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O Pedagogo Capítulo 4

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O PEDAGOGO E A FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA 
CAPÍTULO 4 - A ESCOLA E SUAS TRANSFORMAÇÕES: QUAIS CONTEXTOS? 
Suellen Irene Pereira Pierri 
Introdução 
Ao tratarmos sobre a escola e a forma de entendermos o processo educativo, devemos ter em mente 
que nem tudo sempre foi da forma que é hoje e que as leis que regem a educação, as pedagogias 
formadoras e a maneira de enxergar o estudante, o professor e a comunidade escolar atualmente 
foram resultado de lutas sociais, acordos e trâmites que tiveram contexto, lugar e tempo para 
acontecer. Devemos pensar: quais foram esses caminhos? Como e por que ocorreram? O que fazer 
para continuar na caminhada em busca da melhor educação que podemos ter? 
Para refletir sobre isso, faz-se necessário desconstruir padrões baseados na ideia de que a escola é 
local de transmissão de conhecimento e que o currículo é algo imutável, mas deve-se compreender 
que a escola é lugar de livre pensamento, no qual se entende o estudante como ser social e pensante, 
com direito a uma educação libertadora e crítica. Esse olhar sobre a escola permite que a 
enxerguemos de forma a compreender toda a trajetória histórica para entendermos nosso passado e 
presente, sempre na tentativa de melhorar nosso futuro. 
Neste capítulo, você ampliará as discussões sobre as transformações da escola a partir de vários 
contextos e a importância desses mesmos contextos para a vida na escola. 
Bom estudo! 
4.1 Transformação da escola quanto ao contexto filosófico 
A filosofia serve pra quê? Muitas vezes essa é nossa primeira indagação quando pensamos sobre 
seu papel na vida cotidiana da escola. Neste capítulo, você entenderá que ela serve para trazer o livre 
pensar à escola. 
A partir da reflexão filosófica, muitos problemas podem ser resolvidos ou ao menos pensados do ponto 
de vista crítico, na busca por permitir aos estudantes serem livres para pensar e estabelecer paralelos 
entre o que é ensinado na escola e o que vivem em seu dia a dia, fazendo da filosofia um importante 
meio de reflexão social e pessoal. 
Ao estudar os conteúdos apresentados a seguir, você entenderá sobre o papel da filosofia na escola 
e nas mudanças estruturais, sociais e pessoais em nossa sociedade. 
4.1.1 Educação como prática de reflexão 
São vários os aspectos que nortearam – e ainda norteiam – o interior das escolas. De ordem 
econômica, política e instrumental, permitem que vários fatores influenciem a educação das crianças. 
Porém, há significações no interior da escola que só podem ser discutidas a partir de uma abordagem 
filosófica, aquela em que se leva em conta o pensar e atuar dos indivíduos envolvidos. 
Refletir filosoficamente sobre a educação não é dispensar os dados e análises que as ciências 
especializadas podem trazer e fazer; ao contrário, uma abordagem filosófico-educacional precisa levar em 
consideração esse retrato de corpo inteiro que a ciência faz da educação nos dias de hoje. O pensar 
filosófico não parte de referências abstratas e idealizadas, aprioristicamente colocadas, mas sim da própria 
realidade de seu objeto (SEVERINO, 2000, p. 65). 
O uso da razão dentro da escola sempre foi de demasiada importância, a questão do saber em 
detrimento do ser fez de nossas escolas máquinas de formação de profissionais e mão de obra de 
consumo, enquanto que a parte do pensar fica delegada às Universidades, conhecidas como 
verdadeiros centros de saber e reflexão, sonhados por tantos e alcançados por poucos. 
 
 
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Deve-se permitir aos indivíduos que reflitam sobre si mesmos e em sua existência, relacionando essa 
reflexão aos acontecimentos sociais, políticos e econômicos à sua volta. Essas discussões, se feitas 
dentro da escola, permitem que se formem indivíduos críticos perante a realidade que os cercam, 
pensadores e militantes de melhorias sociais que buscam o saber e o entendimento, atuando sobre a 
realidade em que vivem, em detrimento de apenas aceitá-la. 
O filme Tempos Modernos, uma das obras mais célebres de Charles Chaplin (1936), faz uma crítica ao 
sistema capitalista através da rotina de um operário na linha de montagem. Ao cumprir a tarefa 
repetitiva dia após dia, o trabalhador deixa de pensar, tornando-se mais uma peça na engrenagem da 
vida. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ieJ1_5y7fT8>. 
A filosofia na escola existe, então, para que as pessoas se deparem com as dificuldades e problemas 
à sua volta e reflitam sobre as condições objetivas em que os homens produzem a própria existência. 
Porém, nem sempre o currículo educacional permite aos estudantes essas associações, já que muitas 
vezes é destituído de conteúdos significativos, prevalecendo os assuntos de “caráter artificioso” 
(SAVIANI, 1996, p. 15), ou seja, aqueles em que os estudantes não necessariamente usarão para 
suas vidas e não serão úteis a longo prazo. 
Observe o exemplo descrito no caso a seguir 
Erro! O nome de arquivo não foi especificado. 
Aula de geografia no ensino médio. O professor está falando sobre os Estados Unidos e o uso legal de armas 
no país. Neste momento, são fomentadas discussões sobre o uso de armamento no Brasil, lembrando que 
atualmente há membros da Câmara dos Deputados defendendo o porte de armas. 
Após uma acalorada discussão, o professor comenta que este assunto cairá na prova e eles devem estudar 
os nomes de todos os Estados americanos, os massacres que ocorreram em cada um deles por conta do 
porte legal de armas no país e sua Constituição (1788) no que diz respeito ao direito de todos portarem armas 
de fogo. 
Neste momento, os adolescentes se entreolham e se perguntam qual a utilidade de saber todos os nomes 
dos Estados de outro país ou no que seria interessante para eles entender suas leis Constitucionais ou 
número de mortos em um massacre, sendo que no Brasil há muito acontecendo sobre o assunto que não 
será aprofundado em aula ou pedido na prova. 
Desta forma, o currículo muitas vezes acaba por desvincular os acontecimentos reais da vida dos 
educandos dos assuntos tratados na escola, e o professor acaba por ser pressionado a tratar de 
assuntos que serão cobrados em provas em detrimento de aprofundar outros mais significativos às 
vivências de seus estudantes. 
O afrontamento, pelo homem, dos problemas que a realidade apresenta, eis aí, o que é a filosofia. Isto 
significa, então, que a filosofia não se caracteriza por um conteúdo específico, mas ela é, 
fundamentalmente, uma atitude; uma atitude que o homem toma perante a realidade. Ao desafio da 
realidade, representado pelo problema, o homem responde com a reflexão (SAVIANI, 1996, p. 16). 
Há de haver reflexão na escola, podendo-se estabelecer um paralelo entre refletir e filosofar, as 
pessoas devem pensar sobre seus problemas fazendo conexões com a realidade na busca de 
alternativas para a resolução desses problemas, isso é reflexão filosófica, uma busca por respostas, 
sejam elas subjetivas ou científicas, para os problemas cotidianos e sociais. 
 “Educação: de senso comum à consciência filosófica”, de Dermeval Saviani (1996), reúne diversos 
textos que buscam elevar a prática educativa desenvolvida pelos educadores brasileiros do nível do 
senso comum, que, infelizmente, se sobressai no ensino, ao nível da consciência filosófica, ampliando 
as discussões sobre o que é refletir filosoficamente na escola. Disponível em: 
<https://goo.gl/HGT4CQ>. 
Desta forma, qualquer assunto pode ser tratado como filosófico, seja de cunho científico, político ou 
econômico, a partir do momento em que se pode refletir sobre algo buscando um entendimento 
profundo sobre o tema a ponto de resolver possíveis problemas – isso é assunto filosófico. 
Para que haja reflexão filosófica, as pessoas devem discutir, estabelecer relações, pensar 
subjetivamente sobre o tema para, posteriormente, analisar as devidas soluções sobre o assunto.

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