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Direito Processual Penal - Intensivo I

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de arquivamento do qual o juiz tenha discordado nos termos do art. 
28, ou nas hipóteses de atribuição originária do PGJ ou PGR não será necessário que a decisão administrativa 
do MP seja submetida à apreciação do Poder Judiciário (STF ‐ INQ 205417 / HC 64.564). 
                                                            
15 Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade 
policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. 
16 Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao  invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do  inquérito policial ou de 
quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças 
de  informação  ao  procurador‐geral,  e  este  oferecerá  a  denúncia,  designará  outro  órgão  do Ministério  Público  para  oferecê‐la,  ou 
insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. 
17  ARQUIVAMENTO  DE  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO  PELO  PROCURADOR‐GERAL  DA  REPÚBLICA.  DECISÃO  ADMINISTRATIVA. 
ABERTURA DE NOVAS INVESTIGAÇÕES E OFERECIMENTO DE DENÚNCIA POR NOVO PROCURADOR‐GERAL. IRRETRATABILIDADE DO ATO 
DE ARQUIVAMENTO, SEM PROVAS NOVAS. 1. Se o procedimento administrativo encaminhado à Procuradoria vem a ser arquivado, 
 
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INQUÉRITO POLICIAL > Trancamento do Inquérito Policial 
2.13.8  Arquivamento Indireto 
Se  o  juiz  não  concordar  com  o  pedido  de  declinação  de  incompetência,  deverá  entender  como 
arquivamento indireto remetendo os autos para o PGJ. 
Se o órgão do MP requer a declinação de competência, mas o juiz não concorda, estaria ocorrendo 
uma espécie de arquivamento indireto sendo possível a aplicação, por analogia, do art. 28 do CPP. 
2.13.9 Arquivamento implícito 
Ocorre quando o MP  deixa de  incluir na denúncia  algum  fato  delituoso ou  algum  corréu, não  se 
manifestando expressamente no sentido do arquivamento. Esse arquivamento não é admitido pelos tribunais, 
cabendo ao juiz devolver os autos ao MP sob pena de aplicação do art. 28 do CPP. 
Quando  o  promotor  denuncia  apenas  um  agente,  mas  não  menciona  nada  quanto  aos  outros 
agentes.  Toda  manifestação  do  MP  obrigatoriamente  deverá  ser  fundamentada,  portanto  caberá  ao  juiz 
solicitar esclarecimento sob pena do 28 do CPP (STF ‐ RHC 95.14118). 
Quando  em  momento  posterior  o  promotor  deseje  aditar  a  denúncia  para  lançar  um  outro 
delinqüente ou infração não contemplada, exige‐se a presença de prova nova. 
2.13.10 Recursos cabíveis no arquivamento 
Se  houve  o  arquivamento  não  caberá  ação  penal  privada  subsidiária  da  pública  (exige  inércia 
ministerial), pois não ocorreu inércia do MP. 
Em regra o arquivamento é uma decisão irrecorrível. 
Exceções: 
1. Crimes contra a economia popular caberá Recurso de Ofício (art. 7º Lei 1.521/5119); 
2. Nas  contravenções do  jogo do bicho e  corridas de  cavalos há previsão de  recurso em  sentido 
estrito (RSE); 
3. Nos casos de atribuição originária do PGJ caberá pedido de revisão ao colégio de procuradores. 
2.14 Trancamento do Inquérito Policial 
A mera existência de um Inquérito Policial contra alguém já é considerado um certo gravame. 
O trancamento do Inquérito Policial é uma medida de natureza excepcional somente sendo possível 
nas seguintes hipóteses: 
1. Manifesta atipicidade formal ou material da conduta delituosa; 
2. Quando já estiver extinta a punibilidade; 
Em regra, o instrumento utilizado será o Habeas Corpus, desde que o delito preveja pena privativa de 
liberdade. Um crime que não tem previsão de pena privativa de liberdade é o porte de entorpecentes, nesses 
casos será possível o trancamento do inquérito por meio do Mandado de Segurança. 
 
A competência para julgamento do instrumento de trancamento dependerá de quem partiu a ordem 
para instaurar o Inquérito Policial. Se for o delegado será o juiz de primeira instância, sendo o promotor será o 
tribunal competente. 
2.15 Investigação pelo Ministério Público 
ARGUMENTOS CONTRÁRIOS  ARGUMENTOS FAVORÁVEIS 
                                                                                                                                                                                                           
essa decisão administrativa não pode ser substituída por nova denúncia, apresentada pelo novo Procurador‐Geral, sem a existência de 
provas novas. Precedente (Inq 2.028 ‐ Informativo 645, Plenário). 2. Denúncia rejeitada. 
18  EMENTA:  RECURSO  ORDINÁRIO  EM  HABEAS  CORPUS.  PROCESSUAL  PENAL.  COMETIMENTO  DE  DOIS  CRIMES  DE  ROUBO 
SEQUENCIAIS. CONEXÃO RECONHECIDA RELATIVAMENTE AOS RESPECTIVOS  INQUÉRITOS POLICIAIS PELO MP. DENÚNCIA OFERECIDA 
APENAS  QUANTO  A  UM  DELES.  ALEGAÇÃO  DE  ARQUIVAMENTE  IMPLÍCITO  QUANTO  AO  OUTRO.  INOCORRÊNCIA.  PRINCÍPIO  DA 
INDIVISIBILIDADE. INEXISTÊNCIA. AÇÃO PENAL PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. I ‐ Praticados dois 
roubos em sequência e oferecida a denúncia apenas quanto a um deles, nada impede que o MP ajuíze nova ação penal quanto delito 
remanescente. II ‐ Incidência do postulado da indisponibilidade da ação penal pública que decorre do elevado valor dos bens jurídicos 
que  ela  tutela.  III  ‐  Inexiste  dispositivo  legal  que  preveja  o  arquivamento  implícito  do  inquérito  policial,  devendo  ser  o  pedido 
formulado expressamente, a teor do disposto no art. 28 do Código Processual Penal. IV ‐ Inaplicabilidade do princípio da indivisibilidade 
à ação penal pública. Precedentes. V ‐ Recurso desprovido. 
19 Art. 7º. Os  juízes recorrerão de ofício sempre que absolverem os acusados em processo por crime contra a economia popular ou 
contra a saúde pública, ou quando determinarem o arquivamento dos autos do respectivo inquérito policial. 
 
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INQUÉRITO POLICIAL > Investigação pelo Ministério Público 
1. Atenta contra o sistema acusatório, pois cria um 
desequilíbrio entre acusação e defesa. 
1. Não viola o sistema acusatório, pois nada impede 
que  a  defesa  também  contribua  para  as 
investigações.  A  investigação  por  particulares 
(inclusive  defesa)  é  perfeitamente  possível, mas 
não é dotado de poderes da autoridade. 
2. O MP é dotado do poder de requisitar diligências 
ou  instauração  de  inquéritos  policiais,  mas  não 
pode presidi‐los. 
2. Teoria  dos  Poderes  Implícitos  –  tem  origem  no 
direito  norteamericano  (caso  Macculoch  v. 
Maryland  –  1819).  A  constituição  ao  conceder 
uma  atividade  fim  a  determinado  órgão  ou 
instituição  implicitamente também concede a ele 
todos  os  meio  necessários  para  atingir  aquele 
objetivo.  Portanto,  se  o MP  é  o  titular  da  ação 
penal deve‐se outorgar a ele os meios necessários 
para  formar  seu  convencimento  (STF  ‐  HC 
89.83720). 
3. A  atividade  investigativa  é  exclusiva  da  polícia 
judiciária. 
3. Polícia  Judiciária  não  se  confunde  com  polícia 
investigativa,  além  disso  o  próprio  CPP  (art.  4º, 
§ún.21)  demonstra  que  as  investigações  não  são 
tarefas exclusivas da polícia. 
4. Falta de previsão  legal e de  instrumento para as 
investigações. 
4. Procedimento  Investigatório  Criminal  (PIC): 
regulamentado  na  Resolução  13  do  Conselho 
Nacional  do  Ministério  Público  –  CNMP.  É  o 
instrumento  de  natureza  administrativa  e 
inquisitorial  instaurado e presidido pelo membro 
do  MP  com  atribuições  criminais,  e  terá  como 
finalidade apurar a ocorrência de infrações penais 
de natureza pública,  fornecendo elementos para 
o  oferecimento  ou  não  de  denúncia.  É  como  se 
fosse  um  inquérito  tramitando  diretamente  no 
MP. O PIC poderá ter três destinações a partir dos 
elementos colhidos: