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Histologia – Sistema Cadiovascular 5 – Visão Geral do Sistema Cardiovascular O sistema cardiovascular é um sistema de transporte que leva o sangue e a linfa para os tecidos do corpo. Dentro do sistema cardiovascular estão inclusos o coração, os vasos sanguíneos e os vasos linfáticos. Os vasos que possuímos no sistema cardiovascular são as veias e as artérias, onde as artérias transportam sangue do coração para os outros tecidos e as veias transportam o sangue dos outros tecidos para o coração. 6 – As Túnicas do Coração A parede do coração é contínua nos átrios e nos ventrículos, além disso, a mesma é composta por três camadas: 6.A) Pericárdio O pericárdio não é totalmente parte do coração, na verdade é considerada parte do coração apenas sua camada visceral serosa, que também é chamada de epicárdio. Mas o pericárdio em si é dividido em quatro estruturas: +Pericárdio fibroso: É composto principalmente por tecido conjuntivo denso e é a camada mais esterna do pericárdio. +Camada parietal do pericárdio seroso: É uma camada de células mesoteliais, acompanhadas de tecido conjuntivo e adiposo. Essa camada reveste os grandes vasos que se conectam com o coração. +Cavidade pericárdica: Espaço entres as duas camadas serosas do pericárdio, essa região é revestida por células mesoteliais e por dentro da mesma passa sangue. +Camada visceral do pericárdio seroso: É a camada mais interna do pericárdio e a única que é considerada como parte do coração. Ela é formada por células mesoteliais unidas com tecido conjuntivo e adiposo. 6.B) Epicárdio Também conhecido como camada visceral do pericárdio seroso, é a segunda túnica mais externa do coração. O epicárdio consiste em uma única camada de células mesoteliais, com tecido conjuntivo e adiposo adjacentes. Os vasos e nervos que suprem o coração se localizam no epicárdio e possuem uma camada de tecido adiposo ao redor, o que acolchoa o coração na cavidade pericárdica. Caso Clínico: O “tamponamento cardíaco” se dá quando o pericárdio está com líquido (sangue) acumulado, ou seja, a camada mais externa do coração, que possui uma cavidade chamada “cavidade pericárdica” está com excesso de líquido, o que a torna inchada, dificultando a entrada e saída de sangue do coração. Esse caso pode ser letal e para resolvê-lo é necessária a drenagem do líquido da cavidade pericárdica, que fica entre a camada parietal do pericárdio seroso (mais externa) e a camada visceral do pericárdio seroso (mais interna). 6.C) Miocárdio Estrutura formada basicamente de músculo cardíaco, é o principal componente do coração e se localiza entre o epicárdio e o endocárdio. O miocárdio dos átrios é mais fino que o dos ventrículos, já que os átrios recebem sangue das grandes veias e o libera para os ventrículos adjacentes, o que exige pouca pressão. Agora, os ventrículos precisam de um miocárdio mais volumoso pois devem bombear o sangue através das circulações pulmonar e sistêmica. 6.D) Endocárdio Consiste em uma camada interna do endotélio e de tecido conjuntivo subendotelial, além de tecido conjuntivo e tecido muscular liso. No endocárdio existe uma camada mais profunda de tecido conjuntivo que é chamada de camada subendocárdica. As valvas cardíacas são compostas de tecido conjuntivo com endocárdio suprajacente. Cada valva cardíaca é composta por três camadas: 1 – Camada Fibrosa: Forma o núcleo da valva e contém extensões fibrosas a partir do tecido conjuntivo denso não modelado dos anéis esqueléticos do coração. 2 – Camada Esponjosa: Consiste em tecido conjuntivo frouxo localizado no lado atrial de cada valva. Essa camada é composta de fibras colágenas e elásticas dispostas frouxamente e imersas em grande quantidade de proteoglicanos. A camada esponjosa age como absorvente de choques, além de conferir plasticidade para as valvas cardíacas. 3 – Camada Ventricular: Se localiza imediatamente adjacente à superfície ventricular de cada valva e é coberta por endotélio. Essa camada também contém tecido conjuntivo denso, com bastante fibras elásticas. 7 – Sistema de Condução Elétrica do Coração Os impulsos elétricos são gerados no nó sinoatrial (SA), onde estão localizadas células musculares cardíacas nodais especializadas, que estão localizadas próximo da junção da veia cava superior com átrio direito. O nó SA é o marca-passo do coração, esse nó costuma ter uma frequência de 60 a 100 batimentos por minuto. O impulso gerado pelo nó SA se propaga ao longo das fibras musculares cardíacas dos átrios e ao longo dos tratos internodais, que são compostos de fibras cardíacas modificadas. Em seguida, o impulso é captado no nó atrioventricular (AV) e é transportado por um feixe, que se divide em dois feixes menores e que se dividem em ramos subendoteliais, comumente chamados de fibras de Purkinje. As fibras de Purkinje conduzem os impulsos 4 vezes mais rápido que as fibras musculares cardíacas e são os únicos elementos capazes de transportar impulsos através do esqueleto fibroso. 7.A) Células Musculares Cardíacas Nodais Consistem em fibras musculares cardíacas com menor quantidade de miofibrilas e são desprovidas de discos intercalares, além disso, são menores que as células musculares circundantes. Essas células se encontram no nó sinoatrial (SA) e no nó atrioventricular (AV). 7.B) Fibras de Purkinje As células que formam as fibras de Purkinje são maiores que as células musculares ventriculares, suas miofibrilas estão localizadas na periferia da célula, seus núcleos são esféricos e maiores que os núcleos das células musculares cardíacas. As células de Purkinje apresentam estrutura variável e uma alta quantidade de glicogênio em seu citoplasma. Devido ao glicogênio armazenado, as células de Purkinje são mais resistentes à hipoxia que as células musculares dos ventrículos, além disso, quando coradas por HeE essas células apresentam a porção central pálida, graças ao glicogênio. 8 – As Túnicas do Sistema Condutor O sistema condutor é formado pelas artérias e as veias, essas duas estruturas são compostas por três camadas, denominadas túnicas. 8.A) Túnica Íntima É a camada mais interna do vaso, que pode ser dividida em três componentes: 1 – Endotélio: Camada única de células epiteliais pavimentosas 2 – Lâmina Basal: Fina camada extracelular, ligada ao endotélio e que é formada principalmente por colágeno, proteoglicanos e glicoproteínas. 3 – Camada Subendotelial: Tecido conjuntivo frouxo, que pode apresentar algumas células musculares lisas. Essa camada também possui um folheto de material elástico, denominada lâmina elástica interna, as fenestrações desse folheto possibilitam a difusão de substâncias através da camada, para as células na parede do vaso. 8.B) Túnica Média Consiste principalmente em células musculares lisas vasculares dispostas circunferencialmente. Nas artérias, a túnica média é mais espessa e se estende da lâmina elástica interna até a lâmina elástica externa. A lâmina elástica externa é uma camada de fibras elásticas que separa a túnica média da túnica adventícia. Quantidades variáveis de fibras elásticas, fibras reticulares e proteoglicanos estão interpostas entre as células musculares lisas da túnica média. 8.C) Túnica Adventícia É a camada mais externa dos vasos e é composta de tecido conjuntivo, esse tecido conjuntivo é composto principalmente de fibras colágenas, além de possuir algumas fibras elásticas dispostas longitudinalmente. A túnica adventícia é relativamente fina em boa parte do sistema arterial, enquanto é mais espessa em veias e vênulas, onde se apresenta como principal componente da parede do vaso. A túnica adventícia nas grandes veias e artérias possui pequenos vasos, denominados vasos dos vasos, que suprem aspróprias paredes vasculares. Elas também possuem pequenos nervos autônomos, que controlam a contração do músculo liso na parede dos vasos, na porção da túnica média. 9 – Características das Artérias e Veias Artérias podem ser classificadas em diferentes tipos, que geralmente dependem de seu calibre e nas características da túnica média. 9.A) Artérias de Grande Calibre / Artérias Elásticas Exemplos Principais: Aorta (transporta sangue do coração para o sistema) e artérias pulmonares (transportam sangue do coração para os pulmões). Função principal: Tubos de condução diretamente ligados ao coração, o que faz com que recebam alta pressão e por isso precisam de elasticidade. Destaque: As artérias de grande calibre possuem pequenas fibras nervosas simpáticas, que liberam norepinefrina e promovem a vasoconstrição, além de possuírem vasos dos vasos, que fornecem nutrientes para a parede vascular e remove os produtos de degradação. A túnica média é a principal túnica desse tipo de artéria, além disso, essa camada apresenta quantidade relativamente maior de elastina que as outras artérias. Curiosidade: A túnica íntima das artérias elásticas é espessa e entre seus componentes está o revestimento endotelial. As células endoteliais possuem inclusões citoplasmáticas em formato de bastonetes, denominadas corpúsculos de Weibel-Palade. Essas estruturas das células do endotélio possuem fator de Von Willbrand, que é uma glicoproteína que pode ser secretada para se ligar ao fator de coagulação VII, o que promove a adesão de plaquetas no local de lesão do endotélio. 9.B) Artéria de Calibre Médio / Artérias Musculares Exemplos Principais: A maioria das artérias do corpo, mas algumas dessas artérias são difíceis de classificar, pois apresentam características intermediárias entre as artérias elásticas e as arteríolas. Função: São a zona de transição entre as artérias elásticas e artérias musculares grandes Destaque: A túnica íntima das artérias musculares é mais fina e contém uma membrana elástica interna proeminente. Além disso, a túnica média apresenta maior quantidade de músculo liso, que corresponde a quase toda a túnica média, e menor quantidade de elastina. Curiosidade: A espessura da túnica íntima varia com a idade e outros fatores, como alimentação. Uma criança apresenta túnica íntima bem fina, o que favorece a circulação do sangue. Agora, idosos geralmente apresentam depósitos de lipídios que formam “estrias gordurosas irregulares”, o que diminui o diâmetro do vaso e aumenta a pressão arterial. 9.C) Artérias de Pequeno Calibre e Arteríolas Ambas tem o calibre bem pequeno, mas se diferem pelo número de camadas de músculo liso que apresentam. As arteríolas apresentam até 2 camadas de músculo liso, enquanto as pequenas artérias apresentam até 8 camadas de músculo liso. Função: As arteríolas atuam principalmente como reguladores do fluxo de sangue para os capilares, através da contração das células musculares lisas. O ligeiro espessamento do músculo liso na origem do leito capilar a partir de uma arteríola, o que reduz a passagem do sangue na região, é denominado esfíncter pré-capilar. 9.D) Vênulas e Veias de Pequeno Calibre As túnicas das veias não são tão distintas nem bem definidas quanto as túnicas das artérias, então o fator principal de classificação se torna apenas o calibre. Função: Recebem sangue dos capilares e apresentam diâmetro muito pequeno. As vênulas têm diâmetro de apenas 0,1 mm e as veias de pequeno calibre possuem diâmetro menor que 1 mm. As vênulas pós-capilares são importantes locais de ação dos agentes vaosativos, como a histamina e a serotonina, elas também participam ativamente da migração de linfócitos do sangue, já que muitas vezes se conectam a órgãos do sistema linfático. Destaque: As vênulas possuem pericitos, que são estruturas em formato de guarda-chuva e formadas por células-tronco. A relação das células endoteliais com os pericitos promove a proliferação e a sobrevida de ambos, já que ambos sintetizam a lâmina basal e fatores de crescimento. As vênulas musculares se diferenciam das pós-capilares pois as musculares apresentam túnica média, com uma ou duas camadas de músculo liso. Entretanto, as vênulas musculares não costumam apresentar pericitos. As veias de pequeno calibre funcionam como uma continuação das vênulas musculares. 9.E) Veias de Calibre Médio Exemplos principais: Veia radial, veia tibial e veia poplítea. Função: São a maioria das veias do corpo e costumam estar acompanhadas das artérias. Seu diâmetro é de até 10 mm. Destaque: Essas veias apresentam válvulas, principalmente nos membros inferiores, que impedem que o sangue que etá sendo bombeado em direção ao coração seja derramado de volta na região que ele estava previamente. Caso clínico: Um local comum para formação de trombos no corpo humano são as veias profundas dos membros inferiores, quando isso ocorre é dito que temos uma trombose venosa profunda (TVP). A TVP costuma ocorrer por causa da imobilização dos membros inferiores, devido a um repouso prolongado ou à restrição de movimento. A TVP pode apresentar risco de perda do membro, por entupimento dos vasos sanguíneos acompanhado de necrose, além de poder apresentar risco à vida do paciente, devido ao potencial de desenvolvimento de embolia pulmonar por um coágulo desalojado das veias profundas. 9.F) Veias de Grande Calibre Exemplos principais: Veias cavas superior e inferior, além da veia porta do fígado. Todas são veias com diâmetro maior que 10 mm. Função: Últimos condutores de sangue do sistema e dos pulmões em direção ao coração. Destaque: Veias de grande calibre possuem túnica média relativamente fina, enquanto apresentam uma túnica adventícia espessa. A túnica adventícia desse tipo de veia contém células musculares dispostas longitudinalmente. Essas células musculares são principalmente de músculo liso, mas em regiões como as veias cava inferior e superior, a camada adventícia possui bainhas miocárdicas, ou seja, feixe de músculo estriado cardíaco. 10 – Capilares Os capilares são os vasos sanguíneos de menor diâmetro, frequentemente até menor do que um eritrócito. Os capilares formam as redes sanguíneas que possibilitam o fluxo de líquidos contendo gases, metabólitos e produtos de degradação. Um capilar consiste apenas em uma camada de células endoteliais e suas lâminas basais. As células endoteliais dos capilares formam um tubo de diâmetro exato para possibilitar a passagem de apenas um eritrócito por vez, em muitos capilares o lúmen é tão estreito que os eritrócitos precisam se dobrar sobre eles próprios para passar pelo vaso. Além disso, como as paredes dos capilares são extremamente finas, a difusão de gases e nutrientes para os tecidos próximos é bem facilitada. Os tipos de capilares variam em diferentes tecidos e órgãos, de acordo com sua morfologia, os capilares se dividem em três tipos: Contínuos, fenestrados e descontínuos. 10.A) Capilares Contínuos Local: São encontrados no tecido conjuntivo, nos tecidos musculares, nos pulmões, na pele e no sistema nervoso central. Destaque: Esse capilar de caracteriza por possuir endotélio contínuo, acompanhado de uma lâmina basal contínua. Função: As células endoteliais desse capilar são unidas por junções de oclusão, que podem ser vistas em cortes transversais, essas junções de oclusão regulam o que passa pelos capilares para chegar nos outros tecidos. 10.B) Capilares Fenestrados Local: Glândulas endócrinas e locais de absorção de líquidos e metabólitos, tais como a vesícula biliar, rins, pâncreas e trato intestinal. Destaque: Suas células endoteliais apresentam diversas aberturas circulares, denominadas fenestrações. É dito que provavelmenteas fenestrações surgem quando uma vesícula em formação estende-se pela camada citoplasmática e abre-se na superfície oposta, cruzando todo a células endotelial, que é muito fina. A lâmina basal do endotélio desses capilares é contínua, assim como a dos capilares contínuos. Função: As fenestrações desses capilares proporcionam canais através da parede capilar que servem como poros de filtração. 10.C) Capilares Descontínuos / Sinusoides Local: Fígado, baço e medula óssea. Esses três órgãos podem indicar alguma ligação desse capilares com o sistema linfoide. Destaque: Possuem um diâmetro maior que o dos outros capilares e suas células possuem grandes aberturas no citoplasma. As células endoteliais são separadas por lacunas intercalares amplas e irregulares. A lâmina basal desse tipo de capilar é descontínua, o que possibilita as grandes lacunas. No baço, as células endoteliais têm formato fusiforme e apresentam espaços entre as células vizinhas Função: Essas lacunas possibilitam a passagem de proteínas plasmáticas do sangue, que geralmente são moléculas grandes. Curiosidade: Os capilares e algumas vênulas pós-capilares estão associados a células perivasculares que circundam as células endoteliais vasculares, essas células circundantes são os pericitos, ou células de Rouget. Os pericitos são contráteis e regulados pelas células endoteliais, eles têm a capacidade de modular o fluxo sanguíneo dos capilares em leitos específicos, como o cérebro. Do ponto de vista histológico, os pericitos apresentam características de células-tronco mesenquimatosas indiferenciadas, pois apresentam grandes núcleos ricos em heterocromatina e capacidade de reação a estímulos ambientais, incluindo diferenciação em diversos tipos celulares, de osteócitos até adipócitos. Caso Clínico: A proliferação descontrolada de pericitos dá origem ao hemangiopericitoma, um tumor vascular raro, que pode surgir em qualquer lugar do corpo onde hajam capilares. Esse tumor é causado por uma desregulação dos pericitos, que acabam por se diferenciar em células vasculares e promover uma angiogênese descontrolada e com potencial para perfurar outros tecidos.