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Amebiase Parasitologia

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● PARASITOLOGIA 
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www.medresumos.com.br 
 
 
AMEBÍASE 
 
 O gênero Entamoeba alberga um conjunto de espécies comensais (presentes no intestino, mas não são 
causadoras de doenças) e outra apresenta padrões patogênicos. A E. histolytica é o agente etiológico da amebíase, 
importante problema de saúde pública, constituindo a segunda causa de mortes por parasitoses. A E. dispar é uma 
espécie que acomete o homem de forma assintomática, quadro denominado colite não-disentérica. 
 Amebas comensais: são aquelas que vivem no intestino do ser humano, mas sem causar nenhum prejuízo a 
ele. São elas: Entamoeba dispar, E. hartmanni, E. coli, Endolimax nana, Iodomoeba butschlii, E. gengivalis 
(única que vive na cavidade bucal). 
 Ameba patogênica: a única ameba que pode causar o quadro clínico e sintomático clássico (fortes cólicas, 
diarreias seguidas ou não de sangue) da amebíase é a Entamoeba histolytica, que apresenta semelhanças 
morfológicas com a E. díspar. 
 
 No geral, todas essas amebas apresentam semelhanças morfológicas que, para o diagnóstico e identificação, 
pequenas diferenças devem ser notadas como a quantidade de núcleos presentes na célula, disposição do mesmo, 
presença de vacúolos, etc. Entretanto, a E. dispar e a E. hitolytica apresentam importantes semelhanças morfológicas 
que dificultam ainda mais o diagnóstico. Por esse motivo, em exames de fezes, o achado laboratorial deve constar: 
“Cistos de Entamoeba histolytica / Entamoeba dispar”. Por essa razão, mesmo sendo considerada não-patogênica, 
alguns autores defendem que a E. dispar deve ser tratada, não só pela sua semelhança com a patogênica E. histolytica, 
mas pelo fato da E. dispar ser responsável por causar a forma mais branda da amebíase: colite não-disentérica. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO 
 Filo: Sarcomastigophora (apresentam flagelo ou pseudópodes) 
o Sub-filo: Sarcodina (formam apenas pseudópodes) 
 Ordem: Amoebidae 
 Família: Entamoebidae 
 Gênero: Entamoeba 
 Espécie: Entamoeba histolytica/Entamoeba dispar 
 
 
 As amebas citadas se distinguem umas das outras pelo tamanho do trofozoíto e do cisto, pela estrutura e pelo 
número dos núcleos nos cistos, pelo número e formas das inclusões citoplasmáticas (vacúolos nos trofozoítos e corpos 
cromatoides apenas nas fases iniciais e menos madura dos cistos). 
 O gênero Entamoeba se caracteriza por possuir núcleo esférico ou arredondado e vesiculoso, com a cromatina 
periférica formada por pequenos grânulos justapostos e distribuídos regularmente na parte interna da membrana 
nuclear, lembrando uma roda de carroça; o cariossoma é relativamente pequeno, central ou excêntrico. 
 As espécies de ameba pertencentes ao gênero Entamoeba foram reunidas em grupos diferentes, segundo o 
número de núcleos do cisto maduro ou pelo desconhecimento dessa forma. São eles: 
 
 Entamoeba com cistos contendo 8 núcleos: 
E. coli (homem), E. gallinarum (aves 
domésticas). Os corpos cromatoides da E. 
coli apresentam-se pontiagudos, como 
agulhas. 
 Entamoeba com 4 núcleos: E. histolytica, E. 
dispar e E. hartmanni (bem menor que as 
demais). Os corpos cromatoides na E. 
histolytica e E. hartmanni apresentam corpos 
cromatoides em forma de bastão. 
 Entamoeba com 1 núcleo: E. polecki (comum 
em porcos e macacos). 
 
OBS
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: Como sabemos, o cisto é a estrutura de resistência de um protozoário. Por este motivo, a pesquisa dos cistos de 
ameba ou da própria giárdia na água fornecida para uma certa comunidade, serve como um indicador do saneamento e 
qualidade da higiene desta região. 
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PARASITOLOGIA 2016 
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 Outra forma de distinguir a espécie de Entamoeba é por 
meio da morfologia do núcleo do trofozoíto. O núcleo das espécies 
do gênero Entamoeba, de uma forma geral, apresenta forma 
esférico; com cromatina periférica que circunda todo carioplasma; e 
um cariossoma característico. 
 As espécies E. histolytica, E. dispar, E. hartmannni 
apresentam uma cromatina periférica bastante regular e 
uniforme, e um cariossoma central e pequeno. 
 A espécie E. coli apresenta uma cromatina periférica um 
tanto que irregular e um cariossoma mais excêntrico, um 
poço deslocado do centro do núcleo. 
 
 
MORFOLOGIA 
 Por ser patogênica, descreveremos as formas morfológicas da E. histolytica, que é estruturalmente semelhante à 
E. dispar. 
 
TROFOZOÍTO 
 Em culturas ou disenterias, os trofozoítos medem entre 20 e 30μm. 
Geralmente tem um só núcleo, bem nítido nas formas coradas e pouco 
visível nas formas vivas. Examinando a fresco, apresenta-se pleomórfico, 
ativo, alongado, com emissão contínua e rápida de pseudópodes, grossos e 
hialinos; costuma imprimir movimentação direcional, parecendo estar 
deslizando na superfície, semelhante a uma lesma. 
 Quando proveniente de casos de disenteria, é comum encontrar 
eritrócitos no citoplasma; o trofozoíto não-invasivo ou virulento apresenta 
bactérias, grãos de amido ou outros detritos em seu citoplasma, mas nunca 
eritrócitos. Quanto a capacidade de invadir células ou não, os trofozoítos 
podem ser encontrados nas seguintes formas: 
 Forma magna: é a forma invasiva, sendo a única capaz de invadir tecidos. Por ser hematófago, apresenta 
hemácias engolfadas em seu interior. Suas parasitoses são sintomáticas e não apresenta a capacidade de 
formar cistos. Apresenta-se apenas na espécie E. hitstolytica (por isso que esta é considerada patogênica), 
sendo um indicador de diagnóstico diferencial. 
 Forma minuta: é a forma não-invasiva, apresentando apenas bactérias em seu interior. Suas parasitoses são 
assintomáticas e, por serem capazes de formar cistos, disseminam-se facilmente (uma vez que o portador não 
se tratar, por estar assintomático). Tanto a E. histolytica quanto a E. dispar podem apresentar esta forma e, por 
isso, não serve como meio de diagnóstico diferencial. 
 
 O citoplasma apresenta-se em ectoplasma, que é claro e hialino, e endoplasma, que é finamente granuloso, 
com vacúolos, núcleos e restos de substâncias alimentares. A membrana nuclear é bastante delgada e a cromatina 
justaposta internamente a ela é formada por pequenos grânulos, uniformes no tamanho e na distribuição, dando ao 
núcleo um aspecto de anel (aliança de brilhante). Na parte central do núcleo encontra-se o cariossoma, também 
chamado endossoma. E pequeno e com constituição semelhante à cromatina periférica. 
 
PRÉ-CISTO 
 É uma fase intermediária entre o trofozoíto e o cisto. É oval ou ligeiramente arredondado, menor que o trofozoíto. 
O núcleo é semelhante ao do trofozoíto. 
 
CISTO 
 São esféricos ou ovais, medindo 8 a 20μm de diâmetro. Os núcleos são pouco visíveis e variam de um a quatro. 
Os corpos cromatoides, quando presentes nos cistos, têm a forma de bastonetes ou de charutos, com pontas 
arredondadas.Encontramos também no citoplasma dos cistos regiões que se coram de castanho pelo lugol: são as 
reservas de glicogênio, também chamadas "vacúolos de glicogênio". 
 Os cistos jovens são aqueles em que se encontram 1 a 3 núcleos, vacúolos de glicogênio e corpos cromatoides. 
Já os cistos maduros, encontramos 4 núcleos e raramente são encontrados vacúolo de glicogênio e corpos cromatoides. 
 
 
BIOLOGIA E CICLO CELULAR 
 Os trofozoítas da E. histolytica normalmente vivem na luz do intestino grosso podendo, ocasionalmente, penetrar 
na mucosa e produzir ulcerações intestinais ou em outras regiões do organismo, como fígado, pulmão, no rim e, 
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raramente, no cérebro. Os trofozoítos de E. histolytica são essencialmente anaeróbios. Contudo, amebas são hábeis 
para consumir oxigênio, podendo crescer em atmosferas contendo até 5% de oxigênio. 
 O ciclo biológico é monoxênico e muito simples. Ele se inicia pela ingestão dos cistos maduros, junto de 
alimentos e água contaminados. Passam pelo estômago, resistindo

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