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APG 5 GUSTAVO MENDES SARMENTO . Ascaridíase (ascaridiose, ascaríase ou ascariose ): - Conceito . Provocada pelo helminto Ascaris lumbricoides, pertencente ao filo Nematoda, são popularmente conhecidos como lombriga ou bicha, a qual acomete o intestino delgado humano. . É assintomática ou oligossintomática, com evolução benigna. Porém, pode evoluir para casos mais graves e com complicações, como naquelas situações nas quais ocorre obstrução intestinal ou biliar. - Epidemiologia . É encontrado em quase todos os países do mundo e ocorre com frequência variada em virtude das condições climáticas, ambientais e, principalmente, do grau de desenvolvimento socioeconômico da população. . De acordo com a Organização mundial da Saúde (OMS), estima-se que mais de um bilhão de pessoas estejam infectadas pelo A. lumbricoides. . É frequente em crianças, especialmente naquelas de idade escolar, sejam elas de origem urbana ou rural. - Agente etiológico: Ascaris lumbricoides . As principais características que definem esse helminto são: - Corpo alongado, cilíndrico, fino e com extremidades afiladas; - Cobertura de cutícula lisa, brilhante e que contém duas linhas claras distribuídas longitudinalmente; ausência de segmentação e de ventosas; - Coloração que geralmente admite um branco-marfim ou um leve rosado, quando localizado no lúmen intestinal do hospedeiro; - Duas extremidades: + Anterior: encontra-se a boca, uma estrutura central com três grandes lábios que estão dispostos da seguinte maneira: um dorsalmente e dois lateroventralmente. + Posterior: reto, que se abre próximo a região. . Machos: - Os vermes adultos apresentam cor leitosa e medem cerca de 20 a 30 centímetros de comprimento. - Dois espículos iguais que funcionam como órgãos acessórios da cópula. - A extremidade posterior for temente encurvada para a face ventral é o caráter sexual externo que o diferencia da fêmea. - Em sua calda papilas pré e cloacais. . Fêmeas: - Medem cerca de 30 a 40 cm de comprimento. - Mais robustas que os exemplares machos. - Apresentam dois ovários filiformes e enovelados que continuam como ovidutos, diferenciando em úteros que vão se unir em uma única vagina, que se exterioriza pela vulva, localizada no terço anterior do parasito. - A extremidade posterior da fêmea é retilínea. . Ovos: - Originalmente são brancos e adquirem cor castanha devido ao contato com as fezes. - Possui 3 cápsulas, uma pegajosa, uma que confere a capacidade de sobreviver em locais inóspitos e uma cápsula espessa, em razão da membrana externa mamilonada ( facilita a aderência dos ovos a superfícies propiciando sua disseminação), secretada pela parede uterina e formada por mucopolissacarídeos. - Internamente, os ovos apresentam uma massa de células germinativas. - Pode haver ovos inférteis que são mais alongados e com a membrana mais delgada. - Os ovos inférteis são observados quando ocorre a infecção do hospedeiro apenas por fêmeas, as que não passaram pelo processo de fecundação iniciam a oviposição e quando o número de fêmeas na população parasitária é significativamente maior que o número de machos. - O hábitat preferencial do A. lumbricoides é o lúmen do intestino delgado. - Pode permanecer fixo, aderido à mucosa graças aos seus fortes lábios, causando a espoliação do hospedeiro, ou pode se movimentar livremente por toda a extensão do intestino, migrando de um local para outro. - O patógeno se alimenta dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) já digeridos em sua forma monomérica no lúmen intestinal do hospedeiro; mas, igualmente possuem, caso necessário, as enzimas específicas para a digestão dessas substâncias. Outrossim, eles também se nutrem de vitaminas, principalmente A e C. - Ciclo de vida do parasita, modos de transmissão e manifestações clínicas: . Monoxênico, isto é, envolve apenas um hospedeiro. . A fecundação ocorre por meio da cópula com o verme masculino. . Os ovos, ainda não embrionados, são liberados através das fezes para o ambiente, onde se tornam embrionados caso este ofereça condições favoráveis, como: temperaturas em torno de 27°C, com variações de aproximadamente 3°C para cima ou para baixo; umidade e presença de oxigênio. . Os ovos embrionados dão origem ao primeiro estágio larval (L1) em cerca de 15 dias; após mais 7 dias, acontece a evolução para o segundo estágio larval (L2). . Nas duas primeiras fases, elas são rabditoides e ainda não são infectantes. . Após a evolução para o terceiro estágio (L3), que é filarioide, as estruturas larvares tornam-se infectantes, podendo permanecer no solo por até sete anos. . Para que isso aconteça, a larva, ainda no interior do ovo, reduz significativamente seu metabolismo e somente completa o seu ciclo quando deglutida. . Após a ingestão, os ovos atravessam o tubo gastrintestinal, para eclodir ao chegarem no intestino delgado. . O rompimento do ovo ocorre devido às condições ambientais encontradas no local: - Substâncias da bile, Temperatura, pH e Concentração de dióxido de carbono . Após saírem do ovo, migram para o intestino grosso e alcançam as correntes linfática e sanguínea após atravessarem a parede intestinal na altura do ceco. . Migram na direção dos pulmões, ao passarem, sequencialmente, pela circulação porta, pelo fígado, pela veia cava inferior, pelo coração e pela artéria pulmonar. . Nos pulmões, essas larvas sofrem nova mudança e evoluem para L4, estágio que é alcançado em média cerca de 8 dias após a ingestão dos ovos. . Rompem os capilares pulmonares, ganhando acesso aos alvéolos, local onde elas amadurecem de L4 para L5. . Dos alvéolos, as larvas L5 migram, sequencialmente, em direção à faringe, passando pela árvore brônquica, traqueia e laringe. . São envolvidas pelo muco local, dando-lhes resistência ao ac. Estomacal. * Podem expelidas do hospedeiro, a partir do reflexo da tosse, ou deglutidas. . Quando chegam ao intestino delgado, se fixam e amadurecem dando lugar às formas adultas, concluindo seu ciclo biológico. * Leva 60 para todas essas ocorrências e pode durar de 1 a 2 anos dependendo do ambiente. . A transmissão ocorre pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos contendo a larva L3. . Ovos têm grande capacidade de aderência a superfícies, o que representa um fator importante na transmissão da parasitose. . Já a sua patogenia pode se desenvolver, na maioria dos casos, sem provocar manifestações clínicas no hospedeiro. . Sua fisiopatologia envolve os danos teciduais, a resposta imunológica desencadeada pelo hospedeiro e a obstrução mecânica provocada pelo parasito. . Para melhor compreensão usa-se o próprio ciclo para uma melhor visualização da patogenia, tendo como base a parte larval e a parte adulta do parasita: - Larval: + Em infecções de baixa intensidade, normalmente não se observa nenhuma alteração. + Em infecções maciças podem determinar a ocorrência de lesões hepáticas e pulmonares. + No fígado: focos hemorrágicos e de necrose que futuramente tomam-se fibrosados. + Nos pulmões: vários pontos hemorrágicos na passagem das larvas para os alvéolos, há edemaciação dos alvéolos, pode ter quadro pneumônico (síndrome de Lõeffler)... + Nessa fase da infecção a resposta imunológica é normalmente caracterizada pelo aumento de eosinófilos sanguíneos e teciduais, bem como anticorpos IgE específicos, responsáveis por reações de hipersensibilidade. - Adultas: + Pode causar úlceras ou erosões, que justificam a espoliação por meio de perda de sangue e de proteínas. + Também acontece a liberação de substâncias antigênicas no trato intestinal, mas estas são mais toleradas pelo sistema imunológico do hospedeiro. + A resposta imunológica dirigida ao A. lumbricoides adulto, à semelhança do que ocorre nas fases larvárias. - Fatores de risco associados à Ascaridíase- Manifestações Clínicas .Dor ou desconforto abdominal .Náuseas e vômitos .Diarreia ou prisão de ventre .Presença de sangue nas fezes, em alguns casos .Cansaço excessivo .Perda de apetite .Presença de vermes nas fezes. . Enterobíase ( oxiuríase, Enterobius vermicularis ): - Conceito . É um dos poucos parasitas conhecidos pelo homem desde a Antiguidade, visto que o tamanho, a cor brancacenta e mesmo as características biológicas desse verme (i.e., a sua capacidade de adesão e migração pelo tubo digestivo, podendo ser encontrado inclusive na região perianal do hospedeiro) favorecem a sua observação a olho nu. . Enterobius (enteron + bios = intestino e vida em grego) . O ser humano é o único hospedeiro natural e a infecção pelo patógeno ocorre em todas as classes socioeconômicas. . Monóxeno, costuma habitar o lúmen intestinal humano, e a infecção, quando sintomática, é responsável por causar prurido anal de caráter intenso e produzir complicações locais e/ou em sítios ectópicos. - Epidemiologia . Tem ocorrência comum em crianças na faixa etária de 5 a 10 anos, mas raramente acomete infantes antes do segundo ano de vida. . Estima-se que a prevalência na população infantil como um todo é pelo menos o dobro da observada em adultos. . Essa parasitose apresenta alta incidência em países de clima temperado, inclusive naqueles com ampla cobertura de saneamento básico. - Agente etiológico: Enterobius vermicularis . Os parasitos adultos são encontrados aderidos à mucosa ou livre e comumente na região cecal, no íleo e no cólon. . Alimentam-se de microrganismos e materiais existentes nestes locais. . A fêmea do nematoide migra para o ânus do hospedeiro, geralmente no período noturno, para depositar seus ovos. . O esôfago, composto de válvulas em suas paredes posterior e média ou na junção com o intestino, garante um peristaltismo adequado que funciona como uma bomba, o que facilita a nutrição dos parasitos. . Há caracteres comuns aos dois sexos: cor branca, corpo filiforme e cutícula finamente estriada em sentido transversal. - Macho: . Significativamente menor que a fêmea, o macho mede entre 0,3 e 0,5 cm. . A cauda é fortemente recurvada em sentido ventral. . Há um único testículo, canal deferente e canal ejaculador, o qual alcança a cloaca do verme. . Por essa mesma abertura o espículo, relativamente longo, é projetado durante a cópula. Não há gubemáculo. - Fêmeas: . Mede cerca de 1 cm de comprimento (0,8 a 1,2 cm). . Extremidade posterior é bastante afilada, sendo a cauda longa e pontiaguda. . Vulva abre-se no terço médio anterior, a qual é seguida por uma vagina que se comunica com dois úteros; cada ramo uterino se continua com o oviduto e ovário que apresentam aspecto enovelado. . A medida que o número de ovos intrauterinos nas fêmeas grávidas aumenta, seu corpo gradualmente se distende e é tomado quase em sua totalidade pelos ovos do parasito, cujo total pode ser de até 16 mil em uma única fêmea( “saco de ovos” ). - Ovos: . Apresenta, grosso modo, o aspecto da letra “D”, pois um dos lados do ovo é sensivelmente achatado e o outro é convexo. .Possui dupla camada, é liso e translúcido. . Quando os ovos deixam o corpo da fêmea, já apresentam no seu interior uma larva formada ainda em desenvolvimento. . Na superfície dos ovos se encontra uma substância viscosa de natureza albuminosa que favorece a aderência a outros ovos e substratos. - Ciclo de vida do parasita e modos de transmissão . Machos e fêmeas têm o ceco do ser humano, incluindo o apêndice cecal, como hábitat natural, onde podem estar livres ou aderidos à mucosa, alimentando-se do conteúdo intestinal do hospedeiro. . Fêmeas grávidas, abarrotadas de ovos, são frequentemente encontradas no ânus e na região perianal do hospedeiro. . Em mulheres, o parasito é mais comumente encontrado em localizações ectópicas, sobretudo na uretra e na vagina. . Quando grávidas, as fêmeas liberam seus ovos na região perianal do hospedeiro. . São maturados em 4 a 6 horas, na temperatura da superfície do corpo (cerca de 30°C). . O intenso prurido perianal causado faz com que o paciente coce a região, facilitando a transferência dos ovos infectantes para a boca, através das mãos contaminadas (autoinfecção). . Um indivíduo suscetível que tenha as mãos contaminadas por ovos de um indivíduo infectado – por exemplo, por ocasião de um cumprimento – e que as leve a boca, poderá adquirir o patógeno e desenvolver a enterobíase. . Ao serem ingeridos, os ovos eclodem no intestino delgado, liberando larvas que irão se desenvolver até a forma adulta, enquanto se movem para o ceco. . Por fim, os vermes copulam e dão início a um novo ciclo. * Os ovos podem ficam aderidos no ambiente, como nas roupas de cama da pessoa infectada, o que promove intensa disseminação. . Sua transmissão pode ocorrer por diferentes mecanismos: • Heteroinfecção: quando ovos presentes em alimentos, poeira ou outros fômites alcançam novo hospedeiro. • Indireta: quando ovos presentes em alimentos, poeira ou outros fômites alcançam o mesmo hospedeiro que os eliminou. • Autoinfecção externa ou direta: o próprio indivíduo parasitado, após coçar a região perianal, leva os ovos infectantes até a boca. É mais frequente em crianças do que em adultos, sendo o principal mecanismo responsável pelos casos mais duradouros da infecção. • Autoinfecção interna: as larvas eclodem ainda dentro do reto e depois migram até o ceco, transformando- se em vermes adultos. • Retroinfecção: as larvas eclodidas na região perianal do hospedeiro readentram o sistema digestivo pelo ânus, ascendem pelo intestino grosso até chegar ao ceco, onde se transformam em vermes adultos. . A patogenia pode-se designar aos seguintes mecanismos: • Alterações causadas pelos vermes dentro do intestino. • Lesões anais e perianais resultantes da presença de fêmeas grávidas e da deposição de ovos no local. • Lesões decorrentes do parasitismo ectópico (i.e., extraintestinal). • Eventos secundários a esses processos. - Manifestações Clínicas e Diagnóstico . Os principais sintomas são: .Coceira na região anal ou vaginal .Insônia .Irritabilidade e agitação .Dor abdominal intermitente .Náuseas . Já o diagnóstico é feito por: .Observação Visual de Vermes Adultos: Cerca de duas a três horas após o paciente adormecer, o médico ou especialista examina a região ao redor do ânus em busca de vermes adultos. Essa observação direta pode revelar a presença dos parasitas. .Teste da Fita Adesiva (Teste de Graham): Uma fita adesiva transparente é aplicada nas pregas cutâneas que rodeiam o ânus, geralmente ao amanhecer. Essa fita é então examinada em laboratório para verificar a presença de ovos do parasita. O procedimento pode ser repetido vários dias consecutivos para garantir a obtenção dos ovos. . Coleta de Amostras de Pele: Se o paciente apresentar coceira anal, amostras de pele abaixo das unhas também podem ser coletadas para análise em laboratório. . Ancilostomose (Ancylostoma duodenale e Necator americanos- Amarelão) - Conceito . A ancilostomíase é uma doença causada por parasitos das espécies, cujo hábitat, no ser humano, é o intestino delgado. . Também conhecida por “amarelão”, “opilação”, “uncinaríase”, “cloroso”, “mal dos mineiros”, “mal dos agricultores”, “doença de Perroncito”, “caquexia africana”, “clorose do Egito”, “anemia tropical” e “mal do coração e do estômago da África”. . Ficou conhecida por causar problemas intestinais e provocar a tendência de os enfermos comerem terra. . É característica de regiões tropicais e ocorre em diversos países nessa condição. - Epidemiologia da Ancilostomose . A ancilostomíase é considerada a segunda helmintíase mais comum no mundo . É mais prevalente em áreas tropicais e subtropicais, bem como em regiões rurais e em populações menos abastadas. .Cercaé bastante complexo, abrangendo as existências livre e parasitária. O helminto apresenta diferentes estágios: fêmeas partenogenéticas (parasitárias), ovos, larvas em diferentes fases e adultos machos e fêmeas de vida livre. . A fêmea intestinal (parasitária) é ovípara, mede entre 1,7 e 2,5 mm de comprimento e apresenta coloração que varia de transparente a branca. Tal forma evolutiva amadurece no intestino delgado, onde realiza a oviposição. . Os ovos costumeiramente não são vistos nas fezes. . A fêmea de vida livre é menor que a parasitária, medindo 1 a 1,5 mm. . Cada fêmea libera cerca de 30 ovos por dia. . Os machos de vida livre são pequenos e medem cerca de 0,6 a 0,7 mm. . As larvas rabditoides têm de 200 a 300 μm, e as filarioides infectantes, 500 μm . . Ovos são elípticos, de parede fina e transparente, pratica mente idênticos aos dos ancilostomídeos. . Os ovos podem ser observados nas fezes de indivíduos com diarreia grave ou após utilização de laxantes. - Ciclo de vida do parasita e formas de infecção . Seu hábitat normal localizam-se na parede do intestino, mergulhadas nas criptas da mucosa duodenal, principalmente nas glândulas de L:eberkühn e na porção superior do jejuno, onde fazem as posturas. . Nas formas graves, são encontradas da porção pilórica do estômago até o intestino grosso. . O ciclo biológico do S. stercoralis é mais complexo quando comparado ao da maioria dos nematoides. . Apresenta alternância entre estilos de vida livre (que ocorre no solo) e parasitário (que ocorre no hospedeiro), e potencial para autoinfecção e multiplicação no interior do hospedeiro. . As fêmeas ficam aderidas à mucosa do intestino delgado do hospedeiro, onde depositam seus ovos não fecundados, desenvolvidos após partenogênese, uma vez que não existem machos adultos parasitários. . Os vermes adultos podem viver por até 5 anos no intestino e desencadear inflamação crônica, com edema e fibrose, e diminuir a superfície absortiva intestinal. . Dos ovos emergem larvas rabditoides (rabditiformes) não infectantes, no lúmen intestinal, que são excretadas pelas fezes. . No solo, quando em temperatura e umidade adequados, transformam-se entre 24 a 30 horas, em larvas filariformes (filarioides) infectantes, ou em adultos, machos e fêmeas de vida livre, os quais podem produzir larvas rabditoides, sexuadamente, que podem se transformar diretamente em filarioides infectantes. . A infecção ocorre por penetração ativa das larvas, que posteriormente alcançam os capilares sanguíneos, os pulmões, os alvéolos, as vias respiratórias e a faringe, são deglutidas e chegam ao intestino delgado, cerca de 18 a 28 dias pós penetração cutânea. . Um aspecto importante na biologia do parasito é que um número pequeno de larvas rabditoides transforma-se em filarioides dentro do intestino (endoinfecção), penetrando na mucosa colorretal (autoinfecção interna) ou na pele perianal (autoinfecção externa) e completam o ciclo sem deixar o hospedeiro. . Tal processo de autoinfecção explica como o parasito aumenta em número na ausência de reinfecção exógena, persistindo a infecção por longos períodos. Geralmente essa forma de autoinfecção está associada a fatores como imunossupressão, acloridria, constipação intestinal e outras condições que possam reduzir a motilidade intestinal. . Com relação a sua patogenia, as lesões cutâneas consistem em placas eritematosas ou urticariformes que surgem próximas ao local de penetração da larva filarioide. . Durante a passagem pulmonar (ciclo de Loss), são produzidas pequenas hemorragias parenquimatosas e pneumonite difusa, predominantemente eosinofílica, o que se caracteriza na síndrome de Löeffler, por vezes com presença de larvas no escarro. . As alterações patológicas intestinais podem ser divididas em: - Enterite catarral: associada a infecções brandas, congestão da mucosa, presença de muco, pontos hemorrágicos e infiltrado submucoso inflamatório mononuclear. - Enterite edematosa: vista em infecções mais abundantes, caracteriza-se por edema submucoso, achatamento das vilosidades intestinais e presença de formas parasitárias na lâmina própria. - Enterite ulcerativa: observada nas hiperinfecções, a inflamação crônica leva a atrofia e fibrose da parede intestinal. Visualizam-se erosões e ulcerações na mucosa, por vezes associada a conteúdo hemorrágico. . Imunologicamente, as respostas Th1 e Th2 atuam contra a infecção. . Na primeira, há síntese de interferona gama (IFN-γ), ativação macrofágica e de células T citotóxicas e produção de IgG2a. . Já na resposta Th2, há produção de interleucinas (IL-4, 5, 10, 13) e IgA, IgE e IgG1 e ativação de eosinófilos e mastócitos. . Em indivíduos normais, ocorre maior ação da resposta Th2. . Em indivíduos imunocomprometidos, ou em uso de corticosteroides sistêmicos, há inativação da resposta Th2, com exacerbação dos sintomas. . Além disso, a resposta inata, sobretudo desencadeada por macrófagos, neutrófilos e células dendríticas, é ativada inicialmente, e acredita-se que a resposta imune mediada por linfócitos B seja importante durante a infecção. . A síndrome de hiperinfecção é uma condição clínica caracterizada por autoinfecção exacerbada e proliferação exagerada helmíntica, que leva bactérias entéricas (família Enterobacteriaceae) para a corrente sanguínea durante seu ciclo biológico, desencadeando sepse e/ou meningoencefalite e está associada a imunossupressão de diversas etiologias. . Também tem-se a diferenciação mais rápida de larvas rabditoides em filarioides. . O resultado é uma superproliferação larval, o que aumenta o risco de autoinfecção, levando à maior disseminação larval e aumentando as chances de hiperinfecção. - Sintomas e diagnóstico . Seus sintomas estão associados a: 1. Manchas Vermelhas na Pele: o As larvas do Strongyloides penetram na pele ou se movimentam através dela, causando manchas vermelhas. 2. Sintomas Gastrointestinais: o Os parasitas habitam o intestino delgado e podem provocar: ▪ Diarreia ▪ Flatulência ▪ Dor abdominal ▪ Náuseas ▪ Falta de apetite 3. Sintomas Pulmonares: o Quando as larvas passam pelos pulmões, podem causar: ▪ Tosse seca ▪ Falta de ar ▪ Crises de asma . Já o seu diagnóstico é dado por: 1. Exame Parasitológico de Fezes: o O método mais comum é a busca por larvas nas fezes. o No entanto, esse teste apresenta uma taxa de falso negativo considerável. o As larvas do Strongyloides stercoralis podem não ser detectadas em todas as amostras fecais. 2. Exames de Sangue: o Os exames sorológicos podem ser uma alternativa. o Eles buscam a detecção de anticorpos específicos no sangue. o Esses testes têm taxas de diagnóstico mais elevadas. . Diagnóstico e Tratamento infecções por helmintos intestinais A. Métodos de diagnóstico laboratorial: - Exame Parasitológico de Fezes:Esse método é o mais comum e envolve a busca por ovos de helmintos nas fezes. - O teste de Kato-Katz é uma variação desse método, permitindo a contagem de ovos por grama de fezes. É útil para avaliar a intensidade da infecção. - Testes de Sedimentação: Similar aos testes de concentração, esses testes usam processos de sedimentação para concentrar os possíveis ovos de helmintos presentes nas fezes. - Testes de Formol-Eter: Este método envolve o uso de formol e éter para concentrar e preservar possíveis ovos de helmintos para análise microscópica. - Swabs Retais: Em casos específicos, especialmente quando se suspeita de infecções por helmintos como Enterobius vermicularis (oxiúros), swabs retais podem ser usados para coletar possíveis ovos do ânus. - Observação Visual de Vermes Adultos: A fita gomada ou swab anal (método de Graham) é utilizado para observar diretamente os vermes adultos na região perianal. Esse método tem alta sensibilidade e pode ser repetido em três amostras consecutivas. - Exame Direto com Lugol: Esse método também é utilizadopara a pesquisa de ovos de helmintos nas fezes. - Testes Moleculares (PCR): A reação em cadeia da polimerase (PCR) pode ser usada para detectar material genético de helmintos em amostras de fezes, oferecendo alta sensibilidade e especificidade. - Testes Sorológicos: Alguns helmintos intestinais podem ser detectados por testes sorológicos, que procuram anticorpos produzidos pelo sistema imunológico em resposta à infecção. Esses testes podem não ser tão sensíveis quanto os métodos diretos de detecção. B. Opções terapêuticas disponíveis para tratamento das infecções: 1. Albendazol: É um medicamento de amplo espectro que interfere no metabolismo dos helmintos, causando a inibição da polimerização dos microtúbulos e consequente bloqueio da absorção de glicose, levando à morte do parasita. É eficaz contra uma variedade de helmintos intestinais, incluindo Ancilostomídeos, Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis e Strongyloides stercoralis. 2. Mebendazol: Funciona de maneira semelhante ao albendazol, interferindo na absorção de glicose pelos helmintos e levando à sua morte. Também é eficaz contra uma variedade de helmintos, incluindo Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis e Ancilostomídeos. 3. Praziquantel: Este medicamento é utilizado principalmente para tratar infecções por cestoides (vermes chatos), como Taenia spp. e Hymenolepis spp. O praziquantel aumenta a permeabilidade da membrana celular dos parasitas, levando à influxo de cálcio e paralisia muscular seguida de morte. 4. Ivermectina: É um agente antiparasitário usado principalmente para tratar infecções por Strongyloides stercoralis e outras filarioses. Sua atividade é mediada pela ligação aos canais de cloro controlados pelo glutamato nos músculos dos parasitas, levando à paralisia e morte. 5. Nitazoxanida: Este medicamento tem atividade contra uma variedade de parasitas, incluindo Giardia lamblia, Cryptosporidium spp. e alguns helmintos intestinais. Seu mecanismo de ação não é completamente compreendido, mas acredita-se que interfira no metabolismo do parasita. 6. Tiabendazol: É utilizado principalmente no tratamento da ancilostomíase e outras infecções por helmintos intestinais. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da absorção de glicose pelos parasitas, levando à sua morte. B. Considerações específicas para cada helminto: - Ancilostomíase: . Agente Causador: Ancylostoma duodenale e Necator americanus são os principais agentes causadores. . Tratamento: O tratamento padrão geralmente envolve albendazol ou mebendazol administrado por via oral. A dose e a duração do tratamento podem variar dependendo da gravidade da infecção. . Considerações Específicas: A infecção por ancilostomídeos pode levar a anemia devido à perda de sangue decorrente da alimentação dos parasitas. Portanto, em casos de anemia grave, pode ser necessária a suplementação de ferro. - Estrongiloidíase: . Agente Causador: Strongyloides stercoralis é o agente causador. . Tratamento: A ivermectina é o medicamento de escolha para o tratamento da estrongiloidíase. O albendazol também pode ser usado, embora a ivermectina seja geralmente mais eficaz. . Considerações Específicas: A estrongiloidíase pode apresentar uma forma crônica com sintomas leves ou ser grave em pessoas imunocomprometidas, podendo levar a complicações como infecção disseminada (síndrome de hiperinfecção). Portanto, em pacientes imunocomprometidos, o tratamento e o acompanhamento devem ser cuidadosos. - Ascaridíase: . Agente Causador: Ascaris lumbricoides é o agente causador. . Tratamento: Albendazol e mebendazol são os medicamentos mais comuns usados para tratar a ascaridíase. . Considerações Específicas: Em casos graves de infecção por Ascaris, pode ocorrer obstrução intestinal devido à massa de vermes presentes no intestino. Nesses casos, o tratamento pode ser combinado com medidas para tratar a obstrução. - Oxiuríase: . Agente Causador: Enterobius vermicularis é o agente causador. . Tratamento: O tratamento geralmente envolve o uso de medicamentos como mebendazol, albendazol ou pirantel pamoato. . Considerações Específicas: A oxiuríase é altamente contagiosa e pode ser transmitida facilmente através da contaminação fecal-oral. Portanto, medidas de higiene, como lavagem frequente das mãos e corte curto das unhas, são importantes para prevenir a reinfecção e a propagação para outras pessoas no ambiente. . Prevenção e Controle A. Medidas de prevenção: .Higiene das mãos: Lavar as mãos com água e sabão é uma das maneiras mais eficazes de prevenir infecções por helmintos. Isso é especialmente importante após usar o banheiro, antes de comer, após manusear alimentos e após o contato com animais. .Manuseio adequado de alimentos: Lave bem frutas e vegetais antes de consumi-los. Certifique-se de cozinhar bem carnes, peixes e frutos do mar para matar quaisquer ovos ou larvas de helmintos presentes. .Beber água segura: Consuma água potável de fontes seguras. Em áreas onde a água potável não está disponível, é essencial ferver, filtrar ou tratar a água antes de beber. .Saneamento básico: Promova o acesso a instalações sanitárias adequadas, como banheiros e sistemas de esgoto. Evite o uso de fezes humanas como fertilizante em áreas onde isso pode contaminar alimentos ou água. .Higiene ambiental: Mantenha o ambiente limpo e livre de lixo, que pode atrair insetos transmissores de helmintos. Evite o contato direto com solo contaminado, especialmente em áreas onde a infecção por helmintos é comum. .Desparasitação em massa: Em algumas regiões onde a infecção por helmintos é endêmica, programas de desparasitação em massa são implementados para tratar e prevenir infecções em comunidades de alto risco. .Educação em saúde: Promova a conscientização sobre práticas de higiene pessoal e medidas preventivas contra infecções por helmintos por meio de programas educacionais em escolas, centros de saúde e comunidades. .Controle de vetores: Em áreas onde infecções transmitidas por vetores são comuns, como a esquistossomose, é importante implementar medidas de controle de vetores, como a eliminação de caramujos de água doce. Referências: Parasitologia - Fundamentos e Prática Clínica Rodrigo Siqueira-Batista Parasitologia Humana – David Nevespara a pesquisa de ovos de helmintos nas fezes. - Testes Moleculares (PCR): A reação em cadeia da polimerase (PCR) pode ser usada para detectar material genético de helmintos em amostras de fezes, oferecendo alta sensibilidade e especificidade. - Testes Sorológicos: Alguns helmintos intestinais podem ser detectados por testes sorológicos, que procuram anticorpos produzidos pelo sistema imunológico em resposta à infecção. Esses testes podem não ser tão sensíveis quanto os métodos diretos de detecção. B. Opções terapêuticas disponíveis para tratamento das infecções: 1. Albendazol: É um medicamento de amplo espectro que interfere no metabolismo dos helmintos, causando a inibição da polimerização dos microtúbulos e consequente bloqueio da absorção de glicose, levando à morte do parasita. É eficaz contra uma variedade de helmintos intestinais, incluindo Ancilostomídeos, Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis e Strongyloides stercoralis. 2. Mebendazol: Funciona de maneira semelhante ao albendazol, interferindo na absorção de glicose pelos helmintos e levando à sua morte. Também é eficaz contra uma variedade de helmintos, incluindo Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura, Enterobius vermicularis e Ancilostomídeos. 3. Praziquantel: Este medicamento é utilizado principalmente para tratar infecções por cestoides (vermes chatos), como Taenia spp. e Hymenolepis spp. O praziquantel aumenta a permeabilidade da membrana celular dos parasitas, levando à influxo de cálcio e paralisia muscular seguida de morte. 4. Ivermectina: É um agente antiparasitário usado principalmente para tratar infecções por Strongyloides stercoralis e outras filarioses. Sua atividade é mediada pela ligação aos canais de cloro controlados pelo glutamato nos músculos dos parasitas, levando à paralisia e morte. 5. Nitazoxanida: Este medicamento tem atividade contra uma variedade de parasitas, incluindo Giardia lamblia, Cryptosporidium spp. e alguns helmintos intestinais. Seu mecanismo de ação não é completamente compreendido, mas acredita-se que interfira no metabolismo do parasita. 6. Tiabendazol: É utilizado principalmente no tratamento da ancilostomíase e outras infecções por helmintos intestinais. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da absorção de glicose pelos parasitas, levando à sua morte. B. Considerações específicas para cada helminto: - Ancilostomíase: . Agente Causador: Ancylostoma duodenale e Necator americanus são os principais agentes causadores. . Tratamento: O tratamento padrão geralmente envolve albendazol ou mebendazol administrado por via oral. A dose e a duração do tratamento podem variar dependendo da gravidade da infecção. . Considerações Específicas: A infecção por ancilostomídeos pode levar a anemia devido à perda de sangue decorrente da alimentação dos parasitas. Portanto, em casos de anemia grave, pode ser necessária a suplementação de ferro. - Estrongiloidíase: . Agente Causador: Strongyloides stercoralis é o agente causador. . Tratamento: A ivermectina é o medicamento de escolha para o tratamento da estrongiloidíase. O albendazol também pode ser usado, embora a ivermectina seja geralmente mais eficaz. . Considerações Específicas: A estrongiloidíase pode apresentar uma forma crônica com sintomas leves ou ser grave em pessoas imunocomprometidas, podendo levar a complicações como infecção disseminada (síndrome de hiperinfecção). Portanto, em pacientes imunocomprometidos, o tratamento e o acompanhamento devem ser cuidadosos. - Ascaridíase: . Agente Causador: Ascaris lumbricoides é o agente causador. . Tratamento: Albendazol e mebendazol são os medicamentos mais comuns usados para tratar a ascaridíase. . Considerações Específicas: Em casos graves de infecção por Ascaris, pode ocorrer obstrução intestinal devido à massa de vermes presentes no intestino. Nesses casos, o tratamento pode ser combinado com medidas para tratar a obstrução. - Oxiuríase: . Agente Causador: Enterobius vermicularis é o agente causador. . Tratamento: O tratamento geralmente envolve o uso de medicamentos como mebendazol, albendazol ou pirantel pamoato. . Considerações Específicas: A oxiuríase é altamente contagiosa e pode ser transmitida facilmente através da contaminação fecal-oral. Portanto, medidas de higiene, como lavagem frequente das mãos e corte curto das unhas, são importantes para prevenir a reinfecção e a propagação para outras pessoas no ambiente. . Prevenção e Controle A. Medidas de prevenção: .Higiene das mãos: Lavar as mãos com água e sabão é uma das maneiras mais eficazes de prevenir infecções por helmintos. Isso é especialmente importante após usar o banheiro, antes de comer, após manusear alimentos e após o contato com animais. .Manuseio adequado de alimentos: Lave bem frutas e vegetais antes de consumi-los. Certifique-se de cozinhar bem carnes, peixes e frutos do mar para matar quaisquer ovos ou larvas de helmintos presentes. .Beber água segura: Consuma água potável de fontes seguras. Em áreas onde a água potável não está disponível, é essencial ferver, filtrar ou tratar a água antes de beber. .Saneamento básico: Promova o acesso a instalações sanitárias adequadas, como banheiros e sistemas de esgoto. Evite o uso de fezes humanas como fertilizante em áreas onde isso pode contaminar alimentos ou água. .Higiene ambiental: Mantenha o ambiente limpo e livre de lixo, que pode atrair insetos transmissores de helmintos. Evite o contato direto com solo contaminado, especialmente em áreas onde a infecção por helmintos é comum. .Desparasitação em massa: Em algumas regiões onde a infecção por helmintos é endêmica, programas de desparasitação em massa são implementados para tratar e prevenir infecções em comunidades de alto risco. .Educação em saúde: Promova a conscientização sobre práticas de higiene pessoal e medidas preventivas contra infecções por helmintos por meio de programas educacionais em escolas, centros de saúde e comunidades. .Controle de vetores: Em áreas onde infecções transmitidas por vetores são comuns, como a esquistossomose, é importante implementar medidas de controle de vetores, como a eliminação de caramujos de água doce. Referências: Parasitologia - Fundamentos e Prática Clínica Rodrigo Siqueira-Batista Parasitologia Humana – David Neves