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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO PIAUÍ – VARA ÚNICA DA SUBSEÇÃO DE CORRENTE. Autos nº 2050-17.2018.4.01.4005 SUETON FALCÃO JÚNIOR, já qualificado nos autos supra, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, por seu advogado infra-assinado – procuração acostada aos presentes autos – apresentar sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO com fulcro no art. 396 e 396-A do Código de Processo Penal, pelas razões de fato e de direito abaixo aduzidas. DA SÍNTESE PROCESSUAL: Trata-se Denúncia promovida pelo Ministério Público Federal (MPF), com base no inquérito policial nº 0654/2016 produzido pela Polícia Federal, e pela qual imputa ao ora Defendente a suposta prática dos crimes previstos nos artigos 1º, inciso I, do Decreto-Lei nº 201/67 c/c art. 29 do Código Penal Brasileiro. Em apertada síntese, sustenta a denúncia que no período de 2009 a 2012 o Defendente, na condição de engenheiro responsável pelas obras da construção de uma creche Proinfância tipo C na Localidade Pará-Batins, no Município de Currais/PI, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, em co-participação com Joaquim Aristeu Figueiredo da Fonseca (prefeito na gestão 2009-2012) e Raimundo Nonato Nunes Ferraz (Arquiteto), teriam supostamente apropriado em proveito próprio e alheio de recursos públicos federais do Termo de Compromisso nº 1.464/2011, repassados à Prefeitura de Currais/PI, nos anos de 2011 e 2012. Segundo o Ministério Público Federal, os recursos necessários à execução do objeto foram repassados ao município por meio de duas ordens bancárias, sendo a primeira em 26/10/2011 no valor de R$ 126.634,69 (cento e vinte e seis mil seiscentos e trinta e quatro reais e sessenta e nove centavos), e a segunda em 06/09/2012 no valor de R$ 185.452,03 (cento e oitenta e cinco mil quatrocentos e cinquenta e dois reais e três centavos). Afirma ainda o Ministério Público Federal que a empresa ARPLAN – ARQUITETURA E CONSTRUÇÕES LTDA, apesar de ter recebido o valor de R$ 309.086,72 (trezentos e nove mil reais e oitenta e seis reais e setenta e dois centavos), executou apenas o serviços correspondentes à quantia de R$ 154.548,23 (cento e cinquenta e quatro mil quinhentos e quarenta e oito reais e vinte e três centavos). Ainda em conformidade com a denúncia oferecida, após pericia realizada pela Polícia Federal, houve uma diferença de R$ 154.548,23 (cento e cinquenta e quatro mil quinhentos e quarenta e oito reais e vinte e três centavos) de serviços pagos e não realizados pela contratada, correspondendo ao percentual de 99,7% a maior em relação ao preço devido apurado pelo estudo pericial. No ponto, sustenta a acusação ser o Defendendo, Sr. Sueton Falcão Júnior figurou como beneficiário de pagamentos de notas fiscais por serviços sem a respectiva contrapartida, apropriando-se em proveito próprio de recursos públicos, por meio da empresa ARPLAN – ARQUITETURA E CONSTRUÇÕES LTDA. É nesse contexto que se inserem as infundadas e indemonstradas acusações contra o Defendendo Sueton Falcão Júnior, pois, mesmo diante das dificuldades e atrasos, as obras referente a construção da Creche encontram-se em andamento, cujo contrato tem vigência até 31/03/2019, conforme extrato do Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle do Ministério da Educação – SIMEC anexo. No caso, mesmo estando em andamento a obra, cujo contrato ainda está vigente, não tendo praticado o acusado qualquer crime, a denúncia o acusa genericamente de “apropriar-se em proveito próprio e alheio, de recursos do Termo de Compromisso nº 1.464/2011 repassados a Prefeitura de Currais/PI, nos anos de 2011 e 2012”. Desse modo, e a partir de uma clara responsabilização objetiva – já que não se logrou demonstrar minimamente a consciência e vontade de participar do suposto crime – SUETON FALCÃO JÚNIOR é aqui denunciado pelo MPF pela suposta prática de desvio de dinheiro público em concurso de pessoas. Uma acusação, como se verá, que não sustenta minimamente, seja no plano das provas que pudessem revelar seu real envolvimento no episódio, seja em razão da manifesta atipicidade do fato. É a síntese necessária. PRELIMINARMENTE: INÉPCIA DA DENÚNCIA – ACUSAÇÃO DESPROVIDA DE FUNDAMENTAÇÃO LÓGICA. Válido é destacar, quanto ao ponto, que o fato da exordial acusatória já haver sido recebida por esse juízo, com exame preliminar de questões como as aqui suscitadas (inépcia e ausência de justa causa), não impede que defesa provoque nova discussão sobre esses mesmos aspectos e, em consequência, esse douto juízo possa reconsiderar sua posição à vista dos argumentos defensivos e rejeitar a inicial. É esta, aliás, a posição firmada pelo e. STJ sobre a matéria (cf. REsp 1.318.180/DF, Sexta Turma, rel. Min. SEBASTIÃO REIS JÚNIOR). In fine: Ementa: DIREITO PROCESSUAL PENAL. POSSIBILIDADE DE RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DE RECEBIMENTO DA DENÚNCIA APÓS A DEFESA PRÉVIA DO RÉU. O fato de a denúncia já ter sido recebida não impede o juízo de primeiro grau de, logo após o oferecimento da resposta do acusado, prevista nos arts. 396 e 396-A do CPP, reconsiderar a anterior decisão e rejeitar a peça acusatória, ao constatar a presença de uma das hipóteses elencadas nos incisos do art. 395 do CPP, suscitada pela defesa. Nos termos do art. 396, se não for verificada de plano a ocorrência de alguma das hipóteses do art. 395, a peça acusatória deve ser recebida e determinada a citação do acusado para responder por escrito à acusação. Em seguida, na apreciação da defesa preliminar, segundo o art. 397, o juiz deve absolver sumariamente o acusado quando verificar uma das quatro hipóteses descritas no dispositivo. Contudo, nessa fase, a cognição não pode ficar limitada às hipóteses mencionadas, pois a melhor interpretação do art. 397, considerando a reforma feita pela Lei 11.719/2008, leva à possibilidade não apenas de o juiz absolver sumariamente o acusado, mas também de fazer novo juízo de recebimento da peça acusatória. Isso porque, se a parte pode arguir questões preliminares na defesa prévia, cai por terra o argumento de que o anterior recebimento da denúncia tornaria sua análise preclusa para o Juiz de primeiro grau. Ademais, não há porque dar início à instrução processual, se o magistrado verifica que não lhe será possível analisar o mérito da ação penal, em razão de defeito que macula o processo. Além de ser desarrazoada essa solução, ela também não se coaduna com os princípios da economia e celeridade processuais. Sob outro aspecto, se é admitido o afastamento das questões preliminares suscitadas na defesa prévia, no momento processual definido no art. 397 do CPP, também deve ser considerado admissível o seu acolhimento, com a extinção do processo sem julgamento do mérito por aplicação analógica do art. 267, § 3º, CPC. Precedentes citados: HC 150.925-PE, Quinta Turma, DJe 17/5/2010; HC 232.842-RJ, Sexta Turma, DJe 30/10/2012. Por certo, o oferecimento da denúncia – na exata medida em que delimita a acusação no âmbito de ação penal pública – substancia importante momento procedimental que, por isso mesmo, não se compraz com vícios que dificultem o exercício pleno do direito de defesa. De fato, ao se propor a demonstrar um ilícito penal, o Ministério Público há – pelo menos - de descrevê-lo em todas as suas circunstâncias, na exata letra, aliás, do que determina o artigo 41 do Código de Processo Penal. Dúvidas não há, de outro lado, que, havendo pluralidade de acusados, o oferecimento da denúncia há de pormenorizar, tanto quanto possível, a participação de cada qual, sob pena de impor ao acusado o desnecessário ônus de se defender de imputação que, no intelecto do órgão acusatório, não é nem mesmo a si dirigida, mas, sim, a outro investigado. E, nesse particular, o inquérito policial – desde que bem presidido – se apresenta como valoroso meio investigativo em ordem a permitir a exata compreensão da responsabilidade penal de cada um dos suspeitos. É certo, entretanto, que, não raramente, as Cortes Superiores têmmitigado a imposição de descrição pormenorizada da conduta de cada um dos denunciados, especialmente em crimes de desvio de dinheiro praticado pelo Defendendo, a atividade tida por criminosa desenvolvida por cada um dos Denunciados. O abrandamento do rigor imposto ao Ministério Público, contudo, não o exime – e jamais o eximiu – de trazer elementos básicos no bojo da acusação para, sobretudo e como dito, permitir a compreensão perfeita e a extensão do fato delituoso imputado. Esse o contexto, certo é que, dentre as circunstâncias cuja descrição se mostra inarredável, tem-se o dever de situar o fato no tempo; vale dizer, a data aproximada, o espaço temporal em que o fato teria se dado. Confira-se, pois, o magistério de CÂMARA LEAL: “A queixa ou denúncia deve fazer a exposição do crime, descrevendo o fato principal em seus vários episódios, com referência do tempo e lugar em que ocorreu e todas as circunstâncias que o cercaram, de modo a tornar possível a reconstrução de todos os acontecimentos que se desenrolaram”. Na espécie, em que pese a longa exposição trazida pela douta representante do Ministério Público Federal, forçoso reconhecer que a denúncia, em verdade, não situa os fatos com exatidão no tempo, nem sequer no ano. E tal circunstância se apresenta tão mais relevante quando se tem em conta que as obras da referida creche encontram-se em andamento, através da empresa de propriedade do Acusado, cujo contrato apresenta vigência até 31/03/2019. A ausência provas documentais e datas específicas, assim, dos supostos desvios de verbas públicas inviabiliza o exercício da defesa e, noutro giro, obsta inclusive a aferição do marco inicial para o cômputo do prazo prescricional. Veja-se, pois, que a denúncia – no que se refere especificamente ao acusado SUETON FALCÃO JÚNIOR - fala em desvios de dinheiro público em proveito próprio e alheio sem, contudo, precisar datas, fatos e, muito menos, documentos que comprovam que o acusado recebeu as supostas quantias desviadas, pois conforme os valores recebidos estão sendo executadas as obras na medida das suas proporções. De outro lado, cumpre registrar que o crime de responsabilidade é classificado como delito material, e, por isso mesmo, exige do Ministério Público informação precisa do valor supostamente desviado por cada investigado em ordem a permitir o exercício da defesa técnica. Noutras palavras, imprescindível que a denúncia descrevesse o valor tido por desviado pelo acusado Sueton Falcão Júnior. A acusação diz ter colhido provas no procedimento criminal par demonstrar a existência da alegada organização criminosa, deixando, porém, de apresentar qualquer elemento de prova que demonstre uma eventual conduta praticada pelo Acusado para desvio de dinheiro público para proveito próprio ou alheio. Conforme se demonstrará: (a) a denúncia não narra o elemento subjetivo do tipo nem as circunstâncias fático-probatórias que evidenciassem, ao menos para efeito do recebimento da denúncia, que SUETON FACÃO JÚNIOR tivesse agido com a consciência de “desviar dinheiro público em seu proveito ou em proveito alheio”; (b) da ação narrada na denúncia – desviar dinheiro público em concurso de pessoas. Sendo certo, ainda, que a denúncia não estabelece qualquer vínculo objetivo-subjetivo entre o Defendente com suposto esquema de desvio de dinheiro, serviu como mecanismo (fraudulento) apto a conferir aparência de legalidade aos repasses; (c) a denúncia é excessivamente genérica em relação à individualização dos elementos objetivos do tipo, na medida em que omite-se do dever de definir, dentre as diversas situações contempladas, a hipótese que efetivamente corresponderia à ação praticada pelo Defendente, que está cumprindo rigorosamente com suas obrigações da forma contratada pelo município; (d) a inicial acusatória não estabelece o nexo temporal e material entre os valores supostamente desviados em beneficio próprio ou de terceiros por intermédio de SUETON FALCÃO JÚNIOR; Vale transcrever aqui acórdão singular e exaustivo de relatoria do Ministro CELSO DE MELLO: “- O sistema jurídico vigente no Brasil - tendo presente a natureza dialógica do processo penal acusatório, hoje impregnado, em sua estrutura formal, de caráter essencialmente democrático - impõe, ao Ministério Público, notadamente no denominado ‘reato societário’, a obrigação de expor, na denúncia, de maneira precisa, objetiva e individualizada, a participação de cada acusado na suposta prática delituosa. - O ordenamento positivo brasileiro - cujos fundamentos repousam, dentre outros expressivos vetores condicionantes da atividade de persecução estatal, no postulado essencial do direito penal da culpa e no princípio constitucional do ‘due process of law’ (com todos os consectários que dele resultam) - repudia as imputações criminais genéricas e não tolera, porque ineptas, as acusações que não individualizam nem especificam, de maneira concreta, a conduta penal atribuída ao denunciado. Precedentes. (...) - A denúncia deve conter a exposição do fato delituoso, descrito em toda a sua essência e narrado com todas as suas circunstâncias fundamentais. Essa narração, ainda que sucinta, impõe-se ao acusador como exigência derivada do postulado constitucional que assegura, ao réu, o exercício, em plenitude, do direito de defesa. Denúncia que deixa de estabelecer a necessária vinculação da conduta individual de cada agente aos eventos delituosos qualifica-se como denúncia inepta. Precedentes. (...) - A mera 100. STF, HC 107.187/SP, Rel. Min. AYRES BRITTO, 2ª Turma, DJe 3.3.2012, grifamos. - 137 - invocação da condição de diretor ou de administrador de instituição financeira, sem a correspondente e objetiva descrição de determinado comportamento típico que o vincule, concretamente, à prática criminosa, não constitui fator suficiente apto a legitimar a formulação de acusação estatal ou a autorizar a prolação de decreto judicial condenatório. - A circunstância objetiva de alguém meramente exercer cargo de direção ou de administração em instituição financeira não se revela suficiente, só por si, para autorizar qualquer presunção de culpa (inexistente em nosso sistema jurídico-penal) e, menos ainda, para justificar, como efeito derivado dessa particular qualificação formal, a correspondente persecução criminal. - Não existe, no ordenamento positivo brasileiro, ainda que se trate de práticas configuradoras de macrodelinqüência ou caracterizadoras de delinquência econômica, a possibilidade constitucional de incidência da responsabilidade penal objetiva. Prevalece, sempre, em sede criminal, como princípio dominante do sistema normativo, o dogma da responsabilidade com culpa (‘nullum crimen sine culpa’), absolutamente incompatível com a velha concepção medieval do ‘versari in re illicita’, banida do domínio do direito penal da culpa. Precedentes. (...) - Nenhuma acusação penal se presume provada. Não compete, ao réu, demonstrar a sua inocência. Cabe, ao contrário, ao Ministério Público, comprovar, de forma inequívoca, para além de qualquer dúvida razoável, a culpabilidade do acusado. Já não mais prevalece, em nosso sistema de direito positivo, a regra, que, em dado momento histórico do processo político brasileiro (Estado Novo), criou, para o réu, com a falta de pudor que caracteriza os regimes autoritários, a obrigação de o acusado provar a sua própria inocência (Decreto-lei nº 88, de 20/12/37, art. 20, n. 5). Precedentes. - Para o acusado exercer, em plenitude, a garantia do contraditório, torna-se indispensável que o órgão da acusação descreva, de modo preciso, os elementos estruturais (‘essentialia delicti’) que compõem o tipo penal, sob pena de se devolver, ilegitimamente, ao réu, o ônus (que sobre ele não incide) de provar que é inocente. - Em matéria de responsabilidade penal, não se registra, no modelo constitucional brasileiro, qualquer possibilidade de o Judiciário, por simples presunção ou com fundamento em meras suspeitas, reconhecer a culpa do réu. Os princípios democráticos que informamo sistema jurídico nacional repelem qualquer ato estatal que transgrida o dogma de que não haverá culpa penal por presunção nem responsabilidade criminal por mera suspeita.” Outros tantos precedentes também demonstram que o Superior Tribunal de Justiça também consolidou o mesmo posicionamento. Mesmo quando não se exige tanto, aquela C. Corte Superior não abre mão de que “a peça acusatória deve especificar, ao menos sucintamente, fatos concretos, de modo a possibilitar ao acusado a sua defesa, não podendo se limitar a afirmações de cunho vago”. Inepta, pois, a denúncia, recomendando, por isso mesmo, sua rejeição. DA INVIABILIDADE DA AÇÃO PENAL. FALTA DE JUSTA CAUSA. Não há suporte probatório/indiciário mínimo que respalde a denúncia oferecida contra o Defendente, motivo pelo qual se postulasua pronta rejeição, nos termos do artigo 395, incisos I e II, do Código de Processo Penal, visto que: a) a denúncia é inepta, pois não individualiza a conduta do Defendente, não narra concretamente os fatos a ele imputados e, ainda, não descreve comportamento típico — violando, assim, a garantia ao contraditório e à ampla defesa, assegurados na Lei Máxima; b) falece justa causa para a instauração e prosseguimento desta ação penal, uma vez que inexistem indícios razoáveis de autoria e sequer certeza da materialidade do delito. A apreciação da alegação de inépcia e carência de justa causa da peça acusatória não se acha adstrita ao momento processual do recebimento ou rejeição da denúncia, mas autorizado se acha o Magistrado que, convencido da ausência de tais elementos após a apresentação da defesa, reconsidere sua decisão e recuse o prosseguimento da ação penal. A jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça confirma esse entendimento, como se extrai dos julgados abaixo: “Verificada, após a apresentação das defesas preliminares, a inépcia da exordial acusatória pela ausência da descrição individualizada das condutas de cada Denunciado, ao Juiz é lícito reconsiderar o recebimento da denúncia, quer por permissão legal, quer por uma questão de coerência com os anseios do legislador, impulsionadores da reforma do Código Adjetivo Penal, tendentes a um processo célere e fecundo. Inteligência do art. 396-A do Código de Processo Penal.” (STJ, AgRg no AREsp 82.199/AL, 5ª Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 17.12.2013 – destacou-se) “RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL PENAL. DENÚNCIA. RECEBIMENTO. RESPOSTA DO ACUSADO. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. POSSIBILIDADE. ILICITUDE DA PROVA. AFASTAMENTO. INVIABILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTO EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. DECRETO REGULAMENTAR. TIPO LEGISLATIVO QUE NÃO SE INSERE NO CONCEITO DE LEI FEDERAL (ART. 105, III, A, DA CF) 1. O fato de a denúncia já ter sido recebida não impede o Juízo de primeiro grau de, logo após o oferecimento da resposta do acusado, prevista nos arts. 396 e 396-A do Código de Processo Penal, reconsiderar a anterior decisão e rejeitar a peça acusatória, ao constatar a presença de uma das hipóteses elencadas nos incisos do art. 395 do Código de Processo Penal, suscitada pela defesa. 2. As matérias numeradas no art. 395 do Código de Processo Penal dizem respeito a condições da ação e pressupostos processuais, cuja aferição não JOSÉ ROBERTO BATOCHIO ADVOGADOS ASSOCIADOS 13 DOCS - 163877v1 está sujeita à preclusão (art. 267, § 3º, do CPC, c/c o art. 3º do CPP). 3. Hipótese concreta em que, após o recebimento da denúncia, o Juízo de primeiro grau, ao analisar a resposta preliminar do acusado, reconheceu a ausência de justa causa para a ação penal, em razão da ilicitude da prova que lhe dera suporte.” (STJ, REsp 1318180/DF, 6ª Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 16/05/2013 – destacou-se) Outro não é o sentir do Tribunal Regional Federal da 1ª Região: “PENAL. PROCESSO PENAL. LEI N. 11.719/2008. ART. 395, 396, 396-A E 397. RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. RESPOSTA ESCRITA À ACUSAÇÃO. RECONSIDERAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO IMPROVIDO. 1. Após a edição da Lei n. 11.719/2008, oferecida a denúncia e não sendo o caso de rejeição liminar (art. 395, CPP), o juiz a receberá, ordenará a citação do acusado para responder à acusação por escrito, oportunidade em que este poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa (arts. 396 e 396-A, CPP). 2. Com a inovação legislativa, passou a ser admitida a rejeição da denúncia após o seu recebimento, pelo mesmo juízo, ao entendimento de que na hipótese do mencionado artigo 395, CPP se examina a presença dos requisitos formais para fins de admissibilidade da ação penal, sem considerar eventuais argumentos que a Defesa possa trazer, no sentido de rejeição da denúncia, sendo que tal circunstância reforça a conveniência de se dar ao juiz a possibilidade de retratar-se, diante das razões trazidas na resposta escrita.. 3. O juiz pode reconsiderar a decisão de recebimento da denúncia quando constatar, por ocasião da análise das alegações da defesa, que não há justa causa para a ação penal, por isso que não teria sentido o art. 396-A, CPP estabelecer a possibilidade de alegação de preliminares pela Defesa e não franquear ao Juiz eventual acolhimento de matéria que obstasse o prosseguimento da ação penal. 4. Recurso em sentido estrito improvido.”(TRF 1ª Região - RSE 00058274320144013813, 3ª Turma, Rel. Des. Mário César Ribeiro, j. 26.08.2015 – destacou-se) “PENAL. PROCESSUAL PENAL. RECURSO CRIMINAL. REJEIÇÃO DE DENÚNCIA ANTERIORMENTE RECEBIDA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. 1. Com o advento da reforma processual penal, preconizada pela Lei nº 11.719, de 20 de junho de 2008, as normas relacionadas ao recebimento e rejeição da denúncia, citação do réu, sua absolvição, e, de resto, a própria formação do processo penal sofreram profundas alterações. 2. É incompatível com o princípio da instrumentalidade das formas, o princípio da economia e da celeridade processuais, bem como com o princípio da duração razoável do processo (CF, 5º, LXXVIII) que o réu sofra as agruras de uma ação penal, nitidamente inviável. Menos ainda, recebe a chancela da lógica, a norma oportunizar ao réu suscitar preliminares e toda a matéria de defesa (CPP, art. 396-A), sem que o juiz possa sindicalizar a idoneidade do direito de ação nessa fase ou em qualquer outra. 3. "Pressupostos processuais" - pressupostos e condições traduzidas pela doutrina, também, como "justa causa" -, é tema que pode ser conhecido a qualquer tempo pelo juiz e decidido de ofício, de sorte que não há falar em preclusão consumativa (pro judicato) em razão do primeiro despacho de recebimento da denúncia ou queixa. 4. O Código de Processo Penal JOSÉ ROBERTO BATOCHIO ADVOGADOS ASSOCIADOS 14 DOCS - 163877v1 reformado estabeleceu dois momentos para o recebimento da denúncia. Assim, não há qualquer óbice à rejeição de denúncia anteriormente recebida (reconsideração do despacho de recebimento); ao contrário, a disciplina das novas disposições do CPP ampara a decisão recorrida, na espécie. (Precedentes do colendo STJ). 5. Recurso desprovido.”(TRF1ª Região - RSE: 88592720124013813, 4ª Turma, Rel. Juiz Federal Pablo Zuniga Dourado, j. 30.09.2014 – destacou-se) Essa exegese é a que melhor consulta ao princípio da celeridade, da economia processual e ao resguardo do status dignitatis do denunciado, visto que, se entender o Magistrado, após a apresentação da defesa preliminar, que o iter persecutório não se plasma em condições de regular e válido desenvolvimento, deve o feito ser extinto por decisão terminativa. É exatamente a situação do caso em comento, conforme agora será demonstrado. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO DEFENDENDO O acusado é parte absolutamente ilegítima para figurar no pólo passivo da presente ação. Isso porque não se verifica dos autos nenhum documento que indique que o mesmo tenha se apropriado ou desviado valores em proveito próprio ou alheio, visto que na condição engenheiro responsável pela obra, mesmo diante de vários problemas, está executando através da sua empresa todosos serviços na medida dos valores repassados, conforme relatório anexo, com previsão de conclusão das obras até o final do mês de outubro de 2018, não se beneficiando, portanto, de nenhum valor referente aos recursos públicos do TC- 1464/2011 do FNDE. Processo: AG 204898320064010000 Orgão Julgador: QUARTA TURMA Publicação: 29/10/2014 Julgamento: 12 de Setembro de 2014 Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL OLINDO MENEZES Ementa PROCESSUAL CIVIL. GERENCIAMENTO FINANCEIRO DA FOLHA DE PAGAMENTO DO MUNICÍPIO PELA CEF. FORMALIZAÇÃO POR CONVÊNIO. AUSÊNCIA DE CONTRATO COM LICITAÇÃO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERINTENDENTE DA CEF. SECRETÁRIO DE FINANÇAS DO MUNICÍPIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. 1. Como opção de política administrativo-financeira, o município buscou instituições financeiras para o gerenciamento da folha de pagamento dos seus servidores, e terminou por escolher a CEF, autora da proposta mais vantajosa, efetivando a operação por convênio, em vez de fazê-lo por contrato, precedido de licitação, pelo que teria, na visão do MPF, cometido ato de improbidade administrativa (Lei 8.429/92 - art. 3º). 2. Ainda que a hipótese, em razão da eventual quebra do aspecto formal (convênio em vez de contrato), venha a configurar improbidade administrativa, tanto mais que não se aponta a ocorrência de dano ao erário ou enriquecimento ilícito, não tem legitimidade passiva ad causam a Superintendente da CEF, seja porque a Instituição apenas ofereceu uma das propostas, seja porque a agravada, ao formalizar o convênio, o fez como representante do Conselho Diretor e do Comitê Estratégico da CEF, que aprovaram a operação. 3. A ilegitimidade, mutatis mutandis, estende-se ao Secretário de Finanças do Município que, mesmo promovendo as tratativas para a realização do convênio, de decisão sobre a sua efetivação, não figurando sequer como signatário do não detinha a capacidade instrumento. Correta a decisão que excluiu os agravados da relação processual. 4. Agravo de instrumento desprovido. Requer-se, portanto, a imediata extinção desse processo sem julgamento de mérito com relação ao Acusado SUETON FALCÃO JÚNIOR que ora se manifesta, que é parte absolutamente ilegítima para figurar no pólo passivo desta demanda. MÉRITO E DO DIREITO DA INEXISTÊNCIA DE CRIME DE RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA (CPP, art. 395, III). Além de inepta, carece a denúncia de justa causa, data vênia. Como ensina a melhor doutrina, apoiada em sedimentada jurisprudência, a acusação “deve ser portadora de elementos – geralmente extraídos da investigação preliminar (inquérito policial) – probatórios que justifiquem a admissão da acusação e o custo que representa o processo penal em termos de estigmatização e penas processuais”. Por isso mesmo, bem afirma AURY LOPES JR., “a acusação não pode, diante da inegável existência de penas processuais, ser leviana e despida de um suporte probatório suficiente para, à luz da proporcionalidade, justificar o imenso constrangimento que representa a assunção da condição de réu”. Não é outro o magistério de FERNANDO DA COSTA TOURINHO FILHO a propósito da necessidade de que acusação se baseie em um lastro mínimo de provas como condição à deflagração da ação penal: “O direito de ação, no plano processual, é instrumentalmente conexo a um caso concreto. (...) No campo penal, quando se propõe uma ação, não basta fazer referência ao caso concreto; é preciso que no limiar do processo a ser instaurado se mostre ao Juiz a seriedade do pedido, exibindo-lhe os elementos em que se esteia a acusação”. (g.n.) Neste sentido, advertia o Ministro OROSIMBO NONATO, a denúncia não pode resultar de mera construção intelectiva ou pessoal do órgão acusador, ou de sua “pura criação mental” (STF, RF 150/393). No caso dos autos, é justamente a ausência de indícios mínimos de autoria que impede o recebimento da denúncia oferecida, pois o Acusado, através da sua empresa, está executando os serviços referentes aos valores repassados pelo Município de Currais, quais sejam 50% (cinquenta por cento) do total da obra, com previsão de conclusão até 31/03/2019. Com efeito, além de não narrar o elemento subjetivo do tipo, a denúncia também não apresenta qualquer indício razoável de que SUETON FALCÃO JÚNIOR tenha recebido qualquer valor oriundo de desvio de verba pública do TC-1464/2011 do FNDE. Frise-se, a contraprestação do serviço está sendo executada, cuja vigência do contrato é até 31/03/2019. E isto, considerando que para a configuração do dolo no crime de responsabilidade, conforme já exposto, é preciso haver prova de que “o agente tenha completa consciência de desviar recurso público”. Essa consciência, como é dado inferir dos termos da denúncia, é apenas presumida pelo Ministério Público Federal, o que não se pode admitir, nem mesmo na fase de recebimento da denúncia, especialmente considerando os efeitos deletérios que a abertura de uma ação penal gera ao status dignitatis das pessoas. Ainda mais numa causa como esta, de repercussão nacional. E se de um lado a denúncia carece de evidências mínimas em relação ao dolo e elementos caracterizadores do desvio de verba pública, há razões bastantes a demonstrarem, de plano, que o Acusado atuou na espécie, com inteira boa-fé. Ou, seja, recebeu os repasses referente a 50% (cinquenta por cento) das obras da creche e está honrando com a contraprestação dos serviços, com prazo para conclusão até o final de outubro de 2018. Não se constata, no caso em apreciação, o elemento subjetivo necessário para configurar a conduta descrita no inciso I do art. 1º do Decreto-Lei nº 201/67, qual seja a vontade livre e consciente do agente no sentido de apropriar-se dos valores públicos, ou, a intenção de tirar proveito para si ou para terceiros. È nesse sentido o entendimento jurisprudencial: PENAL. APROPRIAÇÃO DE RECURSOS PÚBLICOS. EX-PREFEITO E EX-SECRETÁRIO DE FINANÇAS. ART. 1º, I, SEGUNDA PARTE, DO DECRETO-LEI Nº 201/1967. CONVÊNIO. FNDE. CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES E AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MATERIAIS. AÇÕES DO SECRETÁRIO DE FINANÇAS. ASSINATURA DOS CHEQUES SOLICITADAS POR AGENTE DE HIERARQUIA FUNCIONAL SUPERIOR. AUSÊNCIA DE PROVAS DA CONCIÊNCIA DA ILICITUDE DOS ATOS PRATICADOS E DA UTILIZAÇÃO DOS VALORES EM PROVEITO PESSOAL. APELAÇÃO PROVIDA. ART. 386, V, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. AÇÕES DO ENTÃO PREFEITO. DESQUALIFICAÇÃO DA CONDUTA PARA A TIPIFICADA NO ART. 90 DA LEI Nº 8.666/1993. ESPECIALIDADE DA LEGISLAÇÃO DECLINADA NA PEÇA ACUSATÓRIA. CRIME PRÓPRIO. SIMULAÇÃO DE PROCEDIMENTO LICITATÓRIO PARA FINS DE BURLA DO CONVÊNIO. APELAÇÃO IMPROVIDA. I. A condição de secretário municipal não enseja, necessariamente, em uma incumbência criminal de seus atos, sob pena de culminar em uma responsabilidade objetiva, a qual é afastada pelo nosso ordenamento jurídico, principalmente quando nos autos não são carreadas provas suficientes que indiquem uma intenção de desviar o montante objeto do convênio, pois tais assinaturas foram solicitadas naturalmente por alguém em hierarquia funcional superior, em um grau congênito de confiança ou, ainda, ter ele plena consciência da ilicitude dos objetos de sua assinatura, devido ao caráter fraudulento e malicioso dos documentos a ele apresentados. II. Inconsistente a possibilidade de desqualificar a conduta do chefe da edilidade, da tipificada no art. 1º, I, segunda parte, Decreto-lei nº 201/1967 para a do art. 90 da Lei nº 8.666/1993, eis que foram simulados procedimentos licitatórios, com o intuito de aparentar que os recursos financeiros oriundos do convênio teriam sido realmente aproveitados nos moldes ali celebrados, bem como haver ele falsificado prestação de contas. III. O caráter fraudulento de alguns atos praticados pelo agente público sempre foi um meio para sua pretensão ilícita final, qual seja, o desvio de verbas públicas e, ainda que não fosse um meio, os fatos narrados na exordial não traduzem os elementos englobados no dispositivo em comento, pois este pressupõe a ocorrência de uma licitação, o que, de fato,não veio a ocorrer. IV. Não faz sentido supor que a Lei de Licitações é mais específica para fins de enquadramento legal do que o Decreto-lei nº 201/1967, no caso concreto, pois este titula justamente os crimes de responsabilidade praticados por prefeitos e vereadores, sendo crimes próprios, com sujeitos ativos determinados pela legislação, de onde se conclui que, praticando agentes públicos eletivos desta qualificação qualquer das condutas tipificadas neste decreto-lei, e os enquadrando em outra fonte legal, restaria esta inútil. V. Apelação de JOSÉ BEZERRA CAVALCANTI FILHO provida, reformando a sentença para absolvê-lo, a teor do art. 386, V, do Código de Processo Penal. VI. Apelação de JOÃO MARIA DE GÓIS improvida, para manter a condenação a ele imposta. (Grifado). (TRF5. ACR 200984000007620. ACR 9701. Relator: Desembargador Federal Ivan Lira de Carvalho. Órgão julgador: Quarta Turma. DJE - Data::21/03/2013. Unânime). Processo: ACR 513 AC 2005.30.00.000513-7 Orgão Julgador: QUARTA TURMA Publicação: e-DJF1 p.7 de 03/10/2012 Julgamento: 30 de Julho de 2012 Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL I'TALO FIORAVANTI SABO MENDES Ementa PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME DE RESPONSABILIDADE. ART. 1º, INCISOS I E IV, DO DECRETO-LEI Nº 201/67. EX-PREFEITO MUNICIPAL. SECRETÁRIO DE FINANÇAS. AUSÊNCIA DE DOLO EM RELAÇÃO AO INCISO I, DO ARTIGO 1º. SETENÇA REFORMADA EM PARTE. 1. A obra objeto do Convênio nº 202/2001, apesar de concluída, não foi regularmente executada, conforme se constata no relatório de inspeção às fls. 177/179, tendo em vista flagrante alteração no projeto em relação à substituição das luminárias instaladas. 2. Em relação aos recursos financeiros liberados pela União, por meio do Ministério da Integração Nacional, na ordem de R$(cem mil reais), verifica-se que efetivamente foram eles repassados para empresa Construtora Ideal Serviços e Comércio Ltda., contratada, nos termos da Lei nº 8.666/98, para realização da obra de construção da praça pública do município de Porto Walter/AC, conforme documentos de fls. 126 e 209 (cheque no valor de R$ 50.000,00), fls. 127 e 210 (cheque no valor de R$ 30.000,00), fl. 201 (cheque no valor de R$ 10.000,00) e fl. 212 (cheque no valor de R$ 10.000,00). 3. Não se verifica dos autos nenhum documento que indique que os réus tenham se apropriado ou desviado valores em proveito próprio ou alheio. Nem se, pode inferir, em face da ausência de documentos nesse sentido, as possíveis razões que determinante da substituição das luminárias previstas no projeto básico sejam a apropriação. 4. Não se constata, no caso em apreciação, o elemento subjetivo necessário para configurar a conduta descrita no inciso I do art. 1º do Decreto-Lei nº 201/67, qual seja a vontade livre e consciente do agente no sentido de apropriar-se dos valores públicos repassados pela União, ou, a intenção de tirar proveito para si ou para terceiros. 5. Sentença reformada para absolver os réus da prática do delito do art. 1º, inciso I, do Decreto-Lei nº 201/67. 6. Considerando o prazo previsto para o montante de pena que lhe foi arbitrada pela prática do crime previsto no art. 1º, IV, do Decreto-Lei nº 201/67 (3 meses de detenção), verifica-se que ocorreu a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva do Estado antes mesmo do recebimento da denúncia, uma vez que entre esta e a conduta típica, decorreu prazo superior a 2 (dois) anos. 7. Apelações dos acusados providas, para absolvê-los da imputação do art. 1º, I, do Decreto-Lei nº 201/67, e declarar consumada a prescrição da pretensão punitiva do acusado Vanderlei Messias Sales quanto ao delito do art. 1º, IV, do mesmo Decreto-Lei nº 201/67, ficando prejudicada sua apelação quanto a este ponto. TRF-1 - APELAÇÃO CRIMINAL : ACR 513 AC 2005.30.00.000513-7 Processo: ACR 513 AC 2005.30.00.000513-7 Orgão Julgador: QUARTA TURMA Publicação: e-DJF1 p.7 de 03/10/2012 Julgamento: 30 de Julho de 2012 Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL I'TALO FIORAVANTI SABO MENDES Ementa: PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME DE RESPONSABILIDADE. ART. 1º , INCISOS I E IV , DO DECRETO-LEI Nº 201 /67. EX-PREFEITO MUNICIPAL. SECRETÁRIO DE FINANÇAS. AUSÊNCIA DE DOLO EM RELAÇÃO AO INCISO I, DO ARTIGO 1º. SETENÇA REFORMADA EM PARTE. 1. A obra objeto do Convênio nº 202/2001, apesar de concluída, não foi regularmente executada, conforme se constata no relatório de inspeção às fls. 177/179, tendo em vista flagrante alteração no projeto em relação à substituição das luminárias instaladas. 2. Em relação aos recursos financeiros liberados pela União, por meio do Ministério da Integração Nacional, na ordem de R$(cem mil reais), verifica-se que efetivamente foram eles repassados para empresa Construtora Ideal Serviços e Comércio Ltda., contratada, nos termos da Lei nº 8.666/98, para realização da obra de construção da praça pública do município de Porto Walter/AC, conforme documentos de fls. 126 e 209 (cheque no valor de R$ 50.000,00), fls. 127 e 210 (cheque no valor de R$ 30.000,00), fl. 201 (cheque no valor de R$ 10.000,00) e fl. 212 (cheque no valor de R$ 10.000,00). 3. Não se verifica dos autos nenhum documento que indique que os réus tenham se apropriado ou desviado valores em proveito próprio ou alheio. Nem se, pode inferir, em face da ausência de documentos nesse sentido, as possíveis razões que determinante da substituição das luminárias previstas no projeto básico sejam a apropriação. 4. Não se constata, no caso em apreciação, o elemento subjetivo necessário para configurar a conduta descrita no inciso I do art. 1º do Decreto-Lei nº 201 /67, qual seja a vontade livre e consciente do agente no sentido de apropriar-se dos valores públicos repassados pela União, ou, a intenção de tirar proveito para si ou para terceiros. 5. Sentença reformada para absolver os réus da prática do delito do art. 1º , inciso I , do Decreto-Lei nº 201 /67. 6. Considerando o prazo previsto para o montante de pena que lhe foi arbitrada pela prática do crime previsto no art. 1º , IV do Decreto-Lei nº 201/67 (3 meses de detenção), verifica-se que ocorreu a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva do Estado antes mesmo do recebimento da denúncia, uma vez que entre esta e a conduta típica, decorreu prazo superior a 2 (dois) anos. 7. Apelações dos acusados providas, para absolvê-los da imputação do art. 1º, I, do Decreto-Lei nº 201/67, e declarar consumada a prescrição da pretensão punitiva do acusado Vanderlei Messias Sales quanto ao delito do art. 1º, IV, do mesmo Decreto-Lei nº 201/67, ficando prejudicada sua apelação quanto a este ponto. TRF-1 - APELAÇÃO CRIMINAL : ACR 513 AC 2005.30.00.000513-7 Processo: ACR 513 AC 2005.30.00.000513-7 Orgão Julgador: QUARTA TURMA Publicação: e-DJF1 p.7 de 03/10/2012 Julgamento: 30 de Julho de 2012 Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL I'TALO FIORAVANTI SABO MENDES Ementa: PENAL. PROCESSO PENAL. CRIME DE RESPONSABILIDADE. ART. 1º , INCISOS I E IV , DO DECRETO-LEI Nº 201 /67. EX-PREFEITO MUNICIPAL. SECRETÁRIO DE FINANÇAS. AUSÊNCIA DE DOLO EM RELAÇÃO AO INCISO I, DO ARTIGO 1º. SETENÇA REFORMADA EM PARTE. 1. A obra objeto do Convênio nº 202/2001, apesar de concluída, não foi regularmente executada, conforme se constata no relatório de inspeção às fls. 177/179, tendo em vista flagrante alteração no projeto em relação à substituição das luminárias instaladas. 2. Em relação aos recursos financeiros liberados pela União, por meio do Ministério da Integração Nacional, na ordem de R$(cem mil reais), verifica-se que efetivamente foram eles repassados para empresa Construtora Ideal Serviços e Comércio Ltda., contratada, nos termos da Lei nº 8.666/98, para realização da obra de construção da praça pública do município de Porto Walter/AC, conforme documentos de fls. 126 e 209 (cheque no valor de R$ 50.000,00), fls. 127 e 210 (cheque no valor de R$ 30.000,00), fl. 201 (cheque no valor de R$ 10.000,00) e fl. 212 (cheque no valor de R$ 10.000,00). 3. Não se verifica dos autos nenhum documento que indique que os réus tenham se apropriado ou desviado valoresem proveito próprio ou alheio. Nem se, pode inferir, em face da ausência de documentos nesse sentido, as possíveis razões que determinante da substituição das luminárias previstas no projeto básico sejam a apropriação. 4. Não se constata, no caso em apreciação, o elemento subjetivo necessário para configurar a conduta descrita no inciso I do art. 1º do Decreto-Lei nº 201 /67, qual seja a vontade livre e consciente do agente no sentido de apropriar-se dos valores públicos repassados pela União, ou, a intenção de tirar proveito para si ou para terceiros. 5. Sentença reformada para absolver os réus da prática do delito do art. 1º , inciso I , do Decreto-Lei nº 201 /67. 6. Considerando o prazo previsto para o montante de pena que lhe foi arbitrada pela prática do crime previsto no art. 1º , IV do Decreto-Lei nº 201/67 (3 meses de detenção), verifica-se que ocorreu a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva do Estado antes mesmo do recebimento da denúncia, uma vez que entre esta e a conduta típica, decorreu prazo superior a 2 (dois) anos. 7. Apelações dos acusados providas, para absolvê-los da imputação do art. 1º, I, do Decreto-Lei nº 201/67, e declarar consumada a prescrição da pretensão punitiva do acusado Vanderlei Messias Sales quanto ao delito do art. 1º, IV, do mesmo Decreto-Lei nº 201/67, ficando prejudicada sua apelação quanto a este ponto. Ou seja, as evidências até aqui produzidas, ao contrário de reforçarem a tese acusatória, infirmam qualquer suspeita, por mais leviana e forçada que seja, de que tenha praticado o Acusado qualquer crime ou agido com vontade livre de desviar recurso público em favor próprio ou de terceiros. DOS PEDIDOS: Frente ao exposto, requer o peticionário: Seja, em reconsideração, declarada a nulidade da decisão que recebeu a denúncia, por falta de fundamentação suficiente, sendo outra proferida, com respeito aos ditames constitucionais; Seja reconhecida a inépcia formal da denúncia ou, ainda, a ausência de justa causa para o prosseguimento da ação penal; Seja o Defendente absolvido sumariamente, nos termos do artigo 397, incisos I e III, do Código de Processo Penal, em virtude da atipicidade das condutas a ele atribuídas e, ainda, pela ausência de mínimo suporte indiciário (falta de justa causa), como medida da mais lídima e inteira justiça. b) Finalmente, requer e protesta provar o alegado por meio das provas em direito admitidas, especialmente a produção de prova pericial, a oitiva das testemunhas arroladas essenciais à defesa no decorrer da instrução, bem como a juntada de novos documentos, além daqueles que acompanham a presente defesa. É o que se pede. Corrente/PI, 28 de setembro de 2018. EDNALDO DE ALMEIDA DAMASCENO OAB/PI 6902 Rol de Testemunhas: 1ª Testemunha: SANDOVAL FERREIRA DOS SANTOS, brasileiro, portador do RG nº 828.409 e inscrito no CPF sob o nº 205.455.603-44, residente e domiciliado Vila das Mercês, nº 136, Centro, Bom Jesus/PI, CEP. 64.900-000; 2ª Testemunha: MANOEL JOSÉ DA SILVA, brasileiro, portador do RG nº 1.252.154 SSP/PI e inscrito no CPF sob o nº 453.521.943-53, residente e domiciliado no Povoado Pará Batins, zona rural do Município de Currais/PI, CEP. 64.905-000;