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Ananda Aidar Mariana Thays Roberta Luisa Thiago Oliveira Vanessa Tosta PERICARDIOPATIAS E ENDOCARDITES PERICARDIOPATIAS Pericárdio • O pericárdio é um saco fibroelástico composto por duas camadas, o pericárdio visceral e o parietal, separadas por um espaço virtual conhecido como cavidade pericárdica. • Cavidade: Em indivíduos saudáveis de 15 a 50 mL de líquido seroso. • O pericárdio visceral: é composto de uma simples camada de células mesoteliais aderidas ao epicárdio. • O pericárdio parietal: é uma estrutura fibrosa com espessura menor que 2 mm e é composta primariamente de colágeno e, em menor grau, de elastina. PERICÁRDIO: • Principais funções do pericárdio são: • restrição do volume cardíaco durante a diástole, particularmente das câmaras direitas; • estabilização do coração no mediastino; • proteção mecânica contra a disseminação de infecção de órgãos contíguos. (NUNES FILHO et al., 2010) PERICÁRDIO: http://www.medicinageriatrica.com.br/tag/pericardio/ PERICARDITE: • É um processo inflamatório do pericárdio que tem múltiplas causas e se apresenta tanto como doença primária quanto secundária. Geralmente benigna e autolimitada, a pericardite pode cursar com derrame ou constrição pericárdica, o que aumenta sua morbidez. (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE MIOCARDITES E PERICARDITES, 2013) INCIDÊNCIA: • Estudos epidemiológicos são escassos e a exata incidência e prevalência são desconhecidas. • Estudos de necrópsia sugerem que a incidência de pericardite varia de 1 a 6%. • Entretanto, apenas 0,1% dos pacientes hospitalizados e 5% dos pacientes admitidos nos serviços de emergência com dor torácica não relacionada a infarto agudo do miocárdio (IAM) são diagnosticados como pericardite aguda. • Em um estudo observacional do norte da Itália, a incidência de pericardite aguda foi de 27/100.000 habitantes PERICARDIOPATIAS: • Incidência: Condição Incidência Iidiopática 85 a 90% Neoplasias 7% Doenças inflamatórias ou auto-imunes 3 a 5% Tuberculose 4% Viral 1 a 2% Bacteriana 1 a 2% Infarto Agudo do Miocárdio 5 a 10% dos IAM Uremia 5% dos pré-diálise e 13% no pós Trauma Rara Radiação Torácica rara CLASSIFICAÇÃO: • É de acordo com a evolução e forma de apresentação clínica: • Pericardite aguda; • Pericardite crônica; • Derrame pericárdico e tamponamento cardíaco; • Pericardite constritiva • Pericardite recorrente. (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE MIOCARDITES E PERICARDITES, 2013) CLASSIFICAÇÃO: Pericardite Aguda Viral e Idiopática Piogênica Tuberculosa Fúngica Relacionada ao HIV Pós-cirúrgica ou Pós-traumática Urêmica Pericardite Subaguda ou Crônica Pode se manifestar por evolução incidiosa, derrame pericárdico crônico assintomático ou complicação (tamponamento cardíaco, pericardite constrictiva e pericardite efusivo-constritiva). CLASSIFICAÇÃO: Derrame Pericárdico DC está reduzido devido ao enchimento ventricular prejudicado pelas altas pressões intra- pericárdicas. Pericardite Efusiva - Constrictiva É a fase intermediária entre uma pericardite aguda ou subaguda e uma pericardite constrictiva. Derrame pericárdico presente e pericárdio viceral espessado e rígido. Pericardite Constritiva O pericárdio está endurecido e limita o enchimento ventricular diastólico, desencadeando síndrome constritiva. A constrição é resultado da inflamação crônica do pericárdio levando a cicatrização, espessamento, fibrose e calcificação. TAMPONAMENTO CARDÍACO: • Figura 1: Relações pressão / volume pericárdicas obtidas a partir de experimentos animais. • A curva é desviada para direita na sobrecarga volêmica crônica demonstrando que o pericárdio pode dilatar para acomodar uma sobrecarga lenta de volume. PERICARDIOPATIAS: • Fisiopatologia: Líquido seroso e límpido de até 50 ml ↑ do volume pericárdico Espessamento do pericárdio Calcificação ↑ da pressão venosa Redução da contratilidade miocárdica Restrição do enchimento ventricular Pressão diastólica ↑ Inflamação A pericardite pode ser aguda ou crônica, a depender dos sintomas apresentados pelo paciente. • Dor torácica aguda e contínua (a dor, localizada no centro ou no lado esquerdo do tórax, pode irradiar-se para o ombro esquerdo e para o pescoço). • Desconforto constante agravando- se com inspiração profunda e mudança de decúbito (dificuldade para respirar, principalmente ao deitar e que geralmente melhora quando a pessoa senta e permanece com o tórax ereto). • Ansiedade • Tosse não produtiva (seca) • Fadiga • Febre baixa, no entanto, temperaturas > 38°C sugerem a possibilidade de pericardite purulenta. • Atrito pericárdico, resultante da fricção entre as camadas do pericárdio. • Alterações eletrocardiográficas • Derrame pericárdico • Contagem de leucócitos aumentada • Dispneia • Pode ser assintomática Manifestações clínicas Manifestações clínicas • Ansiosos • Dispneicos • Dor torácica. • Presença de taquicardia sinusal como resposta compensatória para manutenção do débito cardíaco. A presença de taquicardia, mesmo na ausência de hipotensão, pode indicar comprometimento hemodinâmico importante. • O aumento da pressão venosa central pode ser visto pela turgência jugular e pode estar associado à distensão das veias da região cefálica •Pulso paradoxal, queda na pressão sistólica durante a inspiração > 10 mmHg. Quando severo, o pulso paradoxal pode ser comprovado pela ausência do pulso radial durante a inspiraçã A pericardite de tamponamento cardíaco apresenta: Manifestações clínicas • Aumento da pressão venosa sistêmica e baixo débito cardíaco. Devido à equalização das pressões cardíacas, a congestão sistêmica é muito mais importante que a pulmonar. • Turgência jugular, • Hepatomegalia congestiva; • Ascite; • Edema periférico; A pericardite constritiva apresenta: • O baixo débito cardíaco se manifesta por dispneia aos esforços, fadiga, astenia e, na fase terminal, caquexia importante. • Estágios mais avançados, observa-se derrame pleural, anasarca e disfunção hepática importante. O derrame pleural, quando presente, é mais comum à esquerda ou bilateral. EXAMES COMPLEMENTARES AGUDA Eletrocardiograma Ecocardiograma Radiografia de Tórax exames adicionais: hemograma completo, sorologias, anticorpos antinucleares, fator reumatoide, teste da tuberculina, entre outros TAMPONAMENTO CARDÍACO Eletrocardiograma Ecocardiograma Radiografia de Tórax PERICARDITE CONSTRITIVA Eletrocardiograma Ecocardiograma Radiografia de Tórax Tomografia Ressonância TRATAMENTO CLÍNICO Primeira escolha com uso até alívio dos sintomas (3 a 4 semanas): Ibuprufeno AAS Casos refratários ou recorrentes a AINE Colchinina Pode ser associada a AINE conforme gravidade do caso Glicorticoides Prednisona 1 mg/kg/dia, por 2 a 4 semanas (ou normalização da PCR), com desmame progressivo Tratamento da pericardite aguda TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO - de 30 a 60 min de ex. aeróbico; -intensidade do esforço de 60 a 80% observada no Teste Ergométrico; - mais lentos nos primeiros 5 min, níveis confortáveis nos próximos 20 a 30 min e reduzindo nos últimos 5 minutos; - A prescrição individualizada deverá ainda incluir exercícios de flexibilidade e de sobrecarga muscular. ENDOCARDITE Endocárdio http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term=Endoc%C3%A1rdio&lang=3 ENDOCARDITE: • A endocardite infecciosa (EI) é o processo infeccioso do endotélio cardíaco, podendo acometer qualquer estrutura cardíaca: defeitos nos septos, cordas tendíneas, o endocárdio mural e shunts intracavitários e arteriovenosos. • Entretanto, são as valvas cardíacas as mais frequentemente envolvidas, nas quais muitas espécies de bactérias e fungos podem causar a EI. (LEME NETO; ADAM; CARVALHO, 2013) POPULAÇÃO DE RISCO: • Pacientes com prótese valvar ou com material protético utilizada para o reparo da válvula cardíaca; • Pacientes com IE anterior; (ESC GUIDELINES FOR THE MANAGEMENT OF INFECTIVE ENDOCARDITIS, 2015) INCIDÊNCIA INCIDÊNCIA 1,9 A 6,2:100000/ANO 3,0:100000/ANO – CRIANÇAS MORTALIDADE S.Viridans - 4% a 16% S. Aureus - 25% a 47% - 15% a 30% (atual) Fungos - >50% • Próteses, icc, abscessos, eventos neurológicos >60% FISIOPATOLOGIA • Doença cardíaca estrutural prévia está presente em quase todos os pacientes que desenvolvem endocardite . A infecção ocorre no endotélio lesado ou em válvulas cardíacas anormais ou danificadas, onde os germes aderentes transportados pelo sangue podem se alojar. • Injúria ou dano endotelial resulta em exposição do colágeno e deposição de fibrina e plaquetas. Se microorganismos se aderirem a estes depósitos, há endocardite infecciosa resultante. CLASSIFICAÇÃO • Possuem dois tipos: • Infecciosa: • Aguda • Subaguda • Não infecciosa CLASSIFICAÇÃO Endocardite Aguda A bactéria se insta-la numa valva normal, agredindo o endotélio iniciando a formação da colônia. O quadro clinico é exuberante, comprometendo outros órgãos e sistemas alem do coração. Endocardite Subaguda Inicia-se pela contaminação de uma colônia estéril em valva previamente lesada. Sua evolução é lenta, com uma queda progressiva do estado geral do paciente. Endocardite Não Infecciosa • Definição: se caracteriza pela formação de coágulos de sangue nas válvulas lesionadas. É mais frequente em pacientes com doenças terminais ou doenças degenerativas. • A valva não é destruída pela endocardite; há focos de lesão do tecido conjuntivo, edema e ruptura de fibras colágenas. • Após a reparação, há formação de um nódulo cicatricial. • Diagnóstico: • Ausculta de sopro cardíaco; • Embolias; • Fenômenos trombóticos. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A endocardite pode se desenvolver vagarosamente ou de repente, dependendo de qual infecção está originando o problema e se a pessoa já tem algum problema cardíaco. Os sintomas podem variar, mas a maioria inclui: • Febre e calafrios • Sopro cardíaco • Fadiga • Sudorese noturna • Respiração curta • Palidez • Tosse persistente • Perda de peso não-intencional • Sangue ou outras alterações na urina • Suor nos pés, pernas e abdômen • Cefaleia • Isquemia cerebral • Embolias arteriais ou pulmonares • Dor nos músculos e articulações • Nódulos de Osler (pontos vermelhos dolorosos em baixo da pele dos dedos) • Petéquias • Confusão mental ou alterações neurológicas • Agravamento súbito de doença cardíaca preexistente • Manifestações periféricas (em pele, unhas, fundo do olho) CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO • O individuo deve apresentar: • Dois ou mais critérios maiores; • Um maior e três menores; • Cinco critérios menores. EXAMES • Exames de sangue, para verificar a presença de bactérias • Ecocardiograma transesofágico (permite ao médico chegar mais próximo às válvulas cardíacas) • Eletrocardiograma • Raios-x do tórax • Tomografia computadorizada • Ressonância magnética TRATAMENTO CLÍNICO Terapia antibiótica empírica para casos urgentes e/ou casos com hemoculturas negativas. Se for bacteriana: amoxilina, bepeben, eritromicina Em alguns casos, dependendo de quanto a válvula já foi danificada, pode ser necessário realizar uma cirurgia no local. A cirurgia é toracotomia mediana. TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO • Fisioterapia quando o tratamento for cirúrgico: • manobras de higiene brônquica (MHB); • alongamento da musculatura acessória da respiração; • exercícios respiratórios; • orientações quanto à troca de postura e apoio de travesseiro sobre incisão durante a tosse; • programa de deambulação monitorada REFERÊNCIAS: • I DIRETRIZ BRASILEIRA DE MIOCARDITES E PERICARDITES. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Cardiologia, v. 100, n. 4, abr. 2013. • ESC GUIDELINES FOR THE MANAGEMENT OF INFECTIVE ENDOCARDITIS. [s. L.]: Oxford University Press, 29 ago. 2015. The European Society Of Cardiology. Disponível em: <http://eurheartj.oxfordjournals.org/content/36/44/3075>. Acesso em: 27 maio 2016. • FILGUEIRAS, Carlos Luiz et al . Cirurgia na endocardite infecciosa. Revista Brasileira Cir Cardiovascular, São Paulo , v. 12, n. 1, p. 10-16, Jan. 1997 . • LEME NETO, Antonio Carvalho; ADAM, Eduardo P; CARVALHO, Gustavo. Endocardite Infecciosa: Definição Diagnóstica e Terapêutica pela Ecocardiografia. Rev Bras Ecocardiogr Imagem Cardiovasc, v. 1, n. 26, p.50- 51, 2013. Disponível em: <http://departamentos.cardiol.br/dic/publicacoes/revistadic/revista/2013/portugu es/Revista01/10-imagem.pdf>. Acesso em: 27 maio 2016. Referencia • NUNES FILHO, Antonio Carlos Bacelar et al. Pericardiopatias. 2010. Disponível em: <http://medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/3031/pericardiopatias.htm>. Acesso em: 27 maio 2016 • LEME NETO, Antonio Carvalho; ADAM, Eduardo P; CARVALHO, Gustavo. Endocardite Infecciosa: Definição Diagnóstica e Terapêutica pela Ecocardiografia. Rev Bras Ecocardiogr Imagem Cardiovasc, v. 1, n. 26, p.50-51, 2013. Disponível em: <http://departamentos.cardiol.br/dic/publicacoes/revistadic/revista/2013/portugues/R evista01/10-imagem.pdf>. Acesso em: 27 maio 2016. • NUNES FILHO, Antonio Carlos Bacelar et al. Pericardiopatias. 2010. Disponível em: <http://medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/3031/pericardiopatias.htm>. Acesso em: 27 maio 2016 • http://cardiologia.facafisioterapia.net/2011/02/atuacao-fisioterapeutica-em- pos.html#more