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Fasciola hepatica MORFOLOGIA: - Aspecto foliáceo; 3 cm x 1,5 cm; - Coloração: pardo-acinzentada; - Apresenta: ventosa oral e ventosa ventral (acetábulo); - Hermafrodita; - O tegumento apresenta-se coberto por espinhos recorrentes na porção anterior do parasito; BIOLOGIA: HABITAT: Normalmente a F. hepatica é encontrada no interior da vesícula e canais biliares de seus hospedeiros usuais; No homem, que não é o seu hospedeiro habitual, ela pode ser encontrada nas vias biliares, com também nos alvéolos pulmonares e esporadicamente em outros locais; CICLO BIOLÓGICO: É do tipo heteroxênico; - Os adultos põem ovos operculados que, com a bile passam para o intestino, de onde são eliminados com as fezes. - Os ovos em condições favoráveis dão origem a um miracídio. O miracídio sai do ovo somente quando o mesmo entra em contato com a água e é estimulado pela luz solar. - O miracídio, que nada aleatoriamente, é atraído pelo muco produzido pelo molusco. Os miracídios podem penetrar em diversos moluscos aquáticos, porém, só completam o ciclo aqueles que alcançaram a Lymnae. - Cada miracídio forma um esporocisto. - O esporocisto dá origem a rédias (5 a 8). Essas rédias podem dar origem a rédias de segunda geração (quando as condições do meio são precárias) e a cercárias (obs. As cercárias não possuem a cauda bifurcada). - Logo que sai do caramujo, a cercária nada alguns minutos, adere a uma superfície (folhas, plantas) ou então chega à superfície da água, em contato com o O2, perde a cauda. - Com a secreção das glândulas cistogênicas, as cercárias encistam-se aderidas à vegetação ou indo para o fundo d’água formando as metacercárias. Os humanos infectam-se ao beber água ou comer verdura (agrião etc) com metacercárias. - As metacercárias desencistam no ID. Perfuram a parede do ID, caem na cavidade peritoneal, perfuram a cápsula hepática e migram pelo parênquima hepático (fase aguda). Dois meses depois estão nos ductos biliares (fase crônica). TRANSMISSÃO: ingestão de água e verduras contaminadas com metacercárias. PATOGENIA: A fasciolose é um processo inflamatório crônico do fígado e dos ductos biliares. Em humanos, por não ser o hospedeiro normal do parasito, o no. de formas presentes não costuma ser elevado. Ainda assim, podem-se constatar lesões causadas pelos helmintos. Essas lesões são de dois tipos: a. Lesões provocadas pela migração das formas imaturas no parênquima hepático; - Presença de opérculo; - Longevidade de até 9 meses; Forma infectante: METACERCÁRIA Fasciolose: - Zoonose - Ovinos, bovinos, caprinos, suínos e vários mamíferos silvestres b. Lesões ocasionadas pelo verme adulto nas vias biliares; a) Lesões provocadas pela migração das formas imaturas no parênquima hepático: Essa migração ocorre com ajuda da ação enzimática. Essas enzimas liquefazem o tecido hepático, o que favorece a migração e a alimentação dos vermes. O parênquima destruído acaba sendo substituído por tecido conjuntivo fibroso. No entanto, não é somente o parênquima que é destruído, mas as lesões estendem-se também aos vasos sanguíneos intra- hepáticos, causando assim necrose parcial ou total dos lóbulos hepáticos. b) Lesões ocasionadas pelo verme adulto nas vias biliares: Os parasitos adultos nas vias biliares estão em constante movimentação, e, além disso possuem espinhos em sua cutícula. Tudo isso provoca ulcerações e irritações do endotélio dos ductos, o que acaba levando à fibrose. Como consequência ocorre diminuição do fluxo biliar, cirrose e insuficiência hepática. DIAGNÓSTICO: Clínico: difícil de ser feito; Laboratorial: - Mais indicados: intradermorreação; imunofluorescência e ELISA; - Outros: - Pesquisa de ovos nas fezes ou na bile (como a quantidade de ovos pode ser pequena, o resultado pode ser negativo); - Sorologia (baixa sensibilidade, pode ocorrer reação cruzada com esquistossomose e hidatiose) EPIDEMIOLOGIA: Em resumo, os fatores mais importantes são: Criação extensiva de ovinos e bovinos em pastos e áreas úmidas alagadiças; Longevidade dos ovos nos pastos durantes os meses frios; Presença de Lymnaea nesses pastos; Longevidade da metacercária (até um ano) na vegetação aquática; Presença do parasito nos animais; Presença de roedores e outros reservatórios nessas regiões, disseminando o parasito pelas áreas alagadiças, ainda indenes de F. hepática; Plantação de agrião em regiões parasitadas; Hábito de pessoas de comerem agrião ou beberem água proveniente de córregos ou minas em regiões onde o parasito é encontrado em animais domésticos e silvestres; PROFILAXIA: a profilaxia da fasciolose humana depende primariamente do controle dessa helmintose entre os animais domésticos. Para atingir tal objetivo, as medidas fundamentais são: Evitar disseminação: a adoção de uma política séria e eficiente evitando a disseminação dessa parasitose é um fator importante, pois não só irá reduzir o índice atual da doença entre os animais como evitará a formação de novos focos em outros Estados; Destruição dos caramujos: - Uso de moluscocidas; - Drenagem de pastagens úmidas ou alagadiças; - Variação periódica e controlada do nível da água de açudes e represas; - Criação de anatídeos nas áreas infectadas, que se alimentam dos caramujos; Tratamento em massa dos animais; Isolamento dos pastos úmidos; Proteção dos humanos: nas áreas sujeitas recomenda-se: - Não beber água proveniente de alagadiços ou córregos, e sim filtrada ou de cisterna bem construída; - Não plantar agrião em área que possa ser contaminada por fezes de ruminantes (como esterco, ou acidentalmente); - Não consumir agrião proveniente de zonas em que essa helmintose tiver prevalência alta. TRATAMENTO: - Nos humanos a terapêutica deve ser feita com cuidado, em vista da toxidez das drogas e possíveis complicações. Os medicamentos em uso são: Bithionol; Deidroemetina; e Albendazol (no entanto, ainda está em estudo devido a efeitos colaterais graves).