Prévia do material em texto
Saponinas DISCIPLINA DE FARMACOGNOSIA CURSO: FARMÁCIA INSTITUIÇÃO: FANORTE ME. GRAZIELA ROSSI Estudo das Drogas Naturais de origem Vegetal e Animal que contém grupos fitoquímicos distintos Hidratos De Carbono Cumarinas Saponinas Antraquinonas Flavonoides Cardioativos Resinas Heterosídeos Alcalóides Lipídos Óleos Essenciais Enzimas Taninos › São compostos que por hidrólise fornecem um ou mais açúcar, sendo a mais comum a D-glicose. › Desempenham papel importante na vida da planta, participando de funções reguladoras, protetoras e sanitárias. › São compostos orgânicos, que se hidrolisam com ácidos, bases ou enzimas: – Parte açúcar ou glicona: formada por uma ou mais unidades de açúcar. – Parte não açúcar ou aglicona: também chamada de genina. Heterosídeos = Glicosídeos Glicosídeos = ose (s) + aglicona ou genina São compostos que por hidrólise fornecem 1 ou mais açúcar Heterosídeos = Glicosídeos • Propriedades físicas: • Sólidos amorfos ou cristalinos; • Não voláteis; • Sabor amargo; • Solúveis em água e solventes orgânicos polares. Nomes comuns: -Recebem a desinência “ina” e indicam a fonte do glicosídeo. Ex.: Digitoxina de Digitalis; Salicilina de Salix. Nomes sistemáticos: -Recebem a desinência “osídeo” em substituição de “ose” do açúcar correspondente. Ex.: O-hidróximetilfenil-BD- glicopiranosídeo (salicilina). Heterosídeos = Glicosídeos • Estabilidade dos Glicosídeos: (reações) • Reações da hidrólise ácida: • Ácidos separam os açúcares das agliconas; • C-glicosídeos são resistentes à hidrólise ácida. • Métodos laboratoriais: • Todos os glicosídeos naturais são hidrolisados e convertidos em uma parte açúcar e em outro composto orgânico pela ebulição com ácidos minerais. Heterosídeos = Glicosídeos • Classificação: Não há uma classificação definida. • Quando a sistematização: se fundamenta na natureza química do grupo aglicona: ✓ Grupo dos flavonoides; ✓ Grupo dos álcoois; ✓ Grupo dos aldeídos; ✓ Grupo dos fenóis. ✓ Grupo dos cardiotônicos esteroidais; ✓ Grupo das antraquinonas; ✓ Grupo dos saponínicos; ✓ Grupo dos cianogenéticos; ✓ Grupo dos glicosinolatos ou isotiocianatos; Heterosídeos = Glicosídeos • Classificação: 1) Átomo nucleofílico da aglicona envolvida na formação do glicosídeo: • Aglicona- O- Açúcar: O-glicosídeos • Aglicona- C- Açúcar: C-glicosídeos • Aglicona- S- Açúcar: S-glicosídeos • Aglicona- N- Açúcar: N-glicosídeos 2) Número de açúcares: • Um açúcar: Monosídeos. Ex.: Salicina • Dois açúcares: Biosídeos. Ex.: Diosmina • Três açúcares: Triosídeos. Ex.: Digoxina › São metabólitos secundários muito comuns no reino vegetal. › Natureza química: glicosídeos de esteroides ou de terpenos policíclicos. Saponinas Glicosídeos = ose (s) + aglicona ou genina São compostos que por hidrólise fornecem 1 ou mais açúcar De onde deriva o seu nome? › Propriedades mais características: – em solução aquosa, formam espuma abundante. – Apresentam ação detergente e emulsificante. › Tal propriedade é a mais característica desse grupo de compostos, da qual deriva o seu nome. do latim sapone = sabão › Essa propriedade decorre de suas estruturas. › Interesse farmacêutico: – adjuvante em formulações – componentes ativos em drogas vegetais – matéria-prima para a síntese de esteroides. Saponinas - Introdução › Tipo de estrutura: anfifílica – parte com característica lipofílica = aglicona ou genina: triterpeno ou esteroide. – parte hidrofílica = glicona: um ou mais açúcares (oses). › Estrutura: determina a propriedade de redução da tensão superficial da água e suas ações detergente e emulsificante. Saponinas - Estrutura Cabeça polar Cauda apolar Saponinas - Via (rota) metabólica › VIA DO ACETATO MEVALONATO (ÁCIDO MEVALÔNICO): – Acetil-CoA: › Isoprenos: Terpenoides – Carotenoides › Beta-caroteno – Cicloartenol: › Alcaloides › Saponinas › Esqualeno: Esteroides – Cardenolídeos › Digitoxigenina Saponinas Glicosídeos de esteroides ou de terpenos policíclicos. › As saponinas são substâncias de elevada massa molecular (600 a 2.000), em comparação a outros metabólitos. › Ocorrem em misturas complexas: presença concomitante de estruturas com um número variado de açúcares ou ainda devido à presença de diversas agliconas. – Torna o seu isolamento e a sua elucidação estrutural muito difíceis. › A cadeia de açúcares pode ser linear ou ramificada. › O número de unidades de açúcar pode chegar a 12, o que se definiria como uma saponina oligosídica. Saponinas – Propriedades gerais ➢ São caracterizadas pelas suas propriedades tensoativas: reduzem a tensão superficial da água e apresentam ações detergentes e emulsificantes. Saponinas – Propriedades gerais › Espuma: a espuma formada é estável à ação de ácidos minerais diluídos, diferenciando-a daquela dos sabões comuns. › Solubilidade: elevada solubilidade em água e em solventes polares. Geralmente bem solúveis em misturas de água com metanol ou etanol. Insolúveis em solventes de baixa polaridade como éter, clorofórmio ou éter de petróleo. A solubilidade em água costuma aumentar de acordo com o número de unidades de açúcar. Saponinas – Propriedades gerais › Membranas: agem sobre membranas, causando a desorganização das mesmas. Nas células sanguíneas tem ação hemolítica. › Complexam com esteroides: razão pela qual frequentemente apresentam ação antifúngica e hipocolesterolemiante. › Esternutatórias: causam espirros. › Irritantes para as mucosas. › Sabor amargo e ácido; › São tóxicas para animais de sangue frio, insetos e moluscos. Saponinas – Propriedades gerais › De acordo com o núcleo fundamental da aglicona: – Saponinas esteroidais – Saponinas triterpênicas › De acordo com seu caráter ácido, básico ou neutro: – Ácidas: presença de carboxila na genina, na glicona ou em ambos. – Básicas: presença de nitrogênio › De acordo com seu número de cadeias de açúcares ligadas na aglicona: – Monodesmosídicas: 1 cadeia de açúcares. – Bidesmosídicas: 2 cadeias de açúcares – Tridesmosídicas: 3 cadeias de açúcares. Saponinas – Terminologia e classificação › A diferenciação entre monodesmosídica e bidesmosídica é importante: frequentemente, as saponinas bidesmosídicas não apresentam as atividades biológicas como as monodesmosídicas. › Apresentam um número variável de monossacarídeos ligados entre si em cadeia linear ou como uma cadeia ramificada. › Os açúcares encontrados mais comumente são a D-glicose, D- galactose, L-ramnose, L-arabinose, D-xilose, D-fucose e os ácidos D- glicurônico e D-galacturônico. › Glicosídeos nitrogenados esteroidais: pertencem ao grupo das saponinas esteroidais. São tratados por alguns autores como um grupo à parte. Saponinas – Terminologia e classificação › Monossacarídeos (açúcar): podem ocorrer na forma de piranose ou furanose. Saponinas – Terminologia e classificação Açúcar com anel de 5 carbonos = piranose Açúcar com anel de 4 carbonos = furanose › Ligações interglicosídicas: – α: OH do C anomérico está abaixo do plano do anel. – β: OH do C anomérico está acima do plano do anel. › Podem ser: – Neutras: sem N – Ácidas: com N. Saponinas Esteroidais Aglicona é formada por um esqueleto de 27 carbonos dispostos em um sistema tetracíclico. › São menos distribuídas na natureza que as triterpênicas; › Principalmente nas Monocotiledôneas: – Dioscoriaceae: Dioscorea - inhame. – Amarilidaceae: narciso, amarilis, umbela – flores carnudas. – Liliaceae: lírio. › Também encontradas: – Dicotiledôneas: Solanaceae (batata, tomate e tabaco) - alcaloidesesteroidais) – Gênero Strophantus: ouabaína (hormônio) – Gênero Digitalis: Digitalis purpúrea: dedaleira (glicosídeos Cardioativos). Saponinas Esteroidais › Importância farmacêutica: precursores para a síntese de compostos esteroidais. › Os dois tipos principais de saponinas esteroides são: – Diosgenina: precursora da progesterona. – Hecogenina: precursora da cortisona e hidrocortisona. Saponinas Esteroidais › As saponinas mais frequentemente encontradas na natureza. › Existe em grandes quantidades nas plantas. › São raras nas Monocotiledôneas: capim, cana-de-açúcar, milho, arroz, trigo, aveias, cevada, bambu, centeio, lírio, alho, cebola, banana. › Abundantes em Cariofiláceas, (cravos), Sapindáceas, (Paullinia cupana – guaraná), Poligaláceas, (Polygala), Sapotáceas (Chrysophyllum e Pouteria) e Hipocastanáceas (Aesculus hippocastanum). Saponinas Triterpênicas Aglicona é formada por um esqueleto de 30 carbonos dispostos em um sistema pentacíclico. › As saponinas mais frequentemente encontradas na natureza. › São raras nas Monocotiledôneas, sendo abundantes em Cariofiláceas, Sapindáceas, Poligaláceas, Sapotáceas e Hipocastanáceas, existindo em grandes quantidades nas plantas. Saponinas Triterpênicas Aglicona é formada por um esqueleto de 30 carbonos dispostos em um sistema pentacíclico. › Substâncias sólidas, brancas ou amareladas. › Geralmente amorfas, porém, cristalizáveis. › Se dissolvem em soluções alcalinas. › Se precipitam pelos ácidos. › Os glicosídeos são solúveis em água e insolúveis em solventes orgânicos apolares (clorofórmio, benzeno, álcool). › Normalmente encontram-se no vegetal como misturas complexas de difícil separação, pela pequena diferença entre os glicosídeos. Saponinas – Propriedades físico-químicas › Realizada a partir de suas propriedades químicas e físico- químicas: – Teste de ação superficial: Diminuição da tensão superficial. – Teste de ação hemolítica: hemólise. – Teste de reação colorimétrica: reação com ácidos minerais, aldeídos aromáticos ou sais de metais produzindo compostos corados. › Esses testes podem ser realizados qualitativa ou quantitativamente. Saponinas – Detecção no vegetal 1-Teste de ação superficial › Realizado com o extrato aquoso obtido a partir do decocto do vegetal. › Colocar o extrato filtrado em tubo de ensaio e agitar energicamente. – Resultado: formação de espuma. – Quando adicionamos um ácido mineral diluído a espuma não desparece = indica a presença de saponinas. › Ácidos minerais: Ácido bórico; Ácido clorídrico; Ácido nítrico e Ácido sulfúrico. 2-Teste de ação hemolítica › Tubo de ensaio: tubo de ensaio contendo uma solução tamponada de células sanguíneas. Centrifugar. – Resultado positivo: a presença de solução avermelhada, após centrifugação, caracteriza a liberação de hemoglobina das células. › Em placa cromatográfica: após migração dos diferentes extratos vegetais em teste. Na cromatografia em camada delgada (CCD). – Resultado positivo: aparecimento de halos esbranquiçados sobre fundo avermelhado homogêneo caracteriza hemólise. › Apesar de outras substâncias presentes nos vegetais também apresentarem ação hemolítica (alguns taninos, por exemplo) ou existirem saponinas que não são hemolíticas, esse teste é bastante útil quando aplicado em conjunto com outros. 3-Teste de reações colorimétricas › Reação com ácidos minerais, aldeídos aromáticos ou sais de metais: produzindo compostos corados. › Ex.: Reação de Liebermann. Feita com anidrido acético em meio sulfúrico. – Cor azul ou verde → provavelmente núcleo esteroidal – Cor vermelha, rosa, púrpura ou violeta → provavelmente núcleo terpênico › Solubilidade: são glicosídeos, portanto têm elevada solubilidade em água e em solventes polares. Geralmente bem solúveis em misturas de água com metanol ou etanol. Insolúveis em solventes de baixa polaridade como éter, clorofórmio ou éter de petróleo. › Extrato aquoso: planta + água – Vantagem: custo menor, a ausência de lipídeos e clorofila. – Desvantagens: pode ocorrer hidrólise, durante o processo extrativo, ou hidrotermólise, no caso de extração a quente, bem como a baixa estabilidade desses extratos. Saponinas – Métodos de extração › Extrato aquoso: planta + água – Vantagem: custo menor, a ausência de lipídeos e clorofila. – Desvantagens: pode ocorrer hidrólise, durante o processo extrativo, ou hidrotermólise, no caso de extração a quente, bem como a baixa estabilidade desses extratos. › Misturas hidroalcoólicas: são utilizados álcoois, etanol ou metanol, + água através de maceração, decocção, percolação ou extração exaustiva sob refluxo. São mais usados devido à desvantagens do extrato aquoso. Saponinas – Métodos de extração › Purificação do extrato hidroalcoólico: – Eliminação do conteúdo alcoólico: por partição com solvente pouco polar (diclorometano ou clorofórmio): = retirada de compostos apolares. – Eliminação de açúcares livres, aminoácidos e ácidos orgânicos entre outras substâncias hidrofílicas que ficam na fase aquosa: partição com n-butanol = fração purificada de saponinas na fase butanólica. – Precipitação fracionada através da adição do extrato concentrado de saponinas a solventes de menor polaridade, como éter etílico ou acetona, provocando sua precipitação por redução da solubilidade. Saponinas – Métodos de purificação › Outros métodos de purificação: – Complexação com colesterol – Diálise, – Cromatografia de troca iônica – Extração seletiva utilizando a formação de sal, quando na presença de saponinas de reação ácida. – Métodos cromatográficos: utilizando resinas sintéticas (Amberlite®), gel de sílica ou géis de exclusão molecular, tipo Sephadex® (Hostettmann e Marston, 1995). Saponinas – Métodos de purificação USO FARMACÊUTICO 1-Ação sobre membranas › Mecanismo de ação: comportamento anfifílico e a capacidade de formar complexos com esteróides, proteínas e fosfolipídeos de membranas alterando a sua permeabilidade, ou causando sua destruição. › Relacionadas com essa ação sobre membranas, estão as atividades hemolítica, ictiotóxica e molusquicida, frequentemente observadas. Saponinas – Propriedades biológicas › Mecanismo da ação hipocolesterolemiante: – Aumento da excreção do colesterol, pela formação de complexo com as saponinas administradas por via oral. – Aumento da eliminação fecal de ácidos biliares, conduzindo a uma utilização maior do colesterol para a síntese dessas substâncias. – Propriedades irritantes das saponinas. A formação de complexos entre as saponinas e o colesterol das membranas das células da mucosa intestinal, ocorreria uma esfoliação, com perda de função e redução da área de absorção. › Alfafa, Medicago sativa L. (Reshef et aI., 1976). › Ginseng (Panax ginseng C.A.Mey.) › Calêndula (Calendula officinalis L.) › Beterraba (Beta vulgaris . 2-Complexação com esteroides 3-Atividade anti-inflamatória › Mecanismo de ação: – Ação antiexsudativa. – Interferência na permeabilidade vascular. – Aumento do cortisol: por estimulação da liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), do aumento da secreção ou inibição de enzimas responsáveis pela degradação. › Uso consagrado: Aesculus hippocastanum L. (castanheira-da-índia, saponina escina) e Glycyrrhiza glabra L. (alcaçuz, saponina glicirrizina). › Uso atual: foi descrita para outras saponinas como Hedera helix L. (ação anti-inflamatória nas vias respiratórias, saponina hederacosídeo). 4-Atividade antiviral › A atividade antiviral de saponinas tem sido investigada intensamente na última década, destacando-se as atividades verificadas para substânciasisoladas de: › Glycyrrhiza glabra L. (alcaçuz) › Gymnema sylvestre (Retz.) R.Br.ex Schult.) › Calendula arvensis L. › Mais recentemente, como fármaco investigacional tem se destacado a utilização da saponina isolada de Quillaja saponaria Molina, - adjuvante imunológico. 5-Prevenção e tratamento de tumores › Existe um interesse renovado em plantas que são parte da dieta para a prevenção e o tratamento de tumores. › Ex.: platycodina D (saponina triterpênica) das raízes de Platyodon grandiflorus (Jacq.). › Mecanismo de ação (in vitro): combate a diferentes tipos de tumores por meio de indução apoptótica, detenção do ciclo celular, autofagia e inibição da angiogênese, assim como do processo de invasão e de metástase, com múltiplos alvos de diferentes vias de sinalização 6-Expectorante e diurético › Exemplos de drogas de uso tradicional são: › Expectorantes: – Polygala senega L. (polígala) – Primula veris L. (prímula) – Grindelia robusta Nutt. (grindélia) – Hedera helix L. (hera) › Diuréticos: – Smilax spp. (salsaparilha) – Hemiaria glabra L., – Betula pendula Roth – Equisetum arvense L. (cavalinha) 6-Expectorante e diurético › Mecanismo de ação: não estão completamente elucidados. – Expectorante: irritação no trato respiratório, aumentando o volume do fluido respiratório, hidratando a secreção brônquica, causando diminuição do muco. Outra possibilidade seria devida à atividade superficial das saponinas, também originando menor viscosidade e maior facilidade de expulsão do muco. – Diurético: irritação do epitélio renal ou ainda a presença de flavonoides nessas drogas ou mesmo pela presença de teores elevados de potássio. 7-Produção de esteroides › As saponinas esteroides são usadas na produção comercial de hormônios sexuais de uso clínico. › As principais saponinas esteroides são: Os dois tipos principais de saponinas esteroides são a diosgenina, hecogenina, esmilagenina e sarsapogenina. › Diosgenina: matéria-prima mais abundante para a síntese de progesterona. É isolada de espécies de Dioscorea. › Hecogenina: derivados são a cortisona e hidrocortisona. Pode ser isolada de folhas de sisal abundantes na África Oriental. Fonte de hecogenina Agave: sumos obtidos das folhas de Agave sisalana Perrine e A. fourcroydes Lemaire, AGAVACEAE. Fonte de diosgenina Inhame: tubérculos de Dioscorea spp., DIOSCOREACEAE. (cará) › Muitas das propriedades apontadas anteriormente foram detectadas em testes in vitro ou em modelos animais. › Isso foi indispensável para propiciar o desenvolvimento de aplicações terapêuticas, avaliação de aspectos farmacocinéticos relativos à absorção, metabolização, eliminação, ensaios pré-clínicos quanto à toxicidade, bem como ensaios clínicos em todas suas fases, já que, na maioria dos casos, nem mesmo aqueles ensaios de fase I para determinação da dose em humanos foram desenvolvidos. Saponinas – Propriedades biológicas/farmacológicas USO NA INDÚSTRIA EM GERAL Uso na indústria › Adjuvantes: – para aumentar a absorção de outros medicamentos através do aumento da solubilidade ou interferência nos mecanismos de absorção. – detergentes e emulsionantes, em suspensões coloidais e emulsões. – sabões, xampu, loções capilares, dentifrícios etc.. › Ex.: – Alimentos: sopas e cervejas. – Química: extintor de incêndio e detergentes. › Drogas vegetais mais importantes: alcaçuz, centela, ginseng e quilaia, pela amplitude do seu emprego farmacêutico e sua presença em farmacopeias de uso geral. › Outras (elevado teor de saponinas e o potencial emprego farmacêutico): › Ilex paraguariensis: Erva-mate. É uma Metilxantinas (elevado teor de cafeína e teobromina), mas tem elevado teor de saponinas nas suas folhas e frutos = sabor amargo do chimarrão e de outras bebidas derivadas. Presença de saponinas = associada à inibição da aterosclerose e redução das concentrações séricas de triglicerídeos e de colesterol, mostrando efeitos hipolipidêmicos. Saponinas – Representantes › Quilaia: Quillaja saponaria Molina, Quillajaceae; parte interna das cascas de caule. › Alcaçuz: Glycyrrhiza glabra L., Fabaceae; rizomas e raízes. › Ginseng: Panax quinquefolius L. e P. ginseng C. A. Mey., Araliaceae; raízes. › Ginseng nacional: gênero Pfaffia (Pfaffia iresinoides (Kunth) Spreng; Pfaffia glomerata (Spreng.) Pedersen.1 e Pfaffia paniculata. › Castanheiro-da-índia: Aesculus hippocastanum L., Sapindaceae; cascas de caules. › Dioscórea: Dioscorea sp., Dioscoreaceae); tubérculos. › Polígala: Polygala senega L., Polygalaceae; raízes. › Salsaparrilha: Smilax spp. Saponinas – Representantes › Anti-inflamatórios: alcaçuz (Glycirrhiza glabra L, FABACEAE), castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum L, HIPPOCASTANACEAE); › Flebologia e proctologia: gilbarbeira (Ruscus aculeatus L., LILIACEAE); › Tosse: e expectorante polígala (Polygala senega L., POLYGALACEAE), hera (Hedera helix L., ARALIACEAE), prímula (Primula veris L., PRIMULACEAE); › Dermatologia: centela (Centella asiática (L.) Urban., APIACEAE, calêndula (Calendula officinalis L., ASTERACEAE); › Drogas adaptógenas: ginseng (Panax ginseng C.A. Meyer e outras, ARALIACEAE); › Drogas detergentes e imunológico??: quilaia (Quillaja saponaria Mol., ROSACEAE). Saponinas – Usos e indicações ALCAÇUZ - raízes e rizomas Glycirrhiza glabra L., FABACEAE. Alcaçus › Do grego, glycirrhiza = raiz doce; › Possui glicirrizina, que é 50 vezes mais doce que a sacarose; › Uso tradicional: antitussígeno e nos transtornos digestivos; › Extrato:atividade antiulcerosa gástrica; › Genina (ác. glicirrético): utilizada como anti-inflamatória por via tópica - eczemas, dermatites, eritemas, picaduras, inflamações da cavidade bucal etc.; › Aromatizante e edulcorante: mascara sabor amargo de medicamentos; na indústria de balas e bebidas; › Aumenta a retenção de líquido e sódio e provoca a depleção de potássio - evitar em pacientes cardíacos e hipertensos. CASTANHA-DA-ÍNDIA - sementes Aesculus hippocastanum L., HIPPOCASTANACEAE. Castanha da índia › 10% da massa da droga corresponde às saponinas. › Possui uma mistura de saponosídeos totais denominados escina. › Extrato: propriedades anti-inflamatórias, antiedematosas e antiexudativas - aumenta o tônus venoso, aumenta a resistência e diminui a permeabilidade; › Indicação: insuficiência venolinfática dos membros inferiores (pernas pesadas, dores, edemas), principalmente em preparações tópicas; › Outras indicações: formulações anti-inflamatórias e anestésicas locais no tratamento de aftas e ulcerações bucais. CENTELA - raízes Centella asiatica (L.) Urban. (Hidrocotile asiatica), APIACEAE. Centella asiática › Originária da Ásia, é amplamente encontrada no Brasil, do Rio Grande do Sul até Minas Gerais; › Principal componente: saponosídeo asiaticosídeo. › Propriedades: – Historicamente utilizada na medicina ayurvédica para enfermidades da pele e transtornos nervosos; – Acelera a cicatrização de feridas superficiais; utilizada em preparações tópicas no tratamento de úlceras de pernas de origem venosa, em feridas cirúrgicas e queimaduras de pequena extensão, em hemorróidas, como antipruriginoso de afecções dermatológicas, em rachaduras e excoriações; por via oral na insuficiência venolinfática (pernas pesadas). POLÍGALA - raízes Polygala senega L., POLYGALACEAE. Polígala › Possui 5 a 10% de saponosídeos. › Xarope: aumenta o volume da secreção bronquial. – Utilizado no tratamento de tosse não produtiva, normalmente em associação com outros componentes (codeína, bálsamo de Tolú, tinturas vegetais etc.). › Na Alemanha é indicada para o tratamento de secreções dasvias respiratórias; › Há uma possibilidade de irritação gastrointestinal com o uso prolongado. QUILAIA - cascas Quillaja saponaria Molina, ROSACEAE. Quilaia › Encontrada no Chile, Peru e Bolívia; › Possui mais de 50 saponinas; › É uma das principais fontes de saponinas industrializadas,. – Usos na indústria: estabilizante de suspensões na indústria farmacêutica e como agente espumante na indústria alimentícia; › Tem apresentado interessantes resultados em pesquisas in vivo e in vitro: – ação hipocolesterolêmica – imunopotenciadora para vacinas anti-rábicas orais – imunoestimuladora por via oral e intradérmica – adjuvante em vacinas antiparasitárias – estimuladora da absorção de antibióticos e peptídeos por via nasal e ocular em ratos etc. GINSENG - rizomas e raízes Panax ginseng C.A.Mey e outras, ARALIACEAE. Ginseng › Uso milenar: utilizada na China há mais de 3000 anos como planta estimulante, reconstituinte, geradora de vitalidade. › Aspecto antropomórfico das raízes: ginseng = imagem do homem. › Até o momento foram descritas 28 saponinas; os japoneses denominaram de ginsenosídeos, e os russos de panaxosídeos. › Usos: Extratos: adaptógenos ou agentes antiestresse - aumentam a resistência não-específica do organismo às influências externas, como infecções e estresse; › Síndrome de abuso: insônia, nervosismo, euforia, diarreia matinal, erupções cutâneas; › Contraindicação: na gravidez e lactação, diabetes, hipertensão. › Interação: fármacos hormonais, estimulantes, hipoglicemiantes e anticoagulantes. Dúvidas? CHEGA POR HOJE? Então... Até a próxima aula!! BIBLIOGRAFIA BÁSICA CUNHA, P. A. (coord.) Farmacognosia e fitoquímica. 4. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbernkian, 2014. SIMÕES, C. M. M. et al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Porto Alegre Artmed, 2017. CECHINEL FILHO, V. Medicamentos de origem vegetal: atualidades, desafios, perspectivas. 1.ed. Itajaí: UNIVALE, 2015. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BRASIL. Ministério da Saúde. Farmacopéia brasileira. 3. ed. São Paulo: Andrei, 1997. Revista brasileira de farmacologia. Farmacologia de produtos naturais (vol.20). Curitiba, 2010. TAIZ, L. et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. EVERT, R. F. Biologia vegetal. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2016. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS › Recomendada: › BRASIL, Ministério da Saúde. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Londrina: Ministério da Saúde, 2006. › BRASIL, Ministério da Saúde. Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS