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CUMARINAS 
 
 
1. Caracterização de cumarinas; 
 
2. Formação de cumarinas; 
 
3. Classificação de cumarinas; 
 
4. Extração e identificação de cumarinas; 
 
5. Propriedades farmacológicas de cumarinas; 
 
6. Drogas com cumarinas; 
6.1.Angélica; 
6.2 Melilotus; 
6.3 Guaco. 
TEMAS ABORDADOS NA AULA 
INTRODUÇÃO 
 Amplamente distribuídas nos vegetais 
 Cerca de 1300 cumarinas já foram isoladas de 
fontes naturais 
Em 1820, Vogel isolou pela primeira vez a 1,2-
benzopirona (cumarina) da planta Coumarouna 
odorata (Dipteryx odorata, Willd, Fabaceae) 
popularmente conhecida como fava-tonca. 
 Suas propriedades farmacológicas, 
bioquímicas e aplicações terapêuticas dependem 
de seus padrões de substituições 
Cumarina 
Coumarouna odorata 
Lactonas do ácido o-hidróxi-cinâmico 
1 
2 
3 
4 5 
6 
7 
8 
1-benzopiron-2-onas 
CLASSIFICAÇÃO 
• Cumarinas simples: possuem radicais hidroxi, alcóxi, alquil, 
assim como as formas glicosídicas. 
CLASSIFICAÇÃO 
• As furanocumarinas possuem 
um anel furano condensado ao 
núcleo cumarínico e seus 
substituintes estão ligados às 
posições dos demais anéis 
benzenoides (C5, C6, C7 e C8). 
CLASSIFICAÇÃO 
 
• Piranocumarinas: possuem um anel pirano. 
 
 
BIOGÊNESE 
Biossíntese 
 
• As cumarinas têm origem metabólica na via do 
ácido chiquímico. 
 
• São biossintetizados a partir da condensação 
aldólica da eritrose-4-fosfato e fosfoenolpiruvato 
derivados da quebra oxidativa da glicose. 
 
• Biossíntese fenilalanina após a formação dos 
ácidos chiquímico, corísmico e prefênico. 
 
• A desaminação pela enzima fenilalanina 
amonialiase, origina o ácido cinâmico, precursor 
da maioria dos fenilpropanoides e também das 
cumarinas. 
 
BIOGÊNESE 
A partir do ácido ácido cinâmico, a biossíntese das cumarinas segue as seguintes etapas 
(CZELUSNIAK et al., 2012): 
 
• Hidroxilação orto da cadeia lateral do ácido cinâmico catalisada pela enzima trans-cinamato-4-
hidroxilase (a). 
• O-glicosilação do ácido o-cumárico (b) e a isomerização cis/trans da dupla ligação 
da cadeia lateral (c). 
• A última etapa (d) é a lactonização do ácido o-cumárico que leva à formação 
das cumarinas. 
 
BIOGÊNESE 
Formação dos derivados de cumarinas 
 Prenilação das cumarinas 
 
• O núcleo básico das cumarinas 
podem sofrer prenilação, ou seja, 
adição de unidade difosfato de 
mimetilalilo (DMAPP). 
 
• Essas cumarinas possuem via 
metabólica mista, uma vez que 
usam a rota do ácido chiquímico 
e do acetato na sua formação. 
 
• A partir da adição das unidades 
isopreno e da reação de 
epoxidação são produzidas a 
pirano e furanocumarinas lineares 
e angulares. 
• Grupos isoprenoides são comuns 
a muitas cumarinas. 
 
OCORRÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO 
Predominantemente nas Angiospermas 
Famílias: Apiaceae, Rutaceae, Asteraceae 
PROPRIEDADES, EXTRAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO 
Encontradas em todas as partes de uma planta 
Anel lactônico – meio alcalino – abertura do anel –sais 
Acidificação – relactonização – extração com solventes 
orgânicos. 
 
 
 
A quantificação de cumarinas é feita por métodos 
cromatográficos e a determinação da estrutura por 
métodos espectroscópicos 
Extração e identificação de cumarinas 
Identificação 
 
• As cumarinas possuem um 
espectro ultravioleta 
característico, o qual é 
fortemente influenciado pela 
natureza e posição dos 
grupos substituintes. 
 
• As cumarinas são facilmente 
visualizadas por 
cromatografia em camada 
delgada, em que as manchas 
sob ação da luz UV 
aparecem em diversas cores, 
como azul, amarela e roxa 
(KUSTER; ROCHA, 2003). 
USOS E PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS 
Usos 
 
 Odor característico 
 
 Aromatizantes em alimentos industrializados – 
 uso obsoleto – hepatotoxicidade 
 
 Indústrias de produtos de limpeza e cosméticos 
 
 
 
USOS E PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS 
Medicamentos 
 Derivados da 4-hidróxi-cumarina 
 Ação anticoagulante - dicumarol 
 
Dicumarol 
Varfarina 
Importância 
 
• As cumarinas possuem uma ampla aplicação na indústria. 
 
• As cumarinas simples possuem odor característico e acentuado, 
estabilidade e custo reduzido, por isso são muito utilizadas. 
 
• A 3,4-Dihidrocumarina é um componente de perfume 
industrial. 
 
• A 7-Hidroxicumarina é usado em protetores solares. 
 
• A 4-Hidroxicumarina é usada na produção do dicumarol e da 
warfarina, que são usados como rodenticidas. 
Interesse farmacêutico em cumarinas 
 
 Atividades farmacológicas potentes 
 Baixa toxicidade 
Escoparona 
Artemisia scoparia 
Atividades imunosupressora 
Relaxante vascular 
hipotensora 
Ostol 
Angelica pubescens 
Ação hipotensora 
Inibição da agregação plaquetária 
 
Fraxetina - antioxidantes 
Calanolídeos – atividade anti-HIV 
 
 
 
 
Propriedades farmacológicas das cumarinas 
• Inibidoras da agregação plaquetária: a propriedade de inibir a 
agregação concomitantemente com a ação vasodilatadora promove seu 
uso na tratamento da hipertensão e na Insuficiência cardíaca 
congestiva. 
• Vasorrelaxante: a potencial ação vasodilatadora das cumarinas ocorre 
pelo relaxamento das musculaturas lisa e cardíaca. São agentes anti-
hipertensivos e podem ser utilizadas no tratamento da disfunção erétil 
masculina. 
Propriedades farmacológicas das cumarinas 
• Anti-inflamatória: em consequência da sua atividade antioxidante 
como a 7,8-di-hidroxicumarina que sequestra radicais superóxidos de 
neutrófilos e fagocíticos ativados, envolvidos nos processos 
inflamatórios. 
• Antioxidante: são antioxidantes naturais mas a relação estrutura-
atividade não está elucidada. 
• As cumarinas fraxetina, escopoletina 
e a cleomiscosina-A inibem a 
oxidação da lipoproteína de baixa 
densidade (LDL) e quelam o ferro 
(Fe). 
Propriedades farmacológicas das cumarinas 
• Antiparasitária: 
 
• Atividade antifilarial 
capazes de eliminar o 
parasita na fase adulta 
sendo úteis no combate da 
inflamação e da infecção 
filarial simultaneamente. 
 
• Atividade antimalárica in 
vitro da cumarina isolada 
da raiz da planta Toddalia 
asiática contra formas 
tripomastigotas do 
Trypanosoma cruzi. 
drfarrahcancercenter.com 
Toddalia asiática 
Propriedades farmacológicas das cumarinas 
• Antibacteriana: o mecanismo de ação antibacteriana se deve à 
capacidade das cumarinas de interagirem com o DNA. 
• Antiviral: atividade antiviral das cumarinas, em especial sobre 
o vírus HIV, os compostos cumarínicos inibem a enzima 
transcriptase reversa. 
• Antifúngica: vários derivados hidroxilados apresentam 
atividade antifúngica. A isocumarina 3,5- di-metil-8-hidroxi-7-
metoxi-3,4-di-hidroisocumarina apresentou atividade para o 
fungo Aspergillus niger. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Propriedades farmacológicas das cumarinas 
• Atividade cutânea: as furanocumarinas ou psoralenos absorvem 
energia na região ultravioleta sendo muito reativas sob incidência de 
luz. 
• Citotóxica e Antitumoral: atividade imunomodulatória e a ação direta 
nas células cancerígenas. 
• Usada na fotoquimioterapia PUVA (psoralenos + UVA) para o 
tratamento de psoríase, vitiligo, micoses, eczemas. 
• Crescente incidência de câncer de pele necessitando de uma avaliação 
riscobenefício rigorosa. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Propriedades toxicológicas das cumarinas 
 
• O FDA, em 1954, baniu o uso da cumarina, devido à atividade 
hepatotóxica. 
 
• Algumas cumarinas, sintetizadas por fungos, são tóxicas, como as 
aflatoxinas produzidas por espécies de Aspergillus. 
 
• As micotoxinas de origem cumarínica oriundas do crescimento de 
fungos dos gêneros Penicillium e Aspergillus produzidas durante o 
crescimento fúngico em grãos, alimentos processados estão relacionadas 
a intoxicações agudas ou crônicas. 
FURANOCUMARINAS E FOTOTOXICIDADE 
USOS 
 Tratamento de doenças de pele 
 Ex: hanseníase, vitiligo 
 
TOXICIDADE 
 
 Absorvem fortemente energia na região UV 
 Altamente reativas sob a incidência de luz 
 Formação de radicais superóxido e hidróxi 
 Ligam-se as bases pirimídicas do DNA causando mutações 
citoplasmáticas 
Uso terapêutico – incidência crescente de câncer de pele 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Angélica 
 
• Origem botânica: Angelica 
archangelica L. 
• Origem geográfica: Norte da 
Europa. 
• Família: Apiaceae. 
• Farmacógeno: Raízes e 
rizomas secos. 
www.wala.de 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Angélica 
 
Composição química: 
 
• Os óleos essenciais são constituídos de 
monoterpenos, lactonas macrocíclicas, 
ácidos fenólicos, flavonoides, esteroides, 
cumarinas simples e furanocumarinas 
angulares e lineares, entre outros. 
 
• Os monoterpenos (73%) como ésteres 
terpênicos alifáticos representam 1,5%-
2% do óleo essêncial. 
 
• As furanocumarinas presentes são as 
angelicina, a imperatorina e o bergapteno. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Angélica 
 
Propriedades farmacológicas: 
 
• A angelicina tem o poder sedativo 
comparável ao clordiazepóxido e 
propriedades vasodilatadoras e 
antitrombóticas. 
 
• As furanos cumarinas angelicina, 
imperatorina e bergapteno são 
fotossensibilizantes usadas no vitiligo. 
 
• As furanos cumarinas estimulam o 
apetite e as secreções digestivas, sendo 
usadas na flatulência e no desconforto 
gástrico. 
 
• Não apresenta relação risco benefício 
aceitável. 
revistaipe.com.br 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Angélica 
 
Propriedades Toxicológicas: 
 
• O óleo essencial em altas doses pode 
exercer efeito paralizante cerebral. 
 
• As furanocumarinas são 
fotossensibilizantes à exposição ao 
sol pode levar a formação de 
vesículas edemas e 
hiperpigmentação. 
 
• O uso prolongado pode levar a casos 
de necrose cutânea induzida 
por cumarinas. 
medicinanet.com.br 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Trevo 
 
• Origem botânica: Melilotus 
officinalis Lam. e/ou Melilotus 
altissimus. 
• Nome comum: trevo amarelo ou 
trevo cheiroso. 
• Origem geográfica: Europa e 
Ásia. 
• Família botânica: Fabaceae. 
• Farmacógeno: folhas e 
sumidades floridas. 
npwrc.usgs.gov 
etienne.aspord.free.fr 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Trevo 
 
Constituintes Químicos: 
 
• Os principais componentes químicos são 
o melilotosídeo, o ácido o-cumárico, e 
flavonoides. 
 
• O ácido o-cumárico é formado pela 
hidrólise enzimática do melilotosídeo 
durante o processo de secagem imprópria 
do trevo formando o dicumarol e glicose. 
 
• O dicumarol é um potente anticoagulante 
relacionado ao envenenamento de 
animais. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Trevo 
 
Propriedades farmacológicas: 
 
• Utilizada no tratamento de desordem por insuficiência venosa crônica. 
 
• Antiespasmódica. 
 
• Anti-inflamatório utilizado em casos de artrite. 
 
• Uso em hemorroidas devido as propriedades anti-inflamatória e venotônica. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Trevo 
 
Toxicidade: 
 
• Acumulação de mofo nas forragens faz com que a cumarina seja convertida 
no dicumarol causador de processos hemorrágicos. 
 
• Os sintomas de envenenamento estão relacionados a perda de sangue, edema 
sob a pele, hemorragia interna seguida de choque e óbito. 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Guaco 
 
• Origem botânica: Mikania 
glomerata. 
• Espécie predominante no Sul e 
Sudeste do país é M. laevigata. 
• Nome utilizado: erva-de-
serpentes, cipó-catinga ou erva-
de-cobra. 
• Família: Asteraceae. 
• Farmacógeno: folhas secas. 
commons.wikimedia.org 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Guaco 
 
Composição química: 
 
Na composição química estão 
presentes: cumarina (1), lupeol (2), 
ácido α-isobutiriloxi-caur-16-en-19-
oico (3), sesquiterpenos e diterpenos 
do tipo caurano (4), ácidos 
caurenoico (5), grandiflórico (6), 
cinamoilgrandiflórico (7), caurenol 
(8), β-sitosterol (9), friedelina (10), 
estigmasterol (11), taninos 
hidrolisáveis, flavonoides e 
saponina. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Guaco 
 
Propriedades terapêuticas (CZELUSNIAK et al., 2012): 
 
• Ações broncodilatadora, antitussígena, expectorante e antimicrobiana 
comprovadas. 
 
• A broncodilatação pelo relaxamento da musculatura lisa respiratória pelo 
bloqueio dos canais de cálcio. 
 
• As ações anti-inflamatória e antialérgica são extremamente benéficas ao 
tratamento da asma e pneumoconiose. 
 
• Atividade antimicrobiana contra Staphylococcus epidermidis, Bacillus cereus, 
Bacillus subtilis, Streptococcus pneumoniae, Streptococcus mutans e 
candidíase. 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Guaco 
 
Propriedades terapêuticas (CZELUSNIAK et al., 2012): 
 
• Existem evidências de outras propriedades (tabela). 
ATIVIDADE ESTUDO 
Antialérgica Fierro et al., 1999 
Analgésica Ruppelt et al., 1991 
Anti-
inflamatória 
 
Falcão et al., 2005 
Antioxidant
e 
Vicentino & 
Menezes, 2007 
AULA 03: CUMARINAS 
Farmacognosia II 
Drogas com cumarinas 
Guaco 
 
Propriedades toxicológicas: 
 
• Antagonizam os efeitos da vitamina K (coagulação sanguínea). 
 
• Potencializam os efeitos dos anticoagulantes orais (warfarina). 
 
• Contraindicados na gravidez e lactação.

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