosseguir para outras necessidades que marcam uma pirâmide hierárquica. O primeiro nível é o de necessidades básicas ou fisiológicas, como água, comida, roupas, abrigo e satisfação sexual. De forma geral, os desejos primários do ser humano satisfazem essas necessidades básicas e motivam-no a fazer um bom trabalho. Depois de atendidos os desejos fisiológicos, o próximo nível mais baixo é a segurança. Ela inclui segurança econômica e proteção contra violências, doenças e danos. É importante que os gerentes de projeto entendam isso porque, frequentemente, quando um projeto está perto de terminar, os empregados estão mais interessados em achar novas posições no mercado para eles mesmos do que dar o melhor deles para terminar a tarefa. O próximo nível é das necessidades sociais, incluindo amor, aprovação e pertencimento a um grupo. Nesse nível, a informalidade da organização tem um papel importante. Muitas pessoas se recusam a ser promovidas em projetos porque elas têm medo de não poder pertencer a um grupo específico na organização informal. O gerente de projetos pode usar o próprio projeto como um meio de ajudar a preencher as necessidades desse nível para os empregados. Figura 12. Hierarquia de Maslow. Autor- realização Estima Social Segurança Fisiológica Fonte: adaptada de imagem extraída de http://www.bwsconsultoria.com/2011/05/hierarquia-das-necessidades-de-maslow.html. 45 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I O segundo nível mais alto é estima. A estima inclui autoestima, reputação, estima aos outros, reconhecimento e autoconfiança. Profissionais de alta capacidade técnica estão sempre insatisfeitos, a não ser que a estima deles seja preenchida. Por exemplo, muitos engenheiros se esforçam para publicar e inventar produtos e serviços para satisfazer suas necessidades. Esses indivíduos normalmente se recusam a serem promovidos a cargos de gerentes de projetos porque acreditam não poderem satisfazer essa necessidade nesta posição, pois acham que vão perder seu cargo de expert da área em que atuam. O nível mais alto é a autorrealização e inclui o que o indivíduo pode fazer da melhor forma possível, desejando usar ao máximo seu potencial, constante autodesenvolvimento e desejo para ser extremamente criativo. Muitos bons gerentes de projetos entendem que esse nível é o mais importante e consideram cada novo projeto como um desafio por meio do qual podem alcançar a atualização contínua profissional. Revise as necessidades apresentadas pela pirâmide de Maslow no link<https:// www.youtube.com/watch?v=6TXXeU8iuSg>. A partir daí, pense como esta teoria pode ser usada entre os componentes do seu grupo de trabalho. Na sequência, responda às seguintes perguntas: » Existe alguma necessidade fisiológica ou de segurança que não está sendo atendida? » Quais necessidades sociais e de estima são aceitas? » Você conhecealguém que chegou ao nível da autorrealização? 46 CAPÍTULO 3 O Guia PMBOK Objetivo geral O guia PMBOK fornece um guia de como gerenciar projetos e define conceitos relacionados ao Gerenciamento de Projetos. Ele é considerado a base de conhecimento sobre gerenciamento de projetos por profissionais da área (PMBOK, 2013). Além disso, ele é um guia promovido pelo PMI, uma das organizações em Gerenciamento de Projetos mais conceituadas no mercado. Essa organização estabelece padrões, promove seminários, programas educacionais e organiza certificações profissionais na área. Maiores informações sobre esse órgão podem ser encontradas no Capítulo 1 deste material. Dentre outras informações, o guia PMBOK descreve o ciclo de vida do projeto e seus processos relacionados. Para isso, o guia contém um padrão, que é um documento formal que descreve normas, métodos, processos e práticas estabelecidas. Assim como em outras profissões, o conhecimento contido nesse padrão evoluiu de boas práticas realizadas por praticantes de gerenciamento de projetos que contribuíram para desenvolver esse padrão. A aceitação do gerente de projetos como uma profissão indica a aplicação de conhecimento, processos, estratégias, ferramentas e técnicas que têm grande impacto sobre o sucesso do projeto. O guia PMBOK identifica boas práticas. Uma boa prática é um consenso geral de que a aplicação dos conhecimentos, ferramentas, técnicas e habilidades pode melhorar as chances de sucesso de muitos projetos. A estrutura do PMBOK está de acordo com a norma ISSO 21500, que é um padrão internacional para Gerenciamento de Projetos criado em 2007 e atualizado em 2012 pelo International Organization for Standandization (ISO). Esse guia foi desenvolvido para fornecer um guia genérico, explicando os princípios básicos do que constitui as boas práticas de Gerenciamento de Projetos. Além de reunir as boas práticas, o PMBOK fornece um vocabulário comum dentro da área de gerenciamento de projetos para usar e aplicar os conceitos dessa área. Um guia para um código de ética também é promovido pelo PMBOK. Nele, é detalhada a conduta profissional que descreve as expectativas que os praticantes devem tomar para si e para os outros. Esse código trata das obrigações de responsabilidade, respeito, justiça 47 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I e honestidade. Por isso, ele requer que os praticantes demonstrem comprometimento para a conduta ética e profissional. Como os praticantes do PMBOK vêm de diversas áreas e culturas, essa conduta deve ser aplicada globalmente. O PMBOK vem sendo mantido pelo PMI desde 1996, quando a primeira edição foi lançada e, desde então, vem publicando uma nova edição a cada quatro anos. A segunda edição veio no ano 2000. Em 2004, a terceira edição do guia foi lançada com várias mudanças. Na sequência, a quarta edição foi lançada em 2008. Em 2013, a quinta edição foi lançada e esta é a versão mais atualizada desde então. Há traduções disponíveis em diversos idiomas, como japonês, inglês, italiano e português. Além do guia de Gerenciamento de Projetos de forma genérica, o PMBOK define outras extensões. São elas: » Extensão para Construção – Construction Extension to the PMBOK Guide– 3ª edição (em inglês). » Extensão para Governo – Government Extension to the PMBOK Guide– 3ª edição (em inglês). O PMBOK também define padrões específicos ao Guia PMBOK. São eles: » Padrão para Gerenciamento de Programa –The Standard for Program Management– 2ª edição (em inglês). » Padrão para Gerenciamento de Portfólio–The Standard for Portfolio Management– 3ª edição (em inglês). » Modelo de Maturidade para Gerenciamento de Projetos Organizacionais – Organizational Project Management Maturity Model (OPM3®) – 2ª edição (em inglês). Qual a importância do PMI, PMBOK e as certificações em Gerenciamento de Projetos? Assista ao vídeo <https://www.youtube.com/watch?v=AwNlLFMqxis> explicando como se firmar na área de Gerenciamento de Projetos. A seguir, responda às questões: » Qual a importância do PMI no mercado? » Como expandir a rede de relacionamentos nesta área por meio do voluntariado? » Quais os tipos de certificação disponíveis? 48 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Áreas de conhecimento O PMBOK é um guia multidisciplinar e, por isso, ele relaciona como categorizar os diferentes aspectos do projeto. As áreas de conhecimento representam um conjunto completo de conceitos, termos e atividades que compõem um campo profissional, campo de Gerenciamento de Projetos ou área de especialização. Essas áreas são usadas de forma adequada para cada projeto, podendo incluir outras áreas de necessidade (PMBOK, 2013). Cada área de conhecimento é feita a partir de um conjunto de processos em que cada um transforma entradas em saídas a partir de ferramentas ou técnicas pertencentes ao conjunto de boas práticas. Esses processos permitem que as funções do Gerenciamento de Projetos sejam atingidas, guiando o projeto ao sucesso. As áreas de conhecimento são requisitos de conhecimento descritos em termos de processos com suas práticas, entradas, saídas, ferramentas e técnicas. As áreas de conhecimento são organizadas por seus papéis no projeto. Por exemplo, as áreas principais são consideradas os pilares do projeto. Mudar um aspecto de uma área principal vai implicar mudanças imediatas em outras áreas principais. Por exemplo, se um projeto é modificado para incluir uma funcionalidade, então o tempo, o custo e, talvez, os fatores de qualidade vão precisar ser ajustados para acomodar essas mudanças. As áreas básicas são escopo, custo, prazo, tempo, qualidade e riscos. Em contrapartida, algumas áreas de conhecimento são complementares para o sucesso do projeto, mas não são básicas. Essas são chamadas facilitadoras, a saber: comunicação, recursos humanos, partes interessadas e aquisições. Por último, existe uma área chamada integração, que é responsável por integrar todas as outras áreas. A Figura 13 mostra a relação entra as áreas básicas e facilitadores da 5ª edição do guia PMBOK. Figura 13. Áreas da 5ª edição do guia PMBOK. Fonte: <http://www.mhavila.com.br/topicos/gestao/pmbok.html>. 49 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I A área de partes interessadas foi criada somente na 5ª edição do guia PMBOK. No entanto, como informado no Capítulo 6 (identificação de partes interessadas), os stakeholders do projeto têm papel fundamental no sucesso do projeto, uma vez que eles aprovam as entregas do projeto e são responsáveis por fornecer recursos usados pelo projeto. Com a adição de uma área específica para reunir boas práticas de Gerenciamento de Projetos direcionadas às partes interessadas, a 5ª edição do guia PMBOK torna-se compatível com a norma ISO 21500, considerada um padrão para a área de Gerenciamento de Projetos. A Tabela 1 mostra as áreas de conhecimento do PMBOK ao longo das duas últimas edições do guia e a correspondência de áreas com relação à norma ISO 21500. Tabela 1. Áreas da 4ª e 5ª edições do PMBOK e da ISO 21500 (versão 2013). Guia PMBOK 4ª Edição (2007) ISO 21500 (2013) Guia PMBOK 5ª Edição (2013) 1. Integração 2. Escopo 3. Tempo 4. Custo 5. Qualidade 6. Recursos Humanos 7. Comunicações 8. Riscos 9. Aquisições 1. Integração 2. Escopo 3. Tempo 4. Custo 5. Qualidade 6. Recursos 7. Comunicações 8. Riscos 9. Aquisições 10. Partes Interessadas 1. Integração 2. Escopo 3. Tempo 4. Custo 5. Qualidade 6. Recursos Humanos 7. Comunicações 8. Riscos 9. Aquisições 10. Partes Interessadas Processos de gestão de projetos Os processos são agrupados em várias situações na indústria. As boas práticas que os guiam mostramque existe um senso comum de como conduzi-los para entregar o serviço ou produto ao cliente ao final do projeto. Para cada projeto, o gerente de projetos e a equipe do projeto são responsáveis por determinar quais processos são mais apropriados para cada etapa do projeto e o grau apropriado de rigor para cada processo. Grupos de processos Os projetos existem em uma organização e trabalham em conjunto para o bem da organização. Eles requerem entradas de outros setores e entregam resultados em retorno. Os processos do projeto podem geram informações para melhorar o gerenciamento de futuros projetos e ativos de processos organizacionais. O PMBOK descreve os processos em termos da integração entre os processos, suas interações e seus objetivos. Os processos de Gerenciamento de Projetos são agrupados em cinco categorias conhecidas como Grupos de Processos de Gerenciamento de 50 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Projetos (ou grupos de processos): iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle e encerramento (PMBOK, 2013). A aplicação do grupo de processos é feita de forma iterativa, seguindo o ciclo de vida iterativo e incremental. Por isso, a natureza integrativa do gerenciamento de projetos requer que o grupo de monitoramento e controle interaja com outros grupos de processo, ocorrendo ao mesmo tempo em que os outros grupos. Com isso, o grupo de monitoramento e controle é visto como um processo de background, que é executado concorrentemente com os grupos de processos de iniciação, planejamento, execução e encerramento. No início do projeto ou fase, a etapa de monitoramento e controle dos processos é iniciada e continua até o projeto produzir o produto ou serviço requisitado. Essa etapa começa com o grupo de processos de iniciação, que gera resultados consumidos pelo grupo de processos de planejamento. Depois da primeira execução do grupo de planejamento ocorre a execução e os resultados planejados são confrontados com os resultados executados. Se os dois não estiverem em concordância, o planejamento e a execução são ajustados de forma a convergirem e uma nova execução é realizada. Caso contrário, o stakeholder dá o aval do encerramento do projeto ou fase e o grupo de processos de encerramento é executado. A Figura 14 mostra como os grupos de processos são organizados entre si. Figura 14. Grupos de processos de Gerenciamento de Projetos. Fonte: PMBOK (2013). O grupo de processos de iniciação define um novo projeto ou fase de um projeto existente por meio da obtenção de autorização do início do projeto ou fase. O escopo inicial e os recursos financeiros são definidos e os stakeholders que interagem e influenciam o resultado do projeto são identificados. O início do projeto é marcado pela criação do termo de abertura do projeto, que dá responsabilidades ao gerente do projeto, define quem são os stakeholders, define os objetivos e o orçamento inicial. O objetivo-chave desse grupo de processos é alinhar as expectativas dos stakeholders com o propósito do projeto, definir o escopo e objetivos iniciais, mostrar como a participação deles no 51 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I projeto e suas fases associadas podem garantir que suas expectativas sejam alcançadas. Esse grupo de processos ajuda a definir a visão do projeto e o que precisa ser atingido. O grupo de processos de planejamento estabelece o escopo do projeto, refinam os objetivos e definem as ações a serem tomadas para atingir os objetivos estabelecidos no projeto. Esse grupo de processos desenvolve o plano de gerenciamento de projetos, que é uma versão detalhada do termo de abertura de projetos, e os documentos do projeto usados para análise adicional do desempenho dos processos. À medida que mais características e informações do projeto são reunidas, mais planejamento é necessário. O benefício central desse grupo de processos é delinear a estratégia e tática, assim como o curso de ações para completar o projeto com sucesso. Com esse grupo de processos bem definido, é mais provável de engajar os stakeholders. Esses processos dizem respeito ao que será feito, estabelecendo a rota e os objetivos pretendidos. O plano de gerenciamento de projetos e os documentos que serão saídas desse grupo de processos vão explorar aspectos de todas as áreas de conhecimento do PMBOK, como escopo, custos, tempo, comunicações, risco, recursos humanos e aquisições. As atualizações decorrentes de mudanças no projeto podem ter impacto significativo no plano de gerenciamento de projetos e em outros documentos do projeto. Com o uso desses documentos é possível obter grande precisão com respeito aos diversos aspectos do projeto, expressado pelas áreas de conhecimento. O grupo de processos de execução completa o trabalho definido no plano de execução do projeto para satisfazer as especificações do projeto. Esse grupo de processos envolve a coordenação de pessoas e recursos, gerenciando as expectativas dos stakeholders e as atividades de desempenho e integração do projeto em concordância com o plano de gerenciamento de projetos. Durante a execução do projeto, os resultados podem requerer um replanejamento devido a atualizações no plano. Dentre as mudanças esperadas, podem ocorrer mudanças na duração das atividades, produtividade de recursos fora do planejamento, e riscos não capturados no grupo de planejamento. O resultado dessa reanálise pode dar início a mudanças nos documentos do projeto que, quando aprovadas, podem ocasionar a mudança do plano de gerenciamento de projetos e outros documentos do projeto. O grupo de processos de monitoramento e controle rastreia, revisa e regula o progresso e desempenho do projeto, identificando em que áreas são necessárias mudanças do plano e a partir daí inicia possíveis mudanças. O objetivo principal desse grupo de processos é medir e analisar o desempenho do projeto em intervalos regulares e em condições de exceção para identificar variações no plano de gerenciamento de projetos. Esse monitoramento contínuo fornece indícios de como está a saúde do 52 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS projeto para sua equipe, sinalizando quais áreas merecem mais atenção. Com isso, é possível monitorar o desempenho do projeto como um todo. A partir da definição dos objetivos principais desse grupo de processos, suas atividades principais são: » controlar mudanças e ações preventivas e corretivas para antecipar possíveis problemas na execução do projeto; » monitorar o andamento das atividades do projeto e comparar esse resultado com o plano de gerenciamento de projetos; » monitorar os fatores que podem gerar mudanças no projeto, de forma a permitir que somente mudanças aprovadas sejam realizadas. O grupo de processos de encerramento finaliza todas as atividades ao longo dos grupos de processos para formalmente encerrar o projeto ou fase. Quando finalizado, esse grupo de processos verifica se os processos definidos estão completos de acordo com todos os grupos de processos para que o projeto ou a fase esteja formalmente encerrada. Quando o projeto não é finalizado com sucesso, o fechamento prematuro deste também é definido. Os projetos fechados prematuramente podem acontecer por diversas razões, como projetos abortados ou cancelados, ou projetos em situações críticas. Em alguns casos, os projetos finalizados sem sucesso podem ser transferidos para outras instituições, e o grupo de processos de encerramento também documenta as condições dessa transferência de responsabilidades. Por causa dos objetivos do grupo de processos de encerramento, as seguintes atividades podem ser desempenhadas: » documentar lições aprendidas e impactos no projeto; » liberar recursos do projeto; » conduzir atividades relativas aofinal do projeto e revisões finais; » obter aceitação do patrocinador para finalização formal do projeto ou fase; » atualizar os ativos de processos organizacionais; » arquivar documentos de projeto relevantes no sistema de gerenciamento de projetos usado, assim como os dados históricos do projeto. Interações entre processos Apesar de os grupos de processos serem apresentados como unidades individuais, na prática eles têm interfaces que se sobrepõem. Os processos e os grupos de processos 53 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I são guiados para aplicar o conhecimento usando boas práticas de gerenciamento de projetos, no entanto existe mais de uma forma de se gerenciar um projeto porque a interpretação dessas práticas depende da interpretação do gerente em comando, que pode ter um entendimento diferente de outro que estivesse em seu lugar. Os grupos de gerenciamento de projetos são ligados pelas entradas requeridas e saídas produzidas. A saída de uma fase ou subprojeto torna-se entrada para outro processo ou é entrega do projeto. Sendo assim, o grupo de processos de planejamento produz entradas para o grupo de processos de execução, como o plano de gerenciamento de projetos e os documentos do projeto. Devido à natureza incremental do projeto, à medida que ele é executado, são realizadas atualizações no plano de gerenciamento de projetos e nos documentos do projeto. Os grupos de processo raramente têm uma finalização e início abruptos, ocasionando o final de uma fase ser sobreposta pelo início de outra. O nível de interação de cada grupo de processos aumenta ou diminui de acordo com o tempo e com o objetivo de cada grupo. No início do projeto, o grupo de processos de iniciação tem maior interação e normalmente ela acaba antes do meio do projeto. Desde o início do projeto, o grupo de planejamento também tem um nível crescente de interação com outros grupos, gerando seu pico a um terço da execução do projeto como um todo, quando o grupo de processos de execução já foi iniciado e oferece feedbacks ao grupo de planejamento. O grupo de execução começa com o início do projeto e tem maior grau de interação na metade dele. Sendo assim, esse grupo tem um comportamento parecido do nível de interação com o grupo de monitoramento e controle. Já o grupo de encerramento tem maior nível de interação perto do final do projeto, quando as entregas foram formalmente aceitas pelos stakeholders. A Figura 15 mostra a interação entre os grupos de processos ao longo das fases ou do projeto como um todo. Figura 15. Interações entre processos ao longo do tempo. Nível de interação entre processos TEMPO Grupo de processos de iniciação Grupo de processos de planejamento Grupo de processos de execução Grupo de processos de monitoramento e controle Grupo de processos de encerramento Início Fim Fonte: PMBOK (2013). 54 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Um exemplo de interação entre grupos de processos é a geração do termo de abertura de projeto no grupo de processos de iniciação que serve como entrada para o plano de gerenciamento de projetos elaborado no grupo de processos de planejamento. Uma vez aprovado, esse plano é usado para direcionar o gerenciamento do projeto na execução do grupo de processos de execução. Ele também serve como base para o monitoramento e controle das ações do projeto. Com o projeto sendo dividido em fases, os grupos de processos são usados para guiar o projeto a ser completado com sucesso. Se o projeto tem várias fases, a repetição delas é feita até ser alcançado o critério definido para o encerramento da fase. Os processos de gerenciamento de projetos são ligados por entradas e saídas específicas. Essas entradas podem ser de vários tipos, como documentos, registros ou entregas parciais do produto ou serviço. Os documentos mencionados durante a interação entre os processos são descritos durante o estudo de cursos detalhados de cada área do PMBOK. Os relacionamentos entre os processos dependem do grupo em questão. O grupo de processos de iniciação recebe como entrada do iniciador ou patrocinador do projeto especificações de trabalho do projeto, acordos e casos de negócios. Por meio dos processos desse grupo, o registro de partes interessadas, o termo de abertura do projeto e o calendário de recursos são gerados. O grupo de processos de planejamento recebe o termo de abertura de projeto e o registro de partes interessadas. Com isso, ele produz documentos de aquisição, decisões do que fazer ou comprar, critérios para seleção de fontes e o plano de gerenciamento de projetos. O grupo de processos de execução recebe o calendário de recursos, os critérios de seleção e fontes e o plano de gerenciamento de projetos para executar os processos desse grupo e gerar entregas de solicitação de mudança, informações sobre o desempenho do trabalho e fornecedores selecionados. O grupo de processos de monitoramento e controle recebe o plano de gerenciamento de projetos, entregas, solicitações de mudança, lista de fornecedores e informações sobre o desempenho de trabalho para gerar as solicitações de mudança aprovadas, medições de controle de qualidade, relatórios de desempenho, entregas aceitas e documentos de aquisição. Finalmente, o grupo de processos de encerramento recebe as entregas aceitas e a documentação de aquisição para finalizar o projeto. A Figura 16 mostra a o fluxo de execução do grupo de processos com os resultados de cada interação. 55 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Figura 16. Interações nos processos de gerenciamento de projetos. Iniciador ou patrocinador do projeto Empresa/ organização Cliente Fornecedores Documentos do projeto Grupo de processos de iniciação Grupo de processos de planejamento Grupo de processos de execução Grupo de processos de encerramento Grupo de processos de monitoramento e controle – Especificação do trabalho do projeto – Business case – Acordos Registro das partes interessadas Termo de abertura do projeto Documentos de aquisição – Ativos de processos organizacionais – Fatores ambientais da empresa Plano de gerenciamento do projeto – Decisões de fazer ou comprar – Critérios para seleção de fontes – Solicitações de mudança aprovadas – Medições de controle de qualidade – Relatórios de desempenho – Entregas – Solicitações de mudança – Informações sobre o desempenho – Fornecedores selecionados Adjudicação do contrato de aquisição Calendários do recurso Requisitos Propostas de fornecedores Produto, serviço ou resultado final – Entregas aceitas – Documentos de aquisição Fonte: PMBOK (2013). Você consegue identificar todas as entradas e saídas que resultam interações entre os grupos de processos? Procure na internet por modelos que as representem, ou conceitos que expliquem o conteúdo delas em um projeto. Os grupos de processos agrupam processos cujo foco é definido de acordo com as áreas de conhecimento do PMBOK. Por exemplo, o processo desenvolver o termo de abertura 56 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS do projeto pertence, ao mesmo tempo, da área de gerenciamento de integração e aos grupos de processos de iniciação. Com isso, é possível mensurar o nível de interação entre os grupos de processos em diferentes áreas do projeto. A Figura 17 mostra o número de processos agrupados por área de conhecimento e grupo de processos da 5ª edição do guia PMBOK. A partir disso, é possível constatar alguns pontos interessantes. Por exemplo, o grupo de processos de planejamento tem processosem todas as áreas de conhecimento. Isso se deve ao fato de que o planejamento é fator primordial para um bom gerenciamento de projetos. Ademais, as áreas mais demandadas para os grupos de processos de planejamento são escopo, custos, riscos e tempo, sendo esta última com o maior número de processos. Na execução, a área mais demandada é recursos humanos, uma vez que as pessoas alocadas no projeto é que são responsáveis por ele. No controle e monitoramento, o escopo e a integração têm mais foco para que o produto ou serviço seja entregue corretamente e a integração dentro dos requisitos de tempo e prazo. Também é possível observar que a área de integração está presente em todos os grupos de processos, fazendo jus à sua função de agregação entre as áreas. Figura 17.Grupos de processo e áreas da 5ª edição do PMBOK. Escopo Tempo Custos Qualidade Recursos Humanos Partes Interessadas Aquisições Comunicações Riscos Integração Iniciação Planejamento Execução Controle Encerramento ∑ 1 1 1 1 4 4 2 6 7 4 3 4 4 4 6 6 472 11 8242 6 3 1 1 1 1 5 1 1 3 1 1 11 2 1 1 1 1 1 1 1 1 Fonte: Adaptada de imagem extraída de <http://www.mhavila.com.br/topicos/gestao/pmbok.html>. Ciclo de vida do projeto O ciclo de vida é dividido em fases. Uma fase é uma coleção de atividades inter-relacionadas no projeto que resultam na finalização ou uma ou mais entregas. As fases do projeto 57 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I são usadas para dividir o trabalho do projeto em partes únicas, que sempre fazem parte do projeto como um todo. No entanto, elas podem ter esforço e duração diferentes. Com o intuito de ter uma visão sistêmica do projeto, as fases são organizadas de forma sequencial, mas podem sobrepor-se em algumas situações. Por exemplo, para que uma fase gere um resultado, é necessário que a fase seguinte comece antes de seu término. A estrutura da fase permite que o projeto seja dividido em partes menores que facilite o gerenciamento, planejamento e controle do projeto. O número e grau de controle das fases dependem do tamanho, complexidade e impactos no projeto. Mesmo assim, as fases convergem nos seguintes pontos (PMBOK, 2013): » o trabalho de cada fase pertence somente a ela e é diferente para qualquer outra; » os controles e processos de cada fase são únicos e não podem ser usados em outras fases; » o encerramento da fase é finalizado por meio de um documento que estabelece aquele marco. Com isso, todos os membros do projeto sabem que eles irão trabalham em outra fase com um objetivo diferente, tendo que tomar todas as providências necessárias ao encerramento dessa fase. As fases podem ser aplicadas somente uma ou várias vezes no projeto, gerando uma relação entre elas. Quando ela é aplicada somente uma vez, os processos de iniciação, planejamento, execução e controle também são aplicados somente uma vez. Se as fases são executadas várias vezes, os processos são executados de acordo. A Figura 18 mostra um projeto de uma única fase. Figura 18. Exemplo de um projeto de fase única. Processos de monitoramento e controle Processos de iniciação Processos de planejamento Processos de execução Processos de encerramento Fonte: PMBOK (2013). A relação entre as fases ocorre quando o projeto tem várias fases e pode ser de dois tipos: sequencial e sobreposta. A relação sequencial ocorre quando uma fase começa depois 58 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS de a fase anterior terminar. Com isso, ela se torna parte de um processo sequencial que garante o controle do projeto para atingir o resultado, serviço ou produto determinado. A relação sobreposta ocorre quando uma fase começa antes de outra terminar. Isso pode requerer a execução de trabalhos em paralelo, aumentando o retrabalho devido a entregas prematuras e inexatas da fase do projeto. Características do ciclo de vida A maioria dos projetos passa por estágios similares que passam da iniciação até o término. De forma geral, ele passa pelas seguintes fases: iniciação, planejamento, execução encerramento. Na fase de iniciação, o termo de abertura de projeto é criado, definindo formalmente seu início. A partir daí, a fase de planejamento é iniciada e o gerente de projetos é selecionado e a equipe do projeto e os recursos usados são alocados, fazendo com que o trabalho do projeto seja programado. Então, a fase de execução começa e o plano de gerenciamento de projetos é criado para conter um detalhamento maior das informações contidas no termo de abertura de projeto, até o momento em que o nível de custo e pessoal chega a seu pico no projeto. Depois que as entregas são aceitas, o projeto entra em sua fase de encerramento, e os recursos começam a ser desalocados. Com isso, o nível de custos e pessoal diminui sensivelmente até o ponto de se tornar nulo. Nesse ponto, são registradas as lições aprendidas e outros documentos produzidos no projeto. A Figura 19 mostra a relação entre o tempo e o nível de pessoal e custos no projeto. Figura 19. Níveis de custo e pessoal: o longo do ciclo de vida do projeto. Saídas do gerenciamento do projeto Iniciar o projeto Termo de abertura do projeto Plano de gerenciamento do projeto Entregas aceitas Arquivamento dos documentos do projeto Organização e preparação Execução do trabalho Encerrar o projeto N ív el d e cu st os e p es so al Tempo Fonte: PMBOK (2013). O padrão de progresso devagar-rápido-devagar é comum para atingir um objetivo em projetos (MANTEL, 2011). Quando uma casa é construída, observamos esse fenômeno. 59 INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS │ UNIDADE I Para a maioria, é um resultado dos níveis de recursos usados que mudam durante os estágios sucessivos do ciclo de vida. Um esforço mínimo é necessário quando o projeto é iniciado e os conceitos iniciais são desenvolvidos. Depois, o aumento do esforço no projeto vai aumentando a porcentagem de sucesso dele. O ciclo de vida é uma estrutura contendo processos, atividades e tarefas para desenvolver um produto ou serviço desde sua iniciação até seu encerramento. Ele é dividido em quatro fases: iniciação, planejamento, execução e encerramento. Os objetivos principais do projeto são atender ao desempenho, tempo, e custos ao longo da execução do projeto. Inicialmente, o desempenho deve ser a atividade mais importante a ser pensada no projeto. Nesse momento, o foco é encontrar os métodos específicos necessários para atingir os objetivos do projeto. Esses são a tecnologia do projeto porque eles necessitam de aplicação de conhecimentos da ciência ou estado da arte de algum assunto específico, isto é, os meios de se atingir uma tarefa. Os custos de mudanças, riscos e incertezas no projeto têm papeis complementares ao longo do ciclo de vida. Inicialmente, os objetivos do projeto ainda não foram definidos, então os riscos e incertezas do projeto são muito altos, uma vez que as atividades e a metodologia para desenvolvimento do produto ou serviço ainda não foram definidas. Similarmente, já que os recursos ainda não foram alocados em fases iniciais do projeto, os custos das mudanças são baixos. À medida que o projeto vai sendo desenvolvido, o planejamento do projeto vai sendo delineado, que diminui a possibilidade de riscos e incertezas do no projeto. Acompanhando essas mudanças, os recursos vão sendo alocados e os custos derivados de quaisquer mudanças vão se tornando mais dispendiosos. A Figura 20 mostra a relação ente os custos de mudanças e riscos e incertezas no projeto. Figura 20. Custo de mudanças e riscos ao longo do ciclo de vida do projeto. Fonte:PMBOK (2013). 60 UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À GESTÃO DE PROJETOS Os ciclos de vida podem ser preditivos, iterativos e incrementais e adaptativos. Os ciclos de vida preditivos são aqueles em que o escopo, tempo e custos do projeto são determinados no início do projeto. Quando o projeto é iniciado, a equipe se concentra em definir o escopo completo do produto e do projeto, desenvolve um plano para entregar o produto e procede seguindo o planejamento para executar o que foi definido no escopo. Esse tipo de ciclo de vida é usado quando o produto a ser desenvolvido é bem entendido, quando a equipe já desenvolveu o produto bastante similar e pode predizer todos os passos do projeto ou quando o produto a ser entregue deve ser entregue de uma vez só ao cliente. No ciclo de vida iterativo e incremental, as fases do projeto são chamadas de iterações e repetem intencionalmente as atividades dos membros do projeto à medida que o produto cresce. As iterações das atividades são repetidas enquanto as atividades do projeto são desempenhadas, incrementando o produto ou serviço final. No final de cada iteração, o cliente vai tendo uma ideia mais concreta do produto final, podendo opinar sobre melhorias de funcionalidades assim que elas são entregues. Com isso, o custo de mudança vai diminuindo apesar do avanço das fases do projeto. Esse tipo de ciclo de vida é preferível quando as organizações precisam gerenciar os objetivos e escopo que mudam constantemente, para reduzir a complexidade do projeto ou quando entregas parciais são preferíveis. Projetos complexos são frequentemente executados usando essa abordagem. Os ciclos de vida adaptativos respondem a alto nível de mudanças ou alto envolvimento dos stakeholders. Eles também são iterativos e incrementais, mas suas iterações são mais rápidas do que no ciclo iterativo e incremental e são fixas em tempo e custo. Eles são usados quando é necessário lidar com rápidas mudanças em um ambiente altamente adaptativo, quando os requisitos são difíceis de alcançar ou definir e quando há a possibilidade de definir incrementos que agregarão valor ao stakeholder. 61 UNIDADE II PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Nesta Unidade são apresentados os processos de gerenciamento de integração, escopo, tempo, custos e qualidade do projeto de acordo com o PMI (2013). CAPÍTULO 1 Gerenciamento da integração do projeto O gerenciamento da integração do projeto tem como propósito gerenciar os diferentes processos e atividades existentes dentro da gestão de projetos, de modo a coordenar esses processos e atividades visando tornar a gestão mais ágil e segura. O gerenciamento da integração tem como características comunicar, consolidar, unificar e integrar tudo que é essencial para a execução do projeto do início ao fim, buscando atender os stakeholders e cumprir os requisitos do projeto. O gerenciamento da integração do projeto procura administrar escolhas sobre distribuição de recursos, lidar com os trade-offs existentes na definição de objetivos e de alternativas, e gerenciar as sobreposições entre as áreas de conhecimento do gerenciamento de projetos. Os processos de gerenciamento de projetos são apresentados externamente de forma distinta e com atividades separadas uma da outra, mas internamente ocorrem muitas intersecções entre essas atividades fazendo com que, às vezes, não seja possível detalhá-las separadamente. Os processos de gerenciamento da integração de projetos são (PMI, 2013): » Desenvolver o termo de abertura do projeto: cria formalmente o projeto, definindo as responsabilidades do gerente de projetos em relação às atividades e recursos a serem aplicados. É feito um documento autorizando a abertura do termo. » Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto: é preparado um plano integrado que inclui as linhas de base do projeto e todos os planos derivados que dão sustentação ao projeto. 62 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO » Orientar e gerenciar o trabalho do projeto: o gerente de projetos lidera e executa o trabalho definido no plano de gerenciamento do projeto e a implementação das mudanças aprovadas para atingir os objetivos do projeto. » Monitorar e controlar o trabalho do projeto: é feito todo um acompanhamento, revisão e registro para atender aos objetivos definidos no plano de gerenciamento do projeto. » Executar o controle integrado de mudanças: este processo visa revisar todas as solicitações de alteração, aprovar as mudanças e gerenciá- las até sua entrega, a documentação dos processos utilizada no projeto, documentos do projeto, o plano de gerenciamento do projeto e informar a decisão tomada em cada revisão. » Encerrar o projeto ou fase: o processo de finalização de todas as atividades de todos os grupos de processos de gerenciamento do projeto para encerrar formalmente o projeto ou a fase. O gerenciamento da integração do projeto também gerencia toda a parte de documentação para garantir a consistência da documentação, do plano de gerenciamento do projeto e entregas de produto, serviço ou capacidade. Não existe uma única maneira de gerenciar um projeto. Dependendo das contingências, os gerentes de projetos e sua equipe aplicam conhecimentos em gerenciamento de projeto, habilidades e processos necessários em uma ordem a seu critério e com severidade variada para obter o desempenho desejado do projeto. Desenvolver o termo de abertura do projeto Desenvolver o termo de abertura do projeto é o processo de desenvolver um documento que formalmente autoriza a existência de um projeto e dá ao gerente do projeto a autoridade necessária para aplicar recursos organizacionais às atividades do projeto. O principal benefício desse processo é um início de projeto e limites de projeto bem definidos, a criação de um registro formal do projeto, e uma maneira direta da direção executiva aceitar e se comprometer formalmente com o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 21. 63 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II Figura 21. Desenvolver o termo de abertura do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Especificação do trabalho do projeto 2. Business case 3. Acordos 4. Fatores ambientais da empresa 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas de facilitação Ferramentas e Técnicas 1. Termo de abertura do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O termo de abertura do projeto, principal saída desse processo, estabelece uma parceria entre a organização executora e a organização solicitante. No caso dos projetos externos, um contrato formal é normalmente a forma preferida de estabelecer um acordo. Nesse caso, a equipe do projeto torna-se o fornecedor que responde às condições de uma oferta de compra de uma entidade externa. Um termo de abertura do projeto é também usado para estabelecer acordos internos no âmbito de uma organização para garantir a entrega nos termos do contrato. O termo de abertura do projeto aprovado inicia formalmente o projeto. O gerente de projeto é identificado e designado o mais cedo possível, preferivelmente enquanto o termo de abertura está sendo desenvolvido e sempre antes do início do planejamento. O termo de abertura do projeto deve ser elaborado pela entidade patrocinadora. O termo de abertura do projeto dá ao gerente do projeto a autoridade para planejar e executar o projeto. É recomendável que o gerente do projeto participe do desenvolvimento do termo de abertura do projeto para obter uma compreensão de base dos requisitos dele. Essa compreensão permitirá a designação de recursos mais eficientes para as atividadesdo projeto. Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto é o processo de definir, preparar e coordenar todos os planos auxiliares e integrá-los a um plano de gerenciamento de projeto abrangente. O principal benefício desse processo é um documento central que define a base de todo trabalho do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 22. 64 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Figura 22. Desenvolver o plano de gerenciamento do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Termo de abertura do projeto 2. Saídas de outros processos 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas de facilitação Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O plano de gerenciamento do projeto, principal saída desse processo, define como ele é executado, monitorado, controlado e encerrado. O conteúdo do plano de gerenciamento do projeto varia dependendo da área de aplicação e complexidade do projeto. Ele é desenvolvido por meio de uma série de processos integrados até o encerramento do projeto. Esse processo resulta em um plano de gerenciamento do projeto que é progressivamente elaborado por meio de atualizações, e controlado e aprovado por meio do processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. Os projetos que existem no contexto de um programa devem desenvolver um plano de gerenciamento do projeto que seja consistente com o plano de gerenciamento do programa. Por exemplo, se o plano de gerenciamento do programa indicar que todas as mudanças que excederem um custo especificado devem ser revistas pelo comitê de controle de mudanças (CCM), esse limiar de processo e custo deve, então, ser definido no plano de gerenciamento do projeto. Orientar e gerenciar o trabalho do projeto Orientar e gerenciar o trabalho do projeto é o processo de liderança e realização do trabalho definido no plano de gerenciamento do projeto e implementação das mudanças aprovadas para atingir os objetivos dele. O principal benefício desse processo é o fornecimento do gerenciamento geral do trabalho do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 23. Figura 23. Orientar e gerenciar o trabalho do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Solicitações de mudança aprovadas 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Sistema de informações de gerenciamento de projetos 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Entregas 2. Dados de desempenho do trabalho 3. Solicitações de mudança 4. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 5. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 65 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II O processo “Orientar e Gerenciar o Trabalho do Projeto” também requer a análise do impacto de todas as mudanças no projeto e a implementação das mudanças aprovadas: » Ação corretiva: uma atividade intencional que realinha o desempenho dos trabalhos do projeto com o plano de gerenciamento do projeto; » Ação preventiva: uma atividade intencional para garantir que o trabalho futuro do projeto esteja alinhado com o plano de gerenciamento do projeto; e /ou » Reparo de defeito: uma atividade intencional para modificar um produto ou componente do produto não conforme; » Atualizações: mudanças em documentações, planos etc. do projeto, formalmente controlados, para refletir ideias ou conteúdos modificados ou adicionais. Dentre as saídas desse processo estão: » Entrega: qualquer produto, resultado ou capacidade singular e verificável para realizar um serviço cuja execução é exigida para concluir um processo, uma fase ou um projeto. As entregas são normalmente componentes tangíveis realizados para cumprir os objetivos do projeto e podem incluir elementos do plano de gerenciamento do projeto. » Dados de desempenho do trabalho: são observações e medições em estado bruto identificadas durante a execução das atividades para a realização dos trabalhos do projeto. Os dados são frequentemente vistos como o nível mais baixo de detalhe de onde as informações são extraídas por outros processos. Os dados são coletados por meio da execução do trabalho e passados para os processos de controle de cada área de processo para análise adicional. » Solicitações de mudança: uma solicitação de mudança é uma proposta formal para modificar qualquer documento, entrega, ou linha de base. Uma solicitação de mudança aprovada substituirá o respectivo documento, entrega ou linha de base, e pode resultar em atualização de outras partes do plano de gerenciamento do projeto. Quando são encontrados problemas enquanto o trabalho do projeto está sendo executado, são apresentadas solicitações de mudança que podem modificar políticas ou procedimentos, escopo, custo ou orçamento, cronograma ou qualidade do projeto. Outras solicitações de mudança abrangem ações preventivas ou corretivas necessárias para prevenir impactos negativos posteriores 66 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO no projeto. Solicitações de mudança podem ser diretas ou indiretas, iniciadas externa ou internamente, e podem ser opcionais ou legalmente/ contratualmente obrigatórias. Monitorar e controlar o trabalho do projeto Monitorar e controlar o trabalho do projeto é o processo de acompanhamento, análise e registro do progresso para atender aos objetivos de desempenho definidos no plano de gerenciamento do projeto. O principal benefício desse processo é permitir que as partes interessadas entendam a situação atual do projeto, os passos tomados e as previsões do orçamento, cronograma e escopo. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 24. O monitoramento é um aspecto do gerenciamento executado do início ao término do projeto. Ele inclui coleta, medição e distribuição das informações de desempenho e avaliação das medições e tendências para efetuar melhorias no processo. O monitoramento contínuo fornece à equipe de gerenciamento uma compreensão clara da saúde do projeto, identificando quaisquer áreas que possam requerer atenção especial. O controle inclui a determinação de ações corretivas ou preventivas, ou o replanejamento e acompanhamento dos planos de ação para determinar se as ações tomadas resolveram o problema de desempenho. Figura 24. Monitorar e controlar o trabalho do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Previsões de cronograma 3. Previsões de custos 4. Mudanças validadas 5. Informações sobre o desempenho do trabalho 6. Fatores ambientais da empresa 7. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas analíticas 3. Sistema de informações de gerenciamento de projetos 4. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Solicitações de mudança 2. Relatórios de desempenho do trabalho 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Dentre as saídas desse processo estão as solicitações de mudança como resultado das comparações dos resultados planejados com os reais e os relatórios de desempenho do trabalho que são a representação física ou eletrônica das informações de desempenho do trabalho compiladas em documentos do projeto para suportardecisões, ações, ou criar conscientização. 67 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II Realizar o controle integrado de mudanças Realizar o controle integrado de mudanças é o processo de revisar todas as solicitações de mudança, aprovar as mudanças e gerenciar as mudanças sendo feitas nas entregas, ativos de processos organizacionais, documentos do projeto e no plano de gerenciamento do projeto, e comunicar a disposição deles. Ele revisa todas as solicitações de mudança ou modificações nos documentos do projeto, entregas, linhas de base ou no plano de gerenciamento do projeto, e aprova ou rejeita as mudanças. O principal benefício desse processo é permitir que as mudanças documentadas no âmbito do projeto sejam consideradas de forma integrada, reduzindo os riscos do projeto que frequentemente resultam das mudanças feitas sem levar em consideração os objetivos ou planos gerais do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 25. Figura 25. Realizar o controle integrado de mudanças: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Relatórios de desempenho do trabalho 3. Solicitações de mudança 4. Fatores ambientais da empresa 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Reuniões 3. Ferramentas de controle de mudanças Ferramentas e Técnicas 1. Solicitações de mudança aprovadas 2. Registro das mudanças 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Esse processo é conduzido do início ao término do projeto, e é de responsabilidade final do gerente de projetos. O plano de gerenciamento do projeto, a especificação do escopo do projeto e outras entregas são mantidas por meio do gerenciamento cuidadoso e contínuo das mudanças, pela rejeição ou aprovação destas, assegurando, assim, que somente as mudanças aprovadas sejam incorporadas à linha de base revisada. As mudanças podem ser solicitadas por qualquer parte interessada envolvida no projeto. Embora possam ser iniciadas verbalmente, tais mudanças devem ser sempre registradas por escrito e lançadas no sistema de gerenciamento de mudanças e/ou no sistema de gerenciamento de configurações. As solicitações de mudança estão condicionadas ao processo especificado nos sistemas de controle de mudanças e de configuração. Esses processos de solicitação de mudança podem requerer informações sobre impactos estimados no tempo e custos. Dentre as saídas desse processo estão as solicitações de mudança aprovadas e o registro das mudanças, o qual é usado para documentar as modificações que 68 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO ocorrem durante o projeto. Essas mudanças e seu impacto no projeto em termos de tempo, custo e risco são comunicadas às partes interessadas apropriadas. As solicitações de mudança rejeitadas são também captadas no registro das mudanças. Encerrar o projeto ou fase Encerrar o projeto ou fase é o processo de finalização de todas as atividades de todos os grupos de processos de gerenciamento do projeto para encerrar formalmente o projeto ou a fase. O principal benefício desse processo é o fornecimento de lições aprendidas, o encerramento formal do trabalho do projeto e a liberação dos recursos organizacionais para utilização em novos empreendimentos. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 26. Figura 26. Encerrar o projeto ou fase: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Entregas aceitas 3. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas analíticas 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Transição do produto, serviço ou resultado final 2. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Durante o encerramento do projeto, o gerente do projeto deve revisar todas as informações prévias dos encerramentos de fases anteriores, assegurando que todo o trabalho do projeto está completo e que este alcançou seus objetivos. Já que o escopo do projeto é medido em comparação com o plano de gerenciamento, o gerente do projeto deve revisar a linha de base do escopo para garantir a conclusão antes de considerar o projeto encerrado. O processo “Encerrar o Projeto ou Fase” também estabelece os procedimentos para investigar e documentar os motivos de ações realizadas se o projeto for encerrado antes da sua conclusão. Para que consiga isso com sucesso, o gerente do projeto precisa envolver todas as partes interessadas apropriadas no processo. Isso inclui todas as atividades planejadas necessárias para administrar o encerramento do projeto ou de uma fase, inclusive metodologias no estilo passo a passo que abordam as: » ações e atividades necessárias para atender aos critérios de conclusão ou de saída para a fase ou projeto; » ações e atividades necessárias para transferir os produtos, serviços ou resultados do projeto para a próxima fase ou para produção e/ou operações; e 69 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II • atividades necessárias para coletar registros do projeto ou da fase, auditar o projeto quanto ao seu êxito ou fracasso, coletar lições aprendidas e arquivar informações do projeto para o uso futuro da organização. 70 CAPÍTULO 2 Gerenciamento do escopo e do tempo do projeto Gerenciamento do escopo O gerenciamento do escopo do projeto define os processos necessários para certificar que o projeto seja completado com êxito. O gerenciamento do escopo do projeto está relacionado com aquilo que está inserido no projeto, separando do que não está inserido. Os processos de gerenciamento do escopo do projeto são: » Planejar o gerenciamento do escopo: é criado um processo documentado do plano de gerenciamento do escopo do projeto. » Coletar os requisitos: definição, documentação e gerenciamento dos requisitos dos stakeholders a fim de atender aos objetivos do projeto. » Definir o escopo: uma descrição pormenorizada do projeto e do produto, serviço ou resultado que será gerado. » Criar a Estrutura Analítica do Projeto (EAP): o processo de subdivisão das entregas e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis. » Validar o escopo: todas as entregas do projeto, quando realizadas, precisam ser aprovadas e registradas para verificar se atende aos requisitos contidos no plano de gerenciamento do escopo do projeto. » Controlar o escopo: existe um processo de controle e acompanhamento das alterações e, quando necessário, das linhas de base do escopo. No contexto do projeto, o termo escopo pode se referir ao: » escopo do produto: as características e funções que caracterizam um produto, serviço ou resultado e/ou » Escopo do projeto: o trabalho que deve ser realizado para entregar um produto, serviço ou resultado com as características e funções especificadas. O termo escopo do projeto, às vezes, é visto como incluindo o escopo do produto. 71 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II Os processos usados para gerenciar o escopo do projeto, bem como as ferramentas e técnicas de suporte, podem variar por projeto. A linha de base do escopo para o projeto é a versão aprovada da especificação do escopo do projeto, da estrutura analítica do projeto (EAP), e o respectivo dicionário da EAP. Uma linha de base só pode ser alterada por meio de procedimentos formais de controle de mudança e é usada como uma base de comparação durante a execução dos processos “Validar o Escopo” e “Controlar o Escopo”, bem como outros processosde controle. A conclusão do escopo do projeto é medida em relação ao plano de gerenciamento do projeto. Os processos de gerenciamento do escopo do projeto precisam estar bem integrados aos das outras áreas de conhecimento para que o trabalho do projeto resulte na entrega do escopo do produto especificado. Planejar o gerenciamento do escopo Planejar o gerenciamento do escopo é o processo de criar um plano de gerenciamento do escopo do projeto que documenta como tal escopo será definido, validado e controlado. O principal benefício desse processo é o fornecimento de orientação e instruções sobre como o escopo será gerenciado ao longo de todo o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 27. Figura 27. Planejar o gerenciamento do escopo: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Termo de abertura do projeto 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Plano de gerenciamento dos requisitos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O plano de gerenciamento do escopo é a principal saída desse processo. Ele é um componente do plano de gerenciamento do projeto ou do programa que descreve como o escopo será definido, desenvolvido, monitorado, controlado e verificado. O desenvolvimento do plano de gerenciamento e o detalhamento do escopo do projeto têm início com a análise das informações contidas no termo de abertura do projeto, os últimos planos auxiliares aprovados do plano de gerenciamento do projeto, as informações históricas contidas nos ativos de processos organizacionais, e quaisquer outros fatores ambientais da empresa que sejam relevantes. 72 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Os componentes de um plano de gerenciamento de escopo incluem: » o processo de preparação da especificação detalhada do escopo do projeto; » o processo que habilita a criação da EAP a partir da especificação do escopo do projeto detalhada; » o processo que estabelece como a EAP será mantida e aprovada; » o processo que especifica como será obtida a aceitação formal das entregas do projeto concluídas e » o processo para controlar como as solicitações de mudança na especificação do escopo do projeto detalhada serão processadas. Esse processo está diretamente ligado ao processo “Executar o Controle Integrado de Mudanças” (Seção 4.5). O plano de gerenciamento do escopo pode ser formal ou informal, amplamente estruturado ou altamente detalhado, com base nas necessidades do projeto. Outra saída desse processo é o plano de gerenciamento dos requisitos. Esse é um componente do plano de gerenciamento do projeto que descreve como os requisitos serão analisados, documentados e gerenciados. Os componentes do plano de gerenciamento dos requisitos podem incluir, mas não estão limitados, a: » como as atividades dos requisitos serão planejadas, rastreadas e relatadas; » atividades de gerenciamento da configuração, tais como: a maneira como as mudanças do produto serão iniciadas, como os impactos serão analisados, rastreados, monitorados e relatados, assim como os níveis de autorização necessários para aprovar tais mudanças; » processo de priorização dos requisitos; » métricas do produto que serão usadas e os argumentos que justificam o seu uso e » estrutura de rastreabilidade que reflita que atributos dos requisitos serão capturados na matriz de rastreabilidade. Coletar os requisitos Coletar os requisitos é o processo de determinar, documentar e gerenciar as necessidades e requisitos das partes interessadas a fim de atender aos objetivos do projeto. O principal 73 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II benefício desse processo é o fornecimento da base para definição e gerenciamento do escopo do projeto, incluindo o escopo do produto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 28. Figura 28. Coletar requisitos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Plano de gerenciamento dos requisitos 3. Plano de gerenciamento das partes interessadas 4. Termo de abertura do projeto 5. Registro das partes interessadas Entradas 1. Entrevistas 2. Grupos de discussão 3. Oficinas facilitadas 4. Técnicas de criatividade em grupo 5. Técnicas de tomada de decisão em grupo 6. Questionários e pesquisas 7. Observações 8. Protótipos 9. Benchmarking 10. Diagramas de contexto 11. Análise dos documentos Ferramentas e Técnicas 1. Documentação dos requisitos 2. Matriz de rastreabilidadedos requisitos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O sucesso do projeto é diretamente influenciado pelo envolvimento ativo das partes interessadas na descoberta e decomposição das necessidades em requisitos, e pelo cuidado tomado na determinação, documentação e gerenciamento dos requisitos do produto, serviço ou resultado do projeto. Os requisitos incluem condições ou capacidades que devem ser atendidas pelo projeto ou estar presentes no produto, serviço ou resultado para cumprir um acordo ou outra especificação formalmente imposta. Os requisitos incluem as necessidades quantificadas e documentadas e as expectativas do patrocinador, cliente e outras partes interessadas. Esses requisitos precisam ser obtidos, analisados e registrados com detalhes suficientes para serem incluídos na linha de base do escopo e medidos uma vez que a execução do projeto se inicie. Muitas organizações agrupam os requisitos em vários tipos, tais como soluções de negócios e técnicas, referindo-se a primeira refere às necessidades das partes interessadas e a última a como essas necessidades serão implementadas. Os requisitos podem ser agrupados em classificações que permitam refinamento e detalhamento posteriores à medida que eles são elaborados. Estas classificações incluem: » necessidades de negócios, que descrevem as necessidades de nível mais alto da organização como um todo, tais como as questões ou oportunidades de negócios e as razões porque um projeto foi empreendido; 74 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO » requisitos das partes interessadas, que descrevem as necessidades de uma parte interessada ou de um grupo de partes interessadas; » requisitos de solução, que descrevem os atributos, funções e características do produto, serviço ou resultado que atenderão aos requisitos do negócio e das partes interessadas. Os requisitos de solução são ainda agrupados em requisitos funcionais e não funcionais: › os requisitos funcionais descrevem os comportamentos do produto. Exemplos incluem os processos, dados e as interações com o produto; › os requisitos não funcionais complementam os requisitos funcionais e descrevem as condições ou qualidades ambientais requeridas para que o produto seja eficaz. Exemplos incluem: confiabilidade, segurança, desempenho, cuidados, nível de serviço, suportabilidade, retenção/descarte etc. » requisitos de transição descrevem as capacidades temporárias, tais como os requisitos de conversão de dados e de treinamento necessários à transição do estado atual de “como está” ao estado futuro de “como será”; » os requisitos de projeto, que descrevem as ações, processos, ou outras condições que devem ser cumpridas pelo projeto; » os requisitos de qualidade, que capturam quaisquer condições ou critérios necessários para validar a conclusão bem-sucedida de uma entrega de projeto ou o cumprimento de outros requisitos do projeto. As principais saídas desseprocesso são a documentação de requisitos e a matriz de rastreabilidade dos requisitos. A documentação dos requisitos descreve como os requisitos individuais atendem às necessidades do negócio para o projeto. Os requisitos podem começar em um alto nível e tornarem-se progressivamente mais detalhados conforme mais informações sobre esses são conhecidas. Antes de as linhas de base serem estabelecidas, os requisitos devem ser não ambíguos (mensuráveis e passíveis de testes), rastreáveis, completos, consistentes e aceitáveis para as principais partes interessadas. O formato de um documento de requisitos pode variar de uma simples lista categorizada por partes interessadas e prioridades a formas mais elaboradas contendo um resumo executivo, descrições detalhadas e anexos. A matriz de rastreabilidade de requisitos é uma tabela que liga os requisitos de produto desde as suas origens até as entregas que os satisfazem. A utilização de uma matriz 75 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II de rastreabilidade ajuda a garantir que cada requisito adiciona valor de negócio por meio da sua ligação aos objetivos de negócio e aos objetivos do projeto. Ela fornece um meio de rastreamento do início ao fim do ciclo de vida do projeto, ajudando a garantir que os requisitos aprovados na documentação sejam entregues no final do projeto. Finalmente, ela fornece uma estrutura de gerenciamento das mudanças do escopo do produto. Os atributos associados a cada requisito devem ser registrados na matriz de rastreabilidade de requisitos. Esses atributos auxiliam a definição de informações- chave a respeito do requisito. Os atributos típicos usados na matriz de rastreabilidade dos requisitos podem incluir: um identificador único, uma descrição textual do requisito, os argumentos para sua inclusão, proprietário, fonte, prioridade, versão, status atual (se está ativo, cancelado, adiado, adicionado, aprovado, designado, concluído) e a data do status. Atributos adicionais para garantir que o requisito satisfaça às partes interessadas podem incluir estabilidade, complexidade e critérios de aceitação. A Tabela 2 fornece um exemplo de matriz de rastreabilidade de requisitos com seus atributos associados. Tabela 2. Exemplo de uma matriz de rastreabilidade de requisitos. Nome do projeto: Centro de custo: Descrição do projeto: ID ID associado Descrição dos requisitos Necessidades do negócio, suas oportunidades, metas e objetivos Objetivos do projeto Entregas de EAP Design de produto Desenvolvimento do produto Casos de teste 001 1.0 1.1 1.2 1.2.1 002 2.0 2.1 2.1.1 003 3.0 3.1 3.2 004 4.0 005 5.0 Fonte: PMBOK (2013). 76 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Definir o escopo Definir o escopo é o processo de desenvolvimento de uma descrição detalhada do projeto e do produto. O principal benefício desse processo é que ele descreve os limites do projeto, serviços ou resultados ao definir quais dos requisitos coletados serão incluídos e quais serão excluídos do escopo do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 29. Figura 29. Definir o escopo: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Termo de abertura do projeto 3. Documentação dos requisitos 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Análise de produto 3. Geração de alternativas 4. Oficinas facilitadas Ferramentas e Técnicas 1. Declaração do escopo do projeto 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Já que todos os requisitos identificados no processo “Coletar Requisitos” podem não estar incluídos no projeto, o processo “Definir o Escopo” seleciona os requisitos finais do projeto a partir da documentação de requisitos entregue durante o processo “Coletar Requisitos”. Em seguida, define uma descrição detalhada do projeto e produto, do serviço ou resultado. A preparação detalhada da especificação do escopo é crítica para o sucesso do projeto e baseia-se nas entregas principais, premissas e restrições que são documentadas durante a iniciação do projeto. Durante o planejamento do projeto, o seu escopo é definido e descrito com maior especificidade conforme as informações a respeito do projeto são conhecidas. Os riscos existentes, premissas e restrições são analisados para verificar sua integridade e acrescentados ou atualizados conforme necessário. O processo “Definir o Escopo” pode ser altamente iterativo. Em projetos de ciclo de vida iterativo, será desenvolvida uma visão de alto nível para o projeto em geral, mas o escopo detalhado é determinado em uma iteração de cada vez e o planejamento detalhado para a iteração seguinte é executado à medida que o trabalho no escopo do projeto e entregas atuais avança. A especificação do escopo do projeto é a descrição do escopo deste, das principais entregas, premissas e restrições. A especificação do escopo do projeto documenta todo o escopo, incluindo o escopo do projeto e do produto. Ela descreve detalhadamente 77 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II as entregas do projeto e o trabalho necessário para criá-las. Ela fornece também um entendimento comum do escopo do projeto entre as partes interessadas. Pode conter exclusões explícitas do escopo que podem auxiliar o gerenciamento das expectativas das partes interessadas. Possibilita que a equipe do projeto realize um planejamento mais detalhado, orienta o trabalho dela durante a execução e fornece a linha de base para avaliar se as solicitações de mudança ou trabalho adicional estão contidas no escopo ou são externos aos limites do projeto. A especificação detalhada do escopo do projeto inclui, seja diretamente ou por referência a outros documentos, o seguinte: » Descrição do escopo do produto: elabora progressivamente as características do produto, serviço ou resultado descritos no termo de abertura do projeto e na documentação dos requisitos. » Critérios de aceitação: um conjunto de condições a serem satisfeitas antes da aceitação das entregas. » Entrega: qualquer produto, resultado ou capacidade para realizar um serviço único e verificável e cuja execução é exigida para concluir um processo, uma fase ou um projeto. As entregas também incluem os resultados auxiliares, tais como relatórios e documentação de gerenciamento do projeto. Essas entregas podem ser descritas em nível conciso ou em grande detalhe. » Exclusão do projeto: identifica de modo geral o que é excluído do projeto. Declarar explicitamente o que está fora do escopo do projeto ajuda no gerenciamento das expectativas das partes interessadas. » Restrições: um fator limitador que afeta a execução de um projeto ou processo. As restrições identificadas com a declaração do escopo do projeto listam e descrevem as restrições ou limitações internas e externas específicas associadas com o escopo do projeto que afetam a execução dele como, por exemplo, um orçamento pré-definido ou quaisquer datas impostas ou marcos do cronograma comunicados pelo cliente ou pela organização executora. Quando um projeto é feito sob contrato, as cláusulas contratuais geralmente serão restrições. Informações sobre as restrições podem ser listadas na declaração do escopo do projeto ou em um registro separado. » Premissas: um fator do processo de planejamento considerado verdadeiro, real ou certo, desprovido de prova ou demonstração. Também descreve o impacto potencial desses fatores se forem comprovados como falsos. 78 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTODE PROJETO As equipes de projetos frequentemente identificam, documentam e validam as premissas como parte do seu processo de planejamento. Informações sobre as premissas podem ser listadas na declaração do escopo do projeto ou em um registro separado. Embora o termo de abertura do projeto e a especificação do escopo do projeto sejam, às vezes, percebidos como contendo certo grau de redundância, eles diferem no nível de detalhe contido em cada um. O termo de abertura do projeto contém informações de alto nível, e a especificação do escopo do projeto contém uma descrição detalhada dos elementos do escopo. Esses elementos são elaborados progressivamente ao longo de todo o projeto. Criar a Estrutura Analítica do Projeto (EAP) Criar a EAP é o processo de subdivisão das entregas e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis. O principal benefício desse processo é o fornecimento de uma visão estruturada do que deve ser entregue. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 30. Figura 30. Criar a estrutura analítica do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Declaração do escopo do projeto 3. .Documentação dos requisitos 4. Fatores ambientais da empresa 5. .Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Decomposição 2. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Linha de base do escopo 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). A EAP é uma decomposição hierárquica do escopo total do trabalho a ser executada pela equipe do projeto a fim de alcançar os objetivos do projeto e criar as entregas requeridas. A EAP organiza e define o escopo total do projeto e representa o trabalho especificado na atual declaração do escopo do projeto aprovada. O trabalho planejado é contido nos componentes de nível mais baixo da EAP, que são chamados de pacotes de trabalho. Um pacote de trabalho pode ser usado para agrupar as atividades em que o trabalho é agendado, tem seu custo estimado, monitorado e controlado. No contexto da EAP, o trabalho refere-se a produtos de trabalho ou entregas que são o 79 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II resultado da atividade e não a atividade propriamente dita.Uma parte de uma EAP com alguns ramos decompostos até o nível de pacote de trabalho é mostrada na Figura 31. Para informações específicas a respeito da EAP, consulte The Practice Standard for Work Breakdown Structures – Second Edition. Esse padrão contém exemplos de modelos de EAP específicos de setores econômicos e que podem ser adaptados aos projetos de uma área de aplicação distinta. Figura 31. Amostra de EAP decomposta em pacotes de trabalho. 1.0 Projeto de sistema do gerenciamento de valor 1.4 Gerenciamento de projetos 1.3 Engenharia de sistemas 1.2 Desenvolvimento de padrões 1.1 Avaliação das necessidades 1.1.4 Desenvolvimento de requisitos do sistema 1.1.3 Desenvolvimento de alternativas 1.1.2 Determinação de requisitos 1.1.1 Auditoria de sistemas atuais 1.1.1.1 Identificação dos componentes 1.1.1.2 Análise dos componentes 1.1.2.1 Avaliação de lacunas 1.1.2.2 Identificação de mudanças nos requisitos 1.1.3.1 Identificação de alternativas 1.1.3.2 Análise de alternativas Fonte: PMBOK (2013). Validar o escopo Validar o escopo é o processo de formalização da aceitação das entregas concluídas do projeto. O principal benefício desse processo é que ele proporciona objetividade ao processo de aceitação e aumenta a probabilidade da aceitação final do produto, serviço ou resultado, por meio da validação de cada entrega. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 32. 80 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Figura 32. Validar o escopo: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Documentação dos requisitos 3. Matriz de rastreabilidade dos requisitos 4. Entregas verificadas 5. Dados de desempenho do trabalho Entradas 1. Inspeção 2. Técnicas de tomada de decisão em grupo Ferramentas e Técnicas 1. Entregas aceitas 2. Solicitações de mudança 3. Informações sobre o desempenho do trabalho 4. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Algumas saídas desse processo são as entregas aceitas, ou seja, as entregas que estão de acordo com os critérios de aceitação são formalmente assinadas e aprovadas pelo cliente ou patrocinador. A documentação formal recebida do cliente ou patrocinador confirmando a aceitação formal das entregas do projeto pelas partes interessadas é encaminhada ao processo “Encerrar o Projeto ou Fase”. As entregas concluídas que não foram formalmente aceitas são documentadas, juntamente com as razões para a sua rejeição. Essas entregas podem exigir uma solicitação de mudança visando ao reparo de defeitos. As solicitações de mudança, outra saída desse processo, são processadas para revisão e distribuição no processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. Controlar o escopo Controlar o escopo é o processo de monitoramento do progresso do escopo do projeto e do escopo do produto e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do escopo. O principal benefício desse processo é permitir que a linha de base do escopo seja mantida ao longo de todo o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 33. Figura 33. Controlar o escopo: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Documentação dos requisitos 3. Matriz de rastreabilidade dos requisitos 4. Dados de desempenho do trabalho 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de variação Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre odesempenho do trabalho 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 81 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II O controle do escopo do projeto assegura que todas as mudanças solicitadas e ações corretivas ou preventivas recomendadas sejam processadas por meio do processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. O controle do escopo do projeto é usado também para gerenciar as mudanças reais quando essas ocorrem e é integrado aos outros processos de controle. O aumento sem controle do produto ou escopo do projeto sem ajustes de tempo, custo e recursos é chamado de scope creep. A mudança é inevitável; assim sendo, algum tipo de processo de controle de mudança é obrigatório para todos os projetos. As informações geradas sobre o desempenho do trabalho, uma das saídas desse processo, incluem informações correlacionadas e contextualizadas sobre o desempenho do escopo do projeto em comparação à linha de base do escopo. Elas podem incluir as categorias das mudanças recebidas, as variações do escopo identificadas e suas causas, o impacto que elas causam no cronograma ou custo, e a previsão do desempenho do escopo futuro. Essas informações fornecem uma base para a tomada de decisões sobre o escopo. A análise do desempenho do escopo pode resultar numa solicitação de mudança da linha de base do escopo ou de outros componentes do plano de gerenciamento do projeto. Solicitações de mudança podem incluir ações preventivas ou corretivas, reparos de defeitos, ou solicitações de aprimoramento.As solicitações de mudança são processadas para revisão e distribuição, de acordo com o processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. Gerenciamento do tempo O gerenciamento do tempo do projeto inclui os processos necessários para gerenciar o término dentro do prazo do projeto. Os processos de gerenciamento do tempo do projeto são: » Planejar o gerenciamento do cronograma: a definição de políticas, procedimentos e toda a documentação necessária para o gerenciamento e controle do cronograma do projeto. » Definir as atividades: definição e documentação de todas as ações específicas para as entregas do projeto. » Sequenciar as atividades: criar todo um sistema de identificação das atividades do projeto e os seus relacionamentos e documentá-los apropriadamente. » Estimar os recursos das atividades: estimar valores, tipos e volumes de recursos humanos, materiais diretos e indiretos necessários para 82 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO executar cada atividade. Estimar as durações das atividades: estimar a quantidade de atividades e a duração de cada uma para poder traçar um cronograma com a data estimada de conclusão do projeto. » Desenvolver o cronograma: o cronograma deve incluir a sequência das atividades, suas durações, recursos necessários e restrições. » Controlar o cronograma: monitorar o andamento das atividades do projeto e incluir, quando ocorrer, as alterações destes, como também atualizar o status de cada atividade dentro do cronograma proposto. Se necessário, informar alterações nas datas de conclusão das atividades. Planejar o gerenciamento do cronograma Planejar o gerenciamento do cronograma é o processo de estabelecer as políticas, os procedimentos e a documentação para o planejamento, desenvolvimento, gerenciamento, execução e controle do cronograma do projeto. O principal benefício desse processo é o fornecimento de orientação e instruções sobre como o cronograma do projeto será gerenciado ao longo de todo o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 34. Figura 34. Planejar o gerenciamento do cronograma: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do escopo 2. Termo de abertura do projeto 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas analíticas 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento do cronograma Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O plano de gerenciamento do cronograma, a principal saída desse processo, é um componente do plano de gerenciamento do projeto. O plano de gerenciamento do cronograma pode ser formal ou informal, altamente detalhado ou generalizado, baseado nas necessidades do projeto, e inclui os limites de controle apropriados. O plano de gerenciamento do cronograma pode estabelecer o seguinte: » O desenvolvimento do modelo do cronograma do projeto: a metodologia e a ferramenta de cronograma a serem usadas no desenvolvimento do modelo do cronograma do projeto são especificadas. 83 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II » Nível de exatidão: a faixa aceitável usada na determinação das estimativas realistas de duração das atividades é especificada e pode incluir uma quantia para contingências. » Unidades de medida: cada unidade usada em medições (como horas e dias de pessoal ou semanas para medidas de tempo, ou metros, litros, toneladas, quilômetros ou jardas cúbicas para medidas de quantidade), é definida para cada um dos recursos. » Associações com procedimentos organizacionais: a estrutura analítica do projeto (EAP) fornece a estrutura para o plano de gerenciamento do cronograma, considerando a consistência com as estimativas e os cronogramas resultantes. » Manutenção do modelo do cronograma do projeto: o processo usado para atualizar o progresso no andamento e registro do projeto no modelo do cronograma durante a execução do projeto é definido. » Limites de controle: limites de variação para monitoramento do desempenho do cronograma podem ser especificados para indicar uma quantidade de variação combinada a ser permitida antes que alguma ação seja necessária. Os limites são tipicamente expressos como percentagem de desvio dos parâmetros estabelecidos no plano da linha de base. » Regras para medição do desempenho: as regras para medição do desempenho do gerenciamento do valor agregado (GVA) ou outras regras de medição física do desempenho são estabelecidas. Por exemplo, o plano de gerenciamento do cronograma pode especificar: › regras para estabelecer o percentual completo; › contas de controle em que o gerenciamento do progresso e cronograma serão medidos; › técnicas de medição do valor agregado (por exemplo, linhas de base, fórmula fixa, percentual completo etc.), a serem empregadas (para obter informações mais específicas, consulte a publicação Practice Standard for Earned Value Management [9]); e › medições do desempenho do cronograma tais como a variação de prazos (VPR) e o índice de desempenho de prazos (IDP) usadas para avaliar a magnitude de variação à linha de base do cronograma original. » Formatos de relatórios: os formatos e frequências para vários relatórios de prazos são definidos. 84 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO » Descrições dos processos: descrições de cada um dos processos de gerenciamento dos prazos são documentadas. Definir as atividades Definir as atividades é o processo de identificação e documentação das ações específicas a serem realizadas para produzir as entregas do projeto. O principal benefício desse processo é a divisão dos pacotes de trabalho em atividades que fornecem uma base para estimar, programar, executar, monitorar e controlar os trabalhos do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 35. Figura 35. Definir as atividades: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Linha de base do escopo 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Decomposição 2. Planejamento em ondas sucessivas 3. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Lista de atividades 2. Atributos das atividades 3. Lista de marcos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Implícitos nesse processo estão a definição e o planejamento das atividades do cronograma de tal modo que os objetivos do projeto sejam alcançados. O processo “Criar a EAP” identifica as entregas no nível mais baixo da estrutura analítica do projeto (EAP), o pacote de trabalho. Os pacotes de trabalho são tipicamente decompostos em componentes menores chamados atividades, que representam o esforço de trabalho necessário para completar o pacote de trabalho. A lista de atividades, uma das saídas desse processo, é uma lista abrangente que inclui todas as atividades do cronograma necessárias no projeto. A lista de atividades também inclui o identificador de atividades e uma descrição do escopo de trabalho de cada atividade em detalhe suficiente para assegurar que os membros da equipe do projeto entendam qual trabalho precisa ser executado. Cada atividade deve ter um título exclusivo que descreve o seu lugar no cronograma, mesmo que tal atividade seja mostrada fora do contexto do cronograma do projeto. A lista de marcos, outra saída do processo, identifica todos os marcos do projeto e indica se o marco é obrigatório, tais como os exigidos por contrato, ou opcional, como os baseados em informação histórica. Os marcos são semelhantes às atividades normais do cronograma, com a mesma estrutura e atributos,mas têm duração zero porque eles representam um momento no tempo. 85 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II As atividades, diferentemente dos marcos, têm durações, durante as quais o trabalho daquela atividade é executado, e podem ter recursos e custos associados àquele trabalho. Os atributos das atividades ampliam a descrição destas por meio da identificação dos múltiplos componentes associados a cada atividade. Sequenciar as atividades Sequenciar as atividades é o processo de identificação e documentação dos relacionamentos entre as atividades do projeto. O principal benefício desse processo é definir a sequência lógica do trabalho a fim de obter o mais alto nível de eficiência em face de todas as restrições do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 36. Todas as atividades e marcos, com exceção do primeiro e do último, devem ser conectados a pelo menos um predecessor com uma relação lógica término para início ou início para início e a pelo menos um sucessor com uma relação lógica término para início ou término para término. As relações lógicas devem ser projetadas para criar um cronograma de projeto realista. O uso de tempo de antecipação ou de espera pode ser necessário entre as atividades para dar suporte a um cronograma de projeto realista e executável. O sequenciamento pode ser executado pelo uso de software de gerenciamento de projetos ou uso de técnicas manuais ou automatizadas. Figura 36. Sequenciar as atividades: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Lista de atividades 3. Atributos das atividades 4. Lista dos marcos 5. Especificação do escopo do projeto 6. Fatores ambientais da empresa 7. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Método do diagrama de precedência (MDP) 2. Determinação de dependência 3. Antecipações e esperas Ferramentas e Técnicas 1. Diagramas de rede do cronograma do projeto 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Um diagrama de rede do cronograma do projeto, a principal saída desse processo, é uma representação gráfica das relações lógicas, também chamadas de dependências, entre as atividades do cronograma do projeto. A Figura 37 ilustra um diagrama de rede do cronograma do projeto. Um diagrama de rede do cronograma do projeto pode ser produzido manualmente ou por meio do uso de um software de gerenciamento de 86 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO projetos. Pode incluir detalhes do projeto todo ou ter uma ou mais atividades de resumo. Uma descrição de resumo pode acompanhar o diagrama e descrever a abordagem básica usada para sequenciar as atividades. Quaisquer sequências incomuns de atividades dentro da rede devem ser totalmente descritas nesse texto. Figura 37. Diagrama de rede do cronograma do projeto. Fonte: PMBOK (2013). Estimar os recursos das atividades Estimar os recursos das atividades é o processo de estimativa dos tipos e quantidades de material, pessoas, equipamentos ou suprimentos que serão necessários para realizar cada atividade. O principal benefício desse processo é identificar o tipo, quantidade e características dos recursos exigidos para concluir a atividade, permitindo estimativas de custos e de duração mais exatas. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 38. Figura 38. Estimar os recursos das atividades: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Lista de atividades 3. Atributos das atividades 4. Calendários dos recursos 5. Registro dos riscos 6. Estimativas de custos das atividades 7. Fatores ambientais da empresa 8. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Análise de alternativas 3. Dados publicados sobre estimativas 4. Estimativa bottom-up 5. Software de gerenciamento de projetos Ferramentas e Técnicas 1. Requisitos de recursos das atividades 2. Estrutura analítica dos recursos 3. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 87 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II As duas principais saídas desse processo são: » Requisitos de recursos das atividades: identificam os tipos e quantidades de recursos exigidos para cada atividade de um pacote de trabalho. Esses requisitos podem, então, ser agregados para definir os recursos estimados para cada pacote de trabalho e cada período de trabalho. A quantidade de detalhes e o nível de especificidade das descrições dos requisitos do recurso podem variar por área de aplicação. A documentação dos requisitos de recursos para cada atividade pode incluir a base de estimativa para cada recurso, assim como as premissas adotadas na definição de quais tipos de recursos são aplicados, suas disponibilidades e quais quantidades são usadas. » Estrutura analítica dos recursos: uma representação hierárquica dos recursos, por categoria e tipo. Exemplos de categorias incluem mão de obra, material, equipamento e suprimentos. Os tipos de recursos podem incluir o nível de competência, de graduação ou outras informações conforme apropriadas ao projeto. A estrutura analítica dos recursos é útil na organização e relato dos dados do cronograma do projeto com informações sobre a utilização dos recursos. Estimar as durações das atividades Estimar as durações das atividades é o processo de estimativa do número de períodos de trabalho que serão necessários para terminar atividades específicas com os recursos estimados. O principal benefício desse processo é fornecer a quantidade de tempo necessária para concluir cada atividade, o que é uma entrada muito importante no processo “Desenvolver o Cronograma”. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 39. A estimativa das durações das atividades utiliza informações sobre as atividades do escopo do trabalho, tipos de recursos necessários, quantidades estimadas de recursos e calendários de recursos. As entradas das estimativas de duração da atividade se originam na pessoa ou no grupo da equipe do projeto que está mais familiarizado com a natureza da atividade específica. A estimativa da duração é elaborada progressivamente, e o processo considera a qualidade e a disponibilidade dos dados de entrada. Por exemplo, à medida que dados mais detalhados e precisos sobre o trabalho de engenharia e planejamento do projeto tornam-se disponíveis, a exatidão das estimativas de duração melhora. Portanto, a estimativa da duração pode ser assumida como sendo progressivamente mais precisa e de melhor qualidade. 88 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Figura 39. Estimar as durações das atividades: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Lista de atividades 3. Atributos das atividades 4. Requisitos de recursos das atividades 5. Calendários do recurso 6. Especificação do escopo do projeto 7. Registro dos riscos 8. Estrutura analítica dos recursos 9. Fatores ambientais da empresa 10. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Estimativa análoga 3. Estimativa paramétrica 4. Estimativa de três pontos 5. Técnicas de tomada de decisões em grupo 6. Análise de reservas Ferramentas e Técnicas 1. Estimativas de duração das atividades 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Estimar as Durações das Atividades” requer uma estimativa da quantidade de esforçode trabalho requerida para concluir a atividade e a quantidade de recursos disponíveis estimados para completar a atividade. Essas estimativas são usadas para um cálculo aproximado do número de períodos de trabalho (duração da atividade) necessário para concluir a atividade usando os calendários de projeto e de recursos apropriados. Todos os dados e premissas que suportam a estimativa são documentados para cada estimativa de duração de atividade. As estimativas das durações das atividades, a principal saída desse processo, são avaliações quantitativas do número provável de períodos de trabalho que serão necessários para completar uma atividade. As estimativas das durações das atividades podem incluir algumas indicações da faixa de resultados possíveis. Por exemplo: » Duas semanas ± dois dias, o que indica que a atividade levará pelo menos oito dias e não mais de doze (assumindo-se uma semana de trabalho de cinco dias); e » Probabilidade de 15% de exceder três semanas, o que indica uma alta probabilidade – 85% – de que a atividade levará três semanas ou menos. Desenvolver o cronograma Desenvolver o cronograma é o processo de análise de sequências das atividades, suas durações, recursos necessários e restrições do cronograma visando criar o modelo do cronograma do projeto. O principal benefício desse processo é que a inserção das atividades do cronograma, suas durações, recursos, disponibilidades de recursos e relacionamentos 89 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II lógicos na ferramenta de elaboração do cronograma gera um modelo de cronograma com datas planejadas para a conclusão das atividades do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 40. O desenvolvimento de um cronograma de projeto aceitável é, muitas vezes, um processo iterativo. O modelo de cronograma é usado para definir as datas planejadas de início e fim das atividades e marcos do projeto com base na exatidão das entradas. O desenvolvimento do cronograma pode requerer a análise e revisão das estimativas de duração e de estimativas de recursos para criar o modelo de cronograma aprovado do projeto que pode servir como linha de base para acompanhar o seu progresso. Uma vez que as datas de início e fim das atividades tenham sido definidas, é comum que membros da equipe sejam designados para realizar a revisão das suas atividades designadas para confirmar que as datas de início e fim não apresentam qualquer conflito com os calendários dos recursos ou atividades designadas para outros projetos ou tarefas e são, dessa forma, ainda válidas. À medida que o trabalho avança, a revisão e a manutenção do modelo de cronograma do projeto para sustentar um cronograma realista continuam sendo executadas durante todo o projeto. Figura 40. Desenvolver o cronograma: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Lista de atividades 3. Atributos das atividades 4. Diagramas de rede do cronograma do projeto 5. Requisitos de recursos das atividades 6. Calendários dos recursos 7. Estimativas das durações das atividades 8. Especificação do escopo do projeto 9. Registro dos riscos 10. Designações do pessoal do projeto 11. Estrutura analítica dos recursos 12. Fatores ambientais da empresa 13. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de rede do cronograma 2. Método do caminho crítico 3. Método da corrente crítica 4. Técnicas de otimização de recursos 5. Técnicas de desenvolvimento de modelos 6. Antecipações e esperas 7. Compressão de cronograma 8. Ferramenta de cronograma Ferramentas e Técnicas 1. Linha de base do cronograma 2. Cronograma do projeto 3. Dados do cronograma 4. Calendários do projeto 5. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 6. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Para informações mais específicas sobre a elaboração de cronogramas, consulte o Practice Standard for Scheduling. 90 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO As saídas de um modelo de cronograma são apresentações do cronograma. O cronograma do projeto é uma saída de um modelo de cronograma que apresenta a conexão de atividades com datas, durações, marcos e recursos planejados. O cronograma do projeto inclui pelo menos uma data de início e de término planejadas para cada atividade. Se o planejamento de recursos for feito numa fase inicial, então o cronograma do projeto permanecerá preliminar até as designações dos recursos serem confirmadas e as datas de início e término agendadas serem estabelecidas. Esse processo normalmente acontece o mais tardar antes do término do plano de gerenciamento do projeto. O cronograma alvo de um projeto também pode ser realizado com as datas de início e de término alvo definidas para cada atividade. O cronograma do projeto pode ser apresentado num formato resumido, algumas vezes chamado de cronograma-mestre ou cronograma de marcos, ou apresentado detalhadamente. Embora um modelo do cronograma de projeto possa ser apresentado em formato tabular, ele é com mais frequência apresentado graficamente, usando-se um ou mais dos seguintes formatos, que são classificados como apresentações: » Gráficos de barras: esses gráficos, também conhecidos como Diagramas de Gantt, representam as informações do cronograma em que as atividades são listadas no eixo vertical, as datas são mostradas no eixo horizontal, e as durações das atividades aparecem como barras horizontais posicionadas de acordo com as datas de início e término. Os gráficos de barras são de leitura relativamente fácil e frequentemente são usados em apresentações gerenciais. Para controle e comunicação gerencial, a atividade de resumo mais ampla e mais abrangente, algumas vezes chamada de atividade sumarizadora, é usada entre marcos ou por múltiplos pacotes de trabalho interdependentes, sendo mostrada em relatórios de gráfico de barras. Um exemplo é a parte de resumo do cronograma da Figura 41, que é apresentada num formato estruturado como EAP. » Gráficos de marcos: esses gráficos assemelham-se aos gráficos de barras, porém identificam somente o início ou término agendado para as entregas mais importantes e interfaces externas chaves. Um exemplo está representado no cronograma de marcos da Figura 42. » Diagramas de rede do cronograma do projeto: esses diagramas são geralmente apresentados no formato de diagrama de atividade no nó mostrando atividades e relações sem uma escala de tempo, às vezes chamados de diagrama de lógica pura, como mostrado na Figura 91 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II 43, ou no formato de diagrama de rede do cronograma com escala de tempo, às vezes chamado de gráfico de barras lógico, como mostrado no cronograma detalhado da Figura 44. Esses diagramas, com informações sobre as datas das atividades, normalmente mostram tanto a lógica da rede do projeto como suas atividades de cronograma de seu caminho crítico. Esse exemplo também mostra como cada pacote de trabalho é planejado como uma série de atividades relacionadas. Outra apresentação do diagrama de rede do cronograma do projeto é um diagrama lógico com escala de tempo. Esses diagramas incluem uma escala de tempo e barras que representam a duração das atividades com as relações lógicas. É otimizado para mostrar as relações entre as atividades em que qualquer número de atividades pode aparecer na mesma linha do diagrama em sequência. Figura 41. Exemplo de cronograma de marcos. Cronograma de marcos Identificador da atividade Descrição da atividade Unidades de calendário Projetar a estruturade tempo do cronograma Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5 1.1.MB Iniciar novo produto Z 0 1.1.1.M1 Completar componente 1 0 1.1.2.M1 Completar componente 2 0 1.1.3.M1 Completar integração dos componentes 1 e 2 0 1.1.3.EG Terminar novo produto Z 0 Data dos dados Fonte: PMBOK (2013). Figura 42. Exemplo de cronograma-resumo. Cronograma-resumo Identificador da atividade Descrição da atividade Unidades de calendário Projetar a estrutura de tempo do cronograma Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5 1.1 Desenvolver e entregar novo produto Z 120 1.1.1 Pacote de trabalho: Componente 1 67 1.1.2 Pacote de trabalho: Componente 2 53 1.1.3 Pacote de trabalho: Componentes integrados 1 e 2 53 Data dos dados Fonte: PMBOK (2013). 92 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Figura 43. Exemplo de cronograma detalhado. Cronograma detalhado Identificador da atividade Descrição da atividade Unidades de calendário Projetar a estrutura de tempo do cronograma Período 1 Período 2 Período 3 Período 4 Período 5 1.1.MB Iniciar novo produto Z 0 1.1 Desenvolver e entregar novo produto Z 120 1.1.1 Pacote de trabalho: Componente 1 67 1.1.1.D Projetar componente 1 20 1.1.1.B Construir componente 1 33 1.1.1.T Testar componente 1 14 1.1.1.M1 Completar componente 1 0 1.1.2 Pacote de trabalho: Componente 2 53 1.1.2.D Projetar componente 2 14 1.1.2.B Construir componente 2 28 1.1.2.T Testar componente 2 11 1.1.2.M1 Completar componente 2 0 1.1.3 Pacote de trabalho: componentes integrados 1 e 2 53 1.1.3.G Integrar componentes 1 e 2 como produto Z 14 1.1.3.M1 Completar integração dos componentes 1 e 2 32 1.1.3.T Testar componentes integrados como produto Z 0 1.1.3.P Entregar produto Z 7 1.1.3.EG Terminar novo produto Z 0 Data dos dados Fonte: PMBOK (2013). Os dados do cronograma para o modelo do cronograma do projeto são o conjunto de informações usadas para descrever e controlar o cronograma. Os dados do cronograma incluem pelo menos os marcos do cronograma, as atividades do cronograma, os atributos das atividades e a documentação de todas as premissas e restrições identificadas. A quantidade de dados adicionais varia de acordo com a área de aplicação. As informações frequentemente fornecidas como detalhes de suporte incluem, mas não se limitam, a: • requisitos de recursos por período de tempo, muitas vezes na forma de um histograma de recursos; • cronogramas alternativos, tais como melhor ou pior caso, não nivelado por recurso ou nivelado por recurso, com ou sem datas impostas; e • alocação de reservas para contingências. Os dados do cronograma também podem incluir itens como histogramas de recursos, projeções de fluxo de caixa e cronogramas de pedidos e entregas. 93 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II O calendário do projeto identifica os dias úteis e os turnos disponíveis para as atividades agendadas. Ele distingue os períodos de tempo nos dias ou partes dos dias que estão disponíveis para completar as atividades agendadas, dos períodos de tempo que não estão disponíveis. Um modelo de cronograma pode exigir mais de um calendário de projeto para permitir períodos de trabalho diferentes para algumas atividades para calcular o cronograma do projeto. Os calendários do projeto podem ser atualizados. Controlar o cronograma Controlar o cronograma é o processo de monitoramento do andamento das atividades do projeto para atualização no seu progresso e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do cronograma para realizar o planejado. O principal benefício desse processo é fornecer os meios de se reconhecer o desvio do planejado e tomar medidas corretivas e preventivas, minimizando, assim, o risco. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 44. Figura 44. Controlar o cronograma: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do cronograma 2. Cronograma do projeto 3. Dados de desempenho do trabalho 4. Calendário do projeto 5. Dados do cronograma 6. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de desempenho 2. Software de gerenciamento de projetos 3. Técnicas de otimização de recursos 4. Técnicas de desenvolvimento de modelos 5. Antecipações e esperas 6. Compressão de cronograma 7. Ferramenta de cronograma Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Previsões de cronograma 3. Solicitações de mudança 4. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 5. Atualizações nos documentos do projeto 6. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). A atualização no modelo do cronograma requer o conhecimento do desempenho real até a data presente. Qualquer mudança na linha de base do cronograma somente pode ser aprovada pelo processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. Controlar o cronograma, como um componente do processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”, está relacionado com: » a determinação da situação atual do cronograma do projeto; » a influência nos fatores que criam mudanças no cronograma; » a determinação se houve mudança no cronograma do projeto, e » o gerenciamento das mudanças reais à medida que elas ocorrem. 94 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Se qualquer abordagem ágil for utilizada, o processo “Controlar o Cronograma” está relacionado com: » a determinação da situação atual do cronograma do projeto comparando à quantidade total de trabalho entregue e aceito em relação às estimativas do trabalho concluído para o ciclo de tempo transcorrido; » a condução de revisões retrospectivas (revisões agendadas para o registro das lições aprendidas) a fim de corrigir os processos e melhorá- los, se necessário; » a repriorização do plano de trabalho restante (backlog); » a determinação da taxa de velocidade em que as entregas são produzidas, validadas e aceitas em dado momento por iteração (duração de ciclo de trabalho acordado, normalmente de duas semanas ou um mês); » a determinação se houve mudança no cronograma do projeto; e » o gerenciamento das mudanças reais à medida que elas ocorrem. As previsões de cronograma, uma das saídas desse processo, são estimativas ou prognósticos de condições e eventos futuros do projeto com base nas informações e no conhecimento disponíveis no momento da previsão. As previsões são atualizadas e republicadas com base nas informações de desempenho do trabalho fornecidas conforme o trabalho é executado. As informações baseiam-se no desempenho passado e no desempenho futuro esperado do projeto, e incluem indicadores de desempenho de valor agregado que poderiam impactar o projeto no futuro. 95 CAPÍTULO 3 Gerenciamento dos custos e da qualidade do projeto Gerenciamento dos custos doprojeto O gerenciamento dos custos do projeto envolve todos os processos que atuam na parte de gerenciamento e controle dos custos. O objetivo do gerenciamento de custos é garantir que o projeto seja completado dentro do orçamento aprovado. Os processos de gerenciamento dos custos do projeto são: » Planejar o gerenciamento dos custos: o processo de estabelecer as políticas, os procedimentos e a documentação para o planejamento, gestão, despesas e controle dos custos do projeto. » Estimar os custos: o processo de desenvolvimento de uma estimativa de custos dos recursos monetários necessários para terminar as atividades do projeto. » Determinar o orçamento: o processo de agregação dos custos estimados de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos autorizada. » Controlar os custos: o processo de monitoramento do andamento do projeto para atualização no seu orçamento e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base de custos. Em alguns projetos, especialmente aqueles com menor escopo, a estimativa e orçamento de custos estão tão firmemente interligados que podem ser vistos como um processo único que pode ser realizado por uma pessoa num período de tempo relativamente curto. Esses processos estão aqui apresentados como processos distintos, pois as ferramentas e técnicas para cada um deles são diferentes. A habilidade de influenciar o custo é maior nos estágios iniciais do projeto, tornando crítica a definição inicial do escopo. O gerenciamento dos custos do projeto deve considerar os requisitos das partes interessadas para gerenciamento de custos. As diferentes partes interessadas medirão os custos do projeto de maneiras diferentes em tempos diferentes. Por exemplo, o custo de um item adquirido pode ser medido quando a decisão de aquisição é tomada 96 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO ou comprometida, o pedido é feito, o item é entregue, ou o custo real é incorrido ou registrado para fins de contabilidade do projeto. O gerenciamento dos custos do projeto preocupa-se principalmente com o custo dos recursos necessários para completar as atividades do projeto. O gerenciamento dos custos do projeto deve considerar também o efeito das decisões de projeto no custo recorrente subsequente do uso, manutenção e suporte do produto, serviço ou resultado do projeto. Por exemplo, limitar o número de revisões do design pode reduzir o custo do projeto, mas poderia aumentar os custos operacionais resultantes do produto. Em muitas organizações, o prognóstico e a análise do desempenho financeiro do produto do projeto é realizado fora do projeto. Em outras, como o projeto de capital de instalações, o gerenciamento dos custos do projeto pode incluir esse trabalho. Quando esses prognósticos e análises são incluídos, o gerenciamento dos custos do projeto pode abordar processos adicionais e muitas técnicas gerais de gerenciamento como retorno do investimento, fluxo de caixa descontado e análise da recuperação do investimento. O esforço de planejamento do gerenciamento dos custos ocorre nas fases iniciais do planejamento do projeto e fornece a estrutura para cada processo do gerenciamento dos custos para que o desempenho destes seja eficiente e coordenado. Planejar o gerenciamento dos custos Planejar o gerenciamento dos custos é o processo de estabelecer as políticas, os procedimentos e a documentação necessários para o planejamento, gerenciamento, despesas, e controle dos custos do projeto. O principal benefício desse processo é o fornecimento de orientação e instruções sobre como os custos do projeto serão gerenciados ao longo de todo o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 45. Figura 45. Planejar o gerenciamento dos custos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Termo de abertura do projeto 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Técnicas analíticas 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento de custos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O plano de gerenciamento dos custos é um componente do plano de gerenciamento do projeto e descreve como os custos do projeto serão planejados, estruturados e 97 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II controlados. Os processos de gerenciamento dos custos do projeto e suas ferramentas e técnicas associadas são documentados no plano de gerenciamento dos custos. Por exemplo, o plano de gerenciamento dos custos pode estabelecer o seguinte: » Unidades de medida: cada unidade usada em medições (como horas e dias de pessoal ou semanas para medidas de tempo, ou metros, litros, toneladas, quilômetros ou jardas cúbicas para medidas de quantidade, ou importância global em forma de moeda) é definida para cada um dos recursos. » Nível de precisão: o grau em que as estimativas dos custos das atividades serão arredondadas para cima ou para baixo (Exemplo, US$ 100.49 para US$ 100, ou US$ 995.59 para US$ 1,000), com base no escopo das atividades e magnitude do projeto. » Nível de exatidão: a faixa aceitável (Exemplo, ±10%) usada na determinação das estimativas realísticas de duração das atividades é especificada e pode incluir uma quantidade para contingências. » Associações com procedimentos organizacionais: a estrutura analítica do projeto (EAP) fornece a estrutura para o plano de gerenciamento dos custos, permitindo a consistência nas estimativas, orçamentos e controle de custos. O componente da EAP usado para a contabilidade de custos do projeto é chamado de conta de controle. Cada conta de controle recebe um código único ou número(s) de conta que se conecta(m) diretamente ao sistema de contabilidade da organização executora. » Limites de controle: limites de variação para monitoramento do desempenho de custo podem ser especificados para indicar uma quantidade de variação combinada a ser permitida antes que alguma ação seja necessária. Normalmente, os limites são expressos como percentagem de desvio da linha de base do plano. » Regras para medição do desempenho: as regras para medição do desempenho do gerenciamento do valor agregado (EVM em inglês) são estabelecidas. Por exemplo, o plano de gerenciamento dos custos pode: › definir os pontos na EAP em que as medidas das contas de controle serão feitas; › estabelecer as técnicas de medição do valor agregado (por exemplo, marcos ponderados, fórmula fixa, percentagem completa etc.) a serem empregadas; e 98 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO › especificar as metodologias de acompanhamento e as equações computacionais de gerenciamento do valor agregado para o cálculo do gerenciamento do valor agregado para determinar as previsões projetadas da estimativa no término (ENT) para fornecer uma verificação de validade da estimativa bottom-up de cálculo da ENT. Os processos de gerenciamento dos custos do projeto e suas ferramentas e técnicas associadas são documentados no plano de gerenciamento dos custos. O plano de gerenciamento dos custos é um componente do plano de gerenciamento do projeto. Estimar os custos Estimar os custos é o processo de desenvolvimento de uma estimativa dos recursos monetários necessários para executar as atividades do projeto. O principal benefício desse processo é a definição dos custos exigidos para concluir os trabalhos do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são mostradas na Figura 46. Figura 46. Estimar os custos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos custos 2. Plano de gerenciamento dosrecursos humanos 3. Linha de base do escopo 4. Cronograma do projeto 5. Registro dos riscos 6. Fatores ambientais da empresa 7. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Estimativa análoga 3. Estimativa paramétrica 4. Estimativa bottom-up 5. Estimativa de três pontos 6. Análise de reservas 7. Custo da qualidade 8. Software de gerenciamento de projetos 9. Análise de proposta de fornecedor 10. Técnicas de tomada de decisões em grupo Ferramentas e Técnicas 1. Estimativas de custos das atividades 2. Base das estimativas 3. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). As estimativas de custo são um prognóstico baseado na informação conhecida num determinado momento. As estimativas dos custos incluem a identificação e a consideração das alternativas de custo para iniciar e terminar o projeto. Compensações de custos e riscos devem ser consideradas, tais como fazer versus comprar, comprar versus alugar, e o compartilhamento de recursos para alcançar custos otimizados para o projeto. Os custos são geralmente expressos em unidades de alguma moeda (isto é, dólares, euros, ienes etc.),embora, em alguns casos, outras unidades de medida, como horas de pessoal, sejam usadas para facilitar as comparações por meio da eliminação dos efeitos das flutuações das moedas. 99 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II As estimativas de custos devem ser refinadas durante o curso do projeto para refletir detalhes adicionais conforme se tornarem disponíveis e as premissas forem testadas. A precisão da estimativa de um projeto aumentará conforme sua progressão no seu ciclo de vida. Por exemplo, um projeto na fase inicial poderia ter uma ordem de grandeza (ROM, sigla do inglês) estimada na faixa de -25% a ±50%. Mais tarde, conforme mais informações são conhecidas, as estimativas podem estreitar para uma faixa de precisão de -5% para +10%. Em algumas organizações, existem diretrizes para quando tais refinamentos podem ser feitos e o grau de confiança ou exatidão esperado. Determinar o orçamento Determinar o orçamento é o processo de agregação dos custos estimados de atividades individuais ou pacotes de trabalho para estabelecer uma linha de base dos custos autorizada. O principal benefício desse processo é a determinação da linha de base dos custos para o monitoramento e controle do desempenho do projeto. O orçamento do projeto inclui todos os fundos autorizados para executar o projeto. A linha de base dos custos é a versão aprovada do orçamento do projeto com fases de tempo, mas exclui as reservas de gerenciamento. A linha de base dos custos, uma das saídas do processo, é a versão aprovada do orçamento do projeto referenciado no tempo, excluindo quaisquer reservas de gerenciamento, que só pode ser mudada por meio de procedimentos formais de controle de mudanças e usada como base para comparação com os resultados reais. É desenvolvida como um somatório dos orçamentos aprovados para as várias atividades do cronograma. A Figura 47ilustra os vários componentes do orçamento do projeto e a linha de base dos custos. As estimativas dos custos das atividades dos vários projetos juntamente com quaisquer reservas de contingência, pois essas atividades estão agregadas nos seus custos de pacotes de trabalho associados. As estimativas dos custos dos pacotes de trabalho juntamente com quaisquer reservas de contingência estimadas para os pacotes de trabalho são agregadas às contas de controle. O somatório das contas de controle constitui a linha de base dos custos. As estimativas dos custos que constituem a linha de base dos custos estão diretamente ligadas às atividades do cronograma, permitindo uma visão referencial da linha de base dos custos que é normalmente mostrada na forma de uma curva em S, como ilustrado na Figura 47. 100 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO Figura 47. Componentes do orçamento do projeto. Fonte: PMBOK (2013). Figura 48. Linha de base de custos, gastos e requisitos de recursos financeiros. Fonte: PMBOK (2013). Os requisitos de recursos financeiros totais e periódicos (por exemplo, quadrimestralmente, anualmente) são derivados a partir da linha de base de custos, que incluirá gastos projetados mais responsabilidades antecipadas. O financiamento frequentemente ocorre em incrementos não contínuos nas suas quantias e pode não ser igualmente distribuído, conforme aparece nos patamares mostrados na Figura 48. Os recursos totais necessários são aqueles incluídos na linha de base de custos, mais as reservas gerenciais, se existirem. Os requisitos de recursos financeiros podem incluir a(s) sua(s) fonte(s). 101 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II Controlar os custos Controlar os custos é o processo de monitoramento do andamento do projeto para atualização no seu orçamento e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base de custos. O principal benefício desse processo é fornecer os meios de se reconhecer a variação do planejado a fim de tomar medidas corretivas e preventivas, minimizando, assim, o risco. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são ilustradas na Figura 49. Figura 49. Estimar os custos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos custos 2. Requisitos de recursos financeiros do projeto 3. Dados de desempenho do trabalho 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Gerenciamento do valor agregado 2. Previsão 3. Índice de desempenho para término (IDPT) 4. Análise de desempenho 5. Software de gerenciamento de projetos 6. Análise de reservas Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Previsões de custos 3. Solicitações de mudança 4. Atualizações no plano de gerenciamento no projeto 5. Atualizações nos documentos do projeto 6. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). A atualização no orçamento requer o conhecimento dos custos reais gastos até a presente data. Qualquer aumento do orçamento autorizado somente pode ser aprovado por meio do processo “Realizar o Controle Integrado de Mudanças”. Monitorar os gastos dos recursos financeiros sem considerar o valor do trabalho sendo realizado para tais gastos tem pequeno valor para o projeto, a não ser permitir que a equipe do projeto fique dentro dos limites dos recursos financeiros autorizados. A maior parte do esforço despendido no controle de custos envolve a análise da relação entre o consumo dos fundos do projeto e o trabalho físico sendo realizado para tais gastos. A chave para o controle eficaz de custos é o gerenciamento da linha de base aprovada e das mudanças desta. O controle de custos do projeto inclui: » influenciar os fatores que criam mudanças na linha de base de custos autorizada; » assegurar que todas as solicitações de mudança sejam feitas de maneira oportuna; » gerenciar as mudanças reais quando e conforme elas ocorrem; » assegurar que os desembolsos de custos não excedam os recursos financeiros autorizados por período, por componente de EAP, por atividade, e no total do projeto; 102 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO » monitorar o desempenho de custos para isolar e entender as variações a partir da linha de base de custos aprovada; » monitorar o desempenho do trabalho em relação aos recursos financeiros gastos; » evitar que mudanças não aprovadas sejam incluídas no relato do custo ou do uso de recursos; » informar as partes interessadas apropriadas a respeito de todas as mudanças aprovadas e custosassociados; e » levar os excessos de custos não previstos para dentro dos limites aceitáveis. Gerenciamento da qualidade do projeto O gerenciamento da qualidade do projeto inclui os processos e as atividades da organização executora que determinam as políticas de qualidade, os objetivos e as responsabilidades, de modo que o projeto satisfaça às necessidades para as quais foi empreendido. O gerenciamento da qualidade do projeto usa as políticas e procedimentos para a implementação, no contexto do projeto, do sistema de gerenciamento da qualidade da organização e, de maneira apropriada, dá suporte às atividades de melhoria do processo contínuo como empreendido no interesse da organização executora. O gerenciamento da qualidade do projeto trabalha para garantir que os requisitos do projeto, incluindo os requisitos do produto, sejam cumpridos e validados. Os processos de gerenciamento da qualidade do projeto são: » Planejar o gerenciamento da qualidade: processo de identificação dos requisitos e/ou padrões da qualidade do projeto e suas entregas, além da documentação de como o projeto demonstrará a conformidade com os requisitos e/ou padrões de qualidade. » Realizar a garantia da qualidade: processo de auditoria dos requisitos de qualidade e dos resultados das medições do controle de qualidade para garantir o uso dos padrões de qualidade e das definições operacionais apropriadas. » Controlar da qualidade: processo de monitoramento e registro dos resultados da execução das atividades de qualidade para avaliar o desempenho e recomendar as mudanças necessárias. 103 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II O gerenciamento da qualidade do projeto aborda o gerenciamento do projeto e suas entregas. Ele se aplica a todos os projetos, independentemente da natureza das suas entregas. As medidas e técnicas de qualidade são específicas do tipo de entrega produzida pelo projeto. Por exemplo, o gerenciamento da qualidade das entregas de software pode usar abordagens e medidas diferentes das utilizadas na construção de uma usina nuclear. Nos dois casos, deixar de cumprir os requisitos pode ter consequências negativas e graves para uma ou todas as partes interessadas do projeto. No contexto de alcance da compatibilidade com a ISO, as abordagens modernas de gerenciamento da qualidade buscam minimizar a variação e entregar resultados que cumpram os requisitos definidos. Essas abordagens reconhecem a importância da: » Satisfação do cliente: entender, avaliar, definir e gerenciar as expectativas para que os requisitos do cliente sejam atendidos. Para isso, é necessária uma combinação de conformidade com os requisitos (para garantir que o projeto produza o que ele foi criado para produzir) e adequação ao uso (o produto ou serviço deve atender às necessidades reais). » Prevenção ao invés de inspeção: a qualidade deve ser planejada, projetada e criada, e não inspecionada no gerenciamento do projeto ou nas entregas do projeto. O custo de prevenção dos erros é geralmente muito menor do que o custo de corrigir tais erros quando eles são encontrados pela inspeção ou durante o uso. » Melhoria contínua: o ciclo PDCA (planejar-fazer-verificar-agir) é a base para a melhoria da qualidade conforme definida por Shewhart e modificada por Deming. Além disso, as iniciativas de melhoria da qualidade tais como o Gerenciamento da qualidade total (GQT), Seis sigma e Lean seis sigma devem aprimorar a qualidade do gerenciamento do projeto e também a qualidade do produto do projeto. Os modelos de melhoria de processos geralmente usados incluem Malcolm Baldrige, Modelo de maturidade organizacional em gerenciamento de projetos (OPM3®) e Modelo integrado de maturidade e de capacidade (CMMI®). » Responsabilidade da gerência: o sucesso exige a participação de todos os membros da equipe do projeto. Todavia, a alta direção, dentro do seu escopo de responsabilidade pela qualidade, retém a responsabilidade pelo fornecimento dos recursos adequados, nas capacidades adequadas. 104 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO » Custo da qualidade (CDQ): o custo da qualidade se refere ao custo total do trabalho de conformidade e do trabalho de não conformidade que deve ser executado como um esforço compensatório porque, na primeira tentativa de execução do trabalho, existe a possibilidade de que alguma parte do trabalho requerido não seja realizado, ou seja, executado incorretamente. Os custos da qualidade do trabalho devem ser incorridos ao longo de todo o ciclo de vida da entrega. Por exemplo, as decisões tomadas pela equipe do projeto podem influenciar os custos operacionais associados ao uso de uma entrega completa. Os custos da qualidade pós-projeto podem ser incorridos como resultado das devoluções dos produtos, reclamações de garantia, e campanhas de recall. Assim sendo, em virtude da natureza temporária dos projetos e os benefícios potenciais que podem ser obtidos através da redução do custo da qualidade pós-projeto, as organizações patrocinadoras podem decidir investir na melhoria da qualidade do produto. Esses investimentos são geralmente feitos nas áreas de trabalho de conformidade que atuam para impedir defeitos ou mitigar os custos através da inspeção das unidades não conformes. Planejar o gerenciamento da qualidade Planejar o gerenciamento da qualidade é o processo de identificação dos requisitos e/ou padrões de qualidade do projeto e suas entregas, e de documentação de como o projeto demonstrará conformidade com os relevantes requisitos e/ou padrões de qualidade. O principal benefício desse processo é o fornecimento de orientação e instruções sobre como a qualidade será gerenciada e validada ao longo de todo o projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 50. Figura 50. Planejar o gerenciamento da qualidade: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Registro das partes interessadas 3. Registro dos riscos 4. Documentação dos requisitos 5. Fatores ambientais da empresa 6. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise custo-benefício 2. Custo da qualidade 3. Sete ferramentas básicas de qualidade 4. Benchmarking 5. Projeto de experimentos 6. Amostragem estatística 7. Ferramentas adicionais de planejamento da qualidade 8. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento da qualidade 2. Plano de melhorias no processo 3. Métricas da qualidade 4. Listas de verificação da qualidade Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 105 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II O planejamento da qualidade deve ser realizado em paralelo com os outros processos de planejamento. Por exemplo, modificações propostas nas entregas para atender aos padrões de qualidade identificados podem exigir ajustes nos custos ou cronogramas e uma análise de riscos detalhada do seu impacto nos planos. O plano de gerenciamento da qualidade, uma das saídas desse processo, é um componente do plano de gerenciamento do projeto que descreve como as políticas de qualidade de uma organização serão implementadas. Ele descreve como a equipe de gerenciamento do projeto planeja cumprir os requisitos de qualidade estabelecidos para o projeto. O plano de gerenciamento da qualidade pode ser formal ou informal, detalhado, ou estruturado em termos gerais. O estilo e os detalhes do plano de gerenciamento da qualidade são determinados pelos requisitos do projeto. O plano de gerenciamento da qualidade deve ser revisado na parte inicial do projeto para garantirque as decisões sejam baseadas em informações precisas. Os benefícios dessa revisão podem incluir o foco mais agudo na proposição de valor do projeto e reduções nos custos e na frequência de atrasos no cronograma causados pelo retrabalho. O plano de melhorias no processo, outra saída desse processo, é um plano auxiliar ou componente do plano de gerenciamento do projeto. O plano de melhorias no processo detalha as etapas de análise dos processos de gerenciamento de projetos e desenvolvimento de produtos para identificar as atividades que aumentam o seu valor. As áreas a serem consideradas incluem: » Limites do processo: descrevem a finalidade do processo, seu início e fim, suas entradas e saídas, o responsável pelo processo e as partes interessadas do processo. » Configuração do processo: fornece uma representação gráfica dos processos, com interfaces identificadas, usada para facilitar a análise. » Métricas do processo: junto com os limites de controle, permite a análise da eficiência do processo. » Metas para melhoria do desempenho: Orientam as atividades de melhorias no processo. Uma métrica da qualidade especificamente descreve um atributo de projeto ou produto e como o processo de controle da qualidade o medirá. A medição é um valor real. A tolerância define as variações aceitáveis na métrica. Por exemplo, se o objetivo de qualidade é ficar 106 UNIDADE II │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO dentro do orçamento aprovado em ± 10%, a métrica de qualidade específica é usada para medir o custo de cada entrega e determinar a variação percentual do orçamento aprovado para tal entrega. As métricas da qualidade são usadas nos processos de garantia da qualidade e de controle da qualidade. Alguns exemplos de métricas da qualidade incluem desempenho dentro do prazo, controle dos custos, frequência de defeitos, taxa de falhas, disponibilidade, confiabilidade e cobertura de testes. Uma lista de verificação é uma ferramenta estruturada, geralmente específica do componente, usada para verificar se um conjunto de etapas necessárias foi executado. Com base nos requisitos do projeto e nas práticas, as listas de verificação podem ser simples ou complexas. Muitas organizações têm listas de verificação padronizadas disponíveis para garantir a consistência em tarefas realizadas com frequência. Em algumas áreas de aplicação também existem listas de verificação disponibilizadas por associações profissionais ou fornecedores de serviços comerciais. As listas de verificação da qualidade devem incorporar os critérios de aceitação incluídos na linha de base do escopo. Realizar a garantia da qualidade Realizar a garantia da qualidade é o processo de auditoria dos requisitos de qualidade e dos resultados das medições de controle de qualidade para garantir o uso dos padrões de qualidade e definições operacionais apropriados. O principal benefício desse processo é a facilitação do aprimoramento dos processos de qualidade. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo são ilustradas na Figura 51. Figura 51. Realizar a garantia da qualidade: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento da qualidade 2. Plano de melhorias no processo 3. Métricas da qualidade 4. Medições de controle da qualidade 5. .Documentos do projeto Entradas 1. Ferramentas de gerenciamento e controle da qualidade 2. Auditorias de qualidade 3. Análise de processo Ferramentas e Técnicas 1. Solicitações de mudança 2. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 3. Atualizações nos documentos do projeto 4. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Realizar a Garantia da Qualidade” implementa um conjunto de ações e processos planejados e sistemáticos dentro do plano de gerenciamento da qualidade do projeto. A garantia da qualidade visa assegurar que uma saída futura ou uma saída não terminada, também conhecida como trabalho em andamento, seja concluída de forma a cumprir os requisitos e expectativas especificados. A garantia de qualidade 107 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO │ UNIDADE II contribui para o estado de certeza sobre a qualidade ao impedir os defeitos nos processos de planejamento ou ao eliminar tais defeitos na inspeção realizada durante a etapa trabalho-em-andamento de implementação. Realizar a garantia da qualidade é um processo de execução que usa dados criados durante os processos “Planejar o Gerenciamento da Qualidade” e “Controlar a Qualidade”. Controlar da qualidade Controlar a qualidade é o processo de monitoramento e registro dos resultados da execução das atividades de qualidade para avaliar o desempenho e recomendar as mudanças necessárias. Os principais benefícios desse processo incluem: » identificar as causas da baixa qualidade do processo ou do produto e recomendar e/ou tomar medidas para eliminá-las; e » validar a conformidade das entregas e do trabalho do projeto com os requisitos necessários à aceitação final especificados pelas principais partes interessadas. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 52. Figura 52. Controlar a qualidade: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Métricas da qualidade 3. Listas de verificação da qualidade 4. Dados de desempenho do trabalho 5. Solicitações de mudança aprovadas 6. Entregas 7. Documentos do projeto 8. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Sete ferramentas básicas da qualidade 2. Amostragem estatística 3. Inspeção 4. Análise das solicitações de mudança aprovadas Ferramentas e Técnicas 1. Medições de controle da qualidade 2. Alterações validadas 3. Entregas validadas 4. Informações sobre o desempenho do trabalho 5. Solicitações de mudança 6. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 7. Atualizações nos documentos do projeto 8. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). As medições de controle da qualidade são os resultados das atividades de controle da qualidade. Elas devem ser captadas no formato especificado no processo “Planejar o Gerenciamento da Qualidade”. 108 UNIDADE III PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Nesta Unidade são apresentados os processos de gerenciamento de recursos humanos, comunicações, riscos, aquisições e partes interessadas do projeto de acordo com o PMI (2013). CAPÍTULO 1 Gerenciamento dos recursos humanos e das comunicações do projeto Gerenciamento dos Recursos Humanos do projeto O gerenciamento dos recursos humanos do projeto inclui os processos que organizam, gerenciam e guiam a equipe do projeto. Essa equipe consiste das pessoas com papéis e responsabilidades designadas para completar o projeto. Os membros da equipe do projeto podem ter vários conjuntos de habilidades, atuar em regime de tempo integral ou parcial, e podem ser acrescentados ou removidos da equipe à medida que o projeto progride. Os membros da equipe do projeto também podem ser referidos como pessoal do projeto. Embora os papéis e responsabilidades específicos para os membros da equipe do projeto sejam designados, o envolvimento de todos os membros da equipe no planejamento do projeto e na tomada de decisões pode ser benéfico. A participação dos membros da equipe durante o planejamento agrega seus conhecimentos ao processo e fortalece o compromisso com o projeto. Os processos de gerenciamento dos recursos humanos do projeto são: » Desenvolver o plano dos Recursos Humanos: processo de identificação e documentação de papéis, responsabilidades,habilidades necessárias, 109 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III relações hierárquicas, além da criação de um plano de gerenciamento do pessoal. » Mobilizar a equipe do projeto: processo de confirmação da disponibilidade dos recursos humanos e obtenção da equipe necessária para terminar as atividades do projeto. » Desenvolver a equipe do projeto: processo de melhoria de competências, da interação da equipe e do ambiente geral da equipe para aprimorar o desempenho do projeto. » Gerenciar a equipe do projeto: processo de acompanhar o desempenho dos membros da equipe, fornecer feedback, resolver problemas e gerenciar mudanças para otimizar o desempenho do projeto. O planejamento dos recursos humanos é usado para determinar e identificar recursos humanos com as habilidades necessárias para o sucesso do projeto. O plano de gerenciamento dos recursos humanos descreve como os papéis e responsabilidades, a estrutura hierárquica e o gerenciamento do pessoal serão abordados e estruturados dentro de um projeto. Ele também contém o plano de gerenciamento do pessoal incluindo cronogramas para a mobilização e liberação de pessoal, identificação das necessidades de treinamento, estratégias para construção da equipe, planos para programas de reconhecimento e recompensas, estratégias para a mobilização e liberação de pessoal, planos para programas de reconhecimento e recompensas, considerações sobre conformidade, questões de segurança e o impacto do plano de gerenciamento de pessoal sobre a organização. O planejamento de recursos humanos eficaz deve considerar e planejar para a disponibilidade ou a competição por recursos escassos. As funções do projeto podem ser designadas a pessoas ou membros da equipe. Essas equipes ou membros da equipe podem ser internos ou externos à organização executora do projeto. Outros projetos podem estar competindo por recursos humanos com as mesmas competências ou conjuntos de habilidades. Considerando esses fatores, os custos, cronogramas, riscos, qualidade e outras áreas do projeto podem ser significativamente afetadas. Planejar o gerenciamento dos Recursos Humanos Planejar o gerenciamento dos recursos humanos é o processo de identificação e documentação de papéis, responsabilidades, habilidades necessárias e relações hierárquicas do projeto, além da criação de um plano de gerenciamento de pessoal. O principal benefício desse processo é o estabelecimento dos papéis, responsabilidades 110 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) e organogramas do projeto, além do plano de gerenciamento de pessoal, incluindo o cronograma para mobilização e liberação de pessoal. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 53. Figura 53. Planejar o gerenciamento de recursos humanos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Requisitos de recursos das atividades 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Organogramas indiscrições de cargos 2. .Rede de relacionamentos 3. .Teoria organizacional 4. .Opinião especializada 5. .5 Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento de recursos humanos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O plano de gerenciamento dos recursos humanos, uma parte do plano de gerenciamento do projeto, fornece orientação sobre como os recursos humanos do projeto devem ser definidos, mobilizados, gerenciados e, por fim, liberados. O plano de gerenciamento dos recursos humanos e quaisquer revisões subsequentes também são entradas no processo “Desenvolver o Plano de Gerenciamento do Projeto”. O plano de gerenciamento dos recursos humanos inclui, mas não está limitado, a: » Papéis e responsabilidades: é necessário abordar os seguintes tópicos ao listar os papéis e responsabilidades necessárias para concluir um projeto: › Papel: a função assumida ou a ser designada a uma pessoa no projeto. Exemplos de papéis de projeto são engenheiro civil, analista de negócios e coordenador de testes. A clareza do papel em relação a autoridade, responsabilidades e limites deve ser documentada. › Autoridade: o direito de aplicar recursos do projeto, tomar decisões, assinar aprovações, aceitar entregas e influenciar outras pessoas para executar o trabalho do projeto. Exemplos de decisões que precisam de autoridade clara incluem a seleção de um método para concluir uma atividade, aceitação da qualidade e como responder às variações no projeto. Os membros da equipe atuam melhor quando seus níveis de autoridade individuais correspondem às suas responsabilidades individuais. › Responsabilidade: as obrigações e o trabalho que se espera que um membro da equipe do projeto execute para concluir as atividades do projeto. 111 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III › Competência: a habilidade e a capacidade necessárias para concluir as atividades designadas dentro das restrições do projeto. Se os membros da equipe do projeto não têm as competências necessárias, o desempenho pode ser prejudicado. Quando essas incompatibilidades são identificadas, respostas proativas tais como treinamento, contratação, mudanças no cronograma ou mudanças no escopo são iniciadas. » Organogramas do projeto: um organograma do projeto é uma exibição gráfica dos membros da equipe do projeto e suas relações hierárquicas. Pode ser formal ou informal, altamente detalhado ou amplamente estruturado, dependendo das necessidades do projeto. Por exemplo, o organograma do projeto para uma equipe de resposta a desastres com 3.000 pessoas terá mais detalhes do que um organograma de um projeto interno com 20 pessoas. » Plano de gerenciamento de pessoal: o plano de gerenciamento de pessoal é um componente do plano de gerenciamento dos recursos humanos que descreve quando e como os membros da equipe do projeto serão mobilizados e por quanto tempo seus serviços serão necessários. Ele descreve como os requisitos de recursos humanos serão cumpridos. O plano de gerenciamento de pessoal pode ser formal ou informal, altamente detalhado ou amplamente estruturado, dependendo das necessidades do projeto. O plano é atualizado continuamente durante o projeto para direcionar membros da equipe que foram anexados e incluir ações de desenvolvimento. As informações no plano de gerenciamento de pessoal variam de acordo com a área de aplicação e o tamanho do projeto, mas os itens que devem ser considerados incluem: › Mobilização do pessoal: algumas questões surgem ao planejar a mobilização dos membros da equipe do projeto. Por exemplo, se os recursos humanos vêm de dentro da organização ou de fontes externas contratadas; se os membros da equipe necessitam trabalhar em local central ou podem trabalhar em locais distantes; os custos associados com cada nível de especialidade necessária para o projeto, e o nível de assistência que o departamento de recursos humanos da organização e gerentes funcionais podem fornecer à equipe de gerenciamento do projeto. › Calendários dos recursos: calendários que identificam os dias úteis e turnos em que cada recurso específico encontra-se disponível. O plano de gerenciamento de pessoal descreve os intervalos de 112 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) tempo necessários para membros da equipe do projeto, individual ou coletivamente, e também quando as atividades de mobilização, como o recrutamento, devem começar. Uma ferramenta para representar graficamente os recursos humanos é o histograma de recursos, usado pela equipe de gerenciamento de projetos como um meio de fornecer uma representação visual ou designação de recursos a todasas partes interessadas. Esse gráfico ilustra quantas horas uma pessoa, um departamento, ou uma equipe inteira de projeto serão necessários a cada semana ou mês durante o projeto. O gráfico pode incluir uma linha horizontal que representa o número máximo de horas disponíveis de um recurso específico. As barras que se estendem além do número máximo de horas disponíveis identificam a necessidade de uma estratégia de otimização dos recursos, tais como o acréscimo de mais recursos ou a modificação do cronograma. Um exemplo de histograma de recursos é ilustrado na Figura 54. › Plano de liberação de pessoal: determinar o método e a ocasião para liberar membros da equipe beneficia tanto o projeto quanto os membros da equipe. Quando membros da equipe são liberados de um projeto, os custos associados a esses recursos não são mais lançados no projeto, o que reduz os seus custos. A motivação melhora quando transições tranquilas para futuros projetos já estão planejadas. Um plano de liberação de pessoal também ajuda a reduzir os riscos de recursos humanos que podem ocorrer durante ou no final de um projeto. › Necessidades de treinamento: caso se espere que os membros da equipe possam não ter as competências necessárias, um plano de treinamento poderá ser desenvolvido como parte do projeto. O plano também pode incluir formas de ajudar os membros da equipe a obter certificações que comprovariam sua capacidade para beneficiar o projeto. › Reconhecimento e recompensas: critérios claros para recompensas e um sistema planejado para seu uso ajudam a promover e reforçar os comportamentos desejados. Para serem eficazes, o reconhecimento e as recompensas devem se basear em atividades e desempenho que possam ser controlados por uma pessoa. Por exemplo, um membro da equipe que será recompensado por cumprir os objetivos de custos deve ter um nível de controle apropriado sobre as decisões que afetam as despesas. Criar um plano 113 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III com prazos definidos para distribuição de recompensas garante que o reconhecimento ocorra e não seja esquecido. O reconhecimento e as recompensas são parte do processo “Desenvolver a Equipe do Projeto”. › Conformidade: o plano de gerenciamento de pessoal pode incluir estratégias para cumprimento das regulamentações do governo aplicáveis, contratos com sindicatos e outras políticas de recursos humanos estabelecidas. › Segurança: políticas e procedimentos que protegem os membros da equipe contra riscos de segurança podem ser incluídos no plano de gerenciamento de pessoal e no registro dos riscos. Figura 54. Histograma de recursos ilustrativos. Fonte: PMBOK (2013). Mobilizar a equipe do projeto Mobilizar a equipe do projeto é o processo de confirmação da disponibilidade dos recursos humanos e obtenção da equipe necessária para terminar as atividades do projeto. O principal benefício desse processo consiste em esboçar e orientar a seleção da equipe e designar responsabilidades, a fim de se obter uma equipe de sucesso. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 55. 114 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Figura 55. Mobilizar a equipe do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos recursos humanos 2. Fatores ambientais da empresa 3. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Pré-designação 2. Negociação 3. Contratação 4. Equipes virtuais 5. Análise de decisão envolvendo critérios múltiplos Ferramentas e Técnicas 1. Designações do pessoal do projeto 2. Calendários dos recursos 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O pessoal do projeto estará pronto quando pessoas apropriadas tiverem sido designadas para a equipe. A documentação dessas designações pode incluir um diretório da equipe do projeto, memorandos para membros da equipe, e inclusão de nomes em outras partes do plano de gerenciamento do projeto, como organogramas e cronogramas. Os calendários dos recursos documentam os períodos de tempo durante os quais cada membro da equipe do projeto está disponível para trabalhar no projeto. A criação de um cronograma confiável depende de um bom entendimento da disponibilidade e das restrições de cada pessoa, incluindo fusos horários, horários de trabalho, férias, feriados locais e compromissos com outros projetos. Desenvolver a equipe do projeto Desenvolver a equipe do projeto é o processo de melhoria de competências, da interação da equipe e do ambiente global da equipe para aprimorar o desempenho do projeto. O principal benefício desse processo é que ele resulta no trabalho de equipe melhorado, habilidades interpessoais e competências aprimoradas, empregados motivados, taxas reduzidas de rotatividade de pessoal, e numa melhoria do desempenho do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustrados na Figura 56. Figura 56. Desenvolver a equipe do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Métricas da qualidade 3. Listas de verificação da qualidade 4. Dados de desempenho do trabalho 5. Solicitações de mudança aprovadas 6. Entregas 7. Documentos do projeto 8. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Sete ferramentas básicas da qualidade 2. Amostragem estatística 3. Inspeção 4. Análise das solicitações de mudança aprovadas Ferramentas e Técnicas 1. Medições de controle da qualidade 2. Alterações validadas 3. Entregas validadas 4. Informações sobre o desempenho do trabalho 5. Solicitações de mudança 6. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 7. Atualizações nos documentos do projeto 8. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 115 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III À medida que esforços de desenvolvimento da equipe do projeto tais como treinamento, formação da equipe e agrupamento são implementados, a equipe de gerenciamento do projeto realiza avaliações formais ou informais da eficácia da equipe do projeto. As estratégias e atividades eficazes para desenvolvimento da equipe devem aumentar o desempenho da equipe, o que aumenta a probabilidade de cumprir os objetivos do projeto. Os critérios para avaliação do desempenho da equipe devem ser determinados por todas as partes apropriadas e incorporados nas entradas do desenvolvimento da equipe do projeto. O desempenho de uma equipe bem-sucedida é medido em termos de êxito técnico, de acordo com objetivos acordados para o projeto (incluindo os níveis de qualidade), desempenho em relação ao cronograma (conclusão no prazo) e desempenho em relação ao orçamento (conclusão de acordo com restrições financeiras). As equipes de alto desempenho são caracterizadas por esse comportamento orientado a tarefas e a resultados. A avaliação da eficácia de uma equipe pode incluir indicadores como: » melhorias em habilidades que permitam que as pessoas realizem as tarefas com mais eficácia; » melhorias em competências que ajudam a equipe a ter melhor desempenho como equipe; » redução na taxa de rotatividade do pessoal, e » aumento na coesão da equipe com os membros da equipe compartilhando informações e experiências abertamente e se ajudando, para melhorar o desempenho geral do projeto. Como resultado da realização de uma avaliação do desempenho geral da equipe, a equipe de gerenciamento do projeto pode identificar o treinamento, o coaching, a mentoria, a assistência ou as mudanças específicas necessáriaspara melhorar o desempenho da equipe. Isso também deve incluir a identificação de recursos adequados ou necessários para alcançar e implementar as melhorias identificadas na avaliação. Esses recursos e recomendações para melhoria da equipe devem ser bem documentados e encaminhados às partes relevantes. Gerenciar a equipe do projeto Gerenciar a equipe do projeto é o processo de acompanhar o desempenho dos membros da equipe, fornecer feedback, resolver problemas e gerenciar mudanças para otimizar 116 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) o desempenho do projeto. O principal benefício desse processo é que ele influencia o comportamento da equipe, gerencia conflitos, soluciona problemas e avalia o desempenho dos membros da equipe. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 57. Figura 57. Gerenciar a equipe do projeto: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos recursos humanos 2. Designações do pessoal do projeto 3. Avaliações do desempenho da equipe 4. Registro das questões 5. Relatórios de desempenho do trabalho 6. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Observação e conversas 2. Avaliações de desempenho do projeto 3. Gerenciamento de conflitos 4. Habilidades interpessoais Ferramentas e Técnicas 1. Solicitações de mudança 2. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 3. Atualizações nos documentos do projeto 4. Atualizações nos fatores ambientais da empresa 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Como resultado do gerenciamento da equipe do projeto, as solicitações de mudança são encaminhadas, o plano de gerenciamento dos recursos humanos é atualizado, as questões são resolvidas, são fornecidos comentários para as avaliações de desempenho e as lições aprendidas são acrescentadas ao banco de dados da organização. Gerenciar a equipe do projeto requer diversas habilidades de gerenciamento para estimular o trabalho em equipe e integrar os esforços dos membros da equipe para criar equipes de alto desempenho. O gerenciamento da equipe envolve uma combinação de habilidades, com ênfase especial em comunicação, gerenciamento de conflitos, negociação e liderança. Os gerentes de projetos devem fornecer tarefas desafiadoras para os membros da equipe e reconhecimento pelo alto desempenho. Gerenciamento das comunicações do projeto O gerenciamento das comunicações do projeto inclui os processos necessários para assegurar que as informações do projeto sejam planejadas, coletadas, criadas, distribuídas, armazenadas, recuperadas, gerenciadas, controladas, monitoradas e, finalmente, dispostas de maneira oportuna e apropriada. Os gerentes de projetos passam a maior parte do tempo se comunicando com os membros da equipe e outras partes interessadas do projeto, quer sejam internas (em todos os níveis da organização) ou externas à organização. A comunicação eficaz cria uma ponte entre as diversas partes interessadas do projeto, que podem ter diferenças culturais e organizacionais, diferentes níveis de 117 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III conhecimento, e diversas perspectivas e interesses que podem impactar ou influenciar a execução ou resultado do projeto. Os processos do gerenciamento das comunicações do projeto são: » Planejar o gerenciamento das comunicações: o processo de desenvolver uma abordagem apropriada e um plano de comunicações do projeto com base nas necessidades de informação e requisitos das partes interessadas e nos ativos organizacionais disponíveis. » Gerenciar as comunicações: processo de criar, coletar, distribuir, armazenar, recuperar e de disposição final das informações do projeto de acordo com o plano de gerenciamento das comunicações. » Controlar as comunicações: processo de monitorar e controlar as comunicações no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto para assegurar que as necessidades de informação das partes interessadas do projeto sejam atendidas. As atividades de comunicação envolvidas nesses processos podem ter frequentemente muitas dimensões potenciais que devem ser consideradas, incluindo: » Interna (dentro do projeto) e externa (cliente, fornecedores, outros projetos, organizações, o público); » Formal (relatórios, minutas, instruções) e informal (e-mails, memorandos, discussões ad hoc); » Vertical (nos níveis superiores e inferiores da organização) e horizontal (com colegas); » Oficial (boletins informativos, relatório anual) e não oficial (comunicações confidenciais); e » Escrita e oral, e verbal (inflexões da voz) e não verbal (linguagem corporal). Planejar o gerenciamento das comunicações Planejar o gerenciamento das comunicações é o processo de desenvolver uma abordagem apropriada e um plano de comunicação do projeto com base nas necessidades de informação e requisitos das partes interessadas e nos ativos organizacionais disponíveis. O principal benefício desse processo é a identificação e a documentação da abordagem de comunicação mais eficaz e eficiente com as partes interessadas. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 58. 118 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Figura 58. Planejar o gerenciamento das comunicações: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Registro das partes interessadas 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de requisitos das comunicações 2. Tecnologias de comunicações 3. Modelos de comunicações 4. Métodos de comunicação 5. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento das comunicações 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O planejamento das comunicações do projeto é importante para alcançar o êxito final de qualquer projeto. O planejamento inadequado das comunicações pode causar problemas, tais como o atraso na entrega de mensagens, a comunicação de informações para o público incorreto ou a comunicação insuficiente para as partes interessadas e a má interpretação das mensagens comunicadas. Na maioria dos projetos, o planejamento das comunicações é feito bem no início, como, por exemplo, durante o desenvolvimento do plano de gerenciamento do projeto. Isso permite que os recursos adequados, tais como tempo e orçamento, sejam alocados às atividades de comunicação. Comunicação eficaz significa que as informações são fornecidas no formato correto, na hora certa, ao público certo e com o impacto necessário. Comunicação eficiente significa fornecer somente as informações que são necessárias. O plano de gerenciamento das comunicações é um componente do plano de gerenciamento do projeto que descreve como as comunicações do projeto serão planejadas, estruturadas, monitoradas e controladas. O plano contém o seguinte: » requisitos de comunicações das partes interessadas; » informações a serem comunicadas, incluindo idioma, formato, conteúdo e nível de detalhes; » motivo da distribuição daquelas informações; » intervalo de tempo e frequência para a distribuição das informações necessárias e recebimento da confirmação ou resposta, se aplicável; » pessoa responsável por comunicar as informações; » pessoa responsável por autorizar a liberação das informações confidenciais; » pessoa ou grupos que receberão as informações; 119 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III » métodos ou tecnologias usadas para transmitir as informações, como memorandos, e-mail e/ou comunicadosde imprensa; » recursos alocados para as atividades de comunicação, incluindo tempo e orçamento; » processo de encaminhamento, identificando os prazos e a cadeia gerencial (nomes) para o encaminhamento de questões que não podem ser solucionadas nos níveis de pessoal mais baixos; » método para atualizar e refinar o plano de gerenciamento das comunicações com o progresso e o desenvolvimento do projeto; » glossário da terminologia comum; » fluxogramas do fluxo de informações no projeto, fluxos de trabalho com a sequência de autorização possível, lista de relatórios, planos de reuniões etc.; e » restrições de comunicação, normalmente derivadas de leis ou regulamentos específicos, tecnologias, e políticas organizacionais etc. Gerenciar as comunicações Gerenciar as comunicações é o processo de criar, coletar, distribuir, armazenar, recuperar, e de disposição final das informações do projeto, de acordo com o plano de gerenciamento das comunicações. O principal benefício desse processo é possibilitar um fluxo de comunicação eficiente e eficaz entre as partes interessadas do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 59. Figura 59. Gerenciar as comunicações: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento das comunicações 2. Relatórios de desempenho do trabalho 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Tecnologias de comunicações 2. Modelos de comunicações 3. Métodos de comunicação 4. Sistemas de gerenciamento de informações 5. Relatórios de desempenho Ferramentas e Técnicas 1. Comunicações do projeto 2. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 3. Atualizações nos documentos do projeto 4. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 120 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Esse processo vai além da distribuição de informações relevantes e procura assegurar que as informações, sendo comunicadas para as partes interessadas do projeto, sejam geradas de forma apropriada, assim como recebidas e compreendidas. Ele também fornece oportunidades às partes interessadas de solicitar informações, esclarecimentos e discussões adicionais. As técnicas e considerações para o gerenciamento eficaz das comunicações incluem: » Modelos de emissor-receptor: a incorporação de ciclos de feedback para fornecer oportunidades de interação/participação e remover barreiras de comunicação. » Escolha dos meios de comunicação: situações específicas de quando comunicar por escrito ou oralmente, quando preparar um memorando informal ou um relatório formal, e quando se comunicar presencialmente ou por e-mail. » Estilo de redação: uso adequado da voz ativa ou passiva, estrutura das frases, e escolha das palavras. » Técnicas de gerenciamento de reuniões: preparação de uma agenda e administração de conflitos. » Técnicas de apresentação: consciência do impacto da linguagem corporal e desenvolvimento de recursos visuais. » Técnicas de facilitação: obtenção de consenso e superação de obstáculos. » Técnicas de escuta: escutar ativamente (confirmar, esclarecer e confirmar o entendimento) e remover as barreiras que afetam negativamente a compreensão. Controlar as comunicações Controlar as comunicações é o processo de monitorar e controlar as comunicações no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto para assegurar que as necessidades de informação das partes interessadas do projeto sejam atendidas. O principal benefício desse processo é a garantia de um fluxo ótimo de informações entre todos os participantes das comunicações, em qualquer momento. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 60. 121 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III Figura 60. Controlar as comunicações: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Comunicações do projeto 3. Registro das questões 4. Dados de desempenho do trabalho 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Sistemas de gerenciamento de informações 2. Opinião especializada 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Controlar as Comunicações” pode acionar uma iteração dos processos “Planejar o Gerenciamento das Comunicações” e/ou “Gerenciar as Comunicações”. Essa iteração ilustra a natureza contínua dos processos de gerenciamento das comunicações do projeto. Elementos de comunicação específicos, tais como questões ou principais indicadores de desempenho (por exemplo, cronograma, custos e qualidade reais versus planejados) podem acionar uma revisão imediata, enquanto outros não. O impacto e as repercussões das comunicações do projeto devem ser cuidadosamente avaliados e controlados para assegurar que a mensagem correta seja entregue à audiência correta, no tempo certo. 122 CAPÍTULO 2 Gerenciamento dos riscos do projeto O Gerenciamento dos riscos do projeto inclui os processos de planejamento, identificação, análise, planejamento de respostas e controle de riscos de um projeto. Os objetivos do gerenciamento dos riscos do projeto são aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos e reduzir a probabilidade e o impacto dos eventos negativos no projeto. Os processos de gerenciamento dos riscos do projeto são: » Planejar o gerenciamento dos riscos: processo de definição de como conduzir as atividades de gerenciamento dos riscos de um projeto. » Identificar os riscos: processo de determinação dos riscos que podem afetar o projeto e de documentação das suas características. » Realizar a análise qualitativa dos riscos: processo de priorização de riscos para análise ou ação posterior por meio da avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. » Realizar a análise quantitativa dos riscos: processo de analisar numericamente o efeito dos riscos identificados nos objetivos gerais do projeto. » Planejar as respostas aos riscos: processo de desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. » Controlar os riscos: o processo de implementar planos de respostas aos riscos, acompanhar os riscos identificados, monitorar riscos residuais, identificar novos riscos e avaliar a eficácia do processo de gerenciamento dos riscos durante todo o projeto. O risco do projeto é um evento ou condição incerta que, se ocorrer, provocará um efeito positivo ou negativo em um ou mais objetivos do projeto, tais como escopo, cronograma, custo e qualidade. Um risco pode ter uma ou mais causas e, se ocorrer, pode ter um ou mais impactos. Uma causa pode ser um requisito, premissa, restrição ou condição potencial que crie a possibilidade de resultados negativos ou positivos. Por exemplo, as causas podem incluir o requisito de uma autorização ambiental para o trabalho, ou limitações de pessoal designado para planejar o projeto. O risco é que a agência responsável pela autorização possa demorar mais do que o planejado para 123 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III conceder a autorização ou, no caso de uma oportunidade, que o pessoal adicional de desenvolvimento possa ficar disponível para participar do planejamento e seja designado para o projeto. Se um desses eventos incertos ocorrer, podehaver impacto no escopo, custo, cronograma, qualidade ou desempenho do projeto. As condições de risco podem incluir aspectos do ambiente da organização ou do projeto que contribuem para os riscos do projeto, tais como práticas imaturas de gerenciamento de projetos, falta de sistemas integrados de gerenciamento, vários projetos simultâneos ou dependência de participantes externos fora do controle direto do projeto. O risco do projeto tem origem na incerteza existente em todos os projetos. Os riscos conhecidos são aqueles que foram identificados e analisados, possibilitando o planejamento de respostas. Deve ser designada uma reserva de contingência para os riscos conhecidos que não podem ser gerenciados de forma proativa. Os riscos desconhecidos não podem ser gerenciados de forma proativa e, assim sendo, podem receber uma reserva de gerenciamento. Um risco negativo do projeto que já ocorreu também é considerado uma questão de projeto (problema). Os riscos individuais do projeto são diferentes do risco geral do projeto. O risco geral do projeto representa o efeito da incerteza no projeto como um todo. Ele é mais do que a soma dos riscos individuais do projeto, pois inclui todas as fontes de incerteza no projeto. Ele representa a exposição das partes interessadas às implicações das variações no resultado do projeto, tanto positivas quanto negativas. As organizações entendem o risco como o efeito da incerteza nos projetos e objetivos organizacionais. As organizações e as partes interessadas estão dispostas a aceitar vários graus de riscos, dependendo da sua atitude em relação aos riscos. A atitude das organizações e das partes interessadas em relação aos riscos pode ser influenciada por um número de fatores, que são classificados de forma ampla em três tópicos: » Apetite de risco, que é o grau de incerteza que uma entidade está disposta a aceitar, na expectativa de uma recompensa. » Tolerância a riscos, que é o grau, a quantidade ou o volume de risco que uma organização ou um indivíduo está disposto a tolerar. » Limite de riscos, que se refere às medidas ao longo do nível de incerteza ou nível de impacto no qual uma parte interessada pode ter um interesse específico. A organização aceitará o risco abaixo daquele limite. A organização não tolerará o risco acima daquele limite. Os riscos positivos e negativos são comumente chamados de oportunidades e ameaças. O projeto pode ser aceito se os riscos estiverem dentro das tolerâncias e em equilíbrio com 124 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) as recompensas que podem ser obtidas ao assumir os riscos. Riscos positivos que oferecem oportunidades dentro dos limites de tolerância podem ser adotados a fim de gerar valor aprimorado. Por exemplo, a adoção de uma técnica agressiva de otimização de recursos é um risco assumido na expectativa de uma recompensa pelo uso de menos recursos. Planejar o gerenciamento dos riscos Planejar o gerenciamento dos riscos é o processo de definição de como conduzir as atividades de gerenciamento dos riscos de um projeto. O principal benefício desse processo é que ele garante que o grau, tipo, e visibilidade do gerenciamento dos riscos sejam proporcionais tanto aos riscos quanto à importância do projeto para a organização. O plano de gerenciamento dos riscos é vital na comunicação, obtenção de acordo e apoio das partes interessadas para garantir que o processo de gerenciamento dos riscos seja apoiado e executado de maneira efetiva. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 61. Figura 61. Planejar o gerenciamento dos riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. .Plano de gerenciamento do projeto 2. Termo de abertura do projeto 3. Registro das partes interessadas 4. Fatores ambientais da empresa 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Técnicas analíticas 2. Opinião especializada 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento dos riscos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O planejamento cuidadoso e explícito aumenta a probabilidade de êxito dos outros processos de gerenciamento dos riscos. O planejamento também é importante para fornecer recursos e tempo suficientes para as atividades de gerenciamento dos riscos e para estabelecer uma base acordada para a avaliação dos riscos. O processo “Planejar o Gerenciamento dos Riscos” deve começar quando o projeto é concebido, e ser concluído na fase inicial do planejamento do projeto. O plano de gerenciamento dos riscos é um componente do plano de gerenciamento do projeto, e descreve como as atividades de gerenciamento dos riscos serão estruturadas e executadas. O plano de gerenciamento dos riscos inclui o seguinte: » Metodologia: define as abordagens, ferramentas e fontes de dados que podem ser usadas para realizar o gerenciamento dos riscos no projeto. 125 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III » Papéis e responsabilidades: define o líder, o apoio e os membros da equipe de gerenciamento dos riscos para cada tipo de atividade do plano de gerenciamento dos riscos, e explica suas responsabilidades. » Orçamento: estima os fundos com base nos recursos designados para inclusão na linha de base de custos e estabelece os protocolos para aplicação das reservas de contingência e gerenciamento. » Prazos: define quando e com que frequência os processos de gerenciamento dos riscos serão realizados durante o ciclo de vida do projeto, estabelece os protocolos para aplicação das reservas de contingências do cronograma e estabelece as atividades de gerenciamento dos riscos a serem incluídas no cronograma do projeto. » Categorias de riscos: fornece um meio de agrupar possíveis causas de riscos. Podem ser usadas várias abordagens, como, por exemplo, uma estrutura baseada nos objetivos do projeto por categoria. A estrutura analítica dos riscos (EAR) ajuda a equipe do projeto a considerar muitas fontes a partir das quais os riscos podem surgir em um exercício de identificação de riscos. Diferentes estruturas de EARs serão apropriadas para diferentes tipos de projetos. Uma organização pode usar uma estrutura de categorização previamente preparada, que pode ter a forma de uma simples lista de categorias ou ser estruturada em uma EAR. A EAR é uma representação hierárquica dos riscos, de acordo com suas categorias de riscos. Um exemplo é apresentado na Figura 62. » Definições de probabilidade e impacto dos riscos: a qualidade e a credibilidade da análise dos riscos requerem a definição de diferentes níveis de probabilidade e impacto dos riscos que são específicos ao contexto do projeto. As definições gerais dos níveis de probabilidade e impacto são adaptadas a cada projeto durante o processo “Planejar o Gerenciamento dos Riscos”, para serem usadas nos processos subsequentes. » Matriz de probabilidade e impacto: matriz de probabilidade e impacto é uma rede para o mapeamento de probabilidade de ocorrência de cada risco e o seu impacto nos objetivos do projeto caso tal risco ocorra. Os riscos são priorizados de acordo com suas implicações potenciais de afetar os objetivos do projeto. Uma abordagem típica de priorização dos riscos é usar uma tabela de referência ou uma matriz de probabilidade e impacto. As combinações específicas de probabilidade e impacto que fazem com que um risco seja classificado com importância “alta”, “moderada” ou “baixa” são geralmente definidas pela organização. 126 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) » Tolerâncias revisadas das partes interessadas: as tolerâncias das partes interessadas, conforme se aplicam ao projeto específico, podem ser revisadas no processo “Planejaro Gerenciamento dos Riscos”. » Formatos de relatórios: os formatos de relatórios definem como os resultados do processo de gerenciamento dos riscos serão documentados, analisados e comunicados. Eles descrevem o conteúdo e o formato do registro dos riscos, assim como quaisquer outros relatórios de riscos necessários. » Acompanhamento: o acompanhamento documenta como as atividades de risco serão registradas para benefício do projeto atual, e como os processos de gerenciamento dos riscos serão auditados. Figura 62. Exemplo de uma estrutura analítica dos riscos (EAR). Projeto 3 Organizacional 2 Externo 1 Técnico 1.1 Requisitos 1.2 Tecnologia 2.1 Subcontratadas e fornecedores 2.2 Regulador 3.1 Dependências do projeto 3.2 Recursos 4.1 Estimativa 4.2 Planejamento 1.3 Complexidade e interfaces 1.4 Desempenho e confiabilidade 2.3 Mercado 2.4 Cliente 3.3 Financiamento 3.4 Priorização 4.3 Controle 4.4 Comunicação 1.5 Qualidade 2.5 Condições climáticas 4 Gerenciamento de Projetos Fonte: PMBOK (2013). Identificar os riscos Identificar os riscos é o processo de determinação dos riscos que podem afetar o projeto e de documentação de suas características. O principal benefício desse processo é a documentação dos riscos existentes e o conhecimento e a capacidade que ele fornece à 127 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III equipe do projeto de antecipar os eventos. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 63. Identificar os riscos é um processo iterativo porque novos riscos podem surgir ou se tornar evidentes durante o ciclo de vida do projeto. A frequência da iteração e participação em cada ciclo variará de acordo com a situação. O formato das especificações dos riscos deve ser consistente para garantir que cada risco seja compreendido claramente e sem equívocos, a fim de proporcionar a análise e o desenvolvimento de respostas eficazes. A especificação dos riscos deve oferecer a capacidade de comparar o efeito relativo de um risco em relação a outros riscos no projeto. O processo deve envolver a equipe do projeto de modo que ela possa desenvolver e manter um sentido de propriedade e responsabilidade pelos riscos e ações associadas de resposta aos riscos. As partes interessadas externas à equipe do projeto podem fornecer informações objetivas adicionais. Figura 63. Identificar os riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos riscos 2. Plano de gerenciamento dos custos 3. Plano de gerenciamento do cronograma 4. Plano de gerenciamento da qualidade 5. Plano de gerenciamento dos recursos humanos 6. Linha de base do escopo 7. Estimativas de custos das atividades 8. Estimativas de duração das atividades 9. Registro das partes interessadas 10. Documentos do projeto 11. Documentos de aquisição 12. Fatores ambientais da empresa 13. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Revisões de documentação 2. Técnicas de coleta de informações 3. Análise de listas de verificação 4. Análise de premissas 5. Técnicas de diagramas 6. Análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças (SWOT) 7. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Registro dos riscos Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O principal resultado do processo “Identificar os Riscos” é a entrada inicial no registro dos riscos. O registro dos riscos é o documento em que os resultados da análise dos riscos e o planejamento das respostas aos riscos são registrados. Ele contêm os resultados dos outros processos de gerenciamento dos riscos, conforme são conduzidos, resultando em um aumento no nível e no tipo de informações contidas no registro dos riscos ao longo do tempo. A preparação do registro dos riscos começa no processo “Identificar os 128 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Riscos” com as informações a seguir e, então, fica disponível para outros processos de gerenciamento do projeto e de gerenciamento dos riscos do projeto: » Lista dos riscos identificados: os riscos identificados são descritos com o maior número de detalhes possível. Pode-se usar uma estrutura para a descrição dos riscos usando as especificações de riscos, como, por exemplo, o EVENTO pode ocorrer, causando o IMPACTO, ou Se UMA CAUSA existe, o EVENTO pode ocorrer, levando ao EFEITO. Além da lista de riscos identificados, as causas principais desses riscos podem ficar mais evidentes. Essas são as condições ou os eventos fundamentais que podem provocar um ou mais riscos identificados. Eles devem ser registrados e usados para apoiar a futura identificação de riscos para esse e outros projetos. » Lista de respostas potenciais: as respostas potenciais a um risco às vezes podem ser identificadas durante o processo “Identificar os Riscos”. Essas respostas, se identificadas nesse processo, podem ser úteis como entradas para o processo “Planejar as Respostas aos Riscos”. Realizar a análise qualitativa dos riscos Realizar a análise qualitativa dos riscos é o processo de priorização de riscos para análise ou ação adicional por meio da avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. O principal benefício desse processo é habilitar os gerentes de projetos a reduzir o nível de incerteza e focar os riscos de alta prioridade. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 64. Figura 64. Realizar a análise qualitativa dos riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos riscos 2. Linha de base do escopo 3. Registro dos riscos 4. Fatores ambientais da empresa 5. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Avaliação de probabilidade impacto dos riscos 2. Matriz de probabilidade e impacto 3. Avaliação de qualidade dos dados sobre riscos 4. Categorização de riscos 5. Avaliação da urgência dos riscos 6. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos” avalia a prioridade dos riscos identificados usando a sua probabilidade relativa ou plausibilidade de ocorrência, o impacto 129 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III correspondente nos objetivos do projeto se os riscos ocorrerem, assim como outros fatores, como o intervalo de tempo para resposta e a tolerância a riscos da organização associada com as restrições de custo, cronograma, escopo e qualidade do projeto. Essas avaliações refletem a atitude da equipe do projeto e das outras partes interessadas do projeto em relação ao risco. Portanto, uma avaliação eficaz requer a identificação explícita e o gerenciamento das abordagens dos riscos dos principais participantes no processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos”. Caso essas abordagens dos riscos gerem parcialidade na avaliação dos riscos identificados, tal parcialidade deve ser identificada e corrigida com atenção. O processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos” normalmente é um meio rápido e econômico de estabelecer as prioridades do processo “Planejar as Respostas aos Riscos” e define a base para o processo “Realizar a Análise Quantitativa dos Riscos”, se necessária. O processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos” é realizado regularmente durante todo o ciclo de vida do projeto, como definido no plano de gerenciamento dos riscos do projeto. Esse processo pode resultar no processo “Realizar a Análise Quantitativados Riscos” ou diretamente no processo “Planejar as Respostas aos Riscos”. Realizar a análise quantitativa dos riscos Realizar a análise quantitativa dos riscos é o processo de analisar numericamente o efeito dos riscos identificados nos objetivos gerais do projeto. O principal benefício desse processo é a produção de informações quantitativas dos riscos para respaldar a tomada de decisões, a fim de reduzir o grau de incerteza dos projetos. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 65. Figura 65. Realizar a análise quantitativa dos riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos riscos 2. Plano de gerenciamento dos custos 3. Plano de gerenciamento do cronograma 4. Registro dos riscos 5. Fatores ambientais da empresa 6. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Técnicas de coleta e apresentação de dados 2. Técnicas de modelagem e análise quantitativa dos riscos 3. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Realizar a Análise Quantitativa dos Riscos” é executado nos riscos que foram priorizados pelo processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos” como tendo 130 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) impacto potencial e substancial nas demandas concorrentes do projeto. O processo “Realizar a Análise Quantitativa” dos riscos analisa o efeito desses riscos nos objetivos do projeto. Ele é usado principalmente para avaliar o efeito agregado de todos os riscos que afetam o projeto. Quando os riscos direcionam a análise quantitativa, o processo pode ser usado para atribuir uma classificação de prioridade numérica àqueles riscos individualmente. Planejar as respostas aos riscos Planejar as respostas aos riscos é o processo de desenvolvimento de opções e ações para aumentar as oportunidades e reduzir as ameaças aos objetivos do projeto. O principal benefício desse processo é a abordagem dos riscos por prioridades, injetando recursos e atividades no orçamento, no cronograma e no plano de gerenciamento do projeto, conforme necessário. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 66. Figura 66. Planejar as respostas aos riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento dos riscos 2. Registro dos riscos Entradas 1. Estratégias para riscos negativos ou ameaças 2. Estratégias para riscos positivos ou oportunidades 3. Estratégias de respostas de contingência 4. Opinião especializada Ferramentas e Técnicas 1. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Planejar as Respostas aos Riscos” é posterior ao processo “Realizar a Análise Qualitativa dos Riscos” (se for usado). Cada resposta ao risco requer uma compreensão do mecanismo pelo qual o risco será abordado. Esse é o mecanismo usado para analisar se o plano de resposta aos riscos está surtindo o efeito desejado. Ele inclui a identificação e a designação de uma pessoa (o responsável pela resposta ao risco) para assumir a responsabilidade por cada resposta ao risco acordada e financiada. As respostas planejadas devem ser adequadas à relevância do risco, ter eficácia de custos para atender ao desafio, ser realistas dentro do contexto do projeto, acordadas por todas as partes envolvidas e ter um responsável designado. Em geral, é necessário selecionar a melhor resposta ao risco entre as diversas opções possíveis. O processo “Planejar as Respostas aos Riscos” apresenta as abordagens mais usadas para o planejamento de respostas aos riscos. Os riscos incluem as ameaças e as 131 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III oportunidades que podem afetar o êxito do projeto; são analisadas respostas para cada um deles. Controlar os riscos Controlar os riscos é o processo de implementação de planos de respostas aos riscos, acompanhamento dos riscos identificados, monitoramento dos riscos residuais, identificação de novos riscos e avaliação da eficácia do processo de riscos durante todo o projeto. O principal benefício desse processo é a melhoria do grau de eficiência da abordagem dos riscos no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto a fim de otimizar continuamente as respostas aos riscos. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 67. Figura 67. Controlar os riscos: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Registro dos riscos 3. Dados de desempenho do trabalho 4. Relatórios de desempenho do trabalho Entradas 1. Reavaliação de riscos 2. Auditorias de riscos 3. Análise de variação e tendências 4. Medição de desempenho técnico 5. Análise de reservas 6. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). As respostas planejadas aos riscos que estão incluídas no registro dos riscos são executadas durante o ciclo de vida do projeto, mas o trabalho do projeto deve ser continuamente monitorado em busca de riscos novos, modificados e desatualizados. O processo “Controlar os Riscos” utiliza técnicas, como análises de variações e tendências, que requerem o uso das informações de desempenho geradas durante a execução do projeto. Outras finalidades do processo “Monitorar os Riscos” determinam se: » as premissas do projeto ainda são válidas; » a análise mostra um risco avaliado que foi modificado ou que pode ser desativado; » as políticas e os procedimentos de gerenciamento dos riscos estão sendo seguidos; e » as reservas para contingências de custo ou cronograma devem ser modificadas de acordo com a avaliação atual dos riscos. 132 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) O processo “Controlar os Riscos” pode envolver a escolha de estratégias alternativas, a execução de um plano de contingência ou alternativo, a adoção de ações corretivas e a modificação do plano de gerenciamento do projeto. O responsável pela resposta ao risco mantém o gerente de projetos periodicamente informado sobre a eficácia do plano, os efeitos imprevistos e qualquer correção necessária para tratar o risco adequadamente. O processo “Controlar os Riscos” também engloba a atualização nos ativos de processos organizacionais, incluindo os bancos de dados de lições aprendidas e os modelos de gerenciamento dos riscos do projeto, para benefício de projetos futuros. 133 CAPÍTULO 3 Gerenciamento das aquisições e das partes interessadas do projeto Gerenciamento das aquisições do projeto O gerenciamento das aquisições do projeto inclui os processos necessários para comprar ou adquirir produtos, serviços ou resultados externos à equipe do projeto. A organização pode ser tanto o comprador quanto o vendedor dos produtos, serviços ou resultados de um projeto. O gerenciamento das aquisições do projeto abrange os processos de gerenciamento de contratos e controle de mudanças que são necessários para desenvolver e administrar contratos ou pedidos de compra emitidos por membros autorizados da equipe do projeto. Ele também inclui a administração de todos os contratos emitidos por uma organização externa (o comprador) que está adquirindo os resultados do projeto da organização executora(o fornecedor)e a administração das obrigações contratuais atribuídas à equipe do projeto pelo contrato. Os processos do gerenciamento das aquisições do projeto são: » Planejar o gerenciamento das aquisições: processo de documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando fornecedores em potencial. » Conduzir as aquisições: processo de obtenção de respostas de fornecedores, seleção deum fornecedor e adjudicação de um contrato. » Controlar as aquisições: processo de gerenciamento das relações de aquisições, monitoramento do desempenho do contrato e realizações de mudanças e correções nos contratos, conforme necessário. » Encerrar as aquisições: processo de finalizar cada uma das aquisições do projeto. Os processos de gerenciamento das aquisições do projeto envolvem acordos, incluindo contratos, que são documentos legais entre um comprador e um fornecedor. Um contrato representa um acordo mútuo que obriga o fornecedor a oferecer algo de valor (por exemplo, produtos, serviços ou resultados especificados) e obriga o comprador a fornecer uma compensação monetária ou de outro tipo. O acordo pode ser simples ou complexo, e pode refletir a simplicidade ou complexidade dos resultados e do esforço necessário. 134 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Um contrato de aquisição inclui termos e condições e pode incorporar outros itens especificados relativos ao que o fornecedor deve realizar ou fornecer. A equipe de gerenciamento do projeto é responsável por assegurar que todas as aquisições atendam às necessidades específicas do projeto e, ao mesmo tempo, cumpram as políticas de aquisição da organização. Dependendo da área de aplicação, o contrato também pode ser chamado de acordo, entendimento, subcontrato ou ordem de compra. A maioria das organizações tem políticas e procedimentos documentados que definem especificamente as regras de aquisição e determinam quem tem autoridade para assinar e administrar esses acordos em nome da organização. Planejar o gerenciamento das aquisições Planejar o gerenciamento das aquisições é o processo de documentação das decisões de compras do projeto, especificando a abordagem e identificando fornecedores em potencial. O principal benefício desse processo é que ele determina se deve adquirir ou não apoio externo e, se for o caso, o que adquirir, como fazer a aquisição, a quantidade necessária, e quando efetuar a aquisição. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 68. Figura 68. Planejar o gerenciamento das aquisições: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Documentação dos requisitos 3. Registro dos riscos 4. Requisitos de recursos das atividades 5. Cronograma do projeto 6. Estimativas de custos das atividades 7. Registro das partes interessadas 8. Fatores ambientais da empresa 9. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de fazer ou comprar 2. Opinião especializada 3. Pesquisa de mercado 4. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento das aquisições 2. Especificação do trabalho das aquisições 3. Documentos de aquisição 4. Critérios para seleção de fontes 5. Decisões de fazer ou comprar 6. Solicitações de mudança 7. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Planejar o Gerenciamento das Aquisições” identifica também as necessidades do projeto que podem, ou devem ser mais bem atendidas com a aquisição de produtos, serviços ou resultados fora da organização do projeto, em comparação com as necessidades do projeto que podem ser efetuadas pela equipe do projeto. Quando o projeto obtém os produtos, serviços e resultados necessários ao seu desempenho fora da organização executora, os processos desde “Planejar o 135 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III Gerenciamento das Aquisições” até “Encerrar as Aquisições” são realizados para cada item a ser adquirido. O plano de gerenciamento das aquisições é um componente do plano de gerenciamento do projeto que descreve como a equipe do projeto adquirirá produtos e serviços fora da organização executora. Ele descreve como os processos de aquisição serão gerenciados, do desenvolvimento dos documentos de aquisições ao fechamento do contrato. O plano de gerenciamento das aquisições pode incluir orientações para: » tipos de contratos a serem usados; » questões de gerenciamento dos riscos; » se serão usadas estimativas independentes e se elas são necessárias como critérios de avaliação; » as ações que a equipe de gerenciamento de projetos pode adotar unilateralmente, caso a organização executora tenha um departamento estabelecido de aquisições, contratos ou compras; » documentos padronizados de aquisição, caso necessários; » quaisquer restrições e premissas que poderiam afetar as aquisições planejadas; » lidar com o longo tempo de espera necessário para comprar alguns itens dos fornecedores e coordenar o tempo extra necessário para adquirir esses itens, com o desenvolvimento do cronograma do projeto; » lidar com as decisões de fazer ou comprar e vinculá-las aos processos “Estimar os Recursos das Atividades” e “Desenvolver o Cronograma”; » definir as datas agendadas em cada contrato para os resultados e coordená-las com os processos de desenvolvimento e controle do cronograma; » identificar os requisitos de obrigações de realização ou contratos de seguros para mitigar algumas formas de riscos do projeto; » estabelecer a orientação a ser dada aos fornecedores para desenvolvimento e manutenção de uma estrutura analítica do projeto (EAP); » estabelecer a forma e o formato a serem usados para as especificações do trabalho de aquisições/contratos; » identificar fornecedores pré-qualificados para serem usados; e » métricas de aquisições a serem usadas para gerenciar contratos e avaliar fornecedores. 136 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) A especificação do trabalho (ET) de cada aquisição é desenvolvida a partir da linha de base do escopo do projeto e define apenas a parte do escopo do projeto que deve ser incluída no contrato correspondente. A ET da aquisição descreve o item de aquisição em detalhes suficientes para permitir que os fornecedores em potencial determinem se são capazes de fornecer os produtos, serviços ou resultados. Os detalhes podem variar de acordo com a natureza do item, as necessidades do comprador ou o tipo de contrato esperado. As informações constantes em uma ET podem incluir especificações, quantidade desejada, níveis de qualidade, dados de desempenho, período de desempenho, local do trabalho e outros requisitos. Os documentos de aquisição são usados para solicitar propostas dos fornecedores em potencial. Termos como licitação, oferta ou cotação são usados geralmente quando a decisão de escolha do fornecedor for baseada no preço (como na compra de itens comerciais ou padronizados) enquanto o termo proposta é usado quando outras considerações, como capacidade ou abordagem técnica, são mais importantes. São usados termos comuns para diferentes tipos de documentos de aquisição que podem incluir solicitação de informações (SDI), convite para licitação (CPL), solicitação de proposta (SDP), solicitação de cotação (SDC), aviso de oferta e convite para negociação e resposta inicial do vendedor. A terminologia específica de aquisição usada pode variar de acordo com o setor e o local da aquisição. Os critérios de seleção de fontes em geral são incluídos nos documentos de solicitação de aquisições. Esses critérios são desenvolvidos e usados para classificar ou avaliaras propostas dos fornecedores e podem ser objetivos ou subjetivos. Os critérios de seleção podem se limitar ao preço de compra se o item de aquisição estiver prontamente disponível de alguns fornecedores aceitáveis. O preço de compra nesse contexto inclui o custo do item e todas as despesas subordinadas, como entrega. Outros critérios de seleção podem ser identificados e documentados para apoiar a avaliação no caso de produtos, serviços ou resultados mais complexos. Alguns critérios possíveis para seleção de fontes são: » Entendimento da necessidade: até que ponto a proposta do fornecedor atende à especificação do trabalho das aquisições? » Custo geral ou do ciclo de vida: o fornecedor selecionado produzirá o custo total de propriedade mais baixo (custo da compra mais custo operacional)? 137 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III » Capacidade técnica: o fornecedor tem, ou pode-se esperar que ele adquira, a capacidade e os conhecimentos técnicos necessários? » Risco: que nível de risco está embutido na especificação do trabalho, que nível de risco será atribuído ao fornecedor selecionado e de que modo o fornecedor poderá mitigar o risco? » Abordagem de gerenciamento: o fornecedor tem, ou pode-se esperar que desenvolva, processos e procedimentos de gerenciamento para garantir o êxito do projeto? » Abordagem técnica: as metodologias técnicas, técnicas, soluções e serviços propostos pelo fornecedor cumprem os requisitos dos documentos de aquisição, ou é provável que forneçam resultados superiores ou inferiores aos esperados? » Garantia: o que o fornecedor oferece como garantia do produto final, e por que período? » Capacidade financeira: o fornecedor tem, ou pode-se esperar que ele obtenha, de maneira razoável, os recursos financeiros necessários? » Capacidade de produção e interesse: o fornecedor tem capacidade e interesse em atender a requisitos futuros potenciais? » Tamanho e tipo da empresa: a empresa do fornecedor pertence a uma categoria específica de negócios tal como uma microempresa (com desvantagens, programas específicos etc.), conforme definido pela organização ou estabelecido pelo órgão governamental e apresentado como uma condição de concessão do acordo? » Desempenho anterior dos fornecedores: como foi a experiência anterior com os fornecedores selecionados? » Referências: o fornecedor pode dar referências de clientes anteriores que confirmem sua experiência de trabalho e o cumprimento dos requisitos contratuais? » Direitos de propriedade intelectual: o fornecedor reivindica direitos de propriedade intelectual nos processos do trabalho ou nos serviços que serão usados ou nos produtos a serem produzidos para o projeto? » Direitos de propriedade: o fornecedor reivindica direitos de propriedade nos processos do trabalho ou nos serviços que serão usados ou nos produtos a serem produzidos para o projeto? 138 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) Conduzir as aquisições Conduzir as aquisições é o processo de obtenção de respostas de fornecedores, seleção de um fornecedor e adjudicação de um contrato. O principal benefício desse processo é prover o alinhamento das expectativas internas e externas das partes interessadas por meio de acordos estabelecidos. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 69. Os fornecedores selecionados são os que foram considerados como estando em uma faixa competitiva de acordo com o resultado da avaliação da proposta ou da licitação, e que negociaram uma minuta do contrato que se tornará o contrato real quando for feita a adjudicação. A aprovação final de todas as aquisições complexas, de alto valor e alto risco, em geral, exige a aprovação da administração sênior da organização antes da adjudicação. Um contrato de aquisição inclui termos e condições e pode incorporar outros itens especificados pelo comprador relativos ao que o fornecedor deve executar ou fornecer. É responsabilidade da equipe de gerenciamento do projeto assegurar que todos os acordos atendam às necessidades específicas do projeto e, ao mesmo tempo, cumpram as políticas de aquisição da organização. Dependendo da área de aplicação, um acordo também pode ser chamado de entendimento, contrato, subcontrato ou pedido de compra. Independentemente da complexidade do documento, o contrato é um acordo legal que gera obrigações entre as partes e que obriga o fornecedor a oferecer os produtos, serviços ou resultados especificados e obriga o comprador a remunerar o fornecedor. O contrato é uma relação legal sujeita a ações corretivas nos tribunais. Figura 69. Conduzir as aquisições: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento das aquisições 2. Documentos de aquisição 3. Critérios para seleção de fontes 4. Propostas de fornecedores 5. Documentos do projeto 6. Decisões de fazer ou comprar 7. Especificação do trabalho das aquisições 8. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Reunião com licitantes 2. Técnicas de avaliação de propostas 3. Estimativas independentes 4. Opinião especializada 5. Publicidade 6. Técnicas analíticas 7. Negociações das aquisições Ferramentas e Técnicas 1. Fornecedores selecionados 2. Acordos 3. Calendários dos recursos 4. Solicitações de mudança 5. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 6. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). 139 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III Os principais componentes do documento de um acordo variam, mas, em geral, incluem: » Especificação do trabalho ou resultados. » Linha de base do cronograma; Relatórios de desempenho. » Período de desempenho. » Papéis e responsabilidades. » Local de desempenho do fornecedor. » Definição de preços. » Condições de pagamento. » Local de entrega. » Critérios de inspeção e aceitação. » Apoio ao produto. » Limitação de responsabilidade. » Penalidades. » Incentivos. » Seguros e seguros desempenho. » Aprovações de subcontratadas subordinadas; e » Tratamento de solicitações de mudança. Controlar as aquisições Controlar as aquisições é o processo de gerenciamento das relações de aquisições, monitoramento do desempenho do contrato e realizações de mudanças e correções nos contratos, conforme necessário. O principal benefício desse processo é a garantia de que o desempenho tanto do fornecedor quanto do comprador cumpre os requisitos de aquisição, de acordo com os termos do acordo legal. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 70. Tanto o comprador quanto o fornecedor administram o contrato de aquisição com objetivos semelhantes. Cada um precisa assegurar que ambas as partes cumpram suas obrigações contratuais e que seus próprios direitos legais sejam protegidos. A natureza legal da relação contratual torna imperativo que a equipe de gerenciamento do projeto esteja ciente das implicações legais das ações adotadas na administração 140 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) de qualquer aquisição. Em projetos maiores com vários fornecedores, um aspecto fundamental da administração de contratos é gerenciar as interfaces entre os diversos fornecedores. Devido às variadas estruturas organizacionais, muitas organizações tratam a administração de contratos como uma função administrativa separada da organização do projeto. Embora possa haver um administrador de aquisições na equipe do projeto, esse indivíduo em geral se reporta a um supervisor de outro departamento. Isso ocorre principalmentese a organização executora também for o fornecedor do projeto para um cliente externo. Figura 70. Controlar as aquisições: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Documentos de aquisição 3. Acordos 4. Solicitações de mudança aprovadas 5. Relatórios de desempenho do trabalho 6. Dados de desempenho do trabalho Entradas 1. Sistema de controle de mudanças no contrato 2. Análise de desempenho das aquisições 3. Inspeções e auditorias 4. Relatórios de desempenho 5. Sistemas de pagamento 6. Administração de reivindicações 7. Sistema de gerenciamento de registros Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Controlar as Aquisições” inclui a aplicação dos processos apropriados de gerenciamento de projetos às relações contratuais e a integração dos resultados desses processos no gerenciamento geral do projeto. Essa integração, muitas vezes, ocorre em vários níveis quando existem vários fornecedores e quando há o envolvimento de vários produtos, serviços ou resultados. Os processos de gerenciamento de projetos que se aplicam podem incluir, entre outros: » Orientar e gerenciar a execução do projeto: autorizar o trabalho do fornecedor na ocasião apropriada. » Controlar a qualidade: inspecionar e verificar a adequação do produto do fornecedor. » Realizar o controle integrado de mudanças: garantir que as mudanças sejam aprovadas de forma adequada e que todas as pessoas envolvidas estejam cientes dessas mudanças. » Controlar os riscos: para garantir a mitigação dos riscos. 141 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III Encerrar as aquisições Encerrar as aquisições é o processo de finalizar todas as aquisições do projeto. O principal benefício desse processo é a documentação dos acordos e outros documentos relacionados, para consultas futuras. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 71. O processo “Encerrar as Aquisições” também envolve atividades administrativas como finalização das reivindicações em aberto, atualização nos registros para refletir os resultados finais e arquivamento dessas informações para uso futuro. O processo “Encerrar as Aquisições” aborda cada contrato aplicável ao projeto, ou uma fase do projeto. Em projetos com várias fases, a vigência de um contrato pode se aplicar somente a determinada fase do projeto. Nesses casos, o processo “Encerrar as Aquisições” encerra as aquisições aplicáveis àquela fase do projeto. As reivindicações não resolvidas podem estar sujeitas a um processo judicial após o encerramento. Os termos e condições do contrato podem recomendar procedimentos específicos para o encerramento do acordo. O processo “Encerrar as Aquisições” apoia o processo “Encerrar o Projeto” ou fase assegurando que os acordos contratuais sejam concluídos ou cancelados. Figura 71. Encerrar as aquisições: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Documentos de aquisição Entradas 1. Auditorias de aquisições 2. Negociações das aquisições 3. Sistema de gerenciamento de registros Ferramentas e Técnicas 1. Aquisições encerradas 2. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O cancelamento de um contrato é um caso especial de encerramento das aquisições que pode resultar de um acordo mútuo entre as partes, da inadimplência de uma das partes ou por conveniência do comprador, se estiver estabelecido no contrato. Os direitos e responsabilidades das partes, caso haja cancelamento, estão contidos na cláusula de rescisão do contrato. De acordo com os termos e condições dessas aquisições, o comprador pode ter o direito de cancelar todo o contrato ou uma parte dele, a qualquer momento, por justa causa ou por conveniência. Contudo, com base nos termos e condições desses contratos, o comprador pode ter que ressarcir o fornecedor pelas preparações e por qualquer trabalho concluído e aceito relativo à parte cancelada do contrato. Ao final do processo, o comprador, em geral por meio do administrador de aquisições autorizado, envia ao fornecedor um aviso formal por escrito de que o contrato foi concluído. Os requisitos de encerramento formal das aquisições em geral são definidos 142 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) nos termos e condições do contrato e são incluídos no plano de gerenciamento das aquisições. Gerenciamento das partes interessadas do projeto O gerenciamento das partes interessadas do projeto inclui os processos exigidos para identificar todas as pessoas, grupos ou organizações que podem impactar ou serem impactados pelo projeto, analisar as expectativas das partes interessadas e seu impacto no projeto, e desenvolver estratégias de gerenciamento apropriadas para o engajamento eficaz das partes interessadas nas decisões e execução do projeto. O gerenciamento das partes interessadas também se concentra na comunicação contínua com as partes interessadas para entender suas necessidades e expectativas, abordando as questões conforme elas ocorrem, gerenciando os interesses conflitantes e incentivando o comprometimento das partes interessadas com as decisões e atividades do projeto. A satisfação das partes interessadas deve ser gerenciada como um objetivo essencial do projeto. Os processos de gerenciamento das partes interessadas do projeto são: » Identificar as partes interessadas: processo de identificar pessoas, grupos ou organizações que podem impactar ou serem impactados por uma decisão, atividade ou resultado do projeto e analisar e documentar informações relevantes relativas aos seus interesses, nível de engajamento, interdependências, influência e seu impacto potencial no êxito do projeto. » Planejar o gerenciamento das partes interessadas: processo de desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento para engajar as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise das suas necessidades, interesses, e impacto potencial no sucesso do projeto. » Gerenciar o engajamento das partes interessadas: processo de se comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades/expectativas deles, abordar as questões à medida que elas ocorrem, e incentivar o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto, no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto. » Controlar o engajamento das partes interessadas: processo de monitorar os relacionamentos das partes interessadas do projeto em geral, e ajustar as estratégias e planos para o engajamento das partes interessadas. Todos os projetos têm partes interessadas que são afetadas ou podem afetar o projeto de maneira positiva ou negativa. Embora algumas partes interessadas possam ter 143 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III uma habilidade limitada de influenciar o projeto, outras podem ter uma influência significativa no projeto e nos seus resultados esperados. A habilidade do gerente de projetos de identificar e gerenciar essas partes interessadas de maneira apropriada pode fazer a diferença entre o êxito e o fracasso. Identificar as partes interessadas Identificar as partes interessadas é o processo de identificar pessoas, grupos ou organizações que podem ter impacto ou serem impactados por uma decisão, atividade ou resultadodo projeto, e analisar e documentar informações relevantes relativas aos seus interesses, nível de engajamento, interdependências, influência, e seu impacto potencial no sucesso do projeto. O principal benefício desse processo é que ele permite que o gerente de projetos identifique o direcionamento apropriado para cada parte interessada ou grupo de partes interessadas. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 72. Figura 72. Identificar as partes interessadas: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Termo de abertura do projeto 2. Documentos de aquisição 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Análise de partes interessadas 2. Opinião especializada 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Registro das partes interessadas Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). As partes interessadas são pessoas, grupos ou organizações que podem afetar, serem afetados ou sentirem-se afetados por uma decisão, atividade ou resultado de um projeto. Elas englobam pessoas e organizações, tais como clientes, patrocinadores, a organização executora e o público que estão ativamente envolvidos no projeto, ou cujos interesses podem ser positiva ou negativamente afetados pela execução ou pela conclusão do projeto. Elas também podem exercer influência sobre o projeto e suas saídas. As partes interessadas podem estar em diversos níveis da organização e ter diferentes níveis de autoridade, ou estar fora da organização executora do projeto. O principal resultado do processo “Identificar as Partes Interessadas” é o registro das partes interessadas. Ele contém todos os detalhes relativos às partes identificadas, incluindo, entre outros: » Informações de identificação: nome, posição na organização, local, papel no projeto, informações de contato. 144 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) » Informações de avaliação: requisitos essenciais, principais expectativas, influência potencial no projeto, fase de maior interesse no ciclo de vida. » Classificação das partes interessadas: interna/externa, de apoio/ neutra/resistente etc. O registro das partes interessadas deve ser consultado e atualizado regularmente, pois as partes interessadas podem mudar, ou novas partes interessadas podem ser identificadas durante o ciclo de vida do projeto. Planejar o gerenciamento das partes interessadas Planejar o gerenciamento das partes interessadas é o processo de desenvolver estratégias apropriadas de gerenciamento para envolver as partes interessadas de maneira eficaz no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto, com base na análise das suas necessidades, interesses, e impacto potencial no êxito do projeto. O principal benefício desse processo é o fornecimento de um plano claro e de interação com as partes interessadas do projeto para que apoiem os interesses do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 73. Figura 73. Planejar o gerenciamento das partes interessadas: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Registro das partes interessadas 3. Fatores ambientais da empresa 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Opinião especializada 2. Reuniões 3. Técnicas analíticas Ferramentas e Técnicas 1. Plano de gerenciamento das partes interessadas 2. Atualizações nos documentos do projeto Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). O processo “Planejar o Gerenciamento das Partes Interessadas” demonstra como o projeto afetará as partes interessadas, permitindo que o gerente de projetos desenvolva várias maneiras de engajar as partes interessadas no projeto de maneira eficaz, a fim de gerenciar suas expectativas e cumprir os objetivos do projeto. O gerenciamento das partes interessadas significa mais do que melhorar as comunicações, e requer mais do que gerenciar uma equipe. O gerenciamento das partes interessadas envolve a criação e manutenção de relacionamentos entre a equipe do projeto e as partes interessadas, com o objetivo de satisfazer suas respectivas necessidades e requisitos dentro dos limites do projeto. Esse processo gera o plano de gerenciamento das partes interessadas, que contém planos detalhados de realização eficaz do gerenciamento das partes interessadas. 145 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III À medida que o projeto avança, a comunidade das partes interessadas e o nível exigido de envolvimento podem mudar e, assim sendo, o planejamento do gerenciamento das partes interessadas é um processo iterativo que é revisto regularmente pelo gerente de projetos. O plano de gerenciamento das partes interessadas é um componente do plano de gerenciamento do projeto e identifica as estratégias de gerenciamento necessárias para o engajamento das partes interessadas de maneira eficaz. O plano de gerenciamento das partes interessadas pode ser formal ou informal, amplamente estruturado ou altamente detalhado, com base nas necessidades do projeto. Além dos dados reunidos no registro das partes interessadas, o plano de gerenciamento das partes interessadas muitas vezes fornece: » níveis de engajamento desejados e atuais das principais partes interessadas; » âmbito e impacto da mudança nas partes interessadas; » inter-relacionamentos identificados e sobreposição potencial entre as partes interessadas; » requisitos de comunicações das partes interessadas para a atual fase do projeto; » informações a serem distribuídas às partes interessadas, incluindo idioma, formato, conteúdo e nível de detalhes; » motivo da distribuição daquela informação e o impacto esperado no engajamento das partes interessadas; » intervalo de tempo e frequência para a distribuição das informações necessárias às partes interessadas; e » método para atualizar e refinar o plano de gerenciamento das partes interessadas à medida que o projeto progride e se desenvolve. Gerenciar o engajamento das partes interessadas Gerenciar o engajamento das partes interessadas é o processo de se comunicar e trabalhar com as partes interessadas para atender às suas necessidades/expectativas, abordar as questões à medida que elas ocorrem, e promover o engajamento apropriado das partes interessadas nas atividades do projeto, no decorrer de todo o ciclo de vida do projeto. O principal benefício desse processo é que ele permite que 146 UNIDADE III │ PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) o gerente de projetos aumente o nível de apoio às partes interessadas e minimize a sua resistência, ampliando de maneira significativa as chances de êxito do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 74. Figura 74. Gerenciar o engajamento das partes interessadas: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento das partes interessadas 2. Plano de gerenciamento das comunicações 3. Registro das mudanças 4. Ativos de processos organizacionais Entradas 1. Métodos de comunicação 2. Habilidades interpessoais 3. Habilidades de gerenciamento Ferramentas e Técnicas 1. Registro das questões 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). Gerenciar o engajamento das partes interessadas envolve atividades tais como: » engajar as partes interessadas nas etapas apropriadas do projeto para obter ou confirmar seu compromisso continuado com o êxito do projeto; » gerenciar as expectativasdas partes interessadas por meio da negociação e comunicação a fim de assegurar o alcance das metas do projeto; » abordar as preocupações potenciais que ainda não se tornaram problemas e antecipar problemas futuros que podem ser colocados pelas partes interessadas. Tais preocupações precisam ser identificadas e discutidas o mais cedo possível para analisar os riscos associados do projeto; e » esclarecer e solucionar as questões que foram identificadas. Controlar o engajamento das partes interessadas Controlar o engajamento das partes interessadas é o processo de monitorar os relacionamentos das partes interessadas no projeto em geral, e ajustar as estratégias e planos para o engajamento delas. O principal benefício desse projeto é a manutenção ou aumento da eficiência e eficácia das atividades de engajamento das partes interessadas à medida que o projeto se desenvolve e seu ambiente muda. As entradas, ferramentas e técnicas, e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 75. 147 PROCESSOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETO (CONT.) │ UNIDADE III Figura 75. Controlar o engajamento das partes interessadas: entradas, ferramentas e técnicas, e saídas. 1. Plano de gerenciamento do projeto 2. Registro das questões 3. Dados de desempenho do trabalho 4. Documentos do projeto Entradas 1. Sistema de gerenciamento de informações 2. Opinião especializada 3. Reuniões Ferramentas e Técnicas 1. Informações sobre o desempenho do trabalho 2. Solicitações de mudança 3. Atualizações no plano de gerenciamento do projeto 4. Atualizações nos documentos do projeto 5. Atualizações nos ativos de processos organizacionais Saídas Fonte: Figura adaptada de PMBOK (2013). As atividades de engajamento das partes interessadas estão incluídas no plano de gerenciamento das partes interessadas e são executadas durante o ciclo de vida do projeto. O nível de engajamento das partes interessadas deve ser continuamente controlado. 148 UNIDADE IVDESENVOLVIMENTO DE PROJETOS CAPÍTULO 1 Investigação e metodologia na gestão de projetos Dentro da investigação na gestão dos projetos existe um grupo de iniciação que visa definir um novo projeto ou uma nova fase de um projeto, obtendo consentimento para começar o projeto ou a fase. Nos processos de iniciação, o escopo inicial é definido e os recursos financeiros iniciais são comprometidos. Os stakeholders que vão interagir e influenciar o resultado geral do projeto são identificados. Essas informações são capturadas no termo de abertura do projeto e no registro dos stakeholders. Quando o termo de abertura é aprovado, o projeto é oficialmente autorizado. A avaliação, a aprovação e o financiamento do projeto envolvem tanto a equipe de gerenciamento como stakeholders externos aos limites do projeto como mostrado na Figura 76. O limite de um projeto é definido como o instante determinado em que o início ou a conclusão do projeto ou da fase do projeto é autorizado. O objetivo principal do grupo de iniciação é alinhar as expectativas dos stakeholders com o objetivo do projeto, mostrando-lhes visibilidade sobre o escopo e objetivos, e indicar como a participação deles nos projetos e em suas respectivas fases pode certificar a realização das suas expectativas. Esses processos ajudam a determinar a visão do projeto, o que precisa ser alcançado. 149 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV Figura 76. Fluxo encerrar o projeto ou fase. Fonte: PMBOK (2013). Os projetos muito grandes e complexos devem ser divididos em fases separadas. Nesses projetos, os processos de iniciação são realizados em fases anteriores para validar as decisões tomadas quando ocorrer o desenvolvimento do termo de abertura do projeto e da identificação dos stakeholders. A realização dos processos de iniciação na abertura de cada fase ajuda a manter o foco nos objetivos dos projetos inicialmente estipulados. Os critérios para o êxito são verificados e a influência, os acionadores/gatilhos e os objetivos dos stakeholders no projeto são analisados. Então é decidido se o projeto deve ser continuado, prorrogado ou interrompido. O envolvimento de sponsors, clientes e de outras partes interessadas durante a iniciação gera compreensão de todos os envolvidos dos critérios para o êxito, reduz as dificuldades no andamento do projeto em termos de custo e tempo e geralmente melhora o nível de aprovação da entrega, de satisfação do cliente e dos stakeholders. Os processos de iniciação podem ser executados em nível de organização, programa ou portfólio e, por essa situação, uma parte desse processo é externa ao nível de controle do projeto. Por exemplo, antes da iniciação do projeto, uma varredura do ambiente externo e interno para fins de diagnóstico da necessidade de projeto pode ser necessária. Um processo de avaliação de alternativas pode ser utilizado para estabelecer a viabilidade do novo empreendimento. Podem ser desenvolvidas descrições claras dos objetivos do projeto, incluindo as razões porque um projeto específico é a melhor opção para satisfazer os requisitos. Como parte dos processos de iniciação, o gerente do projeto recebe a autorização para empregar os recursos organizacionais às atividades subsequentes do projeto. 150 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Não se pode minimizar o valor de uma boa metodologia. Além de melhorar o desempenho durante a realização do projeto, ele criará, igualmente, as condições para ampliar a confiança dos clientes e, assim, melhorar o relacionamento com eles. Criar uma metodologia funcional da gestão de projetos não é uma tarefa simples. Um dos maiores equívocos que se pode cometer é querer criar um método para o projeto baseado na intuição do gerente de projeto e nas contingências da empresa. Outro seria não conseguir criar um processo integrado entre a metodologia e as ferramentas da gestão de projetos. Dois benefícios surgem dessa integração: o trabalho passa a fluir com menor número de mudanças de objetivos, e os processos são planejados para gerar o mínimo possível de distúrbios nas atividades operacionais da empresa. O simples fato de se ter uma metodologia de gestão de projetos não é garantia de êxito e excelência. A necessidade de aperfeiçoamentos e adaptações na metodologia a ser aplicada pode ser crítica. Além disso, fatores externos podem representar forte influência no êxito ou no fracasso da metodologia de gestão de projetos em uma organização. A mudança é um fator constante no atual ambiente organizacional. Os rápidos avanços tecnológicos que exigiram as mudanças em gestão de projetos desde a década de 1990, provavelmente não perderão força. Outra tendência, a crescente sofisticação dos consumidores e clientes, gerando aumento da customização não deve mudar. Em muitas indústrias, o controle da qualidade e dos custos passa a constituir virtualmente um tópico único. Outros fatores externos, hoje presentes, incluem as fusões e aquisições de empresas, que se concretizam frequentemente, assim como as comunicações em tempo real com o advento da internet. Exemplos de importância do uso da metodologia Atualmente, as empresas gerenciam seus negócios por meio de projetos. Isso é real tanto para organizações não orientadas a projetos quanto para as empresas orientadas a projetos. Virtualmente, todas as atividades em uma organização podem ser tratadas como um tipo de projeto. Portanto, é apropriado que empresas bem administradas vejam uma metodologia em gestão de projetos como uma forma de gerenciar todo o negócio e não exclusivamente os projetos. Os comentários a seguir sobre como a Rockwell Automation, encontrados em Kerzner (2011), considera a gestão de projetos foram feitos por Mike Waldron, gerente de programasLogix e Jeff Moranski, gerente de programas do setor técnico. 151 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV A Rockwel Automation é uma importante empresa de automação industrial que procura ser a melhor provedora mundial de soluções nos setores de energia, controle e informações. Com o foco em soluções de automação que ajudam os clientes a atingir seus objetivos de produtividade, a empresa reúne importantes marcas no setor. A gestão de projetos está sendo cada vez mais focalizada na Rockwell Automation. À medida que a Rockwell passava a concentrar-se em soluções que pudessem ser aplicadas em toda a empresa, a complexidade da gestão de projetos aumentava significativamente. Os clientes esperam utilizar um pacote de software de configuração comum e possuem uma experiência sistemática como usuários em uma ampla diversidade de produtos e plataformas oferecidos. Apesar da necessidade de diversidade de produtos, todos devem ajustar-se a uma estrutura comum. Isso exige alto grau de coordenação entre os diversos produtos: os gerentes de projetos são chamados para fazer com que isso ocorra. A gestão de projetos para o desenvolvimento de produtos na Rockwell Automation padronizou um conjunto de ferramentas que proporciona uma abordagem coerente desde o gerente de projetos, passando por toda a organização e chegando à alta administração. Os benefícios desse conjunto de ferramentas são os indicadores em comum, o veloz processo de aprovação, uma linguagem-padrão e um processo coerente. Um dos princípios centrais da gestão de projetos colaborativos na Rockwell Automation é de que os projetos dentro de uma empresa devem ser gerenciados com êxito antes que os projetos entre empresas possam ter o mesmo rumo, investimento em processos comuns e padrões para projetos tem sido feito na Rockwell Automation a fim de certificar que as bases adequadas estejam colocadas para a colaboração entre empresas. O processo de gestão de projetos na Rockwell Automation conta com flexibilidade, nos permitindo trabalhar com parceiros e nos adequar aos métodos e a estruturas específicas de sua organização, capacitando-os a dirigirem seus negócios por meio de suas próprias estratégias empresariais. O currículo de gestão de projetos da Rockwell Automation auxilia a preparar gerentes de projetos para lidar de forma adequada com as necessidades e desafios de nosso ambiente em mutação. Empregando uma estratégia de análise de habilidades a serem desenvolvidas, sessões de treinamento e avaliação do desenvolvimento posterior. A gestão de projetos da Rockwell Automation está superando os desafios. Desenvolver uma metodologia-padrão de gestão de projetos não é tarefa para uma empresa qualquer. Entretanto, para empresas com projetos de grandes proporções ou que estejam em andamento, o desenvolvimento de um sistema de gestão de projetos viável torna-se imperativo. Como é mostrado por Kerzner (2011),no caso da Ericsson. 152 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Em 1989, a Ericsson Telecom AB desenvolveu uma metodologia de gestão de projetos batizada de PROPS. Ainda que, inicialmente, a finalidade fosse utilizá-la na Área de Negócios de Telecomunicações Públicas para projetos técnicos, a PROPS vem sendo aplicada e bem vista em toda a rede mundial da Ericsson em todos os tipos de projetos. Os usuários fornecem um feedback dos conhecimentos adquiridos e, dessa forma, suas experiências podem ser utilizadas para atualizar a PROPS. Em 1994, uma segunda geração da PROPS foi desenvolvida, incluindo aplicações para pequenos projetos, projetos com engenharia simultânea, e interfuncionais, apresentando melhorias destinadas a aumentar a qualidade de projetos. A PROPS é genérica por natureza e pode ser utilizada em todos os tipos de organização, o que reforça a habilidade da Ericsson de realizar processos em todos os recantos do mundo. A PROPS pode também ser utilizada em todos os tipos de projeto, o que inclui desenvolvimento de produto, desenvolvimento organizacional, construção, marketing, projetos exclusivos, projetos de grande e pequeno porte e projetos internacionais. A PROPS tem o foco voltado para os negócios, o que significa dedicar todas as atividades operacionais à satisfação de cliente e certificar a rentabilidade por meio de uma eficiente utilização dos recursos da empresa. Utiliza um conceito de pontos de controle e de responsável pelo projeto para garantir que os projetos sejam iniciados e realizados de forma orientada aos negócios e que os benefícios para o cliente e para a Ericsson sejam constantemente considerados. O modelo PROPS é extremamente genérico, o que acrescenta flexibilidade a sua aplicação para cada projeto. Assim sendo, a utilização da PROPS garantirá a implementação e aplicação uniforme do posto de controle da Ericsson. O projeto e seus resultados devem ser analisados a partir de diferentes aspectos: o status do projeto, os recursos que sua implantação exigirá e os benefícios prováveis para o cliente e para a Ericsson. Com relação aos cinco postos de controle, as seguintes decisões são levadas em conta: » decisão de iniciar o estudo de viabilidade do projeto. » decisão quanto à realização do projeto. » decisão quanto à continuada realização, à aceitação do projeto ou revisão dos limites e à implementação do que foi resolvido. » decisão sobre a utilização dos resultados finais do projeto, entrega ao cliente, introdução restrita no mercado. » decisão sobre a conclusão do projeto. 153 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV O modelo do projeto descreve quais atividades de gestão devem ser desenvolvidas e que documentos devem ser preparados, do início do pré-estudo até a conclusão do projeto. O responsável determina a abertura do projeto e toma as decisões sobre os postos de controle, ficando a maior parte das demais atividades descritas no modelo sob a responsabilidade do gerente. O modelo do projeto é dividido em quatro fases: pré-estudo, estudo da viabilidade, realização e conclusão. O objetivo da fase de pré-estudo é analisar a viabilidade do ponto de vista técnico e comercial, com base em exigências expressas ou não em necessidades de clientes externos e internos. Faz-se uma estimativa aproximada dos prazos e da carga de trabalho necessários para as diversas alternativas de implantação do projeto. O objetivo da fase de estudo da viabilidade é estabelecer uma boa base para o futuro projeto e uma preparação para uma realização bem-sucedida. Durante o estudo da viabilidade do projeto, analisam-se diferentes alternativas de realização e suas eventuais consequências, bem como o seu potencial para a satisfação das exigências. Iniciam-se, então, as negociações relacionadas ao contrato e se define a organização do projeto em um nível global. O trabalho técnico é desenvolvido pela área técnica correspondente dentro da organização, de acordo com os processos e métodos de trabalho que vêm sendo determinados. Os trabalhos do projeto são efetivamente controlados, isto é, o andamento do projeto é continuadamente verificado, adotando-se todas as medidas necessárias para mantê-lo no custo determinado. Nessa fase de conclusão, os recursos postos à disposição do projeto são desativados, sugerindo-se, então, medidas para aprimorar o modelo do projeto, os modelos e os processos de trabalho. Além de descrever as atividades que serão desenvolvidas para obter um resultado específico, o método de trabalho também inclui definições dos marcos. Quando não existem modelos de trabalho adequados descritos para um projeto, é responsabilidade do respectivo gerente definir as atividades e os marcos para que o plano do projeto possa ser cumprido e o projeto, efetivamente controlado. Marcos claramente definidos são essenciais paramonitorar o progresso, especialmente em projetos grandes e/ou de longo prazo. Além de proporcionar uma maneira de estruturar a programação de prazos, os marcos advertem previamente quanto a atrasos em potencial. Além disso, ajudam a deixar bem claro o progresso do projeto para os integrantes da equipe e para o responsável. Antes de se atingir cada um dos marcos, faz-se uma revisão deles no conjunto do projeto, a fim de comparar os resultados atingidos com o critério determinado pelos marcos. O gerente do projeto é o responsável por essa revisão. O êxito conseguido pela Ericsson em suas operações mundiais pode ser parcialmente atribuído à aceitação e à utilização do modelo PROPS. O que a Ericsson tem feito é 154 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS demonstrar que se pode atingir o êxito mesmo com os mais simples dos modelos e sem o desenvolvimento de rígidos procedimentos e políticas. Barreiras de desenvolvimento e implementação Decidir que a empresa precisa de uma metodologia de gestão de projetos é uma decisão fácil. A parte difícil surge com os obstáculos e problemas que vêm à tona bem após da equipe de criação e implementação ter começado seu trabalho. Entre os problemas típicos, podemos destacar, segundo Kerzner (2007): » A empresa deve desenvolver uma metodologia própria ou deve certificar as melhores práticas de outras empresas e tentar escolher sua metodologia adequada à organização? » A empresa consegue fazer com que toda a organização chegue a um consenso quanto a determinada metodologia para todos os tipos de projetos ou devem-se ter várias metodologias? » Se forem desenvolvidas várias metodologias, será fácil ou difícil tentar-se o aprimoramento contínuo? » Como se deve lidar com uma situação em que somente uma parte da empresa vê vantagem em escolher essa metodologia e o resto da organização quer fazer as coisas do seu modo? » Como convencer os funcionários de que a gestão de projetos é uma competência estratégica e que a metodologia de gestão de projetos é um processo que apoia essa competência? » Para empresas multinacionais ou multilocais, como fazer com que a organização utilize a mesma metodologia no mundo todo? Ela deverá basear-se em um sistema tipo intranet? Essas são perguntas comuns que afligem as empresas durante o processo de desenvolvimento de metodologia. Esses desafios podem ser superados, com grande sucesso, no exemplo a seguir. O Caso da Swiss Re Quando as empresas percebem os benefícios que a gestão de projetos pode lhes oferecer, frequentemente se empenham em determinar a melhor abordagem por meio da qual todos os benefícios podem ser alcançados no menor período possível. Hoje, empresas bem geridas estão se concentrando no treinamento e 155 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV no ensino em gestão de projetos e na implementação de uma organização de gestão de projetos (OGP). A Swiss Re é uma empresa que conseguiu fazer ambas as coisas muito bem. A Swiss Re gasta aproximadamente um terço de seu orçamento anual em projetos. Os projetos são, portanto, parte integrante dos processos de mudança da Swiss Re. Tendo reconhecido a importância dos projetos e do impacto que seu sucesso (ou fracasso) tem sobre o desempenho global da Swiss Re, a alta administração decidiu transformar a gestão de projetos em uma competência central da equipe da empresa. Em setembro de 1999, a alta administração declarou que as capacidades de execução de projetos da Swiss Re precisavam ser radicalmente melhoradas. Para atingir esse objetivo, a Swiss Re decidiu introduzir uma metodologia única de gestão de projetos como padrão para todos os grupos da empresa. Após cuidadosa avaliação de várias metodologias bem conhecidas, a base que mais tarde veio a ser a Gestão de Projetos – Melhores Práticas (GPMP) – foi escolhida e adaptada às necessidades específicas da Swiss RE. A GPMP promove a maturidade na gestão de projetos estabelecendo padrões, oferecendo documentações diversas e ferramentas de apoio e criando uma linguagem comum reconhecida para as questões relativas aos projetos. Em detalhes, a GPMP inclui: » uma estrutura de trabalho detalhada para o ciclo de vida do projeto; » listas de verificação do que é importante em cada fase do ciclo de vida; » esquemas padronizados para os documentos mais importantes necessários no ciclo de vida do projeto com orientações sobre como devem ser preenchidos e qual deve ser seu conteúdo; » descrições de processos passo a passo (por exemplo, Processo de Planejamento de Projeto); » textos técnicos (por exemplo, Técnica de Gestão de Reuniões); » exemplos (por exemplo, Orientações Operacionais); » glossário de termos relacionados com gestão de projetos; » definições de funções para os principais participantes envolvidos nos projetos (patrocinador do projeto, beneficiário do projeto, gerente do projeto etc.). 156 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS A GPMP identifica cinco fases dentro do ciclo de vida dos projetos e uma sexta fase no ciclo de vida dos produtos. Isso é mostrado na Figura 77. Na primeira fase, a de visão, o desenvolvimento de um caso é salientado e os benefícios para a administração são apresentados. No ciclo de vida dos produtos, a última fase, a concretização dos benefícios, deve tornar-se realidade. Dentro de cada uma das fases intermediárias, a GPMP assegura a administração das seguintes áreas: » Escopo: o que está incluído no projeto, e o que não está incluído no projeto. » Tempo: não somente para alcançar a meta do projeto, mas, também, para atingir todos os objetivos principais em cada fluxo de trabalho. » Custos: orçamento e contínuo monitoramento de custos. » Progresso: análise de desempenho de todos os pontos importantes no andamento do projeto. » Comunicação: não só dentro do projeto, mas, também, entre todos os interessados. » Riscos: prioridades e avaliação. » Qualidade: definição e mecanismos de controle. » Benefícios: cálculos e monitoramento. Figura 77. Fases em GPMP. VI S INI PL A EX E E N BE N Ciclo de vida do projeto Ciclo de vida do produto Encerramento Execução e Controle Planejamento Início Visão Concretização de benefícios Fonte: Adaptado de Kerzner (2007). Cada fase é dividida em subfases com tarefas claramente definidas; somente as questões mais importantes devem ser abordadas, juntamente com a tarefa mais importante naquela área. A OGP oferece cursos em GPMP: » Treinamento GPMP para novatos em projetos. 157 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV » Treinamento avançado (GPA) para gerentes de projetos com experiência. » Treinamento em patrocínio para patrocinadores de projetos. A OGP também oferece oficinas personalizadas sobre gestão de projetos. A OGP, além de treinamento, tem outras responsabilidades. Ela está encarregada de promover uma cultura de gestão profissional de projeto em toda a Swiss Re. A OGP realiza essa tarefa aumentando a maturidade na gestão de projetos com o estabelecimento de padrões, disponibilização de documentação diversa e ferramentas de apoio por meio de treinamento, mas, também, se envolvendo diretamente em vários projetos com seus membros atuando com técnicos, líderes ou participantes, criando, desse modo, uma linguagem comum reconhecida para as questões relativas aos projetos. A OGP desenvolveu a metodologia GPMP como padrão mais adequado às necessidades de gestão do projeto da Swiss Re em toda a organização. A fim de avaliar o sucesso, a alta administração atribuiu à OGP a função de controle para supervisionar o portfólio de projeto da Swiss Re com relação a um número definido de indicadores. Pormeio de todas essas ações, a OGP otimiza o potencial de valor dentro da empresa em termos de informação, permite a troca de know-how e desenvolve sinergias de custos por meio de processos e plataformas comuns. Em todas as áreas relativas aos projetos, a OGP sustenta as principais prioridades da Swiss Re por meio de sua atuação (ver Figura 78): » A excelência operacional é incrementada pela melhor gestão de projetos. » A GPMP possibilita processos comuns por meio de padrões predefinidos e ferramentas de apoio. » As mesmas mensurações são aplicadas em todo o grupo. Figura 78. Ações da OGP. Foco no Cliente Excelência no Comprometimento e Infraestrutura Excelência Operacional Processos e Plataformas Comuns Avaliações de Desempenho Uniformes Fonte: Adaptado de Kerzner (2007). 158 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Para garantir que a OGP combine o conhecimento da gestão de projetos com as exigências do negócio, ela está organizada em forma de rede. Cada divisão e área geográfica possui equipes independentes dedicadas à OGP. As principais responsabilidades da OGP na Swiss Re, mostradas na Figura 78, incluem: » Apoio: a OGP oferece a todos os projetos a possibilidade de ter um de seus especialistas na equipe. Os membros da OGP trabalham, quase sempre, como líderes de projeto, mas, às vezes, também como componentes da equipe. » Treinamento: a OGP oferece vários cursos em gestão de projetos, abrangendo todas as funções de gerenciamento em um projeto. O treinamento em GPMP ensina a metodologia GPMP para os novatos em gestão de projetos. O Curso Avançado para Gerentes de Projetos salienta questões mais delicadas relativas ao gerenciamento de pessoas e se dirige aos gerentes de projetos mais experientes. O Curso de Patrocinador de Projetos dirige-se aos patrocinadores de projetos e torna claro o importante papel que exercem em um projeto. » Auxílio Técnico: a OGP auxilia projetos tanto ao longo de todo o seu ciclo de vida quanto em fases difíceis. Como líder de projeto, pode-se ter o técnico da OGP como um parceiro. » Oficinas: em momentos estratégicos de um projeto, poderemos querer nos certificar de que o estabelecimento de nosso projeto está sendo otimizado. Uma oficina personalizada, adequada as nossas exigências, pode ser planejada pela OGP. » Ferramentas/Padrões: incluem um conjunto de propriedade intelectual relativo a projetos, orientações para relatórios de projetos e técnicas de gestão de interdependência de projetos. » Governança: por meio do Relatório de Progresso de Projeto (RPP), a OGP reúne os dados sobre o portfólio de projetos da Swiss Re. A OGP deve apresentar esses resultados para a alta administração uma vez por mês. Fonte: Kerzner (2007). Benefícios de uma metodologia-padrão Para as empresas capazes de compreender a importância de uma metodologia-padrão, os benefícios são inúmeros. Eles podem ser classificados como benefícios de curto e 159 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV de longo prazo. Os de curto prazo têm boa descrição, segundo Kerzner (2007), nas palavras de Michael Peplowski, do ISK Bioscienses: » Redução do tempo de ciclo e dos custos. » Planejamentos realistas com grandes possibilidades de atingir o cronograma previsto. » Melhor comunicação quanto ao “quê” se espera dos grupos e “quando”. » Feedback: conhecimento adquirido ou lições aprendidas. Esses benefícios de curto prazo têm seu foco nos fatores críticos do sucesso ou, melhor dizendo, na realização da gestão de projetos. Os benefícios de curto prazo parecem focar mais os fatores críticos de sucesso e a satisfação dos clientes e os de longo prazo no desenvolvimento e na realização de metodologia universais que incluem: » Maior rapidez na entrega ao mercado mediante fortes monitoramentos e controles. » Melhor tomada de decisões devido a uma melhora na gestão dos riscos. » Minimização em escala global dos riscos no programa. » Aumento da satisfação do cliente, gerando um ciclo virtuoso nos negócios e no valor agregado do produto. Talvez o maior benefício de uma metodologia de classe mundial seja a aceitação e o reconhecimento que encontram entre seus clientes, fazendo com que estes apliquem em toda a cadeia produtiva. Isso cria um clima de confiança favorecendo o uso da metodologia. Usando um exemplo de Kerzner (2007), “Um provedor certa vez constatou que um cliente tinha tamanha confiança e respeito pela sua metodologia que chegou ao ponto de convidá-lo a participar das atividades de planejamento estratégico. O fornecedor sentiu-se como um sócio, em vez de apenas um fornecedor a mais. Isso resultou em contratos de exclusividade para o mesmo.” É muito difícil o desenvolvimento de uma metodologia-padrão que abarque a maioria dos projetos, principalmente em aspectos voltados para a cultura da organização e as metas e objetivos estabelecidos pela administração, podendo, até mesmo, demolir metodologias de gestão de projetos aparentemente boas. Segundo Kerzner (2007), durante as décadas de 1980 e 1990, várias empresas de consultoria desenvolveram suas próprias metodologias de gestão de projetos, mais frequentemente para projetos de sistemas de informação, e para pressionar seus clientes 160 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS a comprá-las em vez de ajudá-los a desenvolver uma metodologia mais adequada as suas necessidades. Embora algumas dessas metodologias possam ter funcionado a contento, parecia haver mais fracassos do que sucessos. Por exemplo, uma empresa adquiriu um pacote de sistemas de informação para gestão de projetos e descobriu tarde demais que esse pacote era inflexível e que a organização, mais especificamente a cultura da corporação, precisaria mudar para aplicar a metodologia de gestão de projetos de modo eficaz. O vendedor posteriormente admitiu que os melhores resultados fossem obtidos se nenhuma alteração fosse feita na metodologia. Implementando a metodologia Não basta ter uma metodologia documentada para transformá-la em serviço de classe mundial. O que transforma uma metodologia-padrão em uma metodologia de classe mundial é a cultura da organização e a forma de implementação da metodologia em questão. Segundo Kerzner (2007), determinada empresa desenvolveu uma excelente metodologia para gestão de projetos. Cerca de um terço da empresa usou a metodologia e reconheceu seus benefícios reais em longo prazo. Os outros dois terços da empresa insistiam em não aplicar a metodologia. O diretor-presidente sentiu-se forçado a intervir, determinando uma reestruturação da organização e tornando a metodologia obrigatória. A importância da realização não pode ser subestimada. Uma das características das organizações com metodologias de classe mundial de gestão de projetos é a de contarem com gerentes altamente capacitados na empresa. O desenvolvimento acelerado de uma metodologia na organização exige a existência de um sponsor convicto de sua indispensabilidade, preocupado na prática da mudança e que comanda o desenvolvimento e a implantação da metodologia em todas as suas etapas e não apenas responsável pela sua implantação. Boas metodologias de gestão de projetos permitem a administração dos clientes e de suas expectativas. Se os clientes confiam na metodologia, então eles entendem e aceitam quando você diz que novas mudanças de objetivos são inviáveis, uma vez iniciadas uma fase específica do ciclo de vida do projeto. Por exemplo, segundo Kerzner (2007), um fornecedor terceirizado da indústria automotiva levou esse conceito de confiança ao extremo. Ele convidou seus clientes para assistirem às reuniões de revisão de final da base, uma atitude que maximizou a confiança entre cliente e fornecedor.No entanto, o cliente foi gentilmente solicitado a não participar dos últimos 15 minutos das reuniões, quando as finanças do projeto seriam discutidas. 161 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV As metodologias de gestão de projetos são um processo “orgânico”, o que implica que estão sujeitas a mudanças e aperfeiçoamentos. Áreas típicas para aprimoramento das metodologias poderiam ser: » melhoria da interface com os fornecedores e clientes; » melhor esclarecimento dos processos, sub processos e atividades; » definição mais clara dos pontos principais e do papel da administração sênior; » reconhecimento da necessidade de indicadores de desempenho adicionais para alguma etapa específica; » desenvolvimento de modelo para envolver a equipe; » aperfeiçoamento da gestão de projetos trabalhando com o foco em melhoria contínua; » modos de instruir os clientes sobre o funcionamento da metodologia; » modos de reduzir o tempo do projeto como um todo. 162 CAPÍTULO 2 Estudos de caso Neste capítulo serão apresentados alguns estudos de caso para mostrar a aplicação da gestão de projetos. Os casos foram selecionados pelo site<https://brasil.pmi.org/ brazil/KnowledgeCenter/CaseStudies.aspx>; Acesso em 26/09/2016. Primeiro Caso: Gerenciamento de projetos melhora a execução da estratégia e competitividade da Lenovo Implementar o gerenciamento de projetos como uma ferramenta para execução da estratégia corporativa. Histórico Nos últimos anos, a indústria do computador pessoal (PC) vem se desenvolvendo aos trancos e barrancos. As vendas globais de PCs totalizaram 230 milhões de unidades em 2006, representando um aumento de 9% sobre o ano anterior. A Lenovo tem uma linha de produtos que inclui tudo, desde servidores e dispositivos de armazenamento até impressoras, suprimentos para impressoras, projetores, produtos digitais, acessórios de informática, serviços e telefone celular, todos eles além de seu negócio principal de PC, o que foi responsável por 96% do volume de negócios da companhia a partir do segundo trimestre de 2007. Desde a aquisição da Divisão de Computação Pessoal da IBM, em maio de 2005, a Lenovo tem acelerado a expansão dos negócios em mercados estrangeiros. A empresa transferiu sua sede corporativa de Pequim, na China, para Raleigh, North Carolina, EUA. Hoje, o grupo tem filiais em 66 países ao redor do globo. Ele conduz seus negócios em 166 países e emprega mais de 25.000 pessoas no mundo todo. A Lenovo está organizada em cinco unidades geográficas: Grande China, América, Ásia-Pacífico, Europa e no Oriente Médio e África (EMEA). Dentro de cada unidade existem departamentos funcionais, que incluem produção, transporte, gestão da cadeia de suprimentos, marketing e vendas. As vendas fora da Grande China foram responsáveis por 59% do volume de negócios total da empresa no segundo trimestre de 2007. 163 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV Desafio Antes de 2004, os fabricantes multinacionais de PC como Dell e HP estavam enfrentando dificuldades para efetuar seus negócios no mercado chinês e, portanto, não representavam uma grave ameaça competitiva para a Lenovo. No entanto, suas operações começaram a ter um grande impacto sobre fatia de mercado da Lenovo em 2004, particularmente entre as principais contas – obrigando a uma melhor execução e competitividade a fim de aumentar o percentual de mercado e melhorar o desempenho empresarial. Solução Para enfrentar esses desafios, a Lenovo propôs mudanças substanciais em seu modelo de negócio e estratégia em 2004, empregando uma abordagem focada em projeto para desenvolver a sua estratégia corporativa. Algumas medidas tomadas foram: » Após a confirmação da estratégia corporativa global da empresa, a Lenovo começou a organizar as tarefas prioritárias que exigia a cooperação multidepartamentos em projetos, referidos como projetos estratégicos. Os projetos estratégicos diferem dos projetos de P&D, uma vez que o tempo e o custo não podem ser usados como pontos de referência para o sucesso. Tais projetos podem ser sobre a expansão para novos mercados, resolver problemas, aumentar a eficiência organizacional, integrar recursos estratégicos ou melhorar a satisfação ou habilidades dos funcionários. No passado, alguns planejamentos estratégicos não foram acompanhados suficientemente, mas a aplicação de gerenciamento de projetos estratégico resolveu esse problema; projetos estratégicos começaram a ser realmente executados e gerar resultados. » A Lenovo também estabeleceu um Escritório de Gerenciamento de Projetos (Project Management Office, PMO) para coordenar projetos estratégicos. A partir de 2004 e início de 2005, a Lenovo criou processos e modificou a estrutura organizacional para estruturar o seu PMO. Também formalizou as relações entre líderes estratégicos e o PMO, e financiou recursos para o escritório. Posteriormente, todos os regulamentos dos outros departamentos da Lenovo precisariam estar em conformidade com os regulamentos do PMO, com detalhes específicos para cada departamento de negócios. No entanto, o PMO da Lenovo não interferiu administrativamente nos projetos, mas, sim, ofereceu treinamento e estabeleceu procedimentos padronizados. Os funcionários da Lenovo viram o PMO como uma espécie de recurso ao invés de um departamento 164 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS administrativo. A designação de um PMO como um departamento administrativo é uma das várias coisas que condenaram essas áreas no passado, mas o escritório da Lenovo tem prosperado e ganhou um prêmio interno de excelência em equipe. A empresa acredita que algumas condições devem existir para utilizar com sucesso o gerenciamento do projeto: Primeiro, a empresa deve enfrentar um desafio (ou seja, um fator externo, que exige a fazê-lo), em segundo lugar, o escritório deve ser priorizado pela liderança da empresa, em terceiro lugar, o escritório deve ser conduzido por uma equipe de profissionais, a fim de garantir que os sistemas específicos da empresa são desenvolvidos e, finalmente, é preciso estar de acordo com a cultura organizacional da empresa e ser apreciado. Caso contrário, é difícil de obter sucesso. » A Lenovo também destinou orçamento para a implementação estratégica. Anteriormente, os planos estratégicos concluídos não eram apoiados financeiramente. Mas com a mudança estratégica, a equipe executiva definiu um orçamento adicional para executar projetos fora do orçamento original e para fornecer bônus para os envolvidos – criando um caminho para a execução bem-sucedida dos planos estratégicos. » A Lenovo enviou os seus melhores talentos para o exame da certificação e aplicou normas de gerenciamento de projetos. Após o acordo de aquisição do negócio de PCs da IBM pela Lenovo, os gerentes de projeto da Lenovo precisavam de uma plataforma comum para se comunicar e gerenciar as equipes em diferentes países. Como um padrão global, de fato, para gerenciamento de projetos, os padrões de gerenciamento de projetos ajudaram a Lenovo a padronizar seus processos. Iniciando pelos seus departamentos funcionais (por exemplo, P&D, gestão da cadeia de abastecimento etc.), a Lenovo selecionou um grupo de profissionais-chave para receber treinamento em gerenciamento de projetos e obter certificação apropriada. Os profissionais retornaram e propagaram o gerenciamento de projetos em seus respectivos departamentos funcionais, e treinaram outros membros da equipe. » A hierarquia dos cargos de gerenciamento de projeto foi introduzida dentro da empresa, em consonância com a estrutura de cargos criada pelo departamento de recursos humanos da empresa. A Lenovo Corporate Research & Developmentintroduziu essa estrutura de cargos entre 2000 e 2001. Diferentes níveis de engenheiros incluíram engenheiro- assistente, engenheiro-adjunto encarregado, engenheiro responsável etc. Os profissionais de engenharia foram avaliados por especialistas 165 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV anualmente em duas ocasiões: primeiro, com base em sua base de conhecimento, ou seja, sua formação e compreensão relevante; em segundo lugar, com base em seu desempenho, por exemplo, sua experiência em P&D. Em 2006, a Lenovo deu o pontapé inicial a uma remodelação global das suas posições. Como exemplo, a divisão de vendas da empresa foi dividida em níveis sequenciais, como assistente de vendedor, gerente de vendas e consultor. Posições são associadas com os salários, mas o regulamento da empresa limita o percentual de funcionários em cada nível. Por exemplo, altas posições podem ocupar apenas cinco por cento de determinada equipe. Gerentes de projeto podem avançar na hierarquia da empresa. Existem mais de 100 gerentes de projeto em tempo integral na Lenovo, mas quase todo o pessoal da Lenovo já participou em algum projeto. A hierarquia constrói uma escada profissional para gerentes de projeto, servindo como um canal para o desenvolvimento de carreira. Maiores resultados A experiência da Lenovo em gerenciamento de projetos cresceu significativamente e transformou sua estratégia corporativa e melhorou o seu modelo de negócio. A abordagem orientada para projetos da empresa melhorou o trabalho em equipe e nivelou todas as equipes; cultura de equipe e cultura corporativa foram difundidas, um espírito inovador foi criado junto com a integração internacional que foi melhorada. Em termos dos resultados de mercado, a adaptação da Lenovo em gerenciamento de projetos tem melhorado a competitividade da empresa com relação à entrega e satisfação do cliente. Por sua vez, o desempenho do diferenciado foi atingido: em 2006, a empresa tinha uma fatia de 7% no mercado global de PCs, superada apenas pela Dell e HP. O volume de negócios total foi de USD 14,6 bilhões, um aumento de 10 por cento sobre o ano anterior. Fonte: <https://brasil.pmi.org/brazil/KnowledgeCenter/~/media/676EC526DC014379B D7F8737243EF2B8.ashx>. Acesso em: 20/1/2015. Segundo Caso: Volkswagen do México – produção de peças – estudo de caso para o Automóvel JETTA Técnicas de gestão de projetos entregam resultados no tempo e dentro do orçamento Para se preparar para a produção de seu novo Jetta, a Volkswagen voltou-se para uma combinação de plantas internacionais e fornecedores externos para produzir partes do novo motor e conjuntos de eixos do carro. 166 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS A Volkswagen Mexico Components (VW México) ganhou uma licitação para produzir vários componentes, incluindo os eixos dianteiros e montagem dos módulos laterais. A equipe da fábrica VW México tinha 21 meses e um orçamento de US$ 3,3 milhões (EUA) para projetar e instalar a linha de montagem e começar a produção em massa de peças. Histórico A VW do México venceu a licitação para o projeto, propondo um custo fixo para a produção de peças. Isso significava que não haveria espaço para derrapagens no orçamento. Qualquer trabalho que ultrapassasse o orçamento seria incorrido como uma perda. O gerente de projeto e equipe teria que desenvolver processos internos para outras equipes seguirem. A produção do eixo dianteiro e a montagem do módulo lateral foram supervisionadas por um profissional da área de gestão de projetos e o projeto foi um dos primeiros a ser gerenciado pelo escritório de projeto da VW México, o qual forneceu supervisão a todo o portfólio de programas e projetos da produção de componentes do Jetta. Além disso, um novo fornecedor foi selecionado para o projeto, enquanto o processo de aquisição de equipamentos estava em andamento. Essa adição tardia resultou num atraso de dois meses na aquisição das linhas de montagem. Desafios A equipe VW México utilizou processos de gestão de projetos para completar o projeto de linha de montagem dentro do prazo e orçamento. Para supervisionar o projeto complexo, a VW México estabeleceu um escritório de projetos (PMO), que era responsável por monitorar e controlar o orçamento global e cronograma para os projetos relacionados ao Jetta. Uma vez que a VW do México foi agraciada com o projeto de montagem, o PMO trabalhou junto com o departamento financeiro para obter os recursos necessários. Um gerente de projeto foi selecionado e o gerente do departamento de manufatura foi nomeado o patrocinador do projeto. O gerente de projeto, apoiado por um membro do departamento de planejamento, integrou os planos apresentados pelos diversos participantes do projeto para desenvolver uma estrutura analítica do projeto (EAP) e linha do tempo detalhada para o projeto global. A EAP serviu como um roteiro para cada fase do projeto. Enquanto os departamentos de produção e qualidade foram envolvidos ao longo do projeto, outros departamentos poderiam ser consultados sempre que necessário. O gerente do 167 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV projeto foi responsável pela supervisão da EAP e em envolver outros departamentos nos momentos adequados. Solução Desde o início até o fechamento, o projeto foi dividido em cinco fases, com nove etapas ao longo de dois anos. O cronograma incluía todo o trabalho de aquisição e fabricação de equipamentos por meio de testes de linha de montagem e otimização. A fase final terminou com o início da produção e a montagem do eixo do módulo lateral. Um plano da qualidade correspondente foi desenvolvido utilizando os padrões da fábrica de componentes, que foi integrado na linha do tempo. O gerente de projetos realizou reuniões periódicas com a equipe principal a fim de manter todos os departamentos informados do progresso. O fornecedor da linha de montagem visitou a fábrica em várias ocasiões para rever o progresso e prestar assistência em quaisquer problemas. Departamentos adicionais foram envolvidos, quando necessário, e um relatório de status do projeto – índice de desempenho detalhado para indicar o progresso em relação ao cronograma geral e do orçamento – foi distribuído mensalmente a todos os departamentos. Devido às rigorosas exigências de aderência orçamentária ao plano de projeto, os recursos financeiros foram bloqueados para evitar custos adicionais. Em cada reunião, os participantes tiveram a oportunidade de solicitar alterações específicas para a EAP. As discussões foram documentadas para fins de qualidade e as mudanças foram aprovadas tanto pelo gerente de projeto quanto pelo patrocinador do projeto. Para garantir que o projeto seria concluído a tempo, o gerente de projeto encontrou formas criativas para resolver questões de calendário criadas no início do processo: Para compensar o atraso de dois meses no recebimento de equipamentos da linha de montagem, o grupo realizou um treinamento de fabricação, enquanto o grupo de manutenção acompanhou a empresa subcontratada na instalação do equipamento da linha de montagem. Ao realizar esses dois eventos simultaneamente, o gerente do projeto impediu atrasos futuros que pudessem causar novos atrasos no projeto. Ao longo do projeto, o PMO manteve supervisão para o orçamento geral do projeto. Outros elementos do projeto foram monitorados por membros da equipe do projeto. Por exemplo, um membro da equipe de planejamento monitorou atividades relacionadas com a EAP e o plano de qualidade, enquanto um membro da equipe de qualidade foi responsável por garantir que as partes satisfizessem as especificações de qualidade da empresa. 168 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Ao término de cada fase do projeto, a equipedo projeto analisava o estado geral do projeto e realizava identificação de riscos para as fases restantes. Todas as alterações resultantes da EAP foram aprovadas pelo gerente do projeto e pelo patrocinador do projeto. O fim do projeto foi marcado pela transição para equipe de produção. O encerramento oficial do projeto ocorreu 12 semanas depois que a produção do componente inicial começou. Resultados O time da VW México alcançou e, em muitos casos, ultrapassou os objetivos para a criação da linha de montagem. Especificamente: » Todo o projeto foi concluído dentro do orçamento especificado. » A equipe cumpriu todos os prazos de entrega em todas as fases de testes. » Os eixos dianteiros e módulos laterais produzidos na linha de montagem da fábrica continuaram atendendo às diretrizes de qualidade da Volkswagen. O time de projeto da linha de montagem do componente do Jetta também desenvolveu uma série de ferramentas e práticas que servem como padrão para futuros projetos na fábrica. As principais lições aprendidas com o projeto permitirão que as equipes de projetos futuros aperfeiçoem a comunicação entre as diferentes áreas da planta da VW do México e garanta o sucesso de novos projetos. Terceiro Caso: Remodelação do Terminal 1 do Aeroporto de Heathrow (Londres) dentro do prazo, orçamento e sem gerar distúrbios no local Histórico A empresa BAA Airportes Ltd. foi responsável para remodelação do Terminal 1, um terminal que já tinha 40 anos de atividade no aeroporto de Heathrow, o aeroporto mais movimentado do mundo, operando anualmente com cerca de 20 milhões de viajantes. Em 2004, BAA e a rede Star Alliance estabeleceram a primeira aliança global para oferecer ao mundo inteiro serviços para viajantes internacionais. Foi assinado um memorando em que a Star Alliance poderia assumir os serviços do Terminal 1 do aeroporto de Heathrow permitindo que este terminal fosse frequentado por viajantes internacionais. 169 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV Esse trabalho foi requerido para facilitar uma total participação da Star Alliance na mudança de suas operações dos terminais 2 e 3 para o terminal 1. O sucesso do projeto permitiria a completa transformação do aeroporto de Heathrow, que usualmente recebia 90 empresas aéreas, e passaria para 180 empresas. Além do compromisso de concluir o projeto dentro de um prazo, o BAA se preocupou com a integridade e segurança dos passageiros do terminal 1, evitou-se qualquer interrupção nas operações do terminal, pois caso ocorresse, a empresa sofreria multas. David Buisson, PMP, foi escolhido como líder do projeto. Mr. Buisson é gerente de projeto certificado com mais de 13 anos de experiência em gestão complexa e projetos desafiadores. Além de David, uma equipe de profissionais multidisciplinar estava à disposição dele. Desafios A equipe de projeto teve que resolver um grande número de desafios e problemas inesperados durante a remodelação, incluindo o amianto no teto e inconsistências no nível térreo do Terminal 1. O projeto, sendo complexo, foi dividido em 42 fases com prazo apertado para a sua entrega, sendo que o projeto sofreu alterações no escopo e atrasos gerados pelas companhias aéreas em relação à data de movimentação no terminal. Recursos Humanos – as pessoas Gestão de diferentes pessoas e equipes do projeto foi desafiante por causa da escala. Foram 11 fornecedores principais respondendo diretamente ao gerente de projeto, e outros tantos fornecedores relacionados a esses 11 fornecedores, envolvendo uma grande quantidade de empresas. Gestão da comunicação e tempo provou ser desafiador no projeto envolvendo diferentes partes, especialmente porque o gerente de projeto precisava manter um modelo colaborativo de solução de problemas. Planejamento O grande número de empresas terceirizadas trabalhando nesse projeto poderia ter gerado riscos no cumprimento da programação. Se um contratante está atrasando em terminar uma atividade do piso térreo, este pode gerar um atraso no contratante que está programado para instalar os móveis no local, causando um efeito cascata no prazo de conclusão do projeto. 170 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Compras e custos – mudanças no orçamento Revisões orçamentárias no projeto significam que foram feitas alterações no projeto em relação ao plano original, faltando algumas semanas para terminar. O design original para a instalação do sistema de revestimento acima da área de tickets da BMI Airlines que poderia melhorar a estética e iluminação da área foi excluída do escopo do trabalho quatro semanas antes da previsão de início do terminal. Com o aprendizado dessa decisão, a equipe de projeto foi designada a encontrar uma solução alternativa que era aceitável para vários stakeholders e que pode ser realizada em menos de quatro semanas. Desafios estruturais Um grande desafio para a equipe foi o reparo do dano no piso do terminal do prédio que foi construído há 40 anos. Reparar o piso adicionou 21 semanas a mais na conclusão do projeto. O piso da área leste do terminal foi construído com diferentes materiais do restante do piso do terminal. O piso estava em uma superfície de concreto não nivelado diferente da outra parte do terminal, o que adicionou um aumento significativo no tempo da remodelação. Desafios tecnológicos A tecnologia de informação gerou outro grande desafio na entrega do projeto porque a equipe teve que substituir o sistema existente na construção do terminal. Foi um grande desafio porque não estavam incluídos no sistema de rede-padrão, como, também, sistemas especialistas para aviação, processamento de passageiros e sistema interno de televisão. Desafios ambientais Nesse projeto foi considerado o aspecto da sustentabilidade e medidas para redução do consumo de energia. Isso foi desafiante, pois essas medidas foram incorporadas dentro da estrutura antiga do terminal. Comunicação Comunicação foi também desafiante para o projeto, pois esta se dava para múltiplos stakeholders que tinham de estar constantemente atualizados sempre que um risco era identificado ou quando havia uma mudança na programação ou orçamento. 171 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV Gestão de risco A chave do sucesso em qualquer projeto é a mitigação do risco. Havia um número de atividades arriscadas no projeto que eram essenciais para serem completadas e que se houvesse falha poderia ser catastrófico e podia resultar no fechamento do Terminal 1, tipo de experiência o que não era desejada para o passageiro ou público. O risco do amianto Uma grande preocupação da equipe do projeto foi a descoberta de telhas de amianto danificadas no teto do Terminal 1. Certa quantidade de telhas de amianto no Terminal estavam danificadas e precisavam ser substituídas, sendo que a remoção das telhas tinha que ser feita de forma segura. Com uma movimentação de 20 milhões de passageiros por ano no Terminal 1, o problema não é simples de ser resolvido, pois seria necessário erguer andaimes nessas áreas, trocar as telhas danificadas e tudo isso deveria ser feito em uma situação que não gerasse riscos para saúde e segurança dos passageiros. O plano para essa situação foi construir um andar hermético próximo ao teto e chamar um empreiteiro qualificado para fazer substituição das telhas danificadas. Risco elétrico Com o compromisso da renovação de um prédio de 40 anos de uso, logicamente existem riscos inerentes, principalmente quando a parte elétrica está envolvida. Descobriu-se na área leste do Terminal a necessidade da instalação de um novo quadro de distribuição para satisfazer um grande consumo de eletricidade. Na instalação de um novo quadro de distribuição, houve a necessidadede desligar a energia temporariamente. Isso nunca havia sido realizado nos 40 anos desde que o prédio havia sido construído e, consequentemente, havia pouca confiança de que quando a energia foi desligada todo o equipamento seria reiniciado. Um risco adicional para essa situação foi que o quadro de distribuição se encontrava na área de Pesquisa da Área Central em que os passageiros eram revistados pela equipe de segurança, sendo um caminho importante para a chegada ao avião para decolagem. Era, portanto, fundamental que os líderes de projeto tivessem o controle desse processo, caso contrário, o terminal não seria capaz de revistar os passageiros e poderia ter que fechar até a energia ser restabelecida. Soluções: mitigação do risco e obstáculos para cumprir o prazo e o orçamento Houve um grande número de dificuldades que surgiram durante a remodelação do Terminal 1 de Heathrow que geraram impactos no orçamento, programação, na saúde e 172 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS segurança dos passageiros e nas comunicações. Vamos examinar quais soluções foram propostas para esses desafios usando a metodologia de gestão de projetos. Pessoas Fornecedores e empreiteiros envolvidos no projeto seguiram um framework específico para a qualidade e o design do projeto. Fornecedores e empreiteiros foram capacitados para o processo a partir de um processo seletivo para a escolha dos melhores. Foi feita uma abordagem colaborativa, não hierárquica para gestão de recursos humanos para garantir que os melhores fossem escolhidos dentro de um conjunto de habilidades para profissões que atuaram no projeto. Como um compromisso da área de Gestão de Recursos Humanos, foi acordado no início da fase de planejamento do projeto de ter uma equipe com uma entrega eficaz e coordenada para que possam responder de imediato às exigências do presente projeto, o contratante principal estava localizado no mesmo escritório que a equipe do projeto. A equipe do projeto sentiu que com alterações inesperadas para o escopo do trabalho, tais como o térreo, a equipe seria capaz de entregar de forma mais eficaz por estar localizado de forma centralizada. Adicionalmente, semanal e mensalmente reuniões eram realizadas com todos os fornecedores para resolver quaisquer queixas, problemas ou questões. Quando surgia um problema, o gerente do projeto, pessoalmente, garantia que o problema fosse resolvido rapidamente antes de passar para outro. Boa comunicação e gestão de pessoas garantiu que o projeto progredisse sem problemas. Planejamento A chave para a gestão do projeto foi acompanhar constantemente cada fornecedor ou empreiteiro para assegurar que cada subprojeto fosse entregue no prazo. Mudanças orçamentárias As autorizações orçamentárias mostraram que houve uma série de mudanças de última hora no projeto. A equipe do projeto e contratante principal realizou uma sessão de brainstorming, em que uma das sugestões foi utilizar painéis de visualização nos últimos 12 meses do projeto por várias outras obras de construção. Isso ajudou na comunicação com os stakeholders fazendo com que atividades fossem concluídas antes do prazo exigido. 173 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV As estimativas de custos e os esforços orçamentários durante as fases iniciais do projeto foram muito desafiadoras e, em particular, obter o equilíbrio certo em termos das atividades que seriam realizadas dia e noite, pois o trabalho realizado durante a noite é muito mais caro e produtividade é menor. Desafios estruturais Emendar o chão do piso térreo e manter o prazo final do projeto foi um desafio, já que outros trabalhos estavam ocorrendo simultaneamente na área. A equipe tinha também previsto ser capaz de usar a área para o armazenamento. A equipe do projeto reuniu-se com o contratante principal responsável pela manutenção do terminal e outros empreiteiros para discutir a questão da repavimentação nessa área específica e desenvolver um plano de avanços progressivos conjuntos para sequenciar o trabalho e que áreas seriam alocadas para armazenamento dos materiais e ferramentas. Isso foi necessário para garantir que o trabalho de repavimentação inesperado fosse concluído dentro do calendário original para a área leste do terminal, e que de fato não se tornou uma barreira para outras obras serem concluídas. Apesar da perspectiva de um atraso de 21 semanas, a equipe ainda conseguiu entregar a tempo. Desafios tecnológicos De diferentes maneiras, a área de Tecnologia da Informação (TI) deu suporte para que fosse entregue dentro do prazo e do orçamento previsto. TI foi uma parte integrante do projeto do Terminal 1 porque permitiu o projeto ser constantemente monitorado detectando os problemas de todas as partes envolvidas. A equipe de TI da BAA desenvolveu um software personalizado para o projeto, que incorporou um sistema de Control Change Online que permitiu que todos os membros da equipe dentro e fora do local de atuação pudessem capturar mudanças e enviá-las online para o gerente sênior do projeto para aprovação imediata ou rejeição. Dado o grande número de contratados que trabalharam dentro e fora do local, o sistema provou ser crucial para a entrega do projeto. Se os grupos que trabalharam fora do local de trabalho identificasse um problema, por exemplo, com o orçamento, eles poderiam levantar uma questão por meio do software especialmente projetado, que iria diretamente para o gerente de projeto que poderia instantaneamente aprovar/rejeitar todos os pedidos. Essa economia de tempo inestimável sobre o projeto fez com que o trabalho pudesse continuar com menos atraso do que teria sido experimentado anteriormente. 174 UNIDADE IV │ DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS Desafios ambientais A BAA teve um forte compromisso ético no Programa de Sustentabilidade Corporativo, que é dedicada para melhorar o design, construção, integração e reestruturação. Independente dos desafios de atualização da construção oriunda da década de 1960, a equipe do projeto se esforçou para incorporar critérios de sustentabilidade na parte de iluminação e aquecimento. Mudanças foram feitas onde pudesse incluir economia de energias, como, por exemplo, as lâmpadas, e também no sistema de aquecimento usando baixo consumo de energia. Os riscos Riscos do amianto Em resposta ao risco de amianto, a equipe do projeto, incluindo o responsável pela saúde e segurança, o contratante principal e a equipe de operações do terminal, revisaram todas as possíveis opções e riscos e concordaram que a solução era criar um espaço hermético logo abaixo do telhado contaminado, impedindo o vazamento para a área do Terminal 1. Um contratante qualificado foi, então, capaz de trabalhar dentro do espaço hermético, onde foi feita a extração das telhas danificadas. Uma vez que esse trabalho tinha sido concluído e amostras do ar coletadas para confirmar que a área estava segura, o empreiteiro principal poderia remover as telhas danificadas, substituí-las por novas, e decorá-las em conformidade com o projeto. Esse processo foi repetido várias vezes ao longo do terminal sem afetar os passageiros ou o funcionamento do terminal. Grande parte do desenvolvimento da solução para o risco do amianto foi avaliar e implementar o gerenciamento de risco do projeto. Para esse projeto, dois níveis de gestão de risco foram desenvolvidos e mantidos: em nível estratégico/liderança; e enquanto o outro lidou com os fatores de risco do dia a dia. Risco elétrico Desligar toda a energia do Terminal 1 trazia o alto risco de a energia não retornar completamente. Consequentemente, a equipe do projeto convocou uma reunião de alto nível com todas as partes interessadas e o contratante principal para discutir as questõese formalizar um plano. Foram realizadas reuniões subsequentes com todas as partes interessadas a rever os planos, os riscos e as atividades de mitigação, papéis e 175 DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS │ UNIDADE IV responsabilidades anteriores ao trabalho real que foi realizado entre as 11 horas e 03:30 horas em 3 de novembro de 2008. Os resultados das várias reuniões e discussões foram registrados em um documento formal como guia do processo, incluindo todos os dados técnicos relevantes associados a esse trabalho. O planejamento meticuloso finalmente provou ser um sucesso quando a energia foi desligada no edifício do terminal, o quadro de distribuição substituído e a energia religada sem incidentes ou inconvenientes para qualquer uma das áreas impactadas. Para todos os aspectos do projeto que envolveram riscos significativos, a programação foi revisada, atualizada e comunicada por meio de uma revisão reunião formal realizada mensalmente. Além disso, o contratante principal comprometeu-se a aplicar o mesmo processo de gestão de risco para suas respectivas atividades junto com seus principais fornecedores. Por meio desse processo, os três principais riscos identificados na programação foram considerados como atenção máxima para a unidade de negócios relevante. Resultados Heathrow Airport Terminal 1 foi concluída no prazo, em setembro de 2008. O projeto envolveu mais de 500.000 horas de trabalho e mantidos dentro de seu £ 57.600.000 de orçamento e: » O projeto foi entregue no prazo e dentro do orçamento, apesar dos inúmeros problemas que surgiram, especialmente o trabalho extra inesperado que poderia ter causado grandes atrasos para a entrega do projeto. » Não houve incidentes relatados nos aspectos de saúde e segurança, apesar de lidar com riscos graves, como o amianto. » Houve trabalho em equipe eficaz entre os numerosos empreiteiros, fornecedores, partes interessadas e várias funções de apoio. » Todos os desafios foram enfrentados com sucesso pela equipe do projeto, incluindo £ 6.3m de custo inesperado fora do escopo de trabalho que foi revisado para a solução final, sem aumento para o orçamento do projeto aprovado. 176 Para (Não) Finalizar O Gerenciamento de Projetos vem adquirindo importância crescente nos últimos anos. Os princípios e as técnicas dessa disciplina são cada vez mais utilizados nas empresas em todo o mundo e também é objeto de uma cada vez mais importante vertente de estudos científicos. De fato, essa área busca uma clara identificação da especialização profissional, com um corpo de conhecimentos bem delineado, conforme pregam associações profissionais como o PMI <www.pmi.org>. Esse corpo de conhecimentos está restrito a um conjunto de teorias, métodos, técnicas e ferramentas. Apesar de esta disciplina ser bem focada, ela ganha na atualidade outros contornos, expandindo linhas de pesquisa com teorias e técnicas avançadas e complexas. Como uma subárea de conhecimento aplicado, ela foi desenvolvida a partir de diferentes campos de aplicação como projetos militares, construção civil de grandes obras, engenharia mecânica e elétrica, entre outros. Hoje em dia, esta disciplina está difundida como prática profissional nas mais variadas áreas da administração, engenharia, economia, com aplicação em diferentes setores econômicos e atividades sociais. Trata-se, então, de localizar mais precisamente os contornos dessa disciplina, profundamente prática, dentro do contexto atual da administração. A gestão de projetos tem conquistado o espaço de uma competência crítica para aplicação em ambientes incertos e de conhecimento intensivo, com uma relevância que vai muito além das suas aplicações iniciais na indústria pesada e projetos militares, alcançando hoje a gestão de projetos internacionais de grandes corporações. Ademais, tem tido uma demanda social explícita e intensa em diferentes organizações e indústrias tão diversas como construção civil, eletrônica, química, tecnologia da informação, publicidade, finanças, cultura e educação. Os projetos existem em todo tipo de atividade econômica, social, política e cultural, desde a construção de grandes obras, equipamentos militares e desenvolvimento de software até a organização de recursos para atendimento de demandas sociais diversas, ações ambientais, entre outros. Conforme as práticas mais conhecidas na disciplina, segundo o PMI (2013), as áreas de conhecimento específicas da Gestão de Projetos envolvem, além do escopo, prazo e custo, uma série de outros fatores como qualidade, recursos humanos, riscos, aquisições, comunicação e integração. Ademais, cinco grupos de processo podem ser considerados: iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento. Como disciplina emergente 177 PARA (NÃO) FINALIZAR na área acadêmica brasileira, a Gestão de Projetos é tida como uma técnica muito utilizada por meio das melhores práticas das associações profissionais existentes. No entanto, a produção acadêmica pode ser considerada ainda incipiente devendo ser tratada também como uma disciplina científica. Passível de novas formulações teóricas, o gerenciamento de projetos é citado por diversos autores como uma profissão relativamente nova e emergente, que necessita ser estudada e aprimorada para formação de novas competências, estando ligada a investimentos e empreendimentos sociais e privados nas mais diferentes áreas de aplicação das organizações. O ambiente para um gerente de projetos é mutável, riscos não previstos acontecem em todo momento, e grandes desafios surgem a cada dia. Porém, temos que estar atentos às tendências e mudanças de paradigmas ao nosso redor para nos preparar para o futuro. Os líderes do futuro deverão mudar a maneira com a qual gerenciam suas equipes. Os gerentes de projeto deverão cada vez mais considerar as diversidades e questões culturais nos projetos. Esse conhecimento vai ajudá-los a trabalhar mais eficientemente com a equipe. Uma vez que ela pode estar espalhada pelo mundo todo ou ter membros vindos do mundo todo, o gerente de projeto estará diante de uma verdadeira Torre de Babel e, para manter o projeto nos trilhos, deve se preocupar bastante com o relacionamento multicultural da equipe e problemas de comunicação devido ao idioma e à diferença de culturas. Alinhado a esses quatro tópicos essenciais, o gerente de projetos precisa estar atento ao ambiente no qual seu projeto está inserido, pois num mundo totalmente globalizado, questões relacionadas à economia, situações socioculturais, fatores macroambientais, entre outros, com certeza afetarão seu projeto caso os riscos não sejam adequadamente tratados. Existe uma deficiência geral de talentos em todos os segmentos do mercado. É preciso ter habilidades individuais que são extremamente importantes, relacionadas à execução das tarefas propostas. O profissional tem que saber executar aquilo que é proposto para ele, e muitas dessas habilidades são, ou deveriam ser, ensinadas na graduação. Outro ponto necessário é ter a habilidade de implementar mudanças estratégicas, saber influenciar as pessoas e ter coragem suficiente para liderar mudanças, que nem sempre são fáceis. Habilidades técnicas e interpessoais são os dois lados da mesma moeda do talento. Estudos indicam que somente 29% dos projetos são bem-sucedidos quando não são utilizadas melhores práticas de gerenciamento de projetos, segundo a empresa de consultoria e treinamentos em Gerenciamento de Projetos Compet PM. Fazendo uma conta simples, estamos falando de mais de 8 trilhões de dólares gastos com projetos 178 PARA (NÃO) FINALIZAR que irão fracassar... essa situação se inverte completamente quando são utilizadas boas práticas de gerenciamento de projetos, quando 75% dos projetos obtêmsucesso. Porém, vimos que apenas uma pequena parcela dos profissionais conhece e pode utilizar as melhores práticas defendidas pelo PMI. 179 Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISO 9001/2008: Sistema de Gestão da Qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2008. BRAGA, M. M. O papel da comunicação na gestão de projetos: um estudo de caso. 2005. 114 f. Dissertação (Mestrado em Administração Estratégica) – Universidade Salvador, Unifacs, Salvador, 2005. CHAOS. CHAOS MANIFESTO, The Standish Group, 2013. Disponível em: <http:// versionone.com/assets/img/files/CHAOSManifesto2013.pdf>.Acesso em: 11 jul. 2015. DINSMORE, P. C. Como se tornar um profissional em Gerenciamento de Projetos: Livro-Base de Preparação para Certificação PMP – Project Management Professional. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Qualitymark, 2005. FLYVBJERG, Bent; BUDZIER, Alexander. Why your IT Project may be riskier than you think. Harvard Business Review. Setembro de 2011. 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