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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO 
HOSPITAL DE CLÍNICAS 
DIRETORIA DE ENFERMAGEM 
 
 
PIE n° 002 
 
DATA: 10/2010 
Original 
 
 
Plano de Intervenções em Enfermagem 
PREVENÇÃO DE ASPIRAÇÃO BRONCOPULMONAR EM ADULTOS 
1. Conceito 
A aspiração broncopulmonar é a entrada de conteúdos endógeno ou exógeno, colonizados por 
bactérias residentes ou não no tubo digestivo, no trato respiratório inferior (laringe, traqueia, 
brônquios e pulmões), ocasionando alterações inflamatórias e crescimento bacteriano. As substâncias 
mais comuns são os resíduos gástricos e as secreções colonizadas contidas na cavidade orofaríngea. 
As complicações mais comuns são a pneumonia e a pneumonite aspirativa. 
2. Considerações Especiais 
• O presente plano de intervenção de enfermagem se limitará aos clientes adultos hospitalizados nesta 
instituição. 
• Os clientes com elevado risco para broncoaspiração deverão receber terapia nutricional por cateter
posicionado em região pós-pilórica (duodeno ou jejuno) sob infusão contínua em bomba de infusão (BIC). 
• Os clientes conscientes que tem baixo risco de broncoaspiração poderão, quando necessário, receber infusão 
de dieta pelo cateter enteral, antes do seu posicionamento em duodeno e jejuno. 
• Os episódios de aspiração broncopulmonar, nem sempre, serão presenciados. Observar quanto às alterações 
dos sinais e sintomas (dispneia, cianose, tosse, queda da saturação de oxigenação, taquicardia) e evidência 
radiológica de infiltrados no seguimento broncopulmonar. 
• A oferta de alimentos, via cateter ou não, prudentemente poderá ser iniciada, no mínimo, 6 horas após a 
extubação traqueal. Se a indicação for pela dieta oral, iniciar pela composição pastosa e leve. Justificativa: 
risco de broncoaspiração devido aos efeitos residuais dos medicamentos sedativos, presença do tubo enteral 
e disfunções de deglutição relacionados às alterações de sensibilidade das vias aéreas superiores, injúria 
glótica e disfunção muscular da laringe. 
• O índice de pneumonia e pneumonite aspirativa deverá ser considerado como indicador de qualidade 
assistencial. 
• As recomendações de terapia nutricional enteral na prevenção de broncoaspiração basearam-se na literatura, 
apesar de ainda não haver consenso que estabeleça um protocolo ideal. 
3. Grupo de Risco/Indicação 
• Clientes acamados, idosos e graves 
• Clientes com nível de consciência rebaixado, disfagia e/ou reflexo de tosse diminuído ou ausente 
• Clientes com refluxo duodeno-gástrico e/ou gastroesofágico pelo uso de alguns medicamentos, tais 
como: sedativos, teofilina, dopamina, bloqueadores de cálcio, meperidina e anticolinérgicos; por 
disfunção no esfíncter esofágico inferior e/ou pela diminuição do peristaltismo do tubo digestivo 
• Clientes com náuseas e vômitos, tosse persistente e distensão abdominal 
• Clientes com aumento da pressão intracraniana 
• Clientes em uso de: cateteres de alimentação (gástrico e enteral), cânula traqueal e ventilação 
mecânica 
• Clientes com intoxicação exógena 
• Clientes em jejum prolongado 
• Clientes submetidos a procedimentos anestésicos sem o devido jejum 
 
 
 
 
4. Fatores Predisponentes 
• Cabeceira da cama não elevada 
• Falta de monitoramento do resíduo gástrico 
• Posicionamento inadequado do cateter enteral 
• Infusão de dieta pelo cateter enteral com sistema gravitacional 
• Higienização da cavidade bucal ineficaz 
• Falta/Ineficiência da higienização das mãos do profissional 
• Permanência da infusão da dieta enteral por cateter durante a realização de alguns procedimentos 
(banho no leito, aspiração de vias aéreas superiores e inferiores, fisioterapia respiratória, intubação
e extubação traqueal e outros) 
• Técnica de intubação e de extubação traqueal e de aspiração de vias aéreas superiores e inferiores 
de forma inadequada 
• Contaminação das conexões e dos dispositivos de oxigenação, ventilação e de aspiração 
• Lavagem gástrica 
• Ventilação com bolsa-máscara ventilatória 
• Uso de medicamentos que aumentam o pH gástrico (antiácidos e histamínicos) 
• Equipe multiprofissional desabilitada 
5. Objetivos e Metas 
• Padronizar condutas no âmbito institucional. 
• Facilitar a operacionalização da SAE. 
• Proporcionar atendimento assistencial seguro e qualificado ao cliente e familiares. 
6. Quando Aplicar/Aprazamento 
• Durante o período de hospitalização 
7. Registro 
• Relatar os fatores predisponentes do cliente que facilitam a pneumonia broncoaspirativa. 
• Registrar as intervenções realizadas do plano de cuidado proposto. 
8. Resultados Esperados 
• Reduzir a incidência de pneumonias, pneumonites ou outras complicações pela broncoaspiração. 
• Reduzir o tempo de hospitalização gerada pelas complicações da broncoaspiração. 
 
9. Intervenções de Enfermagem Ações Frente às Intercorrências 
9.1-Nutrição 
• Evitar introduzir o cateter enteral via oral em clientes 
conscientes indução de vômito 
Se for indicado, o cliente deverá 
ser medicado, conforme 
prescrição médica (cpm). 
• Passar o cateter enteral, conforme Procedimento Operacional 
Padrão (POP) institucional. Aguardar o posicionamento do 
cateter no jejuno (abaixo do ângulo de Treitz), para iniciar a 
infusão da dieta enteral em clientes com elevado risco para 
broncoaspiração. 
� Administrar procinético, cpm, e se necessário 
� Posicionar o cliente em decúbito lateral direito. 
� Aguardar o tempo para migração do cateter para a região 
pós-pilórica (2 horas). *O tempo é variável. 
� Solicitar confirmação radiológica do posicionamento. 
 
Se o posicionamento do cateter não 
for confirmado pela imagem 
radiológica, avaliar cada caso: 
 
� Aguardar maior tempo para a 
migração OU 
� Posicionar o cateter por 
endoscopia OU 
� Iniciar a dieta com o cateter 
posicionado no estômago, 
porém controlando os fatores 
predisponentes, rigorosamente. 
• Infundir a dieta pelo cateter enteral em sistema de infusão 
controlada, utilizando bomba de infusão. 
 
• Observar/Relatar/Comunicar sinais de intolerância à dieta ou à 
sua vazão: distensão abdominal, náuseas/vômitos e diarréia). 
Diminuir a vazão (mL/h), de 
acordo com avaliação médica. 
Comunicar a nutricionista, na 
suspeita de intolerância à formula 
da dieta. 
• Introduzir cateter gástrico e mensurar o resíduo em adultos 
com abdome distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos ou 
ausentes, diarréia e com náuseas e vômitos (investigar refluxo 
duodeno-gástrico ou gastroparesia). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Verificar se o posicionamento do cateter está em região pós-
pilórica pela imagem do raio-x. 
Se o laudo radiológico confirmar o 
desposicionamento do cateter, 
retirá-lo, repassá-lo e aguarda a sua 
migração ao intestino. 
 
Se o laudo radiológico confirmar o 
correto posicionamento do cateter e 
o volume de resíduo gástrico for: 
• ≤200 mL, devolvê-lo pelo 
cateter e manter a infusão da dieta 
com supervisão. 
• >200 mL, devolvê-lo pelo 
cateter, porém desprezando o 
volume excedente; manter a 
infusão da dieta; administrar 
procinético, com; posicionar o 
cliente em decúbito lateral direito 
com a cabeceira elevada, se 
possível, e mensurar o volume 
residual após duas horas. 
 
Se duas horas após, o volume for: 
• > 200 mL, colocar o cateter 
gástrico em drenagem e manter a 
infusão pelo cateter enteral. 
Se o volume gástrico permanecer 
aumentado: 
• Reavaliar/Investigar causas. 
• Reavaliar o posicionamento do cateter enteral a cada 6 horas ou 
antes de iniciar uma nova dieta, através da ausculta abdominal e 
visualização da marcação no cateter. 
Solicitar raio-x de região tóraco-
abdominal, caso haja ausculta 
positiva em região gástrica ou 
superior a esta. 
• Não tentar reintroduzir a porção do cateter que foi tracionadoacidentalmente. Repassar o cateter novamente e 
Aguardar/Confirmar o posicionamento pós-pilórico. 
 
• Trocar o equipo de dieta a cada 24 horas, conforme orientações 
do CCIH. 
 
• Manter a cabeceira elevada de 30 a 45°, se não for 
contraindicado. 
 
• Desligar a dieta, pelo menos, 15 minutos antes de realizar 
procedimentos que estimulem os reflexos de tosse e de vômito, e 
em situações que necessitem abaixar a cabeceira da cama, como 
por exemplo, o banho no leito. 
 
 
• Supervisionar a ingestão oral de alimentos e/ou medicamentos 
em clientes com disfagia. 
 
• Conferir o tipo de dieta enteral, o volume, a vazão e os dados 
do cliente na prescrição médica antes de instalar a dieta. 
 
9.2-Higiene 
• Higienizar a cavidade bucal de 6/6h com antisséptico bucal 
(solução de clorexidine 0,2% ou outro), principalmente, em 
clientes sob ventilação mecânica e/ou com cateteres enterais. 
 
• Higienizar as mãos com clorexidine degermante 2% antes e 
após a realização de procedimentos. 
 
9.3-Ventilação Mecânica /Intubação e extubação traqueal 
• Elaborar/seguir protocolos para intubação e extubação segura. 
� Aspirar a cavidade bucal, faríngea e subglótica, se 
presente secreções, antes da intubação traqueal. 
� Deixar preparado os materiais de aspiração de vias aéreas 
para o procedimento de intubação ou extubação traqueal. 
� Realizar a manobra de sellick (compressão manual na 
cartilagem cricóide) na ventilação máscara-bolsa 
(AMBU). 
 
• Manter a pressão do balonete do tubo orotraqueal entre 20 e 
25 cmH2O. 
 
• Manter o posicionamento apropriado das conexões do 
ventilador de modo que facilite a drenagem da condensação 
para o copo coletor. 
 
• Trocar as conexões e os dispositivos de aspiração, oxigenação 
e de ventilação, conforme protocolo da CCIH. 
 
9.4- Aspiração das vias aéreas superiores e inferiores 
Vias aéreas superiores 
• Aspirar as vias aéreas superiores, conforme o Procedimento 
Operacional Padrão (POP) institucional. 
 
• Aspirar a orofaringe, introduzindo o cateter por uma das 
narinas. A sonda introduzida não deverá ultrapassar o limite 
da marcação (ponta do nariz ao lóbulo da orelha) para não 
induzir vômito. 
 
• Aspirar as cavidades bucal e nasal de clientes com distúrbios 
de coagulação, utilizando cateter fino e, de preferência, 
lubrificado com gel hidrossolúvel, a fim de evitar 
sangramento. 
 
• Avaliar as condições respiratórias do cliente para o 
aprazamento das aspirações. 
 
• Fazer nebulização com soro fisiológico 0,9% antes da 
aspiração, caso as secreções estejam espessas. Se 
permanecerem espessas, instilar 5 gotas de SF 0,9% em cada 
narina, uma de cada vez. 
 
• Aspirar o orifício interno da cânula orofaríngea (guedel). 
Vias aéreas inferiores 
• Aspirar as vias aéreas inferiores, conforme o Procedimento 
Operacional Padrão (POP) institucional. Não induzir vômito 
 
• Avaliar as condições respiratórias do cliente para o 
aprazamento das aspirações. 
 
• Evitar instilar SF 0,9% na cânula traqueal e ventilar com a 
bolsa-máscara concomitantemente, durante a aspiração. 
Aplicar estratégias para evitar a 
formação de rolhas, tais como: 
hidratação do cliente, umidificação 
das vias aéreas pelo ventilador 
mecânico e nebulização com soro 
fisiológico de 10 a 20 minutos 
antes da aspiração. 
• Realizar, sempre, o procedimento de aspiração de vias aéreas 
inferiores em clientes intubados com dois profissionais, 
quando houver necessidade de utilizar a bolsa-máscara 
ventilatória. 
 
9.5-Intervenções imediatas diante o vômito 
• Lateralizar a cabeça 
• Interromper a dieta enteral. 
• Aspirar a cavidade oral, faríngea e traqueal. 
• Elevar a cabeceira da cama. 
• Investigar sinais de broncoaspiração: tosse, cianose, queda 
dos níveis de saturação de oxigênio, dispneia ou apneia, 
auscultação de crepitações ou sibilos, presença de aspirado 
traqueal com resíduos gástricos e hipotensão arterial. 
 
• Comunicar o médico. 
 
Referências 
 
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monitoramento. Projeto Diretrizes, 2011. 12p. 
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Care Med., v. 23, n. 6, p. 1055-1060, 1995. 
 
 
 
 
 
 
 
Ilustrações 
 
 
 Ilustração 1. Posicionamento da ponta do cateter no jejuno, após o ângulo de Treitz 
 
 
APROVAÇÃO 
Elaborado por: Revisador por: Aprovado por: 
 10/2010 
Thaís Santos Guerra Stacciarini 
COREN-MG 106.386 
 
 
 
 
 
 
04/2013 
Thaís S G Stacciarini 
Danielli Soares 
Hélida Rosa da Silva 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10/2010 
Gilmar Rosa da Silva 
 Diretor de Enfermagem do HC/UFTM 
 
04/2013 
Gilmar Rosa da Silva 
 Diretor de Enfermagem do HC/UFTM 
 
 
 
 
 
 
 *Revisão anual ou antes, quando modificado alguma conduta.

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