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Direito Processual Penal - Intensivo I

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e  preparatório  consistente  em  um  conjunto  de 
diligências  realizadas pela polícia  investigativa para  apuração  da  infração  penal  e de  sua  autoria,  a  fim de 
fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo. 
 
‐ Todo delito está obrigatoriamente sujeito ao inquérito policial? 
TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) 
Surgiu  com  a  lei  dos  juizados  e  por  isso  é  usado  para  as  chamadas  IMPO  –  Infração  de menor 
potencial ofensivo – todas as contravenções e os crimes previstos com penas máximas não superior a 2 anos, 
cumulada ou não com multa, submetidos ou não à procedimento especial. 
2.2 Natureza Jurídica do Inquérito Policial 
É  considerado  apenas  um  procedimento  administrativo,  por  isso  eventuais  vícios  constantes  do 
inquérito  não  afetam  o  processo  penal  a  que  der  origem,  salvo  da  hipótese  de  provas  obtidas  por meios 
ilícitos. 
2.3 Finalidade do Inquérito Policial 
Colheita de elementos de informação quanto à autoria e a materialidade do delito. 
Obs.1: o novo Código de Processo Penal, que tramita no Congresso, não será publicado antes de 2012. 
 
‐ Qual a diferença de elementos de informação e provas? 
Passou a constar de maneira expressa no art. 155 do CPP1. 
Prova é aquilo que é obtido em  contraditório  judicial e elementos  informativos obtidos durante a 
fase investigatória sem o contraditório e a ampla defesa. 
 
Elementos informativos  Prova 
1 São aqueles colhidos na fase investigatória 
1 Em regra, produzida na fase judicial. Há produção 
antecipada  de  provas  que  podem  ocorrer  antes 
da fase judicial. 
2 Não  é  obrigatória  a  participação  dialética  das  2 Com a participação dialética das partes. 
                                                            
1 Art. 155.  O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar 
sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e 
antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as 
restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 
 
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INQUÉRITO POLICIAL > Presidência do Inquérito Policial 
partes. 
3 Não é obrigatória a observância do contraditório 
e da ampla defesa. 
3 Com contraditório e ampla defesa. 
4 A presença do advogado não é necessária. 
4 Deve  ser  produzida  na  presença  do  juiz  – 
Princípio da  Identidade  Física do  Juiz, o  juiz que 
preside  a  instrução  é  o  que  deve  sentenciar  o 
processo – art. 399, §2º do CPP2. 
 
‐ Posso usar elementos de informação em uma sentença condenatória?  
Os elementos informativos são decisivos na concessão de medidas cautelares e na hora de formar a 
convicção do titular da ação penal. 
Elementos de informação servem para a fundamentação de medidas cautelares e para a formação da 
convicção do titular da ação penal (opinio delicti). Elementos de informação, isoladamente considerados, não 
podem fundamentar uma condenação. Porém não devem ser completamente desprezados, podendo se somar 
a prova produzida em juízo para formar a convicção do juiz. 
Para  concursos da Defensoria Pública o uso de elementos  informativos não deve  ser usados para 
fundamentar a sentença, pois ofende o contraditório e a ampla defesa 
2.4 Presidência do Inquérito Policial 
A  presidência  do  inquérito  fica  a  cargo  da  autoridade  policial  no  exercício  de  funções  de  Polícia 
Judiciária. A polícia judiciária se contrapõe a noção de polícia ostensiva. 
 
Obs.1:  Alguns  doutrinadores  acham  que  existem  algumas  diferenças  entre  polícia  judiciária  e  a  polícia 
investigativa. Polícia  Judiciária é a polícia auxiliando o Poder  Judiciário  (ex.:  cumprimento de mandados de 
prisão). Polícia  Investigativa é quando a polícia atua na apuração de  infrações penais e de  sua autoria. É a 
mesma polícia só que ora está investigando, ora auxiliando o Poder Judiciário, art. 144 da CF3. 
ƒ A atribuição para investigar o delito dependerá da competência para julgamento. 
 
Competência  Atribuição para as investigações 
Crime de competência da Justiça Militar da União 
Inquérito policial militar  (Presidido pelo Encarregado 
– oficial das Forças Armadas). 
Crime de competência da Justiça Militar dos Estados 
Inquérito policial militar  (Presidido pelo Encarregado 
– oficial da PM ou do Corpo de Bombeiros). 
Crime de competência da Justiça Federal  Polícia Federal 
Crime de competência da Justiça Eleitoral 
Polícia Federal  (se na  cidade não houver PF, não há 
problemas em ser investigado pela Polícia Civil). 
Crime de competência da Justiça Estadual  Polícia Civil e pela Polícia Federal. 
 
                                                            
2 Art. 399.  Recebida a denúncia ou queixa, o  juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a  intimação do acusado, de seu 
defensor, do Ministério Público e, se  for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). § 1o  O 
acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação. (Incluído 
pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o  O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença (PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO 
JUIZ). (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 
3 Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e 
da  incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...] § 1º A polícia federal,  instituída por  lei como órgão 
permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina‐se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 
19, de 1998) I ‐ apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de 
suas entidades autárquicas e empresas públicas (COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL), assim como outras infrações cuja prática tenha 
repercussão  interestadual  ou  internacional  e  exija  repressão uniforme,  segundo  se  dispuser  em  lei  (POLÍCIA  INVESTIGATIVA);  II  ‐ 
prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e 
de  outros  órgãos  públicos  nas  respectivas  áreas  de  competência;  III  ‐  exercer  as  funções  de  polícia marítima,  aeroportuária  e  de 
fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) IV ‐ exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária 
da União. 
 
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***As entidades de classe, consideradas como autarquia pelo STF, serão julgadas na Justiça Federal e portanto 
sob investigação da Polícia Federal. 
 
Obs.2: as atribuições investigatórias da Polícia Federal são mais amplas que a competência criminal da Justiça 
Federal – art. 144, §1º da CF. Regulada pela lei 10.446/02. 
 
Atribuições da Polícia Federal  II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4o da Lei 
no 8.137, de 27 de dezembro de 1990); e Lei 10.446/02 
Art.  1o  Na  forma  do  inciso  I  do  §  1o  do  art.  144  da 
Constituição,  quando  houver  repercussão  interestadual  ou 
internacional  que  exija  repressão  uniforme,  poderá  o 
Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, sem 
prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública 
arrolados no art. 144 da Constituição Federal, em especial das 
Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, 
dentre outras, das seguintes infrações penais: 
III – relativas à violação a direitos humanos, que a República 
Federativa  do  Brasil  se  comprometeu