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CIDADE DE GOIAS 26 JUNHO DE 2018 HISTÓRIA ANTIGA I DOCENTE: DR. NEEMIAS OLIVEIRA DA SILVA DICENTE: LUIS CARLOS FELIX TAVARES Fichamento comentado do Texto: O Código de Hammurabi. Cidade de Goiás-Go 2018 LUIS CARLOS FELIX TAVARES Fichamento comentado do Texto: O Código de Hammurabi. Fichamento comentado do Texto O Código de Hammurabi, para fins de obtenção de nota do primeiro Período de História Antiga I, sobre orientação do Professor Dr. Neemias Oliveira da Silva. Cidade de Goiás-Go 2018 RESUMO: O objetivo do presente trabalho foi descrever as principais características e a importância histórica do código de Hamurabi, a metodologia utilizada foi fichamento comentado. A importância histórica do Código de Hamurabi pode ser avaliada pelo fato de ele ter se tornado a fonte jurídica na qual se basearam as leis de praticamente todos os povos semitas da Antiguidade, incluindo os assírios, os caldeus e os próprios hebreus. Os principais temas do Código de Hamurabi são o direito penal, o direito da família e a regulamentação profissional, comercial, agrícola e administrativa. Código de Hamurabi se constitui em marcos fundamentais na História do Direito porque foram pioneiros na regulamentação de normas penais, civis e comerciais, representando a tendência histórica de se atribuir ao Estado a tutela da sociedade Introdução: Sexto rei sumério durante período controverso (1792-1750 ou 1730-1685 A.C.) e nascido em Babel, “Khammu-rabi” (pronúncia em babilônio) foi fundador do Império Babilônico (correspondente ao atual Iraque), unificando amplamente o mundo mesopotâmico, unindo os semitas e os sumérios e levando a Babilônia ao máximo esplendor. O nome de Hamurabi permanece indissociavelmente ligado ao código jurídico tido como o mais remoto já descoberto: o Código de Hamurabi. O legislador babilônico consolidou a tradição jurídica, harmonizou os costumes e estendeu o direito e a lei a todos os súditos. Seu código estabelecia regras de vida e de propriedade, apresentando leis específicas, sobre situações concretas e pontuais. Considerado o documento jurídico mais importante do mundo antigo. Código de Hamurabi - cerca de 1780 A.C. (trechos selecionados) 1. Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então que aquele que enganou deve ser condenado à morte. 2. Se alguém fizer uma acusação a outrem, e o acusado for ao rio e pular neste rio, se ele afundar, seu acusador deverá tomar posse da casa do culpado, e se ele escapar sem ferimentos, o acusado não será culpado, e então aquele que fez a acusação deverá ser condenado à morte, enquanto que aquele que pulou no rio deve tomar posse da casa que pertencia a seu acusador. 3. Se alguém trouxer uma acusação de um crime frente aos anciões, e este alguém não trouxer provas, se for pena capital, este alguém deverá ser condenado à morte. (...) 5. Um juiz deve julgar um caso, alcançar um veredicto e apresentá-lo por escrito. Se erro posterior aparecer na decisão do juiz, e tal juiz for culpado, então ele deverá pagar doze vezes a pena que ele mesmo instituiu para o caso, sendo publicamente destituído de sua posição de juiz, e jamais sentar-se novamente para efetuar julgamentos. 6. Se alguém roubar a propriedade de um templo ou corte, ele deve ser condenado à morte, e também aquele que receber o produto do roubo do ladrão deve ser igualmente condenado à morte. 7. Se alguém comprar o filho ou o escravo de outro homem sem testemunhas ou um contrato, prata ou ouro, um escravo ou escrava, um boi ou ovelha, uma cabra ou seja o que for, se ele tomar este bem, este alguém será considerado um ladrão e deverá ser condenado à morte. 8. Se alguém roubar gado ou ovelhas, ou uma cabra, ou asno, ou porco, se este animal pertencer a um deus ou à corte, o ladrão deverá pagar trinta vezes o valor do furto; se tais bens pertencerem a um homem libertado que serve ao rei, este alguém deverá pagar 10 vezes o valor do furto, e se o ladrão não tiver com o que pagar seu furto, então ele deverá ser condenado à morte. 9. Se alguém perder algo e encontrar este objeto na posse de outro: se a pessoa em cuja posse estiver o objeto disser " um mercador vendeu isto para mim, eu paguei por este objeto na frente de testemunhas" e se o proprietário disse" eu trarei testemunhas para que conhecem minha propriedade", então o comprador deverá trazer o mercador de quem comprou o objeto e as testemunhas que o viram fazer isto, e o proprietário deverá trazer testemunhas que possam identificar sua propriedade. O juiz deve examinar os testemunhos dos dois lados, inclusive o das testemunhas. Se o mercador for considerado pelas provas ser um ladrão, ele deverá ser condenado à morte. O dono do artigo perdido recebe então sua propriedade e aquele que a comprou recebe o dinheiro pago por ela das posses do mercador. 10. Se o comprador não trouxer o mercador e testemunhas ante a quem ante quem ele comprou o artigo, mas seu proprietário trouxer testemunhas para identificar o objeto, então o comprador é o ladrão e deve ser condenado à morte, sendo que o proprietário recebe a propriedade perdida. 11. Se o proprietário não trouxer testemunhas para identificar o artigo perdido, então ele está mal-intencionado, e deve ser condenado à morte. 12. Se as testemunhas não estiverem disponíveis, então o juiz deve estabelecer um limite, que se expire em seis meses. Se suas testemunhas não aparecerem dentro de seis meses, o juiz estará agindo de má fé e deverá pagar a multa do caso pendente. [Nota: não há 13ªLei no Código, 13 provavelmente sendo considerado um número de azar ou então sacro] 14. Se alguém roubar o filho menor de outrem, este alguém deve ser condenado à morte. 15. Se alguém tomar um escravo homem ou mulher da corte para fora dos limites da cidade, e se tal escravo homem ou mulher, pertencer a um homem liberto, este alguém deve ser condenado à morte. 16. Se alguém receber em sua casa um escravo fugitivo da corte, homem ou mulher, e não trouxe-lo à proclamação pública na casa do governante local ou de um homem livre, o mestre da casa deve condenado à morte. 17. Se alguém encontrar um escravo ou escrava fugitivos em terra aberta e trouxe-los a seus mestres, o mestre dos escravos deverá pagar a este alguém dois shekels de prata. 18. Se o escravo não der o nome de seu mestre, aquele que o encontrou deve trazê-lo ao palácio; uma investigação posterior deve ser feita, e o escravo devolvido a seu mestre. 19. Se este alguém mantiver os escravos em sua casa, e eles forem pegos lá, ele deverá ser condenado à morte. 20. Se o escravo que ele capturou fugir dele, então ele deve jurar aos proprietários do escravo, e ficar livre de qualquer culpa. 21. Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado. 22. Se estiver cometendo um roubo e for pego em flagrante, então ele deverá ser condenado à morte. 23. Se o ladrão não for pego, então aquele que foi roubado deve jurar a quantia de sua perda; então a comunidade e... em cuja terra e em cujo domínio deve compensá-lo pelos bens roubados. (...) 38. Um capitão, homem ou alguém sujeito a despejo não pode responsabilizar por a manutenção do campo, jardim e casa a sua esposa ou filha, nem pode usar este bem para pagar um débito. 39. Ele pode, entretanto, assinalar um campo, jardim ou casa que comprou e que mantém como sua propriedade, para sua esposa ou filha e dar-lhes como débito. 40. Ele pode vender campo, jardim e casa a um agente real ou a qualquer outro agente público, sendo que o comprador terá então o campo, a casa e o jardim para seu usufruto. 41. Se fizer uma cerca ao redor do campo, jardim e casa de um capitão ou soldado, quando do retorno destes, a campo, jardim e casa deverão retornar ao proprietário. 42. Se alguém trabalhar o campo, mas não obtiver colheita dele, deve ser provado que ele não trabalhou no campo, e ele deve entregaros grãos para o dono do campo. 43. Se ele não trabalhar o campo e deixá-lo pior, ele deverá retrabalhar a terra e então entregá-la de volta ao seu dono. (...) 48. Se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim ou os grãos não crescerem por falta d'água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum, ele devendo lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano. (...) 116. Se o prisioneiro morrer na prisão por mau tratamento, o chefe da prisão deverá condenar o mercador frente ao juiz. Caso o prisioneiro seja um homem livre, o filho do mercador deverá ser condenado à morte; se ele era um escravo, ele deverá pagar 1/3 de uma mina em outro, e o chefe de prisão deve pagar pela negligência. (...) 127. Se alguém "apontar o dedo" (enganar) a irmã de um deus ou a esposa de outro alguém e não puder provar o que disse, esta pessoa deve ser levada frente aos juizes e sua sobrancelha deverá ser marcada. 128. Se um homem tomar uma mulher como esposa, mas não tiver relações com ela, esta mulher não será esposa dele. 129. Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d'água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos. 130. Se um homem violar a esposa (prometida ou esposa-criança) de outro homem, o violador deverá ser condenado à morte, mas a esposa estará isenta de qualquer culpa. 131. Se um homem acusar a esposa de outrém, mas ela não for surpreendida com outro homem, ela deve fazer um juramento e então voltar para casa. 132. Se o "dedo for apontado" para a esposa de um homem por causa de outro homem, e ela não for pega dormindo com o outro homem, ela deve pular no rio por seu marido. 133. Se um homem for tomado como prisioneiro de guerra, e houver sustento em sua casa, mas mesmo assim sua esposa deixar a casa por outra, esta mulher deverá ser judicialmente condenada e atirada na água. 134. Se um homem for feito prisioneiro de guerra e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa, e a mulher estará isenta de toda e qualquer culpa. 135. Se um homem for feito prisioneiro de guerra e não houver quem sustente sua esposa, ela deverá ir para outra casa e criar seus filhos. Se mais tarde o marido retornar e voltar à casa, então a esposa deverá retornar ao marido, assim como as crianças devem seguir seu pai. 136. Se fugir de sua casa, então sua esposa deve ir para outra casa. Se este homem voltar e desejar Ter sua esposa de volta, por que ele fugiu, a esposa não precisa retornar a seu marido. 137. Se um homem quiser se separar de uma mulher ou esposa que lhe deu filhos, então ele deve dar de volta o dote de sua esposa e parte do usufruto do campo, jardim e casa, para que ela possa criar os filhos. Quando ela tiver criado os filhos, uma parte do que foi dado aos filhos deve ser dada a ela, e esta parte deve ser igual a de um filho. A esposa poderá então se casar com quem quiser. 138. Se um homem quiser se separar de sua esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir. (...) 148. Se um homem tomar uma esposa, e ela adoecer, se ele então desejar tomar uma Segunda esposa, ele não deverá abandonar sua primeira esposa que foi atacada por uma doença, devendo mantê-la em casa e sustentá-la na casa que construiu para ela enquanto esta mulher viver. (...) 154. Se um homem for culpado de incesto com sua filha, ele deverá ser exilado. 155. Se um homem prometer uma donzela a seu filho e seu filho ter relações com ela, mas o pai também tiver relações com a moça, então o pai deve ser preso e ser atirado na água para se afogar. (...) 185. Se um homem adotar uma criança e der seu nome a ela como filho, criando-o, este filho crescido não poderá ser reclamado por outrém. 186. Se um homem adotar uma criança e está criança ferir seu pai ou mãe adotivos, então esta criança adotada deverá ser devolvida à casa de seu pai. (...) 190. Se um homem não sustentar a criança que adotou como filho e criá-lo com outras crianças, então o filho adotivo pode retornar à casa de seu pai. 191. Se um homem, que tenha adotado e criado um filho, fundado um lar e tido filhos, desejar desistir de seu filho adotivo, este filho não deve simplesmente desistir de seus direitos. Seu pai adotivo deve dar-lhe parte da legítima, e só então o filho adotivo poderá partir, se quiser. Ele não deve dar, porém, campo, jardim ou casa a este filho. (...) 194. Se alguém der seu filho para uma ama (babá) e a criança morrer nas mãos desta ama, mas a ama, com o desconhecimento do pai e da mãe, cuidar de outra criança, então eles devem acusá-la de estar cuidando de uma outra criança sem o conhecimento do pai e da mãe. O castigo desta mulher será Ter os seus seios cortados. (...) - continua até 282. “...Para que o forte não prejudique o mais fraco, afim de proteger as viúvas e os órfãos, ergui a Babilônia...para falar de justiça a toda a terra, para resolver todas as disputas e sanar todos os ferimentos, elaborei estas palavras preciosas...” -UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP_ Biblioteca Virtual dos direitos humanos- (retirado do Epílogo do Código de Hamurabi). O Código de Hamurabi Considerado o símbolo da civilização mesopotâmica e um dos documentos mais importantes da História do Direito (PFEIFFER, 1920; FINKELSTEIN, 1961; BURNS, 1979). Admirado pelos historiadores devido ao seu conteúdo jurídico, o Código de Hamurabi é também uma fonte de informações sobre sociedade, religião e economia da Babilônia nesse período histórico (VAN DE MIEROOP, 2006; NAGARAJAN, 2011). A importância histórica do Código de Hamurabi pode ser avaliada pelo fato de ele ter se tornado a fonte jurídica na qual se basearam as leis de praticamente todos os povos semitas da Antiguidade, incluindo os assírios, os caldeus e os próprios hebreus (BURNS, 1979; FARKAS, 2011; NAGARAJAN, 2011). O Código de Hamurabi foi esculpido em uma escultura de basalto erguida pelo rei Hamurabi da Babilônia (1792-1750 a.C.), provavelmente em Sippar, cidade do deus-sol babilônico Shamash, também considerado o deus da justiça pelos antigos babilônios, por volta de 1780 a.C. (PFEIFFER, 1920; FINKELSTEIN, 1961; BURNS, 1979; VAN DE MIEROOP, 2006). Atualmente em exposição no Museu do Louvre, a escultura com o Código de Hamurabi foi encontrada por arqueólogos franceses na cidade iraniana de Susa em 1902 (NAGARAJAN, 2011). Acredita-se que a escultura tenha sido transportada para a acrópole de Susa por um príncipe do país vizinho da Babilônia, chamado Elam, no século XII a.C. (PFEIFFER, 1920; FINKELSTEIN, 1961; VAN DE MIEROOP, 2006). A escultura do Código de Hamurabi mostra o rei Hamurabi recebendo a sua investidura do deus Shamash, sendo que, abaixo dessa cena, o texto do código foi esculpido em escrita cuneiforme acadiana (PFEIFFER, 1920; FINKELSTEIN, 1961; VAN DE MIEROOP, 2006). De acordo com Van De Mieroop (2006), os historiadores acreditam que o Código de Hamurabi tenha tido suas fontes jurídicas em dois documentos legais sumérios elaborados por Ur-Namma, rei de Ur (2100 a.C.) e Lipit- -Ishtar de Isin (1930 a.C.). No entanto, Burns (1979) afirma que essas leis sumérias precedentes eram mais brandas do que o Código de Hamurabi dos conquistadores babilônios: O Código de Hamurabi aumentou consideravelmente a severidade das penas, em especial contra os crimes que envolvessem sinais de traição ao rei ou sedição. Infrações aparentemente triviais como “vadiagem” ou “desordem numa taberna” tornaram-se puníveis de morte, sem dúvida pela crença de que poderiam alimentar atividades desleais ao rei. Enquanto sob a lei suméria o açoitamento de escravos fugitivos era punível somente com uma multa, a lei babilônia transformou-o em crime capital. De acordo com o código sumério, o escravo que contestasse os direitos do amo sobre sua pessoa deveria servendido; o Código de Hamurabi prescrevia que lhe fosse cortada a orelha (BURNS, 1979, p. 84). De acordo com Burns (1979), a severidade do Código de Hamurabi poderia ser explicada pela necessidade de os conquistadores amoritas, chamados de antigos babilônios, estabelecerem um Estado centralizado e autoritário para manter sob submissão a população dos povos conquistados por eles. O Código de Hamurabi é dividido em três partes: 1) um prólogo histórico relativo à investidura do rei Hamurabi em seu papel como "protetor dos fracos e oprimidos", e a formação de seu império e realizações; 2) um epílogo lírico resumindo o trabalho legal do rei Hamurabi e os preparativos que ele fez para a perpetuação da justiça no futuro; 3) o texto jurídico propriamente dito, com a tipificação dos crimes e a cominação das respectivas penas (PFEIFFER, 1920; FINKELSTEIN, 1961; VAN DE MIEROOP, 2006). Segundo Pfeiffer (1920, p. 315, tradução nossa), “assim como o Jus civile romano, [a terceira parte do] Código de Hamurabi é dividida em três partes: Jus actionum, Jus rerum e Jus personarum, embora na ordem inversa da prescrita pela lei romana”. A parte legal do Código de Hamurabi contém 282 leis escritas em uma linguagem cotidiana e simplificada, pois o rei Hamurabi queria que as leis fossem compreendidas por todos (PFEIFFER, 1920; VAN DE MIEROOP, 2006). A forma de descrição das leis é sempre a mesma: uma frase escrita no tempo condicional que descreve um problema legal ou de ordem social é seguida por uma resposta no tempo futuro cominando uma pena ou apresentando uma solução. Por exemplo, “se alguém roubar o filho menor de um outro, ele deverá ser condenado à morte” (Lei 14 do Código de Hamurabi, citado por VAN DE MIEROOP, 2006, p. 163). Os principais temas do Código de Hamurabi são o direito penal (caracterizado pela severidade do princípio da Lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”, na cominação das penas para os crimes), o direito da família e a regulamentação profissional, comercial, agrícola e administrativa (FINKELSTEIN, 1961; VAN DE MIEROOP, 2006). O Código também estabelece preços e salários, como no exemplo a seguir: “se um homem contratar um marinheiro, ele deverá pagar seis gur de cereais por ano” (Lei 239 do Código de Hamurabi, citado por VAN DE MIEROOP, 2006, p. 163). De acordo com Van De Mieroop (2006), embora o princípio da Lei de Talião seja o principal aspecto pelo qual o Código de Hamurabi costuma ser lembrado, a maior parte desse código é dedicada à regulamentação das relações familiares, legislando sobre noivado, casamento, divórcio, adultério, incesto, adoção e até mesmo sucessão e herança. Por exemplo, de acordo com Lei 179 do Código de Hamurabi (citado por VAN DE MIEROOP, 2006, p. 163): “Se uma mulher consagrada ou uma meretriz, às quais seu pai fez um donativo e lavrou um ato e acrescentou que elas poderiam alienar a quem lhes aprouvesse o seu patrimônio e lhes deixou livre disposição; se depois o pai morre, então elas podem legar sua sucessão a quem lhe aprouver. Os seus irmãos não podem levantar nenhuma ação” De acordo com Burns (1979), as leis do Código de Hamurabi referentes às atividades produtivas refletiam o interesse do Estado babilônio no progresso da economia. No entendimento de Nagarjan (2011), a concepção de justiça expressa no Código de Hamurabi estaria intrinsecamente vinculada à noção de prosperidade, visto que o prólogo do código faz referência aos esforços do rei Hamurabi no sentido de propiciar as condições de paz e ordem necessárias (“eu [o rei Hamurabi] o que estabeleceu a segurança na Babilônia”) para que as atividades econômicas pudessem se desenvolver. Embora o Código de Hamurabi esteja repleto de contradições e arbitrariedades ilógicas, sua importância histórica é inegável e reside no fato de ele ter sido um modelo para o direito de vários povos ao longo da História, ao estabelecer o princípio da precedência do interesse coletivo sobre o interesse privado tutelado pelo Estado (VAN DE MIEROOP, 2006). CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho descreveu as principais características e a importância histórica dos código de Hamurabi. Verificou-se que o código se constituiu em marco fundamental na História e História do Direito sendo um dos pioneiros na regulamentação de normas penais, civis e comerciais. Além disso, código representam a tendência histórica de se atribuir ao Estado, e não aos indivíduos, o encargo de exercer a justiça. Foi o primeiro Código escrito (em uma pedra). Se fosse hipótese de sortilégios, (Feitiçaria; ação do feiticeiro que pratica magia ou bruxaria). O acusado era lançado no rio, suas penas eram muito severas, sendo que na maioria dos casos era aplicada a pena de morte, não existia outra forma de comprovação dos crimes e contratos feitos se não fosse por meio de testemunhas. Os contratos não tinham validade sem testemunhas, havia diferenciação na aplicação das penas em razão do ofendido. Há no Código toda uma legislação sobre o cultivo da terra preocupação com a economia e subsistência a questão da preocupação em reparar o dano causado, na questão familiar o poder era centralizado nas mãos dos homens, a mulher era inferiorizada. Assim, também ocorria na política e vida social, o casamento era caracterizado como um negócio (dote). Observamos, também, que a família era instável, o chefe era o pai, a mulher se sujeitava ao marido. No casamento, normalmente, não havia vínculo afetivo, mas interesse econômico. Diante do cometimento de um crime, aplicava-se a Lei de Talião. A aplicação do castigo deveria ser proporcional ao prejuízo que foi causado ao ofendido. Também, a pena era proporcional a pessoa que foi ofendida, Lei de Talião: famoso ditado “olho por olho, dente por dente”. Durou em torno de 1.000 a 1.200 anos, muitos inocentes foram injustiçados ou indenização por erro profissional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALSCHULER, A.W. 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