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Informativo 902-STF (23/05/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 1 
 
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 Informativo 902-STF (RESUMIDO) 
Márcio André Lopes Cavalcante 
 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
LIBERDADE DE EXPRESSÃO 
É inconstitucional norma que proíbe proselitismo em rádios comunitárias 
 
É inconstitucional o § 1º do art. 4º da Lei nº 9.612/98. Esse dispositivo proíbe, no âmbito da 
programação das emissoras de radiodifusão comunitária, a prática de proselitismo, ou seja, a 
transmissão de conteúdo tendente a converter pessoas a uma doutrina, sistema, religião, seita 
ou ideologia. 
O STF entendeu que essa proibição afronta os arts. 5º, IV, VI e IX, e 220, da Constituição Federal. 
A liberdade de pensamento inclui o discurso persuasivo, o uso de argumentos críticos, o 
consenso e o debate público informado e pressupõe a livre troca de ideias e não apenas a 
divulgação de informações. 
STF. Plenário. ADI 2566/DF, rel. orig. Min. Alexandre de Moraes, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, 
julgado em 16/5/2018 (Info 902). 
 
 
DIREITO ADMINISTRATIVO 
 
DESAPROPRIAÇÃO 
Análise da constitucionalidade da MP 2.183-56/2001, que alterou o DL 3.365/41 
 
O DL 3.365/41 dispõe sobre desapropriações por utilidade pública. Veja o que diz o art. 15-A, 
que foi incluído pela MP 2.183-56/2001: 
“Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária, havendo divergência entre o 
preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na sentença, expressos em termos reais, 
incidirão juros compensatórios de até seis por cento ao ano sobre o valor da diferença 
eventualmente apurada, a contar da imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos. 
§ 1º Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda 
comprovadamente sofrida pelo proprietário. 
§ 2º Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da 
terra e de eficiência na exploração iguais a zero. 
§ 3º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações ordinárias de indenização por 
apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem assim às ações que visem a 
indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público, em especial aqueles 
destinados à proteção ambiental, incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença. 
§ 4º Nas ações referidas no § 3º, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios 
relativos a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação.” 
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Informativo 902-STF (23/05/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 2 
O STF analisou a constitucionalidade do art. 15-A do DL 3.365/41 e chegou às seguintes 
conclusões: 
1) em relação ao “caput” do art. 15-A do DL 3.365/41: 
1.a) reconheceu a constitucionalidade do percentual de juros compensatórios no patamar fixo 
de 6% ao ano para remuneração do proprietário pela imissão provisória do ente público na 
posse de seu bem; 
1.b) declarou a inconstitucionalidade do vocábulo “até”; 
1.c) deu interpretação conforme a Constituição ao “caput” do art. 15-A, de maneira a incidir 
juros compensatórios sobre a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo pelo ente 
público e o valor do bem fixado na sentença; 
2) declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 15-A, que condiciona o pagamento dos juros 
compensatórios à comprovação da “perda da renda comprovadamente sofrida pelo 
proprietário”; 
3) declarou a constitucionalidade do § 2º do art. 15-A, afastando o pagamento de juros 
compensatórios quando o imóvel possuir graus de utilização da terra e de eficiência iguais a 
zero; 
4) declarou a constitucionalidade do § 3º do art. 15-A, estendendo as regras e restrições de 
pagamento dos juros compensatórios à desapropriação indireta. 
5) declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 15-A; 
6) declarou a constitucionalidade da estipulação de parâmetros mínimo (0,5%) e máximo 
(5%) para a concessão de honorários advocatícios e a inconstitucionalidade da expressão 
“não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinquenta e um mil reais)” 
prevista no § 1º do art. 27. 
STF. Plenário. ADI 2332/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/5/2018 (Info 902). 
 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
TRIBUNAL DO JÚRI 
Validade das alegações finais feitas nos debates orais 
e ausência de inovação dos fatos no plenário 
 
A defesa sustentava a nulidade absoluta do processo, em razão da ausência das alegações 
finais por abandono da causa pelo advogado. 
Sustentava, também, a violação ao devido processo legal, diante da modificação da tese 
acusatória em plenário, sem que tivesse sido oportunizado o exercício do contraditório. 
O STF entendeu não ter ocorrido nulidade processual, tendo em vista que, na audiência de 
instrução, a defesa técnica postulou a impronúncia. 
Além disso, afirmou haver correlação entre o que foi arguido pelo Estado-acusador em 
plenário e a pronúncia. Em outras palavras, o MP pediu a condenação do réu justamente pelos 
fatos que constavam na pronúncia. 
STF. 1ª Turma. HC 129.263/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902). 
 
 
 
 
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Informativo 902-STF (23/05/2018) – Márcio André Lopes Cavalcante | 3 
RECURSOS 
MP não tem direito a prazo em dobro no processo penal 
 
Importante!!! 
O prazo para interposição de agravo regimental no STF, em processos criminais, é de 5 dias 
corridos (não são dias úteis, como no CPC). 
O MP e a Defensoria Pública possuem prazo em dobro para interpor esse agravo? 
• MP: NÃO. Em matéria penal, o Ministério Público não goza da prerrogativa da contagem dos 
prazos recursais em dobro. Logo, o prazo para interposição de agravo pelo Estado-acusador 
em processo criminal é de 5 dias. 
• Defensoria Pública: SIM. Mesmo em matéria penal, são contados em dobro todos os prazos 
da Defensoria Pública. Logo, o prazo para a Defensoria Pública interpor agravo regimental é 
de 10 dias. 
STF. 1ª Turma. HC 120275/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 15/5/2018 (Info 902). 
 
 
DIREITO TRIBUTÁRIO 
 
CONTRIBUIÇÕES 
É legítima a majoração de alíquota do Finsocial devido 
por empresa exclusivamente prestadora de serviços 
 
Baixa relevância 
Se uma empresa se autoqualificou como prestadora de serviços, a ela deverá ser aplicada a 
majoração de alíquota estabelecida para o cálculo da contribuição ao Finsocial. 
STF. Plenário. RE 193924 ED-EDv/DF, rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 16/5/2018 (Info 902).

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