Crimes Contra o Patrimonio
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Crimes Contra o Patrimonio


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DIREITO PENAL \u2013 PARTE ESPECIAL \u2013 ARTs. 155 A 212
 
DIREITO PENAL
Bibliografia consultada e sugerida:
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal : parte
especial, volumes 03 e 04 \u2013 4. Ed. rev. e atual. \u2013 São Paulo : Saraiva, 2004.
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, volumes 2 e 3 : parte
especial \u2013 5. ed. rev. e atual. \u2013 São Paulo : Saraiva, 2005.
JESUS, Damásio E. de. Direito Penal, volumes 1 e 2 \u2013 28. ed. rev. \u2013
São Paulo : Saraiva, 2005.
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Manual de Direito Penal, volumes II e III \u2013
23. ed. \u2013 São Paulo : Atlas, 2005.
MIRABETE, Júlio Fabbrini. Código Penal Interpretado \u2013 São Paulo :
Atlas, 1999.
NORONHA, E. Magalhães. Direito Penal. \u2013 São Paulo : Saraiva, 1985-
1987.
5. DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO (TÍTULO
II)
Nesse título o Código Penal tutela o patrimônio da pessoa física e jurídica.
O patrimônio é o conjunto de bens, de qualquer ordem, pertencentes a
um titular. Integram o patrimônio: os bens corpóreos e incorpóreos de valor econômico; os
bens de valor afetivo ou sentimental; os bens úteis à pessoa, embora destituídos de valor
econômico (ex: folha de cheque em branco, cartão de crédito).
Não se confunde patrimônio com propriedade. O patrimônio compreende
o complexo de relações jurídicas da pessoa, abarcando, portanto, a universalidade dos
bens. A propriedade é um dos elementos do patrimônio.
\u25ba Crimes contra o patrimônio e sua relação com a usucapião
A posse clandestina e violenta convalida-se ano e dia após a cessação da
violência e clandestinidade. E, após a convalidação, torna-se possível usucapir o bem, se
a posse da coisa prolongar-se por cinco anos (art. 1261 do Código Civil).
Admite-se, portanto, que o ladrão obtenha a propriedade da coisa pela via
da usucapião. Todavia, cumpre observar que dificilmente o ladrão poderá usucapir a
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coisa. Com efeito, no furto, enquanto não cessar a clandestinidade, a sua posse será
injusta, inviabilizando a usucapião. Vale lembrar que cessa a clandestinidade quando a
vítima, e não terceiros, tomar ciência de que determinada pessoa possua a coisa.
No roubo, a posse, além de violenta, costuma também ser clandestina,
aplicando-se, destarte, a mesma observação acima mencionada.
Na apropriação indébita, a posse revela-se precária, caracterizada pelo
abuso de confiança. E nos termos do Código Civil, a posse precária não se convalida,
impossibilitando também a usucapião.
5.1. FURTO \u2013 ART. 155 DO CÓDIGO PENAL
5.1.1. Furto Simples
Diz o caput do art. 155: \u201cSubtrair para si ou para outrem coisa alheia
móvel: 
Pena \u2013 reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.\u201d
Assim, furto é a subtração, para si ou para outrem, de coisa alheia
móvel.
O objeto jurídico é o patrimônio, abrangendo a posse e a propriedade.
1.1.1. Elementos do Furto
a) Subtrair: significa tirar algo de alguém, desapossar.
Pode ocorrer em dois casos:
- tirar algo de alguém (Ex: subtrair uma bicicleta da vítima);
- receber uma posse vigiada e sem autorização levar o bem, retirando-o da esfera
de vigilância da vítima (Ex: caixa de supermercado que furta o dinheiro).
Conclui-se que a expressão engloba tanto a hipótese em que o bem é tirado da
vítima quanto aquela em que a coisa é entregue voluntariamente ao agente e este a leva
consigo.
Essa modalidade difere da apropriação indébita porque nesta (apropriação) a
posse é desvigiada. Ex.: caixa de supermercado, tem a posse vigiada, se pegar dinheiro
praticará furto. 
Os empregados domésticos que subtraem bens dos patrões enquanto trabalham
cometem crime de furto.
O furto é delito de forma livre, admitindo inúmeros meios de execução. Assim,
responde por furto o agente que realiza a subtração valendo-se de um animal
especialmente treinado para este fim.
b) Ânimo de assenhoramento definitivo do bem: \u201cpara si ou para outrem\u201d
(animus rem sibi habendi) 
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Trata-se do elemento subjetivo específico do tipo. Não basta apenas a vontade de
subtrair (dolo geral): a norma exige a intenção específica de ter a coisa, para si ou para
outrem, de forma definitiva.
É esse elemento que distingue o crime de furto e o furto de uso (fato atípico). Para
a sua caracterização é necessário que o agente tenha intenção de uso momentâneo e
que restitua a coisa imediata e integralmente à vítima. Portanto, no furto temos dois
requisitos: a) uso momentâneo; b) restituição integral do bem. A doutrina e a
jurisprudência entendem inexistir o roubo de uso. Alguns, entretanto, entendem que não
há roubo por falta da elementar \u201cpara si ou para outrem\u201d, devendo subsistir o crime de
constrangimento ilegal.
c) Coisa alheia móvel (objeto material do tipo)
Coisa móvel: aquela que pode ser transportada de um local para outro. O Código
Civil considera como imóvel alguns bens móveis, como aviões, embarcações, o que para
fins penais é irrelevante. Assim, pode haver furto de aviões, embarcações, etc, apesar da
lei civil considerá-los imóveis.
Os semoventes (boi, vaca, cavalo) também podem ser objeto de furto, como, por
exemplo, o abigeato, ou seja, o furto de gado.
Areia, terra (retirados sem autorização) e árvores (quando arrancadas do solo)
podem ser objeto de furto, desde que não configure crime contra o meio ambiente.
A coisa deve ser alheia (elemento normativo do furto). Se for coisa própria não
haverá o crime (Não haverá furto se o indivíduo subtrair a sua própria bicicleta. Se
eventualmente a coisa própria estiver em poder de terceiro, comete o crime do art. 346 do
CP \u2013 subtipo do crime de Exercício arbitrário das próprias razões).
O furto é um tipo anormal porque contém elemento normativo que exige juízo de
valor. Coisa alheia é aquela que tem dono; dessa forma, não constituem objeto de furto a
res nullius (coisa de ninguém, que nunca teve dono) e a res derelicta (coisa abandonada).
Nessas hipóteses, o fato será atípico porque a coisa não é alheia.
A coisa perdida (res desperdicta) tem dono, mas não pode ser objeto de furto
porque falta o requisito da subtração; quem a encontra e não a devolve não está
subtraindo - responderá por apropriação de coisa achada, tipificada no art. 169, par. ún.,
inc. II, do Código Penal. 
A coisa só é considerada perdida quando está em local público ou aberto ao
público. Coisa perdida, por exemplo, dentro de casa, dentro do carro, se achada e não
restituída ao proprietário, caracterizará crime de furto. 
Coisa de uso comum: (água dos mares, ar atmosférico etc.) não pode ser objeto
de furto, exceto se estiver destacada de seu meio natural e for explorada por alguém. Ex.:
água da Sabesp.
Não confundir com furto de coisa comum, art. 156 do Código Penal, que
ocorre quando o objeto pertence a duas ou mais pessoas nas hipóteses de sociedade,
condomínio de coisa móvel e co-herança. É crime de ação penal pública condicionada à
representação. 
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O art. 155, § 3.o, do Código Penal trata do furto de energia. Equipara-se à coisa
móvel a energia elétrica, bem como qualquer outra forma de energia com valor
econômico. Esse dispositivo é uma norma penal explicativa ou complementar (esclarece
outras normas; na hipótese, define como objeto material do furto, a energia).
Þ O furto de sinal de TV a cabo está sendo equiparado. César Roberto Bitencourt
entende que não há crime, pois o sinal não está sendo subtraído, apenas usado.
Þ O sêmen é considerado energia genética e sua subtração caracteriza o delito de
furto.
Þ Ser humano não pode ser objeto de furto, pois não é coisa. Poderá haver os
crimes de sequestro (art. 148) ou subtração de incapaz (art. 249).