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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1º VARA CÍVEL DA COMARCA DE SALVADOR/BA Processo nº. ______ Embargante: INÁCIO GUERRA Embargado: GERALDO SILVA Inácio Guerra, já qualificado nos Autos da Ação XXX, em que contende com Geraldo Silva, também já qualificado nos autos, à vista da r. sentença de fls. XX, vem, por seu advogado que esta subscreve, com todo o respeito e acatamento, com fundamento nos arts. 1.022 a 1.026 do NCPC, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO conforme segue: DO CABIMENTO Compete ao juiz, ao proferir a decisão, resolver todas as questões suscitadas pelas partes, caso deixe de apreciar questões levantadas no curso do feito, estará se omitindo, e o seu pronunciamento poderá ser atacado por meio dos embargos de declaração. Excelência, a decisão em tela foi inerte em relação a questão das perdas e danos suscitados na petição de folha xxx. O M.M Juiz foi omisso em tal pleito e temos no artigo 458 do CPC, expresso que o magistrado deve analisar todas as questões de fato e de direito nos fundamentos e na parte dispositiva da sentença, deve dar solução às questões que lhe foram trazidas pelas partes, se deixar de analisar apenas um ponto sequer caberá a oposição de tal recurso. Da mesma forma, como bem afirma Teresa Alvim Wambier, “A sentença deve conter relatório, fundamentação e parte propriamente decisória. A falta de quaisquer desses elementos consubstancia-se em omissão, para fins de interposição de embargos de declaração.” Assim, na medida sanar a omissão apontada e dar a devida prestação jurisdicional ao caso, requer a Vossa Excelência que analise a questão das perdas e danos para integralizar o julgado em comento. DA TEMPESTIVIDADE E DO PREPARO O recurso é tempestivo, tendo em vista que respeitou o prazo fatal de oposição de 5 dias o art. 536 do CPC, ou seja, com termo final no dia xx/xx/xx. A sentença deixou de acolher os pedidos de perdas e danos, que trata alínea xx dos pedidos, portanto, sendo omisso na referida sentença. Os presentes embargos são necessários e adequados, pois tem o condão de sanar omissão existente na decisão em mérito. Quanto ao preparo os embargos estão dispensados de tal instituto conforme determina a parte final do art. 536 do CPC: Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo. Portanto, a lei em alguns casos estabelece a dispensa de preparo, quer atendendo ao critério objetivo, quer levando consideração sobre circunstancias subjetivas. Os embargos de declaração são um dos exemplos de dispensa de preparo. DA SÍNTESE PROCESSUAL E DA DECISÃO EMBARGADA O embargante sofreu ajuizamento de ação de Resilição de Contrato e Restituição de Valores. Em xx/xx/xx, o MM Magistrado proferiu decisão de fls. Reconheceu o valor pago pelo embargado a título de Arras, portanto, podendo ser retido integralmente pelo embargante, entretanto a sentença nada dispôs a respeito das perdas e danos no valor de R$ 10.000,00 (dez mil) requerida pelo embargante. Data vênia, houve omissão na referida decisão, haja vista que o MM. Juiz não analisou tão pouco decidiu sobre as perdas e danos, devendo, portanto, ser sanada. Deste modo, não restou outra alternativa ao embargante senão a oposição dos presentes embargos de declaração. DA OMISSÃO Segundo o artigo 1.022, II, primeiro do Código de Processo Civil, cabem embargos de declaração contra decisão judicial para o fim de suprir omissão de ponto ou questão sobre a qual devia se pronunciar o juiz de oficio ou a requerimento. De acordo com o doutrinador Luiz Artur de Paiva Corrêa: “A omissão acontece quando o julgador não se pronuncia sobre ponto ou questão suscitas pelas partes, ou que o juiz ou juízes deveriam se pronunciar-se de oficio.” Por esse raciocínio, todos os tópicos da lide e aspectos levantados pela parte na petição inicial, devem ser obrigatoriamente enfrentados e decididos pelo julgador, tenham ou não sidos eles impugnados. Para alcançar o fim a que se destina, é necessário que a tutela jurisdicional seja prestada de forma clara e completa, sem obscuridade, omissão ou contradição. A própria Carta Magna faz menção à obrigatoriedade da exposição das motivações judiciais: Art. 93. (...) IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; (grifo nosso) Desta forma, por meio desta exposição, demonstra-se que, ainda tendo uma sentença favorável para a parte autora, devido à falta de um dos elementos essenciais durante a sua prolação, o direito da mesma encontra-se em risco. Para sanar o referido vício, a doutrina aduz que cabe embargos declaratórios em caso de sentença omissa. Portanto, estando clara a omissão, com fulcro no art. 1.022, II, do Código de Processo Civil, os embargos declaratórios configuram-se como meio eficaz e necessário para a garantia do direito líquido e certo da parte autora. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer-se: a) que sejam conhecidos os presentes embargos recebidos; b) que, no prazo de 05 (cinco dias) disposto no art. 1.024 do Código de Processo Civil, os mesmos sejam providos, de forma que seja reformada a respeitável sentença, para o fim de sanar a omissão apontada para garantir os direitos da parte autora. Nesses termos, Pede deferimento. Local, dia... de mês... do ano... ADVOGADO (A) OAB/… nº...